Você está na página 1de 8
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA L ABORATÓRIO DE

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

LABORATÓRIO DE ELETRÔNICA DE POTÊNCIA

EXPERIMENTO 01

Tema: Indutores

Alunos:

1. Alan Hirouki Fujmori RA:98755

2. Alex Seidi Noce RA: 101207

3. Hugo Fusinato

RA: 101201

Universidade Estadual de Maringá Departamento de Engenharia de Engenharia Química Curso de Engenharia Elétrica 6686

Universidade Estadual de Maringá

Departamento de Engenharia de Engenharia Química

Curso de Engenharia Elétrica

6686 Laboratório de Eletrônica de Potência

Turma 001 Prof. Dr. Carlos Alexandre Ferri

Relatório da Experiência 01 Laboratório de Eletrônica de Potência

Alan Hiroyuki Fujimori

Alex Seidi Noce

Hugo Fusinato

Data: 27/03/2019

1. Introdução

Indutores são dispositivos elétricos lineares que se baseiam nos princípios clássicos do eletromagnetismo. Tais elementos armazenam energia em seu campo magnético, e além disso, são “filtros” de corrente que tem um comportamento caótico e acidentado, já que teoricamente o indutor não se comporta bem com descontinuidades. É comum obter-se indutores enrolando-se espiras de fios condutores em volta de um núcleo de ferro (que possui maior permeabilidade magnética que o ar).

Quando há uma corrente elétrica no condutor e portanto nas espiras, há um fluxo magnético resultante, de acordo com a lei de Ampère-Maxwell gerando um campo magnético. Nesses geradores de campo magnético a corrente e a tensão são proporcionais e se relacionam a uma constante que chamamos de indutância.

= (Eq. 1.1)[1]

Esta indutância é caracterizada pela relação entre fluxo magnético e corrente do condutor.

=

(Eq 1.2)[1]

Ao se construir um indutor, podemos optar por diferentes formas: enrolando um fio condutor em um núcleo magnético cilíndrico retilíneo (solenóide) ou em um núcleo magnético em formato de anel (toróide) por exemplo. Estes possuem equações de indutâncias específicas para o seu formato. Solenóide:

Toróide:

= ²

(Eq 1.3)[1]

= 0 ²

2

(Eq 1.4)[1]

Durante o experimento trabalhos com o Toróide para fazer um indutor ao enrolar as espiras. Em um toróide o fluxo magnético se distribui no interior do núcleo e assim a indutância varia de acordo com a permeabilidade magnética tanto do ar no meio como do material do núcleo. Fabricantes de ferrites costumam fornecer um valor de fator de indutância que é constante de acordo com o núcleo e é usado para determinar a indutância final. Este fator é conhecido como Al.

= 0 (Eq 1.5)[1]

As equações apresentadas referem-se a um indutor ideal, porém temos também outros como

o

modelo quase ideal e o quase real. E nestes devemos considerar outras características como potência

e

alta frequência O modelo quase real é apresentado pela seguinte figura:

O modelo quase real é apresentado pela seguinte figura: Figura 1.1 - Circuito de um indutor

Figura 1.1 - Circuito de um indutor quase real.[2]

2. Materiais e Métodos

Os materiais usados no experimento foram:

Dois núcleos toroidais de ferrite (Núcleo amarelo e preto);

fio de cobre;

medidor LCR UNI-T UT612. Foram realizados três experimentos. No primeiro, foram dispostas espiras vinte igualmente espaçadas entre si em ambos os núcleos e depois medido os valores de indutância de ambos, como mostrado a seguir na Figura 1.2.1.

os valores de indutância de ambos, como mostrado a seguir na Figura 1.2.1. Figura 1.2.1. Indutor

Figura 1.2.1. Indutor com as espira espaçadas

Na segunda parte as vintes espiras foram feitas, porém o mais próxima entre elas. Como mostrada na Figura 1.2.2.

o mais próxima entre elas. Como mostrada na Figura 1.2.2. Figura 1.2.2. Indutor com espiras próximas.

Figura 1.2.2. Indutor com espiras próximas.

Por último, obtendo os valores de permeabilidade de ambos núcleos através do primeiro experimento, projetou-se um indutor com 150H. Em todos os experimentos, o medidor LCR, usado para medir o valor, estava regulado para uma frequência de 100 Hz.

3. Resultados

Seguem as tabelas das medidas retiradas de ambos os núcleos (Tabela 1.3.1) e os valores de indutância para ambos com as espiras espaçadas (Tabela 1.3.2.) e próximas (Tabela 1.3.3)

espaçadas (Tabela 1.3.2.) e próximas (Tabela 1.3.3) Tabela 1.3.1. Medidas retirada dos núcleos Tabela 1.3.2.

Tabela 1.3.1. Medidas retirada dos núcleos

(Tabela 1.3.3) Tabela 1.3.1. Medidas retirada dos núcleos Tabela 1.3.2. Indutâncias para as espiras espaçadas Tabela

Tabela 1.3.2. Indutâncias para as espiras espaçadas

Tabela 1.3.2. Indutâncias para as espiras espaçadas Tabela 1.3.3. Indutâncias para as espiras próximas Com as

Tabela 1.3.3. Indutâncias para as espiras próximas

Com as indutâncias obtidas pelo medidor RLC foi calculado os valores dos fatores de indutância de ambos núcleos, apresentado na tabela 1.3.4.

Tabela 1.3.4. Permeabilidade relativa dos núcleos Na tabela a seguir, Tabela 1.3.5, consta com os

Tabela 1.3.4. Permeabilidade relativa dos núcleos

Na tabela a seguir, Tabela 1.3.5, consta com os números de espiras para se obter um indutor de aproximadamente 150µH e o valor de suas resistências em série.

150µH e o valor de suas resistências em série. Tabela 1.3.5. Números de espiras para 150µH

Tabela 1.3.5. Números de espiras para 150µH

4. Discussão

1. Na medição da resistência em série, houve um pequeno desvio nos valores de indutância medido

em relação a teórica. Isso se deve ao número de espiras obtido com a fórmula gerar valores quebrados

e as espiras levadas em consideração são ideais, gerando uma leve alteração da indutância ao arredondar o valor do número de espiras (N).

De forma geral, pode-se dizer que os resultados foram compatíveis com a teoria de forma qualitativa,

já que não tínhamos a permeabilidade dos núcleos a fim de fazer a comparação. No entanto, como as

duas permeabilidades eram diferentes, era de se esperar que as indutâncias com um mesmo número de enrolamentos seriam maiores em um do que no outro. Isso se deve a capacidade do núcleo utilizado

oferecer resistência ao fluxo magnético, o que denomina-se de relutância. A relutância de um núcleo pode ser calculada como

ℜ =

(4.1)

onde é o comprimento médio do núcleo, é a área de seção transversal do núcleo e é a permeabilidade dada por = 0 , onde 0 é a conhecida permeabilidade magnética do vácuo. A indutância pode ser calculada pela relação simples

=

²

= ²

² 0

=

(4.2)

Sendo assim, a partir dessa simples relação, é possível ver que essa equação para a indutância dado um núcleo com permeabilidade característica, tal indutância é linearmente relacionada com a permeabilidade magnética do material, dada por uma reta que corta a origem e tem coeficiente angular

= = ² 0 / , e consequentemente,

inclinação

= tan 1 ( ² 0 )

(4.3)

Dessa forma, fica claro que quanto maior a permeabilidade magnética do material utilizado para o

núcleo, maior será a indutância se os outros valores forem mantidos fixos. Além disso, como os núcleos eram de dimensões diferentes, era naturalmente de se esperar que suas indutâncias forem

diferentes, confirmando que a indutância depende da geometria de forma coesa. É comum chamar a grandeza 0 / de fator de indutância, , e dessa forma, a equação 4.2 pode ser reescrita como:

= 2

(4.4)

2. Os resultados apresentam leve diferença com o enrolamento dos fios realizados com maior espaçamento. Isso implica uma mudança no fator de qualidade do indutor e também na dispersão de campo, mas não interfere, pelo menos não de forma relevante, no valor de indutância medido experimentalmente. 3. É possível calcular a energia máxima através da equação seguinte:

2

= 2 0 ( +

)

(4.5)

Para encontrar os valores de corrente relacionadas a energia armazenada, podemos usar a outra relação para a energia armazenada, semelhante a 4.5:

Dessa forma, a corrente é

=

0 ² ²

2

( +

)

= 2 ( +

0 ²

)

(4.6)

(4.7)

Do experimento, foi possível obter para o material do núcleo amarelo uma permeabilidade relativa de = 68,81 . /, e do material do núcleo preto, = 1978.8 . /. Sendo assim, as

energias que podem ser armazenadas considerando B = 0,3T, usando a equação 4.7, são:

=

=

0,3² ( 58,75 × 10 3

2 0

68,81

) = 30,57 J

0,3² ( 68,17 × 10 3

2 0

1978,8

) = 1,23 J

As correntes que são suportadas por cada um desses núcleos são:

= 2 ∙ 30,57 ( 58,75 × 10 3 )

68,81

0 20 2 ∙ 47,56 × 10 6

= 1,6

= √ 2 1,23 ( 68,17 × 10 3

1978,8

)

0 20 2 ∙ 70,25 × 10 6

= 49,06

Se o valor máximo de campo for o pico de uma onda senoidal, as correntes em rms serão dadas pelos

valores das correntes acima divididas por 2. () = 1,13

() = 34,69

4. A forma mais prática possível de se medir a capacitância parasita seria com um capacímetro, no entanto, erros e imprecisões podem acontecer uma vez que tais capacitâncias podem ser de ordens de grandeza muito pequenas. Dessa forma, utiliza-se do fenômeno chamado SRF (Self Resonant

Frequency), frequência na qual as reatâncias capacitiva e indutiva se equivalem, e a impedância atinge um alto valor, e o dispositivo se comporta como um circuito aberto. Essa frequência ocorre quando

1

=

= 2()

(4.8)

que já é uma relação muito conhecida em circuitos elétricos. Através dessa frequência, atingida experimentalmente com o uso de um gerador de funções varrendo um range de frequências, é possível calcular o valor dessa capacitância com base no valor da indutância já conhecida e da frequência de ressonância própria do indutor. Essa relação anterior é obtida quando maximizamos a impedância

anterior é obtida quando maximizamos a impedância Figura 4.1: Mostra o comportamento da indutância e

Figura 4.1: Mostra o comportamento da indutância e impedância versus frequência

característica para um indutor não-ideal, que possui uma capacitância em paralelo (a capacitância que é de interesse) e ainda uma resistência série. Se for feita uma análise do circuito equivalente no domínio da frequência, é possível ver que a impedância equivalente do indutor será +

̃ () =

+ 1 − ²

(4.9)

A fim de maximizar essa impedância, pode-se fazer o processo de otimização diferencial, ou seja,

encontrar os valores de que satisfazem

̃ ()

= 0

Isso resulta em −(² 2 + 2 − ) = 0. Como 2 = −1, pode-se encontrar diretamente os valores

de que satisfazem ² 2 + 2 − = 0. Uma solução dessa equação que é viável é:

= √4²( 2 )

= ( 1

²

²

1

) 2

(4.10)

Dessa forma, é possível aferir que para esse valor de , a impedância ̃ () tem seu valor máximo e o ponto de frequência de ressonância própria é atingido. Para provar que é um ponto de máximo

de ̃ (), basta realizar a segunda derivada aplicada em e verificar se o resultado é negativo, ou

seja

2 ̃ ()

( ) < 0

() 2 De forma mais simples, pode-se fazer uma análise mais intuitiva na equação da impedância,

e forçar ̃ () → ∞ fazendo o denominador ser zero. Isso resulta em + 1 − 2 = 0. Igualando as partes real e imaginária nessa relação, temos:

(1 − 2 ) = 0

= 0

(4.11)

Da parte real, para que a impedância seja maior possível, conclui-se que pelo menos um dos parâmetros envolvidos deva ser zero. No entanto, a resistência R é quase sempre muito pequena 1 , de forma que a parte real dessa igualdade pode ser considerada satisfeita. Da parte imaginária, é possível ver que

=

1

Ao atingir-se essa frequência e ainda possuir-se uma resistência de enrolamento baixa, proporciona nessa frequência de SRF o valor de máxima impedância para o indutor. É importante ressaltar que a indutância se comporta como um indutor até a frequência de ressonância própria; A partir desse ponto, a impedância, como já pôde-se perceber, atinge valores muito altos, e o indutor pode ser usado como um bloqueador para atenuar sinais próximos a SRF. Após a SRF, a característica capacitiva passa a dominar a impedância.

5. Referências

[1] MCLYMAN, William T, Transformer and inductor Design Handbook. 4.ed. Crc Press,2011. [2] Dorf,Richard C.; Svoboda,James A. Introdução Aos Circuitos Elétricos .9.ed.LTC,2006

[3] PAUL, C. R. Introduction to electromagnetic compatibility, Wiley-Interscience,2nd ed, 2006. [4] VAN VALKENBURG, M. E. Network analysis. 3.ed. Prentice Hall, 1974. [5] STEWART, James. Calculus : early transcendentals. 7ed. Cengage Learning, 2013. [6] BROWN, J.W.; CHURCHILL, R. Complex Variables and Applications, 9ed. McGraw-Hill,

2015.

1 Se a resistência não for desprezível ou próxima de zero, então é recomendável utilizar a equação 4.10, que possui uma abordagem mais formal e completa.