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INTESTINO GROSSO - Da Chang

1 – Recebe os alimentos e bebidas do Intestino Delgado (Xiao Chang)


2 – Excreta as fezes
3 – Relacionamento com o Pulmão (Fei)

BAÇO - PÂNCREAS - PI
1 – Governa Transformação & Transporte
2 – Controla Sangue (Xue)
3 – Controla os Músculos e Membros
4 – Controla a Ascendência de Qi
5 – Abre-se na boca
6 – Abriga o Pensamento

Governa Transformação & Transporte


- FISIOLOGIA:
• Produz Qi e promove formação de Xue

- PATOLOGIA :
• Deficiência de BP – Anorexia, letargia, fezes amolecidas

Controla o Sangue (Xue)


- FISIOLOGIA:
• Mantém o Sangue (Xue) dentro dos vasos (Xue Mai)

- PATOLOGIA :
• BP “não controlando o Sangue (Xue)” : Petéquias, equimose, sangue na urina e nas fezes,
sangramento uterino.
Ex: TROMBOCITOPENIA IDIOPÁTICA
“Katie”, 4 anos, can
- Anemia e trombocitopenia
- Anorexia e Letargia
- Fraqueza, atrofia muscular
- Petéquia e equimoses
- Língua pálida e pulso rápido e fraco

Controla a ascendência de Qi
- FISIOLOGIA:
• Mantém os órgãos internos em seus devidos lugares
- PATOLOGIA :
• Colapso de Qi do BP – Prolapso de órgãos
M E R I D I A N O DO I N T E S T I N O G R O S S O

No cão, o meridiano do IG inicia-se na borda ungueal medial do terceiro dígito e segue pelo dorso da mão, metacarpo e carpo.
Move-se lateralmente em direção proximal pelo aspecto craniolateral do membro torácico, passando pelo cotovelo, úmero e
ombro. Segue pela região lateral pescoço e face e termina junto à asa do nariz. No cavalo o meridiano inicia- se no aspecto
craniomedial do casco, proximal à região coronária. Possui 20 pontos bilaterais. Inicia-se no leito ungueal externo do
dedo indicador, sobe pelo dorso radial da mão, entre os músculos extensor longo e curto do polegar.
Sobe até o dorso lateral do cotovelo, continua no braço pela borda lateral do músculo bíceps
braquial e tríceps braquial até o ombro. Segue para a região supraescapular, volta para a fossa
supraclavicular, sobe pela borda lateral do músculo esternocleidomastóideo até a mandíbula, cruza o
plano sagital mediano acima do lábio superior até o seu último ponto, que fica no cruzamento da
linha inferior do nariz e da linha nasolabial.
INTRODUÇAO
Fei é onde começa a vida (respiração pós-natal)
Na Medicina Tradicional Chinesa os Espíritos - Shen (estado de espírito) são somatizados por cada
ZangFu correspondente, no caso de Fei a tristeza é sua emoção matriz, ou seja, o desequilíbrio emocional
caracterizado pela tristeza (depressão) acoberta uma grande dor emocional (irritabilidade, perda, abandono)
que catalisa o desequilíbrio energético cristalizado no corpo físico em seu órgão. Segundo o pensamento
oriental os estados da alma são denominados de Shen (ou Espíritos), cada um provoca danos e patologia
regidos por sua própria emoção, elas são matrizes da nossa vida emocional (sentimentos inundando o
racional).
As estruturas energéticas da MTC (ZangFu) são regidas pelas 5 funções psíquicas e sua própria
fisiologia energética (7 níveis do modelo humano energético??). O vazio remete à falta e a plenitude de
potência (matriz do mundo) que faz parte do Tao (Modelo Energético da Tradição), que é cíclico de
movimento e contínuo de alternância, segundo ele TODOS OS EVENTOS DA NATUREZA e do
ORGANISMO são regidos por esta interação energética polar (Yin e Yang), estas polaridades também são
conhecidas como Sopros Primordiais. Yin evoca idéia de tempo frio e fechado (céu chuvoso), já Yang
desperta a idéia de ensolaramento e calor. Toda esta teoria é representada pelo antigo símbolo chinês Tai Ji
– Pólo Supremo ou Suprema Polaridade.
Na figura 1 temos a representação do processo cíclico: o Tai Ji, o Vazio (Wu Ji), o Yin e o Yang.

Figura 1 – O Tai Ji, o Vazio, o Yin e o Yang. (DONATELLI, 2007. p. 18).

1.1 O CICLO EVOLUTIVO YIN /YANG

O imperador Fu Xi descreveu graficamente a evolução das energias a partir do Princípio


Único e das Leis que o regem. Da transformação e mistura do yin e yang, yang e yin, formaram- se os
quatro bigramas que manifestam a formação do espaço-tempo, representadas por figuras gráficas
superpostas em linhas contínuas e interrompidas.
O adensamento das energias gera uma concentração energética diferente em cada
região do espaço-tempo, e pelas características semelhantes de suas modalidades, esses movimentos
cíclicos organizam-se, proporcionando manifestações dos quatro pontos cardeais, estações e clima.
Segundo a visão cíclica, o homem não está distanciado do que ele observa; faz parte. Assim,
no símbolo da cruz taoísta modificada, os cardeais são os quatro conforme a figura 2 e mais o centro
– referência do ponto de vista humano, compondo no total cinco pontos. O jovem yin no oeste, precursor
do movimento metal.
Figura 2 – A representação gráfica dos movimentos energéticos (modificada de DULCETTI, 2001.
p.47).
A cada bigrama associa-se uma modalidade energética do sistema binário, yin ou yang,
originando os oito trigramas. Estes são formados por três traços, contínuos e/ou duplamente
interrompidos, dispostos em paralelo, compondo a Grande Tríade.
O traço inferior representa o nível Terra, o do meio o nível Homem (O Ser Vivente) e o superior o
nível Céu.
Na interpretação de Fu Xi os trigramas simbolizam os estados essenciais do universo e
da natureza, como o ciclo solar, estações, ciclo anual, seres viventes e suas mutações, em forças duplas de
opostos complementares yang/yin: céu-terra, nuvem (ou lago)-montanha, fogo-água, trovão-vento.
A síntese de Donatelli (2007) acerca dos oito estados essenciais da natureza e suas
manifestações:
O céu é espaço, e a terra é matéria.
A montanha é a culminância da matéria sólida, e o lago é a concentração da matéria líquida.
O fogo tem movimento ascendente, e a água movimento descendente.
O trovão é movimento forte, e o vento movimento suave. (DONATELLI, 2007. v.1. p.27)
Os trigramas são “símbolos que representam mutáveis estados de transição, [...] tendências
de movimento” (WILHELM, 2004. p.5). Ou seja, representam uma qualidade do momento observado.
Os oito trigramas são dispostos na ordem do Céu Anterior ou da Seqüência Primordial (Xian
Tian Ba Gua) em agrupamento de duplas opostas segundo idealizado por Fu Xi, e na Ordem do Céu
Posterior ou Ordem Interna do Mundo (Hou Tian Ba Gua) segundo interpretação do rei Wen Wang.
Na interpretação do rei Wen, os trigramas são dispostos não segundo a lei do universo, mas,
segundo a visão do planeta terra, do mundo visível, real, numa seqüência temporal de apresentação no
mundo fenomênico, após o Espírito tomar forma.
Muita confusão se faz quando do uso dos trigramas; mas segundo Dulcetti (2001) “as
correlações analógicas da MTC baseiam-se na versão do Rei Wen.”
Em citação do I Ching, como bem colocado por Donatelli (2007), a seqüência dos oito
trigramas em concordância com aquele atribuído ao Rei Wen é:
Deus se manifesta no signo do Incitar (Trovão−primavera); ele faz com que todas as
coisas se completem no signo da Suavidade (Vento−final da primavera); ele leva as criaturas a se
perceberem umas às outras no signo do Aderir (Fogo−verão); ele faz com que elas se ajudem no signo
do Receptivo (Terra- final do verão).
Ele infunde-lhes o contentamento no signo da Alegria (Nuvem− outono); ele luta no signo do Criativo
(Céu−final do outono), se esforça no signo do Abismal (Água−inverno) e conduz plenitude no signo da
Quietude (Montanha−final do inverno). (WILHELM apud DONATELLI, 2007. v.1. p.280)
As figuras 3 (a) e (b) refere-se aos sistemas do Ba Gua, mostrando os trigramas de Fu Xi na ordem
do Céu Anterior e do Rei Wen na ordem do Céu Posterior.

(a) (b)
Figura 3 – Sistemas do Ba Gua – (a) Os trigramas de Fu Xi na ordem do Céu Anterior e (b) Os
Trigramas do Rei Wen na ordem do Céu Posterior. (DONATELLI, 2007. p.27, 28).

Os trigramas convertem-se em hexagramas, de acordo com o princípio de bipolaridade do


universo; daí a duplicação polarizada do yin/yang, resultando em 64 outras modalidades
energéticas segundo os princípios de mutação.

1. 2 OS CINCO MOVIMENTOS
O Yin e Yang engendram os cinco movimentos ou cinco elementos que fazem surgir a
multiplicidade no mundo dos seres, dão a forma, mantêm e dissolvem de novo, reiniciando o processo
cíclico. O yang na função de ativar o sopro vital, o yin na função de dar a forma.
O termo “elemento”, como denominamos os elementos, movimentos ou fases energéticas do
yin/yang, nada tem a ver com o conceito chinês. O conceito “elemento” não se reduz a forças
da natureza; descreve as regularidades universais geralmente aceitas, ou princípios . “Elementos”
referem-se às fases de transformação da variedade de manifestações, da regularidade dos estados
energéticos que se repetem.
Os antigos chineses desenvolveram os conceitos energéticos em cinco categorias ou fases
energéticas do yin e do yang. Na figura 2 (p.7), o símbolo da cruz taoísta modificada, agrega no seu pólo
superior, Sul (com o ponto de vista no hemisfério norte; assim o sul estará acima), a noção do Fogo
(Huo) que é associado ao movimento máximo do Yang.
Nas escrituras chinesas antigas, o yang representa o lado sul da montanha, por ser
iluminado pelo sol. No pólo inferior, Norte, Água (Shui), representa o máximo de Yin, o escuro, o frio.
“A propriedade do fogo é quente, e de chamas ascendentes, portanto corresponde ao yang. A
propriedade da água é fria e sem movimento, portanto corresponde ao yin” (SU WEN, 2001. p.50).
A força do fogo está dirigida verticalmente para cima, da terra para o céu. A essência da
água é descer e sua força dirige-se verticalmente para baixo, para as profundezas.
Na figura 2 (p.7), no eixo perpendicular da cruz taoísta, haste celeste−terrestre e sentido
sul-norte, há dois movimentos em atividade máxima: Fogo e Água. No eixo horizontal, sentido leste-oeste,
encontram-se duas outras fases iniciais do movimento Yin/Yang: Madeira e Metal.
O movimento Madeira (Mu) cresce em direção ao céu. Corresponde ao início dos ciclos de mutação
yin/yang. É a fase da criação, do crescimento de baixo para cima, como a árvore que se enraíza na terra,
enquanto os galhos se elevam para o céu.
No eixo horizontal, a oeste, o movimento Metal (Jin) corresponde à etapa inicial do yin; à
redução e liberação energética . O Centro é o movimento Terra (Tu) do yin/yang. Dulcetti e Sichero (2004, p.
97) colocam que “o Centro é a etapa intermediária entre Céu, Terra, Fogo e Água, Madeira e Metal, com o
Homem ocupando o lugar de referência”. Terra mantém o equilíbrio entre os outros quatro movimentos.
Pelas observações dos ciclos da vida, dos ritmos da natureza na estreita relação com o homem, das
forças naturais e suas manifestações, os antigos chineses, estabeleceram correspondências analógicas
mostradas na tabela 1:

Tabela 1 − Alternância dos ritmos Yin /Yang


OCORRÊNCIA MANIFESTAÇÃO CARDEAL/LOCUS ESTAÇÃO ATIVIDADE
Início do dia Nascer do sol Leste Primavera Início das atividades
Meio−dia Zênite Sul Verão Máxima
Final do dia Crepúsculo Oeste Outono Declínio das atividades
Meia−noite Escuro Norte Inverno Repouso
Observador na Terra Centro Interestação -
Tabela da autora. Elaborada com dados de Dulcetti 2001. p.55.

Os cinco movimentos/elementos (Wu Xing) sendo alternâncias, fases de expansão e contração do


Yin/Yang, são considerados os formadores da matéria e o número cinco é associado a essa noção.
Inseparáveis e mutuamente gerados, cada movimento/fase do ciclo/elemento, é representado por
um círculo que se interliga aos outros, e todos circunscritos em um círculo maior segundo o
princípio da totalidade. Geração (Sheng) e Dominância (Ke) simbolizam o equilíbrio perfeito das
manifestações de mutação cíclica yin/yang.
A figura 4 representa os cinco movimentos no pentagrama e os ciclos de Geração e Dominância
gerados segundo o princípio da totalidade.

Figura 4 – O Ciclo dos cinco elementos no pentagrama e os ciclos evolutivos (DULCETTI, 2001.
p.58)

1.3 FORMAÇÃO DA REDE DE CIRCULAÇÃO ENERGÉTICA


O desenvolvimento energético do feto, segundo Donatelli (2007), um “produto da união amorosa
entre o céu e a terra”, ocorre sob a influência das forças celestes e terrestres, doando a Terra o seu
movimento rotatório planetário e as essências elementares para o estabelecimento da vida física.
As cargas espirais e rotacionais − celestes e terrestres − geram no embrião um fluxo
contínuo e um centro acumulador de energia ancestral, segundo as Leis Universais que regem a
matéria e a Lei Universal de formação embrionária. A energia ancestral pré-natal utilizada na constituição
do feto, é nutrida pelas energias maternas por meio do Zhong Qi de sua respiração e pelo Gu Qi
(energia dos alimentos). Da fusão do Yin e Yang, nascida do cruzamento homem/mulher,
manifesta-se uma nova vida através da:
União de fluidos – Jing Ye : esperma e óvulo
União do sopro – Qi: energia ancestral pelo canal paterno e materno.
União do espírito – Shen: na união da consciência dos pais (DONATELLI, 2007. p.45)
A unificação das forças de geração yang provenientes do sêmen do pai, e das forças de
receptividade do yin, de dar e manter a forma, provenientes do óvulo da mãe, promove um movimento
organizado rotacional em duas vias espirais, uma centrípeta e outra centrífuga. A força centrípeta
tendendo a reunir no centro as energias, e a força centrífuga tendendo a afastá-las dele. O fruto desse
movimento que se concentra em um ponto central, forma o arcabouço energético que servirá de ancoragem
para a energia ancestral.
Ainda segundo Donatelli (2007), a região periférica dessa espiral e sua parte anterior
configurar-se-ão energeticamente nos dois meridianos da Pequena Circulação de Energia: o
Tou-Mo (Vaso Governador) e Jenn-Mo (Vaso da Concepção), representando o Tou-Mo o aspecto
masculino, o Jenn- Mo o aspecto feminino. Mais tarde a região periférica da espiral transforma-se na coluna
vertebral e no sistema nervoso e a região interior na parte anterior do corpo.
Esta espiral embrionária altamente energética é abastecida (cf. Donatelli, 2007, p. 49) e (cf. Kushi,
1983. p. 63), a partir das energias gravadas arquetipicamente nas paredes do útero materno, sob a
forma de doze grandes correntes energéticas que se desenvolvem verticalmente ao longo do eixo
embrionário.
Na região mais profunda e interna do embrião, essa energia se condensa e forma
espirais menores que evoluem, originando a Grande Circulação de Energia e os sistemas
orgânicos, decorrentes estes, dos processos de divisão e agrupamento celular.
A figura 5 ilustra a interpenetração da energia do meio ambiente no embrião em desenvolvimento, a
formação dos meridianos a partir da Pequena e da Grande Circulação de Energia, e a criação dos
órgãos.

Figura 5 − Formação dos Meridianos e criação dos órgãos (KUSHI, 1983. p. 64)

No embrião, o Shen, o Qi e o Jing estão integrados, e segundo a visão taoísta (DONATELLI, 2007.
p. 45), a cada lua um corpo sutil é integrado ao feto, formando-se após sete luas os sete corpos
sutis – PO do Shen do Pulmão, aspecto Yin do Shen. Neste momento haverá o acoplamento com os
HUN, e o feto passará a ter consciência individualizada.
Energia emana do interior do embrião, encerrando em si uma imagem microcósmica do fluxo
macrocósmico universal. Meridianos (Jing) são resultantes dessa energia eletromagnética existente
entre o Céu/Terra.
O Céu gerando força centrípeta (yang) que interpenetra o corpo pelas espirais superiores, e a
Terra a partir do movimento de rotação, gerando força centrífuga (yin) que interpenetra o corpo pelas espirais
inferiores, através dos órgãos genitais. Como bem colocado por Dulcetti e Sichero:
A ação centrípeta operacional do Céu, ou de suas energias Yang celestes, promovem uma
resposta das energias Yin terrestres, ou da Terra, no sentido centrípeto, evocando o princípio de
reversibilidade e reciprocidade da união das forças contrárias e complementares.
A ação celeste compreende o envolvimento do princípio físico de condensação, análoga à
condensação do vapor das nuvens resultantes da chuva que desce do alto e fecunda a Terra. (DULCETTI e
SICHERO, 2004. p.55)
Os Jing (Meridianos) organizam-se verticalmente no feto, sendo seis yin (ascendentes), e seis yang
(descendentes), formando um circuito fechado e interligando o organismo.
Os homens, mais influenciados pela força centrípeta, contraente; e as mulheres mais
carregadas pela força centrífuga, expansiva. Essa diferença fundamental foi base da associação
tradicional do homem com o céu e da mulher com a terra.
A figura 6 ilustra o movimento das energias Yin/Yang organizado em dois condutos espirais −
centrípeto e centrífugo − se concentrando em um ponto central, e a predominância das Forças Celeste e
Terrestre ao longo dos condutos pré-formadores dos doze meridianos.

Figura 6 − A predominância das Forças Celeste e Terrestre ao longo dos condutos espirais centrípeto
e centrífugo. (modificada de KUSHI, 1983. p. 64)
Assim temos o ser humano com estrutura ternária: Céu/Homem/Terra, com o homem no
centro na posição do observador, sob as influências do Céu/Terra. Na China antiga, o homem
equilibrado era representado na posição do Rei-Suserano (wang) , com as mão elevadas acima da cabeça,
palmas para frente e os pés ligeiramente afastados, numa postura de integração; de ligação com o
Céu/Terra.
O nível Céu refere-se o Alto, Yang, região superior do corpo até o diafragma. O nível Terra
refere-se ao Meio, ao Homem, ao Yin/Yang, à região abdominal abaixo do diafragma e até ao umbigo. O
nível Terra refere-se ao Baixo, ao Yin, à região entre o umbigo até os pés.
Em cada nível temos subníveis que representam a manifestação do ternário numa relação
yang/yin-yang/yin, alto/meio/baixo, céu/homem/terra. Por exemplo: na região denominada “Céu/Alto”,
temos os subníveis cabeça, membros superiores e tórax. O nível Homem (membros superiores)
se desdobra em Céu/Homem/Terra: mão/ antebraço/braço.
A topografia tradicional chinesa apresenta: a parte frontal do corpo é yin e a dorsal yang. A face
lateral externa é yang e a face lateral interna (medial) é yin. O lado esquerdo é yin de yang enquanto a lado
direito é yang de yin. A superfície do corpo é yang, o interior é yin.
Um órgão que possui parênquima, um adensamento maior, é mais yin, mais interno; é um zang,
um órgão cheio. Um órgão que não possui parênquima é mais yang; é um fu, um órgão oco
(DULCETTI, 2001. p.51).
O conceito chinês Zang/Fu engloba uma concepção energética e funcional. Dessa forma, a
cada órgão yin é associado um Meridiano; e a cada órgão yin acopla-se uma víscera. Cada órgão ou
víscera é considerado um sistema da rede energética do organismo, segundo uma relação yin/yang e dos
cinco movimentos.
Os Zang, de natureza yin, que guardam, entesouram os Shen e acumulam as Essências
preparando-as para serem usadas, são: Fígado, Coração, Baço-Pâncreas, Pulmão e Rim. Os Fu, de
natureza yang, que recebem e transformam as Essências vitais e excretam os produtos
decompostos são: Vesícula Biliar, Intestino Delgado,Estômago, Intestino Grosso e Bexiga.

1.4 O ELEMENTO METAL NA REDE ENERGÉTICA


A estação do elemento Metal (Jin) é o outono; seu cardeal é o oeste. É o tempo do Jovem Yin.
Tempo de interiorização, condensação e concentração, maturação dos processos iniciados na primavera e
colheita; as forças agora se dirigem para dentro. Outono é a estação onde a natureza seca, as
àrvores perdem as folhas.
O yin cresce e a ação externa tende a estacionar ou ao repouso. O que não foi convenientemente
desenvolvido, entra em processo de eliminação. Recolher e eliminar são funções básicas do elemento
Metal; recebe Qi do Céu e elimina resíduos.
O movimento agora é de retorno ao interno, comandado pelo Pulmão, órgão responsável pela
integração do externo com o interno; e o movimento de interiorização leva à contemplação, à reflexão ou à
angústia. O outono reflete a idade madura da vida humana e a reflexão dela decorrente. A angústia reflete a
ausência do encontro com os nossos valores internos, com as qualidades de nossas emoções. Angústia pelo
que deixamos de fazer.
“No outono [...] conservar o espírito tranqüilo e equilibrado, a fim de isolar-se do sussuro do outono,
restringindo o espírito e a energia internamente, protegendo a mente contra a ansiedade e a impetuosidade”
(BING WANG, 2001. p.32).
O órgão yin do Metal é o Pulmão. O tecido relacionado ao Metal, a pele, e o órgão sensorial, o nariz,
que detém a capacidade de sentir cheiros sob o comando de PO - espírito elementar do Metal.
Ao ser humano, o metal dá os Pulmões, órgão sutil do Oeste, e a pele que é sua extensão periférica.
(EYSSALET, 2003. p.38).
O órgão yang do Metal é o Intestino Grosso. O Pulmão está situado na parte superior do corpo e se
encarrega da respiração, e captação de energia do ar e eliminação de resíduos gasosos. “Recebe o Qi
do Céu e o Intestino Grosso expulsa os resíduos” (ECKERT, 2002. p.86).
O sentimento característico do outono é a tristeza; o choro é o movimento das energias
do Metal e a virtude do Metal é a justiça; seus sons são expressos como lamento e tosse; seu planeta é
Vênus, o arroz é o seu cereal, seu número é 9. Seus animais o cavalo e o tigre.
O sabor é o picante que dá movimento aos líquidos do corpo, sua cor é a branca, que permite o
movimento das energias do Yin e do Yang, Pulmão e Intestino Grosso. Metal é ofendido pela secura
(DULCETTI, 2001. p.115).
Metal domina a Madeira e o Fogo domina o Metal. Terra é mãe de Metal e Metal é mãe da Água.
Um transtorno em Metal se expressa por meio de sentimento negativo em relação à vida e de uma
desesperança crônica, de falta de união com o ambiente.
Metal imprime Ritmo. E a alternância rítmica de contração e expansão, tensão e relaxamento,
possibilitam desenvolver a força concentrada por meio de uma respiração rítmica que nos une aos sopros.
O Su Wen 5, descreve acerca do elemento metal e das associações por ele geradas:
O oeste corresponde à secura metal, portanto, o oeste produz a secura, e a secura é invisível e
o metal é visível, e já que as coisas visíveis são produzidas das invisíveis, portanto, a secura produz
o metal. O gosto do metal é o picante; o pulmão se associa ao metal, por isso o picante produz o pulmão. O
pulmão determina a condição dos pêlos e da pele, portanto, o pulmão metal produz os pêlos e a pele. O
pulmão metal produz os rins água, portanto os pêlos e a pele produzem os rins. Os orifícios do pulmão
é o nariz, por isso o pulmão se associa ao nariz.
Nas seis espécies de clima do céu, o oeste é a secura; nos cinco elementos sobre a terra é o metal;
no corpo humano se associa com os pêlos e a pele; nas seis cores é o branco; nas cinco vísceras é
o pulmão; nos seis tons é Shang1 (o segundo tom); nos sons é o choro; quando a respiração é adversa
é a tosse; nos nove orifícios é o nariz; nos cinco sabores é o picante; nas emoções é a melancolia,
e a melancolia excessiva pode lesar o pulmão, mas o excesso de alegria sobrepuja a melancolia (o fogo
pode dominar o metal), e a secura excessiva pode lesar os pêlos e a pele, e o frio pode sobrepujar o calor.
(BING WANG, 2001. p.55)

1.4.1 METAL E OS NÍVEIS HUMANOS ENERGÉTICOS


A Tríade oriental é formada por dois termos complementares Yin e Yang e mais um terceiro que é
produto da união dos dois primeiros. Assim na Tradição o ternário é vertical, hierarquizado, formado pelo
Céu (yang) Homem(yin/yang) e Terra (yin), posicionando-se o homem no meio como mediano,
resultante das manifestações do Céu/Terra.
1 Shang é a nota musical de som metálico, leve e forte, que se prolonga e se ouve ao longe. É a
nota Ré.
Os três planos da figura 7 (a), representam os níveis Céu, Homem e Terra. O nível superior
de forma esférica, Céu, corresponde aos Shen − ao plano Mental e Espiritual; o nível inferior de forma
quadrada, Terra, corresponde aos Zang/Fu órgãos-função, cujas atividades ancoram e sustentam os Shen
no plano físico; o nível mediano em forma de cruz corresponde ao Homem, produto da
manifestação Céu/Terra. (DULCETTI, 2001. p. 102 ss).

(a) (b)
Figura 7 – (a) A Tríade Céu/Homem/Terra e (b) os Sete Níveis do Modelo Humano Energético
(DULCETTI, 2001. p.102, 104)
Na figura 7 (b), o eixo vertical “assinala a hierarquia dos estados da existência manifestada”
(GUÉNON,1933. p.27); representa a origem humana que é celeste, manifestando-se no plano terrestre. A
ponta em forma triangular com o vértice apontando para baixo, delimita o plano material que serve de
suporte à manifestação espiritual. A manifestação plena das energias é simbolizada no eixo vertical
pela disposição dos sete setores: dois no nível Céu (forma esférica) mais yang, um no nível central
Homem yin/yang, união das potências do Céu/Terra , quatro no nível Terra (forma quadrada), mais
yin (DULCETTI,2001. p. 103 ss).
A tabela 2 relaciona os níveis, planos e abrangência do modelo humano energético.

Tabela 2 − O Elemento Metal e os Sete Níveis do Modelo Humano Energético


NÍVEL PLANO ABRANGÊNCIA
1 Psíquico Po
2 Intelectual Memória instintiva
3 Emocional Tristeza
4 Energético Sistema de Meridianos
5 Fisiológico Yin Pulmão
6 Fisiológico Yang Intestino Grosso
7 Somático Zonas do organismo sob o controle dos
sistemas de meridianos do movimento metal
Tabela da autora. Dados compilados de DULCETTI, 2001. p.115,116.

1.4.2 PULMÃO NO ELEMENTO METAL


A Tradição chinesa compara o Pulmão ao primeiro-ministro do Estado, que também desempenha
funções sagradas, necessárias para manter a ordem na comunidade. “O pulmão governa os inúmeros vasos
e regula a energia do corpo todo, como um primeiro-ministro assessorando o rei a governar o país” (BING
WANG 2001. p.72). Nessa condição, o Pulmão tem ascendência sobre o yin, o yang, a defesa, o ritmo.
O Pulmão é o “mestre dos sopros [...] assistente do coração e o mestre do nariz” (ROCHAT. 1997,
p.8), assegura, regula e garante os movimentos, dirige o ritmo da respiração possibilitando a pulsação da
vida.
Assiste o Coração em estreita afinidade com os sopros controlando a circulação do sangue,
dá ritmo às circulações e ao mesmo tempo as retém impelindo-as em direção ao interno. Segundo o
Ling Shu (1995) é a raiz do Qi e dos sopros, o Qi que circula no corpo é a imagem do Po. Abriga um aspecto
mental e espiritual de Shen: é a residência dos Po. Nas palavras de Rochat:
...Ele é a morada da vida instintiva (os Po), o mestre dos ritmos inscritos nas próprias naturezas, o
bem provido de sopros; mas ele se inclina diante do coração e se inspira por seus Espíritos, para
manter sua regularidade. O pulmão vela no tórax, pela pureza indispensável à vida dos
Espíritos...(ROCHAT,1997. p.10)
Segundo a tradição, o Pulmão situa-se no Triplo Reaquecedor Superior, no alto do tronco, onde
tem o seu Mar − ponto de reunião das energias, “à semelhança de um pálio sobre todos os
órgãos2” (DULCETTI, 2001. p. 112; GRANET,1997. p.214) ou seja, de sua posição, do alto, detém o
controle dos órgãos abaixo.
Também tem posição privilegiada em relação ao Estômago: “[...] a energia do céu se
comunica com o pulmão; a laringo-faringe é a saída do estômago, o qual recebe os cereais; porisso
a energia da terra se comunica com a laringo-faringe” (BING WANG 2001. p.59).
De igual modo, por seu movimento próprio, o Pulmão conduz os sopros a todo o organismo,
controla os Meridianos e indiretamente os Vasos Sanguíneos (Xue Mai) quando auxilia o Coração
a controlar a circulação sanguínea; faz descer o impuro, regula o percurso dos líquidos, governa o Qi e a
respiração3 inalando o Qi puro e expirando o Qi impuro, pressiona e faz descerem os Yin
condensados em névoa como Jin Ye, aos órgãos do elemento Água − Rim e Bexiga, para reter, transformar
ou eliminar.
Ou encaminha os sopros para a pele, que sob o ritmo por ele imposto, abre e fecha os poros
da superfície, assegurando a normalidade da transpiração, e bloqueando a perda de Essências e
Líquidos Orgânicos (Jin Ye) para o exterior.
Na sua relação direta com o processo respiratório, a Função Pulmão detém controle das
vias nariz, sinus, faringe, laringe, traquéia, brônquios, pulmões e Meridianos (Jing Mai). O fato de termos
uma superfície yang – pele e pêlos – nos permite agir em reciprocidade com o ambiente e as pessoas.
2 A metáfora do pálio associando-o ao Pulmão, refere-se a um tipo de carro utilizado, de base
quadrada, suportando pilares, e sobre estes uma cobertura circular, onde se instalava o
Homem Único, quando cumpria o dever que lhe competia de percorrer o trecho delimitado nos
cânones.
3 Os grãos−alimentos e bebidas, são recebidos pelo Estômago, e sob a ação do Baço- Pâncreas e
Rins, convertidos nas frações pura e impura. A pura é o Gu Qi (Essência dos Alimentos) que se dirige para o
tórax, e sob a ação do Pulmão e do Coração, une-se com o Qi puro do ar (inalado pelo Pulmão), converte-se
em Sangue (Xue), Jin Ye (Líquidos Orgânicos) e Zong Qi. Este se acumula no meio do tórax (VC 17). É o
Qi-hai (mar de energia) ou Mar do Qi. Este Qi, o Pulmão dispersa pelo organismo para nutri-lo e prover os
processos fisiológicos.
Assim, a pele por meio dos seus poros, exerce importante função de eliminação e respiração,
e representa um ponto de captação de energia yang, e canal de transmissão e troca, através dos quais
os sopros fazem entrar e deixam sair.
Ele domina sobre o Fígado e é dominado pelo Coração segundo o ciclo Sheng ou de criação. Nas
palavras de Rochat :
O pulmão se junta à pele; seu esplendor está nos pêlos; seu domínio se exerce no coração.
(ROCHAT, 1997. p.13).
E nas palavras de Qi Bo, em resposta ao imperador Huang Di:
...As funções específicas do pulmão e da pele estão relacionadas;
a quintessência do pulmão se reflete na pele macia, e o pulmão é controlado pelo coração... a
quintessência do fígado se reflete nas unhas, e o fígado é controlado pelo pulmão.... (BING WANG, 2001.
p.81).
O odor acre (picante) identifica o distúrbio das energias do Pulmão. Segundo o Su Wen
(2001), na enfermidade sua característica é a contracorrente; ou seja a função descendente do Pulmão
obstruída, força o Qi a se acumular no tórax. Nesse caso, devem-se ingerir comidas de sabor amargo
(dominância de Fogo sobre Metal) e reduzir as de sabor picante.
O excesso de picante desequilibra os Pulmões e poderá causar insuficiência no Fígado;
como conseqüência o desequilíbrio se manifestará na pele. O Pulmão em plenitude, dominado por
energia perversa, necessita da ingestão de sabores ácidos. Na insuficiência do Pulmão,
intensificam-se os sabores picantes que o nutrem.

2. A NATUREZA DOS ESPÍRITOS: SHEN


Shen é um princípio, um arquétipo encarnado, o mais sutil tipo de Qi. E tudo que é princípio, é
permanente, imutável, pré-existente. Shen é de natureza celeste. “Shen é uma jóia, algo precioso que
recebemos do Tao – Tien Tao”. ( DULCETTI, Salvador, 2007). Shen nos torna humanos.
Uma das características mais importantes da Medicina Chinesa, é a integração, e esta é bem
realçada pelos “Três Tesouros”: Jing, Qi e Shen.
O Jing − Jing Ye (esperma) e Jing Xue (óvulo ou sangue procriador) − é a origem e o lastro biológico
de Shen, permitindo-lhe manifestar-se no mundo das formas, e transmite o conjunto da carga hereditária dos
pais na concepção, bem como as energias modeladoras do novo ser vivente.
Nas citações que se seguem, Ming Wong fala acerca do Jing na origem do Shen e Eyssalet acerca
do Shen, do Qi, e do encontro entre os Jing Inatos e Jing Adquiridos:
Os 2 jing, princípios vitais que se opõem mutuamente, são assimilados aos Shen (espíritos).
(MING WONG, 1995, p. 118)
Mas embora seja distinto de JING, SHEN, o Espírito é fundamentalmente inseparável dele
em sua natureza profunda −assim como em seus dinamismos− ele é seu produto.
Um princípio metafísico insondável, organizador de nosso psiquismo, nossas emoções, o
elemento fundamental de nossa transformação espiritual; um princípio de organização dinâmica de nossa
forma corporal através de nossos cinco ó r g ã o s -
receptadores ZANG que nutrem os Cinco Sabores e que tornam tangíveis toda nossa manifestação na terra.
(EYSSALET, 2003. p.172 - 191)
...quando há o encontro dos JING, isso não é mais JING, é SHEN. (MING WONG apud EYSSALET,
2003. p.172, 191)
A palavra Shen é utilizada de diferentes formas, com vários significados. Shen refere-se à atividade
do pensamento, à razão, ao intelecto, à consciência, à inteligência global, ao mental, todos dependentes da
Função do Coração.
A palavra Shen quando utilizada no diagnóstico clínico, indica uma qualidade sutil de vida,
indefinível, de brilho próprio, que pode ser observada nos olhos, na língua, no pulso sobre a artéria radial, na
saúde em geral. Shen indica vivacidade, vitalidade, premonição, intuição, um tipo diferente de
convicção, de certeza profunda.
Dizemos que uma pessoa tem ” vida” nos olhos, força no olhar, que exala alegria. Tem Shen.
O Nan-ching em sua 61a Dificuldade, na tradução de Paul Unschuld diz acerca da intuição: “O
clássico afirma: aquele que olha e sabe deve ser chamado de espírito... aqueles que sabem a [doença]
por suas [manifestações] interiores são chamados espíritos”. (UNSCHULD, 2003. 334).
E Eyssalet , referindo-se ao texto do capítulo 26 do SU WEN, acerca do mistério de Shen, quando o
imperador Huang Di interroga a seu mestre Qi Bo :
O Imperador pergunta: o que é SHEN? QI BO diz: deixe-me, por favor, ouvir-vos ... SHEN,
ah! SHEN?... O ouvido nada entende... os olhos se iluminam, o coração se abre e há intuição... do
que se compreende de maneira inteligente, pois a boca não pode exprimir por palavras... o que
somos o único a ver quando todos examinam,
o que há pouco parecia velado... de repente se ilumina, e somos o único a receber sua
claridade... como o vento que sopra (e dispersa) as nuvens... ... é então que lhe dão o nome de SHEN...(
EYSSALET, 2003. p. 252, 253).
O Espírito se setoriza nos cinco lócus, e é governado e comandado pelo Shen. Shen refere-se à
função do Coração de coordenador, centralizador e regulador das funções psíquicas ou entidades viscerais;
refere-se ao conjunto dos cinco aspectos mentais e espirituais do ser humano:
SHEN propriamente dito ou entidade visceral da função do Coração;
HUN ou Alma Etérea − entidade visceral da função do Fígado;
YI entidade visceral da função do Baço-Pâncreas;
PO ou Alma Corpórea − entidade visceral da função do Pulmão;
ZHI entidade visceral da função dos Rins.
Cada entidade visceral acha-se em relação com um movimento/elemento e abriga-se em um
órgão Zang, apresentando portanto manifestações psíquicas e características específicas. Do equilíbrio
mútuo entre as entidades viscerais, resulta o equilíbrio do psiquismo e consequentemente o equilíbrio
yin/yang.

3. PO − O SHEN DO PULMÃO
Depois que o Elemento Terra ancora a Consciência no plano físico, cabevao Pulmão recepcionar o
Shen Po, entidade visceral instintiva, componente Yin do Elemento Metal, responsável pela forma
corporal, preservação da vida e pelo comando e manutenção do automatismo celular. É no elemento
Metal, estruturador do Pulmão, que o receptivo yin (Jovem Yin) em seu característico movimento de
recolhimento, na sua potência de acumular a essência e prepará-la para ser usada, se abre ao criativo yang
para que com o seu potencial, exteriorize a essência antes preparada pelo yin (DONATELLI, 2007. p.21
ss), permitindo aos SHEN manifestar-se no mundo das formas.
O Po ou Alma Corpórea, um dos pólos yin de Shen, e entidade visceral instintiva da função Yin
do elemento Metal, tem residência no Pulmão, “manifesta-se no nível das emoções como tristeza,
mágoa, melancolia, e expressa-se através dos lamentos”. (DULCETTI, 2001. p 93).
Segundo o pensamento chinês, a gênese dos PO remonta ao Caos primordial − o HUN DUN,
quando a Primeira Luz escava nove grandes orifícios e a forma começa a manifestar-se. “ [...] No sexto
orifício escavado, os PO se revestem...” ( EYSSALET, 2003. p. 36,40). Começam a ser definidas as saídas e
entradas dos Po e suas relações com as essências.
Po são os sete corpos sutis formados após sete luas... a cada lua um corpo sutil... integrado ao
feto4 (DONATELLI, 2007. p. 45).
3+4 = 7. Sete é um número interno dos surgimentos impetuosos, levando a uma manifestação
exterior das essências e a uma liberação dos Espíritos a elas associados. Pela iluminação se obtém
a mais elevada animação espiritual. (ROCHAT; LARRE, 2007. p. 160).
Na bela colocação de Rochat e Larre (2007. p. 109), “Po são os Espíritos da Terra animados
do movimento da alvura”.

Figura 8 – O ideograma de PO (ROCHAT; LARRE, 2007. p. 109).

Segundo Soulié de Morant (1990), Rochat e Larre (2007), e Eyssalet (2003), o ideograma de
Po é formado pelos caracteres Bai − alvura, brancura, o branco, à esquerda; e Gui − fantasma, espírito, à
direita.

4 Os sete corpos sutis, são aqueles de essências de qualidade celeste, sutil: os sentidos
espirituais, desenvolvidos para identificar a qualidade das vibrações de pessoas, lugares, coisas, a que
se relacionam os cinco sentidos físicos (olfato, paladar, tato, audição, visão), os membros e o PO como um
todo.
O significado dos caracteres: “Brancura, é forma abreviada, correspondente a ‘‘si mesmo”.
(SOULIÉ de MORANT,1990. p. 127).
....e pode representar a luz pura e total, ou o brilho do sol poente, do metal frio, a cor das
ossadas que embranqueceram- se na terra. (ROCHAT; LARRE, 2007. p. 109).
Fantasma significa a própria sombra psíquica, a parte inconsciente do eu. É a parte obscura e
mal iluminada que determina se agiremos ou não, se aceitamos ou rejeitamos. (CORDEIRO,1994. p.
40,41) .
Segundo Rochat (2007), e Donatelli (2007), é conferida aos Po a função de dar e tirar a forma
dos seres e de seus compósitos, e, retirada a forma, fielmente acompanhá-los no retorno para a terra, e
lá permanecer, onde sob o influxo do sopro primordial Yuan QI, plasmador, alimentador e desintegrador da
essência da vida, regula a decomposição e desintegração do microcosmo humano.
Assim, Po é aquele Shen indissoluvelmente ligado ao corpo, à forma.
... É um trabalho doméstico. É a contabilidade da vida, com suas entradas e saídas, suas receitas
e despesas. A primeira das saídas é a saída para o mundo, momento da concepção ou do nascimento, ....
a última entrada é o enterro, o retorno à terra, a morte, a volta para o indiferenciado de onde havia emergido
a forma particular deste vivente.
Entre essas duas, saída e entrada principais, vai se tecendo a vida por inúmeras saídas e entradas...
Todos os movimentos da vida obedecem aos Po. (ROCHAT,2007. p.111,112).
Relata Soulié de Morant (1990), acerca de contos chineses sobre aparições, em que depois
da morte, o Shen, o primeiro a deixar o corpo, é seguido logo após dos Hun; e por último dos Po. E
que devido ao fato de os Po permanecerem muito tempo velando, impediram a decomposição do cadáver e
voltaram a animar o corpo, que se converteu em uma espécie de vampiro ávido de fazer mal e sedento por
sangue.
Po ainda é tido como o fantasma que ronda os cemitérios e assombra a quem passa pelos
arredores.
Po é a função psíquica responsável pelos impulsos instintivos, capacidade e coordenação de
movimentos, pela manifestação somática dos espíritos. É quem vai organizar o corpo (soma), dar forma
às essências; é mais terrestre;
Po é a parte mais física e material de Shen, portanto indissociável das Essências (Jing).
Corresponde ao Yang dentro do Yin (ver figura 2. p. 4) e move-se para dentro e para fora; entra e sai.
Segundo Rochat (2007), a tradição considera os Hun − mais sutis e leves, como a
manifestação yang de Shen, e os Po − mais densos, menos sutis, como a manifestação yin, e explica:
Quando opomos as essências aos Espíritos, os espíritos são yang e as essências são yin.
Quando opomos os Hun aos Po, os Hun são yang e os Po são yin.
Assim os Hun seguem fielmente os Espíritos nas suas idas e vindas e os Po se associam às
essências nas suas saídas e entradas... (grifo nosso).
Assim, ... os Po são o yang no seio do yin (grifo nosso). (ROCHAT, 2007. p.103, 105).
Po é proveniente dos dois jing dos pais, e surge logo após a concepção, quando a Essência
pré-natal do novo ser é formada. O Espírito precisa da matéria para experimentar a aventura da
terra. É o Po quem conduz a
Essência nos processos fisiológicos do corpo, e segundo Dulcetti (2001.p.113), “realiza o controle
glandular das funções vegetativas, a preservação das células e da vida, comanda o automatismo celular
e manifesta-se até a morte da psique (yang)”.
Assim se os desregramentos na condução da vida levarem à exaustão da Essência, o Qi do
Pulmão será degradado, e o Po esgotado perderá vivacidade.
Po nos transmite a capacidade das sensações, da dor, de ver, sentir, de ouvir. Assim, se bem
sentimos, vemos e ouvimos é porque Po se encontra robusto e vivaz. À medida que envelhecemos,
ocorre o enfraquecimento dos Po, e o declínio gradual das essências. Como conseqüência, perdemos aos
poucos a capacidade de ver, ouvir, a elasticidade e o tônus da pele − sob o comando dos Po.
Po como um aspecto sutil de Shen, detém sob o seu comando, o odor (relativo ao corpo odorífero
- um dos corpos sutis de Po), essência de qualidade celeste, sutil, e o sentido que lhe corresponde – o
olfato, relacionado ao estado etérico da matéria. Pelo sentido físico do olfato podemos sentir os aromas
(sutileza), os cheiros que nos afastam ou nos atraem.
O odor é o resultado do impacto de partículas físicas desprendidas do corpo odorífero
sobre o sentido da olfação. É o produto de verdadeiras emanações etéricas. ( GRÃO-MESTRE da Sociedade
Secreta apud ANJOS, 1996. p. 15).
Todo ser humano possui um odor que lhe é característico, seu código de barras. Se ao
inspirarmos, nossa mente estiver portando registros de raiva, angústia, tristeza, exalaremos odores
rançosos, pútridos, acres, imperceptíveis ao nosso olfato não treinado, não totalmente desenvolvido, mas
perceptíveis a sensitivos e a outras freqüências em formas de vida.
Po no seu aspecto psíquico, nos induz ao recolhimento, conduz ao interno, à interiorização.
E a meditação funciona como uma ponte entre a respiração e os Po, uma vez que, pela atenção
focalizada no respirar, quem estiver meditando, aquieta a mente, submetendo-a a um estado de afastamento
da agitação mental, libertando os Po que se abrem à comunicação com o Universo.
Po dá a intuição de acontecimentos futuros, a projeção mental. No dizer de Faubert e Crepon (1990,
p.98), Po “é traduzido às vezes pelos termos de ‘memória do futuro’, porque deduz o futuro a partir do
passado”.
Po está relacionado à nossa vida pessoal como indivíduos. Assim como temos no nível físico a
energia defensiva Wei Qi a nos proteger e defender do ataque de energia perversa externa, no nível
psíquico, temos os Po a nos proteger de influências negativas, influências psíquicas externas Uma
insuficiência nos Po, poderá resultar em facilidade de ataque de energias negativas.
Po está relacionado ainda à forma como detectamos os perigos, como nos protegemos, como
captamos o que o outro acha de nós, ao instinto animal de preservação, de manutenção.
Preservação excessiva gera retenção, apego, o não deixar ir. E se é função do movimento
Metal recolher e eliminar, o não deixar ir, o não soltar, leva à retenção de resíduos e toxinas tanto no
nível psíquico quanto no fisiológico. O sistema de eliminação fica comprometido.
Se não estamos receptivos, abertos para receber, para acolher o que nos é enviado, sejam
situações ou coisas, de algum modo sofreremos com a falta, com a insuficiência, e acabaremos por nos
isolar.
De igual forma, se não estamos preparados, e somos incapazes de soltar; se prendemos, nos
fechamos ao dar, bloqueamos a chegada do novo. Haverá constrangimento, rigidez, aprisionamento: de
idéias, resíduos, emoções. Estacionamos na nossa relação conosco e com o Universo.
Lembramos a relação entre Po e Pulmão, e entre Pulmão, sua função de descendência do Qi,
eliminação, Intestino Grosso e sua porta – o ânus5.
Vejamos nas palavras de Rochat, e do Mestre Qi Bo em resposta ao imperador Huang Di :
... os resíduos (po) se concentram e descem até a evacuação completa dos elementos que
não servem para a manutenção vital. Esta evacuação se faz pelo ânus, também chamado “Porta dos Po”.
(ROCHAT, 2007. p.109).
... os cinco órgãos ocos eliminam sem armazenar. Isto quer dizer que a água, os cereais e
a energia turva são recebidos, mas não podem ser retidos no corpo por muito tempo, [...] e o refugo é
eliminado.
O ânus que é tido como o sexto órgão oco, também tem a função de evitar que o refugo seja
mantido no corpo por muito tempo. (BING WANG, 2001. p. 86).
5 O acuponto PRO-ROU ( B 37) é chamado Porta da Alma, Porta da Alma Corpórea. Além de
indicação psíquica, transtorno pulmonar, algias, é utilizado para incontinência fecal e urinária causada por
pânico, medo extremo, pavor.

4. EMOÇÃO: EFEITOS NO SHEN


Emoções são estímulos mentais que influenciam nossa vida, nos guiam, e em circunstâncias
normais, não se constituem causas de doenças. Entretanto, quando exacerbadas, excessivas,
prolongadas, abrem campo para que os desequilíbrios energéticos se instalem, levando à não
resistência, à instalação da enfermidade, à cristalização de doenças e lesão do corpo físico.
Segundo Goleman (1995) todas as emoções constituem-se em impulsos para a ação. A raiz da
palavra emoção provém do latim movere, mais o prefixo “e-” denotando afastar-se; ou seja, a própria palavra
indica uma ação associada à emoção e uma disposição específica para agir.
A subjugação das emoções, sem o devido trabalho de transformação e aceitação, geralmente
deságua nos transtornos mentais e emocionais. A razão se esconde quando a emoção domina o psiquismo
humano; sejam emoções de raiva, medo, tristeza, alegria excessiva, preocupação.
Dificilmente o ser vivente consegue evitar transformar emoções naturais, primárias, em emoções
destrutivas; no entanto, a energia que as engendra e alimenta, é a mesma, e pode ser canalizada para
propósitos mais elevados e duradouros.
Na MTC, os estímulos mentais emotivos perturbam o Shen, os Po e os Hun, alterando por meio
deles o equilíbrio entre os zang, o Qi e o Sangue:
Os Hun e os Po são mais dependentes do homem, no sentido de que sua força ou fraqueza e
portanto seu tempo de sobrevivência) dependem em parte da vida que o homem leva.
Propósito e vontade dependem da existência do coração. Hun e Po parecem preexistir a um coração
já constituído, porém eles vêm após os Espíritos que são o apanágio do coração. (ROCHAT;
LARRE, 2007. p. 158, 162).
As citações que se seguem mostram que, se por um lado, os zang em desarmonia causam
desequilíbrio emocional,
O Fígado encerra o sangue. No sangue acha-se o espírito Hun.
A deficiência da energia hepática suscita o medo. O excesso acarreta a raiva. Nos
vasos reside o Shen, a energia cardíaca deficiente origina a aflição. O excesso provoca risos incoercíveis.
Os Pulmões encerram o Qi, [...] a energia vital que circula é a imagem do Po, [...] a deficiência
provoca a obstrução nasal. O excesso acarreta a plenitude torácica... (MING WONG, 1995. p.120). (grifo
nosso). por outro, o distresse emocional desarmoniza os zang. Diz o Ling Shu:
A aflição e os desgostos afetam o interno e lesam o Hun [...] provocam acessos maníacos
com confusão. A alegria excessiva lesa o Po [...] suscita acessos maníacos. A raiva excessiva e
incontrolada afeta a vontade [...] suscita a perda da alegria e da memória ... (MING WONG, 1995. p.120).
(grifo nosso).
Quando o distresse emocional perturba o Shen , o humano se torna instável, ansioso, deprimido; e
esta conjuntura afetará a direção dos sopros, a circulação sanguínea. Afetará também a
essência, enfraquecendo-a, especialmente quando combinada com o desregramento sexual excessivo
e tensões emocionais. Os efeitos da emoção dependerão de circunstâncias variadas: se a emoção é
reprimida ou manifestada, dependerá das características da pessoa, de seus excessos e
insuficiências.
Ora, Shen é enraizado no Coração; engendra e dá sustentação aos outros Shen. Logo, o que
passa pelo Shen do Coração, afeta a todos os Shen. Por exemplo: quando sentimos tristeza; sabemos
que a tristeza afeta o Pulmão, mas o Pulmão não sente tristeza. Quem a identifica, sente,
compreende e decodifica, é a consciência, o Shen. A tristeza, assim como o pensamento, são emoções;
são expressões do Espírito. Mas porque a tristeza afeta o Pulmão? Porque a cólera, a raiva, afetam o
Fígado?
Os órgãos zang possuem uma energia mental positiva determinada, com características específicas;
Segundo Dulcetti (2001) “são os movimentos de manifestação das entidades viscerais no plano
dos sentimentos e das emoções”.
Por exemplo: ao Fígado associa-se a cólera; ao Rim o medo, ao Baço a reflexão. Quando estas
manifestações são submetidas ao estímulo emocional, ao estímulo externo, ressoam como se fossem
emoção particular. Assim, as emoções têm afinidade por determinado zang, e o Coração domina sobre
todos eles.
Dessa forma, todas as emoções e sentimentos afetam o Coração, e ele é tido como o imperador de
todos os órgãos.
Diz o Su Wen: “O coração é o comandante supremo ou o monarca do corpo humano; ele
domina o espírito, a ideologia, e o pensamento do homem”. BING WANG, 2001, p. 72). (grifo nosso).
E todas as emoções além de afetarem o órgão que por elas tem afinidade, afinidade esta
determinada, com características específicas que quando sujeitas ao estímulo emocional reagem como
uma emoção particular, afetam indiretamente o Coração já que ele engendra e abriga os Shen.
“É com o coração que se vê corretamente; o essencial é invisível aos olhos.”
(SAINT-EXUPÉRY apud GOLEMAN, 1995, p.17).

5. TRISTEZA: A EMOÇÃO DO PULMÃO


Tristeza é a emoção característica do outono, do Pulmão. Segundo Dulcetti (2001), é o
movimento metal da psique natural e equilibrada. Dessa forma, a tristeza é uma reação salutar, primária
e natural do humano às perdas; é a manifestação do sentimento dos Po, que se traduz ainda
pelas lamentações, choro, aflição, tosse.
Mas o que é a tristeza, a aflição? Vejamos na explicação do ideograma por Rochat e Larre:

Figura 9 – O ideograma TRISTEZA E AFLIÇÃO (BEI AI) (ROCHAT; LARRE, 2007. p. 214).

BEI, o coração que se recusa: a pessoa dá as costas para si mesma dentro de seu coração,
atormentada pelas contradições, pelas negações,e até mesmo pela negatividade. O esgotamento
que resulta dessa luta estéril destrói os sopros na região do coração e do pulmão. Esta oposição se torna
ruptura das comunicações que emanam do coração e separa da alegria da vida; o bloqueio se torna fraqueza
e a dor desolação.
AI, os gritos, gemidos e lamentos que saem da boca daquele que trajou as vestes
próprias do luto. A aflição que se experimenta na perda de um ente querido; a dor do luto,
publicamente manifestada. (ROCHAT; LARRE, 2007. p. 214).
“Tristeza corresponde ao pulmão, é a perversão do movimento do metal.” (ROCHAT; LARRE,
2007, p.214). O termo perversão sugere ser um movimento dissonante, fora de compasso. O movimento
metal é, segundo os autores concentração e condensação, ele reconduz ao interno.
Entretanto, “na tristeza ele se torna compressão que esmaga o coração, perturbando tanto a
circulação do sangue cuja qualidade está diminuindo, quanto a expansão dos Espíritos” (ibid., p.214).
A tristeza se manifesta em várias modalidades: aflição, sofrimento, melancolia, desamparo,
autopiedade, desânimo, e quando ascende para a patológica, como depressão. Pode também ser
disfarçada como falsa alegria, falsa raiva, isto é, ressentimento disfarçado por atitudes agressivas,
e ansiedade que é gerada quando a pessoa tem receio de contaminar outras com o seu sofrimento.
A tristeza se torna prejudicial quando o sentimento é aprisionado; fere o Coração.
A fase inicial da perda, do luto, é o choque, a descrença, é quando tentamos negar a perda
e nos isolarmos contra o duro choque da realidade. Depois vem a consciência da perda, marcada pela
tristeza e aflição, pela dor que dilacera, revolta, raiva pelo abandono que o morto provocou, choro,
desesperança, culpa, solidão, um vazio sem fim. Depois vem o desânimo.
Na tristeza e aflição ocorrem o desalinho, dispersão da energia quando a dor golpeia, um
rachamento que leva à perda da estrutura, à compressão no peito, e obstrução da respiração no seu
princípio de pulsação e ritmo, de expansão e contração.
Esta obstrução, afeta diretamente os Po - levando-os ao excesso - e aos seus movimentos, porque
aniquila os sopros − o Qi do Pulmão. O Reaquecedor Superior e o Médio congestionados, deixam curta,
superficial e opressa, a respiração da pessoa triste, e o apetite se esvai.
A dor profunda suportada sem lágrimas leva à depressão, represa os líquidos que não podem
circular, sobrecarregando os Rins. Vem a insuficiência dos Po e do Pulmão, e com ela a perda da
vontade de viver, do instinto de preservação. Mata-se ou pode-se morrer.
Diz o mestre Qi Bo em resposta ao imperador Huang Di quando este o interpela acerca das doenças
afetadas pela energia:
Quando se tem um grande sofrimento, o coração e os tecidos que se conectam com as
vísceras se contraem, os lobos do pulmão incham, o aquecedor superior e o médio ficam
obstruídos, e o calor interno fica retido. Por isso é chamado “dissipação da energia”.( BING WANG,
2001, p.209).
Pela citação acima, vemos que a tristeza afeta primeiramente o Coração (ele é o imperador), e em
seguida os Pulmões. Estes se esgotam já que os sopros não circulam no tórax, levando à estase de
energia, à opressão. Outros órgãos são também perturbados, e no caso do Pulmão, especialmente o
Fígado, já que ele domina sobre o Fígado que ancora os HUN− Alma Etérea. Vejamos o Ling Shu:
A aflição e os desgostos afetam o interno e lesam o hun. O hun (“alma espiritual” ) perturbado
provoca acessos maníacos com confusão. A confusão suscita comportamentos anormais.
Observa-se a retração dos órgãos genitais e contraturas, o bloqueio do tórax. Os pêlos escasseiam
e a tez se altera. (MING WONG, 1995. p.120).
O texto acima mostra que os zang podem ser afetados por emoções diversas daquelas
referentes a eles próprios. Realmente a tristeza profunda afeta o Fígado (O Pulmão domina o
Fígado) podendo esgotá-lo, levando à depressão, à confusão mental, à incapacidade de planejar a
vida. Os HUN influenciam a nossa capacidade de decisão, de planejar a vida com sabedoria, de dar-lhe
uma direção. Por outro lado, pelo domínio do Coração sobre o Pulmão, a ansiedade do Coração
retém os sopros no Pulmão e afeta os Po que se manifestam na pele; e a alegria excessiva, exagerada,
afugenta os Po.
Tristeza é aquele sentimento natural que nos assola quando precisamos deixar, desapegar de
alguma coisa ou alguém que amamos, especiais para nós. É aquele apegar-se a algo que findou, que
cumpriu seu tempo e que não queremos deixar ir, não queremos perder. É a lamentação por oportunidades
perdidas como também a lamentação pelo sofrimento presente.
Segundo Goleman (1995), uma das funções da tristeza é proporcionar ajustamento às grandes
perdas, como morte, perda de emprego, rompimentos afetivos, perdas significativas.
A tristeza conduz ao desinteresse pelos prazeres à perda de entusiasmo e alegria. O riso se
esconde. Vem o sofrimento explodindo publicamente pelo pranto a dor da alma, choro que bloqueia
a garganta, constrange nariz e olhos, inundados pelos líquidos que se rebelam ao movimento
natural de descendência.
É quando aparece o calor (do coração) onde deveria aparecer a secura do pulmão. Mas mesmo
assim o calor do coração exercendo seu domínio, é impotente para levar alegria e riso onde só há dor,
sofrimento e aflição.
Para nós humanos é difícil entender e aceitar a essência do movimento metal: recolher, eliminar,
soltar. Em comentário de Rochat (1997), “o outono marca a expansão, o limite daquilo que chegou a seu
extremo, e encarrega o retorno ao interno, à concentração, o fechamento. É o movimento do metal”. O
movimento metal é tristeza, enlutamento por morte, enlutamento por sonhos desfeitos, despedida,
choro, recolhimento, isolamento, afastamento, olhar para dentro de si e retirar-se do mundo.
Por outro lado o recolhimento ocasionado pela tristeza, oportuniza lamentarmos a perda. A
forma como demonstramos ou contemos nossa tristeza, pesar, aflição, dor ou perda, depende tanto do
nosso molde cultural, quanto do apreço daquele ou daquilo que se vai. E só quando as lamentamos, quando
damos vazão à aflição que nos toma, é que podemos aceitar a vida e as perdas e fechar o círculo, abrindo
espaço para que o novo aos poucos se instale. É como uma despedida sem rendição.
A negação da dor da perda ou a recusa de enfrentá-la aprofunda o sofrimento e a duração.
Se não damos plena vazão à dor, se ficamos fechados, enclausurados na sintonia do que perdemos,
afastamo-nos da realidade, ficamos fora do consolo que poderemos receber.
No isolamento, no recolhimento, a perturbação adentra o interno, afeta os Zang, e pode levar à perda
de energia vital, à instalação da lesão no corpo físico, ao definhar do corpo e à recusa ao bem da vida.
“Guardar o luto de si mesmo, experimentar o sentimento da perda da vida enquanto ainda
estamos com vida, é uma grave perversão. A vida se vinga e a morte nasce do próprio luto” (ROCHAT;
LARRE, 2007, p.214). E aí não aprenderemos a lição que o Metal como mestre nos ensina: recolher,
eliminar, soltar.
Depois de uma prolongada e dolorosa fase de recuperação − “fixada em três anos” − (LIVRO DOS
RITOS apud ROCHAT; LARRE, 2007, p.213), ocorre a elaboração do luto, com a aceitação do que não pode
ser mudado. Ocorre a cessação da dor depois de aprendida a lição que lhe justifica a presença. O
trauma da perda é superado e pode aos poucos ser restabelecido um estado de equilíbrio e harmonia.
O recolhimento quando entendido, força uma união com o nosso Eu, com a energia vital,
com o Alto e com o outro. Só com o afastamento do cotidiano, com o recolhimento, é que nos
damos conta do que deixamos de ver, de sentir, despedaçam-se as comportas da dor e acabamos
por ir ao encontro da vitalidade temporariamente perdida, ao encontro do profundo em nós, e ao renascer
da alegria.

CONCLUSÃO
Quando as emoções dominam o psiquismo humano, a razão se retrai; e, se exacerbadas,
prolongadas, abrem campo para a cristalização de doenças e lesões no corpo físico. A tristeza, um dos
tópicos do nosso trabalho, quando trazida por uma perda, afeta primeiro o Coração, o Shen, e depois o
Pulmão, os Po: decai nosso espírito, bloqueia nossa alegria, mina nossa vitalidade, nosso brilho, nosso
interesse por diversões por determinado tempo.
Desgostos, aflições, tristezas, amarguras, são expressões do Espírito e afetam os nossos órgãos
internos. Mas o luto é útil; ajuda-nos a ajustar-mo- nos à perda e elaborarmos o impermanente, o
transitório. É quando nos abrimos para a aceitação do que não pode ser mudado. Mesmo as emoções do
bem quando desregradas, conduzem ao distúrbio energético, destroem o equilíbrio orgânico e
manifestam-se no corpo físico como maneira padronizada de adoecer, quando tudo na vida pede harmonia.
Se existe um universo fora de nós, do qual o Tao cuida com tanto carinho, igualmente existe
um micro-universo dentro de cada um de nós, nos pedindo cuidados, copiando o trabalho do Tao.

PULMÃO - FEI
1 – Governa o Qi e a Respiração
2 – Controla a Dispersão e a Descendência
3 – Controla a pele e pêlos
4 – Abre-se no nariz

PATOLOGIA - Ex:
• Deficiência e Qi do Pulmão – Voz fraca, tosse, expectoração aquosa
• Invasão de Vento-Frio – Resfriado, Tosse, muco aquoso, aversão a frio
• Invasão de Vento-Calor – Tosse, narinas congestionadas, muco amarelado, sede
O enfraquecimento da função respiratória do Pulmão pode ocasionar o quadro de Def. de Qi e a Def.
De Qi do Pulmão.
As Deficiências de Qi do BP e do seu Yang podem ocasionar a Def. do Qi do corpo, Afetando o
Pulmão
↓ GU Qi = ↓ZHONG Qi
(Fei une meio ambiente e os sopros)

M E R I D I A N O DO P U L M Ã O
O trajeto externo inicia-se no músculo peitoral superficial no primeiro espaço intercostal (P1). Desce ao longo do aspecto medial do
braço, atinge o processo estilóide do rádio e termina na borda ungueal medial do primeiro dígito. No cavalo, o meridiano termina no
aspecto caudomedial do casco, proximal à região coronária. Possui 11 pontos bilaterais Inicia-se a uma distância
abaixo da fossa subclavicular, desce ao longo da face Antero lateral do braço, face radial e palmar
do antebraço, passa sob a artéria radial, e termina no ângulo ungueal externo do polegar.