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Projecto de Monografia

Índice
Introdução.............................................................................................................................................3

Apresentação do Tema do Estudo ........................................................................................................4

Apresentação e definição do problema ................................................................................................4

Revisão da Literatura ...........................................................................................................................9

O Solos e a sua origem .........................................................................................................................9

Cimento ..............................................................................................................................................10

Solo-cimento ......................................................................................................................................11

Produto de Solo-cimento ....................................................................................................................12

Relação solo-cimento .........................................................................................................................12

Bloco de solo-cimento sem função estrutural ....................................................................................14

Especificações ....................................................................................................................................14

Condições gerais de materiais ............................................................................................................14

Classificação dos blocos de solo-cimento sem função estrutural ......................................................14

Metodologia do Trabalho ...................................................................................................................17

Tipo de Pesquisa.................................................................................................................................17

Quanto à Natureza da pesquisa ..........................................................................................................17

Quanto aos procedimentos técnicos ...................................................................................................18

Determinação do Limite de Plasticidade ............................................................................................19

Aparelhagem ......................................................................................................................................19

Execução do ensaio ............................................................................................................................19

Amostra preparada com secagem prévia ............................................................................................19

Determinação do Limite de Liquidez dos solos .................................................................................20

Aparelhagem ......................................................................................................................................20

Execução do Ensaio ...........................................................................................................................20

Preparação da amostra ........................................................................................................................20

Análise granulométrica ......................................................................................................................21

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Aparelhagem ......................................................................................................................................21

Preparação da Amostra.......................................................................................................................22

Execução do Ensaio ...........................................................................................................................22

Determinação da resistência à compressão e da absorção de água ....................................................23

Resultados esperados..........................................................................................................................25

Caracterização do solo .......................................................................................................................25

Limite de Plasticidade ........................................................................................................................25

Limite de liquidez...............................................................................................................................25

Absorção de água ...............................................................................................................................25

Resistência à compressão ...................................................................................................................26

Cronograma de Actividades ...............................................................................................................27

Orçamento ..........................................................................................................................................28

Referencias Bibliográficas ................................................................. Error! Bookmark not defined.

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1. Introdução
Os solos são um dos elementos mais importantes no sector da construção, quer quando no seu estado
natural, em fundações ou escavações, quer quando utilizados como material de construção.

O engenheiro civil aspira a que as suas estruturas sejam construídas sobre fundações com solos
estáveis. É, no entanto, frequente, encontrar solos naturais sem os requisitos necessários para cumprir
adequadamente a função a que estão destinados.

Solo-cimento é um material endurecido resultante da mistura homogênea e compactada de solo,


cimento e água, em proporções adequadas obtidas de ensaios específicos ou determinadas pela
experiência local. O produto assim obtido apresenta boas características quanto à resistência à
compressão, durabilidade e impermeabilidade, além de baixa retração volumétrica, quando
submetido à cura adequada.

Segundo MARTINS, (2011), os blocos de solo-cimento desde logo despertam alguma curiosidade.
Habitualmente os blocos correntes são assentes com argamassa, na junta horizontal e vertical, existem
aqueles que dispensam de argamassa na junta vertical, no caso deste bloco em estudo dispensa a junta
vertical e necessita da junta a horizontal com uma quantidade menor de argamassa, tirando situações
particulares que serão apresentadas ao longo do trabalho, como são o caso dos reforços. Com a
escassez de habitação condigna em muitas zonas do Moçambique, essencialmente em países em vias
de desenvolvimento, a aplicação de blocos de Solo-Cimento, é frequente. Apesar de parecer
antiquado face a sistemas tecnologicamente mais avançados de países desenvolvidos, que usam
outros materiais, este é um dos sistemas avançados no que diz respeito à construção em terra.

Segundo LIMA, (2009), A utilização de blocos de solo-cimento é considerado um método construtivo


mais barato do que o convencional (bloco cerâmico ou de betão), visto que uma das matérias-primas
é abundante (o solo) e as edificações podem ser erguidas com certa facilidade por regime de mutirão.
A sua aplicação é vista como benéfica às famílias de baixa renda que sonham com a casa própria
melhorando a qualidade da moradia com efetiva redução dos custos, pois as famílias podem fabricar
seus blocos e erguer sua própria casa, fazendo assim, um resgate de cidadania pessoal e da própria
comunidade.

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Apresentação do Tema do Estudo


A presente pesquisa debruça-se sobre o tema, Proposta de Bloco de solo-cimento, uma proposta de
um estudo de bloco com características bioclimáticas: multi-caso.

Neste estudo procura-se implementar a produção de um tipo de bloco com características


bioclimáticas que criam uma eficiência térmica nas habitações no distrito de Boane. Deste modo o
trabalho focaliza a produção de um bloco de solo-cimento com características bioclimáticas que
contribua para o melhoramento térmico nas habitações e na melhoria da qualidade do próprio bloco
que também terá uma influencia no próprio edifico no tange a qualidade dos edifícios.

A escolha do local de estudo deve-se, ao facto de distrito estar mais próximo da universidade alem
de o autor fazer parte dos residentes do distrito de Boane. Será mais fácil as movimentações dos
elementos de estudo por estes estiverem mais próximo do outro.

Apresentação e definição do problema


Na pesquisa científica, ´´ problema é qualquer questão não solvida e que é objecto de discussão em
qualquer domínio do conhecimento`` (Gil, 1999, p.49).

Neste caso tendo como base a definição acima e as observações constantes sobre a produção de blocos
no distrito de Boane, é possível identificar algumas lacunas no processo de produção que envolvem,
as empresas envolvidas no processo de produção, por não conseguirem produzir blocos que consigam
diminuir a transmitância térmica nos edifícios.

Neste caso, apurou-se que a produção de blocos prescreve o processo de confeção de blocos, o uso
de máquinas e o processo manual. Com isto, verifica-se que a eficiência operativa bem como a
qualidade do bloco bem como o conforto térmico são factores que se colocam em causa, com o uso
de molde atual de blocos. Em outra linguagem pode-se considerar que a produção de blocos de modo
mecanizada assim como manual, é visto como geral tendo em conta que todos produzem quase
mesmo formato que por sua vez não oferece nenhum conforto térmico.

Por outro lado, tem-se o factor qualidade que configura ser um elemento crucial quando se trata de
construção civil, sendo este também colocado em causa porque os produtores de blocos optam apenas
por quantidade, esquecendo a qualidade. Olhando para o próprio bloco, não apresenta nenhuma
característica bioclimática e estes não minimizam a dessipação térmica dentro do edifico.

No entanto, torna-se necessário a adopção de um bloco mais eficiente e que ofereça mais qualidade,
e com características bioclimáticas que vai minimizar o conforto térmico nas habitações dos

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residentes do distrito de Boane. Diante destes factos, levanta-se a seguinte questão de pesquisa: até
que o bloco de solo-cimento pode melhorar a dissipação das cargas térmicas nas habitações dos
residentes do distrito de Boane?

Contextualização do Tema e Delimitação do Tema


A preocupação com o conforto térmico na Construção civil não é recente, as tendências
arquitectônicas actuais se preocupam bastante com essa questão, visando não só a integração com o
meio ambiente e a diminuição da poluição, mas também a economia e o melhor aproveitamento dos
recursos naturais durante a construção e em toda a vida útil do imóvel.

Em busca de soluções inteligentes para sociedade, que integra o homem ao meio ambiente, arquitecto
e engenheiros se esforçam em aplicar o conforto térmico de maneira mais eficaz os sistemas
construtivos que temos hoje e desenvolvem tecnologias para aprimorar o uso de recursos naturais.

Este trabalho científico apresentara as seguintes delimitações de estudo:

 Delimitação Contextual; e

 Delimitação Espacial.

Delimitação contextual
A pesquisa limitar-se-á no âmbito de monografia, no contexto da produção de bloco de solo-cimento
com características bioclimáticas.

Delimitação Espacial
A pesquisa terá como abrangência o distrito de Boane. O distrito de Boane está localizado a sudeste
da Província de Maputo, sendo limitado a norte pelo Distrito de Moamba, e a Sul e Este pelo Distrito
da Namaacha, e a Oeste pela Cidade da Cidade da Matola e pelo Distrito de Matutuine.

Boane foi elevado à categoria de Distrito da 1ª classe em Abril de 1987 pelo decreto-lei nº 8/87 e a
sua Sede, localizada a 30 km da cidade de Maputo foi elevada a Vila pela resolução nº 9/87 de 25 de
Abril do Conselho de Ministros, (PDBPM, 2005).

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Fig. 1: Mapa de Localização da área de estudo

Fonte: Google Earth, 2018

Dentro de distrito de Boane, irei trabalhar com quatro bairros diferentes nomeadamente: Belo
Horizonte que é o ponto A, Chinonaquila que é o ponto B, Bairro novo na vila de Boane, e Radio
Marconi como monstra o mapa abaixo.

A relevância do tema
A escolha do tema no âmbito pessoal, surgiu mediante ao facto de ser a área de formação académica
e profissional do autor, tendo assim a vontade de criar um bloco capaz de reduzir as transmitâncias
térmica nas habitações e como forma de desenvolver capacidades intelectuais em materiais de
construção e na de sustentabilidade térmica no concerne a construção civil.

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Sendo um tema que exige do estudante a materialização dos conhecimentos teóricos e práticos,
adquiridos nas disciplinas de Materiais de Construção, Mecânica dos Solos, Geotecnia, Construção
Sustentável e em outras disciplinas de licenciatura em Engenharia Civil, sob o âmbito académico.

Do ponto de vista social ou institucional, o tema foi escolhido como resposta à vontade de auxiliar
aos residentes de Boane e quaisquer outros usuários de blocos no âmbito de construção de construção
civil, desta feita terá benefícios satisfatórios pois este bloco, irá responder os objectivos da instituição
no que diz respeito a área de investigação científica e inovação e do outro lado irá responder as
necessidades dos residentes do Distrito de Boane que farão o uso deste bloco dia pós dia.

Verifica-se que os residentes de Boane usam mais blocos de betão, tijolos cerâmicos, blocos de solo-
cimento e outros materiais construtivos, mas por sua vez estes materiais não têm capacidade de
fornecer o conforto térmico no interior de habitações.

Deste modo, existe uma enorme necessidade de implementação de blocos com características
bioclimáticas nas habitações, seguros e de qualidade capaz de manter o interior do edifício a uma
temperatura ambiente.

A utilização de solo-cimento, em forma de blocos ou tijolos prensados, constitui-se em uma


alternativa bastante interessante, uma vez que possibilita a racionalização de recursos, a diminuição
dos custos e o aproveitamento de mão-de-obra, SANTOS, (2012).

A produção blocos de solo-cimento com características bioclimáticas não será necessário o uso de
combustível para a sua produção e dispensará a queima, não provocando agressões ao meio ambiente.
Como não exigem mão-de-obra especializada para sua produção, são indicados para construção em
regime de ajuda-mútua. Estes elementos, após pequeno período de cura, irão garantir resistência à
compressão simples similar à dos tijolos cerâmicos de vedação, sendo a resistência tanto mais elevada
quanto maior for a quantidade de cimento e a energia de compactação empregadas. Deve-se limitar a
quantidade de cimento a um teor ótimo que confira ao bloco curado a necessária qualidade sem
aumento do custo de fabricação.

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Objectivos

Objectivo Geral
 Produzir blocos bioclimáticos de solo-cimento com solos argilosos e arenosos, utilizando
modo manual.

Objectivos específicos
 Analisar as características do solo do Distrito de Boane, por meio de ensaios de análise
granulométrica, Limites de Atteberg;
 Criar um molde de bloco que satisfaça as condições bioclimáticas; e
 Testar as características do bloco produzido, por meio de ensaio de resistência à compressão
e absorção de água;

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2. Revisão da Literatura

O Solos e a sua origem


O significado da palavra solo é variado dependendo da ciência que o estuda, sendo assim, composto
de três fases: a sólida, composta por minerais na forma de grãos e matéria orgânica quando presente;
a líquida, composta basicamente por água e a gasosa, composta pelo ar e vapores presentes em seus
poros.

Segundo (LIMA, 2006), solo é uma coleção de corpos naturais o qual possui três fases: uma sólida,
uma líquida e uma gasosa, onde forma a maior parte do manto superficial das extensões continentais.
Ele pode ser vegetado e conter matérias vivas, podendo também ser modificado pela ação humana.
Os solos são meio porosos, formados na superfície terrestre através de processos intempéricos
resultantes de fenômenos biológicos, geológicos, pedológicos e hidrológicos. Estes diferem das
rochas intemperadas por conterem estratificação aproximadamente vertical, provenientes da ação da
água de percolação e dos organismos vivos em que, do ponto de vista químico, eles podem ser
considerados sistemas biogeoquímicos, multifásicos, abertos, contendo sólidos, líquidos e gases.

Segundo (GRANDE, 2003), os solos podem ser definidos por um conjunto de partículas solidas
provenientes de desagradação de rochas por ações físicas e químicas, com água ou outros líquidos e
ar, ou ainda ambos, em seus espaços intermediários. Na Agronomia é a camada superficial da Terra
arável possuidora de vida microbiana. Para a Geologia, é o produto do intemperismo das rochas. O
solo para Engenharia Civil é a mistura natural de diversos minerais que podem ser separados por
processos mecânicos simples. Sendo então compreendido como todo material que pode ser escavado
com uma pá, por exemplo, sem o emprego de técnicas especiais, como explosivos.

Tendo em conta a explicação dos parágrafos anteriores, que o solo é formado pela desagregação de
rochas. Rochas são agregadas de minerais e, esses agregados de minerais está ligado por intensas
forças coesivas e permanentes.

A formação dos solos segundo (GRANDE, 2003), é causada por factores como agentes atmosféricos,
agua, variocoes de temperaturas e decomposições químicas, que continuamente atacam a superfície
terrestre. Esses agentes transformam as rochas em solo. O intemperismo domina todo conjunto de
processo desagregação de rochas, mesmo assim, há subdivisões nesse conceito que permitem
aprofundar o conhecimento sobre a origem dos solos, (AZAMBUJA, 2012).

É importante ressaltar que existem dois tipos de intemperismo sendo que o primeiro que é, o
intemperismo físico pode ser entendido como aquele que não altera a constituição química dos

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minerais da rocha de origem, enquanto o intemperismo químico é aquele que ocorre por substancias
orgânicas ou inorgânicas dissolvidas na agua proveniente das precipitações e infiltrações. Quanto ao
intemperismo diz-se ainda que em regiões de clima tropical, no caso do nosso país (Moçambique), o
intemperismo químico predomina em relação ao intemperismo físico, tendo em conta que há nessa
regiões grande ocorrência de precipitação, facto que contribui para a realização da decomposição
química.

Cimento Portland
Os aditivos minerais já eram conhecidos desde antes de Cristo pelos etruscos, gregos e romanos, com
estes materiais, então chamados de pozolânicos, construíram muitas de suas obras, algumas das quais
perduraram até os nossos dias como é descrito por (LIMA, 2006).

O cimento Portland foi criado por um construtor inglês, Joseph Aspdin, que o patenteou em 1824.
Nessa época, era comum na Inglaterra fazer construções com a pedra da ilha de Portland, situada no
sul desse país. Como o resultado da invenção de Aspdin se assemelhava à cor e à dureza desta pedra,
registrou esse nome em sua patente (ABCP, 2002). Este é o motivo pelo qual o cimento é chamado
cimento Portland, a denominação convencionada mundialmente para o material usualmente
conhecido na construção civil como cimento. A ABCP (2002) diz que o cimento Portland é um pó
fino com propriedades aglomerantes, aglutinantes ou ligantes e endurece sob ação da água. Depois
de endurecido, mesmo que seja novamente submetido à ação da água, o cimento. Portland não se
decompõe mais. Por sua vez, LOPES (2002) relata que o cimento Portland é uma substância alcalina,
composta, em sua maior parte, de silicatos e aluminatos de cálcio que, por hidrólise, dão origem a
compostos cristalinos hidratados e gel.

O cimento é tecnicamente definido como um aglomerante hidráulica obtido pela moagem do clinquer,
com adicao de gesso e outras substancias que determinam o tipo de cimento. O clinquer é o resultado
da mistura de calcário, argila e, em menir proporção, minério de ferro submetida a um processo
chamado clinquerização.

No solo-cimento, assim como nos betões e argamassas, a natureza do cimento deve ser considerada
para a proposta de desenvolvimento de pesquisas que visam melhorar o desempenho desse material.
Segundo (GRANDE, 2003), as diferentes composições do cimento conduzem a comportamentos
distintos da mistura de solo-cimento, principalmente nos que se referem à fissuração por retração.

Várias pesquisas demonstram evolução acerca da composição dos cimentos e suas implicações na
estabilização de solos. Segundo MILLER & AZAD, (2000), estudaram a influência de cimento

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Portland de alto-forno como estabilizadores de solos e notaram incrementos de resistência mecânica


à compressão e reduções do indice de plasticidade em solos argilosos, o que comprava a eficiência e
o potencial de utilização de alternativas tecnológicas na composição de cimentos.

Solo-cimento
As primeiras tentativas para uso do solo-cimento como um material de construção civil, durável e
econômico, ocorreram em Sarasota na Flórida (EUA), em 1915, por um construtor que fez a
pavimentação de uma rua com uma mistura de areia de praia, conchas e cimento, mas, pela falta de
tecnologia na época essas e outras experiências se tornaram inválidas.

Uma das razões do insucesso da estabilização de solos foi o uso de solos problemáticos e de baixa
qualidade. Desta forma, o uso da estabilização não conseguiu evitar um aumento da deterioração dos
pavimentos, acarretando uma mudança de conceito com relação à melhoria dos materiais que até
então não eram aceitos na construção de estradas, segundo FERREIRA (2003). Com isto, ocorre
novamente uma volta às pesquisas de estabilização de solos utilizando cimento. Assim, depois de
alguns experimentos determina-se uma técnica, utilizada nos dias atuais para a estabilização de solos;
por conseguinte, ela teria duas fases definidas: a primeira, baseada na descoberta da relação entre a
umidade e a massa específica do solo na compactação feita por Proctor e a segunda, que estabelece
as bases teóricas para o conhecimento científico dos processos de estabilização elaborada por
Hogentogler.

O uso do solo-cimento para fabricação de tijolos vem sendo pesquisado há muito tempo, constituindo
um dos elementos principais da construção com solo, daí a necessidade de se conhecer os materiais
utilizados, principalmente o solo, que deve ser física e mecanicamente caracterizado, estudando a
resistência à compressão simples do material solo-cimento, determinada experimentalmente em
corpos-de-prova, tijolos e painéis de alvenaria, analisando-se também a deformabilidade, disse
(LIMA, 2003). As qualidades dos produtos e técnicas construtivas são atestadas, principalmente, pelo
bom estado de conservação em que estas casas se encontram. O mesmo autor relata que, foi construído
o famoso Hospital Adriano Jorge, do Serviço Nacional de Tuberculose, em Manaus, edifício com
10.800m2, ainda em funcionamento e em bom estado de conservação. A partir desta data, o uso do
solo-cimento foi consideravelmente ampliado devido às vantagens técnicas e econômicas que o
material oferece.

O solo-cimento só foi amplamente aplicado em moradias por volta de 1978, quando o antigo BNH
(Banco Nacional da Habitação) aprovou a técnica para construções de habitações populares. Na
época, estudos feitos pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) e pelo

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CEPED (Centro de Pesquisas e Desenvolvimento) comprovaram que, além do bom desempenho


Termo acústico, o solo-cimento aplicado em construções levava a uma redução de custos de 20% a
40% comparando-se com a alvenaria tradicional de tijolos de barro ou cerâmica segundo
FIQUEROLA (2004).

Vários autores consideram que o seu uso foi ampliado, devido às vantagens técnicas e econômicas
oferecidas, tal como o baixo custo, pois utiliza-se material do próprio local da obra reduzindo o gasto
com transporte. Desta forma, o próprio dono da obra pode fazer seus tijolos para a construção de sua
casa, barateando também o custo da mão-de-obra, que hoje é um dos maiores encarecedores em uma
construção.

Produto de Solo-cimento
As propriedades mecânicas dos solos, de maneira geral, apresentam melhorias quando eles são
misturados com cimento e submetidos a processos de compactação. Existem, porém, limitações ao
uso de determinados solos, geralmente vinculadas a trabalhabilidade e ao consumo de cimento. Os
limites de consistência: LL – limite de liquidez e LP – limite de plasticidade, são as variáveis que
melhor expressam as condições de trabalhabilidade.

O solo-cimento é o produto resultante da mistura íntima de solo, cimento Portland e água que,
compactados ao teor ótimo de umidade e sob a máxima densidade em proporções previamente
estabelecidas, adquire resistência e durabilidade através das reações de hidratação do cimento,
formando uma mistura homogénea ao receber um pouco de água, GRANDE (2003).

A mistura solo-cimento resulta num material parecido com uma farofa que depois de compactado e
curado, torna-se mais rígido, menos permeável, formando um conjunto de estrutura densa,
representando um produto de massa específica superior a dos componentes dos solos puros, que lhe
dá maior resistência e impermeabilidade, ocorrendo uma diminuição ou anulação quase total do
índice de plasticidade e da expansão volumétrica em relação ao solo original, (SENÇO, 2001). O
solo-cimento é tido como uma evolução dos materiais de construção comparado com a taipa de pilão,
o adobe e o pau-a-pique. Estas obras são à base do aglomerante natural, podendo ter alguma adição;
no entanto, substitui-se por um aglomerante artificial de qualidades uniformes e conhecidas que foi o
cimento.

Relação solo-cimento
A adição de pequenas quantidades de cimento, semelhante ao solo melhorado por cal, tem a
propriedade de baixar o valor do índice de plasticidade, pelo aumento do valor do limite de

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plasticidade e diminuição do limite de liquidez; diminuir as mudanças de volume e inchamento do


solo e aumentar a capacidade de suporte do solo.

A escolha do teor de cimento mínimo, capaz de assegurar a estabilidade necessária e de garantir à


mistura a permanência de suas características, é, antes de tudo, uma imposição do critério de
economia relata. É importante ressaltar que solos da mesma série e horizonte de textura similar
requerem a mesma quantidade de cimento para se estabilizarem, (LOPES 2002). Pode se dizer que
solos de boa qualidade podem adquirir uma resistência elevada, com baixos teores de cimento, mas
na verdade qualquer material que apresente bons resultados nos ensaios específicos para as misturas
pode ser utilizado para fazer a confeção do solo-cimento.

Os mecanismos pelos quais a mistura de solo com cimento se torna um material estável são muito
complexos. Por isto foram criadas várias hipóteses para descrição do mecanismo, baseada na natureza
dos compostos finais e nas diferentes fases de hidratação do cimento e sobre sua ação na
microestrutura do solo. Segundo (LOPES 2002), os solos arenosos podem reagir de maneira diversa
com o cimento, dependendo da sua composição e propriedades químicas particulares. Solos contendo
impurezas orgânicas não são indicados, pois inibem a hidratação do cimento, tolerando-se, no entanto,
um teor máximo de 2% de matéria orgânica.

SEGANTINI (2000) diz que quanto à granulometria, os solos arenosos são considerados os mais
adequados. A existência de grãos de areia grossa e pedregulhos são benéficos, já que são materiais
inertes e têm apenas a função de enchimento. Isso favorece a liberação de quantidades maiores de
cimento para aglomerarem os grãos menores. Os solos devem ter, porém, um teor mínimo da fração
fina, pois a resistência inicial do solo-cimento deve-se à coesão da fração fina compactada. Os solos
granulares estabilizam-se pela cimentação nos pontos de contato entre os agregados que os compõem.
A estrutura cimentada do solo-cimento forma-se por um processo similar ao do concreto; nesta
estrutura, a pasta não ocupa todos os vazios pela pequena quantidade de cimento e água empregada,
dando a ela uma menor resistência quando comparada ao concreto, por ter um maior número de vazios
e menor densidade.

Segundo CARDOSO et al. (2002), os solos mais apropriados para a produção de solo-cimento são as
argilas arenosas com teor de areia entre 45% e 50%. No entanto, os solos argilosos com presença de
matéria orgânica, que apresentam normalmente coloração cinza escuro ou preta, não podem ser
utilizados. Uma grande vantagem da utilização de solo-cimento é o uso do solo extraído do próprio
local da obra como matéria-prima, dispensando o gasto com transporte.

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Bloco de solo-cimento sem função estrutural


Especificações
Segundo a NM 93:2009, bloco de solo-cimento é a componente para alvenaria de secção transversal
útil entre 40٪ e 80٪ da secção transversal total, constituído por uma mistura homogénea, compactada
e endurecida de solo, cimento Portland, água e eventualmente aditivos, em porções que permitam
atender as exigências da norma mencionada acima.

Secção transversal total é a área total transversal compreendida pelo contorno externo do bloco.

Secção transversal útil é a área total, descontada á área máxima dos furos.

Condições gerais de materiais


O cimento Portland deve atender, conforme tipo empregado, as NBR 5732, NBR 5733, NBR 5736,
ou NBR 11578.

Não devem ser utilizados solos que contenham matéria orgânica, pois esta pode perturbar a hidratação
do cimento. Embora existam solos que sozinhos não podem ser utilizados no processo, há
possibilidade de se misturar dois ou mais solos para obtenção de um solo viável que venha a
estabilizar-se e possa ser usado como solo-cimento. O solo antes de ser misturado com o cimento,
deve estar seco, isento de matéria orgânica, e peneirado numa peneira com malha de 4,8mm. Em caso
de não dispor de uma peneira de malha especificada (4,8mm).

A água deve estar isenta de substâncias nocivas à hidratação do cimento

O solo é o elemento que entra em maior proporção na mistura, devendo ser selecionado de modo que
permita o uso da menor quantidade possível de cimento. De maneira geral, os solos mais adequados
para a fabricação de tijolos de solo-cimento são os que possuem as seguintes características:

 % Passando na peneira ABNT 4,2mm (nº 4) - 100%


 % Passando na peneira ABNT 0,075mm (nº 200) - 10 a 50%
 Limite de Liquidez - ≤ 45%
 Índice de Plasticidade - ≤ 12%

Classificação dos blocos de solo-cimento sem função estrutural


Segundo a NM 95:2009, os blocos vazados de solo-cimento podem ser classificadas em:

 Blocos comuns; e
 Blocos especiais.

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Blocos comuns são aqueles que possuem a forma externa de um paralelepípedo retangular sendo a
sua largura tem a dimensão menor aresta da face perpendicular ao eixo dos furos, a altura do bloco
tem a aresta paralela ao eixo dos furos, o seu comprimento tem a maior dimensão da aresta da face
perpendicular ao eixo dos furos e a espessura do não é necessariamente que todas tenham a mesma
dimensão.

Os blocos comuns devem ter as dimensões nominais indicadas na tabela a baixo, sujeitas às
tolerâncias indicadas na NM 93.

Tabela 1 – Dimensões de blocos vazados

Tipo Dimensões Nominais


Largura (L) Altura (H) Comprimento (C)
(mm) (mm) (mm)
A 90 140 390/190
B 140 140 390/190
C 140 140 390/190
Fonte: NM 95, 2009

Blocos especiais são aqueles que podem ser fabricados com formas e dimensões diferentes das dos
blocos comuns.

A proposta do bloco em estudo pode ser classificada como um bloco especial, porque apresenta
dimensões diferentes das outras referidas na NM 95:2009 conforme indica a tabela abaixo, e apresenta
um formato diferente do bloco comum, ver imagens abaixo.

Tabela 2 – Dimensões do bloco em estudo

Dimensões Nominais
Largura (L) Altura (H) Comprimento (C)
(mm) (mm) (mm)
200 200 400
Fonte: Autor, 2018

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Fig. 1: Proposta do bloco a ser estudado. Fig. 2: Alçado frontal do bloco

Fonte: Autor, 2018 Fonte: Autor, 2018

Fig. 3: Alçado lateral

Fonte: Autor, 2018

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3. Metodologia do Trabalho
Este capítulo é reservado á apresentação de procedimentos metodológicos que tornarão possível a
elaboração da presente pesquisa, tendo como inicio a revisão de literatura até à recolha de dados sobre
o tema em análise.

A metodologia deve ser escrita de modo claro e detalhado, para que o leitor seja capaz de reproduzir,
se necessário, o aspecto essencial do estudo (NEVES & DOMINGUES, 2007).

Os princípios que possibilitam o alcance dos objectivos de qualquer pesquisa científica constituem
uma bússola na concretização do mesmo. Entre tanto, Markoni & Lakatos (2003) afirmam que, o
método define como os objectivos propostos na pesquisa científica serão alcançados, traçando o
caminho que devera ser seguido, detectando possíveis erros e auxiliando as decisões do pesquisador.

Tipo de Pesquisa
Para ZIKMUND (2000), os estudos exploratórios, geralmente, são úteis para diagnosticar situações,
explorar alternativas ou descobrir novas idéias. Tendo em conta que a proposta do bloco que será
estudado é umas das alternativas encontradas para resolver o problema de cargas térmicas nas
habitações do distrito de Boane. Segundo OLIVEIRA (2011), pesquisa exploratórios enquadram-se
na categoria dos estudos exploratórios todos aqueles que buscam descobrir idéias e intuições, na
tentativa de adquirir maior familiaridade com o fenômeno pesquisado.

A produção do bloco de solo-cimento com características bioclimáticas surge como uma nova ideia
para o autor, visto é um bloco que apresenta características diferentes dos blocos convecionais embora
tenha as mesmas dimensões.

Quanto à Natureza da pesquisa


Daí que a presente pesquisa é classificada como aplicada, pois tem como objectivo através da
aplicação prática gerar informações que poderão ser úteis para a solução da problemática deste estudo
e sustentado por VERGARA (2004), é fundamentalmente motivado pela necessidade de resolver
problemas concretos, mais imediatos, ou não.
A pesquisa aplicada caracteriza-se por seu interesse prático, isto é, que os resultados sejam aplicados
ou utilizado imediatamente, na solução de problemas que ocorrem na realidade sustentado por

Tendo em conta a tese do autor, a pesquisa visa aplicar os conhecimentos sobre os solos dos bairros
acima mencionados e descobrir até que ponto estes solos poderão ter influência na qualidade de
blocos produzidos a partir destes solos. Tendo a consciência da marginalização das povoações nos

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Projecto de Monografia

vários processos no qual tem direito, incluindo a gestão dos resíduos sólidos urbanos, surge a
iniciativa de um debate teórico com vista alertar os governantes a traçar mecanismos que conduzirão
a minimização do fenómeno em causa.

Quanto aos procedimentos técnicos


No concernente a procedimentos técnicos, a pesquisa será elaborada com recurso a fontes
bibliográficas e documentais e com recurso a internet.

A pesquisa bibliografia é desenvolvida com base em material já elaborada, constituído principalmente


de livros e artigos científicos, (Gil, 2009).

Para tal, a sua concretização, centrara-se na revisão bibliográfica, que consistirá na selecção de obras
com conteúdo que abordam sobre o tema em causa, a exploração de conteúdos em alguns sites da
internet.

Irá se usar a pesquisa experimental, tendo como objecto de estudo o solo-cimento e o bloco produzido
para poder avaliar o desempenho do bloco e as características do próprio solo usado na produção de
bloco.

Na pesquisa experimental o investigador analisa o problema, constrói suas hipóteses e trabalha


manipulando os possíveis factores, as variáveis, que se referem ao fenómeno observado, para avaliar
como se dão suas relações preditas pelas hipóteses (Köche, 2011).

Neste tipo de pesquisa a manipulação na quantidade e qualidade das variáveis proporciona o estudo
da relação entre as causas e efeitos de um determinado fenómeno, podendo o investigador controlar
e avaliar os resultados dessas relações.

Na caracterização dos solos teremos três tipos de ensaio a saber:

 Ensaio de Plasticidade; e
 Ensaio de limites de Liquidez.
 Ensaio de Analise Granulométrica;

Nas resistências mecânicas far-se-á dois ensaios a saber:

 Resistência à compressão; e
 O Ensaio de Absorção de água.

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Projecto de Monografia

Determinação do Limite de Plasticidade


Segundo as Normas NBR 7180:1984 e NM 32:2007, a determinação do limite de Plasticidade tem
como objectivo prescrever o método para sua determinação.

Tomando como base as normas acima citadas para a execução deste ensaio temos como aparelhos de
ensaio os seguintes:

Aparelhagem
i. Estufa capaz de manter a temperatura de 105 a 110ºC;
ii. Espátula de lâmina flexível;
iii. Balança que permita pesar nominalmente 200g, com uma resolução de 0.01g;
iv. Recipientes adequados, que evita a perda de humidade da amostra;
v. Placa de vidro de superfície esmerilhada;
vi. Capsula de porcelana com aproximadamente 120mm de diâmetro.

Execução do ensaio
Amostra preparada com secagem prévia
Colocar a amostra na capsula de porcelana, adicionar agua destilada em pequenos incrementos,
amassando e revolvendo, vigorosa e continuamente, com auxílio da espátula, de forma a obter uma
pasta homogenia, de consistência plástica.

O tempo total de homogeneização deve estar compreendidos entre 15 a 30 min, sendo o maior
intervalo de tempo para solos argilosos.

Tomar cerca de 10g da amostra assim preparada e formar uma pequena bola, que deve ser rolado
sobre a placa de vidro com pressão suficiente da palma da mão para lhe dar a forma de cilindro.

Se a amostra se fragmentar antes de atingir o diâmetro de 3mm, retorná-la à cápsula de porcelana,


adicionar água destilada, homogeneizar durante pelo menos 3mm, amassando e revolvendo vigorosa
e continuamente com auxilio da espátula e repetir o procedimento descrito na alínea c).

Se a amostra atingir o diâmetro de 3mm sem se fragmentar, amassar o material e repetir o


procedimento descrito na alínea c).

Ao se fragmentar o cilindro, com diâmetro de 3mm de e comprimento da ordem de 100mm, transferir


imediatamente as partes do mesmo para um recipiente adequado, para determinação da humidade
conforme a NM 29.

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Projecto de Monografia

Repetir as operações das alíneas a) a f) de modo a obter pelo menos três valores de humidade.

Determinação do Limite de Liquidez dos solos


Segundo as Normas NBR 7180:1984 e NM 32:2007, a determinação do limite de Plasticidade tem
como objectivo prescrever o método para sua determinação.

Aparelhagem
i. Estufa capaz de manter a temperatura de 105 a 110ºC;
ii. Cápsula de Porcelana com aproximadamente 120mm de diâmetro;
iii. Espátula de lâmina flexível
iv. Concha de Casa Grande com as dimensões indicadas na norma NM 31: 2007;
v. Riscador ou Cinzel com dimensões indicadas na NM 31: 2007;
vi. Recipientes adequados que evitem a perda de humidade da amostra;
vii. Balança que permita pesar nominalmente 200g, com uma resolução de 0.01g;
viii. Gabarito para verificação da altura de queda de concha

Antes de começar a execução de ensaio tem que se ter em conta verificação das características do
aparelho da concha de Casa Grande, verificar a massa do conjunto concha mas guia do excêntrico,
verificar se o excêntrico possui uma forma tal que durante os últimos 3 mm o movimento do mesmo
não provoque variações na altura da concha, em relação a base.

Execução do Ensaio
Preparação da amostra
Tomar metade da quantidade de amostra preparada de acordo com a NM 29.

No caso desse ensaio a amostra será preparada com a secagem prévia.

Colocar a amostra na cápsula de porcelana, adicionar água destilada em pequenos incrementos,


amassando e revolvendo, vigorosa e continuamente com auxílio da espátula, de forma a obter uma
pasta homogénea, com consistência tal que sejam necessários cerca de 35 golpes para fechar a
ranhura;

O tempo de homogeneização deve estar compreendido entre 15 a 30 minutos, sendo o maior intervalo
de tempo para solos mais argilosos;

Transferir parte da mistura para a concha, moldando-a de forma que na parte central a espessura seja
da ordem de 10 mm;

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Projecto de Monografia

Realizar esta operação de maneira que não fiquem bolhas de ar no interior da mistura.

Retornar o excesso de solo para a cápsula;

Dividir a massa de solo em duas partes, passando o riscador ou cinzel através da mesma de maneira
a abrir uma ranhura em sua parte central;

Realocar cuidadosamente a concha no aparelho e golpeá-la contra base, deixando-a cair em queda
livre, girando a manivela a razão de duas voltas por segundo. Anotar o número de golpes necessários
para que as bordas inferiores da ranhura se unam ao longo de 13 mm de comprimento,
aproximadamente;

Transferir, imediatamente, uma pequena quantidade do material de junto das bordas que se uniram
para um recipiente adequado para determinação de humidade, conforme descrito na NM 29,

Transferir o restante da massa para a cápsula da porcelana. Lavar e enxugar a concha e o riscador.

Adicionar água destilada á amostra e homogeneizar durante pelo menos 3 minutos, amassando e
revolvendo vigorosa e continuamente com auxílio da espátula;

Repetir as operações descritas de c) a i), obtendo o segundo ponto do ensaio;

a) Repetir as operações j) e c) a i) de modo a obter pelo menos mais três pontos de ensaio
cobrindo o intervalo de 35 a 15 golpes.

Análise granulométrica
Segundo a NM 33:2007 o método para análise granulométrica de solos, é realizada por peneiramento
ou por uma combinação de sedimentação e peneiramento.

Aparelhagem
1. Estufa capaz de manter a temperatura entre 60ºC e 65ºC e entre 105ºC e 110ºC;
2. Balancas que permitam pesar nominalmente 200g, 1.5g, 5kg e 10kg, com resoluções de 0.01g,
0.1g, 0.5g e 1g, respectivamente;
3. Recipientes adequados, que permitam guardarem amostras sem variação de humidade
4. Cronometro;
5. Termómetro graduado em 0.1ºC, de 0ºC a 50ºC;
6. Peneiras descritas na norma NBR 5734;
7. Escova com cerdas metálicas;

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Projecto de Monografia

8. Agitador mecânico de peneiras, com dispositivo para fixação de até seis peneiras inclusive
tampa e fundo.

Preparação da Amostra
Tomar a quantidade de amostra preparada de acordo com a NM 29

Execução do Ensaio
Operações preliminares

Tabela 3 – Determinação do peso da amostra seca ao ar.

Dimensao dos grãos maiores Balança a ser utilizada


Contidos na amostra (mm) Capacidade nominal (kg) Resolução (g)

˃ 25 10 1

4 a 25 5 0.5

˂5 1.5 0.1

Passar este material na peneira de 2.0mm, tomando-se a precaução de desmanchar no almofariz


todos os torrões eventualmente ainda existentes, de modo a assegurar a retenção na peneira
somente dos grão maiores que a abertura da malha.

Lavar a parte retida na peneira de 2.0mm a fim de eliminar o material fino aderente a secar em
estufa a 105ºC a 110ºC, até constância da massa. O material assim obtido é usado no peneiramento
grosso.

Do material passado na peneira de 2.0mm tomar cerca de 120g. Pesar esse material com uma
balança de resolução de 0.01g e anotar como Mh. Tomar ainda cerca de 100g para três
determinações de humidade higroscópica (h), de acordo com a NM 29.

Lavar na peneira de 0.075mm o material assim obtido, vertendo-se água potável à baixa pressão.

Peneiramento fino

Secar o material retido na peneira de 0.075mm em estufa, à temperatura de 105ºC a 110ºC, até a
massa constante, e, utilizando-se agitador mecânico, passar nas peneiras de 1.2, 0.6, 0.42, 0.25,

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Projecto de Monografia

0.15, 0.075 mm. Pesar as massas acumuladas em cada peneira numa balança com resolução de
0.01g.

Peneiramento Grosso

Pesar o material retido na peneira de 2.0mm,com a balança de resolução referidas na tabela 1 e


anotar como Mg.

Utilizando-se o agotador mecânico, passar esse material nas peneiras de 50, 38, 25, 19, 9.5 e 4.8
mm. Pesar as massas acumuladas em cada peneira numa balança com resolução referidas na tabela
3.

Determinação da resistência à compressão e da absorção de água


Este ensaio tem como objectivo determinar a resistência do bloco e a sua capacidade ou percentagem
que bloco tem de absorver a água.

Execução dos ensaios

Resistência à compressão

Segundo a NM 94: 2009, para o ensaio de resistência à compressão tem-se como aparelho do ensaio:

i. Prensa que satisfaça as seguintes condições:


a) Ser provida de dispositivo que assegure distribuição uniforme dos esforços ao provete
ensaio;
b) Permitir a Leitura das cargas aplicadas, com tolerância de medição de 2% para carga
máxima estimada para o ensaio.

Ensaio

As amostras a serem ensaiadas devem ser separados já identificadas que vão constituir os provetes,
conforme a NM 93: 2009.

Cada dimensão de uma face de trabalho é a média dos valores determinados em três posições
diferentes.

No caso de a amostra seja ímpar, a maior quantidade de blocos se destina ao ensaio de compressão.
Em cada um dos blocos da amostra representativa, devem ser verificadas as dimensões indicadas na
NBR 10835, e estas devem atender a tolerância de fabricação de 3mm para cada uma das três
amostras.

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Projecto de Monografia

As dimensões de cada elemento da amostra devem ser medidas com exatidão de 0.5mm. o valor das
dimensões é medida dos valores medidos em três posições diferentes.

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Projecto de Monografia

4. Resultados esperados

Caracterização do solo
Serão realizados as análises que dizem respeito à caracterização do solo dos 3 bairros do distrito de
Boane nomeadamente: Radio Marconi, Bairro novo na Vila de Boane, Belo Horizonte e por fim o
Bairro de Chinonanquila, e serão apresentados os limites de consistência que por sua vez estes podem
influenciar consideravelmente nos resultados no final de produção de blocos de solo-cimento.

Limite de Plasticidade
Segundo a norma NM 32:2007, são considerados satisfatórios os valores de humidade obtidos
quando, de pelo menos três, nenhum deles deve diferir da respetiva media de mais que 5% dessa
média.

O resultado final, media de pelo menos três valores de humidade considerados satisfatórios conforme
o parágrafo acima, deve ser expresso em percentagem, aproximado para inteiro mais próximo.

Limite de liquidez
Segundo a NM 31: 2007, com os resultados obtidos, construir gráfico no qual as ordenadas são
números de golpes e as abcissas são os teores de humidade correspondentes e ajustar uma recta pelos
pontos assim obtidos.

Obter na recta o teor de humidade correspondente a 25 golpes, que é o limite de liquidez do solo.

O resultado obtido no parágrafo anterior deve ser expresso em percentagem, aproximado para o
número inteiro mais próximo.

A análise granulométrica, por peneiramento, será realizada com o intuito de se determinar a


distribuição em tamanho das partículas dos solos em estudo de acordo com as normas em vigor.

Os resultados de análise granulométrica serão apresentados em forma de tabelas e gráficos, e o solo


que será estudado podem ser interpretado de com acordo com a sua composição.

Absorção de água
Para facilitar a percepção, os blocos para este ensaio serão enumerados de 1 a 6 para cada ensaio,
sendo subdivididos em idades dos 3, 7 dias e idade de 28 dias apos a fabricação e devem apresentar
valores menores ou iguais a 20% de media de todos blocos e não devem ter acima de 22% como
valor individual de cada bloco.

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Projecto de Monografia

A absorção de água vai ser estudada e analisada quando da caracterização e definição do desempenho
do bloco. Ressaltar que a caracterização do material e dos componentes construtivos não irà buscar
apenas resultados numéricos ou verificar e adequação as normas e sim a definição do comportamento
de novo compósito e dos blocos de solo-cimento com mesmo.

Depois da pesagem dos blocos, os serão apresentados os pesos em forma de tabelas e serão feitos os
cálculos tanto para absorção individual (formula abaixo) e quanto para a absorção media a partir da
media aritmética das 3 repetições, os resultados serão demostrados em forma do gráfico.

𝑀1 − 𝑀2
𝐴= × 100
𝑀1

M1 = Massa do bloco seca em estufa em g

M2 = Massa do bloco saturado em g

A = Absorção de Agua em percentagem

Resistência à compressão
Quanto aos resultados das resistências à compressão, serão obtidos a partir do rompimento dos blocos
produzidos obtendo-se os valores em MPa. A tensão de ruptura à compressão será encontrada
dividindo a carga de ruptura pela área da secção transversal do bloco. As medidas dos blocos
produzidos serão demonstrados em forma de tabelas para facilitar a percepção.

Os blocos serão ensaiados de acordo com as suas idades, e o tratamento da cura será de 7 e 28 dias.

Os resultados individuais da tensão de ruptura por compressão aos sete dias não podem apresentar
valores abaixo de 1.7 MPa, e a sua média aritmética não podem estar abaixo de 2 MPa.

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Projecto de Monografia

5. Cronograma de Actividades
Meses
Actividadades Outubro Novembro Dezembro Janeiro
1ª 2ª 3ª 4ª 1ª 2ª 3ª 4ª 1ª 2ª 3ª 4ª 1ª 2ª 3ª 4ª
Revisão
x x x X x x x
Bibliográfica
Colheita de
solos nos x
bairros
Realização dos
trabalhos x x x x x
Laboratoriais
Produção dos
x
blocos
Análise e
Discussão dos x x x
resultados
Entrega de
x
Monografia

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Projecto de Monografia

6. Orçamento
Material Qty Preços Total
Lapis 4 15.00 60.00
Caneta 5 10.00 50.00
Borrachas 3 15.00 45.00
Corretor 3 40.00 120.00
Bloco de notas 2 150.00 300.00
Aquisição dos Solos - 1500.00 1500.00
Dispositivo de Armazenamento 1 200.00 200.00
Alimentação 20 140.00 2800.00
Lapiseira 4 120.00 480.00
Impressão 3 5*40 600
Molde de blocos 1 6000.00 6000.00
Aquisição de Normas no INNOQ 6 1960.00 1960.00
Total 14115.00

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Projecto de Monografia

7. Referencias bibliográficas
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Projecto de Monografia

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