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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Processo Nº. : 0095962-13.2015.8.05.0001
Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : VILMA BARBOSA FERREIRA
Recorrido(s) : PINHEIRO VIAGENS E TURISMO
PULLMANTUR CRUZEIROS DO BRASIL LTDA
Origem : 13ª VSJE DO CONSUMIDOR (MATUTINO)

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

VOTO- E M E N T A

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. AÇÃO INDENIZATÓRIOA POR DANOS


MORAIS. PACOTE TURÍSTICO. CRUZEIRO. ATRASO NO EMBARQUE POR
TEMPO EXCESSIVO. FALTA DE ORGANIZAÇÃO. TRANSTORNOS CAUSADOS.
RÉU QUE NÃO APRESENTA CAUSA QUE JUSTIFIQUE O ATRASO. FALHA NA
PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DANOS MORAIS
CONFIGURADOS. QUANTUM ARBITRADO DE ACORDO COM PARÂMETROS DA
RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SENTENÇA MANTIDA.

1. Trata-se de recurso inominado interposto contra sentença que julgou


parcialmente procedente os pedidos formulados na exordial, nestes termos: “Isto
Posto:a) Homologo, por sentença, o pedido de desistência formulado pela parte autora em relação
a PINHEIRO VIAGENS E TURISMO, e, apenas quanto a esta, julgo extinto o processo, sem
apreciação do mérito, na forma do art. 485, VIII do CPC.b) Em relação a PULLMANTUR
CRUZEIROS DO BRASIL LTDA, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos da
inicial, e condeno a acionada no pagamento à parte autora de indenização a título de danos
morais, no valor de R$2.000,00(dois mil reais), acrescido de juros de 1% (um por cento) ao mês e
correção monetária pelo INPC a partir da citação.”
2. A recorrente busca a reforma da sentença , insurgindo-se no tocante ao
quantum condenatório arbitrado a título de danos morais, por entendê-lo
insuficiente para recompor o dano causado.
3. A sentença recorrida não merece reforma. A demonstração do fato básico
para o acolhimento da pretensão é ônus do autor, segundo o entendimento do art.
373, inciso I, do NCPC, partindo daí a análise dos pressupostos da ocorrência da
falha na prestação dos serviços alegada, recaindo sobre o réu o ônus da prova
negativa do fato, segundo o inciso II do mesmo artigo supracitado.

4. Em que pese o quanto alegado pelo réu, não consta dos


autos a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da parte autora.
A sentença impugnada reconheceu a hipossuficiência do recorrido, aplicando ao
caso em tela a inversão do ônus da prova, em decorrência da verossimilhança das
alegações da parte autora, aliado ao fato do banco recorrente não ter juntado
provas suficientes para impugnar o quanto alegado na peça exordial.

5. A demonstração do fato básico para o acolhimento da pretensão é


ônus do autor, segundo o entendimento do art. 373, inciso I do CPC, partindo daí a
análise dos pressupostos da ocorrência de indenização por danos morais, recaindo
sobre o réu o ônus da prova negativa do fato, segundo o inciso II do mesmo artigo
supracitado.

6. No caso em tela, restara patente a falha na prestação do


serviço por parte dos réus, na medida em que, diante da narrativa fática promovida
pela parte autora, dando conta da má prestação do serviço fornecido pela ré,
consistente no atraso do embarque para viagem, programado para ocorrer às
08:00 hs, todavia somente ocorrera às 16:00, denotando atraso que no caso
concreto ultrapassou o limite do razoável, e gerou frustração e desapontamento,
diante da legítima expectativa nutrida pela parte acionante de usufruir do serviço
nos termos no planejamento proposto pela ré. Alegações genéricas de falta de
estrutura portuária não são suficientes para eximir a empresa ré de sua
responsabilidade, estando tais fatos dentro do campo de previsibilidade da
atividade empresarial.

7. As provas colacionadas no evento 01 corroboram com as alegações


contidas na exordial , em especial as fotos, documentos e reportagem juntadas,
indicando portanto ter havido má prestação do serviço prestado pela ré.

O art. 14 do CDC, dispondo sobre a responsabilização do fornecedor pelo


fato do produto ou serviço, preleciona que:
“Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da
existência de culpa pela reparação dos danos causados aos consumidores por
defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações
insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.”
8. Discutindo-se a prestação defeituosa de serviço, incide a responsabilidade
civil objetiva inerente ao próprio risco da atividade econômica, consagrada no art.
14, caput, do CDC, que impõe ao fornecedor o ônus de provar causa legal
excludente (§ 3º do art. 14), algo que o recorrente não se desincumbiu.
Neste sentido tem sido pacifico o entendimento de nossos tribunais:
“A simplificação de procedimentos para agilização da atividade
econômica, em prejuízo da segurança, é risco assumido pela
empresa para bem exercer sua atividade de fins lucrativos. Se houve
falha nesse procedimento, advindo dano à vítima, esta não pode ser
responsabilizada, mas a própria empresa, que assumiu o risco de
sua ocorrência ao exercer a atividade econômica”. (TAPR – AC
0244359-0 – (209920) – Foz do Iguaçu – 6ª C.Cív. – Rel. Juiz Luiz
Carlos Gabardo – DJPR 20.08.2004).
9. Desta feita, restando plenamente configurada a responsabilidade objetiva no
caso em comento, agiu com acerto o magistrado sentenciante ao determinar a
indenização pelos danos materiais sofridos pelo autor.
10. O conjunto probatório demonstrou cabalmente a ocorrência do dano moral
que muito mais que aborrecimento e contratempo, resultou em situação que por
certo lhe trouxe intranqüilidade e sofrimento, configurando o dano moral, em razão
exclusivamente da conduta do recorrente.

11. No particular, o prudente arbítrio do magistrado exige não deva ser


considerada, apenas, a situação econômica do causador do dano, porque, se tal
for o critério, resvalar-se-á para o extremo oposto, com amplas possibilidades de
propiciar ao ofendido o enriquecimento sem causa. Há que se atender, porém, e
também com moderação, ao efeito inibidor da atitude repugnada.
12. O valor da indenização fixado pelo juiz sentenciante, a título de danos
morais, guarda compatibilidade com o comportamento do recorrente e com a
repercussão do fato na esfera pessoal da vítima e, ainda, está em harmonia com
os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser mantido.
13. Assim sendo, ante ao exposto, voto no sentido de CONHECER DO
RECURSO INTERPOSTO E NEGO-LHE PROVIMENTO, para manter a sentença
objurgada pelos próprios fundamentos. Sem custas processuais e
honorários advocatícios, por ser a parte beneficiária da justiça gratuita.
Salvador, Sala das Sessões, 23 de Fevereiro de 2016.
BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo Nº. : 0095962-13.2015.8.05.0001


Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : VILMA BARBOSA FERREIRA
Recorrido(s) : PINHEIRO VIAGENS E TURISMO
PULLMANTUR CRUZEIROS DO BRASIL LTDA
Origem : 13ª VSJE DO CONSUMIDOR (MATUTINO)

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

ACÓRDÃO
Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais
Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CÉLIA MARIA
CARDOZO DOS REIS QUEIROZ –Presidente, MARIA AUXILIADORA SOBRAL
LEITE – Relatora e ALBÊNIO LIMA DA SILVA HONÓRIO, em proferir a seguinte
decisão: RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO . UNÂNIME, de acordo com a ata
do julgamento. Sem custas processuais e honorários advocatícios, ser a parte
beneficiária da justiça gratuita.
Salvador, Sala das Sessões, 23 de Fevereiro de 2016.
BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente