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ISSN 1517-5278

Paricá
Schizolobium amazonicum

142
Taxonomia e Nomenclatura
De acordo com o Sistema de
Classificação de Cronquist, a posição
taxonômica de Schizolobium amazonicum
obedece à seguinte hierarquia:

Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)

Classe: Magnoliopsida (Dicotyledonae)

Ordem: Fabales

Família: Caesalpiniaceae (Leguminosae:


Caesalpinioideae)

Gênero: Schizolobium

Espécie: Schizolobium amazonicum Huber


ex Ducke

Publicação: in Bol. Mus. Goeldi, vii 152


(1913).
Colombo, PR
Novembro, 2007 Sinonímia botânica: Schizolobium
excelsum Vogel var. amazonicum Ducke Foto: Paulo Ernani Ramalho Carvalho.

ex Williams
Autor Nomes vulgares por Unidades da Federação

Paulo Ernani Ramalho Acre: canafista, canafístula e fava-canafístula.


Carvalho
Engenheiro Florestal, Distrito Federal: guapuruvu-da-amazônia.
Doutor, Pesquisador
da Embrapa Florestas. Mato Grosso: paricá-da-amazônia, paricá-da-terra-firme e pinho-cuiabano.
ernani@cnpf.embrapa.br

Pará: faveira, paricá e paricá-grande.

Rondônia: bandarra.

Nomes vulgares no exterior: na Bolívia, cerebó; na Colômbia, tambor; na Costa Rica,


gavilán; no Equador, pachaco; no México, palo de judío e palo de picho, e no Peru,
pashaco.

Nome comercial internacional: quamwood (RODRIGUEZ ROJAS & SIBILLE MARTINA,


1996).

Etimologia: o nome genérico Schizolobium significa legume partido; o epíteto


específico amazonicum é porque o material typo foi coletado na Amazônia brasileira.

Descrição Botânica
Forma biológica: árvore decídua. As árvores maiores atingem dimensões próximas de
40 m de altura e 100 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do
solo), na idade adulta.
2 Paricá - Schizolobium amazonicum

Tronco: é bem formado e reto. Nas árvores jovens, o As sementes dessa espécie são constituídas pelas
tronco tem coloração verde acentuada e com seguintes substâncias químicas: proteínas (21,19 %);
cicatrizes transversais deixadas pela queda das folhas. ácido palmático (6,46 %) e lipídios (3,86 %) entre os
As vezes, apresenta sapopemas basais. O fuste mede principais (TRIVINO-DIAZ et al., 1990). A semente
até 25 m de comprimento. tem endosperma de cor esbranquiçada, constituído,
fundamentalmente, por galactomananas.
Ramificação: é dicotômica. A copa é galhosa, aberta e
obovóide formando uma abóbada perfeita. Biologia Reprodutiva e Eventos
Fenológicos
Casca: mede até 15 mm de espessura (RODRIGUEZ
ROJAS & SIBILLE MARTINA, 1996). A casca externa Sistema sexual: é uma espécie monóica.
é lisa a finamente fissurada, de coloração cinza-clara,
com abundantes lenticelas conspícuas, suberificadas e Vetor de polinização: essencialmente abelhas e
proeminentes, dispostas em fileiras longitudinais diversos insetos pequenos.
(PENNINGTON & SARUKHÁN, 1998). Nos indivíduos
Floração: de maio a junho, em Mato Grosso, e de junho
velhos, a casca fica esbranquiçada, tornando-se
a julho, no Pará.
esfoliada em placas retangulares.
Frutificação: os frutos amadurecem de agosto a
A casca interna é creme-rosada, granulosa, amarga e
setembro, em Rondônia, e de agosto a outubro, no
tem um odor desagradável de almíscar (PARROTA et
Pará.
al., 1995).
Dispersão de frutos e sementes: autocórica, do tipo
Folhas: são longipecioladas, bipinadas, grandes (de 60
barocórica (gravidade) e anemocórica (vento).
cm a 150 cm de comprimento), tem um raque lenhoso
e elegante quando jovem, mas nos indivíduos velhos as Ocorrência Natural
folhas diminuem consideravelmente de tamanho, com
muitas pinas e geralmente com 15 a 20 pares de Latitudes: do México a 14º S, no Brasil, em Mato
folíolos oblongos, de 2 cm a 3,5 cm de comprimento; o Grosso.
pecíolo é viscoso. As gemas e folhas tenras
Variação altitudinal: de 20 m a 700 m de altitude.
apresentam consistência pegajosa.
Distribuição geográfica: Schizolobium amazonicum
Inflorescências: em panículas terminais vistosas na
ocorre de forma natural na Bolívia (KILLEEN et al.,
ponta dos ramos, abundantes e erguidas, medindo de
1993), na Colômbia (TRIVINO-DIAZ et al., 1990), na
15 cm a 30 cm de comprimento.
Costa Rica (HOLDRIDGE & PÓVEDA, 1975), no
Flores: são de coloração amarela-clara, de aroma doce, Equador (RODRIGUEZ ROJAS & SIBILLE MARTINA,
zigomorfas, medindo de 2 cm a 2,2 cm de 1996), em Honduras (THIRAKUL, 1998), no México
comprimento. (CHAVELAS POLITO et al., 1982; PENNINGTON &
SARUKHÁN, 1998) e, no Peru (BERMEGUI, 1980;
Fruto: é uma criptosâmara, em forma espatulada, ENCARNACION C., 1983).
oblanceolada, aberta até o ápice; mede de 6 cm a 10
cm de comprimento por 1,5 cm a 3 cm de largura; No Brasil, essa espécie ocorre nas seguintes Unidades
produz de uma a duas sementes por fruto (OLIVEIRA & da Federação:
PEREIRA, 1984).
· Acre (OLIVEIRA, 1994; ARAÚJO & SILVA, 2000).
Semente: é coberta com um endocarpo papiroso e
· Amazonas (DUCKE, 1949).
unida apicalmente ao fruto. A semente é anátropa,
aplanada, ovalada, com ápice arredondado, base · Mato Grosso (RONDON, 2002).
atenuada, cor de café, com o bordo mais escuro,
medindo de 16 mm a 21 mm de comprimento por 11 · Pará (ALBRECHTSEN, 1975; OLIVEIRA & PEREIRA,
mm a 14 mm de largura. O hilo é localizado na base e 1984; PARROTA et al., 1995; AMOROZO, 1997;
oposto à rafe e a micrópila em posição lateral ao hilo. GIBSON & LEÃO, 1997; JARDIM et al., 1997;
A testa é lisa, brilhante e óssea. GALEÃO et al., 2003).

· Rondônia (OLIVEIRA & PEREIRA, 1984).


Paricá - Schizolobium amazonicum 3

Aspectos Ecológicos Temperatura média do mês mais frio: 23,2 ºC (Rio


Branco, AC) a 25,2 ºC (Óbidos, PA).
Grupo ecológico ou sucessional: espécie pioneira.
Temperatura média do mês mais quente: 25,7 ºC (Rio
Importância sociológica: ocorre, na Amazônia, em Branco, AC) a 27,8 ºC (Óbidos, PA).
floresta primária e principalmente nas florestas
secundárias de terra firme e várzea alta (DUCKE, Temperatura mínima absoluta: 6 ºC (Rio Branco, AC).
1949). Forma capoeiras mais ou menos A friagem é um fenômeno que atinge a região entre o
monoespecíficas (pelo menos quanto à composição do Acre e Rondônia e também parte de Mato Grosso.
estrato dominante), até seis anos de idade (JARDIM et Resulta do avanço da Frente Polar que, impulsionada
al., 1997). pela Massa de Ar Polar procedente da Patagônia,
Biomas / Tipos de Vegetação (IBGE, 2004) e outras provoca brusca queda da temperatura, permanecendo
formações vegetacionais alguns dias com a média em torno de 10 ºC e
chegando a atingir até 4 ºC por três a oito dias,
Bioma Amazônia causando transtorno e mal estar na população.

· Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial Número de geadas por ano: ausentes. Contudo,
Amazônica), em Terra Firme, onde é árvore plantado em plantio misto em Rolândia, no norte do
emergente. Paraná, tem tolerado temperaturas mínimas de até -2º
C, não apresentando danos evidentes por geadas.
Bioma Mata Atlântica
Classificação Climática de Koeppen
· Floresta Estacional Semidecidual (Floresta Tropical
Subcaducifólia), na subformação Submontana, em Af (tropical, superúmido): nos arredores de Belém, no
Mato Grosso (RONDON, 2002). Pará.

Outras formações vegetacionais Am (tropical chuvoso, com chuvas do tipo monção,


com uma estação seca de pequena duração): no Acre
Fora do Brasil, ocorre na Bolívia no Bosque Montano
e no Pará.
Úmido (KILLEEN et al., 1993) e na Amazônia
Equatoriana (RODRIGUEZ ROJAS & SIBILLE Aw (tropical, com verão chuvoso, com inverno seco):
MARTINA, 1996). no Acre, em Mato Grosso e em Rondônia.
Clima Solos
Precipitação pluvial média anual: de 1.600 mm a No Pará, sua ocorrência natural limita-se a
3.000 mm, no Pará, no Brasil, atingindo até 5.850 mm determinadas regiões de solos argilosos de fertilidade
na Bolívia (CRESPO et al., 1995). química alta e sujeitos a compactação (DUCKE, 1949).
Em Mato Grosso, ocorre em solos de baixa fertilidade
Regime de precipitações
química, com Ph em água 4,5, com baixos teores de K
Chuvas uniformemente distribuídas: na região de (potássio) e P (fósforo).
Belém, PA.
Na Bolívia, essa espécie ocorre, naturalmente, em
Chuvas periódicas, nas demais regiões. solos geralmente jovens de origem aluvial que se
caracterizam por possuir uma baixa fertilidade natural,
Deficiência hídrica baixo conteúdo de matéria orgânica, pH entre 3,7 e
Nula: na região de Belém, PA. 5,5 e baixa capacidade de troca catiônica com níveis
de saturação de Al (alumínio) entre 70 % a 80 %
De pequena a moderada: no Amazonas, no Acre, em (CRESPO et al., 1995).
Rondônia e no norte de Mato Grosso.
Nutrição
Moderada: no oeste de Mato Grosso e sul de Rondônia.
Os sintomas de deficiência de boro podem ser
Temperatura média anual: 24,8 ºC (Belterra, PA) a observados nas folhas novas e raízes e a toxidez nas
26,6 ºC (Óbidos, PA). folhas mais velhas. Tanto a falta como o excesso de
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boro inibem o crescimento do paricá, sendo a toxidez O poder germinativo depende da eficácia do
mais prejudicial. A dose aproximada de 0,15 mg.dm-3 tratamento de superação de dormência, podendo
foi a melhor para o crescimento das plantas dessa proporcionar percentagens de germinação superiores a
espécie (LIMA et al., 2003). 85 %. A percentagem de germinação é baixa (até 16
%), sem superação de dormência. As mudas atingem
Sementes porte adequado para plantio (20 cm a 35 cm de
altura), cerca de 60 dias após a semeadura.
Colheita e beneficiamento: o fruto deve ser coletado
quando adquire uma cor café-claro e no início da Propagação vegetativa: a produção de mudas de
deiscência. paricá pelo método de estaquia de material juvenil é
viável, desde que as estacas sejam retiradas das
Número de sementes por quilo: 980 a 1.400 (TRIVINO-
seções medianas e basais da planta e tratadas com
DIAZ et al., 1990).
AIB com concentração variando entre 2.000 ppm a
Tratamento pré-germinativo: quando a semente dessa 4.000 ppm (ROSA & PINHEIRO, 2.000). Rosa &
espécie é coletada da árvore com a testa ainda Pinheiro (2001) recomendam a utilização de 2.545,67
conservando a cor verde ou tegumentos tenros, a ppm de AIB para as estacas retiradas da base e
germinação é alta (90 %) no quarto dia após a 3.979,71 ppm para as estacas extraídas da parte
semeadura. Entretanto, seu manejo é difícil, por seu mediana da planta, que correspondem ao enraizamento
elevado teor de umidade e susceptibilidade ao ataque máximo de 83,07 % e 80,12 % respectivamente.
de microorganismos.
Segundo Cordeiro et al. (2004), o regulador de
Como tratamento pré-germinativo, Trivino-Diaz et al. crescimento BAP (benzilaminopurina) na concentração
(1990) recomendam a escarificação ácida com H2SO4 de 3 mg.L-1 foi o que proporcionou o maior número de
a 70 %, e, Leão & Carvalho (1995), escarificação em proliferação de brotos, com 2,14 brotos por explante.
ácido sulfúrico durante 60 minutos ou a imersão em
Associações simbióticas: apesar de não ser uma
água a 80 ºC. Os tratamentos envolvendo a imersão
espécie fixadora de N (nitrogênio) (JOHNSON &
em água a 100 ºC, embora tornando os tegumentos
TARIMA, 1995), apresenta associação simbiótica com
permeáveis à água, ocasionaram a morte de grande
micorrizas.
parte das sementes (LEÃO & CARVALHO, 1995).
Como método prático, recomenda-se a escarificação Características Silviculturais
mecânica com lixa, nos dois lados de maior dimensão.
O paricá é uma espécie essencialmente heliófila, que
Longevidade e armazenamento: a semente dessa
não tolera baixas temperaturas.
espécie tem comportamento ortodoxo com relação ao
armazenamento. Possui exocarpo resistente e Hábito: apresenta crescimento monopodial, ainda que a
impermeável, podendo ser estocada por um período de céu aberto, com fuste reto e limpo, devido à boa
até dois anos, sem que seu poder germinativo seja derrama natural ou auto-poda.
afetado.
Métodos de regeneração: os trabalhos relacionados
Produção de Mudas com a silvicultura dessa espécie ainda são poucos
(MARQUES, 1990). Contudo, essa espécie deve ser
Semeadura: recomenda-se semear uma a duas plantada a pleno sol nos espaçamentos de 4 m x 3 m
sementes diretamente em sacos de polietileno com ou 4 m x 4 m, que proporcionam maior crescimento
dimensão de 18 cm de largura por 25 cm de (RONDON, 2002). Contudo, é bastante afetada pela
comprimento (RONDON, 2002), ou em tubetes de ação do vento, que pode provocar inclinação dos
tamanho grande. Se for necessária, a repicagem deve fustes.
ser feita quando as plantas atingirem altura de 9 cm,
entre uma semana a 71 dias após a germinação Para que haja equilíbrio na estrutura de povoamentos
(GIBSON & LEÃO, 1997). O sistema radicial dessa com essa espécie, recomenda-se cortinas de abrigo ou
espécie é superficial. plantios consorciados com espécies que tenham
semelhante ritmo de crescimento (PEREIRA, 1982). O
Germinação: é epígea ou fanerocotiledonar. A paricá brota, intensamente, da touça.
emergência ocorre de 6 e 45 dias após a semeadura.
Paricá - Schizolobium amazonicum 5

O custo médio de implantação e condução durante Crescimento e Produção


quatro anos, de 1 hectare de paricá, no espaçamento
3,5 m x 3,5 m, na microrregião Guamá, no Pará, O paricá vem sendo plantado comercialmente em
totalizou R$ 3.191,15 (em valor corrente) (GALEÃO et áreas de terra firme, em torno de 20.000 ha, no Acre,
al., 2003). em Mato Grosso, no Pará e em Rondônia. Em Mato
Grosso, o plantio dessa espécie teve seu incremento
Sistemas agroflorestais: em Rondônia, essa espécie é na década de 1990, e concentrou-se na região norte,
utilizada para sombrear plantações de café ou de sendo sua madeira utilizada pelas indústrias de
cacau. Em Paragominas, no sul do Pará, foi plantado compensados (RONDON, 2002). Contudo, os plantios
em consórcio com o cultivo de milho repetido nos três comerciais são muito heterogêneos e irregulares e,
primeiros anos; no terceiro ano, junto com o terceiro aparentemente, os resultados obtidos, não são
cultivo de milho, foram introduzidas três gramíneas satisfatórios. Nos projetos de reposição florestal, no
forrageiras (MARQUES, 1990). Estado do Pará, registrados no Ibama de 1976 a 1996,
Em outro experimento envolvendo o consórcio paricá e o paricá foi a espécie mais utilizada na reposição,
café, Áviles & Lima (1995) verificaram que num sendo plantada por 38 % das empresas (GALEÃO et
período médio de oito anos o paricá já atinge um al., 2003).
diâmetro de 45 cm, a partir do qual o corte é legal. Com rápido crescimento, apresenta incrementos em
Neste tipo de consórcio, o paricá é plantado altura e diâmetro capazes de possibilitar sua
diretamente no espaçamento de 20 m x 5 m, para exploração já aos 15 anos de idade (SANTOS et al.,
deixar no segundo ano, após um raleamento de 50 %, 2000). Árvores com 18 meses de idade apresentaram
distância de 10 m entre árvores, sendo que as culturas 4 m de altura e 10 cm de DAP. De crescimento ainda
anuais também podem ser exploradas intercaladas no mais rápido que o morototó (Schefflera morototoni).
primeiro ano. Rondon (2000), avaliando 30 espécies florestais com
Na Bolívia, é recomendado para Sistemas 54 meses de idade, constatou que essa espécie
agroflorestais (CRESPO et al., 1995), sendo destinado destacou-se em crescimento e em forma de plantio.
para compor fileiras centrais das cortinas Schizolobium amazonicum apresenta crescimento
quebraventos de três ou mais fileiras e para o rápido (Tabela 1), podendo atingir uma produção
enriquecimento de cortinas naturais (JOHNSON & volumétrica de até 38 m3.ha-1.ano-1 aos seis anos de
TARIMA, 1995). Plantar em espaçamento de 4 m a 5 idade, em Dom Elizeu, no Pará.
m entre árvores.
Tabela 1. Crescimento de Schizolobium amazonicum, em plantios, no Brasil, na Bolívia e na Costa Rica.

Idade Espaça- Plantas Altura DAP Classe


Local (anos) mento vivas média médio de Fonte
(m x m) (%) (m) (cm) solo
(a)
Bragança, PA 3 2,5 x 2,5 97,2 6,44 6,6 ... Pereira et al. (1982)

Cantá, RR 2 3x4 ... 10,28 11,1 ... Arco-verde et al. (2000)

Cantá, RR 4 3x2 ... 13,90 12,6 PVAd Arvo-Verde et al. (2000)


Chapare,-Bolivia 3 ... 62,0 7,50 6,3 ... Crespo et al. (1995)

Dom Elizeu, PA 6 4x4 93,0 15,00 21,3 ... Galeão et al. (2003)

Foz do Iguaçu, PR 2 4x3 40,0 5,18 7,2 LVdf Embrapa Florestas / Itaipu
Binacional
Portel, PA 2 4x4 98,0 12,40 15,7 ... Galeão et al. (2003)

Puerto Viejo de 3 2x2 52 3,70 4,0 ... Espinoza & Butterfield (1989)
Sarapiqui, Costa Rica
Rolândia, PR 4 5x5 100,0 10,57 16,2 LVdf Embrapa Florestas / Fazenda
Bimini
Rolândia, PR 8 3 x 2,5 100,0 11,36 17,1 LVdf Embrapa Florestas / Fazenda
Bimini
São Miguel do Guamá, 5 4x4 50,0 11,50 14,0 ... Galeão et al. (2003)
PA

(a) PVAd = Argissolo Vermelho-Amarelo Distrófico; LVdf = Latossolo Vermelho Distroférrico.


(...) Dado desconhecido, apesar de o fenômeno existir.
6 Paricá - Schizolobium amazonicum

Características da Madeira Principais Pragas e Doenças


Massa específica aparente (densidade): a madeira do No norte de Mato Grosso, e na região de Paragominas,
paricá é leve a moderadamente densa (0,30 g.cm-3 a PA, há muita incidência de broca no broto terminal. Em
0,62 g.cm-3) (PAULA, 1980; RODRIGUEZ ROJAS & função do estresse, a planta é muito suscetível a
SIBILLE MARTINA, 1996). doenças fúngicas. Na haste, foram detectadas
Fusarium sp. e Botryodiplodia sp, e nas raízes,
Cor: o alburno é diferenciado do cerne, com uma zona
Rosellinia sp. e Botryodiplodia sp.
de transição gradual. O alburno é de cor creme-
amarelado e o cerne é de cor marrom-claro. Na Amazônia Equatoriana, plantios de 300 ha
fracassaram devido ao intenso ataque de um inseto de
Características gerais: lustre ou brilho: mediano; grã:
gemas apicais, algo semelhante ao que sucede ao
algo entrecruzada; textura: grossa a média; aparência:
mogno (RODRIGUEZ ROJAS & SIBILLE MARTINA,
pouco definida, com linhas verticais (RODRIGUEZ
1996). Nesse plantio, as plantas também foram
ROJAS & SIBILLE MARTINA, 1996).
atacadas por uma planta parasita do gênero
Durabilidade natural: a madeira dessa espécie é Phoradendron.
suscetível ao ataque biológico, sendo recomendada a Espécies Afins
ser preservada.

Trabalhabilidade: madeira fácil de ser trabalhada. Schizolobium Vogel é um gênero com duas espécies,
do México até Brasil e Bolívia. Essa espécie é muito
Outras características: a descrição anatômica da parecida com S. parahybae do Sul e do Sudeste do
madeira dessa espécie pode ser encontrada em Paula Brasil.
(1980) e em Rodriguez Rojas & Sibille Martina (1996).
S. amazonicum distingue-se de S. parahybae pelas
Produtos e Utilizações flores e frutos duas vezes menores, bem como pelas
pétalas oblongas, mais firmes e glabras e pelos
Madeira serrada e roliça: essa espécie é bastante pedicelos articulados; as folhas atingem até 2 m de
utilizada na produção de lâminas médias ou miolo de comprimento, na fase jovem. Distingue-se também
compensados, brinquedos, caixotaria leve, portas e pelo fato de florescer completamente sem folhas e
parquete. pela forma dos cristais, presentes nas madeiras das
duas espécies (DUCKE, 1949; RIZZINI, 1971;
No Pará, são produzidas chapas de compensados de
ESPINOZA de PERNÍA et al., 1998).
alta qualidade e uniformidade, que são exportados
principalmente para os Estados Unidos, conquistando a Paula & Alves (1997) consideram que as duas espécies
preferência dos importadores. brasileiras de Schizolobium são semelhantes
morfológica e fenotipicamente. Portanto, S.
Energia: produz lenha de qualidade razoável.
amazonicum deveria ser considerada subsp. de S.
Celulose e papel: o paricá é uma espécie promissora parahybae. Segundo os mesmos autores, elas não
para a produção de pasta para celulose, destacando-se formam par vicariante, mas espécies distintas.
seu fácil branqueamento e as excelentes resistências
Schizolobium amazonicum pode ser confundida com
obtidas com o papel branqueado (PEREIRA et al.,
outras espécies de leguminosas de folhas bipinadas e
1982). Apresenta alto teor de lignina (34,70 %), mas
com folíolos pequenos. As espécies de Parkia podem
pode ser facilmente deslignificada.
distinguir-se de Schizolobium por apresentar glândulas
Medicinal: em medicina popular, essa espécie é usada na folhas, que não existem em Schizolobium; além do
contra disenteria e hemorragia uterina (BERG, 1982). mais, as espécies de Parkia possuem folíolos muito
Na Região de Barcarena, Pará, o chá da casca do mais curtos, geralmente curvados e a folhagem mais
tronco batida é recomendada para curar a diarréia densa (RODRIGUEZ ROJAS & SIBILLE MARTINA,
(AMOROZO, 1997). 1996).

Plantios em recuperação e restauração ambiental: essa


espécie é recomendada, também, para restauração de
ambientes ripários em locais não sujeitos a inundação.
Paricá - Schizolobium amazonicum 7

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Patrícia Póvoa de Mattos, Sandra Bos Mikich,
1a edição Sérgio Ahrens
1a impressão (2007): conforme demanda
Expediente Supervisão editorial: Luiz Roberto Graça
Revisão de texto: Mauro Marcelo Berté
Normalização bibliográfica: responsabilidade do autor
Editoração eletrônica: Mauro Marcelo Berté

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