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TRIBUNAL SUPERPOR ELEITORAL

ACÓRDÃO

PRESTAÇÃO DE CONTAS N° 877-48.2011.6.00.0000 - CLASSE 25 -


BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL

Relatora: Ministra Maria Thereza de Assis Moura


Requerente: Partido Republicano Progressista (PRP) - Nacional, por seu
Presidente
Advogados: Joelson Costa Dias - OAB: 10.4411DF e outros
Requerente: Ovasco Roma Altimari Resende, Presidente
Requerente: Oswaldo Souza Oliveira, Vice-Presidente
Requerente: Jorge Rosário Aleluia, Vice-Presidente
Reqüerente: Tibelindo Soares Resende, Vice-Presidente
Requerente: Mirley Altimari Resende, Vice-Presidente
Requerente: Ademir de Mattis, Tesoureiro
Requerente: Bruno Altimari Resende de Mattis, Tesoureiro
Advogados: Andreive Ribeiro de Sousa - OAB: 31.0721DF e outros

PARTIDO REPUBLICANO PROGRESSISTA (PRP).


DIRETÓRIO NACIONAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS.
EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2010. APLICAÇÃO
IRREGULAR DE RECURSOS DO FUNDO PARTIDÁRIO.
RECURSOS DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA.
PERCENTUAL ÍNFIMO. APROVAÇÃO COM
RESSALVAS.
A agremiação deve destinar, no mínimo, 5% dos
recursos obtidos do Fundo Partidário para a criação e
manutenção de programas de promoção e difusão da
participação política das mulheres. Caso não o faça,
deverá recolher, no exercício seguinte, 2,5% a mais dos
recursos fixados para esse fim, conforme a redação dada
pela Lei no 12.034/2009, a qual se aplica à espécie, pois
vigente à época dos fatos.
As faturas de agências de turismo que contenham
identificação do número do bilhete aéreo, nome do
passageiro, data e destino da viagem devem ser aceitas
como meios de prova de gastos com passagens aéreas
(PC n° 43, reI. Mm. HENRIQUE NEVES DA SILVA,
DJe de 4.10.2013). Para comprovar despesa com
transporte aéreo, devem ser admitidos todos os meios de
prova possíveis que demonstrem, sem dúvidas razoáveis,
c n1 877-48.2011.6.00.0000/DE 2

a prestação do serviço a que se refere a respectiva


despesa. Precedentes.
3. As inconformidades presentes na prestação de contas
constituem percentual mínimo em relação aos recursos
movimentados pela agremiação, motivo pelo qual se
impõe a aprovação das contas com ressalvas, em
observância aos princípios da proporcionalidade e da
razoabilidade, conforme o entendimento deste Tribunal.
Precedentes.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por


unanimidade, em aprovar, com ressalvas, as contas do Partido Republicano
Progressista (PRP) - Nacional, nos termos do voto da relatora.

Brasília, 26 de abril de 2016.

MINISTRA MARIA THE ASSIS MOURA - RETORA


c n1877-48.2011.6.00.0000IDF 3

RELATÓRIO

A SENHORA MINISTRA MARIA THEREZA DE ASSIS


MOURA: Senhor Presidente, trata-se de prestação de contas anual
apresentada pelo DIRETÓRIO NACIONAL DO PARTIDO REPUBLICANO
PROGRESSISTA (PRP), referente ao exercício financeiro de 2010.

A prestação de contas foi encaminhada para a análise do


órgão técnico desta Corte - a então Coordenadoria de Exame de Contas
Eleitorais e Partidárias (Coepa) -, a qual, em 27.4.2011, requereu a
notificação do PRP para o cumprimento de diligências (Informação
n° 225/201 1-Coepa/SCl, fls. 32-33).

Apresentados documentos pelo partido (fls. 42-75), a Coepa,


por intermédio da Informação n° 400/2011 Secep/Coepa-SCl/TSE (fls. 88-96),
sugeriu fossem cumpridas diligências no prazo de vinte dias.

A sugestão foi deferida por despacho do relator à época,


Ministro GILSON DIPP (fI. 99), e o partido, intimado a cumprir as diligências no
prazo aventado, apresentou os documentos de fls. 102-112.

Em 22.3.2012, o partido requereu vista de seus livros


contábeis. Deferido o pedido (fI. 140), a agremiação devolveu os livros Diário e
Razão em 25.4.2012.

Procedidas medidas de circularização pela unidade técnica,


foram expedidos ofícios, inclusive à Prefeitura de São José do Rio Preto/SP.

Em 6.8.2015, foi juntado aos autos ofício de procedência


daquele Município, em que se consignou que algumas das informações
solicitadas pela unidade técnica deste Tribunal - com o intuito de aferir a
regularidade dos documentos apresentados pelo partido na prestação de
contas -, estavam protegidas por sigilo fiscal (fls. 245-246).

Por intermédio da Informação n° 128/2015 (fls. 250-253), a


unidade técnica requereu então que fosse autorizada por esta Ministra a
quebra do sigilo das informações solicitadas àquela Prefeitura. Tal pedido foi
deferido pela decisão de fls. 345-346.
c n1877-48.2011.6.00.0000/DE 4

Em 21.10.2015, por intermédio do Protocolo n° 18.731/2015, o


partido juntou às fis. 309-344 cópias autenticadas de notas fiscais e
documentos, com o intuito de demonstrar a contratação de empresas
regularmente ativas perante a Prefeitura Municipal de São José do Rio
Preto/SP.

A unidade técnica, então, por meio da Informação n° 173/2015


(fls. 352-377), emitiu um primeiro parecer conclusivo, pelo qual propôs a
desaprovação das contas da agremiação.

Em 1° de fevereiro de 2016, por entender que a unidade


técnica havia apresentado, em seu parecer, novas irregularidades acerca das
quais não havia sido oportunizada a manifestação do partido, determinei sua
intimação para que se manifestasse no prazo de dez dias.

Intimada em 2.2.2016 pelo DJe, a agremiação, em 11.2.2016


(nove dias após a intimação), requereu a dilação de prazo para se manifestar
por mais trinta dias.

Por meio do despacho de fI. 389, publicado no DJe


de 17.2.2016, concedi, todavia, o prazo por três dias, entendendo-o razoável.

Em 18.2.2016, o partido, por meio do Protocolo no 1.368/2016


juntou, às fls. 392-401, esclarecimentos relativos aos pontos citados na
Informação n° 173/2015 da unidade técnica e argumentou que o prazo de três
dias seria insuficiente para apresentar a documentação sobre os pontos
alegados pelo órgão técnico. Reiterou o pedido de dilação de prazo por mais
trinta dias.

Antes que seu pedido fosse apreciado, todavia, a agremiação


peticionou, em 22.2.2016, por meio do Protocolo n° 1.794/2016 (fls. 413-520),
trazendo novos esclarecimentos e juntando documentos.

Conclusos os autos em 24.2.2016, determinei, em 29.2.2016


(fI. 522), a remessa dos autos à Asepa, para que se analisassem os
esclarecimentos e documentos apresentados pelo partido. -L—
c no 877-48.2011 .6.00.0000/DF 5

Em 16.3.2016, aquela unidade, por intermédio da Informação


n° 22/2016, manteve a sugestão de desaprovação das contas e consignou,
in Iitteris (fI. 541, sem grifos no original):

Por oportuno, informa-se que este 20 parecer conclusivo apresentou


irregularidades para as quais já foi dada oportunidade de
manifestação da agremiação, bem como não foram
apresentados fatos novos.

Aberta vista dos autos à Procuradoria-Geral Eleitoral, esta, em


30.3.2016, perfilhou o entendimento da unidade técnica, opinando pela
desaprovação das contas (fls. 557-565).

Em 30.3.2016 (mesmo data em que lavrado o parecer do


MPE), foi juntado aos autos o Protocolo n° 2.696/2016 (fls. 568-573), o qual
continha manifestação do partido acerca de irregularidades constatadas pela
Asepa, bem como juntado um documento (ata de reunião do partido realizada
em 12.2.2010).

Após a referida juntada, proferi decisão (fls. 574-577),


considerando todos os argumentos trazidos pelo partido em sua última petição,
quando então consignei que o esclarecimento dos fatos exigiria apenas provas.
documentais, cuja oportunidade de apresentação fora ofertada ao partido por
diversas vezes.

Determinei a intimação do Ministério Público e da agremiação


para a apresentação de alegações finais, no prazo de três dias, nos termos do
artigo 40 da Resolução-TSE n°23.464/2015.

Em cumprimento ao referido despacho, o Ministério Público


assim se pronunciou, in verbis (fI. 582):

O único documento trazido aos autos pelo Partido Republicano


Progressista, com o objeto de infirmar as conclusões lançadas
na manifestação final do órgão técnico dessa Corte, foi a
mencionada cópia de ata de reunião de seu diretório nacional.
Dela se extrai que, ao final da reunião, todos os presentes foram
convidados a participarem de uma confraternização [ ... ]
Ocorre que a ata em questão atesta que a reunião foi realizada no
dia 10 de fevereiro de 2010, e a nota fiscal emitida pela empresa
SBD Bar e Restaurante Ltda., no valor de R$ 990,19, é datada de
29 de janeiro de 2010 (fI. 73 do anexo 3).
c no 877.48.201 .6.00.0000/DF

Assim, permanece a irregularidade apurada pela ASEPA, pois a


juntada da referida ata de reunião não demonstra a vinculação da
despesa em questão com as finalidades partidárias.
No que tange às demais conclusões lançadas na manifestação da
ASEPA e no parecer do Ministério Público Eleitoral, o Partido
Republicano Progressista não trouxe nenhum novo documento no
sentido de infirmá-las.

Em 6.4.2016, o partido interpôs agravo regimental da decisão


de fls. 574-577, argumentando que, em resumo (fls. 589-594):

"a decisão agravada deixou de considerar dispositivos


importantes da Resolução TSE n° 23.464/201 5, que, ante o flagrante
prejuízo para o Partido e para os responsáveis pela prestação de
contas, pode ocasionar até a nulidade de eventual julgamento"
(fI. 589);
"não poderia a r. decisão agravada ter encerrado a instrução
probatória sem antes, nos termos do art. 31 da Resolução TSE
n° 23.464/2015, citar também os responsáveis pela prestação de
contas para, nos termos do art. 38 da mesma resolução,
apresentarem defesa no prazo de 15 (quinze) dias e requererem,
sob pena de preclusão as provas que pretendessem produzir,
especifica nd o-as e demonstrando a sua relevância para o processo."
(fI. 589);
"não basta a citação do partido, como ocorreu no caso dos autos.
E necessária também a citação dos responsáveis".
"Aliás, esse é o procedimento que vem sendo adotado por esse
c. Tribunal" (fI. 590);
"o caso é de reconsideração da r. decisão agravada e de
solicitação dos autos do Ministério Público Eleitoral para que, antes
do Parecer, sejam citados os responsáveis pela prestação de contas
para que apresentem defesa quanto ao exposto no Parecer
Conclusivo da Unidade Técnica, sob pena de cerceamento de
defesa";
a) "sob pena de cerceamento de defesa, o encerramento da
instrução probatória não se justifica no caso específico dos autos
pelo Partido";
"não obstante, a instrução probatória está sendo encerrada
desconsiderando, com a devida vênia, os protocolos n° 1.368/2016
(18.2.2016), 1.794/2016 (24.2.2016) e 2.696/2016 (14.3.2016), por
meio dos quais o Partido requereu prazo para juntada de outros
documentos que exigiam lapso temporal razoável para
apresentação".

Em 8.4.2016, proferi despacho à fi. 634, pelo qual consignei


que o agravo regimental de fls. 586-596 seria apreciado por ocasião do
c n° 877-48.2011 .6.00.0000/DF 7

julgamento da prestação de contas, em observância ao disposto no artigo


42 da Resolução-TSE n123.464/2015.

Em âmbito de alegações finais, a agremiação argumentou que


(fls. 649-658):

devia ter sido aberto prazo para a apresentação de defesa,


antes da sua intimação para alegações finais;

não há falar em ausência de pedido de provas pelo partido


em âmbito de defesa, pois nem sequer foi aberto prazo para defesa;

o prejuízo ao partido é flagrante. No curto prazo de


diligências, houve pedido de prorrogação de prazo, que foi indeferido;

houve pedido de prazo para juntada de documentos sem a


manifestação da relatora;

ocorreu desrespeito ao contraditório e à ampla defesa do


partido interessado e de seus responsáveis.

a aplicação da penalidade de suspensão das cotas do


Fundo Partidário não encontra respaldo no ordenamento jurídico vigente e está
pendente de apreciação pela Corte, na Questão de Ordem no AgR-REspe
n° 6548/RN, rei. Mm. LUCIANA LÓSSIO.

em face dos princípios da razoabilidade e da


proporcionalidade, não deve ser aplicada ao partido a sanção de suspensão de
cotas, em decorrência da nova redação do artigo 37 da Lei n° 9.096/95, com o
advento da Lei n° 13.165/2015;
foram apresentadas as seguintes novas irregularidades no
último parecer conclusivo: 1) não vinculação das despesas com atividades
partidárias (R$ 1.008,39); 2) apresentação de documentação fiscal inidônea no
valor de R$ 81.366,93; 3) documentação fiscal sem reconhecimento integral da
autenticidade do fisco, (R$ 5.826,56); RONI (R$ 1.337,27); doações
(R$ 1.220,00) Ovasco Roma, notas fiscais (R$ 7.041,58); ausência de
apresentação de notas fiscais (R$ 3.666,70); 23,99% de recursos do Fundo
Partidário transferido para a conta Outros Recursos.

É o relatório.
c n° 87 -48.2O1 1.6.00.0000IDF

VOTO

A SENHORA MINISTRA MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA


(relatora): Senhor Presidente, primeiramente, é importante registrar que as
matérias deduzidas no agravo regimental foram exaustivamente enfrentadas
pelo partido em suas alegações finais. Desse modo, passo a analisá-las de
forma conjunta.

Trata-se de prestação de contas anual do PRP, referente ao


exercício financeiro de 2010, protocolada em 27.4.2011.

No âmbito de agravo regimental e de alegações finais, a


agremiação suscitou matérias que precedem o exame do mérito recursal e que
são a seguir examinadas:

1) Ausência de citação dos responsáveis para apresentação de defesa

Conforme alegado pelo partido, não foi procedida a citação dos


responsáveis para a apresentação de defesa prévia.

Arguido o fato pela agremiação, em agravo regimental


interposto de decisão interlocutória, foi tentada, em fase de alegações finais, a
intimação dos responsáveis.

Ocorre que, até o presente momento, a referida intimação e o


transcurso de seu prazo ainda não transcorreram in totum.

Por outro lado, está por findar o prazo de cinco anos para a
eventual imposição de sanção no julgamento das contas, conforme prevê o
§ 3° do art. 37 da Lei n° 9.096/95.

É fato que a Res.-TSE n° 23.464/15 - que entrou em vigor em


17.12.2015 - previu, em seus arts. 34, §31, 38 e 51, a intimação ou citação dos
responsáveis pelo órgão partidário.

Tal medida, pelo que se deduz, ao trazer para o processo os


legalmente responsáveis, visa dar velocidade ao procedimento, evitando a
eventual tomada de contas especial que era feita, nestes casos, à luz do que
c n° 877-48.2011 .6.00.0000/DF 9

dispunham os arts. 35 e seguintes da Res.-TSE no 21.841/2004


(revogada pelo art. 75 da Res.-TSE n° 23.432/14).

Todavia, a novel previsão normativa surgiu no ordenamento,


quando o presente feito já se encontrava em estágio avançado, e o aguardo do
integral procedimento nela previsto, segundo compreendo, pode vir a ensejar o
verdadeiro perecimento do direito que está na iminência de ser alcançado pela
prescrição.

lnobstante não tenha sido entabulada a citação dos


responsáveis, entendo que no caso dos autos não há falar em nulidade
processual.

Primeiramente, observo que o partido não a arguiu na primeira


oportunidade seguinte a sua suposta ocorrência, pois poderia tê-lo feito por
ocasião de sua intimação, quando lhe foi concedido prazo para se manifestar
acerca de novas irregularidades apontadas pela unidade técnica.

Somente o fez na sua intimação para alegações finais.

Como se não bastasse, compete à parte demonstrar o efetivo


prejuízo decorrente desse fato, o que não foi feito pela agremiação.

Assim, deve prevalecer o princípio da pas nullitó sans grief.

Na verdade, no caso dos autos, a não citação dos


responsáveis pelo partido enseja ônus à Administração, em decorrência da
maior dificuldade que eventualmente poderá vir a ter para arrecadar os valores
correspondentes às irregularidades constatadas na prestação de contas.

Ao partido, no entanto, não é possível atribuir-se, de plano, a


caracterização de prejuízo, mormente quando este nem sequer foi
demonstrado.

Assim, presente, de um lado, a ausência da citação de


responsáveis e, de outro, a iminência da prescrição para se aplicar eventual
sanção decorrente de irregularidade na aplicação de recursos públicos, deve
prevalecer o curso do processo com o julgamento de mérito. k\
PC n°877-48.2011.6.00.0000/DE 10

2) Ausência de intimação do partido para a apresentação de defesa; da


alegação de que não foram considerados os pedidos constantes dos
protocolos nos 1.368/2016 (18.2.2016), 1.79412016 (24.2.2016) e 2.696/2016
(14.3.2016), bem como os requerimentos de concessão de prazo para a
produção de outras provas; da alegação de que o último parecer
conclusivo contemplou novas irregularidades acerca das quais o partido
não havia sido intimado para se manifestar

A princípio, registro que os documentos que acompanharam os


Protocolos nos 1.368/2016 e 1.794/2016 foram analisados pela unidade técnica
para se emitir a Informação n° 22-Asepa (fis. 524-544), razão pela qual não há
de prosperar a alegação de que não foram considerados.

No tocante à alegação de que o partido não foi citado para


apresentar defesa, entendo que antes que o fosse, apresentou petição às
fis. 568-571, pela qual se manifestou de forma minudente sobre as
irregularidades constantes do parecer conclusivo do órgão técnico.

Assim, a petição de fis. 568-571 foi considerada materialmente


como peça de defesa, ante seu comparecimento espontâneo.

No tocante às demais alegações - ausência de intimação para


manifestar-se sobre irregularidades não apontadas anteriormente -, verifico
que não há como prosperar, pois todas as irregularidades mencionadas pelo
partido haviam sido apontadas anteriormente pelo órgão técnico e as
manifestações que a agremiação teceu acerca destas foram todas
consideradas para o julgamento das contas.

Quanto à não apreciação do pedido de dilação de prazo para a


apresentação de documentos, entendo que, embora, de fato, não tenha sido
apreciado, não surtiu nenhum prejuízo, pois foram apresentados documentos
que foram aceitos e analisados.

Dessa forma, em razão de terem sido aceitos documentos


extemporaneamente, nessa peculiar situação, pôde o prestador de contas se
pronunciar acerca de todas as alegadas irregularidades não apontadas
Ik

c no 877-48.2011.6.00.0000IDF 11

anteriormente. Tampouco, pelas mesmas razões, há de se falar em curto


prazo para o cumprimento de diligências.

Tecidas essas considerações, afasto os argumentos iniciais


trazidos pelo partido, e prossigo no exame das irregularidades apontadas pela
unidade técnica no parecer conclusivo, nos seguintes termos:

VI - Conclusão
Diante do exposto, esta unidade técnica mantém a opinião pela
desaprovação das contas do Diretório Nacional do Partido
Republicano Progressista (PRP), relativas ao exercício financeiro de
2010, com fundamento no disposto no art. 37 da Lei n° 9.096/1995
c.c. o ad. 24, III, da Resolução-TSE n° 21.841/2004, pelas razões
apontadas no item 11 e subitens, sintetizadas no quadro a seguir, já
consideradas as retificações ao item 81 e subitens da
Informação-Asepa n° 173/2015 (fls. 352-381 do vol. 2), em razão das
ocorrências sanadas pelo prestador de contas:

-
Descriçao Valor (R$) .Item
- desta
u nformaçao
1. Irregularidades na
aplicação de recursos do Fundo
Partidário
Não vinculação das despesas
com as atividades de manutenção
da sede e serviços do partido, em
1 008 39 10
descumprimento ao disposto no
ad. 8°, 1, da Resolução-TSE n°
21.841/2004.
Apresentação de
documentação fiscal inidônea, em
descumprimento ao disposto no 81.366,93 11. 1, letra a
ad. 90, 1, da Resolução-TSE n°
21:841/2004.
Apresentação de
documentação fiscal sem
reconhecimento de autenticidade
integral por parte do fisco, em 5.826,58 11. 1, letra b
descumprimento ao disposto no
ad. 90, 1, da Resolução-TSE n°
21.841/2004.
Pagamento a maior de Guia da
Previdência Social - GPS, e não
recuperação do crédito no mesmo
exercício bem como nos
31000 11.1 letrac
seguintes, em descumprimento ao
disposto no ad. 44, 1, da Lei n°
9.096/1995, c.c. o ad. 80, 1, da
Resolução-TSE no 21.841/2004.
11

c n° 877-48.2011 .6.00.0000IDF 12

- Item desta
Descrçao Valor (R$)
informaçao
Não comprovação de despesa
com passagem aérea junto à
companhia Passaredo, em
descumprimento ao disposto no 112,90 11.1, letra d
art. 44, 1, da Lei n° 9.096/1995,
c.c. o art. 90, 1, da Res.-TSE n°
21.841/2004.
Não comprovação de despesas
com passagens e conduções junto
à companhia aérea TAM, em
descumprimento ao disposto no 12.733,86 11.1, letra e
art. 44, 1, da Lei n° 9.096/1995,
c.c. o art. 90, 1, da Res.-TSE n1
21.841/2004.
Não apresentação de
documentação fiscal de despesa
registrada nas contas contábeis
Fornecedores de Bens e
Fornecedores de Serviços,
372,50 111 letra f
referente ao pagamento de fatura
junto à empresa Motor 3 Veículos
LTDA, em descumprimento ao
disposto no art. 90, 1, da
Resolução-TSE n°21.841/2004.
Não comprovação dos serviços
prestados, tendo em vista
apresentação de contratos
firmados com empresa não
1.948 60 11.1 letra g
autorizada a prestar os serviços
contratados, em descumprimento
ao disposto no art. 9, 1, da
Resolução-TSE n° 21.841/2004.
Não apresentação de
documentação fiscal, bem como
contrato, das despesas
registradas na conta contábil
Honorários e Serviços Técnicos
Profissionais e Outras Despesas
7.314 40 11.1 letra h
Gerais, referentes a pagamentos
à Itamaraty Contabilidade LTDA,
em descumprimento ao disposto
no art. 44, 1, da Lei n° 9.096/1 995,
c.c. oart. 90, 1, da Resolução-TSE
n121.841/2004.
Não apresentação de
documentação fiscal, bem como
contrato, das despesas
registradas na conta contábil °
1.05000 111 letra i
Encontro Nacional de Mulheres ,
Lei 12.034/09, referentes a
pagamentos à S Barros
Transportes e Locadora Veicular
LI
c no 877-48.2011 .6.00.0000/DF 13

-
Descruçao Valor (R$)
Item desta
informação
LTDA ME, em descumprimento ao
disposto no ad. 44, 1, da Lei n°
9.096/1995, c.c. o ad. 90, 1, da
Resolução-TSE n° 21.841/2004.
Subtotal (correspondente a
13,08% do Fundo Partidário - 112.044,16
R$856.436,07)
2. Outras irregularidades
Recebimento de recursos de
origem não identificada, apesar da
classificação como sobra de
campanha. O procedimento é
vedado pela norma vigente e
sujeita o partido ao disposto no 1.337,27 11.2, letra a
ad. 60 da Resolução n°
21.841/2004, bem como o não
atendimento à diligência infringe o
disposto no ad. 37, § 10 , da Lei n°
9.096/1995.
Não apresentação de contrato
referente a suposto empréstimo
contraído junto ao Presidente dó
PRP, Sr. Ovasco Roma, de modo 1.220,00 11.2, letra b
que não atendeu à diligência, em
descumprimento ao disposto no
ad. 37, § 10, da Lei n° 9.09611 995.
Não comprovação de
despesas registradas na conta
contábil Serviços Técnicos
Profissionais, referentes a
7.041 58 11.2 letra c
pagamentos com recursos
próprios, em descumprimento ao
disposto no ad. 90, 1, da
Resolução-TSE n° 21.841/2004.
Não comprovação de
despesas registradas na conta
contábil Despesas Gerais,
referentes a pagamentos com
3.666 70 11.2 letra d
recursos proprios, em
descumprimento ao disposto no
ad. 90, 1, da Resolução-TSE n°
21.841/2004.
Não comprovação de
despesas registradas na conta
contábil Serviços e Utilidades,
referentes a pagamentos com
3.258 33 11.2, letra e
recursos proprios, em
descumprimento ao disposto no
ad. 90, 1, da Resolução-TSE n°
21.841/2004.
Elevada movimentação .205.510,02 11.2, letra f
11
PC n1877-48.2011.6.00.0000/DE 14

-
Descruçao
Item desta
Valor (R$)
informação
financeira registrada na conta
contábil Caixa, onde foram
aplicados recursos do Fundo
Partidário no percentual de
23,99%, em descumprimento ao
disposto no art. 43 da Lei
9.096/1995.
Subtotal - Outras
222 033 90
irregu!aridades
3. Outras impropriedades
a) Registro contábil incorreto,
ocasionando impropriedades nos
valores das receitas do partido, de
modo que não atendeu à fia 11.3, letra a
diligência, em descumprimento ao
disposto no art. 37, § 10, da Lei n°
9.096/1995.

A unidade técnica também apontou omissão do partido, no


tocante à destinação de 5% dos recursos recebidos do Fundo Partidário para a
criação e manutenção de programas de promoção e difusão da participação
política das mulheres, nos termos do artigo 44, V, da Lei n° 9.096/95.

Passo à análise das irregularidades constatadas Asepa.

2.1 Irregularidades na aplicação de recursos do Fundo Partidário

2.1.1 Não vinculação das despesas com as atividades de manutenção da


sede e serviços do partido, em descumprimento ao disposto no
art. 8°, 1, da Resolução-TSE n° 21.84112004

A unidade técnica identificou despesas com restaurantes


efetuadas com recursos de procedência do Fundo Partidário sem que
houvesse esclarecimento de suas vinculações com atividades partidárias.
Uma despesa, em 11.2.2010, no montante de R$ 990,19, com SBD Bar e
Restaurante Ltda., e uma despesa, em 27.4.2010, referente a consumo de
bebida alcoólica, no montante de R$ 18,20, no Almanara Restaurante e
Lanchonetes Ltda.

intimado para prestar esclarecimentos, o partido afirmou que a


despesa no vàor de R$ 990,19 (novecentos e noventa reais e dezenove
c n° 877-48.2011 .6.00.0000/DF 15

centavos) "tratou-se de alimentação fornecida a dirigente [sic] partidários que


participaram de reunião do Diretório Nacional na data de 11.2.2010" (fI. 569).

E ainda, argumentou (fI. 569):

A legislação eleitoral prevê que "constituem gastos partidários todos


os custos e despesas utilizadas pelo órgão do partido político para a
sua manutenção e consecução de seus objetivos e programas"
(artigo 17, caput, da TSE/Resoluçào 23.46412015).
O inciso VII, do parágrafo l, do citado artigo, autoriza o "pagamento
de despesas com alimentação, incluindo restaurantes e
lanchonetes".

Primeiramente, no que tange ao documento apresentado pelo


partido às fis. 572-573, entendo que não comprova a vinculação do gasto do
restaurante com a atividade partidária. Do cotejo entre a nota fiscal do
restaurante e a ata da reunião partidária, verifica-se não haver coincidência
entre as datas, como sustentado pela agremiação.

No mais, observo que, embora a Resolução-TSE


no 23.464/2015 estabeleça a possibilidade de o partido realizar despesas
referentes à alimentação com recursos do Fundo Partidário, em consonância
às inovações introduzidas à legislação eleitoral pela Lei n° 13.165/2015, não há
como aplicá-la ao caso dos autos.

Isso porque, conforme estabelece o artigo 65 da


Resolução-TSE no 23.464/2015, as suas disposições não atingem o mérito
dos processos de prestação de contas relativos aos exercícios anteriores
ao de 2016.

Ora, à época da realização das despesas, vigorava o disposto


no artigo 44 e incisos da Lei n° 9.096/95, o qual estabelecia que os recursos do
Fundo Partidário teriam a sua aplicação vinculada e restrita às hipóteses ali
elencadas e, nesse rol, não havia o gasto com lanchonetes e restaurantes.

Dessa forma, não tendo havido a comprovação de que os


gastos realizados tinham relação com a manutenção das sedes e dos serviços
do partido, com sua propaganda doutrinária e política ou outra vinculação
prevista na lei de vigência à época, não há falar em aceitação das despesas,
de modo que subsiste a irregularidade.
c n° 877-48.2011.6.00.0000IDF 16

Assim, entendo que permanece a irregularidade no montante


de R$ 1.008,39 (mil e oito reais e trinta e nove centavos).

2.1.2 Apresentação de documentação fiscal inidônea, em


descumprimento ao disposto no art. 90, 1, da Resolução-TSE
n° 21.841/2004, empresa Doob Assessoria de Eventos Ltda.
(valor de R$ 81.366,93)

A unidade técnica verificou, em consulta ao endereço


eletrônico da Prefeitura de São José do Rio Preto, que a empresa Doob
Assessoria de Eventos Ltda. não possuía AIDF (Autorização de Impressão de
Documentos Fiscais) liberada. Ademais, a Secretaria Municipal da Fazenda
daquele Município informou, por intermédio do Ofício n° 4576 (fi. 348), que a
empresa está com as suas atividades bloqueadas desde abril de 2009, por não
ter sido localizada no endereço em que supostamente exercia as suas
atividades, e que a AIDF constante das notas fiscais juntadas aos autos pelo
partido pertence a outra empresa.

Em resposta, o partido afirmou que efetuou a despesa


correspondente à nota fiscal "em absoluta boa fé e o serviço foi efetivamente
prestado" (fI. 395).

Argumentou que os partidos políticos não estão sujeitos às


regras de licitação e que, por essa razão, não lhes é exigido que conservem
certidões negativas de prestadores de serviço. Sustenta que
"a situação fiscal da empresa em questão não pode ser imputada ao
PRP NACIONAL, especialmente obrigando-o a devolver valores efetivamente
pagos por serviços efetivamente prestados" (fI. 395).

Comunicou a juntada de documentos que saneariam a


irregularidade. No caso, certidão negativa que demonstra a regularidade fiscal
da empresa, AIDF 41508, emitida em 2.3.2009, pela qual aquela Prefeitura
autoriza a emissão das notas fiscais de 1 a 150, nota fisôal 20, a qual alega
conter erro material em sua data, pois o seu pagamento ocorreu oito dias
depois da data correta da emissão.
PC n°877-48.2011.6.00.0000IDF 17

A unidade técnica considerou a irregularidade não sanada,


pois a documentação havia sido emitida em desconformidade com a legislação
vigente.

Considerando que o partido diligenciou no sentido de obter


documentos que esclarecessem a irregularidade apontada pelo órgão técnico,
inclusive apresentando documentos referentes à Prefeitura Municipal e, uma
vez que não houve, até o presente momento, nova oportunidade de
manifestação daquela municipalidade, entendo que prevalece a boa-fé do
partido, não se podendo considerar a presença cabal de irregularidade em
situação de dúvida, razão pela qual a afasto.

2.1.3 Apresentação de documentação fiscal sem o reconhecimento


de autenticidade integral por parte do Fisco, em descumprimento ao
disposto no art. 90, 1, da Resolução-TSE no 21.841/2004 (valor de
R$ 5.826,58)

A Asepa constatou que o número da AIDF constante das notas


fiscais emitidas pela empresa LG Simonato ME pertence a outra empresa,
conforme informações obtidas da Secretaria Municipal de Fazenda de São
José do Rio Preto. Outrossim, a AIDF correta está com data posterior à
impressão do talonário. O Fisco municipal informou não reconhecer a
autenticidade integral dos documentos.

Em resposta, o partido alegou que não cabe a exigência de


que verifique a regularidade das empresas as quais contrata.

Todavia, entendo que, como já consignado, para comprovar


despesas, é necessária a apresentação de notasfiscais em conformidade à
legislação.

Assim, subsiste a irregularidade apontada pela unidade técnica


no montante de R$ 5.826,58 (cinco mil, oitocentos e vinte e seis reais e
cinquenta e oito centavos), referente a notas fiscais irregularmente juntadas
aos autos para a comprovação de despesas relativas à segurança e vigilância
com recursos do Fundo Partidário.
c no 877-48.2011.6.00.0000IDF 18

2.1.4 Não apresentação de documentação fiscal, bem como de contrato,


das despesâs registradas na conta contábil 1° Encontro Nacional de
Mulheres Lei 12.03412009, referentes a pagamentos à S Barros
Transportes e Locadora Veicular Ltda. ME, em descumprimento ao
disposto no art. 44, 1, da Lei n° 9.096/1995, c.c. o art. 90, 1, da
Resolução-TSE n° 21.84112004

A unidade técnica pontuou que, com o intuito de comprovar a


despesa com transporte relacionada a evento do partido
(10 Encontro Nacional de Mulheres do PRP), a agremiação apresentou apenas
recibos e não documentos fiscais e, por essa razão, entendeu que não havia
sido comprovado o gasto no valor de R$ 1.050,00 (mil e cinquenta reais).

Quanto a essa irregularidade, o partido não apresentou


nenhum documento, apenas requereu, por duas vezes, dilação de prazo para
apresentá-los. Posteriormente alegou, in Iitteris (fI. 571):

O artigo 90, inciso II, da TSE/Resolução 21.841/2004 considera


suficiente a apresentação de recibos para comprovação de
pagamento. Tais recibos constam dos autos e demonstram: 1) que o
serviço foi prestado; 2) que a finalidade partidária está demonstrada,
posto que atrelada ao 10 Encontro Nacional de Mulheres realizado
em São Paulo/SP, cuja realização está fartamente documentada;
3) que o transporte de pessoas ocorreu a partir de cidades vizinhas a
cidade do evento (são Paulo/SP), quais seja [sic], Santo André/SP e
Osasco/SP, portanto, as pessoas foram efetivamente transportadas
para o evento.

No que refere a essa irregularidade, entendo que, ao contrário


do afirmado pelo partido, a Resolução-TSE n° 21.841/2004 não considera
suficiente a apresentação de recibos para a comprovação de despesas, pois a
regra é a apresentação de notas fiscais.

A legislação é expressa ao afirmar que a comprovação de


despesas deve ser realizada por recibos caso a legislação competente
dispense a emissão de documento fiscal.

O partido, por sua vez, não demonstrou a dispensa de


apresentação de nota fiscal, com amparo na lei.
PCn0 877-48.2011.6.00.0000IDF 19

Assim, subsiste a presente irregularidade, no montante de


R$ 1.050,00 (mil e cinquenta reais).

2.1.5 Não apresentação de documentação fiscal, bem como de contrato,


das despesas registradas na conta contábil Honorários e Serviços
Técnicos Profissionais e Outras Despesas Gerais, referentes a
pagamentos à Itamaraty Contabilidade Ltda., em descumprimento ao
disposto no art. 44, 1, da Lei no 9.09611995, c.c. o art. 90, 1, da
Resolução-TSE n° 21 .841/2004 (R$ 7.314,40)

A Asepa constatou que não foram apresentados os


documentos fiscais e/ou contrato da Itamaraty Contabilidade Ltda., mas
apenas recibos às fis. 115-126 do Anexo 7.

Quanto a esse ponto, o partido juntou documentos às


fis. 424-431.

A unidade técnica, por sua vez, à fi. 530, consignou que


"em que pese o partido ter apresentado as notas fiscais, continua ausente o
contrato relativo às prestações de serviço. Dessa forma, a ocorrência não foi
totalmente sanada" (fi. 530).

Entendo, de forma diversa, que, ante o disposto no artigo 90 da


Resolução-TSE n° 21 .841/2004, aplicável ao caso dos autos, os documentos
apresentados são aptos à comprovar as despesas, não sendo obrigatória a
apresentação de contrato que as ampare.

Assim, entendo que a irregularidade no montante de


R$ 7.314,40 (sete mil, trezentos e catorze reais e quarenta centavos) foi
sanada, motivo pelo qual não deve ser contabilizada.

PC no 877-48.2011.6.00.0000IDF 20

2.1.6 Não apresentação de documentação fiscal de despesa registrada


nas contas contábeis Fornecedores de Bens e Fornecedores de Serviços,
referente ao pagamento de fatura na empresa Motor 3 Veículos Ltda., em
descumprimento ao disposto no art. 90, 1, da Resolução-TSE
n° 21.84112004

A unidade técnica constatou que não foi apresentada nota


fiscal referente ao pagamento, em 11.1.2010, de uma fatura no montante de
R$ 372,50 (trezentos e setenta e dois reais e cinquenta centavos) à empresa
Motor 3 Veículos Ltda. (fi. 364).

Em resposta à constatação da unidade técnica, o partido


alegou que "a obrigação de guarda da nota fiscal prescreve em 5 anos, nos
termos do artigo 173, inciso 1, do Código Tributário Nacional" (fl. 415).

No entanto, não há como prosperar a alegação do partido, pois


o que prescreve em cinco anos é o direito da Fazenda Pública de constituir
crédito tributário, e não o dever do partido de conservar a documentação
comprobatória das despesas efetuadas com recursos do Fundo Partidário.

Outrossim, o artigo 12, § 20, da Resolução-TSE n°21.841/2004


trata expressamente da conservação da documentação referente à prestação
de contas e estabelece prazo superior a cinco anos, senão vejamos:

Art. 12. [...]


[.
§ 22 A documentação comprobatória das contas prestadas deve
permanecer sob a responsabilidade do partido por prazo não inferior
a cinco anos, contados da publicação da decisão que julgar
definitivamente as contas. A Justiça Eleitoral pode, a qualquer
tempo, proceder à sua requisição, pelo tempo que for necessário,
para fins da fiscalização prevista no caput do art. 34 da Lei
n° 9.096/95.

Assim, é obrigatória a conservação da documentação referente


à prestação de contas pelo partido político.

Dessa forma, permanece a irregularidade, cuja importância é


de R$ 372,50 (trezentos e setenta e dois reais e cinquenta centavos),
relativa a despesa com recursos do Fundo Partidário. 4—
c n1877-48.2011 .6.00.0000/DF 21

2.1.7 Pagamento de Guia de Recolhimento da Previdência Social a maior

A unidade técnica, ao examinar os registros contábeis da


presente prestação de contas, constatou que o partido havia recolhido a maior
a importância de R$ 310,00 (trezentos e dez reais) em uma Guia de
Recolhimento da Previdência Social.

Acerca do ponto, a agremiação afirmou que regularizou a


situação na prestação de contas anual referente ao ano de 2014
(fis. 406 e 415).

No entanto, a Asepa entendeu que a ocorrência não tinha sido


sanada, em virtude de não ter havido apresentação de documentos que
comprovassem essa regularização.

O partido não impugnou a conclusão da unidade técnica e não


juntou aos autos nenhum documento referente ao recolhimento.

Por essa razão, entendo que subsiste a irregularidade, no valor


de R$ 310,00 (trezentos e dez reais).

2.1.8 Não comprovação dos serviços prestados, tendo em vista a


apresentação de contratos firmados com empresa não autorizada a
prestar os serviços contratados, em descumprimento ao disposto no
art. 90, 1, da Resolução-TSE n° 21.84112004

A unidade técnica consignou que o partido apresentou dois


contratos com uma empresa denominada R C M Bonilha ME, com logomarca
Personai Comp, cujos pagamentos totalizaram a importância de R$ 1.948,60
(mil, novecentos e quarenta e oito reais e sessenta centavos). informou, ainda,
que "a empresa contratada não contempla a prestação de serviços de
desenvolvimento ou hospedagem de web site" (ti. 365) e que, em consulta aos
sítios eletrônicos da Receita Federal e da Prefeitura Municipal de São José do
Rio Preto, constatoú que não há empresa com o referido nome fantasia
registrado, pois a empresa que utiliza o nome fantasia indicado pelo partido
possui CNPJ distinto e foi criada apenas em 2012.
c n1877-48.2011.6.00.0000IDF 22

Quanto a esse ponto, a agremiação à fI. 571 assim se


manifestou:

O serviço foi contratado e foi efetivamente prestado. O site foi


desenvolvido e foi mantido onhine em razão dos pagamentos
realizados. [ ... ] não há se falar em desaprovação ou penalidade de
devolução de valores, pois o serviço foi contratado de boa-fé pelo
requerente, a quem não cabia verificar questões fiscais havidas
entre o prestador de serviços e seus registros junto à Receita
Federal.

Entendo que a conclusão da unidade técnica quanto ao ponto


não foi infirmada pelo partido, pois compete à agremiação a aferição da
adequação da empresa com a qual contrata. O artigo go, 1, da Resolução-TSE
n° 21.841/2004, aplicável ao mérito da presente prestação de contas,
estabelece que a comprovação das despesas deve se dar por
"documentos fiscais emitidos segundo a legislação vigente", portanto subsiste
a irregularidade constatada pelo órgão técnico, no valor de R$ 1.948,60
(mil, novecentos e quarenta e oito reais e sessenta centavos).

2.1.9. Da comprovação de despesas com passagens aéreas

A unidade técnica consignou que o partido não juntou aos


autos documentos hábeis a comprovar despesas com passagens aéreas
referentes às companhias aéreas TAM e Passaredo, cujo somatório perfaz o
total de R$ 12.846,76 (doze mil, oitocentos e quarenta e seis reais e setenta e
seis centavos).

Quanto a esse ponto, a unidade técnica noticiou que efetuou


técnica de circularização e encaminhou o Ofício-Circular n° 2.431 às empresas
aéreas Passaredo Transportes Aéreos S.A e TAM Linhas Aéreas S.A, com o
intuito de obter informações sobre a efetiva realização de serviços, a
regularidade fiscal e a idoneidade da documentação entregue pelo partido.

Em resposta ao ofício, a empresa Passaredo confirmou os


dados informados pela agremiação, com exceção do voo de Brasília a São
José do Rio Preto, no dia 25.11.2010, pelo qual o partido declarou o valor de
R$ 511,52 e a companhia aérea apresentou bilhete de passagem com valor de
R$ 398,62 (fls. 228-244). Assim, havendo divergência entre o valor informado
c n1877-48.2011.6.00.0000/DF 23

pelo partido e o valor declarado pela empresa, no tocante a esta única viagem,
consignou a Asepa que o partido não comprovou o valor de R$ 112,90
(cento e doze reais e noventa centavos).

No entanto, após a emissão do parecer, o partido apresentou


documento - o qual recebi e analisei, em razão do consignado às fis. 10 e 11
desta decisão - que comprova o valor da passagem aérea em questão, cujo
valor coincide com aquele informado pela empresa aérea Passaredo.
Assim, afasto a irregularidade.

A empresa TAM, por sua vez, em resposta ao referido ofício,


comunicou que "após minuciosa análise interna para o CNPJ
n° 32.095.101/0001-80 descrito no ofício em epígrafe, não restou localizada
lATA e/ou Conta-Corrente" (fi. 258). Diante da ausência de esclarecimentos
por parte da empresa, o órgão técnico entendeu estarem não comprovadas as
despesas com passagens aéreas adquiridas na mencionada empresa, as
quais somam o total de R$ 12.733,86 (doze mil, setecentos e trinta e três reais
e oitenta e seis centavos).

Em que pese o entendimento da unidade técnica - no sentido


de que os documentos apresentados não comprovam as despesas -, há de
prevalecer o entendimento jurisprudencial já assentado para prestações de
contas de exercícios anteriores ao da resolução citada.

Assim, em observância ao princípio da segurança jurídica e


considerando o entendimento já manifestado no julgamento de contas
referentes também ao exercício financeiro de 2010 (PC n° 793-471DF, rei. Mm.
LUCIANA LÓSSIO), considero válidas, como meios de prova de despesas com
passagens aéreas, as faturas emitidas por agência de turismo, desde que
nelas haja "a identificação do número do bilhete aéreo, nome do passageiro, a
data e o destino da viagem" (PC n° 43 [38695-05], rei. Mm. HENRIQUE
NEVES DA SILVA, DJe de 4.10.2013).

Com efeito, para a comprovação de despesa com transporte


aéreo, devem ser admitidos todos os meios de prova possíveis que demonstrem,
sem dúvidas razoáveis, a prestação do serviço a que se refere a respectiva
despesa. No mesmo sentido: PC n1 21 [35511-75], rei. Mm. LUCIANA LÓSSIO;

PC n° .7T 4(.201 1!3.00.0000/DF 24

PC '3/D, re' \lin GILMAR MENDES, c no 974-821DF, de rn wfla


:relatorj»r° 8-.74/1:F, rei. Mm. JOÃO oTÁvio DE NORONHA.

Dèssa forma, da análise dos documentos acostados às


fis. 25-;, 70-71, 235-237, 308-309 do anexo 3, fls. 25-26, 54-56, do anexo 4 e
158 e A 1-171, 172-173, 223-225, 241-243 do anexo 5, verifico que houve a
apresentarão de documentos que atendem aos requisitos considerados
neces••. para a comprovação das despesas com passagens aéreas, urna
vez que. ,ieles constam o recibo emitido pela empresa de turismo,
âcompahado do e-mail enviado pela empresa aérea, confirmando a compra
das passagens e os dados como: nome do passageiro, origem e destino do
voo, número do localizador, valor da passagem e data da viagem.

Assim, após analisados os documentos apresentados pela


agremiação, entendo que não ficou comprovada apenas a importância de
R$ 112,0 (cento e doze reais e noventa centavos), relativa à despesa com
passagens aéreas, entabulada com a empresa Passaredo.

Todavia, sendo o valor, de forma isolada, demasiadamente


irrisório, entendo que somente deverá ser considerado no cálculo final, caso a
somatória total de valores irregulares atinja patamar expressivo, ante o
princípio da razoabilidade.

2.1.10 Da não aplicação de 5% dos recursos do Fundo Partidário na


criação e manutenção de programas de promoção e difusão da
participação política das mulheres

Conforme citado pela unidade técnica, o partido deveria ter


aplicado, no mínimo, 5% dos recursos do Fundo Partidário recebidos no
exercício de 2010 na criação e manutenção de programas de promoção e
difusão da participação política das mulheres, em conformidade ao disposto no
artigo 44, V, da Lei n° 9.096/95.

Ocorre que, como não houve a destinação do montante no


próprio. exercício de 2010, o partido deveria destinar a mais, no exercício
seguinte (2:011)2,5% do valor recebido do Fundo Partidário naquele exercício',

1
Art. 44. Os 'ecu-sos oriundos do Fundo Partidário serão aplicados:
c n° 877-48.2011.6.00.0000/DE - . / 25

em consonância ao dispoto no artigo 44,-V,'i50;. dà Lei n9 9.096195, com a


redação dada pela Lei n° 12.034/2009, vigente.à época dos fatos.

Assim, entendo que o não cumprimento da destinação dos


recursos do Fundo Partidário para o fim previsto na lei de regência, impõe ao
partido o dever de demonstrar o acréscimo de 2,5% do valor recebido na
prestação de contas do exercício de.. 2011, o que deve ser apurado pela
unidade técnica no exame das contas de 2011.

No mesmo sentido, cito precedente de minha relatoria,


segundo o qual foi adotado esse entendimento pela Corte, em caso em que o
partido, por não ter cumprido a determinação legal no momento oportuno,
apresentou, na prestação de contas do exercício de 2010, comprovante da
aplicação do valor respectivo no exercício de 2011, por meio de nota fiscal e a
unidade técnica constatou a ausência de aplicação do total de 2,5% e
assinalou que examinaria a aplicação do restante devido por ocasião da
análise do processo de prestação de contas do exercício de 2011, o que foi
acolhido pela Corte, em acórdão de que extraio a seguinte ementa:

PARTIDO SOCIAL LIBERAL (PSL). DIRETÓRIO NACIONAL.


PRESTAÇÃO DE CONTAS. EXERCíCIO FINANCEIRO DE 2010.
APLICAÇÃO IRREGULAR. RECURSOS. FUNDO PARTIDÁRIO.
RECURSOS DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA. PERCENTUAL
ÍNFIMO. APROVAÇÃO COM RESSALVAS.

2. O partido deve destinar, no mínimo, 5% dos recursos obtidos


do Fundo Partidário na criação e manutenção de programas de
promoção e difusão da participação política das mulheres.
Caso não o faça, deverá recolher no exercício seguinte 2,5% a
mais dos recursos para esse fim, conforme a redação dada pela
Lei n° 12.03412009, a qual se aplica à espécie, pois vigente à
época dos fatos.
(PC n2 906-98, de minha relatoria, DJEde 31.3.2016)

LO.]
V - na criação e manutenção de programas de promoção e difusão da participação política das mulheres conforme
percentual que será fixado pelo órgão nacional de direção partidária, observado o mínimo de 5% (cinco por cento) do
total.

§ 50 O partido que não cumprir o disposto no inciso V do caput deste artigo deverá, no ano subsequente, acrescer o
percentual de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) do Fundo Partidário para essa destinação, ficando
impedido de utilizá-lo para finalidade diversa.
c n° 877-48.2011 .6.00.0000/DF 26

Desse modo, persiste a necessidade de aferição, pela unidade


técnica, do cumprimento da determinação, em virtude da análise da prestação
de contas do exercício de 2011.

OUTRAS IRREGULARIDADES

1. Não apresentação de contrato referente a suposto empréstimo


contraído com o presidente do PRP, Sr. Ovasco Roma, de modo que não
atendeu à diligência, em descumprimento ao disposto no art. 37, § 10, da
Lei no 9.096/1 995

A unidade técnica informou que foram identificados repasses,


por meio de comprovantes de depósito, com a descrição de que se tratavam
de doações, Presidente do Partido.

A esse respeito, o partido juntou Declaração de Imposto de


Renda de pessoa física de Ovasco Roma Altimari Resende, referente ao
exercício de 2011, ano-calendário 2010, para demonstrar que a doação foi
devidamente declarada à Receita Federal.

No entanto, a unidade técnica, após examinar o documento,


consignou que, em que pese a alegação do partido, "o montante foi
contabilizado como empréstimo contraído" e que "tal equívoco não se trata [sic]
de uma mera impropriedade contábil, visto que, da forma como foi registrado,
abre-se a possibilidade de o partido devolver o referido valor, inclusive com a
incidência de juros, o que não se coaduna com o recebimento de uma doação"
(fI. 532).

Conforme deflui do consignado pela unidade técnica, neste


ponto não foi atestado que o registro contábil refletiu adequadamente a
movimentação financeira, ou seja, a documentação apresentada pelo partido
divergiu do registro contábil.

Assim, persiste a irregularidade no registro contábil, no


montante de R$ 1.220,00 (mil e duzentos e vinte reais).
c n° 877-48.2011.6.00.0000/DE 27

Não comprovação de despesas registradas na conta contábil Serviços


Técnicos Profissionais, referentes a pagamentos com recursos próprios,
em descumprimento ao disposto no art. 90, 1, da Resolução-TSE
no 21.84112004

A unidade técnica constatou que não houve a apresentação de


documentos que atestassem a realização de despesas a título de Serviços
Técnico-Profissionais, no montante de R$ 7.041,58 (sete mil, quarenta e um
reais e cinquenta e oito centavos).

A agremiação, por sua vez, esclareceu que juntou aos autos


recibos para a comprovação dos serviços, o que seria suficiente, em
conformidade ao artigo 90, li, da Resolução-TSE n° 21.841/2004.

Como alhures exposto, entendo que, ao contrário do afirmado


pelo partido, a Resolução-TSE n° 21.841/2004 não considera suficiente a
apresentação de recibos para comprovar despesas, pois a regra é a
apresentação de notas fiscais, a não ser que a legislação competente
dispense a emissão de documento fiscal, o que não foi demonstrado pelo
partido.

Assim, subsiste a presente irregularidade, no montante de


R$ 7.041,58 (sete mil, quarenta e um reais e cinquenta e oito centavos).

Não comprovação de despesas registradas na conta contábil Serviços


e Utilidades, referentes a pagamentos com recursos próprios, em
descumprimento ao disposto no art. 90, 1, da Resolução-TSE
n° 21 .841/2004

A unidade técnica constatou que não houve a apresentação


integral de documentos que atestassem a realização de despesas a título de
Serviços e Utilidades Técnico-Profissionais, pois faltou a comprovação de
despesas no montante de R$ 3.373,95 (três mil, trezentos e setenta e três
reais e noventa e cinco centavos).
c n° 877-48.2011 .6.00.0000/DF 28

Intimado para se manifestar sobre esse ponto, o partido alegou


que apresentou recibos e documentos não fiscais, mas que seriam aptos à
comprovação de despesas.

A . unidade técnica, em novo exame da documentação


apresentada, constatou que R$ 115,62 (cento e quinze reais e sessenta e dois
centavos) referentes a serviços de internet haviam sido comprovados,
conforme documentos juntados às fls. 350-361 do anexo 7 dos autos.
Dessa forma, faltou a comprovação de despesas no montante de R$ 3.258,33
(três mil, duzentos e cinquenta e oito reais e trinta e três centavos).

Quanto a esse ponto, a Asepa ainda consignou que


"não foram apresentados recibos ou outros documentos não fiscais, em
descumprimento ao disposto no art. 90, 1 e II, da Resolução-TSE
n° 21.841/2004".

A agremiação, por sua vez, quedou-se silente quanto ao ponto,


em manifestação posterior.

Assim, conclui-se que subsiste a irregularidade no montante de


R$ 3.258,33 (três mil, duzentos e cinquenta e oito reais e trinta e três
centavos).

4. Elevada movimentação financeira registrada na conta contábil Caixa,


onde foram aplicados recursos do Fundo Partidário, no percentual de
23,99%, em descumprimento ao disposto no art. 43 da Lei
no 9.09611 995.

A unidade técnica solicitou esclarecimento ao partido acerca


da destinação de elevado montante de recursos advindos do Fundo Partidário
que transitaram em conta diversa - outros recursos. Constataram que
23,99% das cotas recebidas no exercício transitaram por outra conta, a qual
sofreu saques em espécie.

Em resposta, o partido argumentou que:

Em 2010 houve bloqueios judiciais nas contas bancárias do Partido


Republicano decorrente de problemas com processos judiciais,
conforme descrito em nota explicativa no item Ativo Não circulante.

PC no 877-48.2011.6.00.0000IDF 29

Segue abaixo justificativa: Depósitos Judiciais: o valor de R$3.569,41


corresponde ao bloqueio no Banco do Brasil referente ao Processo
Judicial n.250/97 determinado pelo Juiz Themistocles Barbosa
Ferreira Neto da 41 Vara Cível de São Carlos. Caixa Econômica
Federal: Nesse banco também houve um bloqueio referente ao
processo 0000001-68.2005.626.0101 no valor de R$10.810,12
bloqueado pelo Exmo Sr. Juiz Eleitoral Dr. Átis de Araújo Oliveira.
Pelo pretexto acima, a presidência Nacional optou por sacar os
recursos e fazer os pagamentos em espécie para evitar o problema
de não cumprir com as obrigações financeiras do Partido
Republicano Progressista.

E, ainda, esclareceu o seguinte (fls. 398-400):

[ ... ] É certo que os bloqueios foram de R$ 3.569,41 e R$ 10.810,12.


No entanto, nenhum dos feitos era movido contra o PRP NACIONAL,
sendo que os bloqueios indevidos produziram grande susto e receio
de repetição. Até que o PRP NACIONAL pudesse se inteirar do teor
dos processos e de defender, optou por transferir o montante para a
conta "Outros recursos" de modo a proteger o Fundo Partidário
contra novos bloqueios indevidos, inesperados e de valores
imprevisíveis, que poderiam comprometer parcela maior do fundo
partidário. Não houve exposição a risco de extravio, furto ou roubo.
Pelo contrário, os valores transitaram pela conta "Outros Recursos"
de forma absolutamente transparente, totalmente documentada e
declarada nas peças e livros contábeis. Apesar de a legislação
considerar impenhoráveis valores de fundo partidário, ainda assim os
juizes dos feitos respectivos, indicados abaixo, exaram absurdas
ordens judiciais e efetivamente bloquearam, depois penhoraram, o
fundo partidário. Coube ao PRP NACIONAL se defender, o que
ainda faz até a data de hoje num dos feitos, pois não conseguiu
recuperar o valor indevidamente penhorado por ordem da justiça
comum, nem tecendo todas as alegações legais e jurisprudenciais
disponíveis.
No feito que tramita perante a 4a vara Cível da Comarca
de São Carlos/SP, processo 000251 3-97 1997.8.26.0566
(566.01.1997.002513)[...] Em dado momento o autor confundiu
nomes e CNPJ de partidos e requereu bloqueio online nas contas do
CNPJ 32.095.101/0001-80, do PRP NACIONAL. O bloqueio se
consolidou e o PRP NACIONAL teve que se defender, comprovar ao
juiz não fazer parte do polo passivo da ação, e depois de cerca de
01 ano é que obteve um despacho do juiz reconhecendo a invalidade
da penhora. Ou seja, lutou por cerca de 01 ano para comprovar o
óbvio e somente aí recuperou o valor penhorado e o depositou na
conta do fundo partidário (documentos anexados).
No outro feito, que tramita perante a Zona Eleitoral de Presidente
Prudente, processo 168.2005.6.26.0101, [ ... ] Pela legislação
eleitoral, a discussão judicial contra atos de Diretório Municipal não
poderia envolver Diretórios Estadual, nem nacional do PRP, ou de
qualquer outro partido. No entanto, o juiz Átis de Araújo Oliveira
determinou bloqueios nas contas do fundo partidário de Diretórios
Nacionais. [ ... ] 4c

c no 877-48.2011.6.00.0000IDF 30

.. .1

A decisão absurda exigiu recursos, que tramitaram todos estes anos


e o processo retornou à Zona Eleitoral recentemente.
Somente agora foi possível ao PRP NACIONAL peticionar
requerendo a devolução do montante indevida e ilegalmente
bloqueado, tendo o MM. Juiz determinado vista à Procuradoria em
16102/16. Assim, fica demonstrado que os valores de fundo
partidário não estão protegidos de decisões judiciais infundadas,
nem mesmo na conta específica. Tais magistrados ignoram a
legislação eleitoral e produzem graves prejuízos tanto ao partido,
quanto à prestação de contas e destinação desta verba.
Se alguém colocou em risco de extravio, furto ou roubo valores do
fundo partidário, foram os magistradós que desavisadamente
determinaram os bloqueios ilegais e desatenderam, ou no mínimo
demoraram exaustivamente para atender, os diversos pedidos de
devolução feitos pelo PR NACIONAL.
Assim, a transferência de 23,99% do Fundo Partidário no
exercício de 2010 para a conta "Outros Recursos" não foi
motivada por má-fé, nem pode ser classificada de conduta
irregular ou ilícita. A providência foi adotada me situação
emergencial, ante a surpresa de bloqueios online e
desconhecimento dos processos nas quais foram originadas.
Na impossibilidade de prever novos bloqueios, o
PRP NACIONAL adotou a providência de proteger o fundo
partidário, transferindo para a conta "Outros Recursos", e
documentando toda movimentação de forma clara e
transparente na contabilidade do partido.
Vale aqui destacar que apesar da impenhorabilidade reconhecida na
legislação, e da não solidariedade entre dívidas contraídas por níveis
partidários, a prática forense vem demonstrando que uma vez
encontrado qualquer valor em conta partidária, os juízes
simplesmente determinam o bloqueio, e remetem o ônus da
discussão e dos recursos inteiramente aos partidos.
Por tal razão, não houve irregularidade na providência adotada pelo
PRP NACIONAL, o que fica comprovado pelas peças processuais
anexadas, não havendo justificativa para aplicação de penalidades.

Por sua vez, a unidade técnica, no exame das alegações


trazidas pelo partido, sustenta que a irregularidade subsiste, pois houve
trânsito de recursos fora de estabelecimentos bancários, em desconformidade,
2
portanto, com o artigo 43 da Lei n° 9.09611995

2
Art. 43. Os depósitos e movimentações dos recursos oriundos do Fundo Partidário serão feitos em
estabelecimentos bancários controlados pelo Poder Público Federal, pelo Poder Público Estadual ou, inexistindo
estes, no banco escolhido pelo órgão diretivo do partido.
PC n° 877-48.2011.6.00.0000IDF 31

Outrossim, a Informação n° 173 registrou que "embora o


partido alegue que as transações ocorreram em virtude dos bloqueios judiciais
em suas contas, o valor de certos saques é maior que o somatório dos
bloqueios. Foram efetuados seis saques de R$5.000,00, um de R$43.500,00,
um de R$34.000,00, um de R$43.000,00 e um de R$55.000,00. O saldõ na
conta Caixa ao final do exercício era de R$71 .561 ,97".

Em que pese o entendimento da unidade técnica, entendo que


o partido, embora tenha descumprido o disposto na legislação, não pode ser
penalizado por essa irregularidade. Isso porque, os recursos retirados da
conta-corrente do Fundo Partidário foram depositados em outra conta-corrente,
afastando o risco de roubo e extravio dos recursos, receio expressado pela
unidade técnica. Ademais, ainda que tenha havido saques na conta-corrente
na qual eram depositados os recursos do Fundo Partidário, e a conta contábil
"caixa" tenha registrado um valor considerado excessivo ao final do exercício
(R$ 71.561,97), as despesas pagas com recursos do Fundo Partidário, foram
em sua maioria devidamente comprovadas, à exceção de algumas
irregularidades, as quais já analisadas nesta decisão. Dessa forma, entendo
que a irregularidade não impossibilitou a transparência das contas.

Assim, ainda que o partido tenha deixado de observar a


legislação - e tramitado parte dos recursos do Fundo Partidário em
conta-corrente diversa, até mesmo fora de qualquer conta-corrente -, tal fato
não impossibilitou o controle da conta.

Por essas razões, afasto a mencionada irregularidade.

S. Recursos de Origem Não Identificada (RONI) - R$ 1.337,27

A unidade técnica consignou que houve recursos de origem


não identificada no montante de R$ 1.337,27 (mil, trezentos e trinta e sete
reais e vinte e sete centavos). Registro que desde 21.7.2015, a irregularidade
havia sido citada, por intermédio da Informação n° 400 Secep/Coepa/SCIA
(fis. 88-96).
4..-
c n° 877-48.2011.6.00.0000IDF 32

No entanto, quanto a esse ponto, o partido não prestou


nenhum esclarecimento. À fl. 395, requereu dilação de prazo para explicação
e, posteriormente, à fI. 413, reiterou o pedido.

Em 14.3.2016, o partido alegou que a importância "não se trata


de movimentação de Fundo Partidário, e sim, de recursos próprios do partido
com erro material de lançamento contábil" (fI. 568). No entanto, a afirmação foi
desacompanhada de documentos, o que não infirma a conclusão da unidade
técnica.

Nos termos do artigo 14 da Resolução-TSE n° 23.464/2015, o


recebimento de recursos de origem não identificada implica o recolhimento do
seu montante ao Tesouro Nacional.

Assim, entendo que persiste a irregularidade.

6. Não comprovação de despesas registradas na conta contábil


Despesas Gerais, referentes a pagamentos com recursos próprios, em
descumprimento ao disposto no art. 90, 1, da Resolução-TSE
n° 21 .841/2004

A unidade técnica constatou que não houve a apresentação de


documentos que atestassem a realização de despesas a título de Despesas
Gerais Serviços, no montante de R$ 3.666,70.

A agremiação, por sua vez, esclareceu que juntou aos autos


recibos para a comprovação dos serviços, o que seria suficiente, em
conformidade ao artigo 90, II, da Resolução-TSE n°21.841/2004.

Com razão a unidade técnica, visto que, ao contrário do


afirmado pelo partido, a Resolução-TSE n° 21.841/2004 não considera
suficiente a apresentação de recibos para a comprovação de despesas, pois a
regra é a apresentação de notas fiscais, a não ser que a legislação
competente dispense a emissão de documento fiscal, o que não foi
demonstrado pelo partido.
c n° 877-48.2011.6.00.0000IDF 33

Assim, subsiste a presente irregularidade, no montante de


R$ 3.666,70 (três mil, seiscentos e sessenta e seis reais e setenta
centavos).

7. Registro contábil incorreto, ocasionando impropriedades nos valores


das receitas do partido, de modo que não atendeu à diligência, em
descumprimento ao disposto no art. 37, § 11, da Lei n° 9.09611995

A unidade técnica assinalou que houve impropriedades


contábeis nas contas do partido, a seguir relacionadas:

Irregularidade Intimação do partido Saneamento

Diferença de R$ 4,05 entre Houve. Parcial, pois houve


os dados constantes do reapresentação do
Siafi (Sistema Integrado de DRD, mas não
Administração Financeira do houve correção nos
Governo Federal) e o Balanços
declarado pelo Partido no Patrimoniais dos
Demonstrativo de Receitas e exercícios de 2011,
Despesas (DRD) - 2012 e 2013,
fls. 45-47. disponíveis no site
do TSE.

Houve solicitação de Houve Não houve, pois o


manifestação quanto à Partido informou
escrituração contábil de que as alterações
Obrigações a Pagar seriam corrigidas
registrada no Passivo nos lançamentos
Circulante sem ser contábeis de 2011,
observada classificação o que não foi feito,
estabelecida pelas Normas conforme exame do
Brasileiras de Balanço Patrimonial
Contabilidade, de 2011, no site do
TSE.
c n° 877-48.2011.6.00.0000IDF 34

Assim, observo que o partido foi intimado acerca das


irregularidades em epígrafe, mas não as corrigiu, como assinalado pela
unidade técnica.

Dessa forma, não há como serem afastadas as irregularidades


citadas.

3) CONCLUSÃO

Da análise das contas prestadas, tem-se, portanto, que


permaneceram não supridas as seguintes falhas referentes aos recursos do
Fundo Partidário:

Não vinculação das despesas com as atividades de


manutenção da sede e serviços do partido, em descumprimento ao disposto no
art. 80, 1, da Resolução-TSE n° 21.841/2004, no montante de R$ 1.008,39
(mil e oito reais e trinta e nove centavos);

Apresentação de documentação fiscal sem


reconhecimento de autenticidade integral por parte do Fisco, em
descumprimento ao disposto no art. 90, 1, da Resolução-TSE n° 21 .841/2004,
no valor de R$ 5.826,58 (cinco mil, oitocentos e vinte e seis reais e cinquenta e
oito centavos);

Não apresentação de documentação fiscal referente a


despesas relativas ao Encontro Nacional de Mulheres, no valor de R$ 1.050,00
(mil e cinquenta reais);

Não apresentação de documentação fiscal referente ao


pagamento de fatura relativa à empresa Motor 3 Veículos, no valor de
R$ 372,50 (trezentos e setenta e dois reais e cinquenta centavos);

Pagamento de Guia de Recolhimento da Previdência


Social a maior, no valor de R$ 310,00 (trezentos e dez reais);

Apresentação de contratos com empresa não autorizada a


prestar os serviços contratados, no valor de R$ 1.948,60 (mil, novecentos e
quarenta e oito reais e sessenta centavos).
c n° 877-48.2011.6.00.0000IDF 35

As demais irregularidades, referentes a recursos próprios do


partido:

Lançamento contábil divergente da documentação


apresentada, no que se refere a suposto empréstimo contraído pelo partido
com o seu Presidente, Sr. Ovasco Roma, no valor de R$ 1.220,00
(mil, duzentos e vinte reais);

Não comprovação de despesas registradas na conta


contábil Serviços Técnicos Profissionais, referentes a pagamentos com
recursos próprios, no valor de R$ 7.041,58 (sete mil e quarenta e um reais e
cinquenta e oito centavos);

Não comprovação de despesas registradas na conta


contábil Serviços e Utilidades, referentes a pagamentos com recursos próprios,
no valor de R$ 3.258,33 (três mil, duzentos e cinquenta e oito reais e trinta e
três centavos);

Não comprovação de despesas registradas na conta


contábil Despesas Gerais, referentes a pagamentos com recursos próprios, no
valor de R$ 3.666,70 (três mil, seiscentos e sessenta e seis reais e setenta
centavos);

Registro contábil incorreto.

Verifica-se, assim, que apenas 1,22% de recursos obtidos do


Fundo Partidário no exercício de 2010 (R$ 856.436,07) foram aplicados
irregularmente pelo partido. Considerando todos os recursos obtidos pela
agremiação (R$ 1.069.048,23) e todas as irregularidades constatadas
(inconformidades com recursos do Fundo Partidário somadas às demais -
R$ 25.702,68), o percentual alcança 2,40%.

Desse modo, entendo que os valores tidos por irregulares não


constituem quantia suficiente para ensejar a rejeição das contas, em observância
aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.

A propósito, esse é o entendimento da jurisprudência desta


Corte. Confira-se:
c no 877-48.2011.6.00.0000IDF 36

PRESTAÇÃO DE CONTAS. PTN. DIRETÓRIO NACIONAL.


EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2009. CONTAS APROVADAS COM
RESSALVAS. IMPOSIÇÃO DE RESSARCIMENTO AO ERÁRIO.
A aprovação das contas apresentadas com ressalvas em função
das irregularidades apuradas impõe sempre a devolução dos
respectivos valores ao erário. Precedente do TSE: PC n° 978-22/DF,
ReI. Min. Laurita Vaz, redator para o acórdão Mm. Dias Toffoli,
DJe de 14.11.2014.
In casu, a) as falhas apontadas na prestação de contas pela
unidade técnica (i.e., a não comprovação de despesas e a aplicação
inadequada do Fundo Partidário, além de serem meramente formais)
alcançaram apenas 5,19% daqueles recursos no montante de
R$ 33.284,77 (trinta e três mil, duzentos e oitenta e quatro reais e
setenta e sete centavos), circunstância que autoriza a aplicação dos
princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, considerado o
percentual irrisório em relação ao total da movimentação contábil.
Precedentes do TSE (AgR-Al n° 7677-441R5, ReI. Mm. Dias Toffoli,
DJe de 21.10.2013 e Pet n° 2.661/DF, ReI. Mm. Marcelo Ribeiro,
DJe de 21 .5.2012).
b) compulsando os autos, depreende-se, pela documentação
acostada, que as falhas, omissões e irregularidades encontradas
pela COEPA na análise contábil não comprometeram, no conjunto, a
confiabilidade e a transparência das contas.
Contas apresentadas pelo Partido Trabalhista Nacional, relativas
ao exercício financeiro de 2009, aprovadas com ressalvas, de acordo
com o disposto no art. 27, II, da Res.-TSE n° 21.841/2004, com a
determinação de recolhimento ao Erário do valor de
R$ 34.595,87 (trinta e quatro mil, quinhentos e noventa e cinco reais
e oitenta e sete centavos), devidamente atualizado, a ser pago com
recursos próprios, nos termos do art. 34, caput, da Res.-TSE
n°21.841/2004.
(PC no 932-33/DF, rei. Mm. LUIZ FUX, DJEde 10.6.2015)

PRESTAÇÃO DE CONTAS. EXERCÍCIO FINANCEIRO


2004. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. RECOLHIMENTO AO
ERÁRIO E AO FUNDO PARTIDÁRIO. NECESSIDADE.
PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL PREJUDICADO.
APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA
RAZOABILIDADE.
O julgamento da prestação de contas, vinculado aos documentos
juntados ao processo, não obsta o ajuizamento de ação que vise a
apurar eventual abuso de poder econômico.
A dívida de pessoa jurídica, distinta do partido político, decorrente
de decisão da Justiça do Trabalho, não pode ser adimplida com
recursos do Fundo Partidário, pois não se coaduna com as hipóteses
previstas no art. 44, incisos 1 a V, da Lei n° 9.096/95.
O partido político não logrou êxito em afastar a existência de
verba de origem não identificada na prestação de contas.
In casu, as irregularidades apontadas alcançam menos de
2% dos recursos movimentados pelo partido no exercício de
c no 877-48.2011 .6.00.0000/DF 37

2004, possibilitando a aplicação dos princípios da proporcionalidade


e da razoabilidade, conduzindo à aprovação das contas com
ressalvas.
A jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral entende que,
mesmo quando as irregularidades encontradas redundam em
aprovação com ressalvas das contas apresentadas, é cabível a
determinação de devolução ao erário dos valores das despesas não
comprovadas.
Contas aprovadas com ressalvas.
(Pet n° 16-2IIDF, de minha relatoria, DJEde 8.10.2014)

Ante o exposto, APROVO, COM RESSALVAS, as contas do


PARTIDO REPUBLICANO PROGRESSISTA, referente ao exercício financeiro
de 2010.

Desse modo, determino que o DIRETÓRIO NACIONAL DO


PARTIDO REPUBLICANO PROGRESSISTA (PRP) restitua aos cofres
públicos os seguintes valores pagos indevidamente com recursos do Fundo
Partidário:

R$ 10.516,07 (dez mil, quinhentos e dezesseis reais e sete


centavos), referentes à aplicação irregular de 1,22% dos recursos recebidos do
Fundo Partidário;

R$ 1.337,27 (mil, trezentos e trinta e sete reais e vinte e sete


centavos), referente ao recebimento de recursos de origem não identificada
(RONI) deve ser ressarcido ao erário. Precedente: PC n° 906-98,
rei. Mm. MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, DJe de 31.3.2016.

O ressarcimento deve ser efetuado por meio de Guia de


Recolhimento da União (GRU) e devem ser juntados aos autos os respectivos
comprovantes. A quantia relativa à aplicação irregular do Fundo Partidário deve
ser devidamente atualizada e recolhida ao erário com recursos próprios, no
exercício seguinte ao julgamento das contas (2017).

Determino que seja dada ciência à Asepa do conteúdo desta


*
decisão, para que apure, por ocasião da análise da prestação de contas do
exercício de 2011 da agremiação, a aplicação do percentual de 5% dos recursos
recebidos do Fundo Partidário no exercício de 2010, acrescidos do percentual de
2,5%, na criação e manutenção de programas de promoção e difusão daJ
PC n° 877-48.2011 .6.00.0000/DF

participação política das mulheres (art. 44, V, da Lei n° 9.096/1995, com a


redação conferida pela Lei n° 12.034/2009, vigente à época dos fatos).

Por fim, julgo PREJUDICADO o agravo regimental, pois a


supervenlência da decisão final nesta prestação de contas enseja a perda de
objeto de agravo interposto de decisão interlocutória. ~V

É como voto.
c n° 877-48.2011.6.00.0000IDF 39

EXTRATO DA ATA

PC n° 877-48.2011.6.00.0000IDF. Relatora: Ministra Maria


Thereza de Assis Moura. Requerente: Partido Republicano Progressista (PRP)
- Nacional, por seu Presidente (Advogados: Joelson Costa Dias - OAB:
10.441/DE e outros). Requerente: Ovasco Roma Altimari Resende, Presidente.
Requerente: Oswaldo Souza Oliveira, Vice-Presidente. Requerente: Jorge
Rosário Aleluia, Vice-Presidente. Requerente: Tibelindo Soares Resende,
Vice-Presidente. Requerente: Mirley Altimari Resende, Vice-Presidente.
Requerente: Ademir de Mattis, Tesoureiro. Requerente: Bruno Altimari
Resende de Mattis, Tesoureiro (Advogados: Andreive Ribeiro de Sousa - OAB:
31.0721DF e outros).

Decisão: O Tribunal, por unanimidade, aprovou, com ressalvas,


as contas do Partido Republicano Progressista (PRP) - Nacional, nos termos
do voto da relatora.

Presidência do Ministro Dias Toifoli. Presentes as Ministras


Maria Thereza de Assis Moura e Luciana Lóssio, os Ministros Gilmar Mendes,
Luiz Eux, Napoleão Nunes Maia Eilho e Henrique Neves da Silva, e o
Vice-Procurador-Geral Eleitoral, Nicolao Dino. Registrada a presença do
Dr. Andreive Ribeiro.

SESSÃO DE 26.4.2016.