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Módulo 1 - BPL

Segurança em Laboratórios:
Aspectos Ambientais e Ocupacionais
- 3ª Oferta

Segurança do trabalho
1. Conceito
Conjunto de medidas técnicas, operacionais, legais, administrativas, educacionais, médicas e
psicológicas que objetivam evitar acidentes, incidentes e doenças, por meio de instrução,
conscientização e convencimento de pessoas na implantação de práticas preventivas e da
eliminação de condições inseguras do ambiente (CHIAVENATO, 2004).
A segurança do trabalho é fundamental para o exercício de qualquer atividade produtiva,
pois garante o máximo possível da integridade física, emocional, psicológica e
comportamental ao trabalhador (BEZERRA; CARVALHO, 2011).

2. Pilares
Entre outros princípios, informação, capacitação e consciência, prevenção, apoio da direção e
promoção da saúde constituem-se fatores cruciais para o sucesso de programas de
segurança do trabalho.
3. Universidades
Estas instituições, em especial as públicas, estão pautadas no tripé formado por ensino,
pesquisa e extensão.
Para dar sustentação a suas atividades-fim, as universidades precisam contar com o apoio e
o suporte de diversas áreas, dispondo de serviços administrativos, financeiros, contábeis, de
manutenção, engenharia, limpeza, segurança, saúde, compras, gestão ambiental, controle
de estoques e patrimônio, tecnologia da informação e outros.
Com base na integração desses setores, é necessário que haja planejamento nas
universidades para que a contratação de serviços e a aquisição de produtos e equipamentos
sejam conscientes, sustentáveis e, portanto, compatíveis com a utilização.
No que tange aos produtos químicos, o efetivo planejamento institucional implica (1)
melhores condições de segurança, pois evita que se façam grandes estoques de substâncias
nas dependências da universidade, (2) diminuição do volume ou da massa de resíduos
gerados (minimizando ou, porventura, eliminando os desperdícios) e (3) economia de
recursos.

3. Universidades
3.1. Cenário
As universidades públicas, inclusive a Unifesp, tendem a pertencer a um contexto no qual há
heterogeneidade de público e de cursos, bem como rotatividade de estudantes
e diversificados hábitos, cultura, rotinas e trabalhos.
Além disso, resultados, produtos e subprodutos da pesquisa podem ser incertos, acarretando
impactos, situações de risco e resíduos que não foram previstos.
Em relação aos resíduos, estes apresentam grande variedade no âmbito das universidades,
de modo que demandam estratégias diferentes para gerenciamento.
Tais peculiaridades precisam ser ressaltadas, quando se formulam planos de gestão
ambiental e de segurança em laboratórios.

3.2. Laboratórios
Um programa de segurança em laboratórios envolve diversos setores, instâncias diretivas,
gerenciais, técnicas e operacionais, trabalhadores, campos do conhecimento, variáveis e
aspectos ambientais.
• Em se tratando da universidade, tal programa tem a obrigação de contemplar a inserção
dos estudantes nas atividades laboratoriais.
• Os laboratórios onde se manipulam produtos químicos podem ter grandes variedades de
reagentes, solventes e resíduos, resultando em severas incompatibilidades.
• Paralelamente, no caso da universidade pública, deve-se considerar que a mesma tem
função social e precisa atuar na vanguarda das questões ambientais e ocupacionais.

3.3. Responsáveis
Os chefes, supervisores ou simplesmente responsáveis pelos laboratórios devem:

1. assegurar o cumprimento da legislação, dos regulamentos e das normas;


2. fazer utilizar os equipamentos de proteção coletiva e os equipamentos de proteção
individual, de acordo com a legislação e as instruções;
3. orientar seus funcionários e estudantes, para que eles desenvolvam suas atividades
com maior segurança e responsabilidade;
4. supervisionar o almoxarifado relacionado ao fornecimento de produtos químicos a seu
setor;
5. comunicar, formalmente, sempre que estiverem ausentes;
6. comunicar, formalmente, situação de risco e providências a serem tomadas;
7. providenciar e manter sempre disponível (ou solicitar às instâncias competentes) os
equipamentos de emergência adequados e em perfeito funcionamento (por exemplo,
lava-olhos, chuveiro de segurança e extintores de incêndio).

3.4. Acesso à informação e ao conhecimento


O acesso à informação, que depois é convertida em conhecimento, constitui-se um pré-
requisito para que a universidade consolide-se como instituição promotora da segurança do
trabalho e das boas práticas laboratoriais.
Nessa perspectiva, são imprescindíveis elementos como transparência na gestão, foco na
prevenção, no planejamento e na orientação, oferta de cursos e eventos para capacitação,
discussões e reflexões e site atualizado e intuitivo.

4. Não conformidade no ambiente de trabalho, e


consequências
Evento adverso: qualquer ocorrência de natureza indesejável relacionada direta ou
indiretamente ao trabalho, incluindo:
Circunstância indesejada: condição, ou um conjunto de condições, com potencial de
gerar acidentes ou incidentes.
Acidente: ocorrência que resulta em dano à saúde ou integridade física de
trabalhadores ou de indivíduos do público.
Incidente: ocorrência que não implica danos à saúde ou integridade física de pessoas,
mas com potencial para causar tais agravos.
Prejuízo: dano a uma propriedade, instalação, máquina, equipamento, ao meio
ambiente ou perdas na produção (BRASIL, 2010).

4.1. Ocorrência de acidentes e incidentes


Quadro 1 - Condições que favorecem ou desfavorecem incidentes ou acidentes.

5. Perigo x Risco
Estes termos não são sinônimos, e aqui discutiremos seus conceitos.

Perigo (hazard): agente (físico, químico ou biológico) ou ação que pode causar dano.
Situações de perigo:
O perigo está sempre associado à natureza de um produto, equipamento, material biológico
ou outros elementos e condições. É uma característica (ou propriedade) inerente ao agente
em questão. O ácido sulfúrico, por exemplo, é intrinsecamente corrosivo. Não deixará de ser
corrosivo.

Risco (risk): probabilidade de dano (por exemplo, doença ou acidente) resultante da


exposição a um perigo.
Logo, tem-se que: perigo + exposição = risco.
A intensidade do risco varia conforme o grau de interação com o perigo e os cuidados
tomados em tais ações.
Situações de risco (baseadas nas imagens anteriores):

Voltando ao ácido sulfúrico, a exposição a esta substância pode ser evitada (ou, pelo menos,
minimizada) mediante (1) uso de equipamentos de proteção coletiva e equipamentos de
proteção individual, (2) experimentos e análises em microescala, (3) substituição parcial ou
total por outros compostos menos perigosos, entre outras medidas.
5.1. Em outra perspectiva

6. Tipos de risco
Tendo em vista as Normas Regulamentadoras (NR) 5 (Comissão Interna de Prevenção de
Acidentes - CIPA), 9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA) e 17
(Ergonomia), do Ministério do Trabalho e Emprego, existem cinco tipos de risco no ambiente
laboral: físico, químico, biológico, ergonômico e de acidentes. O Quadro 2 abaixo apresenta
com maior detalhamento e exemplos esses riscos:

6.1. Riscos químicos


Provenientes de agentes químicos, que são substâncias, compostos ou produtos que possam
penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas,
gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou
ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão (BRASIL, 2017).
Clique em cada termo para ver seu conceito e exemplos.
Poeira | Neblina | Névoa | Fumos | Fumaça | Fibras | Gases | Vapores |
Poeira - É um aerodispersóide que surge quando os materiais sólidos sofrem processos de
golpeamento, ruptura, moagem, peneiramento, lixamento, trituração ou ainda na
manipulação de grãos vegetais, gerando partículas sólidas que flutuam no ar até se
depositarem por gravidade. Dentre os exemplos de processos que produzem pós, podem ser
citados: mineração, moagem, jato de areia, transformação de calcário, amianto, pós de
madeira etc (PEIXOTO; FERREIRA, 2013).

Neblina - É um aerodispersóide que consiste em partículas líquidas geradas pela


condensação de vapores de um líquido. Exemplos: neblina de água e de ácidos (PEIXOTO;
FERREIRA, 2013).

Névoa - É um aerodispersóide formado por partículas líquidas geradas pela ruptura mecânica
de um líquido. Exemplos: nebulização de agrotóxicos e pintura por meio de spray (PEIXOTO;
FERREIRA, 2013).

Fumos - São constituídos por partículas muito pequenas (aerodispersóides), que se formam
quando alguns materiais sólidos se vaporizam ou sublimam com o calor e logo se esfriam
bruscamente e condensam. O caso mais comum corresponde às partículas de fumos que se
formam no processo de solda, no qual os vapores do metal fundido se esfriam, solidificam-se
e são aerotransportados. Também se produzem nos processos de fundição de metais
(PEIXOTO; FERREIRA, 2013).

Fumaça - É uma mistura de gases, vapores e aerodispersóides provenientes da combustão


incompleta de materiais. Exemplos: fumaça proveniente da combustão de madeira ou
plástico (PEIXOTO; FERREIRA, 2013).

Fibras - São partículas sólidas produzidas por rompimento mecânico com característica física
de um formato alongado. Também são classificadas como aerodispersóides. Exemplo:
amianto (PEIXOTO; FERREIRA, 2013).

Gases - Compreendem átomos (no caso dos gases nobres) ou moléculas no estado gasoso
da matéria, o qual tem a capacidade de se expandir de maneira espontânea, ocupando todo
o espaço que lhe é disponível (MICHAELIS, 2017). Encontram-se na fase gasosa à pressão e
temperatura ambientes. Por isso, misturam-se intimamente com o ar e espalham-se com
facilidade. Exemplos: monóxido de carbono (produzido pelas combustões incompletas),
dióxido de carbono, nitrogênio, cloro, oxigênio, hélio e metano.

Vapores - Representam a fase gasosa de uma substância líquida ou sólida na temperatura


em questão. Podem mudar de estado físico por mudanças na temperatura ou pressão. São
as emanações produzidas pela evaporação de um líquido ou sólido, à temperatura ambiente
ou pelo aporte de calor. Exemplos: vapores de gasolina, etanol, clorofórmio, xilenos e
naftalina (PEIXOTO; FERREIRA, 2013).

6.2. Vias de introdução de agentes químicos no organismo


A presença de substâncias químicas nos ambientes de trabalho possibilita a exposição dos
trabalhadores a elas. Nas universidades e em outras instituições de ensino e pesquisa, os
estudantes também estão inseridos nessa problemática.
Ocorrendo a exposição, o agente químico pode ser introduzido no organismo por meio de
uma ou mais vias, como a respiratória, cutânea e digestiva.
Via respiratória: compreende um sistema formado pelo nariz, boca, faringe, laringe,
bronquíolos e pulmões. Trata-se da via de entrada mais representativa para a maioria dos
compostos químicos. A quantidade total de uma substância absorvida por via respiratória
depende da sua concentração no ambiente, do tempo de exposição e da ventilação
pulmonar.
Via cutânea ou dérmica: compreende toda superfície que envolve o corpo humano. Nem
todas as substâncias podem penetrar através da pele. Algumas conseguem atravessar a
barreira cutânea diretamente e outras são veiculadas por outras substâncias.
Via digestiva ou oral: compreende o sistema formado pela boca, faringe, esôfago,
estômago e intestinos. No entanto, pode assumir importância quando é permitido aos
trabalhadores comer ou beber nos postos de trabalho.
Via parenteral: entende-se como a penetração direta da substância no organismo, através
de uma descontinuidade da pele (ferida ou punção).

7. Mapa (ou matriz) de riscos


Corresponde à demonstração em tabela ou gráfica (mapa) dos riscos existentes no local
analisado, a fim de que se adotem medidas de prevenção, conscientização e atendimento à
legislação.
Em outras palavras, mapa de riscos é o conjunto de registros gráficos que buscam
representar os riscos existentes nos diversos ambientes, ou postos de trabalho, sobre sua
planta baixa, objetivando reunir as informações necessárias para estabelecer o diagnóstico
da situação de segurança (e saúde) no local. Além disso, tem a função de promover a
informação e a conscientização às pessoas que praticam alguma atividade naquele ambiente,
explicitando os riscos ali existentes de forma compreensível (HALL et al., 2000).

7.1. Exemplo
Tendo em mente os tipos de risco abordados na Seção 6, bem como suas respectivas cores
de identificação, apresenta-se abaixo um exemplo de mapa de risco:
8. Referências
BEZERRA, I. X. B.; CARVALHO, R. J. M. Construção de um sistema de indicadores de
desempenho em ergonomia na construção de edifícios: um modelo para alcançar a
excelência no desempenho empresarial. Revista Eletrônica Sistemas & Gestão. Volume
6, Número 3, 2011, pp. 312-326, DOI: 10.7177/sg.2011.v6.n3.a6. Disponível em:
<www.revistasg.uff.br/index.php/sg/article/download/V6N3A6/V6N3A6>. Acesso em: 16
ago. 2017.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Guia de Análise de Acidentes de
Trabalho, 2010. Disponível
em:<http://www.prevenirseg.com.br/biblioteca/guia_analise_acidente.pdf>. Acesso em: 09
out. 2017.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Norma Regulamentadora (NR) N° 9 -
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA. Publicação: Portaria MTb N°
3.214, de 08 de junho de 1978. Atualizações/Alterações: Portaria SSST Nº 25, de 29 de
dezembro de 1994. Portaria MTE Nº 1.297, de 13 de agosto de 2014. Portaria MTE Nº 1.471,
de 24 de setembro de 2014. Portaria MTb Nº 1.109, de 21 de setembro de 2016. Portaria
MTb Nº 871, de 06 de julho de 2017.Disponível em:
<http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR09/NR-09-2016.pdf>. Acesso em
12 out. 2017.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Norma Regulamentadora (NR) N° 17.
Ergonomia. Publicação: Portaria GM Nº 3.214, de 08 de junho de 1978.
Atualizações/Alterações: Portaria MTPS Nº 3.751, de 23 de novembro de 1990. Portaria SIT
Nº 08, de 30 de março de 2007. Portaria SIT Nº 09, de 30 de março de 2007. Portaria SIT
Nº 13, de 21 de junho de 2007. Disponível em:
<http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR17.pdf>. Acesso em: 12 out. 2017.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Norma Regulamentadora (NR) N° 5.
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA. Publicação: Portaria GM Nº
3.214, de 08 de junho de 1978. Alterações/Atualizações: Portaria SSMT Nº 33, de 27de
outubro de 1983. Portaria SSST Nº 25, de 29 de dezembro de 1994. Portaria SSST Nº 08, de
23 de fevereiro de 1999. Portaria SSST Nº 15, de 26 de fevereiro de 1999. Portaria SSST Nº
24, de 27 de maio de 1999. Portaria SSST Nº 25, de 27 de maio de 1999. Portaria SSST Nº
16, de 10 de maio de 2001. Portaria SIT Nº 14, de 21 de junho de 2007. Portaria SIT Nº
247, de 12 de julho de 2011. Disponível em:
<http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR5.pdf>. Acesso em: 12 out. 2017.
CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: e o novo papel dos recursos humanos na
organização. 2.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
HALL, J.; OLIVEIRA, R. V.; QUELHAS, O. L. G.; CUNHA, J. Segurança e saúde nas escolas, do
aprendizado à vivência, uma questão de educação. In: Encontro Nacional de Engenharia
de Produção, 20. São Paulo. 2000. Disponível em:
<http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2000_e0015.pdf>. Acesso em: 30 maio 2018.
MICHAELIS. Gás. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, 2017. Disponível em:
<http://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/gás/>. Acesso
em: 12 out 2017.
PEIXOTO, N. H.; FERREIRA, L. S. Higiene Ocupacional III. Colégio Técnico Industrial da
Universidade Federal de Santa Maria. Santa Maria, 2013. Disponível em:
<http://estudio01.proj.ufsm.br/cadernos_seguranca/sexta_etapa/higiene_ocupacional_3.pdf
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PORTAL DA EDUCAÇÃO. Exposição e vias de entrada de agentes químicos no
organismo humano. Publicado em: 17 abr. 2013. Disponível em: <https://goo.gl/nvijvZ>.
Acesso em: 10 out. 2017.
TAVARES, C. R. G. Segurança do Trabalho I. EPR - Equipamento de Proteção
Respiratória. Curso Técnico de Segurança do Trabalho. Ministério da Educação. Publicado
em: 03 nov. 2009. Disponível em:
<http://redeetec.mec.gov.br/images/stories/pdf/eixo_amb_saude_seguranca/tec
_seguranca/seg_trabalho/291012_seg_trab_a11.pdf>. Acesso em: 12 out. 2017.
Vidrarias e outros equipamentos e
utensílios de laboratório

As vidrarias de laboratório são definidas como recipientes e instrumentos de uso comum em


experimentos, especialmente nas áreas de química, biologia e farmácia. Em geral, são fabricadas
utilizando-se vidro de alta qualidade, como borossilicato (ESALQ-USP, 2008).
Por razões de custo, características construtivas e intrínsecas ao objeto, durabilidade,
especificidade de uso e conveniência, muitos utensílios de laboratório são constituídos de material
procedente de plástico (como polipropileno, polietileno e policarbonato), quartzo, metal, entre
outros (ESALQ-USP, 2008).
As referências para elaboração desta seção encontram-se aqui.

Princípios das boas práticas laboratoriais


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1. Introdução
As boas práticas de laboratório (BPL) correspondem a um conjunto de ações cujo objetivo é
proporcionar a diminuição dos riscos e dos desperdícios, no ambiente em questão (FMUSP,
2015).
Tais medidas são constituídas por atividades e processos organizacionais no local de
trabalho, além de procedimentos básicos (FMUSP, 2015), como:

 aquisição e uso planejados e conscientes dos produtos, materiais e equipamentos,


 foco na prevenção de incidentes, acidentes e prejuízos,
 senso de coletividade,
 utilização de equipamentos de proteção coletiva (EPC) e equipamentos de proteção
individual (EPI) (FMUSP, 2015),
 limpeza e higienização dos instrumentos, dos equipamentos e do ambiente laboral
(FMUSP, 2015),
 gerenciamento de resíduos, com ênfase nos princípios da não geração e da redução,
 treinamento e capacitação dos profissionais (trabalhadores e alunos) e
 implementação dos preceitos dos 5S no laboratório.

2. 5S - sensos
O programa 5S é uma ferramenta empregada para implantar o sistema de qualidade total
em uma instituição e, porventura, na vida profissional e pessoal de cada indivíduo
(PANTALEÃO, 2017).
O referido método surgiu no Japão após a Segunda Guerra Mundial, com a finalidade de
reestruturar, organizar e melhorar a produção das indústrias da nação, intencionando
superar a crise de competitividade (PANTALEÃO, 2017).
O método 5S tem este nome porque é formado por 5 palavras que começam com a letra
"S": Seiri, Seiton, Seisou, Seiketsu e Shitsuke (PANTALEÃO, 2017).
Trata-se de um sistema composto por cinco conceitos básicos e simples, cuja essência está
pautada na necessidade de mudanças coletivas e individuais de atitudes, pensamentos e
comportamento, permitindo, através da prática, alcançar os objetivos propostos
(PANTALEÃO, 2017).

2.1. Princípios

2.2. Aplicação
Utilização:

 agendamento e treinamento para uso dos equipamentos e da vidraria,


 implementação de sistema de almoxarifado para recebimento e entrega de produtos
químicos e materiais,
 estudo para substituição de reagentes e processos agressivos, ao meio ambiente e/ou à
saúde pública, por técnicas menos impactantes,
 consumo consciente e responsável de materiais, reagentes, água, gás e energia elétrica,
 busca de informações antes do início dos experimentos (evitando possíveis desperdícios),
 elaboração e aplicação de procedimentos operacionais padrão,
 uso de recipientes apropriados para acondicionamento de reagentes, soluções diluídas no
laboratório e resíduos,
 testes em microescala e
 laboratórios multiusuários.
---

Ordenação:

 guarda dos materiais, reagentes e utensílios mais usados em locais mais acessíveis,
 guarda de objetos mais pesados em locais mais baixos (obviamente),
 organização dos reagentes e resíduos químicos, no almoxarifado e no abrigo,
respectivamente, considerando critérios de compatibilidade e incompatibilidade (nunca
por ordem alfabética),
 organização de equipamentos conforme sua sequência de utilização,
 comunicação acerca dos riscos, das regras e dos equipamentos de emergência do local,
 comunicação em relação a saídas de emergência,
 arquivo ou pasta que contenha fichas de informações de segurança de produtos químicos
(FISPQ) e
 números de telefone de emergência colocados em locais conhecidos e de fácil
visualização.
---

Limpeza:

 evitar sujar (manter limpo) o local de trabalho,


 se sujou, limpe,
 lavar vidraria e outros utensílios imediatamente após seu uso,
 ter a consciência e a ação prática para gerenciar os resíduos gerados em suas atividades,
 elaborar e aplicar protocolos de limpeza,

---
Saúde:

 compreensão da saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e


não somente ausência de afecções e enfermidades,
 motivação dos trabalhadores e dos alunos,
 realização de exames periódicos,
 gerenciamento de risco no ambiente de trabalho, mediante treinamento, capacitação e
uso de equipamentos de proteção coletiva (EPC) e equipamentos de proteção individual
(EPI),
 uso de técnicas menos impactantes à saúde (se possível, técnicas desprovidas de
impacto),
 realização de ginástica laboral e
 incentivo à capacitação e à qualificação dos profissionais.

---
Autodisciplina (essencial para elaboração, implantação e
manutenção dos sensos):

 cumprimento da legislação, das regras e dos procedimentos operacionais padrão,


 senso crítico e reflexão para reconhecimento de não conformidades no ambiente de
trabalho,
 preocupação com a coletividade quando se manuseiam produtos químicos e agentes
biológicos e se descartam resíduos e
 incentivo à qualificação, ao aprimoramento e à atualização dos conhecimentos.

3. Condutas
NUNCA fumar, comer nem beber nos laboratórios.
NUNCA aplicar (ou usar) maquiagem nos laboratórios.
NUNCA usar equipamentos ou utensílios do laboratório para fins pessoais.
NUNCA utilizar o olfato para identificação de substâncias químicas (LMIM-USP, 2015).
Não usar ornamentos durante o trabalho no laboratório (pulseiras, anéis, brincos, etc).
Não usar lentes de contato no laboratório.
Não usar o celular no laboratório.
PLANEJAR protocolos antes de executar experimentos.
NUNCA devem ser realizados experimentos sem a presença de outra pessoa. Em caso de
acidente, ela poderá auxiliá-lo(a) (LMIM-USP, 2015).
Manter protocolo de rotina acessível em caso de acidentes (LMIM-USP, 2015).
Utilizar sempre sapato fechado (LMIM-USP, 2015).
Manter os cabelos presos (LMIM-USP, 2015).
Recomenda-se fortemente que se utilizem carrinhos para transporte de vidrarias,
instrumentos, recipientes e demais materiais de laboratório.
NUNCA usar EPI fora do ambiente de trabalho.
NUNCA pipetar com a boca.
Comunicar ao responsável pelo laboratório qualquer condição de falta de segurança ou
simplesmente anormal.
4. Lavagem das mãos
A lavagem das mãos deve ser efetuada antes e depois dos procedimentos.
Nesse sentido, todos os lavatórios e pias devem:
a) possuir torneiras ou comandos que dispensem o contato das mãos quando do fechamento
da água;
b) ser providos de sabão líquido e toalhas descartáveis para secagem das mãos (BRASIL,
2011).
O uso de luvas não substitui o processo de lavagem das mãos, o que deve ocorrer, no
mínimo, antes e depois do uso dos referidos EPI (BRASIL, 2011).
O uso de "álcool gel" não substitui o uso da água corrente e do sabonete líquido, para
lavagem das mãos.
A lavagem deve ocorrer em todas as áreas das mãos, conforme figura abaixo:

5. Operações com vidraria e outros utensílios


Toda a vidraria deve estar em perfeitas condições de uso → não utilizar materiais de vidro
quando quebrados ou rachados.
Lubrificar tubos de vidro e termômetros antes de inseri-los em rolhas, tampas de borracha e
similares.
Para introduzir ou remover tubo de vidro e termômetros em rolhas, mangueira de silicone,
tampas emperradas e outros materiais → utilizar luvas anticorte e envolver as partes com
panos secos, para maior proteção em caso de ruptura do vidro.
CUIDADO: Vidro quente normalmente tem a mesma aparência do vidro frio.

De modo geral, não submeter materiais de vidro a mudanças bruscas de temperatura.


Poderão rachar ou quebrar.

5.1. Limpeza e uso: preocupação com a coletividade


Instrumentos e vidraria devem ser lavados imediatamente após sua utilização. Usou,
lavou. Depois de secos → guardados, para não juntar pó (LMIM-USP, 2015).
Não manter amostras ou soluções em vidraria de laboratório (não acondicionar em béqueres,
por exemplo).
Usar recipientes apropriados para acondicionar amostras, os quais devem ter resistência e
capacidade de contenção e vedação.
Liberar a vidraria para seus colegas, evitando um colapso de recursos (LMIM-USP, 2015).

6. Rotulagem dos produtos químicos


Deve ser realizada de acordo com o GHS e a ABNT NBR 14725-3/2017, vide orientações
constantes nesta seção.
Se houver informação para transporte externo dos recipientes, a identificação também deve
ser norteada pela Res. ANTT N° 5232/2016.
7. Limpeza de superfícies e utensílios
Deve ser executada utilizando-se água e sabão, etanol 70% e/ou solução de hipoclorito de
sódio, entre outros produtos previstos nos procedimentos operacionais padrão do
setor (LMIM-USP, 2015).
Não se recomenda o uso da acetona (propanona) pura para a limpeza, pois tal substância é
cara e controlada pela Polícia Federal (ver lista de produtos controlados pelo citado
órgão aqui) (LMIM-USP, 2015).

8. Diluição de ácidos
Nunca despejar água num ácido. Adicionar o ácido sobre a água. Além disso, o
ácido deve ser adicionado gradativa e lentamente, com agitação constante (AYALA;
DE BELLIS, 2003).

A reação de um ácido forte e concentrado com água acarreta a liberação de grande


quantidade de calor (reação exotérmica) (TEIXEIRA, 2010).
Quando despejamos água no ácido, ele não dá conta de absorver todo o calor resultante da
reação, e o aumento de temperatura faz com que a água adicionada passe de maneira
abrupta para o estado de vapor (calefação). Neste momento, pode-se perceber o vapor que
sai do recipiente no qual o ácido se encontra (TEIXEIRA, 2010).
Assim, o aquecimento muito rápido e também incontrolável potencializará a formação de
bolhas de vapor provenientes da calefação, que irão projetar o ácido para cima, de modo que
o mesmo possa respingar na pessoa e em diversos locais.
Quando adicionamos gradativamente o ácido na água, a reação será a mesma, mas a água,
por ter mais capacidade de absorver calor, dará conta de absorver a energia liberada na
reação. Cabe ressaltar que o procedimento deve ser feito lentamente e em pequenas
quantidades, pois se grandes quantidades forem misturadas, nem a água conseguirá
absorver tamanha quantidade de calor (TEIXEIRA, 2010).

9. Conservação e organização dos produtos


químicos - aspectos fundamentais
Compras planejadas: adquirir somente o que se pretende utilizar.
Almoxarifado: local destinado aos serviços e procedimentos de recepção, guarda, controle,
conservação, distribuição e fiscalização dos materiais adquiridos pela instituição.
Finalidade principal da área de gestão de estoque (almoxarifado): fornecer materiais para os
serviços em execução, nas quantidades estritamente necessárias.
Descarte de itens com validade vencida ou sem condições de uso: implica desperdício e,
consequentemente, custos para a instituição

9.1. Características técnicas a serem consideradas num


almoxarifado

1. Edificação.
2. Pavimentação.
3. Compartimentalização, conforme critérios de compatibilidade química.
4. Drenagem.
5. Ventilação.
6. Iluminação.
7. Medidas de proteção contra incêndio.
8. Proteção coletiva.
9. Sistema de contenção de resíduos.

Mais detalhes aqui (página 3 até a 9).

10. Referências
AYALA, J. D.; DE BELLIS, V. M. Química Inorgânica Experimental. Departamento de
Química da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2003. Disponível em:
<https://qui.ufmg.br/~ayala/matdidatico/apostila_inorg_exp.pdf>. Acesso em: 02 nov.
2017.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora N° 32. Segurança
e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde. Publicações: Portaria GM Nº 485, de 11 de
novembro de 2005. Portaria GM Nº 939, de 18 de novembro de 2008. Portaria GM Nº 1.748,
de 30 de agosto de 2011. Disponível em:
<http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR32.pdf>. Acesso em: 15 out. 2017.
COSTALONGA, A. G. C.; FINAZZI, G. A.; GONÇALVES, M. A. Normas de Armazenamento
de Produtos Químicos. Universidade Estadual Paulista. Curso de Higiene e Segurança.
Araraquara, 2010. Disponível em: <http://www.unesp.br/pgr/pdf/iq2.pdf>. Acesso em: 15
out. 2017.
FMUSP - Hospital das Clínicas. Laboratórios de Investigação Médica - LIM. Guia de Boas
Práticas Laboratoriais. São Paulo, 2015. Disponível em: <www.limhc.fm.usp.br/portal/wp-
content/uploads/2015/11/Manual_Guia_de_Boas_Praticas.pdf>. Acesso em: 03 nov. 2017.
LMIM-USP - Laboratório de Materiais e Interfaces Moleculares da Universidade de São
Paulo. POPs. Experimentos. Ribeirão Preto, 2015. Disponível em:
<http://sites.usp.br/lmim/seguranca-e-limpeza-laboratorio/>. Acesso em: 03 nov. 2017.
PANTALEÃO, S. F. Programa 5 "S" - uma prática que gera resultados. Guia Trabalhista,
2017. Disponível em: <http://www.guiatrabalhista.com.br/tematicas/metodo5s.htm>.
Acesso em: 04 nov. 2017.
SILVA, J. M. 5S: O ambiente da qualidade. 3. ed. Belo Horizonte: Fundação Christiano
Ottoni, 1994. 160 p.
TEIXEIRA, A. Funções químicas e suas reatividades. PUC-Rio - Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro. Coordenação Central de Educação a Distância, 2010. Disponível
em: <http://web.ccead.puc-
rio.br/condigital/mvsl/Sala%20de%20Leitura/conteudos/SL_funcoes_quimicas.pdf>. Acesso
em: 02 nov. 2017.
Equipamentos de proteção coletiva e
equipamentos de proteção individual
Os equipamentos de proteção coletiva (EPC) e os equipamentos de
proteção individual (EPI) são dispositivos cuja função principal
compreende manter a integridade física dos indivíduos, no âmbito de
sua atividade laboral. Trata-se de aparatos ou indumentárias que
proporcionam eliminação ou atenuação dos riscos a que os
trabalhadores estão submetidos.
Os EPC possibilitam a proteção do grupo, do patrimônio, do meio
ambiente e da pesquisa desenvolvida. São exemplos desses
equipamentos as cabines de segurança, capelas químicas, fluxo laminar,
sensores em máquinas, pisos antiderrapantes e outros (FONSECA;
BESSA; BRITO, 2011).
Segundo Figueiredo (2014), EPC consistem em dispositivos, sistemas ou
meios, fixos ou móveis, que visam à preservação da integridade física
não apenas de um indivíduo, mas da coletividade. Consequentemente,
os EPC prezam pela saúde dos trabalhadores, usuários e terceiros, bem
como da sociedade e do meio ambiente, tendo o objetivo bem mais
amplo quando comparado aos EPI, já que estes pretendem proteger
apenas quem os utiliza.
Chuveiros de emergência, lava-olhos e extintores, embora sejam de uso
coletivo, podem ser inseridos em outra categoria fora dos EPC, uma vez
que são acionados quando já aconteceu o evento indesejado (acidente
ou incidente). Então, a função genuína desses dispositivos é mitigar os
prejuízos (sejam estes humanos, ambientais ou materiais), e não agir
para evitar tais ocorrências. O extintor tem a finalidade de combater o
princípio de incêndio; já os chuveiros de emergência e os lava-olhos são
destinados a atender prontamente às vítimas de acidentes, como
derramamentos, respingos e quebra de frascos.
Entendem-se como EPI os dispositivos, especificamente de uso
individual, reservados a proteger a segurança e a saúde do trabalhador
contra riscos ocupacionais. A instituição empregadora é obrigada a
fornecer aos seus empregados, gratuitamente, os EPI adequados ao
risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas
seguintes circunstâncias: i) sempre que as medidas coletivas, ou de
ordem geral, não ofereçam completa proteção contra os riscos de
acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho; ii)
enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem em fase de
implantação; iii) para atender a situações de emergência, como
vazamentos e derramamentos de produtos químicos, ou liberação de
gases e/ou vapores tóxicos em reação não usual ou não esperada
(BRASIL, 2017).
O uso de EPI é uma exigência da legislação trabalhista brasileira,
através da Norma Regulamentadora (NR) 6 (BRASIL, 2017). O
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atesta a qualidade dos EPI
nacionais ou importados disponíveis no mercado, ao emitir o Certificado
de Aprovação (CA). O fornecimento ou a comercialização de EPI sem o
CA é considerado crime, de modo que comerciante e empregador ficam
sujeitos às penalidades previstas em lei (BRASIL, 2017; SILVA JUNIOR,
2004).
No âmbito do Estado de São Paulo, a Lei nº 14.466/2011 determina que todos os
profissionais de saúde ficam proibidos de circular fora do ambiente de trabalho vestindo EPI
com os quais trabalham, tais como jalecos e aventais (SÃO PAULO, 2011).
Ao se analisar o ambiente de um laboratório da área de química, por exemplo, enfatizam-se
os seguintes EPI: avental, óculos de segurança, luvas e proteção respiratória (RIO GRANDE
DO SUL, 2000).

 Avental

 Óculos de segurança

 Luvas

 Proteção respiratória
O avental deve ser confeccionado em tecido de algodão tratado (queima mais devagar) para
proteger o trabalhador dos respingos da substância manipulada no laboratório, mas é
ineficaz em exposições extremamente acentuadas, incêndios ou grandes derramamentos.
Outras especificações desta indumentária compreendem: (1) comprimento até os joelhos e
mangas compridas com fechamento em velcro, (2) fechamento da vestimenta com botões e
(3) não possuir abertura lateral nem bolso, para não haver acúmulo de poeira ou outros
resíduos (GAVETTI, 2013).
---
É pertinente registrar que, no portal do Ministério do Trabalho e Emprego, podem ser
consultados os Certificados de Aprovação para os diferentes EPI, como luvas, protetores
facial e auricular, respirador e purificador de ar, óculos e vestimenta do tipo jaleco ou
avental (BRASIL, 2016). Clique aqui para realizar a busca.
Os óculos de segurança devem ser utilizados por todo profissional que trabalha em
laboratório ou depósitos de reagentes ou resíduos químicos. Deve possuir leveza, conforto,
tratamentos antirrisco e antiembaçante, proteção lateral e cordão de segurança fixo
(GAVETTI, 2013).

As luvas constituem-se um dos equipamentos mais importantes, pois protegem as partes do


corpo com maior risco de exposição: as mãos. Há vários tipos de luvas e sua utilização deve
proceder de acordo com o produto a ser manuseado. A eficiência das luvas é medida através
de três parâmetros:

1. Degradação: mudança em alguma das características físicas da luva.


2. Permeação: velocidade com que uma substância permeia através da luva.
3. Tempo de resistência: tempo decorrido entre o contato inicial com o lado externo da
luva e a ocorrência do produto químico no seu interior (FCFFP-USP, 2016).

O Quadros 1 e 2 apresentam o tipo de luva indicado em relação à categoria de composto


químico manipulado.
A proteção respiratória tem a função de evitar que o trabalhador inale vapores orgânicos,
névoas, partículas ou fumos metálicos. Deve estar sempre higienizada e os filtros saturados
precisam ser substituídos. Se utilizados de forma inadequada, os respiradores tornam-se
desconfortáveis e podem transformar-se numa verdadeira fonte de contaminação. Este
equipamento deve ser inserido em saco plástico e armazenado em local seco e limpo. O
respirador é usado apenas quando as medidas de proteção coletiva não existem, não podem
ser implantadas ou são insuficientes, em casos como: acidentes, limpeza de almoxarifados
de produtos químicos e operações nas quais não seja possível a utilização de sistemas
exaustores ou capela (GAVETTI, 2013). Em caso de incêndio, principalmente envolvendo
compostos que liberam gases tóxicos, é necessário o uso de uma máscara de oxigênio
independente do ar ambiente.
Princípio de incêndio: prevenção e
combate
1. Fogo
Resultado da reação química de oxidação (portanto, exotérmica ¹) de um material
combustível, liberando calor, luz e produtos (fumaça, gases e/ou vapores).
Exemplos:
a) Combustão completa do etanol:
CH3-CH2-OH + 3O2 → 2CO2 + 3H2O

Etanol + oxigênio → dióxido de carbono + água.


b) Combustão do hidrogênio:
2H2 + O2 → 2H2O
Hidrogênio + oxigênio → água
A combustão completa ocorre quando existe oxigênio suficiente para consumir todo
combustível (FOGAÇA, 2012).
A combustão se dá de forma incompleta quando não há oxigênio suficiente para consumir
todo o combustível. No caso de compostos orgânicos que possuem apenas carbono e
hidrogênio (hidrocarbonetos) ou carbono, hidrogênio e oxigênio, os produtos da combustão
incompleta podem ser monóxido de carbono (CO), que é tóxico, e água, ou carbono
elementar (C) e água (FOGAÇA, 2012). Mais informações aqui.
¹ Uma reação exotérmica é uma reação química cuja energia é transferida de um meio
interior para o meio exterior, aquecendo, assim, o ambiente. Ou seja, ocorre liberação
de calor.

Combustão Completa e Incompleta


No cotidiano, as reações de combustão são muito importantes, pois é por meio delas
que é possível produzir calor (isto é, a energia térmica, que é utilizada para várias
finalidades).
Quanto aos hidrocarbonetos, compostos constituídos de carbono e hidrogênio, eles
têm uma facilidade muito grande para serem queimados (consumidos) em reações
desse tipo. Essa queima é muito importante para a sociedade. Por exemplo: os
combustíveis como gasolina, etanol e óleo diesel sofrem uma combustão ou queima
dentro dos motores, e a energia liberada nessa reação é que faz os automóveis se
moverem.
Além disso, é por meio de reações de combustão que os derivados do petróleo são
transformados em produtos como plásticos, tintas, corantes, explosivos, etc.
Podemos definir como reação de combustão toda reação que tem um
combustível, isto é, um composto que é consumido e produz energia térmica; e
um comburente, que na maioria das vezes é o oxigênio presente no ar.
No entanto, dependendo da quantidade de gás oxigênio disponível, a combustão
pode ser completa ou incompleta. Vejamos o que diferencia as duas:
 Combustão completa
A combustão completa ocorre quando existe oxigênio suficiente para consumir
todo combustível. No caso de compostos feitos de carbono e hidrogênio
(hidrocarbonetos); e de carbono, hidrogênio e oxigênio (como álcoois, cetonas,
aldeídos, ácidos carboxílicos, etc.), os produtos são o dióxido de carbono (gás
carbônico – CO2) e a água.
Para citar um exemplo de hidrocarboneto, temos o metano (CH4), que é o principal
constituinte do combustível biogás, e que também está presente no gás natural de
petróleo. Observe como ocorre a sua combustão de modo completo:
CH4(g) + 2 O2(g) → CO2(g) + 2 H2O(g) + calor
Outro exemplo que temos é o do gás butano que entra em combustão, por exemplo,
quando acendemos um isqueiro comum. A faísca provoca a reação do butano com o
oxigênio do ar, resultando em sua chama característica:
2 C4H10(g) + 13 O2(g) → 8 CO2(g) + 10 H2O(g) + calor
Outra forma de descobrir se a reação de combustão é completa é por meio do Nox
(número de oxidação) do carbono, pois todas as reações de combustão são de
oxirredução, sendo que o combustível sofre oxidação e o comburente sofre redução,
conforme mostrado a seguir:

Observe que no CO2 formado, o carbono apresenta o seu Nox máximo (+4). Quando
isso ocorre, quer dizer que todo combustível foi consumido e, portanto, é uma reação
de combustão completa.
 Combustão incompleta:
A combustão se dá de forma incompleta quando não houver oxigênio suficiente
para consumir todo o combustível. No caso dos compostos orgânicos que
estamos considerando, os produtos da combustão incompleta podem ser
monóxido de carbono (CO) e água; ou carbono elementar (C) e água.
Por exemplo, nos automóveis, a combustão deve ser completa, pois se for
incompleta gera o monóxido de carbono, que é extremamente tóxico. Em vários
lugares, pessoas já morreram ao inalar esse gás em garagens mal ventiladas.

Veja um exemplo desse tipo de combustão incompleta:


Combustão incompleta do metano: CH4(g) + 3/2 O2(g) → CO(g) + 2 H2O(g)
Combustão incompleta do gás butano: C4H10(g) + 9 O2(g) → 8 CO(g) + 10 H2O(g)
Se a quantidade de gás oxigênio for menor ainda, o produto será o carbono no lugar
do monóxido de carbono. Exemplos:
Combustão incompleta do metano: CH4(g) + O2(g) → C(s) + 2 H2O(g)
Combustão incompleta do gás butano: C4H10(g) + 5 O2(g) → 8 C(g) + 10 H2O(g)
Algumas vezes, essa combustão é tão incompleta que o carbono torna-se visível ao
sair pelo escapamento dos carros, na forma de fuligem (uma fumaça escura,
formada de minúsculas partículas sólidas de carvão).

É por isso que é importante manter o motor bem regulado, para que entre ar
suficiente e a combustão seja completa.
Em algumas fábricas, como a de produção de carvão ou de negro-de-fumo, o
objetivo é exatamente realizar uma reação de combustão incompleta.
Observando o Nox do carbono, vemos que ele não apresenta o seu Nox máximo,
portanto, as combustões abaixo são incompletas:

Resumindo, temos:
2. Incêndio
Trata-se da ocorrência de fogo descontrolado, o que acarreta riscos para seres vivos,
estruturas, equipamentos e, portanto, meio ambiente.

3. Tetraedro do fogo
Para haver fogo, é necessária a combinação de quatro elementos: combustível, comburente,
calor e reação em cadeia.
A reunião desses quatro componentes é chamada de tetraedro do fogo.

 Combustível: algum material ou produto que irá queimar (CARVALHO et al., 2006).
 Comburente: substância que reage com um combustível, provocando a combustão
(MICHAELIS, 2017). Normalmente, é o oxigênio.
 Calor: energia térmica em trânsito de um corpo para outro, devido, unicamente, a uma
diferença de temperatura (UFRGS, 2002a).
 Reação em cadeia: reação química contínua entre o combustível e o comburente, a
qual libera mais calor para a reação e mantém a combustão em um processo sustentável
(CARVALHO et al., 2006).

4. Pontos de fulgor, combustão e ignição


Ponto de fulgor: temperatura mínima na qual a substância começa a liberar seus vapores
inflamáveis.
Retirada da chama → fogo se apaga, pois não há quantidade suficiente de calor para
produzir vapores ou gases suficientes e manter o fogo. O processo não se sustenta por muito
tempo, pois não há quantidade suficiente de vapores ou gases, tampouco calor, para mantê-
lo.

Ponto de combustão: temperatura mínima em que os gases desprendidos dos


combustíveis, combinados com o oxigênio, ao terem contato com uma fonte de calor, entram
em combustão e continuam a queimar.
Retirada da chama → o fogo não será eliminado, porque a temperatura ainda propicia,
através da degradação do combustível, a geração de vapores ou gases inflamáveis
suficientes para manter o fogo. Cabe ressaltar que, neste ponto, ainda é necessária uma
fonte de energia (calor) para que o processo de queima continue.

Ponto de ignição: temperatura mínima na qual os gases desprendidos dos combustíveis


entram em combustão apenas pelo contato com o oxigênio do ar, independentemente de
qualquer fonte externa de calor.
Gases e vapores aquecidos já são capazes de entrar em combustão.

Temperatura: ponto de ignição > ponto de combustão > ponto de fulgor.

5. Transmissão de calor
A transmissão de calor pode ocorrer mediante fenômenos de condução, convecção e
irradiação.
Condução: o calor é transportado da região de maior temperatura para a região de menor
temperatura, através do contato físico direto. Neste fenômeno, não há deslocamento
apreciável das moléculas.

Convecção: transferência de calor através de um fluido, que ocorre devido ao movimento


do próprio fluido (qualquer material que possa escoar). As moléculas aquecidas se chocam
umas com as outras, tornando o fluido menos denso (portanto, mais leve) e sobem,
distribuindo o calor pelo ambiente (CARVALHO et al., 2006).
Em outras palavras, a convecção é o processo de transmissão de calor no qual a energia
térmica se propaga através do transporte de matéria, devido a uma diferença de densidade e
a ação da gravidade. Tal processo ocorre somente com os fluidos, isto é, com os líquidos e
com os gases, pois na convecção térmica há transporte de matéria (UFRGS, 2002b).

Irradiação: transferência de calor dá-se através de ondas eletromagnéticas.


A irradiação é o processo mais importante de propagação de calor, pois é através dele que o
calor do Sol chega até a Terra. Sem esse processo não haveria vida na Terra (UFRGS,
2002c).

6. Classes de incêndio

Exemplos e características
Fogo envolvendo materiais combustíveis sólidos, tais como
madeiras, tecidos, papéis, borrachas, plásticos termoestáveis e outras fibras orgânicas, que
queimam em superfície e profundidade, deixando resíduos.
Fogo envolvendo líquidos e/ou gases inflamáveis ou combustíveis, plásticos e graxas que se
liquefazem por ação do calor e queimam somente em superfície. Queimam somente em
superfície e não deixam resíduos após a queima.

Equipamentos elétricos energizados: televisores, componentes elétricos, computadores e


eletroeletrônicos energizados. São caracterizados pela presença de energia elétrica e
oferecem grande risco no processo sua extinção.

Fogo em metais pirofóricos, tais como magnésio, titânio, zircônio, sódio, potássio e lítio.

Fogo em óleos vegetais e gorduras. Mais informações aqui.

7. Métodos de extinção do fogo


Resfriamento: é a extinção do fogo mediante remoção do calor do combustível, diminuindo
a taxa de evaporação até o fogo cessar (MATTOS; MÁSCULO, 2011).
Abafamento: consiste na interrupção do fornecimento do comburente da reação. Podem ser
utilizados inúmeros agentes extintores para este fim, como areia, terra, cobertores, vapor
d’água, espumas, pós, gases especiais, entre outros (FLORES; ORNELAS; DIAS, 2016). O
material utilizado para extinção do fogo dependerá, evidentemente, daquilo que estiver
queimando.---
Isolamento: é a retirada do material combustível que ainda não queimou ou sua separação
do combustível que ainda está queimando. Dessa forma, sem combustível, a combustão se
encerrará por falta do que consumir (FLORES; ORNELAS; DIAS, 2016).
Quebra da reação em cadeira: corresponde à introdução de substâncias que inibem a
capacidade reativa do comburente com o combustível, interrompendo-se a reação e, assim,
eliminando fogo (FLORES; ORNELAS; DIAS, 2016).
8. Tipos de extintor (água, pó químico seco e
gás carbônico)

Ação primária e secundária de cada agente extintor: água - resfriamento e abafamento; pó


químico seco (PQS) - quebra da reação em cadeia e abafamento; gás carbônico -
abafamento e resfriamento (MAUS, 2006).
Para combater princípio de incêndio de Classe C, embora os extintores de PQS sejam
eficientes, o extintor de CO2 é o mais adequado, pois este não deixa resíduos que podem
danificar permanentemente os equipamentos elétricos.
O operador deve segurar a mangueira do extintor de CO2 pelo punho, nunca pelo
difusor, a fim de que o profissional em questão não sofra queimaduras (devido à
baixa temperatura do CO2 que é liberado). A estrutura do extintor de CO2 está
apresentada na figura abaixo:

9. Tipos de extintor (ABC, classe D e classe K)


10. Manuseio do extintor
11. Acesso facilitado aos extintores
Além da disponibilidade dos extintores e de pessoas treinadas e capazes de manuseá-los, é
obviamente fundamental que tais equipamentos estejam em locais acessíveis, pois
precisarão ser acionados em situações de emergência (segundos são cruciais nestes
momentos).

12. Como se livrar das chamas


Ao perceber que sua roupa está pegando fogo, não saia correndo!

13. Mais informações


Clique no título para abrir o documento.
Instituto de Química da Universidade de São Paulo, Campus São
Carlos - Brigada de Incêndio.
Prefeitura Municipal de São Paulo - Prevenção e combate a
incêndios.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) - Manual de
segurança contra incêndio em estabelecimentos assistenciais de
saúde.
Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal - Manual básico
de combate a incêndio. Módulo 1 - Comportamento do fogo.

14. Referências
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12693: Sistemas de proteção por
extintores de incêndio. Publicada em 13 set. 2013.
CARVALHO, R. V. T. G.; ROSA, L. M. ; SILVA, M. G.; BARROS, F. C. ; BRAGA, G. C. B. ;
ARAÚJO, A. A. ; LANDIM, H. R. O. ; SOUZA JÚNIOR, D. V ; MALAQUIAS, V. S. L. ; CAMPOS,
A. T. ; PEREIRA, S. L. ; SPOTORNO, M. Q. ; PEREIRA, K. M. G. ; VALDEZ, R. F. C. C. ;
RAMALHO, M. D. ; ALVES, K. R. B. ; RIBEIRO, G. B. ; SILVA, E. J. ; LISBOA NETO, J. P. ;
SALAZAR, H. F. Manual básico de combate a incêndio. Módulo 1 - Comportamento do
fogo. Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. Brasília, 2006. Disponível em:
<http://www.bombeiros.rr.gov.br/down/DEIOP/INCENDIO/MCI_Mod1_Comportamento_do_f
ogo.pdf>. Acesso em: 12 out. 2017.
DIÁRIO DO NORDESTE. Venda de extintores tem aumento de até 340%. Publicado em:
04 fev. 2013. Disponível em:
<http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/cidade/venda-de-extintores-tem-
aumento-de-ate-340-1.114613>. Acesso em: 22 out. 2017.
EXTINCÊNDIO. Conheça as classes de fogo e agentes dos extintores, 2004. Disponível
em: <www.extincendio.net/saibamais.php>. Acesso em: 22 out. 2017.
FLORES, B. C.; ORNELAS, E. A.; DIAS, L. E. Fundamentos de combate a incêndio.
Manual de bombeiros. Estado de Goiás. Corpo de Bombeiros Militar. Goiânia, 2016.
Disponível em: <http://www.bombeiros.go.gov.br/wp-content/uploads/2015/12/cbmgo-
1aedicao-20160921.pdf>. Acesso em: 22 out. 2017.
FOGAÇA, J. R. V. Combustão completa e incompleta. Mundo Educação > Química >
Química Orgânica. Publicado em: 15 fev. 2012. Disponível em:
<http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/combustao-completa-incompleta.htm>.
Acesso em: 28 out. 2017.
MATTOS, U. A. O.; MÁSCULO, F. S. Higiene e Segurança do Trabalho. Associação
Brasileira de Engenharia de Produção. Campus - ABEPRO. Elsevier Editora. Rio de Janeiro,
2011.
MAUS, A. Informativo Técnico (IT nº 002/DAT/CBMSC). Sistema preventivo por
extintores definição do agente extintor.Estado de Santa Catarina. Secretaria da
Segurança Pública e Defesa do Cidadão. Corpo de Bombeiros Militar. Diretoria de Atividades
Técnicas - DAT. Florianópolis, 2006. Disponível em:
<www.cbm.sc.gov.br/dat/arquivos/Info%20Tec%20002%20-%20Agente%20Extintor.pdf>.
Acesso em: 28 out. 2017.
MICHAELIS - Dicionário Brasileiro de Língua Portuguesa. Comburente. Editora
Melhoramentos, 2017. Disponível em:
<http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=comburente>. Acesso em: 28
out. 2017.
PROTEGE. Extintor de incêndio para cozinhas. São Paulo, 2006b. Disponível em:
<http://www.protege.ind.br/download/Ficha%20tecnica%20Classe%20K.pdf>. Acesso em:
20 out. 2017.
PROTEGE. Extintores de incêndio para metais pirofóricos. São Paulo, 2006a. Disponível
em: <http://www.protege.ind.br/download/Ficha%20tecnica%20Classe%20D.pdf>. Acesso
em: 20 out. 2017.
PROTEGE. Extintores Pó ABC. São Paulo, 2009. Disponível em:
<http://www.protege.ind.br/subProdutos.php?titulo=Produtos&titulo_esquerdo=Categorias&
CategoriaID=3 >. Acesso em: 20 out. 2017.
RESIL. Ficha técnica - extintor pó ABC - 4kg, 2016. Disponível em:
<www.resil.com.br/datafiles/uploads/ficha-tecnica-4kilos.pdf>. Acesso em: 22 out. 2017.
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Classes de incêndio. Porto Alegre,
2014. Disponível:
<http://www.ufrgs.br/espmat/disciplinas/geotri2014/modulo3/bombeiros/classes.htm>.
Acesso em: 28 out.2017.
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Convecção. Instituto de Física. Porto
Alegre, 2002b. Disponível:
<http://www.if.ufrgs.br/mpef/mef008/mef008_02/Beatriz/conveccao.htm>. Acesso em: 28
out.2017.
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Irradiação. Instituto de Física. Porto
Alegre, 2002c. Disponível:
<http://www.if.ufrgs.br/mpef/mef008/mef008_02/Beatriz/conveccao.htm>. Acesso em: 28
out.2017.
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O que é calor? Instituto de Física.
Porto Alegre, 2002a. Disponível:
<www.if.ufrgs.br/mpef/mef008/mef008_02/Beatriz/calor.htm>. Acesso em: 28 out.2017.
Como interpretar as informações sobre
produtos químicos?
1. Introdução
Neste espaço, nós discutiremos o Diagrama ou Diamante de Hommel, as classes de risco
para transporte e, com mais ênfase, o Sistema Global Harmonizado de Classificação e
Rotulagem de Produtos Químicos (GHS - Globally Harmonized System of Classification and
Labeling of Chemicals).
2. Diagrama ou Diamante de Hommel

Trata-se de uma comunicação de risco criada e adotada pela National Fire Protection
Association (Associação Nacional para Proteção contra Incêndios), dos Estados Unidos da
América. O Diamante ou Diagrama de Hommel é mundialmente conhecido pelo código NFPA
704.
Constitui-se um sistema que classifica a severidade de exposição aguda a um produto
químico, durante situações de emergência (por exemplo, incêndio e derramamento)
(RIBEIRO, 2017).
Não deve ser aplicado para:

 transporte,
 exposição ocupacional não emergencial e
 exposição crônica (RIBEIRO, 2017).

2.1. Qualificação e quantificação do risco


O quadrilátero possui quatro cores (azul, vermelho, branco e amarelo), associadas a um tipo
de risco.
A graduação do risco, nas áreas azul, vermelha e amarela, dá-se de 0 a 4. A cor branca
refere-se a riscos específicos, conforme figura abaixo:

Ponto de fulgor: é a menor temperatura na qual um líquido combustível ou inflamável


desprende vapores em quantidade suficiente para, misturado com o ar, logo acima de
sua superfície, propague uma chama a partir de uma fonte de ignição. Os vapores
liberados a essa temperatura não são, no entanto, suficientes para dar continuidade a
combustão. A pressão atmosférica influi diretamente nesta determinação (CETESB,
2004).
2.2. Exemplos
2.3. Não deve ser utilizado para rotulagem!
2.4. Onde encontrar as informações?

https://cameochemicals.noaa.gov/search/simple
Inserir nome (em Inglês), número CAS (sem traços) ou número ONU da substância.
Clique nos termos para encontrar as respectivas informações sobre a substância de
interesse. Entenda aqui como fazer a busca.
Não sabe o que é número CAS? Clique aqui.
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3. Simbologia, classificação e identificação -


transporte de produtos perigosos
No Brasil, o transporte de cargas perigosas, incluindo produtos, materiais e resíduos, é
regulamentado pela Resolução Nº 5232, de 14 de dezembro de 2016, da Agência Nacional
de Transportes Terrestres (ANTT) (BRASIL, 2016).
A referida Resolução aprova as Instruções Complementares ao Regulamento Terrestre do
Transporte de Produtos Perigosos, e dá outras providências (BRASIL, 2016).
Além disso, está em consonância com o Orange Book, que trata das principais
recomendações da Organização das Nações Unidas (ONU) para esse tipo de transporte
(BRASIL, 2016).
3.1. Classes de risco
As classes de risco são representadas por números utilizados internacionalmente para
identificar o risco da carga transportada (IBAMA, 2015) e estão apresentadas abaixo:
3.2. Onde encontrar as informações?
4. GHS

O GHS* é um sistema que define e classifica os perigos dos produtos químicos. Além disso,
estabelece elementos de comunicação desses perigos e das precauções nos rótulos e nas
fichas de informações de segurança de produtos químicos. Uma equipe internacional de
especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) é responsável pelo desenvolvimento
e atualização do GHS (GUERRA; O'DOWD, 2013).
O documento oficial e norteador do GHS é o Purple Book (Livro Púrpura), cuja versão mais
recente foi lançada em 2017, relativa à sua sétima revisão (CHEMSAFETY, 2017).
* GHS - Sistema Global Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos
Químicos (Globally Harmonized System of Classification and Labeling of Chemicals )
4.1. Enquadramento

O GHS aplica-se a substâncias puras, soluções diluídas e misturas (RIBEIRO, 2017).


Não se aplica a medicamentos para seres humanos, medicamentos veterinários, produtos
cosméticos e de higiene pessoal, dispositivos médicos (com produtos químicos), gêneros
alimentícios, aditivos alimentares e substâncias ou materiais radioativos (RIBEIRO, 2017).

4.2. Rotulagem de produtos químicos

A rotulagem dos produtos químicos deve obedecer à Norma Brasileira (NBR) 14725-3/2017,
da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e está em concordância e harmonia
com o GHS.
A legislação relacionada à obrigatoriedade de cumprimento da mencionada Norma encontra-
se abaixo:

 Decreto Nº 2.657, de 3 de julho de 1998 - Promulga a Convenção nº 170 da Organização


Internacional do Trabalho (OIT), relativa à segurança na utilização de produtos químicos
no trabalho, assinada em Genebra, em 25 de junho de 1990.
 Norma Regulamentadora Nº 26 (Ministério do Trabalho e Emprego) - Sinalização de
Segurança. 26.2.1 O produto químico utilizado no local de trabalho deve ser classificado
quanto aos perigos para a segurança e a saúde dos trabalhadores de acordo com os
critérios estabelecidos pelo Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e
Rotulagem de Produtos Químicos (GHS), da Organização das Nações Unidas. 26.2.1.2 A
classificação de substâncias perigosas deve ser baseada em lista de classificação
harmonizada ou com a realização de ensaios exigidos pelo processo de
classificação. 26.2.1.3 Os aspectos relativos à classificação devem atender ao disposto
em norma técnica oficial vigente.

A ABNT NBR 14725-3/2017 está em consonância com as normas:

 ABNT NBR 14725-1/2009 (versão corrigida – 2010) - Produtos químicos - Informações


sobre segurança, saúde e meio ambiente - Parte 1: Terminologia.
 ABNT NBR 14725-2/2009 (versão corrigida – 2010) - Produtos químicos - Informações
sobre segurança, saúde e meio ambiente - Parte 2: Sistema de classificação de perigo.
 ABNT NBR14725-4/2017 - Produtos químicos - Informações sobre segurança, saúde e
meio ambiente - parte 4: Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos
(FISPQ).
4.3. Pictogramas de perigo
4.4. Prioridades - regras
a) Se o símbolo do crânio com ossos cruzados se aplica, o ponto de exclamação não pode ser
utilizado.

b) Se o símbolo de corrosivo se aplica, o ponto de exclamação não pode ser utilizado quando
for usado para irritação aos olhos e pele.
c) Se o símbolo de perigo à saúde for empregado para sensibilização respiratória, o ponto de
exclamação não pode ser aplicado quando usado para sensibilização à pele ou para irritação
aos olhos e pele.

4.5. Tipos de perigo


Perigos físicos

 Explosivos
 Gases inflamáveis
 Aerossóis
 Gases oxidantes (gases comburentes)
 Gases sob pressão
 Líquidos inflamáveis
 Sólidos inflamáveis
 Substâncias e misturas autorreativas
 Líquidos pirofóricos
 Sólidos pirofóricos
 Substâncias e misturas sujeitas a autoaquecimento
 Substâncias e misturas que, em contato com a água, emitem gases inflamáveis
 Líquidos oxidantes
 Sólidos oxidantes
 Peróxidos orgânicos
 Corrosivo para os metais

Perigos à saúde

 Toxicidade aguda - oral


 Toxicidade aguda - dérmica
 Toxicidade aguda - inalação
 Corrosão/irritação à pele
 Lesões oculares graves/irritação ocular
 Sensibilização respiratória
 Sensibilização à pele
 Mutagenicidade em células germinativas
 Carcinogenicidade
 Toxicidade à reprodução
 Toxicidade para órgãos-alvo específicos - exposição única
 Toxicidade para órgãos-alvo específicos - exposição repetida
 Perigo por aspiração
 Perigoso à camada de ozônio

Perigos ao meio ambiente

 Perigoso ao ambiente aquático - agudo


 Perigoso ao ambiente aquático - crônico
 Perigoso à camada de ozônio

4.6. Frases e palavras


4.7. Exemplos de pictogramas de precaução
Pictogramas utilizados pela Comunidade Europeia
Pictogramas utilizados pela Agência Sul-Africana de Normalização

4.8. Orientações para rotulagem - recipientes sem a


informação de transporte
Apresenta-se aqui um modelo de rótulo para recipientes sem a informação de transporte
(como frascos contidos em caixas). No caso, o produto consiste numa mistura das
substâncias butanona e xilenos.

Exemplo de rótulo:

4.9. Orientações para rotulagem - recipientes utilizados


em transporte externo
Apresenta-se aqui um modelo de rótulo para recipientes de transporte externo (por exemplo,
caixas e tambores). No caso, o produto consiste numa mistura das substâncias butanona e
xilenos.
Exemplo de rótulo:

4.10. Onde encontrar as informações?


5. Referências
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 14725-3: Produtos químicos -
Informações sobre segurança, saúde e meio ambiente. Parte 3: Rotulagem.
Publicada em: 14 jun. 2017.
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 7503 - Transporte terrestre de
produtos perigosos - Ficha de emergência e envelope para o transporte -
Características, dimensões e preenchimento. Publicada em: 18 ago. 2017.
BRASIL. Agência Nacional de Transportes Terrestres. Resolução nº 5232, de 14 de
dezembro de 2016. Aprova as Instruções Complementares ao Regulamento
Terrestre do Transporte de Produtos Perigosos, e dá outras providências. Disponível
em: <http://portal.antt.gov.br/index.php/content/view/50082/Resolucao_n__5232.html>.
Acesso em: 30 set. 2017.
CAMEO CHEMICALS. ACETONE. Chemical Datasheet, 2010. Disponível em:
<https://cameochemicals.noaa.gov/chemical/8>. Acesso em: 30 set. 2017.
CAMEO CHEMICALS. PICRIC ACID, [DRY]. Chemical Datasheet, 2010. Disponível em:
<https://cameochemicals.noaa.gov/chemical/14423>. Acesso em: 30 set. 2017.
CAMEO CHEMICALS. HYDROGEN CYANIDE, ANHYDROUS, STABILIZED (ABSORBED).
Chemical Datasheet, 2010. Disponível em:
<https://cameochemicals.noaa.gov/chemical/3614>. Acesso em: 30 set. 2017.
CAMEO CHEMICALS. POTASSIUM. Chemical Datasheet, 2010. Disponível em:
<https://cameochemicals.noaa.gov/chemical/4289>. Acesso em: 30 set. 2017.
CAMEO CHEMICALS. SULFURIC ACID. Chemical Datasheet, 2010. Disponível em:
<https://cameochemicals.noaa.gov/chemical/5193>. Acesso em: 30 set. 2017.
CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Help - Riscos ao fogo. Publicado
em: 12 jan. 2004. Disponível em:
<http://sistemasinter.cetesb.sp.gov.br/produtos/RISCO_HELP.htm>. Acesso em: 30 set.
2017.
CHEMSAFETY. UN GHS Purple Book, 2017. Disponível em:
<www.chemsafetypro.com/Topics/GHS/UN_GHS_Purple_Book.html>. Acesso em: 30 set.
2017.
ECHA - European Chemicals Agency. Butanone - Brief Profile. Atualizado em: 16 nov.
2017. Disponível em: <https://echa.europa.eu/brief-profile/-/briefprofile/100.001.054>.
Acesso em: 30 set. 2017.
ECHA - European Chemicals Agency. Xylene - Brief Profile. Atualizado em: 16 nov. 2017.
Disponível em: <https://echa.europa.eu/brief-profile/-/briefprofile/100.014.124>. Acesso
em: 30 set. 2017.
GUERRA, P.; O'DOWD, S. Programa de apoio ao aprofundamento do processo de
integração econômica e desenvolvimento sustentável do MERCOSUL. Cooperação
União Europeia – Mercosul. Convênio de Financiamento N° DCI – ALA/2009/19707.
Rivendell International. Montevidéu, 2013. Disponível em:
<http://www.mma.gov.br/publicacoes/seguranca-quimica/category/146-
ghs?download=994:relatorio-final--campanha-de-capacitacao-e-difusao-do-
ghs&usg=AFQjCNFC9xnks5c3Mxyv7jeOWt0-qdl3zw>. Acesso em: 11 set. 2017.
IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis. Relatório de Acidentes Ambientais 2014. Emergência Ambiental. Brasília,
2015. Disponível em:
<www.ibama.gov.br/phocadownload/emergenciasambientais/relatorios/2014-ibama-
relatorio-acidentes-ambientais.pdf>. Acesso em: 30 set. 2017.
RIBEIRO, M. G. Sistemas de Classificação de Produtos Químicos. FUNDACENTRO -
Fundação Jorge Duprat e Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho. São Paulo, 2017.
SIIPP - Sistema Integrado de Informações para Atendimento de Ocorrências no Transporte
de Produtos Perigosos. Classificação dos produtos perigosos. Publicado em: 25 jan.
2007. Disponível em: <http://200.144.30.103/siipp/public/imprime_classificacao.aspx>.
Acesso em: 30 set. 2017.
Ficha de informações de segurança de
produtos químicos - FISPQ

1. Aspectos gerais
A elaboração e o formato da FISPQ são padronizados pela ABNT NBR 14725-4/2014. A
mencionada ficha, que tem caráter multidisciplinar e não confidencial, contempla
procedimentos e medidas de proteção, segurança, saúde e meio ambiente, envolvendo
determinado produto ou mistura.
A FISPQ constitui-se base de informação para confecção dos rótulos e das fichas de
emergência dos produtos químicos.
O documento deve ter numeração das páginas, indicando o número total de páginas ou da
última página. Além disso, precisa informar a data de sua versão mais recente.

2. Estrutura
A distribuição de seu conteúdo deve dar-se em 16 seções, cujas terminologia, numeração e
sequência não devem ser alteradas. Assim sendo, exige-se a seguinte estrutura:

1. Identificação do produto e da empresa


2. Identificação de perigos
3. Composição e informações sobre os ingredientes
4. Medidas de primeiros socorros
5. Medidas de combate a incêndio
6. Medidas de controle para derramamento ou vazamento
7. Manuseio e armazenamento
8. Controle de exposição e proteção individual
9. Propriedades físico-químicas
10. Estabilidade e reatividade
11. Informações toxicológicas
12. Informações ecológicas
13. Considerações sobre tratamento e disposição
14. Informações sobre transporte
15. Regulamentações
16. Outras informações

Exceto na seção 16, não é permitido que haja itens em branco.


A seguir, apresenta-se a configuração detalhada da FISPQ.

3. Detalhamento
Apresentando minuciosamente a FISPQ, esta possui o formato descrito abaixo:
1. Identificação/Identificação do produto e da empresa
- Nome do produto (nome comercial), conforme rótulo.
- Código de identificação (quando existente).
- Nome da empresa.
- Endereço e telefone de contato da empresa.
- Telefone para emergências.
- FAX/e-mail da empresa.
- Alguns dos principais usos recomendados
2. Identificação de perigos
- Classes e categorias/subcategorias de perigo (ABNT NBR 14725-2) e elementos
apropriados de rotulagem.
- Outros perigos que não resultem em classificação.
Elementos de comunicação dos perigos (elementos apropriados de rotulagem):
Palavras de advertência (perigo ou cuidado/atenção)
Pictogramas (conforme GHS)
Frases de perigo (perigos físicos, à saúde, ao meio ambiente)
Exemplos: H221: Gás inflamável. H315: provoca irritação cutânea. H401: tóxico para
organismos aquáticos.
Frases de precaução (geral, prevenção, resposta a emergências, armazenamento e
disposição)
Veja um exemplo desta seção 2 aqui.
3. Composição e informações sobre os ingredientes
- Informar se o produto é substância ou mistura de substâncias

 Substâncias:

Nome químico comum ou técnico e, quando aplicável, sinônimos


Nº CAS
Impurezas/aditivos que contribuam para o perigo, com Nº CAS

 Misturas:

Nome químico ou comum dos componentes perigosos - alternativamente, podem ser inclusos
os não classificados como perigosos.
Nº CAS
Concentração em ordem decrescente (ou faixa de concentração) de ingredientes ou
impurezas que contribuam para o perigo acima dos valores de corte ou que possuam limites
de exposição.
4. Medidas de primeiros socorros
- Instruções/recomendações básicas
- Inalação; contato com pele; contato com olhos; ingestão
- Sintomas e efeitos mais importantes
- Notas para o médico
5. Medidas de combate a incêndio
- Meios de extinção
- Perigos específicos
- Medidas de proteção da equipe de combate a incêndio
6. Medidas de controle para derramamento ou vazamento
- Precações pessoais, equipamentos de proteção individual e procedimentos de emergência
- Precauções ao meio ambiente
- Métodos e materiais para contenção e limpeza
7. Manuseio e armazenamento
- Precauções para manuseio seguro.
- Condições de armazenamento seguro, incluindo incompatibilidades.
8. Controle de exposição e proteção individual
- Parâmetros de controle (limites ambientais e biológicos)
- Medidas de controle de engenharia
- Medidas de proteção individual
9. Propriedades físicas e químicas
- Aspecto, odor, limite de odor, pH, ponto de fusão/ponto de congelamento, ponto de
ebulição inicial e faixa de temperatura de ebulição, ponto de fulgor, taxa de evaporação,
inflamabilidade, limites de inflamabilidade ou explosividade, pressão de vapor, densidade
de vapor, densidade relativa, solubilidade, coeficiente de partição octanol/água, temperatura
de autoignição, temperatura de decomposição, viscosidade.
10. Estabilidade e reatividade
- Reatividade
- Estabilidade química
- Possibilidade de reações perigosas
- Condições a serem evitadas
- Materiais incompatíveis
- Produtos perigosos de decomposição
11. Informações toxicológicas
- Toxicidade aguda; corrosão/irritação à pele; lesões oculares graves/irritação ocular;
sensibilização respiratória ou à pele; mutagenicidade em células germinativas;
carcinogenicidade; toxicidade à reprodução; toxicidade para órgãos-alvo específicos –
exposição única e repetida; perigo por aspiração.
- Vias de exposição; efeitos tardios e imediatos e efeitos crônicos; dados numéricos de
toxicidade; efeitos de interação; outras informações
12. Informações ecológicas
- Ecotoxicidade
- Persistência e degradabilidade
- Potencial bioacumulativo
- Mobilidade no solo
- Outros efeitos adversos
13. Considerações sobre destinação final
Esta seção deve informar os métodos recomendados para tratamento e disposição segura e
ambientalmente aprovados.
Estes métodos de tratamento e disposição (por exemplo, coprocessamento, incineração etc.)
devem ser aplicados ao produto, restos de produtos e embalagens usadas.
Deve ser chamada a atenção do usuário para a possível existência de regulamentações locais
para tratamento e disposição.
14. Informações sobre transporte
- Número ONU
- Nome apropriado para embarque
- Classe/subclasse de risco
- Numero de risco
- Grupo de embalagem
- Perigos ao ambiente
- Medidas/condições específicas de precaução
* Terrestre (ANTT), hidroviário (código IMDG, DPC do Ministério da Marinha, ANTAQ), aéreo
(ANAC, ICAO, IATA, DAC do ministério da aeronáutica)
15. Informações sobre regulamentações
Regulamentações específicas para o produto químico
16. Outras informações
Informações importantes, mas não especificamente descritas às seções anteriores
Referências bibliográficas
Legendas e abreviaturas

4. Obrigações
Vale ressaltar que o fornecedor do produto tem obrigação de disponibilizar a FISPQ
atualizada e completa ao usuário. Este, por sua vez, deve adotar as medidas de precaução
no ambiente laboral, analisar criticamente a FISPQ e treinar e capacitar os trabalhadores que
manuseiam e/ou gerenciam produtos químicos.

5. Referências
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 14725-4: Produtos químicos —
Informações sobre segurança, saúde e meio ambiente. Parte 4: Ficha de
informações de segurança de produtos químicos (FISPQ). Publicada em: 19 nov.
2014.
RIBEIRO, M. G. Sistemas de Classificação de Produtos Químicos. FUNDACENTRO -
Fundação Jorge Duprat e Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho. São Paulo, 2017.
VENTURA, F. F. ABNT NBR 14725 - partes 3 e 4. FUNDACENTRO - Fundação Jorge Duprat
e Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho. São Paulo, 2017.