Você está na página 1de 11

SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO

FORMAÇÃO PEDAGÓGICA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

VIVIANE RODRIGUES COSTA MENDES

EDUCAÇÃO COMO DIREITO: O PAPEL DA ESCOLA PARA A


TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Suzano
2018
VIVIANE RODRIGUES COSTA MENDES

EDUCAÇÃO COMO DIREITO: O PAPEL DA ESCOLA PARA A


TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Trabalho apresentado ao curso Formação Pedagógica


de Ciências Biológicas à Universidade Pitágoras Unopar,
como requisito parcial para a obtenção de média
bimestral nas disciplinas de: Educação a Distância,
Educação e Diversidade, Psicologia da Educação e da
Aprendizagem, Didática: Planejamento e Avaliação,
Políticas Públicas na Educação Básica, LIBRAS e
Práticas Pedagógicas: Identidade Docente.

Orientador: Profs. Keila Tatiana Boni, Marcio Gutuzo


Saviani, Mari Clair Moro Nascimento, Natalia Gomes dos
Santos, Sandra Cristina Malzinoti Vedoato e Luana
Pagano Peres Molina.

Suzano
2018
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 03

2 DESENVOLVIMENTO .......................................................................................... 04

3 CONCLUSÃO ....................................................................................................... 08

4 REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 09
3

1 INTRODUÇÃO

A educação é um direito fundamental que ajuda no desenvolvimento


de cada indivíduo. Seu papel visa o ser humano, considerando-o como um ser
concreto e histórico, que se relaciona com outros seres vivos em sociedade.
Segundo Álvaro Vieira Pinto (1989, p.29), “a educação é o processo
pelo qual a sociedade forma seus membros à sua imagem e em função de seus
interesses”. É dentro do contexto educacional, que se encontram diferentes sujeitos,
que pertencem a diferentes contextos sociais, que trazem sua historicidade
construída a partir de diferentes vivências, assim é possível e faz-se necessário
buscar saídas para uma democratização do ensino.
O termo democrático e participativo encontra-se na Constituição
Federal (1988, Art. 1º), mais precisamente como “democracia participativa”, na qual
se explicita a necessidade de participação de todos nas decisões a serem tomadas
na escola. Em relação à Educação, a Constituição (Art. 206), estabelece como
princípios básicos “o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas” e a “gestão
democrática do ensino público”.
A educação passou a ser vista como fator chave para o avanço da
ciência, para a eliminação dos problemas sociais e para o funcionamento das
instituições democráticas. Ela é um processo social que se enquadra numa
concepção determinada de mundo, a qual estabelece os fins a serem atingidos pelo
ato educativo em consonância com as ideias dominantes numa dada sociedade. O
fenômeno educativo não pode ser, pois, entendido de maneira fragmentada, ou
como uma abstração válida para qualquer tempo e lugar, mas sim, como uma
prática social, situada historicamente, numa realidade total, que envolve aspectos
valorativos, culturais, políticos e econômicos, que permeiam a vida total do homem
concreto a que a educação diz respeito.
É papel fundamental da educação, construir e preservar uma
sociedade democrática, uma vez que ela tem a responsabilidade social de formar
indivíduos sociais, que vivem e atuam em uma sociedade com igualdade e respeito.
4

2 DESENVOLVIMENTO

Podemos conceituar o Direito Educacional como sendo um conjunto


de normas, princípios, doutrinas que disciplinam, numa busca pela formalidade da
aprendizagem. O Direito Educacional extrapola os limites, isto é, a partir do
momento que a escola precisa dos poderes públicos, e da comunidade para o
intercambio, a interação social, buscando a melhoria do ensino-aprendizagem.
A educação é um direito que está garantido na Constituição Federal
Brasileira, desde 1988, no artigo 205, que diz: “a educação é direito de todos e dever
do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da
sociedade [...]”, sendo assim, todos sem exceção devem ter acesso à educação.
Como consta no Estatuto da Criança e Adolescente – ECA (2009):

Art.53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando o pleno


desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania, e
qualificação para o trabalho, assegurando-lhes:
I. Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II. Direito de ser respeitado por seus educadores;
III. Direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às
instâncias escolares superiores;
IV. Direito de organização e participação em entidades estudantis;
V. Acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência.

A educação é um processo constante na história de todas as


sociedades, ela não é a mesma em todos os tempos e todos os lugares, e se acha
vinculada ao projeto de homem e de sociedade que se quer ver emergir através do
processo educativo. Dermeval Saviani afirma que:

O estudo das raízes históricas da educação contemporânea nos mostra a


estreita relação entre a mesma e a consciência que o homem tem de si
mesmo, consciência esta que se modifica de época para época, de lugar
para lugar, de acordo com um modelo ideal de homem e de sociedade.
(SAVIANI, 1991, p.55).

A escola é uma instituição social de extrema relevância na


sociedade, pois além de possuir o papel de fornecer preparação intelectual e moral
dos alunos, ocorre também, a inserção social. Isso se dá pelo fato da escola ser um
importante meio social frequentado pelos indivíduos, depois do âmbito familiar. Onde
o indivíduo passa a conviver com pessoas de diferentes raças, cor, etnia, religião,
cultura. (SILVA e FERREIRA, 2014).
5

De acordo com Libâneo, a atuação da escola consiste na


preparação do aluno para o mundo adulto e suas contradições, fornecendo-lhe um
instrumental, por meio da aquisição de conteúdos e da socialização, para uma
participação organizada e ativa na democratização da sociedade.
A comunidade escolar é composta por alunos de diferentes grupos
sociais, políticos, econômicos, étnicos, religiosos, etc. No entanto, a escola vem
demonstrando grande dificuldade para atender esta diversidade humana, uma vez
que, ainda conserva concepções e práticas pautadas em tendências pedagógicas
que acreditam no processo de aprendizagem homogeneizado, desconsiderando, a
diversidade, ou seja, as diferenças.
Segundo Carvalho:

Pensar em respostas educativas da escola é pensar em sua


responsabilidade para garantir o processo de aprendizagem para todos os
alunos, respeitando-os em suas múltiplas diferenças (CARVALHO, 2002, p.
70).

Este pensamento é confirmado por Araújo, que diz:

[...] a escola precisa abandonar um modelo no qual se esperam alunos


homogêneos, tratando como iguais os diferentes, e incorporar uma
concepção que considere a diversidade tanto no âmbito do trabalho com os
conteúdos escolares quanto no das relações interpessoais. (ARAÚJO, 1998,
p. 44).

Neste contexto, cabe ao professor reconhecer seu papel de


mediador de aprendizagens, para todos os alunos, devendo ser esta mediação
desprovida de preconceito, estigma e exclusão.
Portanto, não se educa "para alguma coisa", educa-se porque a
educação é um direito e, como tal, deve ser garantido de forma igualitária e justa. O
objetivo da educação e das suas políticas não é formar gerações para o mercado, e
sim os sujeitos sociais, entendidos como cidadãos e sujeitos de direitos. Essa
interpretação enfatiza que os sujeitos de direitos são também diversos em raça,
etnia, crença, gênero, orientação sexual e idade, entre outros. E essa diversidade
tem sido tratada de forma desigual e discriminatória ao longo dos séculos e ainda
não foi devidamente equacionada pelas políticas de Estado, pelas escolas e seus
currículos.
Nesse sentido, Amaral (1998), ressalta que a educação precisa
6

prestar um bom serviço à comunidade, buscando atender as especificidades dos


alunos que chegam à escola, cabendo à educação adequar-se às necessidades dos
alunos e não os alunos às necessidades e limitações escola.
Antigamente a escola era reconhecida como um dos únicos locais
onde o processo ensino-aprendizagem ocorria, sendo a figura do professor de
extrema importância, pois ele era o responsável pelo ato de ensinar. As
responsabilidades ligadas ao processo de ensino cabiam aos professores e as
responsabilidades ligadas à educação eram da família.
As grandes evoluções na sociedade requerem mudanças na escola,
especialmente na atuação do professor. É necessário resgatar a função fundamental
do professor enquanto agente formador que oportuniza a formação e transformação
dos alunos, desenvolvendo neles o espírito crítico e a cidadania.
Nos dias de hoje, o professor precisa estar ciente de seu papel
diante da realidade social, econômica e tecnológica. Estamos vivendo no mundo da
globalização, o que torna as coisas fora da escola muito mais atraentes, pois esta
ainda continua ministrando aulas desinteressantes e maçantes, que não dá
oportunidade ao aluno para a reflexão e o desenvolvimento do senso crítico.
É preciso utilizar metodologias diferenciadas que surpreendam os
alunos, que os encante para o desenvolvimento do assunto a ser desenvolvido, pois
é necessário reconhecer que somente o fato de o professor falar e de o aluno
escutar não significa que ocorreu aprendizagem.
De acordo com Heerdt:

“Se o recurso não estiver sintonizado com aquilo que está sendo
apresentado, o aluno aciona um zap mental. Ele muda de canal, desliga-se
do professor que está na frente dele. Continua fisicamente na sala de aula,
mas sua mente viaja para bem longe dali. (HEERDT, 2003, p. 69).

Atualmente não é fácil promover aprendizagem, é necessário


compromisso e responsabilidade do docente. Este deve estar disposto a buscar
novas metodologias, através da formação continuada, para proporcionar melhorias
na qualidade do ensino.
Para Heerdt (2003), existem muitos desafios que precisam ser
assumidos e incorporados na prática docente. A mudança, o novo, o
questionamento, o diferente, quase sempre são causa de insegurança e medo. Mas
é necessário ousar e enfrentar.
7

Portanto, o professor precisa competir com tudo aquilo que o mundo


fora da escola oferece aos alunos. Ele precisa abusar de sua capacidade de criação
e ter consciência da necessidade de mudar sua prática pedagógica.
Deste modo, ao planejar o professor precisa estar ciente do que
quer ensinar e de como vai ensinar, para que possa interagir adequadamente com
seus alunos.
8

3 CONCLUSÃO

A lei garante educação para todos, no entanto, nas escolas


encontramos alunos de diferentes grupos. O trabalho pedagógico precisa se voltar a
à diversidade, para dar oportunidade ao direito de educação para todos.
Para trabalhar com um proposta de diversidade, é preciso
investimento na educação, pois a escola precisa oferecer estrutura adequada para
que ocorra não apenas o direito de acesso, mas condições de permanência e
sucesso na escola.
Ensinar a importância do respeito que se deve ter com as diferenças
dos colegas no ambiente escolar é de fundamental importância, esse ensino deve
ser aplicado desde os primeiros anos de escolaridade.
A afirmação de que, todos somos iguais deve ser deixada de lado,
mesmo porque se todos realmente fossem iguais não haveria preconceito. É a partir
das diferenças que surgem os preconceitos.
É importante que a escola reconheça as diferenças, valorizando as
especificidades de cada um lutando contra o preconceito e discriminação em relação
aos que são considerados diferentes dentro da escola. Propiciando ao seu aluno um
ambiente que priorize e estimule o respeito à diversidade, ajudando a formar
cidadãos mais educados e respeitosos que se preocupam com os outros, possuindo
o espírito de coletividade.
9

REFERÊNCIAS

AMARAL, Lígia Assumpção. Sobre crocodilos e avestruzes: falando de diferenças


físicas, preconceitos e sua superação. In: AQUINO, Julio Groppa (org.): Diferenças
e preconceito na escola: alternativas teóricas e práticas. 4. ed. São Paulo:
Summus Editorial, 1998.

ARAÚJO, Ulisses Ferreira de. O déficit cognitivo e a realidade brasileira. In:


AQUINO, Julio Groppa (org.): Diferenças e preconceito na escola: alternativas
teóricas e práticas. 4. ed. São Paulo: Summus Editorial, 1998.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1998.


Disponível em:
<https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC9
1_2016.pdf>. Acesso em: 27 de outubro de 2018.

BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente: Lei Nº 8.069 de 13 de julho de


1990. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8069.htm>.
Acesso em 28 de outubro de 2018.

CARVALHO, Rosita Edler. Removendo Barreiras para a aprendizagem. 4. ed.


Porto Alegre: Mediação, 2002.

HEERDT, Mauri Luiz, Coppi. Paulo de. Como Educar Hoje? Reflexões e
propostas para uma educação integral. São Paulo: Mundo e Missão, 2003.

LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da Escola Pública: a pedagogia crítico


social dos conteúdos. Coleção Educar. Edições Loyola. São Paulo: 1985.
Disponível em:
<https://docs.google.com/file/d/0B8jeXMvFHiDc3FtRFRnd1lMN00/edit>. Acesso em:
27 de outubro de 2018.

PINTO, Álvaro Vieira. Sete lições sobre educação de adultos. São Paulo: Cortez,
1989.

SAVIANI, Demerval. Educação: do senso comum à consciência filosófica. 10 ed.


São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1991.

SILVA, Luis Gustavo; FERREIRA Tarcísio. O papel da escola e suas demandas


sociais. Periódico Científico Projeção e Docência. Vol. 5, No. 2, 2014. Disponível
em: <http://revista.faculdadeprojecao.edu.br/index.php/Projecao3/article/viewFile/41
5/372>. Acesso em: 02 novembro de 2018.

STRECK, Danilo. Educação e transformação social hoje: alguns desafios político-


pedagógicos. Rev. Lusófona de Educação. n.13, Lisboa, 2009. Disponível em:
10

<http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-
72502009000100006>. Acesso em: 02 de novembro de 2018.