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DIREITO ADMINISTRATIVO II – PARCIAL M1 1

INTERVENÇÃO NA PROPRIEDADE E DOMÍNIO ECONÔMICO

A Constituição Federal nos deu o direito a propriedade e a livre iniciativa. O estado, gestor do
interesse público, gere o bem público, tendo o dever de zelar pelo interesse da coletividade,
incorrendo na possibilidade de intervir na propriedade particular. Essa interferência na atividade
econômica privada, pode ocorrer de várias formas:

Limitação Administrativa
 É o ente do Estado nas atividades de povo, como atividade policial. O Estado realiza o uso de
bens e atividades, de forma a não haver antagonismo entre o interesse público e o privado.
Desta forma, limita o uso de bens e o exercício das atividades, submetendo-os ao crivo do poder
público. Restringe, condiciona e estabelece limites ao gozo do exercício de bens e atividades,
com foco no interesse coletivo.
 O Estado interfere nos bens que possuem alguma potencialidade de dano a coletividade.
Aqueles que podem causar danos ao interesse público (ex.: o uso de automóvel, mediante a
obrigatoriedade de ter CNH, porte de arma para uso, necessidade de licença para construção de
edificações.
 Para exercer atividade ou gozo da propriedade, necessitam da aprovação/crivo do Estado,
exigindo competência e capacidade para tal exercício da atividade, pois a Administração
Pública age de acordo com os ditames da legislação existente. Essas atividades, bens ou direitos
dependem de _________________ ou limites para seu uso, pela administração pública.
 É de caráter geral, pois todos estão subordinados a ela, todos os que a ela se sujeitam.
 O Estado impõem restrições quando a propriedade tiver potencial perigo a coletividade (Ex.1:
Carro deve ser usado de acordo com a lei de transito – limitação – que Quando os efeitos nunca
voltam a sua data de origem. É quando o ato pode se REVOGADO, pois deixa de surtir efeito a
partir da sua revogação.estabelecem quais são as condições para seu uso. Ex.2: Exercício da
propriedade de edificações, sendo necessária a fiscalização de órgãos do Estado).
 Condições, restrições e estabelecimento de limites a todos, pois a norma é de caráter geral.
 No caso do município, a lei orgânica (dependendo do tamanho da cidade), que estabelece
limitações para construção de residências térreas no centro da cidade, bem como estabelece
áreas a serem utilizadas como industriais (não permitindo industrias na área central). É desta
forma, estabelecida para que a atividade não cause dano a coletividade.
 Não cabe indenização.

Servidões Administrativas
 É outro tipo de intervenção do Estado na propriedade particular. Se necessário, o Estado em
nome do interesse coletivo, intervir.
 Existem condições para ocorrer essas ocorrências, de forma legal. O Estado se serve da
propriedade a fim de beneficiar a coletividade, quando for necessário ou condição para
realização de um serviço de interesse público. Via de regra, estabelece-se limites para essa
condição (e.: As torres de alta tensão da Copel, que atravessam as propriedades particulares,
impondo condições de uso da área em que estão, para os proprietários da terra). É de caráter
especifico, atingindo aqueles que necessariamente são sujeitos a esta situação. O poder público
estabelece quais os proprietários sujeitos a serem atingidos pela servidão administrativa, e que
se sujeitarão às restrições no exercício em suas propriedades. Cabe indenização (de até 30%),
cabendo ainda, se necessário a desapropriação. Dura o tempo necessário para execução do
serviço, sendo singular e individual, de acordo com as características do serviço. No caso das
antenas, estabelece-se a faixa de terra a ser atingida, limpa-se, e inicia-se a obra.
 Não é de caráter geral, e sim individual. Quando for necessário a prestação de um serviço
público, o estado pode se servir da propriedade particular. Dependendo da justificativa e da
motivação. Ex.1: Transmissão de gás subterrâneo, na área de uma residência. Ex.2: Copel
transmitindo energia por cabos assentados em torres de sustentação localizadas em
propriedades particulares, junto aos cabos que restringem o uso da área logo abaixo. O
reembolso pela restrição pode chegar a 30%, cabendo indenização, desde que comprovado o
dano.

Ocupações Temporárias

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 O Estado ocupa uma propriedade particular onde o ato de instalação de estabelece o prazo o
prazo determinado, em áreas sem identificação. Ocorre quando é necessário deixar maquinas e
equipamentos de uma obra, em um local de forma a evitar deslocamentos diários. Isso ocorria
quando as obras eram realizadas pelo próprio poder público. Hoje as obras ocorrem através de
concessionárias contratadas e terceirizadas para realização das obras, e que são obrigadas
contratualmente a já definir de forma antecipada o local onde será guardado os equipamentos
e maquinários.
 Cabe indenização, desde que comprovado o dano.

Requisições
 Só ocorre com autorização da justiça, e em caso de perigo efetivo ou eminente a sociedade. Ex.:
O ocorrido na enchente de 1983, onde ocorreu a requisição de mercados (bens de 1ª
necessidade), combustíveis em postos, toque de recolher. Ocorre a requisição de bens
particulares. Cabe indenização, em caso de dano.

Tombamento
 O termo tombamento vem Tombo. A Torre de Tombo em Portugal era onde ocorriam os
registros dos bens da Coroa Portuguesa. Significa que uma propriedade tombada deve ser
preservada, para ser usufruída pelas futuras gerações. Pode ocorrer o tombamento quando se
encontra algum valor num imóvel que enseja sua preservação. Não se perde a propriedade, mas
emite uma declaração de valor (histórico, cultural, cientifico, artístico, paisagístico,
arqueológico), e que o proprietário deva preserva-lo. Não ocorre a perda da propriedade,
podendo o bem ser vendido (direito de preferencia para o Estado), mas quem compra, aceita o
gravame decorrente do tombamento. Impõem inúmeras restrições. Ex.: Plano Piloto, em
Brasília, tombado pela Unesco, Ouro Preto, etc.
 Fundamentos do Tombamento: Decreto Lei 25/1967 e Art. 216 da Constituição.
 O tombamento cabe a União, Estados e Munícipios. No caso dos municípios pode existir
legislação complementar. A Constituição estabelece valores históricos, paisagísticos, artísticos,
arqueológicos, paleontológicos, ecológicos e científicos.
 A propriedade particular tombada sofre inúmeras restrições. Se essas restrições inviabilizarem
o uso, o Estado deve fazer a desapropriação de tal bem. No caso do tombamento, o ônus de
conservação, cabe ao proprietário. O decreto de tombamento autoriza a fiscalização do bem,
que faticamente não ocorre. Em caso do dono não ter condições financeiras de manutenção,
deve informar o poder público, estimando o custo, e comprovando sua impossibilidade
financeira. Caso não seja comprovada a impossibilidade financeira, o poder público pode
multar o proprietário em até 50% do valor da obra.
 O tombamento reflete sobre os imóveis vizinhos e lindeiros, nos quais também impõem
restrições (ex.: utilização de cores nos imóveis, etc).
 O procedimento é composto por
o manifestação do órgão técnico sobre o valor do bem para fins de tombamento;
o notificação ao proprietário para anuir ao tombamento dentro do prazo de 15 dias, a contar do
recebimento da notificação ou para, se quiser,
o impugnar e oferecer as razões dessa impugnação;
o se o proprietário anuir, por escrito, à notificação, ou não impugnar, tem-se o tombamento
voluntário, com a inscrição no Livro do Tombo;
o havendo impugnação, será dada vista, no prazo de mais 15 dias, ao órgão que tiver tomado a
iniciativa de tombamento, a fim de sustentar
o as suas razões;
o a seguir, o processo será remetido ao IPHAN, que proferirá decisão a respeito, no prazo de 60
dias a contar do recebimento;
o se a decisão for contrária ao proprietário, será determinada a inscrição no Livro do Tombo; se
for favorável, o processo será arquivado;
o a decisão do Conselho Consultivo terá que ser apreciada pelo Ministério da Cultura (Lei n.º
6.292, de 15.12.1975), o qual poderá examinar
o todo o procedimento, anulando-o, se houver ilegalidade, ou revogando a decisão do órgão
técnico, se contrária ao interesse público, ou,
o finalmente, apenas homologando;
o o tombamento somente se torna definitivo com a inscrição em um dos Livros do Tombo.
 Pode ocorrer de forma voluntaria, compulsória e ex-oficio.

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 As restrições dependem de cada caso, no caso de bem imóvel, onde se imponha a conservação,
não se proíbe a sua habitação, ou utilização por empresa ou estabelecimento comercial.
 Pode incidir sobre bens móveis ou imóveis, materiais ou imateriais, públicos ou privados. Ex.
Caipirinha.

Desapropriação
 Prevista na Constituição Federal (art 5º, § XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para
desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e
prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição), no Decreto
Lei 3365/41 e na Lei 4132/62.
 Assim, percebe-se que já existia antes da Constituição. É tida como violenta, pois o dono perde a
propriedade, transferindo-a para o Estado.
 Existem elementos que justificam a desapropriação, e que devem constar do ato de
desapropriação:
o Necessidade Pública
a) a segurança nacional;
b) a defesa do Estado;
c) o socorro público em caso de calamidade;
o Utilidade Pública (justificativa para quase 99% das desapropriações)
d) a salubridade pública;
e) a criação e melhoramento de centros de população, seu abastecimento regular de
meios de subsistência;
f) o aproveitamento industrial das minas e das jazidas minerais, das águas e da energia
hidráulica;
g) a assistência pública, as obras de higiene e decoração, casas de saude, clínicas, estações
de clima e fontes medicinais;
h) a exploração ou a conservação dos serviços públicos;
i) a abertura, conservação e melhoramento de vias ou logradouros públicos; a execução
de planos de urbanização; o parcelamento do solo, com ou sem edificação, para sua
melhor utilização econômica, higiênica ou estética; a construção ou ampliação de
distritos industriais;
j) o funcionamento dos meios de transporte coletivo;
k) a preservação e conservação dos monumentos históricos e artísticos, isolados ou
integrados em conjuntos urbanos ou rurais, bem como as medidas necessárias a
manter-lhes e realçar-lhes os aspectos mais valiosos ou característicos e, ainda, a
proteção de paisagens e locais particularmente dotados pela natureza;
l) a preservação e a conservação adequada de arquivos, documentos e outros bens
moveis de valor histórico ou artístico;
m) a construção de edifícios públicos, monumentos comemorativos e cemitérios;
n) a criação de estádios, aeródromos ou campos de pouso para aeronaves;
o) a reedição ou divulgação de obra ou invento de natureza científica, artística ou
literária;
p) os demais casos previstos por leis especiais.
o Interesse Social.
 A Lei 4.132/1962, define as hipóteses de desapropriação por interesse social. É decretada para
promover a justa distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem-estar social. P
caráter eminentemente sancionatório, representando uma punição ao proprietário de imóvel
que descumpre a função social da propriedade, que o caso de imóvel urbano é a habitação, e no
caso de imóvel rural é a produção agrícola e/ou agropecuária.
 O Estatuto das Cidades estabelece as condições para estabelecer a função social da
propriedade, que ocorre através do Plano Diretor. Destaca-se a ocorrência de alíquotas
progressivas no IPTU, que é uma forma de obrigar o proprietário a dar uma função social aos
imóveis da cidade. A utilização de propriedades rurais como chácaras (com pouca plantação e
criação, e grandes áreas de terra subutilizadas) não atendem a função social, pois não
produzem benefícios sociais, sendo passiveis de desapropriação, que é uma forma de punição
aos proprietários, por não dar função social a propriedade.
 A Lei n. 4.132/62, em seu art. 2º, considera de interesse social: I – o aproveitamento de todo
bem improdutivo ou explorado sem correspondência com as necessidades de habitação,
trabalho e consumo dos centros de população a que deve ou possa suprir por seu destino
econômico; II – o estabelecimento e a manutenção de colônias ou cooperativas de povoamento
e trabalho agrícola; III – a manutenção de posseiros em terrenos urbanos onde, com a

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tolerância expressa ou tácita do proprietário, tenham construído sua habitação, formando
núcleos residenciais de mais de 10 (dez) famílias; IV – a construção de casas populares; V – as
terras e águas suscetíveis de valorização extraordinária, pela conclusão de obras e serviços
públicos, notadamente de saneamento, portos, transporte, eletrificação, armazenamento de
água e irrigação, no caso em que não sejam ditas áreas socialmente aproveitadas; VI – a
proteção do solo e a preservação de cursos e mananciais de água e de reservas florestais; VII – a
utilização de áreas, locais ou bens que, por suas características, sejam apropriados ao
desenvolvimento de atividades turísticas”.
 Podem sofre desapropriação por utilidade pública: bens móveis, imóveis, semoventes, posse,
usufruto, domínio útil, subsolo, espaço aéreo, águas, ações de determinada empresas, bens
públicos e cadáveres.
 Não podem sofrer desapropriação: dinheiro, direitos personalíssimos, pessoas, órgãos
humanos, bens móveis livremente encontrados no mercado.
 A desapropriação no inicio, vai ter que encontrar um fundamentos em uma das 3 hipóteses, a
qual melhor se enquadrar: necessidade pública (indenizável), utilidade pública e interesse
social.

Desapropriação Direta ou Comum


o A lei exige que não só o proprietário, mas toda a coletividade esteja ciente da intenção
de desapropriação pelo poder público, declarando através de ato próprio
(expropriante), do poder executivo (podendo ser transferida a competência para o
ente paraestatal. Ex: Copel, na época da Usina).
o Primeiro passo é a fase da declaração, informando que é de necessidade pública,
utilidade pública e interesse social, o bem a que se visa desapropriar, e de quem é a
propriedade.
o Ato inicial da desapropriação:
1. Declaração do Poder Público, geralmente por decreto do chefe do executivo,
de forma genérica qual e de forma especifica em que vai ser utilizado (a obra a
ser desenvolvida) o bem desapropriado.
 Descrever o bem
 Declarar de quem é a propriedade que será desapropriada.
 Se o bem for de utilidade pública, o decreto surte efeito pelo prazo de
5 anos, e no caso de não ocorrer a obra, necessita de um ano de
interstício, para reedição do decreto.
 Se o bem for de interesso social, o decreto surte efeito pelo prazo de 2
anos, e no caso de não ocorrer a obra, necessita de um ano de
interstício, para reedição do decreto.
2. Promover a avaliação administrativa do bem, através de comissão econômica
ou imobiliária, pra definir o valor (a mesma que faz a avaliação do valor venal
para o IPTU), fazendo relatório do valor a ser enviado ao legislativo, junto com
o decreto.
3. O Legislativo autorizará através de projeto de lei, o Poder Público a
desapropriar o imóvel amigável ou judicialmente, pagando o valor
estabelecido pela comissão.
4. A partir daí o proprietário é notificado de que perderá seu bem por
desapropriação.
 Caso seja aceita de forma amigável, em cartório registra-se a escritura
pública de desapropriação e paga-se o valor aceito.
 Caso não seja aceita de forma amigável, somente poderá se discutir o
valor da indenização. Não se pode contestar o mérito administrativo
da desapropriação, pois a obra publica e a consequente
desapropriação são atos discricionários da Administração Pública.
Neste caso necessita entrar com a Ação de Desapropriação contra o
proprietário (que será o réu da ação).
o Vai ser feito o histórico da situação anterior (ato de
desapropriação, avaliação, a lei autorizadora), e alega-se que
houve a recusa do proprietário. Nesta fase alega-se urgência,
demonstrando os prazos contratuais (de convênios de

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repasses de recursos). Pede-se a imissão da posse
(desocupação imediata).
o Após isto, o Juiz determinará um expert a fazer uma vistoria
(de forma preliminar, com fotos, medições, etc), para analisar
se o valor da avaliação administrativa é correto ou não. Após
intima-se o Poder Público sobre o resultado da vistoria. Se
injusto, o valor deve ser complementado. Complementado o
valor, caso necessário, o Juiz imite o Poder Público na posse.
o Se o imóvel está habitado, o juiz dará prazo para
desocupação, geralmente de 45 a 60 dias (dentro da
razoabilidade). Se desabitado, a posse é imediata.
o Após isto, ocorre a citação do proprietário para imissão da
posse, para contestar a ação e desocupar o imóvel. Somente
pode-se contestar o valor da avaliação.
o Na contestação utilizam-se as informações da vistoria feita
anteriormente, para que o perito proceda a nova avaliação,
dizendo que o valor da vistoria é o de mercado ou não. Na
contestação pode o proprietário requerer o levantamento de
até 80% do valor depositado.
5. O proprietário deve receber a indenização de forma prévia e justa (o valor
nem sempre é real, justo e adequado).
 No caso da ponte que ira se construir, os imóveis atingidos devem ser desapropriados, somente
existe a possibilidade de se discutir o valor da indenização, não restando mais possibilidade de
se discutir o mérito da desapropriação ou não (vão ter que entregar os imóveis de uma forma
ou de outra).
o No caso daqueles que não aceitaram amigavelmente a desapropriação, existe a
necessidade do poder público requerer judicialmente a desapropriação direta.
o Em juízo, o município prova a necessidade de desapropriar por ser para utilidade
pública (construção da ponte), a urgência (o contrato já está assinado), demonstra a
necessidade de entra na posse das propriedades/imóveis envolvidos (imissão de
posse).
o Para o juiz dar a imissão de posse, o juiz diz que a indenização deve ser paga de forma
prévia (antes de ocupar) e justa (que não seja um valor aviltante, nem muito abaixo do
valor de mercado do bem). Os valores tidos como corretos pelo poder público, devem
ser depositados antecipadamente em juízo. Ao contrario da desapropriação anterior a
Constituição de 88, quando se autorizava o levantamento de somente 10% do valor
anual de arrendamento locatício, e que era estabelecido pelo poder
público/concessionaria.
o O juiz vai precisar da opinião de que um perito que vitoriará o imóvel, e diante de
vistoria preliminar, e da juntada documentação comprobatório, como escritura de
compra e venda imóveis próximos comercializados na época, estabelecerá um valor a
ser tido como justo. Caso o valor depositado seja inferior, o juiz determinará a
complementação do valor. Na sequencia, determinará o proprietário a desocupar o
imóvel, imitindo o Poder Público na posse do imóvel. Normalmente o prazo de
desocupação é de 45 dias.
o A lei autoriza o proprietário do imóvel a levantar de forma imediata, 80% do valor
depositado.
 Ação de desapropriação (após a declaração e autorização)
o Necessidade Pública e Utilidade Pública: o bem fica para o poder público.
o Interesse Social: o bem vai ser destinado a função social da propriedade.
 Pode ocorrer a desistência/arrependimento do poder público. Se causar algum dano ou
prejuízo ao proprietário, deve ressarci-lo.

Desapropriação indireta
 É um ato ilegal e ilícito. A partir de 2001, caso o gestor cometa alguma irregularidade, será
responsabilizado civil e administrativamente.
 Na desapropriação indireta, o autor da Ação Judicial é o proprietário e o Poder Público é o réu.
Nesse caso ocorreu o esbulho possessório público (perda da posse). É a invasão da propriedade

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por ordem do gestor público, na propriedade de terceiros. Nesse caso, prova-se o esbulho,
através da ação. Incide juros compensatórios desde o esbulho e juros moratórios desde a
citação da ação, ambos de forma capitalizada.
 O prazo para pleitear a indenização pelo esbulho é de 15 anos, sendo que a partir da LRF em
2001, cabe a responsabilidade do gestor público.
 Esbulho é a perda da posse. Turbação ainda detém a posse, mas está sendo incomodado nela
(normalmente ocorre nos casos de divisa de terras rurais).

Desapropriação para interesse social


 Voltada a reforma agraria, sendo privativa a desapropriação pela União.
 Legitima-se através dos seguintes requisitos:
o Propriedade tem que ter tamanho superior a 10 a 14 módulos rurais (nem pequena
nem media propriedade).
o Deve ser produtiva (comprova-se através da nota do produtor rural).
 É sancionatória, punitiva, perdendo a propriedade por não empregar a função social. As
penalidades são:
o O valor será avaliado deve ser justo.
o Pagamento em títulos da divida pública, ou seja, Titulo da Divida Agrária (TDA).
o O levantamento pode ocorre em até 20 anos sendo que autorizado levantamento de
parte cada 5 anos, sendo necessário negocia-las na Bolsa de Valores
o Só recebe em dinheiro, o valor das benfeitorias uteis e necessárias. As demais
benfeitorias serão indenizadas em TDA´s.
o TDA não pode ser compensada com dívida pública.
 A União desapropria e repassa a produtores rurais, em glebas e lotes.
 No caso de bens urbanos, também pode ocorrer a desapropriação, ante a apuração da
especulação imobiliária.
o Em até 5 anos, se sujeita a alíquota progressiva de IPTU de até 15%.
o Passados 5 anos, está sujeita a desapropriação.
o Em caso de não indenização o prazo para entrar com a ação é de 15 anos.
o O pagamento ocorre em Título da Divida Pública Municipal. Se paga o valor real, mais
as benfeitorias necessárias e não necessárias.

Desapropriação de bens públicos


 Pode ocorrer da União para os Estados, e dos Estados para os Municípios (do maior ente para o
menor).

Desapropriação Confiscatória
 Ocorre sem direito a indenização, pois se confisca (expropria-se) os bens em gerais usados não
para a função social, mas para atividade ilícita. São os bens usados no ilícitos ou decorrente
deles. (ônibus, carros, áreas de plantação de droga)

Direito de Extensão
 Quando parte da propriedade do particular é desapropriada, e a parte remanescente torna-se
improdutiva ou ineficaz para uso do proprietário. Ex.: Servidão em terreno baldio, para acesso
de moradores dos terrenos “nos fundos”. Estende-se a indenização a toda a propriedade,
porque a parte que sobrou não tem as características mínimas estabelecidas no plano direitor.

Retrocessão - Tredestinação
 Tredestinação: quando o poder público desvirtua a destinação da justificativa do Ato de
Declaração da Desapropriação. Altera-se a destinação originária. Pode ser lícita (quando se
destina a outra obra, mas que seja de interesse público), e ilícita (quando muda a destinação,
para uma função que não se enquadre o interesse público). Nesse caso, cabe retrocessão.
 Retrocessão: é o retorno ao proprietário originário. Em caso de não ter condições (obras sendo
feitas), deve-se pagar 2 vezes, ou seja, paga-se novamente ao proprietário originário. Se não
ocorre a destinação dentro do prazo (15 anos), devolve-se ao particular, sem a devolução do
$$$ ????, sendo o prazo contado da data da finalização do processo de desapropriação (ocorre
pela omissão). Se já tiver construção (ilícita), paga-se novamente ao credor.
 Do livro do Alexandre Mazza, usado pelo professor

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Existem casos raros em que a própria ordem jurídica autoriza a válida substituição da
finalidade que inicialmente motivou a prática do ato administrativo. São casos de tredestinação
autorizada pela ordem jurídica. A hipótese mais importante está prevista no art. 519 do Código
Civil: “Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou por interesse
social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for utilizada em obras ou serviços
públicos, caberá ao expropriado direito de preferência, pelo preço atual da coisa”. O Código
Civil, portanto, autoriza que o bem desapropriado receba qualquer destinação pública ainda
que diferente daquela anteriormente prevista no decreto expropriatório, afastando a
possibilidade de retrocessão (desfazimento da desapropriação).
No contexto específico das expropriações, ocorre tredestinação quando o bem objeto da ação
expropriante recebe destinação diferente da incialmente prevista no ato ou na lei
expropriatória. Como visto nos itens anteriores, a tredestinação pode ser lícita ou ilícita. Não se
deve confundir tredestinação com adestinação73. Na adestinação o bem expropriado não
recebe destinação alguma, nem de interesse público, nem de interesse privado, sendo mantido
completamente desafetado e sem uso.

Domínio Econômico
 As formas de intervenção do Estado do domínio econômico desdobram-se em três espécies de
atividades estatais interventivas: exploração direta de atividade econômica; poder de polícia
(fiscalização de agentes econômicos); fomento a setores econômicos.
 O poder de Policia visa o desenvolvimento das tarefas de limitação, fiscalização e sanção sobre
os agentes econômicos de mercados específicos. Trata-se da chamada polícia da economia.
Destacam-se como entidades encarregadas da execução da polícia econômica o Banco Central e
o Conselho Administrativo de Defesa Econômica – Cade.
 Cartel: controle do mercado, por um grupo de empresas que estão informalmente unidas.
Ocorre a fiscalização pelo CADE, que analisa a existência ou não do Cartel. Neste caso, os preços
praticados são praticamente iguais, com pequenas variações, obrigando o comprador a
comprar a preços altos.
 Dumping: engodo. Surge em países protecionistas, onde o governo dá subsídios aos produtores,
baixando os preços em comparação ao mercado. Isso destrói a economia do pais que compra.

ATO E FATO JURIDICO

Ato (Ação)
 Comissiva
 Omissiva

 Ação antecede os fatos.


 Ato Jurídico Volitivo depende da manifestação da vontade de alguém.
 Ato Jurídico Natural: ocorrência da natureza, com reflexo nos bens, pessoas, etc.
 Ato Jurídico Administrativo é a manifestação isolada unitária do Estado, visando nascer,
extinguir ou transformar direitos.
 Requisitos do Ato Jurídico
 Capacidade: de compreender o ato, para manifestação da vontade.
 Objeto Lícito
 Forma prescrita e não defesa em lei.

Ato Administrativo

 Competência: autorização legal para o agente estatal praticar determinado o ato


administrativo, de acordo com a lei.
 Finalidade: toda manifestação estatal deve visar o atender o interesse público/bem comum,
sendo incorreto quando visa interesses diferentes ou de alguém alheio.
 Forma: a materialização do ato, via de regra é escrita, podendo ocorrer através verbalização
(que é exceção). Para que todos possam saber do ato e se manifestar. A verbalização, que é
exceção, pode ocorrer através de ordens corriqueiras verbais, sinais de transito previamente
convencionados (visuais), propagandas do governo na mídia, etc.

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 Motivo: todo ato deve ser motivado. São as razões de fato e de direito que justificam a pratica
do ato. Deve ser pautado na lei.
 Objeto (Fato): é a concretização da vontade do Estado. É o que o Estado quer ou objetiva.

Ato vinculado
 Atados e amarrado a lei, que estabelece como devem ser praticados os atos administrativos.
Ex.: Licitação. Via de regra (99%) dos atos administrativos são vinculados, determinando ao
gestor a agir de acordo com a lei. Não dá margem ao gestor para decidir.

Ato Discricionário
 Quando existe o mérito administrativo, a vontade politica de conduzir o estado pelo gestor.
Deve ser praticado de acordo com a oportunidade conveniência. Discricionário é o mérito da
gestão. Judicialmente, referente ao ato discricionário, na cabe discussão do mérito, somente a
forma como foi executado. Existe a liberdade escolha pelo gestor. É no caso uma autorização
para o gestor decidir, sempre devendo ser motivado.

Espécies de Ato Administrativo


Atos vinculados e discricionários aparecem nas 5 espécies de atos administrativos:
 Normativo: aquele que contem um comando geral do executivo, visando a aplicação da lei,
bem como exteriorizar a condução da gestão politica na administração. São exemplos: decretos
(do chefe do poder executivo), regulamentos, resoluções, etc. Disciplina a pratica de atos da
administração, de competência administrativa.
o Regulamento: onde se explica as regras a serem seguidas. Visa explicar a lei, da forma
estabelecida na CF e no CTB, que necessitam de leis para regulamentação.
o Regimentos: disciplina o funcionamento de um órgão ou instituição. (Ex: RI dos
tribunais, das câmaras, etc)
 Enunciativos: são aqueles que se limitam a certificar ou atestar de modo oficial, o que consta
nos livros ou banco de dados da administração pública, sem adentrar no mérito ou conteúdo.
Ex.: certidão de nascimento, de casamento, CND, reconhecimento de firma, pareceres jurídicos,
etc.
 Ordinatórios: são aqueles que visam disciplinar o funcionamento da administração e conduta
funcional de seus agentes. Emanam do poder hierárquico da administração. Ex.: Instruções,
circulares, portarias, ordens de serviço, despachos, etc. São ordens funcionais da maquina
pública, tendo efeito interno. Determina “ordens” de forma a uniformizar os procedimentos a
serem seguidos na conduta funcional na máquina pública.
 Disciplinares/Punitivos: representam a sanção do Estado, com relação a atos disciplinares
dos servidores/administrados. São utilizados pela administração para punir atos de
indisciplina (regras gerais) e insubordinação (regras de superiores), relativas aos servidores e
também o descumprimento de regras administrativas por parte dos populares/administrados
(multa de trânsito). Deve ser proporcional a falta cometida.
 Negociais: São permissões para utilização por particular, do uso de bens públicos. São as
concessões do estado, para particulares, através de contratos administrativos de anuência (pois
as regras impostas pelo Estado devem ser cumpridas). É a vontade discricionária do gestor, de
interesse a ser explorado por particulares. Ex.: Autorização, Concessão, Permissão.

Legitimidade dos Atos Administrativos


 Parte-se do pressuposto que são atos verdadeiros.

Auto Executividade dos Atos Administrativos


 Não existe necessidade de requerer autorização judicial para cumprir o ato. A vontade
administrativa do Estado deve ser cumprida. Existe a necessidade de autorização judicial
somente em casos extremos, como demolição, etc. Trata-se autonomia do Estado para fazer
cumprir as determinações, sem a necessidade de ordem judicial.

Imperatividade dos Atos Administrativos


 Os atos são imperativos, usando da supremacia do Estado, sobre o particular. O Estado não
precisa de autorização do particular para agir. É o poder de império.

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DIREITO ADMINISTRATIVO II – PARCIAL M1 9
Atos Complexos e Atos Compostos
 Complexos: Dependem da manifestação de vontade 2 ou mais órgãos diferentes, mas
dependente da anuência de ambos. Caso exista discordância entre os órgãos, o ato não se
efetiva. (Ex. Aposentadoria autorizada pelo TJ/SC, e posterior conferencia pelo TCE/SC).
 Compostos: Dependem da manifestação de vontade, de 2 (ou mais??) “setores” pertencentes ao
mesmo órgão. (Ex.: Um setor emite parecer sobre o ato, e outro homologa).

Convalidação, Revogação e Anulação


 Convalidação: ato que vícios ou defeito (normalmente nos requisitos), sendo em tese ilegítimo.
É o caso do ato que pode ser sanado (ex.: ato praticado por pessoa que não podia pratica-lo). É
possível a ratificação do ato pela autoridade competente pelo ato, sanando-o. Quando o vício é
na finalidade, o ato não pode ser convalido (deve ser anulado, pois é ilegítimo).
 Revogação: trata-se de “retirar” o ato do mundo jurídico. É um ato perfeito, legitimo, sem vicio,
mas que não é mais oportuno ou conveniente para existir, de acordo com a discricionariedade
do gestor. É o ato legitimo que deixa de existir, sendo legal e legitimo, mas não mais oportuno
ou conveniente (de acordo com a discricionariedade do gestor). O ato não é ilegal e nem tem
vícios, mas é inoportuno ou inconveniente. Somente a administração pública pode revoga-lo. O
Judiciário não pode revogar ato da administração pública, devido a não poder mudar o mérito,
pois isso compõe o poder discricionário da mesma.
 Anulação: tem vicio ou defeito, atendando contra a lei, e não pode ser legitimo. Pode ser
anulado pelo próprio emitente (administração pública), ou pelo judiciário. É aquele que possui
vicio insanável.

Efeitos do Ato
 Ex Nunc: Quando os efeitos nunca voltam a sua data de origem. É quando o ato pode se
REVOGADO, pois deixa de surtir efeito a partir da sua revogação.
 Ex Tunc: Quando os efeitos voltam a sua data de origem. É quando o ato pode se ANULADO,
pois não pode de surtir efeito desde sua criação, porque contem vício.

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