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Diário da República, 1.ª série — N.

º 12 — 19 de Janeiro de 2009 425

Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de Dezembro, A experiência obtida com a aplicação da referida lei
relativa à aproximação das legislações dos Estados mem- demonstrou diversos desajustes, quer relativos à sua es-
bros respeitantes à compatibilidade electromagnética e que truturação, quer na sua implementação.
revoga a Directiva n.º 89/336/CEE. Com o presente decreto-lei pretende-se dar cumpri-
Tendo sido detectada uma inexactidão no n.º 5 do anexo II mento aos princípios do Programa de Simplificação Ad-
do decreto-lei acima citado, no que respeita à obrigatorie- ministrativa e Legislativa — SIMPLEX, promovendo uma
dade de a declaração CE de conformidade estar redigida simplificação de procedimentos demasiado complexos e
em português, a qual não se mostra necessária tendo em geradores de constrangimentos e morosidade nos proces-
conta que aquela declaração não acompanha os apare- sos, bem como um encurtamento dos prazos de decisão,
lhos e fica na posse do fabricante ou do seu representante diminuindo, desta forma, os custos de contexto para as
autorizado na Comunidade, bastando que seja redigida empresas.
numa das línguas da Comunidade, impõe-se corrigir esta Por outro lado, regula-se a implantação das estruturas
situação evitando eventuais constrangimentos aos agentes empresariais do comércio, de forma a assegurar a sua
económicos, retirando essa obrigatoriedade. inserção espacial, de acordo com critérios que promovam
Assim: um adequado ordenamento do território, salvaguardem
Nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 198.º da Cons- a protecção do ambiente, valorizem os centros urbanos
tituição, o Governo decreta o seguinte:
existentes e contribuam para a multiplicidade da oferta
Artigo único comercial e para o abastecimento diversificado das po-
pulações.
Alteração ao Decreto-Lei n.º 325/2007, de 28 de Setembro Visa-se, assim, contribuir para a competitividade do
O n.º 5 do anexo II do Decreto-Lei n.º 325/2007, de 28 sistema urbano, dinamizando as centralidades urbanas
de Setembro, passa a ter a seguinte redacção: existentes, favorecendo a sociabilidade urbana e a me-
lhoria do abastecimento e da qualidade de vida das po-
«ANEXO II pulações.
Na apreciação dos novos estabelecimentos e conjuntos
[...] comerciais, é dada uma especial relevância à contribui-
1— ..................................... ção positiva de tais empreendimentos para a promoção
2— ..................................... da melhoria do ambiente, preenchendo exigências de
3— ..................................... eco-eficiência, do desenvolvimento da qualificação do
4— ..................................... emprego e da responsabilidade social das empresas pro-
5 — A conformidade do aparelho com todos os re- motoras dos projectos em apreciação.
quisitos essenciais relevantes deve ser atestada por uma Em concreto, e no que concerne ao regime consagrado
declaração CE de conformidade emitida pelo fabricante na Lei n.º 12/2004, de 30 de Março, o presente decreto-
ou pelo seu representante autorizado na Comunidade. -lei reduz o universo de estabelecimentos de comércio,
6— ..................................... isolados ou em grupo, sujeitos ao regime de autorização,
7— ..................................... pela elevação dos limites das áreas de venda no caso do
8 — . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .» comércio a retalho e da área bruta locável no caso de
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 4 de conjuntos comerciais.
Dezembro de 2008. — José Sócrates Carvalho Pinto de São excluídas do regime de autorização as empresas
Sousa — Luís Filipe Marques Amado — Manuel Antó- de comércio por grosso e as micro empresas e sujeita
nio Gomes de Almeida de Pinho — Mário Lino Soares ao regime de autorização as modificações em conjuntos
Correia. comerciais.
É imposta a obtenção de informação prévia de loca-
Promulgado em 8 de Janeiro de 2009. lização favorável e da declaração de impacte ambiental
Publique-se. favorável, nos casos abrangidos pelo regime jurídico de
avaliação de impacte ambiental, anterior ao processo de
O Presidente da República, ANÍBAL CAVACO SILVA.
autorização, eliminando do procedimento os projectos
Referendado em 9 de Janeiro de 2009. considerados inviáveis quanto à localização e à avaliação
O Primeiro-Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de impacte ambiental, evitando, assim, análises e processos
de Sousa. decisórios desnecessários.
São alterados os critérios de autorização de instalação
e modificação, de forma a adequá-los aos imperativos
Decreto-Lei n.º 21/2009 comunitários em matéria de concorrência e de liberdade
de estabelecimento.
de 19 de Janeiro É abandonado o sistema de fases de candidatura, pena-
A Lei n.º 12/2004, de 30 de Março, que estabelece o lizador do investimento e dos promotores, adoptando um
regime de autorização a que estão sujeitas a instalação e sistema de entrada de processos contínuo.
a modificação de estabelecimentos de comércio a retalho Por fim, substitui-se, ao nível da decisão, as três en-
e de comércio por grosso em livre serviço e a instalação tidades decisórias actualmente existentes — direcção
de conjuntos comerciais prevê, no seu artigo 37.º, que a regional de economia, comissões regionais e comissões
mesma seja objecto de revisão no prazo de três anos após municipais — por uma única entidade — a comissão de
a sua entrada em vigor, na sequência de apresentação pelo avaliação comercial (COMAC) — que decide, ao nível
Governo, à Assembleia da República, de um relatório de da NUT III, os pedidos de autorização, com uma perio-
avaliação da sua aplicação. dicidade mensal.
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Foram ouvidos os órgãos de governo próprio das Re- Artigo 3.º


giões Autónomas e a Associação Nacional de Municípios Regime aplicável
Portugueses.
Foi promovida a audição ao Conselho Nacional do Con- 1 — Está sujeita ao regime de autorização a instalação
sumo. Foram ouvidos, a título facultativo, a Associação dos estabelecimentos e conjuntos comerciais referidos no
Portuguesa para a Defesa do Consumidor, a União Geral de n.º 1 do artigo anterior.
Consumidores, a Associação de Consumidores da Região 2 — Estão, ainda, sujeitas ao regime de autorização as
dos Açores e a Federação Nacional das Cooperativas de modificações dos estabelecimentos e conjuntos comerciais
Consumidores. referidos no n.º 1 do artigo anterior que configurem:
Foram ouvidos, a título facultativo, a Confederação do a) Alteração de localização dos estabelecimentos com
Comércio e Serviços de Portugal, a Associação Portuguesa excepção das referidas na alínea a) do número seguinte;
das Empresas de Distribuição, a Associação Portuguesa dos b) Alteração da tipologia dos estabelecimentos;
Centros Comerciais, a Associação Empresarial de Portugal c) Aumento da área de venda dos estabelecimentos;
e a Associação Industrial Portuguesa. d) Alteração de insígnia ou do titular de exploração
Assim: dos estabelecimentos, que não ocorra dentro do mesmo
No uso da autorização legislativa concedida pela Lei grupo;
n.º 42/2008, de 27 de Agosto, e nos termos das alíneas a) e) Alteração de localização dos conjuntos comerciais;
e b) do n.º 1 do artigo 198.º da Constituição, o Governo f) Alteração da tipologia dos conjuntos comerciais;
decreta o seguinte: g) Aumento da área bruta locável dos conjuntos co-
merciais.
CAPÍTULO I
3 — Estão sujeitas a comunicação as modificações dos
Disposições gerais estabelecimentos e conjuntos comerciais referidos no n.º 1
do artigo anterior que configurem:
Artigo 1.º
a) Alteração de localização de estabelecimentos co-
Objecto merciais no interior de conjuntos comerciais, que não se
O presente decreto-lei estabelece o regime jurídico da traduza em aumento de áreas de venda;
instalação e da modificação dos estabelecimentos de co- b) Diminuição da área de venda dos estabelecimentos
mércio a retalho e dos conjuntos comerciais. comerciais;
c) Alteração de insígnia ou do titular de exploração dos
estabelecimentos, dentro do mesmo grupo;
Artigo 2.º
d) Diminuição da área bruta locável dos conjuntos co-
Âmbito merciais;
e) Alteração do titular de exploração dos conjuntos
1 — Estão abrangidos pelo presente decreto-lei os se-
comerciais.
guintes estabelecimentos e conjuntos comerciais:
a) Estabelecimentos de comércio a retalho, isoladamente 4 — As modificações referidas no número anterior
considerados ou inseridos em conjuntos comerciais, que são comunicadas à entidade coordenadora referida no ar-
tenham uma área de venda igual ou superior a 2000 m2; tigo 6.º, pelo titular do empreendimento, até 20 dias antes
b) Estabelecimentos de comércio a retalho, isolada- da sua realização.
mente considerados ou inseridos em conjuntos comerciais, 5 — A comunicação é efectuada electronicamente atra-
independentemente da respectiva área de venda, que per- vés de modelo disponibilizado no sistema de informação
tençam a uma empresa que utilize uma ou mais insígnias referido no artigo 7.º
ou estejam integrados num grupo, que disponham, a nível Artigo 4.º
nacional, de uma área de venda acumulada igual ou su-
perior a 30 000 m2; Definições
c) Conjuntos comerciais que tenham uma área bruta Para efeitos do presente decreto-lei, entende-se por:
locável igual ou superior a 8000 m2;
d) Estabelecimentos e conjuntos comerciais referidos a) «Área de venda acumulada», compreende o somató-
nas alíneas anteriores e que se encontrem desactivados há rio da área de venda em funcionamento, da área de venda
mais de 12 meses, caso os respectivos titulares pretendam autorizada no âmbito da Lei n.º 12/2004, de 30 de Março,
reiniciar o seu funcionamento. mas que ainda não entrou em funcionamento e da área de
venda autorizada ao abrigo do regime jurídico da urbani-
2 — O disposto no presente decreto-lei não é aplicá- zação e da edificação;
vel: b) «Área bruta locável (ABL) do conjunto comercial» a
área que produz rendimento no conjunto comercial, quer
a) Aos estabelecimentos de comércio a retalho perten- seja uma área arrendada ou vendida, e que inclui os es-
centes a micro empresas juridicamente distintas mas que paços de armazenagem e escritórios afectos a todos os
utilizem uma insígnia comum; estabelecimentos;
b) Aos estabelecimentos pertencentes a sociedades c) «Área de influência» a freguesia ou o conjunto de
cujo capital seja subscrito maioritariamente por micro freguesias que se integrem na área geográfica definida
empresas; em função de um limite máximo de tempo de deslocação
c) Aos estabelecimentos especializados de comércio a do consumidor ao estabelecimento ou conjunto comercial
retalho de armas e munições, de combustíveis para veículos em causa, contado a partir deste, o qual pode variar, no-
a motor e às farmácias. meadamente, em função da respectiva dimensão e tipo de
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comércio exercido, das estruturas de lazer e de serviços l) «Estabelecimento de comércio misto» o local no qual
que lhe possam estar associadas, da sua inserção em meio se exercem, em simultâneo, actividades de comércio ali-
urbano ou rural, ou da qualidade das infra-estruturas que mentar e não alimentar e a que não seja aplicável o disposto
lhe servem de acesso; nas alíneas i) e j);
d) «Área de venda do estabelecimento» toda a área m) «Formato de estabelecimento do ramo alimentar ou
destinada a venda, onde compradores têm acesso ou os misto» a dimensão da sua da área de venda. Para a deter-
produtos se encontram expostos ou são preparados para minação do formato do estabelecimento do ramo alimentar
entrega imediata, nela se incluindo a zona ocupada pelas ou misto são consideradas as seguintes áreas de venda:
caixas de saída e as zonas de circulação dos consumidores i) Área de venda < 400 m2 — minimercado ou pequeno
internas ao estabelecimento, nomeadamente as escadas de supermercado;
ligação entre os vários pisos; ii) Área de venda > 400 m2 e < 2000 m2 — supermer-
e) «Centro urbano» o núcleo urbano consolidado con- cado;
forme previsto nos instrumentos de planeamento territorial iii) Área de venda > 2000 m2 — hipermercado;
em vigor ou, não estando aí definido, a zona urbana con-
solidada nos termos do disposto na alínea o) do artigo 2.º n) «Gestor do procedimento» o técnico designado pela
do Decreto-Lei n.º 555/99, de 16 de Dezembro, com a entidade coordenadora para efeitos de verificação da ins-
redacção que lhe foi dada pela Lei n.º 60/2007, de 4 de trução do pedido de autorização e acompanhamento das
Setembro; várias etapas do processo, constituindo-se como interlo-
f) «Conjunto comercial» o empreendimento planeado cutor privilegiado do requerente;
e integrado, composto por um ou mais edifícios nos quais o) «Grupo» o conjunto de empresas que, embora juridi-
se encontra instalado um conjunto diversificado de esta- camente distintas, mantêm entre si laços de interdependên-
belecimentos de comércio a retalho e ou de prestação de cia ou subordinação decorrentes da utilização da mesma
serviços, quer sejam ou não propriedade ou explorados insígnia ou os direitos ou poderes enumerados n.º 1 do
pela mesma entidade, que preencha cumulativamente os artigo 10.º da Lei n.º 18/2003, de 11 de Junho;
seguintes requisitos: p) «Instalação» a criação de um estabelecimento de co-
i) Disponha de um conjunto de facilidades concebidas mércio a retalho ou conjunto comercial, quer tal se traduza
para permitir a uma mesma clientela o acesso aos diversos em novas edificações, quer resulte de obras em edificações
estabelecimentos; já existentes;
ii) Seja objecto de uma gestão comum, responsável, q) «Interlocutor responsável pelo projecto» a pessoa
designadamente, pela disponibilização de serviços colec- ou entidade designada pelo requerente para efeitos de de-
tivos, pela instituição de práticas comuns e pela política monstração de que o projecto se encontra em conformidade
de comunicação e animação do empreendimento; com a legislação aplicável e para o relacionamento com a
Adoptando uma das seguintes tipologias: entidade coordenadora e as demais entidades intervenientes
no processo de autorização;
iii) Centro comercial tradicional — compreende esta- r) «Responsabilidade social da empresa» a integração
belecimentos indiferenciados ou especializados integrados voluntária, por parte da empresa, de preocupações sociais
em empreendimento fechado ou «a céu aberto»; na prossecução da sua actividade e interligação da mesma
iv) Centro comercial especializado — compreende, no- com as comunidades locais e outras partes interessadas;
meadamente, os denominados retail park, os outlet centre s) «Tipologia de estabelecimentos comerciais» os es-
ou os temáticos. Incluem quer estabelecimentos especiali- tabelecimentos de comércio a retalho alimentar e misto e
zados, geralmente de maior dimensão, com acesso directo não alimentar;
ao parque de estacionamento ou a áreas pedonais, quer t) «Tipologia de conjuntos comerciais» o centro comer-
estabelecimentos, de pequena e média dimensão, onde cial tradicional e o especializado.
produtores e retalhistas vendem os seus produtos com
desconto no preço provenientes de excedentes, bem como
artigos com pequenos defeitos, ou outros desenvolvidos CAPÍTULO II
em torno de uma categoria específica de comércio espe- Autorização de instalação e de modificação
cializado;
Artigo 5.º
g) «Empresa», qualquer entidade abrangida pelo n.º 1
do artigo 2.º da Lei n.º 18/2003, de 11 de Junho; Informação prévia de localização e declaração
de impacte ambiental
h) «Estabelecimento de comércio a retalho» o local no
qual se exerce a actividade de comércio a retalho, tal como 1 — Para efeitos de instrução do processo de autoriza-
é definida na alínea b) do n.º 1 do artigo 1.º do Decreto-Lei ção de instalação e de modificação dos estabelecimentos
n.º 339/85, de 21 de Agosto; e conjuntos comerciais, e desde que o mesmo implique
i) «Estabelecimento de comércio alimentar» o local no uma operação urbanística sujeita a controlo prévio, os
qual se exerce exclusivamente uma actividade de comér- interessados devem solicitar à câmara municipal pedido
cio alimentar ou onde esta representa uma percentagem de informação prévia sobre a conformidade do empreen-
igual ou superior a 90 % do respectivo volume total de dimento na localização pretendida com os instrumentos
vendas; de gestão territorial vigentes, nos termos dos artigos 14.º e
j) «Estabelecimento de comércio não alimentar» o lo- seguintes do Decreto-Lei n.º 555/99, de 16 de Dezembro,
cal no qual se exerce exclusivamente uma actividade de com a redacção que lhe foi dada pela Lei n.º 60/2007, de
comércio não alimentar ou onde esta representa uma per- 4 de Setembro.
centagem igual ou superior a 90 % do respectivo volume 2 — No caso dos estabelecimentos e conjuntos co-
total de vendas; merciais abrangidos pelo regime jurídico de avaliação
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de impacte ambiental (AIA), para além do disposto no 5 — Os sistemas de informação produzem notificações
número anterior, os interessados devem instruir o processo automáticas para as entidades envolvidas sempre que novos
com declaração de impacte ambiental (DIA) favorável ou elementos sejam adicionados ao processo.
condicionalmente favorável e, no caso do procedimento
de AIA ter decorrido em fase de estudo prévio, com o Artigo 8.º
parecer relativo à conformidade do projecto de execução
Tramitação
com a DIA.
3 — Caso a instalação ou modificação dos estabele- 1 — Os procedimentos previstos no presente decreto-
cimentos ou conjuntos comerciais ocorra em instalações -lei iniciam-se através de requerimento ou comunicação
anteriormente afectas ao uso comercial e desde que o pe- apresentados com recurso a meios electrónicos e através
dido não implique alteração de parâmetros urbanísticos, a do sistema previsto no artigo anterior, dirigidos à entidade
informação prévia de localização pode ser substituída pelo coordenadora, acompanhados dos elementos instrutórios
alvará de licença de construção ou documento compro- referidos no anexo ao presente decreto-lei e que dele faz
vativo da admissão da comunicação prévia que admitam parte integrante.
aquele fim ou utilização no referido lote ou prédio ou pelo 2 — Com a apresentação do requerimento ou comu-
alvará de autorização de utilização para fins comerciais. nicação por via electrónica, é emitido recibo de recepção
4 — No caso de estabelecimentos de comércio inseridos entregue pela mesma forma.
em conjuntos comerciais, a informação prévia de localiza- 3 — O requerente deve identificar um interlocutor res-
ção é substituída pelo alvará de autorização de utilização ponsável pelo processo e a entidade coordenadora designa
do conjunto comercial ou pela autorização de instalação um gestor do procedimento, a quem compete assegurar
do conjunto comercial, caso exista. o desenvolvimento da tramitação processual, acompa-
nhando, nomeadamente, a instrução, o cumprimento dos
Artigo 6.º prazos e a prestação de informação e esclarecimentos aos
Entidade coordenadora
requerentes.
4 — Quando na verificação dos documentos instrutórios
1 — A coordenação do processo de autorização de do processo se constatar que estes não se encontram em
instalação e de modificação, incluindo o apoio técnico e conformidade com o disposto no n.º 1, a entidade coorde-
administrativo à entidade decisora, cabe à Direcção-Geral nadora rejeita liminarmente o pedido de autorização, sem
das Actividades Económicas (DGAE), designada por en- prejuízo do disposto nos n.os 3 e 4 do artigo 9.º
tidade coordenadora, a qual é considerada, para o efeito, 5 — O processo só se encontra devidamente instruído
o interlocutor único do requerente. na data da recepção do último dos elementos em falta.
2 — A DGAE pode delegar a competência referida no
número anterior na direcção regional de economia (DRE) Artigo 9.º
territorialmente competente.
Instrução técnica do processo e relatório final
Artigo 7.º 1 — A DGAE efectua a instrução técnica do processo
Sistema de informação
e elabora um relatório final no qual formula uma proposta
de decisão para a COMAC no prazo de 30 dias contados
1 — A tramitação dos procedimentos previstos no pre- da data da recepção do processo devidamente instruído
sente decreto-lei é realizada de forma desmaterializada nos termos do artigo anterior.
logo que estejam em funcionamento os respectivos sis- 2 — O relatório referido no número anterior é efectuado
temas de informação, os quais, de forma integrada, entre com base nos parâmetros referidos no artigo 10.º
outras funcionalidades, permitem: 3 — A DGAE pode solicitar, nos primeiros 10 dias do
prazo, esclarecimentos ou informações complementares,
a) A entrega de pedidos de autorização, comunicações
considerando-se suspenso o prazo para elaboração do
e documentos;
respectivo relatório até à recepção dos elementos soli-
b) A consulta pelos interessados do estado do respectivo
citados.
processo;
4 — Os requerentes dispõem de um prazo de 10 dias
c) O envio e recepção do relatório final;
a contar da data da recepção do respectivo pedido para
d) A emissão da decisão.
efeitos de resposta.
2 — A prestação de informação às diferentes entidades
Artigo 10.º
com competência no âmbito do presente decreto-lei é rea-
lizada de forma desmaterializada, por meio da integração Parâmetros para a elaboração do relatório final
e garantia de interoperacionalidade entre os respectivos
1 — Para efeito da elaboração do relatório final, a DGAE
sistemas de informação.
procede à pontuação dos processos em função da valia do
3 — É atribuído um número de referência a cada pro-
projecto (VP), de acordo com os seguintes parâmetros
cesso no início da tramitação que é mantido em todos os
definidos para as diferentes tipologias comerciais:
documentos em que se traduzem os actos e formalidades da
competência da entidade coordenadora ou da competência a) Contribuição do estabelecimento para a multiplici-
de qualquer das entidades intervenientes. dade da oferta comercial, tanto em formatos, no retalho
4 — As funcionalidades do sistema de informação in- alimentar e misto, como em insígnias, no retalho não ali-
cluem a rejeição de operações de cuja execução resulta- mentar, de forma a promover a concorrência efectiva entre
riam vícios ou deficiências de instrução, designadamente empresas e grupos na área de influência, atendendo-se,
recusando o recebimento dos pedidos que não estejam nos conjuntos comerciais, à diversidade das suas activi-
devidamente instruídos. dades;
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b) Avaliação dos serviços prestados ao consumidor, 2 — As regras de funcionamento da COMAC são fixa-
nomeadamente os que promovam o conforto na compra, das por portaria do membro do Governo responsável pela
uma melhor integração das pessoas com deficiências e área do comércio.
incapacidades e a adesão a processos de resolução de con- 3 — Os membros da COMAC ficam sujeitos às regras
flitos de consumo; de confidencialidade aplicáveis aos funcionários do Estado,
c) Avaliação da qualidade do emprego no estabeleci- relativamente aos factos de que tomem conhecimento no
mento e da responsabilidade social da empresa; exercício das suas funções.
d) Avaliação da integração do estabelecimento ou
conjunto comercial no ambiente urbano, fortalecendo a Artigo 13.º
capacidade de atracção do centro urbano como destino Critérios de decisão da COMAC
comercial e de lazer e contribuindo para a diminuição das
deslocações pendulares; 1 — As decisões da COMAC são emitidas após análise
e) Contribuição do estabelecimento ou conjunto comer- do relatório final efectuado pela DGAE, a que se refere
cial para a eficiência energética ou utilização de energias o n.º 1 do artigo 9.º, sendo a apreciação dos processos
renováveis, utilização de materiais recicláveis e ou degra- efectuada com base nos seguintes critérios:
dáveis e reciclagem de resíduos. a) Respeito pelas normas de ordenamento do território
em vigor, bem como adequação a planos sectoriais ou
2 — A forma de cálculo da VP resulta do somatório das outras normas orientadoras definidas nos diversos instru-
pontuações obtidas em cada um dos parâmetros referidos mentos de planeamento territorial;
no número anterior, sendo positiva quando o processo b) Contribuição positiva em matéria de protecção am-
obtenha uma VP superior a 50 % da pontuação global. biental, valorizando projectos energeticamente mais efi-
3 — Os compromissos assumidos nas alíneas b), c) e cientes e com menor impacte na envolvente, avaliada de
e) do n.º 1 devem ser apresentados de forma quantificada acordo com a alínea e) do n.º 1 do artigo 10.º;
e podem ser objecto de verificação anual pela entidade c) Avaliação da articulação funcional do estabeleci-
fiscalizadora, durante um período de cinco anos, contado mento ou conjunto comercial com o centro urbano, como
da data de entrada em funcionamento do estabelecimento forma de qualificar as centralidades existentes, promover
ou conjunto comercial. a atractividade urbana, diminuir as deslocações pendulares
4 — A metodologia para a determinação da VP, a sua e reduzir o congestionamento das infra-estruturas, avaliada
aplicação aos estabelecimentos de retalho alimentar e de acordo com a alínea d) do n.º 1 do artigo 10.º;
misto, não alimentar e conjuntos comerciais, bem como d) Contribuição para o desenvolvimento da qualidade
as restantes regras técnicas necessárias à execução dos do emprego, valorizando-se a responsabilidade social, ava-
parâmetros para a elaboração do relatório, são fixadas por liada de acordo com a alínea c) do n.º 1 do artigo 10.º;
portaria do membro do Governo responsável pela área do e) Contribuição para a multiplicidade da oferta co-
comércio. mercial, avaliada de acordo com a alínea a) do n.º 1 do
artigo 10.º;
Artigo 11.º f) Contribuição para a diversificação e qualificação dos
serviços ao consumidor, avaliada de acordo com a alínea b)
Comissão de autorização comercial
do n.º 1 do artigo 10.º
1 — A competência para conceder a autorização de
instalação e modificação referida nos n.os 1 e 2 do artigo 3.º 2 — Nos casos em que a VP não atinja a pontuação
cabe à comissão de autorização comercial (COMAC) ter- global positiva referida no n.º 2 do artigo 10.º, a decisão
ritorialmente competente. da COMAC é desfavorável.
2 — As COMAC têm a seguinte composição:
Artigo 14.º
a) Um autarca indicado pelo conjunto de municípios
organizados territorialmente com base nas unidades de Decisão
nível III das NUTS em que se pretende instalar ou modifi- 1 — A entidade coordenadora envia aos membros da
car o estabelecimento de comércio a retalho ou o conjunto COMAC competente para efeitos de decisão, cópia do
comercial, que preside; processo e do relatório da DGAE referido no n.º 1 do
b) O presidente da câmara municipal respectiva; artigo 9.º
c) O presidente da comissão de coordenação e desenvol- 2 — Na falta de emissão do relatório referido no número
vimento regional (CCDR) territorialmente competente; anterior, é emitido, pela entidade coordenadora, documento
d) O director-geral das Actividades Económicas; comprovativo de se encontrar decorrido o prazo necessário
e) O director regional de economia territorialmente para a sua emissão.
competente. 3 — Para efeitos de decisão, a COMAC analisa, em cada
reunião, todos os processos que lhe tenham sido remetidos
3 — As entidades referidas no número anterior podem até cinco dias antes pela entidade coordenadora.
fazer-se representar por um elemento por si designado. 4 — Podem ser solicitados, através da entidade coorde-
nadora, e de uma só vez, esclarecimentos ou informações
Artigo 12.º complementares à entidade que emitiu o relatório e ao
Funcionamento da COMAC
requerente, os quais dispõem de um prazo máximo de
15 dias para efeitos de resposta, sendo o processo subme-
1 — As COMAC reúnem, mensalmente, para aprecia- tido a decisão na reunião seguinte.
ção de todos os processos que lhe tenham sido submetidos 5 — A decisão tomada é acompanhada da imposição
pela entidade coordenadora. de obrigações destinadas a garantir o cumprimento de
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compromissos assumidos pelo requerente e que tenham das no prazo de 10 dias contado da data da recepção do
constituído pressupostos da autorização. pedido.
6 — A entidade coordenadora notifica o requerente da 4 — A COMAC decide na reunião seguinte à data da
decisão, só podendo o documento comprovativo da autori- recepção do relatório referido no número anterior ou do
zação concedida ser emitido após o pagamento da taxa de- fim do prazo para a respectiva emissão, decorrido o qual,
vida, nos termos do artigo 25.º do presente decreto-lei. sem que a decisão seja tomada, se considera que o pedido
7 — O documento comprovativo referido no número an- de alteração foi deferido.
terior é considerado para efeitos do disposto no artigo 37.º
do Decreto-Lei n.º 555/99, de 16 de Dezembro, com a
redacção que lhe foi dada pela Lei n.º 60/2007, de 4 de CAPÍTULO III
Setembro. Funcionamento
Artigo 15.º Artigo 18.º
Impugnação Comunicação de abertura
Da decisão da COMAC cabe impugnação para os tribu- 1 — Sem prejuízo da obtenção do alvará de autorização
nais administrativos de círculo, cabendo à secretaria-geral de utilização, previsto no regime jurídico da urbanização
do ministério responsável pela área do comércio, com a e da edificação, o titular do empreendimento, até 20 dias
colaboração das entidades intervenientes no processo de antes da abertura do estabelecimento ou conjunto comer-
autorização, prestar o necessário apoio jurídico. cial, comunica tal facto à entidade coordenadora e à câmara
municipal respectiva, acompanhado de termo de respon-
Artigo 16.º sabilidade segundo o qual o estabelecimento ou conjunto
Caducidade da autorização comercial cumpre os compromissos que fundamentaram
a autorização de instalação ou de modificação.
1 — A autorização concedida caduca se, no prazo de 2 — A comunicação referida no número anterior
três ou quatro anos a contar da data da sua emissão, não é considerada para efeitos do disposto no Decreto-Lei
se verificar a entrada em funcionamento, respectivamente, n.º 259/2007, de 17 de Julho.
do estabelecimento de comércio ou do conjunto comercial 3 — A comunicação é efectuada através do modelo
a que a mesma respeita. referido no n.º 5 do artigo 3.º
2 — No caso dos estabelecimentos comerciais inseridos
em conjuntos comerciais, a autorização caduca na data da Artigo 19.º
caducidade da autorização do conjunto comercial.
Comunicação do encerramento
3 — A título excepcional, a COMAC pode prorrogar
a autorização concedida até ao máximo de um ano, O encerramento dos estabelecimentos e conjuntos co-
quando se trate de estabelecimento de comércio, ou até merciais abrangidos pelo presente decreto-lei deve ser
ao máximo de dois anos, no caso de conjunto comercial, comunicado à entidade coordenadora, até 20 dias após
com base em requerimento do interessado, devidamente a sua ocorrência, através do modelo referido no n.º 5 do
fundamentado e apresentado, com a antecedência mí- artigo 3.º
nima de 45 dias da data da caducidade da autorização,
à entidade coordenadora, que emite um parecer sobre Artigo 20.º
o mesmo. Registo
4 — O prazo de caducidade previsto nos números an-
teriores não se interrompe nem se suspende. 1 — A abertura, as modificações e o encerramento dos
estabelecimentos e conjuntos comerciais abrangidos pelo
Artigo 17.º presente decreto-lei são objecto de registo, efectuado pela
DGAE, o qual é considerado para efeitos do disposto no
Alterações posteriores à autorização
Decreto-Lei n.º 462/99, de 5 de Novembro, e do artigo 6.º
1 — As alterações que o requerente pretenda introduzir do Decreto-Lei n.º 259/2007, de 17 de Julho.
no processo entre a data de emissão da autorização e a en- 2 — O registo é efectuado com base nas comunicações
trada em funcionamento do estabelecimento ou do conjunto efectuadas ao abrigo do n.º 4 do artigo 3.º, do n.º 1 do
comercial, susceptíveis de alterar os pressupostos em que artigo 18.º e do artigo 19.º
aquela se baseou e que digam respeito, nomeadamente,
ao aumento da área de venda ou da área bruta locável, à
CAPÍTULO IV
tipologia ou à entidade exploradora se configurar alteração
de grupo, são obrigatoriamente comunicadas à entidade Pedidos de informação, fiscalização e sanções
coordenadora até 45 dias antes da data prevista de entrada
em funcionamento do estabelecimento ou do conjunto Artigo 21.º
comercial.
Prestação de informações
2 — No prazo de três dias contados da data da sua recep-
ção, a entidade coordenadora remete o pedido de alteração A DGAE, no exercício das competências que lhes são
às entidades que intervieram no processo de autorização, conferidas pelo presente decreto-lei, pode solicitar a pres-
para efeitos de apreciação. tação de informações aos promotores e a associações de
3 — A instrução técnica do processo e a elaboração do empresas, fixando, para o efeito, os prazos que entenda
relatório final previsto no n.º 1 do artigo 9.º são efectua- razoáveis.
Diário da República, 1.ª série — N.º 12 — 19 de Janeiro de 2009 431

Artigo 22.º 4 — A ASAE pode solicitar a colaboração de quaisquer


Fiscalização
outras entidades sempre que o julgue necessário ao exer-
cício das suas funções.
A fiscalização do cumprimento do disposto no presente 5 — A instrução dos processos de contra-ordenação
decreto-lei, incluindo a verificação regular do cumprimento compete à ASAE.
das condições e dos compromissos assumidos pelos pro- 6 — A aplicação das coimas e sanções acessórias pre-
motores, que condicionaram a emissão da autorização, vistas no presente decreto-lei compete à Comissão de Apli-
compete à Autoridade de Segurança Alimentar e Econó- cação de Coimas em Matéria Económica e de Publicidade
mica (ASAE), sem prejuízo das competências legalmente (CACMEP).
atribuídas a outras entidades. 7 — O produto das coimas aplicadas no âmbito da pre-
sente lei reverte:
Artigo 23.º
a) 60 % para o Estado;
Infracções b) 30 % para a ASAE;
1 — Constituem contra-ordenações puníveis com as c) 10 % para a CACMEP.
seguintes coimas, quando cometidas por pessoa singular:
8 — A CACMEP procede ao pagamento, até ao dia 10
a) De € 5000 a € 25 000, a instalação ou modifica- de cada mês, através de transferência bancária ou che-
ção de um estabelecimento ou conjunto comercial sem que, às entidades referidas nas alíneas a) e b) do número
a autorização legalmente exigida e o incumprimento das anterior, acompanhado da relação dos processos a que se
obrigações que fundamentaram a decisão de autorização referem.
emitida pela COMAC; Artigo 24.º
b) De € 2500 a € 12 500, a falta de comunicação atem-
Sanção acessória
pada à entidade coordenadora de quaisquer alterações
posteriores à emissão da autorização e anteriores à entrada No caso das contra-ordenações previstas nas alíne-
de funcionamento do estabelecimento ou conjunto comer- as a) e b) dos n. os 1 e 2 do artigo anterior, simultanea-
cial, susceptíveis de alterar os pressupostos da decisão de mente com a coima, pode ser aplicada, por período
autorização; não superior a dois anos, a sanção acessória prevista
c) De € 500 a € 2500, a falta de comunicação atempada na alínea f) do n.º 1 do artigo 21.º do Decreto -Lei
das modificações previstas no n.º 4 do artigo 3.º, a abertura n.º 433/82, de 27 de Outubro, na redacção que lhe foi
do estabelecimento ou conjunto comercial sem comunicar dada pelo Decreto-Lei n.º 244/95, de 14 de Setembro,
atempadamente à entidade coordenadora e à câmara mu- ficando o reinício de actividade dependente da conces-
nicipal respectiva e o encerramento do estabelecimento são de autorização a emitir pela entidade competente
ou conjunto comercial sem comunicar atempadamente à nos termos do presente decreto-lei.
entidade coordenadora;
d) De € 250 a € 1250, a falta de envio de informações Artigo 25.º
à DGAE pelos promotores.
Taxas

2 — Constituem contra-ordenações puníveis com as se- 1 — Os actos relativos à autorização dos processos
guintes coimas, quando cometidas por pessoa colectiva: de instalação e de modificação dos estabelecimentos de
comércio e conjuntos comerciais, incluindo as prorroga-
a) De € 100 000 a € 500 000, a instalação ou modifi-
ções, estão sujeitos ao pagamento da respectiva taxa, cujo
cação de um estabelecimento ou conjunto comercial sem
montante varia em função da área de venda ou área bruta
a autorização legalmente exigida e o incumprimento das
locável objecto de autorização.
obrigações que fundamentaram a decisão de autorização
2 — As taxas referidas no número anterior são as se-
emitida pela COMAC;
guintes:
b) De € 30 000 a € 150 000, a falta de comunicação
atempada à entidade coordenadora de quaisquer alterações a) A taxa de autorização dos pedidos de instalação ou de
posteriores à emissão da autorização e anteriores à entrada modificação dos estabelecimentos de comércio a retalho é
de funcionamento do estabelecimento ou conjunto comer- de € 30 por metro quadrado de área de venda autorizada;
cial, susceptíveis de alterar os pressupostos da decisão de b) No caso de estabelecimentos integrados em conjuntos
autorização; comerciais, o montante da taxa referida na alínea anterior
c) De € 5000 a € 25 000, a falta de comunicação atem- é reduzido a metade;
pada das modificações previstas no n.º 4 do artigo 3.º, a c) A taxa de autorização de instalação ou de modificação
abertura do estabelecimento ou conjunto comercial sem de conjuntos comerciais é de € 20 por metro quadrado de
comunicar atempadamente à entidade coordenadora e à área bruta locável autorizada, com um limite máximo de
câmara municipal respectiva e o encerramento do estabe- € 1 000 000;
lecimento ou conjunto comercial sem comunicar atempa- d) As taxas relativas aos processos de modificação de
damente à entidade coordenadora; estabelecimentos de comércio a retalho decorrentes de
d) De € 2500 a € 15 000, a falta de envio de informações operações de concentração de empresas sujeitas a noti-
à DGAE pelos promotores ou associações de empresas. ficação prévia, nos termos da legislação de concorrência
nacional ou comunitária, sofrem uma redução de dois
3 — A negligência é punível, sendo os limites mínimo terços em relação aos valores referidos nas alíneas an-
e máximo das coimas aplicáveis reduzidos a metade. teriores;
432 Diário da República, 1.ª série — N.º 12 — 19 de Janeiro de 2009

e) As taxas relativas à prorrogação das autorizações de vamente se no prazo de 180 dias após a data da entrada em
instalação ou modificação de estabelecimentos ou conjun- vigor do presente decreto-lei não se verificar a entrada em
tos comerciais são de: funcionamento do estabelecimento ou conjunto comercial
i) € 300, para os estabelecimentos; a que as mesmas respeitam.
ii) € 1500, para os conjuntos comerciais.
Artigo 27.º
3 — As taxas referidas no número anterior são pagas à Norma revogatória
entidade coordenadora no prazo de 30 dias após a data da
recepção pelo promotor da notificação da decisão referida 1 — É revogada a Lei n.º 12/2004, de 30 de Março, e
no artigo 14.º as Portarias n.os 518/2004, 519/2004 e 520/2004, todas de
4 — A autorização de instalação e modificação caduca 20 de Maio, e 620/2004, de 7 de Junho.
se as taxas não forem liquidadas no prazo indicado no 2 — A revogação prevista no número anterior não pre-
número anterior. judica a remissão operada por diplomas legais em vigor
5 — As receitas resultantes da cobrança das taxas de para:
autorização dos processos e das prorrogações revertem
em 1 % a favor da entidade coordenadora, em 0,5 % a) A definição de «grandes superfícies comerciais»,
a favor da entidade que efectua a instrução técnica do estabelecida na alínea a) do n.º 1 do artigo 2.º do Decreto-
processo e elabora o relatório final previsto no artigo 9.º -Lei n.º 258/92, de 20 de Novembro;
e o restante a favor do Fundo de Modernização do Co- b) A definição de «estabelecimento de comércio por
mércio, criado pelo Decreto-Lei n.º 178/2004, de 27 de grosso», estabelecida na alínea a) do artigo 3.º da Lei
Julho, alterado pelo Decreto-Lei n.º 143/2005, de 26 n.º 12/2004, de 30 de Março.
de Agosto, bem como do fundo de apoio aos empre-
sários comerciais a que se refere o despacho conjunto 3 — Para efeitos de sujeição a procedimento de
n.º 324/2002, de 8 de Março, publicado no Diário da AIA, a remissão operada pela alínea b) do n.º 10 do
República, 2.ª série, n.º 94, de 22 de Abril de 2002, sem anexo II do Decreto -Lei n.º 69/2000, de 3 de Maio,
prejuízo das dotações previstas no mesmo despacho com a redacção que lhe foi dada pelo Decreto -Lei
conjunto. n.º 197/2005, de 8 de Novembro, para a definição de
6 — A liquidação e a cobrança das taxas são da compe- estabelecimento de comércio ou conjunto comercial,
tência da entidade coordenadora, a qual procede ao paga- considera-se efectuada para as alíneas f) e h) a l) do
mento, até ao dia 10 de cada mês, através de transferência artigo 4.º do presente decreto-lei, sem prejuízo do dis-
bancária ou cheque, às demais entidades, acompanhado da
posto na alínea b) do número anterior.
relação dos processos a que se referem.
Artigo 28.º
CAPÍTULO V Avaliação da aplicação do regime de autorização
Disposições finais e transitórias A entidade coordenadora está obrigada a elaborar
relatórios anuais com indicação dos elementos es-
Artigo 26.º tatísticos relevantes relativos à tramitação dos pro-
Processos pendentes cedimentos previstos no presente decreto -lei, bem
1 — Os processos relativos a estabelecimentos e con- como eventuais constrangimentos identificados, de-
juntos comerciais que, por força da alteração do âmbito signadamente, no sistema de informação e nas regras
de aplicação do presente decreto-lei, deixam de estar aplicáveis.
abrangidos pelo regime de autorização, são considerados
extintos. Artigo 29.º
2 — Os processos que, à data da entrada em vigor do Entrada em vigor
presente decreto-lei, não tenham ainda obtido a decisão
referida no artigo 17.º da Lei n.º 12/2004, de 30 de Março, O presente decreto-lei entra em vigor 90 dias após a
são decididos de acordo com o disposto no presente decreto- sua publicação.
-lei, podendo a entidade coordenadora solicitar os elemen-
tos necessários à sua avaliação, de acordo com os novos Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 4 de
parâmetros e critérios de apreciação. Dezembro de 2008. — José Sócrates Carvalho Pinto de
3 — O presente decreto-lei aplica-se aos pedidos de Sousa — Fernando Teixeira dos Santos — Alberto Ber-
modificação previstos no artigo 21.º da Lei n.º 12/2004, de nardes Costa — Rui Nuno Garcia de Pina Neves Balei-
30 de Março, bem como às prorrogações das autorizações, ras — Manuel António Gomes de Almeida de Pinho.
referidas no seu artigo 20.º
4 — O disposto no presente decreto-lei não se aplica Promulgado em 8 de Janeiro de 2009.
às modificações de conjuntos comerciais referidos no Publique-se.
n.º 2 do artigo 3.º, relativamente aos quais, à data da
entrada em vigor deste decreto-lei, já tenha sido emitida O Presidente da República, ANÍBAL CAVACO SILVA.
informação prévia favorável ou licença de construção,
nos termos do regime jurídico da urbanização e da edi- Referendado em 9 de Janeiro de 2009.
ficação.
5 — As autorizações de instalação ou modificação cujos O Primeiro-Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto
prazos de caducidade foram suspensos, caducam definiti- de Sousa.
Diário da República, 1.ª série — N.º 12 — 19 de Janeiro de 2009 433

ANEXO IV — Apreciação:
(a que se refere o n.º 1 do artigo 8.º) a) Cumprimento dos parâmetros de apreciação — de-
monstração do cumprimento dos parâmetros de apreciação
Elementos que devem acompanhar o pedido de instalação
ou modificação dos estabelecimentos a retalho e dos referidos no n.º 1 do artigo 10.º do presente decreto-lei,
conjuntos comerciais, de acordo com o previsto no n.º 1 incluindo apresentação de documento do qual constem
do artigo 8.º do presente decreto-lei. os compromissos a que se refere o n.º 3 do artigo 10.º do
presente decreto-lei;
A — Elementos aplicáveis aos estabelecimentos b) Para efeito da avaliação prevista na alínea b) do n.º 1
Quando estejam em causa estabelecimentos de comércio do artigo 10.º do presente decreto-lei — serviços prestados
a retalho referidos nas alíneas a) e b) do n.º 1 do artigo 2.º ao consumidor — deve indicar de forma quantificada e
do presente decreto-lei, os pedidos de autorização devem discriminada:
ser acompanhados dos seguintes elementos: i) Quais os serviços de apoio às pessoas com deficiências
I — Informação geral: e incapacidades;
ii) Existência de cartão de desconto ao cliente;
a) Legitimidade para apresentação do pedido — título iii) Existência de serviço de entrega ao domicílio, se
de propriedade, contrato-promessa ou qualquer outro do- aplicável;
cumento bastante, de que resulte ou possa vir a resultar iv) Existência de assistência de pós-venda, se aplicá-
a legitimidade do requerente para construir o estabeleci- vel;
mento em causa ou, caso estes já existam, para os explorar v) Existência de vendas à distância, se aplicável;
comercialmente; vi) Adesão ao centro de arbitragem de conflitos de con-
b) Número e localização de estabelecimentos que pre- sumo;
encham os requisitos previstos no n.º 1 do artigo 2.º do
presente decreto-lei que, eventualmente, já detenha, re- c) Para efeito da avaliação prevista na alínea c) do n.º 1
ferindo os respectivos anos de abertura, áreas de venda e do artigo 10.º do presente decreto-lei — qualidade do em-
número de trabalhadores; prego e responsabilidade social — deve indicar de forma
c) Informação prévia de localização favorável ou docu- quantificada e discriminada:
mento que a substitua nos termos do previsto no artigo 5.º
do presente decreto-lei; i) Número de pessoas ao serviço;
d) No caso de estabelecimentos comerciais abrangidos ii) Número de trabalhadores contratados por tipo de
pelo regime jurídico de avaliação de impacte ambiental, vínculo contratual e categoria profissional;
declaração de impacte ambiental favorável ou documento iii) Número de contratos celebrados com pessoas com
que a substitua, nos termos do previsto no artigo 5.º do deficiências e incapacidades;
presente decreto-lei. iv) Existência de plano de formação contínua para todos
os trabalhadores;
II — Caracterização — características do estabeleci-
mento de comércio: d) Para efeito da avaliação prevista na alínea d) do n.º 1
do artigo 10.º do presente decreto-lei — localização do es-
Localização; tabelecimento no centro urbano — deve apresentar decla-
Nome/insígnia/designação; ração da câmara municipal indicando se o estabelecimento
Tipologia de comércio (alimentar, não alimentar — com se situa dentro ou fora do centro urbano conforme definido
indicação do respectivo ramo de actividade — ou na alínea e) do artigo 4.º do presente decreto-lei;
misto); e) Para efeito da avaliação prevista na alínea e) do
Número de pisos; n.º 1 do artigo 10.º do presente decreto-lei — eco efici-
Área de venda/áreas de armazenagem, de serviços de ência — deve indicar de forma discriminada:
apoio e de escritórios;
Número de lugares de estacionamento e de cargas e i) Existência de certificação energética conforme re-
descargas previstos e respectivas áreas; ferido no anexo XI do Decreto-Lei n.º 79/2006, de 4 de
Prazo previsível de construção e de abertura ao pú- Abril;
ii) Adopção de medidas tendentes à melhoria da qua-
blico.
lidade ambiental através da utilização de materiais reci-
III — Área de influência: cláveis e ou degradáveis, nomeadamente, em sacos de
compras e embalagens, existência de pontos de recolha
a) Definição da área de influência — identificação, de embalagens e outros bens reutilizáveis, produtos po-
fundamentação e caracterização da área de influência a luentes, etc.;
que se reporta o pedido e apresentação da metodologia iii) Existência de reciclagem de resíduos e qual a per-
subjacente; centagem.
b) Descrição da diversidade comercial que se verifica
na área de influência a que se reporta o pedido — número Ou, em sua substituição, a existência de Certificação
e características dos estabelecimentos existentes e que Ambiental conforme Norma NP EN ISO 14001:2004.
estejam abrangidos pelo n.º 1 do artigo 2.º do presente Todos os elementos que, à data da apresentação do
decreto-lei, especificando, designadamente, as respectivas pedido de instalação, não possam ser objecto de compro-
localizações, especificando a freguesia, áreas de venda, vação, são substituídos por declaração sob compromisso
insígnias, ramos de comércio e métodos de venda. de honra.
434 Diário da República, 1.ª série — N.º 12 — 19 de Janeiro de 2009

B — Elementos aplicáveis aos conjuntos comerciais referidos no n.º 1 do artigo 10.º do presente decreto-lei,
Quando estejam em causa conjuntos comerciais refe- incluindo apresentação de documento do qual constem
ridos nas alíneas c) e d) do n.º 1 do artigo 2.º do presente os compromissos a que se refere o n.º 3 do artigo 10.º do
decreto-lei, os pedidos de autorização devem ser acompa- presente decreto-lei;
nhados dos seguintes elementos: b) Para efeito da avaliação prevista na alí-
nea a) do n.º 1 do artigo 10.º do presente decreto-
I — Informação geral: -lei — diversidade de actividades — deve indicar de
a) Legitimidade para apresentação do pedido — título forma quantificada e discriminada as actividades que
de propriedade, contrato-promessa ou qualquer outro do- definem o seu mix;
cumento bastante, de que resulte ou possa vir a resultar c) Para efeito da avaliação prevista na alínea b) do n.º 1
a legitimidade do requerente para construir o conjunto do artigo 10.º do presente decreto-lei — serviços prestados
comercial em causa ou, caso este já exista, para o explorar ao consumidor — deve indicar de forma quantificada e
comercialmente; discriminada:
b) Número e localização dos conjuntos comerciais i) Quais os serviços de apoio ao idoso e à pessoa com
que preencham os requisitos previstos no n.º 1 do ar- deficiência e incapacidade;
tigo 2.º do presente decreto -lei que, eventualmente, ii) Existência de serviços de guarda e acompanhamento
já detenha, referindo os respectivos anos de abertura, de crianças e qual o seu custo para o cliente;
áreas brutas locáveis, estabelecimentos que os cons- iii) Existência de estacionamento e qual o seu custo
tituem, mix comercial e número de estabelecimentos para o cliente;
em funcionamento, número de trabalhadores próprios iv) Existência de cartão de desconto para o cliente;
e das lojas; v) Existência de carta de compra com ponto único de
c) Informação prévia de localização favorável ou docu- entrega das compras;
mento que a substitua nos termos do previsto no artigo 5.º
vi) Adesão ao centro de arbitragem de conflitos de con-
do presente decreto-lei;
sumo;
d) No caso de conjuntos comerciais abrangidos pelo
regime jurídico de avaliação de impacte ambiental, de- d) Para efeito da avaliação prevista na alínea c) do n.º 1
claração de impacte ambiental favorável ou documento do artigo 10.º do presente decreto-lei — responsabilidade
que a substitua, nos termos do previsto no artigo 5.º do social da empresa — deve indicar de forma quantificada
presente decreto-lei. e discriminada:
II — Caracterização — características do conjunto co- i) Existência de espaços de lazer e tomada de refeições
mercial: para os trabalhadores dos estabelecimentos inseridos no
conjunto comercial;
Localização; ii) Existência de creche para os filhos dos trabalhadores
Nome/designação; dos estabelecimentos inseridos no conjunto comercial;
Número de pisos;
Área bruta locável; e) Para efeito da avaliação prevista na alínea d) do n.º 1
Áreas de armazenagem, de serviços de apoio e de es- do artigo 10.º do presente decreto-lei — localização do
critórios; conjunto comercial no centro urbano — deve apresen-
Número de lugares de estacionamento e de cargas e tar declaração da câmara municipal indicando se o es-
descargas previstos e respectivas áreas; tabelecimento se situa dentro ou fora do centro urbano
Número dos estabelecimentos de comércio que integram conforme definido na alínea e) do artigo 4.º do presente
o conjunto comercial e mix comercial previsto; decreto-lei;
Distribuição das lojas por grupos de actividades; f) Para efeito da avaliação prevista na alínea e) do
Número de postos de trabalho estimados das lojas e n.º 1 do artigo 10.º do presente decreto-lei — eco eficiên-
do CC; cia — deve indicar de forma discriminada:
Prazo previsível de construção e de abertura ao pú-
blico. i) Existência de certificação energética conforme re-
ferido no anexo XI do Decreto-Lei n.º 79/2006, de 4 de
III — Área de influência: Abril;
ii) Adopção de medidas tendentes à melhoria da qua-
a) Definição da área de influência — identificação e lidade ambiental através da utilização de materiais reci-
caracterização da área de influência a que se reporta o cláveis e ou degradáveis, nomeadamente, em sacos de
pedido e apresentação da metodologia subjacente; compras e embalagens, existência de pontos de recolha
b) Descrição da diversidade comercial que se verifica de embalagens e outros bens reutilizáveis, produtos po-
na área de influência a que se reporta o pedido — número
luentes, etc.;
e características dos conjuntos comerciais que preencham
iii) Existência de reciclagem de resíduos e qual a per-
os requisitos previstos no n.º 1 do artigo 2.º do presente
decreto-lei, especificando, designadamente, a respectiva centagem.
localização, especificando a freguesia, e áreas brutas lo- Ou, em sua substituição, a existência de Certificação
cáveis. Ambiental conforme Norma NP EN ISO 14001:2004.
Todos os elementos que, à data da apresentação do
IV — Apreciação: pedido de instalação, não possam ser objecto de compro-
a) Cumprimento dos parâmetros de apreciação — de- vação, são substituídos por declaração sob compromisso
monstração do cumprimento dos parâmetros de apreciação de honra.