Você está na página 1de 2

COMO CRIAR SUA SINOPSE DE MINISSÉRIE por Michel Luiz

Bom, quem já leu “Como criar sua sinopse de novela”, já tem uma ideia de como se faz uma sinopse para a área de teledramaturgia. Essa versão para minissérie, não difere muito do da novela. Mas existem algumas pequenas diferenças.

A maior delas é que a minissérie é uma obra fechada, que o público não interfere. Ou seja, geralmente, quando se vai ao ar, a minissérie já está totalmente gravada. Se mexem em algo, é na edição.

Pelo fato, então, da minissérie ser uma obra fechada, a sinopse tem que ser bem mais trabalhada do que a novela, pois nela, o autor deve descrever o início da trama, todo o seu caminho e o desfecho. As características dos personagens, também seguem esse esquema, porque ao contrário da novela, os personagens são bem mais desenhados. Sem a interferência do público, eles não mudam no meio do caminho se acaso o intérprete não esteja conquistando a simpatia do telespectador. É como se a minissérie fosse uma espécie de “filme longo, aos pedaços”, na televisão.

1 – segue-se o mesmo padrão: premissa, story line ou introdução, sinopse, características dos personagens, personagens de apoio, personagens eventuais, locações e cenários. Porém, de uma forma mais detalhada. O ator recebe todo o caminho do personagem. Sabe como ele começa e como termina, e isso é bom, porque ele o compõe com mais apuro.

2 – quando se tem a sinopse aprovada, o autor escreve os capítulos da minissérie

(geralmente de 4 a 30) de uma vez, como se fosse um filme. Então, antes de entregar a sinopse, o autor tem que ter uma visão mais apurada da obra. É como se ela fosse mais sua do que a novela, em que a audiência interfere em tramas que estejam agradando ou não. Na novela, a resposta do público é imediata. Na minissérie, não. Grava-se e a exibe quando a emissora acha necessário.

3 – há de se ter algumas liberdades quando se escreve minisséries. Os temas são

tratados com mais veracidade do que em novela. As cenas são fortes, e se deve abusar

do inusitado. O público espera que a minissérie surpreenda. Que marque!

4 – devido ao tempo maior que se tem para realizá-la, há uma proximidade maior

entre autor/diretor/ator para a composição da mesma. Por isso que capítulo de minissérie deve ser visto na teledramaturgia como se fosse um média metragem por dia. A minissérie se esmera em cuidados mil. A imagem é melhor, o texto é melhor. Não que a novela também não seja assim. Mas a minissérie se tem mais tempo para aprimorar, assim como a um filme.

5 – quando se pensa em minissérie a gente geralmente pensa numa trama adaptada de

grandes obras literárias. Mas nem sempre é assim. Houve minisséries que não

Mas a

maioria não. E é aí que a gente entra numa questão: como se adapta? Como se faz uma adaptação? A emissora compra os direitos da obra quando ela ainda não está em domínio público. Mas há casos em que, mesmo ela em domínio público, a crítica cobra que a adaptação televisiva esteja à altura do livro. E é aí que o bicho pega. As pessoas não entendem que adaptar não é fazer igual do que está no livro. Até porque, já imaginaram, o quão chato seria, colocar diálogos em que os personagens falam palavras difíceis ou que caíram no desuso, em fato que ia aborrecer o telespectador? É aí que se entra a licença poética, que mais tarde, também vou falar em outra postagem.

tiveram essa linha, como Boca do lixo, Labirinto, Bandidos da Falange

6 – Tipos de adaptações:

a) adaptação livre: você pega uma obra literária que se passa nos anos 20, e a adapta

para a atualidade – o que aconteceu com Manoel Carlos quando fez “Presença de Anita”; com Aguinaldo Silva – que adaptou “Riacho Doce”; e com Jorge Furtado que transferiu o sertão nordestino de “Memorial de Maria Moura” de Rachel de Queiróz, para a região do interior mineiro. Neste último caso, o autor descaracterizou a ambientação, mas não os personagens. Resultado: foi sucesso de crítica e público.

b) adaptação inspirada: você pega alguma obra de domínio público, e apenas se inspira. Cria a trama central em face a ela, e o resto você se vira. Como “O Cravo e a Rosa”, de Walcyr Carrasco que foi inspirada na “A Megera Domada”.

c) adaptação baseada: quando você segue, passo a passo, toda a obra de origem. Isso

é o mais difícil, a meu ver, porque você tem que ter conhecimentos de História para fazê-la – ou ter um colaborador bom que faça uma boa pesquisa para você. Mesmo assim, você tem que “viajar” para aquele ambiente, para poder entrar no clima. O público cobra mais esse tipo de adaptação, e se você cria algo de novo, tem que se preocupar em encaixar isso no universo da obra. Uma saída boa, é você pegar duas obras de um único autor, e juntá-las, como fez Maria Adelaide Amaral que juntou em “Os Maias”, o romance homônimo com “A Relíquia”, ambas de Eça de Queiróz, e Aguinaldo Silva que juntou “Mar Morto” e “A descoberta da América pelos turcos”, para montar “Porto dos Milagres”, tendo feito a mesma coisa, ao escrever “Fera Ferida”, um compilado das obras de Lima Barreto.

Em outro post, vou falar mais sobre adaptação e sobre tramas de época, porque este post é apenas para minissérie. Espero ter ajudado.

Abraço a todos. O próximo documento vai ser “Sinopse de Seriado”. Valeu!

Interesses relacionados