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BAKEWELL, P. “A Mineração na América Espanhola”. In: Bethel, L.

História da América
Latina. Vol 1: América Latina Colonial.

Um dos eixos centrais do texto orbita em torno (da importância) do mercúrio no


contexto da mineração da prata na América espanhola colonial, substância que é apresentada
no início do texto como “a contribuição mais substancial do Peru para o Império” (p.102). Há
uma preocupação em evidenciar a dependência do elemento na produção de prata (que está
vinculado ao processo de amalgamação) durante toda época de vigência da colônia que, por
sua vez, estruturou-se sobre a economia minera. O texto deixa entrever que, sem o mercúrio, a
produção mineral na América espanhola não teria sido o que foi. A matéria-prima (sua
produção e distribuição), diferentemente dos metais preciosos, estava sob controle direto da
coroa espanhola, detentora de duas das três fontes (Huancavelica, no Peru; Almadén, na
Espanha) acionadas no contexto da atividade. A narrativa procura evidenciar de que modo a
história da mineração nas principais provincias mineras da América Espanhola foi afetada
pela sua disponibilidade e pelas decisões régias relativas ao mercúrio.
Trata-se de um texto centrado na história econômica em que se constrói uma narrativa
sobre a mineração de metais preciosos no espaço colonial organizada sobre sua dimensão
produtiva. Volta-se ao ouro e sobretudo à prata – cuja maior importância, neste contexto (em
rendimentos e quantidade), confere-lhe destaque na abordagem. Do ponto de vista espacial,
procede uma observação centrada em toda América Espanhola, porém, preocupando-se em
realizar uma espécie de comparação entre o contexto Andino e o da Nova Espanha. Do
primeiro, centra-se em Potosí; do segundo, destaca a porção norte do território. Para cobrir a
dimensão produtiva, aborda aspectos estruturais como a extração e o processamento,
destacando técnicas, procedimentos, inovações e matérias-primas; a mão-de-obra, discorrendo
sobre os sistemas de trabalho e suas implicações socioespaciaisas; os sistemas de
financiamento e as regulações estatais. Apresenta também estimativas produtivas de todo o
período colonial do ouro e da prata para a Nova Espanha e para os Andes. Na parte final, com
base nas estimativas e nos aspectos estruturais já explorados, esboça uma análise sobre o
desenrolar da mineração nos principais territórios coloniais e sobre suas mútuas implicações.
Bakewell apresenta uma perspectiva da mineração tomando-a como um fenômeno que
afetou quase integralmente a vida colonial, uma vez que balizou a conquista, a exploração e
colonização da América espanhola. Para ele, a produção mineral também repercutiu
decisivamente sobre o modo de ocupação do território, levando ao acúmulo de riqueza e de
população em áreas que, sem a produção metálica, teriam sido desimportantes.