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WBA0210_v1.

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Regime Geral de Previdência
Social
Regime Geral de Previdência Social
Autora: Mariana Gonçalves Gomes
Como citar este documento: GOMES, Mariana Gonçalves. Regime geral de previdência social. Vali-
nhos: 2016.

Sumário
Apresentação da Disciplina 04
Unidade 1: Introdução à seguridade social 05
Assista a suas aulas 20
Unidade 2: Evolução da proteção social 27
Assista a suas aulas 48
Unidade 3: Regime geral de previdência social 55
Assista a suas aulas 74
Unidade 4: Custeio da previdência social 81
Assista a suas aulas 104

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Regime Geral de Previdência Social
Autora: Mariana Gonçalves Gomes
Como citar este documento: GOMES, Mariana Gonçalves. Regime geral de previdência social. Vali-
nhos: 2016.

Sumário
Unidade 5: Parte geral do plano de benefícios da previdência social 111
Assista a suas aulas 130
Unidade 6: Benefícios previdenciários 137
Assista a suas aulas 161
Unidade 7: Benefícios previdenciários por incapacidade 168
Assista a suas aulas 190
Unidade 8: Benefícios previdenciários em espécie 198
Assista a suas aulas 220

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3/222
Apresentação da Disciplina

Com o objetivo de estudar o Regime Geral de cial, do deficiente, do trabalhador rural e do


Previdência Social, essa disciplina pretende professor, os benefícios por incapacidade –
abordar o tema central em diversos aspec- aposentadoria por invalidez, auxílio-doen-
tos. O ponto de partida será o estudo da Se- ça e auxílio-acidente, sendo abordadas as
guridade Social e sua tríplice estrutura, com respectivas formas acidentárias, bem como
especial enfoque para a Previdência Social, o serviço fornecido de reabilitação profis-
sua finalidade, os princípios que a regem, a sional. Por fim, o estudo enfocará os bene-
forma de seu custeio e o conhecimento de fícios pagos aos dependentes do segurado
quem são os seus contribuintes. Necessária como a pensão por morte e o auxílio-re-
será a compreensão de conceitos gerais que clusão, assim como os benefícios de salá-
nortearão toda a temática, como: carência, rio de maternidade e salário-família, pagos
qualidade de segurado, salário de contribui- para garantir uma vida digna àqueles que
ção, salário de benefício, renda mensal ini- dependem economicamente do segurado,
cial e dependentes. O aspecto específico do além de outros pagamentos realizados pela
tema será estudado quando dos benefícios Previdência Social como o abono anual.
em espécies e, dessa forma, serão aborda-
das as diferentes formas de aposentadoria:
por idade, por tempo de contribuição, espe-

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Unidade 1
Introdução à seguridade social

Objetivos

»» Estudar os aspectos envolvidos na Seguridade


Social.
»» Compreender a estrutura constitucional e or-
gânica da Seguridade Social.
»» Analisar os princípios que regem a Seguridade
Social.
»» Compreender a relação jurídica de custeio da
Seguridade Social.

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Introdução

A Seguridade Social é protegida e estru- artigo 22, XXIII, sendo de competência de a


turada pela Constituição Federal de 1988, União legislar sobre o assunto. Interessante
sendo que possui uma tríplice base forma- notar que, além de competência da União,
da pela saúde, previdência e assistência so- o poder executivo quando elaborar a lei or-
cial. A abordagem minuciosa dessa tríplice çamentária anual também deve compreen-
estrutura, com a análise dos princípios que der, além de outros orçamentos e despe-
a regem, permitirá concluir que a Previdên- sas, o orçamento da seguridade social, que
cia Social, dentro da Seguridade Social, é a abrange todas as entidades e órgãos a ela
única que possui um caráter contributivo. vinculados. Conforme o artigo 165, § 5º, III,
Assim, far-se-á necessária a percepção das da Constituição Federal, essas entidades e
duas relações criadas pelo direito previden- órgãos podem integrar a administração di-
ciário: uma prestacional e uma de custeio. reta ou indireta, bem como os fundos e fun-
dações instituídos e mantidos pelo Poder
1. Estrutura: previdência social, Público.
assistência social e saúde Importante ressaltar a expressa vedação
do artigo 167, VIII, da Constituição quanto
A seguridade social aparece na Constitui-
a utilização de recursos dos orçamentos da
ção Federal de 1988 pela primeira vez no
seguridade social sem autorização legisla-
6/222 Unidade 1 • Introdução à seguridade social
tiva específica, ainda que seja para suprir necessidade ou cobrir déficit de empresas, fundações
e fundos públicos.
A magna carta de 1988 destinou um capítulo exclusivo para tratar da Seguridade Social dentro
do Título VIII “da ordem social”, trata-se do Capítulo II, que se inicia no artigo 194. Assim, de
acordo com o mencionado artigo 194 da Constituição Federal, a Seguridade Social compreende
um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade nas áreas da
saúde, previdência e assistência social.
Resta claro que, a Seguridade Social possui uma tríplice base, sendo formada pela saúde, previ-
dência e assistência social. Segundo Martinez (1999), “seguridade social é uma técnica de pro-
teção social avançada em relação à Previdência Social, capaz de integrá-la como a assistência
social e incorporar as ações de saúde”.
Observa-se que da estrutura tríplice que forma a Seguridade Social apenas a Previdência Social
constitui um regime contributivo. Assim, conforme Ibrahim (2015, p. 4), a seguridade é:

7/222 Unidade 1 • Introdução à seguridade social


rede protetiva formada pelo Estado e particulares, com contribuições de
todos, incluindo parte dos beneficiários dos direitos, no sentido de esta-
belecer ações positivas no sustento de pessoas carentes, trabalhadores em
geral e seus dependentes, providenciando a manutenção de um padrão
mínimo de vida.

1.1 Saúde cer óbvio, mas até a promulgação da Consti-


tuição Federal de 1988 a saúde pública não
Direito de todos e dever do Estado, a Saú- era universal, “tendo direito a ela somente
de é garantia constitucional fundamental aqueles que arcassem com seu custeio, o
protegida pelo artigo 196 da Constituição qual, em regra, era acrescido a contribui-
Federal. A saúde além de ser garantida para ções previdenciárias”.
todos, independe de contribuição, sendo li- Interessante destacar o caráter universal
vre o acesso da população à rede pública de da saúde, isso porque mesmo a pessoa que
saúde vinculada ao SUS. possui condições econômicas de prover
Como alerta Ibrahim (2011, p. 2), pode pare- atendimento médico em rede privada (ou

8/222 Unidade 1 • Introdução à seguridade social


particular) pode usufruir livremente da rede pública de saúde.
Como já mencionado, por não ter um caráter contributivo, a saúde é garantida mediante a im-
plementação de políticas públicas, tanto sociais como econômicas que visam não só um acesso
isonômico e universal, mas também a diminuição de doenças (em especial as endêmicas). Assim,
conforme o artigo 6º da Constituição Federal, a saúde ocupa um lugar de destaque sendo tam-
bém protegida como um direito social fundamental.
É competência de todos os entes da Federação (União, Estados, Municípios e Distrito Federal)
legislar sobre matérias que envolvam questões de saúde pública. A Lei nº 8.080/90 disciplina as
condições para a implantação das políticas públicas relacionadas à saúde, além de sua estrutura
organizacional e funcional.

Link
Informações sobre a Lei Orgânica da Saúde. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/L8080.htm>. Acesso em: 10 dez. 2016.

9/222 Unidade 1 • Introdução à seguridade social


1.2 Assistência social

As pessoas que não possuem condições de prover a própria subsistência poderão recorrer ao am-
paro da assistência social, conforme dispõe o artigo 203 da Constituição Federal. A assistência
social, assim como a saúde, não depende de contribuição, porém, não é universal, limitando-se
a atender as pessoas que necessitam de auxílio assistencial, ou seja, aquelas que preenchem os
requisitos de “miserabilidade”.

Para saber mais


Sobre os critérios legais e jurisprudenciais de miserabilidade, recomenda-se a leitura do capítulo
Assistência social, do Livro Direito previdenciário, esquematizado por Juliana de Oliveira Xavier Ribei-
ro.

Regulamentada por lei própria, a Lei nº 8.742/93, a assistência social é um direito do cidadão e
dever do Estado que provê os mínimos sociais através da política da seguridade social. Assim, a
assistência social pode ser definida como um “conjunto integrado de ações de iniciativa pública
e da sociedade para garantir o atendimento às necessidades básicas”, conforme o artigo 1º da
Lei nº 8.742/93.

10/222 Unidade 1 • Introdução à seguridade social


Link
Informações sobre a Lei Orgânica da Assistência Social. Disponível em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/Leis/L8742.htm>. Acesso em: 10 dez. 2016.

Os objetivos da assistência social estão expostos no artigo 2º da Lei nº 8.742/93, quais sejam:
proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice, o amparo às crianças e
adolescentes carentes, habilitação e reabilitação das pessoas com deficiência e a promoção de
sua integração à vida comunitária e habilitação e reabilitação das pessoas com deficiência e a
promoção de sua integração à vida comunitária. Além disso, a assistência social garante a per-
cepção de uma renda no valor de um salário mínimo por mês à pessoa portadora de deficiência
ou ao idoso que comprove que não possui meios de prover a própria manutenção ou de tê-la
provida por sua família.

1.3 Previdência social

Da tríplice estrutura que forma a Seguridade Social, apenas a Previdência Social constitui um re-
11/222 Unidade 1 • Introdução à seguridade social
gime contributivo e, por consequência, é ela a forma mais abrangente de proteção dos riscos so-
ciais (adversidades da vida) a que os seus contribuintes estão submetidos. Assim, a Previdência
Social concede benefícios previdenciários (em pecúnia) aos seus segurados para que, quando
da ocorrência de um risco social, lhe seja garantida a subsistência e manutenção de sua vida.

Link
Detalhes sobre contribuições e benefícios da Previdência Social. Disponível em: <http://www.
previdencia.gov.br>. Acesso em: 10 dez. 2016.

Além disso, a Previdência Social também concede aos seus segurados a prestação de serviços,
isto é, ela é responsável pela reabilitação do funcionário ao retorno de suas atividades laborati-
vas (sejam as mesmas ou outras funções).
A Previdência Social no Brasil pode ser dividida em dois principais regimes, o RGPS e o RPPS, em
que apenas os ocupantes de cargos públicos efetivos são segurados.

12/222 Unidade 1 • Introdução à seguridade social


2. Princípios da seguridade populações rurais e urbanas, seletividade e
social distributividade na prestação de benefícios
e serviços, irredutibilidade do valor dos be-
O artigo 194, parágrafo único da Constitui- nefícios, equidade na forma de participação
ção Federal, dispõe alguns objetivos da Se- no custeio, diversidade da base de finan-
guridade Social, sendo que a maior parte da ciamento e o caráter democrático e des-
doutrina o estudam como os princípios que centralizado da gestão administrativa. São
regem este sistema por serem considerados implícitos os princípios da solidariedade e o
a base para o estudo securitário. princípio (ou regra) da contrapartida.
Alguns princípios podem ser extraídos da Os princípios da seguridade social são
leitura do dispositivo constitucional, cha- aplicados à previdência social e, portanto,
mados, portanto, de princípios explícitos, serão estudados de forma mais profunda
ao contrário dos princípios implícitos, isto no tópico específico dos princípios da pre-
é, aqueles que não estão expressos, mas vidência social.
sua base fundamenta os demais princípios.
São princípios explícitos: universalidade da
cobertura e do atendimento, uniformidade
e equivalência dos benefícios e serviços às
13/222 Unidade 1 • Introdução à seguridade social
Para saber mais
As informações sobre a divisão e conceituação dos princípios mencionados podem ser verificadas
no capítulo dos princípios da Seguridade Social, do Manual de direito previdenciário, de Carlos Alber-
to Pereira de Casto e João Batista Lazzari.

3. Relação jurídica de custeio serem beneficiários do sistema e outras têm


o dever de contribuir porque assim a lei im-
Conforme já explanado, a Previdência So- põe.
cial, dentro da Seguridade Social, é a única
Dessa forma, resta claro o caráter tributá-
que possui um caráter contributivo, isto é,
rio da obrigação previdenciária de custeio,
para fazer jus a percepção dos benefícios e
isso porque, a contribuição para a Previdên-
serviços do Seguro Social a pessoa precisa
cia Social independe de vontade do parti-
contribuir financeiramente com o sistema.
cipante e, sim, da sua obrigação seja legal,
Assim, extrai-se que o direito previdenciá-
seja pessoal.
rio cria duas relações: uma de prestação e
outra de custeio. Portanto, é claro que algu-
mas pessoas têm o dever de contribuir por
14/222 Unidade 1 • Introdução à seguridade social
Para saber mais
Sobre o caráter tributário das contribuições sociais o STF já foi pronunciado sobre o assunto no RE
258470/RS, 1ª Turma, rel. Min. Moreira Alves (j. 21.03.2000, DJ 12.05.2000).

Assim, como nos ensinam Castro e Lazzari (2016, p. 118): “regida por lei, e não pela vontade de
particulares, a relação obrigacional de custeio é autônoma com referência à relação jurídica de
prestação previdenciária. Extrai-se, portanto, que nessa relação de caráter tributário do custeio
da previdência social, o sujeito ativo é o Estado, os sujeitos passivos são os cidadãos, as empresas
e os beneficiários e o fato gerador é a situação concreta que obriga o sujeito passivo a contribuir,
seja por sua condição de beneficiário, seja uma imposição da lei.

15/222 Unidade 1 • Introdução à seguridade social


Glossário
RGPS: Regime Geral de Previdência Social.
RPPS: Regime Próprio de Previdência Social.
SUS: Sistema Único de Saúde.

16/222 Unidade 1 • Introdução à seguridade social


?
Questão
para
reflexão

Sendo a Previdência Social o único instituto da Seguri-


dade Social contributivo, como é feita a gestão desse
sistema?

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Considerações Finais

• A Seguridade Social compreende um conjunto integrado de ações de ini-


ciativa dos poderes públicos e da sociedade nas áreas da saúde, previdên-
cia e assistência social.
• A saúde é universal e não contributiva.
• A Assistência Social é não contributiva, porém, só é acessada por aqueles
que preenchem os critérios de miserabilidade.
• A Previdência Social é contributiva e não é universal.
• A relação obrigacional de custeio é autônoma com referência à relação
jurídica de prestação previdenciária.

18/222
Referências

BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/


constituicao/constituicao.htm >. Acesso em: 20 nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/leis/L8080.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 8.742, de 07 de dezembro de 1993. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/Leis/L8742.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário. 19.
Ed., Rio de Janeiro: Forense, 2016.
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Resumo de Direito Previdenciário - 11ª Edição, Niterói/RJ: Impetus,
2011.
______. Curso de direito previdenciário. 20 Ed., Niterói/RJ: Impetus, 2015.
MARTINEZ, Wladimir Novaes. CD. Comentários à lei básica da previdência social, Brasília-DF:
LTr/Rede Brasil, 1999.
RIBEIRO, Juliana de Oliveira Xavier. Direito previdenciário esquematizado. 2ª Ed. São Paulo:
Quartier Latin, 2011.
19/222 Unidade 1 • Introdução à seguridade social
Assista a suas aulas

Aula 1 - Tema: Seguridade social - Bloco I Aula 1 - Tema: Seguridade social - Bloco II
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f-
edc2500834002e83e20627798caed7b6>. 1d/4a5cbcab0849a3f53008d619db8fa0f8>.

20/222
Questão 1
1. Sobre a estrutura da Seguridade Social, assinale a alternativa INCORRETA:

a) A saúde integra a Seguridade Social.


b) A Assistência Social integra a Seguridade Social.
c) Saúde e Assistência Social são prestadas, independentemente de contribuição.
d) Saúde é prestada independentemente de contribuição, já a Assistência e Previdência são
sistemas contributivos.
e) Apenas a Previdência Social apresenta caráter contributivo.

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Questão 2
2. De acordo com o texto constitucional, “a seguridade social compreende
um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da
sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previ-
dência e à assistência social”. Assim, é correto afirmar que:
a) A assistência social destina-se aos segurados da previdência social mais carentes, já a pre-
vidência destina-se ao segurado que não tem plano próprio de previdência privada.
b) Na área da saúde, o poder público destina suas ações à prestação de serviços, contudo, no
âmbito da previdência social, elas são destinadas à prestação de benefícios previdenciários.
c) A assistência social atende apenas aos segurados que se encontram no gozo dos direitos
que, nessa qualidade, lhe são inerentes.
d) A saúde e assistência social só se destinam aos segurados da previdência social.
e) A Previdência Social e a saúde são sistemas interligados, isto é, para fazer jus ao SUS é preci-
so contribuir para o INSS.

22/222
Questão 3
3. São objetivos da assistência social, exceto:

a) Proteção à família.
b) Proteção ao idoso.
c) Proteção ao presidiário e sua família.
d) Proteção ao deficiente.
e) Proteção aos que preenchem critérios de miserabilidade.

23/222
Questão 4
4. Assinale a alternativa correta acerca da Seguridade Social:

a) Os princípios da Seguridade Social explícitos, ou seja, todos são previstos por lei.
b) Os princípios da Seguridade Social são implícitos, isto é, não estão expressos por lei.
c) Os princípios da Seguridade Social são os mesmos da Previdência Social.
d) Os princípios da Seguridade Social são divididos em explícitos, aqueles expressamente pre-
vistos em lei, e implícitos, aqueles que não estão expressos, mas sua base fundamenta os
demais princípios.
e) A Seguridade Social não possui princípios específicos utilizando-se de princípios de vários
ramos de direito.

24/222
Questão 5
5. Não é um princípio explícito da Seguridade Social:

a) Seletividade e distributividade na prestação de benefícios e serviços.


b) Redutibilidade do valor dos benefícios.
c) Equidade na forma de participação no custeio
d) Universalidade da cobertura e do atendimento
e) Descentralizado da gestão administrativa.

25/222
Gabarito
1. Resposta: D. 5. Resposta: B.

A opção correta é a C. Conforme artigo 194, ape- A opção correta é a B. Os benefícios não podem
nas a Previdência Social tem caráter contributivo. ter seus valores reduzidos.

2. Resposta: B.

A opção correta é a B. Conforme artigo 194 da CF.

3. Resposta: C.

A opção correta é a C. A proteção à família do pre-


sidiário se dá por concessão de benefício de auxí-
lio reclusão.

4. Resposta: D.

A opção correta é a D. Conforme classificação


doutrinária são duas classes de princípios.
26/222
Unidade 2
Evolução da proteção social

Objetivos

• Estudar o desenvolvimento da proteção social no mun-


do.
• Apresentar o panorama da evolução histórica da pro-
teção social no Brasil, principais fatos e institutos.
• Estudar o Direito Previdenciário enquanto ramo autô-
nomo do direito.
• Compreender os princípios que regem o Direito Previ-
denciário.

27/222
Introdução

As preocupações com os acontecimentos fome, velhice, doença e acidentes, não é no-


sociais, que impediam as pessoas de prove- vidade, e a primeira instituição a se preocu-
rem a sua própria subsistência, transpuse- par com essas ocorrências foi a familiar, na
ram o âmbito familiar e passaram a ser uma qual os mais jovens se designavam a ajudar
das atribuições do Estado com os cidadãos. os mais velhos, os incapacitados.
Assim, a proteção social apresenta duas fa- Com o passar do tempo, necessário se fazia
ses importantes: a fase assistencialista e a que essa ajuda e amparo fosse externa ao
fase do seguro social. âmbito familiar. Assim, este papel foi desig-
Por ser a única função estatal contributiva nado às Igrejas de forma voluntária e des-
do seguro social, a Previdência Social pas- vinculada da ideia de justiça, reproduzindo
sou a ter cada vez mais relevância, inclusive, mera caridade.
deu nome ao ramo do Direito destinado ao A ideia de proteção social com o passar do
estudo securitário social, regido por princí- tempo modificou-se. Assim, muitos doutri-
pios e normas próprios. nadores dividem essa evolução em duas fa-
ses: assistencial e fase de seguro social.
1. Evolução da proteção social
Considerado pela maior parte da doutrina o
A preocupação com os infortúnios, como marco na concepção de um sistema assis-

28/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social


tencialista, a Lei dos Pobres (Poor Relief Act), em 1601, na Inglaterra, foi o primeiro instrumento
jurídico que regulamentou o auxílio prestado aos necessitados pelas instituições religiosas (em
especial).
Com a primeira edição da Declaração dos Direitos do Homem, a Revolução Francesa, em 1789,
pode ser considerada outro marco histórico e determinante do fim do sistema econômico das
corporações de ofício, que entre outros motivos, levou à valorização da liberdade individual.

Link
Conheça a Declaração dos Direitos do Homem completa. Disponível em: <http://pfdc.pgr.mpf.
mp.br/atuacao-e-conteudos-de-apoio/legislacao/direitos-humanos/declar_dir_ho-
mem_cidadao.pdf>. Acesso em: 10 dez. 2016.

O surgimento dos primeiros grupos de mútuo, de origem livre, sem intervenção do Estado, nos
quais um conjunto de pessoas com interesses em comum se reuniam, visavam à cotização de
valor certo para resguardo de todos nos casos de infortúnios – prenúncio dos sistemas privados
complementares de previdência. Assim, o indivíduo passa a ser considerado detentor de direitos
e deveres e o trabalho passa a ser um mecanismo de desenvolvimento tanto pessoal como social.
29/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social
E assim se delineia a primeira fase da prote- validez e velhice.
ção social – fase do assistencialismo –isto é, Passa-se, portanto, para o início da segun-
o Estado passa a ter a função de prestação da fase da proteção social – a fase do seguro
de auxílio à sociedade. social – ou seja, as ideias de direito privado
O surgimento da proteção social está inti- sobre um contrato de seguro foram trazidas
mamente ligado pela sociedade industrial, para o âmbito do direito público.
devido à vulnerabilidade da mão de obra Enquanto negócio jurídico bilateral, o segu-
dos trabalhadores e a dependência econô- ro é um contrato em que uma das partes se
mica concentrada na percepção do salário. obriga a indenizar, no caso da ocorrência de
Com a edição da Lei Bismark, em 1883, a um fortuito, enquanto a outra se obriga ao
criação da Previdência Social foi marcada pagamento mensal de um “prêmio”.
na história, isso porque foi a primeira lei que Assim, para transferir essa ideia para uma
previu a obrigatoriedade de se fornecer aos disposição de ordem pública, o prêmio se-
operários um “seguro-doença”. riam as contribuições mensais realizadas
Já em 1884, ainda na Alemanha, ocorreu a por aqueles que são segurados da Previ-
criação do seguro acidente de trabalho, e dência Social e a indenização seriam os ris-
cinco anos depois, em 1889, o seguro de in- cos sociais que são cobertos por este seguro

30/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social


social. que dispunha que as Santas Casas de Mise-
ricórdia deveriam prestar “socorros públi-
1.1 A evolução histórica no cos”.
Brasil

A evolução da proteção social no Brasil está


Para saber mais
umbilicalmente ligada à história dos direi- É chamada Constituição de 1824 a Carta de Lei
tos do trabalhador, assim, é primordial que de 25 de março de 1824. Trata-se da Constituição
estudemos em conjunto esses dois ramos Política do Brasil Império, assinada pelo Imperador
do direito. Inclusive, a própria Constituição Dom Pedro I. Esse documento encontra-se dispo-
Federal de 1988 elenca o trabalho como nível nos arquivos eletrônicos do Planalto.
sendo um meio legítimo de se assegurar
uma vida digna a todos os homens, garan- Alguns anos depois surgiu a ideia do Mon-
tindo, entre outros direitos, o acesso ao se- geral: Montepio Geral de Economia dos
guro social. Servidores do Estado. A ideia era a criação
A primeira referência à proteção social na de uma instituição através do pagamento
legislação brasileira encontra-se na Cons- mensal de valores de cotas que, ao cotista
tituição de 1824 (época do Brasil império), morrer, geraria uma pensão para alguém de

31/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social


sua escolha.
Um dos grandes marcos no Brasil, sem dúvidas, é a lei conhecida como Lei Eloy Chaves, de ori-
gem no Decreto nº 4.682 de 1923, que cria pela primeira vez um fundo, uma caixa chamada de
CAP (Caixa de Aposentadoria e Pensões para os ferroviários).

Link
Acesse o Decreto nº 4.682/1923. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/de-
creto/Historicos/DPL/DPL4682.htm>. Acesso em: dez. 216.

As CAPs eram mantidas por particulares (empregado e empregadores), possuíam custeio pró-
prio, privado e de adesão facultativa do empregado de determinada categoria profissional, no
caso, a dos ferroviários.
Dez anos depois, em 1933, as CAPs foram substituídas pelos Institutos de Aposentadoria e Pen-
sões, conhecidos como IAPs, voltados para categorias como bancários, marítimos, industriários,
comerciários e profissionais de transportes e cargas, sendo que continuavam a funcionar por
categoria profissional e a adesão a esse sistema era compulsória.

32/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social


Com a proliferação da criação de fundos, dência e a Saúde, que permanece até hoje
caixas e institutos de aposentadoria e pen- no nosso modelo de Seguridade Social.
sões, o Governo resolveu em 1960 editar a
Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS),
cuja principal função foi a unificação legis-
Para saber mais
lativa e administrativa desses institutos. Sobre a ligação empregada à saúde e à previdên-
cia social veja o capítulo sobre natureza jurídica e
Em 1966 o Decreto Lei nº 72 criou o Institu- principais características da Previdência Social do
to Nacional da Previdência Social, um órgão livro de Fabio Zambitte Ibrahim.
público previdenciário, que fundiu os seis
institutos de aposentadores e pensões que Uma grande alteração na estrutura e orga-
existiam na época, ou seja, todas as IAPs se nização da Seguridade Social foi realizada
reuniram para formar o INPS. em 1977 com a criação do SINPAS, Sistema
Apenas como traço evolutivo, em 1974, foi Nacional de Previdência e Assistência, cujos
criado o INAMPS, Instituto Nacional de As- órgãos eram: DATAPREV, INAMPS, FUNA-
sistência Médica e Previdência Social, que BEM, IAPAS, CEME, INPS e LBA.
surgiu para atender às necessidades relati- Com a promulgação da Constituição Federal
vas à saúde dos segurados do INPS. Nota-se em 1988, foram inseridos como garantias
que são traços da ligação entre a Previ-
33/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social
constitucionais dispositivos que tratavam
da Seguridade Social, desenha-se, assim, a Para saber mais
estrutura tríplice da Saúde, Previdência So-
As Leis nº 8.212/91 e nº 8.213/91 são as leis prin-
cial e Assistência Social.
cipais sobre o plano de custeio e o plano de benefí-
Em 1990, com a publicação da Lei nº cios da Previdência Social. Elas foram editadas em
8.029/90, ocorreu a fusão entre o IAPAS e 1991 e passaram por diversas mudanças. O Decre-
o INPS, dando origem ao que conhecemos to nº 3.048/99 é um dos principais instrumentos
como INSS, Instituto Nacional do Seguro complementares legislativos a essas leis.
Social (autarquia que administra a Previ-
dência Social). 2. O direito previdenciário
Afim de regulamentar os planos de custeio Conforme já estudado, a Previdência Social
e de benefícios da Previdência Social, foram faz parte da tríplice base da Seguridade So-
editadas as importantes Leis nº 8.212/91 e cial, por isso alguns doutrinadores defen-
nº 8.213/91, que abrangem a maior parte dem que mais ponderado seria chamar este
dos conteúdos jurídicos necessários para o ramo do direito de Direito à Seguridade So-
conhecimento e a interpretação do Direito cial e não apenas Direito Previdenciário.
Previdenciário.
Com o principal objetivo de regular jurídica
34/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social
e institucionalmente, a seguridade social é áreas jurídicas o Direito Previdenciário dis-
um ramo do direito público autônomo. Isso ciplina relações obrigacionais de natureza
porque o Direito Previdenciário se baseia em compulsória, em especial para aqueles que
princípios autônomos e distintos dos de- contribuem com o seu sistema, isto é, pes-
mais ramos do Direito e, como nos lembra soas que auferem renda.
Castro e Lazzari (2016, p. 70), as relações
jurídicas que são tipificadas por este ramo 2.1 Princípios de direito
do direito são próprias, isto é, “a relação ju- previdenciário
rídica de custeio, entre o contribuinte ou
responsável e o ente arrecadador, a relação De acordo com Castro e Lazzari (2016, p. 87)
jurídica de seguro social, entre beneficiário “princípio é o alicerce das normas jurídicas
e o ente previdenciário”. de certo ramo do Direito, é fundamento da
construção escalonada da ordem jurídico
Ainda que autônomo, o direito previdenciá-
positiva em certa matéria”. Portanto, como
rio sofre influência de outros ramos do di-
ramo autônomo do direito, o Direito Previ-
reito, em especial o Direito Constitucional, o
denciário tem como base princípios que são
Direito do Trabalho, Direito Administrativo
aplicados à seguridade social, princípios es-
e o Direito Tributário.
pecíficos de custeio e princípios específicos
Além disso, diferentemente das outras
35/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social
da Previdência Social. e do atendimento prevê que quanto mais
Os princípios da Seguridade Social estão benefícios e serviços existirem para a co-
dispostos no artigo 194 da Constituição bertura dos riscos sociais, melhor. E quanto
Federal e são eles: universalidade da co- mais pessoas estiverem protegidas por essa
bertura e do atendimento, uniformidade e cobertura melhor.
equivalência dos benefícios e serviços às Importante ressaltar que a universalidade
populações urbanas e rurais, seletividade de cobertura e atendimento é um concei-
e distributividade na prestação dos bene- to mitigado (limitado) quando relacionada
fícios e serviços, irredutibilidade do valor à Previdência Social porque só são cobertos
dos benefícios, equidade na forma de par- os segurados e dependentes (e não todas as
ticipação no custeio, diversidade da base pessoas).
de financiamento e caráter democrático e Além disso, há uma limitação financeira ao
descentralizado da administração, median- princípio da universalidade tendo em vista
te gestão quadripartite com participação que não há recursos orçamentários e eco-
dos trabalhadores, dos empregadores, dos nômicos públicos para proteger a todos,
aposentados e do governo nos órgãos cole- devendo ser atendido o limite da reserva do
giados. possível.
O princípio da universalidade da cobertura
36/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social
Já o princípio da uniformidade e equivalên- da Seguridade Social. Entretanto, é preciso
cia dos benefícios e serviços às populações constatar que há insuficiência de recursos
urbanas e rurais pode ser considerado um monetários para cobertura de todos esses
desdobramento do princípio da isonomia. riscos. Por isso, o legislador deve ser seletivo
Isso porque, antes da promulgação da Cons- ao escolher qual risco será coberto e tam-
tituição Federal de 1988, o tratamento des- bém quais pessoas são as necessitadas à luz
tinado ao trabalhador urbano era distinto do interesse público para que possam ser
do dado ao trabalhador rural. Dessa manei- protegidas.
ra, este princípio proíbe que exista discrimi- Após selecionado o risco, se faz necessária a
nação negativa entre os segurados urbanos distribuição da riqueza para que se diminua
e rurais, porém a política de ação afirmati- a desigualdade social e se garanta o mínimo
va (ou discriminação positiva) é possível e existencial para uma vida digna. Este princí-
necessária em especial no âmbito da Previ- pio ganha especial importância no âmbito
dência Social. da Assistência Social.
O princípio da seletividade e distributivida- Decorrente do princípio da segurança jurí-
de na prestação dos benefícios e serviços dica, o princípio da irredutibilidade do valor
decorre do enorme leque de riscos sociais dos benefícios impede que o valor percebido
e a lei tem a intenção de proteger através pelo segurado a título de benefício seja di-
37/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social
minuído, ainda que por força de lei superve- segurança e saúde têm uma contribuição
niente a sua concessão. No âmbito da Previ- menor, ao passo que aquelas empresas com
dência Social, por seu caráter contributivo, muitos acidentes de trabalho contribuem
além de o benefício não poder ser reduzi- com uma alíquota maior.
do, o seu valor é reajustado anualmente (de Outro princípio do direito tributário aplica-
acordo com o que dispõe o artigo 201, § 4o do a Seguridade Social é o da diversidade da
da CF e o artigo 41-A da Lei nº 8.213/91). base de financiamento, isto é, devem existir
Prevê ainda a norma constitucional, o prin- múltiplas fontes de custeio para a Seguri-
cípio da equidade na forma de participação dade Social, denominada também por so-
no custeio, no qual a lei utiliza o critério da cialização da base de financiamento.
equidade diretamente ligado a dois princí- Já o caráter democrático e descentralizado
pios de Direito Tributário: o princípio da iso- da administração, mediante gestão qua-
nomia tributária e o da capacidade contri- dripartite com participação dos trabalha-
butiva. dores, dos empregadores, dos aposentados
Apenas para complementar uma das fun- e do governo nos órgãos colegiados, como
ções deste princípio, é interessante notá- explicam Castro e Lazzari (2016, p. 90) diz
-lo na determinação do valor da alíquota do respeito “a gestão dos recursos, programas,
SAT, ou seja, as empresas que investem em planos, serviços e ações nas três vertentes
38/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social
da Seguridade Social, em todas as esferas e incomunicável.
de poder, deve ser realizada mediante dis- Decorrente do princípio anterior, o princípio
cussão com a sociedade”. da precedência de fonte de custeio discipli-
Quanto aos princípios específicos do custeio na que a gestão da Seguridade Social deve
da Seguridade Social eles são apresentados ser planejada de maneira responsável, ou
da seguinte forma: princípio do orçamento seja, só é possível criar, ampliar, majorar be-
diferenciado, princípio da precedência de nefícios se existir dinheiro para isso (isto é,
fonte de custeio, princípio da compulsorie- fonte de custeio correspondente).
dade da contribuição e princípio da anterio- Por ser um sistema que necessita de uma
ridade tributária das contribuições sociais. ação integrada entre o Estado, a iniciativa
O princípio do orçamento diferenciado dis- privada e a sociedade, o princípio da com-
põe que o orçamento anual da União é com- pulsoriedade da contribuição dispõe como
posto por três peças orçamentárias: fiscal, ensinam Castro e Lazzari (2016, p. 92) “que
investimento em empresas públicas e so- ninguém pode escusar-se de recolher con-
ciedades de economia mista e a Seguridade tribuição social caso a lei estabeleça como
Social. Assim, de acordo com o artigo 165, fato gerador alguma situação em que in-
§5º, II e artigo 195, §1º e §2º, a Seguridade corra”.
Social deve ter um orçamento anual próprio
39/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social
Assim como ocorre com os tributos de ma- cie os mais necessitados”, ou seja, é através
neira geral, o princípio da anterioridade tri- desse princípio que “este sistema resguar-
butária das contribuições sociais disciplina da gerações futuras ou mesmo as atuais de
que tais contribuições quando criadas ou eventual estado de pobreza e perda da dig-
majoradas devem obedecer a um período nidade humana”.
denominado de vacância. Essa regra não se O direito fundamental à Seguridade Social
aplica no caso de extinção ou redução do va- é um direito social protegido pela Consti-
lor do tributo que passa a ter vigência ime- tuição Federal, e através do princípio da ve-
diata. Já os princípios gerais da Previdência dação do retrocesso social é que se garante
Social estão dispostos em diversos dispo- que esses direitos não podem ser reduzidos
sitivos da Constituição Federal são eles: o tanto em alcance como em quantidade.
princípio da solidariedade, o princípio da
vedação do retrocesso social e o princípio Objeto de controversas doutrinárias, o prin-
da proteção ao hipossufiente. cípio da proteção ao hipossufiente tem sua
origem no direito do trabalho (no princípio
Fundamento da República Federativa do do in dubio pro operário, ou pro misero).
Brasil, o princípio da solidariedade da Segu-
ridade Social como disserta Ribeiro (2011, p. Por fim os princípios específicos da Previ-
49) “pressupõe que o esforço geral benefi- dência Social são: princípio da filiação obri-

40/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social


gatória, princípio do caráter contributivo, princípio do equilíbrio financeiro e atuarial, princípio
da garantia do benefício mínimo, princípio da correção monetária dos salários de contribuição,
princípio da preservação do valor real dos benefícios e princípio da indisponibilidade dos direitos
dos beneficiários.
O princípio da filiação obrigatória impõe que todas as pessoas que se enquadram na condição de
segurado são compulsoriamente contribuintes da Previdência Social.
Já debatido em outros tópicos do tema, o princípio do caráter contributivo disciplina que a Previ-
dência Social será custeada através do arrecadamento de contribuições sociais pagas por aque-
les que têm o dever de contribuir (Estado, empresas e cidadão que aufere renda).
Apenas com a entrada em vigor da Emenda Constitucional nº 20/98 é que foi inserido no caput
do artigo 201 da CF o princípio do equilíbrio financeiro e atuarial, que visa manter um equilíbrio
entre o que se arrecada através do custeio da Previdência Social com o que se paga em benefí-
cios.

41/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social


Link
Conheça a Emenda Constitucional 20/98. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc20.htm>. Acesso: 10 dez. 2016.

Além de ser garantido a todos os benefi- do beneficiário), protegendo este valor de


ciários da Previdência Social um valor de eventuais degradações.
benefício que não seja inferior ao valor do Por fim, por fazerem parte do rol de direitos
salário mínimo nacional vigente à época sociais fundamentais, o princípio da indis-
da concessão, ainda se garante através do ponibilidade dos direitos dos beneficiários
princípio da preservação do valor real dos dispõe que tem natureza alimentar o bene-
benefícios que, o reajuste do valor do bene- fício concedido pela Previdência Social, as-
fício deve assegurar que este seja real. Em sim, não está disponível (por exemplo, não
outras palavras, sempre que revisto o valor pode sofrer penhora, arresto, entre outros
do salário mínimo nacional o valor do bene- institutos restritivos).
fício deve ser reajustado também, para se
preservar o seu valor real (poder de compra

42/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social


Para saber mais
Sobre princípios da Previdência Social dispostos na Constituição veja a obra de Dânae Dal Bianco, Princí-
pios constitucionais da Previdência Social.

43/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social


Glossário
CAP: Caixas de Aposentadoria e Pensão.
CEME: Central de Medicamentos
DATAPREV: Empresa de Tecnologia e Informação da Previdência Social.
FUNABEM: Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor.
IAP: Instituto de Aposentadoria e Pensão.
IAPAS: Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social.
INAMPS: Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social.
INPS: Instituto Nacional de Previdência Social.
LBA: Legião Brasileira de Assistência.

44/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social


?
Questão
para
reflexão
O Direito Previdenciário é considerado um ramo do di-
reito público ou privado? Quais princípios gerais do di-
reito a ele são aplicados? Quais são os princípios consti-
tucionais que o norteiam?

45/222
Considerações Finais

»» Com o passar do tempo fez-se necessário um externo ao âmbito


familiar, assim, este papel foi designado primeiramente às Igrejas
de forma voluntária, e após ao Estado.
»» A proteção social passou por duas fases, de acordo com muitos
doutrinadores, a primeira é uma fase assistencial, e a segunda uma
fase de seguro social.
»» No Brasil a evolução da proteção social está ligada diretamente
à história dos direitos do trabalhador sendo que a própria Cons-
tituição Federal de 1988 elenca o trabalho como sendo um meio
legítimo de se assegurar uma vida digna a todos os homens, ga-
rantindo, entre outros direitos, o acesso ao seguro social.
»» O Direito Previdenciário baseia-a em princípios autônomos e dis-
tintos dos demais ramos do Direito.

46/222
Referências

BIANCO, Dânae dal. Princípios constitucionais da previdência social. 1ª Edição, São Paulo – LTr,
2011.
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/constituicao.htm >. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 8.213 de 24 de julho de 1991. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-


vil_03/leis/L8213cons.htm>. Acesso em: 21 nov. 016.

CASTRO, Carlos Alberto Pereira de e LAZZARI, João Batista. Manual de Direito Previdenciário.
19. Ed., Rio de Janeiro: Forense, 2016.
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Resumo de direito previdenciário. 11. Ed., Niterói/RJ: Impetus, 2011.
RIBEIRO, Juliana de Oliveira Xavier. Direito previdenciário esquematizado. 2ª Ed. São Paulo:
Quartier Latin, 2011.

47/222 Unidade 2 • Evolução da proteção social


Assista a suas aulas

Aula 2 - Tema: Evolução da proteção social. Aula 2 - Tema: Evolução da proteção social.
Bloco I Bloco II
Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f-
e3f394ec2a45103abb85cb6df9f5bfcd>. 1d/84a5b54673c482063abe0e40a48566d3>.

48/222
Questão 1
1. De acordo com os princípios da seguridade social, assinale a opção que re-
presente o princípio que garante aos estrangeiros no Brasil poderem receber
atendimento da Seguridade Social.

a) Princípio da seletividade.
b) Princípio da universalidade.
c) Princípio da irredutibilidade.
d) Princípio do orçamento diferenciado.
e) Princípio da precedência de fonte de custeio.

49/222
Questão 2
2. Complete a frase de acordo com a Lei nº 8.213/91. Os princípios que re-
gem a previdência social incluem a ________ e a equivalência dos benefí-
cios e serviços prestados às populações urbanas e rurais.

a) Universalidade.
b) Uniformidade.
c) Isonomia.
d) Diferenciação.
e) Seletividade.

50/222
Questão 3
3. Assinale a alternativa correta. O caráter democrático e descentralizado da
administração da Previdência Social garante participação de:
a) Dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados, formando a de-
nominada gestão tripartite.
b) Dos empregadores, trabalhadores, aposentados e do Governo nos órgãos colegiados for-
mando uma gestão quadripartite.
c) Dos empregadores, sindicatos, centrais sindicais e Governos formando uma gestão quadri-
partite.
d) Das empresas, do Governo Federal e da Caixa Econômica Federal formando uma gestão tri-
partite.
e) Dos entes federativos, do poder executivo, dos empregadores e dos trabalhadores formando
uma gestão quadripartite

51/222
Questão 4
4. São riscos cobertos pela Previdência Social, exceto:

a) Cobertura dos eventos de doença.


b) Morte.
c) Idade avançada.
d) Invalidez.
e) Permanência no trabalho.

52/222
Questão 5
5. O princípio da contrapartida pode ser definido como a diretriz que
impõe:
a) A existência de prévia fonte de custeio para que um benefício ou serviço da seguridade so-
cial seja criado ou majorado.
b) Que valor de benefício que não seja inferior ao valor do salário mínimo nacional vigente à
época da concessão.
c) Que os direitos não podem ser reduzidos tanto em alcance como em quantidade.
d) Uma forma de resguardar as gerações futuras ou mesmo as atuais de eventual estado de
pobreza e perda da dignidade humana.
e) Que ninguém pode escusar-se de recolher contribuição social caso a lei estabeleça como
fato gerador alguma situação em que incorra.

53/222
Gabarito
1. Resposta: B. 4. Resposta: E.

A opção correta é a B. O princípio da uni- A opção correta é a E. O rol de riscos sociais


versalidade da seguridade social garante o cobertos vai além do elencado, como ma-
atendimento ao estrangeiro. ternidade, reclusão, incapacidade laboral. O
abono de permanência foi excluído do RGPS.
2. Resposta: B.
5. Resposta: A.
A opção correta é a B. Vide artigo 194 da CF.
A opção correta é a A. Em conformidade
3. Resposta: B. com a Lei nº 8.212/91.

A opção correta é a B. A gestão é quadri-


partite e formada pelos elencados no artigo
194, CF.

54/222
Unidade 3
Regime geral de previdência social

Objetivos

• Estudar os regimes previdenciários no ordena-


mento jurídico e os principais modelos de Pre-
vidência Social.
• Compreender o RGPS e das pessoas que são
obrigadas a se filiarem.
• Diferenciar as espécies de segurados.
• Perceber as pessoas que são dependentes dos
segurados no RGPS.

55/222
Introdução

Os regimes previdenciários são divididos em dois grandes grupos: o Regime Geral de Previdência
Social e os Regimes Especiais de Previdência. O foco desse estudo está no RGPS e o estudo das
normas disciplinadoras da relação jurídica estabelecida em todo o sistema do seguro social.
Para isso, o objetivo da presente temática consiste na observação da relação de filiação estabe-
lecida entre o segurado e a previdência social, quem são as pessoas que podem se filiar ao siste-
ma e, ainda, quem poderá receber os benefícios previdenciários.

56/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social


1. Regimes previdenciários

O entendimento de regime previdenciário pode ser descrito conforme Castro e Lazzari (2016, p.
97):

Entende-se por regime previdenciário aquele que abarca, mediante nor-


mas disciplinadoras da relação jurídica previdenciária, uma coletividade
de indivíduos que têm vinculação entre si em virtude da relação de traba-
lho ou categoria profissional a que se está submetida, garantindo a esta
coletividade, no mínimo, os benefícios essencialmente observados em
todo sistema do seguro social – aposentadoria e pensão por falecimento
do segurado.

A seguir serão apresentados detalhes a respeito deste assunto a fim de auxiliar na compreensão
dos benefícios e serviços às pessoas tidas como seguradas.

57/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social


1.1 Modelos de previdência social

Os regimes previdenciários especiais são normalmente associados aos regimes gerais de previ-
dência próprios, ou seja, por categoria profissional. Eles são disciplinados por leis ou estatutos
próprios ou pela Constituição Federal. São exemplos de regimes gerais de previdência próprios:
para funcionários públicos federais civis (Lei nº 8.112/90), para servidores militares (Estatuto
dos Militares), para servidores públicos estaduais, municipais ou distritais (artigo 149 da CF).

Link
Conheça o regime geral dos servidores públicos federais civis. Disponível em: <https://www.pla-
nalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8112cons.htm>. Acesso em: 11 dez. 2016.

Outro regime previdenciário especial é a previdência privada disposta no artigo 202 da CF, é fa-
cultativa e visa à complementação dos benefícios do RGPS. Normalmente, essas previdências
privadas são operadas por entidades de previdência aberta (acessível a todas as pessoas, sem
fins lucrativos e organizada sob a forma de fundação ou sociedade civil) ou fechada (acessível
apenas aos funcionários de uma determinada empresa, ou de um grupo de empresas e têm na-
58/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social
tureza de Sociedade Anônima – S.A). Assim, como explica Ribeiro (2011), o RGPS
é o principal regime previdenciário em nos-
so país e abrange, de modo obrigatório, to-
Para saber mais dos os trabalhadores da iniciativa privada
Para se aprofundar no estudo sobre previdências que exercem atividade remunerada, sendo
privadas recomenda-se a leitura da Lei da Previ- regido pela Lei 8.213/91. É a autarquia fe-
dência Privada, auxiliada pela doutrina comentada deral denominada de Instituto Nacional do
Previdência Privada – Lei da Previdência Complemen- Seguro Social, criado pela Lei nº 8.029/90,
tar Comentada, de Jerônimo Jesus dos Santos. que é responsável pela concessão e manu-
tenção dos benefícios e serviços previden-
2. Regime geral de previdência ciários.
social

O Regime Geral de Previdência Social é um


regime de previdência pública de caráter
contributivo e compulsório para todas as
pessoas que exercem trabalho remunerado,
isto é, auferem renda declarada no país.

59/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social


Link
Conheça a lei que criou o INSS. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/
L8029compilada.htm>. Acesso em: 11 dez. 2016.

Dessa forma, o RGPS, através do INSS, tem como principal objetivo garantir a proteção de seus
segurados diante dos riscos e contingências sociais, tais como: incapacidade, desemprego, ida-
de avançada, doença, acidente, prisão, morte e maternidade.

2.1 Filiação

A filiação é o nome dado para a relação jurídica estabelecida entre o segurado e o Regime Geral
da Previdência Social. Assim, como disserta Ibrahim (2011, p. 173): “decorre automaticamente
da atividade remunerada, ou seja, no momento em que uma pessoa iniciar o exercício de algu-
ma atividade remunerada, isso facto, estará filiada à previdência social”. Assim, todo aquele que
exerce atividade remunerada, aufere renda, obrigatoriamente tem que contribuir vertendo con-
tribuições ao RGPS, em regra essas contribuições são mensais.
60/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social
De forma excepcional, o segurado pode op- remunerada que o vincule ao RGPS, e ele
tar por contribuir com o RGPS, isto é, aquelas será filiado por cada uma delas.
pessoas que não exercem atividade remu- Para ser considerado um filiado regular do
nerada ou não auferem renda, têm a facul- RGPS, o segurado deve além de exercer ati-
dade de poder contribuir voluntariamente vidade remunerada, inscrever-se perante
com a previdência social, são os chamados a Previdência Social, ou seja, o segurado
segurados facultativos. deve fornecer dados pessoais que possibi-
litem a sua identificação perante o INSS. Em
Para saber mais suma, como ressalta o art. 20 do Decreto
Para saber quais são os benefícios concedidos aos n. 3.048/99 “a filiação à previdência social
segurados facultativos leia o Manual do Direito Pre- decorre automaticamente do exercício de
videnciário, de Carlos Alberto Pereira de Castro e atividade remunerada para os segurados
João Batista Lazzari, capítulo dos segurados. obrigatórios e da inscrição formalizada com
o pagamento da primeira contribuição para
Outro importante detalhe que deve ser o segurado facultativo”.
mencionado é que o segurado pode ter fi-
liações múltiplas, isto quer dizer que o se-
gurado pode exercer mais uma atividade
61/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social
2.2 Segurados exerceu foi no Brasil ou em outro país, o que
deve ser levado em consideração é sua con-
Qualidade atribuída às pessoas físicas tratação ter sido realizada no Brasil ou se há
maiores de dezesseis anos, exceto o menor acordo internacional sobre contribuições
aprendiz que pode ser mais de catorze anos, previdenciárias com este país estrangeiro.
são segurados aqueles que exercem ativi- O artigo 12 da Lei nº 8.212/91 elenca o rol
dade remunerada ou aqueles que por opção de pessoas físicas que são segurados obri-
querem contribuir com o RGPS. Dessa for- gatórios da Previdência Social: empregado,
ma, podemos dividir os segurados em duas empregado doméstico, contribuinte indivi-
espécies de classificação: os segurados dual, trabalhador avulso e segurado espe-
obrigatórios e os segurados facultativos. cial.
Os segurados obrigatórios são aqueles que De acordo com o artigo 3º da CLT, emprega-
exercem atividade laborativa remunera- do é a pessoa física que presta seus serviços
da com ou sem vínculo empregatício, sen- ao empregador de maneira pessoal, habi-
do rural ou urbano, avulso, empresário ou tual, onerosa e subordinada. Assim, o em-
especial. O segurado obrigatório pode ser pregador pode ser uma pessoa física, uma
brasileiro ou estrangeiro, sendo que não pessoa jurídica de direito privado ou de di-
importa se a atividade remunerada que reito público, desde que não tenha regime
62/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social
previdenciário próprio, que desenvolve uma atividade econômica, seja esta empresária ou não.
O empregado pode ser classificado como urbano ou rural de acordo com o local e o tipo de pres-
tação dos seus serviços.
Importante ressaltar que a idade mínima de filiação ao RGPS é de dezesseis anos, sendo que no
caso do menor aprendiz, esta idade pode ser reduzida para quatorze anos.

Para saber mais


Importante ressaltar que o tempo trabalhado, ainda que como menor aprendiz, é somado ao tempo de
contribuição do segurado. Assim, para saber sobre a prova do tempo de contribuição veja o livro Prova de
Tempo de Serviço – Previdência Social, de Wladimir Novaes Martinez.

Já o empregado doméstico, de acordo com a Lei Complementar nº 150/2015, é a pessoa física


que reúne as características do empregado, porém que presta seus serviços para um empregador
que não tem fins lucrativos, no âmbito residencial e familiar por mais de dois dias por semana.
Os empresários, trabalhadores autônomos ou a eles equiparados, com a entrada em vigor da

63/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social


Lei nº 9.876/99, passaram a ser denomina- outros.
dos genericamente de contribuintes indivi- Por fim, a última espécie de segurados obri-
duais. gatórios são os segurados especiais defi-
Nos termos da Lei nº 8.630/93, o trabalha- nidos no artigo 195, § 8º da Constituição
dor avulso é aquele que presta seus servi- Federal, que como lembra Ibrahim (2011, p.
ços, sejam rurais ou urbanos, para diversas 193): “se traduz, resumidamente, no peque-
empresas diferentes, isto é, sem reconheci- no produtor rural e no pescador artesanal”.
mento de vínculo empregatício com qual- Em 2008, a Lei nº 11.718 passou a admitir
quer delas. O trabalho do avulso possui uma a contratação de mão de obra remunerada
intermediação obrigatória ou de um órgão eventual pelo segurado especial, o que era
gestão ou do sindicato da categoria. O De- expressamente vedado pela Constituição
creto nº 3.048/99, em seu artigo 9º inciso que dispunha que na ocorrência dessa con-
VI, elenca um rol de pessoas que são con- tratação o segurado perdia a qualidade de
sideradas trabalhadores avulsos, entre eles especial.
os mais conhecidos são: os trabalhadores
em atividade portuária de capatazia, estiva,
conferência e conserto de carga, amarrador
de embarcação, ensacador de café, entre
64/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social
Link
Conheça as mudanças trazidas pela Lei nº 11.718/08. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/L11718.htm>. Acesso em: dez. 2016.

A Lei nº 11.718/08 também alterou disposições das Leis nº 8.212/91 e nº 8.213/91 para passar
a admitir, também, que o segurado especial possa exercer atividades diferentes, como por exem-
plo, explorar sua pequena propriedade rural como pousada. Quanto ao pescador artesanal a lei
de 2008 não trouxe mudanças.
Apenas a título de informação, apesar da grande polêmica em relação ao assunto, de acordo com
a Lei nº 8.212/91, o aposentado pelo RGPS que volta a exercer atividade remunerada, ou que não
deixa de exercê-la em razão da aposentadoria é um segurado obrigatório do RGPS.
Aqueles que não preenchem nenhuma das hipóteses caracterizadoras dos segurados obrigató-
rios podem ingressar no RGPS por sua espontânea vontade, são os segurados facultativos. Con-
forme Castro e Lazzari (2009, p. 198):

65/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social


Com as alterações operadas pela Emenda Constitucional nº 20/98 enten-
demos que qualquer pessoa maior de 14 anos de idade pode filiar-se fa-
cultativamente ao RGPS (artigo 14 da Lei nº 8.212/91), desde que não esteja
vinculada, como segurado obrigatório, a nenhum outro regime previden-
ciário.
São exemplos de segurados facultativos: dona de casa, síndico não remunerado de condomínio,
estudante, entre outros.

2.3 Dependentes

Beneficiários do RGPS por terem um vínculo familiar com o segurado do regime, os dependentes
são pessoas que não contribuem para o sistema, mas que fazem jus a alguns benefícios.
O RGPS tem como objetivo garantir proteção aos seus segurados e dependentes diante da ocor-
rência de algum risco social, isso porque, o benefício previdenciário, além de ter caráter contri-
butivo, tem também natureza alimentar, devido assim, aos beneficiários que se caracterizam
como dependentes do segurado. Conforme Castro e Lazzari (2016, p. 202),
66/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social
os critérios para a fixação do quadro de dependentes são vários, e não so-
mente o da dependência puramente econômica. São vínculos familiares,
dos quais decorre a solidariedade civil e o direito dos necessitados à provi-
são da subsistência pelos mais afortunados.
Os dependentes são divididos em três gru- Isso quer dizer que, para a lei previdenciária,
pos, de acordo com o que dispõe o artigo relacionamentos oriundos do casamento
16 da Lei nº 8.213/91, sendo que as clas- ou de união estável não são distintos. Aliás,
ses formam uma hierarquia, ou seja, a exis- cumpre lembrar que esse relacionamento
tência de um dependente na classe superior pode ser entre pessoas de sexos opostos ou
exclui o direito dos dependentes das demais do mesmo sexo. Quanto aos filhos meno-
classes. res de vinte e um anos são equiparados os
A primeira classe é composta por cônjuges, enteados e o menor que esteja sob a tutela
companheiros e filhos não emancipados, do segurado e não possua bens suficientes
de qualquer condição, menor de vinte e um para o seu próprio sustento. Importante sa-
anos ou inválido ou que tenha deficiência lientar que, quanto ao filho inválido, há uma
intelectual ou mental ou deficiência grave. grande discussão sobre a legalidade de exi-

67/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social


gir que a invalidez tenha sido constatada enquanto menor de vinte e um anos. Isso porque, o
posicionamento da jurisprudência tende a entender que o filho que se tornou inválido depois dos
vinte e um anos, mas antes do óbito de seus genitores, pode ser considerado dependente gozan-
do de presunção relativa de dependência.

Link
Para entender as mudanças legislativas trazidas pela Lei nº 13.146/2015, conhecida como Esta-
tuto da Pessoa com Deficiência, acesse: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2015/Lei/L13146.htm>.

A segunda classe é formada pelos ascendentes do segurado, ou seja, seus pais, cuja dependência
econômica do segurado deve ser devidamente comprovada.
A terceira classe é horizontal, isto é, inclui o irmão não emancipado, de qualquer condição, me-
nor de vinte e um anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência
grave.

68/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social


Glossário
CLT: Consolidação das Leis Trabalhistas.
INSS: Instituto Nacional do Seguro Social.

69/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social


?
Questão
para
reflexão

A entrada em vigor do estatuto da pessoa com deficiên-


cia modificou a lei previdenciária quanto à percepção
do benefício pelo dependente deficiente?

70/222
Considerações Finais

»» Pode-se dividir os regimes previdenciários em dois grandes grupos: o Re-


gime Geral de Previdência Social e os Regimes Especiais de Previdência.
»» No RGPS, os segurados podem ser divididos em duas espécies de classi-
ficação: os segurados obrigatórios e os segurados facultativos.
»» Exercer atividade remunerada traz como consequência a filiação à previ-
dência social de forma automática para os segurados obrigatórios.
»» Para os segurados facultativos, a filiação depende de inscrição formali-
zada com o pagamento da primeira contribuição.
»» Os dependentes são divididos em três grupos. São beneficiários do RGPS
por terem um vínculo familiar com o segurado do regime.

71/222
Referências

BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/


constituicao/constituicao.htm >. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Disponível em: < Lei nº 8.112, de 11 de dezem-
bro de 1990>. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL. DECRETO N° 3.048, de 6 de maio de 1999. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/decreto/d3048.htm >. Acesso em: nov. 2016.

BRASIL. DECRETO N° 5.452, de 1 de maio de 1943. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm>. Acesso em: nov. 2016.

BRASIL. LEI COMPLEMENTAR N° 150, de 1 de junho de 2015. Disponível em: < https://www.pla-
nalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp150.htm>. Acesso em: nov. 2016.

CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário. 11.
ed., Florianópolis: Conceito Editorial, 2009.
___________. Manual de direito previdenciário. 19. ed., Rio de Janeiro: Forense, 2016.
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Resumo de direito previdenciário. 11. ed., Niterói/RJ: Impetus, 2011.

72/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social


Referências

MARTINEZ, Wladimir Novaes. Prova de tempo de serviço – previdência social. 3. ed., São Paulo:
LTr, 2002.
RIBEIRO, Juliana de Oliveira Xavier. Direito previdenciário esquematizado. 2. ed. São Paulo:
Quartier Latin, 2011.
SANTOS, Jerônimo Jesus dos. Previdência privada – lei da previdência complementar comen-
tada. Rio de Janeiro: Livraria Jurídica, 2013.

73/222 Unidade 3 • Regime geral de previdência social


Assista a suas aulas

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e8d7c7c45ea3bce099f623637e70d700>. 1d/5a5e3628937d588ea43cf55bd2b6701d>.

74/222
Questão 1
1. O regime geral de previdência social constitui um gênero do regime
previdenciário e se estende a todos os trabalhadores, exceto:
a) Trabalhadores da iniciativa privada.
b) Trabalhadores do serviço público.
c) Funcionários públicos estatutários com previdência própria.
d) Contribuintes individuais.
e) Trabalhadores rurais.

75/222
Questão 2
2. Mariana é servidora pública federal e seu marido, Eduardo, é empregado
de uma empresa privada. Caso Mariana morra, Eduardo terá direito a receber
o benefício de pensão por morte pago pelo regime de previdência social dos
servidores públicos federais. Todavia, se Eduardo morrer primeiro, Mariana
terá direito a receber pensão por morte a ser pago pelo RGPS?
a) Não, por ser servidora pública Mariana não tem direito à pensão.
b) Não, pois Mariana não é dependente de Eduardo.
c) Sim, Mariana receberá pensão pelo RGPS.
d) Sim, Mariana receberá pensão pelo regime próprio.
e) Nenhuma das alternativas anteriores está correta.

76/222
Questão 3
3. Assinale a alternativa correta. O segurado obrigatório é a pessoa
física que exerce atividade remunerada abrangida pelo Regime Geral de
Previdência Social na qualidade de:
a) Empregado.
b) Trabalhador avulso e empregado doméstico.
c) Empregado e contribuinte individual.
d) Empregado, trabalhador avulso, empregado doméstico e contribuinte individual.
e) Autônomo.

77/222
Questão 4
4. Assinale a alternativa correta. Os segurados especiais são segurados:

a) Facultativos do RGPS.
b) Obrigatórios do RGPS.
c) Não são segurados.
d) Como não possuem renda não são segurados.
e) São segurados contribuintes individuais.

78/222
Questão 5
5. São considerados trabalhadores avulsos, exceto:
a) O amarrador de embarcação.
b) O ensacador de café, cacau, sal e similares.
c) O carregador de bagagem em porto.
d) O pescador artesanal.
e) O guindasteiro.

79/222
Gabarito
1. Resposta: C. 4. Resposta: B.
A opção correta é a C. Só os servidores pú- A opção correta é a B. Os segurados espe-
blicos que não possuem regime de previ- ciais são segurados obrigatórios.
dência próprio são segurados obrigatórios
do RGPS. 5. Resposta: C.
2. Resposta: C. A opção correta é a C. O pescador artesanal
é segurado especial.
A opção correta é a C. Mariana é cônju-
ge e dependente de Eduardo pela Lei nº
8.213/91.

3. Resposta: D.
A opção correta é a D. Esta alternativa está
em consonância à Lei nº 8.213/91.

80/222
Unidade 4
Custeio da previdência social

Objetivos

• Estudar o conjunto de normas que regula o sis-


tema financeiro da Seguridade Social.
• Entender como a Seguridade Social é financia-
da por toda a sociedade.
• Compreender a importância de como as con-
tribuições são vertidas ao sistema e como é
atribuído o seu valor.

81/222
Introdução

A Seguridade Social é financiada por toda a Assim, o estudo versa sobre quais são as
sociedade de forma direta e indireta, além contribuições sociais vertidas para a Segu-
de possuir uma receita anual destinada ex- ridade Social, quem são as pessoas obriga-
clusivamente pela União ao seu custeio. A das a contribuir e como essas contribuições
Seguridade Social é financiada através de integram esse sistema de custeio.
dois tipos de sistema: um sistema não con-
tributivo de custeio da Seguridade Social, o 1. Custeio da seguridade social
qual determina que os valores que são ver-
tidos são retirados do orçamento realizado Regulado pela Lei nº 8.212/91 e pelo De-
pela Administração Pública, e um sistema creto nº 3.048/99, o custeio é o conjunto de
contributivo de custeio, que pode ser dividi- normas que regulam o sistema financeiro
do em duas espécies, que são o sistema de da Seguridade Social.
capitalização e o sistema de repartição. Para definirmos custeio, é necessário que
As regras de custeio possuem o nítido ob- recordemos alguns conceitos de Direito Fi-
jetivo de manutenção do equilíbrio orça- nanceiro, como receita, orçamento e des-
mentário da Seguridade Social, em especial pesa.
da Previdência Social, o único dos institutos Assim, como ensina Ibrahim (2011, p. 38) ao
que possui caráter contributivo. aplicarmos estes elementos na Seguridade
82/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social
Social, verificamos que receita significa que “a Seguridade Social será financiada por toda a so-
ciedade de maneira direta ou indireta, de forma direta e indireta, mediante recursos provenien-
tes dos orçamentos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, e das contribuições sociais”,
elencados no artigo 195 da CF/88”. Ainda, denominam-se orçamento:

as receitas provenientes das contribuições da União advêm de recursos


adicionais do Orçamento Fiscal, fixados compulsoriamente no Orçamento
Anual. Sendo assim, a Lei orçamentaria anual, além da receita advinda das
contribuições sociais, poderá destinar recursos provenientes da receita de
outros tributos para a seara da Previdência, Assistência e para a Saúde (RI-
BEIRO, 2011, p. 436).

Quanto às despesas, os gastos com a Seguridade Social serão realizados “através do pagamen-
to das prestações (benefícios previdenciários e assistenciais), realização de serviços públicos e
gastos da administração em geral (gastos com pessoal, material, funcionamento dos estabele-
cimentos da Seguridade Social)” (RIBEIRO, 2011, p. 436). Dessa forma, pode-se concluir que o
custeio da Seguridade Social visa a um grande objetivo: a manutenção de seu equilíbrio orça-
83/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social
mentário. realizado pela Administração Pública.
Já o sistema contributivo de custeio pode
1.1 Sistema de financiamento ser dividido em duas espécies: o sistema
da seguridade social de capitalização e o sistema de repartição.
O sistema de capitalização é comumente
A Seguridade Social, de acordo com a Cons-
aplicado aos regimes de previdência priva-
tituição Federal, é financiada por toda a so-
da, onde o segurado é responsável pelo pa-
ciedade. Para Castro e Lazzari (2016, p. 183),
gamento do benefício que será beneficiário.
o custeio pode ser obtido de duas formas:
Já o sistema de repartição é o adotado por
“uma pela receita tributária, unicamente, a
nosso ordenamento jurídico para regular o
que se chama de sistema não contributivo; e
RGPS.
outra, pela qual a fonte principal de custeio
são as contribuições específicas, que são os Nos termos do artigo 195, caput da Consti-
tributos vinculados para este fim, sistema tuição Federal, o sistema financeiro da Se-
então chamado de contributivo”. guridade Social será financiado por toda a
sociedade de forma direta e indireta, nos
Assim, o sistema não contributivo de cus-
termos da lei, mediante recursos provenien-
teio da Seguridade Social determina que os
tes dos orçamentos da União, dos Estados,
valores vertidos são retirados do orçamento
dos Municípios e do Distrito Federal e das
84/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social
contribuições sociais. Importante ressaltar que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo
que, conforme o artigo 212 da Constituição empregatício. Também incide sobre a sua
Federal, não há uma porcentagem fixa das receita ou faturamento e sobre o lucro.
verbas orçamentárias que devem ser com- O E-social, sistema criado pelo Governo Fe-
prometidas para o financiamento da Segu- deral, que integra a receita Federal, o Minis-
ridade Social. tério do Trabalho, o INSS e a Caixa Econômi-
A contribuição para a Seguridade Social, ca Federal, regulariza os recolhimentos de
como explica Castro e Lazzari (2016, p. 184) INSS e FGTS dos trabalhadores domésticos.
“é uma espécie de contribuição social, cuja
receita tem por finalidade o financiamento
das ações nas áreas da saúde, previdência Link
social e assistência social”. Conheça o sistema do E-social. Disponível em:
<http://www.esocial.gov.br/>. Acesso em: 11
Exige-se contribuição social que deve ser
dez. 2016.
recolhida pelo empregador, empresa ou
entidade a ela equiparada na forma da lei,
Assim, os empregadores domésticos tam-
que deverá incidir sobre a folha de salários
bém se tornam obrigados a recolher as
e demais rendimentos do trabalho pago ou
contribuições sociais que incidem sobre o
creditado a qualquer título, à pessoa física
85/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social
salário de contribuição de seus emprega-
dos. Assim como os empregadores, os tra- Link
balhadores assalariados também recolhem Conheça o conteúdo da Emenda Constitucional nº
a contribuição social que incide sobre o seu 42/2003. Disponível em: <https://www.planal-
salário de contribuição. to.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/
Sobre a receita bruta decorrente de espetá- emc/emc42.htm>. Acesso em: 11 dez. 2016.
culos desportivos, as associações despor-
tivas que possuem equipes de futebol pro- Além das contribuições sociais tratadas pela
fissional também devem recolher as contri- Constituição Federal, a Lei nº 8.212/91, em
buições sociais. seu artigo 27, enumera uma série de outras
A contribuição social também incide sobre receitas que são destinadas à Seguridade
a receita bruta proveniente da comerciali- Social, são elas: as multas, a atualização
zação da produção rural. monetária e os juros moratórios; a remune-
ração recebida por serviços de arrecadação,
Com a Emenda Constitucional nº 42/2003,
fiscalização e cobrança prestados a tercei-
o importador de bens ou serviços do exte-
ros; as receitas provenientes de prestação
rior, ou a eles equiparados por lei, também
de outros serviços e de fornecimento ou
deve recolher a contribuição social.
arrendamento de bens; as demais receitas
86/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social
patrimoniais, industriais e financeiras; as doações, legados, subvenções e outras receitas even-
tuais; 50% (cinquenta por cento) dos valores obtidos e aplicados na forma do parágrafo único
do art. 243 da Constituição Federal; 40% (quarenta por cento) do resultado dos leilões dos bens
apreendidos pelo Departamento da Receita Federal; outras receitas previstas em legislação es-
pecífica.
Além disso, conforme dispõe o parágrafo único do referido artigo, as companhias seguradoras
que mantêm o seguro obrigatório de danos pessoais causados por veículos automotores de vias
terrestres, de que trata a Lei nº 6.194, de dezembro de 1974, deverão repassar à Seguridade So-
cial 50% (cinquenta por cento) do valor total do prêmio recolhido e destinado ao SUS, para cus-
teio da assistência médico-hospitalar dos segurados vitimados em acidentes de trânsito.

2. Contribuições ao RGPS

Por ser um Regime Geral de Previdência Social contributivo, deve-se estudar um importante con-
ceito sobre como as contribuições devem ser vertidas ao sistema e como é atribuído o seu valor.
Faz-se necessário, portanto, a conceituação do instituto do salário de contribuição. Como expli-
ca Castro e Lazzari (2016, p. 189):

87/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social


O salário de contribuição é o valor que serve de base de cálculo para a
incidência das alíquotas das contribuições previdenciárias dos segurados,
à exceção do segurado especial. É um dos elementos de cálculo da con-
tribuição previdenciária; é a medida do valor com a qual, aplicando-se a
alíquota de contribuição, obtém-se o montante da contribuição dos se-
gurados empregados, incluindo-se os domésticos, trabalhadores avulsos,
contribuintes individuais e, por extensão, os segurados facultativos.
Pode-se dizer que, o salário de contribuição está diretamente ligado ao quanto a Previdência So-
cial arrecada e ao quanto ela despende em pagamento de benefícios, uma vez que vertida uma
contribuição para a Previdência Social ela será a base atribuída ao valor do cálculo do benefício
previdenciário que será percebido pelo segurado.
Dessa forma, a lei estabeleceu valores mínimos de salário de contribuição. Assim, para os em-
pregados, empregados domésticos e ao trabalhador avulso, o valor mínimo do salário de contri-
buição é o valor do piso salarial de sua categoria. Já para o contribuinte individual e para o facul-
tativo, o menor salário de contribuição é o salário mínimo. Ainda, o valor máximo do salário de
contribuição é o chamado “teto previdenciário”, que após várias mudanças legislativas é atua-
88/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social
lizado de acordo com as alterações sofridas nos valores dos benefícios através de uma tabela de
reajustamento. Em 2016, por exemplo, o teto previdenciário foi de R$5.189,82 (cinco mil cento e
oitenta e nove reais e oitenta e dois centavos).

Para saber mais


Algumas vezes, o teto previdenciário foi modificado através de emendas constitucionais, o que gerou uma
série de ações em face de que INSS pleiteava a revisão dos benefícios que foram limitados ao teto. Para
conhecer essa revisão, veja o capítulo sobre revisão do teto do livro Revisão dos benefícios previdenciários -
teoria e prática, de Wladimir Martinez e Tais Santos.

Importante lembrar que os valores recebidos pelo auxílio-acidente integram o valor do salário de
contribuição, assim como as verbas de natureza salarial percebidas em reclamatórias trabalhis-
tas.

89/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social


2.1 Contribuição dos apenas um ou mais vínculos de trabalho.
empregados e trabalhadores Isto significa que se um empregado possui
avulsos dois vínculos empregatícios e em um deles
o valor do salário de contribuição já supera
O empregado celetista ou estatutário, que o valor do teto, no outro vínculo ele não pre-
verte suas contribuições para o Regime Ge- cisará recolher a contribuição previdenciá-
ral de Previdência Social, assim como o em- ria, bastando comprovar a este empregador
pregado doméstico e o trabalhador avulso, que já contribui com o teto para a Previdên-
vertem suas contribuições ao sistema de cia Social.
acordo com o seu salário de contribuição. O salário maternidade, o décimo terceiro
Isto quer dizer que, o valor da alíquota cor- salário e as parcelas recebidas a título de
respondente ao percentual que deverá ser PLR (participação nos lucros da empresa)
descontado a título de contribuição previ- são consideradas salário de contribuição.
denciária dependerá do valor do seu salá- De acordo com o valor do salário de contri-
rio de contribuição. Ressalta-se que salário buição, será estipulada a alíquota que ficará
de contribuição engloba toda remuneração a cargo de ser descontada da remuneração
auferida pelo empregado ou pelo traba- do trabalhador que pode variar de 8% (oito
lhador que tenha natureza salarial, seja em por cento), 9% (nove por cento) ou 11%
90/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social
(onze por cento), sendo que o restante, até totalizar 20% ficará a cargo de seu empregador.

2.2 Contribuição do contribuinte individual e do facultativo

De acordo com a Lei nº 9.876/99, o contribuinte individual é o empresário, o trabalhador autô-


nomo ou a ele equiparado. Assim, o inscrito como microempreendedor individual (MEI) também
é considerado, para fins previdenciários, um contribuinte individual.

Para saber mais


Sobre as normas que regulamentam o MEI, recomenda-se a leitura do capítulo do livro Manual de direito
comercial – direito de empresa, de Fábio Ulhôa Coelho.

O salário de contribuição do contribuinte individual, conforme dispõe o artigo 28, III da Lei nº
8.212/91, é calculado pela remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício
de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite imposto pelo teto previ-
denciário.
Já para o segurado facultativo, o valor do salário de contribuição é por ele escolhido entre o valor
91/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social
do salário mínimo e valor estipulado do teto, isso porque ele não é um segurado obrigatório da
Previdência Social, podendo optar por quanto quer contribuir.
No caso do MEI, a contribuição previdenciária, a partir de outubro de 2011, passou a ser na alí-
quota de 5% do salário de mínimo, sendo que não faz jus a aposentadoria por tempo de contri-
buição sem que recolha uma complementação da contribuição.
Como regra geral, tanto para o contribuinte individual como para o facultativo, aplica-se a alí-
quota de 20% de recolhimento de contribuição previdenciária sobre o salário de contribuição. A
exceção a essa alíquota foi criada pela Lei Complementar nº 123, de 2006, que alterou a forma
de contribuição tanto do contribuinte individual como do facultativo, limitando, inclusive, os
benefícios previdenciários que por eles podem ser percebidos.

Link
Conheça a LC nº 123/2006. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/
Lcp123.htm>. Acesso em: 11 dez. 2016.

92/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social


Assim, os segurados passaram a poder contribuir com uma alíquota de 11% sobre o salário mí-
nimo sem que possa se aposentar por tempo de contribuição, sem que recolha um complemento
de renda mensal.
Com a entrada em vigor da Lei nº 12.470/2011, reduziu-se ainda mais a alíquota para o segurado
facultativo que se dedica exclusivamente aos serviços próprios domésticos, desde que pertença
à família inscrita no CadÚnico (Cadastro Único para programas sociais do Governo Federal).

Para saber mais


O CadÚnico é um sistema que identifica e caracteriza as famílias de baixa renda, aquelas que possuem
renda mensal de até meio salário mínimo per capita; ou renda mensal total de até três salários mínimos,
para que possam ter acesso aos programas Sociais do Governo Federal.

Este segurado passou a poder contribuir com a alíquota de 5% do salário mínimo e, também, não
faz jus a percepção de aposentadoria por tempo de contribuição sem que recolha um comple-
mento de renda mensal.

93/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social


2.3 Contribuição das empresas ção da empresa será sempre de 20% do va-
lor da remuneração, isto é, o teto não será
O artigo 195 da Constituição Federal dispõe aplicado às empresas. Assim, caso um de
que o empregador, a empresa e a entidade seus empregados aufira remuneração su-
a ela equiparada na forma da lei, recolhe- perior ao teto, a empresa terá que recolher
rá a contribuição previdenciária incidentes 20% de sua remuneração.
sobre: a folha de salários e demais rendi-
Além disso, a Lei nº 5.316/67 integrou o
mentos do trabalho pagos ou creditados, a
seguro obrigatório de acidentes de traba-
qualquer título, à pessoa física que lhe pres-
lho à Previdência Social. Assim, essa contri-
te serviço, mesmo sem vínculo empregatí-
buição, que deve ser recolhida pela empre-
cio; a receita ou o faturamento; o lucro.
sa, destina-se à cobertura de riscos sociais
De acordo com o artigo 22 da Lei nº oriundos de acidentes de trabalho chamada
8.212/91, a alíquota para as empresas é de de GILRAT.
20% do total das remunerações pagas, de-
vidas ou creditadas a qualquer título duran-
te o mês aos empregados e trabalhadores
avulsos prestadores de serviço. Este dispo-
sitivo permite uma conclusão: a contribui-
94/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social
Link
A Lei nº 5.316/67 foi revogada pela Lei nº 6.367/76. Para ter acesso ao seu conteúdo verifique o site
disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6367.htm#art22>. Acesso em:
11 dez. 2016.

A alíquota deste adicional de contribuição varia de 1 a 3%, sendo que quanto mais é o risco de
acidente de trabalho, maior é a alíquota, cabendo à empresa o enquadramento no respectivo
grau de risco de acordo com sua atividade preponderante. Assim, a GILRAT (antigo SAT – Seguro
de Acidente de Trabalho) é uma das várias contribuições previdenciárias obrigatórias sobre as
atividades laborais no Brasil. O principal objetivo desta contribuição é financiar a aposentadoria
especial e os demais benefícios concedidos pela Previdência Social que guardam nexo de causa-
lidade com as atividades desenvolvidas pela empresa.
A redação do artigo 195, inciso I alínea c, institui a contribuição social sobre o lucro líquido, cha-
mada de CSLL, que deve ser paga pelas pessoas jurídicas (e pessoas físicas equiparadas) sobre o
valor do resultado do exercício antes da provisão para o imposto de renda, de acordo com o arti-
go 2º da Lei nº 7.689/88. Assim, as alíquotas da CSLL variam de 9% para as pessoas jurídicas em

95/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social


geral e de 11% para pessoas jurídicas que 2.4 Contribuição do
são instituições financeiras. empregador doméstico
Importante observar que aquelas empre-
Com a vigência da Lei Complementar nº
sas que se enquadram na condição de mi-
150 de 2015, o artigo 34, inciso II da Lei nº
croempresa ou empresa de pequeno porte
8.212/91, foi alterado e passou a disciplinar
e que optam pela inscrição no SIMPLES NA-
a forma e as alíquotas que deveriam ser re-
CIONAL, de acordo com a Lei Complemen-
colhidas pelo empregador doméstico, devi-
tar nº 123/2006 (Alterada pela Lei Comple-
do à ausência de atividade lucrativa. Assim,
mentar nº 147/2014), o valor devido men-
passou-se a estipular a alíquota de 8% in-
salmente será determinado mediante apli-
cidente sobre o salário de contribuição do
cação das alíquotas constantes das tabelas
empregado doméstico, e criou-se uma nova
dos Anexos I a VI desta Lei Complementar
contribuição cuja a finalidade é ser destina-
sobre a base de cálculo de que trata o § 3o
da ao custeio de acidentes de trabalho, no
deste artigo, observado o disposto no § 15
valor de 0,8% do salário de contribuição. A
do art. 3º.
partir de 2015 essas contribuições depen-
dem de um prévio cadastro do empregador
no sistema do E-social, sendo que caberá

96/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social


ao empregador o desconto da parcela contributiva do empregado em seu holerite.

2.5 Contribuições substitutivas da parte patronal

Com a promulgação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, foi expressamente instituída a


possibilidade de alteração de alíquotas ou de bases de cálculos para atividades econômicas dis-
tintas.
Assim, para algumas atividades, a contribuição previdenciária é feita de uma forma específica:
contribuições decorrentes do trabalho prestado em obras da construção civil; contribuição das
associações desportivas que mantêm equipe de futebol profissional e os produtores rurais (pes-
soa física, pessoa jurídica e agroindústrias).

2.6 Contribuições para terceiros

Previsto no artigo 240 da Constituição Federal, como nos explica Ibrahim (2011, p. 195):

97/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social


Além das contribuições previdenciárias, a Secretaria da Receita Federal do
Brasil – SRFB tem a competência para exigir o cumprimento de obrigações
tributárias decorrentes de outras contribuições. No caso, são as contribui-
ções para terceiros, que são entidades de personalidade jurídica própria,
de natureza privada.

Ademais, Castro e Lazzari (2016, p. 319) esclarecem:

As contribuições a terceiros incidentes sobre a remuneração paga, devida


ou creditada a segurados empregados e trabalhadores avulsos são desti-
nadas às seguintes entidades privadas de serviço social e de formação pro-
fissional vinculadas ao sistema sindical: FNDE, INCRA, SENAI, SESI, SENAC,
SESC, SEBRAE, DPC, SENAR, SEST e SENAT.

98/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social


Glossário
DPC: Diretoria de Portos e Costas.
FNDE: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.
GILRAT: Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos do Ambiente de
Trabalho.
INCRA: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.
SEBRAE: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
SENAC: Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial.
SENAI: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
SENAR: Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.
SENAT: Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte.
SESC: Serviço Social do Comércio.
SESI: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
SEST: Serviço Social do Transporte.

99/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social


?
Questão
para
reflexão

Para os segurados empregados, a contribuição social é


descontada diretamente de seu holerite ou pagamento.
Quando o empregador deixa de repassar a parte patro-
nal para o INSS incorre em quais crimes? Como o empre-
gado pode obrigar o empregador a recolher a sua parte
da contribuição previdenciária?

100/222
Considerações Finais

»» Regulado pela Lei nº 8.212/91 e pelo Decreto nº 3.048/99, o custeio é


o conjunto de normas que regulam o sistema financeiro da Seguridade
Social.
»» É muito importante possuir o conhecimento de alguns institutos de di-
reito tributário e financeiro para compreendermos o custeio da Seguri-
dade Social.
»» O sistema financeiro da Seguridade Social será financiado por toda a so-
ciedade de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos
provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, dos Municípios e do
Distrito Federal, e das contribuições sociais.
»» O salário de contribuição está diretamente ligado ao quanto a Previdên-
cia Social arrecada e quanto ela despende em pagamento de benefícios.
»» A lei estabeleceu valores mínimos e máximos de salário de contribuição.

101/222
Referências

BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/


constituicao/constituicao.htm >. Acesso em: nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/leis/L7689.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 8.212 de 24 de julho de 1991. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-


vil_03/leis/L8212cons.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 9.876 de 26 de novembro de 1999.Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/leis/L9876.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário. 19.
ed., Rio de Janeiro: Forense, 2016.
COELHO, Fábio Ulhôa. Manual de direito comercial – direito de empresa. 28 ed. São Paulo:
RT,2016.
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Resumo de direito previdenciário. 11 ed. Niterói/RJ: Impetus, 2011.
MARTINEZ, Wladimir Novaes; SANTOS, Tais. Revisão dos benefícios previdenciários – teoria e
prática. 2 ed. São Paulo: LTr, 2016.

102/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social


Referências

RIBEIRO, Juliana de Oliveira Xavier. Direito previdenciário esquematizado. 2 ed. São Paulo: Quar-
tier Latin, 2011.
SANTOS, Jerônimo Jesus dos. Previdência privada – lei da previdência complementar comen-
tada. Rio de Janeiro: Livraria Jurídica, 2013.

103/222 Unidade 4 • Custeio da previdência social


Assista a suas aulas

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bf8de5a2a382f99f3ccd2b0881f3ed97>. 73fdb99a53a99c5d4d5b571618a9a64b>.

104/222
Questão 1
1. Assinale a alternativa correta. A majoração da alíquota da contribuição
social deve obedecer à anterioridade:

a) Nonagesimal.
b) Quinquenal.
c) Anual.
d) Pode ser majorada a qualquer tempo sem que se obedeça a anterioridade.
e) Trintenal.

105/222
Questão 2
2. São fontes de financiamento do custeio da Previdência Social, exceto:

a) Toda sociedade.
b) Os recursos provenientes da União.
c) Os recursos provenientes dos Estados.
d) Os recursos provenientes dos municípios.
e) Os recursos provenientes de multas de trânsito.

106/222
Questão 3
3. Conforme a Constituição Federal de 1988, assinale a alternativa
correta:
a) O Orçamento Anual da seguridade social será elaborado de forma integrada pelos órgãos
responsáveis pela saúde, educação, previdência social e assistência social.
b) O benefício da previdência social poderá ser criado, majorado, estendido, reduzido ou extin-
to, independente da previsão da fonte de custeio total.
c) As contribuições sociais do empregador poderão ter alíquotas ou bases de cálculos diferen-
ciadas, em razão da atividade econômica ou do porte da empresa.
d) A contribuição social só poderá ser exigida no exercício financeiro seguinte ao que tenha
sido publicada a lei que a houver instituído ou modificado.
e) Seguridade Social será financiada por toda a sociedade apenas de maneira direta.

107/222
Questão 4
4. Assinale a alternativa correta. Os valores arrecadados com os resultados
dos leilões de bens apreendidos pela Receita Federal do Brasil, constituem
fonte de receita da seguridade social e são destinados em uma proporção
de:
a) 20%.
b) 40%.
c) 10%.
d) 30%.
e) 50%.

108/222
Questão 5
5. Assinale a alternativa correta. Se um empregado possui dois vínculos
empregatícios há a possibilidade de ele só recolher por um dos vínculos
quando:

a) Em um deles o valor do salário de contribuição já supera o valor do teto, no outro vínculo ele
não precisará recolher a contribuição previdenciária.
b) É opção de o empregado escolher qual vínculo quer contribuir.
c) O empregado pode apenas comunicar ao empregador que não quer recolher INSS sobre
aquele vínculo.
d) Em nenhuma hipótese o empregado pode deixar de recolher o INSS por um dos vínculos.
e) Apenas trabalhadores que ganham salário mínimo têm essa opção.

109/222
Gabarito
1. Resposta: A. 4. Resposta: B.

A opção correta é a A. As contribuições pre- A opção correta é a B. Em conformidade ao


videnciárias possuem natureza tributária e artigo 243 da CF.
obedecem às regulamentações do CTN.
5. Resposta: A.
2. Resposta: E.
A opção correta é a A. O segurado precisa
A opção correta é a E. Em conformidade à apenas comprovar a este empregador que já
Lei nº 8.212/91. contribui com o teto para a Previdência So-
cial.
3. Resposta: C.

A opção correta é a C. A alíquota depende


de outros fatores, podendo assim variar.

110/222
Unidade 5
Parte geral do plano de benefícios da previdência social

Objetivos

• Estudar os requisitos gerais necessários para o requerimento dos benefícios da previdên-


cia social.
• Compreender os conceitos importantes, como carência e qualidade de segurado.
• Apresentar noções de como os benefícios são calculados com análise sobre salário de be-
nefício e renda mensal inicial.
• Apresentar aspectos de aplicação do fator previdenciário.

111/222
Introdução

A Previdência Social, para conceder bene- cio a fórmula do fator previdenciário e em


fícios aos seus segurados, exige o preen- quais casos ele não é aplicado.
chimento de requisitos, como por exemplo:
idade, incapacidade para o trabalho, entre 1. Parte geral do plano de
outros, que são específicos de cada bene- benefícios da previdência social
fício. Há, entretanto, requisitos gerais que
devem ser cumpridos pelo segurado, como Para fazer jus aos benefícios da Previdên-
a carência e a qualidade de segurado. cia Social, não basta que o segurado apenas
contribua com o Regime Geral de Previdên-
Outro importante ponto sobre como calcu-
cia Social, ele também tem que reunir uma
lar o valor do salário de benefício reside na
série de requisitos, que são específicos para
apuração da renda mensal inicial que de-
cada benefício. Desse modo, o segurado
verá ser recebida pelo segurado. Assim, de-
deverá cumprir a carência para ter qualida-
pendendo do benefício que será concedido
de de segurado.
pela Previdência Social, há uma regra para o
cálculo de seu valor, que restará concedido
sob a forma de salário de benefício. 1.1 Carência

Além disso, veremos em quais hipóteses De acordo com a redação do artigo 24 da Lei
será aplicado ao valor do salário de benefí-
112/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social
nº 8.213/91, o período de carência “é o número mínimo de contribuições mensais indispensá-
veis para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do transcurso do primeiro
dia dos meses de suas competências”.

Link
Acesse a disposição completa sobre carência. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/leis/L8213cons.htm>. Acesso em: 12 dez. 2016.

Assim, carência é um período que o segura- para o contribuinte individual, a carência é


do contribui para a Previdência Social, mas contada no primeiro dia do mês de filiação
enquanto não completa o número mínimo ao RGPS, isto é, desde o primeiro dia do mês
de contribuições não tem direito a nenhum que começou a exercer atividade remune-
benefício da Previdência Social. Dessa for- rada.
ma, a contagem do início do período de Já para o contribuinte individual, para o se-
carência é diferente para os diversos tipos gurado especial e para o contribuinte facul-
de segurado. Para o empregado, inclusive tativo, a carência inicia-se na data do efeti-
o doméstico, para o trabalhador avulso e
113/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social
vo recolhimento da primeira contribuição contemporânea, isto é, sem atraso. Assim, para efeitos
de carência, as contribuições em atraso não são consideradas.
Para o segurado especial, que exerceu efetiva atividade rural, a carência é contada a partir do
momento em que há o exercício da atividade ainda que de forma não contínua.
Para Juliana de Oliveira Xavier Ribeiro:

A presença do instituto da carência, dentro do sistema de seguro social,


é considerada por alguns doutrinadores como a medida adotada pelo le-
gislador com a finalidade de manter um equilíbrio dentro do caixa da Pre-
vidência Social. Entretanto, essa maneira de considerar a carência parece
adequar-se mais à noção de seguro social do que a de seguridade social
(RIBEIRO, 2011, p. 128).

114/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social


A carência varia de acordo com o benefício que se deseja receber, conforme prevê o artigo 25 da
Lei nº 8.213/91, que estipula períodos de carências distintos para auxílio doença e aposentado-
ria por invalidez (12 contribuições mensais), aposentadoria por idade, por tempo de contribuição
e especial (180 contribuições mensais) e salário maternidade para as seguradas que sejam con-
tribuintes individuais, especiais e facultativas (10 contribuições mensais).
Alguns benefícios independem de cumprimento de carência para serem concedidos, conforme
dispõe o artigo 26 da Lei nº 8.213/91: auxílio-reclusão, salário-família e auxílio-acidente; auxí-
lio-doença e aposentadoria por invalidez nos casos de acidente de qualquer natureza ou causa
e de doença profissional ou do trabalho, bem como nos casos de segurado, que, após filiar-se ao
RGPS, for acometido de alguma das doenças e afecções especificadas em lista elaborada pelos
Ministérios da Saúde e da Previdência Social.
Atualizada a cada três anos, de acordo com os critérios de estigma, essa lista reúne critérios

Para saber mais


Sobre os benefícios que independem de cumprimento de carência, recomenda-se a leitura do capítulo
do livro Benefícios previdenciários, de Hermes Arrais Alencar.

115/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social


de deformação, mutilação, deficiência ou dos segurados, tanto individual quanto co-
outro fator que lhe confira especificidade letivamente”.
e gravidade que mereçam tratamento par-
ticularizado; os benefícios concedidos na 1.2 Qualidade de segurado
forma do inciso I do art. 39, aos segurados
especiais referidos no inciso VII do art. 11 Cumprido o período de carência, adquire o
desta Lei; serviço social; reabilitação pro- contribuinte a qualidade de segurado, isto
fissional e salário-maternidade para as se- é, o segurado continua contribuindo para
guradas empregada, trabalhadora avulsa e o RGPS, mas já passa ter direito de gozar os
empregada doméstica. benefícios da previdência social.
Importante ressaltar que o período no qual o Importante mencionar que alguns benefí-
segurado permanece em gozo de algum be- cios da Previdência Social exigem não ape-
nefício decorrente de acidente de trabalho nas o cumprimento do período de carência,
conta para o tempo de seu período de ca- mas, também, o preenchimento de outros
rência. Assim, como afirma Castro e Lazzari requisitos, como por exemplo: idade, inca-
(2016, p. 551): “a fixação de prazo carencial pacidade para o trabalho, entre outros.
tem por base a ideia de que o sistema deve Assim, a qualidade de segurado é mantida
estar apto a dar atendimento aos interesses por todo o período que o segurado conti-
116/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social
nuar mensalmente vertendo regularmente as contribuições para a Previdência Social.
Acontece que muitas vezes o segurado para de contribuir com o RGPS, o que ensejaria a ideia de
perda da qualidade de segurado. Porém, como explica Ribeiro (2011, p. 123):

A natureza protetiva do sistema previdenciário, aliás, razão de ser da pró-


pria previdência, não autoriza desamparar, de imediato, um segurado se
este não estiver contribuindo. Assim, a lei prevê um determinado lapso
temporal em que o segurado continuará coberto independentemente de
contribuições.
Dessa forma, o artigo 15 da Lei nº 8.213/91 e o artigo 13 do nº Decreto nº 3.048/99 previram
períodos em que mesmo sem contribuir, o segurado ainda mantém a sua qualidade: são os cha-
mados períodos de graça.

117/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social


Link
No site da Previdência Social é possível encontrar detalhes sobre a qualidade de segurado, bem
como se faz para mantê-la. Disponível em: <http://www.previdencia.gov.br/servicos-ao-cida-
dao/informacoes-gerais/qualidade-de-segurado/>. Acesso: 12 dez. 2016.

Mantém a qualidade de segurado, sem li- convívio social e familiar do segurado.


mite de prazo, quem está em gozo de be- O período de graça de até doze meses após
nefício, até doze meses após a cessação o livramento, o segurado retido ou recluso,
das contribuições, o segurado que deixar de até três meses após o licenciamento, o
de exercer atividade remunerada abrangida segurado incorporado às Forças Armadas
pela Previdência Social ou estiver suspenso para prestar serviço militar e de até seis me-
ou licenciado sem remuneração. ses após a cessação das contribuições, o se-
Também não perde qualidade de segurado gurado facultativo.
por doze meses após cessar a segregação, O artigo 15 da Lei nº 8.213/91 também pre-
o segurado acometido de doença de segre- vê em seus parágrafos 1º e 2º a possibilida-
gação compulsória, aquela que impede o de de prorrogação do período de graça de
118/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social
até vinte e quatro meses no caso do segura- Dessa forma, ocorrerá a perda da qualidade
do que deixar de exercer atividade remune- de segurado no dia seguinte ao do término
rada abrangida pela Previdência Social ou do prazo de recolhimento da contribuição,
estiver suspenso ou licenciado sem remu- referente ao mês imediatamente posterior
neração já tiver pago mais de cento e vinte ao do final dos prazos de períodos de graça.
contribuições mensais sem interrupção. Importante ressaltar que a Medida Provi-
O período de graça pode ser de até trin- sória nº 739, de 2016, revogou o artigo 24,
ta e seis meses, caso o segurado compro- parágrafo único, que estipulava que ocor-
ve o recolhimento de mais de cento e vin- rendo a perda da qualidade de segurado, as
te contribuições mensais sem interrupção. contribuições anteriores a essa data só eram
Ademais, o período de graça pode ser con- computadas para efeito de carência depois
cedido também ao segurado que deixar de que o segurado contar, a partir da nova fi-
exercer atividade remunerada abrangida liação à Previdência Social, com, no mínimo,
pela Previdência Social ou estiver suspenso um terço do número de contribuições exigi-
ou licenciado sem remuneração e que com- das para o cumprimento da carência defini-
prove essa situação pelo registro no órgão da para o benefício a ser requerido.
próprio do Ministério do Trabalho e da Pre-
vidência Social.
119/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social
Link
Em 7 de novembro de 2016, essa medida provisória foi encerrada pelo ato declaratório nº 58/2016
do Congresso Nacional. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2016/Congresso/adc-058-mpv739.htm>. Acesso em: 12 dez. 2016.

2. Salário de benefício § 3º da Constituição Federal, é de que os be-


nefícios sejam calculados através da consi-
A Previdência Social oferece a seus segura- deração de todos os salários de contribui-
dos uma gama de benefícios – prestações ção que deverão ser devidamente atualiza-
pecuniárias – para que estejam cobertos do dos na forma da lei.
acontecimento dos mais variados riscos so-
Porém, trata-se de uma regra que comporta
ciais. Assim, dependendo do benefício que
inúmeras exceções, a começar pelo salário-
será concedido pela Previdência Social, há
-família, cujo valor é estabelecido por cotas
uma regra para o cálculo de seu valor, que
que variam de acordo com a remuneração
restará concedido sob a forma de salário de
do segurado e o salário maternidade que
benefício.
pode corresponder à remuneração integral
A regra geral, estabelecida pelo artigo 201, da segurada trabalhadora avulsa ou empre-
120/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social
gada, no caso de empregada doméstica no valor de sua última remuneração, no caso da segu-
rada especial é no valor de um salário mínimo e 1/12 dos 12 últimos salários de contribuição no
caso da segurada ser contribuinte individual e facultativa. O valor de cada salário de contribui-
ção será devidamente estudado quando analisarmos os benefícios em espécie.
Outro importante ponto sobre o salário de benefício reside em seu período base de cálculo, isto
é, a apuração da RMI que deverá ser recebida pelo segurado. Assim, como conceitua Castro e
Lazzari (2016, p. 393) é “o interregno em que apurados os salários de contribuição com base nos
quais se calcula o salário de benefício”.
Para os segurados, em geral, o período de base do benefício obedece à disposição do artigo 29
da Lei nº 8.213/91: a média aritmética simples dos maiores salários de contribuição correspon-
dentes a 80% (oitenta por cento) de todo o período contributivo, multiplicada pelo fator previ-
denciário ou não, dependendo do benefício.

121/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social


Para saber mais
Existe um tipo de revisão previdenciária, a revisão do valor do salário de benefício, que visa exatamente o
seu recálculo de acordo com o que prevê o artigo 29 da Lei 8.213/91. Para conhecer esse assunto, reco-
menda-se a leitura do livro Revisão dos benefícios previdenciários, de Wladimir Martinez e Tais Santos.

Porém, trata-se de uma regra geral que 2.1 Renda mensal inicial
comporta algumas exceções, seja pela es-
pécie de benefício, seja pela lei que deve ser Após auferido o valor do salário de bene-
aplicada, levando-se em consideração que fício, calculado de acordo com o salário de
ao Direito Previdência aplica-se o princípio contribuição do segurado, é preciso mensu-
do direito adquirido. rar o valor da renda mensal inicial referente
ao benefício a que fará jus o segurado. As-
Assim como o valor do salário de contribui-
sim, como explica Castro e Lazzari (2016, p.
ção, a base de cálculo dos benefícios será
406):
devidamente estudada quando analisar-
mos cada espécie de benefícios.

122/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social


A renda mensal inicial corresponde à primeira parcela do benefício de
prestação continuada a ser pago pela Previdência Social. A apuração desse
valor, que servirá de base para os reajustes posteriores, depende da espécie
do benefício a ser pago e do valor do salário de benefício.

Dessa forma, cada benefício pago pela Previdência Social possui um coeficiente de cálculo, isto
é, um determinado percentual que deve ser aplicado ao valor do salário de benefício.
Como trataremos dos benefícios em espécie, a RMI de cada benefício será estudada de forma
detalhada quando analisarmos cada um dos benefícios previdenciários.

3. Fator previdenciário

Instituído pela Lei nº 9.876/99, o fator previdenciário é um instituto criado para ser aplicado às
aposentadorias por tempo de contribuição e por idade. Assim, como mencionado por Castro e
Lazzari (2016, p. 400), o fator previdenciário é uma fórmula que “leva em conta o tempo de con-
tribuição, a idade na data da aposentadoria e o prazo médio durante o qual o benefício deverá
ser pago, ou seja, a expectativa de sobrevida do segurado”. A fórmula do fator previdenciário
123/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social
consiste em: judicial para os segurados que optam por se
aposentar com pouca idade. Quanto mais
jovem é o segurado, maior é sua expectativa
de sobrevida e menor será o valor de seu be-
nefício. Por outro lado, a aplicação do fator
Sendo: previdenciário nas aposentadorias é a única
f = fator previdenciário; forma de o segurado poder ganhar mais do
que o valor de sua aposentadoria integral,
Es = expectativa de sobrevida no mo- dependendo do tempo que ele contribuiu
mento da aposentadoria; com o INSS. A isso damos o nome de fator
Tc = tempo de contribuição até a data previdenciário positivo.
da aposentadoria;
Id = idade no momento da aposenta- 3.1 Não aplicação do fator
doria; previdenciário
a = alíquota de contribuição que cor- Há algumas aposentadorias que, embo-
responde a 0,31. ra por idade ou por tempo de contribuição,
O fator previdenciário tende a ser mais pre- não se aplica a fórmula do fator previden-

124/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social


ciário, são elas: a fórmula 95/85, aposenta-
doria do professor(a), que comprove efetivo
exercício de magistério na educação infan-
til, no ensino fundamental e médio, e, ain-
da, ao segurado que faz jus a aposentadoria
especial.

125/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social


Glossário
FP: Fator previdenciário.
RMI: Renda Mensal Inicial.
SB: Salário de benefício.

126/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social


?
Questão
para
reflexão

É possível que o segurado possa fazer jus à percepção de


um benefício mesmo não tendo cumprido a carência? É
possível estender a qualidade de segurado mesmo sem
contribuir para a Previdência Social?

127/222
Considerações Finais

»» Verificação dos requisitos gerais importantes de serem preenchidos pe-


los segurados para que possam gozar os benefícios da Previdência Social.
»» O mínimo de contribuições que o segurado tem que verter para a Previ-
dência Social chama-se carência, e após cumpri-la ele adquire qualidade
de segurado.
»» A qualidade de segurado é mantida nos chamados períodos de graça.
»» O valor da média aritmética dos 80% salários de contribuição do segura-
do é a base do cálculo do seu salário de benefício, que poderá ser limita-
da ao teto previdenciário, ou poderá ser aplicado o fator previdenciário,
totalizando a sua renda mensal inicial.

128/222
Referências

ALENCAR, Hermes Arrais. Benefícios previdenciários. 4. ed. São Paulo: Leud, 2009.
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/constituicao.htm >. Acesso em: nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991.Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-


vil_03/leis/L8213cons.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 9.876, de 26 de novembro de 1999. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/leis/L9876.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário. 19.
ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016.
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Resumo de direito previdenciário. 11. ed. Niterói/RJ: Impetus, 2011.
MARTINEZ, Wladimir; SANTOS, Tais. Revisão dos benefícios previdenciários - teoria e prática.
2, ed. São Paulo: LTr, 2016.
RIBEIRO, Juliana de Oliveira Xavier. Direito previdenciário esquematizado. 2 ed. São Paulo: Quar-
tier Latin, 2011.

129/222 Unidade 5 • Parte geral do plano de benefícios da previdência social


Assista a suas aulas

Aula 5 - Tema: Parte geral do plano de benefí- Aula 5 - Tema: Parte geral do plano de benefí-
cios. Bloco I cios. Bloco II
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130/222
Questão 1
1. Um segurado empregado que foi demitido, sendo que já possui 15 anos
de tempo de contribuição manterá a qualidade de segurado por ______,
caso comprove a situação de desemprego em órgão próprio da previdência
social. A alternativa que preenche corretamente a lacuna é:

a) 36 meses.
b) 24 meses.
c) 18 meses.
d) 12 meses.
e) Perderá a qualidade de segurado com a dispensa do emprego.

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Questão 2
2. Assinale a alternativa correta. Independe de cumprimento de carência:

a) Aposentadoria por idade.


b) Aposentadoria especial.
c) Auxílio-doença acidentário.
d) Pensão por morte.
e) Salário-maternidade.

132/222
Questão 3
3. Assinale a alternativa correta. Com base no disposto na Lei nº 8.213/1991,
que trata dos planos de benefícios da previdência social e dá outras pro-
vidências, em regra, o período de carência para a concessão do benefício
de auxílio-doença é de:

a) 1 mês.
b) 3 meses.
c) 6 meses.
d) 12 meses.
e) 18 meses.

133/222
Questão 4
4. Manterá a condição de segurado, independentemente de
contribuições, EXCETO:
a) Aquele que estiver em gozo de benefício.
b) Aquele que não contribuir por até 60 meses.
c) Aquele que está recebendo salário maternidade.
d) Aquele que está participando de processo de reabilitação.
e) A qualidade de segurado depende sempre de contribuições.

134/222
Questão 5
5. Nenhum benefício será inferior ao salário mínimo, EXCETO:

a) Salário maternidade.
b) Auxílio doença.
c) Auxílio acidente.
d) Pensão por morte.
e) Auxílio-reclusão.

135/222
Gabarito
1. Resposta: A. 4. Resposta: B.
A opção correta é a A. O período de graça A opção correta é a B. O maior período de
é de 36 meses nesses casos, pois o segura- graça é de 36 meses.
do conta com mais de 10 anos de tempo de
contribuição.
5. Resposta: C.
2. Resposta: C. A opção correta é a C. Possui natureza inde-
A opção correta é a C. Apenas benefícios nizatória e por isso pode ser inferior ao salá-
que possuem natureza acidentária é que in- rio mínimo.
dependem de carência.

3. Resposta: D.
A opção correta é a D. É a regra; períodos di-
ferentes são exceção.

136/222
Unidade 6
Benefícios previdenciários

Objetivos

• Apresentar os benefícios previdenciá-


rios em espécie.
• Estudar os benefícios de aposentado-
ria por idade, por tempo de contribui-
ção, aposentadoria especial e da apo-
sentadoria para os deficientes.
• Apresentar a diferenciação das regras
de cálculo do salário de benefício das
aposentadorias em estudo.

137/222
Introdução

Com o intuito de propiciar um estudo sobre 1. Benefícios previdenciários


as espécies de benefícios concedidos pela
Previdência Social, este módulo é destinado O Regime Geral de Previdência Social com-
à análise do conceito, requisitos para a sua preende benefícios que são devidos ao se-
concessão, período de carência, o valor da gurado, como: aposentadoria por invalidez;
renda mensal inicial, entre outros detalhes aposentadoria por idade; aposentadoria
dos seguintes benefícios: aposentadoria por por tempo de serviço; aposentadoria espe-
idade, aposentadoria por tempo de contri- cial; salário-família; salário-maternidade;
buição, aposentadoria especial e aposenta- auxílio-acidente e o abono anual. Outros
doria aos segurados com deficiência. são pagos em razão da relação familiar que
é estabelecida entre o segurado e seu de-
Assim, o estudo consistirá em compreen-
pendente, como: pensão por morte; auxílio-
der quais são os riscos sociais que visam ser
-reclusão. Outras prestações são fornecidas
protegidos com a concessão das prestações
em serviço, como é o caso da reabilitação
pecuniárias pagas pelo INSS em forma de
profissional.
benefício ao segurado.
Já alguns benefícios são devidos pela ocor-
rência de acidente do trabalho, são eles:
auxílio-doença acidentário, auxílio-aciden-
138/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários
te decorrente do trabalho; a aposentado- no Decreto nº 3.048/99 nos artigos 51 a 55,
ria por invalidez acidentária e a pensão por e foi criada em nosso ordenamento jurídico
morte acidentária. em 1960, sendo até hoje mantida. De acor-
Os benefícios da Previdência Social consis- do com o artigo 48 da Lei nº 8.213/91, a
tem em prestações pecuniárias pagas pelo aposentadoria por idade será concedida ao
INSS para a cobertura de algum risco social segurado quando completar 65 (sessenta e
que o segurado precisa ser protegido. Dessa cinco) anos de idade, se homem, e 60 (ses-
forma, ao tratarmos dos benefícios em es- senta) se mulher, desde que tenha cumprido
pécie, analisar-se-ão o conceito, requisitos a carência 180 (cento e oitenta) contribui-
para a sua concessão, período de carência ções. Importante desde já esclarecer que, a
obrigatório, o valor da renda mensal inicial, carência de 180 (cento e oitenta) contribui-
entre outros detalhes. ções foi instituída pela Lei nº 8.213/91, de
24.07.1991, sendo que os filiados ao RGPS
antes desta data devem seguir uma tabela
2. Aposentadoria por idade
de progressividade prevista no artigo 142
A aposentadoria por idade possui previsão da Lei nº 8.213/91, levando-se em conta o
legal na Constituição Federal, artigo 201 ano em que o segurado implementou todas
§7º II, artigos 48 a 51 da Lei nº 8.213/91 e as condições necessárias à obtenção do be-
nefício.
139/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários
Link
Acesse a Lei nº 8.213/91 e a redação completa dos artigos mencionados. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8213cons.htm>. Acesso: em: 12 dez. 2016.

A aposentadoria por idade visa proteger o segurado da velhice, pois com o avançar da idade sur-
gem outros problemas ao segurado, como incapacidade para o trabalho, doenças, limitações que
muitas vezes acarretam em condições financeiras difíceis. Como explica Ribeiro (2011, p. 145):

O risco da idade vai além da incapacidade físico-laboral. Por isso, devemos


levar em conta o caráter alimentar do benefício previdenciário, ponto que
nos explica a proteção dada pelo Estado, em decorrência da ausência de
empregos disponíveis no Brasil para pessoas idosas.

A data do início do benefício, isto é, data na qual a aposentadoria por idade passa a ser devida,
varia de acordo com o tipo de segurado. Para o segurado empregado, inclusive o doméstico,
o benefício inicia-se partir da data do desligamento do emprego, quando requerida até essa
140/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários
data ou até 90 (noventa) dias depois dela cio não pode superar 100% (cem por cento)
ou a partir da data do requerimento, quan- do salário de benefício e, caso seja mais be-
do não houver desligamento do emprego néfico ao segurado, pode ocorrer a multipli-
ou quando for requerida após este prazo. Já cação pelo fator previdenciário.
para os demais segurados, a aposentadoria O benefício da aposentadoria por idade
por idade terá como data de início a data da pode ter caráter compulsório para o segura-
entrada do requerimento. do empregado, conforme dispõe o artigo 51
A renda mensal inicial da aposentadoria por da Lei nº 8.213/91 este benefício pode ser
idade, conforme dispõe o artigo 50 da Lei nº requerido pela empresa, desde que o segu-
8.213/91, consistirá numa renda mensal de rado empregado tenha cumprido o período
70% (setenta por cento) do salário-de-be- de carência e completado 70 (setenta) anos
nefício, sendo que é acrescentado mais 1% de idade, se do sexo masculino, ou 65 (ses-
(um por cento) a cada grupo de 12 (doze) senta e cinco) anos, se do sexo feminino.
contribuições. Assim, um homem com 65 Neste caso, por se tratar de uma aposenta-
anos de idade e com 20 anos de contribui- doria compulsória, será garantida ao em-
ção, por exemplo, fará jus a 90% (noventa pregado a indenização prevista na legisla-
por cento) de seu salário de contribuição. ção trabalhista, considerada como data da
Importante ressaltar que o valor do benefí- rescisão do contrato de trabalho a imedia-
141/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários
tamente anterior à do início da aposenta- de cinco anos na idade mínima para apo-
doria. sentadoria por idade do trabalhador rural.
Dessa forma, para fazer jus ao benefício da
Para saber mais aposentadoria por idade, o trabalhador ru-
ral deverá completar se homem sessenta
Os juristas João Marcelino Soares e Melissa Fol-
anos de idade e se mulher cinquenta e cin-
mann possuem uma obra que trata profundamen-
co anos. Cumpre lembrar que trabalhadores
te o tema da aposentadoria por idade, é o livro
rurais, que sejam empregados, trabalhado-
Aposentadoria por idade - teoria e prática.
res eventuais, trabalhadores avulsos e se-
gurados especiais é que possuem direito a
2.1 Aposentadoria por idade do essa espécie de aposentadoria.
trabalhador rural Outro requisito para a concessão dessa apo-
sentadoria é que o trabalhador comprove o
O artigo 202, I da Constituição Federal, pre- efetivo exercício da atividade rural, me-
viu em sua redação a possibilidade de redu- diante apresentação dos documentos des-
ção referente à idade do segurado traba- critos no artigo 106 da Lei nº 11.718/2008.
lhador rural. Com a entrada em vigor da Lei
nº 8.213/91, foi estabelecida uma redução

142/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários


Link
Acesse a lista completa de documentos que comprovam o efetivo exercício da atividade rural no site
da previdência social. Disponível em: <http://www.previdencia.gov.br/servicos-ao-cidadao/
informacoes-gerais/documentos-comprovacao-tempo-contribuicao/documentos-tra-
balhador-rural/>. Acesso em: 12 dez. 2016.

Importante salientar que a TNU já formulou pacífico entendimento de que para a concessão da
aposentadoria por idade rural não se exige que a prova documental, chamada de início de prova
material, corresponda a todo o período da carência do benefício (Enunciado 14).

Link
Acesse a redação completa da Súmula 14 da TNU. Disponível em: <http://www.cjf.jus.br/php-
doc/virtus/listaSumulas.php>. Acesso em: 12 dez. 2016.

Assim, atingida a idade mínima requerida, comprovada a efetiva atividade rural, bem como o
período de carência, ainda que descontínuo, o artigo 143 da Lei nº 8.213/91 limitou o valor do
143/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários
benefício deste segurado, sendo sempre no valor de um salário mínimo. Conforme nos alerta
Castro (2009, p. 591): “a aposentadoria por idade dos rurais é uma das preocupações das au-
toridades governamentais em matéria de Previdência Social, em face da suposta facilidade em
requerer o benefício sem que tenha havido contribuição nesta condição”.

Para saber mais


As súmulas nº 41, 46 e 54 da TNU já pacificaram alguns entendimentos sobre o tema.

2.2 Aposentadoria por idade “mista” ou híbrida

O artigo 48, § 3o trazido pela Lei nº 11.718/2008, dispõe que os trabalhadores rurais, que não
atendam aos requisitos para a concessão da aposentadoria rural por idade, mas que satisfaçam
essa condição se forem considerados períodos de contribuição sob outras categorias do segura-
do, farão jus ao benefício ao completarem sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta
anos, se mulher.
Trata-se da possibilidade da aposentadoria por idade “mista” ou híbrida. Neste caso, o STJ já
confirmou que no caso dessa espécie de aposentadoria a RMI será calculada conforme as regras
144/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários
da aposentadoria por idade urbana, porém, Conforme explica Ibrahim (2011), as críticas
a esta modalidade não se aplica o fator pre- à aposentadoria por tempo de contribuição
videnciário. decorrem da conclusão de que “este bene-
fício não é tipicamente previdenciário, pois
3. Aposentadoria por tempo de não há qualquer risco social sendo protegi-
contribuição do – o tempo de contribuição não traz pre-
sunção de incapacidade para o trabalho”.
Prevista nos artigos 52 a 56 da Lei nº Assim, a aposentadoria por tempo de con-
8.213/91 e no Decreto nº 3.048/99 nos ar- tribuição é devida ao segurado após trinta
tigos 56 a 63, a aposentadoria por tempo e cinco anos de contribuição, se homem, ou
de contribuição foi instituída em 1998 com trinta anos, se mulher.
a publicação da Emenda Constitucional nº
Importante ressaltar que não há idade míni-
20.
ma para que este benefício seja requerido, o
Com a EC 20/98 ocorreu uma das maiores que existe são algumas regras de transição
e mais polêmicas reformas da Previdência que são aplicadas aos segurados filiados
Social: extinguiu-se a aposentadoria por ao RGPS antes da Emenda Constitucional
tempo de serviço e passou-se a conceder a 20/98 – ou seja, antes de 16.12.1998. Para
aposentadoria por tempo de contribuição. essas pessoas, foi estipulada uma regra de
145/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários
transição temporária com limites de ida- esteve recebendo auxílio-doença ou apo-
de de cinquenta e três anos para homens sentadoria por invalidez, entre períodos de
e 48 quarenta e oito anos para mulheres. atividade; o período em que a segurada es-
Assim, de acordo com o artigo 59 da Lei nº teve recebendo salário-maternidade; o pe-
8.213/91, são descontados do tempo de ríodo em que o segurado esteve recebendo
contribuição os períodos legalmente esta- benefício por incapacidade por acidente do
belecidos como de suspensão de contrato trabalho, intercalado ou não.
de trabalho, de interrupção de exercício e Porém, muito importante destacar que não
de desligamento da atividade. é computado como tempo de contribuição
Importante ressaltar que, é ônus do contri- o já considerado para concessão de qual-
buinte individual a prova interrupção ou o quer aposentadoria prevista neste Regula-
encerramento da atividade pela qual vinha mento ou por outro regime de previdência
contribuindo, sendo que a mesma deverá social (artigo 60, § 1º da Lei nº 8.213/91).
ser feita de acordo com o que estipula o ar- A data do início do benefício de aposenta-
tigo 59, § 2º da Lei nº 8.213/91. doria por tempo de contribuição obedece à
O artigo 60 da Lei nº 8.213/91 regulamen- mesma regra da aposentadoria por idade,
ta no cômputo do tempo de contribuição, ou seja, para o segurado empregado, inclu-
por exemplo, o período em que o segurado sive o doméstico, a partir da data do des-
146/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários
ligamento do emprego, quando requerida brio da renda mensal inicial dos benefícios
até essa data ou até noventa dias depois levando-se em conta a idade do segura-
dela; ou da data do requerimento, quando do, tempo de contribuição e expectativa
não houver desligamento do emprego ou de sobrevida”, conforme conceitua Ribeiro
quando for requerida após o prazo e, para (2011).
os demais segurados, da data da entrada do Com a edição da Lei nº 9.876/99, criou-se
requerimento. o fator previdenciário como uma forma
A aposentadoria por tempo de contribuição de limitar o valor do salário de benefício da
também exige o cumprimento de carência aposentadoria por tempo de contribuição,
de cento e oitenta contribuições e a renda cujo segurado ainda tenha uma expectativa
mensal deste benefício é de cem por cento de sobrevida grande.
do salário de benefício, porém, com a apli-
cação obrigatória do fator previdenciário. Para saber mais
O prof. Wladimir Martinez publicou uma obra que
3.1 Fator previdenciário trata de perguntas e respostas sobre o fator pre-
videnciário. São as principais indagações sobre a
Como estudado, o fator previdenciário é fórmula do fator previdenciário no livro: Fator pre-
uma fórmula “destinada a manter o equilí- videnciário em 420 perguntas e respostas.

147/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários


Assim, para a aposentadoria por tempo
de contribuição, ao segurado homem, que Link
completar trinta e cinco anos de contribui- Acesse a todas as disposições sobre essa lei. Dis-
ção, e a segurada mulher, que completar ponível em: <http://www.planalto.gov.br/
trinta anos de contribuição, aplicar-se-á a ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13183.
fórmula do fator previdenciário como mul- htm>. Acesso em: 12 dez. 2016.
tiplicador do valor de seu salário de benefí-
cio.

3.2 Fórmula 95/85 Na verdade, trata-se de uma forma alter-


nativa de cálculo do valor do salário de be-
Com a edição da Lei nº 13.183/2015, foi
nefício do segurado, que faz jus a aposen-
criada uma nova fórmula para as aposenta-
tadoria por tempo de contribuição. Assim,
dorias por tempo de contribuição, a popu-
foram acrescentados alguns requisitos para
larmente chamada de fórmula 95/85.
que o segurado “fuja” da incidência do fator
previdenciário e possa receber 100% do seu
salário de benefício.
Nesse sentido, acrescentou-se à Lei nº
148/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários
8.213/91 o artigo 29-C, que passou a dis- frações em meses completos de tempo de
por sobre esta nova regra. Dessa forma, o contribuição e idade.
segurado que preencher o requisito para a Entretanto, a fórmula 95/85 é progressiva,
aposentadoria por tempo de contribuição, ou seja, com o decorrer do tempo, as somas
isto é, trinta e cinco anos para os homens e de idade e de tempo de contribuição se-
trinta anos para as mulheres, poderá optar rão majoradas em um ponto, desse modo,
pela não incidência do fator previdenciário em 31 de dezembro de 2018, a regra será
no cálculo de sua aposentadoria. Esta regra 96/86. Já em 31 de dezembro de 2020 a re-
só é aplicável quando o total resultante da gra será de 97/87. Em 31 de dezembro de
soma da idade do segurado com o seu tem- 2022, a fórmula passará a ser 98/88, em 31
po de contribuição, incluídas as frações, na de dezembro de 2024, será de 99/89. Até
data de requerimento da aposentadoria, for: que em 31 de dezembro de 2026, a fórmula
igual ou superior a noventa e cinco pontos, concretizar-se-á em 100/90.
se homem; ou igual ou superior a oitenta e
cinco pontos, se mulher, observado o tem-
3.3 Aposentadoria do professor
po mínimo de contribuição de trinta anos.
É importante lembrar que, para a correta Para o professor que comprove, exclusiva-
aplicação desta regra, serão somadas as mente, tempo de efetivo exercício em fun-
149/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários
ção de magistério na educação infantil, no ensino fundamental ou no ensino médio, a regra da
aposentadoria por tempo de contribuição é diferenciada. Isso porque o professor deve contribuir
trinta anos e a professora 25 vinte e cinco anos, desde que comprove função de magistério exer-
cida em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas,
além do exercício da docência, as funções de direção de unidade escolar e as de coordenação e
assessoramento pedagógico.
Há ainda muita polêmica sobre a incidência do fator previdenciário na aposentadoria por tempo
de contribuição do professor, sendo que a TNU já se manifestou no sentido de orientar pela não
incidência do fator previdenciário a essa espécie de benefício.
Além disso, com relação à nova fórmula de cálculo do valor da renda do benefício referente à
aposentadoria por tempo de contribuição do professor, para que ela seja aplicada no tempo mí-
nimo de contribuição do professor e da professora, é necessário comprovarem, exclusivamente,
tempo de efetivo exercício de magistério na educação infantil, ensino fundamental e no médio
equivalente a, respectivamente, trinta e vinte e cinco anos, e serão acrescidos cinco pontos à
soma da idade com o tempo de contribuição.

150/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários


4. Aposentadoria especial

Como explica Castro e Lazzari (2016, p. 503):

A aposentadoria especial é uma espécie de aposentadoria por tempo de


contribuição, com redução do tempo necessário à inativação, concedida
em razão do exercício de atividades consideradas prejudiciais à saúde ou à
integridade física. Ou seja, é um benefício de natureza previdenciária que
se presta a reparar financeiramente o trabalhador sujeito a condições de
trabalho inadequadas.
Quando editada a Lei nº 8.213/91, o antigo artigo 57 dispunha sobre duas formas de enqua-
dramento da atividade em especial: ou pela categoria profissional, ou pelo enquadramento do
agente nocivo. Porém, essa orientação foi alterada pela Lei nº 9.032/95, que passou a adotar
como critério para a concessão dessa aposentadoria a efetiva e comprovada exposição do segu-
rado aos agentes agressivos de forma habitual e permanente.
Importante notar que é pacífico na TNU que antes da edição da Lei nº 9.032/95, ou seja, antes

151/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários


de 29.04.1995, o reconhecimento da atividade especial não precisa ter ocorrido de forma per-
manente (Súmula 49).
O rol de agentes agressivos está exposto no Anexo IV do Decreto nº 3.048/99, sendo que este
não é exaustivo e sim, enumerativo, isto é, nada impede o reconhecimento de uma atividade la-
borativa como especial em razão do risco que causa a integridade física do trabalhador.

Link
Acesse a lista completa de agentes agressivos. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/decreto/d3048.htm>. Acesso em: 12 dez. 2016.

Assim, são considerados agressivos, noci- químicos e biológicos.


vos à saúde do trabalhador, os agentes que A comprovação do exercício de atividade
possuem alto potencial lesivo à sua integri- especial deve ser feita pelo segurado sendo
dade física, seja em função de sua nature- possível a constatação através de documen-
za, concentração, quantidade, exposição tos que demonstrem as condições do meio
ou intensidade, são eles os: agentes físicos, ambiente de trabalho a que estava exposto.

152/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários


Entre esses documentos estão: PPRA, PPP e Emprego.
LTCAT. Apesar de polêmico, o artigo 57, § 8º da Lei
Há uma grande polêmica sobre a caracte- nº 8.213/91, dispõe que o segurado apo-
rização da atividade especial quando o se- sentado por essa espécie de aposentadoria,
gurado, durante o exercício de suas ativida- que continuar no exercício de atividade ou
des laborais, usava EPIs. Quando se trata do operação que o sujeite aos agentes nocivos,
risco físico ruído, a TNU pacificou seu en- terá sua aposentadoria cancelada.
tendimento com a Súmula 9, que considera A carência da aposentadoria especial é de
que mesmo eficaz para não pagamento do 180 contribuições, sendo que o segurado
adicional de insalubridade, o uso do EPI não deverá estar exposto às condições especiais
impede a caracterização do agente agres- durante 15, 20 ou 25 anos dependendo do
sivo para fins de aposentadoria especial. agente agressivo. O mais comum e abran-
Quanto aos demais agentes agressivos, o gente é a ocorrência da hipótese dos 25
uso de EPI eficaz pode afastar a caracteri- anos de contribuição em atividade especial.
zação de atividade especial, porém deve ser Assim, o cálculo da renda mensal inicial é de
realizada prova da eficácia do equipamento 100% do salário de benefício.
de acordo com o que dispõe a Norma Regu-
lamentar nº 6 do Ministério do Trabalho e
153/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários
4.1 Conversão de tempo 4.5 Aposentadoria aos
especial em tempo comum segurados com deficiência

Para aqueles segurados que não cumpriram Assegurada pela Lei Complementar nº
com a totalidade do tempo de contribui- 142/2013, a aposentadoria por tempo de
ção em atividade especial, a lei previu uma contribuição para a pessoa com deficiência
regra de conversão do tempo especial em passou a ser disciplinada em nosso ordena-
comum. Trata-se de um multiplicador que mento jurídico.
é utilizado para que o tempo laborado pelo
segurado em condições especiais seja devi-
damente convertido em tempo comum.
Link
Acesse o conteúdo completo dessa lei comple-
Assim, para o segurado homem usa-se o mentar. Disponível em: <https://www.planal-
multiplicador 1,4, e para a segurada mu- to.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp142.htm>.
lher o multiplicador 1,2, por ser pacífico na Acesso: 12 dez. 2016.
jurisprudência que a regra de conversão a
ser aplicada a aposentadoria é a vigente no Para a lei, pessoas com deficiência são aque-
tempo de sua concessão (Súmula 12 TNU). las que têm impedimentos de longo prazo de
natureza física, mental, intelectual ou sen-
154/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários
sorial, os quais, em interação com diversas e vinte e oito anos, se mulher. Nesses casos,
barreiras, podem obstruir sua participação a renda mensal inicial do benefício será de
plena e efetiva na sociedade em igualdade cem por cento do salário de benefício.
de condições com as demais pessoas. Além dessas possibilidades, o segurado
Assim, a lei passou a estipular critérios para com deficiência poderá optar por se apo-
a concessão deste novo benefício de acordo sentar, independente do grau aos sessen-
com o grau da deficiência apresentado pelo ta anos de idade, se homem, e cinquenta e
segurado, que será constatado através de cinco anos de idade, se mulher, desde que
perícia no próprio INSS. cumprido o tempo mínimo de contribuição
Dessa forma, caso a deficiência seja grave, o de quinze anos e comprovada a existência
segurado será aposentado aos vinte e cinco de deficiência durante igual período. Já nes-
anos de tempo de contribuição, se homem sa hipótese, o valor da renda mensal inicial
e vinte anos, se mulher. No caso de defi- será de 70% do salário de benefício, sendo
ciência moderada, a regra é os vinte e nove acrescentado um por cento a cada grupo de
anos de tempo de contribuição, se homem, doze contribuições mensais até o limite de
e vinte e quatro anos, se mulher. E por fim, cem por cento.
no caso de deficiência leve aos trinta e três
anos de tempo de contribuição, se homem,
155/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários
Glossário
DER: Data da entrada do requerimento.
EPI: Equipamento de proteção individual.
LTCAT: Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho.
PPP: Perfil Profissiográfico Previdenciário.
PPRA: Programa de Prevenção de Riscos Ambientais.
TNU: Turma Nacional Uniformização.

156/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários


?
Questão
para
reflexão

O fator previdenciário é sempre um “vilão” no cálculo do


valor do benefício do segurado? Ele pode trazer algum
benefício quando aplicado? Em quais casos?

157/222
Considerações Finais

»» Verificação dos requisitos específicos devem ser preenchidos pelo se-


gurado para concessão de aposentadoria por idade, aposentadoria por
tempo de contribuição e aposentadoria especial.
»» Estudo das espécies diferenciadas de aposentadoria por idade para o se-
gurado trabalhador rural.
»» As diferentes formas de aposentadoria por tempo de contribuição, a
compreensão da fórmula do fator previdenciário e as hipóteses de sua
aplicação, bem como quando é aplicada a nova regra da fórmula 95/85.
»» Conhecimento sobre o que são agentes agressivos da aposentadoria es-
pecial, como é convertido o tempo em comum e como se aplica a fórmu-
la dessa conversão.
»» Os novos critérios para a concessão benefício de aposentadoria para a
pessoa com deficiência de acordo com o grau da deficiência apresentado
pelo segurado, que será constatado através de perícia no próprio INSS.
158/222
Referências

ALENCAR, Hermes Arrais. Benefícios previdenciários. 4. ed. São Paulo: Leud, 2009.
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/constituicao.htm >. Acesso em: nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 11.718 de 20 de junho de 2008. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-


vil_03/_ato2007-2010/2008/lei/L11718.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 13.183 de 4 de novembro de 2015. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13183.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 8.213 de 24 de julho de 1991. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-


vil_03/leis/L8213cons.htm>. Acesso: 21 nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 9.032 de 28 de abril de 1995. Disponível em: < https://www.planalto.gov.br/cci-


vil_03/Leis/L9032.htm>. Acesso: 21 nov. 2016.

CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário. 11.
ed. Florianópolis: Conceito Editorial, 2009.
________. Manual de direito previdenciário. 19. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016.

159/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários


Referências

FOLMANN, Melissa; SOARES, João Marcelino. Aposentadoria por idade – teoria e prática. 2. ed.
São Paulo: Juruá, 2015.
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Resumo de direito previdenciário. 11. ed. Niterói/RJ: Impetus, 2011.
MARTINEZ, Wladimir Novaes. Fator previdenciário em 420 perguntas e respostas. 2. ed. São
Paulo: LTr, 2004.
RIBEIRO, Juliana de Oliveira Xavier. Direito previdenciário esquematizado. 2. ed. São Paulo:
Quartier Latin, 2011.

160/222 Unidade 6 • Benefícios previdenciários


Assista a suas aulas

Aula 6 - Tema: Benefícios previdenciários. Blo- Aula 6 - Tema: Benefícios previdenciários. Blo-
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161/222
Questão 1
1. Cláudio possui 15 anos de tempo de contribuição e conta com 65 anos de
idade, assinale a opção que corresponde à qual benefício ele faz jus.
a) Aposentadoria por idade.
b) Aposentadoria por tempo de contribuição.
c) Aposentadoria especial.
d) Aposentadoria rural.
e) Não faz jus a nenhum benefício.

162/222
Questão 2
2. Não incide o fator previdenciário no cálculo dos benefícios, EXCETO:

a) Aposentadoria por invalidez.


b) Aposentadoria por idade.
c) Aposentadoria especial.
d) Auxílio acidente.
e) O fator previdenciário incide em todos os benefícios.

163/222
Questão 3
3. Fernando contribuiu para o RGPS por trinta anos, completou 60 anos
de idade em 2016. Assinale a opção que se refere à qual benefício de
aposentadoria ele tem direito.

a) Aposentadoria por tempo de contribuição com incidência do fator previdenciário.


b) Aposentadoria por tempo de contribuição com a incidência da formula 85/95.
c) Aposentadoria especial.
d) Aposentadoria de professor.
e) Nenhum benefício de aposentadoria.

164/222
Questão 4
4. Sobre a aposentadoria por tempo de contribuição do professor a partir
da EC 20/98, para que ele faça jus à redução em 5 anos nos critérios de
idade e tempo de contribuição, ele deve comprovar, exclusivamente, de
tempo nas funções de magistério, o que inclui:
a) Aulas de inglês particulares.
b) Docência no ensino fundamental e médio.
c) Função de coordenação de ensino superior.
d) Docência no ensino superior.
e) Docência em cursos de pós-graduação.

165/222
Questão 5
5. Sobre aposentadoria do segurado rural, assinale qual assertiva está cor-
reta:

a) Para fins de comprovação do tempo de labor rural, o início de prova material não precisa ser
contemporâneo à época dos fatos a provar.
b) O exercício de atividade urbana intercalada impede a concessão de benefício previdenciário
de trabalhador rural.
c) Para fins de comprovação do tempo de labor rural, o início de prova material precisa ser con-
temporâneo à época dos fatos a provar.
d) Não existe diferença entre a aposentadoria do segurado urbano e do segurado rural.
e) A aposentadoria rural é especial.

166/222
Gabarito
1. Resposta: A. 4. Resposta: B.

A opção correta é a A. Preenchidos os requi- A opção correta é a B. Conforme definidos


sitos de 180 contribuições e 65 anos para na Lei nº 9.394, de 1996.
homens.
5. Resposta: C.
2. Resposta: B.
A opção correta é a C. De acordo a Súmula
A opção correta é a B. A aposentadoria por 14 da TNU.
idade incide o fator previdenciário.

3. Resposta: E.

A opção correta é a E. Fernando não faz jus a


nenhuma aposentadoria ainda.

167/222
Unidade 7
Benefícios previdenciários por incapacidade

Objetivos

• Estudar as espécies de benefícios previdenciários


relacionadas com a incapacidade do segurado.
• Compreender dos diferentes tipos de benefícios
previdenciários concedidos diante das diversas si-
tuações limitantes que os segurados podem se su-
jeitar.
• Diferenciar as regras de cálculo do salário dos be-
nefícios de aposentadoria por invalidez, auxílio-
-doença, auxílio-doença acidentário, auxílio-aci-
dente e reabilitação profissional.

168/222
Introdução

Com o objetivo de proteger o segurado todas as espécies de benefícios previden-


quando envolvido em situações de incapa- ciários por incapacidade, quais os requisitos
cidade seja laboral, seja para qualquer ati- necessários para a sua concessão, o valor do
vidade cotidiana, o INSS concede aos seus benefício, da sua RMI, qual é o prazo de vi-
beneficiários benefícios previdenciários gência, enfim, todos os detalhes e peculia-
quando do acontecimento deste risco so- ridades de cada um.
cial. Os benefícios previdenciários por inca-
pacidade podem ter duas naturezas: sala- 1. Benefícios previdenciários
rial ou indenizatória. Além disso, podem ser por incapacidade
concedidos na forma comum ou na forma
acidentária. Apesar de abrangente e utilizado em outros
ramos do direito de forma diversa, para fins
A Previdência Social possui em sua gama
de percepção de benefícios previdenciá-
de benefícios as seguintes espécies por in-
rios, incapacidade é a perda da capacidade
capacidade: aposentadoria por invalidez,
laboral do segurado. Como explica Ribeiro
auxílio-doença, auxílio-acidente, além de
(2011, p. 222), é a “impossibilidade resul-
fornecer os serviços de reabilitação profis-
tante de uma doença ou enfermidade, seja
sional.
total ou parcial, de praticar uma atividade
Assim, esse módulo destina-se ao estudo de
169/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade
profissional”. estiver totalmente incapaz para o exercício
Os benefícios por incapacidade são dividi- de atividade laboral de forma permanente.
dos em dois grupos: benefícios por incapa- Assim, para que possa usufruir do benefício
cidade comum e benefícios por incapacida- da aposentadoria por invalidez, o segurado
de acidentária. A seguir será analisada cada deverá ter qualidade de segurado e com-
espécie de benefício, mas por hora, cumpre provada incapacidade permanente (isto é,
destacar uma importante diferença entre insuscetível de reabilitação profissional)
eles: os benefícios comuns, em regra, exi- para o desempenho de atividade labora-
gem o cumprimento do período de carên- tiva que lhe garanta a subsistência. Dessa
cia, já o benefício por incapacidade aciden- forma, conforme explicam Castro e Lazzari
tária não. (2016, p. 525):

1.1 Aposentadoria por invalidez

O benefício da aposentadoria por invalidez


comum (ou previdenciária ou B32) será con-
cedido ao segurado que, cumprida a carên-
cia exigida para a percepção do benefício,
170/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade
A concessão de aposentadoria por invalidez dependerá da verificação da
condição de incapacidade mediante exame médico-pericial a cargo da
Previdência Social, podendo o segurado, as suas expensas, fazer-se acom-
panhar de médico de sua confiança.
É de suma importância destacar que se o segurado quando do momento da filiação ao RGPS já
era portador da doença ou enfermidade que lhe tornou incapaz para o trabalho, não será con-
cedido o benefício da aposentadoria por invalidez em decorrência da preexistência da doença.
Porém é pacífico que, quando o segurando é portador de uma doença congênita ou adquirida
antes da filiação ao RGPS e essa enfermidade agravou-se com o tempo após a filiação, o benefí-
cio de aposentadoria por invalidez deve ser concedido.

171/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade


Para saber mais
Importante entender essa questão, pois o INSS não irá conceder o benefício pela doença preexistente e
sim, pelo seu agravamento, conforme prevê o artigo 42, § 2º da Lei nº 8.213/91 como segue: “A doença ou
lesão de que o segurado já era portador ao filiar-se ao Regime Geral de Previdência Social não lhe conferi-
rá direito à aposentadoria por invalidez, salvo quando a incapacidade sobrevier por motivo de progressão
ou agravamento dessa doença ou lesão”.

O período de carência para a concessão do benefício é de 12 meses de contribuições mensais,


sendo que o artigo 151 da Lei nº 8.213/91 exclui esse período de carência para algumas doen-
ças, como: tuberculose ativa, esclerose múltipla, hepatopatia grave, neoplasia maligna, ceguei-
ra, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave e doença de Parkinson, por exemplo.

Link
Conheça o rol completo de doenças que independem do cumprimento de carência para a concessão de
aposentadoria por invalidez. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8213cons.
htm>. Acesso: 12 dez. 2016.

172/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade


Se precedida de concessão de auxílio doen- data de citação da autarquia, momento em
ça, a data do início da aposentadoria por in- que tomou conhecimento da incapacidade
validez é o dia seguinte ao da cessação do do segurado.
auxílio doença. Se não ocorrer essa hipóte-
se, para o segurado empregado será a par-
tir do 16º dia de afastamento da atividade,
Para saber mais
ou a partir do requerimento administrativo Essa posição do STJ transformou-se na Súmula 576:
quando o pedido for feito após o 30º dia do “Ausente requerimento administrativo no INSS, o
afastamento. Para os demais segurados: termo inicial para a implantação da aposentadoria
doméstico, trabalhador avulso, contribuinte por invalidez concedida judicialmente será a data
individual, especial e facultativo o benefício da citação válida”. Essa informação é importante,
será concedido a partir da data do início da porque até 2016 o posicionamento dominante era
incapacidade ou da data do requerimento. que a data de início do benefício, sendo ausente
o requerimento administrativo, deve ser fixada na
Caso a aposentadoria por invalidez seja so-
data de juntada do laudo pericial que constata a
licitada por meio de uma ação judicial, a
incapacidade laboral, o que prejudica o segurado.
data de início do benefício é controvertida,
mas o STJ adotou o entendimento de que
a data da incapacidade deve ser fixada na
173/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade
A renda mensal inicial será de 100% (cem sua atividade laboral em virtude da ocorrên-
por cento) do salário de benefício, sendo cia de um acidente de trabalho ou de qual-
que mesmo que precedida de auxílio-doen- quer natureza. Importante mencionar que a
ça, não se aplica ao valor da aposentadoria modalidade acidentária da aposentadoria
por invalidez a limitação de valor imposta por invalidez é concedida, também, para o
pelo artigo 29 da Lei nº 13.135/2015. A ex- segurado que desenvolver doença ocupa-
ceção será a renda mensal inicial do segu- cional, isto é, com nexo de causalidade com
rado especial que é de um salário mínimo, as atividades laborais que desenvolvia.
porém, caso comprove contribuições à Pre- Não há carência para a concessão da apo-
vidência Social, fará jus ao mesmo cálculo sentadoria por invalidez acidentária, sendo
que os demais segurados. necessário que se comprove apenas qua-
lidade de segurado e incapacidade para o
1.2 Aposentadoria por invalidez trabalho decorrente de acidente de tra-
acidentária balho, doença ocupacional ou acidente de
qualquer natureza.
A aposentadoria por invalidez acidentária
(B92) é um benefício concedido ao segurado Quando concedida na modalidade aciden-
que esteja incapaz permanentemente para tária, a aposentadoria por invalidez é uma
causa de suspensão do contrato de traba-
174/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade
lho, isto é, para o segurado empregado, o seu contrato de trabalho ficará suspenso. A polêmi-
ca reside no direito deste empregado continuar a receber os valores de depósitos de FGTS, isso
porque a Lei nº 8.036/90, em seu artigo 15 § 5º, dispõe que é obrigatório o depósito de FGTS no
caso de afastamento por licença por acidente do trabalho.
Assim, parte da doutrina e da jurisprudência entende que, por não ser vitalício, o benefício da
aposentadoria por invalidez acidentária seria uma espécie de licença por acidente de trabalho,
assim como o recebimento de auxílio-doença acidentário (B91), e, por se tratar de benefícios
provisórios, deveriam ter durante o seu recebimento o pagamento do depósito de FGTS.

Link
Conheça o que dispõe a Lei nº 8.036/90 em seu artigo 15 sobre a continuidade dos depósitos fi-
duciários. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8036consol.htm>.
Acesso em: 12 dez. 2016.

Isso porque a aposentadoria por invalidez é um benefício que pode ser revogado a qualquer tem-
po já que a incapacidade laborativa pode deixar de existir. Por isso, o vínculo com a empresa do
segurado empregado é mantido durante a sua percepção, de modo que o TST editou a Súmula
175/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade
160 que prevê o direito do trabalhador de 1.3 Acréscimo de 25% no
retornar ao emprego após cancelada a apo- salário de benefício da
sentadoria por invalidez. aposentadoria por invalidez

Para saber mais É concedido ao segurado aposentado por


invalidez, seja qual for a modalidade, que
A Súmula 160 do TST foi editada em 2003, porém necessitar, de forma permanente, de as-
os seus precedentes datam de 1982, isto é, a dis- sistência de terceiros, isto é, de constante
cussão sobre o tema já perdura há algum tempo. ajuda de outras pessoas, um acréscimo de
A sua redação estipula claramente: “Cancelada a 25% no valor do salário de benefício. Essa é
aposentadoria por invalidez, mesmo após cinco uma hipótese pela qual o valor do salário de
anos, o trabalhador terá direito de retornar ao em- benefício pode ultrapassar o limite do teto
prego, facultado, porém, ao empregador, indeni- previdenciário. Esse acréscimo cessa com a
zá-lo na forma da lei”. morte do segurado e não é incorporado ao
valor da pensão deixada aos dependentes.
O anexo I do Decreto nº 3.048/99 dispõe
sobre as situações que o aposentado faz jus
a essa majoração: cegueira total, perda de
176/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade
nove dedos das mãos ou superior a esta, paralisia dos dois membros superiores ou inferiores,
perda dos membros inferiores, acima dos pés, quando a prótese for impossível, perda de uma
das mãos e de dois pés, ainda que a prótese seja possível, perda de um membro superior e outro
inferior, quando a prótese for impossível, alteração das faculdades mentais com grave pertur-
bação da vida orgânica e sócia, doença que exija permanência contínua no leito e incapacidade
permanente para as atividades da vida diária.

2. Auxílio doença
O benefício de auxílio doença é devido ao segurado que esteja incapacitado, total ou parcial-
mente, para o exercício de suas atividades laborais por mais de 15 dias consecutivos, porém, com
possibilidade de recuperação. Conforme alerta Ribeiro (2011, p. 224):

A incapacidade laboral não é para todo tipo de atividade, e sim para aquela
que o segurado exercia habitualmente. É fundamental que essa incapa-
cidade seja julgada pelo INSS como temporária, passível de recuperação;
caso contrário, o benefício a ser concedido será a aposentadoria por inva-
lidez.
177/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade
O auxílio-doença, conhecido também como B31, só será concedido após o segurado se subme-
ter à perícia médica perante a autarquia previdenciária.

Para saber mais


É importante ressaltar que, de acordo com a mudança de redação do artigo 60, § 5º da Lei nº 8.213/91
dada pela Lei nº 13.135/2015, nos casos de impossibilidade de realização de perícia médica pelo órgão
ou setor próprio competente, assim como de efetiva incapacidade física ou técnica de implementação das
atividades e de atendimento adequado à clientela da previdência social, o INSS poderá, sem ônus para os
segurados, celebrar, nos termos do regulamento, convênios, termos de execução descentralizada, termos
de fomento ou de colaboração, contratos não onerosos ou acordos de cooperação técnica para realização
de perícia médica, por delegação ou simples cooperação técnica, sob sua coordenação e supervisão, com
órgãos e entidades públicos ou que integrem o SUS

Ao segurado que se filiar ao RGPS já portando a doença incapacitante, não faz jus ao benefício de
auxílio-doença, salvo nos casos de progressão e agravamento da doença. A TNU, porém, enten-
de que não há direito ao auxílio-doença quando a incapacidade para o trabalho é preexistente
ao reingresso do segurado no RGPS (Súmula 53).

178/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade


Se o segurado exerce mais de uma atividade cio é o 16º dia de afastamento, isso porque
laboral, mas só está incapacitado para uma o se empregador arcará com o pagamento
delas, o auxílio-doença será devido apenas dos 15 primeiros dias. O art. 60 da Lei nº
com relação à atividade em que o segurado 8213/91 excepciona esta regra para o se-
se encontra incapacitado, sendo que, para gurado empregado doméstico, já que nes-
efeitos de carência, apenas as contribuições te caso o seu empregador não pagará os 15
dessa atividade serão computadas. primeiros dias de afastamento. Assim, para
Lembrando que, para ter direito à percep- o empregado doméstico e para os demais
ção do auxílio-doença, o segurado deve ter segurados, a data de início do benefício é o
cumprido o período de carência de 12 con- marco do início da incapacidade, que nor-
tribuições mensais. Algumas doenças es- malmente coincide ou com a data da perícia
pecificadas no artigo 151 da Lei nº 8213/91 ou com a data da DER.
não exigem o cumprimento dessa carência, A renda mensal inicial do benefício cor-
como por exemplo, câncer, tuberculose, en- responde a 80% do salário de benefício. É
tre outras. acrescido de 1% à RMI a cada grupo de 12
A data do início do benefício é diferente contribuições do segurado até o limite de
para cada tipo de segurado. Para segura- 92% (noventa e dois por cento) do salário
do empregado, a data de início do benefí- do benefício.
179/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade
Lembrando que, o salário benefício consiste na média aritmética simples dos maiores salários de
contribuição correspondentes a 80% do período contributivo, a contar da competência de julho
de 1994 até a data do início do benefício.
Importante ressaltar que a Medida Provisória nº 664/2014 estabeleceu que o valor de auxílio-
-doença não pode exceder a média aritmética simples dos últimos 12 salários de contribuição,
mas essa regra se aplica apenas aos benefícios concedidos após 1º de março de 2015.

Link
A Medida Provisória nº 664/2014 foi convertida na Lei nº 13.135/2015. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13135.htm>. Acesso em: 12 dez.
2016.

A intenção da Previdência, como explica Castro e Lazzari (2016, p. 393): “é evitar situações em
que o valor do benefício fica acima do último salário que o segurado recebia, o que faz com que
muitos segurados não se sintam estimulados a voltar ao trabalho”.
Para o segurado especial, a renda mensal inicial será apenas a média aritmética dos 80% maio-
180/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade
res salários de contribuição contados a par- peciais, sendo que a Lei Complementar nº
tir da competência de julho de 1994. 150/2015 estendeu este benefício aos em-
O benefício de auxílio-doença cessará com pregados domésticos.
a recuperação da capacidade laboral ou, Não há período de carência que deve ser
caso não seja possível, será transformado cumprido para a concessão deste benefício
em aposentadoria por invalidez. e sua percepção, de acordo com artigo 118
da Lei nº 8213/91, acarreta na estabilida-
2.1 Auxílio-doença acidentário de do empregado por 12 meses contados a
partir da cessação do benefício. Além disso,
O benefício de auxílio-doença acidentário, devem ser mantidos os depósitos de FGTS
conhecido também como B91, é concedido durante todo o período de afastamento.
ao segurado que, por motivo de doença pro-
Quanto à doença profissional equiparada
fissional, acidente de trabalho ou acidente
ao acidente de trabalho para o estabeleci-
de qualquer natureza, é impedido de exer-
mento do nexo causal entre a atividade de-
cer temporariamente as suas atividades la-
senvolvida pelo segurado e os transtornos
borais. Dessa forma, só faz jus a percepção
sofridos em sua saúde, além do exame clíni-
deste benefício aos segurados empregados,
co fazem-se necessárias análises especiais,
trabalhadores avulsos e os segurados es-
tais como estudo local de trabalho e dados
181/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade
epidemiológicos.
A data do início do benefício é a mesma da modalidade comum, porém a renda mensal inicial do
B91 é de 92% do salário de benefício ou do salário de contribuição vigente no dia do acidente.
Esta espécie de benefício cessará com recuperação da capacidade, caso a recuperação seja par-
cial, poderá ser concedido o benefício de auxílio-acidente. Caso o segurado não recupere a sua
capacidade laborativa, este benefício será transformado em aposentadoria por invalidez aci-
dentária.

3. Auxílio-acidente

Diferente de todos os benefícios previdenciários, o auxílio-acidente possui natureza indenizató-


ria, isto é, será concedido ao segurado acidentado que apresentar, após a consolidação das le-
sões decorrentes do acidente de trabalho ou de qualquer natureza, sequelas que reduzam a sua
capacidade laborativa habitual, conforme dispõe o artigo 86 da Lei nº 8.213/91. Como alertam
Castro e Lazzari (2016, p. 89):

182/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade


Não há porque confundi-lo com o auxílio doença: este somente devido
enquanto o segurado se encontra incapaz, temporariamente, para o tra-
balho; o auxílio-acidente, por seu turno, é devido após a consolidação das
lesões ou perturbações funcionais de que foi vítima o acidentado, ou seja,
após a “alta médica”, não sendo percebido juntamente com o auxílio doen-
ça, mas somente após a cessação deste último.

Para ter direito ao benefício do auxílio-acidente, o beneficiário deverá ter qualidade de segura-
do, apresentar redução parcial e definitiva para sua habitual atividade laboral, além de ter que
comprovar o nexo de causalidade entre o acidente e a redução que apresenta. Importante ressal-
tar que o segurado não precisa cumprir carência, apenas deve ter qualidade de segurado.
A data de início do benefício é o dia seguinte ao da cessação do benefício de auxílio-doença ou
a partir da data do requerimento quando não precedida deste benefício.
A renda mensal inicial, a partir da edição da Lei nº 9.032/95, corresponde a 50% do salário de
benefício e será devida até a concessão de qualquer aposentadoria ou até a data do óbito do
segurado.
183/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade
Para saber mais
Antes dessa referida lei, a Lei nº 8.213/91 dispunha que o auxílio-acidente deveria ter recebido em caráter
vitalício dependendo da gravidade da sequela, tendo valor variado dia 30%, 40%, ou 60% do salário de
contribuição do segurado.

O valor do auxílio-acidente pode ser inferior ao valor do salário mínimo, sendo que este benefício
não pode ser cumulado com qualquer aposentadoria paga pelo RGPS.
A nº Lei 9.528/97 estabeleceu que o valor recebido pelo segurado, a título de auxílio-acidente,
integra o salário de contribuição para fins de cálculo de salário de benefício de qualquer aposen-
tadoria.

4. Reabilitação profissional

O processo de reabilitação profissional é um serviço prestado pelo INSS que deve ser indicado ao
segurado quando este continua incapaz para suas atividades laborais, porém, poderia exercer
uma nova atividade que lhe garanta a própria subsistência. Em regra, o segurado que está em

184/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade


gozo de auxílio-doença não pode se negar a
participar do processo de reabilitação pro-
fissional.
O INSS, por meio de perícia médica, deverá
encaminhar o segurado ao serviço de rea-
bilitação, sendo que, enquanto estiver sub-
metido a este processo, o benefício de auxí-
lio-doença não cessará.

185/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade


Glossário
TNU: Turma Nacional Uniformização.
TST: Tribunal Superior do Trabalho.

186/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade


?
Questão
para
reflexão

Para o segurado empregado existe alguma diferença do benefício


de auxílio-doença ser concedido na modalidade comum ou na mo-
dalidade acidentária? Durante o período que o segurado participa
do processo de reabilitação o seu contrato de trabalho fica suspen-
so ou interrompido?

187/222
Considerações Finais

»» Verificação dos requisitos específicos que devem ser preenchidos pelo


segurado para concessão de aposentadoria por invalidez e auxílio-doen-
ça nas modalidades comuns e acidentárias.
»» Como o benefício de aposentadoria por invalidez pode ser majorado em
25% do salário de benefício do segurado.
»» Estudo do benefício de auxílio-acidente sua natureza indenizatória e
suas peculiaridades.
»» Como a reabilitação profissional é prestada pelo INSS e quais os requisi-
tos que devem ser preenchidos para que o segurado faça jus ao forneci-
mento deste serviço.

188/222
Referências

ALENCAR, Hermes Arrais. Benefícios previdenciários. 4. ed. São Paulo: Leud, 2009.
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/constituicao.htm >. Acesso em: nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 13.135 de 17 de junho de 2015. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-


vil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13135.htm>. Acesso: 21 nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 8.036 de 11 de maio de 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/


leis/L8036consol.htm>. Acesso: 21 nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 8.213 de 24 de julho de 1991. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-


vil_03/leis/L8213cons.htm>. Acesso: 21 nov. 2016.

BRASIL. Lei nº 9.528 de 10 de dezembro de 1997. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/leis/L9528.htm>. Acesso: 21 nov. 2016.

CASTRO, Carlos Alberto Pereira de e LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário.
19. ed., Rio de Janeiro: Forense, 2016.
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Resumo de direito previdenciário. 11. ed. Niterói/RJ: Impetus, 2011.
RIBEIRO, Juliana de Oliveira Xavier. Direito previdenciário esquematizado. 2. ed. São Paulo:
Quartier Latin, 2011.
189/222 Unidade 7 • Benefícios previdenciários por incapacidade
Assista a suas aulas

Aula 7 - Tema: Benefícios previdenciários por Aula 7 - Tema: Benefícios previdenciários por
incapacidade. Bloco I incapacidade. Bloco II
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df97cc219cbc473d3f3308b13c1e4d76>. b264fa7e13f18132557a86121f794ca8>.

190/222
Questão 1
1. Assinale a alternativa correta. Mariana, com apenas 3 meses de contribui-
ção, descobriu uma neoplasia maligna nos rins, ela terá direito a:
a) Auxílio-doença se a incapacidade for parcial e temporária.
b) Aposentadoria por invalidez se a incapacidade for parcial e temporária.
c) Auxílio-acidente.
d) A nenhum benefício, pois não completou a carência de 12 meses.
e) Auxílio-doença acidentário.

191/222
Questão 2
2. Fernanda é portadora de uma doença congênita e degenerativa,
mas até os 40 anos conviveu com esse problema, quando sua situação
começou a se agravar já não tendo mais condições nem de trabalhar,
nem de realizar suas atividades cotidianas. Considerando que ela tem
qualidade de segurado, é correto afirmar:

a) Faz jus à percepção de auxílio-acidente, pois sua doença deixa sequelas.


b) Faz jus à percepção de auxílio-doença, pois pode se recuperar.
c) Não faz jus a nenhum benefício, pois a sua doença é preexistente.
d) Faz jus à percepção de aposentadoria por invalidez, pois sua incapacidade é total e perma-
nente pelo agravamento da doença.
e) Faz jus à percepção de auxílio-doença acidentário.

192/222
Questão 3
3. Assinale a alternativa correta. Walmir sofre um acidente de trabalho
tendo três dedos de sua mão direita amputados, a perícia constatou que
ele apresenta uma pequena redução de sua capacidade laboral, mas ain-
da pode exercer sua profissão. Assim, faz jus à percepção do benefício de:

a) Aposentadoria por invalidez.


b) Auxílio-doença.
c) Aposentadoria por invalidez acidentária.
d) Auxílio-acidente.
e) Nenhum benefício dos benefícios acima.

193/222
Questão 4
4. São modalidades de benefícios previdenciários por incapacidade, exce-
to:
a) Aposentadoria por invalidez.
b) Auxílio-doença.
c) Auxílio-acidente.
d) Aposentadoria por invalidez acidentária.
e) Aposentadoria especial.

194/222
Questão 5
5. Sobre aposentadoria por invalidez, é incorreto afirmar:

a) Será concedida quando o segurado apresentar uma incapacidade total e permanente para
atividades laborais.
b) É um benefício não vitalício, isto é, o segurado não possui direito adquirido a esse benefício
se sujeitando a perícias quando convocado pelo INSS.
c) Pode ser ou não ser precedida de concessão de auxílio-doença.
d) Possui natureza indenizatória.
e) Pode decorrer de acidente de trabalho, sendo concedida na modalidade de aposentadoria
por invalidez acidentária.

195/222
Gabarito
1. Resposta: A. 3. Resposta: D.

A opção correta é a A. O auxílio-doença será A opção correta é a D. A consolidação das


concedido no caso de incapacidade parcial lesões advindas de um acidente de tra-
e temporária, e essa doença independente balho que reduzam a capacidade do se-
de carência de acordo com o artigo 151 da gurado geram direito à percepção de aux-
Lei nº 8.213/91. ílio-acidente.

2. Resposta:D. 4. Resposta: E.

A opção correta é a D. A doença congênita A opção correta é a E. A aposentadoria es-


que incapacita o segurado total e perma- pecial não é uma modalidade de benefícios
nentemente, quando agravada gera apo- por incapacidade.
sentadoria por invalidez.

196/222
Gabarito
5. Resposta: D.

A opção correta é a D. A aposentadoria por


invalidez possui natureza salarial.

197/222
Unidade 8
Benefícios previdenciários em espécie

Objetivos

• Conhecer os benefícios da previdência social pagos aos dependentes do segurado, como a


pensão por morte e o auxílio-reclusão.
• Verificar como o INSS se preocupa com a proteção da família, seja na concessão do benefí-
cio de salário-maternidade como na concessão de auxílio-reclusão ou na obrigatoriedade
que se impõe aos empregadores ao pagamento do salário-família.
• Compreender que os benefícios previdenciários, por serem prestações alimentares de na-
tureza salarial, fazem surgir uma figura similar ao 13º salário.

198/222
Introdução

Este módulo destina-se na análise de quais 1. Benefícios previdenciários


benefícios são concedidos quando da ocor- em espécie
rência dos riscos sociais morte, materni-
dade, bem como alguns encargos que são 1.1 Pensão por morte
transferidos para os empregadores para a
proteção da família e outros que são arca- Criado para proteger e manter a subsistên-
dos pelo INSS para a proteção e garantia da cia dos dependentes quando da ocorrência
dignidade do segurado. Assim, abordare- da morte do segurado, risco social protegi-
mos o estudo da pensão por morte, do au- do por este benefício, a pensão por morte
xílio-reclusão, do salário-maternidade, do é mais um dos benefícios concedidos pelo
salário-família e do abono anual. INSS.

Com o objetivo de proteger não só o segu- A pensão por morte pode ter origem comum
rado como também os seus dependentes, ou pode ter origem acidentada, quando a
esses benefícios serão estudados de forma morte do segurado decorrer de acidente de
especial, sendo que abordaremos os requi- trabalho, acidente de qualquer natureza e
sitos necessários para a sua concessão, o doença profissional.
valor do benefício, enfim, todos os detalhes Faz jus à percepção do benefício de pensão
e peculiaridades de cada um. por morte os dependentes arrolados no ar-
199/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie
tigo 16 da Lei nº 8.213/91 sendo que, na data do óbito, deve o segurado falecido ter comprovada
qualidade de segurado. Essa exigência fica ressalvada no caso de o segurado ter implementado
os requisitos para a concessão de uma aposentadoria, sendo a qualidade de segurado na data do
óbito dispensada por ser inegável.
No caso de morte presumida, a pensão por morte pode ser concedida em caráter temporário de
acordo com o art. 78 da Lei nº 8.213/91.
Independente da origem da pensão por morte, os dependentes devem se habilitar perante o
INSS para requerer o benefício, sendo que aqueles que estão na mesma classe de dependência
concorrem em igualdade de condições. Como alerta Castro e Lazzari (2016, p. 560):

Se algum beneficiário não tomar a iniciativa de buscar o benefício, nem


por esse motivo teriam os demais beneficiários de esperar para receber
o valor da pensão, que será repartido entre os beneficiários habilitados.
Qualquer inscrição ou habilitação posterior que importe em exclusão ou
inclusão de dependentes só produzirá efeitos a contar da data de inscrição
ou a habilitação.

200/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie


Portanto, fica claro que a pensão por morte pode ser rateada, sendo que cada dependente terá
direito a uma cota do valor do benefício. Assim, não se pode falar em direito adquirido do bene-
ficiário quando ocorrer a habilitação posterior demais dependentes.
No caso de existência simultânea de dependentes cônjuges, ex-cônjuge e companheiros, o STJ,
através da edição da súmula nº 336, entendeu que nada impede que o ex-cônjuge que tenha
renunciado aos alimentos no momento da separação judicial, comprovada a necessidade eco-
nômica superveniente, faz jus à percepção do benefício pensão por morte.

Link
Acesse a Súmula 336 do STJ. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/docs_internet/revista/ele-
tronica/stj-revista-sumulas-2012_28_capSumula336.pdf>. Acesso em: 13 dez. 2016.

Em se tratando de união estável, seja entre pessoas do mesmo sexo ou de sexo oposto, a presun-
ção de dependência econômica é presumida, bastando a comprovação da união estável em si.
A Lei nº 13.135/2015 trouxe limitações a concessão deste benefício para os óbitos ocorridos a
partir de 15 janeiro 2015, em especial estipulando regras no caso dos dependentes do segurado
serem o seu cônjuge ou companheiro.
201/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie
Pela nova redação da lei de benefícios, além cio o cônjuge ou companheiro dependente
de comprovar a união estável e o casamento, pelo período de apenas quatro meses.
o cônjuge e o companheiro terão ainda que Não tem direito à percepção do benefício de
provar que o óbito ocorreu depois de verti- pensão por morte o dependente que, após
das dezoito contribuições mensais feitas a o trânsito em julgado de sentença conde-
pelo menos dois anos após o início do ca- natória, tenha provocado dolorosamente a
samento ou da união estável. Excepcional- morte do segurado.
mente, essa regra não será aplicada quando
o óbito do segurado decorrer de acidente O artigo 16 da Lei nº 8.213/91, nos incisos I
de trabalho, acidente de qualquer natureza e III, assegura o direito de pensão por morte
ou doença profissional ou se o cônjuge ou ao filho e ao irmão do segurado, desde que
companheiro forem inválidos ou portadores tenham até 21 anos ou sejam considerados
de deficiência. inválidos. Porém, tal regra foi modificada
pelo Decreto nº 6.939/2009 que estabele-
Se o segurado morrer sem que tenha verti- ceu que tal benefício só será concedido para
do as dezoito contribuições mensais ou sem aquele cuja invalidez seja constatada antes
que o casamento ou união estável tenha de completar 21 anos. Era polêmica a reda-
comprovada duração de dois anos, a Lei nº ção desse dispositivo, pois parte da doutri-
13.135/2015 dispôs que fará jus ao benefí- na discordava da restrição legislativa, já que
202/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie
sustentam que a dependência econômica do filho inválido deve ser entendida como presumida
não importando a idade do dependente na data do óbito do segurado.
A partir da Lei nº 13.146/2015, que alterou a redação do artigo 16 da Lei nº 8.213/91 em es-
pecial seus incisos I e III, tal polêmica foi parcialmente solucionada, já que a redação passou a
abranger filho não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 anos ou inválido ou que te-
nha deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave.

Para saber mais


A partir de 03.01.2016 é que a nova redação, os incisos I e III do artigo 16, passou a ter vigência. Assim, fi-
lho e o irmão com deficiência grave passaram a ser considerados dependentes do segurado no RGPS, não
precisando ser mais necessária a declaração de incapacidade civil com a vigência do Estatuto da Pessoa
com Deficiência.

A carência deve ser comprovada para a concessão do benefício de pensão por morte, assim, para
o segurado que faleceu antes de 5 de abril de 1991, o dependente deverá provar o cumprimento
de 12 meses de carência.

203/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie


Após a vigência da Lei nº 13.135/2015, fi- do óbito.
xou-se como período de carência as 18 con- Com a vigência da Lei nº 13.183/2015, a
tribuições mensais no caso de o dependen- data de início do benefício será a data do
te ser cônjuge ou companheiro do segurado óbito quando este é requerido em até 90
falecido. dias do falecimento, após esse prazo, o
A data do início do benefício também so- benefício passa a ter início da data do re-
freu alterações com o passar do tempo. Para querimento. Se o beneficiário for menor de
os óbitos ocorridos antes de 10 novembro 16 anos, poderá requerer até 90 dias após
1997 a data de início do benefício era a data completar essa idade, quando então retroa-
do óbito. A partir de 11 novembro 1997 até girá a data do óbito do segurado.
4 de novembro de 2015, a data de início do A renda mensal inicial do benefício antes
benefício é a data óbito quando requerida da vigência da Lei nº 8.213/91 era de 50%
até 30 dias desta, após esse prazo, o bene- do salário de benefício, mais 10% por de-
fício passa a ser iniciado na data de seu re- pendente. A partir da vigência da Lei nº
querimento. Quanto aos dependentes me- 8.213/91, a RMI passou a ser de 80% do sa-
nores de 16 anos, a pensão por morte pode- lário de benefício, acrescida de parcelas no
ria ser requerida até 30 dias após completar valor de 10% por dependente até o máximo
essa idade quando, então, retroagirá a data de dois. Apenas no caso de a morte ser de-
204/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie
corrente de acidente de trabalho a renda
mensal inicial era de 100%. Com a entrada Link
em vigor da Lei nº 9.032/95, o valor da ren- Conheça a redação completa da Lei nº 9.876/99.
da mensal inicial passou a ser de 100% do Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
salário de benefício, independente da ori- ccivil_03/leis/L9876.htm>. Acesso em: 13 dez.
gem da morte do segurado. Este valor era 2016.
calculado através da média aritmética dos
últimos 36 salários de contribuição do se-
gurado. Essa regra foi mantida pela Lei nº
13.135/2015, que também prevê 100% da
O valor do salário de benefício passou a ser
aposentadoria que o segurado recebia ou
calculado de forma diferente com a vigên-
que teria direito se tivesse aposentado por
cia da Lei nº 9.876/99, sendo apurado pela
invalidez na data do seu falecimento, sendo
média aritmética dos maiores salários de
este o valor da renda mensal inicial do be-
contribuição equivalentes a 80% do perío-
nefício.
do contributivo, contados a partir de julho
de 1994. Muito importante lembrar que, não são in-
corporados na pensão por morte os valores
recebidos a título de acréscimo de 25% da
205/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie
aposentadoria por invalidez. ocorrer sem que o segurado tenha vertido
O benefício de pensão por morte pode ser 18 contribuições mensais ou seu casamen-
rateado entre os dependentes, sendo sem- to ou união ainda não tiverem dois anos de
pre em cotas. Lembrando que, o dependente duração, conforme já analisado.
que percebia pensão de alimentos do segu- Preenchidos estes dois requisitos cessará
rado falecido tem direito a pleitear a pensão em três anos se o cônjuge ou companhei-
por morte, porém, não há direito adquirido ro tiver menos de 21 anos de idade. Cessa-
de receber este benefício na mesma pro- rá em 6 anos se o cônjuge ou companheiro
porção, ou percentual da alimentícia. tiver entre 21 e 26 anos de idade, cessará
A pensão por morte cessará com a morte em 10 anos se o dependente tiver entre 27
do dependente, denominado agora pensio- e 29 anos, cessará em 15 anos se este de-
nista. No caso de o beneficiário ser um filho pendente tiver entre 30 e 40 anos de idade,
menor de 21 anos, a cessação se dará quan- cessará em 20 anos se o cônjuge ou compa-
do este atingir tal idade, salvo se for inválido nheiro contar de 41 a 43 anos de idade.
ou deficiente.
A pensão por morte recebida por cônjuge ou
companheiro cessará em 4 meses se o óbito

206/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie


Link
Para não restarem dúvidas sobre a concessão proporcional da pensão por morte, conheça a redação
completa do artigo 77, § 2º da Lei nº 13.135/2015. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13135.htm>. Acesso em: 13 dez. 2016.

Assim, a pensão por morte torna-se vitalícia das, sendo que o cônjuge ou companheiro
apenas quando o cônjuge ou companheiro não precisará preencher os quesitos relati-
já contar com mais de 44 anos de idade. Es- vos à carência.
sas regras, pela Lei nº 13.135/2015, passa-
ram a vigorar a partir de 1 março 2015, ou 2. Auxílio-reclusão
seja, só são aplicadas para os óbitos ocorri-
dos após essa data. Outro benefício concedido exclusivamente
aos dependentes do segurado, o auxílio-re-
No caso de o óbito do segurado ter sido de-
clusão será devido à família do segurado
corrente de acidente de trabalho, doença
que não estiver em gozo de auxílio doença,
profissional ou acidente de qualquer natu-
aposentadoria, ou qualquer outro benefício
reza, estas regras de sensação serão aplica-
pago pelo INSS.
207/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie
O auxílio-reclusão, para ser concedido, exi- ção do segurado que deverá ser compro-
ge a comprovação da qualidade de misera- vada através de documento expedido pela
bilidade do segurado, isto é, deve se verifi- autoridade responsável. O valor estipulado
car o valor do último salário de contribuição como critério de miserabilidade é corrigido
do segurado que se encontra em regime de e reajustado periodicamente e se encontra
privação de liberdade. disponível no site da Previdência Social.
Para que os dependentes tenham direito à
percepção do benefício de auxílio-reclusão,
o segurado deve estar recolhido em estabe-
Link
lecimento prisional cumprindo pena priva- Conheça o valor do salário de contribuição que
tiva de liberdade, seja em regime fechado poderá gerar o benefício de auxílio-reclusão. Dis-
ou em regime semiaberto. ponível em: <http://www.previdencia.gov.br/
servicos-ao-cidadao/todos-os-servicos/au-
Os dependentes do segurado, a partir do xilio-reclusao/>. Acesso em: 13 dez. 2016.
efetivo recolhimento do segurado ao esta-
belecimento prisional, fazem jus à percep-
ção do auxílio-reclusão, ou seja, para con-
cessão do benefício, os beneficiários devem
levar ao conhecimento do INSS essa situa-
208/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie
Cumpre lembrar que, antes da Emenda sária a comprovação da carência de 18 con-
Constitucional 20, de 1998, o auxílio-reclu- tribuições mensais para que o cônjuge ou
são era concedido independente da com- companheiro tenham direito ao benefício
provação dos critérios de miserabilidade. por mais de quatro meses de duração, tan-
Caso o segurado recluso esteja desempre- to na pensão por morte como no auxílio-re-
gado, porém dentro do período de graça, clusão.
conforme explica Ibrahim (2011, p. 393), A data do início do benefício é contada a
“poderá permitir a seus dependentes a ob- partir da data do efetivo recolhimento do
tenção do auxílio-reclusão, que seria, no segurado ao estabelecimento prisional se
caso, de um salário mínimo”. requerido até 90 dias deste fato. Antes da
A partir da Lei nº 8.213/91, o auxílio-reclu- vigência da Lei nº 13.135/2015, o prazo era
são passou a ser concedido independente- de 30 dias. Passados esses prazos, o benefí-
mente do número mínimo de contribuições cio terá como data inicial a data do reque-
pagas pelo segurado, bastando comprovar rimento. Lembrando que, contra absoluta-
qualidade de segurado. Antes de entrar em mente incapaz, isto é, contra os menores de
vigor a regra exigia a carência de 12 contri- 16 anos, não corre prazo de prescrição nem
buições mensais. Com a entrada em vigor de decadência.
da Lei nº 13.135/2015, passou a ser neces- O valor do auxílio-reclusão é 100% do va-
209/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie
lor do salário de benefício, de acordo com sional trimestral ou se o segurado deixar a
os artigos 75 e 80 da Lei nº 8.203/91, sendo prisão por livramento condicional.
que no caso de o recluso ser segurado es-
pecial, o valor do benefício é sempre de um 3. Salário maternidade
salário mínimo.
Com o intuito de proteger a trabalhadora
Assim como a pensão por morte, o valor do
gestante no campo do direito do trabalho,
benefício de auxílio-reclusão pode ser ra-
a licença-maternidade foi instituída. Já para
teado. Este benefício cessa na data da sol-
o Direito previdenciário o salário-materni-
tura, com o óbito do segurado ou do bene-
dade é concedido à segurada gestante, em
ficiário, com a ocorrência da perda da quali-
regra, por 120 dias.
dade de dependente, sendo que no caso de
morte do segurado este benefício será au- Com a entrada em vigor da Lei nº 6.136/74,
tomaticamente convertido em pensão por passou a ser uma obrigação da empresa
morte. adiantar salário integral para a segurada
empregada a título de licença-maternida-
O auxílio-reclusão será suspenso se o segu-
de, isto é, a empresa arcava com o salário
rado recluso fugir, passar a receber auxílio-
da empregada durante o período de licença,
-doença, salário da empresa, se o depen-
sendo que este valor depois era reembolsa-
dente deixar de apresentar atestado pri-
210/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie
do pelo INSS. da, sendo que a segurada empregada, em-
pregada doméstica, trabalhadora avulsa o
recebe independente de carência.
Link Já para as contribuintes individuais, segu-
Conheça a redação completa da Lei nº 6.136/74. radas especiais e seguradas facultativas,
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ o prazo de carência é de 10 contribuições
ccivil_03/Leis/1970-1979/L6136.htm>. Aces- mensais, de acordo com a alteração legisla-
so em: 13 dez. 2016. tiva sofrida a partir de 1999 com a mudança
de redação do artigo 25 da Lei nº 8213/91.
O salário-maternidade será concedido e
Serão 120 dias de duração o tempo de per-
assegurado à empregada, empregada do-
cepção do benefício de salário-maternida-
méstica, trabalhadora avulsa, segurada es-
de, que poderá ter início até 28 dias antes
pecial, contribuinte individual contribuinte
do parto e 91 dias após dele. No caso de
facultativa, podendo ser cumulado com a
parto antecipado o benefício é pago 120
percepção do benefício de aposentadoria.
dias após o parto.
Importante ressaltar que para concessão do
No caso do natimorto, a gestante mãe terá
salário-maternidade, o período de carência
direito aos 120 dias previstos em lei devida-
é diferente de acordo com o tipo de segura-
211/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie
mente comprovados com a certidão de óbito do filho falecido. Já no caso de aborto não crimino-
so, a assegurada terá direito ao salário-maternidade por duas semanas.
Importante lembrar que, o benefício deve ser pago tanto para gestante, como para mãe adotan-
te (ou que conseguiu a guarda judicial). Sendo que no caso de adoção de criança a partir da vi-
gência da Medida Provisória 619, de 2013, que foi convertida na Lei nº 12.870/2013, a duração
do salário-maternidade não será mais escalonada, sendo sempre de 120 dias.

Para saber mais


Antes da Lei nº 12.870/2013, o valor do salário maternidade para mães adotantes era escalonado da se-
guinte forma: no caso de adoção ou guarda judicial de criança até um ano de idade, o período de licença
será de 120 dias. No caso de adoção ou guarda judicial de criança a partir de um ano até 4 anos de idade,
o período de licença será de 60 dias. No caso de adoção ou guarda judicial de criança a partir de 4 anos até
8 anos de idade, o período de licença será de 30 dias.

No caso de falecimento da mãe, ou no caso de uniões de pessoas do mesmo sexo, o benefício do


salário-maternidade será pago ao cônjuge sobrevivente, bem como a um dos cônjuges ou com-
panheiros respectivamente. Este benefício poderá ser prorrogado por mais 60 dias desde que a

212/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie


segurada seja empregada de uma empresa 4. Salário família
que tenha aderido ao programa de prorro-
gação da licença-gestante e da adotante de Mensalmente pago ao trabalhador de bai-
acordo com o Decreto nº 6.690/2008. xa renda, o salário família foi criado pela Lei
nº 4266/1963, sendo devido proporcional-
A renda mensal inicial deste benefício cor-
mente pelo número de filhos ou a eles equi-
responde à remuneração integral da segu-
parados de até 14 anos de idade ou inváli-
rada empregada e da trabalhadora avulsa,
dos dependentes do segurado.
sendo que nos demais tipos de filiação vi-
gorará a regra específica. Este benefício possui natureza jurídica de
benefício previdenciário, pois é um dever
No caso da empregada doméstica, será o
do empregador, apesar de não ter natureza
valor correspondente ao seu último salário
salarial, sendo devido ao segurado empre-
de contribuição, no caso da segurada espe-
gado (também ao doméstico).
cial será no valor de um salário mínimo e no
caso de contribuinte individual e facultativo Não há carência a ser cumprida pelo segu-
corresponde a 1/12 da soma dos 12 últimos rado para a percepção do salário-família,
salários de contribuição, apurados em um sendo que os valores das cotas constam
período não superior a 15 meses. atualizados no site da Previdência Social.

213/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie


Este benefício cessa pela morte do filho ou cebeu esses benefícios da data de sua con-
a ele equiparado, ou quando o filho comple- cessão até a sua cessação. Importante lem-
ta 14 anos, ou se inválido quando recupera brar que para fins de cálculo da proporção,
a invalidez ou quando o segurado fica de- para ser considerado um mês, o benefício
sempregado. deverá ter sido mantido por período igual
ou superior a 15 dias.
5. Abono anual
Para os segurados que receberam durante
o ano os benefícios de: aposentadoria, au-
xílio-doença, salário maternidade, auxílio
acidente, pensão por morte e auxílio reclu-
são é devida a gratificação natalina, conhe-
cida como abono anual.
O valor deste benefício corresponde ao va-
lor de uma renda do benefício se recebido
por 12 meses dentro do mesmo ano. Será
proporcional aos meses que o segurado re-
214/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie
Glossário
B: Benefício.
STJ: Superior Tribunal de Justiça

215/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie


?
Questão
para
reflexão

As regras para a concessão da pensão por morte insti-


tuídas pela Lei nº 13.135/2015, que passa a estipular
critérios de tempo de união, idade do cônjuge ou com-
panheiro sobrevivente, são constitucionais?

216/222
Considerações Finais

»» Verificação dos requisitos específicos que devem ser preenchidos pelo segurado para conces-
são de pensão por morte, auxílio-reclusão, salário-maternidade, salário-família e abono anual.
»» A pensão por morte e o auxílio reclusão são benefícios pagos aos dependentes do segurado, sen-
do que o conceito de alguns dependentes foi modificado pela vigência da Lei nº 13.146/2015.
»» A pensão por morte, com a vigência da Lei nº 13.135/2016, sofreu grandes e significativas
alterações.
»» Apesar de polêmico o auxílio-reclusão tem uma destinação restrita que leva em consideração
tanto o regime de reclusão do preso como o valor do seu salário de contribuição.
»» Salário-maternidade é um benefício destinado à mulher segurada. Porém, com a finalidade de
preservar a saúde e integridade do nascituro, bem como que a partir de 2013 não há mais o
escalonamento do prazo de vigência desse benefício sendo concedido por 120 dias.
»» - O salário-família é uma obrigação paga ao segurado empregado e que o abono anual é uma
gratificação paga a alguns segurados em gozo de benefícios previdenciários.

217/222
Referências

ALENCAR, Hermes Arrais. Benefícios previdenciários. 4. ed. São Paulo: Leud, 2009.
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/constituicao.htm >. Acesso em: nov. 2016.

BRASIL, Lei nº 12.870 de 15 de outubro de 2013. Disponível em: < https://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12870.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL, Lei nº 13.135 de 17 de junho de 2015. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-


vil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13135.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL, Lei nº 13.146 de 06 de julho de 2015. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-


vil_03/_ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL, Lei nº 4.266 de 03 de outubro de 1963. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-


vil_03/leis/L4266.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL, Lei nº 6.136 de 07 de novembro de 1974. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/leis/1970-1979/L6136.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

218/222 Unidade 8 • Benefícios previdenciários em espécie


Referências

BRASIL, Lei nº 8.213 de 24 de julho de 1991. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-


vil_03/leis/L8213cons.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL, Lei nº 9.032 de 28 de abril de 1995. Disponível em: < https://www.planalto.gov.br/cci-


vil_03/Leis/L9032.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

BRASIL, Lei nº 9.876 de 26 de novembro de 1999. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/leis/L9876.htm>. Acesso em: 21 nov. 2016.

CASTRO, Carlos Alberto Pereira de e LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário.
19. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016.
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Resumo de direito previdenciário. 11. ed. Niterói/RJ: Impetus, 2011.
RIBEIRO, Juliana de Oliveira Xavier. Direito previdenciário esquematizado. 2. ed. São Paulo:
Quartier Latin, 2011.

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1d/1128e0f51f89e3f5711bfda55fca0634>. 12c612a32f88889ebe9dfb35b15c8d35>.

220/222
Questão 1
1. Assinale a alternativa correta. Fernanda, casada com Felipe (segurado do
INSS) há 5 anos, ficou viúva. Ela tem 29 anos de idade e não tem filhos. Terá
direito à pensão por morte:

a) Vitalícia.
b) Por 6 meses.
c) Por 4 meses.
d) Por 10 anos.
e) Não terá direito à pensão.

221/222
Questão 2
2. Assinale a alternativa correta. Mariana, 19 anos de idade, em união está-
vel com Eduardo há 3 anos, requereu auxílio-reclusão por Eduardo ter sido
preso temporariamente, mas solto em 30 dias. Eduardo trabalhava e ganha-
va salário mínimo quando da sua prisão. Mariana terá direito:

a) Auxílio-reclusão pelo tempo que Eduardo ficar preso.


b) Auxílio-reclusão por 6 meses.
c) Auxílio-reclusão por 5 anos.
d) Auxílio-reclusão por 10 anos.
e) Não tem direito há auxílio-reclusão.

222/222
Questão 3
3. Assinale alternativa correta. É garantido à segurada grávida o
benefício de salário-maternidade, cumprida a carência de:
a) 12 meses.
b) 10 meses.
c) 9 meses.
d) 18 meses.
e) Não há carência.

223/222
Questão 4
4. São modalidades de benefícios previdenciários pagos ao segurado,
exceto:
a) Aposentadoria por invalidez.
b) Auxílio-doença.
c) Auxílio-acidente.
d) Aposentadoria por invalidez acidentária.
e) Pensão por morte.

224/222
Questão 5
5. Assinale a alternativa correta. O abono anual será no valor:

a) Calculado, no que couber, da mesma forma que a Gratificação de Natal dos trabalhadores,
tendo por base o valor da renda mensal do benefício do mês de dezembro de cada ano.
b) Corresponderá a 100% do valor de salário de benefício.
c) Corresponderá a 91% do valor de salário de benefício.
d) Será calculado através de 100% da renda mensal inicial.
e) Não poderá ser pago na forma proporcional.

225/222
Gabarito
1. Resposta: D. 4. Resposta: E.
A opção correta é a E. A pensão por morte é
A opção correta é a D. De acordo com o arti-
paga aos dependentes do segurado.
go 77 da Lei nº 8.213/91.

2. Resposta: E. 5. Resposta: A.

A opção correta é a A. De acordo com a re-


A opção correta é a E. Não ficou recluso em
dação do artigo 40, parágrafo único da Lei
regime fechado ou semiaberto que ensejas-
nº 8.213/91.
se a percepção do benefício.

3. Resposta: B.
A opção correta é a B. A carência do salário-
-maternidade é de 10 meses.

226/222