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Pró-Reitoria Acadêmica

Escola de Saúde
Curso de Biomedicina
Trabalho de Conclusão de Curso

TRATAMENTO DE ANEMIA COM ACUPUNTURA:


REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Autor: Gislane de Sousa Oliveira


Orientador: Esp. Fábio de França Martins
Co-orientador: Dr. Misael Rabelo Martins Custódio

Brasília - DF
2015
GISLANE DE SOUSA OLIVEIRA

TRATAMENTO DE ANEMIA COM ACUPUNTURA: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Monografia apresentada ao curso de graduação


em Biomedicina da Universidade Católica de
Brasília, como requisito parcial para obtenção do
Título de Bacharel em Biomedicina.

Orientador: Esp. Fábio de França Martins


Co-orientador: Dr. Misael Rabelo Martins Custódio

Brasília
2015
Monografia de autoria de Gislane de Sousa Oliveira, intitulado “TRATAMENTO DE
ANEMIA COM ACUPUNTURA: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA”, apresentado como
requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Biomedicina da
Universidade Católica de Brasília, em 10 de Novembro de 2015, defendido e
aprovado pela banca examinadora abaixo assinada:

_____________________________________________________
Esp. Fábio de França Martins
Orientador
Curso de Biomedicina – UCB

_____________________________________________________
Esp. Simone Cruz Longatti
Curso de Biomedicina– UCB

_____________________________________________________
Drª. Marilda Augusta Peres Oliveira
Bióloga

Brasília
2015
RESUMO

OLIVEIRA, Gislane de Sousa. Tratamento de Anemia com Acupuntura: Revisão


Bibliográfica. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Biomedicina) – Universidade
Católica de Brasília, Taguatinga – DF, 2015.

O estudo das anemias por perda de sangue depende de um completo


conhecimento sobre o sangue como tecido líquido e fluido e de sua fisiologia dentro
do organismo humano, para que os sintomas apresentados pelo paciente possam
auxiliar em um bom diagnóstico e conduta terapêutica. Além do tratamento oferecido
pela medicina tradicional conhecida no ocidente, a técnica de Acupuntura também
pode ser utilizada como tratamento e equilíbrio dos órgãos que estão causando o
aparecimento da anemia. A técnica de Acupuntura é realizada por meio de inserção
de agulhas em pontos específicos na superfície da pele, também chamados de
acupontos. O sangue e sua deficiência foram tratados com base na Medicina
Tradicional Chinesa e medicina tradicional, abordando desde a produção sanguínea,
anatomia, localização e fisiopatologia, correlacionadas com a Teoria do Zang Fu,
Teoria dos Cinco Elementos e Teoria do Yin e Yang.

Palavras-chave: Sangue, Anemia, Acupuntura, Acupontos, Medicina Tradicional


Chinesa.
ABSTRACT

OLIVEIRA, Gislane de Sousa. Tratamento de Anemia com Acupuntura: Revisão


Bibliográfica. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Biomedicina) – Universidade
Católica de Brasília, Taguatinga – DF, 2015.

The study of anemia from blood loss depends on a complete understanding


about the blood as liquid and tissue fluid and its physiology inside the human body.
Thus the symptoms presented by the patient can assist in a proper diagnosis and
therapeutic management. In addition to the treatment offered by Traditional Medicine
in the West, Acupuncture technique can also be used as treatment and balance
organs that are causing the onset of anemia. The acupuncture technique is
accomplished by inserting needles at specific points on the skin surface, also called
acupoints. The blood and its deficiency were treated based on traditional Chinese
medicine and traditional medicine, approaching from blood production, anatomy,
pathophysiology and location correlated with the Zang Fu Theory, Theory of the Five
Elements and Yin and Yang theory.

Keywords: Blood, Anemia, Acupuncture, Acupoints, Traditional Chinese Medicine.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 7

2 MÉTODO ............................................................................................................ 9

3 REVISÃO DE LITERATURA .............................................................................10

3.1 SANGUE E SUA ORIGEM .............................................................................10

3.1.1 HEMATOPOIESE ........................................................................................11

3.1.2 HEMOGLOBINA ......................................................................................... 23

3.1.3 ANEMIA POR PERDA DE SANGUE ......................................................... 27

3.1.4 TRATAMENTO ........................................................................................... 27

3.2 MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC) E ACUPUNTURA ................. 27

3.2.1 BASES FISIOLÓGICAS DA ACUPUNTURA ............................................ 31

3.2.2 XUE (SANGUE) ......................................................................................... 32

3.2.3 PATOLOGIAS DO XUE ............................................................................. 34

3.2.4 TRATAMENTO SEGUNDO A MTC ........................................................... 35

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 37

5 CONCLUSÃO .................................................................................................. 38

6 REFERÊNCIAS ............................................................................................... 40
7

1 INTRODUÇÃO

Anemia é um estado de doença do organismo humano em consequência a


algum distúrbio que prejudique a eritropoiese, seja por aumento da perda de
hemácias, diminuição de produção, aumento de destruição ou aumento da demanda
das mesmas, sendo relacionada com a incapacidade de entrega de oxigênio aos
tecidos (GREGORY et al, 2013; SILVA, 2013).
A anemia consequente de hemorragias pode ser classificada em aguda e
crônica, sendo conhecida também por anemia ferropriva, pois durante a perda de
sangue os estoques de ferro são reduzidos e classificados em três estágios de
acordo com a deficiência: depleção de ferro (estoques reduzidos por perda leve de
sangue), deficiência de ferro marcando o início da anemia (estoques empobrecidos,
MCV normal, e morfologia dos glóbulos vermelhos), e anemia por deficiência de
ferro avançado. A hemorragia é a causa mais comum, normalmente sangramento
gastrointestinal, grandes cirurgias, partos, acidentes, verminoses, distúrbios
ginecológicos (MOREIRA, 2010; AZEVEDO, 2013; SILVER, 2014).
Estudos realizados recentemente relatam que portadores de graus
moderados de anemia têm sido associados com diversas alterações fisiológicas
como lesão renal, acidente vascular cerebral, e morte. Além disso, dados clínicos
que indicam que a anemia pode gerar risco de lesão em órgãos como coração e
cérebro (GREGORY et al, 2013).
Portanto, a Medicina Tradicional Chinesa oferece uma técnica conhecida
como Acupuntura, que se baseia em uma intervenção terapêutica que adota a ideia
de que a “energia” organiza a matéria uma vez que se fundamenta no primado da
energia sobre a matéria e do doente sobre a doença (CINTRA & FIGUEIREDO,
2010).
Acupuntura então consiste em uma técnica terapêutica que se baseia na
inserção de agulhas na pele. Sua finalidade consiste em equilibrar a energia de
órgãos e tecidos a fim de harmonizar o organismo e proporcionar o bem-estar físico
e consequentes resultados terapêuticos, por meio de liberação de neuropeptídeos
locais e assim, proporcionar terapia ou cura de doenças (NUNES, 2010).
8

A principal finalidade desse trabalho é apresentar, através de revisão


bibliográfica, a relevância da Acupuntura como tratamento coadjuvante em casos de
anemia por perda progressiva de sangue e utilizar a técnica de Acupuntura com o
intuito de tratar o paciente portador de anemia, para que o mesmo possa usufruir
não apenas da melhora dos sintomas da anemia, mas sim ser tratado e curado da
patologia instalada que está ocasionando a anemia.
9

2 MÉTODO

Com base em uma revisão de sistemática, foi realizada uma busca


utilizando-se as bases científicas eletrônicas MedLine, PubMed, Biblioteca Virtual da
Saúde e Scielo empregando os seguintes palavras e suas combinações: sangue,
anemia (conceito, concept, tratamento), acupuntura, acupuncture, Medicina
Tradicional Chinesa, Traditional Chinese Medicine (história, history, conceito,
concept, Zang Fu).
Inicialmente, os artigos foram selecionados de acordo com os títulos e os
resumos apresentados, após busca eletrônica, considerando os artigos científicos
publicados nos últimos quinze anos. Também foram consultadas algumas revisões
sistemáticas, teses de banco de dados de outras universidades e livros de
acupuntura.
Assim, para cada estudo selecionado, foi realizada análise crítica para
avaliar a validade dos resultados obtidos e a possibilidade de suas conclusões
estarem fundamentadas em dados viciados.
Foram utilizados 28 artigos científicos nas bases de dados citadas, 15 teses
de outras universidades e 17 livros como referencial teórico.
10

3 REVISÃO DE LITERATURA

3.1 SANGUE E SUA ORIGEM

Sangue é um tecido de aspecto conjuntivo e especializado que circula por


entre canais fechados do organismo, representados por capilares, veias, artérias e
coração (BRASIL, 2009). Possui a função de transporte e dentre os principais
materiais transportados estão água, nutrientes, hormônios, eletrólitos e resíduos do
metabolismo celular (SILVA et al., 2012).
A porção celular do sangue corresponde em torno de 45% da totalidade
sanguínea, enquanto os 55% restantes são representados pelo plasma. Na porção
celular são encontrados eritrócitos, leucócitos e plaquetas, enquanto a porção
líquida é constituída por 92% de água e 8% de proteínas, sais e constituintes
orgânicos (LORENZI, 2006).
Seu deslocamento é diretamente dependente de uma boa funcionalidade
cardíaca e da livre passagem entre artérias, veias e capilares (SILVA et al., 2006).
Possui coloração vermelha, opaca e uma suspensão celular plasmática
(DRUMMOND, 2009). Em um organismo tido como normal, o hematócrito
corresponde a aproximadamente 40% a 54% em homens, 35% a 47% em mulheres,
36% a 44% em crianças a partir de um ano de idade e 44% a 62% em recém-
nascidos, com possíveis variações (VERRASTRO et al., 2005).
O volume sanguíneo pode ser variável quando relacionado com idade, peso e
gênero. No gênero masculino, com peso aproximadamente de 75 kg, o volume
corresponde a 5.000 mL (62,4 mL/kg de peso, ou seja, 4.680 mL). Enquanto o
volume de eritrócitos equivale a 28,2 mL/kg de peso, ou 2.120 mL (LORENZI, 2006).
Nas mulheres, devido alterações hormonais e perda de sangue durante o
ciclo menstrual, os valores se encontram reduzidos: 61,9 mL/kg de peso corpóreo,
ou seja, 3.404 mL de volume sanguíneo total, considerando um peso mediano entre
as mulheres de 55 kg. O valor eritrocitário corresponde a um volume de 1.390 mL ou
25,3 mL/kg de peso (LORENZI, 2006; OLIVEIRA & NERY, 2015).
A produção sanguínea ocorre por hematopoiese, definida como um sistema
de formação de sangue e engloba todo o processo desde a origem até a maturação
das células precursoras sanguíneas (VERRASTRO et al., 2005).
Os elementos celulares contidos no sangue originam-se de uma célula mãe
única, conhecida por nomenclaturas diversas, como célula pluripotente, totipotente,
11

stem-cell ou célula tronco, com capacidade de auto-renovação e diferenciação em


células sanguíneas especializadas que regulam a função biológica, controlam o
equilíbrio da homeostase, a função imunológica e resposta a microorganismos
diante de uma inflamação. São responsáveis também por formação, maturação e
desenvolvimento de células sanguíneas a partir dos hemocitoblastos, sendo
necessárias durante toda a vida para repor progenitores e precursores
comprometidos com a renovação da linhagem hematopoiética, além de serem
capazes de se diferenciar em outra célula especializada como os adipócitos,
cardiomiócitos, células endoteliais, fibroblastos / miofibroblastos, células de fígado,
osteocondróctes e células pancreáticas (NUNES, 2010; LORENZI, 2013;;
CHOTINANTAKUL & LEEANANSAKSIRI, 2012).
As stem cells são então divididas em duas linhagens: linhagem linfóide e
linhagem mieloide, e são geradas a partir de células estaminais hematopoiéticas
(HSCs). Células de linhagem linfóide incluem linfócitos T, B, e células assassinas
naturais (NK), enquanto progenitores mielóides comum (PGZC) podem dar origem a
todas as classes de células mielóides como megacariócitos e eritrócitos (MEGE),
bem como granulócitos e macrófagos (GM) (KONDO, 2010).

3.1.1 HEMATOPOIESE

A Hematopoiese (Figura 1) é iniciada na segunda semana, após a


fecundação, no mesoderma do saco vitelino, porém estudos recentes citam a
placenta, um órgão extra-embrionário, como outro órgão hematopoiético. Isto se
deve ao fato da placenta ser altamente vascularizada e sua fisiologia envolver a
ação de citocinas e fatores de crescimento, tornando o microambiente propício para
hematopoiese e desenvolvimento do embrião e de estruturas específicas
(CHOTINANTAKUL & LEEANANSAKSIRI, 2012).
12

Figura 1: Representação esquemática da produção de células sanguíneas maduras,


proliferação e diferenciação de células tronco hematopoiéticas.

Fonte: WOGNUM, 2015.


Unidade Formadora de Colônia (UFC). LT-HSC: Long-Term-Tronco Hematopoéticas celular; ST-HSC:
Short-Term-Tronco Hematopoéticas celular; MPP: Progenitor multipotencial; CMP: Progenitor
Mielóide Comum; CLP: Common Linfóide Progenitor; CFU-GEMM: unidade formadora de colônia -
Granulócitos / Erythrocyte / macrófago / megacariócitos; BFU-E: Explosão-Forming Unit - Erythroid;
CFU-E: unidade formadora de colônia - eritróide; CFU-Mk: Unidade Formadora de Colônia -
megacariócitos; CFU-GM: Unidade Formadora de Colônia - Granulócitos / macrófago; CFU-G:
Unidade Formadora de Colônia - Granulócitos; CFU-M: Unidade Formadora de Colônia – macrófago.
As células hematopoiéticas são mostradas na parte inferior. Marcadores adicionais podem ser
utilizados para distinguir entre mais subconjuntos.
13

Na fase fetal (Figura 2) ocorre a formação dos primeiros órgãos e no segundo


trimestre de gestação o fígado se torna o principal órgão hematopoiético, fase
hepática, e posteriormente se inicia a fase esplênica, que perpetua até o fim da
gestação, pois a medula óssea ainda não está totalmente formada. No terceiro
trimestre de gestação, a medula óssea completa sua formação e então esta se torna
o principal órgão hematopoiético até a fase adulta. Durante a fase fetal, as ilhas
sanguíneas do mesênquima associadas ao saco vitelino são responsáveis por
produzir inicialmente as células sanguíneas. Com o desenvolvimento do feto, a
função hematopoiética é redistribuída entre o baço, fígado, timo e linfonodos e no
trimestre final da vida fetal, esse processo se torna exclusivo da medula óssea,
principal local de eritropoiese, onde são gerados eritrócitos jovens que irão substituir
os eritrócitos envelhecidos eliminados na circulação sanguínea (ANDRADE, 2004;
DRUMMOND, 2009; NAOUM, 2013; BHARDWAJ & SAXENA, 2014).
Figura 2: Fonte de células sanguíneas durante a gestação até o nascimento.

Fonte: CHOTINANTAKUL & LEEANANSAKSIRI, 2012.


Intra-saco vitelino é o primeiro sítio de observação de eritrócitos. A hematopoiese na placenta e
ocorre em cerca de onda semelhante de gestação, logo após há a formação de células sanguíneas
14

no fígado fetal. As stem cells migram então para a medula óssea e esta se torna finalmente a fonte de
células do sangue na vida adulta.

Porém, para o desenvolvimento de células eritóides, são necessários fatores


estimulantes como fator de colônia específicos, como eritropoietina, fator estimulante
de granulócitos/monócitos (FEC-GM), de granulócitos (FEC-G), de megacariócitos
(FEC-Meg), Ferro adquirido no plasma e trombopoietina (VERRASTRO et al., 2005).
O ferro (Figura 3) exportado é eliminado pela TF (transferrina), que mantém Fe3 +
em um estado inerte e o entrega para os tecidos. O teor total de ferro de Tf (~ 3 mg)
corresponde a menos de 0,1% de ferro no organismo, sua reserva de ferro é
reabastecido em sua maioria por ferro reciclado a partir de células vermelhas do
sangue e, em menor extensão, por ferro absorvido da dieta. Eritrócitos velhos são
capturados pelos macrófagos reticuloendoteliais, que metabolizar hemoglobina e
heme, ferro e solta na corrente sanguínea. Por analogia com enterócitos intestinais,
macrófagos exportame Fe2 + a partir de sua membrana plasmática através
ferroportina, num processo de acoplamento por re-oxidação de Fe2 + a Fe3 + por
ceruloplasmina e seguindo-se o carregamento de Fe3 + a Tf (WNAG, 2011).
15

Figura 3: Regulação hormonal de efluxo de ferro dos enterócitos duodenais e macrófagos


reticuloendoteliais por hepcidina.

Fonte: WANG, 2011.


Enterócitos absorvem o ferro inorgânico ou heme da dieta e macrófagos fagocitam glóbulos
vermelhos velhos carregadondo o ferro. O Fe2 + é liberado no plasma através de ferroportina (FPN),
que está incorporada apo-TF após oxidação a Fe3 +. Hepatócitos geram o ferro e a hepcidina em
resposta aos sinais de alta quantidade de ferro ou inflamatórias, inibem o efluxo de ferro através
ferroportina e promovem a sua retenção no interior de enterócitos e macrófagos.

Para que ocorra uma eritropiese eficaz, precursores eritróides precisam de


muito mais ferro do que qualquer outro tipo de células no corpo. Ocorre então o
transporte de ferro para dentro da mitocôndria, que é fornecido por mitoferrina-1 e
esta interage com um transportador de ligação ao ATP e liga-se a ferroquelatase
para formar um complexo oligomérico, permitindo absorção de ferro heme iniciando
então a biossíntese de células eritróides (ABRAMOWSKI et al, 2014).
Essa biosíntese é chamada de eritropoiese. Um processo de passos
múltiplos que começa com o compromisso de células hematopoiéticas pluripotentes
(HSCs) em desenvolver a linhagem eritróide, representada por respostas
adaptativas que melhoram a oxigenação dos tecidos e requerem vários dias para se
16

desenvolver, promovendo o aparecimento de eritrócitos maduros na circulação,


mediado pela eritropoietina, em uma semana (ALMEIDA, 2014; BHARDWAJ &
SAXENA, 2014).
A eritropoietina é um hormônio glicoproteico sintetizado em 90% nas células
epiteliais que revestem os capilares peritubulares dos rins e 10% nas células
hepáticas. É o principal regulador da eritropoiese, pois estimula a diferenciação,
proliferação e maturação das células da linhagem eritrocitária. Na medula óssea,
tem a função de estabelecer ligação com receptores específicos presentes na
superfície das células eritrocitárias (BENTO et al., 2003; CRIVELLENTI, 2014).
A produção de eritropoietina (Figura 4) é primariamente estimulada pela
hipoxia e controlada a nível transcricional. Dependendo da severidade, os níveis
séricos podem aumentar até várias centenas de vezes. Assim que a eritropoietina se
liga ao dímero eritropoietina –R induz a estimulação da tirosina quinase JAK2, cuja
ativação conduz a fosforilação de várias proteínas. Desta forma, diferentes vias
intracelulares são ativadas: STAT5, PI- 3K/AKT, MAPK/ERK e proteína quinase. A
ativação de JAK2 origina também vários locais de ligação para proteínas de
sinalização intracelulares com domínios SH2. O promotor da eritropoietina é
suprimido pelo GATA-2 em condições de normoxia, sendo que, sob hipoxia, os
níveis de GATA-2 decrescem (ALMEIDA, 2014).
Figura 4: A eritropietina é um fator de crescimento hematopoiético cuja produção é regulada
por um estado de hipóxia.
17

Fonte: ALMEIDA, 2014.


Nessas condições ocorre um aumento de produção de eritropoietina –R em diversos tecidos.
Esse aumento conduz à eritropoiese em tecidos hematopoiéticos ou à indução de angiogênese e
inibição de apoptose e inflamação em tecidos não hemoterápicos.

Com isso, entende-se porque as células do sistema hematopoiético estão em


constante renovação, enquanto as células eritrocitárias envelhecidas são retiradas
da circulação, outras amadurecem e se diferenciam de célula jovem até eritrócito
maduro (Figura 5) (NAOUM, 2013)
Figura 5: Esquema ilustrativo da eritropoiese.
18

Fonte:CRIVELLENTI, 2014.
A partir da CFU-E, unipotente e comprometida com a série eritróide, tem início a produção de células
eritróides na medula óssea, que sequencialmente inclui os estádios de proeritroblastos, eritroblastos
basófilos, eritroblastos policromatófilos, eritroblastos ortocromáticos, reticulócitos e eritrócitos
maduros.
A primeira célula de origem eritrocitária é o Proeritroblasto (Figura 6). Possui
morfologia arredondada, um núcleo grande ocupando 4/5 da célula, cromatina
frouxa e contorno irregular com proeminências. O núcleo é constituído por uma
membrana fina e delicada e em seu interior é possível observar dois nucléolos com
presença de citoplasma basofílico. Possui capacidade de divisão em duas células
filhas e estas continuam a se dividir até que as células jovens resultem em 16 novas
células diferenciadas. Nessa fase nenhuma ou pouca hemoglobina é sintetizada e
após 20 horas, ocorre processo de mitose e o proeritroblasto se divide em dois
eritroblastos basófilos (BRASIL, 2015)
Figura 6: Proeritroblasto (PE).

Fonte: CRIVELLENTI, 2014.


19

O Eritroblasto basófilo (Figura 7) possui citoplasma basofílico, cromatina mais


condensada, porém os nucléolos não são visíveis. Relação núcleo/citoplasma é
diminuída e apresenta área esbranquiçada, perinuclear resultante do início da
condensação da cromatina nuclear. A microscopia eletrônica permite visualização de
20 a 30 mitocôndrias, centrossoma pequeno, e dois centríolos envolvidos por um
complexo de Golgi. Possui vida média de 40 horas e é responsável por iniciar a
síntese de hemoglobina (LORENZI, 2006).
Figura 7: Eritroblasto basófilo (EB).

Fonte:CRIVELLENTI, 2014.

Eritroblasto policromático (Figura 8) é menor que seu precursor. Possui


núcleo redondo com cromatina mais condensada e grosseira, impedindo totalmente
a visualização do nucléolo. A relação núcleo/citoplasma é ainda menor que o da
célula anterior e o citoplasma é abundante e acinzentado, em decorrência do início
de hemoglobinização celular. O núcleo dessa célula diminui proporcionalmente ao
seu envelhecimento e passa de ½ de volume inicial para ¼ de volume final. Possui
vida média de 24 horas e sintetiza em torno de 10 e 25 mg de hemoglobina
(NAOUM, 2013).
Figura 8: Eritroblasto policromático(EP).

Fonte: Autoria própria, 2015.


20

O Eritroblasto ortocromático (Figura 9) é uma célula arredondada, com


cromatina conspícua e ausência de nucléolo. Nessa fase o núcleo ocupa ¼ da célula
total e se desloca em direção à membrana citoplasmática com seu envelhecimento.
O citoplasma já apresenta grande concentração de hemoglobina, sintetizando de 13
a 25 mmg, adquire coloração amarelada ou acidófila característica do eritrócito. Os
núcleos dessas células são perdidos no parênquima medular e são fagocitados
pelos macrófagos presentes na medula. Uma vez sem núcleo, o eritroblasto
ortocromático pode então atravessar as paredes dos capilares sinusóides e adentrar
na corrente sanguínea. Possui vida média de 30 horas e nessa fase se inicia o
aparecimento de “picos” de bilirrubina (NAOUM, 2013; LORENZI, 2013).
Figura 9: Eritroblasto ortocromático (EO).

Fonte: Autoria própria, 2015.

O reticulócito (Figura 10) é caracterizado pela perda do núcleo proveniente do


eritroblasto ortocromático e perda das organelas, mitocôndrias e ribossomos. Por ser
o último precursor eritrocitário possui um diâmetro um pouco maior que do eritrócito
e não possui núcleo, sendo formado então por citoplasma acidófilo e sua
identificação é feita por meio do corante azul de cresil brilhante (BRASIL, 2015;
LORENZI, 2006).
Figura 10: Padronização da técnica de preparo de extensões em lâmina para contagem de
reticulócitos.
21

Fonte: SIMMIONATO, 2009.

Possui vida útil de 72 horas e sintetiza entre 25 e 30 mg de hemoglobina. O


aumento de reticulócitos na circulação está relacionado a uma resposta do sistema
hematopoiético a algum tipo de estresse, como por exemplo, anemia aguda, ou
presença de substâncias que interfiram na síntese de eritropoietina (NAOUM, 2013).
O tempo médio de maturação dos reticulócitos compreende cerca de quatro
dias, sendo que durante os três primeiro dias estes permanecem na medula óssea e
nas últimas 24h são lançados na corrente sanguínea. Nessa fase final, os
reticulócitos são desprovidos de todas as organelas e adquirem um formado
bicôncavo e coloração semelhante aos eritrócitos maduros. Toda a síntese proteica,
antes existente, é cessada juntamente com qualquer capacidade de metabolismo
aeróbico, restando apenas a metabolização da glicose pela via Embden-Meyerhoff
(geração de ácido lático) e pelo shunt das pentoses (MIYAKE, 2011).
A cada segundo, cerca de 2 milhões de reticulócitos são produzidos, e esta
produção pode ser aumentada em 20 vezes caso o organismo esteja com uma
perda sanguínea severa como hemorragia gastrintestinal, pois o tratamento tardio
pode levar a excessiva perda de sangue e aumento da morbidade e mortalidade;
Hemorragia obstétrica quando a perda sanguínea for superior a 1000 mL,
considerando-a como hemorragia severa; e infecções parasitárias no sistema
gastrointestinal (CAMUS et al, 2014; MARQUES et al, 2015; LHAMAS et al, 2015).
Portanto, a contagem de reticulócitos no sangue fornece informações de
extrema importância em relação à integridade funcional da medula óssea, portanto,
22

o melhor indicador de uma atividade eritropoiética na medula óssea é a contagem


relativa de reticulócitos (MIYAKE, 2011; LOURENÇO, 2004).
Uma pessoa normal apresenta uma maturação reticulocitária por volta de 3,5
dias na medula óssea e 1 dia no sangue periférico. Porém, quando um aumento da
eritropoiese é estimulado por um processo patológico ou terapêutico, o tempo de
vida média dos reticulócitos no sangue periférico aumenta, caracterizando uma
reticulocitose devido a uma grande liberação dessas células da medula óssea para o
sangue periférico (NAOUM, 2013).
Quando o organismo humano se encontra saudável aproximadamente 1%
dos reticulócitos é substituído todos os dias por eritrócitos. A contagem manual de
tais células em um esfregaço sanguíneo é possível devido à presença de RNA
polirribossômico que se cora facilmente com os corantes específicos (NAOUM,
2013).
Os eritrócitos são células anucleadas semelhantes a discos bicôncavos e são
os mais numerosos e menores elementos figurados, medindo aproximadamente 7,2
de mm diâmetro e 2,5 mm de espessura, 1 mm no centro e circulam na corrente
sanguínea por aproximadamente 120 dias antes de serem fagocitados (GARTNER &
HIAT, 2011).
Devido sua anatomia, o eritrócito apresenta uma borda mais corada e forma
discóide de suma importância o transporte de gases respiratórios e o centro mais
claro. À medida que circula por entre os vasos sanguíneos, perde partes de sua
estrutura citoplasmática, adquirindo uma conformação esférica à microscopia óptica
(LORENZI, 2006; CICCOLI, 2013)
A principal função do eritrócito consiste no transporte de hemoglobina, que
transporta oxigênio, para os pulmões e demais tecidos. Porém, também
desempenha outras funções, por exemplo, possui grande quantidade de anidrase
carbônica, que é uma enzima responsável por catalisar a reação entre o dióxido de
carbono (CO2) e a água (H2O) para formar ácido carbônico (H2CO3) (HALL, 2011).

3.1.2 HEMOGLOBINA

A molécula de hemoglobina é uma proteína globular contida no interior dos


eritrócitos, formada por quatro globinas associadas ao grupo heme. Complexo
23

composto por uma estrutura porfirínica e um átomo de ferro (TORRES &


DOMINGOS, 2005).
Um pequeno grupo de genes (α e β) é responsável pela codificação das
subunidades da hemoglobina e estas são expressas durante o desenvolvimento. No
braço curto do cromossomo 16 estão agrupados os genes do cluster α, enquanto no
braço curto do cromossomo 11 estão alocados os genes do cluster β (TORRES &
DOMINGOS, 2005).
Nos estágios iniciais da vida embrionária, os genes que se localizam no
eritroblasto e dentro do saco vitelino, são responsáveis pela produção da cadeia
zeta (ξ) e esta quando combinada à cadeia épsilon (ε), dá origem a hemoglobina
Gower 1 (ξ2ε2) (NETO & PITOMBEIRA, 2003). No início da oitava semana de
gestação, as cadeias produzidas são substituídas pela cadeia α adulta e duas
diferentes cadeias fetais, representadas por Gγ e Aγ. As cadeias γ são diferenciadas
apenas pela presença da glicina ou alanina na posição 136, respectivamente. As
hemoglobinas Hb Gower 2 (α2 ε2) e Hb Portland (ζ2 γ2) são detectadas durante a
transição do período embrionário para o período fetal. Durante toda a vida fetal
restante no interior do útero materno, a hemoglobina predominante é a HbF (α2 γ2).
Logo após o nascimento, as cadeias γ são substituídas pelas cadeias β e δ. Por
volta do sexto mês de vida após o nascimento 97% a 98% da hemoglobina é
formada pelo tetrâmero α2 β2 (HbA), enquanto HbA2 (α2 δ2) está presente em
aproximadamente 2% a 3%. Porém, após todas essas fases, pequenas quantidades
de HbF ainda podem ser encontradas no sangue adulto (TORRES & DOMINGOS
2005).

3.1.3 ANEMIA POR PERDA DE SANGUE

Anemia é o termo utilizado para designar um estado mórbido do organismo


em consequência ao aumento da perda de hemácias, diminuição de produção,
aumento de destruição ou aumento da demanda das mesmas. Com isso, elucida-se
que a anemia se apresenta como consequência de um distúrbio primário que possa
estar instalado em um órgão ou sistema do indivíduo (SILVA, 2013).
Anemia em condições tanto aguda como crônica está associada com um risco
acrescido de lesão em órgãos (cérebro, coração, rim) e de mortalidade. A
24

incapacidade de entrega de oxigênio aos tecidos provavelmente contribui como um


mecanismo central (GREGORY et al, 2013).
Portanto, a anemia resultante de desordem hematológica, perda de sangue
ou hipoxia, atividade eritropoiética pode ser definida fisiologicamente pelo grau de
comprometimento da oxigenação dos tecidos. Fornecimento de oxigênio aos tecidos
é controlada por um mecanismo bem equilibrada, que depende da taxa relativa de
fornecimento de oxigénio e a procura. A disponibilidade de oxigênio aos tecidos
depende diretamente da concentração de hemoglobina, saturação de oxigênio e
oxigênio, o grau e a taxa de variação no volume de sangue, assim como a
capacidade de compensação dos sistemas cardiovascular e pulmonar (SILVER,
2014; BHARDWAJ & SAXENA, 2014).
Recentemente uma revista publicou um estudo sobre anemia e esta diz que
anemia é um problema de saúde global que afeta cerca de 25% da população do
mundo. Portadores de graus moderados de anemia têm sido associados com
resultados adversos (Figura 11), incluindo lesão renal, acidente vascular cerebral, e
morte. Além disso, novos dados clínicos sustentam a hipótese de que há risco de
lesão de órgãos induzida pela anemia como enfarte do miocárdio e acidente
vascular cerebral, além de mortalidade que são acentuados pelas terapias
convencionais utilizadas que limitam as respostas cardiovasculares (GREGORY et
al, 2013).
Figura 11: Possíveis caminhos pelos quais o tratamento da anemia pode afetar a
sobrevivência.

Fonte: GREGORY et al, 2013.


25

A anemia costuma ser um quadro clínico resultante de um desequilíbrio entre


produção e perda de hemácias, seja ela por destruição exagerada ou hemorragia.
Em geral, quando há pequenas perdas, estas são compensadas pelo organismo por
meio de uma adaptação medular e devido a essa adaptação pode-se classificar as
anemias em duas classes: Regenerativa, onde as causas de anemia são periféricas,
por hemorragia grave ou hiper-hemólise, a medula óssea permanece saudável e
tenta respostas adaptativas para otimizar o oxigênio nos tecidos, podendo aumentar
em até 7 vezes sua atividade na tentativa de compensar as perdas. Estas respostas
incluem: um aumento característico do débito cardíaco (CO) que é proporcional com
o grau de anemia; uma redução no resistência vascular sistêmica com vasodilatação
específica do órgão preferencial para facilitar a perfusão de órgãos vitais, incluindo o
coração e o cérebro; um aumento da extração de oxigênio dos tecidos, com a
finalidade de manter a homeostase de oxigênio e sustentação do organismo e
arregenerativa, onde a anemia apresenta é decorrente de uma causa central e
medula óssea é comprometida, impedindo que a mesma consiga se adaptar à
perda, resultando em eritropoiese ineficaz (AZEVEDO, 2013; GREGORY et al,
2013).
A anemia por perda sanguínea também pode ser classificada em aguda e
crônica, sendo conhecida também por anemia ferropriva, pois durante a perda de
sangue os estoques de ferro são reduzidos e classificados em três estágios de
acordo com a deficiência: depleção de ferro (estoques reduzidos por perda leve de
sangue), deficiência de ferro marcando o início da anemia (estoques empobrecidos,
MCV normal, e morfologia dos glóbulos vermelhos), e anemia por deficiência de
ferro avançado. A hemorragia é a causa mais comum, normalmente sangramento
gastrointestinal, grandes cirurgias, partos, acidentes, verminoses, distúrbios
ginecológicos (MOREIRA, 2010; AZEVEDO, 2013; SILVER, 2014).
Com baixa concentração de ferro e consequente baixa circulação de oxigênio,
as células justaglomerulares dos rins são estimuladas liberando eritropoetina. As
moléculas eritropietina são enviadas à medula óssea, estimulando precursores
eritróides, aumentando sua produção e acarretando hiperplasia dessa série, com
aumento de divisões mitóticas e presença de células microcíticas, maturação
deficiente e hemoglobinização anormal com consequente hipocromia (AZEVEDO,
2013).
26

De acordo com a OMS, um indivíduo é considerado anêmico quando


apresenta diminuição dos níveis de hemoglobina menor que 13 g/dL de sangue e
menor que 12 g/dL de sangue para homens e mulheres respectivamente, que
acarretam diminuição da massa eritrocitária e inadequada oxigenação dos tecidos,
sendo que a diminuição da concentração de hemoglobina deve ser associada
sempre com a velocidade da perda do sangue (NEKEL, 2013).
Em alguns casos a anemia não apresenta manifestações clínicas na fase
aguda, se instala de forma silenciosa até sua fase crônica, tornando mais difícil a
regeneração da hemostasia, pois uma vez que há perda de sangue, há também
perda de ferro e diminuição da síntese de hemoglobina, proteínas plasmáticas,
proteínas séricas, albumina e concentração significativas de globinas séricas
(SILVA, 2013).
As manifestações clínicas da anemia dependem da capacidade do indivíduo
para compensar a perda da capacidade em transportar oxigênio. Quanto mais
abrupta o início da anemia, mais dramático são os sintomas. A perda súbita de mais
de um terço do volume de sangue de um paciente, por exemplo, geralmente resulta
em hipotensão, insuficiência respiratória, e alteração do estado mental aguda,
mesmo num paciente jovem, previamente saudável. Com o desenvolvimento crônico
da anemia, as modificações clínicas são mais discretas e dependem da idade e
condições co-mórbidas do paciente. O mais familiar dessas mudanças é um
aumento na saída de oxigênio, causando sintomas cardíacos como palpitações e
taquicardia, falta de ar, especialmente aos pequenos esforços, tonturas ou vertigens.
O paciente pode também se queixam de ruído nos ouvidos. Isto não é verdadeiro
zumbido, mas sim um som provocado pelo fluxo sanguíneo acelerado através da
orelha. Alguns pacientes desenvolvem um sentimento de fadiga profunda e
generalizada que pode ser acompanhado por uma perda da acuidade mental,
resultando na redução da capacidade de realizar tarefas simples, tais como a leitura
de um jornal (SILVER, 2014). Em casos mais graves onde a anemia não é tratada o
indivíduo pode desenvolver também coiloníquia (unhas em colher), cefaléias e dor
torácica, sendo que quanto menor for o nível de hemoglobina, pior são os sintomas
(MOREIRA, 2010).
27

3.1.4 TRATAMENTO

Em casos de anemia, seja por perda de sangue aguda ou crônica, a primeira


medida clínica a ser tomada, consiste em encontrar e tratar a causa do
sangramento. Em casos brandos, recomenda-se a ingestão de ferro via oral em
doses iniciais de 100-300 mg/dia. Se a perda de sangue for moderada, devido
hemorragias digestivas ou trauma, o tratamento ocidental consiste em reposição de
cristalóides para manutenção do volume plasmático dentro dos limites aceitáveis,
porém, se essa perda for maior que 1500 mL ou 30% do volume plasmático, há
necessidade de reposição de concentrado de hemácias por transfusão que corrigem
anemia imediatamente (CANÇADO, 2012; HEMORRIO, 2008; COELHO et al, 2014;
SILVER, 2014).
O volume sanguíneo para ser considerado normal, deverá necessariamente
ser aproximado de 8% do peso corporal do indivíduo e quando há perda
considerável desse volume, estas hemorragias são classificadas como: Hemorragia
classe I: perda de até 15% do volume total de sangue; Hemorragia classe II: perda
sanguínea de 15 a 30%; Hemorragia classe III: perda de sangue de 30 a 40%;
Hemorragia classe IV: perda de sangue maior que 40%. Devido a isso, pacientes
que apresentam hemorragia de classe II e IV podem facilmente evoluir ao óbito,
devido à falência múltipla de órgãos, por esse motivo, a transfusão de concentrado
de hemácias é recomendada caso a perda de sangue seja maior que 30% da
volemia total do indivíduo (BRASIL, 2010).

3.2 MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC) E ACUPUNTURA

A Medicina Tradicional é um sistema de prática médica antiga que se difere


em substância, metodologia e filosofia da medicina moderna, desempenha um papel
importante na manutenção da saúde para os povos da Ásia e está se sendo
frequentemente usada em países do Ocidente, se baseia na observação de
elementos naturais e correlação com tratamento de patologias (WANG & XIONG,
2013). Surgiu na China há aproximadamente 4.500 anos e continua a evoluir e se
aprimorar até os dias atuais, por meio de pesquisas que auxiliam no entendimento
de sua ação perante o organismo humano. Esses conhecimentos milenares foram
transmitidos de geração em geração, mas, algumas terminologias foram mantidas e,
28

portanto, são diferenciadas das conhecidas atualmente, o que dificulta sua aceitação
no meio científico moderno (WEN, 1985).
A filosofia e lógica científica são baseadas na observação e interação da
natureza com os organismos. Durante a dinastia Ching, a Medicina Tradicional
Chinesa foi rejeitada e banida pelo governo, devido à introdução de práticas médicas
ocidentais no país. Após esse episódio de rejeição, a técnica de MTC migrou para
outros países como França e Europa, e ao chegar na Suécia, uma tese de
doutorado comprovou a eficácia de uma de suas técnicas (Acupuntura) com
estruturas nervosas (SZABÓ et al., 2010).
A base da Medicina Tradicional Chinesa tem como alicerce 3 pilares e que
por intensa observação foram aplicados e relacionados ao mundo visível e na
explicação da formação de tudo o que há no universo: a Teoria do Yin e Yang,
Teoria dos Cinco Elementos e Teoria da Zang Fu. Na teoria do Yin Yang, o Yin é
entendido como a essência do descanso, a lua, escuridão e sombra, enquanto o
Yang é a essência do dia, a luz, o sol, a atividade e a luminosidade. Com isso
estabeleceu-se a teoria do Yin e Yang, ou seja, uma essência só pode existir com a
presença da outra, pois apesar de opostas, não se excluem, se completam (SOUZA
& MEJIA, 2013).
A teoria dos Cinco Elementos é baseada na relação entre os cinco elementos
naturais (Água, Fogo, Madeira, Metal e Terra) com cinco órgãos vitais do organismo
(Fígado, Coração, Baço, Rim e Pulmão). Dessa forma, a mesma relação de
dependência que há entre os elementos (Água domina o Fogo, Fogo domina Metal,
Metal domina Madeira, Madeira domina Terra e Terra domina Água) também existe
entre os órgãos (Rim domina o Coração, Coração domina o Pulmão, Pulmão domina
o Fígado, Fígado domina o Baço e Baço domina o Rim) (MACCIOCIA, 1996).
Finalmente, a Teoria do Zang Fu se baseia na interrelação entre os órgãos e
vísceras, ou seja, os Sistemas Internos (ROSS, 1985).
Para a Medicina Chinesa, acredita-se que existe uma intensa relação entre
Homem e Natureza que se observa no funcionamento entre órgãos (Zang) e suas
vísceras (Fu) acopladas, e essa teoria é conhecida no mundo oriental como teoria
do Zang Fu. Para que os órgãos apresentem um bom desempenho material, físico,
energético e metabólico é necessária uma energia conhecida como Qi. A associação
entre Qi (yang) e o Órgão-matéria (Yin) constituem a energia funcional para esse
órgão. Porém, existe uma terceira essência de energia denominada Shen (Espírito)
29

que é a interação entre mente, astral e fenômenos psíquicos que juntos


proporcionam o correto desempenho do organismo humano (MATTOS, 1996).
Com isso, entende-se que tudo o que há no universo se correlaciona na mais
perfeita harmonia, pois a partir da observação e interação do homem com a
natureza estabeleceu-se conhecimentos que constituem todo o saber entre fisiologia
e patologia na Medicina Tradicional Chinesa (YAMAMURA, 1993).
Uma das técnicas utilizadas em MTC se chama Acupuntura, uma intervenção
terapêutica que adota uma postura vitalista, ou seja, a ideia de que a “energia”
organiza a matéria, e não vice-versa uma vez que se fundamenta no primado da
energia sobre a matéria, do doente sobre a doença (CINTRA & FIGUEIREDO,
2010).
As bases fisiológicas da Acupuntura de acordo com Mendonça et al., (2011),
foram estabelecidas por estudos que comprovaram que Acupuntura não ocasiona
apenas efeitos isolados, e sim um conjunto de efeitos que juntos ocasionam uma
resposta biológica.
Respeitáveis revistas científicas publicaram artigos comprobatórios dos
efeitos fisiológicos da Acupuntura e sabe-se que o estímulo por agulhamento
ocasiona mudanças na função neuroendócrinas, incluindo liberação de
neuropeptídios no sistema nervoso central e periférico, que são responsáveis pela
analgesia, restauração de funções orgânicas e modulação imunitária em pacientes.
Após a estimulação de acupontos, estudos histológicos do tecido estimulado
apresentaram uma aumentada concentração fibrilar neural, rede capilar bem
desenvolvida e mucopolissacarídeos, postulando a especificidade terapêutica do
tratamento (IFRIM, 2005).
Sabe-se hoje que o tratamento por Acupuntura é capaz de estimular nervos
de pequeno diâmetro que enviam mensagens à medula espinhal, ativam neurônios
do tronco cerebral e hipotálamo, disparando mecanismo de opióides endógenos,
favorecendo a analgesia; ocasiona mudanças nos níveis plasmáticos ou liquóricos
de endorfinas, encefalinas e hormônio adrenocorticotrófico atuando como tratamento
de estresse, como também estimula neuropeptídios como uma forma de provocar a
expressão genética (KAPTCHUK, 2002).
Estudos mostram que a Acupuntura induz a produção de óxido nítrico
endógeno, que atua na regulação de dor e homeostase cardiovascular pela via
núcleo grácil-butirico, inibe a permeabilidade vascular, limita a aderência leucocitária
30

ao endotélio vascular e auxilia em casos de inflamação por meio de reação


exsudativa que se assemelha com componentes anti-inflamatórios (USICHENKO &
SHENG, 2004).
Acupuntura consiste em uma técnica terapêutica milenar, utilizada em
tratamentos de variadas condições clínicas, caracterizada pela inserção de agulhas
na pele. Sua finalidade consiste em equilibrar a energia de órgãos e tecidos a fim de
harmonizar o organismo e proporcionar o bem-estar físico e consequentes
resultados terapêuticos, por meio de liberação de neuropeptídeos locais e assim,
proporcionar terapia ou cura de doenças (NUNES, 2012).
A técnica de Acupuntura foi introduzida no Brasil pelo pesquisador e mestre
Frederico Spaeth, na década de 50 e o mesmo foi o responsável por fundar a
Associação Brasileira de Acupuntura e Instituto Brasileiro de Acupuntura (SOUZA et
al., 2013) e todo seu conhecimento se estabelece em dois elementos tidos como
fundamentais para um bom desempenho fisiológico. Estes elementos são Qi, que no
ocidente foi traduzido como “energia”, mas que literalmente significa “respiração
sobre o arroz não cozido”. O que o ideograma (ou o símbolo) “tenta passar” é a idéia
de potencialidade para se transformar em alimento, para fazer as coisas. Assim, o
“vapor quente”, “transforma” o “arroz cru” em “arroz cozido”, daí a possível tradução
de “Qi” como “energia” (SILVA, 2007). Xue, sangue circulante. O Qi possui a função
de auxiliar na produção de Xue, enquanto o Xue é responsável por nutrir os órgãos
que produzem o Qi (DRUMMOND, 2009). Segundo Macciocia (2006), Qi e Xue são
dependentes um do outro e inseparáveis, embora sejam diferentes entre si.
A base de toda a funcionalidade orgânica é o Qi. O Qi é o responsável por
toda a materialização de substâncias e matérias vitais produzidas pelo corpo. Para o
ser humano existem dois Qi de extrema importância que são resultantes da
interação entre o Qi do Céu e da Terra, estes são o Jin Ye (Fluidos Corpóreos) e o
Shen (Mente) (INTELIZANO, 2004).
Porém, somente em 1987 a Acupuntura foi reconhecida pela OMS como
ciência, e segundo a Portaria nº 971, de 03 de Maio de 2006,atualmente é descrita
como uma tecnologia de intervenção em saúde, que aborda integralmente o estado
saúde-doença do ser humano e dispõe de práticas corporais que auxiliam na
recuperação da saúde e prevenção de doenças (BRASIL, 2012).
31

3.2.1 BASES FISIOLÓGICAS DA ACUPUNTURA

Acupuntura consiste em uma técnica terapêutica milenar, utilizada em


tratamentos de variadas condições clínicas, caracterizada pela inserção de agulhas
na pele. Sua finalidade consiste em equilibrar a energia de órgãos e tecidos a fim de
harmonizar o organismo e proporcionar o bem-estar físico e consequentes
resultados terapêuticos, por meio de liberação de neuropeptídeos locais e assim,
proporcionar terapia ou cura de doenças (NUNES, 2012).
De acordo com Mendonça et al., (2011), as bases fisiológicas da técnica de
Acupuntura foram estabelecidas por estudos que comprovaram que Acupuntura não
ocasiona apenas efeitos isolados, e sim um conjunto de efeitos que juntos provocam
uma resposta biológica.
Respeitáveis revistas científicas publicaram artigos comprobatórios dos
efeitos fisiológicos da Acupuntura e sabe-se que o estímulo por agulhamento
ocasiona mudanças na função neuroendócrinas, incluindo liberação de
neuropeptídios no sistema nervoso central e periférico, que são responsáveis pela
analgesia, restauração de funções orgânicas e modulação imunitária em pacientes.
Após a estimulação de acupontos, estudos histológicos do tecido estimulado
apresentaram uma aumentada concentração fibrilar neural, rede capilar bem
desenvolvida e mucopolissacarídeos, postulando a especificidade terapêutica do
tratamento (IFRIM, 2005).
Sabe-se hoje que o tratamento por Acupuntura também é capaz de estimular
nervos de pequeno diâmetro que enviam mensagens à medula espinhal, ativam
neurônios do tronco cerebral e hipotálamo, disparando mecanismo de opióides
endógenos, favorecendo a analgesia; ocasiona mudanças nos níveis plasmáticos ou
liquóricos de endorfinas, encefalinas e hormônio adrenocorticotrófico atuando como
tratamento de estresse, como também estimula neuropeptídios como uma forma de
provocar a expressão genética, induz a produção de óxido nítrico endógeno, que
atua na regulação de dor e homeostase cardiovascular pela via núcleo grácil-
butirico, inibe a permeabilidade vascular, limita a aderência leucocitária ao endotélio
vascular e auxilia em casos de inflamação por meio de reação exsudativa que se
assemelha com componentes anti-inflamatórios (USICHENKO et al, 2004;
KAPTCHUK, 2002).
32

3.2.2 XUE (SANGUE)

Na MTC, Qi e Xue são dois elementos fundamentais para o bom


desenvolvimento fisiológico do organismo. O Qi possui a função de auxiliar a
produção de Xue e o Xue nutre os órgãos que produzem o Qi e um ditado chinês
muito antigo diz: “O Qi é o camandante do Xue. Aonde o Qi vai, o Xue segue atrás.
O Xue é a mãe do Qi. Onde o Qi está, o sangue já está lá” (DRUMMOND, 2009).
O Qi do Baço desempenha a função de manutenção do Xue, assim como, o
Coração (Xin) e o Fígado (Gan). O Coração (Xin) governa o Xue, o Baço (Pi) o
controla, enquanto o Fígado (Gan) o armazena (MACCIOCIA, 1996).
O Qi proveniente dos alimentos e do Pulmão (Fei) é o responsável pela
produção do Xue. O Qi transforma o Xue em uma substância fluente que irriga
órgãos e tecidos, sem o Qi, o Xue seria inerte, deficiente e estagnante. Dentro dos
vasos sanguíneos (Xue Mai), o Qi controla o Xue prevenindo a ocorrência de
hemorragias. O Xue e a Essência (Jing) são complementares entre si. O Jing
desempenha importância na formação do Xue, enquanto o Xue abastece o Jing
(INTELIZANO, 2004).
A definição e funcionamento de sangue (Xue) se diferenciam entre oriente e
ocidente. Para a medicina oriental, o Xue é o resultado da junção entre sangue e Qi,
uma energia circulante responsável por manutenção da vida, e seu desequilíbrio
provoca alterações no estado de saúde do indivíduo. Sua função consiste em
hidratar, nutrir, manter e umidecer estruturas como pele, pêlos, tendões, ossos,
órgãos, canais e qualquer outro tecido do corpo, pois circula por entre os tecidos,
impedindo que os mesmo sequem (NUNES, 2012).
Segundo Macciocia (2006), para a Medicina Tradicional Chinesa, a produção
de Xue acontece na medula óssea. O aspecto Yin dos rins (Shen) produz a medula
óssea e esta produz o sangue (Xue).
Um Qi também é originado dos alimentos e bebidas consumidos, e este é
chamado de Gu Qi (Figura 12). Esta energia é transformada no tórax por intermédio
do Qi do baço e o Qi do pulmão é enviado para o coração, enquanto a produção de
Xue na medula óssea na terceira semana de gestação é realizada por meio da ação
do Qi armazenada no rim, conhecido como Shen (MACCIOCIA, 2006).
33

Figura 12: Organograma de produção de Xue.

Fonte: Nunes, 2012.

O aspecto Yang da essência também exerce um papel importante na


produção do sangue, pois este ativa as transformações executadas pelo coração e
pelo pulmão no aquecedor superior e pelo baço/pâncreas (Pi) e pelo estômago (Wei)
no aquecedor médio Outros órgão também estão intimamente relacionados ao
sangue (Figura 13). O coração é responsável pelo movimento de sangue; o baço o
mantém dentro dos vasos, enquanto fígado e estoca. Outros órgãos se encontram
interligados na produção de Xue, que são baço/pâncreas (Pi), estômago (Wei),
aquecedor superior e aquecedor médio e atuam nas transformações executadas
pelo coração e pulmão. (DRUMMOND, 2009).
Figura 13: Formação Xue segundo a Medicina Tradicional Chinesa.

Fonte: DRUMMOND, 2009.


34

Assim como na medicina ocidental, o rim apresenta grande importância na


produção de sangue na medicina oriental, exercendo um efeito regulador e
armazenando a essência (Jing), o Qi necessário para a eritropoiese ocidental
(NUNES, 2012).
Porém, o Xue, pode ser acometido por quatro patologias que o tornariam
deficiente. Estas podem surgir devido a insuficiente produção de Xue, e ocorre
geralmente quando há uma deficiência do Qi do baço; quando há excesso de calor
no Xue em decorrência do calor do Fígado; falha na movimentação do Xue devido a
presença de calor ou frio no Fígado, que gera uma estagnação no Qi do órgão; e
perda de Xue devido a uma deficiência de Qi e Yin (INTELIZANO, 2004).

3.2.3 PATOLOGIAS DO XUE

Quando a deficiência de Xue está presente no organismo, desenvolve-se um


processo patológico conhecido na medicina ocidental como anemia, porém, pode
desenvolver outras doenças e não necessariamente anêmicas (LOURENÇO, 2004).
Essa deficiência está ligada com vários órgãos e sistemas que participam
ativamente da produção de Xue ou também por perda excessiva do mesmo, e
dentre as possíveis condições envolvidas nesse processo podem ser encontradas
deficiência no Qi do baço, Qi do coração ou até mesmo a deficiência do órgão como
um todo, como é o caso do rim (SILVA et al., 2012; NUNES, 2012).
Outro causador da estagnação do Xue é a presença de massa celular
abdominal, os tumores fixos, pois primeiramente estes estagnam o Qi, uma vez que
este movimenta o Xue, tornando ambos deficientes. As consequências dessas
alterações e estagnações do Xue evoluem para um quadro patológico que são
tratados na medicina oriental muitas vezes com a causa desconhecida. Por
exemplo, quando o próprio Xue obstrui um vaso, este mesmo promove o
sangramento e se esse acúmulo acontece de maneira demasiada, há formação de
massas palpáveis que podem evoluir para trombose e isquemia vascular
(INTELIZANO, 2004).
Quando o Xue está claramente deficiente, sinais e sintomas são
apresentados pelo corpo para relatar que algo não está funcionando corretamente e
esses sintomas são: pele seca, insônia, palpitação, tontura, contratura de tendões,
35

pelos secos e sem vida, fezes ressecadas com dificuldade de defecação, fraqueza e
fadiga, e assim como na medicina ocidental, o pulso pode se tornar fraco e as
mucosas podem aparecer descoradas (NUNES, 2012).
Para a MTC, o termo anemia não é utilizado, pois entende-se que há uma
desarmonia no sangue e basicamente isso. Esse quadro clínico é observado por
uma insuficiência de sangue circulante, decorrente desde hemorragias ou falha na
produção. É tido como uma condição crônica e dos sintomas pode-se destacar
insônia, palpitação, tontura, pele seca, contratura de tendões e cabelos secos e sem
vida (DRUMMOND, 2009).

Assim como na medicina ocidental, o pulso de um paciente com anemia se


torna fino e fraco e suas mucosas adquirem uma aparência pálida e descorada. A
mente do paciente se torna incapaz de proporcionar uma base firme e sólida ao
organismo e se torna inquieta, revelando uma ansiedade vaga e leve irritabilidade
(NUNES, 2012).

3.2.4 TRATAMENTO SEGUNDO A MTC

Na medicina chinesa, o tratamento de anemia se estabelece no equilíbrio do


organismo. Primeiramente um protocolo de tratamento é proposto para o tratamento
de anemia por meio de observação e caracterização minunciosa da desarmonia
entre os órgãos internos (Zang Fu) e os cinco elementos do paciente. Uma vez
esses padrões de deficiência estabelecidos e o protocolo elaborado, o processo de
tratamento é então iniciado (NUNES, 2012).
O protocolo envolve necessariamente a tonificação dos órgãos relacionados à
síntese de Xue e equilíbrio do Yang por meio do aumento do Qi do Baço e do Rim.
Desses pontos pode-se citar o BP 6, onde há inervação do nervo safeno e é um
ponto de tonificação do Baço, Rim e Fígado; VC 4, local onde há um ramo do
segundo nervo espinhal lombar e é responsável pela tonificação do Qi; VC 6, possui
um ramo do 13º nervo da espinha torácica e este regula o Qi pós-celestial; ST 36,
localizado em um ramo do nervo safeno e é um ponto geral de tonificação e
homeostático; VC 12, localizado onde passa o 9º nervo espinhal intercostal e é um
ponto de alarme do Estômago e influência dos órgãos Yang; BP 3, localização do
nervo digital plantar e um ponto de concentração de máxima energia; BP 10, onde
36

passa o nervo femoral e ponto de tonificação de Xue; B 20 e 21, meridiano de


nervos torácicos e ponto de associação do Baço e Estômago. Os pontos B 17, B18,
B 23, VB 39, também são importantes no tratamento de anemias, pois eles são
responsáveis por harmonizar e tonificar a energia do Fígado, Rins, Cérebro, e
Medula Óssea, além de serem pontos influentes no tratamento de hemorragia
crônica e anemia (MACCIOCIA, 1996).
A tonificação do Baço é de extrema importância no tratamento de anemias,
pois este órgão é o responsável pela captação do Qi dos alimentos, sendo estes
responsáveis pela síntese de Xue (NUNES, 2012).
37

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Existem poucos estudos que comprovem a eficácia do tratamento de anemia


com Acupuntura em humanos, porém, pesquisas realizadas recentemente, tanto em
medicina humana quanto em medicina veterinária, demonstraram êxito dessa
técnica como terapia complementar em tratamento de anemia por diferentes causas.
Pacientes humanos com anemia falciforme foram tratados com Acupuntura, e
demonstraram resultados positivos quanto ao alívio da dor presente nesse tipo de
patologia (NUNES, 2010).
Drummond (2009), estimulou os pontos BP 6, E 10, B 10, B 17, B 18, B 20,
VB, 39, F 8, IG 11, PC 3 e VG 20, e avaliou em laboratório a resposta hematológica
de 7 animais submetidos ao tratamento para anemia com Acupuntura com os
seguintes parâmetros: eritrócitos, hemoglobina, leucócitos totais, hematócrito e
proteína sérica. Em 24 horas foi observado aumento de 16,10% de eritrócitos,
41,98% de leucócitos, 1,25% de hemoglobina, 4,44% de hematócrito e 2,77% de
proteína total.
O estudo de Drummond (2009) comprova a validade da Acupuntura em
patologias que acometem o sistema hematológico como um todo, porém, em outro
trabalho, Esper et al (2012), estimulou principalmente os pontos E 36, IG 4 E IG 11 e
comprovou que esses pontos influenciam no aumento da concentração de
hemoglobina corpurscular média (CHCM) de animais tratados com Acupuntura, pois
houve aumento de células jovens avaliadas em laboratório, benéficas no tratamento
de pacientes anêmicos.
38

5. CONCLUSÃO

A anemia por perda sanguínea é uma causa comum de instalação de anemia.


Causas comuns são normalmente sangramento gastrointestinal, grandes cirurgias,
partos, acidentes, verminoses, distúrbios ginecológicos.
Porém, para um indivíduo ser considerado anêmico, a hemoglobina do
mesmo deve estar menor que 13 g/dL de sangue e menor que 12 g/dL de sangue
para homens e mulheres respectivamente, segundo a OMS.
As manifestações clínicas apresentadas por um paciente anêmico dependem
da capacidade do indivíduo para compensar a perda da capacidade em transportar
oxigênio e estas podem ser palpitações e taquicardia, falta de ar, especialmente aos
pequenos esforços, tonturas ou vertigens, zumbido, fadiga profunda e generalizada,
perda da acuidade mental, unhas em formato de colher, dor de cabeça e dor
torácica, sendo que quanto menor o nível de hemoglobina, pior são os sintomas.
O tratamento utilizado para anemia por perda de sangue aguda ou crônica,
consiste primeiramente em encontrar e tratar a causa do sangramento. Casos mais
leve de sangramento, onde o indivíduo apresenta uma anemia leve, a medida
terapêutica se baseia na ingestão de ferro via oral em doses iniciais de 100-300
mg/dia e se a perda for bastante acentuado e maior que 1500 mL ou 30% do volume
plasmático, há necessidade de reposição de concentrado de hemácias por
transfusão que corrigem anemia imediatamente.
Porém, para a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) a anemia é consequente
de um processo patológico instalado no sangue, porém, outras doenças podem se
desenvolver e não ser necessariamente anêmicas.
Para a MTC, a anemia está ligada com vários órgãos e sistemas que
participam ativamente da produção de sangue e se há uma falha, a causa pode ser
perda excessiva de sangue deficiência na energia dos órgãos que regulam a
produção do sangue, como é o caso do baço e coração ou deficiência de um órgão
específico, como o rim.

O tratamento consiste então em elaborar um protocolo onde a técnica de


Acupuntura possa ser utilizada. Esse tratamento se estabelece no equilíbrio do
organismo e só é iniciado quando há uma intensa observação e caracterização
39

minunciosa da desarmonia entre os órgãos internos (Zang Fu) e os cinco elementos


do paciente para encontrar a causa da anemia e só após essa observação, o
protocolo de tratamento é então estabelecido.
O objetivo estabelecido por esse trabalho foi comprovar por meio de revisão
bibliográfica a eficácia da Acupuntura em tratamentos de anemia decorrente de
hemorragia e foi concretizado por meio dos estudo de Drummond (2009) e Esper et
al (2012), que conseguiram mostrar, por meio de análise laboratorial, que o estímulo
de acupontos é capaz de desencadear a eritropoiese, podendo ser um auxiliar no
tratamento de anemias.
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