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1.

INVESTIMENTOS INICIAIS

Investimentos iniciais é como são denominadas as quantidades


pecuniárias necessárias para abertura das operações de um empreendimento.
Os investimentos iniciais compreendem os dispêndios com máquinas,
equipamentos, móveis, aquisição do imóvel, utensílios para operação, utensílios
para reforma e investimentos com honorários dos funcionários responsáveis pela
reforma.
No caso de uma empresa não constituída, os gastos pré-operacionais
podem continuar acontecendo ao longo dos anos quando houver necessidade,
tendo em vista que todos os bens duráveis têm prazo de depreciação.
Para melhor identificação dos respectivos desembolsos as análises
realizadas foram divididas nos seguintes macrotópicos: 1. Investimentos em
Ativos no Ano 0; 2. Investimentos no Ano 0; 3. Gastos Pré-Operacionais.

1. Investimento em Ativos no Ano 0

Investimentos são gastos realizados em função de benefícios futuros ou


em razão da vida útil do bem ou serviço. Com base nas informações trazidas
pelo cliente, os ativos necessários foram orçados e seus valores somados, para
que se possa observar o montante que deverá ser utilizado para arcar com os
Ativos necessários ao Amazônia no Ano 0, isto é, o momento anterior ao ano
inicial das suas operações. A tabela a seguir discrimina tais investimentos a
serem realizados no Ano 0:
A equipe do projeto, através de pesquisas e de estudos com a
concorrência, definiu quais utensílios seriam imprescindíveis para que o
Amazônia fosse aberto com sucesso, de modo a evitar a falta de materiais
importantes para a confecção de seus produtos. Dessa forma, o total dos
investimentos em ativos foi orçado em R$ 48,243.68
2. Investimentos no Ano 0

Além dos investimentos em ativos, é importante orçar o montante


necessário para manter as operações do empreendimento de forma saudável,
ou seja, o capital de giro. A necessidade de capital de giro foi calculada no
macrotópico Necessidade de capital de giro.

É importante ressaltar que o capital de giro referente ao ano 1 é


financiado antes de a empresa começar a operar, ou seja, no ano 0.

3. Gastos Pré-Operacionais

Os Gastos Pré-Operacionais são os que ocorrem mesmo que a empresa


ainda não esteja funcionando, podendo se referir aos recursos que são aplicados
para a abertura do empreendimento. Tais gastos podem ocorrer em duas fases
da atividade empresarial: antes do início das atividades da organização e,
posteriormente, pela implantação de novos projetos. A tabela a seguir
discrimina todos os gastos que existirão antes do início das operações do
Amazônia:

No que diz respeito ao estabelecimento físico do Amazônia, a Reforma


do ambiente foi cotada em R$ 13.300,00, o aluguel em 8.000,00, o projeto
arquitetônico em R$6.000,00, e os gastos para abrir uma empresa em R$ 850,00.
Em relação ao e-commerce do empreendimento, foi orçado R$ 3.500,00 para a
criação do site, incluindo a configuração da loja virtual e integração com
sistema de CRM1 (orçamento realizado no Saiteria2), fora cotado também R$
236,88 para domínio e hospedagem do site. (orçamento feito na hostgator 3) e
R$ 4.990,00 para criação completa da identidade visual (cotado no ID7 4). Além
desses, pode também ser observado os gastos com a abertura da empresa (R$
850,00) e o gasto com a consultoria da Empresa Jr ADM UFBA (R$ 3900,00).
Com base na soma dos valores apresentados acima com os valores
referentes aos Investimentos em Ativos no Ano 0 e Investimentos no Ano 0,
encontra-se o Total de Investimento Inicial necessário para que as operações
do Amazônia sejam iniciadas:

Portanto, o valor total referente à soma dos Gastos Pré-operacionais (R$


46,540.00) mais os Investimentos no Ano 0 (R$ 48,243.68) e os Investimentos no
Ano 0 (R$ 47,530.77) é de R$ 142,314.45

1
É uma abordagem que coloca o cliente como principal foco dos processos de negócio, com o
intuito de perceber e antecipar suas necessidades, para então atendê-los da melhor forma
possível.
2
www.saiteria.com.br/
3
hostgator.com.br
4
id7.com.br
2. ESTRUTURA DE CUSTOS

Para que um gestor possa administrar uma empresa da melhor forma, é


importante que seus gastos estejam estruturados. Essa organização possibilita
que ele visualize os custos e as despesas do negócio, de forma que eles possam
ser controlados, além poder identificar a rentabilidade de cada produto da
empresa individualmente. Esses dados são importantes para que o gestor tenha
um embasamento financeiro para tomar as melhores decisões estruturais para
a empresa.
Para classificar os gastos da empresa nos sistemas de custeio, é
necessário identificar a atividade fim desta. Dessa forma, todos os gastos que
estiverem relacionados à execução da atividade da empresa serão classificados
como Custos. Os demais, que servirem apenas como suporte a essa atividade,
serão classificados como Despesas.
É de fundamental importância explicar alguns conceitos que serão
utilizados ao longo do relatório como Custos, Despesas, Desembolsos, Gasto,
Perda e Investimento.
Abaixo, segue a explicação de alguns desses termos:
• Gastos: Toda e qualquer compra de produto ou utilização de serviço
que provoque sacrifício financeiro;
• Desembolso: Pagamento efetivo resultante da aquisição de bem ou
serviço;
• Investimento: Gasto realizado em função de benefícios futuros, ou
em função da vida útil do bem ou serviço.
• Custo: Gasto relativo à um bem ou serviço utilizado na atividade fim
da empresa.
• Despesa: Gasto relativo à um bem ou serviço não utilizado na
atividade fim da empresa, mas que serve de suporte à mesma.
Geralmente representa um esforço para a obtenção de receita.
• Perda: Bem ou serviço consumido de forma anormal e involuntária,
como no caso de um incêndio, por exemplo.
Existem duas opções de sistemas de custeio que podem ser utilizadas
para organizar as finanças de uma empresa: o custeio por absorção e o variável.
Para entendê-los, é importante saber a diferença entre custos e despesas; os
custos são diretamente ligados a atividade fim da empresa, enquanto quando
se trata de despesas, essa relação é indireta (um exemplo de despesa seria a
equipe de limpeza, gasto que não é necessário para a venda do açaí em si mas
se faz indispensável no negócio).
O método de custeio variável será utilizado pelo Amazônia, por ser mais
recomendado para fazer projeções futuras, já que nele, os gastos variam de
acordo com a demanda que está sendo projetada. Mais especificamente, o
custeio variável divide tanto os custos quanto as despesas entre fixos - que não
sofrem alterações independente da quantidade produzida, e os variáveis – que
mudam proporcionalmente a quantidade demandada.
Esse método também oferece o insumo da Margem de Contribuição 5, que
pode ser usada no Amazônia para analisar qual a influência de cada produto
vendido para a receita do estabelecimento, ajudando a decidir quais deles
valem a pena de serem mantidos, e quais podem ser retirados do cardápio.

1. Sistema de Custeio Variável

Como já explicado anteriormente, no Sistema de Custeio Variável, os


gastos são divididos em custos fixos, custos variáveis, despesas fixas e despesas
variáveis. As despesas financeiras devem ser classificadas na estrutura de custos
como uma categoria a parte, já que são despesas que não estão ligadas às
operações da empresa. A tabela abaixo representa a estrutura de custos do
Amazônia, baseada nesse método:

5
Margem de Contribuição é quantia em dinheiro que sobra do preço de venda de um produto,
serviço ou mercadoria após retirar o valor do gasto variável unitário, este composto por custo
variável unitário e despesas variáveis. Tal quantia é que irá garantir a cobertura dos gastos
fixos e gerando lucro, após a empresa ter atingido o Ponto de equilíbrio, ou ponto crítico de
vendas (Break-even-point).
Alguns gastos do Amazônia serão explicados abaixo, a fim de facilitar a
compreensão da alocação das respectivas contas:
• Custos Fixos: Os salários e encargos dos funcionários e as contas de
telefone, internet e energia foram considerados custos fixos, visto que
não variam de forma proporcional ao faturamento e estão diretamente
relacionados com a atividade-fim da empresa, que no caso é a
comercialização de açaí. Apesar de não serem completamente imunes
à variações, esse custos não variam na mesma proporção das vendas e,
sendo assim, são considerados fixos.
• Despesas Fixas: No caso do Amazônia, as despesas que se
enquadram nessa categoria são: Conta de água, dedetização do local,
materiais para o restaurante, materiais para o escritório, materiais de
limpeza, salário e encargos do auxiliar de limpeza, manutenção,
aplicativo de gestão, aluguel do espaço físico, marketing, publicidade
e gerenciamento do site, contador, retirada pró-labore, taxa de ECAD
(direitos autorais). São considerados fixos por não variarem
proporcionalmente à variação da receita da empresa. Estas despesas
são utilizadas para suporte das funções administrativas da organização.
• Custos Variáveis: Os custos variáveis do Amazônia são os montantes
despendidos para onerar os fornecedores de alimentos e bebidas e
adquirir as embalagens utilizadas. Nesse caso, os custos variam
proporcionalmente à quantidade de produtos comercializados, ou seja,
são considerados variáveis.
• Despesas Variáveis: As despesas variáveis do Amazônia são as taxas
com cartão de crédito e débito. Tais gastos foram considerados como
despesas variáveis por não variarem de acordo com a demanda das
vendas de hambúrguer e não estarem diretamente associadas com a
produção.
• Despesas Financeiras: São classificados como despesas financeiras,
o despêndios referentes à financiamentos, amortizações e tarifas
bancárias. Importante ressaltar que, por motivos contábeis, a dedução
desta conta ocorre após a operação do Lucro Antes dos Juros e Imposto
de Renda (LAJIR). Contudo, para fins de análise financeira, serão
deduzidos os juros e amortizações entre o fluxo de caixa livre para
empresa (FCLE) e fluxo de caixa livre para os sócios (FCLS) de forma
que facilite o cálculo de alguns indicadores que serão explicados
posteriormente neste relatório.
3. ANÁLISE TRIBUTÁRIA

Nesse macrotópico será analisado em qual regime de tributação o


Amazônia deve se enquadrar, após isso serão listados os tributos e alíquotas de
tal regime. Se adequar tributariamente de forma correta é imprescindível para
a saúde financeira da organização, visto que através disso é possível fazer com
que o empreendimento seja menos onerado com impostos. Além disso, o
enquadramento incorreto do regime de tributação pode, em alguns, casos,
gerar a cobrança de multas.
O primeiro passo de uma análise tributária é a classificação do core
business do empreendimento de acordo com a CNAE (Classificação Nacional de
Atividades Econômicas). Segundo o IBGE, o Amazônia se enquadra na
classificação de lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares (Código 5611-
2/03).
Existem 3 regimes de tributação: SIMPLES Nacional, Lucro Presumido e
Lucro Real. A seguir serão explicados, de forma breve, o Lucro Presumido e o
Lucro Real, e, de forma mais detalhada, o SIMPLES Nacional, visto que, como
será visto logo abaixo, é o regime mais adequado para o Amazônia.

1. Simples Nacional

O Sistema Integrado de Impostos e Contribuições de Microempresas e


Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) é um regime tributário simplificado por
ser apenas alíquota única que infere somente uma vez, como um pacote de
impostos, e é favorecido por geralmente possuir alíquotas menores do que os
outros regimes tributários, sendo mais comumente usado por micro e pequenas
empresas.
As organizações que se enquadram pelo Simples Nacional não pagam nem
PIS, COFINS, e alguns outros impostos, que pagaria em outros regimes.
Conforme previsto na Lei Complementar nº 139, de 10/11/201178 com
acréscimos da Resolução nº 94 de 29/11/2011, as empresas que se enquadram
no Simples Nacional são aquelas que apresentam receita bruta anual de até R$
360.000,00 para Microempresas e de R$ 360.000,00 a R$ 3.600.000,00 para
Empresas de Pequeno Porte (EPP).
O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento
único de arrecadação dos seguintes tributos:

Para determinação da alíquota, o gestor irá utilizar a receita bruta


acumulada nos últimos 12 meses anteriores ao período de apuração. No caso de
novos empreendimentos, como o Amazônia, não existe base histórica do
faturamento. Desta forma, a apuração do regime de tributação referente a
organização se dá por meio de projeções.
De acordo com a CNAE em que se enquadra o Amazônia, a organização
não precisa recolher os Impostos de Serviços (ISS) – pois não realiza nenhum
tipo de serviço - fazendo que só seja inferido o ICMS, que se refere à circulação
de mercadorias.
Segue abaixo a tabela de alíquotas do SIMPLES Nacional:
Assim, pode-se observar que as alíquotas incidentes no Simples Nacional
variam entre 4% a 11,61% sobre o faturamento bruto do empreendimento. Segue
abaixo uma tabela com os pontos mínimos e máximos do faturamento do
Amazônia:

Pode-se perceber então que o faturamento do Amazônia varia de R$


1,288,166.00 à R$ 2,574,310.33. Desta forma as alíquotas que inferem no
faturamento da organização variam de 8,45% a 10,32%.
Conclui-se que, enquanto que o faturamento não ultrapassar o teto do
Simples Nacional, este será o regime mais indicado para o Amazônia.

2. Lucro Presumido

De acordo com as leis brasileiras, quando o faturamento da organização


ultrapassa o montante de R$ 3.600.000,00, a tributação é reconfigurada de
SIMPLES Nacional para Lucro Presumido.
Ao contrário do Simples Nacional, no Lucro Presumido os impostos
inferem separadamente, entre estes estão o Cofins (3%), PIS (0,65%), IRPJ
(1,2%) e CSLL (0,72%). Estes incidem diretamente sobre o faturamento
trimestral. Já o ICMS (10%) é o único que é diretamente ligado ao faturamento
anual. A contribuição patronal (20%) incide na folha de pagamento de salários
da organização.
Portanto, o Lucro Presumido é com base no que a empresa espera lucrar,
de acordo com a base histórica ou com outra forma de projeção, assim se o
faturamento for superior ao presumido o empreendimento pagará menos
impostos. Desta mesma forma, se o lucro for menor que o presumido, a empresa
irá pagar as alíquotas referentes ao projetado. Isso torna a análise tributária
algo de suma importância para o futuro da organização.
3. Lucro Real

O lucro real é o terceiro regime tributário brasileiro. Este regime se


divide em duas formas: anual por estimativa ou trimestral.

3.1. Lucro Real Anual por Estimativa

Neste regime podem ser recolhidos os tributos de forma mensal, a


depender do faturamento e do lucro estipulado pelo governo. Este
enquadramento pode fazer com que a empresa diminua significativamente o
pagamento de tributos ou até mesmo interrompa o pagamento dos mesmos caso
o valor acumulado exceda o valor do imposto que realmente é devido. Nesse
tipo de ocasião, o governo é obrigado a restituir a empresa.
O risco desse regime consiste no fato de suas alíquotas serem
significativamente maiores que as demais. Portanto, enquanto for possível
enquadrar a organização em outros regimes tributários, é importante que isso
seja feito.

3.2. Lucro Real Trimestral

A diferença desses regimes é basicamente a periodicidade do


recolhimento dos impostos. O cálculo do Imposto de Renda sobre Pessoa
Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido tem como base o balanço
patrimonial6 da empresa.
O Lucro Real Trimestral pode ser uma boa alternativa para empresas que
utilizam balanços, e que possuem picos de faturamento e lucros mais
constantes. Da mesma forma, se a empresa pagar mais impostos do que o
necessário, cabe ao governo o ressarcimento do excedente despendido.
Esta forma de tributação não seria a ideal para o Amazônia, devido ao
fato de que apesar de não haver risco de pagar impostos de forma
desnecessária, esse regime tem as mais altas alíquotas em comparação com os
outros.

6
Balanço Patrimonial é a demonstração contábil destinada a evidenciar, qualitativa e
quantitativamente, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da Entidade.
4. TERMOS PARA VIABILIDADE FINANCEIRA

A Empresa Júnior Associação Civil foi contratada pelos idealizadores do


projeto Amazônia para atestar a viabilidade financeira do projeto. Cabe
colocar que este laudo não tem o objetivo de ser a única base para avaliação
da viabilidade, podendo-se utilizar de outras formas para atestá-la. Assim, este
relatório não possui a intenção de conter toda a informação necessária para tal
e sim traçar indícios da viabilidade do negócio.
A Empresa JR. ADM UFBA não garante a exatidão ou integridade do laudo
ora apresentado. Na realização deste trabalho, a Empresa JR. ADM UFBA não
conduziu qualquer avaliação ou análise independente de quaisquer informações
financeiras ou contábeis idealizadas para o Amazônia ou de empresas similares
utilizadas nas projeções, tendo assumido como exatas e verdadeiras as
informações obtidas de fontes públicas e aquelas fornecidas pelos idealizadores
do negócio. Portanto, nada contido nesta apresentação é ou deverá ser
considerado como promessa ou garantia quanto ao futuro.
As estimativas, avaliações e projeções contidas neste documento foram
preparadas sob a responsabilidade dos idealizadores do projeto, objeto do
laudo de viabilidade financeira, sem qualquer verificação independente pela
Empresa JR. ADM UFBA. Vale ressaltar que qualquer modificação ou não
realização das premissas utilizadas poderá alterar significativamente a
viabilidade do negócio.
As projeções apresentadas envolvem várias e significativas premissas de
caráter subjetivo, as quais podem ou não se concretizar. A Empresa JR. ADM
UFBA não faz ou fará qualquer declaração, implícita ou explícita, quanto à
exatidão ou viabilidade de tais avaliações, estimativas e/ou projeções.
A Empresa JR. ADM UFBA declara não ter conflito ou comunhão de
interesses, atual ou potencial, com os sócios controladores ou minoritários do
Amazônia, tampouco no tocante das unidades de negócios envolvidas.
5. ESTUDO DO FINANCIAMENTO
Essa etapa objetiva analisar opções de subsídios bancários para micro e
pequenos empresários que buscam soluções financeiras para investir na
implantação, ampliação e modernização do empreendimento. Após traçadas,
as análises servirão para auxiliar a definição da forma de financiamento mais
adequada para a realidade em que o Amazônia se inserirá.
As consequências de uma decisão incorreta no que diz respeito às formas
de financiamento são, principalmente, altas taxas de juros, altas garantias
exigidas e alto valor final total a ser pago pelo empréstimo.
Existem diversas linhas de financiamento que variam de acordo com a
especificidade do negócio e a quantia que se deseja financiar. Além disso, o
valor a ser subsidiado depende da instituição ou agência de fomento que irá
disponibilizar os recursos financeiros.

1. Avaliação da Instituição Financeira

De maneira geral, os bancos realizam uma avaliação de 6 etapas com os


clientes para a aprovação de crédito. São elas: 1.1. Caráter; 1.2. Capital; 1.3.
Capacidade; 1.4. Condições; 1.5. Conglomerado; 1.6. Colateral.

1.1. Caráter

Consiste na busca, por parte do banco, de informações sobre o cliente.


Experiências anteriores com crédito e suas restrições são rastreadas nessa
etapa. Também é realizada uma pesquisa no SPC/SERASA para identificar se o
cliente já teve algum problema com pagamento de dívidas ou se possui alguma
obrigação em aberto. O banco também busca identificar todas as pessoas
envolvidas nas transações, para verificar possíveis casos de desonestidade e
assim, garantir a idoneidade das movimentações.

1.2. Capital

Essa etapa é subdividida em duas: 1.2.1. Aporte de Recursos; 1.2.2.


Endividamento. A seguir serão explicados os seus respectivos detalhes:
1.2.1. Aporte de Recursos

Focado na verificação da capacidade da qual o cliente dispõe para


investir recursos próprios no empreendimento em momentos de crise e
oscilações de mercado.

1.2.2. Endividamento

Analisa o caso em que o cliente não dispõe de recursos próprios para


serem investidos no empreendimento em caso de oscilações do mercado, o que
acabaria por acarretar na realização de novos empréstimos por parte do
mesmo.
Dessa forma, cabe à instituição financeira, avaliar o perfil do empresário
no que diz respeito à sua disponibilidade de capital, detectando o potencial
risco de o empreendedor necessitar de novos empréstimos diante de ocasiões
inesperadas.

1.3. Capacidade

O critério de Capacidade está relacionado à viabilidade do negócio. Ou


seja, se o empreendimento tem capacidade de gerar VPL positivo ou uma TIR
positiva. É analisado também o estudo do funcionamento da organização que
irá impactar nas receitas e despesas do empreendimento, além do ciclo
financeiro deste.

1.4. Condição

Nesta etapa a instituição financeira se encarrega de analisar os aspectos


mercadológicos, ou seja, relacionados a: concorrentes; fornecedores e
potenciais clientes do empreendimento em questão. Durante essa etapa é
analisado o SWOT - Strengths (Forças); Weakness (Fraquezas); Opportunities
(Oportunidades) e Threats (Ameaças) da organização solicitante do
financiamento. O objetivo dessa análise é identificar as condições de mercado
que o cliente enfrentará ao montar o novo empreendimento, ou seja, fatores
como concorrência do mercado e diferenciais competitivos do cliente, por
exemplo.
1.5. Conglomerado

Essa etapa tem como objetivo identificar se a empresa solicitante do


financiamento faz parte de algum grupo ou conglomerado de empresas. Essa
medida tem a função de detectar possíveis fraudes, visto que, a empresa
solicitante pode aparentar ter condições de arcar com o financiamento mas na
verdade o dinheiro é destinado para uma outra empresa que não dispõe das
mesmas condições, o que acabaria por gerar inadimplência e perdas para a
instituição financeira.

1.6. Colateral

São exigidas garantias reais, como imóveis ou bens pertencentes à


empresa, ou garantias pessoais, cauções que o sócio ou o fiador do empréstimo
se responsabiliza em arcar na ocasião de inadimplência do financiamento.
Importante lembrar que, é necessário a assinatura de um contrato de
garantia por uma pessoa física (sócio), para que, em caso de inadimplência, o
banco tenha poder suficiente para realizar os trâmites jurídicos necessários
para lidar com a falta de pagamento. A política de garantias tem como base as
determinações dos Acordos de Basileia, como objetivo de garantir a seguridade
do sistema financeiro.
Dessa forma, existem algumas modalidades de crédito disponíveis para
pessoas jurídicas e realizados por algumas agências de fomento.

2. Modalidades de Crédito

2.1. Capital de Giro

Capital de Giro são os recursos necessários para realização e manutenção


das operações de uma organização, como, por exemplo, aquisição de
mercadorias, matérias primas, formação e reposição de estoques e despesas
administrativas. Dessa forma, essa linha de crédito é direcionada justamente à
manutenção do capital de giro.
É importante ressaltar que, apesar de ser um crédito relativamente fácil
de ser obtido, visto que as empresas não precisam dar satisfação sobre a
finalidade do capital requerido, o financiamento através de capital de giro
geralmente é onde se encontram as maiores taxas de juros.

2.2. Investimentos

Aquisição de máquinas e equipamentos, construção civil, instalações e


montagens, veículos utilitários, móveis, utensílios e outros itens necessários
para o funcionamento da empresa são para onde devem ser direcionado o
capital fornecido por essa modalidade de crédito. Os recursos destinados para
os investimentos fixos, além de apresentarem juros mais baixos, possuem
prazos de amortização maiores.
Vale ressaltar que, salvo nos casos de investimento de capital próprio, a
instituição financeira só fornece o crédito caso a organização solicitante esteja
de acordo com as regulamentações, detenha licença e alvará e cumpra de forma
efetiva com as normas neles exigidas.

2.2.1. Capital Próprio (Bootstraping)

Este caso consiste na criação do empreendimento sem requerer capitais


externos, ou seja, apenas com o capital disponibilizado pelo próprio
idealizador. Apesar de parecer menos arriscado do que as outras opções,
geralmente um erro bastante cometido ao se abrir empreendimentos apenas
com capital próprio é calcular de forma incorreta a necessidade de capital de
giro para manter o negócio em funcionamento até que ocorra o início efetivo
da geração de lucro, o que pode vir a tornar necessário a aquisição de um
empréstimo não planejado no futuro.

2.2.2. Investidor Anjo

Investidores anjos são pessoas com interesse em investir determinada


quantia monetária em troca de uma participação minoritária nas ações da
organização. Geralmente eles não irão compor o corpo executivo da empresa,
atuando apenas como mentores na tentativa de auxiliar os gestores no processo
de tomada de decisão.
Por ser mais indicado para startups e ter a necessidade de convencimento
dos investidores anjos através, principalmente, de eventos dedicados (venture
fórum) a equipe de consultoria julgou que esse não é uma modalidade que entra
em consonância com as características do projeto Amazônia.

2.3. Desenbahia

A Desenbahia é uma agência de fomento do Estado da Bahia, que auxilia


as empresas baianas no desenvolvimento através do fácil acesso ao crédito. Os
créditos são oferecidos para diversos tipos de segmentos como comércio,
serviços, indústria, agronegócio e agroindústria, para o incentivo da cultura,
dentre outros.
Além disso, estes se dividem em Crédito para Capital de Giro,
Investimento Fixo, Inovação e Microcrédito. No caso do Amazônia, será
analisado o financiamento para Investimento Fixo, já que o financiamento para
Capital de Giro requer que a empresa já esteja em operação.

2.3.1. FNE - Micro e Pequenas Empresas

O objetivo desse financiamento é o de fomentar a implantação,


expansão, modernização, reforma e possível relocalização de microempresas,
e empresas de pequeno porte, além de microempreendedores individuais
(MEIs). A classificação do tipo de empresa é estabelecida de acordo com o seu
faturamento bruto:
• Microempresas que possuem faturamento bruto anual de até R$
360.000,00;
• Pequenas empresas que apresentam faturamento bruto anual de
R$360.000,00 até R$3.600.000,00;
• Microempreendedores individuais, definidos na Lei Complementar
139, de 10/11/2011, como empresários individuais que tenham auferido
faturamento bruto anual de até R$60.000,00.
Os beneficiários devem atuar nos setores industriais, mineração,
agroindustrial, turismo, comercial ou prestação de serviços.
São financiáveis itens como:
• Gastos com construção, reformas e ampliação de benfeitorias e
instalações;
• Aquisição de veículos utilitários necessários, de acordo com a
atividade econômica do empreendimento financiado e de máquinas e
equipamentos, podendo a aquisição ser financiada de forma isolada;
• Serviços específicos de consultoria de orientação empresarial;
• Gastos com pesquisa mineral e caracterização de minérios;
• Modernização de máquinas e equipamentos;
• Capital de giro associado ao investimento, exceto para MEIs;
• Gastos com frete para o transporte e/ou com a montagem de
máquinas e equipamentos financiados de forma isolada.
Cabe salientar que, em casos de modernização e transferência de
localização, a Desenbahia pode participar em até 100% do investimento a ser
realizado. No caso de implantação de um negócio, a participação se restringe
em até 70% do investimento necessário, que será o caso do Amazônia.
O prazo de quitação do empréstimo é de até doze anos, podendo obter
uma margem de quatro anos de carência, que é determinada em função do
cronograma físico e financeiro do projeto e da capacidade de pagamento do
beneficiário.
Os encargos financeiros para esse tipo de financiamento variam de
acordo com a natureza dos itens do projeto ou proposta, podendo ser a partir
de:
• 4,12% ao ano para bens de capital7;
• 14,12% ao ano para outros itens;
Além disso, esse financiamento oferece um bônus de adimplência de 15%
sobre os juros, concedido exclusivamente se o mutuário pagar as prestações
(juros e amortizações) até as datas dos respectivos vencimentos.
Dessa forma, é importante que o empreendimento busque realizar seus
pagamentos no prazo determinado, para que seja beneficiado com bônus de
adimplência, reduzindo, consequentemente, o valor dos juros e o dispêndio
monetário.

7
Bens de capital são equipamentos e instalações necessários para a produção de outros bens
ou serviços.
De acordo com a cotação dos valores dos investimentos iniciais do
Amazônia, foi possível realizar uma projeção do financiamento para as
necessidades dos Gestores. O site8 da Desenbahia oferece a possibilidade de
cotação do financiamento por meio do valor necessário para investimento,
conforme mostra a tabela abaixo.

Importante notar que, as parcelas, que inicialmente serão de R$ 4.758,87


tendem a diminuir, como mostra a tabela, por conta da redução do valor dos
juros pagos, uma vez que se trata de um regime de juros compostos. Sendo
assim, esse valor, ao final do prazo de pagamento, é reduzido para R$ 3.883,20.
Além disso, caso os pagamentos ocorram antes do prazo de vencimento, existe
uma redução dos juros.

2.4. Banco do Nordeste

O Banco do Nordeste do Brasil S.A é uma instituição financeira controlada


pelo Governo Federal Brasileiro que dispõe de diversas linhas de crédito, entre
elas uma dedicada à implantação, expansão, modernização e realocalização de
empreendimentos diversos.
Novamente, no caso do Amazônia, será analisado o financiamento para
Investimento Fixo, já que o financiamento para Capital de Giro requer que a
empresa já esteja em operação.
No site do Banco do Nordeste 9 é possível fazer o download de um
simulador em forma de planilha para que, dessa forma, sejam analisadas as
condições do financiamento em questão. Seguem abaixo os dados encontrados:

8
www.desenbahia.ba.gov.br/Creditos/simulador?tipo=projetos-de-investimento
9
www.bnb.gov.br/simuladores
Novamente, por se tratar de um regime de juros compostos, as parcelas
não são fixas, começando em R$4.500,88 e terminando em R$ 3.873,11. Dessa
forma, para o Amazônia, essa se classifica como a linha de financiamento mais
indicada, por apresentar as melhores condições de pagamento e menores juros,
sendo aconselhado que haja pagamento antes do prazo de vencimento, para
que a taxa de incidência dos juros seja ainda menor.
6. PROJEÇÃO DE DEMANDA

Esta etapa tem como objetivo fazer uma projeção embasada de qual
seria a demanda do Amazônia nos primeiros anos, caso o empreendimento seja
aberto. A partir desse resultado, é possível realizar também a projeção do
faturamento desse mesmo período, e construir um fluxo de caixa, que
apresenta as entradas e saídas que compõe a estrutura financeira do negócio.
Essas informações são de extrema importância para que o gestor possa tomar
decisões fundamentadas por dados mais concretos.
Como já citado, para realizar Projeção de Demanda, a equipe do projeto
estabeleceu um horizonte de caixa de cinco anos, ou seja, os resultados
apresentarão os dados numéricos anuais referentes a esse período, sendo os
valores do ano 1 destrinchados mês a mês.
O primeiro método utilizado para a construção dessa etapa é chamado
de Multiatributos. Ele consiste em definir “notas” para cada atributo do
negócio, a partir de uma comparação feita com as empresas concorrentes.

1. Método de Multiatributos

Para executar esse método, no primeiro momento, a equipe do projeto


identificou qual concorrente devia ser utilizado para a comparação, através da
identificação de processos e características semelhantes aos que existiriam no
Amazônia. Em seguida, em alinhamento com o cliente, foram definidos os
atributos a serem analisados, relacionados com sua importância, representada
por um peso.
Após esses passos, foram traçados três possíveis cenários para o
Amazônia, estes sendo os cenários otimista, intermediário e pessimista, a fim
de reduzir os riscos de erros na projeção.
Para comparar os atributos, são definidos valores entre 0 e 2, de maneira
que aqueles que recebem notas abaixo de 1 são considerados como inferiores
aos da concorrência, os que se igualam a 1 são classificados como equivalentes
à concorrência, e os que recebem notas acima de 1 são vistos como superiores.
O cenário Intermediário é utilizado como base, e por isso é nele em que
as notas definidas pela equipe são alocadas. A partir disso, para determinar os
valores dos cenários Otimista e Pessimista, são somados ou subtraídos 0,2
pontos a nota dada no Intermediário, respectivamente.

A influência de cada um desses atributos na visão dos consumidores foi


sondada nos questionários feitos na etapa de Análise de Potenciais Clientes que
faz parte do Relatório Mercadológico. Para melhor entendimento da influência
de cada um desses atributos para o negócio e suas notas definidas pela equipe,
estes serão destrinchados nos próximos tópicos.

1.1. Preço

O preço do açaí foi o atributo definido como o mais importante pelos


consumidores que responderam o questionário. Esse dado é congruente com as
informações sobre a situação econômica do país, apresentadas na etapa de
Análise de Macroambiente, que afirmam que o Brasil está em processo de
recuperação de uma crise, momento em que as pessoas se tornam mais
cautelosas com dinheiro. Por tais razões, a Segmentação, definida para o
Amazônia, foca em oferecer seus produtos para clientes que queiram se
alimentar pelo melhor custo-benefício possível. A nota dada a esse atributo foi
1, já que apesar do ticket médio do concorrente ser mais baixo, o mesmo vende
açaí por quilo, e ao fazer a proporção do preço nas quantidades que serão
vendidas pelo Amazônia, os números ficam bastante semelhantes.

1.2. Sabor

Considerando que os produtos do Amazônia são do ramo alimentício, não


é surpresa que o sabor foi considerado pelos consumidores como um dos
atributos mais importantes, tendo assumido o segundo lugar. Devido a extrema
concorrência identificada na etapa de Análise de Macroambiente, é importante
que o sabor não seja muito inferior ao do concorrente, para ser possível
competir pelo público-alvo. A nota definida para esse atributo foi 0,8, em
consequência do fato de que o concorrente escolhido já tem a reputação de se
destacar através do sabor do produto, e no primeiro momento, o Amazônia
ainda precisará definir a proporção correta de cada ingrediente para fazer o
melhor açaí possível, apesar da boa qualidade destes ingredientes.

1.3. Localização

O quesito de localização se faz imprescindível na hora de atrair e


fidelizar o cliente. Um empreendimento que ofereça um fácil acesso, ou esteja
em um lugar mais perto do local de residência, trabalho ou até passagem, pode
ser decisivo para que o cliente decida frequentar o estabelecimento e não o
concorrente. A nota dada para a localização foi 1, porque os bairros
direcionados para a criação da loja física do Amazônia têm um fluxo intenso de
pessoas, entretanto, o local onde o estabelecimento concorrente está situado
tem essa mesma característica, por estar perto de uma escola, uma área
residencial e de outros empreendimentos comerciais.

1.4. Ambiente

A ambientação da loja física se mostra importante não só por ter obtido


o quarto lugar nos questionários, mas também ao ser definida como um grande
diferencial do Amazônia e ser parte crucial de seu posicionamento. Esse
quesito recebeu a nota 1,2, já que a concorrente escolhida também tem um
ambiente agradável – semelhança que foi um fator decisivo para a escolha da
mesma para ser usada nessa comparação - entretanto, o Amazônia traz um
espaço extremamente inovador em relação ao que já pode ser encontrado na
cidade de Salvador, podendo obter um certo destaque.

1.5. Variedade de Produtos

O aspecto da variedade de produtos deve ser analisado já que é


importante ter opções para poder agradar gostos variados, e como
consequência, uma maior quantidade de consumidores. Entretanto, para uma
maior facilidade de logística e em decorrer da tentativa de evitar precisar de
fornecedores além do próprio dono do empreendimento, o Amazônia terá um
cardápio menos diversificado que o da concorrente (que oferece produtos como
comida japonesa), ficando com a nota 0,6. Vale ressaltar que o cliente pode a
qualquer momento, se achar interessante, mudar seu cardápio, e uma nova
projeção de demanda poderá ser feita.

2. Premissas
A palavra “premissa” se refere a fatores e/ou informações essenciais que
servem de base para um estudo. Assim, as premissas balizadoras da Projeção
de Demanda do projeto Amazônia são: crescimento do setor, sazonalidade no
verão e inserção no mercado.

2.1. Crescimento do Setor

Essa premissa leva em consideração que o crescimento do setor de


alimentação saudável tem influência direta na demanda do Amazônia. Isso
ocorre pois quanto mais popular essa tendência for se tornando, mais
consumidores irão procurar alimentos com características que o açaí oferece.
Para contabilizar esse crescimento, adaptamos, através de uma proporção
matemática, o valor de 34,5% correspondente ao crescimento deste setor nos
próximos cinco anos - informação presente na etapa de Análise do
Macroambiente - para encontrar uma taxa mensal de 0,58%. Dessa forma, ao
inserir essa porcentagem na projeção de demanda, foi possível observar a
influência dessa premissa mês a mês.
2.2. Sazonalidade no Verão

Através de informações adquiridas através da mesma concorrente


utilizada no método de multiatributos, descobrimos que a demanda por açaí
cresce no período do verão/férias escolares. O concorrente infelizmente não
tinha um número definido que correspondesse a esse crescimento, mas após
uma intensa discussão decidimos que uma boa suposição aproximada seria
estipular um aumento de 15% nas vendas dos meses Dezembro, Janeiro e
Fevereiro.

2.3. Inserção no Mercado

A premissa de inserção no mercado indica os impactos que a demanda


sofre por conta de o empreendimento ainda estar sendo inserido e consolidado
no mercado. Para poder contabilizar de forma numérica tal impacto nas vendas
dos primeiros meses, pedimos ao mesmo concorrente citado no tópico anterior
que nos informasse como foi o crescimento de sua empresa até que a demanda
se estabilizasse; a informação que nos foi passada foi de que, do primeiro mês,
quando a loja foi aberta, até a estabilização atingida no sexto mês, a demanda
cresceu 100%. Para conseguirmos encontrar uma taxa mensal, esse valor não
poderia ser simplesmente dividido pela quantidade de meses, já que o
crescimento é exponencial; isso nos direcionou a utilizar uma fórmula de
matemática financeira que nos oferece a porcentagem de crescimento mensal
ao informarmos o prazo em que esse crescimento ocorreu e a porcentagem de
crescimento total. Dessa forma, o crescimento de 100% de Janeiro a Maio foi
representado pelos valores mensais crescentes de 39,39%, 47,46%, 57,18%,
68,89% e 83%; a partir de Junho, quando a demanda se estabilizou, essa
premissa deixou de ser contabilizada.

3. Análise de Demanda

Após a explicação completa do método Multiatributos e das Premissas,


torna-se possível calcular a demanda média do Amazônia. Para isso, a demanda
do mesmo concorrente escolhido anteriormente é utilizada como base, tendo
sido informada para a equipe desse projeto pelo proprietário do
empreendimento. Esse valor é adaptado a realidade do Amazônia uma vez que
seja multiplicado pelo coeficiente encontrado no método de multiatributos e
seja feita a adição ou subtração das variações encontradas através das
premissas.
7. PROJEÇÃO DE FATURAMENTO
A projeção do faturamento corresponde ao cálculo das receitas
esperadas para o empreendimento, sendo este feito para os próximos cinco
anos. Essa receita será obtida a partir da multiplicação da demanda de clientes
que o empreendimento atenderá, pelo Ticket Médio do empreendimento, ou
seja, o valor médio gasto pelo consumidor ao frequentar a organização.

1. Ticket Médio

O Ticket Médio representa a receita das vendas dividida pelo número de


pedidos, isso indica uma estimativa de quanto cada cliente gasta em média em
um empreendimento. No caso de um negócio não constituído como o Amazônia
- já que ainda não se sabe quanto será sua receita - esse valor é estimado
através do Ticket Médio da concorrência, considerando a diferença do preço do
mercado e o que for estipulado para o seu negócio.
Para definir o preço médio do Amazônia, foram considerados alguns
fatores: o Ticket Médio de R$13,00 do mesmo concorrente utilizado no cálculo
da projeção de demanda, a informação obtida através de Benchmarking com
outros concorrentes de qual é a unidade (medida por tamanho) de açaí mais
vendida, além do direcionamento dado na etapa de Análise do Macroambiente
de aumentar um pouco o preço do produto, para que seja possível diminuir o
preço do delivery, passando uma boa impressão para o cliente.
O preço relativamente baixo do Ticket Médio do concorrente ocorre
devido a sua venda ser feita por quilo, assim, o cliente escolhe a quantidade
que deseja; os R$13,00 corresponderiam a uma quantidade de 400 ml de açaí.
Entretanto, os concorrentes que vendem unidades de 300ml, 500ml e 700ml,
como será feito no Amazônia, afirmam que o tamanho mais vendido é o de
500ml. Essa quantidade, no concorrente que vende açaí a quilo, custaria
R$16,95. Ao adicionar uma margem que possibilite a diminuição do preço do
delivery, o Ticket Médio do Amazônia foi definido como R$18,00.
2. Projeção da Receita

A Projeção da Receita foi encontrada através da multiplicação da


demanda, encontrada na projeção feita anteriormente, pelo Ticket Médio do
Amazônia. Vale ressaltar que o mesmo cálculo foi feito para os cenários
pessimista, intermediário e otimista, como mostrado nas tabelas abaixo e
explicitado na Planilha Financeira.

Pode-se observar, na projeção do primeiro ano que foi destrinchada por


meses, a influência das premissas utilizadas na etapa de Projeção de Demanda
na receita, destacando Dezembro como o mês de maior faturamento, devido a
influência da sazonalidade, e de não ter sido alterado pela inserção no
mercado, já que essa só afetou o primeiro semestre.
Já em relação a projeção dos primeiros cinco anos, é importante
destacar, que mesmo no cenário pessimista, todos os anos tem faturamento
acima de um milhão de reais, atingindo a marca de dois milhões e meio no
quinto ano do cenário otimista. Estes números são bastante positivos para as
contas do empreendimento, como será demonstrado na etapa de Projeção do
Fluxo de Caixa.
8. PROJEÇÃO DO FLUXO DE CAIXA

O fluxo de caixa é uma ferramenta utilizada para analisar e controlar a


parte financeira de uma organização. A partir de todas as entradas e saídas de
um período é possível evidenciar as receitas e gastos que fazem alterações no
caixa.
A ferramenta citada utiliza o regime de caixa, esse regime se caracteriza
por considerar apenas o dinheiro que está em caixa, por exemplo, se um
pagamento foi feito a prazo ou se algum cliente fez o pagamento parcelado, a
quantia que entra no fluxo de caixa é somente àquela que já entrou ou que já
saiu do caixa. Utiliza-se desse método para que seja possível analisar as
entradas e saídas que de fato ocorreram. Com isso é possível identificar a
liquidez10, a solvência11, o resultado de caixa e o endividamento da empresa.
Para fazer a projeção do fluxo de caixa do Amazônia foi escolhido o
método indireto, onde o movimento de caixa é calculado a partir da receita
projetada dos primeiros cinco anos. A base desse método é a DRE 12 e a partir
dela alguns ajustes são feitos. Adiciona-se o capital de giro, subitrai os
investimentos e soma os gastos não desembolsáveis, resultando no FCLE (fluxo
de caixa livre para a empresa). Do FCLE são subtraídas as amortizações e juros
provenientes de financiamnetos e empréstimos e são somados os recebimentos
de empréstimos, resultando no FCLS (fluxo de caixa livre para os sócios). Com
esses ajustes é possível analisar se a empresa operacionalmente é viável, se ela
consegue suprir as suas necessidades, e analisar se existe endividamento
relacionado a capital de terceiros.
A DRE entrega insumos muito importantes no quesito rentabilidade das
operações da empresa. A partir da receita bruta é feita uma dedução de
impostos relacionados à venda, o que resultará na receita líquida. Desta serão
abatidos os gastos variáveis, custos e despesas para encontrar a margem de
contribuição, explicitando a rentabilidade da operação.

10
Liquidez é a capacidade que uma empresa tem de transformar seus ativos em capital.
11
Solvência é a capacidade que uma empresa tem de pagar suas dívidas
12
Ferramenta utilizada para analisar o financeiro de uma empresa pelo método de competência.
Para criar o fluxo de caixa é necessário utilizar alguns insumos já
coletados anteriormente. Serão utilizados dados da estrutura de custos, os
custos e despesas fixos e variáveis serão utilizados para uma melhor organização
e visualização de como esses gastos estão interferindo no saldo final de caixa.
Além disso os faturamentos mensais e anuais já projetados serão a receita bruta
utilizada no início de cada período de análise; já a projeção de demanda, será
utilizada para calcular os gastos variáveis.
Para a projeção do fluxo de caixa do Amazônia, foram levados em
consideração alguns dados que serão listados abaixo:
• Os gastos foram projetados com base nos percentuais e valores
explanados na etapa de Estrutura de Custos;
• As projeções de demanda e custos foram projetadas até o ano 5,
contemplando o ciclo completo de pagamento das amortizações e o
tempo que é possível fazer uma previsão sem que seja uma projeção
empírica.
• Assim como nas projeções de demanda e de faturamento, o fluxo de
caixa será projetado de três cenários: pessimista, intermediário e
otimista.
Seguem abaixo as três projeções do fluxo de caixa:

8.1. Cenário Pessimista


8.2. Cenário Intermediário

8.3. Cenário Otimista

1. Gastos

Os gastos representam o capital que sai do caixa para que o


empreendimento funcione. Este é dividido entre custos e despesas, que serão
destrinchados nos tópicos abaixo.
1.1. Custos

Os custos representam os gastos que estão diretamente ligados com a


produção da atividade fim de uma empresa, sem esses custos não seria possível
oferecer ao cliente o atendimento e os produtos da forma idealizada pelo
Amazônia. Esses custos podem ser classificados como variáveis ou fixos. Os
custos variáveis são aqueles que variam de acordo com a produção, por
exemplo, se a demanda de certo período for alterada o valor do custo também
será alterado. Os fixos são aqueles que independente da quantidade de
demanda eles irão existir e o seu valor não se altera.
No fluxo de caixa projetado para o Amazônia os únicos custos variáveis
são as embalagens e os fornecedores, ambos estão diretamente ligados à
demanda mensal. Para fazer o cálculo destes valores foram utilizados dados
fornecidos pelos concorrentes na etapa de Análise de Concorrentes. Em relação
às embalagens foi indicado pelos concorrentes que o valor correspondia a 10%
da demanda do período. Quanto aos fornecedores, foi feita uma regra de três
com base na demanda e no valor gasto mensalmente com o concorrente de
características mais próximas ao Amazônia.

Os custos fixos foram projetados sem levar em consideração que os


valores podem ser alterados por conta da inflação durante os cinco anos, fazer
esta alteração deixaria a projeção muito empírica por ser muito difícil prever
uma porcentagem para esta variação.
Para o Amazônia foram considerados custos fixos a hospedagem e a
manutenção do site, uma vez que o empreendimento fará uso de um e-
commerce para realizar o delivery, o site se torna imprescindível para a
realização do pedido para entrega. Os valores foram definidos com base nos
sites Hostgator e Saiteria. Os salários e encargos dos funcionários é outro custo
fixo, sendo estes indispensáveis para o funcionamento do Amazônia, estes
valores foram calculados com base nas definições da CLT 13. Os custos com

13
http://www.calculador.com.br/calculo/custo-funcionario-empresa
energia foram considerados como fixos porque o açaí precisa ser batido no
liquidificador e a tapioca será feita em uma chapa elétrica, dois
eletrodomésticos que precisam de energia para o seu funcionamento. O valor
para esse custo foi definido com base nas informações recolhidas na etapa de
Análise de Concorrentes/Benchmarking. Por fim a internet e o telefone foram
considerados custos fixos por estarem diretamente ligados ao funcionamento
de um sistema delivery, o valor foi projetado com base no combo mais básico
da NET.

1.2. Despesas

As despesas representam os gastos que não estão diretamente ligados à


produção da atividade fim, mas são importantes para o bom funcionamento do
Amazônia. Dentro das despesas constam atividades como o salário de um
auxiliar de limpeza, este não está diretamente ligado à venda dos produtos,
entretanto servem como suporte ao empreendimento. As despesas assim como
os custos são divididas em fixas e variáveis.

Para o Amazônia a única despesa variável são as taxas de cartão de


crédito que variam de acordo com a quantidade de clientes que utilizam a
máquina de cartão de crédito. Segundo os concorrentes 70% das compras são
pagas com cartão. Para calcular o valor, foram utilizadas as taxas da máquina
PagSeguro por ter um maior custo beneficio. Cada compra no cartão de crédito
tem uma taxa de 3,19% sobre o valor, no débito, a taxa é de 2,39%. Em relação
a quantidade de compras feitas no débito e no crédito foram utilizados como
base os dados fornecidos pelo site G114.

14
http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/02/compras-com-cartoes-de-credito-e-de-
debito-cresceram-9-no-brasil.html
As despesas fixas são aquelas que não variam de acordo com a demanda
do período. Alguns desses valores foram coletados durante a etapa de Analise
de Concorrentes/Benchmarking entre eles estão: água, contador, materiais de
limpeza, materiais de escritório e manutenção.
O valor relacionado à publicidade do Amazônia, cuidar do
gerenciamento do site e do marketing digital foi orçado com a empresa Revo
Marketing. Empresa que fará toda a gestão da parte digital da empresa.
Quanto à gestão do negócio e do estoque foi orçado um aplicativo no site
GestãoClick15. Este facilitará registrar as vendas, os dados de clientes e ainda
gerir o estoque.
Os salários e encargos dos auxiliares de limpeza e seguranças foram
calculados com base na CLT16. Onde estão inclusos vale transporte e vale
refeição.
O valor do aluguel é referente a uma casa localizada na Pituba que tem uma
estrutura semelhante à que pensada na etapa de Posicionamento. Sendo a
Pituba um dos bairros indicados para abertura da empresa.
Já o pró-labore é o valor que o idealizador do Amazônia receberá por
ser o gestor do negócio. Essa despesa foi calculada com base no salário recebido
por um administrador. Outra despesa fixa é o TFF 17, tarifa paga anualmente à
prefeitura de Salvador, o valor de R$1533,69 só entra no fluxo de caixa

15
https://gestaoclick.com.br/planos
16
http://www.calculador.com.br/calculo/custo-funcionario-empresa
17
https://www.sefaz.salvador.ba.gov.br/Documento/ObterArquivo/1072
anualmente. Por fim o Ecad – Direitos Autorais Musica Ambiente18 representa
o valor pago para poder tocar música na loja física.

2. Lucro Líquido

O lucro líquido representa o resultado da subtração das deduções, dos


custos e das despesas da receita bruta. Este valor arrecadado será utilizado
para remunerar os sócios. O cálculo é feito da seguinte forma:
(+/-) Receita Bruta
(-) Impostos
(=) Receita Líquida
(-) Gastos Variáveis
(=) Margem de Contribuição
(-) Gastos Fixos
(=) Lucro Líquido
A receita bruta do Amazônia foi calculada na Projeção de Faturamento,
dela serão deduzidos os impostos, que nesse caso se refere ao Simples Nacional.
O resultado dessa operação é a receita líquida do período, que subtraindo os
gastos variáveis trará a margem de contribuição. Esta representa a
rentabilidade das operações do Amazônia.

Durante os 5 primeiros anos é possível ver que a margem de contribuição


cresceu, resultado favorável ao empreendimento. Com esta análise não foi
possível identificar a margem de contribuição referente a cada produto
vendido. Isto se deve a falta de informações confiáveis, entretanto, esta análise
pode ser feita após o primeiro ano de funcionamento do Amazônia, sendo
possível analisar qual produto resulta no maior lucro e se existe algum que está
dando prejuízo ao estabelecimento.

18
http://www.ecad.org.br/pt/eu-uso-musica/regulamento-de-
arrecadacao/Documents/Regulamento%20Arrecada%C3%A7%C3%A3o.pdf
Da margem de contribuição são retirados os gatos fixos, resultando no
lucro líquido. A tabela abaixo representa o crescimento do lucro líquido no
cenário intermediário dos 5 primeiros anos.

Nos 5 anos projetados houve um crescimento de R$407.846,92, esse


crescimento de aproximadamente 309% acontece por conta da variação de
demanda que sofre influência das premissas.
Segue tabela para melhor compreensão de quanto o lucro líquido
representa na receita bruta:

2.1. Lucro Líquido Após Retirada dos Sócios

O valor referente ao lucro líquido após retirada dos sócios indica o valor
final depois que o lucro desejado pelos sócios for abatido. No caso do Amazônia
o gestor do projeto deseja um retirar 10% ao mês, tal retirada só é possível por
conta dos bons resultados projetados para o empreendimento. Não é indicado
que os sócios façam retiradas caso o saldo final de caixa fique negativo,
significando que contas ainda precisam ser pagas.

2.2. Fluxo de Caixa Livre Para a Empresa

O fluxo de caixa livre para a empresa (FCLE) representa o valor antes do


pagamento dos juros e amortizações. Esse valor indica se a empresa consegue
se bancar, se as operações realizadas pelo Amazônia são viáveis.
O cálculo do fluxo de caixa livre para a empresa é calculado da seguinte
forma:
(=) Lucro Líquido Após a Retirada dos Sócios
(+) Investimento em Capital de Giro
(-) Investimentos em Ativos
(+) Depreciação
(=) Fluxo de Caixa Livre para a Empresa

Tendo como base o lucro líquido após retirada dos sócios adiciona-se o
valor do capital de giro por ser um montante que entra no caixa da empresa.
Esta quantia é encontrada com base nos prazos médios de pagamento de
fornecedores, recebimento do pagamento de clientes e o tempo médio de
estocagem dos produtos do Amazônia. Além disso, para calcular tal valor é
utilizado o montante gasto com os impostos diários.

O valor referente ao investimento em ativos, calculado na projeção dos


investimentos, é subtraído da conta por ser um investimento que é retirado do
caixa. A outra subtração foi a depreciação, calculada com base no tempo e na
taxa de desvalorização dos ativos não circulantes do Amazônia. Essa quantia
foi adicionada porque como ela não é considerada um gasto, já que não aparece
na parte inicial da projeção.

2.3. Fluxo de Caixa Livre Para os Sócios

O fluxo de caixa livre para os sócios (FCLS) vem a partir do pagamento


de terceiros. Quando esse pagamento é feito é possível saber qual o valor que
dobra para a remuneração dos sócios. É importante saber separar o FCLE do
FCLS, o primeiro atesta a efetividade da empresa, se é possível que ela funcione
independente do pagamento das dívidas externas, já o segundo, indica o quanto
essa operação é viável para os sócios. Caso a empresa tenha muitas dívidas os
sócios estarão endividados, significando que os empréstimos são maiores do que
a capacidade de pagamento do empreendimento. Segue a estrutura dos cálculos
e a tabela:
(=) Fluxo de Caixa Livre para a Empresa
(+) Recebimento de Empréstimos
(-) Pagamento de Empréstimos

A partir da tabela é possível analisar o pagamento e o recebimento dos


empréstimos ao longo dos anos. Este empréstimo será feito por meio do Banco
do Nordeste no valor de R$100.343,11 que vai ser dividido em 24 meses para o
pagamento dessas amortizações. Como visto na etapa de Estudo de
Financiamento.
O resultado do FCLS é o total após o pagamento de todas as dívidas
referentes ao Amazônia. O crescimento do FCLS é proporcional ao crescimento
da demanda do empreendimento, quando as vendas crescem o faturamento é
maior e o valor final também vai aumentar.

2.4. Saldo Final

O saldo final do Amazônia é encontrado a partir da soma do saldo final do


período anterior com o FCLS do período analisado.

Os valores referentes ao saldo final se mostraram positivos para o


empreendimento. Na análise do cenário intermediário a partir do 6º mês o
empreendimento tem um saldo positivo.
9. NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO
Para explicar a finalidade desta etapa, primeiramente torna-se
necessário conceituar o termo Capital de Giro. O mesmo corresponde a um
determinado valor que uma empresa possui para financiar suas operações.
Logo, a etapa de Necessidade de Capital de Giro consiste em determinar o valor
que a organização necessita, com o intuito de bancar suas operações.
O pagamento do fornecedor antes do recebimento dos clientes gera um
gap de caixa no ciclo operacional da empresa, ou seja, a empresa necessita de
um capital para financiar a compra das mercadorias, que será reposto no
momento de recebimento das vendas. Esse período em que se paga ao
fornecedor e se espera o pagamento dos clientes, é denominado de ciclo
financeiro.

1. Cálculo da Necessidade de Capital de Giro (NCG)

O cálculo da NCG depende do tipo de empresa com o qual o consultor


está lidando. Como o Amazônia corresponde a uma empresa do ramo
comercial, o cálculo é realizado a partir das projeções das contas do ativo e
passivo circulante operacional do empreendimento no ano 1. Para realizar o
cálculo, primeiramente é preciso realizar algumas multiplicações:
Após a realização das mesmas, será realizada a subtração do ativo
circulante operacional, que corresponde aos estoques e contas a receber, pelo
passivo circulante operacional, este sendo equivalente aos fornecedores e
impostos a pagar.

+ ACO

-PCO

= NCG

1.1. Cenário Otimista

1.2. Cenário Intermediário


1.3. Cenário Pessimista

A NCG do cenário Otimista é maior do que a dos outros cenários, por


conta da elevada demanda esperada. Com isso, o crescimento das operações
demanda maiores investimentos nos diversos segmentos de estoque, além de
um aumento no valor das vendas diárias, impactando diretamente na
Necessidade de Capital de Giro.

2. Ciclo Financeiro

O pagamento do fornecedor antes do recebimento dos clientes gera um


gap de caixa no ciclo operacional da empresa, ou seja, a empresa necessita de
um capital para financiar a compra das mercadorias, que será reposto no
momento de recebimento das vendas. A esse período em que se paga ao
fornecedor e se espera o pagamento dos clientes, é chamado de ciclo
financeiro.
O cálculo do ciclo financeiro é feito pela soma do prazo médio de
estocagem com o prazo médio de recebimento de vendas, diminuído do
pagamento aos fornecedores. A equipe do projeto achou sensato trabalhar com
um prazo para recebimento de vendas de 21 dias.
Após ter encontrado o período em que o caixa fica descoberto, a equipe
do projeto encontrou o número de ciclos financeiros e qual a Necessidade de
Capital de Giro para cobrir essas operações. Seguem os dados encontrados:

Pode-se perceber então que a quantidade de ciclos financeiro por ano,


considerando o cenário intermediário, é de 12 ciclos (aproximação de 11,6).
10. ANÁLISE DE ÍNDICES FINANCEIROS

A presente etapa tem por objetivo a análise e interpretação dos dados


financeiros obtidos ao longo das etapas anteriores, de forma a auxiliar em
decisões estratégicas para o negócio.
É importante esclarecer que os índices do Amazônia foram calculados
utilizando o Fluxo de Caixa Livre para os Sócios (FCLS), extraído do DFC, que
representa o fluxo de caixa após a amortização de dívidas com terceiros. Caso
os índices calculados sobre o FCLS indiquem inviabilidade, deve-se recorrer ao
Fluxo de Caixa Livre para a Empresa (FCLE), de maneira a separar a viabilidade
financeira da viabilidade operacional do empreendimento.
Foram analisados os seguintes indicadores para o Amazônia: Prazo de
Retorno de Investimento (Payback), Custo Médio Ponderado de Capital (WACC),
Taxa Interna de Retorno (TIR) e Valor Presente Líquido (VPL). Todos os índices
foram nos três cenários estudados para o projeto: Otimista, Intermediário e
Pessimista.

1. Prazo de Retorno de Investimento (Payback)

Este é prazo necessário para que o empreendedor obtenha o retorno do


montante investido em seu negócio. O Payback é comumente utilizado como
critério de decisão para avaliar o risco do empreendimento. Quanto maior for
o tempo necessário para recuperar o que foi investido, maior será o risco
assumido. Quanto menor for o período necessário para aconteça o Payback,
menor será o risco da empresa.
É estipulado um horizonte de tempo de cinco anos para que haja o
retorno sobre o investimento. Este é o tempo considerado aceitável para que
ocorra o Payback. Resultados que ultrapassem o período citado tornam o
retorno sob o investimento muito longo e cabe ao futuro empreendedor
ponderar seu interesse em comparação à propensão a risco do projeto. Uma
projeção que ultrapasse 60 meses torna-se muito empírica, já que não é
possível mensurar as diversas variáveis que podem incorrer sob o negócio após
este período.
Abaixo, pode-se analisar o Payback projetado para o Amazônia, no
cenário Otimista:

No cenário analisado, para que o saldo final do caixa do Amazônia se


iguale ao investimento inicial aplicado, que corresponde à R$ 142.314,45, é
necessário um período de tempo de 0,38 anos ou aproximadamente 10 meses,
como explicitado na tabela acima. A alta demanda projetada desde o primeiro
ano de funcionamento acarreta em uma situação financeira extremamente
saudável para o empreendimento, que apresentaria lucro desde o seu primeiro
ano de funcionamento. Este Prazo de Retorno do Investimento é considerado
extremamente positivo.

A análise da tabela de Payback acima, indica que o Prazo de Retorno do


Investimento no cenário Intermediário é de 0,38 anos, aproximadamente 4,56
meses. Apesar de ser consideravelmente maior do que no cenário Otimista, este
prazo ainda está dentro do aceitável para que ocorra o Payback.

No cenário Pessimista, o período de Payback identificado ficou em 0,46


anos ou aproximadamente 5,5 meses. Desta maneira, torna-se possível concluir
que mesmo tendo um risco um pouco mais elevado que o dos outros cenários,
o payback ainda pode ser considerado baixo o que torna bastante viável o
investimento.

2. Custo Médio Ponderado de Capital (WACC)

Também chamado de taxa de desconto, este índice é utilizado para


empreendimentos que têm investimento inicial provenientes de duas fontes de
capital, a exemplo do Amazônia, cujas fontes são o aporte de capital próprio
do cliente e o capital de terceiros. Essas duas fontes de capital rendem a taxas
diferentes. Dessa forma, faz-se necessário a utilização desse índice, que
pondera estas taxas, buscando equilibrar os valores das mesmas.

O Capital Inicial do empreendimento foi divido em 65% originado de


terceiros, o que corresponde a um valor de R$ 92.314,45 e 35% de capital
próprio, equivalente a R$ 50.000,00. Essa proporção foi determinada em
alinhamento com o cliente, devido ao fato de que o mesmo afirmou dispor
apenas de R$ 50.000,00 para investir de imediato, se fazendo necessário o
aporte do restante (R$ 92.314,45) através de capital de terceiros.
O custo do capital de terceiros foi estipulado em 12,10% pois é esta a
taxa de juros do financiamento escolhido. O valor de 25,97% referentes ao Custo
de Capital Próprio provém do cálculo da média entre a taxa SELIC prevista para
2017 e do índice IBOVESPA (acumulado de 2016), que apresentaram valores de
13% e 38,93%, respectivamente.

3. Valor Presente Líquido (VPL)

Este índice representa o valor total gerado pelo Amazônia, corrigido de


modo a considerar o valor do dinheiro no tempo. Esta técnica desconta os
resultados de caixa da empresa (FCLS) anuais, convertidos em valor monetário
à uma taxa específica - chamada de taxa de desconto - do investimento inicial
do empreendimento. A taxa de desconto aplicada para o cálculo do VPL do
projeto foi de 16,97%, referente à WACC, explicada anteriormente.
O principal insumo fornecido pelo VPL é a capacidade que a empresa tem
de, no horizonte de 5 anos, gerar caixa suficiente para superar o que nela foi
investido. Portanto, este índice torna-se um critério balizador para determinar
se um projeto é viável ou não é: caso o VPL seja maior do que zero, indica que
os valores dos fluxos de caixa futuros cobrem o investimento e caso o VPL
apresente-se menor do que zero, os valores dos fluxos de caixa futuros não
saldam o investimento feito no empreendimento.
Os resultados obtidos do VPL do Amazônia para os três cenários
estudados foram:

É possível observar que o projeto Amazônia apresenta indícios de


viabilidade quando baseado no seu VPL em qualquer um dos cenários.
Como já explicado anteriormente, os índices financeiros são calculados
com base no FCLS, de forma a buscar indícios de viabilidade financeira. Mesmo
assim, recorre-se ao FCLE, buscando analisar também a viabilidade operacional
do empreendimento.
Os resultados obtidos do VPL, com base no FCLE do Amazônia para os
três cenários estudados foram:

Quanto ao resultado do VPL calculado com base no FCLE, pode-se


observar que o empreendimento aponta viabilidade operacional em todos os
cenários.

Fica ratificado então, dessa forma, a viabilidade do empreendimento.

4. Taxa Interna de Retorno (TIR)

A Taxa Interna de Retorno (TIR) é a taxa utilizada para indicar a


rentabilidade do negócio dentro dos períodos analisados. Para fazer o cálculo
dessa taxa é preciso deslocar o FCLS dos cinco primeiros anos para o ano zero.
Isso é feito utilizando uma taxa de desconto que visa igualar o VPL a zero.
A TIR precisa ser maior que o WACC, por indicar a rentabilidade do
negócio, uma vez que o WACC indica se é atrativo investir o dinheiro no negócio.
A rentabilidade deve ser maior que o custo de oportunidade (WACC) para que
seja atestado o benefício de investir no Amazônia.

Analisando a tabela acima é possível ver que o Amazônia apresenta


índices de rentabilidade excelentes. No cenário pessimista a TIR é 5,4 vezes
maior que o WACC, sendo esse o cenário menos interessante fica atestado que
o benefício de investir no empreendimento.
Com as análises feitas em toda a etapa financeira do projeto foi atestada
a viabilidade do Amazônia. Investimento com um retorno em um tempo
consideravelmente rápido e alto para os sócios.
O projeto Amazônia foi desenvolvido com muito empenho e
fidedignidade pela Empresa JR. ADM UFBA, sendo de considerável valor os
resultados gerados. A equipe responsável pelo projeto encontra-se disposta a
demais esclarecimentos e dúvidas por parte do cliente.