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EAD

POLÍTICAS EDUCACIONAIS

Maria Helena Quaite Rodrigues


Natália Keneeip Gonçalves
POLÍTICAS EDUCACIONAIS

MARIA HELENA QUAITE RODRIGUES


NATÁLIA KENEEIP GONÇALVES

   
SUMÁRIO

 
UNIDADE 01 - A EDUCAÇÃO ANTES DA INSTITUIÇÃO ESCOLA ............................................ 7 
UNIDADE 02 - A EVOLUÇÃO DA ESCOLA .............................................................................. 12 
UNIDADE 03 - POLÍTICAS EDUCACIONAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA NO BRASIL............... 17 
UNIDADE 04 - REFORMAS DO ENSINO: GUSTAVO CAPANEMA ........................................ 22 
UNIDADE 05 - REFORMAS DO ENSINO (1960 - 1970) ........................................................... 27 
UNIDADE 06 - A REFORMA DO ENSINO DO 1º E 2º GRAUS ................................................ 32 
UNIDADE 07 - POLÍTICAS EDUCACIONAIS NA NOVA REPÚBLICA ...................................... 37 
UNIDADE 08 - POLÍTICAS EDUCACIONAIS E O GOVERNO FHC ......................................... 42 
UNIDADE 09 - O FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO - O FUNDEF ...................................... 46 
UNIDADE 10 - FUNDO DE MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA
(FUNDEB) .................................................................................................................................... 51 

   
APRESENTAÇÃO
O caráter universalizante dos direitos do
homem [...] não é da ordem do saber
teórico, mas do operatório ou prático:
eles são invocados para agir, desde o
princípio, em qualquer situação dada.
FRANÇOIS, Julien, filósofo e sociólogo.

Caros (as) alunos (as)

A presente disciplina vai delinear os caminhos e os rumos percorridos pelas


diversas reformas no campo educacional que o Brasil vem enfrentando desde o
início da História da Educação Brasileira, bem como planos de financiamento,
formação de docentes e avaliação do sistema.
Nossa proposta é enfocar a educação como um direito social, assentado no
âmbito da Constituição Federal. Para tanto, faremos uma breve abordagem sobre
as grandes transformações ocorridas na sociedade contemporânea, que
reconfiguraram as relações de produção e impuseram novas demandas para os
sistemas educacionais. Em seguida, analisaremos a retomada das constituições
brasileiras até chegarmos a nossa atual Constituição Federal de 1988, destacando
os artigos referentes à educação, a fim de compreendermos as determinações
gerais que regem o conceito de educação nacional, bem como seus objetivos e
finalidades mais amplas.

Bons estudos!
Maria Helena Quaite Rodrigues

Natália Keneeip Gonçalves

   
PROGRAMA DA DISCIPLINA

Ementa: Os direitos sociais e educativos, as responsabilidades das esferas


educacionais. O financiamento da educação pública. O plano nacional de
educação e suas metas. A formação do professor. Acesso, qualidade, e equidade
na educação. A avaliação no sistema educacional.

Objetivos
 Adquirir conhecimentos sobre as políticas educacionais da Educação
Básica, bem como suas reformas;
 Reconhecer as transformações da sociedade contemporânea como
determinantes da reconfiguração dos sistemas educacionais;
 Refletir sobre a educação enquanto um direito social e os fundamentos da
legislação educacional;
 Estudar os aspectos relativos à educação na atual Constituição Federal
(1988).

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
A Educação antes da instituição escola.
A Evolução da escola.
Políticas Educacionais na Educação Básica no Brasil após 1.930.
Reformas do Ensino: Gustavo Capanema.
Reformas do Ensino (1.960-1.970).
A Reforma do Ensino de 1º e 2º graus.
Políticas Educacionais na Nova República.
Políticas Educacionais e o Governo FHC (Fernando Henrique Cardoso).
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento de Educação Básica (FUNDEB)

   
METODOLOGIA
Será adotada uma metodologia que alia a teoria à prática reflexiva,
proporcionada por meio de atividades e questionamentos que permitam ao aluno
enriquecer os seus conhecimentos necessários à sua formação de profissional da
educação.

AVALIAÇÃO
No sistema EAD, a legislação determina que haja avaliação presencial, sem,
entretanto, se caracterizar como a única forma possível e recomendada. Na
avaliação presencial, todos os alunos estão na mesma condição, em horário e
espaço pré-determinados. De forma diversa, a avaliação a distância permite que o
aluno realize as atividades avaliativas no seu tempo, respeitando-se, obviamente,
a necessidade de estabelecimento de prazos.
Assim, a avaliação terá caráter processual e, portanto, contínuo, sendo os
seguintes instrumentos utilizados para a verificação da aprendizagem:
 Trabalhos individuais ou a partir da interatividade com seus pares;
 Provas bimestrais realizadas presencialmente;
 Trabalhos de pesquisa bibliográfica e de aprofundamento.

As estratégias de recuperação incluirão:


 Retomada eventual dos conteúdos abordados nos módulos, quando não
satisfatoriamente dominados pelo aluno.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
DEMO, P. A Nova LDB: Ranços e Avanços. Campinas-SP: Papirus, 1997.
LIBÂNEO, J. C.; OLIVEIRA, J. F. O.; TOSCHI, M. S. Educação escolar: políticas,
estrutura e organização. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2005.

   
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:
BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria da Educação Média e Tecnológica.
Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Brasília: Ministério da Educação,
1999.
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares nacionais:
terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação/CEB. Resolução CEB nº 2. Institui as
diretrizes curriculares nacionais para o Ensino Fundamental.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação/CEB. Resolução CEB nº 3. Institui as
diretrizes curriculares nacionais para o Ensino Médio.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Lei nº 9.394/96. Estabelece as Diretrizes
e Bases da Educação Nacional. Brasília: 1996.
FAVERO, Osmar (org.). Educação nas Constituintes Brasileiras 1823 – 1988.
Campinas: Autores Associados, 2001.
GARCIA, Walter. Administração Educacional em Crise. 2ª. Ed. São Paulo: Cortez,
2001.
NOVOA, Antônio. Relação Escola – Sociedade: Novas Respostas para um Velho
Problema. IN. SERBINO, Raquel et al (org). Formação de Professores. São Paulo
/SP: UNESP, 1.994.

   
UNIDADE 01 - A EDUCAÇÃO ANTES DA INSTITUIÇÃO ESCOLA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Relatar como se dava a instrução antes da Instituição Escola.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Nessa Unidade, o enfoque à Instituição Escola vem apresentar como a


arquitetura e o espaço da instituição contribuiu para o aprimoramento da
Educação Básica, bem como, compreender o rompimento da atividade educativa
familiar.
A função da escola, enquanto arquitetura institucional deve ser a de
proporcionar ao aluno uma proximidade do conhecimento, e que este não seja
diferente da vida escolar. Desse ponto de vista, a escola não é o único espaço
onde ocorre o ensino/aprendizagem. A escola pode ser um espaço sociocultural
que implica o resgate dos sujeitos na trama social que a constitui enquanto
instituição.
A palavra escola, em grego, significa o lugar do ócio e surge, na Idade
Média, para atender à demanda de uma nova classe social que não precisava
trabalhar para garantir a sua sobrevivência, mas que precisava ocupar o seu
tempo ocioso de forma nobre e digna.
Logo, este espaço chamado “escola” era para o lazer e o prazer. Por isso,
concordamos com Brandão (1988), quando defende a ideia de que a escola não é o
único lugar em que se aprende.
Nesse sentido, pode-se dizer que tudo aquilo que é aprendido fora da
escola é visto com reserva, com desconfiança, marcando a diferença entre a
Educação Formal e a Educação Informal, que se constrói no cotidiano dos atores
sociais, a partir da interação entre os sujeitos.

   
A escola consegue mudar a sociedade, porque pode partilhar de projetos
com segmentos sociais que assumem os princípios democráticos, articulando-se
com eles, e constituindo-se como um espaço de transformação.
A educação formal tem objetivos claros e específicos e é representada pela
Educação Básica Brasileira, englobando o Ensino Infantil, o Fundamental, o Médio
e o Superior. Ela depende de uma diretriz educacional centralizada no currículo,
com estruturas hierárquicas e burocráticas, determinadas em nível nacional, com
órgãos fiscalizadores do Ministério da Educação e Desportos (MEC).
Segundo Teixeira (1968), a Educação tradicional apresentava-se centrada
no professor e com métodos organizados com currículos fechados, além de uma
organização baseada num ensino dualista e num sistema excludente, com
metodologia que privilegiava a exposição oral e a reprodução, com atividades
concentradas em aulas seletivas e classificatórias.
A nossa sociedade tradicional via a criança como um “adulto em miniatura”
(Philippe Ariès), isto é, não passava pelas etapas da infância e da juventude
aprendendo os aspectos essenciais das sociedades evoluídas de hoje. A
transmissão dos valores e dos conhecimentos e, de modo geral, a socialização da
criança, não eram asseguradas pela família, pois a criança bem cedo, se afastava
de seus pais, indo morar com outra família que não fosse a sua. Essa família antiga
tinha como prática a conservação dos bens, ensinar ofício, proteção da honra e a
convivência necessária à sobrevivência.
Logo, a educação era garantida pela aprendizagem com a convivência com
os adultos, ajudando-os a fazer seus deveres. Portanto, entendemos que a
educação se dava através da ação genérica de um grupo de adultos sobre as
gerações jovens, com o fim de conservar e transmitir a existência coletiva. Assim,
esse modelo de educação era por imitação, era essencialmente uma educação
natural, espontânea, inconsciente, adquirida na convivência de pais e filhos,
adultos e menores. Não havia ainda uma educação sistemática, intencional com
pessoal preparado para a função da ação educadora. Mais tarde, com o advento

   
da escola, a criança deixou de ser misturada aos adultos e de aprender a vida
diretamente, através do contato com eles. Passaram, em geral, a ter contato com
a escrita, que fixa o saber.
Para prosseguir no estudo da história da educação brasileira, convém
assinalar a diferença entre a educação para os nobres e para os menos
favorecidos. Assim, apresentaremos a antiga situação educacional brasileira e
algumas características da educação moderna. Segundo TEIXEIRA,

Não se cogitava de dar ao pobre a Educação conveniente ao rico, mas,


antes, se dar ao rico a Educação conveniente ao pobre, pois a nova
sociedade democrática não deveria distinguir a educação de trabalhar, mas
a todos queria educar para o trabalho, distribuindo-os pelas ocupações,
conforme o mérito de cada um e não segundo a sua oposição social ou
riqueza. (TEIXEIRA, 1.968, p. 29)

ESCOLA ANTIGA ESCOLA MODERNA

 Método expositivo e memorizado  Método pela ação

 Conhecimento repetitivo e  Conhecimento diversificado


compartamentalizado

 Currículo enciclopédico  Currículo transversal

 Classificatória e excludente  Inclusiva e aprendente


 Organização centrada no  Organização centrada no aluno
professor  Professor estimulador da
 Transmitir conhecimento aprendizagem
 Organização em forma de turmas  Organização em série e classe
 Quantidade  qualidade

Dentre as características apontadas por Teixeira (1968), na Educação


Brasileira mais antiga, algumas se conservam até hoje; outras foram substituídas
para atender melhor à nova demanda. Segundo o estudo acima as características
que se conservaram foram aquelas que não influenciaram na perpetuação da
sociedade, tais como: estrutura arquitetônica da escola, localização, transporte e

   
infraestrutura. Assim, a escola moderna tanto quanto a escola antiga procura
cumprir seu papel de equalizadora social.
Portanto, com o advento da globalização, a Educação é tida como o maior
recurso de que se dispõe para enfrentar a nova estruturação do mundo escolar e
atender às necessidades da demanda técnica. Da globalização depende a
continuidade do atual processo de desenvolvimento econômico e social, também
conhecido como período pós-industrial.
Vale ressaltar que hoje a Educação está centrada no aluno, valorizando o
currículo baseado no seu cotidiano. O modelo da proposta pedagógica segue a
orientação dos PCN, segundo a qual o importante é ensinar as questões
ambientais, geográficas, políticas e econômicas, tanto no nível local, quanto no
regional e no global.

BUSCANDO CONHECIMENTO

O homem é um ser que se transforma, o que faz dele um ser histórico,


logo, a educação é possível e necessária ser apresentada a ele. Contudo, essa
evolução só se revela, quando os fins e os meios da educação como etapas a
serem vencidas e propagadas acompanham a marcha da humanidade.
Verificada a historicidade dos fins da educação, observa-se que há uma
diversidade histórica dos fins. Sobre esse aspecto Spencer (apud in Meneses, 2001)
coloca que tal diversidade é uma proposta a respeito dos conteúdos dos meios
(processo educacional).
Assim, os conteúdos propostos querem sempre moldar o homem para que
ele seja eficiente, para a realização dos fins: colocar o homem em condições para
desfrutar do seu próprio ser para si mesmo. No entanto, há que se ressaltar que,
do ponto de vista pedagógico e moderno, os fins da educação estão voltados
para a realização dos fins sociais.

   
A partir dessas verificações, a educação deve proporcionar ao educando os
meios necessários para entender o mundo em que vive e o momento histórico
que está sendo apresentado a ele, podendo criar as possibilidades de
sobrevivência e de defender-se de influências nocivas para a sua existência e para
a comunidade a qual pertence.
A escola como instituição arquitetônica surge para dar continuidade da
atividade educativa familiar, isto é, os pais foram os primeiros educadores com o
fim de assegurar a vida e o desenvolvimento da geração mais nova.

   
UNIDADE 02 - A EVOLUÇÃO DA ESCOLA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Mencionar as semelhanças e as diferenças entre as escolas jesuíticas e as


demais.

ESTUDANDO E REFLETINDO
 

Educação antes da República: Educação Colonial

A história do Brasil colônia não pode ser desvinculada da história europeia,


já que a colonização deve ser compreendida como a necessidade de expansão
comercial da burguesia enriquecida com a Revolução Comercial.
Nesse contexto, percebe-se que a economia era o modelo agrário,
baseado na monocultura da cana de açúcar e o grande proprietário de terras era
o patriarcal da sociedade, centrada no poder do senhor do engenho. A mão de
obra foi inicialmente dos índios e, depois, dos negros africanos. Por isso, a
educação não era meta prioritária para o colonizador, uma vez que para a
agricultura não precisa de trabalho especializado. O escravo era a força do
trabalho.
São os religiosos que iniciam o trabalho pedagógico, no Brasil, e os jesuítas
desenvolveram a melhor atividade pedagógica. A vinda dos jesuítas para o Brasil
se deu em 1549, acompanhados pelo Padre Manoel da Nóbrega, juntamente com
a chegada do primeiro Governador Geral, Tomé de Souza.
A primeira escola elementar fundada no Brasil foi em Salvador/Bahia. José
de Anchieta foi mestre-escola. Ressalte-se que os Padres não ficaram só na
fundação de escolas elementar, pois, após alguns anos, começaram a criar
colégios no Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia. A regulamentação dos
documentos das escolas jesuíticas era através da Ratio Studiorum.

   
Uma característica marcante do método jesuítico são os exercícios fixados
na repetição a fim de serem memorizados. O método estimulava a competição. O
conteúdo era baseado na leitura dos clássicos gregos e latinos.
Por mais de duzentos anos, o ensino público ficou entregue aos padres da
Companhia de Jesus, sendo mais tarde acusada a ação pedagógica jesuítica de
ultrapassada, pois sua maior preocupação era com a formação de novos jesuítas e
não com a educação dos jovens: pregavam a fé católica ao trabalho educativo, a
catequização dos índios e a obediência.
Desse modo, percebe-se que a elite na época colonial era formada pelos
jesuítas e os índios apenas catequizados. A principal marca da influência jesuítica
na formação da cultura brasileira está na tradição religiosa do ensino, que perdura
sempre.
Com o intuito em proteger os índios dos colonos, os jesuítas ensinavam-
lhes também a mão de obra na lavoura e, com isso, garantiam uma fonte de
renda. Nesse sentido, a educação profissional era aprendida no convívio entre os
índios, os negros e os mestiços. A mulher aprendia as prendas domésticas.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Educação Pombalina
Com a ruína do ensino jesuítico, o Marquês de Pombal assume a
responsabilidade pela instrução pública e pretende renovar o ensino e seus
métodos e recriar um sistema educacional. Tal programa não foi possível,
somente criaram-se as aulas régias de humanidade, ciências e primeiras letras.
A reforma proposta por Pombal apresentou problemas de ordem
financeira e carência de professores. Vale dizer que a escola que pretendia
organizar era para servir aos interesses da Coroa Portuguesa.

   
D. João VI, em sua administração, sediada no Brasil, tinha o objetivo de
formar pessoal especializado, logo, o ensino técnico destacava-se para atender às
necessidades do momento histórico.
Não era só o ensino técnico especializado que desabrochava, o ensino
superior nas Academias da Marinha e Militar também começam ganhar força.
Entretanto, a educação do povo continuava ao interesse pessoal e social da coroa
no exercício do poder.
Mediante o cenário criado pela Reforma de Pombal, há necessidade de
recuperar a economia atual, momento oportuno para o Governo Central instituir
os tributos.
Nesse período da Educação Pombalina, muda-se a organização do ensino
secundário que antes era oferecido em forma de curso-humanidades, passa-se
para aulas avulsas (aulas régias). Porém, inúmeras dificuldades foram enfrentadas,
principalmente, por não existir mais a formação de mestres, não havendo,
portanto, uniformidade no ensino.

Educação Joanina
A chegada de Dom João VI no Brasil, acompanhado da corte, trouxe
medidas e consequências de ordem econômica muito importantes para o país.
Instituiu-se, na Carta Régia de 1808, a abertura dos portos a todas as nações
amigas, além de liberar o comércio. O contrabando diminuiu, mas o lucro da
coroa portuguesa aumentou, formando uma grande fortuna que pode elevar o
Brasil a Reino Unido. Cresceu o desenvolvimento das cidades portuárias.
A cidade do Rio de Janeiro tornou-se a capital do império e sofreu diversas
modificações. Missões estrangeiras vieram estabelecidas ao país, para avaliar as
riquezas da região. Houve a criação do primeiro jornal do país. Alguns prédios
públicos foram estabelecidos: A casa da Moeda, Banco do Brasil, a Academia Real
Militar e o Jardim Botânico.

   
Nesse período a educação ganhou força graças a chegada da imprensa,
biblioteca pública, revista e o museu. Porém, o curso superior era voltado para a
formação militar; os engenheiros, médicos e cirurgiões para o exército; técnicos
em economia, agricultura e indústria para a marinha. Mesmo assim, não eram
considerados como cursos em nível superior, porque organizavam-se com a
preocupação básica do ensino profissionalizante. Quanto ao ensino primário
continuava voltado para o aprendizado da leitura e escrita.

Educação no Período do Império


Em 1822, o Brasil ficou independente e isso se deu com muita luta. Com a
independência, D. Pedro I convocou a “Constituição da Mandioca”, assim,
chamada porque só poderiam votar, para eleger representantes aqueles que
possuíssem uma renda equivalente a cento e cinquenta alqueires de mandioca, de
forma que o número de eleitores foi restrito, pois poucos tinham essas posses.
Essa medida peculiar em colocar o voto exposto ao poder tinha uma
razão: excluir as camadas populares e os comerciantes portugueses. Os primeiros,
porque não tinham renda suficiente; os segundos, por serem comerciantes,
tinham a renda expressa em dinheiro e não em alqueires de mandioca. Assim,
num só golpe o “partido português” estava afastado da vida pública.
Essa Assembléia Constituinte deveria elaborar as leis que passariam a
organizar o sistema educacional brasileiro. Tudo não passou de um anteprojeto,
pois, logo, D. Pedro I engavetou a Constituição que estava sendo elaborada e fez
ele mesmo uma nova Constituição, promulgada em 1824.
As leis que serviram de base para a organização do ensino no Brasil foram
tributárias desta. Esta Constituição ficou em vigor e com poucas alterações, até a
proclamação da República em 1889.
A educação tornou-se elitista, seguindo a iniciada por D. João VI, reforçada
durante o reinado de D. Pedro II. As leis promulgadas por D. Pedro I tiveram
como objetivo formar um sistema educacional popular e gratuito.

   
Os últimos anos do Império foram marcados por fatores de ordem
econômica, social e política, que configuraram a crise da Monarquia e prepararam
o advento da República.
A Constituição de 1824, outorgada em 25 de março de 1824 por D. Pedro I,
divide o governo em três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.

   
UNIDADE 03 - POLÍTICAS EDUCACIONAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA
NO BRASIL

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE


 

Apresentar de que forma os rumos da educação no Brasil foram articulados


e desenhados em acordos com os governos em vigor.

ESTUDANDO E REFLETINDO
 

O percurso da História da Educação no Brasil é permeado de leis e


reformas que estabeleciam a organização do ensino brasileiro. Embora, muitos
fracassados, mesmo antes de serem colocados em vigor. Essa unidade trará o
esboço das transformações políticas, econômicas e educacionais ocorridas no
Brasil na década de 30.
Num ideário reformista, intelectuais e políticos do período de 1910 a 1920,
acreditavam ser indispensável a modernização do Brasil com a montagem de um
Estado Nacional, centralizador. Esse movimento deu origem à Revolução de 1930,
pois valorizavam o papel da educação como imprescindível, porque nele pareciam
estar contidas as soluções para os problemas do país: sociais, econômicos ou
políticos. Essa concepção salvacionista considerava que a reforma da sociedade
estava atrelada a reforma da educação e do ensino.
No governo de Getúlio Vargas, cada vez mais tinha-se consciência de que
a função da escola era uma questão de reprodução social.
A primeira medida do Governo Provisório, instalado com a Revolução de
1930, foi criar o Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública. O objetivo
era criar um ensino mais adequado à modernização. Essa revolução dá início a um
período em que todos os setores são atingidos, caracterizando a passagem de

   
uma sociedade pré-capitalista, agrário comercial e artesanal para uma sociedade
urbano-industrial.
Esse novo modelo político-econômico deu origem ao crescimento da
população urbana devido às novas ocupações ligadas à vida urbano-industrial.
Assim, cresce a demanda por educação, mas o Governo Provisório não tinha até o
momento implementado toda a organização e um sistema nacional integrado, ou
seja, não havia uma política nacional de educação que estabelecesse diretrizes
gerais e a elas subordinasse os sistemas estaduais.
Uma característica dessa Reforma é a modificação do status social da
mulher, ela passa a ter direito à educação, isto é, direito à matrícula no ensino
secundário. A reforma de 1930 não atingiu todos os níveis de ensino, apenas o
ensino secundário, ensino comercial e ensino superior puderam contar com o
privilégio das mudanças em todo o território nacional. Houve uma ampliação da
demanda e, como o baixo rendimento do ensino foi expressivo por causa da
evasão, reprovação e o alto índice do crescimento populacional, a Reforma
fracassou.
Com a criação do Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública, o
Ministro Francisco Campos é o primeiro titular da pasta, promovendo a realização
de reformas que evidenciariam ampliação das funções federais relativas a as
modalidades de ensino por ela abrangidas.
O Decreto 19.852 foi o que ganhou maior expressividade, pois ele dispunha
sobre a organização da Universidade do Rio de Janeiro. Os Decretos propostos
por Francisco Campos que mudaram o desenho da educação foram:
 Decreto 19.850, de 11 de abril de 1931, que criou o Conselho Nacional de
Educação;
 Decreto 19.851, de 11 de abril de 1931, que dispôs sobre a organização do
ensino superior no Brasil e adotou o regime universitário;
 Decreto 19.852, de 11 de abril de 1931, que dispôs sobre a organização da
Universidade do Rio de Janeiro;

   
 Decreto 19.890, de 18 de abril de 1931, que dispôs sobre a organização do
ensino secundário;
 Decreto 19.941, de 30 de abril de 1931, que instituiu o ensino religioso
como matéria facultativa nas escolas publicas do país;
 Decreto 20.158, de 30 de junho de 1931, que organizou o ensino comercial
e regulamentou a profissão de contados;
 Decreto 21-241, de 14 de abril de 1932, que consolidou as disposições
sobre a organização do ensino secundário.
A Reforma de Francisco Campos significou a definitiva superação os
exames parcelados e estabeleceu o currículo seriado, a frequência obrigatória, a
divisão do ensino secundário em dois ciclos e a sua ampliação para sete anos. O
primeiro ciclo, ou fundamental, com a duração de cinco anos, destinava-se a
proporcionar a formação geral básica. O segundo ciclo, ou complementar, com a
duração de dois anos, diversificava a função dos cursos superiores para os quais
constituíam pré-requisitos: Direito, Engenharia, Arquitetura, Medicina, Farmácia e
Odontologia. Esse desenho educacional teve o caráter seletivo, elitista e
preparatório para o curso superior.
Desde 1.920, havia um grupo de educadores que vinha estruturando a
nacionalidade do ensino brasileiro, entre eles, “Manifesto dos Pioneiros da Escola
Nova”, publicado em 1932, e endereçado ao povo e ao governo. Nele estavam as
ideias dos educadores da Assembleia de Educação (ABE) que pleiteavam a
atribuição de amplos poderes à União, defendiam a autonomia dos estados na
organização e administração do ensino. Atribuía à União o papel de coordenar e
estimular as atividades educativas em âmbito nacional. Esse Manifesto reconhecia
a educação como direito de todos e dever do estado, reivindicava uma escola
pública, assentada nos princípios de laicidade, obrigatoriedade, gratuidade e
coeducação (ensino para os dois sexos).
Para os intelectuais do Manifesto, o emergente processo de
industrialização demandava políticas educacionais que asseguravam uma

   
educação capaz de incorporar novos métodos e técnicas que fossem eficazes na
formação do perfil da sociedade adequada ao processo de industrialização. Assim,
essa organização racional do trabalho demandava uma pedagogia específica no
campo da distribuição “racional” da população pelas atividades rurais e urbanas.
Tanto os defensores da educação nova quanto os ideais da Igreja Católica,
lutavam pela hegemonia de suas propostas junto ao governo Francisco Campos e
Getúlio Vargas, procuravam conciliar reivindicações divergentes, sempre que
possível em seu proveito. A divulgação do documento elaborado pelos
educadores e intelectuais do Manifesto provocou violentos contra-ataques da
direita católica e da hierarquia da igreja.
Contra os ideais do grupo dos intelectuais o grupo dos católicos venceu,
conseguindo com que o ensino religioso de freqüência facultativa e, ministrado de
acordo com os princípios da confissão religiosa do aluno, fosse introduzido como
matéria nos horários das escolas públicas primárias, secundárias, profissionais e
normais (Art. 153).

BUSCANDO CONHECIMENTO
 

A expansão do ensino
A partir da década de 30, a educação alcança níveis de atenção nunca
antes atingidos, quer pelos movimentos dos educadores, quer pelas iniciativas
governamentais, ou pelos resultados concretos. Segundo Fernando de Azevedo,
de 1930 a 1940, dá-se um desenvolvimento do ensino primário e secundário que
jamais se registrará até então no país. De 1936 a 1951 as escolas primárias
dobraram e as secundarias quase quadruplicam, em número ainda que tal
desenvolvimento não seja homogêneo, tendo se concentrado nas regiões urbanas
dos estados mais desenvolvidos.
Também as escolas técnicas se multiplicam, segundo Lourenço Filho, se em
1933 havia 133 escolas de ensino técnico industrial, em 1945, este número sobe

   
para 1.368 e o número de alunos que era de quase 15.000, em 1933, ultrapassa,
então 65.000.
Em 1930, é criado o Ministério de Educação e Saúde, órgão
importantíssimo para a organização do planejamento das reformas em âmbito
nacional, e para a estruturação da universidade.
Em 1934, é fundada a Universidade de São Paulo, pela aglutinação de
diversas faculdades. O mesmo ocorre no ano seguinte, no Rio de Janeiro, com a
criação da Universidade do Distrito Federal. Em 1936, é reconhecida pelo governo
federal Faculdade de Filosofia São Bento, fundada em 1908 e que, desde 1911, se
agregará à Universidade Católica de Louvain (Bélgica).
Merece ser registrado o impulso no campo de formação do magistério,
com a reorganização de algumas escolas de nível secundário, já existentes.
Também, na recém fundada Faculdade de Filosofia de São Paulo, os alunos que se
formam passam a obter complementação pedagógica no Instituto de Educação.
Assim, em 1937, são diplomados no Brasil os primeiros professores licenciados,
para o ensino secundário:

Com esse acontecimento inaugurou-se, de fato, uma nova era do


ensino secundário, cujos quadros docentes, constituídos até então de
egressos de outras profissões, autodidatas ou práticos experimentados
no magistério, começaram a renovar e a enriquecer-se, ainda que
lentamente, com especialistas formados nas faculdades de filosofia que
além do encargo da preparação cultural e cientifica receberam por
acréscimo o da formação pedagógica dos candidatos professorado do
ensino secundário.
É possível compreender tais mudanças a partir da análise do contexto
social e econômico a que nos referimos no início. Com a crise do
modelo agrário exportador e o delineamento do novo modelo nacional
desenvolvimentista com base na industrialização, passa a ser exigida
melhor escolarização. ARANHA, 1989, p 58

   
UNIDADE 04 - REFORMAS DO ENSINO: GUSTAVO CAPANEMA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE


 

Evidenciar que Gustavo Capanema implementou uma série de reformas no


ensino brasileiro, que flexibilizaram e ampliaram as Reformas de Francisco
Campos, ex-Ministro da Educação.

ESTUDANDO E REFLETINDO
 

Houve uma série de reformas propostas por Capanema, no período de


1942 – 1946, sendo chamadas de Leis Orgânicas do Ensino. Essas leis
regulamentavam os diversos ramos e modalidades de ensino: secundário,
industrial, comercial, agrícola, normal e primário.
O Ministro Gustavo Capanema fez os seguintes decretos-leis:
 Decreto Lei 4.048, de 22 de janeiro de 1942, Lei Orgânica do Ensino
Industrial;
 Decreto-Lei 4.073, 30 de janeiro de 1942, cria o Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial (SENAI) outros Decretos se seguiriam a este,
completando a regulamentação da matéria;
 Decreto-Lei 4.244, de 09 de abril de 1942, Lei Orgânica do Ensino
Secundário;
 Decreto-Lei 6.141, de 28 de dezembro de 1943, Lei Orgânica do Ensino
Comercial;
 Decretos-Leis 8.529 e 8.530, de 02 de janeiro de 1946, Lei Orgânica do
Ensino Primário e Normal, respectivamente;
 Decretos-Lei 8.621 e 8.622, de 10 de janeiro de 1946, cria o Serviço Nacional
de Aprendizagem Comercial (SENAC);

   
 Decreto-Lei 9.613, de 20 de agosto de 1946, Lei Orgânica do Ensino
Agrícola.
Esse conjunto de Decretos-Leis compôs as Leis Orgânicas que
completaram o processo político aberto com a criação do Ministério dos
Negócios da Educação e Saúde Pública, em 1930. As demais eram poder ao
governo da União para estabelecer diretrizes sobre todos os níveis da Educação
no país.
A reforma Capanema foi diferente da reforma Campos, do ponto de vista
do ensino profissional, a segunda era voltada para os interesses da economia
agroexportadora, enquanto a primeira contemplava o ensino técnico profissional
industrial, comercial e agrícola, além do ensino primário e normal.
Assim mesmo continuava o dualismo: as camadas mais favorecidas da
população procuravam o ensino secundário e superior para a sua formação, os
menos favorecidos ou a classe trabalhadora, as escolas primárias e profissionais,
com vistas à preparação para o mercado e trabalho.
Nesse sentido, crescia o trabalho especializado para a indústria e fazia-se
urgente um sistema de ensino para atender à demanda. O governo obrigou-se a
recorrer à Confederação Nacional da Indústria (CNI), criando assim, um sistema
paralelo ao ensino oficial.
Com o reconhecimento da incapacidade governamental em promover a
formação profissional em larga escala, o Serviço Nacional da Aprendizagem
Industrial (SENAI) assume a formação técnica almejada, patrocinada pelos
empresários filiados da CNI. Essas filiações com suas contribuições deveriam
organizar e administrar as escolas de aprendizagem e treinamento industrial.
Essa situação não perdurou por muito tempo, o SENAI reconhece que é
função do Estado oferecer e cuidar da alfabetização e educação geral primária.
Para o SENAI, sua função era a formação de trabalho. Ao longo dos anos, foi
abandonado os cursos e atividades com vinculação à preparação da mão de obra,
dedicando-se apenas à formação especializada de nível técnico.

   
A luta ideológica sobre os rumos da educação brasileira continuava, sendo
assunto de debate no Congresso Nacional, pois o Ministro da Educação da época,
Clemente Mariano, nomeou uma Comissão de especialistas, com o objetivo de
estudar e propor uma reforma geral da educação nacional. Isso resultou que uma
nova Constituição fosse elaborada: Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, Lei 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Essa lei elimina o dualismo
administrativo do sistema de ensino herdado do Império, inicia-se a
descentralização do sistema, concedendo certo grau de autonomia. Com a
descentralização entre os órgãos, um ficou com a função normativa; outro, com a
função executiva.
Para as funções normativas criou-se o Conselho Federal de Educação e os
Conselhos Estaduais de Educação. Além das funções normativas referentes ao
sistema federal e aos sistemas estaduais, ficavam responsáveis também de
elaborar o plano de educação referente a cada Fundo (Fundo Nacional do Ensino
Primário, do Ensino Médio, e do Ensino Superior).
Com a autonomia que LDB deu aos estados, eles puderam organizar-se
seus sistemas de ensino em nível e instrução, de modo que o regime
administrativo, disciplinar e didático fosse menos uniforme.
Vale ressaltar que a LDB não trouxe soluções inovadoras, pelo contrário,
conservou as linhas de organização anterior. Manteve o ensino secundário e os
vários ramos profissionais. Englobou o ensino secundário e o profissional, sob a
denominação comum de “Ensino Médio”, cuja finalidade era a “Formação do
Adolescente”. Generalizou as denominações “Ginásio” e “Colégio”, para o primeiro
e segundo ciclo de todos os ramos. Admitiu a equivalência de todos os cursos
médios (a continuação dos estudos sem exames). Ainda com o objetivo de reduzir
as diferenças entre os diversos ramos e de proporcionar uma formação básica
comum, estabeleceu um núcleo de matérias obrigatórias a serem indicadas pelos
CFE (Conselho Federal da Educação), para todas as modalidades de ensino médio,

   
prevendo um currículo comum, no tocante às matérias obrigatórias, para as duas
séries iniciais do primeiro ciclo.
Apesar dessas inovações o ensino primário continuava distante do ensino
médio, pois, para ingressar ao ginásio o aluno passava pelo exame de admissão.
Essa era uma exigência que dificultava o ingresso, pois se o aluno não fosse
aprovado deveria aguardar a matrícula do próximo ano e prestar outro exame
para habilitar-se para o ingresso.

BUSCANDO CONHECIMENTO
 

A Reforma Capanema
Diversos Decretos-Leis são assinados entre 1942 e 1946 e denominados Lei
Orgânicas do Ensino.
O curso secundário é novamente reestruturado, passando a ser O Ginásio
com quatro anos e colegial com três. Vale dizer o colegial divide-se em curso
clássico (com predominância de humanidades) e científico.
A lei do ensino secundário, em seu artigo 1º: especifica que as finalidades
desse ensino são “formar a personalidade integral dos adolescentes”, “acentuar e
elevar a consciência patriótica e a consciência humanística”, “ dar preparação
intelectual geral que possa servir de base a estudos mais elevados de formação
especial” e, ainda, segundo o artigo 25, “formar as individualidades condutoras”.
Quanto ao ensino profissional, as alterações foram consideráveis. O país
passava por grande desenvolvimento industrial e a importação de técnicos
estrangeiros achava-se comprometida pela guerra, o que exigia uma solução
nacional para o problema. A Lei Orgânica cria, então, dois tipos de ensino
profissional: Um mantido pelo sistema oficial; o outro, paralelo, mantido pelas
empresas. Assim é criado, em 1942, o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial), organizado e mantido pela Confederação Nacional das Indústrias, com
diversos cursos de aprendizagem, aperfeiçoamento e especialização, além de

   
possibilitar a reciclagem do profissional. Em 1946, é criado o SENAC (Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial), desenvolvendo o mesmo processo.
A população de baixa renda, desejosa de se profissionalizar, encontra
nesses cursos a condição ideal, mesmo porque os alunos são pagos para estudar.
Daí o êxito desse empreendimento particular paralelo.
Mesmo considerando o êxito do SENAI e SENAC, é preciso reconhecer aí a
manutenção do sistema do alto ensino.
A reforma do ensino primário só é regulamentada por lei, após o Estado
Novo, em 1946, e institui diversas novidades. A criação do ensino supletivo de dois
anos, por exemplo, foi importante para a diminuição do analfabetismo.
Nos termos da lei, aparece novamente a influência do movimento
renovador. É estipulada a necessidade do planejamento escolar e constitui
novidade a previsão de recursos para a implantação reforma. Também é dada
atenção à necessidade de estruturação da carreira docente, bem como a
remuneração condigna do professor. Porém, se a lei leva ao otimismo, a realidade
nem tanto. São inúmeras as dificuldades enfrentadas para sua aplicação e se acha
inadequada à nossa realidade.
Outra medida da Lei Orgânica foi a regulamentação dos cursos de
formação de professores. A novidade da lei é a centralização das diretrizes. No
entanto, um defeito é a predominância de matérias de cultura geral em
detrimento das de formação profissional, bem como o mesmo caráter rígido de
avaliação.

   
UNIDADE 05 - REFORMAS DO ENSINO (1960 - 1970)

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE


 

Compreender o sentido político social da Educação para todos.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Na década de 60, a educação popular, é alvo de discussões e idealizações.


Paulo Freire foi um dos principais pensadores deste movimento. Seu método de
alfabetização de adultos centrado na adequação do processo educativo às
características do meio e do educando. Alcançou repercussão nacional e
internacional.
Os ideais dos educadores da década de 20 e início dos anos 30, somente
em 1961 foram efetivamente obtidos. Nesse ano, a União passa a assumir a função
de coordenação educativa nacional. Os estados organizam os seus sistemas de
ensino em todos os níveis e modalidades.
Inicia-se um período contrário à descentralização política e administrativa.
Nesse período, o planejamento da educação, que era incumbência do Conselho
Federal de Educação – CFE transferiu-se para os órgãos executivos com o reflexo
da hegemonia do Poder Executivo sobre o Legislativo.
Em 1962, instala-se no Brasil o Regime Militar, a fim de garantir o capital e
o continente contra o socialismo, impedindo qualquer abuso na economia e
política do país. Neste regime, o Poder Executivo é repressor, controlava os
sindicatos, os meios de comunicação, a universidade. Assim, os militares
contiveram a crise econômica, abafaram a movimentação política e consolidaram
os caminhos para o capital multinacional.
As reformas do ensino no regime militar tiveram o planejamento da
educação na concepção econômica de desenvolvimento. Essa política

   
desenvolvimentista, ou seja, educação para a formação de capital humano,
vínculo entre educação e mercado de trabalho, modernização de hábitos de
consumo, integração da política educacional aos planos gerais de consumo,
integração da política educacional aos planos gerais de desenvolvimento e
segurança nacional, defesa do estado, repressão e controle político ideológico da
vida intelectual e artística do país. Assim, essa perspectiva “economicista” em
relação à educação foi confirmada no Plano Decenal de Desenvolvimento
Econômico e Social (1967 – 1976), para qual a educação deveria assegurar
“estrutura do capital humano do país”.
Para assegurar uma política educacional orgânica, nacional que garantisse
o controle político e ideológico sobre a educação escolar, uma série de leis,
Decretos-Leis, e pareceres declararam seus motivos para elaborar uma única lei:
Lei nº 5.692/71 - Ministro Jarbas Passarinho.
 Lei 4.464, de 09 de novembro de 1964, que regulamentou a participação
estudantil;
 Lei 4.440, de 27 de outubro de 1964, que institucionalizou o salário educação,
regulamentado no Decreto 55.551, de 12 de janeiro de 1965;

 Decreto 57.634, de 14 de janeiro de 1966, que suspendeu as atividades da UNE;


 Decretos 53, de 18 de novembro de 1966, e 252, de 28 de fevereiro de 1967, que
reestruturaram as universidades federais e modificaram a representação

estudantil;
 Decreto-Lei 228, de 28 de fevereiro de 1967, permitindo que reitores e diretores

enquadrassem o movimento estudantil na legislação pertinente;


 Lei 5.540, de 28 de novembro de 1968, que fixou as normas de organização e

funcionamento do ensino superior;

 Decreto-Lei 477, de fevereiro de 1969, e suas Portarias 149-A e 3.524, que se


aplicavam a todo corpo docente, discente e administrativo das escolas, proibindo
quaisquer manifestações políticas nas universidades.
 Lei 5.370, de 15 de dezembro de 1.67, que criou o Movimento Brasileiro de

Alfabetização (MOBRAL), regulamentado em setembro de 1970;

   
 Lei 5.692, de 11 de agosto de 1971, que fixou as diretrizes e bases para o ensino de
1º e 2º graus;
 Lei 7.044, de 18 de outubro de 1882, que alterou dispositivos da lei 5.692,

referentes à profissionalização do ensino de 2º grau.

No período do regime militar que deram apoio a política educacional


foram as seguintes leis: Lei nº 5.540/68 – Reformulou o ensino superior; Lei nº
5.692/71 – Reformou o ensino de 1º e 2º graus.
A Lei nº 5.540/68 promove a reforma universitária ou ensino de 3º grau. Ela
extingue a cátedra, unifica o vestibular e aglutina as faculdades em universidades.
Institui o curso básico para suprir as deficiências do 2º grau e, no ciclo profissional.
Estabelece cursos de curta e longa duração. Desenvolve um programa de pós-
graduação.
Além disso, uma reestruturação completa, visando a racionalizar e
modernizar o modelo, com a integração de cursos, áreas e disciplinas. Uma nova
composição curricular permite a matrícula por disciplina, fica instituído o sistema
de créditos. Para a nomeação de reitores e diretores da universidade não há
exigência de que sejam pessoas ligadas ao corpo docente universitário.
A Lei 5.540/68, além da proposta da reforma no ensino superior, introduziu
o regime de tempo integral e dedicação exclusiva aos professores. Como leis
anteriores, essa não rompeu com os antigos laços de poder, nem feriu os
interesses constituídos, manteve a tradição das elites.
Estiveram participando do movimento da Reforma de 1968 além dos
pesquisadores e docentes o movimento estudantil. O movimento estudantil
realizou seminários sobre a reforma universitária, criticando seu caráter elitista,
denunciou a existência cátedra vitalícia, indicou a necessidade de realização de
concursos públicos para a admissão de professores e lutou por currículos
atualizados e pela ampliação da participação estudantil nos órgãos colegiados.

   
Os Decretos nº 4.464/1964; o Decreto nº 2.28/1967, o Decreto nº 477/1969
foram de caráter repressivo: extinguiu a União Nacional dos Estudantes (UNE)
limitou a existência de organizações estudantis ao âmbito estrito de cada
universidade; puniu estudantes, professores e funcionários que não
desenvolvessem as atividades de acordo com os planos do regime militar. Criou,
no MEC, uma divisão de segurança e informação para fiscalizar as atividades
políticas de professores e estudantes nas instituições.
Essa repressão foi a primeira medida para impulsionar o golpe de 64, o
setor da educação era o mais controlado, pois bastava que um programa
educativo ou um livro tivesse inspiração comunista já era suficiente para acontecer
a perseguição. Nos casos de pessoas que ocupavam cargos, ocorriam as
demissões. Dessa forma, impediam que programas de educação, voltados para o
povo fossem desenvolvidos. Com isso, traçam o modelo capitalista moderno no
sistema educacional. Os defensores do ensino público foram substituídos por
aqueles que lutavam pela hegemonia da escola particular subsidiada pelo estado,
com os militares empenhados na repressão. Nesse sentido, começam as
faculdades a tornarem-se mera transmissoras de conteúdos, onde bastava o aluno
ter presença, ouvir e reproduzir, em decorrência da não autonomia didática do
professor.

BUSCANDO CONHECIMENTO
 

O Manifesto dos Pioneiros


Devido ao clima de conflito aberto, em 1932, é publicado o Manifesto dos
Pioneiros da Educação Nova, encabeçado por Fernando de Azevedo e assinado
por 26 educadores. O documento considerava dever do Estado, tornar a
educação obrigatória, pública, gratuita e leiga. Tal ação deve também ser ampla,
mediante um programa de âmbito nacional. Diante do caráter social da educação,

   
o Manifesto critica o sistema dual (que destina uma escola para os ricos e outra
para os pobres), reivindicando uma escola básica única.
Esse manifesto é muito importante na história da pedagogia brasileira,
porque representa a tomada de consciência da defasagem entre a educação e as
exigências do desenvolvimento.
Dentre os adeptos da escola nova, que, na década de 20, tinham
empreendido reformas de ensino, destaca-se Francisco Campos, autor da mesma
reforma no estado de Minas Gerais. Uma vez tornado Ministro da Educação,
imprime essa tendência renovadora em diversos decretos de 1.931 e 1.932.
Pode-se dizer que, pela primeira vez, no Brasil, ocorre uma ação planejada
visando a uma organização em nível nacional (as reformas anteriores foram
estaduais), sobretudo no que se refere ao ensino secundário, ao comercial e à
organização do sistema universitário.
O ensino secundário passa a ter dois ciclos: um fundamental, de cinco
anos, e outro complementar, de dois anos, visando à preparação para o ingresso
no curso superior. Com isso, pretendia-se evitar que o ensino secundário
permanecesse meramente propedêutico, ao não enfatizar a formação geral do
aluno. Todas as escolas são equiparadas ao Colégio Pedro II (até então
considerado modelo) e são estabelecidas normas de admissão de professores e
formas de inspeção do ensino ministrado.
No entanto, apesar do real avanço, algumas críticas podem ser feitas.
Houve total descaso pela educação primária e pela formação de professores.
Quanto às demais áreas do ensino profissionalizante, a atenção foi dada ao
comercial, tendo sido descuidado o industrial, de premente necessidade. Grave
também foi o desenvolvimento de programas de caráter enciclopédico que, ao
lado de uma avaliação rígida, tornavam o ensino altamente seletivo e elitizante.

   
UNIDADE 06 - A REFORMA DO ENSINO DO 1º E 2º GRAUS

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE


 

Proporcionar ao educando esclarecimentos sobre a obrigatoriedade do


ensino escolar de oito anos.

ESTUDANDO E REFLETINDO
 

A Lei nº 5.692/1971 representou uma elevação dos gastos dos


estabelecimentos privados de ensino, devido a sua extensão de quatro para oito
anos de escolaridade obrigatória. No 2º grau também ocorrem despesas
adicionais, igualmente de difícil transferência para os pais como ocorreu no ensino
de 1ª grau.
Nesse sentido, os lucros dos estabelecimentos ficaram ameaçados, bem
como sua sobrevivência. Um exemplo que ficou claro foram as faculdades que se
abriram nas periferias das grandes cidades. Logo, o setor privado do ensino ficou
desvantajoso não compensando mantê-los em funcionamento.
A Lei nº 5.692/1971, de 11 de agosto de 1971, fixou as diretrizes e bases para
o ensino de 1º e 2º graus. Introduziu mudanças no ensino que estava
desarticulado, mas continua assegurando o amparo técnico e financeiro à
iniciativa privada. Dessa vez, a luta não foi com a Igreja e os defensores da escola
pública e leiga, como forma prevista na Constituição de 1934 e 1946, seus
partidários é que estavam divididos.
Mudanças introduzidas pela referida lei:
 ampliar a obrigatoriedade escolar e quatro para oito anos; com a idade
de 7 a 14 anos;
 exclui o exame de admissão;
 necessidade de educador para a educação elementar;

   
Desvantagens:
 seletividade do curso primário na rede particular;
 elevado número de vagas;
 inexistência de escola na zona rural.
Tudo isso tornou impraticável a extensão e a obrigatoriedade da
escolaridade para oito anos. Privilegiou-se a quantidade à qualidade.
O governo militar havia diminuído os recursos para e educação, isto é, não
cumpriu o previsto na Lei nº 4.020/1964, que tinha o objetivo de incrementar o
ensino de 1º grau. Assim, o salário-educação que a União deveria repassar aos
Estados da Federação para a construção de escolas, era desviado para os
interesses de políticos e empreiteiros. Portanto, o governo não valorizava o
empreendimento de construção como era o sonho dos educadores.
Com apenas dois anos de promulgação da lei, em 1973, foi baixado o
Decreto 72.495, de 19 de junho de 1973, que estabelecia: “norma para a concessão
de amparo técnico e financeiro às entidades particulares de ensino”.
Esse decreto estabelece que os recursos a serem repassados teriam sua
origem o FNDE (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação).
Objetivos do repasse:
 “suprir deficiências locais da rede oficial de ensino de 1º e 2º graus,
 “adotar a intercomplementariedade entre estabelecimentos oficiais e
particulares de ensino,
 “equipar, reequipar e instalar unidades escolares,
 “ampliar e recuperar imóveis destinados exclusivamente a atividades
escolares;” (art. 3º).
Estava previsto, na criação do FNDE, que os recursos conferidos às escolas
privadas não seriam reembolsadas ao cofre público. As escolas devolveriam em
forma de gratuidade total ou parcial de ensino oferecido, ou seja, uma parceria
entre o governo e a instituição. Essa parceria estabelecia que, onde houvesse

   
escola privada que atendesse a demanda, o governo não construiria a escola
pública.
Nesse sentido, era fácil cumprir o acordo, pois os empresários do ensino
tinham a maioria dos membros que compunham os conselhos Estaduais de
Educação, logo, seus interesses eram vencidos. Isso posto, os conselhos estaduais
tinham recebido o decreto a incumbência de baixar as normas complementares
para o cumprimento de tais exigências.
Esse privilégio dado às escolas privadas é porque se entendia que ensino
público e privado são equivalentes. Então, seria um critério visando aos interesses
de ambas as partes: poder público e privado.
Em relação ao 2º grau, com duração de três anos, a lei nº 5.692/1971
recomendava o Art. 1º. “Proporcionar ao educando formação necessária ao
desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de autorrealização,
qualificação para o trabalho e preparo para o exercício consciente da cidadania”.
De acordo com o previsto nesse artigo, o ensino de 2º grau perde seu tradicional
perfil propedêutico, sua função agora é preparar para o trabalho.
Frente ao grande número de vagas particulares no ensino superior, esse
tipo de ensino profissionalizante era o mais procurado ao ensino de qualificação
do nível médio. Tudo não passava de um engodo, pois, excluindo da carga
horária da formação básica, as disciplinas de Filosofia, Sociologia e Psicologia, os
cursos estavam longe de formar um egresso para obtenção de emprego.

BUSCANDO O CONHECIMENTO
 

A Lei nº 5.692//71 obedece aos princípios da continuidade e da


terminalidade. Para tanto, diversos pareceres regulamentam para currículo que
consta de uma parte de educação geral e outra de formação especial. Além disso,
foram incluídos como matérias obrigatórias, Educação Física, Educação Moral e

   
Cívica, Educação Artística, Programa de Saúde e Religião (esta, obrigatória para a
escola, mas optativa para o aluno).
Em 1967 é criado o Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização) para
começar a suprir a taxa de analfabetismo no Brasil. Paulo Freire teve seu método
consagrado, mas logo tornou-se fracassado, por ter sido seu conteúdo
considerado subversivo, segundo o ponto de vista da política vigente.
Algumas vantagens da Lei nº 5.692:
 extensão da obrigatoriedade do 1º grau (1ª a 8ª séries);

 escola única: superação da seletividade com a eliminação do


dualismo escolar, já que não existe mais separação entre o
secundário e o técnico;
 profissionalização a nível médio para todos: superação do

ensino médio propedêutico, já que existe a terminalidade;


 integração geral do sistema educacional do primário ao
superior (continuidade);
 cooperação das empresas na educação. ARANHA, 1989. p:

257.

Essas vantagens não tiveram sucesso no campo da terminalidade e da


formação para o trabalho, pois o ensino profissionalizante oferecido era de baixa
qualidade, pela insuficiência de laboratórios adequados às exigências dos cursos.
Portanto, consegue-se vasta mão de obra barata no mercado, porque a escola
prepara um exército de reserva”.
Nesse sentido, a escola particular leva vantagem, mas o ensino em sala de
aula continua com o sentido propedêutico entregando seus alunos às vagas das
melhores universidades. Como consequência a reforma não consegue desfazer o
dualismo (uma escola para o rico e outra para o pobre). O dualismo estende-se
até ás faculdades.
A Lei n. 5.692, teve a caráter tecnocrático, segundo o qual eficiência e
produtividade tem validade por si só. Outro aspecto que deve ser mencionado é,

   
a Lei foi política e não apolítica como pode transparecer. Por volta de 1.980
essa Lei torna-se obsoleta, uma nova Lei n.7.044/82 dispensa as escolas da
obrigatoriedade profissionalizante, voltando a ênfase para formação geral. O
cenário brasileiro é outro e os debates em prol de ser reconquistado o tempo e o
espaço perdido, começam a ganhar força com a volta dos políticos que haviam
sido exilados e as organizações estudantis retornam a atividade. A forca do
regime militar começa enfraquecer.
Vale registrar que a lei n. 5.692/71 foi alterada pela Lei n. 7.044/82, em
virtude da reorientação quanto à profissionalização do 2º grau. O ponto
fundamental alterado foi a substituição da proposta de que o ensino
deveria qualificar para o trabalho pela ideia que deveria preparar para o
trabalho. MENESES, 2.001. p. 164.

   
UNIDADE 07 - POLÍTICAS EDUCACIONAIS NA NOVA REPÚBLICA

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE


 

Efetuar um estudo sobre o período que antecede a criação da Lei n.


9.394/96.

ESTUDANDO E REFLETINDO
 

Nessa unidade será apresentada a crise que enfraqueceu o regime militar e


as pressões por eleições diretas à escolha presidencial e como seriam definidas as
políticas educacionais, ou seja, caberia ao Executivo Federal decidir quando e a
que descentralizar.
O regime militar estava enfraquecido e suas antigas alianças desfaceladas.
A sociedade civil organizava-se para intervir nas políticas públicas educacionais,
firmando um consenso sobre um novo projeto educacional com o interesse em
subsidias o MEC na busca de soluções que respondessem às diversidades locais e
regionais.
A força do regime militar mesmo enfraquecida mantinha o poder de
decisão entre o poder centralizado do governo federal com os estados e
municípios. O repasse do salário-educação era distribuído de acordo com seus
critérios.
Com o objetivo de recuperar as forças, o governo federal decidiu atuar
diretamente nos municípios. O resultado não foi dos benéficos, pois a política
confusa permitiu maior comprometimento no planejamento global e articulado da
educação. Assim, para atender a maioria da população, defendendo a escola
pública, um novo projeto de LDB seria elaborado pela comunidade escolar para
enfrentar o século XXI.

   
Inicia-se o neoliberalismo na década de 90, com a posse para Presidente
da República de Fernando Collor de Mello que governou de 1990-1992. As
políticas educacionais foram marcadas por forte clientelismo, privatização e
enfoques fragmentados. Nesse período, houve muito debate sobre a
redemocratização do ensino brasileiro, mas de pouca ação, pois os acessos do
governo no plano da educação era a maioria conservador, inclusive no MEC.
Algumas intenções do governo federal para o setor educacional:
 O Programa Nacional de Alfabetização e Cidadania PNAC (1990);
 O Programa Setorial de Ação do governo Collor na área da educação
(1991-1.995);
 Brasil: um Projeto de Reconstrução Nacional (1991).
O ponto culminante do governo José Sarney (1985-1990) com relação ao
projeto de redemocratização foi a vitória alcançada com a aprovação da
Constituição de 1988. A nova Carta Magma do país conseguiu varrer diversos
mecanismos que sustentaram o regime autoritário (militar). O fim da censura, a
livre organização partidária, o retorno das eleições diretas e a divisão dos poderes.
A Constituição foi uma vitória política, mas, no campo econômico, não,
apesar do entusiasmo do plano cruzado. Quanto à indústria foi um furo, teve uma
pane no setor da produção e da falta de produtos de primeira necessidade.
Nesse sentido, o setor econômico foi abalado, pois as ações não freavam o
índice inflacionário. Os Planos: Bresser e Verão tentaram articular ações de
correção da inflação, mas a intenção foi em vão e a crise econômica financeira
estava declarada. Essa crise convivia com a esperança e a perspectiva de
democratização. Assim, o governo José Sarney perdia o apoio da sociedade civil.
No que concerne à educação, a oposição erguia a bandeira da mudança,
pois era um movimento que vinha reivindicando mudanças já a tempo.
Como movimento da oposição pode-se citar:
 Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação – ANPED;
 Associação Nacional de Docentes do Ensino Superior ANDES;

   
 Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação CNTE;
 Educação & Sociedade;
 Revista da ANDE;
 Cadernos do CEDES;
 Conferencia Brasileira de Educação (CBES);
 - As reuniões anuais da SBPC.
Assim, esses movimentos defendiam a educação pública e gratuita como
direito público subjetivo e dever do Estado. Além disso, defendiam a erradicação
do analfabetismo e a universalização da escola pública.

BUSCANDO CONHECIMENTO
 

O projeto educacional na Nova República teria, então, como principal


diretriz assegurar o acesso, ingresso e permanência no ensino de boa qualidade.

a-) Melhoria da qualidade da Educação


 Merenda escolar;
 Distorção idade e série;
 Transporte;
 Material didático;
 Redução de números de aluno na sala de aula;
 Bibliotecas e laboratórios;
 Melhor infraestrutura;
 Alteração no currículo;
 Superação da formação profissional;
 Implementação da educação politécnica;
 Adequação do calendário regional;
 Revisão de técnicas e métodos de ensino;
 Revisão de critérios de avaliação do rendimento escolar;

   
 Mudança dos conteúdos dos livros didáticos;
 Formação docente e retribuições salariais dignas e justas.

b-) Plano de carreira nacional aos profissionais da educação que compreendia:


valorização e qualificação.

c-) Democratização da gestão.

d-) Financiamento da Educação.

e-) Ampliação da escolaridade obrigatória, abrangendo creche, pré escola 1 e 2


graus.
Com o fim do Governo Sarney, quem assume, eleito pelo voto direto, foi
Fernando Collor de Mello. Ao assumir, anunciou seu pacote de modernização
administrativa, cujo objetivo era conter a inflação.
Com a crise política somada à crise econômica, Collor foi alvo de uma CPI
(Comissão Parlamentar de Inquérito) e, comprovado as irregularidades no seu
governo deixou a presidência federal. Quem assumiu foi o seu Vice Itamar Franco
(1992-1994).
O presidente então eleito não teve quase nenhuma participação no setor
educacional, seu compromisso maior foi de “arrumação da casa”, pois havia
herdado do governo anterior problemas que foram possíveis de ser sanados
somente com o ministro da Educação Paulo Renato Souza, na gestão de FHC
(Fernando Henrique Cardoso).
Como avanço pode ser citado a decisão de fechar o Conselho Federal de
Educação, pois esse era alvo de denúncias no sentido de vender pareceres para a
abertura de cursos superiores. Vale ressaltar que Paulo Renato implantou o
programa para avaliação de livros didáticos e de universidades públicas. Os

   
vetores da administração educacional da Nova República foram: Clientelismo,
tutela e assistencialismo.

   
UNIDADE 08 - POLÍTICAS EDUCACIONAIS E O GOVERNO FHC

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE


 

Analisar o período político (1995-2003) quanto suas ações do setor da


educação brasileira.

ESTUDANDO E REFLETINDO

A primeira Lei de Diretrizes e Bases (Lei n.4.024/61) conceituou a educação


como processo formativo da infância e da juventude. Consideraram-se os fins da
liberdade e ideais de solidariedade humana e os hegemonizou em relação aos
meios (processos formais e informais de educar.
Enquanto que a Lei n.9.394/96, atual LDB buscou privilegiar o processo,
que visa à formação para a sociedade, a Lei n.5.692/71 em relação ao artigo1º da
Lei n.4.024/61 referendou o seu respeito à formação do eu essencial. A Lei
n.9.394/96 foi promulgada no Governo FHC, embora, o projeto estava sendo
discutido na Assembleia desde o governo anterior.
As Leis 5.692/71 e 5.840/l68 não podem ser consideradas LDB na medida
em que se voltam apenas para uma fração da educação brasileira: a primeira para
a educação pré-escolar e para o ensino de 1º e 2º graus e a outra para o ensino
superior. Duas leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional são entendidas
como normas para todo o Sistema Educacional desde a pré escola até o ensino
superior: Lei n. 4.024/61 e Lei n. 9.394/96

A primeira Lei de Diretrizes e Bases foi a (4.024/61).


O princípio da municipalização do ensino fundamental apareceu pela
primeira vez na Lei n. 5.692/71, que previa em seu Art. 58 a progressiva passagem

   
para a órbita municipal dos encargos de educação, especialmente do 1º grau. Esta
legislação deu amparo ao MEC para desenvolver programas com os Municípios.
Em 1974: Pró Município-Projeto de Coordenação e Assistência Técnica ao
Ensino Municipal, com o objetivo de um processo contínuo de articulação entre
Estados e Municípios visando o aperfeiçoamento do ensino repassando recursos
aos municípios por critérios políticos.
Em 1980: Edural-Programa de Expansão e Melhoria da Educação Rural no
Nordeste. Seu objetivo era a melhoria das redes municipais no que se refere a
recursos humanos, materiais e ao currículo.
Em 1983: Decreto Federal 88.374-Estabelece que da cota estadual do
salário educação 25% seriam destinados a programas municipais.
Em 1985: Educação para Todos- Os municípios participantes do programa
deveriam ter Estatuto do Magistério Municipal, ter aplicado no ano anterior 20%
do Fundo de Participação dos Municípios no setor educativo.
Em 1988: Promulgação da Nova Constituição Federal. Os Municípios se
tornam membros da Federação, aumenta a autonomia financeira dos municípios.
No artigo 211, a Lei estabeleceu que a União, os Estados, o Distrito Federal
e os Municípios deveriam organizar em regime de colaboração seus sistemas de
ensino.
Ainda da Constituição, Parágrafo 1º. A União deveria organizar e financiar o
sistema federal de ensino e prestar assistência técnica e financeira aos Estados,
Distrito Federal e Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino
e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória.
Parágrafo 2º. Os Municípios deveriam atuar prioritariamente no ensino
fundamental e pre-escolar.
Em 1996, 20 de dezembro, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
n. 9.394. Apesar de a LDB estabelecer um regime de colaboração entre União,
Estados, Distrito Federal e Municípios prevê prioridades para atuação de cada
esfera do poder público. Para o Município, prioriza em primeiro lugar o ensino

   
fundamental e, em segundo, a educação infantil. O ensino médio e a educação
superior somente serão desenvolvidas pelo município, quando sua demanda
privilegiada (ensino fundamental e educação infantil) estiver totalmente atendida.
As escolas privadas de educação infantil ficam ligadas ao sistema municipal. A LDB
define como atribuição específica dos Estados o ensino médio.

A Lei n.9.394/96 delimita dois níveis de ensino:


 Educação Básica: Educação Infantil, Ensino Fundamental e o Ensino
Médio;
 Educação Superior
Esses níveis podem se desenvolver através de quatro modalidades de
ensino de acordo dom as necessidades de sua clientela:
 Ensino regular
 Educação especial
 Educação e jovens e adultos
 Educação profissional
 Educação continuada
Esses dois últimos como formas de desenvolvimento dos diversos níveis e
modalidades.
Quanto ao currículo escolar para a educação básica, a LDB prevê:
 Base nacional comum que assegura através dos conteúdos mínimos
a formação básica nacional comum;
 Parte diversificada que atenda as características regionais e locais da
sociedade, da cultura, da economia e da clientela.

BUSCANDO CONHECIMENTO

   
FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Quanto à política de formação profissional, a referida lei propõe o prazo de
dez anos para que todos estejam formados em nível superior.
Em 1995, assume o governo federal Fernando Henrique Cardoso,. Nesse
governo, como eixos da política educacional permaneceram o estabelecimento de
um mecanismo objetivo e universalista de arrecadação e repasse de recursos
mínimos para as escolas. Entra, assim, o eixo da política de financiamento e a
avaliação como a base da reforma educacional, tendo como foco a qualidade.
Esse controle seria de modo a possibilitar maiores responsabilidades e
compromissos para cada esfera de governo, portanto, a descentralização na
gerência de recursos. Com isso mudava-se o padrão de gestão no setor público.
O documento “Mãos à obra Brasil”, proposta do governo FHC, era para
estabelecer as diretrizes direcionadas à reformulação ao ensino fundamental; à
valorização da escola e de sua autonomia. Previa-se ainda a implantação de um
canal de TV via satélite nas escolas públicas.
Outros dispositivos legais foram considerados como medidas necessárias à
inovação, como: Emenda Constitucional/94 e a Lei n. 9.424/96, que dispunha
sobre a criação do FUNDEF- Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino
Fundamental e de Valorização do Magistério e o Plano Nacional da Educação-Lei
n. 10.174/2001.
Quanto à avaliação foram instituídos os seguintes dispositivos:
 CENSO ESCOLAR
 SAEB-Sistema de Avaliação da Educação Básica
 ENEM-Exame Nacional do Ensino Médio
 ENC-Exame Nacional de Cursos (Provão)

   
UNIDADE 09 - O FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO - O FUNDEF

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Analisar a Lei n. 9.424/96 e a Regulamentação do FUNDEF-Fundo de


Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do
Magistério.

BUSCANDO CONHECIMENTO

Segundo SHIROMA,
Uma política nacional de educação é mais abrangente do que a
legislação proposta para organizar a área. Realiza-se também pelo
planejamento educacional e pelo financiamento de programa
governamentais, em suas três esferas, bem como por uma série de
ações não governamentais que se propagam, com informações, pelos
meios de comunicação. SHIROMA, 2011.p.73

A Lei n. 9.424/96, sancionada em 24/12/96, é uma lei federal e traz em seu


art. 1º que: obedecendo ao § 7º do artigo 60 do Ato das Disposições Transitórias,
alterado pela Emenda Constitucional 14/96. A EC 14/96 foi promulgada em 12 de
setembro de 1.996 e foram alterados os artigos 34, 208, 211 e 212 do corpo
constitucional permanente, além do artigo 60 das Disposições Transitórias. As
determinações são que:
 Fundo se constitui numa alternativa de natureza contábil ao “regime
de colaboração” entre União, Estados e Distrito Federal previsto no
artigo 211 da Constituição Federal para o desenvolvimento do
ensino fundamental;
 Da constituição do Fundo participam recursos estaduais e
municipais, além da possibilidade de complementação da União. É
composta basicamente das transferências do ICMS (Imposto sobre
Circulação de Mercadoria), FPE (Fundo de Participação do Estado),

   
FPM (Fundo de Participação do Município), IPI – Exportação
(Imposto sobre Produto Industrializado e o Fundo de Ressarcimento
de Exportações;
 Pelo artigo 212 da Constituição, 25% desses recursos vão para o
Fundo e 10% devem ser aplicados em outras despesas de
“manutenção e desenvolvimento do ensino”.
 O ISS e o IPTU não entram no Fundo, mas continua a obrigação
prevista no artigo 212 da Constituição de aplicar 25% das receitas
provenientes desses impostos em “manutenção e desenvolvimento
do ensino”.
 Dos 25% destinados à manutenção e desenvolvimento do ensino
fundamental 60% dos recursos para o magistério em efetivo
exercício, remuneração e habilitação de leigos e até 40% para outras
despesas, incluindo-se a remuneração do pessoal administrativo e
os inativos do ensino fundamental, reformas de escolas, transporte e
educação infantil.
 O critério para a distribuição do dos recursos do Fundo é o do
número de alunos matriculados anualmente nas escolas cadastradas
das redes públicas de ensino. Esses dados são obtidos pelo Censo
Educacional, realizado anualmente pelo MEC.
 O custo aluno definido pelo FUNDEF parte das disponibilidades
financeiras do FUNDO.

 Para acompanhamento e controle social sobre a repartição,

transferência e articulação dos recursos do FUNDO (artigo 4º)


deveriam ser criados os Conselhos Municipais, até 30 de junho de
1997 através de mensagem do Executivo à Câmara Municipal.

A Lei 9.424/96 trata também da valorização do magistério através da


instituição de novos planos de carreira e remuneração. Esses planos deveriam

   
estar aprovados até junho de 1997. Aos professores leigos passam a integrar um
quadro em extinção, de duração de cinco anos, Após esse prazo a carreira só terá
professores com habilitação.
O FUNDEF foi a principal característica do governo FHC como política
educacional. Nesse sentido, as políticas públicas do Brasil, pode-se afirmar, foram
marcadas pela influência do capital na era da globalização econômica na década
de 80.
De acordo com o discurso de posse do governo federal, percebe- se o
interesse de países estrangeiros pelo Brasil, pois, FHC, deixa clara a abertura ao
capital estrangeiro.
No sentido de o governo garantir a permanência do aluno na escola, ele
criou vários programas: Acorda Brasil!, Tá na hora de escola!, Aceleração da
Aprendizagem, Guia do livro didático – 1ª a 4ª série do ensino fundamental.
Vale ressaltar que o programa Bolsa-Escola também foi relevante, pois, ele
contribuía com um valor financeiro a toda família com criança em idade escolar,
que fizesse a matrícula da criança na escola. Talvez, tenha sido o incentivo maior
da política educacional daquele contexto.
Nesse patamar de inovação ou renovação, o governo FHC, com a criação
do FUNDEF, encontrou uma solução para estimular a matrícula de crianças de 7 a
14 anos e propiciou maior transparência do gasto público com a educação. Mas
os Estados e os Municípios encontraram dificuldades para financiar a expansão da
educação infantil (0 a 6 anos) e do ensino médio (15 a 17 anos) e a educação e
jovens e adultos.
Assim, percebe-se que o FUNDEF não era um fundo para toda a Educação
Básica. Ele estimulou a municipalização do ensino fundamental, ficando sob a
responsabilidade do Estado o ensino médio. Nesse período, o então Ministro da
Educação, Paulo Renato, afirmou que o fundo não pode ser responsabilizado pela
falta de investimento nos outros setores. O fundo além desse fato, apresenta

   
outro ponto negativo devido ao governo federal ter fixado um valor baixo para o
custo anual por aluno, ele exime-se de contribuir no orçamento com mais rigor.
Nessa perspectiva, o ensino fundamental foi o que mais esteve perto de
cumprir as metas, mas o governo não cumpriu sua promessa de campanha, a de
elevar o número de concluintes do ensino fundamental e a de ampliar o ensino
fundamental obrigatório para nove anos. Outro nível que não foi cumprido é o
ensino médio, esse o governo federal não conseguiu expandir nem equipar as
escolas com computadores, laboratórios e bibliotecas. Ainda, ficou sem definir
uma política de valorização dos docentes, deixando de estimular a formação
docente.

BUSCANDO CONHECIMENTO
 

Embora o governo federal tenha implantado diversos programas de


incentivo e melhoria à educação, a universalização do ensino fundamental não
atinge a meta proposta. Logo, o MEC avalia ser desnecessária a expansão da rede
pública de ensino, pois, admite que o fundamental é melhorar a eficiência e a
qualidade desse nível de ensino. Como estratégia, introduziu o Programa de
Aceleração de Aprendizagem, cuja finalidade era corrigir a distorção idade/série.
Outro ponto negativo em relação ao FUNDEF é a pressão que o ensino
médio vai sofrer para atender o grande contingente e alunos concluintes do
ensino fundamental à procura de vaga. Para preparar a escola, no campo de
investimentos básicos e equipamentos, a União conta com o apoio do BID (Banco
Interamericano de Desenvolvimento) que já havia anunciado seu interesse em ser
cooperador das linhas de ação desenvolvidas na educação no sentido e política
educacional.
Essa não era uma previsão que o governo federal havia pensado para o
ensino médio, mas mesmo assim, dá a cobertura adequada. Através do Decreto
2.208 de 17 de abril de 1997, pretendia estabelecer a separação do ensino médio

   
com o ensino técnico, para tanto, cada um teria sua organização e seus currículos
específicos, ambos de caráter flexível. O ensino técnico deveria ter uma formação
básica e outra específica.
Contudo, outros aspectos ameaçaram as políticas do governo, a grande
procura por uma vaga no ensino superior. De acordo com o desenho à procura
de vaga, o governo baixa leis, medidas provisórias, decretos, decretos-leis,
portarias, resoluções; tudo isso, para definir os rumos do ensino superior
brasileiro, medida iniciada no regime militar.
No governo FHC, a reforma do ensino superior estava amparada na
avaliação, na autonomia e na melhoria do ensino, todos os itens ligados à eficácia
e produtividade, ou seja, a melhoria do ensino depende da avaliação e da
autonomia. Outro ponto que marcou o governo FHC foi a promulgação da
LDBE/96, Lei n.9.394- em 20 de dezembro e 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases
da Educação Nacional.

   
UNIDADE 10 - FUNDO DE MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA
EDUCAÇÃO BÁSICA (FUNDEB)

CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE

Mostrar o que o Fundo trouxe de benefícios para o desenvolvimento da


Educação Básica.

ESTUDANDO E REFLETINDO

Percebe-se que a implantação do FUNDEB rompeu com algumas políticas


do governo FHC e deu continuidade em outro setor público e privado para a
efetivação dos programas e projetos e seu governo, entre eles os voltados para a
educação, deslocando parte dessas funções para o Terceiro setor.
O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e da
Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB foi criado pela Emenda
Constitucional n. 53/2006 e regulamentada pela Lei n. 11.494/2007 e pelo Decreto
n. 6.253/2007, em substituição ao FUNDEF, que vigorou de 1998 a 2006. É um
Fundo especial, de natureza contábil (um fundo por estado e Distrito Federal)
formado por recursos provenientes dos impostos e transferências dos estados,
Distrito Federal e municípios, vinculados à educação por força do disposto no
artigo 2121 da Constituição Federal. Independentemente da origem, todo recurso
gerado é redistribuído para aplicação exclusiva na Educação Básica. Com vigência
estabelecida para o período de 2007 a 2020, sua implantação começou em 1º de
janeiro de 2007.
Além dos recursos originários dos entes estaduais e municipais, verbas
federais também integram a composição do referido fundo, a título de
complementação financeira, com o objetivo de assegurar o valor mínimo nacional
por aluno/ano.

   
Lei n. 11.494, de 20 de dezembro de 2007 – Regulamenta o Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos
Profissionais da Educação Básica – FUNDEB, de que trata o artigo 60 do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias; altera a Lei n. 10.195, 14 de fevereiro de
2001; revoga dispositivos das Leis n.9.424, de 24 de dezembro de 1996, n. 10880,
de 9 de junho de 2004, e 10.845, de 5 de março de 2004, e dá outras
providencias.
Esse fundo é um importante compromisso da União com a Educação
Básica, na medida em que aumenta o volume anual dos recursos federias. Além
disso, materializa a visão sistêmica da educação, pois financia todas as etapas da
Educação Básica e reserva recursos para os programas direcionados a jovens e
adultos. A estratégia é distribuir os recursos pelo país, levando em consideração o
desenvolvimento social e econômico das regiões – a complementação do
dinheiro aplicado pela União é direcionada às regiões nas quais o investimento
por aluno seja inferior ao valor mínimo fixado para cada ano. Ou seja, o FUNDEB
tem como principal objetivo promover a redistribuição dos recursos vinculados à
educação.
Segundo Tarso Genro, ex-ministro a educação, acessado na internet em
17/04/2012, Teoria e Debate n. 63 – junho/agosto de 2005, publicado em
20/12/2006 O FUNDEB pode ser considerado a terceira revolução educacional no
país, uma vez que a segunda foi a universalização do ensino fundamental. A
criação do fundo pode ser considerada uma vitória da sociedade e de todos os
segmentos que participaram da elaboração e das discussões relativas ao projeto,
junto com a vontade do governo Lula em ter um sistema de Educação Básica de
boa qualidade.
O grande parceiro na distribuição da renda investida por aluno pode se
afirmar que é o MEC, pois, com os dados em base ao SAEB (Sistema de Avaliação
da Educação Básica) que avalia o desempenho de alunos a 4ª a 8ª série do ensino
fundamental e da 3ª série do ensino médio, informa ao fundo, onde estão os

   
alunos que precisam ser compensados financeiramente quanto ao investimento
previsto na lei. Com base nisso, os estados que foram constatados pobres são em
número de dez: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pará,
Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte.
Dados de pesquisas realizadas pelo SAEB mostram que os avanços
relativos às matrículas nas diversas etapas da educação não foram acompanhados
por um desenvolvimento qualitativo da educação ofertada. Vale ressaltar que o
IBGE (Instituto Brasileiro) também é colaborador das pesquisas educacionais,
através dos indicadores sociais apontados por ele. Percebe-se que a necessária
equidade na oferta de educação entre os brasileiros em sua diversidade regional,
racial e étnica, localização urbana ou rural, ainda não é possível ter avanços
educacionais no sentido e matrícula no ensino público e obrigatório.
O financiamento de educação no Brasil provém de recursos públicos de
empresas privadas e dos cidadãos. No entanto, é difícil estimar o gasto total em
educação, pelo fato de o Brasil não contabilizar os recursos mobilizados pelo
setor particular. Parcelas expressivas do produto de arrecadação tributária
nacional são vinculadas à manutenção e desenvolvimento da educação nos três
níveis de governo, de maneira regular e predefinida, segundo disposições
incluídas no Corpo da Constituição da República.

BUSCANDO CONHECIMENTO

São fontes de financiamento da educação os recursos originários de:


 Receita de impostos próprios da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos municípios;
 Receita de transferências constitucionais e outras transferências;
 Receita da contribuição social do salário- educação e de outras
contribuições sociais;
 Outros recursos previstos em lei.

   
Além desses, há os recursos externos destinados ao financiamento de
pesquisas e projetos suplementares, assim como: o UNICEF, o PNUD e a UNESCO.
Empréstimos externos, tanto do BIRD (Banco Interamericano de Desenvolvimento
) como do Banco Mundial, eles são fontes importantes para financiar projetos cujo
objetivo central consiste na melhoria da qualidade do sistema educacional.
Exemplo de projetos financiados:
 Projeto Nordeste, voltado para as áreas mais pobres do país, que foi
sucedido pelo programa Fundescola;
 Programa de Expansão da Educação Profissional (PROEP);
 Escola jovem, destinado a apoiar a expansão e reforma do ensino
médio.
A Constituição Federal determina que a União deve aplicar, no mínimo,
18% dos recursos econômicos públicos na educação, excluídas as transferências, e
os Estados, o Distrito Federal e os municípios, 25% do total da receita resultante
de impostos, incluídas as transferências constitucionais, na manutenção do ensino
público.
O financiamento da Educação Superior em instituições públicas é de 0,7%
do PIB (Produto Interno Bruto). Os recursos para as universidades federais provêm
de fontes orçamentárias, diretamente ou por meio de convênios celebrados com
a Secretaria de Educação Superior e com a CAPES, órgãos do próprio Ministério
da Educação, e de apoios obtidos junto ao CNPq e à FINEp, vinculados ao
Ministério da Ciência e Tecnologia. Somente o orçamento do Ministério da
Educação corresponde a cerca de 1% do PIB. Desse total 70% são apropriados
pelas instituições federais de ensino superior. São destinados ao pagamento dos
salários, ao custeio das instalações, ao investimento físico em prédios, laboratórios
e equipamentos e a qualificação de recursos humanos, por meio de bolsas de
estudo de mestrado e doutorado aos professores. Além disso, há os recursos
próprios obtidos pelas universidades, mediante convênios ou serviços prestados.

   
A política de financiamento da educação é um risco a sua qualidade, isso
porque ela privilegia uma ou mais etapas da educação, descuidando do
fenômeno educativo de outras.
O que muda de acordo com EC 53/2006 em relação ao financiamento da
Educação Básica, FUNDEB. Impostos que contribuem para o Fundo:
 Fundo de Participação dos Estados – FPE;
 Fundo de Participação dos municípios – FPM;
 Impostos sobre Produtos Industrializados, proporcional às
Exportações – IPI-exp;
 Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS;
 Desoneração de Exportações ( LC n.87/96);
 Imposto sobre Transmissão Causa Mortis – ITCM;
 Imposto Territorial Rural – ITR;
 Imposto sobre propriedade de Veículos Automotores – IPVA; e
 Complementação da União, caso necessário aos Estados menos
favorecidos.
Assim, esses impostos são incorporados ao FUNDEB, mas continuam de
fora as receitas próprias municipais, como:
 Imposto Predial Território Urbano, IPTU;
 Imposto Sobre Serviços – ISS;
 Imposto Sobre Transmissão de Bens Interinos-ITBI.
De acordo com a Medida Provisória (MP) 339/06, foi instituída, no âmbito
do MEC, uma Junta de acompanhamento dos Fundos, tinha representantes do
MEC, do Conselho Nacional de Secretários de Estado de Educação (CONSED),
representante do Conselho Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (
UNDIME ).
Vale ressaltar que a MP 339/96 teve importante participação no FUNDEB,
pois, fixou um teto máximo para com os gastos com EJA (Educação de Jovens e
Adultos), isto é, em até 10% do total do Fundo. Outro ponto foi à fixação de um

   
piso salarial profissional para os profissionais do magistério público, e não apenas
dos professores.

   
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