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UNIDADE 4

PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E
PSICOLÓGICA

Objetivos
• Compreender as preparações técnica, tática e psicológica.
• Analisar as preparações técnica, tática e psicológica aplicadas à Prepara-
ção Física.
• Identificar a importância de cada tipo de treinamento em Preparação Fí-
sica Geral.

Conteúdos
• Preparação Tática.
• Preparação Técnica.
• Preparação Psicológica.

Orientações para o estudo da unidade


Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir:

1) Para ampliar seu horizonte de conhecimento, procure entender os concei-


tos sobre a qualidade de vida e a promoção da saúde no envelhecimento,
consultando artigos, livros e revistas confiáveis. Tome muito cuidado com
sites comerciais, que possuem o objetivo de promover produtos e marcas.

2) Este caderno é somente um direcionamento para seus estudos. Para apro-


fundar o que é aqui colocado, ao final desta unidade, preparamos o Con-
teúdo Digital Integrador, um material em que você pode explorar mais
detalhadamente cada conteúdo que, durante a elaboração do Conteúdo
Básico de Referência, foi elencado de maneira geral.

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1. INTRODUÇÃO
Destacaremos nesta última unidade a preparação técnico-
-tática e psicológica.
Procure, sempre que possível, se aprofundar nos diversos
assuntos aqui colocados e busque sempre novas fontes de pes-
quisa e informações. Lembre-se de que tão importante quanto
os conceitos teóricos é você ter capacidade de colocar em práti-
ca todo seu aprendizado.

2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA


O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma su-
cinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão
integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteú-
do Digital Integrador.

2.1. PREPARAÇÃO TÉCNICA, PREPARAÇÃO TÁTICA E PREPARA-


ÇÃO PSICOLÓGICA

Em homenagem ao um dos maiores ídolos do esporte bra-


sileiro, não poderíamos deixar de mencionar o inigualável Ayrton
Senna (Figura 1), que conseguiu de maneira muito clara, mostrar
suas qualidades não somente como atleta, mas, como pessoa de
maneira muito marcante, sendo um ícone para a geração que o
acompanhou e um referencial para aqueles que não o conhece-
ram competindo, mas, que com certeza, o terão como exemplo
de dedicação técnica, tática e de controle psicológico.

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Figura 1 Ayrton Senna, em sua última corrida em Ímola, Itália, em 1994. Ele foi um
dos grandes ícones da Fórmula 1, que se destacou por sua técnica, tática e controle
psicológico principalmente nas corridas em dias de chuva.

Preparação técnica
Podemos entender como preparação técnica o conjunto
de procedimentos que vão garantir soluções mais eficazes para
as tarefas motoras, fazendo com que as atividades que devem
ser desenvolvidas sejam feitas com maior eficiência, de manei-
ra objetiva e econômica, ou seja, a preparação técnica tem seu
enfoque em proporcionar o melhor desempenho com o menor
desgaste possível, de acordo com a especificidade de cada mo-
dalidade esportiva, atividade física ou modalidade, dentro das
características de cada competição (WEINECK, 2003; PLATONOV,
2008).
Dentro da preparação técnica, podemos formular uma sé-
rie de movimentos, gestos esportivos com detalhes específicos

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que irão culminar na performance, em que as estratégias traça-


das pelos profissionais envolvidos com a preparação física virão
ao encontro da capacidade de assimilação do aluno/atleta. Não
é incomum escutarmos ou notarmos um dom nato em alguns
atletas, em que a técnica bem apurada os direciona à realização
de movimentos, jogadas, lançamentos e saltos impressionantes.
Quando os observamos mais detalhadamente, podemos consta-
tar o emprego da técnica.
Platonov (2008, p. 354) descreve:
Preparação técnica é o grau de assimilação pelo desportista,
pelo sistema de movimentos (técnica da modalidade esportiva)
de determinada modalidade, orientada para obtenção de me-
lhores resultados. A preparação técnica não pode ser analisada
isoladamente, mas, sim, o componente integral de um todo em
que as soluções técnicas são estritamente relacionadas às capa-
cidades físicas, psíquica e tática do atleta, assim como as con-
dições concretas do meio externo, em que a ação desportiva é
realizada. Naturalmente, quanto maior for o número de pro-
cedimentos e ações dominadas pelo desportista, melhor será
sua preparação para a solução das tarefas táticas complexas su-
geridas na disputa competitiva e mais eficaz será sua resposta
aos ataques do adversário e sua capacidade de provocá-lo com
tomada de decisões situacionais inadequadas.

Dantas (2003) descreve a importância da relação entre o


atleta/aluno e seu técnico/professor/treinador, em que o pri-
meiro deve estar envolvido com o treinamento de forma inte-
gral, com característica comportamental e qualidades pessoais
que sinalizem tal envolvimento, comprometimento e determina-
ção com a modalidade esportiva, atividade física, exercício ou
esporte.

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O autor supracitado delega ao treinador a responsabili-


dade da elaboração tática e da liderança sobre os seus alunos/
atletas e a interação de maneira integral, estimulando a prática
esportiva e aumentando a confiança entre as partes (professor-
-aluno, treinador-atleta).
O treinador ainda demonstra, na Figura 2, atitudes que
podem consolidar essa relação e firmar uma excelência no trei-
namento tático, representadas pela pontualidade nos horários
de chegada, no início dos treinamentos e na manutenção de um
vestuário compatível com a modalidade esportiva.
Podemos notar isso de maneira bem acentuada em moda-
lidades em que a utilização de uma roupa apropriada (como na
natação) ou um tênis adequado (como no atletismo) são impor-
tantes para que a prática esportiva seja realizada. Observamos
aqueles alunos que estão motivados e os que não estão pelo es-
tado de conservação desses “equipamentos”.
O asseio com a aparelhagem de treino e do local de treina-
mento pelo treinador/professor e mesmo com o próprio corpo,
na hidratação, na proteção contra os raios solares com bloquea-
dores, o estado geral com que o aluno/atleta tem em relação ao
seu material esportivo também são sinalizadores positivos na re-
lação do aluno com o treino, do treinador com o aluno, do aluno
com o treinador e do treinador com o local de treinamento.
Outros fatores importantes, segundo o autor, são a manu-
tenção do respeito mútuo com uma linguagem precisa, calma e
respeitosa entre ambos, em que desperte no aluno a vontade
cada vez maior de dedicar-se aos treinamentos técnicos com o
professor/treinador, de modo que este consiga obter o domínio
sobre o aluno/atleta. A energia e o entusiasmo de ambos (trei-
nador e aluno) são também reflexo de que a preparação técni-

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ca está se radicando e que o aluno se sente motivado durante


os treinamentos e, ao término deste, a prosseguir para a sessão
subsequente.
Cabe tanto ao aluno/atleta como ao professor/treinador a
ponderação em reconhecer eventuais limites físicos, psicológi-
cos e técnicos, mas também agir com persuasão de atingir metas
e objetivos, transpondo de maneira saudável limites até então
não alcançados ou ainda não experimentados.

Figura 2 Esquema embasado nas explanações de Dantas (2003) sobre os pontos


importantes na relação professo/treinador e aluno-atleta no desenvolvimento da
preparação técnica.

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Weineck (2003) afirma que a técnica não possui o mesmo


significado em todas as modalidades esportivas e, dependendo
da modalidade, ela pode ter diferentes significados que são par-
ticulares em cada modalidade esportiva. Desta forma, naquelas
práticas em que são necessárias a precisão da técnica como a
patinação artística (Figura 3), a patinação de velocidade (Figura
4) ou a ginástica olímpica (Figura 5), por exemplo, o desenvolvi-
mento da técnica é de extrema importância, pois nessas modali-
dades esse é um fator decisivo para o desempenho.
Em modalidades de lutas (Figura 6) ou em modalidades es-
portivas, em que o desenvolvimento da força é muito importan-
te, a técnica, quando bem trabalhada, tem grande influência em
situações decisivas.
Notamos que, nesses casos, muitas vezes a técnica se so-
brepõe à força, sendo consagrado o atleta com maior técnica,
mesmo em modalidades esportivas que apresentam uma predo-
minância da resistência, como é o caso das modalidades espor-
tivas coletivas como futebol (Figura 7), voleibol, handebol, entre
outros, com uma duração mais extensa. Nos esportes de longa
duração, como o ciclismo (Figura 8), corridas em longas distân-
cias, natação em mar aberto, por exemplo, a técnica terá um pa-
pel que pode ser decisivo na economia de energia.

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Figura 3 Patinação artística.

Figura 4 Patinação de velocidade.

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Figura 5 Ginástica olímpica.

Figura 6 Exemplo do emprego da técnica na luta olímpica.

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Figura 7 Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, um dos grandes exemplos de técnica no


futebol.

Figura 8 Exemplo da utilização da técnica no ciclismo, representado pela figura do aluno


do Claretiano João Paulo Firmino, atleta de elite no ciclismo.

Platonov (2008) relata que o surgimento de novos equipa-


mentos e aparelhos, em especial no esqui e no esqui alpino, no
salto com esqui na ginástica artística e em muitas outras modali-

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dades afetou diretamente a técnica desportiva das modalidades


e permitiu aos desportistas aumentarem sua técnica.
Segundo Melo; Bucioli (2016), esses equipamentos são os
recursos ergogênicos (ergo = trabalho/gen = produção) mecâni-
cos que melhoram a performance esportiva, podendo tornar a
técnica mais eficiente, culminando em uma melhor performance
esportiva e um desempenho com maior eficácia e menor gasto
energético.
Outro fator relevante para o desenvolvimento da técnica
foi o surgimento dos diversos campos de pesquisa, assim como a
evolução tecnológica que propiciou novas descobertas nos cam-
pos científicos, nas mais diversas e distintas modalidades espor-
tivas, atividades físicas e esportes. Pudemos encontrar publica-
ções com atletas e não atletas, com as diferentes faixas etárias,
o que permitiu que novos treinamentos fossem desenvolvidos,
dosados e novos métodos fossem testados e associados a outras
ciências como a Nutrição, a Medicina Esportiva, a Fisioterapia,
entre outras.
Ainda dentro desta vertente de avanços científicos e tec-
nológicos, podemos citar a diversidade de informações disponí-
veis no meio virtual, a democratização e a amplitude da multi-
disciplinaridade e o brilhantismo da robótica e da precisão das
análises, tanto em tempo como em fidelização de resultados, o
que propiciou para treinadores (professores) e atletas (alunos)
um universo quase inesgotável de possibilidades que a cada dia
surge com uma nova informação.
Platonov (2008) cita a fundamentação teórica dada ao es-
tudo que foi apresentada como o fundamento biomecânico da
técnica da posição mais racional do corpo para transpor a barra
transversal (sarrafo). Foram necessários quase 30 anos para que

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a fundamentação teórica fosse transposta brilhantemente na


prática, originando o salto chamado fosbury-flop (Figuras 9 e 10).

Figura 9 Exemplo da técnica fosbury-flop inspirada em Platonov (2008).

Figura 10 Descrição da sequência pedagógica da técnica fosbury-flop.

Somente em 1968, na 22ª Olimpíada, no México, R. Fos-


bury (que deu o nome à técnica) conquistou a medalha de ouro
apresentando este novo salto, constituído de duas novidades.
A primeira, uma corrida lateral e, a segunda, uma passagem
de costas sobre a barra transversal (sarrafo), no momento de
ultrapassá-lo.
É muito importante salientar que os saltos realizados ante-
riormente, salto em tesoura (Figura 11) e rolo ventral (Figura 12),
foram preponderantes para o desenvolvimento do fosbury-flop
(Figura 13), pois estas primeiras técnicas também foram muito

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eficazes, e somente o trabalho conjunto de atletas talentosos


e treinadores obstinados fez com que esta evolução técnica se
consolidasse.
Notamos na Figura 14, o jovem Dick Fosbury, em 1968, até
então desacreditado aos 16 anos na conquista da medalha de
ouro, após executar uma nova técnica de salto batizada como
fosbury-flop.

Figura 11 Salto em tesoura, que consiste em uma técnica de aprendizagem mais fácil,
porém, menos eficiente.

Figura 12 Rolo ventral: técnica com um grau mais apurado de dificuldade, porém, mais
eficiente que o salto em tesoura.

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Figura 13 Salto fosbury-flop, mais utilizado atualmente, foi realizado pela primeira
vez na 22ª Olimpíada do México, em 1968, por Dick Fosbury. Esse salto rendeu-lhe a
medalha de ouro.

Figura 14 Dick Fosbury, em 1968, na conquista da medalha de ouro, após executar uma
nova técnica de salto batizada como fosbury-flop.

Platonov (2008) relata que atualmente notamos haver


pouco espaço para o desenvolvimento de novas técnicas que
gerarão grandes melhorias nos desportos. Porém, no alto nível,
mesmo as menores adequações podem trazer resultados nos
milésimos de segundo que separam o lugar mais alto do pódio.
Na estrutura da preparação técnica, é muito importante destacar
os movimentos e as ações básicas, e as ações e os movimentos
complementares.

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Os movimentos básicos e as ações básicas podem ser en-


tendidos como a base de todos os recursos técnicos de uma
modalidade. Podemos afirmar que esses movimentos ou ações
fundamentais são de suma importância para a assimilação dos
movimentos ou ações complementares que constituirão, segun-
do o autor supracitado (Ibidem, 2008), o segundo passo, em que
serão englobados os elementos que comporão os movimentos
isolados realizados pelo desportista/aluno ou atleta particular
(individual) sendo integrados e relacionados a cada individuali-
dade biológica.
Essas ações personalizadas que irão constituir as peculia-
ridades de cada aluno/atleta/desportista podem ser entendidas
denominadas como "estilo" de cada praticante de atividade físi-
ca/ desportista.
Nas primeiras etapas da preparação técnica para as com-
petições, notamos uma qualificação técnica relativamente baixa.
Vemos isso muito claramente em modalidades esportivas no iní-
cio de suas temporadas. O treinamento e o nível de técnica vão
se apurando e o aperfeiçoamento dos movimentos e das ações
básicas vão tomando forma e se refletindo no refinamento e na
edificação do movimento específico das modalidades esportivas
que, ao serem integrados aos movimentos complementares, de-
terminarão a individualidade, a potencialidade e a característica
de cada esportista/aluno/atleta com fatores que influenciam di-
retamente nas conquistas.
Weineck (2003, p. 385) elucida os fatores que influenciam
no aprendizado da técnica da seguinte forma (Figura 15):

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Fonte: Adaptado de Weineck (2003, p. 385).


Figura 15 Fatores que influenciam o aprendizado técnico.

Weineck (2003) descreve as fases do aprendizado da téc-


nica, separando-as em: fase de informação e aquisição, fase de
coordenação grosseira, fase de coordenação fina e fase de fixa-
ção – complementação e disposição dos movimentos.
A fase de informação e aquisição pode ser conceituada
como o primeiro contato com o movimento a ser aprendido e
o desenvolvimento dos movimentos e requisitos básicos de sua

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execução. É marcada pela reprodução contínua, repetição e có-


pia do movimento. A aquisição de um movimento pode ser alta-
mente favorecida pelo repertório de movimentos, pelo nível de
coordenação motora inicial e pela capacidade de observação e
de compreensão de um movimento.
Já na fase de coordenação grosseira existirão as primeiras
experiências com a execução prática do movimento por informa-
ções verbais simples. Durante essa fase, os movimentos grossei-
ros executados vão sendo aprimorados.
Nota-se que os principais erros na fase de coordenação
grosseira são o uso excessivo da força, problemas com o ritmo
de execução, em que o movimento é feito "aos trancos", movi-
mentação insuficientemente abrangente com velocidade de exe-
cução imprópria, sendo lento demais ou excessivamente veloz e
falta de precisão.
Podemos dizer que a fase de coordenação fina é a fase de
correção dos movimentos aprendidos anteriormente, em que
todos os erros apontados na fase anterior serão minimizados e
a precisão de coordenação torna-se enfatizada. Podemos notar
nesta fase, de maneira antagônica à anterior, uma mobilização
adequada da força, com ritmo e abrangência de movimentos
com fluência de velocidade e execução adequados ao exigido
na modalidade esportiva. Outro fator relevante observado nesta
fase é a maior compreensão das informações verbais que tam-
bém levarão à maior precisão dos movimentos.
Por fim, na fase de fixação, complementação e disposição
dos movimentos é que são vistas as progressões técnicas e os
limites de cada aluno atleta, pois são elencadas todas as qualida-
des absorvidas com o treinamento em consonância com a capa-
cidade de aprendizagem. A coordenação motora fina é emprega-

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da em situações não habituais, dando ao aluno/atleta/esportista


a capacidade de automatizar os movimentos mais rudimentares
da execução ou dos movimentos mais parcializados. Daí ele pode
focar sua atenção em partes mais específicas e consequente-
mente mais difíceis em uma sequência.
Esta fase é caracterizada pela precisão, pela harmonia e
pela constância dos movimentos. Poderemos notar no Quadro 1
um resumo dos fatores das fases de aprendizado quanto ao mé-
todo de treinamento e os aspectos neurofisiológicos (MARTIN,
1977 apud WEINECK, 2003).

Quadro 1 Resumo dos fatores das fases de aprendizado quanto


ao método de treinamento e os aspectos neurofisiológicos.

CRITÉRIOS EVOLUÇÃO
FASES DO APRENDIZADO
METODOLÓGICOS NEUROFISIOLÓGICA
NO DESENVOLVIMENTO
NO PROCESSO DE NO PROCESSO DE
DA TÉCNICA ESPORTIVA
TREINAMENTO TÉCNICO APRENDIZADO MOTOR
As primeiras percepções
Primeiro esboço
óticas, acústicas,
1) Fase de ajuste do da sequência de
verbais constituem o
treinamento de acordo movimentos, obtenção
primeiro estímulo para
com o objetivo do dos requisitos através de
o desenvolvimento
exercício. exercícios e de aptidões
de uma sequência de
básicas.
movimentos.
Fase de "irradiação" do
A sequência de
processo de estimulação
movimentos é ensinada
= irradiação dos estímulos
2) Fase da coordenação em sua totalidade,
que passam a predominar
grosseira: a sequência porém sob condições
sobre os processos de
de movimentos pode facilitadas, sem treinar os
inibição. A consequência
pela primeira vez ser detalhes do movimento
desta irradiação é
visualizada como um isoladamente.
uma inervação pouco
todo. O objeto desta fase é
econômica e exagerada
treinar uma sequência de
da musculatura envolvida
movimentos.
no movimento.

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CRITÉRIOS EVOLUÇÃO
FASES DO APRENDIZADO
METODOLÓGICOS NEUROFISIOLÓGICA
NO DESENVOLVIMENTO
NO PROCESSO DE NO PROCESSO DE
DA TÉCNICA ESPORTIVA
TREINAMENTO TÉCNICO APRENDIZADO MOTOR
A estrutura total treinada
na fase de coordenação
grosseira é mantida.
Nesta fase, cada Na "fase de
etapa do treinamento concentração", os
técnico é executada processos de inibição
3) Fase de coordenação separadamente. e excitação focalizam
fina: cada fase do Um esquema da sobre os centros e órgãos
movimento apresenta movimentação é o a serem inervados. O
uma estrutura dinâmica objetivo de treinamento sistema formado por
e cinemática própria. técnico. As condições inibição e estimulação é
A concatenação de de aprendizado são lábil.
movimentos desta padronizadas. A forma Na maioria das
sequência é consciente. do treinamento de vezes, o processo de
coordenação fina movimentação se
depende do objetivo completa pelo controle
e do processo de sensorial e ótico.
treinamento, bem como
da conscientização do
atleta.
Processos de
estimulação e inibição
Uma sequência estável são automatizados de
de movimentos somente modo que a sequência
é obtida com variações de movimentos possa
de situações e sob as ser executada de
4) Fase de fixação condições vigentes em modo inconsciente.
e estabilização: os uma competição. O Nesta etapa, as vias de
movimentos são fixados objetivo a ser alcançado condução nervosa são
sob a forma de reações é uma grande capacidade concluídas no córtex
em função da ação dos de reação e adaptação. cerebral. Deste modo,
meios interno e externo. Também é importante a coordenação dos
desenvolver grande movimentos torna-se
sensibilidade ao estável, e a atenção
movimento e percepção do esportista pode
sobre ele. se concentrar nas
partes mais difíceis do
movimento.
Fonte: Adaptado de Martin (1977 apud Weineck, 2003, p. 544).

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Preparação tática
Podemos entender por tática os procedimentos utilizados
para que sejam concretizadas as ações motoras responsáveis
pela eficácia em uma atividade, por meio de objetivos prede-
finidos, verificamos isso na Figura 16 onde os “procedimentos
utilizados” da equipe de futebol, disposta taticamente em linha
sejam” concretizadas as ações motoras responsáveis pela eficá-
cia” da defesa em colocar o ataque em situação de impedimento
Platonov (2008, p. 370) completa este raciocínio, dizendo
que
[…] o nível de preparação tática depende do controle exercido
pelo atleta sobre os meios táticos (procedimentos técnicos e
meios usados para sua realização), tipos de tática (de ataque,
de defesa, de contra-ataque) e formas da tática (individual, em
grupo, em equipe).

Figura 16 Preparação tática.

A tática pode ser distinguida de duas formas: tática geral


ou específica. A tática geral refere-se às regras gerais, comuns a
diversas modalidades, enquanto a tática específica é peculiar de
uma modalidade esportiva e deve ser particularmente treinada.
(WEINECK, 2003).

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UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

As perícias táticas são formas da manifestação da consciên-


cia do atleta/aluno/esportista que se refletem na ação de acordo
com o conhecimento tático, podendo ser a perícia de entender
a ação de um adversário, de antever ou de modificar a própria
tática, por exemplo.
Os conhecimentos táticos são um conjunto de formas táti-
cas, meios ou tipos táticos particulares a serem utilizados duran-
te a prática esportiva.
As habilidades táticas são as ações aprendidas taticamen-
te, fruto da combinação das ações individuais e coletivas que se-
rão utilizadas durante uma competição.
O raciocínio tático é a capacidade mental em uma situação
desfavorável durante a prática esportiva, de orientar-se para a
solução de tarefas táticas concretas.
Todos estes componentes podem estar intrínsecos em um
atleta ou serem adquiridos com o treinamento. A preparação tá-
tica pode ser alcançada por meio de disputas ou da participação
em uma série de competições, em que o atleta/aluno/esportista
se utiliza destas para seu preparo tático, elegendo algumas com-
petições principais e preparando-se dentro de uma temporada
para obter os melhores resultados naquelas que são mais impor-
tantes para ele.
Dentro dessa perspectiva, Weineck (2003) fornece uma vi-
são geral dos componentes da tática:

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UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

Tática Esportiva
Baseada sobre
Capacidade Técnica Capacidade
Cognitiva Adquirida Psicofísica
Direcionada para
Comportamento ideal em competições mobilizando todo o
potencial individual
Fonte: Weineck (2003, p. 579).
Figura 17 Adaptado de Weineck (2003, p. 579). Visão geral dos componentes da tática.

Desta forma, segundo o autor supracitado, o comporta-


mento ideal em uma competição está pautado no domínio total
da tática adequada àquela situação. Porém, a tática somente é
possível se houver concomitantemente um perfeito desenvolvi-
mento técnico, contanto que muitos autores, ao descreverem a
preparação tática, não a segmentam da preparação técnica, jus-
tamente por entender que, para um perfeito desenvolvimento
tático, não somente a técnica, mas as capacidades intelectuais
e psíquicas devem estar integradas e relacionadas conforme a
figura 18
Segundo Sonnenschein (1987 apud Weineck, 2003, p. 580),
Não há sentido em falar de "dar cobertura" em um jogo se o
adversário for muito superior em velocidade e resistência. Um
jogo em time deve ser cooperativo, mas cada componente do
time deve poder lidar individualmente com situações vigentes
em competições, caso contrário, a derrota é certa, sobretudo
se houver falta de empenho por parte dos jogadores [...]. É
comum esquecermos que o desempenho esportivo também
relaciona-se a processos cognitivos, emocionais e à vontade,
devem ser otimizados para o aumento do desempenho das ap-
tidões físicas.

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UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

Fonte: Weineck (2003, p. 580).


Figura 18 As diversas capacidades da coordenação.

Platonov (2008) afirma que a base da preparação tática do


desportista ou equipe é formada pelos seguintes componentes:
1) Domínio dos meios, formas e tipos de tática atuais
para determinada modalidade esportiva.
2) Correspondência entre o nível de desenvolvimento da
tática na modalidade e a estrutura ótima na atividade
competitiva dessa modalidade.
3) Correspondência entre o plano tático e as particulari-
dades da respectiva modalidade (local da competição,
caráter da arbitragem, comportamento dos torcedores
etc.).

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UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

4) Articulação entre a tática e o nível de aperfeiçoamento


de outros aspectos da preparação técnica, psicológica
e física.
A especificidade de cada prática esportiva é um fator de-
terminante na escolha dos procedimentos táticos e da estrutura
de treinamento de cada atleta. Platonov (1986 apud Platonov,
2008) exemplifica que, em modalidades cíclicas, um componen-
te básico para a preparação tática seria o trabalho de velocidade
e força com complexa coordenação. Independentemente dos ad-
versários ou das provas que serão disputadas, estes componen-
tes devem estar taticamente explicitados durante o treinamento.
Portanto, um grande número de fatores delineará a sele-
ção de um esquema tático racional para uma atividade de com-
petição. Esses fatores estarão estritamente correlacionados com
o perfil da modalidade. Dessa forma, a especificidade dos fato-
res deve estar de acordo com a "prova" a ser disputada e com
as capacidades técnicas, físicas e psíquicas do esportista/aluno/
atleta. Nas modalidades cíclicas, podem ser utilizadas variantes
diversas que estarão ligadas diretamente ao aspecto da compe-
tição para superar o percurso competitivo:
1) Velocidade regular.
2) Velocidade alta na primeira parte do percurso, com
subsequente desaceleração.
3) Velocidade alta no início e no final do percurso, com
desaceleração na parte média.
4) Intensificação da velocidade durante todo o percurso.
5) Variação da velocidade alternando altas, médias e bai-
xas velocidades ao longo do percurso.

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UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

6) Velocidade constante na parte inicial do percurso, com


aceleração nas partes média e final.
7) Velocidade constante nas partes inicial e média do per-
curso e aceleração na parte final.
Dependendo da característica da "prova" que se disputa,
determina-se a escolha de uma dessas variantes exemplificadas
ou outras são criadas, na imensa gama de possibilidades. Dentro
do percurso da duração e da intensidade, especifica-se e adota-
-se estratégia tática que se enquadra ao melhor desempenho.
Consolidando estas escolhas, é imprescindível ressaltar
que a tomada de decisão nas modalidades apresenta as seguin-
tes particularidades, conforme Platonov (2008, p. 372):
• A atividade realizada em condições de tempo extremamente
limitadas – qualquer que seja a decisão correta, possui validade
tática apenas na situação operativa, em resposta às condições
competitivas daquele momento.
• Caráter indeterminado e sequencial das decisões – em conse-
quência de cada decisão, a situação sofre alterações e passa a
exigir nova tomada de decisão, muitas vezes até oposta à deci-
são anterior.
• A percepção de um grande número de elementos e situações tá-
ticas que se estruturam em um sistema dinâmico, em resposta
aos prognósticos mais corretos sobre o desenvolvimento tático.
• A tomada de decisão está ainda relacionada à chamada visão
panorâmica, que corresponde a todo campo visual do aluno/
atleta/desportista que se relacionará aos elementos táticos.
• A escolha das decisões táticas entre variantes bastante seme-
lhantes e a capacidade de realizar alterações bruscas, seguindo
variantes intermediárias e secundárias.
• A manutenção da memória operativa e da ordenação racional
dos elementos táticos de acordo com o planejamento e as alte-
rações no decorrer da ação motora.

© PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL


206
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

Em um planejamento tático, é preciso levar-se em consi-


deração as capacidades técnico-táticas de cada integrante de
uma equipe, mas também a capacidade de assimilação global
das estratégias (em caso das modalidades de equipe). Desta
forma, ao observarmos os pontos ou atletas/alunos/esportistas
com pontos táticos mais fortes, podemos programar para cada
confronto uma estratégia diferente, coletiva ou individualmente,
por exemplo, conhecendo-se as potencialidades ou os potenciais
individuais de cada equipe ou atleta.
Isso torna possível, a cada partida ou confronto, analisar e,
dentro das possibilidades, manipular taticamente posicionamen-
tos, ações técnico-táticas e até, no caso das disputas individuais,
criar estratégias táticas de ataque e defesa mediante a ação do
opositor, como em uma luta ou em um jogo em que o adversário
apresenta uma tática que deve ser neutralizada ou vencida, deli-
neando o sucesso tático sobre o oponente.
Para Platonov (2008, p. 373),
Nos jogos desportivos, um problema tático importante é o pro-
cessamento dos esquemas técnico-táticos de um jogo e sua
respectiva introdução na preparação, de modo a aproveitar os
pontos fortes de cada jogador e atenuar pontos fracos. Neste
caso, o treinamento em competições consegue respeitar as ne-
cessidades individuais e coletivas e garantir a produtividade da
equipe que refletirá tanto a força do grupo como de cada joga-
dor, individualmente.

Veja a reportagem da Fox Sports, a seguir, que descreve o


sistema tático das seleções do Brasil e da Alemanha, na fatídica
partida da final da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, em que a
Alemanha ganhou de 7 a 1.

© PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL


207
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

Em clima de superação, Brasil encara Alemanha por vaga


na final da Copa–––––––––––––––––––––––––––––––––––––
Com desfalques de Neymar e Thiago Silva, Seleção Brasileira busca
classificação à decisão do Mundial nesta terça-feira (8 de junho)

Brasil e Alemanha se enfrentam, nesta terça-feira, no Mineirão,


pela semifinal da Copa do Mundo (FOX).

A Seleção Brasileira encara, nesta terça-feira (8 de junho), no Mineirão, o seu


maior desafio nesta Copa do Mundo até aqui. Além de não contar com Neymar,
artilheiro e principal nome da equipe, e o capitão Thiago Silva, o Brasil vai ter
pela frente a tricampeã mundial Alemanha – uma das seleções mais badaladas
do torneio –, em busca de uma vaga na final da competição. Os canais FOXS-
ports e o FOXPlay.com transmitem o confronto ao vivo a partir das 17h.

© PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL


208
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

© PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL


209
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

A formação da Seleção Brasileira para o confronto foi definida em torno de


uma única questão: “quem vai ser o substituto de Neymar?”. Com o camisa
10 fora da Copa – por conta de uma fratura da vértebra –, Felipão deve alterar
o esquema tático. Antes com três atacantes, o time agora vai contar com três
volantes. Luiz Gustavo, que retorna após cumprir suspensão, forma o meio de
campo ao lado da dupla Fernandinho e Paulinho. A opção pelo trio de marca-
ção também implica em mudança na lateral direita. Apostando em ofensivas
pelas alas, o técnico deve promover a volta de Daniel Alves, que havia sido
substituído por Maicon contra a Colômbia, ao time titular. Por fim, Dante vai
assumir o lugar de Thiago Silva, fora da partida pelo segundo cartão amarelo.
Assim como o Brasil, a Alemanha deve apostar em uma escalação diferente
da última partida e, curiosamente, a mudança também será no ataque. Klose,
que iniciou a partida contra a França, não teve um bom desempenho e retorna
ao banco. Com isso, Gotze, titular no início da Copa, volta ao time principal. A

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210
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

alteração, no entanto, não traz mudanças na forma da equipe jogar, mantendo


o 4-3-3 dos jogos anteriores.

Sem Neymar, uma das grandes apostas da Seleção Brasileira é o meia Oscar.
Com a opção por três volantes, o camisa 11 deve ter mais liberdade para a
criação das jogadas e, em alguns momentos, atuar como um terceiro atacante
ao lado de Hulk e Fred – o meio-campista conta com duas assistências e um
gol no Mundial. Além disso, os lados do campo também devem ser alternativa
para o setor ofensivo. A opção por um meio de campo “congestionado” por
volantes, e a volta de Daniel Alves – com mais poder ofensivo que Maicon –,
abre espaço para que os laterais atuem como alas e cheguem mais ao ataque.
A seleção alemã, por sua vez, conta com a qualidade para trabalhar as jogadas
como principal trunfo. Os alemães têm o melhor aproveitamento de passes no
torneio, com 82% de acertos, em um total de 2938 – mais que o dobro da mé-
dia da competição, que é de 1458. Nesse fundamento, a peça mais eficiente
da Alemanha é Toni Kroos. O meio-campista é o segundo jogador com mais
assistências nesta Copa (três em 10 gols de sua seleção), atrás somente de
Cuadrado, da Colômbia, que somou quatro ao longo do torneio.

© PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL


211
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

Cotado como possível substituto de Neymar, Willian deve ser umas das
principais alternativas entre os suplentes de Felipão. Embora pouco testado
nesta Copa, há grande expectativa sobre o rendimento do meio-campista do
Chelsea desde o início da competição. Caso o treinador opte por sua entrada,
o time pode abrir mão da formação com três volantes e voltar ao esquema das
partidas anteriores, com trio ofensivo.
Maior artilheiro das Copas – ao lado de Ronaldo, com 15 gols –, Klose teve
chance entre os titulares no último jogo, mas o mau rendimento o colocou de
volta entre os reservas. Apesar disso, o atacante deve ser nome certo em
campo durante a partida, caso a Alemanha precise do gol. Além do poder de
finalização, existe o incentivo extra de que um tento nesta terça-feira coloca
Klose definitivamente acima de Ronaldo na artilharia da história dos Mundiais,
justamente contra o Brasil.

© PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL


212
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

O mexicano Marco Rodriguez Moreno, auxiliado pelos compatriotas Marvin


Torrentera e Marcos Quintero, será o árbitro da partida. O juiz fará a sua ter-
ceira participação nesta Copa do Mundo. Antes disso, Moreno já havia apitado
duas partidas na fase de grupos: Bélgica e Argélia, e Itália e Uruguai – esta úl-
tima, marcada negativamente por não ter visto a mordida de Suárez em Chiel-
lini. Ao todo, o mexicano aplicou seis cartões amarelos e uma expulsão no
torneio (FOX SPORTS, 2014).
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Preparação psicológica
Atualmente, a preparação psicológica dos esportistas
tornou-se um ponto precípuo da preparação física. Diversos
autores, entre eles aqueles que estão embasando nossos
estudos, como Weineck (2003) e Platonov (2008), evidenciam
a grande importância desta preparação, principalmente no alto
nível, em que a sobrecarga das competições, o estresse físico dos
treinamentos, as repentinas e longínquas viagens, se não forem
controlados psicologicamente, poderão abreviar o desempenho
e até a carreira dos atletas.
Para Platonov (2008, p. 382),

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213
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

O sucesso no desporto depende de forma significativa das par-


ticularidades psicológicas individuais, e consequentemente
uma modalidade desportiva apresenta aos atletas exigências
que ajudam a formar a qualidade individual necessária para o
êxito nas competições.

Conforme Weineck (2003, p. 587),


No esporte de alto nível, o esportista é muitas vezes sobrecarre-
gado pela grande sobrecarga psicofísica; neste caso, o processo
de treinamento deve ser otimizado por medidas que favoreçam
a recuperação após a sobrecarga esportiva. Neste contexto,
a contemplação do treinamento tradicional com métodos de
apoio psicológico tem se demonstrado muito eficiente.

Segundo o autor supracitado, os métodos de treinamento


psicológico podem ser classificados, de acordo com seus objeti-
vos, em três grupos:
1) Métodos psicológicos para a melhoria da recuperação
e o aumento do desempenho físico.
2) Métodos psicológicos para a melhoria do processo de
aprendizagem da técnica.
3) Métodos psicológicos para recuperação de distúrbios
físicos que influenciem no desempenho do esportista.
Existem pesquisas, segundo Platonov (2008), que afirmam
sobre as particularidades da personalidade de desportistas,
principalmente no esporte de rendimento (alto nível). Estes se
destacam quando comparados a atletas menos qualificados ou
pessoas que não praticam atividades físicas, ou não fazem ne-
nhum exercício e tampouco estão envolvidos com os altos trei-
namentos que os esportistas qualificados com maior destaque
realizam.
1) Sentimento de superioridade e confiança de maneira
geral.

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214
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

2) Autossuficiência e determinação para defender seus di-


reitos em quaisquer situações e a qualquer momento.
3) Obstinação.
4) Persistência.
5) Equilíbrio emocional.
6) Grande clareza de objetivos.
7) Extroversão.
8) Agressividade competitiva.
Os atletas de alto nível apresentam atividade cognitiva
mais eficaz do que aqueles que não se enquadram na elite das
modalidades esportivas. Assim, apresentam um nível de atenção
mais aguçado, com maior capacidade de perceber e avaliar situa-
ções e grande perspicácia em prever inquietações e dificuldades,
antevendo situações; por outro lado, devido à acentuada capaci-
dade de perceber as ações dos adversários, e ao sentimento de
superioridade anteriormente citado, a latente posição, o senti-
mento de autossuficiência e a obstinação marcante podem levar
estes atletas a comportamentos antissociais (VEALEY, 1992 apud
PLATONOV, 2008).
Assim como nas outras formas de treinamento, as caracte-
rísticas individuais estão relacionadas a particularidades da mo-
dalidade esportiva. Podemos notar nos jogos que as característi-
cas pessoais de maior significância na determinação da eficácia
da segurança da atividade competitiva, segundo Klesov (1993
apud PLATONOV, 2008), são:
• Na esfera da motivação e da volição: motivação compe-
titiva, autocontrole volitivo e firmeza.
• Na esfera emocional: equilíbrio, estabilidade e
segurança.

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215
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

• Na esfera comunicativa: posição pessoal elevada nos


ambientes esportivos, profissionais e nas relações
informais.
Observa-se a importância da preparação psicológica nas di-
versas vertentes da preparação física, na preparação dos atletas
(a) durante a concentração de atletas (b), no controle emocional
das partidas (b) ou mesmo na assimilação de uma derrota (c).

Figura 19 Diego Hipólito, ginasta brasileiro, concentrando-se antes de uma


apresentação.

Figura 20 Gabriel Medina, em sua concentração antes de entrar no mar e consagrar-se


campeão.

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216
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

Figura 21 Expulsão do atleta brasileiro Neymar no final do jogo entre Brasil e Colômbia
pela Copa América (17/06/15).

Figura 22 Atleta brasileiros após a derrota por 7 × 1 para a Alemanha, na Copa do


Mundo do Brasil, em 2014.

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217
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

A preparação psicológica na formação de atletas–––––––––

Os anos 90 decretaram uma nova postura nas equipes de diversas modalida-


des esportivas através do surgimento dos clubes-empresa. Em decorrência
desse tipo de patrocínio, tornou-se possível viabilizar uma nova filosofia organi-
zacional, onde um dos itens mais importantes deveria ser o reconhecimento da
necessidade de um psicólogo atuante e presente para garantir um rendimento
positivo e estável das equipes. A preparação psicológica dos atletas é uma das
temáticas mais discutidas no mundo dos esportes, sendo objeto de estudos no
campo do conhecimento das ciências humanas e sociais. O nível de preparação
psicológica se manifesta mediante a eficiência dos métodos de procedimentos
e na eficácia das múltiplas técnicas empregadas em relação aos atletas. A mí-
dia ressalta frases comuns ouvidas por comentaristas esportivos e treinadores
de diversas modalidades: "Temos que mexer com o psicológico dos jogadores",
"É hora de trabalhar a parte psicológica dos atletas", "Nesse momento a parte
psicológica conta muito", "O emocional fez a diferença nesse jogo", "Os atletas
sentiram a pressão emocional" e, outras tantas pérolas ditas por treinadores
de nome no cenário esportivo nacional. É preciso constatar que, na atualidade,
não existe a formação de psicólogo do esporte – o que existe são bacharéis
e licenciados em psicologia para atuarem nos seguimentos da psicanálise, da
psicologia escolar e da organizacional, além daqueles que foram formatados
para atuarem como psicólogos. Decorre daí que quando se fala em psicologia
ou psicossociologia do esporte, é usual encontrarmos diferentes discussões a
respeito dos profissionais que atuam no contexto dos esportes de rendimento.
O papel do conhecimento antropológico, sociológico, psicológico, psicosso-
ciológico nas atividades dos profissionais (treinadores, sociólogos, psicólogos,
preparadores físicos, entre outros) é um referencial fundamental para suas
percepções sobre a sociedade do esporte e, consequentemente, um dos es-
quemas conceituais, referenciais e operacionais orientadores de suas ações

© PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL


218
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

e intervenções psicossociológicas. A emergência do trabalho de um psicólogo


processa-se no cenário de uma crise de aceitação, como um reflexo da credi-
bilidade que os psicólogos têm dentro do ambiente esportivo. Julga-se que a
intervenção dos psicólogos não é prioritária no entrecruzamento dos múltiplos
elementos sociais, filosóficos, ideológicos, econômicos, políticos e culturais de
uma totalidade interativa envolvendo a instituição/clube, grupos e pessoas. Isto
significa que o papel do psicólogo em organizar um projeto de preparação
psicológica de atletas – tarefa cujas maiores dificuldades não só residem na
estruturação de um trabalho eficiente como método de procedimentos, mas
também na eficácia das metas e objetivos propostos como técnicas de inter-
venção psicológica na preparação dos atletas. Lembremos que nem sempre
os dirigentes estão interessados no trabalho psicológico em relação aos atle-
tas. É comum ouvir grandes atletas e treinadores dizerem: "temos que nos
preparar psicologicamente para esta partida" ou "fisicamente o time está bem,
mas psicologicamente vem passando por dificuldades" ou, ainda, "temos que
elevar o moral para virarmos o jogo". Com efeito, quando se diz que o atleta
está precisando de melhor preparo físico para uma competição, sabe-se que
o preparador físico será escalado para um trabalho mais rigoroso com esse
atleta, seja definindo nova rotina de treinamento, optando por um macrociclo
ou determinando-lhe que faça exercícios para desenvolver habilidades moto-
ras necessárias ao seu desempenho: força explosiva, flexibilidade, resistên-
cia muscular localizada, agilidade etc. Se o atleta está mal – psicológica ou
emocionalmente – quem é o profissional tecnicamente preparado para atuar
na solução deste problema? O técnico, o diretor do clube, o médico ortope-
dista, profissionais de outras áreas que não a Psicologia do Esporte? Os que
conhecem de perto o cotidiano do treinamento do atleta, de equipes ou clu-
bes de futebol, dirão que profissionais sem a devida formação estão atuando
como "psicólogos" no esporte. Este problema coloca em discussão inúmeros
problemas – um deles, o papel do psicólogo no mundo dos esportes e, mais
especificamente, na preparação das equipes e dos atletas individualmente.
Isto justificaria uma análise sobre tudo aquilo que ocorre no campo do esporte.
O clube está preparado para administrar os mecanismos implantados como
valores, normas e regulamentos para enquadrar as condutas humanas. E a
questão que se faz formular é a seguinte: a preparação psicológica tem um
papel fundamental na vida das equipes e dos atletas individualmente? Julga-se
que nesse cenário, o orgânico, o psíquico, o emocional, o individual e o social
são elementos inseparáveis aos dirigentes, técnicos e atletas e ao ambiente
institucional em que participam, interagem e desenvolvem suas atividades pro-
fissionais (COZAC. J. R. L. Com a cabeça na ponta da chuteira: ensaios sobre
a psicologia do esporte. São Paulo: Annablume, 2013, p. 21 e 22. Disponível
em: <https://books.google.com.br/books?id=qWL6rTrR3IsC&printsec=frontcov
er&hl=pt-BR#v=onepage&q&f=false>. Acesso em: 17 jun. 2016).
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

© PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL


219
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

Com as leituras propostas no Tópico 3. 1., você pode-


rá entender a importância das preparações téctnica, tática
e psicológica . Antes de prosseguir para o próximo assunto,
realize as leituras indicadas, procurando assimilar o conteúdo
estudado.

Vídeo complementar ––––––––––––––––––––––––––––––––


Neste momento, é fundamental que você assista ao vídeo complementar.
• Para assistir ao vídeo pela Sala de Aula Virtual, clique no ícone
Videoaula, localizado na barra superior. Em seguida, selecione o nível
de seu curso (Graduação), a categoria (Disciplinar) e o tipo de vídeo
(Complementar). Por fim, clique no nome da disciplina para abrir a
lista de vídeos.
• Para assistir ao vídeo pelo seu CD, clique no botão “Vídeos” e
selecione: Preparação Física Geral – Vídeos Complementares –
Complementar 4.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR


O Conteúdo Digital Integrador representa uma condição
necessária e indispensável para você compreender integralmen-
te os conteúdos apresentados nesta unidade.

3.1. PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

Ao final desta unidade, em que aprendemos sobre as pre-


parações técnico-tática e psicológica, poderemos complementar
nossos estudos consultando a Biblioteca Pearson, onde encon-
traremos a obra de Samulski (2002), que relata a preparação

© PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL


220
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

psicológica e os fatores relacionados ao estresse antes das com-


petições, destacados também no artigo de Fabiani (2015). Con-
solidando o fechamento deste material, sugerimos que assistam
ao vídeo A Preparação Tática no Futebol Moderno – palestra, in-
dicado a seguir.
• SAMULSKI, D. Psicologia do Esporte. 2. ed. Barueri:
Manole, 2002. (Biblioteca Digital Pearson).
• FABIANI, M. T. Psicologia do Esporte: a ansiedade e o
estresse pré-competitivo. 2009. Disponível em: <http://
www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/
pdf/182_454.pdf>. Acesso em: 8 abr. 2016.
• PHORTE TV. A preparação tática no futebol moderno –
palestra. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=C77sqGkcCCQ>. Acesso em: 8 abr. 2016.

4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para
você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em
responder às questões a seguir, você deverá revisar os conteú-
dos estudados para sanar as suas dúvidas.
1) O conjunto de procedimentos que vai garantir soluções mais eficazes para
as tarefas motoras, fazendo com que as atividades que devem ser desen-
volvidas sejam feitas com maior eficiência, de maneira objetiva e econô-
mica, é uma definição relativa a:
a) preparação técnica.
b) preparação tática.
c) preparação psicológica.
d) preparação física.
e) preparação intelectual.

© PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL


221
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

2) Analise as afirmações a seguir.


I - Preparação técnica é o grau de assimilação pelo desportista, pelo sis-
tema de movimentos (técnica da modalidade esportiva) de determi-
nada modalidade, orientada para obtenção de melhores resultados.
II - A preparação técnica pode ser analisada isoladamente, como um
componente integral de um todo em que as soluções técnicas são
estritamente relacionadas às capacidades físicas, psíquica e tática do
atleta, assim como as condições concretas do meio externo, em que a
ação desportiva é realizada.
III - Naturalmente, quanto maior for o número de procedimentos e ações
dominadas pelo desportista, melhor será sua preparação para a so-
lução das tarefas táticas complexas, sugeridas na disputa competiti-
va, e mais eficaz será sua resposta aos ataques do adversário e sua
capacidade de provocá-lo com tomadas de decisões situacionais
inadequadas.
Assinale a alternativa correta:
a) As alternativas I e II são corretas.
b) As alternativas II e III são corretas.
c) As alternativas I e II são incorretas.
d) As alternativas II e III são incorretas.

3) Assinale a alternativa incorreta quanto à preparação técnica.


a) O surgimento de novos equipamentos e aparelhos, em especial no es-
qui e no esqui alpino, no salto com esqui na ginástica artística e em
muitas outras modalidades, afetou diretamente a técnica desportiva
das modalidades e permitiu que os desportistas aumentassem sua
técnica.
b) Os recursos ergogênicos (ergo = trabalho/gen = produção) mecânicos
melhoram a performance esportiva e podem tornar a técnica mais efi-
ciente, culminando em uma melhor performance esportiva e em um
desempenho com maior eficácia e menor gasto energético.
c) O desenvolvimento da técnica se dá por novas descobertas nos campos
científicos, nas mais diversas e distintas modalidades esportivas, ativi-
dades físicas e esportes, em que podemos encontrar publicações com
atletas e não atletas, com as diferentes faixas etárias, o que permitiu que
fossem feitos novos treinamentos e desenvolvidos, dosados e testados
novos métodos associados a outras ciências, como a Nutrição, a Medici-
na Esportiva, a Fisioterapia, entre outras.

© PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL


222
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

d) Os avanços científicos e tecnológicos pouco auxiliam no desenvolvi-


mento da técnica.
e) O desenvolvimento da robótica e a precisão das análises, tanto em
tempo como em fidelização de resultados, propicia para treinadores
(professores) e atletas (alunos) um universo quase inesgotável de pos-
sibilidades que a cada dia surge com uma nova informação.

4) Os procedimentos utilizados para que se concretizem as ações motoras


que são responsáveis pela eficácia em uma atividade, por meio de objeti-
vos predefinidos é uma definição relativa a:
a) preparação técnica.
b) preparação tática.
c) preparação psicológica.
d) preparação física.
e) preparação intelectual.

5) Assinale a alternativa correta quanto à afirmação de Platonov (2008), so-


bre a preparação tática do desportista ou da equipe que é formada pelos
seguintes componentes:
a) Domínio dos meios, formas e tipos de tática atuais para a determinada
modalidade esportiva.
b) Correspondência entre o nível de desenvolvimento da tática na moda-
lidade e a estrutura ótima na atividade competitiva desta modalidade.
c) Correspondência entre o plano tático e as particularidades da respec-
tiva modalidade (local da competição, caráter da arbitragem, compor-
tamento dos torcedores etc.).
d) Articulação entre a tática e o nível de aperfeiçoamento de outros as-
pectos da preparação-técnica, psicológica e física.
e) Todas as alternativas estão corretas.

6) A tomada de decisão nas modalidades possui as seguintes particularida-


des, segundo Platonov (2008, p. 372), exceto:
a) A atividade realizada em condições de tempo extremamente limitadas
– qualquer que seja a decisão correta, possui validade tática apenas
na situação operativa, em resposta às condições competitivas daquele
momento.

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223
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

b) A percepção de um grande número de elementos e situações táticas


que se estruturam em um sistema dinâmico em resposta aos prognós-
ticos mais corretos sobre o desenvolvimento tático.
c) A tomada de decisão não está ainda relacionada à chamada visão pa-
norâmica que corresponde a todo campo visual do aluno/atleta/des-
portista que se relacionará aos elementos táticos.
d) A escolha das decisões táticas entre variantes bastante semelhantes e
a capacidade de realizar alterações bruscas, seguindo variantes inter-
mediárias e secundárias.
e) A manutenção da memória operativa e da ordenação racional dos ele-
mentos táticos de acordo com o planejamento e as alterações no de-
correr da ação motora.

7) Assinale a alternativa incorreta:


a) Atletas de alto nível possuem uma atividade cognitiva menos eficaz do
que aqueles que não se enquadram à elite das modalidades esportivas.
b) Em atletas de alto nível, nota-se um nível de atenção mais aguçado.
c) Em atletas de alto nível, nota-se maior capacidade de perceber e ava-
liar situações.
d) Em atletas de alto nível, há grande perspicácia em prever inquietações
e dificuldades, antevendo situações.
e) Em atletas de alto nível, devido à acentuada capacidade de perceber
as ações dos adversários, por causa do sentimento de superioridade,
pode levar esses atletas a comportamentos antissociais.

Gabarito
Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões au-
toavaliativas propostas:
1) a.

2) e.

3) d.

4) b.

© PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL


224
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

5) e.

6) c.

7) a.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta unidade, você pôde aprender sobre as preparações
técnico-táticas e psicológicas, obtendo uma visão global da pre-
paração física do conjunto de procedimentos que vão garantir
soluções mais eficazes para as tarefas motoras, as estratégias
traçadas para o sucesso nos treinamentos e competições e, por
fim, as características e importância do treinamento psicológico.
Esperamos que você tenha gostado e que este conteúdo
lhe proporcione subsídios para a obtenção do sucesso em sua
vida, como profissional e como pessoa. Agora, cabe a você colo-
car em prática seus conhecimentos.
Durante nosso aprendizado, deparamo-nos com conhe-
cimentos inter-relacionados. Cada componente da Prepara-
ção Física Geral é uma peça que irá compor um momento do
treinamento.
Gostaríamos de enfatizar que o diferencial de um bom pro-
fissional ocorre ao entender que hábitos de leitura, de pesquisa
e a busca constante de aprimoramento não se limitam somente
ao conteúdo desta obra.
É oportuno observar que a obra não teve a pretensão de
esgotar o assunto, mas, sim, de traçar os principais pontos que
envolvem o tema, com o intuito de despertar o seu interesse
pela continuidade das investigações nessa área.

© PREPARAÇÃO FÍSICA GERAL


225
UNIDADE 4 – PREPARAÇÃO TÉCNICO-TÁTICA E PSICOLÓGICA

Desejo a você sucesso na continuidade dos estudos, uma


vez que os ensinamentos aqui adquiridos constituem apenas o
primeiro passo de uma carreira bem-sucedida.

6. E-REFERÊNCIAS

Sites pesquisados
FABIANI, M. T. Psicologia do Esporte: a ansiedade e o estresse pré-competitivo.
Disponível em <http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/
pdf/182_454.pdf>. Acesso em: 16 mar. 2016.
SAMULSKI. D. Psicologia do Esporte. 2. ed. Barueri: Manole, 2002. (Biblioteca Digital
Pearson).

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASTRAND, P. O.; RODAHL, K. Tratado de fisiologia do exercício. 2. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 1987.
BARBANTI, V. J. Aptidão física: um convite à saúde. Barueri: Manole, 1990.
______. Teoria e prática do treinamento esportivo. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher,
1997.
______. Treinamento físico: bases científicas. 3. ed. São Paulo: CLR Balieiro, 1996.
BITTENCOURT, N. Musculação: uma abordagem metodológica. 2. ed. Rio de Janeiro:
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