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VIDYA, v. 31, n. 2, p. 41-54, jul./dez., 2011 - Santa Maria, 2011.

ISSN 0104-270 X

UM ESTUDO NA PERSPECTIVA DO LETR AMENTO MATEMÁTICO:


A MATEMÁTICA DAS MÃES
A STUDY IN MATHEMATICAL LITERACY PERSPECTIVE: THE MOTHERS’ MATH

KLINGER TEODORO CIRÍACO*


NEUSA MARIA MARQUES DE SOUZA**

RESUMO ABSTRACT

Neste ar tigo, relatam-se experiências que os autores In this ar ticle there are case repor ts on the au-
tiveram no desenvolvimento de uma pesquisa de thors’ experienced in the development of a PIBIC
Iniciação Científica PIBIC/CNPq/UFMS. Objetivou- / CNPq / UFMS scholarship. This study aimed to
se investigar as possíveis relações entre práticas investigate the possible relationships bet ween
de letramento matemático de um grupo de mães de mathematical literacy practices of a group of
alunos de uma escola da periferia de Três Lagoas mothers of students at a school on the outskir ts
(MS) e a formação matemática de seus filhos. of Três Lagoas (MS) and the mathematics edu-
Para tal, utilizamos uma metodologia de estudo cation of their children. To this end, it was used
qualitativa de caráter analítico-descritivo. Aqui, a qualitative methodology to study an analy tical-
é apresentado um recor te dos principais pontos descriptive. The main points in the process of
que encontramos no decorrer do processo do investigative work are presented here. The ar ti-
trabalho investigativo. Logo, será apresentada uma cle also presents a discussion on the strategies
discussão sobre as estratégias mobilizadas pelas deployed by the mothers, who were subjects of
mães, que foram sujeitos da pesquisa, para auxiliar research, in assisting their children with their
seus filhos nas tarefas escolares de Matemática. math homework. It represents an impor tant
Assim, entender possíveis relações entre o uso da contribution to understand some possible re-
matemática no dia a dia por um grupo de mães de lationships bet ween the use of mathematics in
uma escola periférica, bem como as possibilidades ever yday life as well as the possibilities of using
de utilização da sua experiência enquanto meio de the mothers’ experience as a means of math-
‘letrar’ matematicamente seus filhos, foi impor tante ematical literacy aid to their children.
contribuição dessa pesquisa para o ensino-
aprendizagem da Matemática escolar.

Palavras-chave: Matemática e Práticas Sociais. Key words: Math and Social Practices. Literacy
Eventos de Letramento. Mães e Filhos. Events. Mothers and Children.

*
Graduado em Pedagogia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS-CPTL); Mestrando em Educação
(Educação Matemática) pela FCT/UNESP, Presidente Prudente. E-mail: ciriaco.unesp@hotmail.com
**
Doutora em Educação pela PUC/SP; Docente do Depar tamento de Educação da Universidade Federal de Mato
Grosso do Sul (UFMS- Três Lagoas) e dos Programas de Pós-graduação em Educação e em Educação Matemática
da mesma instituição (Campus/Campo Grande-MS). E-mail: neusamms@uol.com.br

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Conceituando letramento: considerações uma preocupação para com as práticas sociais
iniciais que interferem diretamente na prática pedagó-
gica escolar vigente, nesse caso a noção de
As discussões feitas sobre letramento em letramento defendida acima se conecta a uma
nosso país centravam-se inicialmente nos concepção do ensino da língua escrita com o
ambientes acadêmicos, na possibilidade de contex to sócio-histórico, contex tualizando e
contrapor ou de inserir aspectos e elementos consequentemente problematizando o processo
que contribuíssem e/ou facilitassem o avan- de ensino e aprendizagem (GONÇALVES, 2008).
ço sobre o conceito de Alfabetização, que até
Estamos aqui entendendo as orienta-
então se fazia apenas voltado à utilização de
ções de letramento como o espectro
códigos linguísticos no domínio da língua ma- de conhecimentos desenvolvidos pelos
terna (língua escrita) (GONÇALVES, 2008). sujeitos nos seus grupos sociais, em
Para desencadear a discussão em torno relação com outros grupos e com ins-
tituições sociais diversas. Este espectro
do conceito de Letramento, referimo-nos à está relacionado à vida cotidiana e a ou-
Goular t (2001) e Soares (2002), que expõem tras esferas da vida social, atravessadas
conceitos amplos e abrangentes sobre o ensino pelas formas como a linguagem escrita
e aprendizagem da língua escrita. No decorrer as perpassa, de modo implícito ou explí-
cito, de modo mais complexo ou menos
deste estudo, estes nos servirão para melhor complexo (GOULART, 2001, p. 10).
entender o conceito de letramento matemático.
Em uma tentativa de definição para letra- Nesse sentido, a escola não pode mais
mento, Goular t (2001) adver te que existem estabelecer barreiras entre os conhecimentos
algumas questões polêmicas, como a dificul- que ultrapassam seus muros, visto que pensar
dade de conceituar letramento e a possibilidade em letramento requer um profundo (re)pensar
da existência de letramentos. Assim, enfatiza as práticas que exercemos em sala de aula, o
que existe uma “falta de condição em definir que nos remete ao desafio exposto por Soares
critérios para avaliar ou estabelecer níveis de le- (2002): como alfabetizar letrando?
tramento” e, com isso, nos aler ta à impor tância A pesquisadora afirma que a concei tuação
de mais estudos que sustentem as discussões de letramento é bem recente nos estudos da
nessa área (GOULART, 2001, p. 06). área da educação, diz ainda que não ex iste
Em uma perspectiva bem mais ampla e para uma diversidade de concei tos, mas sim
fazer uma demarcação inicial, a autora afirma uma mul tiplicidade de ênfases na descrição
que “em termos mais gerais, o letramento está desse fenômeno1.
relacionado ao conjunto de práticas sociais orais Soares (2002) conceitua o letramento como
e escritas (de linguagem) de uma sociedade, sendo o estado ou condição dos indivíduos ou
e também, [...] à construção da autoria” determinados grupos sociais que exercem por
(GOULART, 2001, p. 07). sua vez, efetivamente, as práticas de leitura e
Relacionando esse conceito com os obje- escrita socialmente. Acrescenta ainda que:
tivos da escola, Goular t (2001) nos apresenta
1
Ver Kleiman (1999 ), Tfouni (2004), entre outros.

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É o pressuposto que indivíduos ou grupos matemáticos, seria necessário considerá-
sociais que dominam o uso da leitura e da las como práticas sociais. Assim, no
escrita e, por tanto, têm habilidades e ati- sentido de destacar o caráter sociocultu-
tudes necessárias para uma par ticipação ral dessas experiências, seria importante
ativa e competente em situações em que demarcar que a abordagem pretendida
práticas de leitura e/ou escrita têm uma quando se adota a perspectiva do numera-
função essencial, mantêm com os outros mento não se voltaria para a identificação
e com o mundo que os cerca formas de de competências e habilidades associadas
interação, atitudes, competências dis- ao ensino formal de uma única disciplina
cursivas e cognitivas que lhes conferem escolar ou de um único campo do conhe-
um determinado e diferenciado estado ou cimento (FONSECA, 2009, p. 48-49).
condição de inserção em uma sociedade
letrada (SOARES, 2002, p. 02).
Historicamente a Matemática vem sendo
estruturada no modelo informal, nas ações
O conceito apresentado pela autora se
cotidianas do homem, desde os primórdios,
diferencia de analfabetismo, e tem nesse caso
observamos a relação que a disciplina estabelece
proximidade com o termo alfabetismo, uma
com as práticas sociais.
vez que ambas as denominações, letramento
No estudo que desenvolvemos, utilizamos o
e alfabetismo, se referem ao estado ou
termo letramento matemático quando nos re-
característica da pessoa que não se encontra
ferirmos às práticas rotineiras em que o grupo
na condição de analfabeto.
de mães que observamos utiliza conhecimen-
Contudo, estamos vivendo, como acrescenta
tos matemáticos diante das demandas sociais.
a autora, um momento privilegiado para
Assim, essa denominação em algumas litera-
estabelecermos discussões sobre as práticas
turas3 pode aparecer com o nome de numera-
de escrita e leitura, integrando nesse caso uma
mento, evento ou prática em que o uso especí-
interligação entre letramento (língua escrita) e
fico de conhecimentos matemáticos se associa
letramento matemático. Para pesquisadores
em determinadas situações da vida cotidiana
como Fonseca (2009), há uma multiplicidade de
do indivíduo, que passa a produzir saberes ma-
referenciações que devem ser melhor precisadas
temáticos nas ações diárias.
quando nos referimos aos eventos que têm
como objeto a Matemática. Nesse sentido, se
Letramento & Numeramento: significações
define pelo termo numeramento, sobre o qual
dadas aos termos
faz as seguintes considerações:
Existe uma estreita relação entre discus-
[...] o termo numeramento2 começa a ser
adotado em abordagens que assumem
sões sobre o Numeramento e Letramento,
que, para descrever e analisar adequada- dessa maneira, é impor tante compreender
mente as experiências de produção, uso, que o letramento surge para distinguir de um
ensino e aprendizagem de conhecimentos lado que quando falamos da aquisição do
2
Essa denominação surge pela analogia do termo Letramento associado às práticas sociais permeadas pela cultura
da escrita, assim o termo Numeramento é utilizado pela autora quando se refere às práticas sociais em que se utiliza
os conhecimentos matemáticos a fim de atender às demandas da sociedade.
3
Ver Fonseca (2009).

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código de registro da escrita da língua, esta- tais situações se fazem presentes” (p.11).
mos nos referindo à Alfabetização; e de outro Nessa perspectiva, assume-se, como faz To-
quando falamos do uso da escrita e leitura em ledo (2003), que o numeramento, ou o que aqui
práticas sociais, estamos referindo ao Letra- chamamos de letramento matemático, inclui:
mento (FONSECA, 2009).
[...] um amplo conjunto de habilidades,
A opção pelo uso do termo Numeramento estratégias, crenças e disposições que
teve sua origem na área dos estudos do o sujeito necessita para manejar efeti-
Letramento, em que como já visto não é vamente e engajar-se autonomamente
discutido apenas sob o enfoque da Alfabetização, em situações que envolvem números
e dados quantitativos ou quantificáveis
e sim em torno das práticas que o indivíduo [...] (p. 55).
se utiliza desses conhecimentos diariamente.
Assim, o Numeramento tem suas raízes do A utilização do termo letramento matemático
inglês: numeracy, que foi traduzido para o Brasil se fez necessário em um momento em que
como Alfabetização Matemática, este usado a Educação Matemática passa a rever as
normalmente quando nos referimos a processos abordagens do ensino de matemática nas
de escolarização (MENDES, 2007). escolas e, em especial, nas escolas públicas,
Outra forma de abordagem é feita por uma vez que tais práticas sociais, permeadas
Danyluk (2002, p. 20), quando define Alfabetiza- pelos conhecimentos matemáticos, implicavam
ção Matemática como os “atos de aprender a ler diretamente no contex to da sala de aula.
e escrever a linguagem matemática nas primei- Nesse caso, defendemos a ideia de que
ras séries iniciais de escolarização”. o conhecimento matemático não corresponde
Essa definição acima defendida por Danyluk de forma biunívoca ao seu ensino. Eis
se restringe aos processos de aquisição de um desafio aos educadores que ensinam
códigos feitos pelas crianças formalmente na Matemática, como relacionar a matemática
escola, o que não é o caso de nosso estudo cotidiana com a acadêmica?
que foca o envolvimento não somente nesses De fato, os lugares pelos quais passamos
processos como também no uso e aplicação de ao andar pelas ruas, o nosso local de trabalho,
conhecimentos matemáticos na vida. Nosso foco lazer, entre outros, exigem de uma cer ta
se dá, por tanto, nas concepções de Letramento maneira alguns domínios ou habilidades
Matemático, que sustenta o direcionamento das específicas de conhecimentos matemáticos,
discussões que iremos traçar neste trabalho. como nos apresenta Gazzet ta:
Do mesmo modo que a escrita e a leitura,
Atualmente, todo mundo necessita usar
Mendes (2007) esclarece que existe uma série
matemática como uma ferramenta da
de conhecimentos e competências necessários vida diária, portanto, é responsabilidade
para a compreensão de diversas situações da educação matemática fazer com que
numéricas, “as quais não representam mera os alunos desenvolvam competências e
habilidades, bem como adquiram os co-
decodificação dos números, mas, além disso, nhecimentos necessários para entender e
envolvem a compreensão de diversos tipos de prever estratégias de solução para situa-
relações ligadas ao contex to social em que ções da vida real (2005, p. 01).

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Nesse contex to, surge o letramento matemá- Dentro desse contex to, da mesma forma
tico, termo utilizado para denominar as habilida- que na pluralidade de práticas sociais em tor-
des básicas de registros matemáticos diante do no da escrita, podemos pensar em letramento
trabalho ou da vida diária. matemático no sentido das diversas práticas
A Matemática, assim considerada, passa a sociais que exigem algum conhecimento ma-
ser um produto cultural e, então, cada cultura temático, ou ainda, nas diversas matemáticas
produz sua matemática característica que deriva que são produzidas, diferentes das práticas
das necessidades essenciais do grupo social. escolarizadas (MENDES, 2007).
A Matemática apreciada como produto cultural
tem sua história, que é determinada pelas Metodologia: ‘construindo sentidos’
condições econômicas, sociais e culturais.
D´Ambrósio (2002, p. 5) considera que: Como proposta metodológica para este es-
tudo, optamos pela abordagem qualitativa, pois,
[...] voltada ao ambiente sociocultural como afirmam Lüdke e André, “[...] a pesquisa
a matemática consiste em um corpo
de ar tes, técnicas, modos de conhecer, qualitativa tem o ambiente natural como fonte de
explicar, entender, lidar com os distintos dados e o pesquisador como seu principal ins-
ambientes naturais e sociais, estabele- trumento, os dados são altamente descritivos
cido por uma cultura. Dentre as várias
[...] a análise dos dados tende a seguir um pro-
ar tes e técnicas desenvolvidas pelas
distintas culturas, incluem-se maneiras cesso sintético [...]” (1995, p. 46-50).
de comparar, classificar, ordenar, medir, Nessa perspectiva, o presente estudo se
contar, inferir, e muitas outras que ainda contex tualiza em um processo de contação de
não reconhecemos.
histórias de literatura infantil, em que a equipe
executora4 desenvolveu com as mães sujeitos
Logo, pode-se pensar o letramento ma-
da pesquisa no período entre os anos de 2007
temático na relação que se estabelece entre
a 2009, em que a pesquisa se configurou.
práticas sociais e a matemática. Como afirmam
As atividades com histórias infantis ocorre-
Mendes e Grando (2007, p. 17), “essas prá-
ram quinzenalmente, nas dependências de uma
ticas são altamente valorizadas e legitimadas
escola onde mães e filhos par tilhavam momen-
por determinados grupos sociais se tornando
tos conjuntos, ouvindo histórias e realizando
hegemônicas na sociedade”. Cabe ressaltar
atividades com seus filhos. Essa etapa foi funda-
ainda que isso implica na capacidade do sujeito
mental para observamos o grau de compromis-
de colocar e resolver problemas matemáticos
so dessas mães com a educação das crianças e
em situações diversas, quando passa a exercer
as estratégias utilizadas para o ensino.
uma relação direta entre práticas sociais e a
No desenvolvimento desses encontros,
matemática, de modo que o conhecimento ma-
o contato com tex tos contendo registros
temático não esteja apenas ligado ao contex to
de letramento matemático esteve presente
escolar, mas antes relacionado aos usos espe-
em algumas das histórias contadas para as
cíficos de um determinado grupo social.
mães, que com seus filhos realizaram tare-
4
Professores, alunos de iniciação científica e bolsistas de ex tensão do curso de Pedagogia UFMS/Campus Três
Lagoas.

45
fas referentes aos tex tos, dando sequência caremos responder dois conjuntos de ques-
a uma série de atividades. Para tal, livros de tões: 1) quais as práticas diárias do grupo de
autores como: Ruth Rocha e Bar tolomeu mães estudadas? De que forma tais práticas
Campos Queiros foram selecionados pelas se apresentam no contex to do uso especifi-
próprias mães a fim de serem apresentados co de conhecimentos matemáticos? E qual a
a elas nos encontros. Essa etapa da pesquisa concepção de ensino de Matemática presen-
visou à realização de inter venções, no senti-
te no discurso delas? 2) o que fundamenta,
do de possibilitar ao grupo o acesso a obras
orienta, ou seja, qual é a lógica que embasa
de literatura infantil como forma de ampliar
as falas do grupo pesquisado com relação
as possibilidades de letramento de mães e fi-
lhos. Esse processo foi avaliado pelos par ti- aos conhecimentos matemáticos? Qual a im-
cipantes de forma bastante positiva. As mães por tância da matemática na vida, bem como
indicaram mudanças no compor tamento dos a relação que as mães estabelecem com
filhos e da família como um todo em relação essa matéria de estudo?
à escola e, especialmente, a literatura infantil.
As ações de nosso estudo resul taram Da teoria à ação: o que leem as mães?
em dois conjuntos de dados relevantes para
análise, de um lado temos o papel da contação “De vez em quando eu gosto de estu-
dar, de dá [sic] uma olhada nos livros.
de histórias (ampliação de letramento) e do
Eu gosto de ler revistas e a bíblia tam-
outro a visão das mães sobre o processo bém né, eu tenho uma aqui bem gran-
de leitura e escrita matemática com uma dona” (Depoimento: Mãe 1).
ampla relação com a Matemática como uma
ferramenta de trabalho diário, a qual será Inicialmente, as reuniões aconteciam
o objeto de análise deste tex to, conforme com a presença não mui to par ticipativa das
constataremos nos próx imos tópicos. mães, pois estas se sentiam mais como
espectadoras. As histórias eram contadas
A Matemática das Mães:o problema da pelos professores e alunos do curso de Pe-
pesquisa dagogia/UFMS/CPTL5, do qual fiz par te por
dois anos como bolsista6.
[...] era sobre os números nos pauzi-
nhos assim de matemática, se fosse Após as sessões de contação de histó-
1+1 aí a gente coloca 1+1 pauzinho, rias, no início dos contatos com as mães,
aí a gente juntava e dava 2, era assim foram realizadas entrevistas semiestrutu-
em matemática, mais era no pauzinho
mesmo, às vezes ela escrevia no papel radas que garantiram a complementação
[...] (Depoimento: Mãe 3). dos fatos obser vados nos encontros, con-
ti tuindo-se como impor tantes documentos
Tendo em vista os dados coletados, bus-

5
Campus Três Lagoas/MS.
6
Programa de Iniciação Científica (PIBIC/CNPq/UFMS).

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para analisar os relatos sobre a impor tância Bíblia, fator presente em todas as entre-
da leitura nas atividades diárias das mães. vistas. As mães apresentam uma visão da
Nesse sentido, foi realizado um levantamen- Bíblia como um todo e ex plici tam em suas
to sobre o tipo de leitura que era feito por falas que para sua localização e lei tura de-
elas7 com frequência: senvolvem capacidades de classificação,
seriação e ordenação de seus capítulos,
Mãe 2: fatores estes possíveis com o domínio ad-
“A única coisa que eu leio todo o dia
é a bíblia, todo o dia sem falta. De quirido sobre as notações numéricas, o que
vez em quando que leio um livro ou lhes permi te a localização dos salmos (pro-
uma revista. A Bíblia eu leio todo o
porcionalmente distribuídos).
dia quando eu vou deitar, assim umas
21:30 horas...agora revista eu leio aqui
na sala, lá fora...”. [...] a pluralidade do numeramento se
manifesta pela diversidade de práticas
Mãe 3: sociais ex istentes em torno das no-
“Às vezes. Porque até por causa do pro- ções de quantificação, mediação, or-
jeto a gente tem ficado mais junto, por- denação e classificação em contex tos
que quando num to aqui, to fazendo uma específicos, em que os diversos usos
coisa ou outra, e assim vai. Agora, eu e dessas noções estão estritamente
a minha menina a gente ta tendo leitura ligados a valores sociocul turais que
bíblica, porque ela ta exercitando a leitura permeiam essas práticas [...] (MEN-
através da bíblia, então a minha leitura é DES, 2007. p. 23).
mais a bíblia. Sempre que tem um tem-
pinho antes dela (moça que faz a leitura
bíblica juntamente com elas), vir a gente
O letramento matemático implica a ca-
treina, mas sempre quando tem tempo. pacidade de colocar e resolver problemas
Mas sempre que tem um tempinho eu matemáticos em situações diversas. Assim,
gosto de ta junto com eles (filhos)”.
passa a exercer uma relação direta entre prá-
Mãe 4: ticas sociais e a matemática, de modo que o
“Não...não...não gosto...Por tuguês eu conhecimento matemático não esteja apenas
odeio, até falo errado, sempre fui péssima
em por tuguês. Por preguiça mesmo!” ligado ao contex to escolar, mas antes rela-
cionado aos usos específicos de um deter-
Seguindo o pensamento de Fonseca minado grupo social, nesse caso, as mães,
(2009), é indispensável dirigir a atenção quando se utilizam de mecanismos que criam
para o processo de desenvolvimento de es- para auxiliar os filhos em tarefas escolares.
tratégias de leitura para o acesso a gêneros A leitura, já exercida em muitas das ações
tex tuais próprios da atividade matemática, diárias das mães por iniciativa das mesmas,
essas estratégias puderam ser percebidas amplia-se com o envolvimento nas atividades
no relato das mães, quando narram formas realizadas no projeto. Para melhor entender
das quais se utilizam para leitura diária da como essas práticas de leitura contribuíam

7
As falas foram transcritas na linguagem coloquial.

47
para a aprendizagem escolar de seus filhos, casa par ticipando, às vezes você
chega em um vizinho pra te ajudar,
as relações se fizeram tendo como base as você num (sic) vai ter a facilidade
seguintes manifestações: como se fosse com seus pais, tendo
a paciência de ta (sic) te ajudando
Mãe 1: né, pra você ta (sic) acompanhando
“Porque é impor tante mesmo na vida tanto familiar...é bom você ta
estudar, o estudo é tudo, eu acho (sic) acompanhando, até mesmo pro
assim, porque se você não estuda trabalho acho que é impor tante”.
você é cega, não sabe fa zer nada,
não vai pra um lugar, tudo tem que ter Essas falas, quando analisadas,
um estudo né, primeiramente saúde
permi tiram-nos avaliar como as práticas
depois estudo”.
sociais exercidas pelos indivíduos são
Mãe 2: por eles consideradas fruto de uma
“É impor tante para tudo, hoje em
dia sem estudo não se consegue
aprendizagem escolar, por tanto, nesse
emprego, hoje em dia o estudo é sentido, compreendem que se o indivíduo
fundamental porque não adianta nada não consegue usar a lei tura e a escri ta
você saber fa zer as coisas e não ter
estudo, num (sic) saber ler, num (sic)
para atender as demandas sociais, ele
saber escrever, tudo envolve lei tura e não consegue exercer plenamente sua
a escri ta”. cidadania, ou seja, seu modo de ser letrado.
Mãe 3: Ainda nesse raciocínio, a matemática pode
“Ah pra gente ter uma vida melhor ser entendida como par te da cultura e sua uti-
né, porque...se você ta sozinha na lidade como fundamental em muitas práticas
rua você não sabe, tem que sair
perguntando a não ser se você já sociais compreendendo, como afirmam Tebe-
sabe de cabeça. Tudo você tem rosky e Tolchinsky (2003), a diversidade dos
que depender dos outros, no futuro números, seja em telefones, número de casa
mesmo eu falo pra ele, se você num
estudar você vai ser alguém na vida? em endereços, correspondências, placas etc.
Aí ele fala “não mãe”...então...aí ele Diferentes indivíduos buscam desenvolver
fala eu vou estudar mãe”.
suas capacidades matemáticas com diferentes
Mãe 4: propósitos, demandas da vida diária, demandas
“Ah o estudo ajuda em tudo né, na do trabalho, usos sociais, ajudar os filhos na
vida financeira, no trabalho né, na
vida familiar, de você, igual eu tive
lição de casa etc. (TOLEDO, 2003).
um estudo ra zoável e até hoje ajudo Ao investigar os materiais escri tos
em alguma coisa com minha filha presentes nas residências8 das mães, foram
né...eu num (sic) tinha uma mãe me
ajudando porque ela não sabia, as
constatados os seguintes registros:
dificuldades de não ter os pais em

8
Esta etapa de nosso trabalho foi realizada por membros do grupo de nossa pesquisa, neste momento do processo
investigativo duas acadêmicas do curso de Pedagogia (UFMS/CPTL) visitaram as residências das mães para catalogar
os materiais escritos existentes nas residências.

48
Tabela 1 - Materiais escritos presentes nas residências.

MÃES TIPOS DE MATERIAIS ESCRITOS UTILIZAÇÃO DIÁRIA FINALIDADE

Livros de romance, suspense, algumas revis- Revistas, cadernos Para os filhos recor tarem
tas, Bíblia, dicionário, livrinhos de literatura, de receitas, dicioná- palavras (revistas) e figuras,
1 cadernos de receitas. rios, livros didáticos faz leituras de romance e de
e a Bíblia. suspense (raciocínio e es-
tratégias).

Calendário, 2 Bíblias, 2 revistas, um livro religioso, Em pesquisas para Recor te e colagem de letras
bulas de remédio, folhetos de propaganda, um recor te de letras. (revistas), conta história da
2
livro didático, folhetos religiosos, um manual de cabeça para o filho.
eletrodomésticos.

2 Livros infantis (furabolo, cargil) doados Mais para pesquisa, Na pesquisa das tarefas e nas
pela escola, um livro didático de li teratura usa revistas e jornais leituras escolares dos filhos.
para vestibular, uma enciclopédia de livro de para o auxílio das
biologia, química, matemática, física, história tarefas do filho, lê a
e geografia, 2 Bíblias, 2 livros de histórias bí- Bíblia e os livros re-
3 blicas, um livro de li teratura infantil, um cal- ligiosos, quando uma
endário, uma lista telefônica, um dicionário mulher vai em sua
de inglês/por tuguês, uma agenda telefônica, casa lê para todos.
jornais, revistas, recor tes de embalagens de
produtos de alimentos (recei tas).

12 Livros de literatura infantil, 2 livros Em pesquisas es- Revistas para fazer trabalhos
didáticos, 6 revistas, 3 folhetos de propaganda, colares, as revistas de escola, livros de historinhas
4 2 Bíblias, 2 livros de oração, um dicionário, para recor tes. (infantil) lê e guarda, dicionário
um calendário, bulas de remédio, manual de quando tem uma palavra que
eletrodomésticos. não conhece.

Fonte: Observação nas residências das mães.

A presença de materiais escritos nas foram visitadas, elegemos como categoria


residências é o primeiro indicador de as formas de utilização dos materiais para, a
que as mães têm contato com formas par tir das repostas anteriormente citadas,
estruturadas de conhecimento formal, nesse relacionarmos quais são mais utilizados
caso conseguem se comunicar e obter diariamente pelas mães, bem como a
informações do mundo por meio da leitura contribuição destes para o auxílio em tarefas
desses materiais. escolares de seus filhos ou ainda das
Para analisar a utilidade e a frequência com habilidades de letramento exigidas para sua
que eles aparecem nas quatro residências que leitura de um modo geral.

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Tabela 2 - Formas de utilização de materiais escritos.
TIPOS DE MATERIAIS ESCRITOS MÃES FORMAS DE UTILIZAÇÃO/MÃES
Bíblia 4 Hábito de leitura diária.
Calendário 4 Datas comemorativas, feriados etc.
Bula de Remédio 3 Como usar, indicações e contraindicações.
Recor te e colagens de figuras e palavras para tarefas
Revistas 4 escolares dos filhos e/ou leitura de fofocas e curi-
osidades.
Informações sobre acontecimentos locais e/ou pro-
Folhetos 2
moções do comércio.
Manual Eletrodoméstico 3 Modo de uso, questões relativas a garantias etc.
Livro infantil 4 Leitura para filhos.
Livro Didático 4 Auxílio nas tarefas escolares dos filhos e/ou leitura.
Dicionário 4 Procura de palavras desconhecidas.
Romance/Suspense 1 Passar o tempo, por prazer.
Cadernos de Receitas 2 Auxílio culinário.
Apostilas 1 Buscar explicações para ensinar os filhos.
Enciclopédias 2 Pesquisas escolares.
Lista Telefônica 2 Procura de números comerciais e/ou residenciais
Agenda Telefônica 2 Telefones impor tantes.
Bilhetes e recados na geladeira. 1 Lembrar datas impor tantes e/ou avisos.
Recor tes de embalagem (receitas) 2 Na cozinha.
Jornais 1 Pesquisas escolares, charges, gráficos etc.
Livros Religiosos (histórias bíblicas) 2 Leitura com família.
Livro de Oração 1 Busca auxílio.
Fonte: Observação nas residências das mães.

Os dados encontrados nos dão uma visão situações numéricas no contex to social, a autora
do interesse por par te das mães nas atividades ainda assinala que tais saberes não representam
escolares de seus filhos. As respostas fazem apenas uma mera decodificação dos símbolos
referência à ajuda nas tarefas, isso aponta a (números), envolvem relações que se fazem
atribuição da responsabilidade da educação presentes em nossas práticas sociais.
sobre a figura materna. Assim, a compreensão das representa-
Concordamos com Mendes (2007), quando ções numéricas nos vários contex tos viven-
ressalta que existem inúmeros conhecimentos e ciados pelas crianças, casa, escola, e outros
habilidades que utilizamos para compreender as contex tos sociais torna-se necessária ao en-

50
sino da matemática, para que o aprendiz crie quanto da tanto... ele tenta, tenta, tenta
mas não conta nos dedos...”. (sic)
hipóteses a par tir de situações cotidianas
sobre o significado dos números e elabore Mãe 2:
conhecimentos sobre escritas numéricas, tal “[...] então, mas se for necessário, nóis
como faz com a língua escrita. usa palito de dente, macarrão, macarrão
pequenininho, que é mais útil né...”. (sic)

Escrita e leitura numérica: como é feito o Mãe 3:


auxílio na tarefa escolar de matemática? “[...] conta nos dedo, quando não dá nos
dedo, faz uns pauzinho no caderno, ai
um por um vê quanto que é, se for de
A Matemática é entendida por Bit tar e Freitas mais, você soma mais, se for de menos,
(2005) como atividade permanente humana, você cor ta pra ver quantos você tirou
e atividades como contar medir e observar e quantos que sobro, quando não dá
por exemplo com os pauzinhos, pega
formas geométricas são expressões da mente
a canetinha, pega lápis, qualquer outra
humana. O desenvolvimento da matemática coisa, você vai tirando e contando, até
tem suas raízes em necessidades práticas, chegar no resultado cer tinho que você
mas acaba sempre evoluindo e transcendendo quer, se não der cer to, você primeiro
faz a conta, pra ver se deu cer to, se deu
os limites das aplicações imediatas. cer to você fica com o resultado, se tiver
Compreender a Matemática como um fator em dúvida tira a prova real, se a conta
ativo nas ações diárias exige uma confluência é mais você tira a prova de menos, pra
da leitura e escrita dos números e de domí- ver se deu cer to, se não deu cer to, você
apaga tenta faze outra vez, pra ver se o
nios específicos, bem como capacidades cog- resultado deu o mesmo resultado [...]
nitivas de conhecimento de mundo adquirido quem ensina mais é eu e minha outra
dentro ou fora da escola. Com respeito a essa menina do quinto ano.” (sic)
questão, o conhecimento notacional evolui no
Mãe 4:
contex to da diversidade (formas de represen- “Continhas... já é com a minha menina...
tar algo) paralelo à contribuição dos saberes [...] Ele sempre pede dinheiro! [...] só
escolares, ou não escolares. que ele é um menino que, ele pede
dinheiro mas não pede muito, um
Quando indagamos as mães sobre o ensino real dois real não, me da cinquenta
da matemática em casa a fim de auxiliar os filhos centavos, dez centavos que eu vou
no processo escolar, surgem as afirmações: comprar um chiclete ali” é assim né!
Então a gente dá pra um, dá pra outro...
Mãe 1: aí vai os três de uma vez compra!” (sic)
“Olha é assim, às vezes meu marido fala,
quando eu aprendi foi nos dedo, mas não A concepção sobre o ensino de Matemática,
pode, tem que aprender na mente [...]
a par tir das falas de algumas mães, mostra-nos
toda vez que vai fazer algum trabalho,
um estudo assim, ele ensina e fala: olha cer tos cuidados quando se trata de estabelecer
vocês não vão contar nos dedo, Vamos mecanismos para compreensão da notação nu-
contar, às vezes ele conta em bala [....] mérica, nesse sentido criam meios que possibi-
Conta em feijão, caroço de feijão, alguma
coisa assim...mas ele gosta, até se man- litam um melhor desempenho nas explicações
da ele faze uma conta assim, quanto mais aos seus filhos, como a utilização de lápis, ca-

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netinhas, e outros recursos concretos necessá- eleva a condição de par ticipação das mães
rios para se apropriarem de um conceito mate- em eventos e práticas letradas nos formatos
mático. Essas capacidades de conhecimentos da cultura escolar, em conformidade com
frequentemente são observadas na vida diária os achados de Soares (2003), onde aponta
dessas mães e podem dar origem a habilidades que seus dados mostram que, de maneira
matemáticas, apesar disso, não são identifica- significativa embora não absoluta, quanto mais
das por elas como sendo matemáticas. longo o processo de escolarização, quanto mais
Do modo como essas mães utilizam esses os indivíduos par ticipam de eventos e práticas
conhecimentos no dia a dia, Mendes (2007) escolares de letramento, mais bem-sucedidos
expõe uma questão per tinente a esse estudo: a são nos eventos e práticas sociais que envolvem
matemática dada na escola seria responsável a leitura e a escrita (SOARES, 2003).
pela promoção de capacidades nos alunos e, Acreditamos, em concordância com
por tanto, a única matemática possível seria a Espíndola e Souza (2007), “[...] que se a própria
matemática acadêmica? relação entre graus de letramento e escolarização
Nessa visão, do mesmo modo que a escrita precisa ser mais clareada, a relação entre níveis
do modelo autônomo, a matemática carregaria de escolarização e estratégias para letrar as
o status de única detentora do poder de pro- crianças pequenas são ainda mais envoltas em
mover o desenvolvimento das capacidades de preconceitos, imprecisões e obscurantismo
abstração. Sendo assim, é possível salientar a [...] (p. 03). Dentre as mães analisadas, a mãe
existência de uma dicotomia entre saber e não 2 tem um grau de escolarização mais elevado
saber matemática, estando a primeira ligada in- e isso implicou em um bom desempenho nas
teira e exclusivamente à escolarização. atividades que demandavam conhecimentos
da cultura escolar, além de uma diferenciação
Conclusões possíveis... nos relatos sobre o tratamento teórico e as
abordagens que utiliza para orientar as tarefas
Os dados analisados nos indicam que dos filhos nas reuniões com o grupo de
a escola cumpre um papel impor tante no mães. As mães com níveis menos elevados
processo de socialização de práticas letradas, de escolarização apresentavam estratégias
indicando uma relação positiva entre tempo de letramento matemático diferenciadas das
de escolarização e presença de práticas praticadas na forma escolar, fazendo uso
letradas nas famílias investigadas. Nesse principalmente da oralidade.
caso, as análises feitas nos dão uma visão do Foi possível confirmar ainda que, em eventos
interesse por par te das mães nas atividades relacionados diretamente à escrita e leitura
escolares de seus filhos. As respostas fazem numérica, não houve dicotomia entre letramento
referência à ajuda nas tarefas, isso explica a e letramento matemático, o que mostra que não
atribuição da responsabilidade da educação se concebe a existência de eventos e práticas que
sobre a figura materna. sejam exclusivamente de letramento matemático
É possível afirmar que em nossa pesquisa se sem que as práticas do letramento estejam
confirma que um maior grau de escolarização presentes. Ser letrado em matemática, por tanto,

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envolve tanto habilidades de letramento na língua ção matemática e letramento: tex tos para
materna, como de Matemática e a capacidade ensinar Matemática e Matemática para ler
para utilizá-las em combinação de acordo com o tex to. In: NACARATO, Adair Mendes;
o que é requerido em uma determinada situação. LOPES, Celi Espasandin (Orgs.). Escritas
Assim, é possível concluir que as relações e leituras na educação matemática. Belo
entre práticas e condições de letramento e a mo- Horizonte: Autêntica, 2003.
bilização de conceitos, procedimentos ou princí-
FONSECA, Maria da Conceição Ferreira Reis.
pios associados ao conhecimento matemático,
Conceito (s) de numeramento e relações
compreendido como produção sociocultural, com o letramento. In: LOPES, Celi Espasadin;
parecem estabelecer um campo comum de NACARATO, Adair Mendes. (Orgs.). Educação
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