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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Processo Nº. 0120426-04.2015.8.05.0001
:
Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : MANOELA TRETTIN CASTRO
Recorrido(s) : ALESSANDRA SALAROLLI

Origem : 1ª VSJE DE TRÂNSITO (MATUTINO)

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

VOTO- E M E N T A

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. RESPONSABILIDADE CIVIL. COLISÃO


ENTRE VEÍCULOS. RÉU QUE DEU CAUSA AO EVENTO DANOSO. COLISÃO NA
TRASEIRA DO VEÍCULO DA PARTE AUTORA. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM DE
CULPA. CONTEXTO PROBATÓRIO QUE FAVORECE A TESE AUTORAL.DANOS
MATERIAIS DEMONSTRADOS. SENTENÇA MANTIDA.
1. Trata-se de recurso inominado interposto contra sentença que julgou procedente em
parte a ação, nestes termos: “Dessa maneira, JULGO PROCEDENTE EM PARTE O PEDIDO
formulado na exordial, com base no art. 487, I, do CPC, para condenar a acionada a pagar à acionante a
importância de R$ 3.219,00 (três mil duzentos e dezenove reais), a título de ressarcimento pelos prejuízos
causados em seu veículo, acrescida de juros de 1% ao mês e correção monetária a partir da data do
evento danoso, qual seja 03/07/2016.”.

2. A parte recorrente busca a reforma da sentença, aduzindo, em síntese, que não foi
a responsável pela causação do acidente automobilístico que envolveu as partes, que as
provas não foram devidamente analisadas pelo juízo a quo, reiterando o julgamento pela
procedência do pedido contraposto, pelos danos por ela sofridos.

3. Trata-se de ação na qual a parte autora alega ter sofrido danos materiais
decorrentes de colisão de seu veículo com o veículo conduzido pelo réu, pugnando pelo
ressarcimento dos danos demonstrados nos autos. Junta para tanto termo de ocorrência
lavrado pela autarquia de trânsito, e orçamentos acerca dos prejuízos causados.
4. Em que pese o quanto exposto pelo réu, a sentença impugnada merece ser
mantida. Com efeito, as provas adunadas corroboram com a tese autoral, bem como a
instrução, no bojo da qual foram colhidos os depoimentos das partes, sobressaindo do
contexto probatório ter sido a parte ré a causadora do acidente.

5. O conteúdo do termo de ocorrência lavrado pela autarquia de trânsito indica que o


segundo veículo, conduzido pela parte ré, colidiu na traseiro do veículo da parte autora,
que encontrava-se parado próximo à faixa de pedestre. Em depoimento a parte autora
reiterou a sua versão dos fatos, vindo a relatar ter o seu veículo sofrido colisão na parte
traseira, por imprudência da parte ré, que não procedeu à frenagem à tempo. A ré, por
seu turno, sustentou que a colisão ocorreu pelo fato de que a parte autora realizara
manobra brusca, ao mudar de faixa duas vezes, sem realizar a devida sinalização.

6. Como sabido, a jurisprudência já assentou a presunção de culpa do condutor do


veículo que colide na traseira de outro, salvo prova produzida em sentido contrário pela
parte a quem se atribui a culpa. Nesse sentido :

RECURSO INOMINADO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. COLISÃO NA


TRASEIRA. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E
MORAIS. COLISÃO NA TRASEIRA. PRESUNÇÃO DE CULPA DO
CONDUTOR QUE COLIDE NA TRASEIRA NÃO ELIDIDA. PROVAS
TESTEMUNHAIS CONFLITANTES. FOTOS COMPROVAM A
COLISÃO NA PARTE TRASEIRA DO VEÍCULO. MENOR
ORÇAMENTO. DEVER DE EFETUAR O PAGAMENTO DAS
DESPESAS COM O CONSERTO DO VEÍCULO. SENTENÇA
MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. RECURSO
DESPROVIDO. (Recurso Cível Nº 71006711519, Primeira Turma
Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Roberto Carvalho Fraga,
Julgado em 25/04/2017)

7. Pois bem, as provas dos autos não foram suficientes para desconstituir tal
presunção, na medida em que a parte autora colaciona o termo de ocorrência lavrado
pela repartição de trânsito, e em audiência de instrução e julgamento houve o depoimento
de ambas as partes, cada uma delas sustentando a sua versão dos fatos, reiterando o
que já havia sido afirmado em sede exordial. Não houve a produção de prova
testemunhal.
8. Neste contexto, as provas coligidas aos autos reforçam a tese da parte autora, sendo
mister a manutenção da sentença no que tange à imputação da culpa ao réu, que
portanto deverá ressarcir a parte autora pelos prejuízos materiais causados.

9. Os danos materiais restaram comprovados nos autos, bem como fora apresentado
orçamento indicativo, tendo a sentença condenatória sido lastreada pelo mesmo para
efeito de mensuração dos danos , nada havendo que reparar.

10. Logo, a sentença fustigada é incensurável, e por isso merece confirmação pelos seus
próprios fundamentos. Em assim sendo, servirá de acórdão a súmula do julgamento,
conforme determinação expressa do art. 46, da lei n°. 9099/95, segunda parte:“O
julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com indicação suficiente do
processo sucinta e dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos seus próprios fundamentos,
a súmula do julgamento servirá de acórdão”.

ISTO POSTO, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO INTEERPOSTO E


NEGO-LHE PROVIMENTO, para manter a sentença objurgada pelos próprios
fundamentos. Sem custas processuais e honorários advocatícios por ser a parte
beneficiária da justiça gratuita.

Salvador, Sala das Sessões, 13 de JULHO de 2017


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo Nº. 0120426-04.2015.8.05.0001


:
Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : MANOELA TRETTIN CASTRO

Recorrido(s) : ALESSANDRA SALAROLLI

Origem : 1ª VSJE DE TRÂNSITO (MATUTINO)

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

ACÓRDÃO

Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais


Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CÉLIA MARIA
CARDOZO DOS REIS QUEIROZ –Presidente, MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
– Relatora e ALBÊNIO LIMA DA SILVA HONÓRIO, em proferir a seguinte decisão:
RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO . UNÂNIME, de acordo com a ata do
julgamento. Sem custas processuais e honorários advocatícios por ser a parte beneficiária
da justiça gratuita.

Salvador, Sala das Sessões, 13 de JULHO de 2017


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente