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Descomplicando a Musicalização

Educação musical para não-músicos

Esta apostila contém exemplos de brincadeiras e atividades para o desenvolvimento de


uma aula de música na pré-escola e ensino fundamental. Este material foi desenvolvido como
parte do site Musiqueducando, voltado para divulgação de material para educação musical nas
escolas e musicalização infantil.
Descomplicando a Musicalização – Educação musical para não-músicos
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Descomplicando a
Musicalização
Educação Musical para Não-Músicos

Descomplicando a Musicalização é a primeira oficina com a grife


Musiqueducando, blog sobre educação musical criado em 2013 por Marcelo
Serralva. A oficina trata sobre o tema de forma simples e prática, destinando-se
principalmente a educadores e interessados leigos ou com pouca experiência
em música. A ideia é estimular práticas musicais simples que podem ser
aplicadas por todo, mesmo leigos no assunto. Surgiu do interesse de
professores de outras áreas que buscavam os artigos do blog para aproveitar
dicas de como usar a música como ferramenta pedagógica e recurso valioso
para conquistar os alunos em aulas de outras matérias.
Mas a oficina também cabe para aqueles que já possuem conhecimento
e experiência como educadores musicais. A oficina traz as atividades e
músicas desenvolvidas por Marcelo Serralva em sua trajetória como educador
e compositor, de forma 100% prática e priorizando a criatividade e produção
musical própria.

Conteúdo desta oficina:


– Práticas de Percussão corporal
– Jogos de palmas trabalhando percepção musical e ritmo
– Uso do canto e corpo
– Dinâmicas rítmicas e musicais
– Exemplificação de recursos como contação de histórias, paisagem sonora,
jogos de copos (cup songs), etc.
– Prática de instrumentos musicalizadores
– Mini-oficina de composição musical com a criação de uma música e um vídeo
ao fim do evento.
Este material
Apostila com 42 páginas e 15 atividades. Acompanha DVD com 15
vídeos complementares.

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Musiqueducando 2015 Todos os direitos reservados Marcelo Serralva
Descomplicando a Musicalização – Educação musical para não-músicos
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Sobre o autor

M
Marcelo Serralva, ou Tio Marcelo, como é
carinhosamente conhecido pelas crianças para as
quais leciona desde 2011, é músico (cantor,
instrumentista e compositor), professor de
musicalização infantil em várias escolas de ensino
fundamental e pré-escola e, além disso tudo (ufa!), é
desenhista nas horas vagas.

Estudou no Villa Lobos, Cigan e outras escolas de


renome, e atualmente cursa Licenciatura de música
na UNIS.

Como músico, Tio Marcelo possui mais de 20 anos


de carreira, acompanhando artistas como Rosana
(atualmente Rosanah Fienngo) e Rômulo Arantes, além de bandas como
Akundum e V-trix.
Tio Marcelo atualmente desenvolve dois projetos voltados para a
educação musical infantil: o site Musiqueducando e a Turminha do Tio Marcelo.
O Musiqueducando surgiu como um projeto da faculdade e nasceu da
dificuldade encontrada pelo próprio professor de achar material na internet
sobre o assunto Musicalização. O site se propõe a expor os assuntos de
maneira prática, e refletem as experiências vividas em sala de aula pelo autor.
O projeto Turminha do Tio Marcelo surgiu da necessidade de passar
às crianças o ensino musical, porém de uma forma divertida e agradável. Os
personagens foram desenhados pelo próprio Tio Marcelo e estão agora sendo
animados para uma série de clipes com músicas tradicionais e inéditas. O cd,
já gravado, é todo em formato acústico, com violões, ukulelê, bandolim, piano e
percussão. Além disso, a Turminha possui um canal no Youtube – a TV da
Turminha – com vídeos semanais divertidos ensinando música de uma forma
lúdica e visualmente atraente para as crianças, recheada de desenhos
animados e bem colorida.

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Sobre esta apostila


Não me prenderei a definições sobre musicalização, pois acredito que a
pessoa que busca este material já tem a sua resposta sobre esta pergunta.
Esta é uma apostila que busca demonstrar soluções práticas para atividade
musical em sala de aula.

A pergunta é: como tornar uma aula de música atrativa na educação


infantil e no ensino fundamental? Como construir um repertório de músicas e
atividades que consigam prender o interesse das crianças?

Foi pensando nisso, e fazendo uso da experiência adquirida em sala de


aula, que concebi este material, voltado para educadores e interessados no
assunto. O primeiro diferencial desta apostila é que ela é essencialmente
prática, refletindo a minha própria vivência, que foi construída em cima das
experimentações que faço nas aulas para educação infantil e ensino
fundamental. Entendo que já existam diversas bibliografias que propiciam ao
professor o embasamento teórico necessário. Este é um material que prioriza o
fazer em sala de aula, ideal para aqueles que necessitam de uma aplicação
imediata.

Outro aspecto é que o material trabalhado neste método – tanto músicas


e atividades – são compostas por mim e, em sua grande maioria, são inéditas e
exclusivas desta apostila. Este detalhe vem de encontro a uma enorme
dificuldade que senti nos meus primeiros meses de aula, de encontrar material
que eu pudesse aplicar em minha realidade como docente. Como essa
dificuldade persistiu, comecei a compor e criar atividades para aplicação
própria.

Esta apostila não se propõe a negar ou ignorar o que foi construído por
outros educadores musicais, muito pelo contrário. Sua proposta é trazer novos
materiais para dentro da sala de aula, e fomentar por parte dos professores um
interesse em produzir material próprio.

Por isso, reservei no módulo final deste método um espaço para que
possamos juntos exercitar a criatividade tentando compor uma música. Esta é
uma atividade que sempre realizo com meus alunos, com resultados
surpreendentes. Utilizo para tal a minha experiência como compositor, com
mais de oitenta músicas criadas. Procuro mostrar que o exercício de
composição é uma atribulação diária, e possível mesmo para aqueles que não
acreditam possuir dom para tal.

Assistir no DVD Vídeo 1

*Toda vez que aparecer este símbolo (botão play), assista ao vídeo complementar referente no DVD.

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Sugestões para os
educadores
Pequenas sugestões que podem auxiliar no dia-a-dia de quem já é educador
ou pretende sê-lo:

Utilize o chão

Utilize o chão! A educação tradicional de música requer o professor em pé na


frente da classe, enquanto seus alunos estão sentados assistindo-o. Quando
você se senta com alunos ao chão, cria uma situação de cumplicidade, onde
você já não é mais o mestre, mas um mediador que mostrará as atividades que
eles desenvolverão. O foco também sairá de você e recairá na atividade em si,
tornando o aprendizado mais eficaz. O que nos leva à próxima dica:

- Utilize roupas confortáveis. Será necessário sentar no chão, ou em pequenas


cadeiras para trabalhar com as crianças. Prefira roupas e sapatos que lhe
permitam movimento e não lhe incomodem.

- O tom de voz para tratar com as crianças não precisa ser infantilizado. É
interessante realçar as dinâmicas com a própria voz, e às vezes usá-la de
forma um pouco mais exagerada, mas evite um tom de voz que trate as
crianças como burras. Elas agradecem.

- Para quem trabalha com instrumento musical, é bom possuir um instrumento


que aguente o “rojão” de diversas aulas em sequência, e crianças que
inevitavelmente irão mexer nele. Por isso, é bom evitar colocar aquele violão
caríssimo para acompanhamento nas aulas. Pesquise também sobre
instrumentos alternativos. No meu caso, que tenho uma formação de teclado,
comecei usando o violão em sala de aula até descobrir o ukulelê (também
conhecido como guitarra havaiana). Do tamanho de um cavaquinho, porém
mais fácil de aprender, foi perfeito para as atividades que eu desenvolvia. Outro
instrumento que utilizo muito é o tambor de alfaia (tambor de maracatu), para
conduzir algumas atividades rítmicas.

- Em uma aula, é possível ter vários momentos e atividades, subdividindo o


período de tempo da aula de forma a torná-la mais dinâmica. Por exemplo: o
canto de entrada, um aquecimento de voz, uma atividade de ambientação, a
atividade principal, um relaxamento e o canto de despedida. Entretanto, isso
não é uma fórmula pronta, sendo possível outras estruturações. Lembre-se
sempre de conduzir atividades no tamanho de tempo adequado para a faixa
etária de sua turma, para não correr o risco de que elas enjoem e se

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dispersem. Se a atividade não estiver funcionando a contento, troque para


outra.

Sobre as aulas de música

As aulas devem ser curtas e atrativas. Devem ser adaptadas à faixa etária da
criança, levando em conta seu desenvolvimento motor e cognitivo. Evite
estimular a competição, busque brincadeiras e atividades que não levem à
eliminação daqueles que errarem. Trabalhe atividades coletivas, onde a criança
será comparada ao seu próprio desenvolvimento, e não haverá comparações
entre os integrantes do grupo. Cada criança tem o seu ritmo, seu interesse,
então algumas se destacarão e outras não. Isso não significa que aquela que
não se destacou não possua habilidades musicais.
Lembre-se: você não está formando musicistas, mas estimulando diversas
habilidades através do fazer musical. Nossa formação tecnicista tende a
supervalorizar o dom, o talento nato. Mas aprendemos depois que o
aprendizado só se dá com muito esforço e perseverança. As crianças poderão
aprender com as aulas de músicas outros valores, como: sociabilidade,
hierarquia, trabalho em grupo, etc.

Preciso saber tocar um instrumento para dar aulas de musicalização?

Não é necessário saber tocar um instrumento, mas é claro que ajuda. Caso
você não seja instrumentista, pode utilizar instrumentos simples como
chocalho, um tambor, ou kazoo (uma espécie de apito, com um som parecido
com o trompete, facílimo de tocar). Use sua voz, também. Lembre-se que ela
também é instrumento.
Você pode lançar mão de recursos como percussão corporal, jogo de copos,
bater na mesa, e tudo o mais que estiver ao seu alcance. A idéia é tornar a
aula o mais atrativa possível.
Se não puder dispor de um instrumento, material de apoio como CD ou DVD e
outros recursos são bem-vindos.

Quantas vezes é possível repetir uma atividade ou música, sem que isso
fique enjoativo?

É possível sempre retornas aos temas de aulas ou às canções utilizadas,


várias vezes, sem risco de que as crianças enjoem. Aliás, isso é até desejável,
para que o conteúdo se fixe de forma natural. Pense que uma criança passa
meses na pré-escola aprendendo a desenhar os números ou formando sílabas
e encontros vocálicos. Assim, da mesma forma deve ser o explicado o
conteúdo de música. Não adianta explicar altura ou intensidade, e depois
nunca mais tocar no assunto. Pode-se, inclusive, tratar os temas diversas
vezes, em atividades distintas.

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Nome dos alunos

Lembrar os nomes de todos os alunos não é tarefa fácil. Ainda mais quando se
dá aulas em várias escolas, como eu. Normalmente, a aula de música se
resume a um encontro por semana, o que torna ainda mais difícil a tarefa de
memorizar os nomes de cada aluno. Entretanto, este é um esforço importante,
pois os alunos ficam tocados quando o professor os trata pelo nome, e
ofendidos quando ele não se lembra. Isso faz parte da construção da
identidade do próprio aluno. Para isso, vale utilizar pequenos truques, como
associar o nome do aluno a uma característica dele – Maria, de cabelo
vermelho; Pedro, de temperamento agitado. (***). Ou mesmo colar pequenas
etiquetas com o nome de cada aluno em sua blusa, caso seja imprescindível
utilizar seus nomes naquele momento.

Arrumando a sala ao término das atividades

A própria arrumação da sala, ao término de uma atividade que tenha utilizado


materiais ou alterado a disposição dos móveis ou cadeiras, deve contar com a
participação dos alunos. Faça-o de forma divertida, mas ressaltando que é
importante preservar o espaço para a próxima aula ou atividade.

Aprenda a improvisar

Mesmo munido do seu plano de aula, tenha sempre um plano B, um C e até


um D, se necessário. Aprenda a improvisar e tomar outro rumo se o que foi
planejado não surtir o efeito desejado. Aliás, muitas vezes o que você planejou
não será possível, pois muitos imprevistos acontecem (o que é muito normal
quando se trabalha com crianças). Não se desespere e lide bem com a
improvisação, divirta-se com ela. Muitas vezes uma aula improvisada sairá mil
vezes melhor do que a aula que foi planejada.

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A construção do repertório
A construção de um repertório para uso em aulas de música da
educação infantil é uma coisa dinâmica, e deve levar em conta características
variadas, como a região dos interessados, a realidade dos alunos, a filosofia da
escola, o gosto do educador musical. O repertório deve dialogar com o aluno, e
provocar interesse no mesmo. Mas ele não pode ser calcado apenas no gosto
musical do aluno, tampouco do mestre.
O gosto musical do aluno ainda está sendo desenvolvido, e essa é uma
das funções da aula de música – a sensibilização musical e a criação de um
“ouvido” musical mais apurado. Este apuro não tem uma conotação elitista –
por exemplo, que a criança prefira música clássica à popular – mas sim que o
aluno ganhe um discernimento e uma compreensão da música como um todo.
Além disso, existe a escola, e o repertório deve estar de acordo com que
a administração espera do professor...

Trabalhando o repertório de olho nas diferenças dos alunos

Entre alunos da mesma escola, sempre haverá entre eles diferenças , às


vezes enormes, no conhecimento de repertório musical. Claro, todos eles
trazem gostos musicais diversos, influências paternais e da mídia. Entretanto, a
maior diferença se dá por conta da influência das professoras da educação
infantil – as “tias” (apesar de Paulo freire rechaçar esta expressão). Cada turma
acaba tendo um repertório próprio, além do comum a todos os alunos , em
cima das músicas que aquela professora canta em sala de aula. Quanto mais a
professora fizer uso de músicas em suas aulas, mais rico será o repertório de
sua turma.
Assim, um bom caminho é estreitar a relação com a professora que
cuida da turma durante toda a semana. Muitas vezes ela possui um repertório
próprio, que as crianças conhecem e apreciam. Para o educador que trabalha
com apoio de um instrumento musical, é interessante utilizar estas músicas,
mesmo que as crianças as cantem a semana toda. Com o acompanhamento
do instrumento, a música ganha outra roupagem e uma dinâmica diferente.
Muitas músicas são características da sala de aula, e circulam entre as
professoras de educação infantil de forma oral. Uma ensina à outra, e estas
músicas acabam não tendo um registro formal. Em sua maioria são de autores
anônimos.
Além disso, existem muitas músicas trabalhadas nas escolas
construídas através de paródias, recurso que explicaremos mais tarde e é
bastante útil.

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A escolha do repertório inicial


O primeiro repertório é decidido em cima do gosto do educador. A
proposta é que, a partir das aulas ministradas, este repertório não seja uma
coisa estática, “dura”. Na medida em que o educador vai travando
conhecimento com seus alunos, com os outros professores, com o ambiente da
escola e os pais, ele vai incorporando essas referencias e influências e se
aproveitando delas.
E de que é o composto este repertório inicial? Normalmente, opta-se por
cantigas de roda (cirandas) e parlendas, além de músicas com cunho educativo
de artistas como Palavra Cantada, Bia Bedran, etc.

Cantigas de roda (Cirandas) – As cantigas de roda ou cirandas são


brincadeiras que consistem na formação de uma roda, com a participação de
crianças, que cantam músicas de caráter folclórico, seguindo coreografias. As
músicas e coreografias são criadas por anônimos, que adaptam músicas e
melodias. As letras das músicas são simples e trazem temas do universo
infantil. (fonte:suapesquisa.com)

Exemplos: Não atire o pau no gato, Escravos de Jô, O sapo não lava pé.

Muitas dessas músicas possuem brincadeiras relacionadas a ela. Por exemplo:


a música Dona Aranha ensina às crianças a subir e descer. Normalmente as
professoras realizam uma brincadeira em que a criança sobre e desce com as
mãos na parede, imitando a aranha.

Parlendas – Versos com temática infantil que são usadas em jogos infantis
para melhorar o relacionamento entre os participantes ou apenas por diversão.
Muitas parlendas são antigas e, algumas delas, foram criadas, há décadas.
Elas fazem parte do folclore brasileiro, pois representam uma importante
tradição cultural do nosso povo. (fonte:suapesquisa.com)

Exemplos;

“Um, dois, feijão com arroz.


Três, quatro, feijão no prato.
Cinco, seis, chegou minha vez
Sete, oito, comer biscoito
Nove, dez, comer pastéis.”

“Dedo Mindinho
Seu vizinho,
Maior de todos

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Fura-bolos
Cata-piolhos.”

Músicas de cunho educativo – Artistas como Palavra Cantada, Bia Bedran, e


outros menos conhecidos, como Zé Cuca, Barbatuques, etc. possuem músicas
que buscam ensinar algo às crianças. É um repertório de bastante qualidade e
deve ser garimpado. Algumas cifras estão disponíveis em sites como CifraClub
ou Cifras, nem sempre com uma qualidade confiável.

Este primeiro repertório (que foi proposto na Apostila de Musicalização


básica) será o pontapé inicial das aulas. A partir daí, o educador poderá
incorporar outras influências a partir da observação do gosto de seus alunos,
das professoras e até dos pais. Além disso, pode-se observar a demanda da
escola, abrindo espaço para composições próprias, sozinho ou junto com a
turma, a partir de temas que são explorados na própria sala de aula ou em
projetos pedagógicos.

Em meu canal voltado para o público infantil, a Turminha do Tio Marcelo,


disponibilizo dezenas de vídeos com músicas educativas de minha autoria. No
DVD que acompanha esta apostila incluí o vídeo de uma, cantada pelo meu
filho João, de 13 anos: Água.

Assistir no DVD Vídeo 2

De olho nas referências musicais que os alunos trazem

Seus alunos, mesmo que muito pequenos, já trazem uma gama de


informações musicais consigo. Desde a influência dos pais até as artistas
trazidas pela TV, filmes, desenhos e principalmente internet. Então, referências
midiáticas como Galinha Pintadinha, Patati Patatá, Xuxa e outros não devem
ser desprezados. Os dois primeiros trabalham com muitas músicas de domínio
público e algumas autorais, então boa parte do repertório deles já fará parte do
seu, como cantigas de roda.

Músicas midiáticas – usar ou não?


Dentro da influências sofridas pelas crianças há uma parte polêmica,
que é o uso (ou não) das músicas midiáticas, que atualmente qualquer crianças
conhece, músicas de artistas como Michel Telo, Latino, etc. Muitas tem letras
com teor apelativo e por isso não são aplicáveis em sala de aula.
Ao mesmo tempo, as crianças adoram, conhecem de cor e muitas vezes
pedem para o educador tocá-la. O que fazer?
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Há os que se negam a fazê-lo, e é compreensível. Entretanto, uma


opção para se aproveitar o impacto que essas músicas exercem sobre as
crianças é trabalhar com paródias.

Parodiando músicas (fazendo versões)


O que comumente conhecemos como versão em muitas escolas é
tratado pelo termo paródia.

Segundo a Wikipédia, “a paródia é uma imitação cômica de uma


composição literária (também existem paródias de filmes e músicas), sendo
portanto, uma imitação que possui efeito cômico, utilizando a ironia e o
deboche”. Entretanto, ela é muito utilizada nas escolas sem necessariamente
buscar o humor. Parodia-se para adaptar-se o tema às necessidades da
professora em um determinado trabalho, por exemplo.
No caso muitas professoras fazem versões das músicas para que seu
conteúdo se encaixe em determinado tema a ser trabalhado com as crianças.

Exemplos:

A música “Ai se eu te pego”, de Michel Telo, ganhou uma letra


explicando as cores, utilizando-se a melodia do refrão.

“Verde, vermelho, azul e amarelo


Quais são as cores? Quais são as cores? “

A música “Eu quero Tchu, eu quero tcha”, ganhou um trecho que elimina
os detalhes falando de bebida ou com conotações sexuais. Utiliza-se a melodia
da parte A da música:

“Cheguei na escola doidinho para estudar /a professora está no clima, todo mundo vai
gostar./ Tia (nome da tia) me chamou e disse: faz o tchu tcha tcha /eu perguntei o que é isso,
ela disse: eu vou te ensinar. / É uma dança bem legal, em Goiânia já pegou / em Minas
explodiu, em Tocantins já bombou / na (nome da escola onde se leciona) a turma faz /no verão
vai pegar/ então faz o tchu tcha tcha, Brasil inteiro vai gostar…”

Estas paródias (ou versões) não ferem o direito autoral, pois são
utilizadas apenas em ambiente escolar para fins educativos.

Utilizando o repertório dos pais dos alunos

Um contato muito importante com a música se dá através dos pais.


Inclusive na escolha do repertório infantil a que as crianças tem acesso. Por
isso, é muito comum crianças conhecerem músicas de um repertório infantil
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mais antigo, como Balão Mágico, Trem da Alegria, Sítio do Pica-pau Amarelo,
etc. Estas músicas normalmente fizeram parte da infância de seus pais, e ainda
são tocadas em muitas festas infantis. Um detalhe interessante é que este
repertório ainda gera uma identificação com as professoras de educação
infantil, já que muitas eram crianças quando estas músicas tocavam. É
diversão para a turma toda.

Compondo material próprio

Componho muito, muitas vezes em sala de aula, algumas vezes até em


parceria com as crianças (postarei em breve alguns vídeos com músicas que
fiz com alunos meus de 5 anos). Isso é interessantíssimo, porque você pode
levar em conta temas relacionados ao ambiente de suas crianças, gerando
uma identificação maior ainda com elas. Para quem não tem intimidade com
composição, trabalharei este tema em breve quando falar das Oficinas de
Composição Infantil. Quem quiser tentar compor para este público, sugiro
temas melódicos simples, e uma preocupação maior com a letra, por mais
paradoxal que isso pareça ser. As crianças prestam muita atenção ao que está
sendo dito na música (principalmente quando é uma música que elas estão
acabando de conhecer), por isso o valor das palavras é fundamental.

O mais importante, na construção de um repertório, é que o professor descubra


quais músicas tem um apelo maior junto às crianças e assim tocá-las sempre
que possível. O hábito é um aliado poderoso na criação de um gosto musical;
sempre volte àquelas músicas preferidas dos pequenos, e repita sempre as
músicas que você sentiu que “funcionaram”. Se for uma música sua, persista,
pois as crianças acabam se acostumando e gostando. No final, você verá que
algumas composições próprias, ou aquelas criadas pelas próprias crianças,
serão muitas vezes mais pedidas que músicas já consagradas.

As escolas possuem uma necessidade de material musical que não é


suprido pelos artistas atuais. Quem já trabalha em escolas sabe que as datas
mais importantes são trabalhadas junto aos alunos, muitas vezes em projetos.
A música pode auxiliar neste processo, identificando a demanda de cada
escola e provendo com composições específicas para cada necessidade, seja
através de uma música autoral, ou uma paródia ou versão.

Assistir no DVD Vídeo 3

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Planejamento inicial de uma


aula
(material retirado da apostila básica de Musicalização Infantil, do mesmo autor)

Um bom começo para uma boa aula de música é o planejamento prévio.


Este planejamento pode solucionar e prever questões como utilização do
espaço físico, material necessário, tempo utilizado para as atividades. Para
isso, o educador deve utilizar uma ferramenta fundamental: o plano de aula.

O plano de aula deve conter o tema, objetivos, tempo estimado para


execução da atividade, resultados, etc.

Um plano de aula pode ser dividido nos seguintes elementos:

Número Elemento Descrição

1 TEMA O assunto. Conteúdo que será trabalhado.


2 JUSTIFICATIVA O motivo de se trabalhar determinado assunto.
3 OBJETIVOS Os objetivos gerais a serem alcançados: o que os
GERAIS alunos irão conseguir atingir com esse trabalho.
4 OBJETIVOS Os objetivos relacionados a cada uma das etapas
ESPECÍFICOS de desenvolvimento do trabalho.

5 ETAPAS As etapas previstas: uma previsão de tempo,


onde o professor organiza tudo que for trabalhado
em pequenas etapas.

6 METODOLOGIA A forma como irá trabalhar, os recursos didáticos


que auxiliarão a promover o aprendizado e a
circulação do conhecimento no plano da sala de
aula.

7 AVALIAÇÃO A forma como o professor irá avaliar, se em prova


escrita, participação do aluno, trabalhos,
pesquisas, tarefas de casa, etc.

8 BIBLIOGRAFIA As referências bibliográficas de todo o material


que o professor utilizou para fazer o seu
planejamento.

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A aplicação da aula
(material retirado da apostila básica de Musicalização Infantil, do mesmo autor)

Munido do plano de aula, o educador agora deve executar a aula


propriamente dita. Detalhes como a utilização ou não de um instrumento para
acompanhamento, como um violão ou teclado, o espaço disponível para a aula
– se há sala de música própria, ou o espaço é a sala de aula normal – serão
diferentes em cada escola e para cada educador.

A primeira coisa a ser feita é conhecer a realidade de sua própria escola


e alunos. Esses detalhes influenciarão a abordagem, os temas a serem
trabalhados, a linguagem a ser utilizada. Entretanto, algumas características
serão as mesmas em todas as realidades encontradas. Vamos abordar então
estas características em comum.

Na pré-escola normalmente trabalha-se com crianças de 02 a 6 anos.


Nesta idade as aulas devem ser curtas – em torno de 20 minutos, para que se
possa manter o interesse e a atenção dos alunos. Dentro dos 20 minutos de
aula, é interessante utilizar atividades curtas encadeadas umas às outras, para
não entediar as crianças. Quando se fala em atividades, o que realmente
funciona são brincadeiras, uma forma lúdica das crianças interagirem com a
música. Pode-se utilizar instrumentos como chocalhos, pandeirinhos,
instrumentos infantis de percussão para que as crianças possam trabalhar
noções como ritmo, percepção, etc.

É interessante possuir uma música de abertura e uma música de


finalização, para delimitar o espaço de tempo da aula. Este recurso ajudará às
crianças a desenvolverem a noção de tempo.

Canto de Entrada: é o canto que acolhe e saúda as crianças. O canto de


entrada avisa que a aula vai começar.

Canto de despedida: tão importante quanto o canto de entrada, avisa que a


aula acabou . Todos podem recolher suas coisas, seus instrumentos, ajudar a
arrumar a sala, dar um beijo e se despedir.

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Tipos de atividades
(material retirado da apostila básica de Musicalização Infantil, do mesmo autor)

Vivências Sonoras: A aula de música para crianças envolvem atividades de


apreciação musical, desenvolvendo a percepção e musicalidade. Estas
atividades podem ser divididas em músicas,jogos e brincadeiras. De uma forma
lúdica, a criança vivenciará o mundo musical e poderá aprender, através de
brincadeiras,as propriedades do som como altura (grave e agudo), duração
(curto e longo), intensidade (forte e fraco) e timbre (característica específica de
cada som que faz com que ele não seja igual ao outro, ex.: violino e flauta têm
sons diferentes). Também se inclui aqui o trabalho com andamento (rápido e
devagar), células rítmicas, forma (partes da música) etc.

Atividades de Registro: Interessante para o educador é implementar esta


atividade que é usual na educação infantil. São as famosas "folhinhas" de
atividade, com exercícios para pintar, circular, etc. As folhas de atividade
devem trabalhar e reforçar o tema apresentado na aula., servindo até
como uma forma de avaliação (não deve ser a principal).

Atividade Livre: São dividas em Histórias, Cirandas, Brincadeiras ou


Relaxamentos:

Histórias: podem ser em livros ou em CD ou até contadas pelo professor. Não


devem ser longas e o ideal é que o professor se utilize de recursos visuais
(gravuras, fantoches etc.) para prender a atenção das crianças. As histórias
podem trabalhar elementos musicais, como por ex. Cachinhos Dourados, que
trabalha a altura do som (papai urso=som grave, mamãe ursa=som médio e
filhote urso=som agudo).

Cirandas: As cantigas de roda de domínio público e musicais atuais, do


repertório infantil, de artistas como Palavra Cantada, Galinha Pintadinha, Patati
Patatá, etc. Ideais para se trabalhar, além dos elementos sonoros, a
lateralidade (direita, esquerda) das crianças, tônus muscular, noção de espaço
(frente, atrás, em cima, embaixo, no meio, dentro, fora), socialização e muito
mais.

Brincadeira ou relaxamento: Brincadeiras sugeridas pelo educador ou um


relaxamento ao fim da aula ao som de uma música agradável. (um exercício
dirigido, para não virar bagunça)...

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Exemplos de práticas
musicais
Percussão corporal:
Popularizada por grupos como Barbatuques, é de fácil aplicação. Você pode
realizá-la em grupos, com cada criança fazendo uma sequência rítmica em
uma parte do corpo, ou com todas as crianças repetindo a mesma sequência.
No caso da divisão por grupos, cada criança soará como um instrumento.
Alguns podem bater no peito, soando como o bumbo (grave). Outros nas
palmas das mão, fazendo a caixa (agudo). Ainda dá para mistura com sons da
boca.

Você pode realizar sequências de palmas simples, como na música Jacaré não
tem chulé.

Assistir no DVD Vídeo 4

Jogos de copos (cup songs)


Febre na internet a partir do filme “The Pitch Perfect” (A escolha perfeita), foi
difundido aqui pelo Palavra Cantada, com a música Fome Come.
Mais complexo, é recomendado para crianças maiores.
Um exemplo, em nosso vídeo Copo D água (Peixe Vivo)

Assistir no DVD Vídeo 5

Histórias contadas e cantadas


Para as crianças menores, a contação de histórias com música é um recurso
muito poderoso. Incluímos nesta apostila dois exemplos de história: A bruxa
Chulezenta e O Elefante Pumca La pumca, que foi uma criação coletiva das
turmas de educação infantil para quem lecionei em 2014:

Bruxa Chulezenta
Assistir no DVD Vídeo 6

Elefante Pumca La Pumca


Assistir no DVD Vídeo 7

Prática de instrumentos

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Mesmo que não seja da forma tradicional, o uso de instrumentos simples como
chocalhos e pandeiros, por exemplo, ajuda no interesse e na compreensão de
noções como ritmo, pulso, andamento, etc.

Um exemplo de aula para a


educação infantil
(material retirado da apostila básica de Musicalização Infantil, do mesmo autor)

Em uma aula normal para a pré-escola, com tempo de duração de 30 a 40


minutos, independente da idade, procuro dividir este tempo em cinco pequenos
blocos:

- Música de entrada ou saudação

- Música e/ou atividade de aquecimento vocal

- Uma vivência musical (cantar algumas músicas, uma brincadeira) que prepare
para a atividade principal do dia. - - total 10 minutos (as três atividades
anteriores juntas)

- A atividade principal do dia, que dura no máximo 15 minutos.

- Um desaquecimento ou relaxamento.

- Música de despedida. – total 5 minutos (esta atividade e a anterior, juntas)

Esta não é uma receita de bolo. É apenas uma forma organizacional que
auxilia no preparo do seu roteiro. Entretanto, é sempre bom estar preparado
para improvisar ou alterar o seu roteiro. Não vá para a aula sem possuir
alternativas caso algo não dê certo, ou algo inesperado aconteça (o que é bem
comum, em se tratando de crianças).

No caso da atividade principal do dia, pode ser uma brincadeira trabalhando


um conceito musical (brincadeira para ensinar altura, dinâmica, ritmo, etc.);
uma história contada utilizando recursos musicais; a apresentação de um novo
instrumento, explicando seu funcionamento e permitindo o manuseio por parte
dos alunos, etc.

Assistir no DVD Vídeo 8

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Atividades musicais curtas


(momentos) para a pré-escola
Tenho me empenhado em organizar uma aula para a pré-escola bem
dinâmica, composta de atividades musicais curtas e consecutivas (até 5
minutos cada). Grande parte das atividades eu mesmo crio ou adapto de
atividades de outros educadores que admiro, como o americano Nick Young,
que possui uma estrutura de aula parecida.
Este tipo de aula é composta por atividades curtas e encadeadas, que
podem ser repetidas ao longo de diversas aulas sem enjoar as crianças. As
atividades podem ser combinadas gerando variações. Chamo-as de
momentos. Existe o momento da acolhida, o momento do aquecimento vocal, o
momento dos instrumentos, o momento da despedida, etc. Estes momentos se
alternam, trabalhando percepção, percussão corporal, voz, parâmetros
musicais, instrumentos… Aos poucos, estou criando um repertório destes
momentos, que podem ser combinados de forma aleatória, possibilitando uma
gama de combinações e tornando a aula bem rápida e divertida.
Este estilo de aula surgiu de uma necessidade minha, graças à minha
realidade nas escolas em que trabalho: possuo pouco tempo em cada turma
(30 minutos), sem sala de música, e muitas turmas (dou aulas em 4 escolas
diferentes, com cerca de 700 alunos no total). Em algumas situações possuo
pouco espaço físico para as atividades e nem sempre conto com recursos,
como instrumentos próprios da escola.
Comecei a experimentar então um tipo de aula mais rápida, composta
de blocos curtos que se interligam a partir do interesse das próprias crianças.
Crio um tema central para a semana, e vou adaptando as brincadeiras para
que possam interagir com este conceito.

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Um exemplo de aula de música


para o ensino fundamental
Aproveitando o fato de que os alunos de uma escola tinham ido assistir a
um espetáculo do Unicirco MF, de Marcos Frota, sugeri recriarmos algumas
cenas na quadra, ao som do cajon (um instrumento de percussão). Realizamos
três atividades:

– Na primeira, recriamos a cena de abertura, em que dançarinos entram no


picadeiro atuando como macacos (primatas). De acordo com a dinâmica do
cajon, determinamos que os alunos se comportariam como os atores do circo,
imitando primatas, ou virariam seres humanos. Quando o cajon fosse
executado de forma bem solta e leve, os alunos deveriam andar pela quadro
imitando os animais. Quando o cajon fosse executado de forma bem ritmada,
deveriam virar seres humanos e imitar uma atividade do circo, como
malabarista, trapezista, palhaço, etc.

– Na segunda recriamos a corda bamba, com uma linha no próprio chão, com o
cajon fazendo as intervenções sonoras como trilha de fundo.

– Na terceira atividade, uma brincadeira de estátua a partir da parada do


instrumento de percussão. Quando o cajon tocasse, os alunos deveriam se
comportar como artistas do circo. Quando parasse, congelariam, e quem não
parasse exatamente junto com o instrumento era eliminado.

Ao fim, todas as crianças puderam experimentar tocar o instrumento


para o restante da turma.

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Atividades para o
ensino fundamental
Dividiremos as atividades desta apostila em três categorias: vivências
sonoras com uso de instrumento, atividades livres de recreação e atividades de
prática rítmica e percepção com uso de palmas e copos.

1 Bola Pata
Tipo de atividade Prática rítmica
Atividade Bola pata
Faixa etária 04 a 11 anos (com variações de dificuldade de acordo
com a idade)
Duração 10 minutos

Organização do Sala de aula


espaço
Organização dos Crianças em pé
alunos
Recursos -
necessários
Conteúdo Percepção musical, prática rítmica
relacionado

Descrição: O aluno associará a determinados


gestos seus uma palavra.
A partir de uma brincadeira de ditado
musical, as crianças tentarão Bola: uma pisada no chão.
reproduzir as células rítmicas propostas
pelo educador. Variações serão Pata: um bater de palmas.
necessárias para se adequar a
brincadeira às diversas faixas etárias. A criança baterá o pé no chão uma vez
e falará: bola. Baterá palmas uma vez e
Execução: falará: pata.

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A partir do entendimento da atividade, Pata bola bola pata


o professor executará pequenas
células rítmicas e os alunos tentarão Bate palma, bate o pé, bate o pé, bate
reproduzir. Por exemplo: palma.

Bola pata bola pata Variação 1 da brincadeira:

Ou seja: Pode-se determinar que o pé direito é


“Bola” e o pé esquerdo é “Pata”. Com
Bate o pé, bate palma, bate o pé, bate maior grau de dificuldade, é
palma recomendados para os maiores, que já
possuem bilateralidade desenvolvida.
Pata pata bola bola

Bate palma, bate palma, bate o pé,


bate o pé

Variação 2 da brincadeira

Os alunos em círculo, a brincadeira será como a brincadeira de “Telefone”. O


professor propõe a célula rítmica para o primeiro aluno, que a executa para o segundo,
e assim por diante.

Variação 3 da brincadeira

Os alunos podem ser divididos em grupo. Cada grupo cria uma célula rítmica e
executa para o outro grupo, como em um desafio. O grupo desafiado tem que
reproduzir o desenho rítmico, e depois criar um para o desafio, e assim
sucessivamente.

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2 Brincadeira de leitura musical


Tipo de atividade Prática rítmica
Atividade Brincadeira de leitura musical
Faixa etária 04 a 11 anos (com variações de dificuldade de acordo
com a idade)
Duração 20 minutos

Organização do Sala de aula


espaço
Organização dos Crianças em pé.
alunos
Recursos Quadro negro
necessários
Conteúdo Percepção musical, prática rítmica, compreensão do que
relacionado é a leitura musical
Descrição: Exemplo:
O professor associará três ações a três
símbolos. Depois da atividade O | X O | X
compreendida, eles escreverão os
símbolos no quadro em sequências (bate o pé, bate palma, silêncio,
alternadas, que deverão ser executadas
(com os gestos correspondentes) pelos (Bate o pé, bate palma, silêncio)
alunos.
O | | O | | O X
Execução:
O aluno associará a determinados (bate o pé, bate palma, bate palma,
gestos seus um símbolo:
Bate o pé, bate palma, bate palma,
O significa uma pisada no chão
(Bate o pé, silêncio)
| significa bater palmas uma vez
Parte 2 da brincadeira:
X significa silêncio (com o dedo na
boca) Depois de vários “ditados” executados
pelo professor, é hora dos alunos
Após a compreensão da simbologia, o escreverem suas sequências. Cada
professor escreverá os símbolos em aluno deve escrever uma sequência no
sequências alternadas, que deverão ser quadro, que os outros alunos
executadas pelos alunos. executarão.
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3 Aprendendo a contagem musical


(1) – música Alecrim Dourado
Tipo de atividade Prática rítmica
Atividade Aprendendo a contagem musical
Faixa etária 05 a 11 anos
Duração 20 minutos

Organização do Sala de aula


espaço
Organização dos Crianças em pé.
alunos
Recursos -
necessários
Conteúdo Percepção musical, prática rítmica, compreensão do que
relacionado é a leitura musical
Nós vamos inserir entre as frases um
Descrição: compasso com 4 tempos. Será pedido
às crianças que contem entre uma
A partir da execução da música Alecrim frase e outra:
Dourado, cantada à capela, os alunos
exercitarão a contagem musical, além Alecrim (1, 2, 3, 4)
de ter um primeiro contato com o
compasso. Alecrim dourado (1, 2, 3, 4)

Entendimento da brincadeira: Que nasceu no campo (1, 2, 3, 4)

Utilizaremos apenas a primeira parte Sem ser semeado (1, 2, 3, 4)


da música (primeira estrofe);
A contagem deve ser feita em voz alta
Alecrim por todos, além do canto da música.

Alecrim dourado Depois, as crianças devem executar


novamente, desta vez batendo palmas
Que nasceu no campo quando cantarem (o X significa palma)

Sem ser semeado Alecrim (1, 2, 3, 4)


XXXX

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Alecrim dourado (1, 2, 3, 4) Sem ser semeado (1, 2, 3, 4)


XXXX XXXX
Que nasceu no campo (1, 2, 3, 4)
XXXX
Execução:

A partir do entendimento da brincadeira, agora o professor vai sugerir que os


alunos efetuem as palmas apenas em determinados tempos (a contagem deve
continuar a ser feita em voz alta).

Tempos 3 e 4 Tempo 1
Alecrim (1, 2, 3, 4) Alecrim (1, 2, 3, 4)

XX X

Alecrim dourado (1, 2, 3, 4) Alecrim dourado (1, 2, 3, 4)

XX X

Que nasceu no campo (1, 2, 3, 4) Que nasceu no campo (1, 2, 3, 4)

XX X
Sem ser semeado (1, 2, 3, 4) Sem ser semeado (1, 2, 3, 4)

XX XX

Tempos 1 e 2 Tempo 4
Alecrim (1, 2, 3, 4) Alecrim (1, 2, 3, 4)

XX X

Alecrim dourado (1, 2, 3, 4) Alecrim dourado (1, 2, 3, 4)

XX X

Que nasceu no campo (1, 2, 3, 4) Que nasceu no campo (1, 2, 3, 4)

XX X

Sem ser semeado (1, 2, 3, 4) Sem ser semeado (1, 2, 3, 4)

XX XX

Parte 2 da brincadeira
Agora é hora de repetir todo o exercício
sem a contagem em voz alta.

Assistir no DVD Vídeo 9

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4 Aprendendo a contagem musical


(2) – A marcha – com música Marcha
Soldado
Tipo de atividade Prática rítmica
Atividade Aprendendo a contagem musical (2) – A marcha
Faixa etária 05 a 11 anos
Duração 20 minutos

Organização do Sala de aula


espaço
Organização dos Crianças em pé, andando
alunos
Recursos -
necessários
Conteúdo Percepção musical, prática rítmica, compreensão do que
relacionado é a leitura musical

Descrição:

A partir da execução da música Marcha Soldado, cantada à capela, os alunos


exercitarão a contagem musical, além de ter um novo contato com o compasso, agora
aliado á pulsação (passo)

Entendimento da brincadeira:

Cantaremos toda a música:

Marcha soldado
Cabeça de papel
Se não marchar direito
Vai preso no quartel
O quartel pegou fogo
A polícia deu sinal
Acode acode acode
A bandeira nacional.
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O professor cantará a música, enquanto os alunos contarão marchando: 1, 2, 3 ,4

Execução:

A execução é parecida com a brincadeira anterior, com a música Alecrim


Dourado. A partir do entendimento da brincadeira, agora o professor vai sugerir
que os alunos efetuem as palmas apenas em determinados tempos (a
contagem deve continuar a ser feita em voz alta)

Tempo 4 (começamos por este tempo pois é a marcação intuitiva da música)


1, 2, 3, 4
X
Tempo 3
1, 2, 3, 4
X
Tempo 2
1, 2, 3, 4
X
Tempo 1
1, 2, 3, 4
X

Parte 2 da brincadeira
Agora é hora de repetir todo o exercício sem a contagem em voz alta.

Desdobramento da brincadeira
Pode-se dividir as crianças em grupo e pedir que elas marchem juntas, porém cada
grupo acentuando determinado tempo com as palmas.

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5 Aprendendo a contagem musical


(3) – palmas – com música Garota de
Ipanema
Tipo de atividade Prática rítmica
Atividade Aprendendo a contagem musical (3)
Faixa etária 05 a 11 anos
Duração 10 minutos

Organização do Sala de aula


espaço
Organização dos Crianças em pé, em duplas
alunos
Recursos -
necessários
Conteúdo Percepção musical, prática rítmica, compreensão do que
relacionado é a leitura musical

Descrição:

A partir da execução da música A casa, cantada à capela, os alunos exercitarão a


contagem musical, além de ter um novo contato com o compasso, agora utilizando
uma brincadeira de palmas.

Entendimento da brincadeira:

Cantaremos apenas a parte A da música:

Olha que coisa mais linda


Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
No doce balanço, a caminho do mar

Moça do corpo dourado


Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar

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Esta brincadeira é parecida com brincadeiras de palmas como Trem Maluco ou


Popeye, com as quais as crianças estão familiarizadas. A diferença é que
agruparemos as palmas em grupos de quatro, e buscaremos executá-las no ritmo da
música. As crianças acabam buscando correr e erram a sequência de palmas, cabe ao
professor ressaltar que elas devem contar mentalmente para conseguir uma perfeita
execução da atividade .
A sequência de palmas é:

Pronto. Agora executaremos esta sequência de palmas em cima da música:


1 2 3
Olha que coisa mais linda

4 1
Mais cheia de graça

2 3
É ela menina

4
Que vem e que passa

1 2 3 4
No doce balanço, a caminho do mar

Variação da brincadeira:

Pode-se dar um caráter competitivo à brincadeira em uma segunda rodada,


eliminando os que errarem até que só sobre uma dupla.

Assistir no DVD Vídeos 10 e 11

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6 Aprendendo a contagem musical


(4) – palmas – com música A Casa
Tipo de atividade Prática rítmica
Atividade Aprendendo a contagem musical (4)
Faixa etária 05 a 11 anos
Duração 10 minutos

Organização do Sala de aula


espaço
Organização dos Crianças em pé, em duplas
alunos
Recursos -
necessários
Conteúdo Percepção musical, prática rítmica, compreensão do que
relacionado é a leitura musical

Descrição:

A partir da execução da música Garota de Ipanema, cantada à capela, os alunos


exercitarão a contagem musical, além de ter um novo contato com o compasso, agora
utilizando uma brincadeira de palmas.

Entendimento da brincadeira:

Cantaremos a música inteira:

Era uma casa


Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede
Ninguém podia
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Fazer pipi
Porque pinico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na rua dos bobos
Número zero

Esta brincadeira é um desdobramento da brincadeira anterior, com a diferença da


contagem agora ser em grupos de três.

Assistir no DVD Vídeos 10 e 11

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7 Vira copo – Brincadeiras


individuais com copos (1)
Tipo de atividade Prática rítmica
Atividade Vira copo - Brincadeiras com copos (1)
Faixa etária 07 a 11 anos
Duração 10 minutos

Organização do Sala de aula


espaço
Organização dos Crianças em pé, em suas mesas. Brincadeira individual.
alunos
Recursos Copo de plástico rígido. Mesas para cada aluno e para o
necessários professor.
Conteúdo Percepção musical, prática rítmica
relacionado

Descrição:

Brincadeira que trabalha a coordenação motora fina, senso e prática rítmica. Com o
copo, o aluno repetirá uma sequência de movimentos proposta pelo professor. Depois,
acompanhará uma música executando esta sequência.

Execução:

A sequência de movimentos com o copo é

Vira copo, vira bate, vira copo bate

Vira copo, vira bate, vira copo (silêncio)

Assistir no DVD Vídeo 12

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8 Copo bate – Brincadeiras


individuais com copos (2)
Tipo de atividade Prática rítmica
Atividade Copo bate - Brincadeiras com copos (2)
Faixa etária 07 a 11 anos
Duração 10 minutos

Organização do Sala de aula


espaço
Organização dos Crianças em pé, em suas mesas. Brincadeira individual.
alunos
Recursos Copo de plástico rígido. Mesas para cada aluno e para o
necessários professor.
Conteúdo Percepção musical, prática rítmica
relacionado

Descrição:

Brincadeira que trabalha a coordenação motora fina, senso e prática rítmica. Com o
copo, o aluno repetirá uma sequência de movimentos proposta pelo professor. Esta
sequência será cantada, e os movimentos devem repetir o que a letra diz. Detalhe: a
letra pode ser alterada aleatoriamente, para elevar o nível de dificuldade.

Execução:

A sequência de movimentos com o copo é :


Copo bate, copo bate, copo bate, copo bate

Copo bate, bate copo, copo bate, copo bate, bate copo

A sequência de movimentos pode ser alterada aleatoriamente, a critério do


educador.

Assistir no DVD Vídeo 13

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9 Tum Tum – Brincadeira de


percussão corporal (1)
Tipo de atividade Prática rítmica
Atividade Tum Tum – Brincadeira de percussão corporal (1)
Faixa etária 07 a 11 anos
Duração 10 minutos

Organização do Sala de aula


espaço
Organização dos Crianças em pé, ou sentadas. Brincadeira individual.
alunos
Recursos -
necessários
Conteúdo Percepção musical, prática rítmica
relacionado

Descrição:

Brincadeira que trabalha a coordenação motora fina, senso e prática rítmica. Com o
copo, o aluno repetirá uma sequência de movimentos proposta pelo professor,
acompanhando a música Tum Tum.

Execução:

A sequência de movimentos é:

Bater na perna, palma, estalo de dedos, palmas 3 vezes

Acompanhando o vídeo do DVD, as crianças devem executar a sequência de


movimentos sem errar.

Assistir no DVD Vídeo 14

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10 Barulhinho do Tum Tum –


Brincadeira de percussão corporal (2)

Tipo de atividade Prática rítmica


Atividade Barulhinho do Tum Tum – Brincadeira de percussão
corporal (2)
Faixa etária 07 a 11 anos
Duração 10 minutos

Organização do Sala de aula


espaço
Organização dos Crianças em pé, em suas mesas. Brincadeira individual.
alunos
Recursos Copo de plástico rígido. Mesas para cada aluno e para o
necessários professor.
Conteúdo Percepção musical, prática rítmica
relacionado

Descrição:

Brincadeira que trabalha a coordenação motora fina, senso e prática rítmica. O aluno
repetirá uma sequência de movimentos proposta pelo professor. Esta sequência será
cantada, e os movimentos devem repetir o que a letra diz. Detalhe: a letra pode ser
alterada aleatoriamente, para elevar o nível de dificuldade.

Execução:

Toda a vez que o educador cantar TUM TUM, a criança bate em sua perna.
Quando cantar TAM TAM, a criança bate palmas (ver vídeo da atividade no
DVD)

Detalhe: a sequência pode ser alterada aleatoriamente. Na letra a seguir, O X


representa o movimento de bater na perna, e o O o movimento das palmas:

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Letra da música:

Olha o barulhinho do TUM TUM X X

Olha o barulhinho do TAM TAM O O

TUM TUM X X

TAM TAM O O

TUM X

TAM O

TUM X X

Assistir no DVD Vídeo 15

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11 Paisagem sonora
(material retirado da apostila básica de Musicalização Infantil, do mesmo autor)

A Casa Amarela
Tipo de atividade Vivência sonora
Atividade A casa amarela - Paisagem sonora
Faixa etária 04 a 06 anos
Duração 10 minutos

Organização do Sala de aula


espaço
Organização dos Crianças sentadas em semicírculo, preferencialmente no
alunos chão.
Recursos Instrumento ou cd com efeitos sonoros
necessários
Conteúdo Percepção musical.
relacionado

Descrição:

A partir de uma história que é contada pelo educador musical, as crianças podem
interagir com ela acrescentando os sons necessários para o seu desenvolvimento.
Esses sons serão emitidos de forma oral, e podem (ou não) influir no desfecho ou
desenrolar da história.

Execução:

O educador conta a história pela primeira vez, acrescentando os sons e ruídos de


forma oral ou com auxílio de um instrumento, como um violão ou percussão. Ele pode
optar por deixar o final em aberto (como no exemplo de história abaixo) , para somente
finalizá-la quando ela for contada pela segunda vez.

Após contar a história pela primeira vez, mostrando às crianças como os sons e ruídos
e apresentam, o educador conta a história pela segunda vez, desta vez pedindo às
crianças que façam os barulhos com a voz, na medida em que eles são solicitados
pelo texto. Ao final da história, as crianças ajudarão ao protagonista, descrevendo com
sons o que ele pode ter encontrado dentro da casa (o educador escolherá um som,
dentre os sugeridos pelas crianças, para mostrar o que ele encontrou: um gato, um
cachorro, um fantasma, um monstro, etc.).

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HISTÓRIA: A CASA AMARELA

Estava eu andando por uma rua cheia de carros, quando de repente... vi uma casa.
Bem velha, caindo aos pedaços, parecendo uma casa mal-assombrada. Era uma casa
amarela.

Eu, que não tenho medo de fantasma nem nada, resolvi ver como era a casa amarela
por dentro. Resolvi atravessar a rua. Quando fui atravessar, quase fui atropelado por
um carro! Sorte que o motorista buzinou bem forte para me avisar.

Parei então para atravessar no sinal. Apertei o botão e esperei o sinal abrir. Atravessei
a rua bem rápido, ouvindo o barulho dos meus passos. Quando cheguei na casa
amarela, vi que ela parecia abandonada. Mas, mesmo assim, bati na porta para ver se
tinha alguém.

Bati na porta uma vez. Duas vezes. Três vezes. Ninguém atendeu.

Resolvi tocar a campainha. Toquei uma vez. Duas vezes. Três vezes. Ninguém
atendeu.

Olhei pela janela e vi que a casa parecia vazia. Tentei abrir a porta. Ela se moveu, e
fez um barulho engraçado. Barulho de porta velha. Entrei na casa e fechei a porta, que
fez um barulho engraçado de novo.

A casa estava muito escura. Abri a janela para ver se enxergava alguma coisa. A
janela também fez um barulho engraçado. Mas como estava ventando muito, fechei a
janela. Quando eu andava pela a casa, o chão também fazia um barulho engraçado.

Foi quando eu ouvi um barulho muito forte.Outra vez. E mais outra vez.

E de repente, algo pulou dentro da sala. Que susto! Foi quando eu descobri que o
barulho era...

OBSERVAÇÕES:

O educador contará a história pela primeira vez, acrescentando todos os sons


sugeridos (carros, passos, ventos, campainha, etc.). Quando contar pela segunda vez,
pedirá às crianças que façam os sons de forma oral. Uma alternativa engraçada é
fazer pequenos desvios na história de acordo com os sons que a criança apresenta
(por exemplo, e na hora dos carros alguma criança fizer um som diferente, como um
bicho, incluir aquele bicho na história e depois voltar ao roteiro).

O desfecho da história será decidido por algum som proposto pelas crianças.

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12 Vivências Musicais
(material retirado da apostila básica de Musicalização Infantil, do mesmo autor)

O maestro e a orquestra
Tipo de atividade Vivência sonora
Atividade O maestro e a orquestra
Faixa etária 04 a 06 anos
Duração 20 minutos
Organização do Sala de aula.
espaço
Organização dos Crianças sentadas. Apenas o maestro / condutor em
alunos pé.
Recursos Instrumentos variados de percussão como chocalhos,
necessários tambores, pandeiros, etc. (opcional)
Conteúdo relacionado .Percepção musical
Descrição:

No primeiro momento, o disponíveis, é cada criança escolher


educador faz as vezes de maestro e ou criar um som , e reproduzi-lo de
a turma, de orquestra. Cada criança forma oral quando for solicitada.
tocará um instrumento, ou
reproduzirá um som (previamente O “maestro”, então, começa a
escolhido) oralmente, de acordo reger a orquestra. Cada vez que
com a solicitação do maestro. apontar para uma criança ou grupo,
Depois de compreendido o este (s) deve emitir o seu som. A
exercício, um aluno (ou vários, um criança (ou grupo) seguinte fará o
de cada vez) exercerá a função de mesmo quando solicitado, e assim
maestro tentando organizar a sucessivamente. O educador pode
música de sua forma. aproveitar para trabalhar conceitos
como dinâmica, alturas, etc.
Execução:
À medida em que a turma
O uso de instrumentos de compreende o exercício, o educador
percussão é opcional. Caso se aumenta a velocidade e o grau de
utilize os instrumentos, cada criança dificuldade.
escolherá um e o tocará quando
solicitada pelo maestro. Uma opção, Depois, a tarefa é passada
não havendo instrumentos para um ou mais alunos, que
tentarão reger a “orquestra” à sua
maneira.

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13 Trenzinho musical
(material retirado da apostila básica de Musicalização Infantil, do mesmo autor)
Tipo de atividade Brincadeira
Atividade Trenzinho musical
Faixa etária 04 a 06 anos
Duração 20 minutos
Organização do Espaço aberto / pátio / sala sem cadeiras
espaço
Organização dos Crianças em pé.
alunos
Recursos Instrumento musical ou aparelho de cd e cd com
necessários músicas de ritmos variados.
Conteúdo relacionado Percepção musical, noção de velocidade (lento e
rápido), lateralidade.

Descrição: mais lento de acordo com o que é


tocado. O importante é que o grupo
Esta atividade será melhor permaneça o mais coeso possível.
desenvolvida em um espaço aberto Quando a música for interrompida, o
e amplo. As crianças ficam atrás do trenzinho parará na estação
educador, em um trenzinho. O (utilizando-se um instrumento, pode-
movimento do trem acompanhará o se fazer esta parada diminuindo o
ritmo da música. Caso o educador ritmo até o repouso total).
utilize um instrumento, ele pode
cantá-la e alterar o seu andamento Quando na estação, algumas
para que o trem ande mais rápido atividades rítmicas podem ser
ou mais lento. Caso utilize um cd, implementadas para prolongar a
músicas diferentes podem cumprir brincadeira. Por exemplo: as
esta função. crianças em fila e paradas se
voltarão para outra direção a um
Execução: som do educador, como palmas. A
cada batida de palmas, a criança
Ao início da música, o trenzinho deve voltar-se para o lado contrário.
parte. As crianças devem Fazer isso várias vezes até que o
acompanhar o andamento da trenzinho comece a andar de novo,
música, andando mai rápido ou quando a música começar a tocar.

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14 Oficina de composição musical


(material retirado da apostila básica de Musicalização Infantil, do mesmo autor)
Tipo de atividade Vivência sonora
Atividade Oficina de composição musical
Faixa etária 04 a 06 anos
Duração 20 minutos
Organização do Sala de aula.
espaço
Organização dos Crianças sentadas.
alunos
Recursos Instrumento de acompanhamento (violão)
necessários
Descrição da atividade: Será que ela está cheia de bala
Ou então, cheia de refrigerante?
Esta versão da oficina de
composição para crianças é, na verdade, Estas quadras musicais podem ser
um jogo de improvisação. O educador deve previamente criadas pelo educador, a fim de
exercitar sua capacidade de improvisar facilitar o improviso. Ele utilizará uma ou outra
musicalmente, criando letra e melodias na de seu repertório de acordo com a situação que
hora, para demonstrar às crianças. O se desenrola e, claro, trocando o nome da
primeiro conselho é que utilize melodias e criança. Depois de criado o interesse pela
harmonias básicas, ou músicas atividade, pedir a uma criança que crie uma
conhecidas. A partir deste repertório já frase engraçada. A partir desta frase, pedir que
previamente estudado, ele criará na hora outra criança desenvolva outra, continuando a
letra e música obre situações que estejam história. Fazer o mesmo com outras crianças até
acontecendo em sala de aula. Por criar um pequeno texto, de ao menos quatro
exemplo: linhas. O educador então, acrescenta uma
melodia e canta para as crianças.
Educador: (falando para a turma,
sobre o aluno que acabou de entrar) Quem Repetir o mesmo exercício, desta vez
entrou na sala? pedindo ao final que uma criança tente cantar o
texto que foi criado pelos colegas.Este exercício
Alunos: O Luan! deve ser executado várias vezes, ao longo de
dias diferentes. Mesmo sem a noção do que é
Educador: (cantando)
melodia, ritmo, harmonia, as crianças
conseguem, de forma intuitiva, apresentar
O Luan acabou de entrar na sala
soluções surpreendentes.Além disso, torna
Trazendo uma mochila muito grande
muito mais fácil depois explicar conceitos como
melodia e harmonia, pois eles já terão
executado alguns destes mesmo em
conhecimento prévio.

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15 Telefone musical
(material retirado da apostila básica de Musicalização Infantil, do mesmo autor)
Tipo de atividade Brincadeira
Atividade Telefone musical
Faixa etária 04 a 06 anos
Duração 20 minutos
Organização do Sala de aula
espaço
Organização dos Crianças sentadas
alunos
Recursos
necessários

Conteúdo relacionado Percepção musical, células rítmicas.

Objetivos: ritmo e passará para a próxima, e


assim por diante.
Desenvolver a percepção musical a
partir de um jogo de palmas. Para tornar a brincadeira mais
interessante, o educador pode misturar
Execução: palmas a palavras ou sons. Por
exemplo:
A crianças podem ficar sentadas em
seus próprios lugares na classe. O Palma palma bicicleta palma palma
educador explicará a brincadeira de
“telefone”: ele executará uma célula Palma bola palma bola bicicleta palma
rítmica, formada de palmas e palavras, bola
e a primeira criança deve repeti-la.
Quando a criança fizer esta repetição, Palma palma bola bola bicicleta bola
já deve fazer para a criança seguinte. A bola
próxima criança repetirá o desenho

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BIBLIOGRAFIA

MUSICA MIND GAMES. Revised edition. Michiro Yurko. Warner Bros


Publication, 1992.

BRASIL ESCOLA. Plano de aula. Disponível em


http://educador.brasilescola.com/orientacoes/plano-de-aula.htm. Acessado em
25/11/2012

MARQUES,ISABELA. Roteiro de aula – Musicalização infantil. Disponível em


http://www.ateliermusicalrp.com.br/2011/01/roteiro-de-aula-musicalizacao-
infantil.html Acessado em 25/11/2012

JORDÃO, GISELE. et al. A música na escola. Disponível para download em


http://www.amusicanaescola.com.br/o-projeto.html. Acessado em 20/11/2012

PORTAL UNESP. Educação musical e música. Disponível em


http://www.unesp.br/guia/educacao_musical_musica.php. Acessado em
25/11/2012.

WIKIPEDIA. Educação musical.Disponível em


http://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o_musical. Acessado em
25/11/2012.

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