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ANÁLISE DE TENSÕES E

DEFORMAÇÕES

Izabel Christina Duarte Azevedo

Viçosa, abril de 2006


CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

1.1 Considerações gerais

Para se entender de modo satisfatório a solução de um problema, é necessário, primeiramente,


compreender as hipóteses básicas envolvidas e as limitações que estas hipóteses podem impor
às soluções obtidas. Isto é particularmente verdadeiro no campo da elasticidade, já que várias
das equações obtidas são simples devido às severas restrições impostas: (a) às condições de
contorno do problema, (b) ao comportamento dos materiais e, (c) aos limites de tensão ou de
deformação que devem ser aplicados ao corpo em estudo. Exceder ou desprezar qualquer uma
destas restrições ou limitações pode tornar uma equação inválida e pode levar a sérios erros de
projeto (Sechler, 1952).
A mecânica do contínuo é baseada em princípios governantes que independem da constituição
interna do material. Entretanto, a resposta de um sistema submetido à ação de forças externas
não pode ser determinada de forma única somente a partir das equações de campo
governantes derivadas destes princípios. A constituição interna do material tem papel
fundamental na mecânica do contínuo (Desai & Siriwardane, 1984). Deste modo, a resposta
de um corpo sólido às forças externas é influenciada pela configuração geométrica do corpo e
também pelas propriedades mecânicas do material.
Para efeito de estudo, os corpos sólidos podem ser classificados em rígidos ou deformáveis.
Nos corpos ditos rígidos, a distância relativa entre dois pontos quaisquer do corpo não varia
sob a ação de forças. Nos corpos deformáveis, ao contrário, esta distância varia e o corpo
sofre deformação. Embora, em muitos problemas da Mecânica seja possível desprezar o
movimento relativo entre partes do corpo, os sólidos reais sempre se deformam, em maior ou
menor grau, em conseqüência de solicitações atuantes (Villaça & Garcia, 1996).
Corpos sólidos deformáveis podem ser classificados em plásticos e elásticos. O sólido plástico
é aquele que, ao ser solicitado por uma força se deforma, mas quando a força é removida o
corpo não retorna à sua configuração inicial, permanecendo, total ou parcialmente, em seu
estado deslocado ou deformado. Uma argila lamacenta ou úmida representa, de modo
satisfatório tal sólido plástico.
O sólido elástico, ao qual o estudo clássico da elasticidade é normalmente devotado, também
necessita de uma força para provocar deformação. Entretanto, quando a força que atua neste
corpo é removida, este retorna à sua configuração inicial sem qualquer mudança em sua
forma. A maioria dos materiais de Engenharia utilizados em construção satisfaz esta
condição, dentro de certos limites de carregamento, e as equações da elasticidade são então
válidas somente dentro destes limites. Além do limite de carregamento especificado, os
materiais usuais da Engenharia entram em uma região, a qual, em geral, é parcialmente
elástica e parcialmente plástica. Nesta região, algumas das equações da elasticidade não são
mais válidas (Chou & Pagano, 1992).
Denomina-se elasticidade a propriedade de um material pela qual um corpo dele constituído,
deformado sob a ação de forças, uma vez cessada a ação dessas forças, retorna à sua
configuração original. Quando o retorno é apenas parcial, o material é dito elasto-plástico
(Villaça & Garcia, 1996).
A teoria da elasticidade diz respeito ao estudo sistemático de tensão, deformação e
deslocamento em um sólido elástico sob a influência de forças externas, e é a este estudo que
se limita este texto.

1.2 - Histórico

No final do século XVIII e no início do século XIX, movidos pelas demandas da revolução
industrial, matemáticos e físicos conseguiram enormes avanços em suas ciências dando
origem à chamada matemática-física (ou matemática aplicada, ou física aplicada), que
permitiu a formulação da teoria da elasticidade. A grande dificuldade é que a análise
matemática se fundamentava no conceito de espaço geométrico contínuo (cálculo diferencial
e integral) e a física, fundamentada na teoria molecular Newtoniana (moléculas que se atraem
e se repelem), admitia, no limite, os materiais descontínuos. O grande segredo foi descobrir a
existência de infinitésimos de ordem superior ou de que existem pequeno e PEQUENO pois o
limite matemático, apesar de extremamente pequeno, ainda podia ser considerado contínuo,
pois continha um número grande de moléculas. Ensaios experimentais comprovaram a
hipótese.
A teoria da elasticidade foi desenvolvida em meados do século XIX pelos matemáticos e
físicos franceses Cauchy, Navier e Poisson. Nomes como Galileu, Hooke, Bernoulli e
Coulomb deram enormes contribuições a respeito da teoria da flexão de vigas e,
principalmente, Lagrange, na teoria da flexão de lajes (ambos são casos particulares da teoria
da elasticidade). Contribuições de destaque foram dadas por Lamé, Clapeyron, Saint-Venant,
Kelvin e Timoshenko, entre outros.

1.3 Teoria da elasticidade

A resposta mecânica interna de um material pode ser expressa em termos de tensões e


deformações. Para um material elástico, o estado de tensão é função somente do estado
corrente de deformação. Um meio elástico retorna a sua configuração inicial após um ciclo de
carregamento-descarregamento. Ou seja, não existe qualquer deformação permanente (ou
plástica).
Um material elástico pode ser não linear. Um caso especial é o de comportamento elástico e
linear. A lei elástica e linear de Hooke é o exemplo mais simples de relação constitutiva. Para
corpos tridimensionais, a lei de Hooke generalizada pode ser expressa como

{σ}= [C]{ε} (1.1)

em que {σ} representa as tensões, [C] as propriedades do material e {ε} as deformações.

2
Em geral, a relação para a lei elástica não linear pode ser expressa como uma relação única
entre os estados de tensão e de deformação

σi j = f i j ε k l i, j, k=1, 2, 3 (1.2)

em que fij são funções.


Freqüentemente, as leis e as equações básicas que governam problemas em Engenharia são
determinadas com base na energia armazenada pelo corpo. Pode-se mencionar o potencial de
um corpo em realizar trabalho com relação a uma configuração de referência, e do mesmo
modo, o potencial de uma força realizar trabalho quando atua em um corpo. O corpo, ao se
deformar, armazena energia interna devido à deformação sofrida. Existe uma relação definida
entre o potencial da força gasto e a energia interna de deformação. A energia interna de
deformação está geralmente relacionada ao meio e é freqüentemente utilizada na
determinação de leis constitutivas ou de tensão-deformação (Desai & Siriwardane, 1984).
Este assunto será tratado no Capítulo 7.

1.3.1 – Experiências básicas – O teste de tração

São apresentados os resultados de algumas experiências básicas sobre o comportamento dos


metais.

Ensaio à tração

A relação entre tensões e deformações, para um determinado material, fica definida por meio
de um ensaio de tração. É o ensaio mais simples de ser executado, o mais comum e o mais
importante.
Utiliza-se um corpo de prova típico do material, em geral uma barra de seção transversal
circular, como mostrado na Figura 1.1. Mede-se cuidadosamente a área da seção transversal
na parte cilíndrica central. Duas marcas são desenhadas no corpo do cilindro, separadas por
uma distância L0. O corpo de prova é levado à máquina de ensaio e submetido à tração. À
medida que o valor de P aumenta, a distância L0 entre as duas marcas também aumenta.
Leituras da carga, do comprimento entre as marcas e/ou do diâmetro são registradas. Um
extensômetro indica o valor de L, e o alongamento δ (diferença entre o comprimento final e o
inicial, em cada estágio de carregamento) é anotado para cada valor de P. Em geral, é
utilizado um outro medidor para aferir as alterações no valor do diâmetro do corpo de prova.
Para cada par de valores lidos, P e δ, a tensão nominal σn é calculada como (Beer & Johnston,
1996):

P
σn = (1.3)
A0

3
em que A0 é a área da seção transversal inicial, e a deformação específica, ε, como

(L − L 0 )
ε= (1.4)
L0

P
σn

B’ C
ΔL
B
A0 L0 L A D

P C’
O
εe ε
εp
ε
(a) (b)
Figura 1.1 – (a) Ensaio à tração; (b) Diagrama tensão vs. deformação típico

Como pode ser observado na Figura 1.1(b), a relação σn vs. ε é, inicialmente, linear. A teoria
da elasticidade é válida até o ponto A, conhecido como limite de proporcionalidade, e a Lei
de Hooke pode ser empregada.
Após o ponto A, um aumento de carga faz com que a deformação aumente não mais
linearmente com a tensão, mas, entretanto, o material permanece elástico, ou seja, com a
remoção da carga o material volta à sua configuração inicial. Esta condição permanece até
que o ponto B, conhecido como limite elástico ou limite de escoamento, seja atingido. A
tensão correspondente ao início do escoamento é chamada tensão de escoamento.
Na maioria dos materiais a diferença entre os pontos A e B é muito pequena. Podem-se
considerar, então, os pontos A e B coincidentes.
Em alguns materiais, o limite elástico ou de escoamento (ponto B) é indefinido e, neste caso,
este valor é assumido como àquele correspondente a uma deformação permanente de 0,2 %.
O valor da tensão convencional de escoamento é obtida tomando-se no eixo das abscissas a
deformação específica ε=0,002, e, por este ponto, traçar uma reta paralela ao trecho linear
inicial do diagrama até sua interseção com o diagrama.
Além do limite elástico, ocorre uma deformação permanente ou deformação plástica. No
ponto C a carga é máxima. A tensão neste ponto é a resistência à tração ou tensão última. Se
em qualquer ponto entre B (limite elástico) e C (carga máxima) a carga é removida, o
descarregamento será dado ao longo da linha paralela (B’C’) à parte elástica da curva. Nota-se
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que parte da deformação é recuperada e parte é permanente. Portanto, a deformação total é
composta por duas parcelas: deformação elástica (εe ) e deformação plástica (εp).

ε = εe + εp (1.5)

O ponto D corresponde ao ponto de ruptura do material e a tensão correspondente é chamada


tensão de ruptura.
O diagrama tensão-deformação varia de material para material e depende da temperatura do
corpo de prova e da velocidade de aplicação da carga P. Portanto, mesmo para um mesmo
material, podem ocorrer resultados diferentes em vários ensaios.
A partir de algumas características comuns aos seus diagramas tensão-deformação, os
materiais podem ser divididos em duas categorias: dútil e frágil.
Os materiais dúteis, que compreendem o aço estrutural e outros metais, se caracterizam por
apresentar escoamento a temperaturas normais: atingido um valor crítico de tensão, o corpo
de prova sofre uma grande deformação, com um pequeno aumento da carga aplicada. Quando
o carregamento atinge um valor máximo, o diâmetro do corpo de prova começa a diminuir,
devido à perda de resistência local. Esse fenômeno é denominado estricção. Depois de
iniciada a estricção ou estrangulamento, um carregamento mais baixo é suficiente para
continuar provocando deformação do corpo de prova.
Materiais frágeis, tais como vidro, a maioria das rochas e ferro fundido, são caracterizados por
uma ruptura que ocorre sem nenhuma mudança sensível no modo de deformação do material.
Para este tipo de material, não existe diferença entre tensão última e tensão de ruptura e a
deformação até a ruptura é muito menor do que nos materiais dúteis (Beer & Johnston, 1996).

1.3.2 - Comportamento elástico e plástico dos materiais

Um material tem comportamento elástico quando as deformações provocadas por


determinado carregamento desaparecem com a retirada do carregamento. O limite de
elasticidade do material corresponde ao maior valor de tensão para o qual o material ainda
apresenta comportamento elástico.
Os materiais elásticos ou reversíveis se comportam num ciclo fechado, isto é, a curva de
carregamento/descarregamento volta a zero. Esse retorno ao ponto zero poderá se dar das
seguintes maneiras (Figura 1.2):

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σ σ

ε ε
(a) (b)
σ

(c)
Figura 1.2 – Materiais com comportamento elástico – Ciclo carregamento-descarregamento.
(a) sem histerese: material Hookeano (linearmente elástico); (b) sem histerese: material não
Hookeano; (c) com histerese

Se o material atingir o escoamento e se deformar ao se retirar a carga, as tensões e


deformações decrescem de modo linear, ao longo de uma reta CD paralela à reta AB da curva
de carregamento (Figura 1.3). O valor de ε não volta a zero indicando que o material sofreu
uma deformação permanente ou plástica.

σ
C

ε
A D

Figura 1.3 – Materiais com comportamento plástico – Ciclo carregamento-descarregamento

Para muitos materiais, a deformação plástica atingida não depende somente da tensão máxima
a que o material foi submetido, mas também do tempo decorrido entre a aplicação e a retirada
do carregamento. A parcela de deformação dependente da tensão é denominada deformação
lenta do material, enquanto que a parcela de deformação que depende do tempo de
carregamento e da temperatura é conhecida como fluência.

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Se, após um ciclo de carregamento-descarregamento, o corpo de prova é novamente
carregado (carregamento-descarregamento-recarregamento), conforme mostrado na Figura
1.4, a curva de recarregamento praticamente coincidirá com a curva de descarregamento, até
pouco antes de atingir o ponto C, havendo aí um desvio da nova curva para a direita até
encontrar o diagrama tensão-deformação original. O ramo retilíneo do novo diagrama será
mais longo do que o do diagrama inicial e, portanto, os limites de elasticidade e
proporcionalidade terão seus valores aumentados, como conseqüência da recuperação de
resistência que ocorreu durante o carregamento inicial (Beer & Johnston, 1996).

σ C

ε
A D

Figura 1.4 – Materiais com comportamento plástico – Ciclo carregamento-descarregamento-


recarregamento

1.3.3 - Hipóteses da teoria da elasticidade

Vários materiais empregados na Engenharia possuem até certo ponto a propriedade da


elasticidade. Se a estrutura atômica não for considerada e admitindo que a matéria de um
corpo elástico é homogênea e continuamente distribuída no seu volume, a teoria da
elasticidade pode ser aplicada.
A teoria da elasticidade é válida, portanto, para os materiais que apresentem as seguintes
propriedades:
Reversibilidade de deformações: a deformação desaparece quando as forças que induzem
seu aparecimento cessam de atuar.
Por exemplo: se o limite de elasticidade for ultrapassado, o material passa a apresentar
comportamento plástico e uma parcela das deformações é permanente.
Homogeneidade: qualquer porção retirada do corpo apresenta as mesmas propriedades, ou
seja, suas propriedades não dependem das dimensões do volume destacado do corpo.
Por exemplo: diversas camadas de solos representam um material não homogêneo.
Continuidade: o material ocupa continuamente o volume que lhe é atribuído (não sendo
consideradas particularidades da microestrutura).
Por exemplo: maciços rochosos fraturados representam um material descontínuo.
Sabe-se, entretanto, que os materiais estruturais não satisfazem completamente às hipóteses
acima. Em nível microscópico, o aço, por exemplo, é constituído por cristais de várias
espécies com diferentes orientações. O material é não homogêneo, mas, entretanto, a

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experiência mostra que soluções da teoria da elasticidade, baseadas nas hipóteses de
homogeneidade e isotropia, podem ser aplicadas às estruturas de aço com grande precisão.
A explicação para este fato é que os cristais que constituem o aço são muito pequenos e
existem milhões deles em um cm3. Enquanto as propriedades elásticas de um único cristal
podem ser diferentes em direções diferentes, os cristais são distribuídos de forma aleatória e
as propriedades elásticas de porções maiores do metal representam médias das propriedades
dos cristais. Desde que as dimensões geométricas que definem a forma de um corpo sejam
muito grandes em comparação com a dimensão de um único cristal, a hipótese de
homogeneidade pode ser usada com grande precisão e, se os cristais forem orientados
aleatoriamente, o material pode ser tratado como isotrópico. Quando, devido a certos
processos tecnológicos, tais como laminação, uma certa orientação dos cristais no metal
predomina, as propriedades elásticas do metal tornam-se diferentes em direções diferentes e a
condição de anisotropia deve ser considerada (Desai & Siriwardane, 1984). Materiais
isotrópicos são aqueles que apresentam as mesmas propriedades em todas as direções.
Anisotropia diz respeito àqueles materiais que apresentam propriedades diferentes em cada
direção.

1.4 – Organização do texto

No Capítulo 2, são definidos os conceitos de tensão em um ponto, de componentes de tensão,


de estado de tensão em um ponto e as equações que governam a variação das tensões no
espaço (equações de equilíbrio).
No Capítulo 3, são definidos os conceitos de deformação e deslocamento, de componentes de
deformação e estudam-se suas propriedades.
No Capítulo 4, são discutidas as equações constitutivas para os materiais elásticos, que
relacionam as componentes de tensão às componentes de deformação (lei de Hooke
generalizada).
No Capítulo 5, as equações governantes introduzidas nos capítulos anteriores são agrupadas e
são apresentadas as formulações (em deslocamentos e em tensões) de problemas de
elasticidade bidimensionais (deformação plana, tensão plana e axissimétricos) e
tridimensionais.
No Capítulo 6, estuda-se o efeito de sobrecargas sobre meio semi-infinito ou infinito, elástico,
linear, isotrópico e homogêneo.
No Capítulo 7, são apresentados os conceitos fundamentais de energia de deformação elástica,
o cálculo de deslocamentos pelos métodos de energia, o teorema de reciprocidade dos
trabalhos e deslocamentos (Teorema de Maxwell), o Teorema de Castigliano e os princípios
variacionais da Mecânica dos Sólidos.
No Apêndice A, apresenta-se a solução analítica de uma equação cúbica.
No Apêndice B, apresenta-se um breve resumo sobre tensões geostáticas.
No Apêndice C, são apresentados alguns conceitos sobre álgebra matricial.

8
CAPÍTULO 2

TENSÃO

2.1 – Introdução

Neste capítulo, será definido o conceito de tensão. Serão discutidos aspectos importantes da
tensão, como estado de tensão em um ponto e as equações que governam a variação das
componentes de tensão no espaço. Além das expressões analíticas, apresenta-se também uma
representação gráfica da transformação das componentes de tensão.
A teoria sobre tensão apresentada aplica-se a qualquer meio contínuo, isto é, sólidos elásticos
ou plásticos, fluidos viscosos, não importando as propriedades mecânicas do material.

2.2 – Definição de tensão – Tensão em um ponto

Quando um corpo está submetido a um sistema de forças aplicadas externas, forças internas
são induzidas no corpo. O comportamento do corpo, isto é, a variação de suas dimensões ou,
em alguns casos, sua ruptura eventual, é, principalmente, uma função da distribuição das
forças internas, que por sua vez, depende do sistema de forças externas. A resposta de um
corpo a um sistema de forças externas pode ser estudada de modo mais conveniente
agrupando as forças aplicadas em duas categorias: forças de massa e forças de superfície. As
forças de massa (ou de volume) estão associadas à massa do corpo e estão distribuídas por
todo o seu volume. Estas forças não resultam do contato direto com outros corpos e são
especificadas em termos de força por unidade de volume. As forças gravitacional, magnética,
de inércia (no caso de um corpo em movimento) e de percolação, são exemplos de forças de
massa. Forças de superfície resultam do contato físico entre dois corpos e são definidas como
força por unidade de área (Chou & Pagano, 1992). A pressão de um corpo sobre outro ou a
pressão hidrostática são exemplos desta categoria de forças.
A Figura 2.1 apresenta um corpo em equilíbrio estático. Sob a ação de um sistema de forças
externas P1, P2…., Pn, forças internas serão produzidas entre as partes do corpo:
z
P1 P8
A
P7
P2
O P12

1 2

P21
P3 P6
P4 B P5
y

x
Figura 2.1 – Corpo em equilíbrio submetido à ação de forças externas

Para estudar a grandeza destas forças em um ponto qualquer, O, imagine-se um plano


passando através do corpo pela seção transversal AB, seccionando-o em duas partes, 1 e 2.
Pela consideração de equilíbrio de qualquer das partes tomada isoladamente, conclui-se que
surgem forças de interação entre elas, de mesma intensidade e de sentidos opostos, pelo
princípio da ação e reação. Ou seja, pode-se afirmar que a parte 1 está em equilíbrio sob a
ação das forças externas P1 a P4 e das forças internas distribuídas na seção transversal AB, que
representam as ações do material da parte 2 sobre o material da parte 1. Será admitido que
forças internas são continuamente distribuídas ao longo da área da seção AB. A resultante das
forças internas na parte 1 é denominada P12.
Para que o corpo permaneça como um todo e para que seu equilíbrio seja mantido, a força P12
deve ser oposta a uma força igual, P21, que corresponde à força que a parte 1 exerce na parte
2:
P12 = − P21
(2.1)
P12 + P21 = 0

De acordo com a lei fundamental da mecânica, quando um corpo está em equilíbrio sob a
ação de forças externas, qualquer parte deste corpo deve estar em equilíbrio sob a ação das
forças externas e internas nesta parte. Portanto, na Figura 2.1, a parte 1 está em equilíbrio sob
a ação das forças externas P1, P2, P3, P4 e da força interna resultante P12, e a parte 2 está em
equilíbrio sob a ação das forças externas P5, P6, P7, P8 e da força interna resultante P21..
Considere-se agora a seção transversal AB dividida em pequenas áreas, como mostrado na
Figura 2.2.

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z
P1 ΔA
ΔP
A
P2 P12
O
1

P3 P4 B
y
x
Figura 2.2 – Seção transversal AB dividida em pequenas áreas

Qualquer que seja a distribuição de forças pela área total A, admite-se que a resultante das
forças atuantes na área elementar ΔA (devidas à ação do material da parte 2 sobre o material
da parte 1) que contém o ponto O, é ΔP. Em geral, a direção da força ΔP é inclinada em
relação à área sobre a qual atua. Considerando que o vetor unitário, n̂ , define a direção da
normal à área ΔA, a força ΔP pode ser decomposta em duas componentes: uma força normal à
área, ΔPn, e uma força de cisalhamento, ΔPc, no plano da área elementar (Figura 2.3a). A
força média por unidade de área, neste ponto será

ΔP
p med = (2.2)
ΔA

A tensão em um ponto na área ΔA é definida como o valor limite da força média por unidade
de área quando a área ΔA tende a zero ou seja,

ΔP
p = lim (2.3)
ΔA→ 0 ΔA
e, portanto,
Δ Pn
σ n = lim (2.4a)
ΔA→ 0 ΔA

Δ Pc
τ n = lim (2.4b)
ΔA→ 0 ΔA

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em que p é a tensão total em um ponto quando ΔA tende a zero no plano considerado, e σn e
τn são, respectivamente, as componentes de tensão normal e de cisalhamento no ponto. A
tensão de cisalhamento pode ser decomposta ainda em duas componentes no plano da área
elementar ΔA, segundo duas direções perpendiculares, τns e τnt, conforme mostrado na Figura
2.3b.
A tensão p deve estar referida a um determinado plano. Se um outro plano diferente, passando
pelo mesmo ponto do corpo (ponto O), tivesse sido considerado, o valor de ΔP neste plano e,
conseqüentemente, o valor de p seriam diferentes.
Conclui-se, portanto, que a tensão não é um vetor mas uma quantidade tensorial já que a
magnitude e a direção não são suficientes para definir seu valor; um plano de referência
também tem que ser estabelecido.
n̂ n̂
t
ΔPn
ΔA ΔP ΔA σn
τns s
τnt τn
ΔPc

(a) (b)
Figura 2.3 – (a) Componentes da força ΔP em ΔA. (b) Componentes da tensão total p em ΔA.
σn: tensão normal; τns e τnt: tensões de cisalhamento segundo dois eixos perpendiculares, s e t.

O estado de tensão em um ponto fica então definido se forem conhecidos os valores de p


correspondentes às várias áreas elementares ΔA que passam pelo ponto. Como existem
infinitos planos que passam pelo ponto, tem-se um número infinito de valores para p, que, em
geral, são diferentes. Entretanto, estes valores de tensão relacionam-se uns aos outros através
da lei de equilíbrio de Newton. Portanto, para determinar a tensão em um ponto é necessário
especificar as tensões em três planos mutuamente perpendiculares que passam pelo ponto. A
tensão em um plano arbitrário qualquer que passe por este ponto pode ser então determinada a
partir das tensões conhecidas nos três planos perpendiculares.
A mesma análise pode ser feita quando se considera a parte 2 do corpo da Figura 2.1. As
tensões obtidas no ponto O serão de mesma intensidade e direção, mas com sentidos
contrários.

2.3 – Notação para tensões e convenção de sinal

Diferentes convenções de sinal são empregadas na mecânica dos sólidos e na geomecânica.


Em algumas aplicações, tensões normais de compressão são consideradas positivas, enquanto
que em outras, tensões normais de tração são admitidas como positivas. Nesta apostila, será
utilizada a convenção de sinal da geomecânica e, portanto, são consideradas positivas as
tensões normais de compressão.

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Considere-se, por exemplo, que a direção da normal n̂ , mostrada na Figura 2.3a coincida com
a direção do eixo x. A tensão total neste plano pode ser decomposta em uma componente
normal, σx, e duas componentes de cisalhamento que atuam nas direções y e z,
respectivamente, τxy e τxz, conforme mostrado na Figura 2.4.

x≡ n̂

σx p τxz
z z
τxy
τx τx
y y

Figura 2.4 – Componentes da tensão total p em um plano x

Como visto no item anterior, para definir cada componente de tensão é necessário definir o
plano, normalmente designado pela direção da sua normal, no qual a componente atua.
Portanto, os subscritos nas tensões definem a direção da normal ao plano e a direção da tensão
de modo que a notação para as componentes de tensão indicadas nas Figuras 2.5(a), (b) e (c) é
entendida como se segue:
σxx = σx = tensão normal na face cuja normal tem a direção do eixo x (face x).
σyy = σy = tensão normal na face cuja normal tem a direção do eixo y (face y).
σzz = σz = tensão normal na face cuja normal tem a direção do eixo z (face z).
τxz, τxy, τzx, τyxτyz,τzy = tensões cisalhantes, em que o primeiro subscrito designa a
normal ao plano em consideração e o segundo indica a direção da tensão.
Para facilitar a visualização do estado de tensão no ponto O, considera-se um cubo elementar
com centro no ponto O. Na Figura 2.5 são mostrados os sentidos positivos das componentes
de tensão que atuam nas faces do cubo, paralelas aos eixos coordenados, xyz. As forças de
massa são omitidas na figura já que, no momento, só interessa estabelecer a nomenclatura
para as tensões. As tensões atuantes nas faces do cubo diferem pouco daquelas que atuam no
ponto O, e o erro cometido é muito pequeno, desaparecendo quando o lado do cubo tende a
zero.

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z

O
dz
P y (a)
dx

x
dy

z
σz

τzy
τzx
τyz
τxz σy
τxy τyx (b)
σx y

σx
τxy
τyx
σy τxz
τyz y (c)
τzx
τzy

x σz

Figura 2.5 – (a) Sentidos positivos das componentes de tensão nas faces de um elemento
infinitesimal cúbico; (b) Tensões nas faces positivas ou visíveis; (c) Tensões nas faces
negativas ou invisíveis.

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2.4 – Tensor de tensões
a) Em coordenadas cartesianas

O estado de tensão em um ponto em um elemento 3-D é determinado por meio de nove


quantidades, denominadas componentes de tensão, conforme as Figuras 2.5(a), (b) e (c):

⎛ σx τ yx τ zx ⎞
⎜ ⎟
σ = ⎜ τ xy σy τ zy ⎟ (2.5)
⎜ ⎟
⎝ τ xz τ yz σz ⎠

Na realidade, nem todas as 9 componentes de tensão são independentes. Impondo a condição


de equilíbrio de momentos em relação aos três eixos coordenados x, y, z:

∑Mx =0
⎛ dz ⎞ ⎛ dy ⎞ ⎛ dz ⎞
− σ y dx dz ⎜ ⎟ + τ yz dx dz (dy) + σ z dx dy ⎜ ⎟ − τ zy dx dy (dz) − τ xy dy dz ⎜ ⎟ +
⎝ 2⎠ ⎝ 2 ⎠ ⎝ 2⎠
⎛ dy ⎞ ⎛ dz ⎞ ⎛ dy ⎞ ⎛ dz ⎞ ⎛ dy ⎞
τ xz dy dz ⎜ ⎟ + σ y dx dz ⎜ ⎟ − σ z dx dy ⎜ ⎟ + τ xy dy dz ⎜ ⎟ − τ xz dy dz ⎜ ⎟ = 0
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2⎠ ⎝ 2 ⎠ ⎝ 2⎠ ⎝ 2 ⎠

τ yz = τ zy

∑My =0
⎛ dx ⎞ ⎛ dx ⎞ dz ⎛ dz ⎞
− σ z dx dy ⎜ ⎟ + τ zx dx dy (dz) − τ yz dx dz ⎜ ⎟ + τ yx dx dz ( ) + σ x dy dz ⎜ ⎟ − τ xz dy dz dx
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠ 2 ⎝ 2⎠
⎛ dz ⎞ ⎛ dx ⎞ ⎛ dz ⎞ ⎛ dx ⎞
− σ x dy dz ⎜ ⎟ + σ z dx dy ⎜ ⎟ − τ yx dx dz ⎜ ⎟ + τ yz dx dz ⎜ ⎟ = 0
⎝ 2⎠ ⎝ 2 ⎠ ⎝ 2⎠ ⎝ 2 ⎠

τ zx = τ xz

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∑ Mz =0
⎛ dx ⎞ ⎛ dy ⎞ ⎛ dx ⎞ ⎛ dy ⎞
τ zy dx dy ⎜ ⎟ − τ zx dx dy ⎜ ⎟ + σ y dx dz ⎜ ⎟ − τ yx dx dz (dy) − σ x dy dz ⎜ ⎟ + τ xy dy dz dx
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠
⎛ dy ⎞ ⎛ dy ⎞ ⎛ dx ⎞ ⎛ dx ⎞
+ σ x dy dz ⎜ ⎟ + τ zx dx dy ⎜ ⎟ − τ zy dx dy ⎜ ⎟ − σ y dx dz ⎜ ⎟ = 0
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠

τ yx = τ xy

Em resumo,

τ yz = τ zy
τ zx = τ xz (2.6)
τ yx = τ xy

Existem três componentes de tensão de cisalhamento independentes das seis escritas


anteriormente. Portanto, um estado de tensão tridimensional pode ser determinado a partir de
6 componentes de tensão: 3 componentes normais, σx, σy, σz e 3 de cisalhamento: τyz, τxz, τyx.
Essas quantidades são denominadas tensores e são sempre referidas a um sistema coordenado.

b) Em coordenadas cilíndricas:

Em coordenadas cilíndricas, considerando o eixo coordenado z como o eixo do cilindro, as 6


componentes de tensão − 3 de tensão normal, σz, σr, σθ, e 3 de cisalhamento, τzr, τrθ e τzθ −
estão mostradas na Figura 2.6. Impondo as condições de equilíbrio de momentos, demonstra-
se que τzr = τrz ; τrθ = τθr , τzθ = τθz.
O ângulo θ é medido a partir de uma linha de referência que passe pela origem e que esteja
contida no plano perpendicular ao eixo z.

16
z
σz
τzr τθr τθr
τzθ

θ τθr y
τrθ

σθ
τθz τrz σr
x

Figura 2.6 – Componentes de tensão em coordenadas cilíndricas

2.5 – Análise de tensões em 2 dimensões


2.5.1 – Mudança de eixos coordenados

Se o campo de tensão referido a um sistema de eixos coordenados é conhecido, é possível


determinar o campo de tensão referido a um outro sistema coordenado através de equações de
transformação. Ou seja, se os eixos coordenados sofrerem uma rotação, o estado de tensão
poderá ser representado por um conjunto diferente de componentes.
Este assunto será tratado, inicialmente, no caso de tensões planas, ou seja, em situações em
que duas faces paralelas do cubo elementar estão livres de tensões. Esta situação ocorre, por
exemplo, em uma placa fina submetida a forças atuantes no plano médio da espessura da
placa, ou ainda, na superfície de um elemento que não está sujeito a aplicação de uma força
externa, conforme mostrado na Figura 2.7.

σz

τzy
σy
τyz

P1
P2

Figura 2.7 – Tensões na superfície livre de: (a) um cubo elementar; (b) uma placa fina; (c) um
corpo cilíndrico

Considere-se um elemento infinitesimal com espessura unitária, em um ponto P, como mostra


a Figura 2.8.

17
Admitindo um campo de tensões bidimensional (2-D) no ponto P, dado pelas tensões σx ,σy e
τxy, referidas ao sistema coordenado xyz, deseja-se conhecer as tensões σx’ ,σy’ e τx’y’
referidas a um outro sistema de eixos x’y’ que faz um ângulo θ com o sistema xy e que passa
pelo mesmo ponto P. y
σy
y’ x’
τyx
τxy
σx σx
τxy θ
x
τyx
σy

y y
y’ y’
x’ x’
τx’y’ σy’
σx’
σx θ
τy’x’ σx
τxy τxy
O θ
x τyx x
O τ
yx
σy
σy
(a) (b)
Figura 2.8 – Mudança de eixos em elemento 2-D. (a)Componentes de tensão no plano x’; (b)
Componentes de tensão no plano y’

De acordo com a lei fundamental da mecânica, todos os elementos de um corpo estão em


equilíbrio se todas as forças, externas e internas, forem consideradas. Admitindo que a área
da face do elemento cuja normal é x’ é A, então,

A x' = A
A x = A cos θ (2.7)
A y = A sin θ

Fazendo o equilíbrio de forças que atuam no elemento triangular da Figura 2.8(a) na direção
x’, determina-se a tensão σx’.

18
σ x′ A − σ x A cos θ cos θ − τ yx A sin θ cos θ − σ y A sin θ sin θ − τ xy A cos θ sin θ = 0
(2.8)
σ x′ = σ x cos 2 θ + σ y sin 2 θ + τ xy sin 2θ

Da mesma forma, considerando a área da face do elemento cuja normal é y’ (Figura 2.8b)
igual a A, de modo que,

A y' = A
A x = A sin θ (2.9)
A y = A cos θ

e fazendo o equilíbrio de forças que atuam no elemento triangular da Figura 2.8(b) na direção
y’, determina-se a tensão σy’:

σ y ' A + τ yx A cos θ sin θ − σ x A sin θ sin θ − σ y A cos θ cos θ + τ xy A sin θ cos θ = 0


(2.10)
σ y ' = σ x sin 2 θ + σ y cos 2 θ − τ xy sin 2θ

A tensão de cisalhamento τx’y’ pode ser obtida através do equilíbrio de forças na direção desta
componente de tensão a partir de qualquer das Figuras 2.8(a) ou 2.8(b):

τ x 'y ' A + σ x A sin θ cos θ + τ xy A sin θ sin θ − σ y A cos θ sin θ − τ yx A cos θ cos θ = 0
1 (2.11)
τ x 'y ' = ( σ y − σ x ) sin 2θ + τ xy cos 2θ
2

Este procedimento transportou a descrição do estado de tensão de um conjunto de planos (ou


de um sistema de eixos) para outro.
Portanto, a partir das equações 2.12, é possível determinar as componentes de tensão em um
ponto referidas a qualquer sistema de eixos se forem conhecidas as componentes de tensão em
relação a um sistema de eixos xy e o ângulo θ que os dois sistemas de coordenadas fazem
entre si.

σ x′ = σ x cos 2 θ + σ y sin 2 θ + τ xy sin 2θ (2.12a)

σ y ' = σ x sin 2 θ + σ y cos 2 θ − τ xy sin 2θ (2.12b)

1
τ x 'y ' = ( σ y − σ x ) sin 2θ + τ xy cos 2θ (2.12c)
2

19
Na forma matricial, as equações 2.12 podem ser escritas como:

⎧ σ x ' ⎫ ⎡⎢ cos 2 θ sin 2 θ



sin 2θ ⎥ ⎧σx ⎫
⎪ ⎪ ⎪ ⎪
⎨ σ y ' ⎬ = ⎢ sin θ cos 2 θ − sin 2θ⎥
2
⎨σ y ⎬ (2.13a)
⎪τ ⎪ ⎢− 1 sin 2θ 1 sin 2θ cos 2θ ⎥ ⎪τ ⎪
⎩ x 'y ' ⎭ ⎢⎣ 2 2

⎦ ⎩ xy ⎭

ou seja,

{σ}x 'y' = [T ]σ {σ}xy (2.13b)

{σ}x 'y' - componentes de tensão referidas ao sistema x’y’

[T]σ - matriz de transformação de tensões do sistema xy para o sistema x’y’


{σ}xy - componentes de tensão referidas ao sistema xy

2.5.2 – Tensões em um plano qualquer

Considere-se um elemento infinitesimal, de espessura unitária, em um ponto qualquer O,


submetido a um campo de tensões bidimensional, como mostra a Figura 2.9. Se as
componentes de tensão no ponto forem conhecidas, a tensão que atua em um plano qualquer,
passando por este ponto, pode ser calculada utilizando as equações da estática.
y

σθ
B
τxy
τθ σx
θ
O x
A τyx
σy

Figura 2.9 – Tensões em um plano qualquer - 2-D.

20
Admitindo que a área da face AB é Aθ, então Ax é a área da face cuja normal é o eixo x e Ay é
a área da face cuja normal é o eixo y, de tal forma que:

A x = A θ sin θ
(2.14)
A y = A θ cos θ

Impondo a condição de equilíbrio estático ao elemento, obtêm-se os valores das componentes


de tensão normal, σθ, e de cisalhamento, τθ, na face AB:

σ θ = σ x sin 2 θ + σ y cos 2 θ − τ xy sin 2θ (2.15a)

1
τ θ = ( σ y − σ x ) sin 2θ + τ xy cos 2θ (2.15b)
2

que, na forma matricial, as equações 2.15 podem ser escritas como:

⎧σ x ⎫
⎧σ θ ⎫ ⎧⎪ sin θ cos 2 θ − sin 2θ⎫⎪
2
⎪ ⎪
⎨ ⎬ = ⎨− 1 sin 2θ 1 sin 2θ cos 2θ ⎬ ⎨σ y ⎬ (2.16a)
⎩ τ θ ⎭ ⎪⎩ 2 2 ⎪⎭ ⎪τ ⎪
⎩ xy ⎭

ou seja,
{σ}θ = [R ] {σ}xy (2.16b)

θ - ângulo entre a normal n̂ ao plano e o eixo x.


{σ}θ - componentes de tensão em um plano qualquer cuja normal forma um ângulo θ com o
eixo x.
[R ] - matriz de transformação de tensões do sistema xy para um plano qualquer θ.
{σ}xy - componentes de tensão referidas ao sistema xy
O estado de tensão em um ponto pode ser descrito em termos das tensões que atuam em
qualquer plano inclinado. Estas tensões são equivalentes ao estado de tensão no ponto,
porque elas, independentemente dos planos em que atuam, mantêm o equilíbrio do elemento.

21
2.5.3 – Tensões principais – Tensão cisalhante máxima

Quais são os valores máximos e mínimos das tensões normal e de cisalhamento em um


determinado ponto e em que planos estes valores ocorrem?
Para se determinar a orientação dos planos de tensão normal máxima e mínima, diferencia-se
a equação 2.15a em relação ao ângulo θ e iguala-se o resultado a zero de tal modo que:

∂ σθ
= − ( σ x − σ y ) sin 2θ + 2 τ xy cos 2θ = 0 (2.17)
∂θ
2 τ xy
tan 2 θ p = (2.18)
σx − σy

θp é contado positivamente a partir do eixo x no sentido anti-horário, conforme a Figura 2.9.


A equação 2.18 tem duas raízes, ou seja, há dois valores de (2θp) que diferem de 180o: o
primeiro, entre 0o e 180o e o segundo entre 180o e 360o. Deste modo, os dois valores de θp
diferem de 90o: um entre 0o e 90o e o outro entre 90o e 180o. Um desses valores acarreta um
valor máximo para a tensão σθ e o outro, um valor mínimo. Estas duas tensões ocorrem,
portanto, em planos perpendiculares. As tensões normais nestes planos, denominados planos
principais, são chamadas tensões principais e são representadas usualmente por σ1 e σ2. A
convenção adotada para as tensões principais é que σ1 > σ2.
Comparando a equação 2.17 com a equação 2.15b, observa-se que a tensão cisalhante nos
planos principais é nula.
A substituição dos dois valores de θp, encontrados a partir da equação 2.18, na equação 2.15a,
fornece os valores da duas tensões principais para qualquer caso particular. Da equação 2.18
vem:
σx − σy
cos 2 θ p = ±
(σ x − σ y )2 + 4 τ 2xy
(2.19)
2τ xy
sin 2 θ p = ±
(σ x − σ y )2 + 4 τ 2xy

Substituindo as expressões acima na equação 2.15a obtem-se:

22
2
σx + σy ⎛ σx − σy ⎞
σ1 = σ max = + ⎜⎜ ⎟ + τ 2xy

2 ⎝ 2 ⎠
(2.20)
2
σx + σy ⎛ σx − σy ⎞
σ 2 = σ min = − ⎜⎜ ⎟ + τ 2xy

2 ⎝ 2 ⎠

O fato de σ1 e σ2 serem os valores máximo e mínimo de σθ (equação 2.15a) pode ser


verificado a partir da derivada segunda da equação 2.15a, avaliada com as duas raízes de θ
(equação 2.18).
Os planos em que a tensão de cisalhamento é máxima podem ser determinados diferenciando
a expressão para τθ (equação 2.15b) em relação a θ e igualando a expressão resultante a zero:

∂ τθ
= ( σ y − σ x ) cos 2θ − 2τ xy sin 2θ = 0 (2.21a)
∂θ
2 τ xy − 2 τ xy
cot g 2 θ c = = (2.21b)
σy − σx σx − σy

As duas raízes de (2θc) na equação 2.21b também definem um conjunto de planos


perpendiculares, de tal modo que as tensões de cisalhamento nestes dois planos são iguais.
Comparando-se as equações 2.18 e 2.21b, observa-se que cot g 2 θ c = − tg 2 θ p , concluindo-se,
portanto, que (2θc) e (2θp) devem diferir de 90o. Assim, os planos de tensão máxima de
cisalhamento fazem 45o com os planos principais. Estes resultados estão ilustrados na Figura
2.10.
Substituindo o valor de (2θc), dado pela equação 2.21b, na equação 2.15b, tem-se:

2
⎛ σx − σy ⎞
τ max = ± ⎜⎜ ⎟ + τ 2xy
⎟ (2.22a)
⎝ 2 ⎠
σ1 − σ 2
τ max = (2.22b)
2

Nos planos de tensão máxima de cisalhamento, a tensão normal é dada por:

σx + σy
σ θc = (2.23)
2

23
σ2

σ1

σ1 45
θp
x
σ2
Figura 2.10 – Planos de tensão máxima (normal e de cisalhamento)

2.5.4 – Círculo de Mohr

Uma representação gráfica simples, que fornece uma visão geral do estado de tensão em um
ponto do meio contínuo, pode ser dada às equações 2.15 e 2.20.
Um método alternativo para a solução de problemas envolvendo a transformação de tensões
planas foi desenvolvido por Mohr e o círculo da tensão 2-D é conhecido como Círculo de
Mohr.
A Figura 2.11 apresenta uma situação bidimensional de tensões no plano xy. As componentes
de tensão σx, σy e τxy são conhecidas. O círculo de Mohr consiste em:
i) Estabelecer um sistema de eixos, que deverão estar na mesma escala, no qual as
abcissas são as tensões normais, σ, e as ordenadas são as tensões de cisalhamento, τ.
ii) Definir o ponto A marcando, por exemplo, os valores σx e τxy. Admite-se σx>σy. O
sinal da tensão de cisalhamento τxy é determinado segundo a convenção indicada na Figura
2.11b: marca-se um ponto fora do plano, e verifica-se qual o sentido de rotação que a tensão
cisalhante teria ao redor deste ponto. O sentido horário é, por convenção, positivo. Esta
convenção é utilizada somente no desenho e na interpretação do círculo de Mohr. Portanto, a
tensão τxy deve ser marcada como um valor negativo no círculo de Mohr.
iii) Definir o ponto B da mesma maneira que foi feita para o ponto A. Neste caso, τyx é
marcada positivamente já que tem sentido de rotação horário.
iv) Ligar os pontos A e B localizando o centro do círculo no ponto C;
v) Desenhar o círculo de Mohr com centro em C e raio igual a CA ou CB;
O diâmetro AB do círculo representa o campo de tensão referido ao sistema de eixos
coordenados xy. Qualquer outro diâmetro do círculo tal como A’B’ representa um campo de
tensão referido a um outro par de eixos, x’y’, girados em relação aos eixos originais de um
ângulo β qualquer.
Os pontos correspondentes às tensões principais estão indicados na Figura 2.11c, nos planos
em que as tensões de cisalhamento são nulas. Os pontos que correspondem às tensões máxima
e mínima de cisalhamento também estão indicadas na mesma figura.

24
y y

σθ +
τθ
τxy τxy
-
σx
θ
O x x
τyx τyx
+
σy

(a) (b)

H
σy B
A

2θp2 2β
O σ 2, G E
2δ D F, σ1 σ

C 2θp

B’
I A
σx

(c)
Figura 2.11 – (a) Estado bi-dimensional de tensões no plano xy; (b) Convenção de rotação das
tensões cisalhantes no círculo de Mohr; (c) Círculo de Mohr

25
SEGUINDO O ROTEIRO:

i) estabelece-se o par de eixos (τ, σ);


ii) marca-se o ponto A (σx, -τxy)
iii) marca-se o ponto B (σy, τyx)
iv) centro do círculo

σx + σy
OC =
2
v) raio do círculo:

raio = CA = CB = CD 2 + AD 2
em que:

OD = σ x ⎫ ED σ x − σ y
⎬ ED = σ x − σ y ⇒ CD = =
OE = σ y ⎭ 2 2

AD = − τ xy

e, portanto,

2
⎛ σx − σy ⎞
raio = CA = CB = ⎜ ⎟ + τ 2xy
⎜ 2 ⎟
⎝ ⎠

Tensões principais:

São as tensões normais máxima e mínima. Atuam nos planos em que as tensões de
cisalhamento são nulas:

• no círculo de Mohr os pontos em que a tensão de cisalhamento é nula são:

- ponto F: σ1 é a maior tensão principal


- ponto G: σ2 é a menor tensão principal

26
⎧σ1 = OC + raio
⎪⎪ 2
⎨ σx + σy ⎛ σx − σy ⎞
⎪σ1 = + ⎜⎜ ⎟⎟ + τ 2xy
⎪⎩ 2 ⎝ 2 ⎠

⎧σ 2 = OC − raio
⎪⎪ 2
⎨ σx + σy ⎛ σx − σy ⎞
⎪σ 2 = − ⎜ ⎟ + τ 2xy
2 ⎜ 2 ⎟
⎪⎩ ⎝ ⎠

Ângulos principais:

θ p1 e θ p 2

em que θ p 2 = θ p1 + 90 0

Tensão de cisalhamento máxima:

A metade do diâmetro HI representa a localização e a magnitude da tensão de cisalhamento


máxima, cujo valor é dado por:

2
⎛ σx − σy ⎞
τ máx = raio = ± ⎜ ⎟ + τ 2xy
⎜ 2 ⎟
⎝ ⎠
ou,
σ1 − σ 2
τ máx =
2

A tensão de cisalhamento máxima ocorre sempre em um plano a 45o do plano principal.

Tensões em um plano qualquer:

O campo de tensões referido a um outro par de eixos x’y’, girado de um ângulo β em relação
aos eixos originais xy, representado no círculo de Mohr pelo diâmetro A’B’, é dado por:

27
• ponto A’

- tensão normal

σ A ' = OC + CA ' cos (2δ)

OC – centro
CA’ = CB’ = raio
2
σx + σy ⎛ σx − σy ⎞
σ A' = + ⎜ ⎟ + τ 2xy cos(2δ)
2 ⎜ 2 ⎟
⎝ ⎠

- tensão de cisalhamento

τ A ' = CA ' sin (2δ)

2
⎛ σx − σy ⎞
τ A' = ⎜ ⎟ + τ 2xy sin( 2δ)
⎜ 2 ⎟
⎝ ⎠

• ponto B’

- tensão normal

σ B' = OC − CB' cos (2δ)


ou seja,
2
σx + σy ⎛ σx − σy ⎞
σ B' = − ⎜ ⎟ + τ 2xy cos(2δ)
2 ⎜ 2 ⎟
⎝ ⎠

- tensão de cisalhamento

τ B' = CB' sin (2δ)

28
2
⎛ σx − σy ⎞
τ B' = ⎜ ⎟ + τ 2xy sin(2δ)
⎜ 2 ⎟
⎝ ⎠
σA’ e σB’ atuam em planos ortogonais e no círculo de Mohr estão defasadas de 180o.

2.5.5 – Polo do círculo de Mohr

Um método mais direto para determinar tensões representadas pelos pontos no círculo de
Mohr e seus respectivos planos é denominado método do polo (Beer & Johnston, 1996;
Ortigão, 1993).
O polo do círculo de Mohr é uma construção gráfica auxiliar que permite determinar o ponto
do círculo correspondente a um plano cuja direção seja conhecida, ou vice-versa. Este método
consiste em encontrar um único ponto no círculo de Mohr, o polo (P na Figura 2.12), tal que o
ângulo entre quaisquer duas linhas traçadas a partir do polo a qualquer um dos dois pontos
1(σx, τxy) e 3(σθ, τθ) será o mesmo que o ângulo entre as normais aos planos nos quais elas
atuam. Dito de outro modo, uma linha traçada a partir de qualquer ponto conhecido no círculo
de Mohr paralela ao plano no qual o estado de tensão atue, interceptará o círculo de Mohr no
polo.
i) Determinar a localização do polo tomando um ponto no círculo de Mohr cujo plano
correspondente tenha direção conhecida como é o caso do ponto 1 do círculo da
Figura 2.12.
ii) A partir deste ponto, traça-se uma paralela ao plano. O polo será determinado na
interseção desta paralela com o círculo de Mohr, como indicado no ponto 2.
iii) Uma vez determinado o polo, torna-se muito fácil obter, para qualquer plano, o ponto
correspondente no círculo de Mohr. Para isto, traça-se, a partir do polo, uma paralela à
face em que atuam as tensões σθ e τθ, cujos valores se desejam. Esta paralela cortará o
círculo no ponto 3, que fornece graficamente o valor das tensões σθ e τθ.
σθ
τθ

τ
σy
σx τyx
Polo P
2 τxy
σθ 3 1 (σx, τxy)
τθ

C σ

(σy, τyx)
FONTE: Ortigão, 1993

Figura 2.12 – Determinação de σθ e τθ através do processo gráfico do polo


29
2.5.6 – Exemplos

1 - Um elemento está sujeito às seguintes tensões planas, conforme a figura abaixo:

σ x =16 000 kgf / cm 2


σ y = 6 000 kgf / cm 2
τ xy = 4000 kgf / cm 2

Obter, através do círculo de Mohr e das expressões apresentadas neste capítulo:


a) as tensões e os planos principais
b) as tensões em um elemento a 45o com o plano onde atua σx
c) as tensões máximas de cisalhamento, os planos em que atuam e as tensões normais nestes
planos

Mostrar cada resultado em um diagrama.

6000

4000

y 4000

16000 16000
O x
4000
4000

6000

30
Resolução

Utilizando o círculo de Mohr

De acordo com a convenção adotada no círculo de Mohr para o sentido positivo da tensão de
cisalhamento:

⎧σ x =16000
• ponto A: ⎨
⎩τ xy = − 4000

⎪⎧σ y = 6000
• ponto B: ⎨
⎪⎩τ yx = 4000

σx+ σy 16000 + 6000


• centro do círculo: OC = = = 11000
2 2

2
⎛ 16000 − 6000 ⎞ 2
• raio do círculo: raio = ⎜ ⎟ + (4000) ∴ raio = 6403 cm
⎝ 2 ⎠

a) tensões e planos principais:

σ1 ≅ 17400 kgf / cm 2
σ 2 ≅ 4600 kgf / cm 2
θ p1 ≅ 19 o
θ p 2 ≅ 19 o + 90 ≅ 109 o

b) tensões em um elemento girado de 45o em relação ao elemento dado:

- ponto E:

σ 45o +900 ≅ 15000 kgf / cm 2


τ 45o +900 ≅ 5000 kgf / cm 2

31
- ponto F:

σ 45o ≅ 7000 kgf / cm 2


τ 45o ≅ − 5000 kgf / cm 2

c) tensões máximas de cisalhamento e planos em que atuam:

τ max = raio = 6403 kgf / cm 2


σ = OC = 11000 kgf / cm 2
θ c1 ≅ 64 0
θ c 2 ≅ 64 0 + 90 0 = 154 0

θc1 é o ângulo entre o plano em que atua σx e um plano de tensão cisalhante máxima e θc2 é
ângulo entre o plano em que atua σy e outro plano de tensão cisalhante máxima (no sentido
horário, a partir do ponto A, θc2= - 260).

τ
τθ45 σθ45
σy
τmax
τB B
τE E
2θc1
2θp2
O σ2 C σ1 σ
2θp1 2θ45

τF 2θc2
F
τA
A

σx

32
Utilizando as expressões

a) tensões e planos principais:

- tensões principais: das equações 2.20,

2
16000 + 6000 ⎛ 16000 − 6000 ⎞ 2 2
σ1 = + ⎜ ⎟ + (4000) ∴ σ1 = 17 403 kgf / cm
2 ⎝ 2 ⎠
2
16000 + 6000 ⎛ 16000 − 6000 ⎞ 2 2
σ2 = − ⎜ ⎟ + (4000) ∴ σ 2 = 4 596 kgf / cm
2 ⎝ 2 ⎠

- direções principais: da equação 2.16,

1 ⎛ 2 x 4000 ⎞
θ p1 = arctg ⎜⎜ ⎟⎟ ∴ θ p1 = 19,3 o
2 ⎝ ( 16000 − 6000 ) ⎠

θ p 2 = θ p1 + 90 o ∴ θ p 2 = 19,3 o + 90 o ∴ θ p 2 = 109,3 o

θ p1 = 19,3o → ângulo do plano principal em que atua a tensão principal maior, σ1, com o
plano em que atua σx.
θ p 2 = 109,3 o → ângulo do plano principal em que atua a tensão principal menor, σ2, com o
plano em que atua σx.

4600

17403

19,3o
17403

4600

33
b) as tensões em um elemento girado de 45o em relação ao elemento dado. Das equações
2.12:

σ x '45o =16000 cos 2 45 o + 6000 sin 2 45 o + 4000 sin 90 o


1
τ x 'y '45o = (6000 − 16000) sin 90 o + 4000 cos 90 o = τ y 'x '45o
2
σ y '45o +900 =16000 sin 2 45 o + 6000 cos 2 45 o − 4000 sin 90 o

σ x '45o = 15000 kgf / cm 2


τ x 'y '45o = − 5 000 kgf / cm 2
σ y '45o +90o = 7000 kgf / cm 2

7000
15000

5000 45o
y’ x´ 5000
5000
5000
15000
7000

c) as tensões máximas de cisalhamento, os planos em que atuam e as tensões normais nestes


planos

- tensão máxima de cisalhamento: da equação 2.22a,

2
⎛ 16000 − 6000 ⎞ 2
τ máx = ± ⎜ ⎟ + 4000
⎝ 2 ⎠
τ máx = ± 6 403 kgf / cm 2

- ângulo que faz o plano em que atua a tensão de cisalhamento máxima com o plano
em que atua σx. Da equação 2.21b,

34
2 ( 4000)
cot g 2 θ c =
6000 − 16000
θ c1 = − 25,6 o
θ c 2 = θ c1 + 90 o = − 25,6 o + 90 o = 64,4 o

- tensões normais nestes planos:

16000 + 6000
σ=
2

σ = 11 000 kgf / cm 2

11000

11000 6403
y
6403 6403
x 25,6
6403 11000

11000

θc1 é o ângulo entre o plano em que atua σx e um plano de tensão cisalhante máxima.

35
2 - No círculo de Mohr apresentado na figura abaixo, o ponto A corresponde a uma faceta
(plano) vertical. Determinar (Ortigão, 1993):

(a) o polo;
(b) as tensões atuantes na faceta horizontal;
(c) os valores de σ1 e σ2 e as direções das facetas em que atuam;
(d) τmax e τmin (iguais em módulo) e as direções das facetas em que atuam.
τ

σh
A

Resolução

τmax
σh
A
σ1
σ2
σ

σv

τmax Polo P

36
2.6 – Análise de tensões em 3 dimensões

Será considerado agora o caso geral de distribuição de tensões em 3 dimensões.


Mostrou-se anteriormente (Figura 2.5) que as tensões que atuam nas faces de um elemento
cúbico podem ser representadas por 6 componentes: σx, σy, σz, τxy, τxz, τyz. Se estas
componentes são conhecidas em um ponto qualquer O, a tensão que atua em um plano
inclinado qualquer, passando por este ponto, pode ser calculada através das equações da
estática, do mesmo modo que foi feito no caso de um campo bidimensional de tensões (2.5.2).
Considere-se o estado de tensão em um ponto O representado pelas componentes de tensão,
σx, σy, σz, τxy, τxz, τyz, referidas ao sistema coordenado xyz (Figura 2.13). Deseja-se
determinar as tensões normal e de cisalhamento em um plano qualquer que passe por este
ponto. z

C n̂

τyz τxz
σx
σy
τyx τxy
O y
A
τzx τzy
σz
x B

Figura 2.13 – Tensões em um tetraedro elementar

Para se obter as tensões em um plano qualquer passando por O, toma-se um plano paralelo
ABC, situado a uma pequena distância de O, de tal forma que este plano, juntamente com os
planos coordenados, isole um tetraedro muito pequeno ABCO. A tensão que atua no plano
ABC tenderá para a tensão que atua no plano paralelo passando em O, à medida que o
elemento for feito infinitesimal. O problema é o de se determinar as tensões normal e de
cisalhamento na superfície do plano ABC. Se isto puder ser feito, será possível definir, então,
as tensões normal e de cisalhamento em qualquer plano que passe pelo elemento
tridimensional.
Na consideração das condições de equilíbrio do tetraedro elementar, as forças de massa
podem ser desprezadas. O volume é um infinitésimo de 3a ordem e as forças que atuam no
tetraedro, determinadas multiplicando as componentes de tensão pelas áreas das faces, são
infinitésimos de 2a ordem.
A direção do plano ABC fica definida através dos ângulos θ, φ e ψ que a normal ao plano, n̂ ,
faz com os eixos x, y e z, conforme mostrado na Figura 2.14. Os cossenos diretores que
definem este plano são

37
l = cos θ = cos (nˆ , x )
m = cos φ = cos (nˆ , y) (2.24)
n = cos ψ = cos (nˆ , z)


C

ψ
θ φ
y
O A

B
x
Figura 2.14 – Cossenos diretores da normal ao plano ABC com os eixos xyz

Se A é a área da face ABC do tetraedro, as áreas das outras faces são obtidas pela projeção de
A sobre os outros três planos, x, y e z.

area OAC = A x = A l = A cos θ


area OBC = A y = A m = A cos φ (2.25)
area OAB = A z = A n = A cos ψ

Designando por X, Y, Z as 3 componentes da tensão total p, na direção dos eixos


coordenados x, y, z, que atuam na face ABC do tetraedro mostrado na Figura 2.15, então a
componente da força que atua na face ABC na direção do eixo x é A X . Analogamente, as
componentes na direção x das forças que agem nas 3 outras faces do tetraedro são:

na face A x : A l σx
na face A y : A m τ yx (2.26)
na face A z : A n τ zx
Da condição de equilíbrio de forças na direção x obtém-se

A X − A l σ x − A m τ yx − A n τ zx = 0 (2.27)

38
Raciocinando de maneira análoga, as equações de equilíbrio nas direções dos eixos y e z são
dadas por:

A Y − A l τ xy − A m σ y − A n τ zy = 0 (2.28)

A Z − A l τ xz − A m τ yz − A n σ z = 0 (2.29)

ou seja,

X = l σ x + m τ yx + n τ zx

Y = l τ xy + m σ y + n τ zy (2.30a)

Z = l τ xz + m τ yz + n σ z

que, na forma matricial, podem ser escritas como:

⎧X ⎫ ⎡ σ x τ yx τ zx ⎤ ⎧l⎫
⎪ ⎪ ⎢ ⎥ ⎪ ⎪
⎨Y ⎬ = ⎢τ xy σy τ zy ⎥ ⎨m ⎬ (2.30b)
⎪ Z ⎪ ⎢τ τ yz σ z ⎥⎦ ⎪n ⎪
⎩ ⎭ ⎣ xz ⎩ ⎭

z
C n̂

X
Y
τyx p Z σx
σy τxy τxz
O τzx y
τyz A
τzy

x B σz

Figura 2.15 – Componentes da tensão total p que atuam no plano ABC

As equações 2.30a ou 2.30b fornecem as componentes cartesianas de tensão em um plano


inclinado qualquer, definido pelos cossenos diretores, l, m, n, que passe pelo ponto, desde que
as 6 componentes de tensão no ponto, referidas a um sistema ortogonal xyz, σx, σy, σz, τxy,
τxz, τyz, sejam conhecidas. Como estas expressões podem ser usadas também para relacionar

39
forças aplicadas em uma superfície inclinada qualquer às tensões internas, diz-se que elas
fornecem condições de contorno.

Tensão normal no plano ABC:

A tensão normal no plano ABC pode ser determinada a partir das 3 componentes de
tensão neste plano, X, Y, Z

σn = X l + Y m + Z n (2.31)

A substituição das equações 2.30 na equação 2.31 fornece a seguinte expressão para a
tensão normal neste plano

σ n = ( σ x l 2 + σ y m 2 + σ z n 2 ) + 2 τ xy l m + 2 τ yz m n + 2 τ xz l n (2.32)

2.6.1 – Mudança de eixos

Considere-se que a direção da normal n̂ ao plano ABC representa a direção x’ em um outro


sistema cartesiano x’y’z’. O novo sistema x’y’z’ está relacionado ao sistema xyz através dos
seguintes cossenos diretores:

Quadro I – Cossenos diretores entre dois sistemas coordenados xyz e x’y’z’


Eixos x y z
x’ l1 m1 n1
y’ l2 m2 n2
z’ l3 m3 n3

NOTA: Como x’ é perpendicular ao plano ABC, então y’ e z’ deverão estar no plano ABC.

A tensão normal σn, dada pela equação 2.32 corresponde exatamente à tensão normal σx’
referida ao novo sistema de eixos (x’,y’,z’):

σ x ' = σ n = σ x l12 + σ y m12 + σ z n 12 + 2 τ xy m1 l1 + 2 τ yz m1 n 1 + 2 τ xz l1 n 1 (2.33)

As tensões de cisalhamento neste plano, mostradas na Figura 2.16 são


40
τ x ' y ' = X l 2 + Y m 2 + Z n 2 = τ y 'x '
(2.34)
τ x 'z ' = X l 3 + Y m 3 + Z n 3 = τ z ' x '

Substituindo as equações 2.30 na equação 2.34

τ x ' y ' = σ x l1 l 2 + σ y m1 m 2 + σ z n 1 n 2 + τ xy (m1 l 2 + l1 m 2 ) +


τ yz (n 1 m 2 + m1 n 2 ) + τ zx (n 1 l 2 + l1 n 2 ) = τ y 'x '
(2.35)
τ x 'z ' = σ x l1 l 3 + σ y m1 m 3 + σ z n 1 n 3 + τ xy (m1 l 3 + m 3 l1 ) +
τ yz (n 1 m 3 + m1 n 3 ) + τ zx (n 1 l 3 + l1 n 3 ) = τ z 'x '

z x’
C

y’
σx’ X
Y
z’ Z
y
O A

x B

Figura 2.16 – Tensões atuantes no plano ABC

De modo análogo, considerando os eixos y’ e z’ coincidentes com a normal ao plano, obtêm-


se as componentes de tensão normal e de cisalhamento nestes planos em função das 6
componentes de tensão σx, σy, σz, τxy, τyz, τzx.
Portanto, conhecidas as 6 componentes de tensão σx, σy, σz, τxy, τyz, τzx em relação a um
sistema coordenado xyz e, se um novo sistema de eixos x’y’z’ é estabelecido relacionado ao
primeiro sistema através dos cossenos diretores (Quadro I), então as 6 componentes de tensão
no novo sistema de eixos são dadas por:

σ x ' = σ x l12 + σ y m 12 + σ z n 12 + 2 τ xy m 1 l1 + 2 τ yz m 1 n 1 + 2 τ xz l1 n 1

σ y ' = σ x l 22 + σ y m 22 + σ z n 22 + 2 τ xy m 2 l 2 + 2 τ yz m 2 n 2 + 2 τ xz l 2 n 2

σ z ' = σ x l 32 + σ y m 32 + σ z n 32 + 2 τ xy m 3 l 3 + 2 τ yz m 3 n 3 + 2 τ xz l 3 n 3

41
τ x ' y ' = σ x l1 l 2 + σ y m 1 m 2 + σ z n 1 n 2 + τ xy (m 1 l 2 + l1 m 2 ) + τ yz (n 1 m 2 + m 1 n 2 ) + τ zx (n 1 l 2 + l 1 n 2 ) = τ y ' x '
τ x 'z ' = σ x l1 l 3 + σ y m 1 m 3 + σ z n 1 n 3 + τ xy ( m 1 l 3 + m 3 l 1 ) + τ yz (n 1 m 3 + m 1 n 3 ) + τ zx ( n 1 l 3 + l1 n 3 ) = τ z ' x '
τ y 'z ' = σ x l 2 l 3 + σ y m 2 m 3 + σ z n 2 n 3 + τ xy (m 2 l 3 + l 2 m 3 ) + τ yz (n 2 m 3 + m 2 n 3 ) + τ zx (n 2 l 3 + l 2 n 3 ) = τ z ' y '

(2.36)

As equações 2.36 podem ser escritas na forma matricial de tal modo que:

(σ') = [A] (σ ) [A]T (2.37)

(σ) - tensor das tensões em relação ao sistema coordenado xyz


(σ') - tensor das tensões em relação ao novo sistema coordenado x’y’z’
[A] -matriz de transformação das tensões no sistema coordenado xyz para o sistema x’y’z’

⎛ σx τ yx τ zx ⎞
⎜ ⎟
(σ) = ⎜ τ xy σy τ zy ⎟ (2.38a)
⎜τ τ yz σ z ⎟⎠
⎝ xz

⎛ σ x' τ z 'x ' τ y 'x ' ⎞


⎜ ⎟
(σ ) = ⎜ τ x ' y '
'
σ y' τ z 'y ' ⎟ (2.38b)
⎜ ⎟
⎝ τ x 'z ' τ y 'z ' σ z' ⎠

⎡ l1 m1 n1 ⎤
[A] = ⎢⎢l 2 m2 n 2 ⎥⎥ (2.38c)
⎢⎣ l 3 m3 n 3 ⎥⎦

Na realidade, os 9 cossenos diretores indicados no Quadro I não são independentes, podendo


ser reduzidos a 3 variáveis independentes. Três valores podem ser eliminados através das
relações:

⎧l12 + m12 + n 12 = 1
⎪ 2
⎨l2 + m2 + n 2 = 1
2 2
(2.39)
⎪l2 + m2 + n 2 = 1
⎩ 3 3 3

42
Mais 3 valores podem ser eliminados através de equações mais complexas por considerações
de ortogonalidade entre os dois sistemas de eixos

⎧ l1 m 1 + l 2 m 2 + l 3 m 3 = 0

⎨m 1 n 1 + m 2 n 2 + m 3 n 3 = 0 (2.40)
⎪ l n +l n +l n = 0
⎩ 1 1 2 2 3 3

2.6.2 – Tensões principais

A equação da tensão normal (2.32) pode ser transformada em uma equação de uma superfície
do 2o grau. Ou seja, a variação da tensão normal, σn, com a direção da normal n̂ , pode ser
geometricamente representada como se segue (Timoshenko & Goodier, 1980).
Define-se, na direção da normal n̂ ao plano ABC, um vetor cujo módulo, r, seja inversamente
proporcional à raiz quadrada do valor absoluto da tensão σn:

k
r= (2.41a)
σn

k2
σn = ± (2.41b)
r2

em que r é o módulo do vetor na direção da normal n̂ e k é um fator de escala constante. As


coordenadas da extremidade deste vetor são dadas por:

⎧ x =l r → l =x r

⎨y = m r → m =y r (2.42)
⎪ z=n r → n =z r

Substituindo na equação de σn (equação 2.32), os valores de l, m, n dados pela equação 2.42, e


a equação resultante na equação 2.41b, obtem-se:

x2 y2 z2 x y y z x z k2
σn = ( σx + σy + σz ) + 2 τ xy + 2 τ yz + 2 τ xz = 2 (2.43a)
r2 r2 r2 r r r r r r r
ou,
± k 2 = ( σ x x 2 + σ y y 2 + σ z z 2 ) + 2 τ xy x y + 2 τ yz y z + 2 τ xz x z (2.43b)
43
que é a equação de uma superfície do 2o grau denominada quádrica de Cauchy:

a x 2 + b y 2 + c z 2 + d x y + e y z + f x z = cons tan te (2.44)

descrita pela extremidade do vetor r à medida que o plano ABC gira em torno do ponto O.
Da Geometria Analítica, sabe-se que, mediante uma rotação adequada de eixos é sempre
possível eliminar os termos cruzados para a superfície da equação 2.43. Ou seja, é sempre
possível encontrar um conjunto de eixos xyz em que os termos que contêm os produtos
cruzados se anulam. Quando isto acontece, os novos eixos coordenados coincidem com a
direção das normais aos planos e, deste modo, as tensões resultantes são normais aos planos
nos quais atuam. Estas tensões são denominadas tensões principais (denominadas σ1, σ2 e σ3)
no ponto considerado; suas direções são os eixos ou direções principais (denominados x1, x2 e
x3) e os planos em que atuam são os planos principais (denominados 1, 2 e 3).
O estado de tensão em um ponto fica completamente definido se as direções dos eixos
principais e os valores das tensões principais forem conhecidos. A superfície representada
pela equação 2.43b deve portanto ser a mesma, independentemente da escolha dos eixos xyz.
É possível demonstrar que as tensões principais são valores extremos (ou estacionários) das
tensões normais, sendo, no caso geral, uma das tensões principais a máxima e a outra a
mínima tensão normal no ponto (Villaça e Garcia, 1996).

Determinação das tensões principais:

Se as componentes de tensão para 3 planos coordenados são conhecidas, é possível


determinar as direções e magnitudes das tensões principais, utilizando a propriedade de que
estas são perpendiculares aos planos em que atuam.
Considere-se um plano principal cuja normal é definida pelos cossenos diretores l, m, n com
os eixos coordenados xyz e seja S o valor da tensão principal (tensão normal)
correspondente.
Como S é normal ao plano, suas componentes nas direções dos eixos x, y, z são:

⎧ X =Sl

⎨Y = S m (2.45)
⎪ Z =Sn

Substituindo (2.45) em (2.30a), fica-se com o valor da tensão normal S em termos das
componentes de tensão segundo os eixos coordenados xyz.

44
⎧ S l = l σ x + m τ yx + n τ zx

⎨S m = l τ xy + m σ y + n τ zy (2.46a)
⎪ Sn =lτ + m τ + n σ
⎩ xz yz z

ou seja,
⎧ (S − σ x ) l − τ yx m − τ zx n = 0

⎨ − τ xy l + (S − σ y ) m − τ zy n = 0 (2.46b)
⎪ − τ l − τ m + (S − σ ) n = 0
⎩ xz yz z

O sistema de equações lineares e homogêneas em l, m, n (equações 2.46) admite soluções não


triviais (diferentes de zero) somente se seu determinante for nulo.

(σ x − S ) τ yx τ zx
τ xy (σ y − S ) τ zy =0 (2.47)
τ xz τ yz (σ z − S )

Igualando o determinante da matriz dos coeficientes do sistema de equações a zero, obtem-se


uma equação do 3o grau em S, denominada equação característica do sistema:

S3 − (σ x + σ y + σ z ) S 2 + (σ x σ y + σ x σ z + σ y σ z − τ 2xy − τ 2yz − τ 2xz ) S −


(2.48)
(σ x σ y σ z + 2τ xy τ yz τ xz − σ x τ 2yz − σ y τ 2xz − σ z τ 2xy ) = 0

As 3 raízes da equação 2.48 são as 3 tensões principais do campo de tensões dado.


Considerando, convencionalmente, que σ1>σ2>σ3, então:

S1 = σ1 S2 = σ 2 S3 = σ 3

3 raízes distintas:

- as 3 direções principais correspondentes serão únicas e ortogonais.

2 raízes iguais:

45
- uma direção principal será única mas as outras direções podem ser quaisquer duas
direções ortogonais à primeira.

3 raízes iguais:

- não existem direções principais únicas, quaisquer 3 direções podem ser escolhidas.
Corresponde ao estado de tensão hidrostätica.

Como a equação 2.48 não contem valores de coordenadas ou de cossenos diretores, ela é
independente dos eixos coordenados originais. Ou seja, para qualquer campo uniforme de
tensões existem 3 e somente 3 tensões principais As quantidades entre parênteses da equação
2.48 são invariantes com relação aos eixos coordenados cartesianos.
Uma vez conhecidos os valores das tensões principais, pode-se determinar a direção dos
planos principais (seus cossenos diretores) com os eixos xyz. Substituindo a equação 2.49,
para S=σ1, na equação 2.46b, determina-se a direção do plano principal 1 (seus cossenos
diretores l1, m1, n1):

⎧ (σ1 − σ x ) l1 − τ yx m1 − τ zx n 1 = 0

⎨ − τ xy l1 + (σ1 − σ y ) m1 − τ zy n 1 = 0 (2.49)
⎪ − τ l − τ m + (σ − σ ) n = 0
⎩ xz 1 yz 1 1 z 1

No sistema de equações dado pelas equações 2.49, somente duas equações são linearmente
independentes. Para determinar os valores de l1, m1 e n1, utiliza-se a relação de Euler:

l 2 + m 2 + n 2 =1 (2.50)

que, no caso particular do plano principal 1, l=l1, m=m1, e n=n1.

De modo análogo determinam-se os planos principais 2 e 3.

Resumindo
As três raízes da equação 2.48 fornecem os valores das três tensões principais, σ1, σ2, σ3.
Com a substituição do valor de cada uma destas tensões na equação 2.46b e por meio da
relação l 2 + m 2 + n 2 = 1 , é possível determinar 3 conjuntos de cossenos diretores,
correspondentes a cada uma das três direções principais.

46
Invariantes de tensão:

Dado um estado de tensão definido por tensões principais e direções principais, pode-se
representá-lo através de componentes em um sistema qualquer de eixos coordenados xyz. A
equação 2.48 deve fornecer as mesmas 3 raízes para S, qualquer que seja a orientação
escolhida para estes eixos coordenados.

3 z
1

y
x

Consequentemente, os coeficientes da equação 2.48 devem ser sempre os mesmos.


Escolhendo-se os próprios eixos principais como eixos coordenados tem-se, neste caso:

σ x = σ1
σ y = σ2
σ z = σ3
τ xy = τ yz = τ xz = 0

Os valores invariantes dos coeficientes da equação 2.48 são dados por:

⎧ I1 = σ x + σ y + σ z

⎪ = σ x ' + σ y' + σ z'
⎪ = σ + σ + σ = etc.
⎪ 1 2 3


⎪I = σ σ + σ σ + σ σ − τ 2 − τ 2 − τ 2
⎪ 2 x y y z z x xy yz xz

⎪ = σ x ' σ y ' + σ y ' σ z ' + σ z ' σ x ' − τ x ' y ' − τ y 'z ' − τ 2x 'z '
2 2
⎨ (2.51)
⎪ = σ1σ 2 + σ 2 σ 3 + σ 3 σ1 = etc.


⎪I 3 = σ x σ y σ z + 2τ xy τ yz τ xz − σ x τ yz − σ y τ xz − σ z τ xy
2 2 2


⎪ = σ x ' σ y ' σ z ' + 2 τ x ' y ' τ y 'z ' τ x 'z ' − σ x ' τ y 'z ' − σ y ' τ x ' z ' − σ z ' τ x ' y '
2 2 2

⎪ = σ1 σ 2 σ 3

47
em que I1, I2 e I3 são chamados 1o, 2o e 3o invariantes de tensões, respectivamente.
A equação 2.48 pode ser rescrita em função dos invariantes de tensão como:

S 3 − I1 S 2 + I 2 S − I 3 = 0 (2.52)

2.6.3 –Tensão de cisalhamento máxima

Sejam xyz os eixos principais 123 de modo que σx, σy, e σz sejam tensões principais.
Consequentemente, as tensões de cisalhamento referidas a estes eixos serão nulas (Figura
2.12).
Sejam l0, m0 e n0 os cossenos diretores de um dado plano oblíquo referido aos eixos principais
(no caso, xyz). Da equação 2.32, a tensão normal neste plano oblíquo é igual a:

σ n = σ1 l 02 + σ 2 m 02 + σ 3 n 02 (2.53)

σ 2n = (σ1 l 02 + σ 2 m 02 + σ 3 n 02 ) 2 (2.54)

z=3
σ3
C
σ1

σ2 σ2
O y=2
A
σ1
B
x=1 σ3
Figura 2.12 – Eixos coordenados coincidentes com os eixos principais

O plano ABC fica definido por seus cossenos diretores l0, m0, n0 com os eixos principais, 1, 2,
3 (Figura 2.13).

48
z=3

C p n̂ p n̂
σn
τ τ

X σn
Y Z
y=2
O A

x=1 B

Figura 2.13 – Tensões resultantes atuantes no plano ABC

As componentes de tensão total, p, paralelas aos eixos 1, 2, 3 e que atuam no plano ABC são,
a partir da equação 2.30a (lembrar que as tensões cisalhantes são nulas já que os eixos x, y, z
são principais):

X = σ1 l 0
Y = σ2 m0 (2.55)
Z = σ3 n 0

A tensão total no plano ABC é, portanto:

p2 = X2 + Y2 + Z2 (2.56a)

ou, substituindo a equação 2.55 na equação 2.56:

p 2 = σ12 l 02 + σ 22 m 02 + σ 32 n 02 (2.56b)

A tensão cisalhante que atua no plano ABC é obtida lembrando que:

p 2 = σ 2n + τ 2 (2.57a)
τ 2 = p 2 − σ 2n (2.57b)

49
τ 2 = σ12 l 02 + σ 22 m 02 + σ 32 n 02 − (σ1 l 02 + σ 2 m 02 + σ 3 n 02 ) 2 (2.58)

A equação 2.58 fornece, portanto, o quadrado da tensão de cisalhamento no plano ABC


definida através das tensões principais e dos cossenos diretores com os eixos principais.
Eliminando um dos cossenos diretores, por exemplo, n, da equação 2.58, utilizando a relação
de Euler obtém-se:

n 02 = 1 − l 02 − m 02 (2.59)

A substituição da equação 2.59 na equação 2.58 fornece:

τ 2 = σ12 l 02 + σ 22 m 02 + σ 32 (1 − l 02 − m 02 ) − (σ1 l 02 + σ 2 m 02 + σ 3 (1 − l 02 − m 02 ) ) 2 (2.60a)


ou,

τ 2 = σ12 l 02 + σ 22 m 02 − σ 32 l 02 − σ 32 m 02 − σ12 l 04 − σ 22 m 04 − σ 32 l 04 − σ 32 m 04 + 2 σ 32 l 02 + 2 σ 32 m 02 − 2 σ 32 l 02 m 02 −
2 σ1 σ 2 l 02 m 02 − 2 σ1 σ 3 l 02 + 2σ1 σ 3 l 04 + 2 σ1 σ 3 l 02 m 02 − 2 σ 2 σ 3 m 02 + 2 σ 2 σ 3 l 02 m 02 + 2 σ 2 σ 3 m 04
(2.60b)

Calculando-se as derivadas da equação 2.60 em relação a l0 e m0 e igualando-as a zero, obtêm-


se as seguintes relações para a determinação dos cossenos diretores dos planos para os quais τ
é máximo ou mínimo:

[
⎧⎪l 0 (σ1 − σ 3 ) l 02 + (σ 2 − σ 3 ) m 02 − 1 / 2(σ1 − σ 3 ) = 0 ]

[ ]
(2.61)
⎪⎩m 0 (σ1 − σ 3 ) l 02 + (σ 2 − σ 3 ) m 02 − 1 / 2(σ 2 − σ 3 ) = 0

As soluções possíveis para as equações 2.61 são:

50
i) l0 = m0 = 0 → n0 = ± 1 (2.62)
que é um plano principal. A tensão de cisalhamento, τ, neste plano é nula (e, portanto,
mínima). Logo, trata-se do plano principal 3.

z=3

O y=2

x=1

l0 = 0 → cos(nˆ , x ) = 0 → θ = 90 o
m0 = 0 → cos(nˆ , y) = 0 → φ = 90 o
n 0 = ±1 → cos(nˆ , z) = ± 1 → ψ = 0 o , 180 o

ii) l0=0 → m0= ± 1 / 2 → n0= ± 1 / 2 (2.63)

z=3

O y=2

x=1

l0 = 0 → cos(nˆ , x ) = 0 → θ = 90 o
m 0 = ± 1/ 2 → cos(nˆ , y) = ± 1 / 2 → φ = 45 o
n 0 = ± 1/ 2 → cos(nˆ , z) = ± 1 / 2 → ψ = 45 o

51
iii) m0= 0 → l0 =± 1 / 2 → n0= ± 1 / 2 (2.64)

z=3

O y=2

x=1

l0 = ± 1/ 2 → cos(nˆ , x ) = 1 / 2 → θ = 45 o
m0 = 0 → cos(nˆ , y) = 0 → φ = 90 o
n 0 = ± 1/ 2 → cos(nˆ , z) = ± 1 / 2 → ψ = 45 o

Em geral, não há soluções em que l0 e m0 são ambos diferentes de zero, exceto no caso
especial em que σ1=σ2. No caso em que l0 e m0 são diferentes de zero, então os termos entre
colchetes nas equações 2.61 devem ser simultaneamente nulos:

[
⎧⎪ (σ1 − σ 3 ) l 02 + (σ 2 − σ 3 ) m 02 − 1 / 2(σ1 − σ 3 ) = 0]

[ ]
(2.65)
⎪⎩ (σ1 − σ 3 ) l 02 + (σ 2 − σ 3 ) m 02 − 1 / 2(σ 2 − σ 3 ) = 0
ou seja,
⎧⎪ (σ1 − σ 3 ) l 02 + (σ 2 − σ 3 ) m 02 = 1 / 2(σ1 − σ 3 )
⎨ (2.66)
⎪⎩ (σ1 − σ 3 ) l 02 + (σ 2 − σ 3 ) m 02 = 1 / 2(σ 2 − σ 3 )

Como o lado esquerdo das equações acima são iguais, então:

1 / 2(σ1 − σ 3 ) = 1 / 2(σ 2 − σ 3 ) (2.67)

A equação 2.67 é válida se e somente se: σ1=σ2.

Repetindo os cálculos acima, eliminando m0 e em seguida l0 na equação 2.58, chega-se ao


Quadro II dos cossenos diretores correspondentes às tensões de cisalhamento máxima e
mínima:

52
Quadro II – Cossenos diretores para os planos onde atuam τmáx e τmín:
l0 0 0 ±1 0 ± 1/ 2 ± 1/ 2
m0 0 ±1 0 ± 1/ 2 0 ± 1/ 2
n0 ±1 0 0 ± 1/ 2 ± 1/ 2 0

Planos em que τ é nula Planos em que τ é máxima


(planos principais)

As 3 primeiras colunas do Quadro II (lembrar que os cossenos diretores mostrados foram


definidos em relação aos eixos principais) fornecem as direções dos planos coordenados que
coincidem com os planos principais. Nestes planos, a tensão de cisalhamento é nula:

l0 = 0 → cos(nˆ , x ) = 0 → θ = 90 0
Por exemplo: m0 = 0 → cos(nˆ , y) = 0 → φ = 90 0
n 0 =1 → cos(nˆ , z) =1 → ψ = 00

z=3

O
y=2

x=1

As 3 últimas colunas fornecem os planos que passam através de cada um dos eixos principais
e pelas bissetrizes dos ângulos entre os outros dois eixos principais. Nestes planos a tensão de
cisalhamento é máxima.
A tensão de cisalhamento máxima em cada plano é obtida substituindo-se os valores de l0, m0,
n0 dados no Quadro II na equação 2.58. As tensões normais nos planos de tensão cisalhante
máxima são obtidas substituindo-se na equação 2.53 os valores de l0, m0 e n0 (Quadro II)
correspondentes de modo que:

i) l0 = 0 ; m0 = ± 1 / 2 ; n0 = ± 1 / 2

σ 22 σ32 σ 2σ3
τ2 = + −
4 4 2

53
1
τ=± ( σ 2 − σ3 ) (2.68)
2

1
σn = ( σ 2 + σ3 )
2 (2.69)
1
τ max = ± (σ 2 − σ 3 )
2

ii) l0 = ± 1 / 2 ; m0 = 0; n0 = ± 1 / 2

σ12 σ 32 σ1σ 3
τ =
2
+ −
4 4 2
1
τ=± (σ1 − σ 3 ) (2.70)
2
1
σn = ( σ1 + σ 3 )
2 (2.71)
1
τ max = ± ( σ1 − σ 3 )
2

iii) l0 = ± 1 / 2 ; m0 = ± 1 / 2 ; n0 = 0

σ12 σ 22 σ1σ 2
τ =
2
+ −
4 4 2
1
τ=± (σ1 − σ 2 ) (2.72)
2

1
σn = ( σ1 + σ 2 )
2 (2.73)
1
τ max = ± ( σ1 − σ 2 )
2

A tensão máxima de cisalhamento ocorre em um plano bissetor entre os eixos da maior e da


menor tensões principais e é dada por:

1
τ max = ± (σ max − σ min ) (2.74)
2
54
2.6.4 – Planos octaédricos - Tensões octaédricas

Um outro conjunto de planos, que passa por um ponto de um corpo e que tem considerável
interesse, é formado pelos planos octaédricos. As tensões que atuam nestes planos são
denominadas tensões octaédricas e são utilizadas na formulação de alguns modelos de
comportamento tensão-deformação de materiais.
Considere-se o plano ABC da Figura 2.12. Se este plano estiver orientado com os eixos
principais de tal modo que:

OA = OB = OC

então, a normal, n̂ , a este plano faz ângulos iguais, α, com os eixos principais 1, 2, 3.

C n̂
p
τoct
σoct
α
α α
2
O A

B
1

Figura 2.14 – Tensões em um plano octaédrico

Como a normal a este plano, n̂ , faz ângulos iguais com os eixos principais 1, 2, 3, então os
cossenos diretores são iguais:

l=m=n (2.75a)

e da equação 2.50:
3
l=m=n =± (2.75b)
3

Pesquisando-se os planos em que a equação 2.75b é satisfeita, verifica-se que existem 8


planos possíveis formando um octaedro imaginário em torno da origem dos eixos
coordenados, como mostra a Figura 2.15.

55
3
1

2
2

1
3
Figura 2.15 – Planos octaédricos

Tensão normal octaédrica

Substituindo os valores de l, m, n, dados na equação 2.75b na equação 2.53:

2 2 2
⎛ 3⎞ ⎛ 3⎞ ⎛ 3⎞
σ oct = σ1 ⎜⎜ ⎟ + σ2 ⎜

⎟ + σ3 ⎜
⎜ 3 ⎟

⎜ 3 ⎟ (2.76a)
⎝ 3 ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠

σ oct =
1
(σ1 + σ 2 + σ 3 ) (2.76b)
3
σ oct = σ m (2.76c)
I1
σ oct = (2.76d)
3

De acordo com as equações 2.76c e 2.76d, verifica-se que a tensão normal em um plano
octaédrico é a média das tensões normais e que, portanto, independe do sistema de eixos
considerados.

Tensão de cisalhamento octaédrica

A tensão cisalhante octaédrica é calculada em função das tensões principais pelas equações:

2
⎛ 3 ⎞ ⎛⎜ ⎛ 3 ⎞ ⎛ 3 ⎞ ⎞⎟
2 2 2 2 2 2
2⎛ 3⎞ ⎛ 3⎞ ⎛ 3⎞
τ oct
2
= σ1 ⎜⎜ ⎟ + σ2 ⎜

2 ⎟ 2 ⎜ ⎟ ⎜ ⎟ ⎜ ⎟ ⎜ ⎟
⎜ 3 ⎟ + σ 3 ⎜ 3 ⎟ − ⎜ σ1 ⎜ 3 ⎟ + σ 2 ⎜ 3 ⎟ + σ 3 ⎜ 3 ⎟ ⎟ (2.77a)
⎝ 3 ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎠

56
τ oct
2
=
1 2
3
( 1
9
)
σ1 + σ 22 + σ 32 − (σ1 + σ 2 + σ 3 )
2
(2.77b)

τ oct
2
=
1
9
[
(σ1 − σ 2 )2 + (σ 2 − σ 3 )2 + (σ1 − σ 3 )2 ] (2.77c)

ou ainda, fazendo uso da equação 2.76c:

τ oct
2
=
1
3
[
(σ1 − σ m )2 + (σ 2 − σ m )2 + (σ 3 − σ m )2 ] (2.77d)

As tensões octaédricas também podem ser escritas em termos dos invariantes de tensão ou das
componentes de tensão referidas ao sistema de eixos xyz de tal modo que

τ oct
2
=
9
(
2 2
I1 − 3 I 2 ) (2.78)

τ oct
2
=
9
[(
2 2
) ( ) (
σ x + σ 2y + σ 2z − σ x σ y + σ x σ z + σ y σ z + 3 τ 2xy + τ 2xz + τ 2yz )] (2.79)

As tensões normal e de cisalhamento octaédricas são assim denominadas porque a face em


que atuam é uma das faces de um octaedro regular com os vértices sobre os eixos. A tensão
cisalhante octaédrica ocorre com freqüência na teoria da plasticidade.

2.6.5 – Círculo de Mohr 3-D

Além de fornecer um método gráfico de representar o estado de tensão (e de deformação) em


um ponto, o diagrama de Mohr demonstra de maneira simples relações importantes que são
difíceis de serem obtidas de outra forma.
Considerando as direções principais (1,2,3) como eixos coordenados, as tensões normal, σ, e
de cisalhamento, τ, atuando em um plano qualquer oblíquo em relação a estes eixos, cujos
cossenos diretores são l, m, n, são obtidas a partir das equações 2.53 e 2.58 como:

σ = σ1 l 2 + σ 2 m 2 + σ 3 n 2 (2.80)

τ 2 = σ12 l 2 + σ 22 m 2 + σ 32 n 2 − (σ1 l 2 + σ 2 m 2 + σ 3 n 2 ) 2 (2.81)

Considerando ainda que a soma dos quadrados dos cossenos diretores é igual a 1 (relação de
Euler, equação 2.50), obtém-se um sistema de 3 equações para resolver as incógnitas l2, m2 e
n2 cuja solução é dada por:
57
τ 2 + (σ − σ 2 )(σ − σ 3 )
l2 = (2.82a)
(σ1 − σ 2 )(σ1 − σ 3 )
τ 2 + (σ − σ 3 )(σ − σ1 )
m2 = (2.82b)
(σ 2 − σ 3 )(σ 2 − σ1 )
τ 2 + (σ − σ1 )(σ − σ 2 )
n =
2
(2.82c)
(σ 3 − σ1 )(σ 3 − σ 2 )

Sem perda de generalidade, podem-se ordenar os eixos coordenados de tal modo que
σ1>σ2>σ3. Como conseqüência da ordenação das tensões principais, as expressões (2.82)
reduzem-se a inequações.
Da equação 2.82a, como l2 é sempre ≥ 0 e o denominador é sempre ≥ 0, tem-se que:

τ 2 + (σ − σ 2 )(σ − σ 3 ) ≥ 0 (2.83)

que, após manipulação matemática, pode ser reescrita como:

2 2
⎛ σ + σ3 ⎞ ⎛ σ − σ3 ⎞
τ2 + ⎜ σ − 2 ⎟ ≥⎜ 2 ⎟ (2.84)
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠

Considerando o sinal de igualdade (para l=0), a equação 2.84 representa um círculo no plano
⎛ σ + σ3 ⎞
σ-τ cujo centro tem coordenadas ⎜ 2 , 0 ⎟ e que cruza o eixo σ em σ=σ2 e em σ=σ3. A
⎝ 2 ⎠
região definida pela equação 2.83 é a exterior a este círculo e inclui o círculo como limite já
⎛ σ − σ3 ⎞
que ele representa círculos de raio igual ou maior do que ⎜ 2 ⎟.
⎝ 2 ⎠

NOTA: A equação de um círculo nos eixos xy, cujo centro, O, tem coordenadas (h, k) e cujo
raio é a, escreve-se como (x − h )2 + (y − k )2 = a 2 .

Analogamente, da equação 2.82b, como m2 é sempre maior ou igual a zero, e como o


denominador é menor do que zero, já que (σ 2 − σ 3 ) > 0 e (σ 2 − σ1 ) < 0 , para que o
numerador seja menor ou igual a zero, então:

58
τ 2 + (σ − σ 3 )(σ − σ1 ) ≤ 0 (2.85)
ou,
2 2
⎛ σ + σ3 ⎞ ⎛ σ − σ3 ⎞
τ +⎜σ − 1
2
⎟ ≤ ⎜ 1 ⎟ (2.86)
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠

A equação 2.86 representa uma família de círculos, no plano σ-τ, com centro em
⎛ σ1 + σ 3 ⎞ ⎛ σ − σ3 ⎞
⎜ , 0 ⎟ e raios igual ou menores do que ⎜ 1 ⎟.
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠
Da mesma forma, da equação 2.82c, como n2 é sempre maior ou igual a zero, e como o
denominador é sempre positivo, o numerador deve ser positivo:

τ 2 + (σ − σ1 )(σ − σ 2 ) ≥ 0 (2.87)
ou,
2 2
⎛ σ + σ2 ⎞ ⎛ σ − σ2 ⎞
τ +⎜σ − 1
2
⎟ ≥ ⎜ 1 ⎟ (2.88)
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠

⎛ σ + σ2 ⎞
A equação 2.88 representa a região exterior ao círculo com centro em ⎜ 1 , 0 ⎟ e raios
⎝ 2 ⎠
⎛ σ − σ2 ⎞
igual ou maiores do que ⎜ 1 ⎟.
⎝ 2 ⎠
Portanto, no caso geral de um estado múltiplo de tensões, este estado pode ser associado à
construção geométrica da Figura 2.16 em que cada ponto P, de coordenadas σ e τ, representa
uma determinada faceta (um plano qualquer obliquo em relação aos eixos principais) no
ponto. Demonstrou-se (equações 2.84, 2.86 e 2.88) que todas as facetas correspondem a
pontos P localizados na região entre as três circunferências de centros O1, O2 e O3. Ou seja, os
valores admissíveis de τ e σ que atuam em um plano oblíquo qualquer definido por seus
cossenos diretores l, m, n, estão na região sombreada mostrada na Figura 2.16, limitada pelos
círculos O1, O2, e O3:

i) Círculo O1 (para l = 0):


⎛ σ3 + σ 2 ⎞
- centro: O1 = ⎜ , 0⎟
⎝ 2 ⎠
σ 2 − σ3
- raio: r1 =
2

59
ii) Círculo O2 (para m = 0):
⎛ σ1 + σ 3 ⎞
- centro: O 2 = ⎜ , 0⎟
⎝ 2 ⎠
σ1 − σ 3
- raio: r2 =
2

iii) Círculo O3 (para n = 0):


⎛ σ1 + σ 2 ⎞
- centro: O 3 = ⎜ , 0⎟
⎝ 2 ⎠
σ1 − σ 2
- raio : r3 =
2

τ
B

σn P
p
τn
A σ
σ3 O1 σ2σ O2 O3 σ1
2
A

Figura 2.16 – Círculo de Mohr 3-D

A tensão de cisalhamento máxima é representada na Figura 2.16 pela reta AB que é o raio do
círculo O2, cujo valor é igual a

σ1 − σ 3
τ max = (2.89)
2

lembrando que se considera σ1>σ2>σ3.


Para determinar a orientação do plano em que a tensão de cisalhamento é máxima, utilizam-se
as equações 2.82. O valor de σ correspondente a τmax é igual a:

60
σ1 + σ 3
σ= (2.90)
2

no plano em que a tensão de cisalhamento é máxima.


Substituindo-se as equações 2.89 e 2.90 nas equações 2.82, obtêm-se os valores de l, m, n e do
plano em que τ é máxima:

l 2 = n 2 =1 / 2 e m2 = 0 (2.91)

No plano qualquer representado pelo ponto P (Figura 2.16) e cuja normal tem para cossenos
diretores em relação às direções principais os valores, conforme as equações 2.24:

l = cos(nˆ ,1) = cos α


m = cos(nˆ ,2) = cos β (2.24)
n = cos(nˆ ,3) = cos γ

atua um vetor de tensão p cujas componentes normal e de cisalhamento são, respectivamente,


σn e τn.
As circunferências que delimitam a região sombreada na Figura 2.16, denominada lúnula de
tensões, e à qual pertence o ponto P, correspondem, respectivamente, a l=0, m=0 e n=0.
Para uma circunferência qualquer com centro em O1 e raio r de modo que
⎛ σ 2 − σ3 ⎞ ⎛ σ + σ3 ⎞
⎜ ⎟ ≤ r ≤ ⎜ σ1 − 2 ⎟ representa todos os planos em que o valor do cosseno diretor
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠
l é constante.
Analogamente, para uma circunferência de centro em O2 e raio r qualquer em que
⎛ σ1 − σ 2 ⎞ ⎛ σ + σ3 ⎞
⎜ ⎟ ≤ r ≤ ⎜ σ1 − 2 ⎟ representa todos os planos em que o valor do cosseno
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠
diretor m é constante.
Do mesmo modo, para uma circunferência de centro em O3 e raio r qualquer em que
⎛ σ1 − σ 3 ⎞ ⎛ σ + σ3 ⎞
⎜ ⎟ ≤ r ≤ ⎜ σ1 − 2 ⎟ representa todos os planos em que o valor do cosseno
⎝ 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠
diretor n é constante.

61
FONTE: Villaça & Garcia (1996)

Figura 2.17 – Lúnula de tensões

É possível resolver graficamente, por meio dos círculos de Mohr 3-D, um problema geral de
análise de tensões. Ou seja, dados os valores das tensões principais, σ1, σ2 e σ3, e os cossenos
diretores, l, m e n, de um determinado plano em relação aos eixos principais 1, 2 e 3, pode-se
determinar os valores das componentes normal, σ, e de cisalhamento, τ, neste plano. O
seguinte roteiro para a construção gráfica, mostrada na Figura 2.18, foi apresentado por
Villaça & Garcia (1996):
i) desenhadas as circunferências que definem o estado de tensão no ponto, marca-se
o ângulo α a partir da vertical que passa por σ1. Deste modo, ficam definidos,
sobre as circunferências de centros O2 e O3, dois pontos pertencentes à
circunferência em que l = constante (dado do problema), com centro em O1;
ii) de modo análogo, marcam-se os ângulos β ou γ (qualquer um dos dois), obtendo-
se, na intersecção das circunferências l = constante, e m ou n = constante, o ponto
P que é a solução do problema.
Na construção gráfica, deve-se tomar 0 ≤ α, β, γ ≤ 900. No caso em que algum dos ângulos
seja maior do que 900, deve-se considerar seu suplemento para deste modo se obter o mesmo
par σ, -τ

FONTE: Villaça & Garcia (1996)

Figura 2.18 - Solução gráfica de um problema de análise de tensões


62
2.6.6 – Exemplos

1 - Determine:
a) as tensões principais;
b) as direções dos planos principais de tensão;
c) a tensão máxima de cisalhamento;
d) a direção do plano de tensão máxima de cisalhamento;
e) as tensões octaédricas

no ponto P, referido ao sistema de eixos xyz, se o tensor de tensão no ponto é dado por:

⎛ 4 − 2 0⎞
⎜ ⎟
σ = ⎜ − 2 4 0⎟ kN / m 2
⎜ 0 0 5 ⎟⎠

Resolução:
a) tensões principais:

• cálculo dos invariantes:

I1 = σ x + σ y + σ z = 4 + 4 + 5
= 13 kN / m 2

I 2 = σ x σ y + σ y σ z + σ z σ x − τ 2xy − τ 2yz − τ 2zx =


= 4 x 4 + 4 x 5 + 5x 4 − (−2) 2 − (0) 2 − (0) 2 =
= 52 (kN / m 2 ) 2

I 3 = σ x σ y σ z + 2 τ xy τ xz τ yz − σ x τ 2yz − σ y τ 2zx − σ z τ 2xy =


= 4 x 4 x 5 + 2 x (−2) x (0) x (0) − 4 x (0) 2 − 4 x (0) 2 − 5x (−2) 2
= 60 (kN / m 2 ) 3

63
• equação característica (equação 2.52):

S3 − 13 S 2 + 52 S − 60 = 0

cujas raízes são as tensões principais são:

σ1 = 6,0 kN / m 2 tensão principal maior

σ 3 = 2,0 kN / m 2 tensão principal menor

σ 2 = 5,0 kN / m 2 tensão principal intermediária

b) as direções dos planos principais de tensão:

Do sistema de equações 2.46b:

⎧ (S − σ x ) l − τ xy m − τ xz n = 0

⎨ − τ xy l + (S − σ y ) m − τ yz n = 0
⎪ − τ l − τ m + (S − σ ) n = 0
⎩ xz yz z

e da relação 2.50,

l 2 + m 2 + n 2 =1

tem-se:

• direção do plano da tensão principal maior, σ1=6:

⎧ ( 6 − 4) l + 2 m = 0 (a )

⎨(2) l + (6 − 4) m = 0 ( b)
⎪ (6 − 5) n = 0
⎩ (c)

Da equação (c), obtém-se n=0.

64
Das equações (a) ou (b), obtém-se que l= -m. Substituindo-se estes valores na equação 2.49,
determina-se o valor de l a partir de:

2 l 2 =1
ou seja,
2 2
l=± e m=m
2 2

Portanto, a direção do plano da tensão principal maior é dada por:

2 2
l= m=− n=0
2 2
ou,
2 2
l= − m= n=0
2 2

NOTA: O segundo conjunto de valores de cossenos diretores refere-se à direção negativa das
tensões principais.

• direção do plano da tensão principal menor σ3=2:

Substituindo-se o valor da tensão principal menor nas equações 2.46b obtém-se:

⎧− 2 l + 2 m = 0

⎨ 2 l − 2m = 0
⎪ 3n = 0

ou seja, n=0 e l=m. A substituição destes valores na equação 2.50 fornece:

2 l 2 =1
ou seja,
2 2
l=± e m=±
2 2

65
Portanto, a direção do plano da tensão principal menor é dada por:

2 2
l= m= n=0
2 2
ou,
2 2
l= − m=− n=0
2 2

• direção do plano da tensão principal intermediária σ2=5:

Neste caso, substituindo-se o valor da tensão principal intermediária nas equações 2.46b
obtêm-se:

⎧ l + 2m = 0

⎨2 l + m = 0
⎪0 n = 0

ou seja, l=m=0. A substituição destes valores na equação 2.50 fornece:

n 2 =1
ou,
n = ±1

Portanto, a direção do plano da tensão principal intermediária é dada por:

l= 0 m=0 n =1
ou,
l= 0 m=0 n = −1

c) a tensão máxima de cisalhamento:

Da equação 2.71, a tensão de cisalhamento máxima é:

66
1
τ max = ± (σ1 − σ 3 )
2
1
τ max = ± (6 − 2)
2

τ max = ± 2,0 kN / m 2

d) a direção do plano de tensão máxima de cisalhamento;

No plano em que a tensão de cisalhamento é máxima, a tensão normal é dada através da


equação 2.90 e, portanto:

6+2
σ= ∴ σ = 4 kN / m 2
2

Substituindo os valores de τmáx e σ nas equações 2.82, obtêm-se os valores dos cossenos
diretores, l, m, n, do plano em que a tensão de cisalhamento é máxima:

(2,0) 2 + (4 − 5) (4 − 2)
l2 = ∴ l 2 = 0,5 ∴ l = ± 0,707
(6 − 5) (6 − 2)
(2,0) 2 + (4 − 2) (4 − 6)
m =
2
∴ m2 = 0 ∴ m = 0
(5 − 2) (5 − 6)
(2,0) 2 + (4 − 6) (4 − 5)
n2 = ∴ n 2 = 0,5 ∴ n = ± 0,707
(2 − 6) (2 − 5)

e) as tensões octaédricas

Estas tensões atuam nos planos cuja normal faz ângulos iguais com os eixos principais 1, 2, 3.
Das equações 2.76 e 2.77:

6+5+2
σ n oct = ∴ σ n oct = 4,33 kN / m 2
3

τ oct
2
=
1
9
[
(6 − 5)2 + (5 − 2)2 + (6 − 2)2 ] ∴ τ oct
2
= 2,88 ∴ τ oct = 1,7 kN / m 2

67
2 - O estado de tensão em um ponto fica definido pelas tensões principais 100 MPa, -100 MPa
e 200 MPa. Determinar, fazendo uso dos círculos de Mohr:

a) as componentes de tensão normal e cisalhante em um plano cuja normal faz 600 com o
eixo principal 1 e 600 com o eixo principal 2;
b) os cossenos diretores do plano em que a tensão de cisalhamento é máxima.

Resolução:
i) traçar os círculos de Mohr, lembrando que, por convenção, σ1>σ2>σ3;
ii) marcar os centros lembrando que:
σ3 − σ2
O1 é o centro do círculo de raio r1 =
2
σ1 − σ 3
O2 é o centro do círculo de raio r2 =
2
σ1 − σ 2
O3 é o centro do círculo de raio r3 =
2

iii) marcar o ângulo α=600 a partir da vertical que passa por σ1 e traçar uma reta;
iv) marcar as intersecções A e B da reta com os círculos de centros O2 e O3;
v) com a ponta do compasso no centro do círculo O1, traçar um arco de círculo pelos
pontos A e B;
vi) marcar o ângulo de β=600 a partir da vertical que passa por σ2 e traçar uma reta;
vii) marcar as intersecções C e D da reta com os círculos de centro O1 e O3;
viii) com a ponta do compasso no centro do círculo O2, traçar um arco de círculo pelos
pontos C e D;
ix) determinar o ponto P na intersecção dos dois arcos de círculo;
x) a abcissa do ponto P corresponde ao valor de σn e a ordenada corresponde ao valor
de τn no plano considerado.

68
69
2.6.7 – Tensões desviadoras (desviatórias)

Na teoria da plasticidade é conveniente dividir o tensor de tensões em dois tensores


simétricos: o tensor de tensão esférico ou hidrostático e o tensor de tensão desviadora ou
desviatória.

⎛ σx τ yx τ zx ⎞
⎜ ⎟
(σ) = ⎜ τ xy σy τ zy ⎟ = ({p ) + (S d )
{
(2.92)
⎜τ τ yz ⎟
σ z ⎠ hidrostático desviador
tensor tensor
⎝ xz

O tensor de tensão hidrostático refere-se estritamente à tensão esférica ou hidrostática e diz


respeito à variação volumétrica:

⎛σm 0 0 ⎞
⎜ ⎟
p =⎜ 0 σm 0 ⎟ (2.93)
⎜ 0 0 σ m ⎟⎠

em que σm é a tensão média dada por:

I1
σm = (2.94)
3

É evidente que a tensão média é a mesma para qualquer orientação dos eixos coordenados e,
portanto, o nome de tensão esférica ou tensão hidrostática.
O tensor de tensão desviador (Sd) relaciona-se com a tensão de cisalhamento octaédrica, τoct,
e diz respeito à variação angular. O tensor desviador é a parcela do estado de tensão que
representa o estado de tensão de cisalhamento ou desviador e exclui o estado de tensão
hidrostático. Define-se, portanto, um tensor de tensão desviador como:

⎡( σ x − σ m ) τ yx τ zx ⎤
⎢ ⎥
S d = ⎢ τ xy (σ y − σ m ) τ yz ⎥ (2.95)
⎢ τ xz τ yz (σ z − σ m )⎥⎦

Portanto, o tensor total de tensões é decomposto em duas parcelas de tal modo que:

70
⎛ σ x τ yx τ zx ⎞ ⎛ σ m 0 0 ⎞ ⎛ ( σ x −σ m ) τ yx τ zx ⎞
⎜ ⎟ ⎜ ⎟ ⎜ ⎟
⎜ τ xy σ y τ zy ⎟ = ⎜ 0 σ m 0 ⎟ + ⎜ τ xy ( σ y −σ m ) τ zy ⎟ (2.96)
⎜τ τ yz σ z ⎟⎠ ⎜⎝ 0 0 σ m ⎟⎠ ⎜⎝ τ xz τ yz (σ z −σ m ) ⎟⎠
⎝14 xz
42443 1 4 42 44 3 144444424444443
tensor das tensões tensor hidrostático tensor desviador

Os valores principais do tensor de tensão desviador podem ser encontrados de modo análogo
ao que foi feito na determinação dos valores principais do tensor de tensão total, (σ), a partir
das equações 2.46. Reescrevendo o tensor desviador como:

⎡S11 τ yx τ zx ⎤
⎢ ⎥
S d = ⎢τ xy S 22 τ yz ⎥ (2.97)
⎢ τ xz τ yz S33 ⎥⎦

em que,
⎧S11 = σ x − σ m

⎨S 22 = σ y − σ m (2.98)

⎩S33 = σ z − σ m

tem-se, neste caso,

⎧ (D − S11 ) l − τ yx m − τ zx n = 0

⎨ − τ xy l + (D − S 22 ) m − τ zy n = 0 (2.99)
⎪ − τ l − τ m + (D − S ) n = 0
⎩ xz yz 33

O sistema de equações lineares e homogêneas em l, m, n (equações 2.99) admite soluções não


triviais (diferentes de zero) somente se seu determinante for nulo, ou seja,

(D − S11 ) τ yx τ zx
τ xy (D − S 22 ) τ zy =0 (2.100)
τ xz τ yz (D − S33 )

e a seguinte equação característica é encontrada para as tensões desviadoras principais:

D 3 − J1 D 2 + J 2 D − J 3 = 0 (2.101)

71
em que os invariantes do tensor de tensão desviador, J1, J2, J3, são dados por:

J1 = S11 + S 22 + S33 = 0 (2.102)

⎧ S 22 τ zy S11 τ zx S11 τ yx
⎪ = + +
⎪ τ yz S33 τ xz S33 τ xy S 22

⎪ =
1 2
3
[( ) ( )] (
σ x + σ 2y + σ 2z − σ x σ y + σ y σ z + σ x σ z + τ 2xy + τ 2xz + τ 2yz )

J2
⎪⎪
⎨ =
1
6
[( ) ( ) ](
σ x − σ y 2 + σ y − σ z 2 + (σ x − σ z )2 + τ 2xy + τ 2xz + τ 2yz ) (2.103)



1
(
= I12 − 3I 2
3
)



1
[
= (σ1 − σ 2 )2 + (σ1 − σ 3 )2 + (σ 2 − σ 3 )2
6
]
⎪⎩

2 2 3
J3 = I3 − I1 I 2 + I1 (2.104)
3 27

Comparando-se a equações 2.103 e 2.78 verifica-se que:

3 2
J 2 = τ oct (2.105)
2

É importante observar que ao se subtrair um valor constante de tensão normal σm em todas as


direções, as direções principais não são alteradas. Ou seja, as direções principais são as
mesmas para o tensor desviador e para o tensor de tensão total.

2.7 – Equações diferenciais de equilíbrio

Até agora se considerou a tensão em um ponto de um corpo elástico. A tensão entretanto,


usualmente varia de ponto a ponto no corpo.
A consideração da variação da tensão quando se muda a posição do ponto requer o estudo das
condições de equilíbrio de um paralelepípedo elementar elástico de dimensões dx, dy, dz.
Considere-se, portanto, o elemento infinitesimal de dimensões dx, dy, dz. As componentes de
tensão atuando nas faces do elemento e seus sentidos positivos estão indicados na Figura 2.19.
Serão consideradas as pequenas variações das componentes de tensão devidas aos pequenos
72
incrementos dx, dy, dz. Como as tensões variam em relação às direções coordenadas, cada
variação de tensão pode ser obtida a partir da série de Taylor, resultando para a tensão normal
∂ σ x (x) 1 ∂ 2 σ x (x)
na direção x, por exemplo: Δσ x ( x ) = σ x ( x + dx ) − σ x ( x ) = dx + dx 2 + ... .
∂x 2! ∂ x 2
Desprezando os termos que contêm infinitésimos de ordem superior, a tensão na face oposta,
∂ σ x (x)
distante dx da face de referência, é dada por: σ x ( x + dx ) = σ x ( x ) + dx .
∂x
Designando os pontos médios das faces do elemento por 1,2,3,4,5,6, distingue-se entre o valor
de σx no ponto 1 e seu valor no ponto 2, designando-os por (σx)1 e (σx)2, respectivamente. O
mesmo raciocínio é feito para as outras faces.
(σz)5

z (τzx)5
(τzy)5 5
(σx)2
y (τxz)2
(τyz)4 (τyx)3 dz
x (τxy)1 1 2 (τxy)2 3
(σy)4 (σy)3
4
(τyx)4 (τyz)3
(σx)1 (τxz)1
(τzy)6 6
dx
(τzx)6
(σz)6
dy

Figura 2.19 – Estado de tensão não uniforme

Além das tensões mostradas na Figura 2.19, devem ser consideradas também as forças de
massa ou de volume (forças de gravidade, por exemplo). Deve-se observar que a força de
massa atuando no volume precisa ser levada em consideração por ser da mesma ordem de
grandeza que os termos devidos às variações das componentes de tensão que são agora
considerados. No caso de um campo uniforme de tensões (as tensões não variam de ponto a
ponto), a força de massa é desprezada por ser um infinitésimo de ordem superior.
Designando por Px, Py e Pz as componentes da força de massa por unidade de volume do
elemento, as equações de equilíbrio das forças no paralelepípedo elementar, em cada uma das
direções x, y e z são dadas por:

∑ Fx = 0 :

[(σ x )1 − (σ x )2 ]dy dz + [(τ yx )3 − (τ yx )4 ]dx dz − [(τ zx )5 − (τ zx )6 ]dx dy + Px dx dy dz = 0 (2.106)

73
⎧ ( σ x )2 = σ x

⎨( σ ) = σ + ∂ σ x dx (2.107a)
⎪⎩ x 1 x
∂x

( )
⎧ τ yx 4 = τ yx
⎪ ∂ τ yx

( )
τ
⎪ yx 3 = τ yx +
∂y
dy
(2.107b)

⎧ ( τ zx )6 = τ zx

⎨( τ ) = τ + ∂ τ zx dz (2.107c)
⎪⎩ zx 5 zx
∂z

Substituindo-se as equações 2.107 em 2.106 obtém-se:

⎡⎛ ∂ σx ⎞ ⎤ ⎡⎛ ∂ τ yx ⎞ ⎤
⎢ ⎜⎜ σ x + dx ⎟⎟ − σ x ⎥ dy dz + ⎢ ⎜⎜ τ yx + dy ⎟⎟ − τ yx ⎥ dx dz
⎣⎝ ∂x ⎠ ⎦ ⎢⎣ ⎝ ∂y ⎠ ⎥⎦
(2.108)
⎡⎛ ∂τ ⎞ ⎤
+ ⎢ ⎜⎜ τ zx + zx dz ⎟⎟ − τ zx ⎥ dx dy + Px dx dy dz = 0
⎣⎝ ∂z ⎠ ⎦

ou seja:
∂ σx ∂ τ yx ∂ τ zx
+ + + Px = 0 (2.109a)
∂x ∂y ∂z

Impondo-se a condição de equilíbrio nas direções y e z e procedendo-se de modo análogo,


têm-se:

∑ Fy = 0 :
∂ τ xy ∂ σy ∂ τ zy
+ + + Py = 0 (2.109b)
∂x ∂y ∂z

∑ Fz = 0 :
∂ τ xz ∂ τ yz ∂ σ z
+ + + Pz = 0 (2.109c)
∂x ∂y ∂z
74
Resumindo, as 3 equações de equilíbrio em um elemento infinitesimal, submetido a um
campo não uniforme de tensões, são:

i) em coordenadas cartesianas:

⎧ ∂ σ x ∂ τ yx ∂ τ zx
⎪ + + + Px = 0
⎪ ∂ x ∂ y ∂ z
⎪ ∂ τ xy ∂ σ y ∂ τ zy
⎨ + + + Py = 0 (2.110)
⎪ ∂x ∂y ∂z
⎪ ∂ τ xz ∂ τ yz ∂ σ z
⎪ ∂ x + ∂ y + ∂ z + Pz = 0

Se as forças de massa são nulas:

⎧ ∂ σ x ∂ τ yx ∂ τ zx
⎪ + + =0
⎪ ∂x ∂y ∂z
⎪ ∂ τ xy ∂ σ y ∂ τ zy
⎨ + + =0 (2.111)
⎪ ∂x ∂y ∂z
⎪ ∂ τ xz ∂ τ yz ∂ σ z
⎪ ∂ x + ∂ y + ∂z =0

No caso 2-D (plano xy), considerando-se as forças de massa:

⎧ ∂ σ x ∂ τ yx
⎪ + + Px = 0
⎪ ∂x ∂y
⎨∂ τ (2.112)
∂ σy
⎪ xy + + Py = 0
⎪⎩ ∂ x ∂y

ii) em coordenadas cilíndricas:


Considerando-se forças de massa Fr, Fθ, Fz nas direções r, θ, z

75
⎧ ∂ σ r 1 ∂ τ rθ σ r − σ θ ∂ τ rz
⎪ + + + + Fr = 0
⎪ ∂ r r ∂ θ r ∂ z
⎪ 1 ∂ σ θ ∂ τ rθ τ ∂τ
⎨ + + 2 rθ + θz + Fθ = 0 (2.113)
⎪ r ∂θ ∂r r ∂z
⎪ ∂ σ z 1 ∂ τ θz ∂ τ rz τ rz
⎪ ∂ z + r ∂ θ + ∂ r + r + Fz = 0

No caso 2-D (plano rθ), a única força de massa atuante tem direção radial:

⎧ ∂ σ r 1 ∂ τ rθ σ r − σ θ
⎪⎪ ∂ r + r ∂ θ + r
+ Fr = 0
⎨ 1 ∂σ (2.114)
∂τ τ
⎪ θ
+ rθ + 2 rθ = 0
⎩⎪ r ∂ θ ∂r r

As equações 2.110 a 2.114 devem ser satisfeitas em todos os pontos do volume do sólido. As
tensões variam no volume e, no contorno, elas devem ser tais que estejam em equilíbrio com
as forças externas na superfície.
As condições de equilíbrio na superfície podem ser obtidas a partir da equação 2.30a.
Considerando um tetraedro OABC tal que a face ABC coincida com a superfície do sólido, e
designando-se por X , Y , e Z as componentes das forças de superfície por unidade de área
neste ponto, pode-se reescrever as equações 2.30a como:

⎧ X = σ x l + τ yx m + τ zx n

⎨Y = τ xy l + σ y m + τ zy n (2.115)
⎪ Z=τ l+ τ m+ σ n
⎩ xz yz z

em que l, m, n são os cossenos diretores da normal à superfície do corpo no ponto em


consideração.
Se o problema é o de determinar o estado de tensão em um sólido submetido a um conjunto
de forças, é necessário resolver as equações 2.110 e a solução deve ser tal que satisfaça às
condições de contorno 2.115. Como as três equações de equilíbrio de momentos já foram
utilizadas para relacionar as componentes de tensão de cisalhamento, estas equações não
podem ser usadas de novo como equações governantes. Estas equações, contendo as seis
componentes de tensão, σx, σy, σz, τxy, τxz, τyz, não são suficientes para a determinação destas
componentes. O problema é estaticamente indeterminado e são necessárias outras equações
(Timoshenko & Goodier, 1980).

76
2.8 – Exemplos

1 - Considere o estado de tensão representado pelo tensor de tensão:

⎛ 2 1 0⎞
⎜ ⎟
(σ) = ⎜ 1 3 2 ⎟ kN / m 2
⎜ 0 2 4⎟
⎝ ⎠
Determinar:
(a) o tensor de tensão hidrostático
(b) o tensor de tensão desviador e seus invariantes

Resolução

(a) tensor hidrostático


- tensão média:
2+3+ 4
σm = =3
3
⎛ 3 0 0⎞
⎜ ⎟
(p ) = ⎜ 0 3 0 ⎟
⎜ 0 0 3⎟
⎝ ⎠

(b) tensor desviador e seus invariantes

⎛2 − 3 1 0 ⎞ ⎛ −1 1 0⎞
⎜ ⎟ ⎜ ⎟
(Sd ) = ⎜ 1 3 − 3 2 ⎟ = ⎜ 1 0 2 ⎟
⎜ 0 2 4 − 3 ⎟⎠ ⎜⎝ 0 2 1 ⎟⎠

- invariantes: das equações 2.102, 2.103, 2.51 e 2.104:

J1 = − 1 + 0 + 1 ∴ J1 = 0

J2 =
3
[(
1 2
) ]
2 + 3 2 + 4 2 − (2x 3 + 3x 4 + 2 x 4) + (12 + 0 + 2 2 ) ∴ J 2 = 6 (kN / m 2 ) 2

I 3 = 2 x 3 x 4 + 0 − 2 x 2 2 − 3 x 0 − 4 x 12 ∴ I 3 = 12

77
I1 = 2 + 3 + 4 ∴ I1 = 9

I 2 = 2 x 3 + 3 x 4 + 2 x 4 −12 − 2 2 − 0 ∴ I 2 = 21
2 2
J 3 = 12 − x 9 x 21 + 9 3 ∴ J 3 = − 60
3 27

Os invariantes do tensor de tensão desviador são:

J1 =0
J2 = 6 (kN/m2)2
J3 = - 60 (kN/m2)3

78
CAPÍTULO 3

DEFORMAÇÃO E DESLOCAMENTO

3.1 – Introdução

No capítulo 2, chamou-se a atenção para o fato de que as equações de equilíbrio (para os dois
sistemas coordenados apresentados), equações 2.110 a 2.113, não são suficientes para se
determinar as componentes de tensão em um ponto de um corpo carregado externamente. Isto
se deve, no caso 3-D, ao fato de que existem 6 quantidades independentes desconhecidas, as
componentes de tensão, σx, σy, σz, τxy, τyz, τxz, e somente 3 equações que relacionam estas
quantidades.
Pode-se concluir, portanto, que as componentes de tensão dependem de outros fatores, e que
outras informações são necessárias de modo a resolver um problema através da elasticidade.
Estas informações são dadas, para um material elástico, pela lei de Hooke generalizada e
pelas relações deformação-deslocamento.
Neste capítulo, será analisada a deformação. Esta análise aplica-se a qualquer meio contínuo
que satisfaça a hipótese de pequenas deformações e que não seja influenciado pelas
propriedades do material. A análise é puramente geométrica e serve para materiais plásticos e
elásticos.

3.2 – Relações deformação-deslocamento

Quando a posição relativa de 2 pontos em um corpo contínuo é alterada, diz-se que o corpo
está deformado.
Se a distância entre cada par de pontos em um corpo permanece constante durante o
movimento, o corpo é dito rígido. Os deslocamentos de corpo rígido podem ser translações e
rotações.

Deslocamento de um ponto:

O deslocamento de um ponto é definido por um vetor como sendo a distância entre a


localização inicial e final do ponto, como mostra a Figura 3.1.
u, v, w são as componentes do deslocamento segundo as direções coordenadas x, y, z ,
respectivamente.
Um ponto, A, situado inicialmente em (x, y, z) deslocado para a posição, A’ (x+u, y+v, z+w),
pode ser representado por:
A
(x+u, y+v, z+w)

A
(x, y, z)

Figura 3.1 – Representação do deslocamento de um ponto

Caso unidimensional - 1-D:

Seja a barra submetida à compressão axial:

x dx

A B (a) barra indeformada

u0 u
σ

A’ B’ (b) barra deformada

dx - Δdx

Figura 3.2 – Barra submetida à tração uniaxial

Inicialmente, os pontos A e B (localizados no eixo da barra) estão situados como mostrado na


Figura 3.2a. Com a aplicação da compressão, os pontos A e B movem-se para a posição A’ e
B’, como mostrado na Figura 3.2b.
∂u
O ponto B desloca-se mais do que o ponto A, de uma quantidade ( dx ) por se encontrar
∂x
mais afastado do apoio. O comprimento AB, inicialmente igual a dx, fica, portanto, diminuído
daquele valor. Definindo deformação normal (ε) como sendo:

A B−A' B'
εx = (3.1)
AB
em que,

80
⎡ ∂u ⎤
A'B' = dx − Δdx = dx − [u − u 0 ] = dx − ⎢(u 0 + dx ) − (u 0 )⎥
⎣ ∂x ⎦
∂u
A'B' = dx − u 0 − dx + u 0 (3.2)
∂x
⎛ ∂u ⎞
A'B' = dx ⎜⎜1 − ⎟⎟
⎝ ∂x ⎠
então,
⎛ ∂u ⎞
dx − dx ⎜⎜1 − ⎟
⎝ ∂ x ⎟⎠
εx = (3.3a)
dx

∂u
εx = (3.3b)
∂x

Caso bidimensional - 2-D:

Considere-se um corpo em estado de deformação plana (plano xy) definido por:

u(x, y) ; v(x, y) ; w = 0

Ou seja, todos os pontos originalmente no plano xy permanecem neste plano após o corpo ter
sido deformado.
Considere-se o deslocamento do elemento infinitesimal, ABCD, para a posição final
A’B’C’D’, como mostra a Figura 3.3. O elemento infinitesimal sofre translação e deformação.
A deformação consiste de dois tipos:

(a) os lados variam de comprimento;


(b) os lados giram uns em relação aos outros.

81
y
(∂ u / ∂ y) dy

C’ (∂ v / ∂ y) dy
D’
x dx dy
λ
B’
C D β
(∂ v / ∂ x ) dx
θ
A’
(∂ u / ∂ x ) dx
dy
v dx

B A u
y
u

x
Figura 3.3 – Translação e deformação de um elemento 2-D

De acordo com os tipos de deformação mencionados em (a) e (b), definem-se:

(a) deformação normal, ε, em uma dada direção:


- variação de comprimento em relação ao seu comprimento inicial de uma dada linha,
originalmente orientada em uma dada direção, em relação ao seu comprimento inicial. A
deformação normal é positiva se a linha tem seu comprimento diminuído e negativa se a linha
aumenta de comprimento.

(a) deformação cisalhante, γ:


- definida como sendo a variação no ângulo originalmente reto entre dois eixos, sendo
o ângulo medido em radianos;
- do mesmo modo que as tensões cisalhantes, está associada com 2 direções
ortogonais;
- a deformação cisalhante é positiva se o ângulo reto entre direções positivas de dois
eixos decresce (o sinal da deformação cisalhante, do mesmo modo que a tensão cisalhante,
depende do sistema coordenado).

De acordo com a Figura 3.3, as componentes de deformação referentes aos eixos x e y são:

A B − A' B' dx − A'B'


εx = = (3.4a)
AB dx
82
AD − A'D' dy − A' D'
εy = = (3.4b)
AD dy
π
γ xy = − β = θ+ λ (3.4c)
2

Na teoria da elasticidade linear, são considerados somente os problemas em que deformações


e derivadas no espaço de componentes de deslocamentos são pequenas (produtos destas
quantidades constituem termos de 2a ordem). Para os problemas em que deformações e
deslocamentos são relativamente grandes, estas hipóteses não são mais válidas e as
componentes de deformação devem ser redefinidas.

Deslocamentos do ponto A:
u, v

Deslocamentos do ponto B (y é constante ao longo de AB):


∂u ∂v
u+ dx e v+ dx (3.5)
∂x ∂x

Deslocamentos do ponto D (x é constante ao longo de AD):


∂u ∂v
u+ dy e v+ dy (3.6)
∂y ∂y

Pode-se escrever que:


2
∂u ⎞ ⎛ ∂ v ⎞
2 ⎡ ∂u ⎛ ∂u ⎞ ⎛ ∂ v ⎞ ⎤
2 2
(A'B') = ⎜⎜ dx − dx ⎟⎟ + ⎜⎜ dx ⎟⎟ = dx ⎢ 1 − 2 + ⎜⎜ ⎟⎟ + ⎜⎜ ⎟⎟ ⎥
2 2
(3.7)
⎝ ∂x ⎠ ⎝ ∂x ⎠ ⎢⎣ ∂x ⎝ ∂x ⎠ ⎝ ∂x ⎠ ⎥

Entretanto, da equação 3.4:

A 'B' = AB − ε x A B ∴ A'B' = dx − ε x dx (3.8)

Substituindo na equação 3.7 o valor de A’B’ dado pela equação 3.8:

83
⎡ ∂u ⎛ ∂u ⎞ ⎛ ∂v ⎞ ⎤
2 2
(dx − ε x dx ) 2
= (dx − 2 ε x dx
2 2
+ ε 2x dx 2 ) = dx ⎢1 − 2
2
+ ⎜ ⎟ +⎜ ⎟ ⎥ (3.9)
⎢⎣ ∂ x ⎜⎝ ∂ x ⎟⎠ ⎜⎝ ∂ x ⎟⎠ ⎥

No regime elástico linear, como são admitidos apenas pequenos deslocamentos e pequenas
derivadas de deslocamentos, os termos elevados ao quadrado na equação 3.9 são desprezíveis
(termos de segunda ordem) em presença dos outros termos, de modo que:

2 2
⎛ du ⎞ ⎛dv⎞
ε 2x ≈0 ; ⎜⎜ ⎟⎟ ≈ 0 ; ⎜⎜ ⎟⎟ ≈ 0
⎝dx ⎠ ⎝dx ⎠
e, portanto:
∂ u ( x , y)
εx = (3.10)
∂x

Analogamente, considerando o lado AD:

∂ v ( x , y)
εy = (3.11)
∂y

A partir da Figura 3.3, observa-se que:

⎛∂v⎞ ⎛∂v⎞
⎜⎜ ⎟⎟ dx ⎜⎜ ⎟
⎝ ∂x⎠ ⎝ ∂ x ⎟⎠
θ= = (3.12a)
⎛∂u ⎞ ⎛ ∂u ⎞
dx − ⎜⎜ ⎟⎟ dx ⎜⎜1 − ⎟⎟
⎝∂x⎠ ⎝ ∂x⎠
⎛∂u ⎞ ⎛∂u ⎞
⎜⎜ ⎟⎟ dy ⎜⎜ ⎟
⎝ ∂y⎠ ⎝ ∂ y ⎟⎠
λ= = (3.12b)
⎛∂v⎞ ⎛ ∂v⎞
dy − ⎜⎜ ⎟⎟ dy ⎜⎜1 − ⎟⎟
⎝∂y⎠ ⎝ ∂y⎠

e conforme a hipótese de pequenas derivadas de deslocamentos, θ e λ são ângulos muito


∂u
pequenos e, portanto, tg θ ≅ θ e tg λ ≅ λ . Desprezando os termos , na equação 3.12a e
∂x
∂v
na equação 3.12b em presença da unidade, tem-se:
∂y
84
∂v ∂u
θ= e λ= (3.13)
∂x ∂y

De acordo com as equações acima, a deformação angular ou distorção é dada por:

∂ u ( x , y) ∂ v ( x , y)
γ xy = + (3.14)
∂y ∂x

Obs: - as duas derivadas parciais na equação acima são positivas se AB e AD giram para
dentro do retângulo (Figura 3.3), isto é, se os deslocamentos u e v aumentam com o aumento
de x e y.

3.2.1 Relações deformação-deslocamento em coordenadas cartesianas

No caso 3-D, em que o elemento infinitesimal original é um prisma retangular, as


componentes de deformação são:

∂ u ( x , y, z )
ε x ( x , y, z ) =
∂x
∂ v ( x , y, z )
ε y ( x , y, z ) =
∂y
∂ w ( x , y, z )
ε z ( x , y, z ) =
∂z
∂ u ( x , y, z ) ∂ v ( x , y, z )
γ xy ( x , y, z) = +
∂y ∂x

∂ w ( x , y, z ) ∂ v ( x , y, z )
γ zy ( x , y, z) = +
∂y ∂z
∂ u ( x , y, z ) ∂ w ( x , y, z )
γ xz ( x , y, z) = + (3.15)
∂z ∂x

Por razões de simetria,

85
γ yx =γ xy ; γ yz =γ zy ; γ xz =γ zx (3.16)

As equações 3.15 relacionam, para pequenas deformações, as componentes de deslocamento


do ponto com as componentes de deformação neste ponto.

NOTA: Deve-se observar que existe uma inconsistência no desenvolvimento das equações de
equilíbrio e das relações deformação-deslocamento. Como as componentes de tensão estão
distribuídas sobre um corpo deformado, as coordenadas x, y e z nas equações de equilíbrio
deveriam ser consideradas como as coordenadas no corpo deformado. Entretanto, nas relações
deformação-deslocamento, estas coordenadas referem-se à posição do corpo indeformado.
Devido à hipótese de deformações infinitesimais, a consideração de que x, y, e z representem
coordenadas indeformadas leva a erros muito pequenos em ambos os casos. Na elasticidade
finita, esta aproximação não é válida e ambos os grupos de equações devem ser expressos nas
mesmas coordenadas.

3.2.2 Relações deformação-deslocamento em coordenadas cilíndricas

Em coordenadas cilíndricas, as componentes de deformação são dadas por:

∂ u r (r, θ, z)
ε r (r, θ, z) =
∂r
u r (r, θ, z) 1 ∂ v θ (r, θ, z)
ε θ (r, θ, z) = +
r r ∂θ
∂ w (r, θ, z)
ε z (r, θ, z) =
∂z
∂ v θ (r, θ, z) 1 ∂ u r (r, θ, z) v θ (r, θ, z)
γ rθ (r, θ, z) = + −
∂r r ∂θ r

1 ∂ w (r, θ, z) ∂ v θ (r, θ, z)
γ θz (r, θ, z) = +
r ∂θ ∂z
∂ u r (r, θ, z) ∂ w (r, θ, z)
γ z r (r, θ, z) = + (3.17)
∂z ∂r

86
3.3 – Equações de compatibilidade

Quando um corpo sólido sofre deformação, o campo de deslocamentos correspondente fica


representado por funções contínuas e unívocas, tendo em vista a preservação da continuidade
do meio sólido no processo.
Do mesmo modo que o campo de tensões não é arbitrário, já que deve atender às equações
diferenciais de equilíbrio, também o campo de deformações deve obedecer a equações de
compatibilidade que assegurem que o campo seja contínuo e unívoco. Ou seja, deve-se
estabelecer condições para que, fixadas as seis componentes de deformação, seja possível
garantir a integrabilidade das relações deformação-deslocamento (equações 3.15) para que se
obtenha um campo de deslocamentos u, v e w, cinematicamente admissível.
Portanto, para que as funções de deslocamento sejam únicas e contínuas as componentes de
deformação não podem ser prescritas arbitrariamente (as componentes de deformação não
são independentes). Relações adicionais, obrigatoriamente existentes entre as componentes de
deformação, são obtidas eliminando as componentes de deslocamento nas equações 3.15
(Villaça & Garcia, 1996).
Diferenciando duas vezes a primeira equação 3.15 em relação a y e diferenciando duas vezes
a segunda equação 3.15 em relação a x:

⎧ ∂ 2 (ε x ) ∂ 2 ⎛∂u⎞
⎪ = 2 ⎜⎜ ⎟⎟
⎪ ∂y
2
∂y ⎝ ∂ x ⎠
⎨ 2 (3.18a)
⎪ ∂ (ε y ) = ∂ ⎛∂v⎞
2
⎜⎜ ⎟⎟
⎪ ∂ x2 ∂ x2 ⎝∂y⎠

ou,
⎧∂ 2ε x ∂ 3u
⎪ 2 = 2
⎪∂y ∂y ∂x
⎨ ∂ 2ε (3.18b)
⎪ ∂3v
=
y

⎪⎩ ∂ x 2 ∂ x 2 ∂ y

e somando o resultado às equações 3.18b obtém-se:

∂ 2ε x ∂ 2ε y ∂ 3u ∂3v
+ = 2 + (3.19)
∂ y2 ∂ x2 ∂ y ∂ x ∂ x2 ∂ y

Diferenciando duas vezes a quarta equação 3.15 em relação a x e y:

87
∂ ⎛ ∂ ⎞ ∂ ⎛ ∂ ⎛ ∂ u ∂ v ⎞⎞
⎜⎜ γ xy ⎟⎟ = ⎜ ⎜ ⎟⎟
∂y⎝∂x ∂ ⎜ ∂ x ⎜ ∂ y + ∂ x ⎟⎟ (3.20a)
⎠ y ⎝ ⎝ ⎠⎠
ou,
∂ 2 γ xy ∂ 3u ∂3 v
= + (3.20b)
∂ y∂ x ∂ y2∂ x ∂ x 2∂ y

Comparando as equações 3.19 e 3.20b obtém-se a primeira relação entre as componentes de


deformação:

∂ 2 γ xy ∂ 2ε x ∂2 εy
= + (3.21)
∂ y∂ x ∂ y2 ∂ x2

De modo análogo, cinco outras equações podem ser obtidas. Resumindo, as seis expressões,

∂ 2ε x ∂2 εy ∂ 2 γ xy
+ =
∂ y2 ∂ x2 ∂ y∂ x

∂ 2ε y ∂2 εz ∂ 2 γ yz
+ =
∂ z2 ∂ y2 ∂ y∂ z

∂ 2εz ∂2 εx ∂ 2 γ xz
+ =
∂ x2 ∂ z2 ∂x∂z

∂ 2ε x ∂ ⎛ ∂ γ yz ∂ γ xz ∂ γ xy ⎞
2 = ⎜− + + ⎟
∂ y ∂ z ∂ x ⎜⎝ ∂ x ∂y ∂z ⎟

∂ 2ε y ∂ ⎛ ∂ γ yz ∂ γ xz ∂ γ xy ⎞
2 = ⎜ − + ⎟
∂z∂x ∂ y ⎜⎝ ∂ x ∂y ∂z ⎟

∂ 2ε z ∂ ⎛ ∂ γ yz ∂ γ xz ∂ γ xy ⎞
2 = ⎜ + − ⎟ (3.22)
∂ x ∂ y ∂ z ⎜⎝ ∂ x ∂y ∂z ⎟

são chamadas equações de compatibilidade de Saint-Venant ou equações de compatibilidade


em termos das deformações (Chou & Pagano, 1992).
Apesar de terem sido desenvolvidas seis equações de segunda ordem (equações 3.22), estas
equações são equivalentes a três equações de quarta ordem independentes. A demonstração
está apresentada abaixo.

88
i) Diferencia-se a 1a equação duas vezes em relação a z, a 2a equação duas vezes em relação a
x e a 3a equação duas vezes em relação a y;

∂ 4ε x ∂ 4ε y ∂ 4 γ xy
+ =
∂ z2 ∂ y2 ∂ z2 ∂ x2 ∂ z2 ∂ x ∂ y

∂ 4ε y ∂ 4ε z ∂ 4 γ yz
+ = (3.23)
∂ x2 ∂ z2 ∂ x 2 ∂ y2 ∂ x2 ∂ y∂ z

∂ 4ε z ∂ 4ε x ∂ 4 γ xz
+ =
∂ x 2 ∂ y2 ∂ y2 ∂ z2 ∂ y2 ∂ z ∂ x

Somando as 3 equações obtém-se:

∂ 4ε x ∂ 4ε y ∂ 4εz ∂ 4 γ xy ∂ 4 γ yz ∂ 4 γ xz
2 +2 +2 = + + (3.24)
∂ z2 ∂ y2 ∂ x2 ∂ z2 ∂ x 2 ∂ y2 ∂ z2 ∂ x ∂ y ∂ x2 ∂ y∂ z ∂ y2 ∂ x ∂ z

ii) A 4a equação é diferenciada com relação a y e z, a 5a equação com relação a z e x e a 6a


equação em relação a x e y.

∂ 4ε x ∂3 ⎛ ∂γ yz ∂γ xz ∂γ xy ⎞
2 2 = ⎜− + + ⎟
∂ z ∂ y 2 ∂ y ∂ z ∂ x ⎜⎝ ∂ x ∂y ∂z ⎟

∂ 4ε y ∂3 ⎛ ∂γ yz ∂γ xz ∂γ xy ⎞
2 = ⎜ − + ⎟ (3.25)
∂z ∂x2 2
∂ z ∂ x ∂ y ⎜⎝ ∂ x ∂y ∂z ⎟

∂ 4εz ∂3 ⎛ ∂γ yz ∂γ xz ∂γ xy ⎞
2 = ⎜ + − ⎟
∂x ∂y2 2
∂ x ∂ y ∂ z ⎜⎝ ∂ x ∂y ∂z ⎟

Somando as 3 equações obtém-se:

∂ 4ε x ∂ 4ε y ∂ 4ε z ∂ 4 γ xy ∂ 4 γ yz ∂ 4 γ xz
2 +2 +2 = + + (3.26)
∂ z2 ∂ y2 ∂ x2 ∂ z2 ∂ x 2 ∂ y2 ∂ z2 ∂ x ∂ y ∂ x2 ∂ y∂ z ∂ y2 ∂ x ∂ z

A soma das 3 equações obtidas em i), dada pela equação 3.24, é igual à soma das 3 equações
obtidas em ii), dada pela equação 3.26. Portanto, as expressões 3.24 e 3.26 são equivalentes.

89
Usualmente é mais conveniente utilizar as seis equações de segunda ordem (3.22) do que as
três equações de quarta ordem (3.23 ou 3.25) resultantes, já que a solução de equações
diferenciais de ordens mais elevadas é mais complexa.

Significado geométrico das equações de compatibilidade:

Imagine-se um corpo subdividido em cubos infinitesimais. Cada cubo é submetido a


componentes de deformação arbitrárias. Se tentarmos juntar os elementos infinitesimais
deformados para formar o corpo, percebe-se que estes elementos, em geral, não se ajustam
perfeitamente; eles ficarão separados por vazios. Uma junção perfeita só é conseguida se as
componentes de deformação (às quais os cubos infinitesimais foram submetidos) satisfazem
às equações de compatibilidade (Chou & Pagano, 1992).
Deve-se observar, entretanto, que se forem especificadas componentes de deslocamentos (ao
invés de componentes de deformação) que sejam funções contínuas e unicamente
determinadas, as componentes de deformação serão automaticamente satisfeitas pelas
equações de compatibilidade.

3.4 – Estado de deformação em um ponto

A análise da deformação tridimensional pode ser feita de maneira análoga a que foi feita para
a tensão.

Definição do tensor de deformação


A deformação em um ponto é definida pelo processo de se desenhar linhas através do ponto e
tomar limites da variação do comprimento da linha pelo seu comprimento original e, também,
comparar a variação do ângulo entre quaisquer duas linhas que têm origem neste ponto.
Translações e rotações de corpo rígido não provocam deformações.
O estado de deformação em um ponto é definido como sendo a totalidade de todas as
variações de comprimento dos elementos de linha que passam pelo ponto divididas pelo seu
comprimento original e, também, a totalidade de todas as variações do ângulo entre qualquer
par de linhas com origem neste ponto.
O estado de deformação de um ponto fica completamente definido por:

⎛ γ yx γ zx ⎞
⎜ εx ⎟
⎛ ε xx ε yx ε zx ⎞ ⎜ 2 2 ⎟
⎜ ⎟ ⎜ γ xy γ zy ⎟
ε = ⎜ ε xy ε yy ε zy ⎟ = ⎜ εy
2 ⎟⎟
(3.27)
⎜ε ε ε ⎟ ⎜ 2
γ yz
⎝14 xz
42443⎠
yz zz
⎜ γ xz ε z ⎟⎟

NOTAÇÃO TENSORIAL
⎝144
2 2
42444 3⎠
NOTAÇÃO DA ENGENHARIA

90
As componentes de deformação εxy (= εyx), εxz (= εzx), εyz (= εzy) são chamadas deformações
cisalhantes tensoriais enquanto que as componentes γxy (=γyx), γxz (=γzx), γyz (=γzy) são
chamadas deformações cisalhantes da engenharia.
As deformações, assim como as tensões, dependem de um plano de referência. Portanto, não
faz sentido falar em deformação em um ponto mas sim em estado de deformação em torno de
um plano ou deformações em planos que passem pelo ponto.
Mostrou-se que o estado de tensão em um ponto fica unicamente determinado se as
componentes de tensão em 2 planos perpendiculares, no caso bidimensional, e em 3 planos
mutuamente ortogonais, no caso tridimensional, forem conhecidas. O mesmo acontece em
relação à deformação. Isto é, o estado de deformação em um ponto fica definido pelas
componentes de deformação em 2 (caso 2-D) ou 3 (caso 3-D) planos.

3.5 – Análise de deformações em duas dimensões (2-D)

3.5.1 – Mudança de eixos coordenados

Dadas as componentes εx, εy e γxy em um ponto, referidas a um sistema coordenado x, y, é


possível determinar as deformações em um plano qualquer que passa pelo ponto (ver Chou &
Pagano, 1992, item 2.4, para demonstração).

y’ y

x’

α dy
x
dx

Considerando o regime de pequenas deformações, as deformações normais e cisalhantes


referidas a um sistema coordenado qualquer, x’y’, são dadas por:

εx + εy εx − εy γ xy
ε x' = + cos 2α + sin 2α
2 2 2
εx + εy εx − εy γ xy
ε y' = − cos 2α − sin 2α (3.28)
2 2 2
γ xy ' = (ε y − ε x ) sin 2α + γ xy cos 2α

As equações 3.28 são chamadas equações de transformação bidimensional das deformações.


91
Pode-se observar uma semelhança entre as equações 3.28 com as equações 2.12. Fazendo uso
das identidades trigonométricas:

sin 2α = 2 sin α cos α


sin 2 α = 1 / 2 (1 − cos 2α) (3.29)
cos 2 α = 1 / 2 (1 + cos 2α)

e substituindo σ por ε e τ por γ/2, as equações de tensão 2.12 são convertidas em relações de
deformações (equações 3.28).

Demonstração:

As equações de tensão em um plano qualquer xy são, de acordo com as relações 2.12:

σ x′ = σ x cos 2 θ + σ y sin 2 θ + τ xy sin 2θ

σ y ' = σ x sin 2 θ + σ y cos 2 θ − τ xy sin 2θ (2.12)

1
τ x 'y ' = ( σ y − σ x ) sin 2θ + τ xy cos 2θ
2
ou seja,
σx + σy σx − σy
σ x' = + cos 2θ + τ xy sin 2θ
2 2
σx + σy σx − σy
σ y' = − cos 2θ − τ xy sin 2θ
2 2
σy − σx
τ x 'y' = sin 2θ + τ xy cos 2θ
2

Substituindo, então σx por εx, σy por εy, τxy por ½ γxy, σx’ por εx’, σy’ por εy’, τx’y’ por ½ γx’y’ e
θ por α, obtêm-se as equações 3.28:

εx + εy εx − εy γ xy
ε x' = + cos 2α + sin 2α
2 2 2
εx + εy εx − εy γ xy
ε y' = − cos 2α − sin 2α (3.28)
2 2 2
γ xy ' = (ε y − ε x ) sin 2α + γ xy cos 2α

92
3.5.2 – Deformações principais e planos principais de deformação

As direções dos planos principais de deformação são dadas pela equação 3.30. Nestes planos,
as deformações cisalhantes são nulas.

γ xy
tg 2 α = (3.30)
εx − εy

As magnitudes das deformações principais (deformações normais) são:

εx + εy1
ε1 = +
(ε x − ε y ) 2 + γ 2xy
2 2 (3.31)
εx + εy 1
ε2 = − (ε x − ε y ) 2 + γ 2xy
2 2

Devido a estas semelhanças matemáticas, observa-se que as deformações normais, ε, e as


deformações cisalhantes, γ/2, estão relacionadas pelo círculo de Mohr, para quaisquer eixos
passando pelo ponto.

3.5.3 – Deformação cisalhante máxima

A deformação máxima de cisalhamento ocorre em planos a 450 com os planos principais de


deformação e é dada pela equação

2 2
1 ⎛ εx − εy ⎞ ⎛ γ yx ⎞
γ max = ⎜ ⎟ +⎜ ⎟ (3.32)
⎜ 2 ⎟ ⎜ 2 ⎟
2 ⎝ ⎠ ⎝ ⎠

Em termos das deformações principais, a deformação máxima de cisalhamento no plano xy


pode ser escrita como se segue:

2
1 ⎛ ε1 − ε 2 ⎞
γ max = ⎜ ⎟ (3.33a)
2 ⎝ 2 ⎠
ou seja

93
γ max = (ε1 − ε 2 ) (3.33b)

Nos planos em que a deformação cisalhante é máxima, as deformações normais são:

εx + εy
ε= (3.34)
2

3.6 – Análise de deformações em três dimensões (3-D)

3.6.1 – Deformações principais e planos principais de deformação - Invariantes de


deformação

No estudo da tensão em um ponto, verificou-se que existem pelo menos 3 planos mutuamente
ortogonais nos quais as tensões de cisalhamento são nulas. No caso das deformações, também
existem 3 planos cujas normais não mudam de orientação quando o corpo é deformado, ou
seja, não existe deformação cisalhante nestes planos. Estes planos, da mesma forma que no
caso 2-D, são os planos principais de deformação e as deformações correspondentes de
deformações principais.

Determinação das deformações principais:

ε 3 − I'1 ε 2 + I' 2 ε − I' 3 = 0 (3.35)

A equação 3.35 tem a mesma forma da equação 2.52 quando as tensões são substituídas pelas
deformações. As raízes desta equação, ε1, ε2, ε3, são as deformações principais no ponto. Os
coeficientes I’1, I’2, e I’3 são invariantes de deformação, dados pelas equações 3.36.
Da mesma forma que para as tensões principais, considera-se que ε1>ε2>ε3.

94
Invariantes de deformação

⎧I'1 = ε x + ε y + ε z

⎪ = ε1 + ε 2 + ε 3


⎪I' 2 = ε x ε y + ε y ε z + ε x ε z − ε 2xy − ε 2yz − ε 2xz

⎪ =ε ε +ε ε +ε ε − 1 ( γ2 + γ2 + γ2 )
⎪ x y y z x z
4
xy yz xz

⎨ = ε 1ε 2 + ε 2 ε 3 + ε 1 ε 3 (3.36)


⎪I'3 = ε x ε y ε z + 2 ε xy ε yz ε xz − (ε x ε 2yz − ε y ε 2xz − ε z ε 2xy )

⎪ 1 1
⎪ = ε x ε y ε z + 4 γ xy γ yz γ xz − 4 (ε x γ yz + ε y γ xz + ε z γ xy )
2 2 2


⎪ = ε 1ε 2 ε 3

Direções principais

De modo análogo ao que foi feito para as tensões, as direções principais de deformação são
obtidas a partir do seguinte sistema de equações,

⎧(ε x − ε) l − ε xy m − ε zx n = 0

⎨− ε xy l + (ε y − ε) m − ε zy n = 0 (3.37)

⎩− ε xz l − ε yz m + (ε z − ε) n = 0

e da relação l + m + n = 1, substituindo ε por cada um dos valores encontrados a partir da


2 2 2

equação 3.35, ε1, ε2, ε3.

3.6.2 – Deformação cisalhante máxima

As deformações cisalhantes máximas e as direções correspondentes podem ser obtidas do


mesmo modo que as tensões cisalhantes máximas. Portanto, de acordo com a equação 3.33b,
as deformações cisalhantes máximas são dadas por

95
⎧ γ 1 = (ε1 − ε 3 )

⎨ γ 2 = (ε 2 − ε 3 ) (3.38)
⎪ γ = (ε − ε )
⎩ 3 1 2

e o mesmo quadro de cossenos diretores para as tensões cisalhantes máximas (Quadro II)
define as direções principais de deformação e as direções de deformação cisalhante máxima
(ângulos com os eixos principais).

Quadro II – Cossenos diretores para os planos onde atuam as deformações máximas e nulas
l 0 0 ±1 0 ± 1/ 2 ± 1/ 2
m 0 ±1 0 ± 1/ 2 0 ± 1/ 2
n ±1 0 0 ± 1/ 2 ± 1/ 2 0

Planos em que γ é nula Planos em que γ é máxima


(planos principais)

A deformação cisalhante máxima maximorum atua em um plano bissetor entre os eixos da


máxima deformação e da mínima deformação principais e é igual à diferença entre estes
valores:

γ max = (ε max − ε min ) = (ε1 − ε 3 ) (3.39)

3.6.3 – Deformações octaédricas

Uma fibra octaédrica é uma fibra de material que antes da deformação está igualmente
inclinada com os 3 eixos principais de deformação.
Como já visto no caso das tensões, os planos octaédricos são aqueles igualmente inclinados
3
com os eixos principais, 1, 2 e 3. Portanto, l = m = n = ± .
3
A deformação normal octaédrica dada pelas equações 3.40:

1
ε oct = (ε1 + ε 2 + ε 3 ) (3.40a)
3
I'1
ε oct = ε m = (3.40b)
3

96
A deformação cisalhante octaédrica pode ser escrita em termos das deformações principais
como:

1 1
γ oct
2
= (ε12 + ε 22 + ε 32 ) − (ε1 + ε 2 + ε 3 ) 2 (3.41a)
3 9

γ oct
2
=
1
9
[
( ε1 − ε 2 ) 2 + ( ε 2 − ε 3 ) 2 + (ε 3 − ε1 ) 2 ] (3.41b)

em termos dos invariantes de deformação como:

2 2
γ oct
2
= ( I'1 − 3 I' 2 ) (3.41c)
9

ou, ainda, em termos das componentes de deformação referidas ao sistema xyz como:

γ oct
2
=
1
9
[
(ε x − ε y ) 2 + (ε y − ε z ) 2 + (ε z − ε x ) 2 + 6 (ε 2xy + ε 2yz + ε 2xz ) ] (3.41d)

3.6.4 – Deformações desviadoras

Como no caso do tensor de tensões, o tensor de deformação também pode ser separado em 2
partes: tensor de deformação esférica ou hidrostática e tensor de deformação desviadora:

⎡ εx ε yx ε zx ⎤ ⎡ε m 0 0⎤ ⎡( ε x − ε m ) ε yx ε zx ⎤
⎢ ⎥ ⎢0 ε ⎢ ⎥
ε = ⎢ε xy εy ε zy ⎥ = ⎢ m 0 ⎥⎥ + ⎢ ε xy (ε y − ε m ) ε zy ⎥ (3.42)
⎢ε xz ε yz ε z ⎥⎦ ⎢⎣ 0 0 ε ⎥ ⎢ ε xz (ε z − ε m ) ⎥
⎣ 144244m3⎦ ⎣1444444ε2 yz
4444443⎦
Tensor esferico de deformacao Tensor desviador de deformacao

1
ε m = (ε 1 + ε 2 + ε 3 ) (3.43)
3

em que εm é a deformação média.

Cabe observar que o tensor esférico de deformação é proporcional à variação de volume. O


tensor desviador de deformação representa distorção pura (mudança de forma).

97
3.6.5 – Deformação volumétrica

Considere-se um paralelepípedo retangular com lados a, b, c, mostrado na Figura 3.4a,


z

y
a
b
x
(a) Volume inicial

c-Δc = c (1-εz)

y
a-Δa = a (1-εx)
x b-Δb = b(1-εy)
(a) Volume final

Figura 3.4 – Paralelepípedo retangular

de modo que seu volume inicial seja,

V0 = a b c (3.44)

e seu volume final, mostrado na Figura 3.4b, seja,

Vf = V0 − dV0
V0 − dV0 = (a − Δa ) (b − Δb) (c − Δc) = a (1 − ε x ) b (1 − ε y ) c (1 − ε z )
V0 − dV0 = a b c − a b c (ε x + ε y + ε z ) + a b c (ε x ε y + ε y ε z + ε x ε z ) − a b c ε x ε y ε z

Obs: - uma variação dV0 positiva significa diminuição de volume, enquanto que uma variação
negativa representa um aumento de volume.
98
Desprezando os termos de produtos de deformações (ordem superior), o volume final é obtido
a partir de:

Vf = V0 − dV0 = a b c − a b c (ε x + ε y + ε z )
Vf = V0 − dV0 = V0 − V0 (ε x + ε y + ε z ) (3.45)
Vf − V0 = − dV0 = − V0 (ε x + ε y + ε z )

A deformação volumétrica é dada por:

dV0
εv = = εx + εy + εz
V0
εv = 3εm (3.46)
ε v = I'1
ε v = 3 ε oct

3.7 – Deformação térmica

Até este ponto, admitiu-se que a temperatura permanece constante durante o carregamento do
corpo. Além das tensões, mudanças na temperatura também podem provocar deformação dos
materiais. Para materiais isotrópicos e homogêneos, uma variação na temperatura de δt graus
provoca uma deformação linear uniforme em cada direção.
A deformação térmica específica é expressa por

ε T = α δt (3.47)

em que α (em unidades L/L por grau) é o coeficiente de expansão (dilatação) térmica linear
do material, determinado experimentalmente. Este valor permanece aproximadamente
constante dentro de uma faixa de variação de temperatura. Não existem tensões relacionadas
com a deformação εT.
Para materiais isotrópicos, uma mudança de temperatura não provoca deformações angulares,
isto é, γxy = γyz = γzx = 0.
A deformação térmica linear para pequenas deformações soma-se diretamente às deformações
lineares decorrentes de tensão.

99
3.8 – Deslocamentos gerais

Se as funções de deslocamentos u(x, y, z), v(x,y,z) e w(x, y, z) em um corpo são conhecidas,


então é possível descrever completamente as deformações e a geometria de qualquer elemento
infinitesimal em seu estado deformado. Ou seja, todas as dimensões do elemento mostrado na
Figura 3.3, inclusive os ângulos θ e λ, podem ser determinados a partir das equações
desenvolvidas no item 3.2. Entretanto, se forem conhecidas as distribuições das componentes
de deformação, não é possível determinar completamente as funções de deslocamento u(x, y,
z), v(x, y, z) e w(x, y, z). Ao se efetuar a integração das relações deformação-deslocamento
(equações 3.15) para se obter os deslocamentos, existem constantes de integração que são
equivalentes aos movimentos de corpo rígido de translação e rotação. As relações entre estas
rotações e translações com as funções de deslocamento u(x, y, z), v(x, y, z), w(x, y, z) serão
demonstradas a seguir (Chou & Pagano, 1992).
Se o elemento infinitesimal da Figura 3.5 sofre uma rotação de corpo rígido, wz0, muito
pequena, observa-se que,

∂v ∂u
w z0 = =− (3.48)
∂x ∂y

∂u
wz0 = −
∂y
dy

x
dx ∂v
wz0 =
∂x
Figura 3.5 – Rotação de corpo rígido de um elemento

Durante este tipo de movimento, não ocorre, é claro, nenhuma deformação. No caso em que
ocorrem tanto movimentos de corpo rígido quanto deformações, define-se:

1 ⎛∂v ∂u ⎞
wz = ⎜⎜ − ⎟⎟ (3.49)
2 ⎝∂x ∂y ⎠

wz representa a média entre o deslocamento angular de dx e do deslocamento angular de dy e


é denominado rotação.
Com base na Figura 3.3, se a componente de deslocamento do ponto A na direção x é u,
então, no ponto C, o deslocamento é u+du, de modo que,
100
∂u ∂u
du = dx + dy (3.50)
∂x ∂y

A equação 3.50 pode ser rescrita na forma:

∂u 1⎛∂u ∂v⎞ 1⎛∂u ∂v⎞


du = dx + ⎜⎜ + ⎟⎟ dy + ⎜⎜ − ⎟ dy (3.51a)
∂x 2⎝∂y ∂x⎠ 2 ⎝ ∂ y ∂ x ⎟⎠
ou,
1
du = ε x dx + γ xy dy − w z dy (3.51b)
2

Os primeiros dois termos do lado direito da equação 3.51b representam a componente de


deslocamento na direção x do ponto C relativamente ao ponto A devido às componentes de
deformação εx e γxy, isto é, devido ao estado de deformação (deformação pura), como mostra
a Figura 3.6.
1
γ xy dy
y 2
C’
D’
D C
1
γ xy
dy 2
B’
1
γ xy
2 x
A B
ε x dx
dx
Figura 3.6 – Deformação pura em um elemento infinitesimal

O último termo do lado direito da equação 3.51b representa um deslocamento devido à


rotação, de modo que se o deslocamento devido à deformação pura é superposto ao
deslocamento devido à rotação, o elemento ficará orientado na sua posição final.
De modo análogo, a componente de deslocamento na direção do eixo y no ponto C,
relativamente ao ponto A, pode ser escrita como:

1
dv = ε y dy + γ xy dx + w z dx (3.52)
2

101
As equações 3.51 e 3.52, que fornecem o valor das derivadas totais de u e de v,
respectivamente, podem ser integradas se as dadas componentes de deformação satisfazem às
equações de compatibilidade (equações 3.22). Para detalhes da integração, ver Chou e Pagano
(1992, Capítulo 10). Aqui se ressalta somente que a integração destas duas equações dá
origem a determinadas funções arbitrárias da forma:

u * = u 0 − w z0 y
(3.53)
v* = v 0 + w z0 x

As funções u* e v* são arbitrárias no sentido de não produzir deformação, como pode ser
verificado substituindo estes valores nas relações deformação-deslocamento (equações 3.15).
Deste modo, elas podem ser somadas a qualquer campo de deslocamento sem que haja
alteração na distribuição de deformação.
As equações 3.53 fornecem os deslocamentos de corpo rígido por translação (u0 e v0) e por
pequena rotação.
Se as três componentes de deformação, εx, εy, e γxy forem dadas, os deslocamentos
correspondentes (u e v) são arbitrários na razão de um deslocamento de corpo rígido adicional
expresso pelas equações 3.53.
Na equação 3.53 existem três constantes arbitrárias, u0, v0, e wz0, de modo que, se as
componentes de deslocamento, u0 e v0, em um ponto do corpo e a rotação, wz0, são
especificados, então a expressão de cada deslocamento para determinados valores de
deformação será única. Ressalta-se que wz0 é o movimento do corpo como um todo, ou seja,
uma rotação de corpo rígido, enquanto que wz é uma rotação dependente do espaço, isto é,
define a rotação de um elemento infinitesimal do corpo como uma função da posição deste
elemento.
No caso tridimensional, as equações para a derivada total dos deslocamentos são expressas
por:

1 1
du = ε x dx + γ xy dy + γ xz dz − w z dy + w y dz
2 2
1 1
dv = ε y dy + γ xy dx + γ yz dz − w x dz + w z dx (3.54)
2 2
1 1
dw = ε z dz + γ xz dx + γ yz dy − w y dx + w x dy
2 2
em que,

102
⎛∂w ∂v
1 ⎞
wx = ⎜⎜ − ⎟⎟
2⎝ ∂y ∂z ⎠
1 ⎛∂u ∂w ⎞
w y = ⎜⎜ − ⎟⎟ (3.55)
2 ⎝ ∂z ∂x ⎠
1 ⎛∂v ∂u ⎞
w z = ⎜⎜ − ⎟
2 ⎝ ∂ x ∂ y ⎟⎠

são os pequenos ângulos de rotação em relação aos eixos paralelos a x, y e z e são


denominados componentes de rotação. Cada componente é positiva se tem o sentido anti-
horário quando observada da parte positiva do eixo de rotação em relação à origem.
A integração das equações 3.54 fornece as seguintes funções arbitrárias:

u * = u 0 − w z0 y + w y0 z
v* = v 0 − w x0 z + w z0 x (3.56)
w * = w 0 − w y0 x + w x 0 y

Deve-se observar que os movimentos de corpo rígido representados por u0, v0, e w0 e por wx0,
wy0 e wz0, não influenciam as componentes de deformação, como fica evidente ao se substituir
as equações 3.56 nas relações deformação-deslocamento (equações 3.15). Portanto, no
tratamento dos problemas em elasticidade, muito freqüentemente, negligencia-se o
deslocamento de corpo rígido.
A hipótese de deformações infinitesimais leva a um dos fundamentos básicos da teoria da
elasticidade linear chamado princípio da superposição de deslocamentos. Este princípio
estabelece que dois campos de deformação podem ser combinados por superposição direta e a
ordem de aplicação dos dois campos não influi na configuração final do corpo em questão.

103
3.9 – Exemplos

1 - Seja a barra da Figura 3.7. A barra sofre um encurtamento u1 devido a uma deformação
uniforme ε1 e um encurtamento u2 devido a uma deformação uniforme ε2, se cada deformação
é aplicada separadamente:

L
u2

σ2 ε2=u2/L

u1

σ1 ε1=u1/L

Figura 3.7 – Superposição de deslocamentos

Se ε1 é aplicado em primeiro lugar e ε2 é aplicado em seguida, o deslocamento final da


extremidade da barra é dado por:

u = u 1 + ε 2 (L + u 1 )
(3.57)
u = u 1 + ε 2 ( L + ε1 L ) = u 1 + ε 2 L + ε 1ε 2 L

Desprezando o produto ε1ε2 por ser muito pequeno quando comparado a ε1 ou ε2 obtém-se:

u = u1 + u 2 (3.58)

Se, agora, a ordem de aplicação dos campos de deformação é invertida (primeiro aplica-se ε2
e em seguida aplica-se ε1), ou se ε1 e ε2 são aplicados simultaneamente, o mesmo resultado
final é obtido:

u = u1 + u 2 (3.59)

104
CAPÍTULO 4

RELAÇÕES TENSÃO-DEFORMAÇÃO

4.1 – Introdução

Dois conjuntos de equações, para o caso tridimensional, foram desenvolvidos nos dois
capítulos anteriores:
- 3 equações de equilíbrio (equações 2.110 e 2.113) baseadas na estática. As equações
de equilíbrio de momento estão satisfeitas quando se considera τxy=τyx, τyz=τzy, τxz=τzx;
- 6 relações deformação-deslocamento baseadas na continuidade de deslocamentos e
em deformações infinitesimais (equações 3.15 e 3.17).
Estes dois conjuntos de equações foram desenvolvidos independentemente, um conjunto
envolvendo somente componentes de tensão e o outro, deslocamentos e deformações.
Admitindo a hipótese de deformações infinitesimais, as equações 2.110, 2.113 e as equações
3.15, 3.17 são válidas para qualquer meio contínuo.
Incógnitas Equações
⎧ u ( x , y, z )

3 ⎨ v ( x , y, z ) 3 de equilíbrio
⎪ w ( x , y, z )
⎩14243
COMPONENTES DE
DESLOCAMENTOS

⎧ε X ( x , y, z)
⎪ε ( x , y, z)
⎪ Y
⎪⎪ε Z ( x , y, z)
6 ⎨ 6 geométricas
⎪γ XY ( x , y, z)
⎪γ XZ ( x , y, z)

⎪⎩γ YZ ( x , y, z)
142 4 43 4
COMPONENTES DE
DEFORMACOES

⎧σ X ( x , y, z)
⎪σ ( x , y, z)
⎪ Y
⎪⎪σ Z ( x , y, z)
6 ⎨
⎪τ XY ( x , y, z)
⎪τ XZ ( x , y, z)

⎪⎩τ YZ ( x , y, z)
142 4 43 4
COMPONENTES DE
TENSOES

___________________________________________________________________
Total: 15 incógnitas 9 equações

106
Como as componentes de deformação e as componentes de tensão estão relacionadas?
Esta relação depende das propriedades do sólido (meio continuo) em consideração. Aqui, será
considerada a classe específica dos sólidos elásticos, ou seja, aqueles que retornam à
configuração original com a remoção do carregamento. Mais ainda, serão considerados
somente os materiais que apresentem uma relação linear entre tensão-deformação ou seja, os
chamados materiais elásticos lineares.
O limite de tensão e deformação para o qual o comportamento do material é linearmente
elástico é chamado limite elástico (adiante será usado somente o termo elástico significando
elástico linear). A maioria dos materiais sólidos apresenta este comportamento até um certo
limite de tensão e de deformação.
As equações de equilíbrio e as relações deformação-deslocamento constituem 9 equações,
tendo sido introduzidas 15 incógnitas. Portanto, 6 equações adicionais, relacionando tensão e
deformação, serão desenvolvidas neste capitulo, de modo que o número total de equações seja
15 as quais, em conjunto com as condições de contorno prescritas representem as condições
que devem ser satisfeitas por um sólido elástico em equilíbrio.
Serão considerados somente os materiais homogêneos e isotrópicos. Como já mencionado
anteriormente, os materiais da engenharia são, do ponto de vista macroscópico, raramente
verdadeiramente isotrópicos e homogêneos.

4.2 – Equações constitutivas

Uma lei constitutiva representa um modelo matemático que descreve nossas idéias a respeito
do comportamento de um dado material. Portanto, o poder de um modelo constitutivo
depende da extensão que o fenômeno físico foi compreendido e simulado (Desai &
Siriwardane, 1984).
Equações constitutivas são as equações que relacionam tensão, deformação, taxa de tensão
(variação de tensão na unidade de tempo), e taxa de deformação, já que dependem das
propriedades do material do meio em discussão.
No caso dos sólidos elásticos lineares, as equações constitutivas mais simples utilizadas na
engenharia são lineares tais como a lei de Hooke generalizada que envolve somente tensão e
deformação e independe da taxa de tensão e da taxa de deformação. Estas leis são válidas
somente para uma classe limitada de materiais já que a maioria dos sistemas de engenharia é
não-linear e complexa.
A influência da resposta não linear se torna mais evidente no caso de materiais que são
influenciados por fatores tais como: o estado de tensão, tensões iniciais ou residuais,
variações de volume devidas a cisalhamento, trajetória de tensões, anisotropia (induzida ou
inerente), variação no estado físico e fluido nos poros (Desai & Siriwardane, 1984).
O estabelecimento de equações constitutivas pode-se basear em observações experimentais
em nível macroscópico ou a partir de teorias físicas de comportamento molecular (nível
microscópico).
A identificação das variáveis constitutivas relevantes para um determinado material não é
trivial. A seleção de propriedades pertinentes freqüentemente deve ser realizada com o auxílio

107
da experiência e da intuição. Uma vez identificadas as variáveis constitutivas pertinentes (ou
parâmetros), é necessário determinar a relação entre esses parâmetros (Desai & Siriwardane,
1984).

4.2.1 – Lei de Hooke

As relações lineares entre as componentes de tensão e as componentes de deformação são


conhecidas como Lei de Hooke. São admitidas as seguintes hipóteses quanto à natureza do
material:
a) o material é homogêneo;
b) o material é isotrópico;
c) o material é linearmente elástico.
Considere-se uma barra delgada e homogênea, com as faces paralelas aos eixos coordenados,
submetida à ação da tensão normal σx uniformemente distribuída sobre duas faces opostas,
como em um ensaio de tração:

σx x

z
y

σx

Figura 4.1 – Barra delgada e homogênea submetida à tensão normal uniformemente


distribuída

Até o limite de proporcionalidade, a seguinte relação é válida:

σx = E εx (4.1)

ou seja, a deformação εx é dada por:

σx
εx = (4.2)
E

108
Módulo de elasticidade
A constante E, denominada módulo de elasticidade longitudinal na tração ou módulo de
Young, pode ser determinada experimentalmente para um determinado material a partir de um
ensaio de tração em que são registrados simultaneamente os valores de tensão e de
deformação. O módulo de elasticidade E, específico para cada material, é o coeficiente
angular da parte linear do diagrama tensão-deformação obtido considerando-se os valores de
tensão no eixo das ordenadas e os valores de deformação no eixo das abscissas. Para a maioria
dos materiais, o módulo de elasticidade sob compressão é igual ao de tração.

Coeficiente de Poisson
Quando uma barra é tracionada, o alongamento axial é acompanhado por uma contração
lateral, isto é, a largura da barra torna-se menor e seu comprimento aumenta. Em todos os
materiais, o alongamento provocado por uma força P na direção dessa força é acompanhado
por contração em qualquer direção transversal. Assumindo que o material é homogêneo e
isotrópico, a deformação específica deverá ser a mesma para qualquer direção transversal. O
valor absoluto da relação entre as deformações específicas transversal e longitudinal é
constante na região elástica e é conhecida como coeficiente de Poisson, ν:

deformação transversal
ν= (4.3a)
deformação axial
ou,
εy εz
ν=− =− (4.3.b)
εx εx

Pela experiência sabe-se que o valor de ν varia, para diferentes materiais, numa faixa
relativamente estreita. Geralmente está na vizinhança de 0,25 a 0,35. Para muitos materiais o
coeficiente de Poisson pode ser tomado igual a 0,25. Em casos extremos ocorrem valores
baixos como 0,1 (alguns concretos) e elevados como 0,5 (borracha). Este último valor é o
maior possível para materiais isotrópicos, e é normalmente alcançado durante o escoamento
plástico significando constância de volume. O efeito de Poisson exibido pelos materiais não
causa tensões adicionais, a menos que a deformação transversal seja impedida (Popov, 1978).
Voltando ao paralelepípedo elementar, o alongamento na direção x é acompanhado por
componentes laterais de deformação (contrações) dadas por:

⎧ σx
⎪⎪ε y = − ν ε x = − ν E
⎨ (4.4)
⎪ε = − ν ε = − ν σ x
⎪⎩ z x
E

109
4.2.2 – Lei de Hooke generalizada

Para o regime de pequenas deformações, assume-se que a tensão é diretamente proporcional à


deformação do corpo.
A relação tensão-deformação para um estado 3-D relaciona as 6 componentes de tensão, σx,
σy, σz, τxy, τyz, τxz em um ponto com as 6 componentes de deformação, εx, εy, εz, γxy, γyz, γxz no
mesmo ponto.
Existem dois enfoques que podem ser utilizados na determinação das relações tensão-
deformação:

a) Enfoque matemático (Chou & Pagano, 1992):


A relação entre tensão e deformação é expressa através de equações lineares.

⎧σ x = C11 ε x + C12 ε y + C13 ε z + C14 γ xy + C15 γ yz + C16 γ xz



⎪σ y = C 21 ε x + C 22 ε y + C 23 ε z + C 24 γ xy + C 25 γ yz + C 26 γ xz
⎪σ = C ε + C ε + C ε + C γ + C γ + C γ
⎪ z 31 x 32 y 33 z 34 xy 35 yz 36 xz
⎨ (4.5)
⎪τ xy = C 41 ε x + C 42 ε y + C 43 ε z + C 44 γ xy + C 45 γ yz + C 46 γ xz
⎪τ = C ε + C ε + C ε + C γ + C γ + C γ
⎪ yz 51 x 54 y 53 z 54 xy 55 yz 56 xz
⎪⎩τ xz = C 61 ε x + C 62 ε y + C 63 ε z + C 64 γ xy + C 65 γ yz + C 66 γ xz

Os coeficientes Cij representam propriedades dos materiais (36 constantes elásticas do


material).
Cada componente de deformação também pode ser expressa como uma combinação linear das
componentes de tensão e, portanto, outras 36 constantes ficam definidas deste modo.

b) Enfoque semi-empírico
Algumas hipóteses são feitas, com base em evidências experimentais, para a maioria dos
materiais sob pequenas deformações:
i) uma tensão normal, σx, σy, ou σz, não provoca deformação cisalhante nos planos x,
y, z;
ii) uma tensão de cisalhamento, τxy, τyz ou τxz, não provoca deformação normal nos
planos x, y, z. Além disto, a componente de tensão τxy provoca somente uma componente de
deformação γxy. Analogamente, as componentes de tensão τyz e τxz provocam somente as
componentes de deformação γyz e γxz , respectivamente.

Se as componentes de deformação são quantidades pequenas (hipótese de deformações


infinitesimais), o princípio da superposição pode ser aplicado para determinar as
110
componentes de deformação provocadas por mais de uma componente de tensão. De acordo
com o princípio da superposição, “o efeito provocado em uma estrutura por determinado
carregamento combinado pode ser obtido determinando-se separadamente os efeitos dos
vários carregamentos e combinando-se os resultados obtidos”. Duas condições deverão ser
atendidas para a aplicação deste princípio (Beer & Johnston, 1996):
1 – Cada efeito é diretamente proporcional à carga que o produziu. Esta condição será
atendida se as tensões não ultrapassarem o limite de proporcionalidade do material.
2 - A deformação causada por qualquer dos carregamentos é pequena e não afeta as condições
de aplicação dos outros carregamentos. Neste caso, admite-se que as tensões em uma face não
provoquem deformação em outra face do elemento tal que altere o valor das tensões nesta
segunda face.
Considere-se um paralelepípedo elementar sob a ação somente de uma tensão normal σx:

σx σx

Figura 4.2 – Paralelepípedo elementar sob a ação de uma tensão normal σx

A deformação correspondente à aplicação de σx é:

σx
εx =
E

O encurtamento na direção x é acompanhado por componentes laterais de deformação


(expansão), de acordo com a equação 4.4:

σx
εy = −ν
E
σx
εz = − ν
E

Considere-se, agora, o elemento infinitesimal submetido a um estado de tensão triaxial, sendo


que o lado AB do paralelepípedo tem valor unitário (AB=1).

111
σy
σz

C
σx σx

A σ B
z

σy
Figura 4.3 - Elemento infinitesimal submetido a um estado de tensão triaxial

A componente de deformação εx é determinada assumindo-se que σx é aplicada em primeiro


lugar, o que faz com que o comprimento AB varie de uma quantidade igual a σ x E :

Δ AB Δ AB σ
ε (xσ x ) = = = Δ AB = x
AB 1 E

Logo, o lado AB passa a ter comprimento igual a:

σx
AB' = AB + Δ AB = 1 +
E

Aplicando, em seguida, a componente de tensão σy, a parcela de deformação normal na


direção x é:

(σy ) Δ AB' Δ AB' σy


εx = = = −ν
AB' 1 + σ x E E

A variação de comprimento do lado A’B’ devido à ação de σy é, então:

⎛ σy ⎞
Δ AB' = AB' ⎜⎜ − ν ⎟
⎝ E ⎟⎠
⎛ σ ⎞⎛ σy ⎞
Δ AB' = ⎜1 + x ⎟ ⎜⎜ − ν ⎟

⎝ E ⎠⎝ E ⎠

112
O termo ( σ E ) é a deformação elástica normal e, por ser muito pequeno em presença da
x

unidade, é desprezado. Portanto,

⎛ σy ⎞
Δ AB' = ⎜⎜ − ν ⎟

⎝ E ⎠

O comprimento inicial AB passa a ter o seguinte valor:

σx σy
AB' ' = AB' + Δ AB' = 1 + −ν
E E

Devido à aplicação de σz, a parcela de deformação normal εx devida à ação também desta
componente de tensão é:

Δ AB' ' Δ AB' ' σ


ε (xσ z ) = = = −ν z
AB' ' 1 + σ x E − ν σ y E E

de modo que:

⎛ σ ⎞
Δ AB' ' = AB' ' ⎜ − ν z ⎟
⎝ E ⎠
⎛ σ σy ⎞⎛ σ
Δ AB' ' = ⎜⎜ 1 + x − ν ⎟ ⎜ − ν z ⎞⎟

E ⎠⎝ E ⎠
⎝ E

Desprezando, mais uma vez, os termos de segunda ordem, obtém-se:

σz
Δ AB' ' = − ν
E

e, portanto, o comprimento inicial AB passa a ser:

AB' ' ' = AB' ' + Δ AB' '


σx σy σ
AB' ' ' = 1 + −ν −ν z
E E E

113
A deformação normal total εx devido à ação do estado triaxial de tensões é dada por:

AB' ' '− AB ⎛ σ x σy σ ⎞


εx = = ⎜⎜1 + −ν −ν z ⎟ −1

AB ⎝ E E E ⎠
ou seja,

εx =
1
E
[ (
σx − ν σ y + σz )] (4.6a)

As componentes de deformação normal, εy e εz, são obtidas de modo análogo de modo que:

εy =
1
E
[
σ y − ν (σ x + σ z ) ] (4.6b)

εz =
1
E
[ (
σz − ν σx + σ y )] (4.6c)

As relações tensão-deformação sob um estado de cisalhamento puro 2-D são determinadas


experimentalmente como sendo, no plano xy:

y
τxy

τxy
τxy x

τxy
Figura 4.4 – Elemento infinitesimal 2-D sob um estado de cisalhamento puro

1
γ xy = τ xy (4.7a)
G

Analogamente, para um estado de cisalhamento puro nos planos yz e xz, as componentes de


deformação são, respectivamente:

1
γ yz = τ yz (4.7b)
G
114
1
γ xz = τ xz (4.7c)
G

em que o módulo de elasticidade transversal, G, é dado por:

E
G= (4.8)
2 (1 + ν)

Ressalta-se, entretanto, que a discussão acima se limita ao comportamento de materiais


isotrópicos e homogêneos.
Foram introduzidas 3 constantes elásticas, E, ν e G, que governam as relações tensão
deformação para um material linear, elástico, isotrópico e homogêneo. Entretanto, somente
duas destas constantes são independentes

Demonstração (ver Chou e Pagano, 1992)


Considere-se o estado plano de tensão definido por σz = τxz = τyz = 0

y’ σy
τxy
x’

τxy
σx σx
τxy
α
τxy

σy
Figura 4.5 – Elemento infinitesimal sob estado plano de tensão definido por σ = τ = τ = 0
z xz yz

As componentes de deformação no plano xy são:

εx =
1
E
[σx − ν σy ] (a.1)

εy =
1
E
[
σy − ν σx ] (a.2)

1
γ xy = τ xy (a.3)
G
115
As componentes de tensão normal, referidas ao sistema coordenado x’y’, são obtidas a partir
das equações (2.12):

⎧ σx + σy σx − σy
⎪⎪σ x ' = + cos 2α + τ xy sin 2α
2 2
⎨ (a.4; a.5)
⎪σ = σ x + σy

σx − σy
cos 2α − τ xy sin 2α
⎪⎩ y ' 2 2

As equações de transformação das deformações são obtidas a partir das equações (3.28):

⎧ εx + εy εx − εy γ xy
⎪⎪ε x ' = + cos 2α + sin 2α
2 2 2
⎨ (a.6 ; a.7)
⎪ε = ε x + εy

εx − εy
cos 2α −
γ xy
sin 2α
⎪⎩ y ' 2 2 2

Devido à isotropia, as constantes elásticas referidas ao sistema x’y’ devem ser as mesmas que
às referidas ao sistema xy. As relações tensão-deformação em relação ao sistema x’y’ são:

ε x' =
1
E
[
σ x ' − ν σ y' ] (a.8)

ε y' =
1
E
[
σ y' − ν σ x ' ] (a .9)

1
γ x´y´ = τ xy (a.3)
G

Substituindo-se as equações (a.4), (a.5) e (a.6) na equação (a.8) e subtraindo-se a equação


resultante da equação que resulta da substituição de (a.4), (a 5) e (a.7) na equação (a.9), tem-
se que:

(ε x − ε y )cos 2α + γ xy sin 2α = E1 [(σ x − σ y )(1 + ν) cos 2α + 2 τ xy (1 + ν) sin 2α] (a 10)

Combinando as equações a.1 e a.2:

116
(ε x − ε y )cos 2α =
1
E
[( )
σ x − σ y (1 + ν) cos 2α ] (a 11)

Subtraindo a equação a.11 da equação a.10:

2 (1 + ν)
γ xy = τ xy (a 12)
E

Comparando-se as equações a.12 com a.3:

1 2 (1 + ν )
= (a 13)
G E
ou seja,
E
G= (4.8)
2 (1 + ν)

Logo, só existem duas constantes elásticas independentes para um material isotrópico.


Para um estado geral de tensão, as relações tensão-deformação, conhecidas por Lei de Hooke
generalizada, consistem nas equações 4.9. Salienta-se que estes resultados são válidos para o
caso de tensões que não excedam o limite de proporcionalidade do material e deformações
pequenas.

⎧ 1
[
⎪ε x = E σ x − ν (σ y + σ z ) ]

⎪ y E y
[
⎪ε = 1 σ − ν (σ + σ )
x z ]

[
⎪ε z = 1 σ z − ν (σ x + σ y )
⎪ E
]
⎨ (4.9)
⎪γ xy = 1 τ xy
⎪ G
⎪ 1
⎪γ yz = τ yz
⎪ G
⎪ 1
⎪γ xz = τ xz
⎩ G

As equações 4.9 podem ser resolvidas para as componentes de tensão em termos das
componentes de deformação resultando em:

117
⎧σ x = 2 G ε x + λ (ε x + ε y + ε z )

⎪σ y = 2 G ε y + λ (ε x + ε y + ε z )
⎪σ = 2 G ε + λ (ε + ε + ε )
⎪ z z x y z
⎨ (4.10)
⎪τ xy = G γ xy
⎪τ = G γ
⎪ yz yz
⎪⎩τ xz = G γ xz

em que as constantes G e λ são chamadas constantes de Lamé:

νE
λ= (4.11)
(1 + ν ) (1 − 2 ν)

Como definido no Capítulo 3, as direções nas quais as deformações cisalhantes são nulas são
chamadas direções principais de deformação e as deformações normais nestas direções são
chamadas deformações principais.
Se x, y e z são escolhidas como direções principais de tensões, então:

τ xy = τ yz = τ xz = 0 (4.12)

de modo que, a partir das equações 4.9, e considerando a equação 4.12, então:

γ xy = γ yz = γ xz = 0 (4.13)

o que indica que xyz são também eixos de deformações principais.


Portanto, para materiais isotrópicos, elásticos e lineares, os eixos principais de tensão e os
eixos principais de deformação coincidem.

4.3 – Módulo de variação volumétrica:

Uma outra constante elástica importante é o modulo de variação volumétrica. A importância


física desta constante pode ser observada com referência a um estado hidrostático de pressão
como mostrado na Figura 4.6:

118
z

p p

p p
y
dz p

dy dx

x p

Figura 4.6 – Cubo elementar sob estado hidrostático de pressão

Neste caso, tem-se que

σx = σ y = σz = p
(4.14)
τ xy = τ xyz = τ yz = 0

A partir das equações (4.9) são obtidas as componentes de deformação:


⎪ε x = E [(p) − ν (2p)] = E (1 − 2 ν ) p
1 1

⎪ε = 1 (1 − 2 ν ) p
⎪ y
⎨ E (4.15)

⎪ε z = (1 − 2 ν ) p
1
⎪ E
⎪⎩γ xy = γ yz = γ xz = 0

A dilatância ou deformação volumétrica, εv, definida como a variação unitária de volume


(variação de volume dividida pelo volume inicial), é dada pela equação (3.45):

εv = εx + εy + εz (3.45)

que, no caso de pressão hidrostática, substituindo-se os valores de εx, εy e εz dados em (4.15):

119
3
εv = (1 − 2ν) p (4.16a)
E
ou,
1
εv = p (4.16b)
K
em que,
1 3
= (1 − 2 ν) (4.17a)
K E
E
K= (4.17b)
3 (1 − 2 ν)

K – modulo de deformação volumétrica da elasticidade

Observa-se que K representa o valor da razão entre a pressão hidrostática, p, e a dilatância (ou
deformação volumétrica) resultante.
Se os valores de εx, εy e εz, dados pela equação 4.9, são substituídos na equação 3.46, a
deformação volumétrica para um estado de tensão qualquer é dada por:

εv =
1
E
[ ]
1
[ 1
] [
σ x − ν (σ y + σ z ) + σ y − ν (σ x + σ z ) + σ z − ν (σ x + σ y )
E E
]

εv =
1
E
[
σ x + σ y + σ z − 2 ν (σ x + σ y + σ z ) ]

1− 2ν
εv = (3 σ m ) (4.18)
E

3 (1 − 2 ν)
εv = σm
E

1
εv = σm
K

σm – componente de tensão hidrostática ou esférica.


εv e σm são quantidades invariantes com relação a qualquer sistema de eixos ortogonais.

120
Obs.: Foram definidas 5 constantes elásticas mas somente duas são independentes. As
constantes E e ν são facilmente determinadas experimentalmente para um dado material. As
constantes, G, λ e K podem ser obtidas a partir das relações (4.8), (4.11) e (4.17b),
respectivamente.

Resumindo:
As 6 relações tensão-deformação 4.9 ou, equivalentemente 4.10, completam o sistema de
equações necessário para formular um problema em elasticidade.
Foram desenvolvidas 15 equações:
- 3 de equilíbrio
- 6 relações deformação-deslocamento
- 6 relações tensão-deformação
que devem ser satisfeitas pelas:
- 3 componentes de deslocamento
- 6 componentes de tensão
- 6 componentes de deformação

Nota: As condições remanescentes que devem ser satisfeitas são expressas em termos das
forças de superfície externas e/ou deslocamentos prescritos.

4.4 – Princípio da superposição

Como foram admitidas as hipóteses de linearidade física, traduzida pelas relações lineares
entre tensão e deformação, expressas pela lei de Hooke, e de linearidade geométrica
(pequenas mudanças de configuração do sistema, traduzidas em relações deformação-
deslocamento lineares e equações de equilíbrio escritas com base na geometria inicial) no
comportamento estrutural, é válido o princípio da superposição. Ou seja, os efeitos (tensões,
deformações, deslocamentos) de diversas solicitações agindo simultaneamente são obtidos
pela superposição dos efeitos de cada uma atuando isoladamente (Villaça & Garcia, 1996).

121
4.5 –Exemplos

1 - Considere um ensaio no qual uma barra de alumínio com 60 mm de diâmetro é tracionada


em uma máquina de ensaio, como mostra a figura abaixo. Para uma força aplicada P=16000
kgf, o alongamento medido na barra é de 0,238 mm em um comprimento de 300 mm, e o
diâmetro diminui de 0,0149 mm. Calcular as duas constantes físicas E e ν do material (Popov,
1978).

L = 300 mm
P

Resolução
Deformação transversal

ΔD 0,0149
εt = = = 0,000248 mm / mm
D 60

Deformação axial
ΔL − 0,238
εa = = = − 0,000793 mm / mm
L 300

Coeficiente de Poisson

εt 0,000248
ν=− = = 0,313
ε a (−0,000793)

Área da seção transversal

π (60) 2
A= = 2827,4 mm 2
4

122
Tensão normal

P − 16000
σ= = = − 5,66 kgf / mm 2
A 2827,4

Módulo de elasticidade

σ − 5,66
E= = = 7137,5 kgf / mm 2
ε a − 0,000793

123
CAPÍTULO 5

FORMULAÇÃO DE PROBLEMAS EM ELASTICIDADE

5.1 - Introdução

O problema geral da teoria da elasticidade consiste em se resolver equações diferenciais de


equilíbrio no interior de um corpo, determinando-se, com base nas relações constitutivas do
material, o campo de deslocamentos e o campo de tensões atuantes que satisfaçam às
condições impostas no contorno.
Na teoria da elasticidade clássica, a determinação das equações governantes é feita admitindo-
se um comportamento linear para o material, ou seja, as relações entre tensão e deformação
são lineares, sendo válida a lei de Hooke generalizada, e que eventuais variações da geometria
do corpo devido às deformações são desprezíveis, de tal forma que as relações de equilíbrio
possam ser referidas à posição indeformada.
Portanto, a solução de um problema em elasticidade consiste na determinação das
componentes de tensão, deformação e deslocamentos como funções das coordenadas
espaciais cartesianas, xyz, do corpo elástico.
- Equações de equilíbrio:

⎧ ∂ σ x ∂ τ yx ∂ τ zx
⎪ + + + Px = 0
⎪ ∂x ∂y ∂z
⎪ ∂ τ xy ∂ σ y ∂ τ zy
⎨ + + + Py = 0 (2.110)
⎪ ∂x ∂y ∂z
⎪ ∂ τ xz ∂ τ yz ∂ σ z
⎪ ∂ x + ∂ y + ∂ z + Pz = 0

- Relações deformação-deslocamento:

∂ u( x ,y, z)
εx =
∂x
∂v( x , y,z)
εy =
∂y
∂w ( x, y,z)
εz =
∂z
∂ u ( x, y,z) ∂v( x ,y,z)
γ xy = +
∂y ∂x
∂ w ( x ,y,z) ∂v( x, y,z)
γ zy = +
∂y ∂z
∂ u ( x , y,z) ∂w ( x , y,z)
γ xz = + (3.15)
∂z ∂x

- Relações tensão-deformação – Lei de Hooke generalizada:

⎧σ x = 2 G ε x + λ (ε x + ε y + ε z )

⎪σ y = 2 G ε y + λ (ε x + ε y + ε z )
⎪σ = 2 G ε + λ (ε + ε + ε )
⎪ z z x y z
⎨ (4.10)
⎪τ xy = G γ xy
⎪τ = G γ
⎪ yz yz

⎪⎩τ xz = G γ xz

em que,
νE
λ= (4.11)
(1 + ν) (1 − 2 ν)

Estas 15 equações são as equações governantes para as 15 variáveis e devem ser satisfeitas
em todos os pontos do corpo elástico em equilíbrio.

NOTA: As equações de compatibilidade (equações 3.22) são obtidas a partir das relações
deformação-deslocamento (equações 3.15) e, portanto, não são contabilizadas como equações
governantes. As equações de compatibilidade serão automaticamente satisfeitas se as 15
equações governantes forem satisfeitas.

Neste capítulo serão apresentadas várias combinações de equações governantes que podem
ser empregadas para resolver vários tipos de problemas de contorno em elasticidade.
Qualquer conjunto de funções de tensão, deformação e deslocamento que satisfaça às
equações governantes representa a solução de algum problema em elasticidade. Entretanto,
para resolver um problema específico da elasticidade, um outro conjunto de condições deve
ser satisfeito: são as condições de contorno do problema. As condições de contorno
representam limitações na tensão, deformação e deslocamento nos contornos do corpo
investigado. Por exemplo, em uma viga engastada os deslocamentos e rotações são nulos no

125
engaste. As condições de contorno são, portanto, as condições que conectam um possível
campo de tensão com um problema específico.
A solução de um problema específico em elasticidade consiste então na determinação das
funções de tensão, deformação e deslocamento que satisfaçam às equações governantes e às
condições prescritas no contorno, que podem ser forças de superfície e/ou deslocamentos. A
solução que satisfaz todas estas condições é única.
As condições de carregamento de um problema em elasticidade são expressas prescrevendo-
se tanto as componentes de tensão quanto as componentes de deslocamento, ou uma
combinação de ambos, em cada superfície do corpo.
O caso de tensão prescrita em toda a superfície é denominado 1o problema de valor de
contorno. Se o deslocamernto é prescrito em toda a superfície, o problema é denominado 2o
problema de valor de contorno. Se tanto tensões quanto deslocamentos são prescritos no
contorno, o problema é conhecido como problema misto de valor de contorno.

5.2 – Condições de contorno

5.2.1 - Forças prescritas: 10 Problema de valor de contorno

Considere o corpo mostrado na Figura 5.1. A distribuição das forças de superfície (forças por
unidade de área: tensão) é especificada através de suas componentes, Tx, Ty, Tz. As
coordenadas dos pontos na superfície são designadas por x0, y0, z0.

y Ty F
Tx

y0

x
x0

Figura 5.1 – Forças de superfície 2-D

Isolando um tetraedro infinitesimal OABC, mostrado na Figura 5.1, com a face inclinada
coincidente com a superfície de contorno, as equações de equilíbrio de forças são dadas pelas
equações 2.30a:

126
⎧Tx = X = σ x 0 l + τ y 0 x 0 m + τ z 0 x 0 n

⎨ Ty = Y = τ x 0 y 0 l + σ y 0 m + τ z 0 y 0 n (5.1)
⎪ T = Z= τ
⎩ z x 0z 0 l + τ y0z0 m + σ z 0 n

em que Tx, Ty e Tz são as forças de superfície (por unidade de área) prescritas; σx0, σy0, σz0,
τx0y0, τx0z0, τy0z0 são as componentes de tensão determinadas a partir das equações
governantes e avaliadas no contorno no ponto (x0, y0, z0); e l, m e n são os cossenos diretores
da normal à superfície inclinada do tetraedro OABC com os eixos xyz.
Nos trechos da superfície de contorno onde a tensão é prescrita, as componentes de tensão
σx0, σy0, σz0, τx0y0, τx0z0, τy0z0 nos pontos da superfície (x0, y0, z0) devem satisfazer à equação
(5.1).

NOTA: As equações 5.1 são idênticas às equações 2.30a exceto que, neste caso, a superfície
inclinada está no contorno.

B n̂

Y X
τyz τxz σx
σy
τxy
τyx Z
O y
τzy C
τzx
σz
x A

Figura 5.2 – Tetraedro elementar no contorno

5.2.2 – Deslocamentos prescritos: 20 Problema de valor de contorno

Componentes de deslocamento podem ser prescritas na superfície ou em uma parte da


superfície de contorno. Nestes casos, são válidas as seguintes relações:

u ( x 0 , y0 , z0 ) = u p
v ( x 0 , y0 , z0 ) = vp (5.2)
w ( x 0 , y0 , z0 ) = w p

127
em que up, vp e wp são componentes de deslocamento prescritas no contorno e u(x0,v0,z0),
v(x0,v0,z0), e w(x0,v0,z0) são as funções de deslocamento do corpo avaliadas no contorno.

5.3 – Equações governantes em problemas 2-D

A análise numérica de problemas tridimensionais através, por exemplo, do método dos


elementos finitos, pode representar um custo computacional elevado além de demandar muito
tempo.
Situações práticas, entretanto, podem apresentar geometrias e carregamentos que reduzem os
problemas tridimensionais a problemas unidimensionais ou bidimensionais. Estas
simplificações são, sempre que possível, exploradas quando o método dos elementos finitos é
utilizado.

5.3.1 – Problemas de deformação plana

Problemas que envolvam um corpo longo, cuja geometria e carregamento não variem
significativamente na direção longitudinal, são denominados problemas de deformação plana.
Alguns exemplos deste tipo de problema são:
a) um semi-espaço infinito carregado, tal como uma fundação contínua em uma massa de solo
(Figura 5.3a);
b) um cilindro longo, tal como um túnel ou um duto enterrado (Figura 5.3b);
c) um muro de contenção carregado lateralmente (Figura 5.3c);
d) uma barragem de terra longa (Figura 5.3d).
Nestes problemas, as variáveis dependentes podem ser consideradas como sendo função
somente das coordenadas x e y, desde que se considere uma seção transversal distante das
extremidades (efeito de Cauchy).
Assumindo que a componente de deslocamento na direção z (direção longitudinal, de acordo
com as figuras), w, é nula em todas as seções transversais, consequentemente, as
componentes de deformação εz, γyz e γzx serão nulas. Portanto, existe um estado de
deformação plana quando as componentes de deslocamento no corpo têm a forma:

u = u(x,y)
v = v(x,y)
w = w(x,y) = 0 (5.3)

Ou seja, as únicas componentes de deslocamento, u e v, são funções somente das coordenadas


x e y.

128
espaço semi-infinito

a) Sapata corrida b) Cilindro longo

c) Muro de contenção d) Barragem de terra

Figura 5.3 – Exemplos práticos de problemas de deformação plana

Substituindo as equações 5.3 nas equações 3.15, obtêm-se as seguintes componentes de


deformação:

∂ u ( x , y)
εx =
∂x
∂v ( x ,y)
εy =
∂y
∂ u ( x, y) ∂v ( x ,y)
γ xy = +
∂y ∂x
ε z = γ yz = γ xz = 0 (5.4)

129
As relações tensão-deformação no estado de deformação plana, expressas em termos das
deformações (equação 5.5), e das tensões (equação 5.6) são dadas a partir da lei de Hooke
generalizada (equações 4.9 e 4.10 ) como:

⎧ 1
[ ]
⎪ε x = ε x ( x, y) = E σ x − ν (σ y + σ z )

y [
⎪ε = ε ( x, y) = 1 σ − ν (σ + σ )
⎪ y y x z ]
⎨ E (5.5)
⎪ 1
⎪γ xy = γ xy ( x, y) = τ xy
⎪ G
⎪⎩ε z = γ yz = γ xz = 0

⎧σ x = 2 G ε x + λ (ε x + ε y )

⎪σ y = 2 G ε y + λ (ε x + ε y )
⎨ (5.6)
⎪τ xy = G γ xy
⎪τ = τ = 0
⎩ yz xz

Apesar de não existir deformação na direção longitudinal (εz=0), existe uma componente de
tensão nesta direção (σz≠0):

σ z = λ (ε x + ε y ) (5.7)

Pode-se expressar a equação 5.7 em função das tensões no plano xy, σx e σy. Para isto, é só
substituir as equações 5.4 e 4.11 em 5.7, de modo que:

130
σz =
νE 1
(1 + ν) (1 − 2ν ) E
[
σx − ν σ y − ν σz + σ y − ν σx − ν σz ]
σz =
ν
(1 + ν) (1 − 2ν)
[
(σ x + σ y ) (1 − ν) − 2 ν σ z ]
ν (1 − ν ) 2ν2
σz = (σ x + σ y ) − σz
(1 + ν ) (1 − 2ν ) (1 + ν) (1 − 2ν)
⎛ 2ν2 ⎞ ν (1 − ν)
σ z ⎜⎜1 + ⎟=
⎟ (1 + ν) (1 − 2ν) (σ x + σ y ) (5.8)
⎝ (1 + ν ) (1 − 2ν ) ⎠
⎛ (1 + ν) (1 − 2ν) + 2 ν 2 ⎞ ν (1 − ν)
σ z ⎜⎜ ⎟=
⎟ (1 + ν) (1 − 2ν) (σ x + σ y )
⎝ (1 + ν ) (1 − 2 ν ) ⎠
σ z (1 − 2ν + ν − 2 ν 2 + 2 ν 2 ) = ν (1 − ν) (σ x + σ y )
σ z (1 − ν ) = ν (1 − ν) (σ x + σ y )

σ z = ν (σ x + σ y ) (5.9)

Escrevendo a lei de Hooke generalizada, no caso de deformação plana, na forma matricial


(lembrando: material isotrópico):

⎧σx ⎫ ⎡ ⎤
⎢1− ν ν 0 ⎥ ⎧ εx ⎫
⎪ ⎪ E ⎪ ⎪
⎨σy ⎬ = ⎢ ν 1− ν 0 ⎥ ⎨ εy ⎬ (5.10)
⎪τ ⎪ (1 + ν) (1 − 2ν) ⎢ 0 1 − 2ν ⎥ ⎪ ⎪
⎩ xy ⎭ ⎢ 0 ⎥ γ xy
⎣ 2 ⎦⎩ ⎭

σ z = λ (ε x + ε y ) = ν (σ x + σ y ) (5.11)

NOTA: em um problema de deformação plana, as únicas componentes de tensão


independentes são σx, σy e τxy. A componente σz é dependente de σx e σy.

Equações de equilíbrio:
Como σz não é variável independente (é calculada a partir de σx, σy ou de εx e εy), não é
necessário que seja incluída como uma quantidade desconhecida nas equações de equilíbrio,
mesmo sendo uma quantidade não nula. Portanto, para que o caso de deformação plana, as
equações de equilíbrio escrevem-se a partir das equações 2.110:

131
⎧ ∂ σ x ∂ τ yx
⎪ + + Px = 0
⎪ ∂ x ∂ y
⎪⎪ ∂ τ xy ∂ σ y
⎨ + + Py = 0 (5.12)
⎪ ∂ x ∂ y
⎪Pz = 0

⎪⎩

NOTAS:
- para que exista um estado de deformação plana não poderá existir componente de força de
massa, Pz, na direção z (longitudinal);
- além da restrição de que Pz=0, para que exista um estado de deformação plana, o corpo deve
ser longo e as forças de superfície prescritas devem ser independentes de z e não ter
componentes em z;
- os corpos cilíndricos (prismáticos) podem ter comprimento infinito ou finito com
extremidades fixas (Figura 5.3). O termo ‘fixas’ refere-se a superfícies rígidas sem atrito (de
modo que τzx = τzy = 0) normais ao eixo do cilindro.
- se o corpo tem comprimento infinito e está carregado por forças que satisfaçam às restrições
mencionadas anteriormente, todas as seções transversais são planos de simetria e, portanto, o
deslocamento w é identicamente nulo;
- se o corpo tem comprimento finito, com extremidades fixas, as condições de contorno nas
extremidades são:
⎧⎪w p = w ( x, y, 0) = w ( x , y, l) = 0
⎨ (5.13)
⎪⎩τ x 0 y 0 = τ y 0 z 0 = 0

As únicas condições de contorno necessárias para um problema de deformação plana são


aquelas especificadas na superfície lateral.
As forças de superfície prescritas na superfície lateral (que são função somente de x e y) são
expressas:

⎧Tx = Tx ( x 0 , y 0 )

⎨Ty = Ty ( x 0 , y 0 ) (5.14)

⎩Tz = 0

Como na superfície lateral n=0, então as condições de contorno (das equações 5.1) são:

132
⎧Tx ( x 0 , y 0 ) = σ x 0 l + τ x 0 y 0 m

⎨Ty ( x 0 , y 0 ) = τ x 0 y 0 l + σ y 0 m (5.15)

⎩Tz = 0

Se os deslocamentos são prescritos na superfície lateral:

⎧⎪u ( x 0 , y 0 ) = u p
⎨ (5.16)
⎪⎩v ( x 0 , y 0 ) = v p

A solução de um problema de deformação plana consiste na determinação de 8 variáveis: σx,


σy, τxy, εx, εy, γxy, u e v que satisfaçam às equações 5.12, 5.5 e 5.6 e às condições de contorno,
equações 5.15 ou 5.16.

5.3.1.1 – Formulação em deslocamentos do problema de estado plano de deformação

As oito equações governantes necessárias para o cálculo das oito incógnitas podem ser
reduzidas a duas equações em termos das componentes de deslocamento u e v.
Substituindo as componentes de deformação (equações 5.5) nas relações tensão-deformação
dadas pelas equações 5.6 obtêm-se:

⎛∂u ∂v ⎞ ∂u
σ x = λ ⎜⎜ + ⎟⎟ + 2 G
⎝∂x ∂y ⎠ ∂x
⎛∂u ∂v ⎞ ∂v
σ y = λ ⎜⎜ + ⎟⎟ + 2 G (5.17)
⎝ ∂ x ∂y ⎠ ∂y
⎛∂u ∂v ⎞
τ xy = G ⎜⎜ + ⎟⎟
⎝∂y ∂x ⎠

Combinando as equações 5.17 com as equações de equilíbrio (em deformação plana) 5.18:
∂ ⎛∂u ∂v⎞
G ∇ 2 u + (λ + G ) ⎜ + ⎟ + Px = 0
∂ x ⎜⎝ ∂ x ∂ y ⎟⎠
(5.18)
∂ ⎛∂u ∂v⎞
G ∇ v + (λ + G )
2
⎜ + ⎟ + Py = 0
∂ y ⎜⎝ ∂ x ∂ y ⎟⎠

∂2 ∂2
em que ∇ 2 = + .
∂ x 2 ∂ y2

133
As equações 5.18 são a forma mais conveniente para as equações governantes do 20 problema
de valor de contorno em elasticidade para estado de deformação plana.

5.3.1.2 – Formulação em tensões do problema de estado plano de deformação

O sistema de oito equações pode também ser reduzido a três equações em termos das
componentes de tensão, σx, σy e τxy.
No estado plano de deformação (εz = 0) tem-se, da equação 5.7, que:

σ z = ν (σ x + σ y ) (5.7)

e, portanto, a lei de Hooke pode ser expressa, neste caso, em termos das deformações como:

⎧ 1
[ ( ( 1
))] [
⎪ε x = E σ x − ν σ y + ν σ x + σ y = E (1 − ν ) σ x − ν (1 + ν) σ y
2
]

⎪ 1
E
[ ( ( 1
))] [
⎨ε y = σ y − ν σ x + ν σ x + σ y = (1 − ν ) σ y − ν (1 + ν) σ x
E
2
] (5.19)

⎪ 1 2(1 + ν)
⎪γ xy = G τ xy = τ xy
⎩ E

Da equação 3.22 de compatibilidade:

∂ 2ε x ∂ 2ε y ∂ 2 γ xy
+ = (3.22)
∂ y2 ∂ x2 ∂x∂y

Derivando a 1a equação 5.18 duas vezes em relação a x; a 2a, duas vezes em relação a y; e a
3a, em relação a x e y, e substituindo os resultados das diferenciações em 3.22:

1 ⎡ ⎛ 2
2 ⎜ ∂ σx
∂2 σy ⎞ ⎛ 2
⎟ − ν (1 + ν) ⎜ ∂ σ x +
∂2 σy ⎞⎤ 2(1 + ν) ∂ 2 τ xy
⎟⎥ =
⎢(1 − ν ) +
E ⎢ ⎜ ∂ y2 ∂ x2 ⎟ ⎜ ∂ x2 ∂ y2 ⎟⎥ E ∂x∂y (5.20a)
⎣ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠⎦

Colocando (1+ν) em evidência:

134
⎛ ∂2 σ ∂2 σy ⎞ ⎛ ∂2 σ ∂2 σy ⎞ ∂ 2 τ xy
(1 − ν ) ⎜ x
+ ⎟−ν ⎜ x
+ ⎟=2 (5.20b)
⎜ ∂ y2 ∂ x2 ⎟ ⎜ ∂ x2 ∂ y2 ⎟ ∂x∂y
⎝ ⎠ ⎝ ⎠

Derivando as equações de equilíbrio do estado plano de deformação (equações 5.11), a 1a em


relação a x e a 2a em relação a y, e somando os resultados:

⎧∂ 2σ ∂ 2 τ xy ∂ Px
⎪ x
+ + =0
⎪ ∂x
2
∂x∂y ∂x
+⎨
⎪ ∂ τ xy ∂ σ y ∂ Py
2 2

⎪ ∂x∂y + +
∂y
=0
⎩ ∂ y2
____________________________ (5.21)
⎛ ∂ 2σ ∂ 2 σ y ∂ Px ∂ Py ⎞ ∂ 2 τ xy
− ⎜ x
+ + + ⎟=2
⎜ ∂ x2 ∂ y 2
∂ x ∂y ⎟ ∂x∂y
⎝ ⎠

Substituindo a equação5.21 na equação 5.20b obtem-se a equação de compatibilidade em


termos das tensões:

⎛ ∂2 ∂2 ⎞ 1 ⎛ ∂ Px ∂ Py ⎞
⎜ + ⎟ (σ x + σ y ) = − ⎜ ⎟
⎜ ∂ x 2 ∂ y2 ⎟ − ν ⎜ ∂x + ∂y ⎟ (5.22a)
⎝ ⎠ (1 ) ⎝ ⎠
ou,
1 ⎛ ∂ Px ∂ Py ⎞
∇ 2 (σ x + σ y ) = − ⎜ + ⎟ (5.22b)
(1 − ν ) ⎜⎝ ∂ x ∂y ⎟

A equação 5.22b é a forma mais conveniente para o 10 problema de valor de contorno em


elasticidade para estado de deformação plana.
As equações 5.12 e 5.22b, juntamente com as condições de contorno fornecem um sistema de
equações para a completa determinação da distribuição de tensões, σx, σy, τxy em um
problema de deformação plana.
As componentes de tensão em qualquer corpo em estado de deformação plana deve satisfazer
às equações de equilíbrio 5.12 e de compatibilidade 5.22b e às condições prescritas no
contorno.
Determinada a solução para as componentes de tensão, as componentes de deformação podem
ser obtidas a partir da lei de Hooke e as componentes de deslocamento a partir das relações
deformação-deslocamento. Um resumo do desenvolvimento das equações é mostrado no
Quadro 5.1.

135
QUADRO 5.1 - Desenvovimento das equações do estado de deformação plana

u=u(x,y), v=v(x,y), w=0

⎧ ∂ σ x ∂ τ yx
⎪ + + Px = 0
⎪ ∂x ∂y
→ 2 equilíbrio (5.12) ⎨
⎪ ∂ τ xy + ∂ σ y + P = 0
⎪⎩ ∂ x ∂y
y

⎧σ x = 2 G ε x + λ (ε x + ε y )

→ 3 lei de Hooke (5.6) ⎨σ y = 2 G ε y + λ (ε x + ε y )

⎩τ xy = G γ xy

∂u ∂v ∂ u ∂v
→ 3 deformação-deslocamento (5.5) εx = ; εy = ; γ xy = +
∂x ∂y ∂y ∂x
_______________________________
Total: 8 equações

σx, σy, τxy, εx, εy, γxy, u, v

→ 2 equilíbrio (5.12) → 2 equilíbrio (5.12)

→ 3 lei de Hooke (5.3) → 3 tensão-deslocamento (5.17)


______
→ 1 compatib. (deform.) (3.22) Total: 5 equações
______
Total: 6 equações σx, σy, τxy, u, v

σx, σy, τxy, εx, εy, γxy

→ 2 equilíbrio (5.12) → 2 equilíbrio em termos dos


deslocamentos (5.18)
→ 1 compatib. (tensão) (5.22)
______ ∂ ⎛∂u ∂v⎞
G∇ 2 u + (λ + G ) ⎜ + ⎟ + Px = 0
Total: 3 equações ∂ x ⎜⎝ ∂ x ∂ y ⎟⎠

1 ⎛ ∂ Px ∂ Py ⎞ ∂ ⎛∂u ∂v⎞
∇ 2 (σ x + σ y ) = − ⎜ + ⎟⎟ G∇ 2 v + (λ + G ) ⎜ + ⎟ + Py = 0
1 − ν ⎜⎝ ∂ x ∂ y ∂ y ⎜⎝ ∂ x ∂ y ⎟⎠

σx, σy, τxy u, v


εz = γxz = γyz = τxz = τyz = 0
σz = ν (σx + σy)

136
5.3.2 – Problemas de tensão plana

Neste problemas, a distribuição de tensões é essencialmente bidimensional.


A condição de tensão plana é caracterizada por uma dimensão muito pequena na direção z
quando comparada às dimensões em x e y. Uma placa fina carregada no seu próprio plano é o
exemplo mais conhecido para uma aproximação em tensão plana (Figura 5.4). Considera-se
que não existem cargas aplicadas na superfície da placa, e portanto, τxz = τzx = τyz = τzy = 0
nas superfícies da placa e σz=0 ao longo da espessura.

Placa fina com carga atuante no plano

Figura 5.4 – Exemplo de problema de tensão plana

Como não se admitem forças atuando nas faces externas perpendiculares ao eixo z, nem
segundo esta direção, pode-se considerar que um estado de tensão plana existe quando as
componentes de tensão têm a forma:

⎧σ x = σ x ( x, y)
⎪σ = σ ( x, y)
⎪ y y
⎨ (5.23)
⎪τ xy = τ xy ( x, y)
⎪τ = τ = σ = 0
⎩ xz yz z

ou seja, as componentes de tensão são função das coordenadas x e y somente.


As equações de equilíbrio no estado plano de tensão são dadas pelas equações 5.24:

137
⎧ ∂ σ x ∂ τ yx
⎪ + + Px = 0
⎪ ∂x ∂y
⎨ (5.24)
⎪ ∂ τ xy + ∂ σ y + P = 0
⎪ ∂x ∂y
y

em que as forças de massa Px e Py são funções de x e y somente, e Pz deve ser nula, para que
exista um estado de deformação plana.
As relações deformação-deslocamento (lei de Hooke) neste caso são:

⎧ 1
[
⎪ε x = ε x ( x, y) = E σ x − ν σ y ]

⎪ε = ε ( x, y) = 1 σ − ν σ
⎪ y y
E
[
y x ]

⎪ γ = γ ( x , y) = 1 τ
⎨ xy xy
G
xy (5.25)

⎪γ xz = γ yz = 0

[
⎪ε z = ε z ( x, y) = − ν σ x + σ y
⎪ E
]

Deve-se observar que, apesar de não existir componente de tensão na direção z, existe uma
componente de deformação nesta direção (εz≠0), bastando que se faça σz=0 na equação 4.9 da
lei de Hooke generalizada para se obter ε z = −
ν
E
[
σx + σy . ]
A componente de deformação εz não aparece nas equações governantes do estado plano de
tensão já que não é considerada uma incógnita.
As relações defomação-deslocamento são dadas pelas equações:

⎧ ∂ u ( x , y)
⎪ε x ( x, y) =
⎪ ∂x
⎪ ∂v ( x, y)
⎨ε y ( x, y) = (5.26)
⎪ ∂y
⎪ ∂ u ( x, y) ∂v ( x, y)
⎪γ xy ( x, y) = +
⎩ ∂y ∂x

Foram formuladas, portanto, 8 equações (5.24, 5.25 e 5.26), em termos de 8 quantidades


desconhecidas: σx, σy, τxy, εx, εy, γxy, u, v. As equações de equilíbrio (5.24) e as relações
138
deformação-deslocamento (5.26) são idênticas nos problemas de deformação plana e tensão
plana. Entretanto, as equações da lei de Hooke são diferentes:
i) deformação plana (plane strain): εz = 0 e σz ≠ 0
ii) tensão plana (plane stress): εz ≠ 0 e σz = 0
Do mesmo modo que foi feito para o caso de deformação plana, o sistema de equações
governantes será reduzido a um sistema com um menor número de variáveis através da
formulação em tensões e em deslocamentos.

5.3.2.1 – Formulação em tensão do problema de estado plano de tensão

Substituindo as equações 5.25 da lei de Hooke nas equações de compatibilidade 3.22 e


combinando com as equações de equilíbrio 5.24, obtem-se a equação de compatibilidade em
termos das tensões. Das equações 5.25:

⎧∂ 2ε 1 ⎡ ∂ 2σx ∂ 2σ y ⎤
⎪ 2 = ⎢
x
−ν ⎥
⎪∂y E ⎢⎣ ∂ y 2 ∂ y 2 ⎥⎦
⎪ 2
⎪∂ ε y 1 ⎡∂ σy ∂ 2σ x ⎤
2

⎨ 2 = ⎢ −ν ⎥ (5.27)
⎪∂x E ⎣⎢ ∂ x 2 ∂ x 2 ⎦⎥
⎪ 2
⎪ ∂ γ xy = 1 ∂ τ xy = 2 (1 + ν ) ∂ τ xy
2 2

⎪∂ x ∂ y G ∂ x ∂ y E ∂x∂y

Substituindo as equações 5.27 nas equações 3.22:

1 ⎡ ∂ 2σ x ∂ 2σ y ∂ 2σ y ∂ 2 σ x ⎤ 2 (1 + ν) ∂ τ xy
2

⎢ − ν + − ν ⎥ =
E ⎢⎣ ∂ y 2 ∂ y2 ∂ x2 ∂ x 2 ⎥⎦ E ∂x∂y
(5.28)
∂ ∂ 2 τ xy
(σ x − ν σ y )+ ∂ 2 (σ y − ν σ x )= (1 + ν) 2
2 2

∂y 2
∂x ∂x∂y

Das equações 5.24 obtem-se:

∂ 2 τ xy ⎛ ∂ 2σ ∂ 2 σ y ∂ Px ∂ Py ⎞
2 =− ⎜ x
+ + + ⎟ (5.29)
∂x∂y ⎜ ∂ x2 ∂ y 2
∂ x ∂y ⎟
⎝ ⎠

que, substituída em 5.28 fornece:


139
∂2
(σ − ν σ + (1 + ν ) σ ) +
∂2
(σ y − ν σ x + (1 + ν) σ x )= − (1 + ν) ⎛⎜⎜ ∂ Px + ∂ Py ⎞
⎟⎟
∂y ∂x ⎝ ∂x ∂y
2 x y y 2

∂2
(σ + σ ) +
∂2
(σ x + σ y )= − (1 + ν) ⎛⎜⎜ ∂ Px + ∂ Py ⎞
⎟⎟
∂y ∂x ⎝ ∂x ∂y
2 x y 2

ou seja,
⎛ ∂ P ∂ Py ⎞
∇ 2 (σ x + σ y )= − (1 + ν) ⎜⎜ x + ⎟⎟ (5.30)
⎝ ∂x ∂y ⎠

As equações 5.30 em conjunto com as equações de equilíbrio (5.24) são as equações


governantes para as 3 componentes de tensão σx, σy, τxy.

5.3.2.2 – Formulação em deslocamento do problema de estado plano de tensão

Considerando as oito equações governantes para as oito variáveis, 5.24, 5.25 e 5.26 e
eliminando as componentes de deformação das equações 5.25 e 5.26, fica-se com:

⎧ ∂u 1
⎪ = (σ x − ν σ y )
⎪ ∂ x E
⎪ ∂v 1
⎨ = (σ y − ν σ x ) (5.31)
⎪∂ y E
⎪ ∂ u ∂v 1
⎪ + = τ xy
⎩ ∂ y ∂ x G

Manipulando matematicamente as equações 5.31 tem-se:

⎧ ⎛∂u ∂v⎞
⎪σ x =
E
ε( + ν ε =) E
⎜⎜ +ν ⎟
∂ y ⎟⎠
⎝∂x
x y
⎪ 1− ν2 1− ν2
⎪ ⎛∂v ∂u⎞

⎨σ y =
E
(
εy + ν εx = ) E
⎜⎜ +ν ⎟
∂ x ⎟⎠
(5.32)
1− ν 1− ν2 ⎝∂y
2

⎪ ⎛ ⎞
⎪τ xy = G γ xy = G ⎜ ∂ u + ν ∂ v ⎟
⎜ ∂ x ⎟⎠
⎪⎩ ⎝∂y

140
A substituição das equações 5.32 em 5.24 dá origem às seguintes equações de equilíbrio em
termos de deslocamentos (equação de Navier) para tensão plana:

⎧ E ∂ ⎛∂u ∂v⎞
⎪G ∇ u +
2
⎜⎜ + ⎟⎟ + Px = 0
⎪ 2 (1 − ν) ∂ x ⎝∂x ∂y⎠
⎨ (5.33)
⎪G ∇ 2 v + E ∂ ⎛∂u ∂v⎞
⎜⎜ + ⎟⎟ + Py = 0
⎪ 2 (1 − ν) ∂ y
⎩ ⎝∂x ∂y⎠

O desenvolvimento das equações governantes está resumido no Quadro 5.2. Os quadros à


esquerda fornecem a formulação em tensões e os quadros à direita, a formulação em
deslocamentos.

141
Quadro 5.2 - Desenvovimento das equações do estado de tensão plana

σx = σx (x,y), σy = σy (x,y), τxy = τxy(x,y)


τxz = τyz = σz = 0

→ 2 equilíbrio (5.24)

→ 3 deformação-deslocamento (5.26)

→ 3 lei de Hooke (5.5)


________________________
Total: 8 equações

σx, σy, τxy, εx, εy, γxy, u, v

→ 2 equilíbrio (5.24) → 2 equilíbrio (5.24)

→ 1 compatib. (deform.) (3.22) → 3 tensão-deslocamento (5.32)


______
→ 3 lei de Hooke (5.25) Total: 5 equações
______
Total: 6 equações

σx, σy, τxy, εx, εy, γxy σx, σy, τxy, u, v

→ 2 equilíbrio (5.20) → 2 equilíbrio em termos dos


deslocamentos (5.33)
→ 1 compatib. (tensão) (5.29)
______
Total: 3 equações u, v

σx, σy, τxy

142
5.3.3 – Problemas axissimétricos

Problemas que envolvem um corpo cujas geometria e condições de carregamento e de


contorno sejam simétricas em relação a um eixo axial são denominados problemas
axissimétricos. Alguns exemplos deste tipo de problemas são mostrados na Figura 5.5

a) Cilindro submetido a carregamento axissimétrico

b) Sapata circular sobre uma massa de solo

Figura 5.5 – Exemplos de problemas axissimétricos

5.4 – Equações governantes em problemas 3-D

Nos problemas tridimensionais, as equações governantes são, em coordenadas cartesianas:


i) 3 equações de equilíbrio (2.110);
ii) 6 relações deformação-deslocamento (3.15);
iii) 6 relações tensão-deformação (lei de Hooke) (4.9) ou (4.10).
Isto é, 15 equações para resolver 15 incógnitas: σx, σy, σz, τxy, τxz , τyz, εx, εy, εz, γxy, γxz, γyz, u,
v, w.

143
O método de solução consiste em encontrar expressões para as componentes de tensão (6
incógnitas), de deformação (6 incógnitas) e de deslocamento (3 incógnitas) que satisfaçam
estas equações e também às condições prescritas no contorno (em tensões ou em
deslocamentos).
Entretanto, este sistema de equações não é conveniente. Pode-se reduzi-lo a sistemas de
equações mais convenientes para os vários tipos de problemas de valor de contorno
(semelhante ao que foi feito para os problemas de deformação plana e tensão plana).

5.4.1 – Formulação em deslocamentos

Substituindo as equações 3.15 em 4.10 são obtidas 6 relações tensão-deslocamento:

⎧ ∂u
⎪σ x = λ ε + 2 G ∂ x

⎪ ∂v
⎪σ y = λ ε + 2 G ∂ y

⎪ ∂w
⎪σ z = λ ε + 2 G
⎪ ∂z
⎨ ⎛∂u ∂v⎞
(5.34)
⎪τ xy = G ⎜⎜ +ν ⎟
⎪ ⎝∂y ∂ x ⎟⎠

⎪τ = G ⎛⎜ ∂ w + ν ∂ v ⎞⎟
⎪ yz ⎜ ∂y ∂ z ⎟⎠
⎪ ⎝
⎪ ⎛∂w ∂u⎞
⎪τ xz = G ⎜⎜ +ν ⎟
⎩ ⎝ ∂x ∂ z ⎟⎠

que, juntamente com as 3 equações de equilíbrio, fornece um sistema de 9 equações para 9


incógnitas (3 componentes de deslocamento e 6 componentes de tensão). Resolvendo o
sistema para as 9 incógnitas, as componentes de deformação podem ser determinadas a partir
das relações deformação-deslocamento (equações 3.15) ou da lei de Hooke generalizada
(equações 4.10).
Estas 9 equações podem ser ainda reduzidas a 3 equações em termos das componentes de
deslocamento. Substituindo as equações 5.34 nas equações de equilíbrio 2.110 obtêm-se:

144
(λ + G ) ∂ ε + G ∇ 2 u + Px = 0
∂x

(λ + G ) ∂ ε + G ∇ 2 v + Py = 0 (5.35)
∂y

(λ + G ) ∂ ε + G ∇ 2 w + Pz = 0
∂z

em que:
∂u ∂v ∂w
ε = εx + εy + εz = + + (5.36)
∂x ∂y ∂z

As equações 5.35 são denominadas equações de equilíbrio em deslocamentos ou equações de


Navier. Se este sistema de equações é usado na solução de um problema em que as forças de
superfície são prescritas em uma parte da superfície de contorno, então é conveniente
expressar o lado direito das equações de equilíbrio no contorno (5.1) em termos de derivadas
dos deslocamentos, ou seja:

⎧ ⎛ ∂u ∂u ∂u ⎞ ⎛ ∂u ∂v ∂w ⎞
⎪Tx = λ ε l + G ⎜⎜ l+ m+ n ⎟⎟ + G ⎜⎜ l+ m+ n⎟
⎪ ⎝∂x ∂y ∂z ⎠ ⎝∂x ∂x ∂ x ⎟⎠
⎪⎪ ⎛ ∂v ∂v ∂v ⎞ ⎛∂u ∂v ∂w ⎞
⎨Ty = λ ε m + G ⎜⎜ l+ m+ n ⎟⎟ + G ⎜⎜ l+ m+ n ⎟⎟
⎪ ⎝ ∂ x ∂ y ∂ z ⎠ ⎝ ∂ y ∂ y ∂ y ⎠ (5.37)
⎪ ⎛ ⎞ ⎛ ⎞
⎪Tz = λ ε n + G ⎜ ∂ w l + ∂ w m + ∂ w n ⎟ + G ⎜ ∂ u l + ∂ v m + ∂ w n ⎟
⎜ ⎟ ⎜ ∂ z ⎟⎠
⎪⎩ ⎝ ∂x ∂y ∂z ⎠ ⎝ ∂z ∂z

Obtidas as componentes de deslocamento u, v e w, as componentes de deformação e de tensão


podem ser obtidas, respectivamente, através das equações 3.15 e 4.10.

5.4.2 – Formulação em tensões

Um outra maneira de se reduzir o número de equações e de variáveis em um problema 3-D é a


de eliminar todas as variáveis, com exceção das componentes de tensão. A partir das 6
equações de compatibilidade (3.23), equivalentes a 3 equações de compatibilidade
independentes de 4a ordem, e juntamente com as equações de equilíbrio (2.110) e das relações
tensão-deformação (4.9, 4.10) chega-se a:

145
1 ∂ 2Θ ν ⎡ ∂ Px ∂ Py ∂ Pz ⎤ ∂ Px
∇ 2σ x + = − ⎢ + + ⎥ − 2
1+ ν ∂ x2 1− ν ⎣ ∂ x ∂y ∂z ⎦ ∂x
1 ∂ 2Θ ν ⎡ ∂ Px ∂ Py ∂ Pz ⎤ ∂ Py
∇ 2σ y + = − ⎢ + + ⎥ − 2
1 + ν ∂ y2 1− ν ⎣ ∂ x ∂y ∂z ⎦ ∂y
1 ∂ 2Θ ν ⎡ ∂ Px ∂ Py ∂ Pz ⎤ ∂ Pz
∇ 2σz + =− ⎢ + + ⎥−2
1+ ν ∂ z 2
1− ν ⎣ ∂ x ∂y ∂z ⎦ ∂z
(5.38)
1 ∂ 2Θ ⎡ ∂ P ∂ Py ⎤
∇ 2 τ xy + =−⎢ x + ⎥
1+ ν ∂ x ∂ y ⎣ ∂y ∂x ⎦
1 ∂ 2Θ ⎡∂ P ∂ P ⎤
∇ 2 τ xz + =−⎢ x + z ⎥
1+ ν ∂ x ∂ z ⎣ ∂z ∂x ⎦
1 ∂ 2Θ ⎡ ∂ P ∂ Py ⎤
∇ τ yz +
2
=−⎢ z + ⎥
1+ ν ∂ y∂ z ⎣ ∂y ∂z ⎦
em que,

Θ = σx + σy + σz (5.39)

As 6 relações 5.38 são chamadas equações de compatibilidade em tensões ou equações de


compatibilidade de Beltrami-Michell.
O desenvolvimento das equações da elasticidade 3-D está resumido no Quadro 5.3. Os
quadros à esquerda dizem respeito à formulação em tensões e os da direita, à formulação em
deslocamentos.

146
Quadro 5.3 - Desenvovimento das equações tridimensionais

→ 3 equilíbrio (2.110)

→ 6 deformação-deslocamento (3.15)

→ 6 lei de Hooke (4.10)


________________________
Total: 15 equações

σx, σy, σz, τxy, τxz, τyz, εx, εy, εz, γxy, γxz, γyz, u, v, w

→ 3 equilíbrio (2.110) → 3 equilíbrio (2.110)

→ 6 (3) compatib. (deform.) (3.22) → 6 tensão-deslocamento (5.34)


______
→ 6 lei de Hooke (4.9) Total: 9 equações
______
Total: 15 (12) equações

σx, σy, σz, τxy, τxz, τyz, εx, εy, εz, γxy, γxz, γyz σx, σy, σz, τxy, τxz, τyz, u, v, w

→ 3 equilíbrio (2.110) → 3 equilíbrio em termos dos


deslocamentos (5.35)
→ 6 (1) compatib. (tensão) (5.38)
______
Total: 9 (6) equações u, v, w

σx, σy, σz, τxy, τxz, τyz

147
5.5 – Exemplos

1 - Forças de superfície prescritas em toda a superfície de um corpo:


Considere-se um prisma retangular com as faces perpendiculares aos eixos x, y, z, sob um
estado de tensão uniaxial p na direção x (longitudinal). Nas extremidades do prisma as forças
de superfície aplicadas (prescritas) são:

Tx = m p Ty = Tz = 0

x
p

p
y

Nas extremidades da barra (nos planos cuja normal é o eixo x), onde l = ±1 e m = n = 0 , as
condições de contorno são, das equações 5.1:

σ x0 = p
τ x 0 y0 = τ y0 x 0 = 0

isto é, nas faces cuja normal é o eixo x tem-se

σ x ( x , y, z ) = p
τ xy ( x , y, z) = τ yx ( x , y z) = 0

Nas superfícies laterais (faces cuja normal tem a direção do eixo y ou do eixo z), as forças
prescritas são:

Tx = Ty = Tz = 0

148
Nas faces cuja normal é o eixo y, os cossenos diretores são m = ± 1 e l = n = 0 . Considerando
as equações 5.1, as condições de contorno nestes planos são:

σ y0 = τ x 0 y0 = τ z0 y0 = 0

Analogamente, nas faces cuja normal é o eixo z, onde os cossenos diretores são
n = ± 1 e l = m = 0 , tem-se, a partir das equações 5.1:

σ z0 = τ z0 x 0 = τ z0 y0 = 0

2 - Deslocamentos prescritos em toda a superfície de um corpo:


Um bloco cimentado dentro de uma caixa rígida de tal modo que suas superfícies não possam
se mover, é submetido a uma dada distribuição de temperatura. Se as faces do bloco são
paralelas aos eixos x, y, z os deslocamentos prescritos são dados por u p = v p = w p = 0 , em
todas as faces do bloco.

149
CAPÍTULO 6

TENSÕES DEVIDAS A SOBRECARGAS

6.1 - Introdução

As tensões nos maciços terrosos podem ser divididas em tensões virgens, existentes nos
maciços independentemente da interferência do homem, e tensões induzidas, associadas às
ações impostas pelas obras construídas sobre ou no interior dos maciços.
As tensões virgens podem ser divididas ainda em tensões de repouso ou geostáticas,
associadas ao peso próprio do material, e em tensões tectônicas, oriundas de forças que se
desenvolvem no interior da crosta terrestre e que assumem importância apenas em maciços
rochosos. Um breve texto sobre as tensões geostáticas é apresentado no Apêndice B.
A avaliação das tensões induzidas por carregamentos aplicados à superfície ou no interior de
uma massa de solo tem sido feita, em geral, admitindo o solo como um material elástico e
utilizando as soluções da Teoria da Elasticidade que melhor se apliquem a cada problema e a
cada tipo de solicitação.
O emprego da Teoria da Elasticidade aos solos é, no entanto, questionável já que o
comportamento destes materiais não satisfaz às exigências de material elástico,
principalmente no que se refere à reversibilidade das deformações no carregamento-
descarregamento. Até um determinado nível de tensões, existe certa proporcionalidade entre
tensões e deformações, de maneira que se considera um módulo de elasticidade como
representativo do material. Entretanto, é importante definir até que ponto, ou em que casos
será legítimo utilizar estas soluções na avaliação do estado de tensão. Em problemas que
envolvem carregamento essencialmente monótono de massas de solo por tensões com valores
inferiores àqueles que provocariam o colapso dessas massas, as soluções da Teoria da
Elasticidade podem ser aplicadas no cálculo do estado de tensão induzido. Resultados
experimentais sustentam que a aproximação obtida com o emprego destas soluções é razoável
(Fernandes, 1994). A justificativa para se aplicar a Teoria da Elasticidade é por não se dispor
de alternativa melhor, além do fato de que esta teoria tem apresentado uma avaliação
satisfatória das tensões atuantes no solo, pelo que se depreende da análise de comportamento
de obras (Pinto, 2000).
O estudo do efeito de cargas sobre o terreno foi iniciado pelo matemático francês Boussinesq
(Boussinesq, 1885) que determinou, através da aplicação da teoria da elasticidade, tensões,
deformações e deslocamentos no interior de uma massa elástica, homogênea e isotrópica, em
um semi-espaço infinito de superfície horizontal, induzidos pela aplicação de uma carga
pontual sobre a superfície deste semi-espaço.
A partir da solução proposta por Boussinesq, foram determinadas, por integração, soluções
para outros tipos de carregamentos tais como, linear, carga distribuída retangular, triangular,
trapezoidal, etc. (Figura 6.1).
Existem na literatura, soluções para uma grande variedade de tipos de carregamento,
apresentadas na forma de equações e ábacos. Entretanto, neste capítulo, serão apresentadas
somente algumas das aplicações mais freqüentes na prática. Estas e outras soluções podem ser
encontradas em (Pinto, 2000; Barata, 1984; Das, 1983; Vargas, 1977; Poulos & Davis, 1973;
Harr, 1966).

Carga concentrada de Boussinesq

Integração em uma direção

Integração dupla

Fonte: Ortigão, 1993


Fig. 6.1 – Soluções teóricas de distribuição de pressões no terreno obtidas para vários tipos de
carregamento, a partir da solução de Boussinesq

6.2 – Distribuição de tensões

Ao se aplicar uma carga na superfície de um terreno, os acréscimos de tensão a uma certa


profundidade não se limitam à projeção da área carregada. Nas laterais desta área também
ocorrem aumentos dos acréscimos de tensão que se somam às tensões devidas ao peso
próprio.
Como o somatório dos acréscimos das tensões verticais nos planos horizontais é sempre
constante a qualquer profundidade, então os acréscimos das tensões imediatamente abaixo da
área carregada diminuem com o aumento da profundidade, já que a área atingida aumenta
(Pinto, 2000).
A distribuição dos acréscimos das tensões verticais em um plano horizontal é simétrica,
conforme mostrado na Figura 6.2a. Em um dado plano, a uma profundidade z, o acréscimo
máximo de tensão ocorre na mesma vertical passando pelo eixo de simetria da área carregada.

151
À medida que se afasta horizontalmente deste ponto, ou seja, na direção em que r aumenta,
diminui a intensidade dos acréscimos de tensões, até o ponto em que o carregamento
praticamente não exerce mais influência. Na Figura 6.2b está mostrada a variação dos
acréscimos de tensão vertical com a profundidade, ao longo da linha vertical que passa pelo
eixo de aplicação da carga.

Fonte: Pinto, 2000


Figura 6.2 – (a) Distribuição dos acréscimos de tensão em planos horizontais para diferentes
valores de r, z; (b) Distribuição dos acréscimos de tensão vertical com a profundidade.

A união dos pontos na massa de solo solicitados por igual valor de tensão (um mesmo
percentual da tensão aplicada na superfície) dá origem a uma linha denominada isóbara. O
bulbo de tensões é formado pelo conjunto de isóbaras, conforme mostrado na Figura 6.3.
As tensões se propagam até grandes profundidades. Para fins práticos, costuma-se arbitrar que
o solo é efetivamente solicitado até a profundidade delimitada pela isóbara correspondente a
10% da tensão aplicada, P. Esta isóbara contém a região do terreno que recebe a parcela mais
significativa do carregamento aplicado e é, portanto, a região que está sujeita a deformações.
Em uma obra de fundação, se o bulbo atingir camadas de solo mais compressíveis, recalques
significativos poderão ser observados. Quando se projeta a fundação de um prédio ao lado de
um outro existente, ocorre uma interação entre os respectivos bulbos. Nesta situação, o
engenheiro de fundações deverá analisar as fundações dos prédios vizinhos. Se as camadas
abrangidas pelo bulbo resultante incluírem solos moles, os recalques poderão ser excessivos,
levando à exclusão desse tipo de fundação. Por estas razões, a verificação das camadas de
solo abrangidas pelo bulbo é um passo importante em qualquer projeto de fundações.

152
Fonte: Pinto, 2000
Figura 6.3 – Conjuntos de isóbaras definindo bulbos de tensão

6.3 – Soluções da teoria da elasticidade

As soluções apresentadas com base na Teoria da Elasticidade foram obtidas supondo-se o solo
como um material perfeitamente elástico, homogêneo e isotrópico. É válido, portanto, o
princípio da superposição de efeitos, segundo o qual a tensão resultante de carregamentos
distintos é a soma das tensões de cada carregamento atuando independentemente. Em outras
palavras, os efeitos não interagem (Ortigão, 1993; Das, 1983)

1 - Carga pontual vertical na superfície de um semi-espaço infinito - Problema de Boussinesq


(Figura 6.4)

Figura 6.4 – Carga pontual na superfície de um semi-espaço infinito

Para uma carga concentrada P aplicada na superfície horizontal de um semi-espaço infinito,


os acréscimos de tensão resultantes em um ponto qualquer do material, em coordenadas
cilíndricas, z, r, θ, conforme mostra a Figura 6.5, são dados através das expressões

3 P z3
Δσ z = (6.1)
2π R 5

P ⎡3 r 2 z (1 − 2 ν) ⎤
Δσ r = ⎢ 5 − ⎥ (6.2)
2π ⎣ R R (R + z) ⎦

153
P ⎡ 1 z ⎤
Δσ θ = (1 − 2 ν) ⎢ − 3 ⎥ (6.3)
2π ⎣ R (R + z) R ⎦
3P r z2
Δτ rz = (6.4)
2π R 5

Os deslocamentos vertical e radial são obtidos, respectivamente, através das equações

P (1 + ν) ⎡ z2 ⎤
ρz = ⎢2 (1 - ν) + 2 ⎥ (6.5)
2πER ⎣ R ⎦

P (1 + ν) ⎡ r z (1 - 2 ν) r ⎤
ρr = - (6.6)
2 π E R ⎢⎣ R 2 R + z ⎥⎦

R 2 = z2 + r2 (6.7)
em que,
Δσz – acréscimo de tensão vertical
Δσr – acréscimo de tensão radial
Δσθ – acréscimo de tensão circunferencial
Δτrz – acréscimo de tensão cisalhante no plano rz
ρz – deslocamento vertical
ρr – deslocamento radial
E – módulo de elasticidade longitudinal ou módulo de Young
ν - coeficiente de Poisson.

θ x

Δσz
Δτzr
y Δτrz
Δσr
Δσθ

Fonte: Das, 1983


Figura 6.5 – Tensões em um ponto induzidas por uma carga pontual vertical – Solução de
Boussinesq – em coordenadas cilíndricas
154
Observa-se, a partir das equações 6.1 e 6.4, que os acréscimos de tensão vertical e de
cisalhamento, Δσz e Δτrz, independem dos parâmetros elásticos (E e ν) do material, ou seja,
independem do tipo de solo. Mesmo os acréscimos de tensão radial e circunferencial só
dependem do coeficiente de Poisson, ν, que varia relativamente muito pouco para a maioria
dos solos, em geral, entre 0,2 e 0,5. Essas conclusões se aplicam, aproximadamente a solos
razoavelmente homogêneos, no início do carregamento e para uma camada de solo espessa
(Harr, 1966).
A equação 6.1 pode ser apresentada de uma outra forma:

P
Δσ z = N B (6.8)
z2

em que o valor de NB, chamado fator de influência de Δσz de Boussinesq, pode ser definido a
partir de ábacos como o da Figura 6.6.

P
Δσ z = NB
z2

Fonte: Ortigão, 1993


Fig. 6.6 – Ábaco para a determinação de coeficientes para a carga concentrada - Solução de
Boussinesq

Em coordenadas retangulares, os acréscimos de tensão, mostrados na Figura 6.7, são obtidos a


partir das equações

3P z3
Δσ z = (6.9)
2πR5

155
3 P ⎧⎪ x 2 z 1 − 2ν ⎡ 1 ( 2R + z ) x 2 z ⎤ ⎫⎪
Δσ x = ⎨ 5 + ⎢ − 3 − ⎥⎬ (6.10)
2 π ⎪⎩ R 3 ⎣ R (R + z) R (R + z) 2 R 3 ⎦ ⎪⎭

3 P ⎧⎪ y 2 z 1 − 2ν ⎡ 1 ( 2R + z ) y 2 z ⎤ ⎫⎪
Δσ y = ⎨ 5 + ⎢ − 3 − ⎥⎬ (6.11)
2 π ⎪⎩ R 3 ⎣ R (R + z) R (R + z) 2 R 3 ⎦ ⎪⎭

3 P ⎡ x y z 1 − 2ν (2R + z) xy ⎤
Δτ xy = ⎢ − ⎥ (6.12)
2π ⎣ R5 3 R 3 (R + z) 2 ⎦

3P x z2
Δτ xz = (6.13)
2π R5

3P y z2
Δτ yz = (6.14)
2π R5
em que

R = z2 + r2 (6.15)

r = x 2 + y2 (6.16)

Δσz
Δτzy
Δτzx Δτxy
y Δτyx Δσx
Δτyz Δτxz
Δσy

Fonte: Das, 1983


Figura 6.7 – Tensões em um ponto induzidas por uma carga pontual vertical – Solução de
Boussinesq – em coordenadas retangulares

156
2 - Carga pontual vertical em espaço infinito - Problema de Kelvin (Figura 6.8)

Figura 6.8 - Carga pontual vertical em espaço infinito

Para uma carga concentrada P aplicada sobre um espaço infinito, os acréscimos de tensão
resultantes e os deslocamentos em um ponto qualquer, em coordenadas cilíndricas são dados
através das seguintes expressões

P ⎡ 3z 3 (1 - 2 ν)z ⎤
Δσ z = ⎢ + ⎥ (6.17)
8π (1 - ν) ⎣ R 5 R3 ⎦

P z ⎡ 3r 2 ⎤
Δσ r = 3 ⎢ 2
- (1 - 2ν)⎥ (6.18)
8π (1 - ν) R ⎣ R ⎦
P (1 - 2 ν ) z
Δσ θ = - (6.19)
8π (1 - ν) R 3

P r ⎡ 3z 2 ⎤
Δτ rz = 3 ⎢
+ (1 - 2 ν)⎥ (6.20)
8π (1 - ν) R ⎣ R 2

P(1 + ν) ⎡ z2 ⎤
ρz = ⎢3 - 4 ν + ⎥ (6.21)
8π (1 - ν) E R ⎣ R2 ⎦

P (1 + ν) r z
ρr = - (6.22)
8π (1 - ν) E R 3
em que,
R 2 = z2 + r2 (6.23)

157
3 - Carga pontual horizontal na superfície de um semi-espaço infinito – Problema de Cerutti
(Figura 6.9).

Figura 6.9 - Carga pontual horizontal na superfície de um semi-espaço infinito

Para uma carga horizontal concentrada P aplicada sobre um semi-espaço infinito, os


acréscimos de tensão e os deslocamentos resultantes em um ponto qualquer do material, em
coordenadas cartesianas x, y, z, são

3P x z2
Δσ z = (6.24)
2πR5

− Px ⎡ − 3x 2 1− 2ν ⎛ 2
⎜R − y2 −
2 R y2 ⎞⎤
⎟⎥
Δσ x = ⎢ 2 + ⎜ ⎟ (6.25)
3
2πR ⎢⎣ R (R + z) 2 ⎝ R+z ⎠⎥⎦

− Px ⎡ − 3y 2 1− 2ν ⎛ 2
⎜R − x2 −
2R x2 ⎞⎤
⎟⎥
Δσ y = ⎢ 2 + ⎜ ⎟ (6.26)
3
2πR ⎢⎣ R (R + z) 2 ⎝ R+z ⎠⎥⎦

− Py ⎡ − 3x 2 (1 − 2ν) ⎛ 2Rx 2 ⎞⎤
Δτ xy = + ⎜− R 2 + x2 + ⎟⎥ (6.27)
3 ⎢ ⎜
2πR ⎢⎣ R 3
(R + z) 2 ⎝ R + z ⎟⎠⎥⎦

3P x y z
Δτ yz = (6.28)
2πR5

3P x2 z
Δτ zx = (6.29)
2π R 5
P (1 + ν ) ⎡ x z (1 − 2 ν) x ⎤
ρz = + (6.30)
2π E R ⎢⎣ R 2 R + z ⎥⎦

P (1 + ν) ⎡ x 2 ⎛ R x2 ⎞⎤
ρx = ⎢1 + 2 + (1 − 2 ν)⎜⎜ − ⎟⎥
⎟ (6.31)
2π E R ⎣⎢ R ⎝ R + z (R + z)
2
⎠⎦⎥

P (1 + ν) ⎡ x y (1 − 2 ν) xy ⎤
ρy = ⎢ − ⎥ (6.32)
2π E R ⎣ R 2 (R + z) 2 ⎦

158
em que,

R = x 2 + y2 + z2 (6.33)

4 - Carga pontual vertical no interior de um semi-espaço infinito – Problema de Mindlin


(Figura 6.10)

Figura 6.10 - Carga pontual vertical no interior de um semi-espaço infinito

Para uma carga pontual vertical P aplicada no interior de um semi-espaço infinito, os


acréscimos de tensão e os deslocamentos resultantes em um ponto qualquer do material, em
coordenadas cartesianas x, y, z, são

⎡ (1 − 2ν)(z − c) 3x 2 (z − c) (1 − 2ν)[3(z − c) − 4ν(z + c) ⎤


⎢ − + ⎥
⎢ R 13 R 15 R 32 ⎥
⎢ ⎥
− P ⎢ 3(3 − 4ν) x 2 (z − c) − 6c(z + c)[(1 − 2ν)z − 2νc] 30cx 2 z(z + c) ⎥
Δσ x = − − (6.34)
8π(1 − ν) ⎢ R 52 R 72 ⎥
⎢ ⎥
⎢ 4(1 − ν)(1 − 2ν) ⎡ x2 x2 ⎤ ⎥
⎢− ⎢1 − − 2⎥ ⎥
⎣⎢ R 2 (R 2 + z + c) ⎣ R 2 (R 2 + z + c) R 2 ⎦ ⎦⎥
⎡ (1 − 2ν)(z − c) 3y 2 (z − c) (1 − 2ν)[3(z − c) − 4ν(z + c)] ⎤
⎢ − + ⎥
⎢ R 13 R 15 R 32 ⎥
⎢ ⎥
− P ⎢ 3(3 − 4ν) y 2 (z − c) − 6c(z + c)[(1 − 2ν)z − 2νc] 30cy 2 z(z + c) ⎥
Δσ y = − − (6.35)
8π(1 − ν) ⎢ R 52 R 72 ⎥
⎢ ⎥
⎢ 4(1 − ν)(1 − 2ν) ⎡ y2 y2 ⎤ ⎥
⎢− ⎢1 − − 2⎥ ⎥
⎣⎢ R 2 (R 2 + z + c) ⎣ R 2 (R 2 + z + c) R 2 ⎦ ⎦⎥

159
⎡ (1 − 2ν)(z − c) 3(z − c) 3 (1 − 2ν)(z − c) ⎤
⎢− − + ⎥
−P ⎢ R 13 R 15 R 32 ⎥
Δσ z = (6.36)
8π(1 − ν) 3(3 − 4ν)z(z + c) − 3c(z + c)(5z − c) 30cz(z + c) ⎥
⎢ 2 3
⎢− − ⎥
⎣⎢ R 52 R 72 ⎦⎥
⎡ (1 − 2ν)(z − c) 3r 2 (z − c) (1 − 2ν)(z + 7c) ⎤
⎢ − − + ⎥
⎢ R 13 R 15 R 32 ⎥
⎢ 2
− P ⎢ 4(1 − ν)(1 − 2ν) 30cr z(z + c) ⎥
Δσ r = − + ⎥ (6.37)
8π(1 − ν) ⎢ R 2 (R 2 + z + c) R 72 ⎥
⎢ 2 2 2

⎢ 6c(1 − 2ν)(z + c) − 6c (z + c) − 3(3 − 4ν )r (z − c) ⎥
⎢ R 52 ⎥
⎣ ⎦
⎡ (z − c) (3 − 4ν)(z + c) − 6c ⎤
⎢ R3 − R23
− ⎥
− P(1 − 2ν) ⎢ 1 ⎥
Δσ θ = (6.38)
8π(1 − ν) ⎢ 4(1 − ν) 6c(z + c) 2
6c (z + c) ⎥
2
⎢ + − ⎥
⎣⎢ R 2 (R 2 + z + c) R 52 (1 − 2ν)R 52 ⎦⎥

⎡ (1 − 2ν ) 1 − 2ν 3(z − c) 2 ⎤
⎢− + − ⎥
− Py ⎢ R 13 R 32 R 15 ⎥
Δτ yz = (6.39)

8π(1 − ν) 3(3 − 4ν)z(z + c) − 3c(3z + c) 30cz(z + c) ⎥
2
⎢− − ⎥
⎣⎢ R 52 R 72 ⎦⎥
⎡ (1 − 2ν) 1 − 2ν 3(z − c) 2 ⎤
⎢− + − ⎥
− Px ⎢ R 13 R 32 R 15 ⎥
Δτ zx = (6.40)

8π(1 − ν) 3(3 − 4ν)z(z + c) − 3c(3z + c) 30cz(z + c) ⎥
2
⎢− − ⎥
⎣⎢ R 52 R 72 ⎦⎥
⎡ 3(z − c) 3(3 − 4ν)(z − c) 4(1 − ν)(1 − 2ν) ⎤
⎢− R 5 − R 52
+ 2 *
R 2 (R 2 + z + c) ⎥⎥
− Pxy ⎢ 1
Δτ xy = (6.41)
8π(1 − ν) ⎢⎛ 1 1 ⎞ 30cz(z + c) ⎥
⎢⎜⎜ + ⎟⎟ − ⎥
⎢⎣⎝ R 2 + z + c R 2 ⎠ R 72 ⎥⎦

⎡ (1 − 2ν) 1 − 2ν 3(z − c) 2 ⎤
⎢− 3
+ 3
− 5 ⎥
− Pr ⎢ R1 R2 R1 ⎥
Δτ rz = (6.42)

8π(1 − ν) 3(3 − 4ν)z(z + c) − 3c(3z + c) 30cz(z + c) ⎥
2
⎢− − ⎥
⎢⎣ R 52 R 72 ⎥⎦

Pr ⎡ (z − c) (3 − 4ν)(z − c) 4(1 − ν)(1 − 2ν) 6cz(z + c) ⎤


ρr = ⎢ + − + ⎥ (6.43)
16πG (1 − ν) ⎢⎣ R 13 R 32 R 2 ( R 2 + z + c) R 52 ⎥⎦

160
⎡ (3 − 4ν) 8(1 − ν) 2 − (3 − 4ν) (z − c) 2 ⎤
⎢ + + 3
+⎥
P ⎢ R 1 R 2 R 1 ⎥
ρz = ⎢ ⎥ (6.44)
16πG (1 − ν) (3 − 4ν)(z + c) − 2cz 6cz(z + c)
2 2
⎢ + ⎥
⎢⎣ R 32 R 52 ⎥⎦

em que,

r = x2 + y2 (6.45)

R 1 = r 2 + ( z − c) 2 (6.46)

R 2 = r 2 + ( z + c) 2 (6.47)
G – módulo de elasticidade transversal

5 - Carga pontual horizontal atuando no interior de um semi-espaço infinito – Problema de


Mindlin (Figura 6.11)

Figura 6.11 - Carga pontual horizontal no interior de um semi-espaço infinito

Para uma carga pontual horizontal na direção x, Q, aplicada no interior de um semi-espaço


infinito, os acréscimos de tensão e os deslocamentos resultantes em um ponto qualquer do
material, em coordenadas cartesianas x, y, z, são

⎡ (1 − 2ν ) 3x 2 (1 − 2ν)(5 − 4ν) 3(3 − 4ν) x 2 4(1 − ν)(1 − 2ν ) ⎤


⎢− 3
− 5 + 3
− 5
− *⎥
− Qx ⎢ R1 R1 R2 R2 R 2 ( R 2 + z + c) 2 ⎥
Δσ x =
8π (1 − ν) ⎢ ⎡ 2 ⎤ ⎛ 2 ⎞ ⎥
⎢ ⎢3 − x (3R 2 + z + c) ⎥ + 6c ⎜ 3c − (3 − 2ν)(z + c) + 5x z ⎟ ⎥
⎢ ⎣⎢
⎣ R 22 (R 2 + z + c) ⎦⎥ R 52 ⎜⎝ R 22 ⎟⎠ ⎥

(6.48)

161
⎡ (1 − 2ν ) 3y 2 (1 − 2ν)(3 − 4ν) 3(3 − 4ν) y 2 4(1 − ν )(1 − 2ν) ⎤
⎢ 3
− + − − *⎥
− Qx ⎢ R 1 R 15 R 32 R 52 R 2 ( R 2 + z + c) 2 ⎥
Δσ y =
8π (1 − ν ) ⎢ ⎡ y 2 (3R 2 + z + c) ⎤ 6c ⎛ 5 y 2 z ⎞⎟

⎢ ⎢1 − ⎥ + ⎜ c − (1 − 2 ν )( z + c ) + ⎥
⎢ ⎢⎣
⎣ R 22 (R 2 + z + c) ⎥⎦ R 52 ⎜⎝ R 22 ⎟⎠ ⎥

(6.49)
⎡ (1 − 2ν) (1 − 2ν ) 3(z − c) 2 3(3 − 4ν)(z + c) 2 ⎤
⎢ 3
− − − ⎥
− Qx ⎢ R 1 R 32 R 15 R 25 ⎥
Δσ z = ⎢ ⎥ (6.50)
8π (1 − ν)
⎢+ 6c ⎛⎜ c + (1 − 2ν )(z + c) + 5z(z + c) ⎞⎟
2

⎢ R 52 ⎜⎝ R 2 ⎟
⎠ ⎥
⎣ 2 ⎦

− Qx ⎡ 3(z − c) 3(3 − 4ν)(z + c) 6c ⎛⎜ 5z(z + c) ⎞⎤


⎟⎥ (6.51)
Δτ yz = ⎢− − + 5 ⎜
1 − 2ν + ⎟
8π (1 − ν) ⎣⎢ 5
R1 R2 5
R2 ⎝ R 22 ⎠⎦⎥
⎡ (1 − 2ν)(z − c) (1 − 2ν)(z − c) 3x 2 (z − c) 3(3 − 4ν) x 2 (z + c) ⎤
⎢ − + − − ⎥
−Q ⎢ R 13 R 32 R 15 R 52 ⎥
Δτ zx = ⎢ ⎥
8π (1 − ν) ⎛ 2 ⎞
⎢− 6c ⎜ z(z + c) − (1 − 2ν) x 2 − 5x z(z + c) ⎟ ⎥
⎢ R 52 ⎜⎝ R 2 ⎟
⎠ ⎥
⎣ 2 ⎦
(6.52)
⎡ (1 − 2ν) (1 − 2ν ) 3x 2 3(3 − 4ν) x 2 4(1 − ν)(1 − 2ν ) ⎤
⎢− 3
+ 3
− 5
− 5
− *⎥
− Qy ⎢ R1 R2 R1 R2 R 2 ( R 2 + z + c) 2 ⎥
Δτ xy = ⎢ ⎥ (6.53)
8π (1 − ν ) ⎢⎛ x 2 (3R 2 + z + c) ⎞ 6c z ⎛ 5x 2 ⎞ ⎥
⎜1 − ⎟− ⎜ ⎟
⎢⎜ R (R + z + c) ⎟ R 5 ⎜1 − R 2 ⎟ ⎥
⎣⎝ 2 2 ⎠ 2 ⎝ 2 ⎠ ⎦
⎡ (3 − 4ν) 1 x2 (3 − 4ν) x 2 2cz ⎛⎜ 3x 2 ⎞ ⎤
⎢ + + + + 3 ⎜1 − 2 ⎟ +⎥
Q ⎢ R1 R 2 R 13 R 32 R2 ⎝ R2 ⎟ ⎥
ρx = ⎠ (6.54)
⎢ ⎥
16π G (1 − ν ) ⎢ 4(1 − ν )(1 − 2ν) ⎛ x2 ⎞ ⎥
* ⎜ 1 − ⎟
⎢ R +z+c ⎜ R (R + z + c) ⎟ ⎥
⎣ 2 ⎝ 2 2 ⎠ ⎦

Qxy ⎡ (3 − 4ν) 1 6cz 4(1 − ν )(1 − 2ν) ⎤


ρy = ⎢ + − − ⎥ (6.55)
16π G (1 − ν) ⎢⎣ R 32 R 13 R 52 R 2 (R 2 + z + c) 2 ⎥⎦

Qx ⎡ (3 − 4ν)(z − c) z − c 6cz(z + c) 4(1 − ν)(1 − 2ν) ⎤


ρz = ⎢ + 3 − + ⎥ (6.56)
16π G (1 − ν) ⎣ R 32 R1 R 52 R 2 ( R 2 + z + c) ⎦

em que

r = x2 + y2 (6.57)
162
R 1 = r 2 + ( z − c) 2 (6.58)

R 2 = r 2 + ( z + c) 2 (6.59)

6 - Carga vertical distribuída ao longo de uma linha infinita em um espaço infinito –


Integração do problema de Kelvin (Figura 6.12)

p/unidade de comprimento

Figura 6.12 - Carga vertical distribuída em linha infinita em um espaço infinito

Os acréscimos de tensão causados por um carregamento deste tipo são calculados em um


ponto, em coordenadas cilíndricas, através das expressões

p z ⎡ (3 − 2ν) x 2 ⎤
Δσ z = ⎢ − 2⎥ (6.60)
2π(1 − ν) R 2 ⎢ 2 R ⎥⎦

p z ⎡ (1 − 2ν) x 2 ⎤
Δσ x = ⎢− + 2⎥ (6.61)
2π(1 − ν ) R 2 ⎢ 2 R ⎥⎦

pν z
Δσ y = (6.62)
2π(1 − ν) R 2

p x ⎡ (1 − 2ν) z 2 ⎤
Δτ xz = ⎢ + 2⎥ (6.63)
2π(1 − ν ) R 2 ⎢ 2 R ⎥⎦

em que,

R = x2 + z2 (6.64)

163
7 – Carga vertical distribuída ao longo de uma linha infinita na superfície de um semi-espaço
infinito – Integração do problema de Boussinesq (Figura 6.13)

p/unidade de comprimento

Figura 6.13 - Carga vertical distribuída ao longo de uma linha infinita na superfície de um
semi-espaço infinito.

As tensões induzidas (Figura 6.14) por um carregamento deste tipo são calculadas em um
ponto, em coordenadas retangulares, através das seguintes expressões

2p z 3
Δσ z = (6.65)
π R4
2p x 2 z
Δσ x = (6.66)
π R4
2 pν z
Δσ y = (6.67)
π R2
2p xz 2
Δτ xz = (6.68)
π R4
em que,

R = x2 + z2 (6.69)

164
p/unidade de r
comprimento Δσz

Δτzx
Δτxz

Δσx
Δσy

Fonte: Das, 1983


Figura 6.14 – Acréscimos de tensões devidos à carga vertical distribuída em linha na
superfície de um semi-espaço infinito – em coordenadas retangulares.

No Quadro 6.1 são mostrados valores de Δσ z (p / z) , Δσ x (p / z) e de Δτ xz (p / z) para alguns


valores de x/z.

QUADRO 6.1 – Valores de Δσ z (p / z) , Δσ x (p / z) , Δτ xz (p / z) - Carga vertical distribuída


em linha na superfície de um semi-espaço infinito.
Δσ z Δσ x Δτ xz Δσ z Δσ x Δτ xz
x/z (p / z ) (p / z ) (p / z ) x/z (p / z ) (p / z ) (p / z )

0,0 0,637 0,000 0,000 0,7 0,287 0,141 0,201


0,1 0,624 0,006 0,062 0,8 0,237 0,151 0,189
0,2 0,589 0,024 0,118 0,9 0,194 0,157 0,175
0,3 0,536 0,048 0,161 1,0 0,159 0,159 0,159
0,4 0,473 0,076 0,189 1,5 0,060 0,136 0,090
0,5 0,407 0,102 0,204 2,0 0,025 0,102 0,051
0,6 0,344 0,124 0,207 3,0 0,006 0,057 0,019
Fonte: Das, 1983

165
8 - Carga horizontal distribuída ao longo de uma linha infinita na superfície de um semi-
espaço infinito – Integração do problema de Cerruti (Figura 6.15).
q/unidade de comprimento

Figura 6.15 - Carga horizontal distribuída ao longo de uma linha infinita na superfície de um
semi-espaço infinito

As tensões induzidas por este tipo de carregamento são calculadas, em coordenadas


retangulares, através das expressões

2q xz 2
Δσ z = (6.70)
π R4

2q x 3
Δσ x = (6.71)
π R4

2q xz 2
Δσ y = (6.72)
π R4

2q x 2 z
Δτ xz = (6.73)
π R4
em que,
R = x2 + z2 (6.74)

Neste caso, observa-se que o acréscimo de tensão na direção z é igual àquele na direção y.
Valores de Δσ z (q / z ) , Δσ x (q / z ) e de Δτ xz (q / z ) são mostrados no Quadro 6.2, para alguns
valores de x/z.

166
QUADRO 6.2 – Valores de Δσ z (q / z) , Δσ x (q / z) , Δτ xz (q / z) - Carga horizontal distribuída
ao longo de uma linha infinita na superfície de um semi-espaço infinito
Δσ z Δσ x Δτ xz Δσ z Δσ x Δτ xz
x/z (q / z) (q / z) (q / z) x/z (q / z) (q / z) (q / z)

0,0 0,000 0,0000 0,000 0,7 0,201 0,0984 0,141


0,1 0,062 0,0006 0,006 0,8 0,189 0,1212 0,151
0,2 0,118 0,0049 0,024 0,9 0,175 0,1417 0,157
0,3 0,161 0,0145 0,048 1,0 0,159 0,1591 0,159
0,4 0,189 0,0303 0,076 1,5 0,090 0,2034 0,136
0,5 0,204 0,0509 0,102 2,0 0,051 0,2037 0,102
0,6 0,207 0,0743 0,124 3,0 0,019 0,1719 0,057
Fonte: Das, 1983

9 - Carga vertical distribuída ao longo de uma linha infinita no interior de um semi-espaço


infinito – Problema de Melan (Figura 6.16).

x
d
p/unidade comprimento
A

P(x,z)

Figura 6.16 - Carga distribuída ao longo de uma linha infinita no interior de um semi-espaço
infinito

As tensões em um ponto P(x,z) devidas a uma carga vertical distribuída em linha, p por
unidade de comprimento, aplicada no ponto A, no interior de uma massa semi-infinita (Figura
6.16) são dadas pelas expressões

Δσz =
p ⎛⎜ 1
⎨ +
[ ]
⎧ (z − d )3 (z + d ) (z + d )2 + 2dz 8 d z(d + z) x 2 ⎫ 1 − 2ν ⎛ z − d 3z + d 4zx 2 ⎞ ⎞
− ⎬+ ⎜ 2 + − 4 ⎟⎟ ⎟
π ⎜⎝ 2 (1 − ν) ⎩ R14 ⎜ R 2 ⎠ ⎟⎠
R 42 R 62 ⎭ 4 (1 − ν) ⎝ R1 R 22

(6.75)
p ⎧⎪ 1 ⎡ (z − d ) x 2 (z + d )( x 2 + 2d 2 ) − 2dx 2 8 d z(d + z) x 2 ⎤ 1 − 2ν ⎛ d − z z + 3d 4zx 2 ⎞⎫⎪
Δσ x = ⎨ + + ⎥+ ⎜ ⎟

π ⎪⎩ 2 (1 − ν) ⎣ R14 ⎜ 2 + R 2 + R 4 ⎟⎬⎪
R 42 R 62 ⎦ 4 (1 − ν) ⎝ R1 2 2 ⎠⎭

(6.76)
p x ⎧⎪ 1 ⎡ (z − d ) 2 z 2 − 2dz − d 2 8 d z(d + z) 2 ⎤ 1 − 2ν ⎛ 1 1 4z(d + z) ⎞⎫⎪ (6.77)
Δτ xz = ⎨ ⎢ + + ⎥+ ⎜ 2− 2+ ⎟⎬
π ⎪⎩ 2 (1 − ν) ⎣ R1 ⎜ R 42 ⎟⎠⎪⎭
⎦ 4 (1 − ν) ⎝ R1 R 2
4 4 6
R2 R2

167
10 - Carga horizontal distribuída ao longo de uma linha infinita no interior de um semi-
espaço infinito – Problema de Melan (Figura 6.17).

x
d
A

q/unid.compr.

P(x,z)

Figura 6.17 - Carga horizontal distribuída ao longo de uma linha infinita no interior de um
semi-espaço infinito

As tensões em um ponto P(x,z) devidas a uma carga horizontal distribuída em linha, q por
unidade de comprimento, aplicada no ponto A, no interior de uma massa semi-infinita (ponto
A na Figura 6.17) são dadas pelas expressões

q x ⎧⎪ 1 ⎡ (z − d) 2 d 2 − z 2 + 6dz 8 d zx 2 ⎤ 1 − 2ν ⎛ 1 1 4z (d + z) ⎞⎫⎪ (6.78)


Δσz = ⎨ ⎢ − + 6 ⎥
− ⎜ 2− 2− ⎟⎬
π ⎪⎩ 2 (1 − ν) ⎣ R1
4
R2 4 ⎜
R 2 ⎦ 4 (1 − ν) ⎝ R1 R 2 R 42 ⎟⎪
⎠⎭

q x ⎧⎪ 1 ⎡ x 2 x 2 + 8dz + 6d 2 8 d z(d + z) 2 ⎤ 1 − 2ν ⎛ 1 3 4z (d + z) ⎞⎫⎪ (6.79)


Δσ x = ⎨ ⎢ 4+ + ⎥+ ⎜ 2+ 2− ⎟⎬
π ⎪⎩ 2 (1 − ν) ⎣ R1 ⎜ ⎟⎪
⎦ 4 (1 − ν) ⎝ R1 R 2
4 6
R2 R2 R 42 ⎠⎭

q ⎧⎪ 1 ⎡ (z − d) x 2 (2dz + x 2 ) (d + z) 8 d z(d + z) x 2 ⎤ 1 − 2ν ⎛ z − d 3z + d 4z (d + z)2 ⎞⎫⎪


Δτ xz = ⎨ ⎢ + − ⎥+ ⎜ 2 + − ⎟⎬
π ⎪⎩ 2 (1 − ν) ⎣ R14 ⎜ ⎟⎪
R 42 R 62 ⎦ 4 (1 − ν) ⎝ R1 R 22 R 42 ⎠⎭

(6.80)

11 – Carga vertical de linha uniformemente distribuída na sub-superfície de um semi-espaço


infinito (Figura 6.18).

Figura 6.18 - Carga vertical de linha uniformemente distribuída na sub-superfície de um semi-


espaço infinito

168
Este tipo de situação ocorre, por exemplo, em uma estaca de fundação. Os acréscimos de
tensão em um ponto qualquer, em coordenadas cilíndricas, são obtidos através das expressões
que se seguem, em que P é a carga total

⎡ m⎛m 1⎞ m 2 ⎤
⎢ 2(2 − ν) 2(2 − ν) + 2(1 − 2ν) n ⎜ n + n ⎟ (1 − 2ν)2( ) ⎥
⎢− + ⎝ ⎠− n + ⎥
⎢ A B F ⎥
⎢ 2 ⎥
⎢ 4m 2 − 4(1 + ν)( m ) 2 m 2 4m(1 + ν)(m + 1)⎛⎜ m + 1 ⎞⎟ − (4m 2 + n 2 ) ⎥
−P ⎢ n ⎝ n n⎠ ⎥
Δσ z = ⎢ + ⎥
8πD 2 (1 − ν) ⎢ F3 B3 ⎥
⎢ ⎛ 4
2 m −n
4 ⎞ ⎥
⎢ 6m ⎜⎜ ⎟ 6m(mn 2 − 1 (m + 1) 5 ⎥
2 ⎟ n2
⎢+ ⎝ n ⎠+ n2 + 3 ⎥
⎢ F 5
B 5
A ⎥
⎢ ⎥
⎣ ⎦
(6.81)
⎡ m⎛m 1⎞ ⎛ m 2⎞ ⎤
⎢ (7 − 2ν) − 12(1 − ν) n ⎜ n + n ⎟ ⎜ 4(2 − ν) − 12(1 − ν)( ) ⎟ ⎥
⎢ ⎝ ⎠ −⎜ n ⎟+ ⎥
⎢ B ⎜ F ⎟ ⎥
⎢ ⎜ ⎟ ⎥
⎝ ⎠
⎢ ⎥
⎢ 2 m 2 2 6 ⎛ m (m + 1) 4 ( m + 1 ) − m 2 n 2 ⎞ ⎥
2
⎢ 4n − 2m + 2(1 + 2ν)( n ) m ⎜ ⎟⎥
⎝ n n n ⎠
⎢ 3
+ 5 ⎥
⎢ F B ⎥
−P ⎢ ⎥
Δσ r = ⎛ m 1 ⎞
8πD 2 (1 − ν) ⎢ ⎜ 3n 2 − 2m 2 + 2(1 + 2ν) (m + 1) 2 ⎛⎜ + ⎞⎟ ⎟
m ⎥
⎢ ⎜ n ⎝ n n ⎠ ⎟ (1 − 2ν) n 2 ⎥
⎢− ⎜ 3 ⎟ + A − 3 +⎥
⎢ ⎜ B ⎟ A ⎥
⎢ ⎜⎝ ⎟
⎠ ⎥
⎢ ⎥
⎢ ⎛ 2 2 m ⎞ ⎥
⎢ 6 ⎜⎜ n m − m 4 ( ) 2 ⎟⎟ ⎥
⎢4(1 − ν)(1 − 2ν)⎛⎜ 1 − 1 ⎞ ⎝ n ⎠ ⎥
⎟+
⎢ ⎝ F + m B + m + 1 ⎠ F 5 ⎥
⎣ ⎦
(6.82)

169
⎡ m⎛m 1⎞ ⎤
⎢ (1 − 2ν ) 6 − (1 − 2ν)(3 − 4ν ) + 6(1 − 2ν) n ⎜ n + n ⎟ ⎥
⎢ + ⎝ ⎠+ ⎥
⎢ A B ⎥
⎢ ⎥
⎢ 2(1 − 2ν) 2 − 6(1 − 2ν )( m ) 2 − 6 4νn 2 − 2m 2 − 2(1 + 2ν)( m ) 2 m 2 ⎥
⎢ n n ⎥
−P ⎢ + ⎥
Δσ θ = 2 ⎢ F F3 ⎥ (6.83)
8πD (1 − ν)
⎢ m ⎛m 1⎞ ⎥
⎢ 2m 2 − 4νn 2 + 2(1 + 2ν) (m + 1) 2 ⎜ + ⎟ ⎥
⎢+ n ⎝ n n⎠ − ⎥
⎢ B 3 ⎥
⎢ ⎥
⎢4(1 − ν)(1 − 2ν )⎛⎜ 1 − 1 ⎞
⎟ ⎥
⎢⎣ ⎝ F + m B + m + 1⎠ ⎥⎦

⎡ 1⎛m 1⎞ 1⎛m 1⎞ 6⎛m⎞ ⎛m 1⎞


2 ⎤
⎢ (1 − 2ν) ⎜ − ⎟ (1 − 2ν ) ⎜ + ⎟ − ⎜ ⎟ ⎜ + ⎟ ⎥
⎢ n⎝ n n⎠ n⎝ n n⎠ n⎝ n ⎠ ⎝ n n⎠
+ + ⎥
⎢ A B ⎥
⎢ ⎥
⎢ ⎥
⎢12m − 4νm 2 + (m + 1) 3 ⎛⎜ ⎛⎜ 1 ⎞⎟ + 12 m ⎞⎟
2 2 2
⎛m 1⎞ ⎥
⎢ ⎜⎝ n ⎠ 4 ⎟ (m − 1)⎜ − ⎟ ⎥
⎝ n ⎠ ⎝ n n ⎠ +⎥
− Pn ⎢ +
Δτ rz = ⎢ B 3
A3 ⎥ (6.84)
2
8πD (1 − ν) ⎢ ⎥
m 4νm − 12m − m 3 ⎛⎜ 2 + 12 m ⎞⎟
3 2
⎢ ⎛m⎞ ⎛1⎞ ⎥
⎢ 6⎜⎝ n ⎟⎠ ⎜⎝ n ⎟⎠ − 2(1 − 2ν ) n 2 ⎜ n2
⎝ n 4 ⎟
⎠ + ⎥⎥
⎢ +
⎢ F F3 ⎥
⎢ 4 2 2 ⎥
⎢ 6mn 2 + 6m 3 ⎛⎜ m ⎞⎟ ⎛m⎞ 3⎛ m 1⎞
6⎜ ⎟ (m + 1) ⎜ + ⎟ + 6mn 2 ⎥
⎢ ⎝n⎠ − ⎝n⎠ ⎝ n n⎠ ⎥
⎢ 5 5 ⎥
⎣ F B ⎦

Ao longo do eixo de aplicação da carga, isto é afastamento r=0, e para profundidades


superiores ao comprimento da estaca, (z>D), as tensões são calculadas através das seguintes
expressões

−P ⎡ 4(1 − ν) 2(2 − ν) 2(2 − ν) 4m(2 − ν) 4m 2 ⎤


Δσ z = ⎢ − − + + − ⎥ (6.85)
8πD 2 (1 − ν) ⎢ m (m − 1) (m + 1) (m + 1) 2 (m + 1) 3 ⎥
⎣ ⎦

−P ⎡ 2 + 2ν(1 − 2ν) (1 − 2ν) 6 − (1 − 2ν) 2 6m 2m 2 ⎤


Δσ θ = ⎢ − + + − + ⎥ (6.86)
8πD 2 (1 − ν) ⎢ m (m − 1) (m + 1) (m + 1) 2 (m + 1) 3 ⎥
⎣ ⎦
Δτ rz = 0 (6.87)

170
em que,
n =r/D (6.88)
m=z/D (6.89)

F = n 2 + m2 (6.90)

A = n 2 + (m − 1) 2 (6.91)

B = n 2 + (m + 1) 2 (6.92)

12 – Carga vertical uniforme em linha circular na superfície de um semi-espaço infinito


(Figura 6.19).

p/unidade de comprimento

Figura 6.19- Carga vertical uniforme em linha circular na superfície de um semi-espaço


infinito

Os acréscimos de tensões e os deslocamentos em um ponto concêntrico ao carregamento são


calculados através das expressões

3pz 3 a
Δσ z = (6.93)
(a 2 + z 2 ) 5

Δσ r = Δσ θ =
pza
[2(1 + ν)(a 2
+ z 2 ) − 3z 2 ] (6.94)
2 (a 2 + z 2 ) 5

Δτ rz = 0 (6.95)


p(1 + ν)a z2 ⎞
ρz = ⎜ 2(1 − ν ) + ⎟ (6.96)
2 2 ⎜ ( a 2
+ z 2 ⎟
)
E (a + z ) ⎝ ⎠
ρr = 0 (6.97)

171
13 - Carga vertical distribuída em faixa infinita na superfície de um semi-espaço infinito
(Figura 6.20).

p/unidade de área

Figura 6.20 - Carga vertical distribuída em faixa infinita na superfície de um semi-espaço


infinito

Este tipo de carregamento ocorre, por exemplo, em fundações de muros, em sapatas de


fundação (sapatas corridas), aterros rodoviários, que transmitem ao terreno uma carregamento
distribuído, p, em uma faixa de comprimento infinito. Para a seção transversal média de uma
fundação, pode-se admitir carregamento infinito sempre que o comprimento L e a largura
total B (B=2b) satisfizerem a relação L≥3B. Os acréscimos de tensão são dados pelas
seguintes equações

p
Δσ z = [α + sen α cos (α + 2δ)] (6.98)
π
p
Δσ x = [α − sen α cos (α + 2δ)] (6.99)
π
2p
Δσ y = να (6.100)
π
p
Δ τ xz = sen α sen (α + 2δ) (6.101)
π

Valores de Δσ z p , Δσ x p e de Δτ xz p são mostrados no Quadro 6.3, para alguns valores de


x/b e de z/b.
O bulbo de tensões correspondente a esta situação de carregamento é mostrado na Figura
6.21. Na Figura 6.22 mostra-se o bulbo de tensões para duas faixas infinitas uniformemente
carregadas de igual largura, e cuja distância entre os eixos é o dobro da largura da faixa.

172
QUADRO 6.3 – Valores de Δσ z p , Δσ x p , Δτ xz p - Carga vertical distribuída em faixa
infinita na superfície de um semi-espaço infinito
Δσ z Δσ x Δτ xz Δσ z Δσ x Δτ xz
x/b z/b p p p x/b z/b p p p
0 0 1,000 1,000 0 2,0 0,25 0,0027 0,0987 0,0164
0,5 0,9594 0,4498 0 0,5 0,0194 0,1714 0,0552
1,0 0,8183 0,1817 0 1,0 0,0776 0,2021 0,1305
1,5 0,6678 0,0803 0 1,5 0,1458 0,1847 0,1568
2,0 0,5508 0,0410 0 2,0 0,1847 0,1456 0,1567
2,5 0,4617 0,0228 0 2,5 0,2045 0,1256 0,1442
0,5 0 1,000 1,000 0
0,25 0,9787 0,6214 0,0522 2,5 0,5 0,0068 0,1104 0,0254
0,5 0,9028 0,3920 0,1274 1,0 0,0357 0,1615 0,0739
1,0 0,7352 0,1863 0,1590 1,5 0,0771 0,1645 0,1096
1,5 0,6078 0,0994 0,1275 2,0 0,1139 0,1447 0,1258
2,0 0,5107 0,0542 0,0959 2,5 0,1409 0,1205 0,1266
2,5 0,4372 0,0334 0,0721
1,0 0,25 0,4996 0,4208 0,3134 3,0 0,5 0,0026 0,0741 0,0137
0,5 0,4969 0,3472 0,2996 1,0 0,0171 0,1221 0,0449
1,0 0,4797 0,2250 0,2546 1,5 0,427 0,1388 0,0757
1,5 0,4480 0,1424 0,2037 2,0 0,705 0,1341 0,0954
2,0 0,4095 0,0908 0,1592 2,5 0,952 0,1196 0,1036
2,5 0,3701 0,0595 0,1243 3,0 0,1139 0,1019 0,1057
1,5 0,25 0,0177 0,2079 0,0606
0,5 0,0892 0,2850 0,1466
1,0 0,2488 0,2137 0,2101
1,5 0,2704 0,1807 0,2022
2,0 0,2876 0,1268 0,1754
2,5 0,2851 0,0892 0,1469
Fonte: Jurgenson, 1934 in Das, 1983

173
Figura 6.21 – Bulbo de tensões para carregamento distribuído em faixa infinita

174
Fonte: Fernandes, 1994
Figura 6.22 – Bulbos de tensões para duas faixas infinitas uniformemente carregadas de igual
largura , e cuja distância entre os eixos é o dobro da largura da faixa.

O deslocamento vertical de um ponto na superfície, relativo ao deslocamento do centro da


faixa, é dado por

2 p (1 − ν 2 )
ρ z ( x, 0) − ρ z (0 ,0) = {(x − b) ln x − b − (x + b) ln x + b + 2b ln b} (6.102)
πE

175
14 - Carga horizontal distribuída em faixa infinita na superfície de um semi-espaço infinito
(Figura 6.23).

q /unidade de área

R2
R1

Figura 6.23 - Carga horizontal distribuída em faixa infinita na superfície de um semi-espaço


infinito

Os acréscimos de tensão são dados pelas seguintes equações

q
Δσ z = [sen α sen (α + 2δ)] (6.103)
π
q ⎡ R 12 ⎤
Δσ x = ⎢ln 2 − sen α sen (α + 2δ)⎥ (6.104)
π ⎣⎢ R 2 ⎦⎥
q
Δ τ xz = (α − sen α cos (α + 2δ) (6.105)
π

Valores de Δσ x p são mostrados no Quadro 6.4, para alguns valores de x/b e de z/b.
A expressão para o deslocamento horizontal de um ponto na superfície, relativo ao
deslocamento no centro da faixa, é idêntica à expressão dada para o deslocamento vertical
relativo provocado por uma carga vertical uniforme em faixa infinita (equação 6.102)

2 p (1 − ν 2 )
ρ x ( x , 0) − ρ x (0 ,0) = {(x − b ) ln x − b − (x + b) ln x + b + 2b ln b} (6.106)
πE

176
QUADRO 6.4 - Valores de Δσ x p - Carga horizontal distribuída em faixa infinita na
superfície de um semi-espaço infinito
z/b
x/b 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 1,0
0,00 0 0 0 0 0 0 0 0 0
0,10 0,1287 0,1252 0,1180 0,1073 0,0946 0,0814 0,0687 0,0572 0,0317
0,25 0,3253 0,3181 0,2982 0,2693 0,2357 0,02014 0,2692 0,2404 0,0780
0,50 0,6995 0,6776 0,6195 0,5421 0,4808 0,3851 0,3188 0,2629 0,1475
0,75 1,2390 1,1496 0,9655 0,7855 0,6379 0,5210 0,4283 0,3541 0,2058
1,00 - 1,5908 1,1541 0,9037 0,7312 0,6024 0,5020 0,4217 0,2577
1,25 1,3990 1,3091 1,1223 0,9384 0,7856 0,6623 0,5624 0,4804 0,3074
1,50 1,0248 1,0011 0,9377 0,8517 0,7591 0,6697 0,5881 0,5157 0,3489
1,75 0,8273 0,8170 0,7876 0,7437 0,6904 0,6328 0,5749 0,5190 0,3750
2,00 0,6995 0,6939 0,6776 0,6521 0,6195 0,5821 0,5421 0,5012 0,3851
2,50 0,5395 0,5372 0,5304 0,5194 0,5047 0,4869 0,4667 0,4446 0,3735
3,00 0,4414 0,4402 0,4366 0,4303 0,4229 0,4132 0,4017 0,3889 0,3447
4,00 0,3253 0,3248 0,3235 0,3212 0,3181 0,3143 0,3096 0,3042 0,2846
5,00 0,2582 0,2580 0,2573 0,2562 0,2547 0,2527 0,2504 0,2477 0,2375
6,00 0,2142 0,2141 0,2137 0,2131 0,2123 0,2112 0,2098 0,2083 0,2023

z/b
x/b 1,5 1,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5 6,0
0,00 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
0,10 0,0121 0,0051 0,0024 0,0013 0,0007 0,0004 0,0003 0,0002 0,00013 0,0001
0,25 0,0301 0,0129 0,0062 0,0033 0,00019 0,0012 0,0007 0,0005 0,00034 0,00025
0,50 0,0598 0,0269 0,0134 0,0073 0,0042 0,0026 0,0017 0,00114 0,00079 0,00057
0,75 0,0899 0,0429 0,0223 0,0124 0,0074 0,0046 0,0030 0,00205 0,00144 0,00104
1,00 0,1215 0,0615 0,0333 0,0191 0,0116 0,0074 0,0049 0,00335 0,00236 0,00171
1,25 0,1548 0,0825 0,0464 0,0275 0,0170 0,0110 0,0074 0,00510 0,00363 0,00265
1,50 0,1874 0,1049 0,0613 0,0373 0,0236 0,0155 0,0105 0,00736 0,00528 0,00387
1,75 0,2162 0,1271 0,0770 0,0483 0,0313 0,0209 0,0144 0,01013 0,00732 0,00541
2,00 0,2386 0,1475 0,0928 0,0598 0,0396 0,0269 0,0188 0,01339 0,00976 0,00272
2,50 0,2627 0,1788 0,1211 0,0826 0,0572 0,0403 0,0289 0,02112 0,01569 0,01185
3,00 0,2658 0,1962 0,1421 0,1024 0,0741 0,0541 0,0400 0,02993 0,02269 0,01742
4,00 0,2443 0,2014 0,1616 0,1276 0,0999 0,0780 0,0601 0,04789 0,03781 0,03006
5,00 0,2151 0,1888 0,1618 0,1362 0,1132 0,0934 0,0767 0,06285 0,05156 0,04239
6,00 0,1888 0,1712 0,1538 0,1352 0,1173 0,1008 0,0861 0,07320 0,06207 0,05259
Fonte: Das, 1983

177
15 – Carga vertical linearmente crescente na superfície de um semi-espaço infinito (Figura
6.24).

p/unidade de área

Figura 6.24 - Carga vertical linearmente crescente na superfície de um semi-espaço infinito

Esta situação pode ocorrer no caso, por exemplo, de um muro de seção triangular ou
trapezoidal, esta última, uma combinação de um carregamento vertical uniformemente
distribuído e de um carregamento vertical linearmente crescente. No último caso, os efeitos
dos dois carregamentos podem ser somados de acordo com o princípio da superposição de
efeitos.
Os acréscimos de tensões induzidos por este tipo de carregamento são dadas por

p ⎡ 2xα ⎤
Δσ z = ⎢ − sen 2δ⎥ (6.107)
2π ⎣ b ⎦

p ⎡ 2xα z R 12 ⎤
Δσ x = ⎢ − ln 2 + sen 2δ⎥ (6.108)
2π ⎣ b b R2 ⎦
p ⎡ 2zα ⎤
Δτ xz = ⎢1 + cos 2δ − (6.109)
2π ⎣ b ⎥⎦

O deslocamento vertical em um ponto qualquer da superfície é calculado relativamente ao


deslocamento vertical do ponto na origem dos eixos, de modo que

ρ z (x,0) − ρ z (0,0 ) =
(
2p 1 − υ 2 ) ⎧⎪⎨ b 2
ln b −
x2 ⎛ x 2 b2 ⎞
ln x + ⎜⎜ −
bx ⎫
⎟ ln b − x + ⎪⎬ (6.110)
πbE ⎪⎩ 2 2 ⎝ 2 2 ⎟⎠ 2 ⎪⎭

Valores de Δσ z p foram tabelados por Scott, 1963 (in Poulos & Davis, 1973) e são
mostrados no Quadro 6.5, para alguns valores de x/b e de z/b.

178
QUADRO 6.5 - Valores de Δσ z p - Carga vertical linearmente crescente em faixa infinita na
superfície de um semi-espaço infinito
z/b
x/b 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 4,0 5,0
-3,0 0,0 0,0003 0,0018 0,00054 0,0107 0,0170 0,0235 0,0347 0,0422
-2,0 0,0 0,0008 0,0053 0,0140 0,0249 0,0356 0,0448 0,0567 0,0616
-1,0 0,0 0,0041 0,0217 0,0447 0,0643 0,0777 0,0854 0,0894 0,0858
0,0 0,0 0,0748 0,1273 0,1528 0,1592 0,1553 0,1469 0,1273 0,1098
1,0 0,5 0,4797 0,4092 0,3341 0,2749 0,2309 0,1979 0,1735 0,1241
2,0 0,5 0,4220 0,3524 0,2952 0,2500 0,2148 0,1872 0,1476 0,1211
3,0 0,0 0,0152 0,0622 0,1010 0,1206 0,1268 0,1258 0,1154 0,1026
4,0 0,0 0,0019 0,0119 0,0285 0,0457 0,0596 0,0691 0,0775 0,0776
5,0 0,0 0,0005 0,0035 0,0097 0,0182 0,0274 0,0358 0,0482 0,0546
Fonte: Das, 1983

16 - Carga vertical triangular assimétrica distribuída na superfície de um semi-espaço


infinito (Figura 6.25)
a b
p/unidade de área

α
R1 β x
R0 R2

z
Figura 6.25 - Carga vertical triangular assimétrica distribuída na superfície de um semi-espaço
infinito

Os acréscimos de tensões induzidos por este tipo de carregamento são dadas por

p ⎡x α a + b − x ⎤
Δσ z = + β⎥ (6.111)
π ⎢⎣ a b ⎦

p ⎡x α a + b − x 2 z R1 2 z R1 ⎤
Δσ x = ⎢ + β+ ln + ln ⎥ (6.112)
π⎣ a b a R0 b R2 ⎦

pz ⎡ α β ⎤
Δτ xz = − (6.113)
π ⎢⎣ a b ⎥⎦

179
17 - Carga vertical trapezoidal distribuída na superfície de um semi-espaço infinito (Figura
6.26)
b
a

p/unidade de área p

R1 x
α β R2
R0

z
(a) (b)

Figura 6.26 - Carga vertical trapezoidal distribuída na superfície de um semi-espaço infinito

Os acréscimos de tensões induzidos por este tipo de carregamento em qualquer ponto no


interior da massa de solo, de acordo com a Figura 6.26a, são dadas por

p ⎡ xα z ⎤
Δσ z = ⎢β + − 2 ( x − b) ⎥ (6.114)
π ⎢⎣ a R2 ⎥⎦

p ⎡ xα z 2 z R1 ⎤
Δσ x = ⎢β + + 2 ( x − b) + ln ⎥ (6.115)
π ⎣⎢ a R2 a R 0 ⎥⎦

p ⎡z α z2 ⎤
Δτ xz = − ⎢ − 2⎥ (6.116)
π ⎢⎣ a R 2 ⎥⎦

O acréscimo de tensão vertical somente nos pontos abaixo da extremidade do carregamento,


como o ponto A mostrado na Figura 6.26b, por exemplo, pode ser calculado a partir da
equação
σz = Iσ p (6.117)

em que os fatores de influência, Iσ, publicados por Osterberg em 1957 (Poulos & Davis, 1973)
são dados por

1 ⎡⎛ a + b ⎞ b ⎤
Iσ = ⎢⎜ ⎟ (α 1 + α 2 ) − α 2 ⎥ (6.118)
π ⎣⎝ a ⎠ a ⎦

180
Valores do fator de influência, Iσ, para diferentes valores de a/z e b/z são dados na Figura
6.27.

Fator de Influência Iσ

Δσz

Fonte: Das, 1983


Figura 6.27 – Fatores de Influência para carga vertical trapezoidal distribuída em faixa infinita
na superfície de um semi-espaço infinito

181
18 – Carga vertical uniformemente distribuída em uma área retangular (Figura 6.28).

p/unidade de área

Figura 6.28 - Carga vertical distribuída em uma área retangular

Os acréscimos de tensão, em um ponto, P, a uma profundidade z abaixo da quina de uma área


retangular com dimensões L e b, carregada por uma carga uniformemente distribuída p, são
dadas pelas expressões

p ⎡ ⎛ L b ⎞ L bz ⎛ 1
⎜ 1 ⎞⎤
⎟⎥
Δσ z = ⎢arctan⎜⎜ ⎟⎟ +
⎜ + 2 ⎟ (6.119)
2 π ⎢⎣ 2
⎝ z R 3 ⎠ R 3 ⎝ R1 R 2 ⎠ ⎥⎦

p ⎡ ⎛ L b ⎞ L bz ⎤
Δσ x = ⎢arctan⎜⎜ ⎟⎟ − ⎥ (6.120)
2 π ⎣⎢ ⎝ z R 3 ⎠ R 12 R 3 ⎥⎦

p ⎡ ⎛ L b ⎞ L bz ⎤
Δσ y = ⎢arctan⎜⎜ ⎟⎟ − ⎥ (6.121)
2 π ⎢⎣ 2
⎝ zR3 ⎠ R2 R3 ⎥⎦

p ⎛⎜ b z2 b ⎞

Δτ xz = − (6.122)
2 π ⎜⎝ R 2 R 12 R 3 ⎟

p ⎛⎜ L z2 L ⎞

Δτ yz = − 2 (6.123)
2 π ⎜⎝ R 1 R 2 R 3 ⎟

p ⎛ z ⎛ 1 1 ⎞ ⎞⎟
Δτ xy = ⎜1 + − z ⎜⎜ − ⎟⎟ (6.124)
2 π ⎜⎝ R3 R
⎝ 1 R 2 ⎠⎠

em que,

R 1 = L2 + z 2 (6.125)

R 2 = b2 + z2 (6.126)

R 3 = L2 + b 2 + z 2 (6.127)

182
Os valores de L e b são intercambiáveis, exceto nas equações (6.123) e (6.124).
O valor do acréscimo de tensão vertical, Δσz, em um ponto a uma profundidade z sob o
vértice de uma área uniformemente carregada, foi apresentado por Newmark em 1935 (in
(Das, 1983)) seguinte forma

Δσ z = p I σ (6.128)

em que p é a carga por unidade de área. Valores de Iσ podem ser obtidos de um ábaco em
função de m e n, conforme mostrado na Figura 6.29 em que

L b
m= n= (6.129)
z z

183
Δσz

Fonte: Pinto, 2000


Fig. 6.29 –Fatores de influência Iσ para o cálculo do acréscimo de tensão vertical (Δσz) sob a
quina de uma área retangular uniformemente carregada

184
Nos pontos situados abaixo da quina do retângulo, Harr em 1966 (in Poulos & Davis, 1973)
determinou a seguinte expressão para o deslocamento vertical

pb ⎛ 1 − 2ν ⎞
ρz = (1 − ν 2 ) ⎜ A − B⎟ (6.130)
E ⎝ 1− ν ⎠
em que

1 ⎛ 1 + m12 + n 12 + m1 1 + m12 + n 12 + 1 ⎞⎟
A= ⎜ ln + m 1 ln (6.131)
2π ⎜ ⎟
⎝ 1 + m12 + n 12 − m1 1 + m 12 + n 12 − 1 ⎠

n1 m1
B= tan −1 (6.132)
2π n 1 1 + m12 + n 12

m1 = L b (6.133)
n1 = z b (6.134)

Giroud, em 1968 (in Poulos & Davis, 1973), determinou equações e fatores de influência, IM,
IN, IQ, Io, para o deslocamento vertical na superfície (z=0) em quatro pontos da área retangular
carregada, como mostrado na Figura 6.30, e para o deslocamento médio (Im).
M Q

b O N

L
Figura 6.30 – Pontos da área retangular carregada: M - centro do lado maior; N - centro do
lado menor; Q – quina; O – centro do retângulo.

Os fatores de influência estão apresentados no Quadro 6.6. Para estes pontos,

(1 − ν 2 )
ρz = pb I (6.135)
E

em que o valor b corresponde ao comprimento do menor lado da área retangular carregada e


I é o fator de influência.

185
QUADRO 6.6 - Fatores de influência para deslocamento vertical de pontos na superfície -
Carga vertical distribuída em uma área retangular
α=L/b IQ IM IN I0 Im α=L/b IQ IM IN I0 Im
1 0,561 0,766 0,766 1,122 0,946 15 1,401 2,362 1,621 2,802 2,498
1,1 0,588 0,810 0,795 1,176 0,992 20 1,493 2,544 1,713 2,985 2,677
1,2 0,613 0,852 0,822 1,226 1,035 25 1,564 2,686 1,784 3,127 2,817
1,3 0,636 0,892 0,847 1,273 1,075 30 1,622 2,802 1,842 3,243 2,932
1,4 0,658 0,930 0,870 1,317 1,112 40 1,713 2,985 1,934 3,426 3,113
1,5 0.679 0,966 0,892 1,358 1,148 50 1,784 3,127 2,005 3,568 3,254
1,6 0,698 1,000 0,912 1,396 1,181 60 1,842 3,243 2,063 3,684 3,370
1,7 0,716 1,033 0,931 1,433 1,213 70 1,891 3,341 2,112 3,783 3,467
1,8 0,734 1,064 0,949 1,467 1,244 80 1,934 3,426 2,154 3,868 3,552
1,9 0,750 1,094 0,966 1,500 1,273 90 1,971 3,501 2,192 3,943 3,627
2 0,766 1,122 0,982 1,532 1,300 100 2,005 3,568 2,225 4,010 3,693
2,2 0,795 1,176 1,012 1,590 1,353 200 2,225 4,010 2,446 4,451 4,134
2,4 0,822 1,226 1,039 1,644 1,401 300 2,355 4,268 2,575 4,709 4,391
2,5 0,835 1,250 1,052 1,669 1,424 400 2,446 4,451 2,667 4,892 4,574
3 0,892 1,358 1,110 1,783 1,527 500 2,517 4,593 2,738 5,034 4,717
3,5 0,940 1,450 1,159 1,880 1,616 600 2,575 4,709 2,796 5,150 4,833
4 0,982 1,532 1,201 1,964 1,694 700 2,624 4,807 2,845 5,248 4,931
4,5 1,019 1,604 1,239 2,038 1,763 800 2,667 4,892 2,887 5,333 5,015
5 1,052 1,669 1,272 2,105 1,826 900 2,704 4,967 2,925 5,408 5,092
6 1,110 1,783 1,330 2,220 1,935 103 2,738 5,034 2,958 5,476 5,158
7 1,159 1,880 1,379 2,318 2,028 104 3,471 6,500 3,691 6,941 6,623
8 1,201 1,964 1,422 2,403 2,110 105 4,204 7,966 4,424 8,407 8,089
9 1,239 2,038 1,459 2,477 2,182 106 4,937 9,432 5,157 9,874 9,555
10 1,272 2,105 1,493 2,544 2,246 ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞
Fonte: Poulos & Davis, 1973

Para calcular o valor de Δσz em um ponto que não esteja situado sob o vértice da área
uniformemente carregada, deve-se adicionar e subtrair convenientemente, áreas carregadas
ao problema em questão. Uma situação deste tipo está ilustrada na Figura 6.28.

A B C

D F
E

G H R

Figura 6.31 – Esquema para cálculo de Δσz em um ponto R afastado de uma placa retangular
carregada uniformemente.

186
Como o ponto R está fora da área carregada, as equações (6.111) a (6.119) e o ábaco da
Figura 6.28 não podem ser aplicados diretamente. Entretanto, admitindo-se domínio elástico,
aplica-se o princípio da superposição de efeitos. Assim, o problema pode ser resolvido
calculando-se o incremento de tensão devido à área ACGR e deduzindo-se o incremento
devido a BCHR e DFGR. Como isto implica a dedução duas vezes da área EFHR, calcula-se
o incremento devido a essa área, que é então somado ao valor anteriormente obtido. Portanto,
o acréscimo de tensão vertical no ponto R induzido pela placa uniformemente carregada
ABDE é calculado através da expressão

(Δσz )R = p [ ( Iσ )ACGR − ( Iσ )BCHR − ( Iσ )DFGR + ( Iσ )EFHR ] (6.136)

Na Figura 6.32 é mostrado o bulbo de tensões para uma placa quadrada uniformemente
carregada.

Fonte: Fernandes, 1994


Figura 6.32 – Bulbo de tensões em uma área quadrada uniformemente carregada

187
19 – Carga vertical distribuída em uma área retangular atuando abaixo de uma superfície
semi-infinita (Figura 6.33)

p/unidade de área

Figura 6.33 - Carga vertical distribuída em uma área retangular atuando abaixo de uma
superfície semi-infinita

Este tipo de carregamento acontece, por exemplo, no caso de uma sapata retangular atuando
abaixo de uma superfície semi-infinita.
O acréscimo de tensão vertical na quina da área retangular é dado por

⎡ ⎛ ab ab ⎞ (z − h ) a R 1 a (z − h )3 ⎤
⎢(1 − υ) ⎜⎜ arctan + arctan ⎟⎟ + − + ⎥
⎢ ⎝ (z − h ) R 1 (z + h ) R 2 ⎠ 2 br12 2 br32 R 1 ⎥

Δσ z =
p

⎢ [ [
(3 − 4υ) z (z + h ) − h (5z − h )]a R 2 (3 − 4υ) z (z + h ) − h (z + h )(5z − h ) a ⎥

2
] ⎥

4π (1 − υ) ⎢ 2(z + h ) br22 2br42 R 2 ⎥


⎢ ⎥
⎢ 2hz (z + h ) a R 32 3 h z a R 2 r52 h z (z + h )3 a ⎛ 2b 2 − (z + h )2 a 2 ⎞ ⎥
⎢+ + − ⎜ − ⎟ ⎥
⎢⎣ b 3 r24 (z + h ) b 3 r22 b r44 R 2 ⎜⎝ b2 R 22 ⎟⎠ ⎥⎦

(6.137)
em que,
R 12 = a 2 + b 2 + (z − h ) ; R 22 = a 2 + b 2 + (z + h ) ;
2 2

r12 = a 2 + (z − h ) ; r22 = a 2 + (z + h ) ;
2 2

r32 = b 2 + (z − h )2 ; r42 = b 2 + (z + h ) ;
2

r52 = b 2 − (z + h )2 . (6.138)

Os acréscimos de tensão em outros pontos no interior da massa de solo podem ser obtidos
utilizando o princípio da superposição.
O deslocamento vertical na quina da área retangular é calculado através de

188
p a Iρ
ρz = (6.139)
E

em que a é o menor lado do retângulo e Iρ é o fator de influência, dado pela equação

( )
⎡ ⎧ ⎛ 2 ⎞ ⎫ ⎤
⎢k 1 ⎪⎨β ln ⎜ 1 + 1 + β ⎟ + ln β + 1 + β 2 ⎪⎬ + ⎥
⎢ ⎪ ⎜ β ⎟ ⎥
⎝ ⎠ ⎪⎭
⎢ ⎩ ⎥
⎢ ⎧ ⎛ ⎞ ⎫ ⎥
⎢ ⎪ ⎜
I ρ = k 0 ⎢k 2 ⎨ln
β+t ⎛
⎟ + β ln ⎜ 1 + t ⎞ ⎛
⎟⎟ − 2 α β arctan ⎜⎜
1 ⎞ ⎛
⎟⎟ + 4α β arctan ⎜
(1 − s )(β s − t ) ⎞ ⎪ ⎥
⎜ ⎟ ⎬⎥
⎜ 2 2 ⎟
⎝ βs ⎠ ⎝ 2αβ ⎠ ⎝ 2α ⎠⎪
⎢ ⎪⎩ ⎝ 1 + 4α β ⎠ ⎭⎥
⎢ 4 ⎥
⎢+ 2 α β k arctan ⎛⎜ 1 ⎞⎟ + 8α β t ⎧ 1 1⎫ ⎥
⎨2 + − ⎬

⎢⎣
1
(
⎝ 2αt ⎠ s 2 1 + 4α 2 t 2 ⎩ )4α 2 t 2 ⎭ ⎥
⎥⎦
(6.140)
1+ ν
k0 =
8π(1 − ν )
k 1 = 3 − 4ν

k 2 = 5 − 12ν + 8ν 2
α=h/b β = b/a

s = 1 + 4α 2
(6.141)
2 2
t = 1 + β (1 + 4α )

20 – Carga vertical distribuída sobre uma área circular na superfície de um semi-espaço


infinito (Figura 6.34)

p/unidade de área

Figura 6.34 - Carga vertical distribuída sobre uma área circular na superfície de um semi-
espaço infinito.

189
Esta situação ocorre, por exemplo, no caso de um tanque cilíndrico carregado de grãos ou
água, ou de uma fundação de chaminé de seção circular, que transmitem uma carga de
distribuição uniforme, p, à superfície do terreno.
Os esforços produzidos por uma placa circular, uniformemente carregada, na vertical que
passa pelo centro da placa, podem ser calculados por meio da integração da equação de
Boussinesq, para toda a área circular. Portanto, os acréscimos de tensão e o deslocamento
vertical em pontos ao longo do eixo de axissimetria são dados por

⎡ 3
2⎤
⎢ ⎧⎪ 1

⎪ ⎥
Δσ z = p ⎢1 − ⎨ 2⎬
⎥ (6.142)
⎢ ⎪1 + a
⎢⎣ ⎩ z
( )⎪


⎥⎦

⎡ ⎤
p⎢ 2(1 + ν ) z z3
Δσ r = Δσ θ = (1 + 2ν ) − + ⎥ (6.143)
2⎢
⎣ ( 1
)
a 2 + z2 2 a2 + z2 ( ) 3 ⎥
2

ρz =
( )
2pa 1 − ν 2 ⎛
⎜ 1 + (z a )2
− z / a ⎞
⎟ *

⎢1 +
z/a ⎤
⎥ (6.144)
E ⎝ ⎠ ⎢ 2(1 − ν ) 1 + (z / a )2 ⎥
⎣ ⎦

A figura 6.35 apresenta um ábaco que fornece isóbaras de Δσ v p , como função do


afastamento, x/a, e da profundidade relativa, z/a.

190
a
x/a

z/a

Δσ v
p

Fig. 6.35 – Ábaco para a determinação de acréscimos de tensões verticais devido a


carregamento circular

A expressão (6.142) é simplificada na prática com a introdução de um fator de influência,


tabelado em função do valor a/z, de modo que

Δσ z = p I σ (6.145)
em que

3
⎧ ⎫ 2
⎪ 1 ⎪
Iσ = 1− ⎨ 2⎬
(6.146)
⎪1 + a

( )
z

191
No Quadro 6.7 são mostrados alguns valores de Iσ para alguns valores de a/z.

QUADRO 6.7 – Fatores de influência para acréscimo de tensão vertical - Carga vertical
distribuída sobre uma área circular na superfície de um semi-espaço infinito.
___________________________________________________________________________

r/z 0,10 0,25 0,50 0,75 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00
Iσ 0,014 0,087 0,284 0,488 0,646 0,829 0,910 0,949 0,968
___________________________________________________________________________

r/z 3,50 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 9,00 10,00 ∝


Iσ 0,979 0,986 0,992 0,995 0,997 0,998 0,9986 0,999 1,000
___________________________________________________________________________
Fonte: Das, 1983

A profundidade atingida pelo bulbo de tensões no caso de carregamento em área circular é, de


aproximadamente 2a, em que a é a largura total ou o raio do carregamento (Figura 6.34). Se o
bulbo atingir camadas de solo mais compressíveis, a fundação estará sujeita a recalques
significativos.

21 – Carga vertical distribuída sobre a metade de uma superfície semi-infinita (Figura 6.36)

p/unidade de área
R R
β
β
(-x,z) (x,z)

Figura 6.36 - Carga vertical distribuída sobre a metade de uma superfície semi-infinita.

As tensões são dadas por:

p⎛ xz ⎞
Δσ z = ⎜β + 2 ⎟ (6.147)
π⎝ R ⎠
p⎛ xz ⎞
Δσ x = ⎜β − 2 ⎟ (6.148)
π⎝ R ⎠
p
Δτ xz = − sen 2 β (6.149)
π

192
22 - Carga pontual vertical na superfície de uma camada finita (Figura 6.37)

z
h r P(x,z)

base rígida

Figura 6.37 – Carga vertical em linha na superfície de uma camada finita

As equações para o cálculo dos acréscimos de tensão radial, σr, circunferencial, σθ, e
tangencial, τrz, e deslocamentos vertical e radial são

P
Δσ z = I σz (6.150)
2π h 2
P
Δσ r = I σr (6.151)
2π h 2
P
Δσ θ = I σθ (6.152)
2π h 2
P
Δτ rz = I τrz (6.153)
2π h 2

Os deslocamentos verticais e radiais na superfície podem ser calculados, respectivamente,


através das equações (6.154) e (6.155)

P
ρ z = I ρz (6.154)
2π hE
P
ρ z = I ρr (6.155)
2π hE

em que Iσz, Iσr, Iσθ, Iτrz, Iρz e Iρr são fatores de influência para diferentes valores do coeficiente
de Poisson. Estes valores foram tabelados por Poulos & Davis (1973) e são apresentados nos
Quadros 6.8 a 6.13.

193
QUADRO 6.8 - Fatores de influência Iσz para acréscimo de tensão vertical, Δσz - Carga
vertical pontual na superfície de uma camada finita

Fonte: Poulos & Davis, 1973


194
QUADRO 6.9 - Fatores de influência Iσr para acréscimo de tensão radial, Δσr - Carga vertical
pontual na superfície de uma camada finita

Fonte: Poulos & Davis, 1973


195
QUADRO 6.10 - Fatores de influência Iσθ para acréscimo de tensão circunferencial, Δσθ -
Carga vertical pontual na superfície de uma camada finita

196
QUADRO 6.11 - Fatores de influência Iτrz para acréscimo de tensão cisalhante, Δτrz - Carga
vertical pontual na superfície de uma camada finita

Fonte: Poulos & Davis, 1973


197
QUADRO 6.12 - Fatores de influência, Iρz para deslocamento vertical na superfície - Carga
vertical pontual na superfície de uma camada finita
r/h 0 0,2 0,4 0,5 r/h 0 0,2 0,4 0,5
0,05 37,580 35,921 31,052 27,351 1,25 0,080 0.031 -0,085 -0,194
0,1 17,586 16,728 14,260 13,360 1,5 0,013 -0,002 -0,077 -0,156
0,2 7,624 7,162 5,897 4,914 1,75 -0,007 -0,007 -0,048 -0,123
0,3 4,327 4,016 3,154 2,480 2,0 -0,012 -0,011 -0,039 -0,083
0,4 2,720 2,478 1,827 1,320 2,5 -0,004 -0,017 -0,025 -0,036
0,5 1,792 1,599 1,092 0,699 3,0 -0,003 0,001 -0.008 -0,025
0,6 1,212 1,048 0,635 0,290 3,5 -0,003 0,000 -0,004 -0,018
0,7 0,823 0,690 0,352 0,051 4,0 -0,001 0,000 -0,003 -0,012
0,8 0,560 0,450 0,168 -0,079 6,0 -0,000 -0,000 -0,001 -0,002
0,9 0,373 0,286 0,053 -0,160 8,0 -0,000 -0,000 -0,000 -0,000
1,0 0,250 0,282 -0,011 -0,183 10,0 -0,000 -0,000 -0,000 -0,000
Fonte: Poulos & Davis, 1973

QUADRO 6.13 - Fatores de influência, Iρr para deslocamento radial na superfície - Carga
vertical pontual na superfície de uma camada finita
r/h 0 0,2 0,4 0,5 r/h 0 0,2 0,4 0,5
0,05 19,959 14,362 5,559 -0,041 1,25 0,292 0,150 -0,175 -0,380
0,1 9,948 7,124 2,723 -0,078 1,5 0,167 0,048 -0,163 -0,315
0,2 4,896 3,455 1,250 -0,156 1,75 0,097 0,012 -0,134 -0,250
0,3 3,183 2,184 0,716 -0,225 2,0 0,060 0,002 -0,109 -0,195
0,4 2,308 1,523 0,426 -0,288 2,5 0,027 0,003 0,070 -0,118
0,5 1,773 1,064 0,232 -0,326 3,0 0,010 -0,002 -0,038 -0,072
0,6 1,277 0,824 0,102 -0,376 3,5 0,003 -0,008 -0,022 -0,046
0,7 1,000 0,620 0,008 -0,405 4,0 0,002 -0,000 -0,014 -0,029
0,8 0,789 0,465 -0,063 -0,420 6,0 0,000 -0,000 -0,002 -0,002
0,9 0,627 0,349 -0,111 -0,421 8,0 0,000 -0,000 -0,000 -0,001
1,0 0,499 0,259 -0,141 -0,417 10,0 0,000 -0,000 -0,000 -0,000
Fonte: Poulos & Davis, 1973

23 - Carga vertical em linha na superfície de uma camada finita (Figura 6.38)

p p/unidade de comprimento

z
h r P(x,z)

base rígida

Figura 6.38 – Carga vertical em linha na superfície de uma camada finita

198
Uma camada de solo elástico, de espessura h e sobrejacente a uma base rugosa rígida é
mostrada na Figura 6.38. Uma carga p por unidade de comprimento atua na superfície da
camada de solo. O acréscimo de tensão vertical em um ponto qualquer P(x,z) no interior da
camada de solo é expresso por

p
Δσ z = Iz (6.156)
πh
em que Iz é o fator de influência, função de z/h, x/h e do coeficiente de Poisson, ν. Valores de
Iz para diferentes valores de ν, são apresentados nos Quadros 6.14, 6.15, 6.16, 6.17.

QUADRO 6.14 – Fatores de influência, Iz para acréscimo de tensão vertical - Carga vertical
em linha na superfície de uma camada finita - ν = 0
z/h
x/h 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,4 0,2
0,0 2,634 2,787 2,980 3,249 3,641 5,157 9,891
0,1 2,573 2,713 2,885 3,118 3,443 4,516 5,946
0,2 2,400 2,505 2,627 2,774 2,948 3,251 2,341
0,3 2,144 2,203 2,261 2,311 2,335 2,099 0,918
0,4 1,840 1,855 1,857 1,830 1,751 1,301 0,407
0,5 1,525 1,504 1,465 1,391 1,265 0,803 0,205
0,6 1,223 1,179 1,117 1,024 0,889 0,497 0,110
0,7 0,954 0,898 0,827 0,733 0,611 0,308 0,062
0,8 0,721 0,661 0,592 0,508 0,408 0,185 0,032
0,9 0,536 0,479 0,417 0,345 0,267 0,108 0,015
1,0 0,357 0,306 0,254 0,199 0,144 0,045 -0,000
1,25 0,121 0,091 0,062 0,035 0,013 -0,016 -0,014
1,5 0,010 -0,005 -0,018 -0,028 -0,033 -0,035 -0,019
1,75 -0,030 -0,036 -0,040 -0,042 -0,039 -0,032 -0,017
2,0 -0,042 -0,042 -0,041 -0,039 -0,035 -0,025 -0,013
2,5 -0,025 -0,022 -0,019 -0,016 -0,013 -0,006 0,000
3,0 -0,010 -0,007 -0,005 -0,003 -0,000 0,003 0,006
4,0 0,006 0,006 -0,007 0,007 0,008 0,009 0,009
6,0 0,005 0,005 0,005 0,005 0,005 0,005 0,005
8,0 0,002 0,002 0,002 0,002 0,002 0,002 0,002
Fonte: Das, 1983

199
QUADRO 6.15 – Fatores de influência, Iz para carga vertical em linha na superfície de uma
camada finita - ν = 0,2
z/h
x/h 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,4 0,2
0,0 2,566 2,759 2,975 3,256 3,653 5,127 9,899
0,1 2,503 2,682 2,877 3,122 3,452 4,505 5,952
0,2 2,331 2,471 2,614 2,773 2,954 3,217 2,347
0,3 2,075 2,162 2,240 2,302 2,333 2,081 0,922
0,4 1,774 1,810 1,828 1,812 1,741 1,257 0,409
0,5 1,462 1,455 1,429 1,365 1,247 0,774 0,204
0,6 1,168 1,130 1,077 0,993 0,867 0,443 0,107
0,7 0,906 0,850 0,785 0,698 0,584 0,270 0,056
0,8 0,683 0,619 0,553 0,473 0,379 0,124 0,024
0,9 0,507 0,443 0,380 0,311 0,237 0,066 0,006
1,0 0,338 0,279 0,224 0,169 0,116 -0,020 -0,011
1,25 0,123 0,082 0,047 0,018 -0,005 -0,057 -0,024
1,5 0,027 0,003 -0,016 -0,031 -0,040 -0,097 -0,026
1,75 -0,006 -0,019 -0,029 -0,036 -0,038 -0,064 -0,019
2,0 -0,014 -0,019 -0,022 -0,026 -0,026 -0,131 -0,011
2,5 -0,003 -0,004 -0,004 -0,004 -0,004 -0,042 0,002
3,0 0,004 0,004 0,004 0,004 0,004 0,005 0,006
4,0 0,005 0,005 0,004 0,005 0,005 0,005 0,004
6,0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000
8,0 -0,000 -0,000 -0,001 -0,001 -0,001 -0,001 -0,001
Fonte: Das, 1983

200
QUADRO 6.16 – Fatores de influência, Iz para carga vertical em linha na superfície de uma
camada finita - ν = 0,4
z/h
x/h 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,4 0,2
0,0 2,539 2,787 3,025 3,312 3,704 5,201 9,905
0,1 2,471 2,702 2,920 3,171 3,498 4,585 5,957
0,2 2,291 2,477 2,642 2,810 2,990 3,283 2,351
0,3 2,021 2,145 2,245 2,318 2,352 2,117 0,923
0,4 1,711 1,773 1,810 1,808 1,744 1,307 0,409
0,5 1,389 1,397 1,387 1,338 1,231 0,792 0,201
0,6 1,092 1,061 1,021 0,951 0,837 0,476 0,105
0,7 0,830 0,774 0,718 0,644 0,543 0,276 0,053
0,8 0,615 0,547 0,485 0,416 0,335 0,150 0,023
0,9 0,447 0,375 0,314 0,254 0,192 0,070 0,005
1,0 0,294 0,224 0,167 0,117 0,075 0,010 -0,007
1,25 0,111 0,059 0,020 -0,010 -0,028 -0,037 -0,015
1,5 0,043 0,011 -0,014 -0,031 -0,040 -0,035 -0,011
1,75 0,024 0,005 -0,010 -0,021 -0,026 -0,021 -0,005
2,0 0,025 0,015 0,006 -0,001 -0,005 -0,005 0,002
2,5 0,027 0,022 0,018 0,014 0,011 0,007 0,006
3,0 0,022 0,019 0,017 0,014 0,012 0,008 0,005
4,0 0,008 0,006 0,005 0,004 0,003 0,001 0,000
6,0 0,000 -0,000 -0,000 -0,001 -0,001 -0,001 -0,001
8,0 -0,001 -0,001 -0,001 -0,001 -0,001 -0,001 -0,001
Fonte: Das, 1983

201
QUADRO 6.17 – Fatores de influência, Iz para carga vertical em linha na superfície de uma
camada finita - ν = 0,5
z/h
x/h 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,4 0,2
0,0 2,580 2,865 3,113 3,391 3,772 5,234 9,911
0,1 2,508 2,774 3,001 3,243 3,562 4,586 5,960
0,2 2,312 2,528 2,703 2,876 3,040 3,305 2,343
0,3 2,023 2,170 2,279 2,349 2,383 2,128 0,907
0,4 1,689 1,766 1,815 1,815 1,755 1,307 0,389
0,5 1,350 1,365 1,365 1,320 1,223 0,786 0,187
0,6 1,039 1,008 0,978 0,916 0,814 0,466 0,099
0,7 0,771 0,711 0,661 0,594 0,509 0,264 0,058
0,8 0,553 0,478 0,421 0,360 0,294 0,137 0,035
0,9 0,390 0,309 0,251 0,195 0,149 0,057 0,020
1,0 0,241 0,162 0,106 0,062 0,032 -0,005 0,005
1,25 0,079 0,020 -0,023 -0,055 -0,064 -0,057 -0,021
1,5 0,026 -0,013 -0,042 -0,064 -0,070 -0,061 -0,034
1,75 0,018 -0,006 -0,027 -0,046 -0,049 -0,047 -0,034
2,0 0,024 0,010 -0,003 -0,014 -0,020 -0,026 -0,025
2,5 0,034 0,027 0,020 0,001 0,009 -0,000 -0,006
3,0 0,032 0,028 0,023 0,015 0,015 0,008 0,003
4,0 0,019 0,017 0,015 0,013 0,011 0,008 0,007
6,0 0,006 0,005 0,004 0,004 0,004 0,003 0,002
8,0 0,001 0,000 0,000 0,000 0,000 -0,000 -0,001
Fonte: Das, 1983

6.4 Ábaco de Newmark

O ábaco de Newmark pode ser empregado nos casos em que a configuração da área carregada
na superfície do terreno é muito irregular. Com base na solução de Love para placa circular
uniformemente carregada, Newmark desenvolveu um método gráfico que permite obter
tensões verticais induzidas por um carregamento uniforme qualquer que atue na superfície do
terreno. Este ábaco baseia-se no fato de que quando se aplica uma pressão sobre toda a
extensão da superfície de um terreno, em um ponto qualquer, a uma profundidade qualquer, o
acréscimo de tensão induzido é igual ao somatório dos efeitos provocados por carregamentos
em áreas parciais que cubram toda a superfície. Cada uma destas áreas contribui com uma
parcela do acréscimo de tensão. Deste modo, a superfície do terreno pode ser dividida em
diversas áreas em que cada uma é responsável por uma parcela do acréscimo de tensão.
Na construção do ábaco, consideram-se, inicialmente, os raios de círculo que, se carregados
na superfície do terreno, provocam, na vertical passando pelo centro do círculo e a uma dada
profundidade, acréscimos de tensão correspondentes a 10%, 20%, 30%, etc. da pressão
aplicada na superfície, definindo, deste modo, os círculos do ábaco, conforme mostra a Figura
6.39. Este procedimento divide a superfície do terreno em 10 áreas, cuja influência é de 10%
do efeito do carregamento em toda a área. Em seguida, divide-se cada anel em 20 setores
iguais. Desta maneira, o terreno ficou dividido em 200 áreas de igual influência. Deve-se
observar que o ábaco fica relacionado a uma dimensão que, em escala, representa a
202
profundidade do ponto em que se quer calcular o acréscimo de tensão induzido pelo
carregamento na superfície (Pinto, 2000).
Para construir o ábaco de Newmark, emprega-se a equação de Boussinesq para acréscimos de
tensões verticais, integrada por Love para a determinação do acréscimo de tensão em pontos
ao longo de uma vertical passando pelo centro de uma área circular uniformemente carregada,
equação 6.142, que pode ser reescrita como

3/ 2
⎡ ⎤
Δσ z 1
= Iσ = 1 − ⎢ ⎥ (6.157)
p ⎢
( )
a
⎢⎣1 + z
2⎥
⎥⎦

Atribuindo-se valores ao fator de influência Iσ é possível calcular o raio da área circular, a,


necessário para induzir o acréscimo de pressões a uma determinada profundidade z.
Por exemplo, para Iσ=0,1, a relação entre o raio, a, e a profundidade, z, obtida da equação
(6.157) é a/z=0,269. Portanto, para um círculo em que o raio é a =0,269z (Figura 6.39) este
induziria, em um ponto P, situado na vertical que passa pelo centro da área circular, um
acréscimo de tensão correspondente a Δσ z = 0,1 p . O círculo assim construído é então
dividido em partes iguais (nos ábacos de Newmark, em geral 20 partes), de modo que cada
uma delas contribua com a mesma parcela para o acréscimo de tensão final σz. No caso de 20
partes, cada uma vai contribuir com Δσ z = 0,1 p 20 = 0,005 p .
Fazendo Iσ=0,2, obtém-se a/z=0,400., ou seja, para que o acréscimo de tensão induzido no
ponto P seja igual a 0,2p, a área carregada deverá ter um raio a=0,400z.
Na Figura 6.39, o círculo cujo raio é 0,400z é desenhado concêntrico ao anterior. Como o
primeiro círculo (de raio a=0,269z) induz um acréscimo de tensão de 0,1p, então, a coroa
circular entre os dois círculos traçados induz um acréscimo de tensão também de 0,1p de
modo que o total induzido pela segunda área circular seja de 0,2p. Prolongando-se os raios
que dividiam o primeiro círculo em partes iguais, a coroa circular ficará dividida em partes
cuja influência é igual 0,005p.
Na Figura 6.40 é mostrado o ábaco de influência para cálculo da tensão vertical, em um ponto
a uma profundidade AB.

203
unidade de influência
0,005p

r=0,269z

r=0,400z

Figura 6.39 – Elaboração do ábaco de Newmark

Fonte: Pinto, 2000


Figura 6.40 – Ábaco de influência para cálculo da tensão vertical, em um ponto a uma
profundidade AB.

Suponha-se que a planta de uma edificação com formato irregular é conhecida e que se queira
determinar a influência desta edificação em um ponto do solo a uma determinada
profundidade. O procedimento consiste em desenhar a planta da edificação na mesma escala

204
em que foi construído o ábaco, de modo que o ponto em questão fique no centro do ábaco,
como exemplificado na Figura 6.14, e contar o número de “quadradinhos” do ábaco que foi
ocupado pela planta. Como cada um dos “quadradinhos” carregado provoca, no ponto em
questão, 0,005p ou 0,5% da tensão aplicada, a tensão vertical induzida pelo carregamento na
superfície no ponto é obtida multiplicando-se o número de “quadradinhos” carregados pelo
valor de influência (0,005) vezes a tensão aplicada. Na contagem, deve-se fazer uma
compensação para as frações de “quadradinhos” abrangidos pela edificação. A tensão
determinada corresponde sempre ao ponto situado na projeção do centro dos círculos, na
profundidade estabelecida pela escala do desenho. As tensões em outras profundidades
poderão ser obtidas desenhando-se outro ábaco ou outra planta de edificação de maneira a
compatibilizar as escalas (Pinto, 2000).

Fonte: Pinto, 2000


Figura 6.41 – Exemplo de aplicação do Ábaco de Newmark

6.5 – Algumas considerações

É importante ressaltar que, as tensões verticais induzidas no interior do maciço pelo


carregamento externo determinadas pela Teoria da Elasticidade independem do módulo de
elasticidade ou do coeficiente de Poisson do material. Como se sabe, os maciços de terra não
são homogêneos e isotrópicos, mas, de modo geral, formados por várias camadas ou extratos
com características mecânicas diferentes. Nesses casos, a distribuição das tensões com a
profundidade é função dos valores relativos dos vários módulos de elasticidade. Mesmo em
205
solos homogêneos, o módulo de elasticidade cresce com a profundidade. Nas situações em
que os módulos não sejam muito diferentes, a distribuição das tensões verticais não se afasta
significativamente daquela para um meio homogêneo e, portanto, a adoção das soluções dadas
pela Teoria da Elasticidade pode ser considerada adequada (Fernandes, 1994).
Deve-se atentar ainda que se admite comportamento elástico para solos somente para
pequenas deformações. Quando as tensões e deformações deixam de ser proporcionais, é
necessário dividir o carregamento em estágios sucessivos e definir para cada acréscimo de
carregamento, parâmetros elásticos diferentes. Para aplicação da Teoria da Elasticidade, é
necessário, portanto, que os acréscimos de tensão sejam pequenos e que o estado final de
tensões esteja longe da ruptura. Segundo esta teoria, o solo deve ainda constituir um semi-
espaço infinito.
Finalmente, cabe também chamar a atenção para o fato de que as tensões calculadas com base
na Teoria da Elasticidade são tensões totais. Estes valores são repartidos pelas duas fases do
solo, suposto saturado. Em geral, ocorrerão variações das tensões efetivas e da poropressão
com o carregamento, variações essas que devem ser adicionadas às tensões de repouso de
modo a se obter o estado de tensão final.
As soluções da Teoria da Elasticidade, apesar de reconhecidas as suas limitações, têm sido
amplamente empregadas mesmo para solos não homogêneos. Soluções bem sucedidas e
comprovadas, pelo acompanhamento de obras, justificam seu emprego (Pinto, 2000).

6.6 – Trajetórias de tensão

Muitas vezes é necessário representar a alteração de tensões sofrida por um elemento de solo
durante um certo carregamento. Se o material é admitido perfeitamente elástico e linear, o
estado final de tensões e deformações independe dos estados intermediários. Não há histerese
nem não-linearidade da curva de tensão-deformação e, conseqüentemente, cada estado
depende somente das tensões que atuam naquele momento. Em plasticidade, ao contrário, o
estado final depende de como o material se comportou durante o carregamento. Ao se
plastificar, um elemento transfere carga para os demais. O material apresenta, ainda, histerese
e não-linearidade da curva tensão-deformação. Por esta razão, é importante conhecer sua
trajetória de tensões.
As trajetórias de tensão podem ser definidas como trajetórias de tensões totais (TTT) e
trajetórias de tensões efetivas (TTE).
Uma das formas de se traçar trajetórias de tensão de um ponto é adotar um sistema de eixos
tridimensional em que as variáveis são os invariantes de tensão ou, alternativamente, podem
ser adotadas as tensões octaédricas. Estas soluções, entretanto, não são práticas, pois tanto a
representação gráfica quanto o cálculo de τoct são trabalhosos (Ortigão, 1993).
Para representar as trajetórias de tensões no caso bidimensional, têm sido empregados o
diagrama tipo MIT (Massachussetts Institute of Technology) (Lambe e Whitman, 1979), e o
diagrama tipo Cambridge (Universidade de Cambridge) (Atkinson & Bransby, 1978).

206
i) Diagrama tipo MIT

Este tipo de diagrama, também conhecido por diagrama s-t, é construído do mesmo modo que
o círculo de Mohr.
Considere-se a sucessão de estados de tensão mostrada na Figura 6.36a. Considerando o ponto
A no topo do primeiro círculo, antes do carregamento, e os pontos B, C, D, etc., nos círculos
seguintes, a trajetória de tensão correspondente será uma linha unindo os pontos A a E,
conforme mostrado na Figura 6.36b. Isto corresponde a se tomar os eixos coordenados s e t,
de modo que

σ1 + σ 3 σ1 − σ 3
s= t= (6.157)
2 2

Se as tensões principais atuam nos planos vertical e horizontal, as equações (6.157) tornam-se

σv + σh σv − σh
s= t= (6.158)
2 2

A marcação de um ponto no diagrama s-t pode ser feita também pelo método dos LGs,
traçando, a partir do eixo s, os lugares geométricos dos pontos que têm valores constantes de
tensão vertical, σv e horizontal, σh, tendo em mente que:
(a) O LG dos pontos de mesma tensão vertical, σv, é uma reta a partir da abscissa s=σv, com
inclinação de 450 , à esquerda, como mostrado na Figura 6.37a;
(b) O LG dos pontos de mesma tensão horizontal, σh, é uma reta a partir da abscissa s=σh,
com inclinação de 450 , à direita, como mostrado na Figura 6.37b;
(c) O LG dos pontos em que σv=σh, é uma reta coincidente com o eixo s, denominada eixo
hidrostático, como mostrado na Figura 6.37c;
(d) O LG dos pontos em que t/s=constante, ou σv/σh=k=constante, é uma reta inclinada, como
mostrado na Figura 6.37d;

207
τ

E
D
C
B
A

(a)
σ

E
D
C
B
A

(b)
s

Figura 6.36 – Trajetórias de tensão no diagrama MIT


(a) Círculos de Mohr; (b) Diagrama MIT

208
t

1
1
(a)
σv s

1
1
(b)
h s

(c)
σv=σh s

t
k=k0
k>1

(d)
k=1 s

K<1

Figura 6.37 – (a) LG dos pontos em que s=σh; (b) LG dos pontos em que s=σv;
(c) LG dos pontos em que σv=σh; (d) LG dos pontos em que σv/σh=k=constante

Os valores de s’ e t’ correspondentes a trajetórias de tensões efetivas são dados por

s' = s − u t' = t (6.159)

209
ii) Diagrama tipo Cambridge

Como a abscissa s não leva em conta a influência da tensão principal intermediária, σ2, um
outro sistema de eixos coordenados, p-q, relacionado às tensões octaédricas, σoct e τoct, tem
sido adotado (Figura 6.38), de modo que

3
p = σ oct q= τ oct (6.160)
2
q

Figura – 6.38 – Eixos coordenados p-q

Nas situações axissimétricas,em que σ2=σ3, o valor de q simplifica-se para

q = σ1 − σ 3 (6.161)

No diagrama tipo Cambridge, os valores de p’ e q’ correspondentes a trajetórias de tensões


efetivas são dados por

p' = p − u q' = q (6.162)

210
6.7 – Exemplos

1 – Considerando a aplicação de uma carga de 1000 kN sobre a superfície de um semi-espaço


infinito e admitindo ν = 0,5, obter as tensões finais σvf, σhf, τvhf no ponto P, conforme
mostrado na figura abaixo. Considerar k0=0,5.

1000 kN

4,24m 3m
=20 kN/m3
P
3m

Resolução:

As coordenadas do ponto P são:


z = 3m
r = 3m

• cálculo de R:

R = (3 2 + 3 2 ) 0.5
R = 4.24

• cálculo dos acréscimos de tensão de acordo com as expressões de Boussinesq

3 x 1000 x 33
Δσ z = = 9,4 kPa
2 π 4,245

1000 ⎡ 3 x 32 x 3 (1 − 2 x 0,5) ⎤
Δσ r = ⎢ − ⎥ = 9,4 kPa
2π ⎣ 4,24
5
4,24 (4,24 + 3) ⎦

2 x 1000 x 3 x 32
Δτ rz = = 9,4 kPa
2 π 4,245

211
• as tensões iniciais são

σ v 0 = 3 x 20 = 60 kPa

σ h 0 = 0,5 x 60 = 30 kPa

• as tensões finais são

σ vf = σ v 0 + Δσ z = 60 + 9,4 = 69,4 kPa

σ hf = σ h 0 + Δσ r = 30 + 9,4 = 39,4 kPa

τ vhf = τ vh 0 + Δτ rz = 0 + 9,4 = 9,4 kPa

2 – Para a situação do exemplo 1, calcular o valor de Δσz aplicando o ábaco da Figura 6.4.

Resolução:

• entra-se no ábaco com o valor de r/z = 3/3 = 1, obtendo-se NB = 0,084 e da equação


(6.4) tem-se

1000
Δσ z = 0,084 = 9,3 kPa
3

212
3 - Calcular o acréscimo de pressão vertical nos pontos A e B, mostrados na figura abaixo,
transmitido ao terreno por um tanque circular de 6m de diâmetro, para uma pressão de 240
kPa. Os pontos A e B estão à profundidade de 3m, porém A está sob o centro do
carregamento e B, sob a borda.
R é o raio do tanque.
6m

240 kPA

3m
γ=16,5kN/m3
A B

Resolução:

• determinam-se o afastamento e a profundidade relativa, respectivamente, x/R e z/R e


depois se localiza o ponto correspondente a esses valores no ábaco. Em seguida, determina-se
a isóbara correspondente, obtendo-se o valor de Δσv/p. Os cálculos estão mostrados no quadro
abaixo.

Ponto x (m) z (m) x/r z/r Δσv/p Δσv


(kPa)
A 0 3 0 1 0,64 154
B 3 3 1 1 0,33 79

4 - Calcular, a partir das equações (6.119) a (6.129) e do ábaco da Figura 6.29, o acréscimo de
tensão vertical Δσz a 5 m de profundidade sob a quina de uma sapata retangular de 6m x 8m,
carregada com 300 kPa.

Resolução:

• através das equações (6.97) têm-se

R 1 = (6 2 + 5 2 ) 0,5 = 7,8 m
R 2 = (8 2 + 5 2 ) 0,5 = 9,4 m
R 3 = (6 2 + 8 2 + 5 2 ) 0,5 = 11,2 m
213
• acréscimo de tensão vertical:

300 ⎡ ⎤
Δ σz =
2π ⎣
⎛ 6x8 ⎞ 6x8x5
⎢a tan⎜⎜ ⎟⎟ + ( )
7,8 −2 + 9,4 −2 ⎥ = 62 kPa
⎝ 5 x 11,2 ⎠ 11,2 ⎦

• para calcular o valor de Δσz através do ábaco da Figura 6.20, admitem-se:

m = l / z = 6 / 5 = 1,2
n = b / z = 8 / 5 = 1,6

• entrando no ábaco com estes valores, obtém-se o fator de influência I=0,21. O valor
de Δσz é dado por:

Δσ z = p I
Δσ z = 300 x 0,21 = 62 kPa

5 - A planta baixa apresentada na figura abaixo indica uma área retangular HECI carregada
com p=100 kPa, aplicada ao nível do terreno. Calcular o incremento de tensão vertical no
ponto A, afastado da área carregada tanto em planta quanto em profundidade, estando 10 m
abaixo do nível do terreno.
B G A

H
E F

P=100kPa

C I D

Resolução:

Como o ponto A está fora da área carregada, as equações (6.89) a (6.97) e do ábaco da Figura
6.20 não podem ser aplicados diretamente. Admitindo-se domínio elástico, aplica-se o
princípio da superposição de efeitos.

214
Área L (m) B (m) m (*) n(*) Iσ Δσz
ABCD 15 20 1,5 2,0 0,223 + 22,3
ABEF 5 20 0,5 2,0 0,135 - 13,5
AGID 15 5 1,5 0,5 0,131 - 13,1
AGHF 5 5 0,5 0,5 0,085 + 8,5
Δσz=4,2 kPa
(*) m=L/z e n=B/z

6 – Para o ponto A na figura abaixo, calcular o incremento de tensão vertical Δσz devido a
duas cargas verticais distribuídas em linha.

4m
p2 = 30 kN/m p1 = 20 kN/m

2m
A

2m
Resolução

Com o valor de x z para cada situação de carga, tem-se, a partir do Quadro 6.1, o valor de
Δσ z (p / z ) .

x 2 ⎛ Δσ z (1) ⎞
Para a carga p1, = =1 e, portanto, ⎜⎜ ⎟ = 0,159 . O acréscimo de tensão vertical é

z 2 (
⎝ 1 p / z ) ⎠
então

20
Δσ z (1) = 0,159 (p1 / z) = 0,159
2
Δσ z (1) =1,59 kN / m 2

x 6 ⎛ Δσ z ( 2) ⎞
Para a carga p2, = = 3 e, ⎜⎜ ⎟ = 0,006 . O acréscimo de tensão vertical para este

z 2 (
⎝ 2 p / z ) ⎠
carregamento é

215
30
Δσ z ( 2) = 0,006 (p 2 / z) = 0,006
2
Δσ z ( 2) = 0,09 kN / m 2

O acréscimo de tensão vertical total é a soma de Δσ z (1) Δσ z( 2 )

Δσ z = Δσ z (1) + Δσ z ( 2) =1,59 + 0,09 = 1,68 kN / m 2

216
CAPÍTULO 7

ENERGIA DE DEFORMAÇÃO ELÁSTICA

7.1 – Conceitos fundamentais

Em mecânica, energia é definida como a capacidade de produzir trabalho. Trabalho é o


produto de uma força pela distância na direção do movimento (Popov, 1978).
Sempre que um corpo linear elástico é submetido a forças de massa ou externas, sofre
deslocamentos que estão linearmente relacionados às forças aplicadas através das relações
tensão-deformação. Como o produto de força por deslocamento é definido como trabalho ou
energia, esta combinação de força e deslocamento em um corpo elástico sob carregamento é
denominada energia de deformação ou trabalho elástico do corpo.
De acordo com o princípio da conservação de energia, toda vez que um corpo é submetido a
uma série de carregamentos, este tende a sofrer deslocamentos que irão produzir um estado de
energia mínimo (o menor estado de energia) no corpo. Isto é conhecido como o princípio do
trabalho mínimo e é utilizado para resolver problemas que não possam ser resolvidos pelos
métodos comuns de equações diferenciais. Fisicamente, o princípio funciona do seguinte
modo: se as cargas atuantes em um corpo são conhecidas, mas os deslocamentos são
desconhecidos e difíceis de calcular, podem-se assumir várias configurações para os
deslocamentos consistentes com as condições de contorno e calcular, então, a energia de
deformação no corpo. A configuração de deslocamento que produzir o menor valor de
energia no sistema será a configuração correspondente à solução exata do problema.

7.2 – Energia de deformação elástica

Considere-se um elemento infinitesimal, tal como mostra a Figura 7.1, submetido a uma
tensão normal σx, gradualmente aplicada. Da lei de Hooke, sabe-se que as tensões normais σx,
σy e σz produzem as deformações εx, εy, e εz. A força que age na face direita ou esquerda
deste elemento, cuja área é dy dz, é σx dy dz. Devido a essa força, o elemento se alonga de
uma quantidade εx dx. Se o elemento é feito de um material elástico de comportamento linear,
a tensão é proporcional à deformação, ou seja, a curva tensão-deformação de σx vs. εx é linear
e o material se encontra na região de validade da lei de Hooke (Figura 7.2). Dessa forma, se o
elemento está inicialmente livre de tensões, a força que finalmente age sobre o elemento
aumenta linearmente de zero até seu valor máximo. A força média que atua sobre o elemento
enquanto ocorre a deformação é ½ σx dy dz. Essa força média multiplicada pela distância na
qual ela age é o trabalho realizado sobre o elemento. Para um corpo perfeitamente elástico,
nenhuma energia é dissipada e o trabalho realizado sobre o elemento é armazenado como
energia interna de deformação recuperável. Assim, a energia de deformação elástica interna
U para um elemento infinitesimal submetido a uma tensão uniaxial é
⎛ 0 + σx ⎞ 1 1
dU = ⎜ ⎟ dy dz (ε x dx ) = σ x ε x dx dy dz = σ x ε x dV (7.1)
⎝14242⎠443 1 23 2
distância
2
14força
4média
4424444 3
trabalho

em que dV é o volume do elemento infinitesimal. Como as tensões σy e σz são nulas, neste


caso, nenhuma contribuição é dada à energia de deformação pelas deformações εy e εz.

σx
Energia complementar
y

x σx σx E
z 1
dy dz
dx
(a) (b) Energia de εx
Deformação
Figura 7.1 – (a) Elemento submetido à tensão uniaxial; (b) diagrama tensão-deformação

Reagrupando a equação 7.1, obtém-se a energia de deformação armazenada em um corpo


elástico, por unidade de volume de material, ou densidade de energia de deformação, U0
Assim

dU σ ε
= U0 = x x (7.2)
dV 2

A equação 7.2 pode ser interpretada graficamente como a área sob a linha inclinada do
diagrama tensão-deformação (Figura 7.1b). A área delimitada pela linha inclinada e o eixo
vertical é denominada energia complementar. Para materiais elásticos de comportamento
linear, as duas áreas são iguais. Expressões análogas à equação 7.2 aplicam-se às tensões σy
e σz e às deformações lineares correspondentes εy e εz.
Para as tensões e deformações de cisalhantes, a função de energia pode ser estabelecida para
um elemento infinitesimal sob cisalhamento puro, de modo análogo ao que foi feito para a
tensão uniaxial. Admite-se que o plano inferior do elemento, mostrado na Figura 7.2, tenha
posição fixa. Quando o elemento é deformado, a força no plano superior atinge um valor final
de τxy dx dz. O deslocamento total correspondente a esta força, para pequenas deformações do
elemento é γxy dy, conforme a Figura 7.2b. Deste modo, como o trabalho externo realizado
sobre o elemento é igual à energia de deformação elástica interna e recuperável

218
⎛ 0 + τ xy ⎞ 1 1
dU cis = ⎜⎜ ⎟ dx dz γ xy dy = τ xy γ xy dx dy dz = τ xy γ xy dV
⎟ (7.3)
⎝14242⎠443 1 23 2
distância
2
força média

y dx= γxy dy
τyx
y
γxy
x τxy dy
dy
z
dz
dx x
(a) (b)

Figura 7.2 - (a) Elemento submetido a tensões cisalhantes; (b) configuração deformada

A densidade de energia de deformação para o cisalhamento é

⎛ dU ⎞ τxy γ xy
⎜ ⎟ = (7.4)
⎝ dV ⎠cis 2

Expressões análogas aplicam-se para as tensões de cisalhamento τyz e τzx e as deformações


angulares correspondentes, γyz e γzx.
A expressão geral para a energia de deformação de um elemento infinitesimal tridimensional
submetido às seis componentes de tensão é dada por

dU =
1
(σ x ε x + σ y ε y + σ z ε z + τ xy γ xy + τ yz γ yz + τ zx γ zx )dx dy dz (7.5)
2

A densidade de energia ou energia por unidade de volume, dx dy dz, U0 é

= (σ x ε x + σ y ε y + σ z ε z + τ xy γ xy + τ yz γ yz + τ zx γ zx )
dU 1
U0 = (7.6)
dV 2

219
Fazendo uso das relações tensão-deformação (equações 4.9 e 4.10), a equação 7.6 pode ser
transformada em uma equação para a energia de deformação elástica por unidade de volume
de materiais isotrópicos, expressa em termos somente das tensões

ν
U0 =
1
2E
( )
σ 2x + σ 2y + σ 2z − (σ x σ y + σ y σ z + σ z σ x ) +
E
1 2
2G
(
τ xy + τ 2yz + τ 2zx ) (7.7)

ou das deformações:

E ⎡
U0 = ⎢
ν
(ε x + ε y + ε z )2 + 1 ε 2x + ε 2y + ε 2z + 1 γ 2xy + γ 2yz + γ 2zx ⎤⎥
( ) ( )
2 ⎣ (1 + ν ) (1 − 2 ν) 1+ ν 2 (1 + ν ) ⎦
(7.8)

Nos casos em que não existem tensões de cisalhamento, o último termo do lado direito das
equações 7.7 e 7.8 desaparecem.
Em geral, para um corpo elástico sob tensão, a energia total de deformação é obtida através da
integral de volume:

U = ∫∫∫ U 0 dV = ∫∫∫ U 0 dx dy dz (7.9)

A equação 7.8 é importante no estabelecimento das leis de plasticidade e a equação 7.9 é


muito empregada na análise de tensões pelo método de energia.
Uma relação interessante é obtida através da diferenciação da energia em relação às
componentes de deformação. Considerando primeiramente a derivada de U0 em relação a εx

∂ U0 E ⎡ ν 2 ⎤
= ⎢ 2 (ε x + ε y + ε z ) + εx ⎥ (7.10)
∂ ε x 2 ⎣ (1 + ν) (1 − 2ν ) 1+ ν ⎦

verifica-se que o resultado corresponde ao lado direito da primeira equação 4.10. Portanto,

∂ U0
= σx (7.11)
∂ εx

Diferenciando U0 em relação a εy e εz, obtêm-se, respectivamente,

220
∂ U0
= σy (7.12)
∂ εy

∂ U0
= σz (7.13)
∂ εz

que correspondem, respectivamente, à segunda e à terceira equações (4.10). Analogamente,


para as deformações cisalhantes:

∂ U0
= τ xy (7.14)
∂ γ xy

∂ U0
= τ yz (7.15)
∂ γ yz

∂ U0
= τ xz (7.16)
∂ γ xz

A expressão geral para a energia interna total de deformação em um corpo elástico linear é,
integrando a equação 7.5:

1
(σ x ε x + σ y ε y + σ z ε z + τ xy γ xy + τ yz γ yz + τ zx γ zx )dx dy dz
2 ∫∫∫
U= (7.17)

que, no caso de barras axialmente carregadas reduz-se a:

1 ⎛ σ 2x ⎞
2 ∫∫∫ ⎜⎝ 2 E ⎟⎠
U= ⎜ ⎟ dx dy dz (7.18)

P
Nestes casos, σ x =
A
, e em dada seção transversal da barra, ∫∫ dy dz = A . Deste modo, se P e
A são função somente da coordenada x, então:

221
P2
U=∫ dx (7.19)
2AE

7.3 – Cálculo de deslocamentos pelos métodos da energia

De acordo com o princípio da conservação da energia, a energia não pode ser criada ou
destruída. Este princípio pode ser adotado na determinação dos deslocamentos induzidos pela
aplicação de forças aos sistemas elásticos. De acordo com a 1a Lei da Termodinâmica, o
princípio da conservação de energia pode ser expresso como (Popov, 1978):

trabalho realizado = variação de energia

Em um processo adiabático (aquele em que nenhum calor é transferido para ou do sistema) e


sem geração de calor no sistema, em que as forças são aplicadas estaticamente (a aplicação é
lenta o suficiente para que a energia cinética possa ser desprezada), esta lei é escrita, para
sistemas conservativos, como

We = U (7.20)

em que We é o trabalho realizado pelas forças externas aplicadas durante o processo de


carregamento.
Em sistemas elásticos lineares, se uma força é aplicada ao corpo, ela aumenta linearmente de
zero até seu valor final. Deste modo, o trabalho externo é igual à metade da força final
multiplicada pelo deslocamento na direção de sua ação. A possibilidade de formulação de We
e U permite a utilização da equação 7.20 na determinação de deslocamentos. O Exemplo 2
ilustra este procedimento. Cabe ressaltar que o método ilustrado neste exemplo limita-se à
determinação do deslocamento elástico provocado por uma força no ponto de sua aplicação.

7.4 Teorema de reciprocidade dos trabalhos e deslocamentos – Teorema de Maxwell

Considere o corpo elástico, mostrado na Figura 7.3, submetido à ação das forças concentradas
P1 e P2. O trabalho de deformação do corpo é igual ao trabalho realizado por P1 e P2, enquanto
essas forças são aplicadas gradualmente nos pontos A e B, respectivamente. Supondo que ao
sistema possa ser aplicado o princípio da independência da ação de forças, pode-se determinar
o trabalho realizado pelas forças P1 e P2 quando aplicadas na ordem direta e inversa.

222
P1 P2

2
1

Figura 7.3 – Corpo elástico submetido às forças P1 no ponto 1 e P2 no ponto 2

Aplicando em primeiro lugar somente a carga P1 no ponto 1, observa-se que tanto o ponto 1
quanto o ponto 2 sofrem deslocamentos e que estes deslocamentos são proporcionais à carga
P1:

δ11 = f 11 P1
(7.21)
δ 21 = f 21 P1

em que,
δ11 - deslocamento no ponto 1 na direção de P1, provocado por esta mesma força;
δ 21 - deslocamento no ponto 2 provocado pela força P1;
f 11 , f 21 - constantes denominadas fatores ou coeficientes de influência. Estas constantes
representam deslocamentos em 1 e em 2 quando a força P1 aplicada em 1 é unitária, e se
constituem em características do corpo (flexibilidade).
Aplicando somente a carga P2 no ponto 2, os deslocamentos nos pontos 1 e 2 são expressos
por:

δ12 = f 12 P2
(7.22)
δ 22 = f 22 P2
em que
δ12 - deslocamento no ponto 1 provocado pela força P2;
δ 22 - deslocamento no ponto 2 na direção de P2, provocado por esta mesma força;
f 12 , f 22 - constantes denominadas fatores ou coeficientes de influência. Estas constantes
representam deslocamentos em 1 e em 2 quando a força P2 aplicada em 2 é unitária.
Aplicando o princípio da superposição, os deslocamentos nos pontos 1 e 2, quando são
aplicadas as duas forças P1 e P2, são dados por

223
δ1 = δ11 + δ12 = f 11 P1 + f 12 P2
(7.23)
δ 2 = δ 21 + δ 22 = f 21 P1 + f 22 P2

O trabalho realizado pela força P1, aplicada gradualmente no ponto 1, é:

P1 δ11 = P1 (f 11 P1 ) = f11 P12


1 1 1
(7.24)
2 2 2

lembrando que P2 não realiza trabalho enquanto o ponto 2 se desloca de δ21 , já que esta força
ainda não foi aplicada ao corpo. Aplicando em seguida a força P2 no ponto 2 (mantendo-se a
força P1), o trabalho da força P2 no ponto 2 é expresso por

P2 δ 22 = P2 (f 22 P2 ) = f 22 P22
1 1 1
(7.25)
2 2 2

Ao mesmo tempo em que a força P2 cresce gradualmente em 2, o ponto de aplicação da força


P1 se desloca do valor δ12, já que a força P1 também realiza trabalho. Como a força P1 já foi
totalmente aplicada durante este deslocamento, o trabalho realizado por esta força é igual a
P1 δ12 , ou seja,

P1 δ12 = P1 (f 12 P2 ) = f 12 P1 P2 (7.26)

O trabalho de deformação do corpo, sob a ação das forças P1 e P2 aplicadas na ordem direta,
fica determinado pela soma dos valores encontrados nas expressões 7.24, 7.25 e 7.26:

1 1
W1 = P1 δ11 + P2 δ 22 + P1 δ12 (7.27a)
2 2
ou,

W1 =
1
2
[
f 11 P12 + f 22 P22 + 2 f 12 P1 P2 ] (7.27b)

Na ordem inversa de aplicação das cargas, ou seja, se P2 tivesse sido aplicada em primeiro
lugar, seguida da aplicação de P1, a soma dos trabalhos realizados por cada força forneceria o
valor W2 para o trabalho de deformação do corpo, expresso pela equação

224
1 1
W2 = P2 δ 22 + P1 δ11 + P2 δ 21 (7.28a)
2 2

W2 =
1
2
[
f 22 P22 + f 11 P12 + 2 f 21 P1 P2 ] (7.28b)

Igualando as expressões (7.27a) e (7.28a) obtém-se

P1 δ11 = P2 δ 21 (7.29)

Ou seja, o trabalho da primeira força no deslocamento do ponto de sua aplicação devido à


ação da segunda força é igual ao trabalho da segunda força no deslocamento do ponto de
sua aplicação devido à ação da primeira força. Se P1 e P2 são iguais, então

δ12 = δ 21 (7.30)

Ou seja, o deslocamento do ponto 1 devido à ação de uma força aplicada no ponto 2 é igual
ao deslocamento do ponto 2, devido à ação desta mesma força, mas aplicada no ponto 1
(Teorema da reciprocidade de deslocamentos – Teorema de Maxwell).

7.5 Teorema de Castigliano

O segundo teorema de Castigliano diz que ”a derivada parcial da energia de deformação de


um sistema elástico linear em relação a qualquer força selecionada que age sobre o sistema
fornece o deslocamento daquela força na direção de sua linha de ação” (Popov, 1978). Este
teorema é empregado com freqüência no cálculo de deslocamentos em sistemas elásticos.
Como demonstrado anteriormente neste capítulo, já que as tensões dependem das forças
aplicadas, pode-se expressar a energia interna de deformação de um corpo, mostrado na
Figura 7.4, como uma função das forças externas, ou seja

U = U (P1 , P2 , P3 ..... Pk .... Pn ) (7.31)

Uma variação infinitesimal δU, da função U para uma variação infinitesimal de todas as
forças aplicadas é dada por

∂U ∂U ∂U ∂U ∂U
δU = δP1 + δP2 + δP3 + ..... + δPk + ..... + δPn (7.32)
∂ P1 ∂ P2 ∂ P3 ∂ Pk ∂ Pn
225
Pk
P1

Pn
P2

Figura 7.3 – Corpo elástico linear submetido a forças externas

Considerando que somente a força Pk variasse de uma quantidade δPk, o incremento de


energia de deformação é :

∂U
δU = δPk (7.33)
∂ Pk

Sabendo que o trabalho das reações é nulo (os deslocamentos nos pontos de sua aplicação são
nulos), a energia total de deformação, correspondente à aplicação das cargas P1, P2,
P3,…Pk,…Pn e δPk é

∂U
U' = U + δU = U + δPk (7.34)
∂ Pk

Invertendo-se a seqüência de aplicação das cargas, de modo que δPk é aplicada


primeiramente, surge um deslocamento infinitesimal δΔk. Para um corpo elástico linear, o
trabalho externo correspondente, (δPk δΔk/2) pode ser desprezado por ser um infinitésimo de
segunda ordem. O trabalho realizado pelas forças externas P1, P2, P3,…Pk…Pn é afetado pela
presença de δPk. Durante a aplicação das forças externas, a força δPk realiza trabalho ao se
mover de Δk, na direção de Pk. Este trabalho adicional é igual a (δPk) Δk.Portanto, o trabalho
total realizado pelo sistema externo de carregamento, acrescido do trabalho realizado por δPk
é:
We' = We + (δ Pk ) Δ k (7.35)

Igualando a equação 7.35 à equação 7.34:

∂U
We + (δ Pk ) Δ k = U + δPk (7.36a)
∂ Pk

226
∂U
Δk = (7.36b)
∂ Pk

Portanto, de uma maneira geral, se um corpo estiver submetido a n forças P1, P2 ... Pn, o
deslocamento Δk do ponto de aplicação da força Pk, medido na direção da linha de ação de
Pk, pode ser expresso como a derivada parcial da energia de deformação do corpo em
relação à força Pk (Teorema de Castigliano).
As equações acima estabelecem a proposição descrita no início deste item. Estas equações
podem ser utilizadas na solução de um problema com um número qualquer de forças
aplicadas. A adição de uma força fictícia em um ponto em que não exista nenhuma força
aplicada possibilita o emprego destas equações em qualquer ponto de um corpo. Ao se igualar
a força fictícia a zero, é possível determinar o deslocamento efetivo no ponto considerado.

7.6 – Determinação de deflexões pelo Teorema de Castigliano

No item anterior foi mostrado que o deslocamento Δk de um corpo no ponto de aplicação da


força Pk pode ser calculado efetuando-se a derivada parcial do trabalho de deformação
(energia de deformação) do corpo em relação às forças Pk (equação 7.36b). O trabalho de
deformação é obtido por integração ou somatório, estendido ao corpo todo, do trabalho de
deformação de cada componente do corpo.
A aplicação do teorema de Castigliano na determinação da deflexão Δk de um corpo em um
determinado ponto k só pode ser feita se a força Pk estiver aplicada no ponto k na direção em
que a deflexão vai ser determinada. Quando não houver carregamento aplicado no ponto k, ou
quando a força estiver aplicada em direção diferente daquela em que se quer calcular o
deslocamento, ainda é possível fazer uso do teorema de Castigliano adotando-se o seguinte
procedimento:
- aplica-se uma força fictícia ou virtual Fk no ponto k, na direção em que deve ser
calculado o deslocamento e utiliza-se o teorema de Castigliano para calcular o
deslocamento:
∂U
Δk = (7.37)
∂ Fk
- em seguida, iguala-se a força virtual Fk a zero na equação 7.37, obtendo-se, deste
modo, o deslocamento Δk no ponto k na direção desejada nas condições reais de
carregamento dadas.

227
7.7 – Exemplos

1 - Duas barras feitas de material elástico de comportamento linear, mostradas na figura


abaixo devem absorver a mesma quantidade de energia transmitida por forças axiais.
Relacionar as tensões nas duas barras, provocadas pela mesma energia fornecida.

Área A Área 2A
L 3L/4

Área A L/4

(a) (b)

Resolução:
A área da seção transversal da barra mostrada na figura (a) é uniforme e, portanto, a tensão
normal σ é constante ao longo de toda a barra. Da equação 7.2 e lembrando que, no caso
uniaxial, σx=Eεx

dU 1 σ1 ε 1 σ12
= =
dV 2 2E

Integrando ao longo do volume da barra, obtém-se a energia total:

σ12 σ2 σ2
U1 = ∫ dV = 1 ∫ dV = 1 A L
V
2E 2E V 2E

A área da seção transversal da barra mostrada na figura (b) é variável. Assim, se a tensão σ2
atua na parte inferior da barra, a tensão em sua parte superior é igual a σ2/2. A energia total
que essa barra absorverá em termos da tensão σ2 será

σ 22 σ2 (σ / 2) 2

U2 = ∫ dV = 2 ∫ dV + 2 ∫ dV
V
2E 2 E inf erior 2E sup erior

σ 2 ⎛ A L ⎞ (σ 2 / 2 ) ⎛ 3 L ⎞ σ 22 ⎛ 5 A L ⎞
2

= 2 ⎜ ⎟+ ⎜2A ⎟= ⎜ ⎟
2E ⎝ 4 ⎠ 2E ⎝ 4 ⎠ 2E ⎝ 8 ⎠

228
Se ambas as barras devem absorver a mesma quantidade de energia, U1=U2 e, portanto,

σ12
(A L ) = σ 2 ⎛⎜ 5 A L ⎞⎟
2

2E 2E ⎝ 8 ⎠
ou seja:
σ = 1,265 σ
2 1

2 - Achar a deflexão da extremidade livre de uma barra elástica, cuja área da seção transversal
é constante e igual a A e de comprimento L, induzida pela aplicação de uma força axial P
aplicada na extremidade livre.

Resolução:
O trabalho externo é dado por:

1
We = P d
2

em que d é o deslocamento na direção da ação da força P. Com a carga P constante, a


expressão para a energia interna de deformação é, de acordo com a equação 7.19:

P2 L
U=
2AE

Da igualdade We=U, obtém-se o valor do deslocamento d:

P d P2 L PL
= e d=
2 2AE AE

3 - Verificar o resultado obtido no problema 2 através do teorema de Castigliano

Resolução:
A energia interna de deformação é dada por:

229
P2 L
U=
2AE

De acordo com o teorema de Castigliano, o deslocamento da extremidade da barra é obtido


através da equação (7.36), de modo que

∂ U ∂ ⎛ P2L ⎞ P L
d= = ⎜ ⎟=
∂ P ∂ P ⎜⎝ 2 A E ⎟⎠ A E

4 - Duas barras (BA e BC) com a mesma seção transversal, A, e de mesmo material (mesmo
módulo de elasticidade) suportam uma força de intensidade P, conforme mostrado na figura
abaixo. Sabendo-se que a expressão para a energia de deformação de uma barra de seção
transversal uniforme submetida à carga axial é: dada por:
P2 L
U=
2A E
pede-se calcular os deslocamentos vertical e horizontal no ponto B.

C C
3 3
4 B 4 B
L L F
3 3
4 4
P P
A A
(a) (b)

Resolução:
Para o cálculo do deslocamento horizontal aplica-se, no ponto B, uma carga fictícia ou virtual,
F, na direção horizontal. Os deslocamentos uBe vB são calculados, a partir do teorema de
Castigliano como:
∂U
uB =
∂F
(1)
∂U
vB =
∂P

230
A energia de deformação das duas barras, BA e BC é:

2 2
FBA L BA FBC L BC
U= + (2)
2 AE 2 AE
em que FBA e FBC são as forças normais nas barras BA e BC, dadas por, conforme mostrado
na figura:

FBC
3
4 B
3 F
4

FBA
P

FBA = − 0,8 P + 0,6 F


(3)
FBC = 0,6 P + 0,8 F

e que os comprimentos das barras são L BA = 0,8 L e L BC = 0,6 L .


Os deslocamentos horizontal e vertical no ponto B provocados pela carga P são dados por:

∂ U ∂ U ∂ FBA ∂ U ∂ FBC FBA L BA ∂ FBA FBC L BC ∂ FBC


uB = = + = +
∂ F ∂ FBA ∂ F ∂ FBC ∂ F AE ∂F AE ∂F
(4)
∂ U ∂ U ∂ FBA ∂ U ∂ FBC FBA L BA ∂ FBA FBC L BC ∂ FBC
vB = = + = +
∂ P ∂ FBA ∂ P ∂ FBC ∂ P AE ∂P AE ∂P

Derivando as equações 3 em relação a F e a P:

∂ FBA ∂ FBC ∂ FBA ∂ FBC


= 0,6 = 0,8 = −0,8 = 0,6 (5)
∂F ∂F ∂P ∂P

e substituindo as equações 3 e 5 em 4, obtêm-se:

231
(−0,8P + 0,6F) 0,8L (0,6P + 0,8F) 0,6L
uB = 0,6 + 0,8
AE AE
(6)
(−0,8P + 0,6F) 0,8L (0,6P + 0,8F) 0,6 L
vB = (−0,8) + (−0,8)
AE AE

Como a força F é virtual, faz-se F=0 nas equações 6 e tem-se, finalmente

(−0,8P) 0,8L (0,6P) 0,6L


uB = 0,6 + 0,8
AE AE
(−0,8P) 0,8L (0,6P) 0,6 L
vB = (−0,8) + (0,6)
AE AE

0,096 PL
uB = − (para a esquerda, no sen tido contrário de F)
AE
0,728 PL
vB = ( para baixo, no sen tido de P)
AE

232
APÊNDICE A

SOLUÇÃO DE UMA EQUAÇÃO CÚBICA (Spiegel, 1968)

x 3 + a1 x 2 + a 2 x + a 3 = 0

Sejam:

3 a 2 − a12
Q= S = 3 R + Q3 + R 2
9

9 a1 a 2 − 27 a 3 − 2 a13 T = 3 R − Q3 + R 2
R=
54

Soluções:

⎧ 1
⎪ x1 = S + T − a 1
3
⎪⎪ 1 1 1
⎨x 2 = − (S + T) − a1 + i 3 (S − T)
⎪ 2 3 2
⎪ x = − 1 (S + T) − 1 a − 1 i 3 (S − T)
⎪⎩ 3 2 3
1
2

em que i = − 1 .

Se a1, a2, a3 são reais e se D = Q3 + R 2 é o discriminante, então:


(i) 1 raiz é real e 2 raízes são complexos conjugados se D>0
(ii) todas as raízes são reais e pelo menos 2 são iguais se D=0
(iii) todas as raízes são reais e diferentes se D<0
No caso do discriminante ser menor do que zero, ou seja, se D<0, o cálculo das raízes pode
ser simplificado através do emprego da trigonometria:
⎧ ⎛ 1 ⎞ a1
⎪ x 1 = − 2 − Q cos ⎜ 3 θ ⎟ − 3
⎪ ⎝ ⎠
⎪ ⎛1 o⎞
se D < 0 ⎨ x 2 = − 2 − Q cos ⎜ θ + 120 ⎟
⎪ ⎝3 ⎠
⎪ ⎛1 o⎞
⎪x 3 = − 2 − Q cos ⎜⎝ 3 θ + 240 ⎟⎠

em que,

−R
cos θ =
− Q3

Observa-se que

x1 + x 2 + x 3 = − a1
x1 x 2 + x1 x 3 + x 2 x 3 = a 2
x1 x 2 x 3 = − a 3

em que x1, x2, e x3 são raízes da equação.

235
APÊNDICE B

TENSÕES GEOSTÁTICAS

B.1 Considerações gerais

As tensões em uma massa de solo são causadas por cargas externas aplicadas ao solo e pelo
peso próprio do solo. A distribuição das tensões provocadas por carregamento aplicado é
normalmente complicada, do mesmo modo que a distribuição de tensões provocada por peso
próprio. Entretanto, há uma situação em que o peso do solo dá origem a uma distribuição de
tensões muito simples: quando a superfície do terreno é horizontal e quando a natureza do
solo varia muito pouco na direção horizontal. Esta situação ocorre freqüentemente nos solos
sedimentares. Nesta situação, as tensões são denominadas tensões geostáticas, e não existem
tensões de cisalhamento nos planos vertical e horizontal no solo, como mostra a Figura B.1
(Pinto, 2000; Fernandes, 1994; Harr, 1966).

y σv
x z
σh
z σh

Figura B.1 – Tensões em um elemento infinitesimal à profundidade z em uma massa de solo


com superfície horizontal

Tensão geostática vertical:

Considere-se a massa de solo homogênea mostrada na Figura B.2 e admita-se, por


simplicidade, que a água livre (freática) presente no solo encontra-se em repouso e que sua
superfície coincida com a superfície do terreno.

z
P

Figura B.2 – Massa de solo homogêneo com nível freático na superfície do terreno

A tensão geostática vertical total no ponto P, situado a uma profundidade z na massa de solo,
é calculada considerando-se simplesmente o peso do solo acima desta profundidade.
Se o peso específico do solo, γ, é constante com a profundidade, então
σv = z γ (b.1)

em que σv é a tensão geostática vertical total no ponto P e também tensão principal.


A pressão neutra ou poropressão, u, no ponto P é

u = γw z (b.2)

e, portanto, a tensão geostática vertical efetiva é dada por

σ 'v = ( γ − γ w ) z (b.3)

em que γw é o peso específico da água.


O peso específico, entretanto, é raramente constante com a profundidade. Normalmente, um
solo torna-se mais denso com a profundidade devido à compressão provocada pela tensão
geostática.
Se o peso específico varia continuamente com a profundidade, a tensão vertical é avaliada de
acordo com

z
σ v = ∫ γ dz (b.4)
0

Se o solo é constituído de camadas aproximadamente horizontais, a tensão vertical pode ser


convenientemente calculada como o somatório dos efeitos das diversas camadas

n
σ v = ∑ γ i Δz i (b.5)
i =1

em que,

γi – peso específico da camada i, natural ou saturada


Δzi – espessura da camada i

237
Tensão geostática horizontal:

A natureza das outras tensões principais é completamente diferente. A determinação das


tensões laterais é altamente dependente do tipo de solo, do modo de deposição, e da história
anterior. Pouco pode ser dito acerca da natureza geral das tensões laterais, a não ser que elas
são iguais à tensão vertical multiplicada por um coeficiente (Harr, 1966). Portanto, a razão
entre a tensão horizontal e a tensão vertical é expressa por um valor denominado coeficiente
de tensão lateral ou razão de tensão lateral, k, tal que

σh
k= (b.6)
σv

Esta definição é utilizada para tensões geostáticas ou não. Mesmo quando as tensões são
geostáticas, o valor de k pode variar bastante dependendo se a massa de solo foi deformada na
direção horizontal, tanto por forças da natureza ou por obras executadas pelo homem.
Define-se coeficiente de empuxo no repouso, k0, como a razão entre a tensão geostática
efetiva horizontal e tensão geostática efetiva vertical, em cada ponto

σh '
k0 = (b.7)
σv '

Deste modo, as tensões horizontais efetiva e total em repousa são

σ h '0 = k 0 σ v '0 = k 0 ( γ − γ w ) z (b.8)

σ h 0 = σ h '0 + u = k 0 ( γ − γ w ) z + γ w z (b.9)

Na Figura B.3 é apresentada a variação com a profundidade de σv, σh0, σv’, σh0’
Freqüentemente se está interessado na magnitude da tensão geostática no caso especial em
que não existe deformação lateral no terreno. Neste caso especial, trata-se do coeficiente de
tensão lateral no repouso simbolizado pó k0.
Um solo sedimentar é formado pelo acúmulo de sedimentos. Com a continuação deste
acúmulo, ocorre uma compressão vertical do solo devido ao aumento na tensão vertical.
Durante o processo de sedimentação, geralmente sobre uma grande área lateral, não existe
qualquer razão pela qual deveria ocorrer uma compressão horizontal significativa. Com base
nisto, pode-se dizer que em tal solo sedimentar a tensão horizontal total deverá ser menor do
que a tensão vertical. Para um depósito de areia formado deste modo, o valor de k0 varia
tipicamente entre 0,4 e 0,5.
238
Por outro lado há evidências de que a tensão horizontal pode exceder a tensão vertical se o
depósito foi muito pré-carregado (pré-adensado) no passado. De fato, as tensões horizontais
permanecem praticamente as mesmas quando o solo foi previamente carregado por
sobrecarga adicional, e que não desaparecem quando este carregamento é removido. Neste
caso, o valor de k0 pode chegar a 3.
Se a superfície do terreno não for horizontal e admitindo-se um talude infinito, o peso da
coluna de solo, P, deverá estar na mesma linha de ação da resultante, R, uma vez que as forças
Fe e Fd são iguais, já que estão à mesma profundidade, e têm a mesma linha de ação para que
haja equilíbrio estático.

b
i

h1
T
h1
P σv
i Fd
h N
Fe
τ
σn
R

b0

Considerando largura unitária em um plano perpendicular, os valores das forças P, N e T são


dadas por

P=γbh
P = γ b 0 h cos i

N = P cos i
T = P sen i

e as tensões por

239
P γ b 0 h cos i
σv = ∴ σv = ∴ σ v = γ h cos i
b0 b0

N γ b 0 h cos 2 i
σn = ∴ σn = ∴ σ n = γ h cos 2 i
b0 b0

T γ b 0 h cos i sen i
τ= ∴ τ= ∴ τ = γ h cos i sen i
b0 b0

240
APÊNDICE C

ÁLGEBRA MATRICIAL

C.1 – Introdução

Para futura referência, serão definidas três das quantidades mais comumente utilizadas em
engenharia: escalares, vetores e tensores .
Uma quantidade escalar é aquela que pode ser completamente definida por sua magnitude
somente. Quantidades tais como distância, temperatura, e peso são escalares já que todas elas
podem ser definidas por um número ou variável.
Um vetor é uma quantidade que tem direção e magnitude. Um vetor necessita de três
quantidades para sua completa definição, por exemplo, as três componentes do vetor ao longo
dos eixos X, Y e Z, respectivamente, ou o comprimento do vetor e oi dois ângulos que o vetor
faz com quaisquer dois eixos do sistema. Força e velocidade são exemplos de quantidades
vetoriais já que ambos devem ter a direção, bem como a magnitude, especificadas para que
possam ser completamente definidos.
Um tensor é uma quantidade mais geral que um vetor já que necessita mais do que três
componentes para sua definição completa. Para o tensor de tensão, seis componentes devem
ser conhecidas para que a tensão seja definida especificamente. Três destes valores são
quantidades vetoriais, direção e magnitude, como definido acima, e os outros três são as
componentes necessárias para definir um plano de referência ao qual a tensão é referida.

C.2 – Matrizes

(a) Uma matriz retangular com m linhas e n colunas é representada

⎡ a 11 a 12 a 13 ... a 1n ⎤
⎢a a 22 a 23 ... a 2 n ⎥⎥
A = A m n = ⎢ 11
⎢ ... ... ... ... ... ⎥
⎢ ⎥
⎣a m1 a m2 a m3 ... a mn ⎦

Os valores aij são denominados coeficientes ou elementos da matriz. Se m=n, a matriz é dita
quadrada de ordem n.
A matriz pode consistir de somente uma linha, denominada vetor linha,

A 1n = [a 11 a 12 a 13 ... a 1n ]
ou somente uma coluna, denominada vetor coluna,

⎡ a 11 ⎤
⎢a ⎥
⎢ 21 ⎥
⎢ . ⎥
A m1 = ⎢ ⎥
⎢ . ⎥
⎢ . ⎥
⎢ ⎥
⎣⎢a m1 ⎦⎥

Simbolicamente, uma matriz pode ser escrita na forma:

Aij i=1,m j=1,n

A notação aij refere-se ao elemento que ocupa a posição referente à linha i e à coluna j na
matriz A.

⎡1 2 9⎤
Por exemplo, na matriz ⎢⎢3 4 7 ⎥⎥ , o elemento a23 é igual a 7.
⎢⎣5 6 2⎥⎦

(b) Os elementos aii de uma matriz quadrada são os elementos da diagonal principal da
matriz. Se todos os elementos, com exceção daqueles da diagonal principal são nulos, a matriz
é denominada matriz diagonal.

⎡ 2 0 0⎤
Por exemplo, a matriz ⎢⎢0 4 0⎥⎥ , é uma matriz diagonal.
⎢⎣0 0 1⎥⎦

Uma matriz diagonal em que todos os elementos da diagonal principal são iguais é
denominada matriz escalar, isto é, aii=a para todos os valores que i tomar.

242
⎡3 0 0 0⎤
⎢0 3 0 0⎥⎥
Por exemplo, a matriz ⎢ , é uma matriz escalar.
⎢0 0 3 0⎥
⎢ ⎥
⎣0 0 0 3⎦

Uma matriz escalar em que todos os elementos da diagonal principal são iguais a 1 é
denominada matriz unitária, isto é, aii=1 para todos os valores que i tomar. Uma matriz
unitária é geralmente denominada como In, em que o subscrito n é a ordem da matriz.

⎡1 0 0 ⎤
Por exemplo, a matriz I 3 = ⎢⎢0 1 0⎥⎥ , é uma matriz unitária.
⎢⎣0 0 1⎥⎦

Se todos os elementos de uma matriz são nulos (a matriz pode ou não ser quadrada), isto é, se
todos os elementos aii=0, a matriz é denominada nula.

⎡0 0 0 ⎤
Por exemplo, a matriz O = ⎢⎢0 0 0⎥⎥ , é uma matriz nula.
⎢⎣0 0 0⎥⎦

Se duas matrizes A e B têm o mesmo número de linhas e de colunas, então,

A ± B = [aij ± bij]

⎡1 2⎤ ⎡3 5 ⎤
Por exemplo, se A = ⎢ ⎥ e B=⎢ ⎥ , então,
⎣3 4⎦ ⎣6 7 ⎦

⎡4 7 ⎤ ⎡− 2 − 3⎤
A+B =⎢ ⎥ A−B =⎢ ⎥
⎣9 11⎦ ⎣ − 3 − 3⎦

Duas matrizes são ditas iguais se A - B = 0, em que as matrizes A e B, e a matriz nula O têm
o mesmo número de linhas e de colunas.
A multiplicação escalar de matrizes pode ser entendida como sucessivas adições de
elementos.

243
⎡2 0 1 ⎤ ⎡6 0 3⎤
Por exemplo, 3 ⎢0 5 − 2⎥ = ⎢0 15 − 6⎥⎥
⎢ ⎥ ⎢
⎢⎣1 6 3 ⎥⎦ ⎢⎣3 18 9 ⎥⎦

(c) A transposta de uma matriz A, escrita AT, é obtida trocando linhas por colunas em A. Isto
é, se em A=[aij], então em AT=[aji].

Se [aij] = [aji], a matriz em A é denominada matriz simétrica, isto é, a matriz é idêntica a sua
transposta.

⎡ 3 1 − 4⎤
Por exemplo, a matriz A = ⎢⎢ 1 6 2 ⎥⎥
⎢⎣− 4 2 5 ⎥⎦

Se [aij] = [-aji], ou seja, se AT = -A, a matriz é denominada matriz anti- simétrica. Neste caso,
aii=0.

⎡ 0 − 2 4⎤
Por exemplo, a matriz D = ⎢⎢ 2 0 2⎥⎥ é uma matriz anti-simétrica.
⎢⎣− 4 − 2 0⎥⎦

(d) O produto C de duas matrizes A e B é possível somente quando o número de colunas de A


iguala o número de linhas de B na expressão

C=AB

Os elementos cij na matriz C são:

n
c ij = ∑ a ik b kj
k =1

É evidente que a matriz C terá o mesmo número de linhas de A e o mesmo número de colunas
de B. Um elemento de C, por exemplo, o elemento cij, é obtido pela soma dos produtos dos
elementos correspondentes da linha aik e da coluna bkj.
Por exemplo, c22 é definido de modo que,

244
⎡ b12 ⎤
⎢b ⎥
⎢ 22 ⎥
⎢⎣b 23 ⎥⎦

[a21 a22 a23] [c22]

c 22 = a 21 b12 + a 22 b 22 + a 23 b 32

Deve-se observar que a multiplicação de matrizes não é, em geral, comutativa. Isto é, A B é


geralmente diferente de B A. Entretanto, a multiplicação é associativa e distributiva, então

AB≠BA não comutativa


A (B C) = ( A B) C associativa
A (B + C) = A B + A C distributiva

(e) Pode-se mostrar que a transposta do produto de duas matrizes é o produto de suas
transpostas na ordem reversa, isto é:

( A B) T = B T A T

Por exemplo:

⎡1 2⎤ ⎡3 5⎤ ⎡15 19 ⎤
AB=⎢ ⎥⎢ ⎥=⎢ ⎥
⎣3 4⎦ ⎣6 7⎦ ⎣33 43⎦

⎡15 33⎤
( A B) T = ⎢ ⎥
⎣19 43⎦

⎡15 33⎤
BT AT = ⎢ ⎥
⎣19 43⎦

245
C.3 – Vetores

(a) Um vetor a, como mostrado na Figura A.1, pode ser expresso da equação:

a = a1 i + a 2 j + a 3 k (C-3.1)

As quantidades a1, a2, a3 são escalares (denominados componentes de a) e i, j, k são vetores


unitários nas direções dos eixos coordenados x, y e z, respectivamente. O comprimento ou
magnitude do vetor a, é

(
a = a = a 2 i + a 22 j + a 23 k
1
) 1/ 2
(C-3.2)

a
Se |a|≠ 0, a razão define um vetor unitário (que tem magnitude unitária) na direção do
|a|
vetor a.
z

a3 k

a
O a2 j
y
a1 i

Figura C-1

O cosseno do ângulo que um vetor (admite-se que todos os vetores tenham origem na origem
dos eixos coordenados x, y, z) faz com outro vetor é denominado cosseno diretor dos vetores.
Na Figura C-2, cosα, cosβ, e cosγ são os cossenos diretores do vetor r com referência a um
determinado sistema coordenado. Pode-se observar nesta figura que

x y z
cos α = ; cos β = ; cos γ =
r r r

| r | = ( x 2 + y 2 + z 2 )1 / 2

246
e, portanto,

cos 2 α + cos 2 β + cos 2 γ = 1 (C-3.4)

γ
α r
y
O

x
Figura C-2

Uma notação alternativa para o cosseno diretor entre dois vetores, a e b, é cos(a,b).

(b) o produto interno ou produto escalar de dois vetores a e b é definido por

a ⋅ b = a b cos θ (C-3.5)

em que a e b são as magnitudes de a e b e θ é o ângulo entre eles. Deste modo, o produto


interno fornece a projeção de um vetor na direção de um outro vezes a magnitude do vetor na
direção projetada. Portanto, o produto interno de um vetor vezes um vetor unitário fornecerá
sua projeção na direção do vetor unitário. Note-se que o produto interno fornece um escalar e
que a multiplicação é comutativa, ou seja, a b = b a. Pode-se mostrar também que o produto
escalar é também associativo e distributivo. Considerando os vetores unitários i, j, k, segue-se
que:
i.i=j.j=k.k=1

i.j=i.k=j.k=0 (C-3.6)

Portanto, se
a = a1 i + a 2 j + a 3 k e b = b1 i + b 2 j + b 3 k

então,
a ⋅ b = a 1 b1 + a 2 b 2 + a 3 b 3 (C-3.7)
247
Observando que a ⋅a = a 21 + a 22 + a 23 , conclui-se que a = (a . a )1 / 2 .

Por exemplo, determinar o ângulo entre os vetores a = i + 2 j + 3 k e b = 3 i − 4 j + k .

[
a = a = (1) 2 + (2) 2 + (3) 2 ]
1/ 2
= 14

b = a = [(3) 2
+ (−4) 2 + (1) ]
2 1/ 2
= 26

Da equação C-2.7,

a ⋅b = (1) . (3) + (2) . (−4) + (3) . (1) = − 2

a ⋅b = − 2 = cos θ 14 26
a ⋅b −2
cos θ = = = − 0,1045 e θ ≅ 96 0
ab 14 26

C.4 – Raízes e vetores característicos (autovalores e autovetores)

(a) O problema a ser considerado nesta seção diz respeito a determinar o escalar S e o vetor x
(não nulo) que satisfazem à equação

A x =Sx (C-4.1a)

em que A é uma matriz quadrada de ordem n.


A equação C-3.1a também pode ser escrita

(A −S I ) x = 0 (C-4.1b)

Considerando, para efeito de exemplificação, a matriz A de terceira ordem (n=3), a equação


C-2.1b três equações lineares homogêneas. Para que este sistema de equações tenha uma
solução não trivial, é necessário que o determinante da matriz de coeficientes seja igual a zero
(regra de Cramer). Deste modo,

248
a 11 − S a 12 a 13
a 21 a 22 − S a 23 =0 (C-4.1c)
a 31 a 32 a 33 − S

ou,

φ (S) = S3 − P1 S 2 + P2 S − P3 = 0 (C-4.1d)
em que,
P1 = a 11 + a 22 + a 33

a 22 a 23 a a 13 a a 12
P2 = + 11 + 11
a 32 a 33 a 31 a 33 a 21 a 22

a 11 a 12 a 13
P3 = a 21 a 22 a 23
a 31 a 32 a 33

A função φ(S) é denominada função característica ou polinômio característico.


O coeficiente P1 da equação característica é igual à soma dos elementos da diagonal principal
e é denominado traço da matriz A. O coeficiente P2 é a soma dos co-fatores e P3 é o
determinante da matriz de coeficientes.
A equação C-4.1 possibilita calcular os valores de S, denominados autovalores da matriz A,
de modo a existir uma solução não trivial do sistema de equações C-4.1a. As soluções
correspondentes para x são denominadas autovetores.
Por exemplo, seja obter a função característica da matriz:

⎡ 7 −2 0 ⎤
D = ⎢⎢− 2 6 − 2⎥⎥
⎢⎣ 0 − 2 5 ⎥⎦

A função característica é:

7−S −2 0
−2 6−S − 2 = S3 − 18 S 2 + 99 S − 162 = 0
0 −2 5−S

em que P1 = 18; P2 = 99; e P3 = 162.


249
As raízes da equação característica, ou raízes características, ou autovalores da matriz D são:
S1 = 3; S2 = 6; S3 = 9.
Como as três equações implícitas nas equações C-4.1, para o exemplo acima, são

⎧(7 − S) x 1 − 2 x 2 = 0

⎨− 2 x 1 + (6 − S) x 2 − 2 x 3 = 0
⎪− 2 x + (5 − S) x = 0
⎩ 2 3

então, para a primeira raiz, S1 = 3, pode-se determinar

⎧4 x 1 − 2 x 2 = 0

⎨− 2 x 1 + 3 x 2 − 2 x 3 = 0
⎪− 2 x + 2 x = 0
⎩ 2 3

A matriz de coeficientes do sistema de equações é, explicitamente

⎡ 4 −2 0⎤

C = ⎢− 2 3 − 2⎥⎥
⎢⎣ 0 − 2 2 ⎥⎦

Um sistema de equações homogêneas apresenta as seguintes propriedades:

i) qualquer equação pode ser multiplicada ou dividida por um escalar diferente de zero. Em
termos da matriz de coeficientes, qualquer linha pode ser multiplicada ou dividida por
qualquer constante diferente de zero. Tomando a matriz de coeficientes do exemplo,
dividindo a primeira linha por 4 e a segunda e a terceira linha por 2 não altera a solução da
equação e reduz a matriz de coeficientes a

⎡ 1 − 1 2 0⎤
C = ⎢⎢− 1 3 2 − 1⎥⎥
⎢⎣ 0 − 1 1 ⎥⎦

ii) qualquer múltiplo escalar de uma equação pode ser adicionado ou subtraído de qualquer
outra equação. Em termos da matriz de coeficientes, um múltiplo escalar de qualquer linha
pode ser adicionado ou subtraído de qualquer outra linha. Portanto, para a o sistema de

250
equações do exemplo, adicionando a primeira linha à segunda e, então, a nova segunda linha à
terceira linha, obtém-se o seguinte sistema equivalente:

⎡ 1 −1 2 0⎤ ⎧ x 1 ⎫ ⎧0⎫
⎢ 0 ⎪ ⎪ ⎪ ⎪
⎢ 1 − 1⎥⎥ ⎨x 2 ⎬ = ⎨0⎬ (C-4.2)
⎢⎣ 0 0 0⎥⎦ ⎪⎩ x 3 ⎪⎭ ⎪⎩0⎪⎭

Efetuando a multiplicação, encontram-se as seguintes equações

⎧x 1 − 1 2 x 2 = 0

⎨x 2 − x 3 = 0
⎪0 = 0

cujas raízes são x1 = x2/2; x2 = x3, e x3 é arbitrário. O vetor x encontrado (dado através de suas
componentes x1, x2, e x3) é o autovetor correspondente ao autovalor S1=3, ou seja

⎧ x1 ⎫ ⎧1 2⎫
⎪ ⎪ ⎪ ⎪
x 1 = ⎨x 2 ⎬ = ⎨ 1 ⎬ x 3
⎪x ⎪ ⎪ ⎪
⎩ 3 ⎭1 ⎩ 1 ⎭

A cada autovalor, corresponde um autovetor xi. Cada autovetor é solução das equações
homogêneas C-4.1b, obtidas substituindo o valor de S encontrado em C-4.1d. Os auto-vetores
correspondentes aos dois autovalores restantes, S2=6 e S3=9 são, respectivamente,

⎧ x1 ⎫ ⎧ −1 ⎫ ⎧ x1 ⎫ ⎧ 2⎫
⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪
x 2 = ⎨ x 2 ⎬ = ⎨− 1 / 2 ⎬ x 3 x 3 = ⎨ x 2 ⎬ = ⎨− 2 ⎬ x 3
⎪x ⎪ ⎪ ⎪ ⎪x ⎪ ⎪ ⎪
⎩ 3 ⎭2 ⎩ 1 ⎭ ⎩ 3 ⎭3 ⎩ 1 ⎭

Como x3 é arbitrário e porque freqüentemente se tomam os elementos do vetor característico


como cossenos diretores, e por ser este vetor unitário, tem-se, da equação (C-3.4), para o
autovetor x1

(x 1 ) 2 + (x 2 ) 2 + (x 3 ) 2 = x 3 (1 / 2) 2 + (1) 2 + (1) 2 = 1

x3 = 2/3
251
e, portanto, o vetor característico para autovalor S1=3 é

⎧1 / 3 ⎫
⎪ ⎪
x 1 = ⎨2 / 3⎬
⎪2 / 3⎪
⎩ ⎭

Da mesma forma, os vetores característicos correspondentes a S2=6 e S3=9 são,


respectivamente,

⎧− 2 / 3⎫ ⎧ 2/3 ⎫
⎪ ⎪ ⎪ ⎪
x 2 = ⎨ − 1/ 3⎬ x 3 = ⎨− 2 / 3⎬
⎪ 2/3 ⎪ ⎪ 1/ 3 ⎪
⎩ ⎭ ⎩ ⎭

Deve-se ressaltar que, como o produto escalar de quaisquer dois dos vetores característicos
determinados é nulo, os vetores são ortogonais. A forma reduzida mostrada na equação C-4.2
é denominada forma canônica da matriz de coeficientes.

252
ÍNDICE

CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO
1.1 – Considerações gerais……………………………………............................ 1
1.2 – Histórico…...………………………………………………........................ 2
1.3 – Teoria da elasticidade………………………………………......…...…...... 2
1.3.1 - Experiências básicas – O teste de tração........................................... 3
1.3.2 – Comportamento elástico e comportamento plástico dos materiais 5
1.3.3 – Hipóteses da teoria da elasticidade…………………………........... 7
1.4 – Organização do texto………………………………………………............ 8
CAPÍTULO 2 – TENSÃO 9
2.1 – Introdução…………….....…………………………………………............ 9
2.2 – Definição de tensão - Tensão em um ponto………………………............ 9
2.3 – Notação para tensões e convenção de sinal……………………….............. 12
2.4 – Tensor de tensões………………………………………………………..... 15
2.5 – Análise de tensões em 2 dimensões……………………..…………........... 17
2.5.1 – Mudança de eixos coordenados……….……………………........... 17
2.5.2 – Tensões em um plano qualquer……………………………............. 20
2.5.3 – Tensões principais – Tensão de cisalhamento máxima…................. 22
2.5.4 – Círculo de Mohr …………………………………..………............. 24
2.5.5 – Polo do círculo de Mohr …………………………………..………. 29
2.5.6 – Exemplos........................…………………………………..………. 30
2.6 – Análise de tensões em 3 dimensões…………………………………........... 37
2.6.1 – Mudança de eixos………………………………………………....... 40
2.6.2 – Tensões principais…………………………………………….......... 43
2.6.3 –Tensão de cisalhamento máxima……………………………............. 48
2.6.4 – Planos octaédricos - Tensões octaédricas…………………............... 55
2.6.5 – Círculo de Mohr 3-D……………………………………………...... 57
2.6.6 – Exemplos............................................................................................ 63
2.6.7 – Tensões desviadoras (desviatórias).................................................... 70
2.7 – Equações diferenciais de equilíbrio…………....………………………........ 72
2.8 – Exemplos........................................................................................................ 77
CAPÍTULO 3 – DEFORMAÇÃO E DESLOCAMENTO 79
3.1 – Introdução....................................................................................................... 79
3.2 – Relações deformação-deslocamento.............................................................. 79
3.2.1 Relações deformação-deslocamento em coordenadas cartesianas...... 85
3.2.2 Relações deformação-deslocamento em coordenadas cilíndricas....... 86
3.3 – Equações de compatibilidade......................................................................... 87
3.4 – Estado de deformação em um ponto.............................................................. 90
3.5 – Análise de deformações em duas dimensões (2-D)....................................... 91
3.5.1 – Mudança de eixos coordenados........................................................ 91
3.5.2 – Deformações principais e planos principais de deformação............ 93
3.5.3 – Deformação cisalhante máxima....................................................... 93
3.6 – Análise de deformações em três dimensões (3-D)......................................... 94
3.6.1 – Deformações principais e planos principais de deformação –
Invariantes de deformação .............................................................. 94
3.6.2 – Deformação cisalhante máxima ...................................................... 95
3.6.3 – Deformações octaédricas.................................................................. 96
3.6.4 – Deformações desviadoras................................................................. 97
3.6.5 – Deformação volumétrica.................................................................. 98
3.7 – Deformação térmica....................................................................................... 99
3.8 – Deslocamentos gerais..................................................................................... 100
3.9 – Exemplos........................................................................................................ 104
CAPÍTULO 4 – RELAÇÕES TENSÃO-DEFORMAÇÃO 105
4.1 – Introdução....................................................................................................... 105
4.2 – Equações constitutivas................................................................................... 107
4.2.1 – Lei de Hooke ................................................................................... 108
4.2.2 – Lei de Hooke generalizada............................................................... 110
4.3 - Módulo de variação volumétrica.................................................................... 118
4.4 – Princípio da superposição............................................................................... 121
4.5 – Exemplos........................................................................................................ 122
CAPÍTULO 5 – FORMULAÇÃO DE PROBLEMAS EM ELASTICIDADE 124
5.1 – Introdução....................................................................................................... 124
5.2 – Condições de contorno................................................................................... 126
5.2.1 – Forças prescritas: 1o Problema de valor de contorno....................... 126
5.2.2 – Deslocamentos prescritos: 2o Problema de valor de contorno......... 127
5.3 – Equações governantes em problemas 2-D..................................................... 128
5.3.1 – Problemas de deformação plana........................................................ 128
5.3.1.1 – Formulação em deslocamentos do problema de estado
plano de deformação......................................................................................................... 133
5.3.1.2 – Formulação em tensões do problema de estado plano de
deformação........................................................................................................................ 134
5.3.2 – Problemas de tensão plana................................................................ 137
5.3.2.1 – Formulação em tensões do problema de estado plano de
tensão................................................................................................................................. 139
5.3.2.2 – Formulação em deslocamentos do problema de estado
plano de tensão.................................................................................................................. 140
5.3.3 – Problemas axissimétricos................................................................... 143
5.4 – Equações governantes em problemas 3-D..................................................... 143
5.4.1 – Formulação em deslocamentos......................................................... 144
5.4.2 – Formulação em tensões.................................................................... 145
5.5 – Exemplos......................................................................................................... 148
CAPÍTULO 6 – TENSÕES DEVIDAS A SOBRECARGAS 150
6.1 – Introdução..................................................................................................... 150
6.2 – Distribuição de tensões................................................................................. 151
6.3 – Soluções da teoria da elasticidade................................................................ 153
6.4 – Ábaco de Newmark...................................................................................... 202
6.5 – Algumas considerações................................................................................ 205
6.6 – Trajetórias de tensão..................................................................................... 207
6.7 – Exemplos...................................................................................................... 211
CAPÍTULO 7 – ENERGIA DE DEFORMAÇÃO ELÁSTICA 217
7.1 – Conceitos fundamentais............................................................................... 217
7.2 – Energia de deformação elástica.................................................................... 217
7.3 – Cálculo de deslocamentos pelos métodos de energia................................... 222
7.4 – Teorema de reciprocidade dos trabalhos e deslocamentos – Teorema de
Maxwell............................................................................................................................. 222
7.5 – Teorema de Castigliano................................................................................ 225
7.6 – Determinação de deflexões pelo Teorema de Castigliano........................... 227
7.7 – Exemplos...................................................................................................... 228
APÊNDICE A.................................................................................................................. 233
APÊNDICE B.................................................................................................................. 235
APÊNDICE C.................................................................................................................. 240
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................................... 252
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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