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O Papel da Contabilidade no Setor Público

As Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público (DCASP)


representam o conjunto consolidado e sintetizado das informações econômicas,
orçamentárias, financeiras e patrimoniais da entidade pública, com objetivo de retratar
a saúde financeira, sendo relatórios de saídas para a para análise e tomada de
decisão por parte de seus usuários da informação contábil.

Sua estrutura está contida nos anexos da Lei 4.320/1964, na qual foi alterada
pela Portaria STN 438/2012, em consonância com os novos padrões da Contabilidade
Aplicada ao Setor Público, convergentes aos padrões internacionais de contabilidade.

Conforme o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, Parte V – Lei


Nº. 4.320/1964, art. 101, as demonstrações contábeis das entidades definidas no
campo da Contabilidade Aplicada ao Setor Público são: balanço patrimonial, balanço
orçamentário, balanço financeiro, demonstração das variações patrimoniais,
demonstração dos fluxos de caixa, demonstração das mutações do patrimônio líquido
(DMPL) e demonstração do resultado econômico.

O Balanço Patrimonial demonstrará qualitativa e quantitativamente a situação


patrimonial dos órgãos da administração pública. Sua estrutura divide-se em Ativo,
Passivo e Patrimônio Líquido e, baseado em critérios de conversibilidade e
exigibilidade, classifica os elementos do patrimônio em “circulante” (quando, para os
ativos encontrarem-se disponíveis para realização imediata ou tiverem a expectativa
de realização até o término do exercício seguinte ou para os passivos corresponderem
a valores exigíveis até o final do exercício seguinte ou valores de terceiros ou
retenções em nomes deles, quando a entidade do setor público for fiel depositária,
independentemente do prazo de exigibilidade) e “não circulante” (assim considerado
os que não se encaixar a nenhum dos critérios).

Já o balanço orçamentário é composto pelo quadro principal, quadro da


execução dos restos a pagar não processados e quadro da execução dos restos a
pagar processados. Ainda, ele demonstrará as receitas detalhadas por categoria
econômica e origem e as despesas por categoria econômica e grupo de natureza da
despesa.
O art. 103, da Lei 4.320/64, define que o Balanço Financeiro evidenciará a
receita e despesa orçamentárias, os recebimentos e pagamentos extraorçamentários,
os saldos em espécie do exercício anterior e os que serão transferidos para o próximo
exercício.

De acordo com a NBC T 16.6, a Demonstração das Variações Patrimoniais


demonstra as variações quantitativas, qualitativas e o resultado patrimonial
decorrentes da execução orçamentária. As variações quantitativas são aquelas que
aumentam ou diminuem o patrimônio da entidade e as qualitativas não alteram o
patrimônio líquido, apenas modificam a composição dos elementos patrimoniais. Pelo
confronto das variações quantitativas aumentativas e diminutivas é que se apura o
resultado patrimonial do período.

Consoante a NBC T 16.6, a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)


possibilita a projeção dos fluxos de caixa futuros e a análise de eventuais alterações
em torno da capacidade de manutenção do financiamento dos serviços públicos. A
DFC é elaborada utilizando-se o método direto ou o método indireto e deve
representar as movimentações que ocorreram nos caixas e equivalentes de caixa nos
fluxos das operações, dos investimentos e dos financiamentos da entidade.

De acordo com o MCASP, a Demonstração das Mutações do Patrimônio


Líquido (DMPL) evidenciará a evolução do patrimônio líquido da entidade,
apresentando os ajustes de exercícios anteriores, as transações de capital com os
sócios, o superávit ou déficit patrimonial, destinação do resultado e outras
manutenções do patrimônio líquido. Apenas as empresas estatais dependentes e os
entes que as incorporarem na consolidação das contas é que devem elaborá-la.

Por fim, a Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) tem por finalidade


proporcionar informações sobre o desempenho econômico do período. É uma
representação gráfica estruturada, em determinada data, composta pelas receitas e os
ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda, e os custos, as
despesas, os encargos e as perdas, pagos ou incorridos, correspondente a essas
receitas e rendimentos.

Como se vê, a contabilidade aplicada ao setor público auxilia o gestor na


tomada de decisões, subsidiando-o de informações necessárias para a elaboração de
estratégias e adoção de medidas com vistas ao melhor gerenciamento da
administração da entidade pública.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Secretaria do Tesouro Nacional. Manual de contabilidade aplicada ao


setor público: aplicado à União e aos Estados, Distrito Federal e
Municípios/Ministério da Fazenda, Secretaria do Tesouro Nacional. 5ª. ed.
Brasília: Secretaria do Tesouro Nacional, Subsecretaria de Contabilidade Pública.
Coordenação-Geral de Normas de Contabilidade Aplicadas à Federação, 2013.

______. Manual de contabilidade aplicada ao setor público. 6. ed. Disponível em:


<http://www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/367031/CPU_MCASP_6edicao/
05eea5 ef-a99c-4f65-a042-077379e59deb>. Acesso em: 17/11/2018.

SILVA, Valmir Leôncio da. A nova contabilidade aplicada ao setor público: uma
abordagem prática. 3ª. ed. São Paulo: Atlas, 2014.