Você está na página 1de 30

(1494-1906) A CONFIGURAÇÃO TERRITORIAL DO BRASIL.

A CONFIGURAÇÃO TERRITORIAL DA AMÉRICA PORTUGUESA.

SINOPSE DOS FATORES QUE PERMITIRAM A EXPANSÃO TERRITORIAL

1. (1580-1640) União Ibérica.

2. Mito da Ilha Brasil.

3. Atividades econômicas.

SINOPSE TRATADOS IMPORTANTES

1. (1493) Bula Inter Coetera.

2. (1494) Tratado de Tordesilhas.

3. (1529) Tratado de Saragosa.

4. (1713) Tratado de Utrecht.

5. (1750) Tratado de Madri.

6. (1761) Tratado de El Pardo.

7. (1777) Tratado de Santo Idelfonso.

8. (1801) Tratado de Badajoz.

9. (1851) Tratado de Limites Peru.

10. (1851) Tratado de Limites Uruguai.

11. (1859) Tratado de Limites Venezuela.

12. (1867) Tratado de Limites Bolívia.

13. (1872) Tratado de Limites Paraguai.

14. (1890-1895) Questão de Palmas (Brasil x Argentina)

15. (1895-1900) Questão do Amapá (Brasil x França).

16. (1903) Questão do Acre (Tratado de Petrópolis).

17. (1904) Questão do pirara (ou Questão da Guiana) (Brasil x Inglaterra).

1
18. (1906) Acordo com os Países Baixos para a demarcação das fronteiras com o

Surinami (Tratado de Fronteiras já existia desde o século XVII).

FATORES QUE PERMITIRAM A EXPANSÃO TERRITORIAL

Os séculos XVII e XVIII constituem marcos da exploração de imensas propriedades rurais,

com limites mal definidos, doados pela Coroa Portuguesa a aristocratas portugueses.

 Segundo a CESPE a afirmativa acima está certa pois: “ A dinâmica de doação de terra

para exploração certamente prevaleceu na colônia entre os séculos XVI e XVII. As

grandes extensões de terras cedidas aos “homens bons” da Corte pela monarquia

portuguesa, com a exigência de que deveria haver uma efetiva ocupação e produção

destas terras. Assim, somente quem tivesse laço com a alta ou baixa nobreza era

comtemplado.

As Cartas de Doação demonstram desorganização, a irregulares e a ilegalidade da definição

de limites dificultando o controle da demarcação. Segundo a CESPE esse sistema perdurou

até 1822 ??.

1. (1580-1640) UNIÃO IBÉRICA:

Durante a qual aconteceram importes eventos como a França Equinocial, cuja reação,

ordenada por monarcas espanhóis a súditos portugueses, garantiu a expansão das posses

portuguesas ao norte no processo de expulsão ocupação e defesa dessas regiões. Inclusive,

fundando fortes que propiciariam núcleos de povoamento e formaria futuras cidades, é o

caso do Forte do Presépio ao redor o qual formou-se Belém.

 Esses fortes, seriam, posteriormente, utilizados como legitimadores das posses

portuguesas na região, notadamente, durante as negociações do Tratado de Madri de

1750.

2
2. MITO DA ILHA BRASIL:

Surgiu com a crença de que em algum lugar no interior do continente s grandes bacias

hidrográficas do Prata e Amazônica se encontrariam. Assim, o Brasil seria, na verdade, uma

grande ilha.

 Tal ideias estimulou, por exemplo, a fundação de Sacramento, que, também era de

interesse de comerciantes portugueses.

3. ATIVIDADES ECONÔMICAS E A EXPANSÃO DAS POSSESSÕES

PORTUGUESAS:

Temos que deixar claro que, para que a ocupação propiciada pela expansão territorial seja

efetiva, é necessária um a atividade econômica que lhe dê suporte.

Isso é relevante para compreender que a ocupação duradoura que lastreou o uti possidetis

do Tratado de Madri de 1750, está, em todos os lugares, sustentada por alguma atividade

econômica como: a cana, o ouro, a pecuária, as drogas do sertão, dentro outras.

 Mas também haviam outros produtos como o Tabaco e a cachaça, que, apesar de

representarem, financeiramente, um valor pequeno frente as demais atividades

econômicas, eram essenciais para viabilizar o tráfico negreiro, que alimentou de mão de

obra as economias: açucareira e aurífera.

 Outro importante bem era o sal, que era monopólio da Coroa Portuguesa, o que gerou ,

por exemplo, rebeliões nativistas.

 Outro fator importante, que devemos manter em mente, é que, apenas 1/3 da população

era escrava. A maioria da população era livre e pobre, trabalhando na agricultura ou

pecuária de subsistência, para abastecimento interno e em trabalhos autônomos.

 Expansão Bandeirante: Sudeste, Sul e Centro-Oeste:

3
As bandeiras foram responsáveis pelo maior ciclo de expansões do Brasil e tiveram seu

núcleo de irradiação em São Vicente e São Paulo.

Esse protagonismo deu-se pela dificuldade dessas cidades de engrenarem sua economia com

base no açúcar que ascendia as economias nordestinas . As principais dificuldades

encontradas eram:

1. O altos preços dos fretes entre elas (mais distantes) e as Metrópoles;

2. A faixa estreita e alagadiça de São Vicente, pouco propícia ao Plantation.

3. Falta de capital para investimento em virtude desses problemas.

Em decorrências estas capitanias restaram ‚abandonadas pelo comércio metropolitano e

empobrecidas. Assim suas principais atividades eram voltadas a subsistência e ao mercado

internos, como o caso do trigo.

 Desenraizamento e as Bandeiras:

Nesta situação e carente de produtos europeus os habitantes aproximaram do meio de vida

indígena, com seus hábitos inclusive o desenraizamento necessário para empreender as

longas jornadas realizadas pelos bandeirantes no interior.

 Demanda por mão de obra indígena e seu crescimento com a Invasão Holandesa de

Angola:

Carente de mão de obra negra os Paulistas apresavam os índios, para abastecer suas

necessidades, inclusive a crescente produção de trigo em São Paulo.

No entanto, nas invasões holandesas os flamengos invadiram também possessões

Portuguesas na África com o fim de abastecer a Zona Açucareira. Carentes de escravos, o

restante da colônia em mãos Portuguesas demandaram escravos índios, que apenas os

Paulistas com experiencia sertanista e desenraizamento poderiam proporcionar em larga

4
escala.

 Ataque as missões jesuíticas:

Um dos focos de ataques de apresamento foram as missões jesuíticas, onde os índios

encontravam-se habituados a vida sedentária, com a agricultura e já tinham perdido seu

hábito de mobilidade.

Tais ataques empurraram os jesuítas cada vez mais para os territórios espanhóis e

aumentavam as posses Portuguesas, o que seria depois usado como argumento do uti

possidetis.

Importante! Lembre que o apresamento indígena feria dois Alvarás reais que reafirmavam o

direito de liberdade e remuneração ao trabalho indígena.

 Retomada de Portugal da Zona Açucareira e dos núcleos de abastecimento de

escravos e as Bandeiras de Exploração:

No entanto, após a expulsão dos holandeses e a normalização do tráfico negreiro, a demanda

por índios diminui.

A coroa portuguesa viu os lucros com o açúcar caírem cerca de 25% com a expulsão dos

holandeses, que passaram a produzir açúcar nas Antilhas.

Daí se renovou o interesse em encontrar jazidas preciosas. Assim, os Bandeirantes passaram

a se dedicar a procura por metais e pedras preciosas, que seriam por volta de 1690

descobertas, em grandes jazidas, em Minas Gerais.

 Expansão da Mineração = expansão bandeirante:

 A expansão da mineração dá-se em 03 fases:

1ª 1700-1725 expandindo-se pelo que hoje é MG.

2ª Inicia-se em 1718 expandindo-se pelo que hoje seria o MT.

3ª A partir de aproximadamente 1725 com a fundação de Vila Boa, que deu origem à

capitania de Goiás.

5
 Bandeirantes na opção do sul e do centro oeste:

As bandeiras de apresamento ao sul destruíram várias Missões jesuíticas, mas não se


apossaram do território.
Expulsos os Jesuítas, grandes rebanhos bovinos e muares ficaram dispersos na região e
através das condições favoráveis do Pampa multiplicaram-se rapidamente.
Esses grandes rebanhos e as terras não ocupadas levaram a três movimentos de ocupação:

a) Os Jesuítas: que retornaram ao território e fundaram em 1687 Os Sete Povos das


Missões.
- que mais tarde no contexto do Tratado de Madri de 1750 deveriam ficar para
Portugal o que gerou o conflito com os Jesuítas e desencadeou as Guerras
Guaraníticas.
b. Colonos paulistas e portugueses: que foram fundando várias de cidades com o fim de
apropriar-se daquele gado selvagem.

 Formação da cultura gaúcha e os estancieiros do Sul:

Esses núcleos pecuários seriam aqueles que no decorrer do ciclo da mineração


passariam a atender as regiões das Minas com charque e couro.

A princípio enquanto não era necessária a engorda do Gado já que não havia grande
demanda no mercado interno as pastagens eram coletivas.
Porém com o aumento da demanda do charque na região das Minas e por
consequência da produção surge a necessidade da engorda do gado e as melhores
pastagens passam a ser disputadas, gerando uma apropriação de terras de forma
desigual, aqui formam-se as Estâncias.

- estâncias: que propriedade dos estancieiros eram grandes extensões de terra com um
grande rebanho cuidados pelo peão que desempenhavam suas funções e regime de semi-
servidão.

c. E 1680 autoridades portuguesas fundou a colônia de Sacramento, as margens do


Prata, para expandir ainda mais a posse portuguesa.

DISPUTAS PELA COLÔNIA DE SACRAMENTO:

 Colônia de Sacramento:

Foi fundada em 1680 na margem Norte do Rio da Prata pelo interesse português no mercado
da América espanhola e o acesso ao Mato Grosso Mato Grosso do Sul e Goiás através os rios
da Bacia do Prata.

Representou o Estopim das rusgas fronteiriças entre Portugal e Espanha.

6
 Medo espanhol:

Os espanhóis têm o domínio do comércio do Rio da Prata pelos portugueses e que ele se
estendesse até as minas de Potosí, e sua economia complementar, assim, logo após a
construção da colônia, houve a sua primeira invasão:

 Invasões e ataques a Colônia de Sacramento:

1º (1680) Invasão espanhola de Sacramento:


Deus se logo após a fundação da colônia.
Sacramento foi restituída Portugal pelo Tratado de Lisboa em 1681

2º (1704) Ataque espanhol.

3º Ataque espanhol no contexto da Guerra de Sucessão Espanhola (1791-1714).


 Em 1715 com o Tratado de Utrecht, que põe fim à guerra a Espanha, a Espanha é
obrigada a devolver a colônia Portugal.

4º (1735) novo ataque espanhol, mas, não conseguindo tomar a colônia, os espanhóis
desistem.

 Após longo impasse inicia-se às tratativas para solucionar as questões por tratados.

Em 1750 é assinado o Tratado de Madri.

 Bandeirismo de Contrato:

Também houve o Bandeirismo de Contrato em que os bandeirantes eram contratados para

prestar serviços à coroa. Foram contratados por exemplo para debelar a Guerra dos Bárbaros

(1683-1713) e a destruição de quilombos, dentre eles Palmares.

 Bandeira de Limites:

Bandeira de Raposo Tavares percorre 12.000km chegando a Amazônia e Peru (1648-1654)

‚Bandeira dos Limites‛. O bandeirismo, a pecuária, mineração, o extrativismo e as missões

católicas são elementos que concorrem para a conquista do interior. Paralelamente o mito da

7
‚Ilha-Brasil‛ servia para acalentar a ideia de que o país possuía fronteiras naturais bem

definidas, do Amazonas ao Prata.

 Bandeirantes transformados em heróis na Revolução de 1932.

Observemos que os bandeirantes eram na Colônia e no Império denegridos e negligenciados

pela historiografia tendo seu papel pioneiro resgatada por Capistrano de Abreu e Varnhagen,

sendo depois mistificado pela Revolução de 1932.

 Expansão do Nordeste: Açúcar e Pecuária:

 Atividade Canavieira:

Sua alta lucratividade permitiu a formação de um razoável mercado consumidor. isso


normalmente estimular e a formação de outros centros especializados para a atender essa
demanda.
No entanto, segundo Celso Furtado, dois fatores boicotaram o desenvolvimento local de
manufaturas para atender a esses mercados:

1º. Interesse de Comerciantes Portugueses e Flamengos de lucrar com a venda de


mercadorias a zona açucareira.
Isso facilitado pelos fretes extremamente baixos para trazer mercadorias, Afinal os navios
queriam pegar o açúcar, o que facilitou a importação.~

2º A preocupação Metropolitana: a Metrópole queria evitar o surgimento de atividades


locais que viessem disputar com a economia Metropolitana.

 Ocupação do interior pela pecuária extensiva, atividade paralela à Açucareira:

Nesse contexto, um dos poucos produtos que podiam ser produzidos era o gado utilizado
para: transporte alimentação força motriz e couro.

Os pastos de má qualidade e a ação metropolitana de não permitir a pecuária no litoral para


não prejudicar as atividades Canavieiras levaram à criação do Gado para o interior
principalmente pelos cursos dos rios.

 Pecuária nordestina e o abastecimento das Minas:

Como vimos o ciclo da mineração gerou uma maior integração entre as diferentes zonas
produtivas da colônia portuguesa na América.

8
Rio de Janeiro produzir instrumentos e utensílios, o Sudeste trigo e a comercialização de
animais de tração, como demonstro surgimento da feira de Sorocaba e o sul do país que
abastecer o Mercado Mineiro de charque e couro.
no entanto a pecuária extensiva nordestina também passou a atender a demanda na região
das Minas com gado de corte.

 Incompatibilidades da criação de gado extensiva e a escravidão:

o sistema de criação da pecuária extensiva nordestina é incompatível com a escravidão


portanto eram utilizados trabalhadores assalariados ou em regime de semi-Servidão.

 regressão a subsistência:

Atividade pastoril nordestino existe em função das economias açucareira e mineira. assim

com as suas decadências respectivamente em meados do século 17 e 18 essa atividade

pastoril regrediu a subsistência, gerando a estrutura social que existe até hoje e a figura do

Vaqueiro.

 Expansão pelo Norte: Expansão Oficial.

Ocupação da região norte:

Também chamada de expansão oficial: pois deu-se, em grande parte, por determinação das
coroas.

 Motivos para a coroa ocuparam o litoral do Pará e o vale amazônico:

1. Presença estrangeira, principalmente de: ingleses, holandeses e franceses.

Atenção! Não podemos esquecer da expansão provocada pela França equinocial e as


sucessivas expulsões estrangeiras que levaram a construção de fortes por todo o litoral do
Nordeste e Norte do Brasil, até a foz do rio Amazonas.

2. Esperança de encontrar metais preciosos.

 Colonização do Vale amazônico x colonização do Maranhão:

o Colonização do Vale amazônico:

9
Iniciou-se pelas expedições de exploração:

A mais famosa de Pedro Teixeira em 1637 saiu de Belém e explorou um enorme área dos
domínios Portugueses e Espanhóis percorrendo em três anos mais de 10 mil km chegando
Inclusive a Quito no Equador.
Essas explorações foram determinadas pela coroa espanhola em um contexto de união
Ibérica que temiam o acesso das possessões espanholas que tinham Minas preciosas pelo vale
amazônico

Exploração econômica:

A economia da Região Amazônica encontra-se afastada do centro dinâmico da colônia bem


como encontra-se precariamente integrado ao mercado europeu.
Não tendo encontrado metais preciosos a posse nas drogas do sertão exportados para
Europa.
Essa é a base da economia amazonense até o final do século 19.
a exploração era exercida pelos colonos e Jesuítas através do trabalho indígena o que gerou
grandes embates como nós podemos ver na revolta de Beckman.

a utilização do trabalho indígena pelos Jesuítas e pelos Colonos:

os dias Unidas ao invés de forçar o índio a trabalhar conseguiam a sua cooperação


voluntária = prosperavam.
os colonos queriam escravizar a mão de obra indígena que se insurgia = crescentes
dificuldades.

a coroa intervém proibindo a escravidão indígena exceto em caso de guerra justa.


Não melhorou muito a situação do indígena já que os fazem dedos constantemente os
assediava exterminando muitas tribos.
já em meados do século 18 o Marquês de Pombal que tinha embates políticos com os
Jesuítas, diante da reação e a sua política de benefício aos cristãos novos na intenção de
formar uma burguesia comercial, aproveita-se do atentado ao rei e a reação e dos
jesuitas ao Tratado de Madri com as guerras guaraniticas, expulsando-os de todo o império
Português.

após a expulsão jesuítica a Amazônia entre estado-nação Econômica da qual só se recuperar


ia no ciclo da borracha final do século 19.

o a colonização do Maranhão:

Também sustentava-se com base nas drogas do sertão igualmente possuía embates entre
colonos e Jesuítas.

10
(1682) companhia de comércio do Maranhão: foi a primeira tentativa da coroa de alavancar
a economia local, acabou prejudicando os colonos e desencadeando em 1684 A Revolta de
Beckman.

Companhia Geral de comércio do Maranhão e Grão Pará:

Foi criado por Pombal em 1755 o fim de desenvolver a economia da região. foi bem-
sucedida introduzindo a produção do algodão na região bem como a escravidão negra.

o Produção de algodão no Maranhão:

Com a guerra de independência americana 1776 e a demanda inglesa por algodão em plena
Revolução Industrial houve um grande crescimento econômico do Maranhão Queen 25 anos
tornou-se o maior produtor de algodão do mundo.
no entanto com a recuperação dos algodoais no Sul americano o Maranhão entra
novamente em decadêcnia.

Já em 1774, Pombal acaba com o Estado do Maranhão e Grão-Pará através da criação do

vice-reino do Brasil que funde as Duas colônias com administração centralizada no Rio de

Janeiro.

TRATADOS IMPORTANTES

 Bula Inter Coetera (1493) e Tratado de Tordesilhas (1494).

Ainda no século XV, na condição de potências marítimas, Portugal e Espanha por

duas vezes dividiram o mundo entre si: primeiro pela Bula Inter Coetera (1493), depois pelo

Tratado de Tordesilhas (1494).

 (1493) Bula Inter Coetera.

Em arbitragem, Bula Papal concedia a Portugal todas as terras à leste de seu meridiano, que

se localizava à 100 léguas a oeste de Cabo Verde e a Espanha ficaria com as terras à oeste

deste meridiano.

 (1494) Tratado de Tordesilhas (ou Capitulação da Partição do Mar Oceano):

Substituiu a arbitragem papal, havendo negociação direta definindo o novo meridiano em

11
370 léguas a oeste de Cabo Verde. Fincando Portugal com as terras a leste e Espanha com as

terras a oeste.

É considerado por muitos o primeiro ato relevante da diplomacia moderna, pois foi

negociado entre Estado e e não, como era comum na Idade Média, decidido pelo Papa.

Será confirmado pela igreja católica em 1506.

Atenção: o Acordo era omisso quanto a qual ilha do arquipélago seria a referência e qual

seria o tipo de milha utilizado, portanto, era, na prática, indemarcável.

Ao longo dos séculos posteriores ao tratado e à descoberta, ou “achamento” do Brasil, o

meridiano de Tordesilhas seria seguidamente ignorado por ambos os países, através da:

1. Fundação das missões jesuíticas: tanto ao sul como no vale amazônico, que permitiram a

ocupação de áreas pertencentes originalmente à Espanha.

2. Expansão da pecuária: que incentivara a incursão no interior via leito do São Francisco,

Lembre-se: até porque em 1701 foi proibida a criação de gado na linha de 10 milhas do litoral.

a. O Ciclo dos Currais e do gado inicia-se no século XVII , no Nordeste.

b. A transmigração da pecuária para o Sul e o Sudeste ocorreu no séc XVIII com o Ciclo

do Ouro.

3. As bandeiras: em busca de gentios e metais preciosos dos paulistas que fundaram

muitos vilarejos, alargando a posse Portuguesa do território.

4. Defesa do território das invasões estrangeira: como é o caso da expansão portuguesa até

Belém, afastando os franceses.

Importante: esse processo foi potencializado no contexto da União Ibérica (1580-1640).

 Frustração das demais potencias europeias a chancela da igreja a divisão das terras

ultramarinas entre Portugal e Espanha:

Ao mesmo tempo, outras potências, insatisfeitas com aquela divisão, reclamavam sua parte

12
na “herança de Adão”. Desse modo, as questões de limites, a conquista e a manutenção das

possessões ibéricas na América foram objeto de uma série de acordos.

 (1529) Tratado de Saragoça:

Veio solucionar a Qeustão das Molucas, que surgiu pela indefinição de À quem pertencia os

domínios orientais, após a conqueista de Málaca ( Indonesia), pelos português em 1511 e a

construção de fortes portugueses e epanhois nas Molucas.

Nesse sentido, o tratado de Saragosa cria um contra meridiano no tratado de Tordesilhas e

define a situação.

 (1713) Tratados de Utrecht:

Foi o Tratado quem pões fima Guerra de Sucessão Espanhola (1702-1713). Nesse período

Portugal e Espanha já estavam polarizado respectivamente à Inglaterra e França ( potencias

emergentes).

É nessa guerra que se evidencia a decadência das potenias ibérias e a ascenção de Inglaterra e

França.

Assim, embora a guerra tenha sido militarmente um empate, foi uma vitória política inglesa.

Portugal, aliando inglês, tambpem se beneficia:

França: reconhece ou rio Oiapoque como limite entre suas possessões e as possessões

portuguesas ( o que será utilizado na Questão do Amapá (1895).

Espnha: reconhece a posse portuguesa da Colonia de Sacramento.

 Tratado de Madri:

Em 1750, seria concluído entre Portugal e Espanha o Tratado de Madrid (1750),

idealizado pelo santista Alexandre de Gusmão. Ao estabelecer um tratado geral de

fronteiras, dividindo o continente entre as duas potências, esse acordo fixou aqueles que

viriam a ser os limites do Brasil moderno. Nas palavras de Synésio Sampaio Goes Filho, o

Tratado de Madrid concretizou o desenho do território brasileiro de acordo com o mito da

13
Ilha Brasil. Foi, sem dúvida, o mais importante tratado de limites entre Portugal e Espanha,

cujo legado vivo. Nele, foram estabelecidos paradigmas jurídicos que preservariam sua

validade em decisões posteriores.

A obra magna de Alexandre de Gusmão foi edificada em contexto de iminente

guerra sistêmica entre Inglaterra e França, uma vez mais. Como secretário do rei Dom João V

e integrante do Conselho Ultramarino, Alexandre negociou secretamente com a Espanha os

limites sul-americanos, tendo como contraparte espanhola Dom José de Carvajal y

Lancaster. As negociações começaram em 1746 e foram concluídas de acordo com as

diretrizes traçadas pelo santista.

Dois aspectos são essenciais para a compreensão do Tratado de Madrid: o conceito

de fronteiras naturais e o de uti possidetis.

 O primeiro visava a dar referências concretas para os limites, usando cursos fluviais e

elevações topográficas. Evitar-se-ia, assim, o estabelecimento de fronteiras abstratas,

“indemarcáveis”, como as de Tordesilhas.

 O segundo, recuperado por Gusmão do direito privado romano, matéria em que se

doutorara, garantiria a posse da terra para aquele que a ocupasse de fato. Em que pese o

consentimento espanhol, ambos os critérios revelaram-se favoráveis a Portugal.

Deve-se ressaltar que o Tratado de Madrid representou uma compensação global

entre Portugal e Espanha, na qual essa reconheceu como legítimo o avanço português além-

Tordesilhas no Norte, no Oeste e no Sul do continente sul-americano. De sua parte, Portugal

legitimava o avanço espanhol no Pacífico sobre as Ilhas Filipinas e as Molucas. Ademais,

ambas as potências concordavam em não alterar suas fronteiras na América do Sul como

resultado de guerras entre países europeus, com o que tentavam afastar ingleses e franceses

de suas possessões.

No Sul, Alexandre de Gusmão teve a sensibilidade necessária para abrir mão de

Sacramento, entendendo que era inviável mantê-la e que a Espanha a valorizava

sobremaneira. Em troca, garantiu para Portugal a Bacia Amazônica (ocupada legitimamente

durante a União Ibérica), o Mato Grosso (atingido após a descoberta de metais preciosos) e o

14
Rio Grande do Sul (fronteira estratégica no contexto platino).

Grande parte do sucesso português se deve ao conhecimento cartográfico acumulado

previamente. Sem o mesmo arsenal, a Espanha não teve como questionar, por exemplo, o

Mapa das Cortes. Contava-se, ainda, com a influência de Dona Maria Bárbara e com a

percepção espanhola de que o avanço português era irreversível e um tratado evitaria novas

perdas.

A morte de Dom João V, porém, resultou na ascensão de forças contrárias ao tratado,

também malvisto entre os espanhóis. Sebastião de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal),

particularmente, era contra a cessão de Sacramento por Sete Povos.

 Tratado de El Pardo (1761), Tratado de Santo Ildefonso (1777) e Tratado de Badajoz

(1801):

Em 1761, o Tratado de El Pardo anulou o de Madrid, cujos limites, observe-se, não

chegaram a ser demarcados. Em 1777, o Tratado de Santo Ildefonso praticamente

restabeleceu Madrid, exceto no Sul, onde havia novas perdas Portuguesas. Ildefonso,

entretanto, permaneceu preliminar, jamais sendo efetivado. No contexto da Guerra das

Laranjas, assinou-se o Tratado de Badajoz (1801), que não validava qualquer acordo

anterior.

 Política Expansionista de D. João VI na Região Platina durante o Período Joanino

(1808-1821):

Transmigrada a Corte Bragantina para o Brasil, Dom João denunciou o Tratado de

Badajoz. Deu início, então, a uma política expansionista contra os territórios dos países que

haviam forçado a sua saída de Portugal: franceses ao Norte e espanhóis ao Sul. A

importância geopolítica dessas regiões consistia no controle da foz do rio Amazonas e do rio

Prata. Nessa região, tentou anexar a Banda Oriental em 1816, sendo impedido pelos ingleses.

Finalmente, em 1821, atingiria seu objetivo, incorporando a Província Cisplatina,

que continuaria a ser objeto de disputa no Império, entre brasileiros e argentinos, até 1828,

quando se tornou independente, com o apoio de Ponsonby.

15
 Importância do Tratado de Madri nas definições da fronteiras da América Portuguesa:

De modo geral, é possível afirmar que, apesar das marchas e contramarchas, o

Tratado de Madrid foi o grande paradigma para o estabelecimento das fronteiras terrestres

brasileiras. O predomínio das fronteiras naturais e o uso do uti possidetis de facto por

Duarte da Ponte Ribeiro, contra as pretensões hispano-americanas pelo uti possidetis de jure,

demonstram toda a sua força, tendo sido validado por quase todos os vizinhos brasileiros,

exceção feita à Colômbia e à Argentina.

Aceitaram-no, portanto, Peru (1851), Bolívia (1867), Uruguai (1851), Venezuela (1859)

e Paraguai (1872). O território do Acre, outra exceção, foi obtido pelo Tratado de Petrópolis,

em 1903. Assim, é válida a afirmação segundo a qual, apesar de sua anulação, o Tratado de

Madrid desenhou o corpo da pátria.

 Questão da Guiana Francesa ( ou do Amapá) e a Questão do Pirará:

O processo de definição das fronteiras brasileiras com a Guiana Francesa e com a

Guiana Inglesa, também está inserido em um contexto de pressões de grandes potências e

expansão territorial e, no caso brasileiro, acesso ao território amazônico. Apesar de haver

diferenças quanto a característica geral das arbitragens que definiram as fronteiras nos dois

casos em tela, com a Questão do território do Amapá (1895 a 1900) e a definição do rio

Oiapoque tendo caráter mais geográfico e a Questão do Pirara (1904) envolvendo questões

mais jurídicas, em ambos os casos a atuação dos diferentes governos desde a Coroa

Portuguesa foi determinante para fazer frente à ameaça imperialista de expansão territorial

que teve seu ápice entre o final do século XIX e início do século XX.

A história das disputas entre Portugal e França por territórios na América tem início

ainda no século XVI, quando da implantação da França Antártica (1555-1559) na atual região

do Rio de Janeiro. Posteriormente, as tentativas francesas de estabelecer a França Equinocial

(1612) e a fundação de São Luís, no contexto da União Ibérica, tornam clara a fragilidade da

ocupação luso-espanhola na região amazônica, sobretudo no território do Cabo Norte, (atual

Amapá), e pertencente à Espanha desde Tordesilhas. Nesse contexto de insegurança

territorial que marca a América Portuguesa durante a União Ibérica, como demonstram as

16
invasões holandesas no nordeste, a concessão do Cabo Norte a súditos Portugueses, que se

instalam na região em torno do forte de Macapá e passam a chamá-la Feliz Lusitânia. Por

parte da Coroa espanhola será o marco jurídico fundamental para justificar a ocupação

Portuguesa na região após o fim da União Ibérica. Assim como viabiliza a ocupação do

território ao norte da foz do rio Amazonas, uma vez que a Coroa espanhola não tinha

interesse na região e tinha dificuldades geográficas de estender sua presença para além dos

Andes.

Durante o século XVIII e XIX persistiam tentativas francesas de expandir sua

presença a partir de Caiena para chegarem no Vale Amazônico. Apesar do sucesso militar

em ocupar territórios Portugueses no Cabo Norte, Utrecht 1713, tratado assinado na cidade

do mesmo nome na Holanda por ocasião do final das disputas em torno da sucessão do trono

espanhol, beneficia Portugal aliado inglês, que consegue uma importante vitória diplomática

frente a França com relação ao reconhecimento do rio Oiapoque (ou Vicente Pinzón) como

fronteira entre os dois Estados, sendo uma decisão de caráter mais geográfico.

Durante o Império, tais disputas continuavam desde o período regencial, na

Regência Feijó, quando o Império precisa instrumentalizar as rivalidades entre Inglaterra e

França para conter a ofensiva francesa ao sul do rio Oiapoque.

A Questão da Guiana Francesa tem novos desdobramentos em 1894, por ocasião da

descoberta de ouro na região e do contexto de expansão imperialista pós Congresso de

Berlim (1885), alarmando a diplomacia brasileira da jovem república.

Após incidentes militares na região, entre eles ataques militares franceses a povoados e

a civis desarmados, a negociação definitiva da fronteira com a França torna-se uma questão

de segurança nacional para conter eventual expansão militar francesa até o Vale Amazônico e

Macapá.

O chanceler Carlos de Carvalho inicia o processo de negociação do contrato de

arbitragem com a França para a definição do rio Japoc e da fronteira interior do território.

Rio Branco é nomeado advogado brasileiro na disputa, que terá Vidal de la Blache como

advogado francês e será arbitrado pelo presidente da Confederação Suíça.

17
Com base no 1º Tratado de Utrecht (1713) e na ocupação do território, e apesar de

tratados assinados por D. João VI no contexto das Guerras Napoleônicas e denunciados em

1808 e da Missão Uruguai à Paris, na década de 1850, Rio Branco tem sucesso em demonstrar

que o rio Oiapoque não era, como argumentava a França, o rio Amazonas. Novamente, a

atuação do governo brasileiro é fundamental para definir a questão territorial do País,

sobretudo na região Norte.

A Questão do Pirara, com a Inglaterra, tem histórico menos dramático que as

investidas francesas na região do Cabo Norte. Aliado fundamental para Portugal, a disputa

territorial acerca do Pirara é relativamente congelada desde a assinatura de um modus vivendi

que posterga a definição da ocupação do território demandado pelas duas nações após

incursões de exploradores ingleses no território Amazônico no início do século XIX. A

presença inglesa, no entanto, assim como a presença holandesa e francesa na região,

preocupam o governo brasileiro por conta da dinâmica de rivalidade imperialista que era

replicada no norte da América do Sul. Se por um lado era possível instrumentalizar tal

rivalidade para conter avanços de uma dessas potências, como no caso de Utrecht 1713 e

posteriormente da ameaça francesa na Regência, a força militar dessas potências era vista

sempre como uma ameaça e teria profundo impacto na formulação da política platina do

Barão do Rio Branco.

Tal presença é fundamentada pelo resultado do lado arbitral da questão do Pirara.

Processo sobretudo de caráter jurídico, diferente das questões arbitrais de Palmas e da

Guiana Francesa, onde o fator geográfico era preponderante, a discussão em torno da

questão da Guiana Inglesa envolvia princípios jurídicos de ocupação e questões envolvendo

definições de fronteiras naturais como forma de demarcação de fronteiras. O arbitramento

tem lugar após recusa brasileira de definir a região igualmente, conforme proposta inglesa.

Da mesma maneira que com a França, por se tratar de uma grande potência, o Brasil opta

pela arbitragem frente a relativa falta de recursos de poder e Nabuco é nomeado advogado

brasileiro na causa. O resultado, porém, surpreende a chancelaria brasileira e corrobora a tese

de Rio Branco e Nabuco acerca da ameaça imperialista como fator real de preocupação.

Victor Emanuel III, árbitro do processo, invoca o princípio da ocupação efetiva, consagrado

18
em Berlim (1885), como fator determinante em sua decisão, fato que, no limite, poderia

colocar sob ameaça grande parte do território nacional na Região Norte.

Dessa maneira, apesar de históricos distintos, é possível apontar elementos

comuns nas duas questões, como a constante ameaça imperialista que pairava sobre tais

fronteiras, a atuação decidida e consciente dos diferentes governos para ocupar e defender o

território norte e a preocupação em definir fronteiras. Além disso, tanto a questão da Guiana

Francesa quanto a do Pirara, em 1905, foram fundamentais para consolidar o afastamento

brasileiro da área de influencia política europeia e instrumentalizar a amizade dos Estados

Unidos como forma de se proteger do risco imperialista, característico do final do século XIX.

1. (1493) Bula Inter Coetera

Em arbitragem, Bula Papal concedia a Portugal todas as terras à leste de seu meridiano, que

se localizava à 100 léguas a oeste de Cabo Verde e a Espanha ficaria com as terras à oeste

deste meridiano.

2. (1494) Tratado de Tordesilhas (ou Capitulação da Partição do Mar Oceano):

Substituiu a arbitragem papal, havendo negociação direta definindo o novo meridiano em

370 léguas a oeste de Cabo Verde. Fincando Portugal com as terras a leste e Espanha com as

terras a oeste.

A sua superação ocorrerá com:

1. A fundação das missões jesuíticas tanto ao sul como no vale amazônico, que permitiram a

ocupação de áreas pertencentes originalmente à Espanha.

2. A pecuária incentivara a incursão no interior via leito do São Francisco, até porque em

1701 fora proibida a criação de gado na linha de 10 milhas do litoral.

 O Ciclo dos Currais e do gado inicia-se no século XVII , no Nordeste.

19
 A transmigração da pecuária para o Sul e o Sudeste ocorreu no séc XVIII com o Ciclo do

Ouro.

3. As bandeiras em busca de gentios e metais preciosos dos paulistas que fundaram muitos

vilarejos, alargando a posse Portuguesa do território.

Tudo isso incentivado no contexto da União Ibérica (1580-1640)

Obs: o Acordo era omisso quanto a qual ilha do arquipélago seria a referência e qual milha se

utilizaria.

 Quando já se sabe que o mundo é redondo existe a complementação com o Tratado de

Saragosa, que “fecha o círculo”.

3. (1529) Tratado de Saragosa:

Vem solucionar questão das Molucas, que surgiu pela indefiniãp de à quem pertencia os

domínios orientais. Esse acordo veio solucionar o conflito entre Portugal e Espanha, após a

conquista de Malaca (Indonésia) pelos portugueses em 1511 e a construção de um forte

português em Ternate (molusca). Em contraposição os espanhóis constroem um forte em

Tedore (Molucas) , contestando a posse portuguesa, e iniciando os embates que seriam

solucionados em 1529 com a Criação do Contra-meridinao de Tordesilhas pelo Tratado de

Saragosa.

4. (1713) Tratado de Utrecht

Foi o tratado que pos fim à Guerra de Sucessão Espanhola (1702-1713). Nesse período

Porugal e Espanha já estão polarizadas respectivamente Pa Iglaterra e França (as potencias

emergentes d séc. XIX).

É nessa Guerra eu se evidencia a decadnecadas potenca Ibérias e a ascenção de Inglaterra e

França.

Por fim, embora o desfecho da guerra teha sido uma espécie de empate técnico, na pratica,

foi uma vitória política inglesa

 Assim, as pretensões da Dinastia Francesa são asseguradas, mas estabelecesm-se

20
tratads favoráveis á Inglaterra.

Em consequência, Portugal aliado da Ingalterra, tamboem se beneficia com um artgo do I

Tratado de Utrecht estebelecendo o Rio Oiapoque coma Fronteira entre a América

Portuguesa e as Possessões Fraesas na Amperica.

 Esse será o Tratado utilizado pelo Braso do Rio Branco que beneficiára o Brasil na

Questão Francesa ( ou Questao do Amaá) em 1895-1900.

 De maneira análoga a Espanha será prejudicada no II Tratado de Utrecht em benefício

de Portugal, tende ode devolver a colonia de Sacraamentp

5. (1750) Tratado de Madri:

O Tratado de Madrid foi a primeira tentativa de pôr fim ao litígio entre Espanha e Portugal a

respeito dos limites de suas colônias na América do Sul.

Com as epopeias dos bandeirantes, desbravando o interior do Brasil, criando pequenos

povoamentos, a validade do antigo Tratado de Tordesilhas estava em xeque.

O novo Tratado tinha por objetivo “que se assinalassem os limites dos dois Estados, tomando

por balizas as paragens mais conhecidas, tais como a origem e os cursos dos rios e dos

montes mais notáveis, a fim de que em nenhum tempo se confundissem, nem dessem ensejo

a contendas, que cada parte contratante ficasse com o território que no momento possuísse, à

exceção das mútuas concessões que nesse pacto se iam fazer e que em seu lugar se diriam”.

Assinado em 1750 o tratado não usava as linhas convencionais, mas outro conceito de

fronteiras, introduzido neste contexto por Alexandre de Gusmão, a posse efetiva da terra (uti

possidetis) e os acidentes geográficos como limites naturais.

Com trabalhos apresentados à Corte espanhola, Gusmão comprovou que as usurpações luso-

espanholas em relação à linha de Tordesilhas (1494) eram mútuas, com as Portuguesas na

América (parte da Amazônia e do Centro-oeste) sendo compensadas pelas da Espanha na

Ásia (Filipinas, Marianas e Molucas).

Apesar de Tomás da Silva Teles (Visconde de Vila Nova de Cerveira) ter representado

21
Portugal, Alexandre de Gusmão foi o redator do Tratado e o idealizador da aplicação do uti

possidetis.

 Mapa das Cortes:

Em 1746, quando começaram as negociações diplomáticas a respeito do Tratado, Alexandre

de Gusmão já possuía o Mapa das Cortez, o mais precisos da América do Sul, que

encomendara aos melhores geógrafos do Reino. Era um dos trunfos com que contava para a

luta diplomática que duraria quatro anos.

 Malandragem de Gusmão:

No entanto, o Mapa das Cortes foi elaborado de maneira tal que a representação gráfica

diminuísse, no desnho do mapa, a expansão real do portugueses, para que os espanhóis

pensassem que a área cedida fosse menor.

 Cessão da Colônia de Sacramento:

Alexandre sabia que os espanhóis jamais deixariam em paz uma colônia (Colônia do

Sacramento) que lhes prejudicava o tesouro. Além disso, descobrira-se ouro no Brasil, não

sendo preciso entrar em conflitos por causa da prata peruana. Para a compensação, já tinha

em vista as terras convenientes à coroa Portuguesa: os campos dos Sete Povos das Missões,

Oeste do atual estado do Rio Grande do Sul, onde os luso-brasileiros poderiam conseguir

grandes lucros criando gado.

Finalmente, em Madrid, a 13 de janeiro de 1750, firmou-se o tratado: Portugal cedia a Colônia

do Sacramento e as suas pretensões ao estuário da Prata, e em contrapartida receberia o atual

estado do Rio Grande do Sul, partes de Santa Catarina e Paraná (território das missões

jesuíticas espanholas), o atual Mato Grosso do Sul, a imensa zona compreendida entre o Alto-

Paraguai, o Guaporé e o Madeira de um lado e o Tapajós e Tocantins do outro, regiões estas

desabitadas e que não pertenceriam aos Portugueses se não fossem as negociações do

tratado.

Foi meio continente assegurado a Portugal pela atividade de Alexandre de Gusmão. Para a

região mais disputada, o Sul, o santista já enviara, em 1746, casais de açorianos para garantir

22
a posse do terreno. Era uma nova forma de colonização que Alexandre preconizava, através

de famílias que produzissem, sem precisar de escravos. Os primeiros sessenta casais

fundaram o Porto dos Casais, mais tarde Porto Alegre.

O tratado foi admirável em vários aspectos. Determinou que sempre haveria paz entre as

colônias americanas, mesmo quando as metrópoles estivessem em guerra. Abandonou as

decisões tomadas arbitrariamente nas cortes europeias por uma visão mais racional das

fronteiras, marcadas pelos acidentes naturais do terreno e a posse efetiva da terra. O

princípio romano de uti possidetis deixou de se referir à posse de direito, determinada por

tratados, como até então tinha sido compreendido, para se fundamentar na posse de fato, na

ocupação do território: as terras habitadas por Portugueses eram Portuguesas.

Entretanto, o tratado logo fez inimigos: os jesuítas espanhóis, expulsos das Missões, e os

comerciantes impedidos de contrabandear no rio da Prata. Seus protestos encontraram um

inesperado apoio no novo homem forte de Portugal: o Marquês de Pombal.

 (1761) Tratado de El Pardo e a Anulação do Tratado de Madri:

Um novo acordo — o de El Pardo —, firmado em 12 de fevereiro de 1761, anulou o de

Madrid. Mas as bases geográficas e os fundamentos jurídicos por que Alexandre tanto lutara

em 1750 acabaram prevalecendo e, em 1777, aqueles princípios anulados em El Pardo

ressurgiram no Tratado de Santo Ildefonso. A questão foi ainda objeto de novo tratado do

Pardo, a 11 de março de 1778. Devido ao sucesso obtido por Gusmão no Tratado de Madrid,

mais tarde o historiador paraguaio padre Bernardo Capdeville se referiria a este como “a

vergonha da diplomacia espanhola”.

 Importância do Tratado de Madri:

De modo geral, é possível afirmar que, apesar das marchas e contramarchas, o Tratado de

Madrid foi o grande paradigma para o estabelecimento das fronteiras terrestres brasileiras. O

predomínio das fronteiras naturais e o uso do uti possidetis de facto por Duarte da Ponte

Ribeiro, contra as pretensões hispano-americanas pelo uti possidetis de jure, demonstram

toda a sua força, tendo sido validado por quase todos os vizinhos brasileiros, exceção feita à

Colômbia e à Argentina. Aceitaram-no, portanto, Peru (1851), Bolívia (1867), Uruguai (1851),

23
Venezuela (1859) e Paraguai (1872). O território do Acre, outra exceção, foi obtido pelo

Tratado de Petrópolis, em 1903. Assim, é válida a afirmação segundo a qual, apesar de sua

anulação, o Tratado de Madrid desenhou o corpo da pátria.

 Brasil: Uti possidetis X vizinhos: Uti Possidetis Iuris:

O Uti Possidetis (ou Uti Possidetis Facto) foi um princípio recuperado por Gusmão do direito

privado romano, matéria em que se doutorara e garantiria a posse da terra para aquele que a

ocupasse de fato. Esse conceito utilizado por Gusmão no Tratado de Mari era extremamente

favorável aos interesses portugueses que haviam se expandido para muito além do Tratado

de Tordesilhas (1494).

Em contra partida, nossos vizinhos, ex-colonias espanholas, tinham interesse na utilização do

Uti Possidetis Iuris, que utilizava com critério as fronteiras assinaladas por tratados e

divisões administrativas das antigas metrópoles.

6. (1761) Tratado de El Pardo:

Colaboraram para o tratado:

a. A oposição de Pombal em ceder a Colônia de Sacramento, a resistência indígena

em deixar as Missões, bem como

b. as dificuldades demarcatórias.

Resultado:

Sacravemtno: Portugal

Missões: Espanha

7. (1777) Tratado de Santo Idelfonso

Foi assinado por D. Maria no contexto da Viradeira.

A Espanha havia tomado Sacramento, a regiaõ dos Sete Povos das Missões e ocupado a

região de Desterro (atual SC), assim retirando Portugal do espaço em disputa.

24
Nesse sentido, Portugal cede: Sete Povos e Sacramento em troca de Desterro (SC).

 Falta de Demarcação:

As fronteira estabelecidas por esse acordo não foram demarcadas.

Além disso, era um Tratado Provisório, que vigoraraia até que outro definisse a situação, o

que nunca ocorreu.

Aproveitando-se disso e do dato dos espanhóis terem ocupado alguns territórios

amazônicos, Portugal invade Sete apovos das Missões, que será definitivamente incorporado

pelo Tratado de Badajoz. (1801)

8. (1801) Tratado de Badajoz

Encerra a Guerra das Laranjas.

Luso-Espanhol, pelo o qual, o território dos Sete Povos da Missões que haviam sido

reconquistados militarmente pelas forças luso-brasileiras, ao passo que a Espanha mantem a

Vila de Olivença + Sacramento.

Observe que o Tratado de Badajoz não revalidou o Tratado de Santo Idelfonso (1796).

 Invalido:

1º Porque o gaúchos atacam e tomam, por conta própria os Sete Povos das Missões.

2º Por que nunca foi ratificado por Napoleao, como proveira o tratado. Napoleão deixa o

tratado caducar, para elaborar um II Tratado de Madri (1801) com os mesmos termos, porém

com a previsão de uma indenização de Portugal a França.

 (1849) Assunção da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros por Paulino José
Soares de Souza (d. Visconde do Uruguai), sua política americanista e Doutrina de
Limites:

Paulino José Soares de Souza (d. Visconde do Uruguai) assuma a Secretaria


de Estado dos Negócios Estrangeiros, em substituição a Pedro de Araújo Lima

25
(Marques de Olinda) que era favorável a acomodação com a Argentina.
Paulino que permanecera no cargo até 1853 esboça uma ‚política americanista‛ que
prevê, de um lado, medidas visando a preparação de um eventual confronto com Rosas
e, de outro, definição da Doutrina de Limites, a ser definida pelo império para a defesa do
status quo territorial:

a. Princípio do uti possidetis,


b. Não validade do Tratado de Santo
Idelfonso (só usado onde não houvesse ocupação efetiva),
c. Negociação bilateral e arbitramento em última instancia.
Havia no 2º Reinado resistência ao arbitramento, até pq o brail era mais fotes que os
viznhios. Assim, dava-se preferencia ao concerto bilateral, optando pelo arbitramento
se em disputa com países mais fortes.

 Outros interesses nas demarcações dos limites no séc. XIX:

a. Em geral os Tratado de Limites do séc. XIX buscavam além de demarcar as

fronteiras, manter as vias navegáveis abertas e incentivar o comércio com os

vizinhos.

b. o Uti possidetis Iuris, apenas quando não tivesse ocupação de fato.

c. Condicionar a livre navegação do Amazonas a possíveis ganhos políticos e

territoriais.

Apenas em 1866 a livre navegação internacional do Rio Amazonas é liberada.

9. (1851) Tratado de Limites Peru.

Out. Acordo de Limites Brasil-Peru (deu-se pela Convenção de Comercio, Navegação e

Limites entre o Brasil e o Peru), assinados na missão Duarte da Ponte Ribeiro, pautou-se

pelos princípios do Uti Possidetis e pelas negociações diplomáticas acerca da livre

navegação do Rio Amazonas, em troca do apoio brasileiro ao Peru contra Rosas.

26
10. (1851) Tratado de Limites Uruguai

Acordo de Limites Brasil-Uruguai conjuntamente assinou-se Tratados de Aliança, Comercio

e Navegação e Extradição, além de um empréstimo de 138 mil patacões, inaugurando a

‚Diplomacia do Patacão no Prata.

 É um Tratado Desigual imposto pelo Brasil:

O Tratado de Limites com o Uruguai é um dos Tratados Desiguais impostos pelo Brasil ao

final da Guerra do Prata ( ou Guerra Contra Oribe e Rosas) (1851-1852), entre Brasil e

Argentina pela influência no Uruguai.

11. (1859) Tratado de Limites Venezuela

Um 1º tratado de limites foi finalizado por Paulino José Soares de Souza em 1850, mas não

foi ratificado pelo Congresso Venezuelano, que era contrário ao uso do Uti Posidetis.

No entanto, outro foi finalizado e resolveu a questão em 1859 com um novo tratado, sem

menção ao Uti Possidetis ( mas que, na prática, foi utilizado) e pelas negociações

diplomáticas acerca da livre navegação do Rio Amazonas.

12. (1867) Tratado de Limites Bolívia (Tratado de Ayacucho)

Foi assinado no contexto da Guerra do Paraguai, para que a Bolívia não se unisse ao Paraguai

na Guerra.

Previa livre navegação da bacia amazônica.

Lembre-se! Já em 1866 o Brasil imperial abre o rio Amazonas a navegação internacional.

Foi duramente atacado pelos bolivianos, nos anos posteriores a sua assinatura. Assim a

questão de limites com a Bolívia só seria resolvida com o Tratado de Petrópolis, que

soluciona a Questão do Acre, em 1903.

13. (1872) Tratado de Limites Paraguai

27
Também assinado no contexto da Guerra do Paraguai e sob pressão brasileira, já que o

exército brasileiro ainda estava em território paraguaio.

Atenção: o brasil rompe com o Tratado da Triplice Aliança e assina em separado.

14. (1890 a 1895) Questão de Palmas

Após a Independência em 1889, Quintino Bocaiuva vai ao Prata para resolver a Questão

Lideira de Palmas ( ou Missões).

Desse encontro saí o Tratado de Montevideo (1890) que dividia o território. O Congresso

brasileiro, no entanto, não o Referenda.

 Arbitragem americana:

Diante do não Referendo pelo Congresso a questão vai para o arbitramento, que já havia sido

definido no caso de discordância.

O árbitro, Presidente americano Gorver Clevenland, dá ganho de causa ao Brasil em 1895.

15. (1895 a 1900) Questão do Amapá (ou Questão da Guiana Francesa)

 Histórico da Disputa:

As disputas territoriais com a França, remontam a (1555-) França Antártica e a França

Equinocial (1612-1615), que levaram a expansão da ocupação portuguesa no sudeste e no

norte do paés respectivamente.

No entanto, durante os séculos XVIII e XIX , a frança continua suas tentavias de expandir a

sua presença na América, agora a partir de Caiena, objetivando chegar ao vale amazônico.

Sec. XVIII.

No entanto, o avanço dos franceses durante o séc. XVIII é vetado pela sua derrota na Guerra

de Sucessão Espanhola (1702-1713), pois no seu tratado de encerramento: Tratadode Utrecht,

Portugal é beneficiado:

28
Pela França: que reconhece as posses portuguesas no Cabo Norte, tendo o Rio Oiapoque

como fronteira, e

Pela Espanha: que reconhece a posse portuguesa de Sacramento.

 Avanços franceses no contexto do Neocolonialismo:

No entanto, a descoberta de ouro na região em 1894 e diante do contexto de neocolonialismo

europeu (pós -Congresso de Berlim 1885), reiniciam os ataque franceses a região.

 Arbitragem suíça:

Para soliucionar a problemática a chancelaria braileira negocia uma Contrato de Arbitragem

com os franceses.

Advogado do Brasil: Br. Do Rio Branco

Em 1895 o arbitro: Presidente da Confederação Suiça, dá ganho de causa ao Brasil

reconhecendo o limite do território francês o Rio Oiapoque, que não era o rio Amazonas. O

Brasil, assim, ganha a arbitragem.

16. Tratado de Petrópolis (1903) (soluciona a Questão do Acre)

Em nova negociação com a Bolívai, pois já havia um tratado assinado em 1867, o Tratado de

Petrópoles soluciona a Questão do Acre e define as fronteiras entre os dois países.

Brasil paga uma inidenização a Bolívai pelo Acre e se compromete a construir a estrada de

Ferra Madeira-Marmoré (para escoar os produtos bolivianos através da bacia amazônica e

estrada de ferro por Belém).

Brasil tambpem concede um pequeno território no MT.

17. (1904) Questão do Pirara ( ou Questão da Guiana Inglesa) :

(Durante a Chancelaria de Rio Branco)

Entre o Brasil e a Grã-Bretanha, envolvia a posse de territórios entre do atual estado de

29
Roraima e a atual Guiana.

Diferentemente da Questão de Palmas e da Guiana, cujo fator preponderante era

geográfico, a Questão do Pirara abordava princípios jurídicos de ocupação e questões

envolvendo fronteiras naturais.

Resolvido mediante Arbitragem do Rei Victor Emanuel III (da Itália).

Joaquim Nabuco advoga pelo Brasil, Brasil fica com território menor 40% que o pugnado.

(Definição de Fronteira).

É a única decisão arbitral territorial desfavorável aos interesses brasileiros.

30