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O diálogo entre os agentes envolvidos na produção de conhecimento

acadêmico e no mundo da prática é prejudicado por assimetrias e hierarquizações


que impedem o acesso dos últimos à construção do conhecimento científico. A
superação desses limites não tem sido parte integrante das metas gerais da
comunidade científica, em grande medida em função dos sistemas de valoração aos
quis ela está submetida (e se submete). Estes são usualmente baseados em critérios
que estimulam o diálogo entre pares, mas não entre cientistas e outros setores sociais.
Na opinião de muitos pesquisadores a produção científica não se reflete
diretamente na resolução de problemas aplicados, uma formação científica
desvinculada do diálogo com esse problema não é suficiente para capacitar
profissionais a superarem a lacuna pesquisa-prática. A incorporação da dimensão da
extensão universitária às atividades de produção de conhecimento e formação de
pessoal, além de cumprir o princípio constitucional da indissociabilidade, representa
um caminho frutífero a ser trilhado na superação dessa lacuna.
A extensão pode trazer para o ce3ntro do foco das atividades de produção de
conhecimento problemas concretos do mundo da aplicação, com todas as suas
particularidades que são relevantes para a formulação de uma solução. A participação
de estudantes em atividades de produção de conhecimento desse tipo lhes garante
experiência no uso e na modificação do conhecimento acadêmico, com vistas à
produção de conhecimento aplicado.
Em ações vinculadas ao papel tradicional da extensão, nos termos de uma
disseminação linear de conhecimentos, prestação de serviços e difusão cultural, a
extensão é concebida como uma terceira função da universidade. De acordo com esta
concepção, a extensão é marcada por uma visão de relação vertical ou hierarquizada
da universidade com outros setores, sem incorporar necessariamente a integração
entre saberes acadêmicos e aplicados no contexto de produção de conhecimento e
formação de pessoal. Em uma nova compreensão da extensão, assumida pelo Plano
Nacional de Extensão Universitária, a extensão não representa uma terceira função
da universidade, mas uma FILOSOFIA DE EXECUÇÃO DAS FUNÇÕES DE
PESQUISA E ENSINO, com maior potencial de intervenção na realidade concreta.
Essa nova visão da extensão facilita a formação de comunidades de prática
que articulam atores com formações e atividades sociais distintas numa empreitada
conjunta, a partir do engajamento em relações mútuas, que resultam na produção de
um repertório compartilhado de conhecimentos, valores e práticas.
A dinâmica de interação nessas redes permite a convergência entre os
diferentes tipos de conhecimento produzidos na pesquisa acadêmica e no mundo da
prática ou aplicação, bem como o desenvolvimento de uma linguagem comum,
facilitando o estabelecimento de um processo social e compartilhado de
aprendizagem. Esta última tende a aumentar, por sua vez, a eficiência na resolução
de problemas aplicados, em função do processo de retroalimentação entre teoria e
prática. (faltando pegar referência bibliográfica).

A partir de 88, faz-se necessário que você disponha de instrumentos que sejam
capazes de romper simultaneamente com as fontes do positivismo comtiano que
assola os conceitos no plano do conhecimento, como ocorre como bilogismo ou o
geografismo que estruturaram o pensamento científico e permeia o inconsciente
coletivo, levando ao entendimento de que conceitos como o “tradicional” se prendia
ao quadro natural, a figuras típicas regionais ou a uma questão historicamente situada
num passado distante.
Contra essa despolitização positiva que impera na leitura e no ensinar-aprender
das universidade dogmáticas surge a necessidade de um processo de ressignificação
de termos e vocabulário que implica numa politização das formas de conhecimento,
que leva ao advento da identidade coletiva exigindo um novo padrão de relação
política que se impõe a sociedade brasileira e leva a uma nova dimensão em que ,
novos agentes sociais se reconhecem como sujeitos de sua própria história e
assumem as designações que eles próprios se auto atribuem. Isso data de 1985 e se
fortalece em 88. Ainda, nesse correr tem-se o advento dos novos movimentos sociais.
São movimentos com profundas raízes locais, com consciência ecológica, com critério
político organizativo repousando, tudo isso, num fator étnico, de gênero, que
passaram a designar identidades objetivadas em movimentos estruturados em
articulações políticas de emancipação e reconhecimento. Nesse sentido as novas
formas de relações sociais exigem o reconhecimento dessa diversidade, uma
diversidade de autodesignações que tem força e exige reconhecimento social.
Os operadores de direito, por muito tempo encastelados em suas torres
acadêmicas se viram diante de um abismo diante de suas próprias incapacidades
interpretativas gerada por um desconhecimento dos processos reais. A sociedade
brasileira vive um processo de profundas e intensas transformações e, muitos
continuam a vê-la a partir do modelo escravista num processo de abstração que se
encerra, dentro do mundo academiscista do Direito, nos estudos da na dogmática
pela dogmática apenas, sem a necessária e indispensável autocrítica ou expansão
intelectual que os levem ao reconhecimento da perspectiva sociológica, de todo
adequada ao reconhecimento de que, mesmo produzindo mais de uma explicação ou
sentido, “a investigação do Direito na conduta humana aclaria muitas coisas aos
legisladores, aos políticos, aos governantes, com respeito aos materiais com que
trabalham.(SANCHEZ DE LA TORRE, 1965, p. 68-69).

A ideia aqui assemelha-se ao pensamento autopoiético de Luhmann (inserir ref


no rodapé: a concepção luhmanniana representa uma cisão com o modelo clássico
de ciência, que pretendeu descrever a vida social orientando-se pela ideia de
insatisfação com a sociedade...) que propõe o entendimento do Direito como
comunicação produzida por um sistema autopoiético de construção de sentido onde
a sociedade é concebida como um sistema autorreferente que cria suas próprias
condições de existência e de mudança, sendo a comunicação a célula de todo esse
processo de autocriação e de existência e de mudança, numa forma diversa das
concepções sociológicas antropocêntricas em que a sociedade é percebida como um
conjunto de pessoas ou de ações humanas.
O sistema social luhmanniano pressupõe as pessoas e as ações humanos
entendendo tanto o sistema social como as pessoas como sistemas autorreferentes,
autopoiético, independentes.
Luhmann se utiliza do termo originado no campo da biologia “autopoiesis”,
criado chilenos Maturana e Varela para designar a célula como algo “autocriado”,
ampliando-o para designar todos os sistemas em que se possa observar um modo de
operação específica e exclusivo, que são na sua opinião, os sistemas sociais e os
sistemas psíquicos. As operações básicas dos sistemas sociais são as comunicações
e as operações básicas dos sistemas psíquicos são os pensamentos (LUHMANN,
1988).
Dizer que os sistemas são autopoiético, portanto, é dizer que estes produzem
seus próprios elementos, possibilitando a identificação do próprio sistema como
unidade. A autopoiese é, dessa forma, um pressuposto para o fechamento
operacional ao mesmo tempo em que esta recursividade de auto reprodução é
condição de abertura do sistema. Isso quer dizer que aquele pode se relacionar com
o seu meio, contudo é o próprio sistema que preordena a forma como essa relação se
opera. Sendo assim, toda operação é uma operação dentro do sistema.
Como consequência da autopoiese, só é possível formar os sistemas sociais
por meio da comunicação em meio do sentido, que se produz tão somente no
momento em que as operações o determinam.
Trazendo essa ideia para o direito, este passa a ser entendido como produto
da comunicação realizado por uma comunidade de intérpretes; direito é comunicação
e não um “dever-ser” logicamente estruturado nem um caso especial do discurso
prático geral (razão)

Viver não é percorrer um caminho já traçado. É construir a cada momento sua


própria existência. (FRANCO MONTORO, André. Estudos de filosofia do direito, São
Paulo: RT,1981, p.6).
O historiador tem uma atitude que consiste em indagar, lançar seu olhar sobre
o fato analisando-o e perscrutando quanto a verdade que nele se inscreve. A partir
disso, lançar suas hipóteses, construir suas explicações desses fatos a partir da
perspectiva humana, seja no plano individual ou no plano coletivo. Em última análise
o historiador partindo de uma condição interpretativa, fazer um exame de realidade a
dado espaço-tempo social e, dentro desse contexto, pensar a sociedade humana e as
condições que capacitam a sua continuidade. O advogado, por sua vez, é (dar uma
continuidade comparativa, traçando um paralelo entre um e outro chegando a
importância desses para a construção da cidadania)
“A ordem é a escravização das coisas às vontades humanas, na medida em
que estas convêm, e enquanto convêm. Onde não há ordem, há ambivalência, ou
mesmo o caos, e o caos é o descontrole incompreendido pela razão, que tudo ordena
e calcula.” (BITTAR, Eduardo C.B. O direito na pós-modernidade e reflexões
frankfurtianas. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009).
As concepções afeitas ao mundo do Direito sofrem influências dos mais
diversos campos das ciências. Diante de seu caminhar histórico, intentando
compreender os antecedentes que o trazem a pós-modernidade, importante
caracterizar o período denominado modernidade, quando a civilização europeia, que
influencia diretamente toda o ocidente americano, se vê diante do fim de uma era
marcada por um obscurantismo dogmático e, em seu lugar tem-se o aparecimento e
a frutificação de uma série de novas perspectivas na dimensão socioeconômica que
irá permear todo espírito desse novo momento da trajetória coletiva da humanidade.
A valorização de um pensamento científico, analítico se vai firmando na ideia
associativa de progresso, conforme bem explica

Michael Pêcheux (MP) com a Análise do Discurso (AD) irá teorizar como a
linguagem é materializada na ideologia e como esta se manifesta na linguagem.
Concebe o discurso como um lugar particular em que esta relação ocorre e, pela
análise do funcionamento discursivo, ele objetiva explicar os mecanismos da
determinação histórica dos processos de significação. Estabelece como central a
relação entre o simbólico e o político., ou como diz Courtine (1982), a AD trabalha com
a textualização do político.
Com a AD, podemos compreender como as relações de poder são significadas,
são simbolizadas. É aí que aparece o que esse autor chama de ilusão política no
quadro de preocupações e objetivos da AD. Preocupações presentes nas reflexões
de MP.
Deve-se praticar a AD como um dispositivo que permite analisar a textualização
do político, o que é um passo importante na compreensão da relação entre o simbólico
e as relações de poder.
MP reflete sobre a história da epistemologia e a filosofia do conhecimento
empírico. Seu objetivo é transformar a prática das Ciências Sociais. Ele reorganiza
esse campo do conhecimento. Pelo confronto do político com o simbólico. A AD que
MP propõe levanta questões para a Linguística, interrogando-a pela historicidade que
exclui, e, do mesmo modo, ele interroga as Ciências Sociais questionando a
transparência da linguagem sobre a qual elas se sustentam. Por meio desse
questionamento à transparência da linguagem no campo das Ciências Sociais,
Pêcheux crítica o fato de que estas não rompem, ao contrário, estão em continuidade
com a ideologia que as funda. Daí pensar a introdução da linguagem como não
transparente, com sua materialidade, na observação do objeto e da prática das
Ciências Sociais.
MP pensa o sentido como sendo regulado no tempo e espaço da prática
humana, “de-centralizando” o conceito de subjetividade e limitando a autonomia do
objeto linguístico. Ou seja, crítica ao objetivismo abstrato e ao subjetivismo, a AD não
trabalha com um sujeito onipotente nem com um sistema autônomo. É em relação a
essas questões que sua parceria com Paul Henry e Michael Plon será extremamente
produtiva.
O discurso é definido por este autor como sendo efeito de sentido entre
locutores, um objeto sócio-histórico em que o linguístico está pressuposto.
MP considera a linguagem como sistema capaz de ambiguidade e define a
discursividade como inserção dos efeitos materiais da língua na história, incluindo a
análise do imaginário na relação dos sujeitos com a linguagem.
Dando um novo suporte teórico para a ideologia, seu método é baseado na
análise de formas materiais. MP não separa categoricamente estrutura e
acontecimento, relacionando a linguagem a sua exterioridade, ou seja, o interdiscurso.
Ele define este como memória discursiva, o já-dito que torna possível todo o dizer. De
acordo com este conceito as pessoas são filiadas a um saber discursivo que não se
aprende, mas que produz seus efeitos por intermédio da ideologia e do inconsciente.
O interdiscurso é articulado ao complexo de formação discursivas: algo significante
antes, em outro lugar e independentemente. As formações discursivas, por sua vez,
são aquilo que o sujeito pode e deve dizer em situação dada em uma conjuntura dada.
O dizer está, pois, ligado às suas condições de produção. Há um vínculo constitutivo
ligando o dizer com a sua exterioridade.
Segundo MP, as palavras nãp02,,