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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Num. Processo : 0027498-34.2015.8.05.0001

Classe : RECURSO INOMINADO


Recorrente(s) : SILVIA CONCEICAO DO NASCIMENTO SOUSA
Recorrido(s) : EXTRA CIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO

Origem :
11ª VSJE DO CONSUMIDOR (MATUTINO)
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

VOTO-E M E N T A

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. CONTRATO DE COMPRA E


VENDA. NOTEBBOK. OFERTA RELATIVA À EXISTÊNCIA DE
FUNCIONALIDADE ( LEITOR DE CD E DVD) QUE VINCULA O
FORNECEDOR. RECUSA DO RÉU EM PROCEDER A SUBSTITUIÇÃO
DO MESMO. FALHA NA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. DANOS
MORAIS CONFIGURADOS. QUANTUM ARBITRADO DE ACORDO COM
OS PARÂMETROS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE.
SENTENÇA MANTIDA.

1. Trata-se de recurso inominado interposto por SILVIA CONCEIÇÃO


DO NASCIMENTO SOUZA contra sentença que julgou parcialmente
procedente a ação, nestes termos: “Isto posto, JULGO PROCEDENTE EM
PARTE a QUEIXA para: CONDENAR a demandada a restituir à autora o valor pago
pelo NOTEBOOK na importância de R$ 949,00 (novecentos e quarenta e nove reais),
mais o valor da garantia estendida no importe de R$ 153,OO (cento e cinquenta e três
reais), valores este acrescidos de juros (desde a citação) e correção monetária (desde a
queixa); CONDENAR a demandada a pagar à autora, a título de danos morais, a
importância de em R$ 1.000,00 (mil reais), acrescido de juros (desde a citação) e
correção monetária (a partir do arbitramento). ”.

2. A recorrente insurge-se no tocante ao quantum condenatório arbitrado


a título de danos morais, por entendê-lo insuficiente para recompor o dano
causado.
3. Agiu com acerto o magistrado sentenciante ao reconhecer a falha na
prestação do serviço na hipótese em comento, na medida em que as
alegações autorais não restaram impugnadas pelo réu, no sentido de que
fora ofertado produto consistente em um notebook POSIT XP 2995, pelo
valor de R$ R$ 949 ( novecentos e quarenta e nove reais), e que tal
produto incluiria entre as suas funcionalidades leitor de CD e DVD.
Inobstante , a parte autora, depronto, observara que tal funcionalidade
inexistia, pelo quê buscou a substituição do produto por outro de qualidsde
similar, o que não fora atendido pelo réu.

4. Como sabido, no âmbito de relação de consumo, a oferta do


fornecedor vincula-o ao seu cumprimento, sendo direito do
consumidor exigí-lo segundo os termos da oferta veiculada, recaindo
a responsabilidade sobre o fornecedor que deixar de cumpri-la.

5. Por outro lado, a empresa ofertante, estando inserida no


mercado de consumo, responderá de forma objetiva pelos danos
causados aos consumidores oriundos de fatos que lhes cause
prejuízo, nos termos do art.14 do CDC, havendo necessidade de
comprovação do dano e do nexo de causalidade para que exsurja o
dever de indenizar.

6. O art. 14 do CDC, dispondo sobre a responsabilização do fornecedor


pelo fato do produto ou serviço, preleciona que: “Art. 14. O fornecedor de
serviços responde, independentemente da existência de culpa pela reparação dos
danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços,
bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e
riscos.”

7. Discutindo-se a prestação defeituosa de serviço, incide a


responsabilidade civil objetiva inerente ao próprio risco da atividade
econômica, consagrada no art. 14, caput, do CDC, que impõe ao
fornecedor o ônus de provar causa legal excludente (§ 3º do art. 14), algo
que o recorrente não se desincumbiu.

8. O conjunto probatório demonstrou cabalmente a ocorrência do dano


moral que muito mais que aborrecimento e contratempo, resultou em
situação que por certo lhe trouxe intranqüilidade e sofrimento, configurando
o dano moral, em razão exclusivamente da conduta do recorrente.
9. O valor da indenização fixado pelo juiz sentenciante, a título de danos
morais, guarda compatibilidade com o comportamento do recorrente e com
a repercussão do fato na esfera pessoal da vítima e, ainda, está em
harmonia com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade,
inexistindo nos autos a comprovação de fatos que revelem especial
gravidade na conduta da empresa demandada, que pudesse vir a ensejar a
majoração do quantum condenatório arbitrado a título de danos morais.

10. ISTO POSTO, voto no sentido de CONHECER e NEGAR


PROVIMENTO ao recurso interposto pela Recorrente para manter a
sentença objurgada em seus termos. Sem custas processuais e honorários
advocatícios, por ser a parte beneficiária da justiça gratutia.
Salvador, Sala das Sessões, 21 de Julho de 2016.
BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA. ISABELA KRUSCHEWSKY PEDREIRA DA SILVA
Juíza Presidente
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA
2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Num. Processo : 0027498-34.2015.8.05.0001

Classe : RECURSO INOMINADO


Recorrente(s) : SILVIA CONCEICAO DO NASCIMENTO SOUSA
Recorrido(s) : EXTRA CIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO

Origem :
11ª VSJE DO CONSUMIDOR (MATUTINO)
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

ACÓRDÃO

Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e


Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, MARIA AUXILIADORA
SOBRAL LEITE – Relatora , CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ e
ISABELA KRUSCHEWSKY PEDREIRA DA SILVA, Presidente, em proferir a seguinte
decisão: RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. de acordo com a ata do julgamento.
Sem custas processuais e honorários advocatícios, por ser a parte beneficiária da justiça
gratuita.
Salvador, Sala das Sessões, 21 de Julho de 2016

Bela. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE


Juíza Relatora
Bela. ISABELA KRUSCHEWSKY PEDREIRA DA SILVA
Juíza Relatora