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CRÉDITOS

CRÉDITOS Presidente Léo Pinheiro Vice-Presidente Cesar Mata Pires Filho Diretor Superintendente SP/SUL Carlos Henrique

Presidente

Léo Pinheiro

Vice-Presidente Cesar Mata Pires Filho

Diretor Superintendente SP/SUL Carlos Henrique Barbosa Lemos

Diretor Administrativo Dilson Paiva Filho
Diretor Administrativo
Dilson Paiva Filho

Reitor Benedito Guimarães Aguiar Neto

Vice-reitor

Marcel Mendes

Diretora da Escola de Engenharia Leila Figueiredo de Miranda

Coordenadora do curso de Engenharia civil Magda Aparecida Salgueiro Duro

do curso de Engenharia civil Magda Aparecida Salgueiro Duro 1 ª Edição • São Paulo 2014
do curso de Engenharia civil Magda Aparecida Salgueiro Duro 1 ª Edição • São Paulo 2014
1 ª Edição • São Paulo 2014 D´lemos Publish Design
1 ª Edição • São Paulo 2014
D´lemos Publish Design

COMISSÃO JULGADORA Geraldo Correia Santos (OAS) Henrique Martinez Andion (OAS) Magda Aparecida Salgueiro Duro (MACKENZIE)

PRODUÇÃO EDITORIAL

OAS

CAPA Paulo Vinícius Scocuglia Martines

PROJETO GRÁFICO D´lemos Publish Design

DIREÇÃO DE ARTE Priscilla Lemos (D´lemos Publish Design) Marina Garcia de Lemos (D´lemos Publish Design)

REVISÃO Luiz M. Leitão da Cunha DRT 57.952/SP

PRODUÇÃO GRÁFICA Priscilla Lemos (D´lemos Publish Design)

PRODUÇÃO GRÁFICA Uniongraph Gráfica e Editora Ltda. 11 3903.5012 orcamento@uniongraph.com / www.uniongraph.com

IMPRESSO NO BRASIL

2014

DADOS INTERNACIONAIS PARA CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)

Inovação, Produtividade e Empreendedorismo na Engenharia Civil: melhores de 2013 / Fernando Rodrigues de Carvalho; Guilherme de Castro Gonçalves; Simão Priskulnik; Ana Carolina de Melo Droghetti; Danillo Younes Braile; Januário Pellegrino Neto; Leonardo Crispim Fernandez; Rita Moura Fortes; Veronica Kaba Naccache; Simão Priszkulnik; Jéssika M. Pacheco; Mariana P. de Carvalho; Tatiana R. Kishi; Simão Prizskulnik; Fernando de Souza Viña; Raphael Leandro Fidencio Alves; Renato Giacomello Carreira Ribeiro; André Luiz de Lima Reda; Douglas P Agnelo; Henrique Dinis; Caroline Oriollo; Charles P. Alcantara; Marjorie N. Tofetti; Sergio Vicente Denser Pamboukian; Ricardo José Vidal; Paulo Ferreira; Antonio Gois; Bráulio Simões; Natã Oliveira; João Virgilio Merighi - São Paulo, 2014. 188 p.; 150 cm x 230 cm.

Inclui bibliografia.

ISBN: 978-85-99758-15-1

1. Inovação. 2. Produtividade. 3. Empreendedorismo. 4. Engenharia Civil. I. Universidade Presbiteriana Mackenzie. II. OAS. III. Título.

SUMÁRIO

Presbiteriana Mackenzie. II. OAS. III. Título. SUMÁRIO Mensagem da OAS 7 Mensagem do Mackenzie 9

Mensagem da OAS

7

Mensagem do Mackenzie

9

Desempenho e durabilidade do concreto estrutural em ambiente marinho

Fernando Rodrigues de Carvalho, Guilherme de Castro Gonçalves, Simão Priskulnik

11

Dinâmica das estruturas:

análise das vibrações aplicadas no projeto de estruturas

Ana Carolina de Melo Droghetti, Danillo Younes Braile, Januário Pellegrino Neto

27

Pavimentos e pisos permeáveis

Leonardo Crispim Fernandez, Rita Moura Fortes

45

Concreto pesado para blindagem de radiação

Veronica Kaba Naccache, Simão Priszkulnik

69

Degradação de gases poluentes por película de dióxido de titânio em argamassas e concretos

Jéssika M. Pacheco, Mariana P. de Carvalho, Tatiana R. Kishi, Simão Prizskulnik

85

Produtividade nos empreendimentos energéticos:

previsão de assoreamento e vida útil

Fernando de Souza Viña, Raphael Leandro Fidencio Alves, Renato Giacomello Carreira Ribeiro, André Luiz de Lima Reda

103

Uso de ferramentas computacionais para análise da interação solo-estrutura

Douglas P Agnelo, Henrique Dinis

121

7

Alerta de deslizamento de terra utilizando sistemas de informação geográfica

Caroline Oriollo, Charles P. Alcantara, Marjorie N. Tofetti, Sergio Vicente Denser Pamboukian

139

Perdas em sistemas de abastecimento de água

Ricardo José Vidal, Paulo Ferreira

157

Túnel imerso: solução para a ligação entre as cidades de Santos e Guarujá

Antonio Gois, Bráulio Simões, Natã Oliveira, João Virgilio Merighi

173

8

MENSAGEM DA OAS

Oliveira, João Virgilio Merighi 173 8 MENSAGEM DA OAS Caro leitor, O Prêmio OAS/MACKENZIE foi instituído

Caro leitor,

O Prêmio OAS/MACKENZIE foi instituído em 2013 com o propósito de incentivar, nos futuros engenheiros, a postura empreendedora e a criação de soluções inovadoras para os desafios da engenharia, propiciando ganhos de produtividade e qualidade e assegurando a rentabilidade dos projetos. Essa postura se torna cada vez mais necessária na atuação profissional e, seguramente,

o será ao longo do tempo, uma vez que os desafios são crescentemente complexos, de

maior porte e risco. Estes desafios são, de fato, oportunidades que devem ser aproveitadas e enfrentadas com obstinação, vontade, motivação e, sobretudo, comprometimento e paixão. Também requerem do engenheiro uma formação ampla e de competências plurais, que deverá ser continuamente complementada. Este prêmio também aprofunda a relação da OAS com a universidade, com base na convicção de que a busca pela evolução e melhoria constantes se torna muito mais eficaz quando universidade e empresa somam esforços. Os 10 melhores trabalhos apresentados no prêmio compõem este livro e materializam esta parceria. Autores e seus orientadores compartilham aqui as suas contribuições, que, como facilmente constatará o leitor, têm relevância e aplicabilidade. A OAS, empresa regida por valores como Garra, Confiança, Competência Profissional

e Orientação para Resultados, e que busca em seus colaboradores este perfil de inovação, produtividade e empreendedorismo, entende que o incentivo à formação de profissionais cada vez mais comprometidos com a busca pela excelência é sua contribuição para a profissão e para a sociedade.

Boa leitura!

comprometidos com a busca pela excelência é sua contribuição para a profissão e para a sociedade.

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MENSAGEM DA UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

MENSAGEM DA UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE O Brasil vem experimentando, desde a década de 1990, grandes

O Brasil vem experimentando, desde a década de 1990, grandes transformações econômicas

e encontra-se, desta forma, em pleno processo de crescimento, com reflexos praticamente

em todos os setores, interferindo diretamente com o desenvolvimento econômico e social.

A Engenharia Civil é parte integrante desse processo, uma vez que grandes investimentos

vêm sendo aplicados pelo setor público, e pela iniciativa privada. Investimentos em obras de infraestrutura, plantas industriais, centros logísticos e edifícios comerciais e residenciais, dentre outros, caracterizam um marco para a Engenharia Civil. A parceria da Universidade Presbiteriana Mackenzie com a Construtora OAS no Prêmio OAS/Escola de Engenharia-Universidade Presbiteriana Mackenzie “Inovação, Produtividade e Empreendedorismo na Engenharia Civil” – Edição 2013 possibilitou uma experiência única aos futuros engenheiros, uma vez que há uma necessidade crescente para o desenvolvimento de novas tecnologias e suas aplicações. A parceria é uma via de mão dupla, possibilitando uma integração única entre Instituição de Ensino Superior e Empresa. Os frutos dessa parceria integram essa edição, além de propiciar a edição do Prêmio 2014, reafirmando o sucesso da parceria. Outros pontos a serem destacados diante dos novos desafios para manter as metas de desenvolvimento, impondo novas realidades para os cursos de Engenharia Civil, são a inovação, capacidade empreendedora e sentido de responsabilidade social características inerentes à formação do Engenheiro Mackenzista.

e sentido de responsabilidade social características inerentes à formação do Engenheiro Mackenzista. 10 11

DESEMPENHO E DURABILIDADE DO CONCRETO ESTRUTURAL EM AMBIENTE MARINHO

Fernando Rodrigues de Carvalho 1 Guilherme de Castro Gonçalves 2 Simão Priskulnik 3

Guilherme de Castro Gonçalves 2 Simão Priskulnik 3 Resumo “ Os problemas estruturais em elementos que

Resumo

Os problemas estruturais em elementos que sofrem com a ação da corrosão em ambiente marinho acarretam custos e recursos necessários para a sua manutenção e reparos adequados. Tendo isso em vista, este trabalho objetiva avaliar o comportamento da estrutura em relação à ação do ambiente marinho, as formas de manifestação dos seus ataques ao concreto estrutural e os impactos dos danos causados pela corrosão. Assim, barras de aço de mesmo fabricante, dimensão e características foram submetidas a procedimentos experimentais em corpos de prova de concreto expostos a simulação de ambiente marinho controlado em laboratório. Foram moldados corpos de prova cilíndricos com diferentes tipos de cimento e traços, e foram utilizadas barras de aço com proteção a zinco e sem proteção, para diferentes cobrimentos de concreto.

Palavras-chave » concreto; barras de aço; corrosão.

” Palavras-chave » concreto; barras de aço; corrosão. 1 E-mail: fernandorodrigues_carvalho@hotmail.com. 2

1 E-mail: fernandorodrigues_carvalho@hotmail.com.

2 E-mail: guilhermedcg@yahoo.com.br.

3 E-mail: sprisz@gmail.com.

1

INTRODUÇÃO

O

desempenho e a durabilidade do concreto estrutural estão diretamente relacionados

aos ambientes aos quais são expostos, já que estão submetidos à ação dos agentes físico-

químicos presentes. Identificar os riscos e os modos de manifestação destes ataques às estruturas, as várias causas que podem ser atribuídas a cada caso e a influência das variáveis de proteção para a prevenção destes danos são objetivos deste trabalho. A zona de respingo de maré, segundo a Classe de Agressividade Ambiental (CAA), constante na norma NBR 6118 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) (2007) – que trata de procedimentos para execução de estruturas de concreto – é a que

apresenta maior risco de deterioração da estrutura através das manifestações da corrosão

da armadura.

Este trabalho constituiu-se na indução à corrosão por ataque de íons cloretos de 72 corpos de prova, moldados com variações em seus cobrimentos, tipos de cimento, traços

de concreto e tipos de aços. Para a análise, estes corpos de prova foram submetidos por

cinco meses a ciclos de imersão parcial em solução aquosa com a presença de cloreto de sódio (NaCl) e secagem em estufa, simulando o ambiente marinho. Ao término do período de exposição aos ciclos, os corpos de prova foram rompidos para uma avaliação minuciosa do desenvolvimento da corrosão e da resistência do aço – permitindo, assim, uma comparação entre os resultados encontrados. Todas as etapas do processo experimental foram desenvolvidas no Laboratório de Materiais de Construção da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

2

REVISÃO DA LITERATURA

O

ataque por íons de cloreto sobre as estruturas de concreto é um dos principais causadores

de corrosão da armadura, e da consequente redução da durabilidade da construção, sendo

responsável por cerca de 20% de todas as patologias em estruturas de concreto, segundo Andrade (1992). As condições agravantes para a manifestação destes ataques se dão, principalmente, na presença de névoa salina na atmosfera e no contato direto com a água do mar, como evidenciado em estudo de caso realizado por Araújo e Panossian (2010). A

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atividade da névoa sobre o concreto resulta na redução do pH, na deterioração da película de óxido protetora e no aumento da condutibilidade elétrica. Além disso, há também a ação dos íons sulfatos, que são agentes agressivos relevantes na deterioração do concreto estrutural, também presentes no ambiente marinho.

2.1 A influência do ambiente marinho e as formas de ataque e sintomatologia típica nas estruturas de concreto

O macroclima do ambiente marinho confere às estruturas de concreto condições agressivas.

Os riscos de deterioração são classificados, segundo a NBR 6118 (2007) da ABNT, como

grandes nas situações onde há ação de névoa salina, ou elevados, condição esta considerada

a mais agressiva, nos casos em que as estruturas recebem incidência direta das águas do mar, conhecidas como respingos de maré. Conforme estudo apresentado por Ross (1982 apud LIMA; MORELLI, 2004, p.2),

a água salgada é o principal agente responsável pelos processos físicos e químicos de

degradação, o que se explica pela existência de todos os elementos naturais conhecidos na tabela periódica em sua composição, cada um em uma determinada proporção, sendo os íons cloreto (Cl-), sódio (Na+), sulfato (SO 4 2 -), magnésio (Mg 2 +), cálcio (Ca 2 +) e potássio (K+) os mais abundantes, como apresenta Kiera (2001 apud LIMA; MORELLI, 2004, p.2). Desta forma, a nocividade do meio marinho ao concreto deve-se à contaminação por impregnação da superfície do concreto pelos íons de cloreto e pelos sulfatos, além da erosão causada pela água do mar e por resíduos que podem se incrustar nas estruturas, conforme relata Corsini (2013). Ademais, existe também o efeito do CO 2 (dióxido de carbono) atmosférico que, como relatado por Carmona (2005), reage quimicamente com os componentes do cimento hidratado, em um fenômeno denominado carbonatação, que danifica as superestruturas de concreto ao longo da sua vida útil. A patologia predominante nas estruturas localizadas em ambientes marítimos, impulsionada pelos agentes agressivos, é a corrosão armadura, com as consequências que isso irá produzir no material concreto. Os produtos da corrosão são uma série variada de óxidos e hidróxidos que passam a ocupar, no interior do concreto, volumes de três a

15

DESEMPENHO E DURABILIDADE DO CONCRETO

dez vezes superiores ao original do aço da armadura, podendo causar tensões internas no concreto maiores que 15 MPa, de acordo com Hladky (1981 apud CASCUDO, 1997, p.61).

2.2 Agentes agressivos

De acordo com Helene (1986), a corrosão pode ser acelerada por agentes agressivos contidos ou absorvidos pelo concreto. Os íons de cloreto (Cl-) e os íons sulfatos (SO 4 2 -) são os principais agentes nocivos dos ambientes marítimos, além do CO 2 presente na atmosfera.

2.2.1 Íons Cloreto (Cl-)

Segundo Helene (1986), a atmosfera marinha contém cloreto de sódio (NaCl) e de magnésio (MgCl 2 ), sob a forma de cristais ou gotículas de água salgada. Estas, quando incidem na superfície da estrutura de concreto armado ou protendido, são introduzidas do meio

exterior ao concreto através da rede de poros existentes, conforme estudo de Andrade (1992). Os principais mecanismos de transporte dos cloretos nas estruturas de concreto são:

por absorção e por difusão iônica, segundo Cascudo (1997).

A absorção capilar é o fenômeno motivado por tensões capilares que permitem o

transporte das substâncias líquidas contaminadas para o interior do concreto, por conta da estrutura dos poros, que, segundo Monteiro (2002), é crucial para o volume de água que

será absorvido, a velocidade da absorção e a altura de sucção.

Já a difusão iônica caracteriza a movimentação dos cloretos no interior do concreto

quando o teor de umidade é mais elevado. Esta difusibilidade ocorre devido às diferenças de concentração iônica que suscitam o movimento de cloretos em busca de equilíbrio, caso

seja resguardada a interconexão dos capilares e haja eletrólito. De acordo com Andrade (1992), por meio destes mecanismos de transporte a quantidade de cloretos é incrementada com o tempo, podendo superar limites determinados por normas, quanto ao conteúdo de cloretos no concreto fresco, o que pode despassivar as armaduras.

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2.2.2 Carbonatação

O fenômeno da carbonatação é explicado por Helene (1986) como sendo uma diminuição na

alta alcalinidade da estrutura de concreto essencialmente pela ação do gás carbônico (CO 2 ) presente na atmosfera e, também, por outros gases ácidos, tais como dióxido de enxofre (SO 2 ) e sulfeto de hidrogênio (H 2 S), que permeiam pela superfície exposta do concreto.

Essa mudança na alcalinidade e, consequentemente, na condição de passivação das

armaduras no interior do concreto, ocorre devido às reações químicas entre os componentes

do cimento e o CO 2 (CARMONA, 2005). Quando esta frente de carbonatação atinge o aço,

sua capa passiva é destruída, e, desta maneira, o aço se corrói de forma generalizada, tal

como se estivesse simplesmente exposto à atmosfera sem nenhuma proteção.

2.2.3 Íons sulfatos (SO 4 2 -)

Para a compreensão dos efeitos dos íons sulfatos sobre as estruturas de concreto é necessário levar em conta a ação conjunta com os íons cloreto; isto porque a degradação deste íon de forma isolada daria ao meio marítimo considerado um grau de agressividade tão elevado que impossibilitaria a utilização do concreto neste ambiente. Tanto os íons sulfato quanto os íons cloreto reagem com o mesmo composto do cimento, o aluminato de cálcio. Entretanto esta reação por parte dos cloretos resulta em um tipo de cloro aluminato de cálcio hidratado (sal de Friedel) que apresenta um volume bem menor que o produto da reação dos sulfatos com o mesmo composto, que é a etringita. Desta forma, a existência dos íons cloretos impede ou reduz a ação dos íons sulfatos (LÓPEZ,1998 apud LIMA; MORELLI, 2004, p.9).

3 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

O procedimento foi elaborado através da moldagem de corpos de prova submetidos

a quatro variáveis distintas, sendo elas: concretos com tipos diferentes de cimento;

dosagens; cobrimentos; e tipos de armadura. Os concretos preparados foram utilizados

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DESEMPENHO E DURABILIDADE DO CONCRETO

para moldar os corpos de prova de forma cilíndrica, nos quais foram inseridas barras de aço, respeitando-se os critérios de cobrimento. Os corpos de prova foram moldados a partir de dois tipos de cimento: cimento Portland de alta resistência inicial (CPV-ARI) e cimento Portland composto com fíler (CPII-F), e dois traços de concreto. O primeiro traço foi preparado com relação de cimento agregado total de 1:4,5, e o segundo, com relação de 1:6,0. Para cada um dos traços foram aplicadas três espessuras de cobrimentos, a saber: 45 mm, que corresponde ao indicado pela NBR 6118 da ABNT (2007) para lajes de concreto armado em respingo de maré; 25 mm que está abaixo do que indica a NBR 6118 da ABNT (2007) para este meio; e 15 mm, que não é recomendada pela norma para nenhum ambiente. Para cada cobrimento foi utilizada uma armadura galvanizada de 10 mm de diâmetro e outra não galvanizada, de mesma bitola. Para atender a todas as combinações programadas e visando uma melhor assertividade na comparação dos resultados, foram moldados três corpos de prova para cada combinação, totalizando portanto 72 corpos de prova. Após a moldagem dos corpos de prova, estes permaneceram em processo de cura por 28 dias. Imediatamente após este período, foram submetidos à exposição em solução composta por NaCl com ambiente controlado, simulando o meio marinho. Para este controle de solução, foram feitos ensaios de pH a cada dois dias, visando estabilização de valor próximo a 9,0, o que configura uma simulação próxima da solução do ambiente marinho.

3.1 Galvanização

Uma das variáveis utilizadas neste procedimento foi a proteção das armaduras, sendo que metade das amostras passou pelo processo de galvanização a quente, e o restante permaneceu em suas condições originais. De acordo com Olivato (2000 apud FALDINI; SILVA, 2003, p.4), o processo mais utilizado e de maior eficiência para a proteção das superfícies metálicas é a zincagem por imersão a quente. Segundo Faldini e Silva (2003), este processo tem sido utilizado desde 1840, protegendo o ferro ou o aço contra o ataque do meio corrosivo. Este procedimento consiste na aplicação de um revestimento de zinco a um componente

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de aço através da sua imersão em um banho de zinco fundido. A galvanização bem- sucedida depende de uma camada protetora formada na superfície do zinco, que faz com que a superfície do aço fique completamente isolada do ambiente. Coni (2004) mostra que o zinco protege o aço de três maneiras distintas, a saber:

inicialmente, como uma barreira contínua na superfície do aço, que age como barreira mecânica, impedindo o contato do material com o ambiente agressivo; nas imperfeições do revestimento, comportando-se como anodo de sacrifício; e o protegendo-o também com a formação de uma barreira mecânica secundária, após a precipitação do hidróxido de zinco nas áreas catódicas do aço exposto.

3.2 Moldagem dos corpos de prova

Todos os moldes foram preenchidos da mesma maneira, com lançamento de uma camada única para adensamento mecânico, como indica a NBR 5738 da ABNT (2003). A Fotografia 1 ilustra os corpos de prova.

da ABNT (2003). A Fotografia 1 ilustra os corpos de prova. FIGURA 1 • Corpos de

FIGURA 1 • Corpos de prova - Fonte: Acervo pessoal (2013)

3.3 Processo de indução de íons cloreto

O procedimento experimental determinado para a indução da penetração de íons cloreto foi o de ciclos de secagem e molhagem em solução de NaCl. Os íons agressivos são transportados através da absorção capilar e pelo processo de difusão, como apresenta

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DESEMPENHO E DURABILIDADE DO CONCRETO

Monteiro (2002) - o que propicia a ocorrência de corrosão de maneira mais rápida. Com o passar do tempo e aplicação dos ciclos, os poros de concreto sofrem um grande

acréscimo de íons cloreto, e esse processo de imersão e secagem faz com que a velocidade de transporte do gás oxigênio até as áreas catódicas das barras de aço seja maior, o que acarreta acréscimo de concentração.

A duração total do experimento foi de cinco meses, sendo que as etapas de imersão

e secagem em estufa tiveram duração de sete dias cada uma, portanto, cada ciclo era

completado a cada 14 dias. Estes ciclos de curta duração mostraram-se eficazes em

experimentos semelhantes a este, como os realizados por Cascudo (2000), John et al. (1981 apud CASCUDO, 2000, p. 74) e Bauer (1995, apud CASCUDO, 2000, p. 36). Na etapa de molhagem foi utilizada uma solução composta por 5% de NaCl, com pH próximo a 9,0, teores estes próximos ao encontrado na água do mar, como apresenta Cascudo (2000). Para que o pH fosse mantido próximo ao valor desejado, a cada ciclo completo a solução era renovada, passando por ajustes no teor de NaCl presente, chegando

a 13%, o que representa um aumento na concentração de Cl-, e, consequentemente,

um aumento na aceleração e agressividade ao concreto. O procedimento de molhagem consistiu na imersão dos 72 corpos de prova em um recipiente plano e impermeável que continha a solução descrita. Quando imersos, os corpos de prova permaneciam com o nível

de água na altura correspondente à metade do corpo de prova (10 cm a partir da base), para que apenas parte da área de exposição das barras de aço ficasse na área caracterizada como molhada.

O procedimento de secagem consistiu na permanência dos corpos de prova em

estufa de circulação forçada a uma temperatura de 50º C durante os sete dias característicos

do ciclo. Cascudo (2000) mostra que a secagem é um processo mais desafiador do que a molhagem porque a velocidade de perda de água do concreto ao ambiente é significativamente inferior à velocidade de absorção. Desta maneira, aumenta-se

a eficiência da retirada de umidade dos corpos de prova e, consequentemente, acelera-se

a corrosão.

3.4 Avaliação do método

Após a realização de 11 ciclos, e cinco meses de duração, os corpos de prova foram

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rompidos diametralmente para análise visual e considerações a respeito do ataque dos íons cloreto e da carbonatação. Para avaliar o método em relação ao efeito da carbonatação no concreto foram feitas medidas de profundidade de carbonatação através da utilização de solução de fenolftaleína, após o rompimento dos corpos de prova. Já para a análise do efeito dos íons cloreto foi realizada a análise visual de todas as barras e corpos de prova envolvidos no experimento para avaliar a intensidade da corrosão, textura e possíveis compostos aflorados. Além disso, também foi realizado o ensaio à tração de algumas das barras de aço para que fosse possível uma análise de resistência das barras que apresentaram alguma característica de corrosão.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os resultados, assim como os ensaios desenvolvidos, foram divididos em três principais segmentos: aspectos visuais, análise à carbonatação e resistência à tração. Esta divisão se dá pelo fato de que as três avaliações foram elaboradas em momentos e de maneiras distintos. Além disso, os resultados obtidos dos experimentos dão espaço para discussões relevantes e conclusivas a respeito dos métodos empregados.

4.1 Resultados da análise visual

Após o rompimento dos corpos de prova, tanto o concreto quanto o aço foram submetidos a uma análise visual e, a seguir, são apresentadas as observações anotadas de cada corpo de prova. Foi possível observar que os corpos de prova que estiveram submetidos a um cobrimento menor sofreram ataques com maior intensidade, afetando um maior número de barras do que os outros cobrimentos. Além disso, também foi possível notar que as barras galvanizadas sofreram significativamente menos ataques do que as barras sem proteção, totalizando nove barras de 36 possíveis (25%), com aparecimento visível

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DESEMPENHO E DURABILIDADE DO CONCRETO

de pequenos pontos vermelhos/pretos, contra 25 barras com corrosão localizada das

36 possíveis (69%) sem proteção de zinco. Da avaliação realizada pode-se constatar um maior grau de degradação sofrido pelas barras de aço não galvanizadas que foram submetidas a um cobrimento de 1,5 cm, em que houve aparecimento de corrosão com maior intensidade do que no caso de outros cobrimentos. A corrosão ficou pontualmente localizada, principalmente nos trechos próximos às extremidades em forma de manchas avermelhadas e escuras ao longo de trechos com, aproximadamente, 2,5 a 4,0 cm de comprimento. Para as barras de aço não galvanizadas que foram submetidas ao cobrimento de 2,5

cm houve registro também de barras com corrosão localizada, embora em menor número

e intensidade do que as de 1,5 cm. As barras apresentaram a formação de manchas com coloração preta/avermelhada e comprimento de 0,5 a 2,5 cm, sem homogeneidade quanto ao local do aparecimento destas manchas. Das barras não galvanizadas que ficaram submetidas ao longo do ensaio a um cobrimento de 4,5 cm, em apenas quatro amostras foram encontradas pequenas aparições de regiões avermelhadas, com menos de 1,0 cm de comprimento. As figuras 2, 3 e 4 representam os cobrimentos.

As figuras 2, 3 e 4 representam os cobrimentos. FIGURA 2 • Barra de aço com

FIGURA 2 • Barra de aço com cobrimento de 1,5 cm - Fonte: Acervo pessoal (2013)

aço com cobrimento de 1,5 cm - Fonte: Acervo pessoal (2013) FIGURA 3 • Barra de

FIGURA 3 • Barra de aço com cobrimento de 2,5 cm - Fonte: Acervo pessoal (2013)

aço com cobrimento de 2,5 cm - Fonte: Acervo pessoal (2013) FIGURA 4 • Barra de

FIGURA 4 • Barra de aço com cobrimento de 4,5 cm - Fonte: Acervo pessoal (2013)

Já no caso das barras galvanizadas, as de cobrimento 1,5 cm apresentaram formação de pequenos pontos pretos ao longo da barra, enquanto as de 2,5 cm apresentaram apenas

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algumas marcas pretas, e as de 4,5 cm não apresentaram nenhum tipo de manifestação. Os gráficos 1 e 2 mostram a divisão dos resultados.

20 15 12 12 10 9 6 5 4 0 1,5 2,5 4,5 NÚMERO DE
20
15
12
12
10
9
6
5
4
0
1,5
2,5
4,5
NÚMERO DE BARRAS (und)

COBRIMENTO DE CONCRETO (cm)

Legenda

Barras galvanizadasNÚMERO DE BARRAS (und) COBRIMENTO DE CONCRETO (cm) Legenda Barras não galvanizadas GRÁFICO 1 • Relação

Barras não galvanizadasCOBRIMENTO DE CONCRETO (cm) Legenda Barras galvanizadas GRÁFICO 1 • Relação número de barras corroídas x

GRÁFICO 1 • Relação número de barras corroídas x cobrimento

30 25 25 20 15 9 10 5 0 Barras galvanizadas Barras não corroídas galvanizadas
30
25
25
20
15
9
10
5
0
Barras galvanizadas
Barras não
corroídas
galvanizadas corroídas
NÚMERO DE BARRAS (und)

PROTEÇÃO

GRÁFICO 2 • Relação número de barras corroídas x proteção

4.2 Resultados da análise à carbonatação

Em todos os corpos de prova as partes das extremidades do concreto permaneceram com coloração rosada, indicando a manutenção do pH existente e caracterizando a não formação de uma frente de carbonatação. Entretanto foi possível observar que alguns dos corpos de prova estavam marcados com manchas de corrosão, e que nessas regiões e proximidades do local em que a barra estava alocada a fenolftaleína permaneceu incolor, como

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DESEMPENHO E DURABILIDADE DO CONCRETO

mostrado na Fotografia 5. Ou seja, caracterizando essas regiões como tendo pH inferior ao do entorno do concreto pela ação dos íons cloreto.

ao do entorno do concreto pela ação dos íons cloreto. FIGURA 5 • Corpo de prova

FIGURA 5 • Corpo de prova com fenolftaleína aspergida - Fonte: Acervo pessoal (2013)

4.3 Resultados da resistência à tração das barras de aço

A partir dos resultados obtidos de resistência à tração e alongamento porcentual, pode-

se concluir que a duração do ensaio de indução de íons cloreto não foi suficiente para ocasionar mudanças físicas significativas para ocasionar algum tipo de variação nos resultados. Tanto as resistências quanto os alongamentos não geraram nenhum tipo de padrão que pudesse caracterizar diminuição de seção, o que, segundo Mota et al. (2009 apud BARBOSA, 2012, p.2) é um dos problemas mais graves que a corrosão pode gerar.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A corrosão é um tema que deve ser abordado quando se trata de construções em ambientes

agressivos, principalmente o marinho. Atender às exigências normativas de segurança e conforto ao usuário é um desafio constante na Engenharia. O bom conhecimento das

possíveis causas, efeitos e modos de manifestação da corrosão possibilita a melhor escolha

de materiais e procedimentos operacionais para cada situação.

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A escolha por elementos e soluções de prevenção ao ataque da corrosão é fundamental

para a vida útil de uma estrutura. A realização desta pesquisa experimental produziu, como

principal conclusão que, quando aplicados diferentes tipos de proteção e cobrimentos, o desenvolvimento da corrosão nas barras de aço apresentou menores quantidades e intensidades. Observou-se que os três valores de cobrimento empregados no concreto armado (15 mm, 25 mm e 45 mm) produziram resistências à corrosão significativamente diferentes. Com base nas amostras avaliadas, as barras que ficaram com cobrimento menor foram as que mais desenvolveram aspectos ligados à corrosão, seguidas pelas barras que ficaram com 25 mm de cobrimento e, por último e com menor número de barras afetadas, as amostras com 45 mm de cobrimento. Os corpos de prova sem proteção galvânica e com cobrimento de 15 mm tiveram 12 barras com sinais de corrosão (100% de sua amostragem), enquanto as barras com cobrimento de 25 mm apresentaram nove casos com sinais de corrosão (75% de sua amostragem) e as com 45 mm, apenas quatro (33% de sua amostragem). Acrescenta-se, também, que as barras que possuíam proteção galvânica sofreram ataques de corrosão muito mais brandos e em menor quantidade quando comparadas às barras que permaneceram sem proteção. No total, as barras de aço com proteção tiveram corrosão manifesta em nove das 36 passíveis (25% da amostragem), enquanto as barras sem proteção apresentaram 25 amostras com sinais de corrosão das 36 passíveis (69% da amostragem). A manifestação da corrosão no concreto se deu, na maioria dos casos, de forma localizada, com regiões que variaram de 0,5 cm até 4,0 cm de comprimento, e também na forma de pontos avermelhados ou pretos ao longo das barras. Por outro lado, os efeitos da carbonatação não se manifestaram, evidenciando que o ataque de corrosão que gerou o

aparecimento das evidências nas barras de aço foi o induzido por íons cloreto no concreto. No caso de corrosão do aço, esta também se mostrou presente no concreto que ficou aderido às barras e nos próprios corpos de prova nas regiões do concreto próximas ao local em que a barra estava alocada.

É importante considerar que a análise dos resultados obtidos está condicionada à

duração dos ensaios, igual a apenas cinco meses. As barras apresentaram resistência à tração e alongamento porcentual praticamente constantes, sem grandes variações, já que não houve perda significativa de suas seções.

25

DESEMPENHO E DURABILIDADE DO CONCRETO

Como recomendação para um futuro estudo, sugere-se a elaboração de experimentos para análise em prazo maior, com outros tipos de cimento como, por exemplo, o cimento Portland pozolânico (CP-IV). Devem-se contemplar, também, estudos com variação da relação água/cimento, considerando-se, ainda, a porosidade dos corpos de prova. Também se propõe análise de corpos de prova situados em portos, pois, além da ação da corrosão no ambiente, há também a contaminação por outros fatores externos, que podem influenciar a durabilidade e o comportamento de uma estrutura.

a durabilidade e o comportamento de uma estrutura. 26 REFERÊNCIAS ANDRADE, C. Manual para diagnóstico de

26

REFERÊNCIAS

ANDRADE, C. Manual para diagnóstico de obras deterioradas por corrosão de armaduras. Tradução e adaptação Antonio Carmona e Paulo Helene. 1 ed. São Paulo: Pini, 1992.

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F Corrosão de armaduras em estruturas de concreto armado devido ao ataque de íons

cloreto. 2012. Trabalho apresentado ao 54º Congresso Brasileiro do Concreto, Alagoas-, Brasil, 2012.

Modelos de previsão da despassivação das armaduras em estruturas

de concreto sujeitas a carbonatação. 2005. 93 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia) -

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CASCUDO, O

eletroquímicas. 1 ed. São Paulo: Pini, 1997.

O controle da corrosão de armaduras em concreto: Inspeção e técnicas

CASCUDO, O

armaduras para concreto armado no comportamento frente à corrosão. 2000. 310 f. Tese (Doutorado em Engenharia) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.

Influência das características do aço carbono destinado ao uso como

27

Estudo das Propriedades Mecânicas do Aço Zincado por Imersão a

Quente e Galvalume produzidos na CSN-PR. 2004. 97 f. Dissertação (Mestrado) - Curso

de Engenharia e Ciências Dos Materiais, Universidade Federal do Paraná, Curitiba,

2004. Disponível em: <http://demec.ufpr.br/laboratorios/labconf/base/dicertacoes/

Nicodemos%20Henrique%20da%20Silva%20Coni.pdf>. Acesso em: 15 set. 2013.

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Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2003.

Galvanização a quente: processo por batelada. Universidade

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Caracterização da agressividade do ambiente marinho às

estruturas de concreto. 2004. 40 f. Dissertação (Doutorado em Engenharia de Infraestrutura

Aeronáutica)-ITA, São José dos Campos, 2004.

LIMA, M. G.; MORELLI, F

Avaliação do método de extração eletroquímica de cloretos para

reabilitação de estruturas de concreto com problemas de corrosão de armaduras. 2002.

229 f. Dissertação (Doutorado em Engenharia)-Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.

MONTEIRO, E. C. B

28

DINÂMICA DAS ESTRUTURAS:

ANÁLISE DAS VIBRAÇÕES APLICADAS NO PROJETO DE ESTRUTURAS

Ana Carolina de Melo Droghetti 1 Danillo Younes Braile 2 Januário Pellegrino Neto 3

Danillo Younes Braile 2 Januário Pellegrino Neto 3 Resumo “ A busca por estruturas eficientes e

Resumo

A busca por estruturas eficientes e seguras faz com que a análise do seu

comportamento estrutural torne-se imprescindível. Este trabalho de graduação estudou

o comportamento de estruturas sob vibrações provenientes de ações humanas, através da

análise dinâmica por modelos computacionais representativos no software STRAP V12.5. Se realizada corretamente, essa análise reduz a probabilidade de ocorrência de patologias,

e também melhora as condições de conforto dos usuários quanto ao incômodo causado

por vibrações. Para isso foi necessário o conhecimento da teoria relacionada a cargas dinâmicas, vibrações, análise modal, interação humano-estrutura, sobreposição modal

e do software de elementos finitos que representou as estruturas em estudo. O resultado

das análises obteve os parâmetros necessários para que fosse possível compará-los com os valores de conforto especificados pelas normas. A partir dos dados comparativos foi verificado se a estrutura estava apta e segura para suportar os carregamentos dinâmicos nela aplicados, e assim, se seriam necessárias modificações na mesma em busca de melhores resultados.

Palavras-chave » análise dinâmica; vibrações; interação humano-estrutura.

dinâmica; vibrações; interação humano-estrutura. 1 E-mail: ana_md11@hotmail.com. 2 E-mail:

1 E-mail: ana_md11@hotmail.com.

2 E-mail: danillo.braile@hotmail.com.

3 E-mail: neto.pellegrino@uol.com.br.

29

1 INTRODUÇÃO

Na constante competitividade em que o mercado de construção civil se encontra, a busca por soluções mais rápidas e econômicas tornou-se indispensável. Para obter

resultados eficientes e seguros, é necessário uma análise do comportamento estrutural.

O excesso de vibrações em uma estrutura pode comprometer a integridade do projeto

por causar danos estruturais, ocasionar fadiga dos elementos e desconforto aos indivíduos que utilizam essa estrutura, tornando-se inaceitável. As estruturas de engenharia civil são sempre dimensionadas para suportar o seu peso próprio, sobrecargas e cargas provenientes do ambiente externo. As cargas permanentes normalmente são consideradas como na sua intensidade máxima e invariáveis no tempo, sendo denominadas cargas estáticas.

A aplicação de cargas variáveis não envolve somente componentes estáticos, mas

também componentes variáveis no tempo, conhecidos como cargas dinâmicas. No passado, os efeitos das cargas dinâmicas eram reprimidos usando-se um equivalente de cargas estáticas, um fator de impacto, ou através de uma modificação nos fatores de segurança. Dentre alguns dos motivos que têm contribuído para um contínuo aumento dos problemas de vibração das estruturas pode-se citar, em especial, a frequente ocorrência de utilização de estruturas para atividades que geram carregamentos dinâmicos que, em muitos casos, não foram previstos em seu projeto original. Pela busca de alternativas para contornar os problemas causados pelas ações dinâmicas e, consequentemente, pela repercussão das vibrações em estruturas, têm-se desenvolvido cada vez mais estudos na área de dinâmica de estruturas. Para uma otimização dos recursos, é necessário a análise de modelos mais próximos possíveis dos modelos reais que serão analisados e, por esse fato, muitas vezes a análise do comportamento dinâmico é feita pelo método dos elementos finitos, que permite a obtenção de resultados mais precisos e com menor esforço computacional. Este trabalho se justifica por contribuir para o estudo das ações dinâmicas sobre as estruturas, ampliando o conhecimento através de considerações relevantes.

30

2 TEORIA

2.1 Análise Dinâmica

A palavra dinâmica pode ser definida como um carregamento que sofre alterações ao longo do tempo, ou seja, qualquer tipo de carregamento cujas características de magnitude, direção e/ou posição variam no tempo. Carregamento dinâmico é a ação que varia no tempo, seja em sua magnitude, direção ou posição. Sua variação introduz acelerações e velocidades na estrutura, além de deslocamentos que, consequentemente, geram forças de inércia e de amortecimento. As principais diferenças entre as ações provenientes de uma carga estática ou dinâmica e os problemas que as mesmas causam em uma estrutura podem ser definidas em dois aspectos. O primeiro é a variação no tempo, que a carga dinâmica possui e a estática não, fazendo com que a solução para o problema de uma carga dinâmica seja muito mais complexo. O segundo pode ser explicado através da figura 1:

complexo. O segundo pode ser explicado através da figura 1: FIGURA 1 • Diferença entre carga

FIGURA 1 • Diferença entre carga estática e carga dinâmica - Fonte: Clough e Penzien (2003)

Quando há apenas uma carga estática (p) sobre uma viga simples, seus momentos internos, forças cortantes e deflexões dependem apenas dessa carga, e podem ser calculadas por um sistema de equilíbrio de forças. Porém, quando a carga (p) é aplicada de forma dinâmica sobre uma viga, os deslocamentos resultantes dessa viga não dependem só da carga, mas também da força de inércia que se opõe à força de aceleração que os provocou.

31

DINÂMICA DAS ESTRUTURAS

2.2 Tipos de vibração

Vibração é qualquer movimento que se repete, regular ou irregularmente, depois de um intervalo de tempo. O movimento de um pêndulo e da corda de um violão são exemplos simples de vibração no mundo real. Em engenharia, estes movimentos ocorrem em elementos de máquinas e nas estruturas, quando submetidas a ações dinâmicas. As vibrações que podem ocorrer em uma estrutura são definidas em:

a) VIBRAÇÕES LIVRES OU FORÇADAS: quando um sistema estrutural, depois de

uma perturbação interna, vibra por si só, sem forças externas agindo no mesmo, ocorre uma

vibração livre; quando um sistema estrutural sofre vibrações através de forças externas, ocorre a vibração forçada;

b) VIBRAÇÃO AMORTECIDA OU NÃO AMORTECIDA: quando nenhuma energia

é dissipada ou perdida durante as oscilações, ocorre a vibração não amortecida; se alguma energia é perdida durante a ocorrência das oscilações, a vibração é amortecida;

c) VIBRAÇÃO LINEAR E NÃO LINEAR: se todos os componentes básicos de um

sistema de vibração (mola, massa, amortecedor) permanecerem lineares, a vibração é linear; se eles não se comportarem de forma linear, a vibração é não linear.

2.3 Sistema massa, mola e amortecedor

Os movimentos vibratórios variam com o tempo, sendo assim, irão gerar forças de inércia proporcionais à massa dos elementos estruturais e à aceleração sofrida por ela. Além da força de inércia, há três outras forças atuando na estrutura para um equilíbrio dinâmico, sendo elas: forças de amortecimento, força elástica e forças exteriores aplicadas. A figura 2 representa um sistema mecânico massa (m), mola (k) e amortecedor (c), que serve como protótipo para análise e entendimento dos sistemas de grau de liberdade.

análise e entendimento dos sistemas de grau de liberdade. FIGURA 2 • Sistema massa, mola e

FIGURA 2 • Sistema massa, mola e amortecedor - Fonte: adaptada de Lima e Santos (2008)

32

A massa (m), que está confinada a ter deslocamentos na direção da coordenada x,

representa a inércia do sistema. A coordenada define completamente a posição da massa

em qualquer instante de tempo t. Pela necessidade de apenas uma coordenada para definir a posição da massa (m), o sistema é definido como sistema de um grau de liberdade (SGL).

A massa está conectada a uma base fixa por uma mola (k) sem massa linear, que

representa as propriedades elásticas do sistema e é caracterizada pela sua relação força- deslocamento, podendo ser linear ou não linear.

O amortecedor (c) representa o mecanismo de dissipação de energia do sistema, e é

suposto como do tipo viscoso, onde a força de amortecimento é proporcional à velocidade, atribuindo um comportamento linear ou não. Através do Princípio de d’Alembert e da aplicação da segunda lei de Newton, com

o objetivo de obter um modelo matemático que descreva o comportamento do sistema

representado na figura 2, é elaborado um diagrama de corpo livre, representado na figura

3, onde é estabelecido o equilíbrio dinâmico do sistema, adicionando-se às forças externas

aplicadas uma força de inércia com sentido contrário ao do movimento e proporcional à

aceleração, sendo que a constante de proporcionalidade é igual à massa do sistema.

constante de proporcionalidade é igual à massa do sistema. FIGURA 3 • Diagrama de corpo livre

FIGURA 3 • Diagrama de corpo livre - Fonte: Lima e Santos (2008)

Equilibrando as forças do sistema na direção x, obtém-se a equação diferencial do movimento a seguir:

m ẍ (t) + cẋ(t) + kx(t) = F(t)

(1)

Onde x(t) representa a resposta dinâmica, que é o deslocamento em relação à posição

de equilíbrio estático; ẋ(t), a velocidade; e ẍ(t), a aceleração.

A partir da equação de equilíbrio de movimento podemos deduzir as equações para

cada tipo de vibração.

33

DINÂMICA DAS ESTRUTURAS

2.4 Análise modal

A análise modal pode ser definida como um processo constituído de técnicas teóricas e

experimentais que proporcionam a criação de um modelo matemático que represente o comportamento dinâmico de uma estrutura, com o objetivo de determinar as frequências naturais, os modos de vibração e os fatores de amortecimento modal; ou seja, os parâmetros modais da estrutura. Essa análise permite validar a concepção estrutural para minimizar os efeitos dinâmicos que serão determinados pela resposta dinâmica no tempo. Portanto, é essencial fazer um ensaio dinâmico da estrutura quando suas cargas são modificadas, a geometria é alterada, a estrutura foi danificada, ou quando forem necessárias a realização de reparos ou alterações. A análise modal teórica começa com a criação do modelo espacial da estrutura, caracterizado pelas propriedades físicas e geométricas da estrutura, que são definidas através de matrizes. Essas matrizes são obtidas através de técnicas de discretização. A próxima etapa da análise é realizada através da solução do modelo matricial espacial que formula um problema de autovalor e autovetor, com soluções que fornecem as características dinâmicas da estrutura (frequências naturais, modos de vibração e fatores).

2.5 Ressonância

A deformação estática de um sistema é dada pela relação entre a amplitude da força e a rigidez do sistema. O fator de amplificação dinâmica é definido por:

O fator de amplificação dinâmica é definido por: (2) Ao considerar que o amortecimento no sistema

(2)

Ao considerar que o amortecimento no sistema é nulo, a equação 2 passa a depender

somente de r, que é a relação entre frequência circular excitadora ω e frequência circular natural ω n . Com a frequência natural igual à excitadora, o fator de amplificação dinâmica

e, consequentemente, a amplitude do movimento, passam a ser infinitos. O sistema, então,

é dito em ressonância. A figura 4 mostra a variação do fator de amplificação dinâmica com

o amortecimento e as frequências.

34

4 3 1 0 0 1 2 3
4
3
1
0
0
1
2
3

D 2

R

e as frequências. 34 4 3 1 0 0 1 2 3 D 2 R FIGURA

FIGURA 4 • Variação do fator de ampliação dinâmica - Fonte: Clough e Penzien (2003)

Ao ocorrer esse fenômeno em estruturas civis, pequenos esforços externos provocam significativos deslocamentos e, assim, o movimento torna-se perceptível e provoca desconforto nos usuários. Uma das formas de prevenção da amplificação excessiva da vibração é projetar a estrutura com o objetivo de que a frequência natural seja maior do que as prováveis frequências de forças excitadoras, o que está relacionado com o amortecimento da estrutura. A ressonância estará mais afastada quanto maior for o amortecimento ou a frequência natural do sistema.

2.6 Interação estrutura e ser humano

Para realizar a análise dinâmica de uma estrutura é imprescindível o estudo do comportamento do ser humano que está interagindo com a mesma, pois a interação pode ocorrer como o humano receptor ou como gerador das excitações que causam as vibrações. Assim, as vibrações podem trazer tanto o desconforto para os usuários como o comprometimento da estrutura. As vibrações na estrutura devido às atividades humanas se dão pelos movimentos rítmicos do corpo humano, como andar, correr, pular, dançar, bater palmas, entre outros. Conforme Brasil e Silva (2013), a frequência dos movimentos rítmicos, definidos como carregamentos dinâmicos, tem grande importância na definição da carga dinâmica a ser considerada em uma análise. Considerando que um grupo de pessoas pode movimentar-

35

DINÂMICA DAS ESTRUTURAS

se fora da fase, como, por exemplo, num estádio onde cada pessoa pula em determinado tempo, e não sincronizadas umas com as outras, a frequência do carregamento dinâmico é classificada como periódica, mas não totalmente harmônica. Assim, esses carregamentos possuem um número variável de componentes harmônicas com frequências múltiplas da frequência de excitação, o que pode ocasionar uma superposição de harmônicos. A carga dinâmica, proveniente dos movimentos humanos, e que atua na estrutura, pode ser representada por uma expressão da série de Fourier através da decomposição de várias forças harmônicas, conforme a equação 3.

de várias forças harmônicas, conforme a equação 3. (3) Onde: F representa a força da ação

(3)

Onde: F representa a força da ação dinâmica a ser considerada; G, o peso da pessoa;

α i , o coeficiente dinâmico; f p , a frequência de uma excitação dinâmica; t, o tempo; n, o número de harmônicos considerados; i, múltiplo harmônico; e ϕ i , o ângulo de fase para um harmônico. Os valores dos coeficientes dinâmicos estão listados no quadro 1.

ATIVIDADES Modo (Hz) α_1 ϕ_1 α_2 ϕ_2 α_3 ϕ_3 2 0,4 π/2 0,115 π/2 Densidade
ATIVIDADES
Modo
(Hz)
α_1
ϕ_1
α_2
ϕ_2
α_3
ϕ_3
2
0,4
π/2
0,115
π/2
Densidade do projeto (pessoas/m²)
Na vertical
0,1
2,4
0,5
ANDAR
2
0,2
Para frente
0,1
~ 1
α_(1/2)=0,1
Lateralmente
2
α_(1/2)=0,1
α_(3/2)=0,1
CORRER
2 a 3
1,6
0,7
0,2
2
1,8
1,3
0,7
Em treino de condicionamento ~0,25
Normal
3
1,7
1,1
0,5
A
(casos extremos até 0,5)
PULAR
2
1,9
1,6
1,1
Alto
3
1,8
1,3
0,8
ϕ_(2=) ϕ_ (2=)π(1-fpt)
DANÇAR
2 a 3
0,5
0,15
0,1
~4 (casos extremos até 6)
BATER
1,6
0,17
0,1
0,04
Sem assentos fixos ~4
PALMAS EM
(em casos extremos até ~6)
PULANDO
2,4
0,38
0,12
0,02
Com assentos fixos ~2 a 3
1,6
0,024
0,01
0,009
BATER
Normal
PALMAS
2,4
0,047
0,024
0,015
~2 a 3
SENTADO
Intensamente
2
0,17
0,047
0,037
BALANÇO
Sentado
0,6
α_(1/2)=0,4
LATERAL DO
~3 a 4
Em pé
0,6
α_(1/2)=0,5
CORPO

Onde: α=coeficiente de Fourier; ϕ=ângulo de fase

QUADRO 1 • Valores sugeridos para os coeficientes de força dinâmica - Fonte: CEB-209 (1991, apud, Brasil e Silva, 2013, p.187)

36

3 ESTUDO DE CASO

3.1 Modelagem computacional

O desenvolvimento contínuo dos sistemas computacionais está proporcionando,

cada vez mais, auxílio ao engenheiro para a elaboração de projetos estruturais. A

necessidade de uma abordagem sistemática e do estudo de fenômenos complexos fez com que a modelagem computacional se tornasse mais presente no dia a dia dos profissionais

de engenharia, de modo a proporcionar melhorias na compreensão dos problemas dos

sistemas reais. O software adotado para o estudo de caso foi o STRAP – Structural Analysis Program, que é um dos softwares disponíveis no mercado, considerado um programa de análise estrutural por elementos finitos e com capacidade de realizar a análise dinâmica de estruturas. Essa análise só é possível pelo fato de o programa possuir um módulo especial de análise dinâmica, onde é possível chegar a resultados, gráficos e tabelas em relação a frequências naturais, análises de forças vibratórias e análises sísmicas.

3.2 Modelo adotado para a simulação

3.2.1 LAJE DE ACADEMIA

Para analisar os efeitos dos humanos como geradores de excitações na estrutura foi criado um modelo representando a estrutura de uma academia, no software de análise estrutural STRAP V12.5. O modelo foi criado em 3D, ou seja, com orientações em X1,

X2 e X3, sendo X1 a largura (seis metros), X2 a altura (três metros) e X3 o comprimento

(seis metros). Primeiramente, foram criados os nós e barras representando os quatro pilares da estrutura, e as vigas que serviram de contorno para a laje, conforme a figura 5. Os pilares foram colocados em orientações diferentes para compensar a inércia, e os apoios foram considerados como engastados.

37

DINÂMICA DAS ESTRUTURAS

FIGURA 5 • dimensões e número das propriedades das vigas e pilares - Fonte: elaborada

FIGURA 5 • dimensões e número das propriedades das vigas e pilares - Fonte: elaborada pelos autores (2013)

Em seguida, a laje foi modelada através da criação de nós e elementos, caracterizando um modelo de cascas. A laje foi criada no plano X1-X3, que contém o contorno com as vigas; foram utilizados elementos de 20 x 20 cm com o objetivo de maior e melhor discretização da estrutura, conforme a figura 6.

e melhor discretização da estrutura, conforme a figura 6. FIGURA 6 • dimensões e propriedades da

FIGURA 6 • dimensões e propriedades da laje - Fonte: elaborada pelos autores (2013)

As propriedades representadas por números nas figuras acima estão especificadas no quadro 2. A laje em estudo foi dimensionada com o intuito de apresentar os efeitos dinâmicos exercidos nela. Numa estrutura real, a laje deverá ser dimensionada pela norma NBR6118, seguindo os critérios relacionados ao estado limite de serviço (ELS) e estado limite último (ELU).

38

PROPRIEDADES

B (CM)

H (CM)

ESPESSURA (CM)

E (MPA)

DENSIDADE CONCRETO (TF/M³)

1 (PILAR)

40

19

-

21.955,9

2,5

2 (VIGA)

40

19

-

21.955,9

2,5

3 (LAJE)

-

-

12

21.955,9

2,5

QUADRO 2 • Propriedades do modelo - Fonte: elaborado pelos autores (2013)

Foram consideradas na estrutura a carga de peso próprio das barras e elementos, calculadas automaticamente pelo programa em função das dimensões de seções e densidade do material. Foi criada, também, uma carga representando o peso das pessoas pulando sobre a estrutura, que será considerada posteriormente na criação das cargas dinâmicas, denominada aeróbica. Segundo o quadro 1, considera-se 0,25 pessoa por metro quadrado quando em um treino de condicionamento; como a laje está discretizada em elementos, não é possível considerar a carga por área, sendo então necessário concentrá-la nos nós através da sua área de influência. Como foi considerada a área de influência de um elemento de 20x20 centímetros e uma pessoa com peso de 80 kg, a carga concentrada em cada nó resultou em 0,0008 tonelada e foi aplicada em todos os nós dentro de uma área de 27,04 m², conforme a figura 7.

nós dentro de uma área de 27,04 m², conforme a figura 7. FIGURA 7 • definição

FIGURA 7 • definição do local de aplicação da carga - Fonte: elaborada pelos autores (2013)

Em seguida, foram considerados os pesos nodais da estrutura, gerados pelo próprio programa, considerando somente o peso próprio. Com a distribuição dos pesos nodais da viga e o processamento do modelo com base em quantos modos de vibração seriam

39

DINÂMICA DAS ESTRUTURAS

calculados, foram obtidos os modos, as frequências naturais, os períodos, e o nós que sofreram maiores deslocamentos e em qual direção, conforme o quadro 3.

MODO DE VIBRAÇÃO

FREQUÊNCIA NATURAL (HZ)

PERÍODO (S)

NÓ - DIREÇÃO

1

4,7193

0,21190

458-1

2

4,7389

0,21102

477-3

3

6,3539

0,15738

355-2

4

8,0657

0,12398

355-2

5

14,1523

0,07066

24-2

6

14,2283

0,07028

79-2

7

16,4695

0,06072

60-2

8

23,4321

0,04268

355-2

9

32,1565

0,03110

311-4

10

32,1812

0,03107

644-6

QUADRO 3 • Frequências naturais da estrutura - Fonte: elaborado pelos autores (2013)

As figuras 8, 9 e 10 mostram os três primeiros modos de vibração da estrutura; nota-se que o terceiro modo é o de interesse para a avaliação de um carregamento dinâmico gerado por pessoas, pois é o primeiro modo que age no mesmo sentido X2 que as fontes excitadoras, e apresenta uma frequência natural atingível pelo 3º harmônico de um carregamento humano, conforme o quadro 1, que descreve que um harmônico de carregamento de atividade rítmica — pular normal — é de 2 Hz a 3 Hz.

atividade rítmica — pular normal — é de 2 Hz a 3 Hz. FIGURA 8 •

FIGURA 8 • 1º modo de vibração f=4,7193 Hz - Fonte: elaborada pelos autores (2013)

40

f=4,7193 Hz - Fonte: elaborada pelos autores (2013) 40 FIGURA 9 • 2º modo de vibração

FIGURA 9 • 2º modo de vibração f=4,7389 Hz - Fonte: elaborada pelos autores (2013)

f=4,7389 Hz - Fonte: elaborada pelos autores (2013) FIGURA 10 • 3º modo de vibração f=6,3539

FIGURA 10 • 3º modo de vibração f=6,3539 Hz - Fonte: elaborada pelos autores (2013)

Para a inserção do carregamento humano no modelo, foi considerado o carregamento aeróbica já definido anteriormente, e que a estrutura entraria em ressonância com o carregamento no seu 3º harmônico, portanto, foi utilizada a frequência do terceiro modo de vibração. Para a obtenção dos três harmônicos do carregamento, a frequência do terceiro modo de vibração foi dividida por três, e o resultado foi utilizado como o 1º harmônico; a partir desse valor foram calculados os outros dois harmônicos, conforme o quadro 4.

 

FREQUÊNCIA (HZ)

PERÍODO (S)

1º Harmônico

2,1180

0,4722

2º Harmônico

4,2359

0,2361

3º Harmônico

6,3539

0,1574

QUADRO 4 • Períodos e frequências dos harmônicos - Fonte: elaborado pelos autores (2013)

41

Como o software STRAP não possui a série de Fourier, os harmônicos foram criados separadamente em funções senoidais e, posteriormente, foi criada uma combinação em função de todos os harmônicos para analisar o comportamento real da estrutura. Os coeficientes utilizados para a combinação dos harmônicos foram definidos através do quadro 1. Sendo assim, considerando as pessoas na academia como a ação de pular, o 1º harmônico possui α1=1,8, o 2º harmônico possui α2=1,3 e o 3º harmônico possui α3=0,7. Foi considerado um fator de amortecimento de ξ=5%. Após todas as considerações, foi possível analisar as acelerações nos nós. Foram escolhidos alguns nós para análise, o nó 7, que encontra-se fora da área em que a carga dinâmica foi aplicada, e o nó 820, que encontra-se dentro da área. Observa-se nas figuras 11 e 12, que, conforme o nó esteja posicionado mais próximo ao centro da laje, maior a aceleração.

mais próximo ao centro da laje, maior a aceleração. FIGURA 11 • Aceleração nó 820 -

FIGURA 11 • Aceleração nó 820 - Fonte: elaborada pelos autores (2013)

Aceleração nó 820 - Fonte: elaborada pelos autores (2013) FIGURA 12 • Figura 12 - Aceleração

FIGURA 12 • Figura 12 - Aceleração nó 7 - Fonte: elaborada pelos autores (2013)

42

Ao comparar os valores encontrados com o quadro 5, nota-se que o nível de percepção humana para essa laje sob as situações pré-definidas é intolerável no nó 820, e perceptível no nó 7. Os resultados estão dentro do esperado, e não são satisfatórios em relação ao conforto do usuário, pela condição de ressonância imposta à estrutura, obtida ao igualar o 3º harmônico com a frequência natural.

DESCRIÇÃO

FAIXA DE FREQUÊNCIA DE 1 A 10 HZ MÁXIMA ACELERAÇÃO [MM/S²]

FAIXA DE FREQUÊNCIA DE 10 A 100 HZ MÁXIMA ACELERAÇÃO [MM/S²]

Perceptível

34

0,5

Claramente perceptível

100

1,3

Não agradável

550

6,8

Intolerável

1.800

13,8

QUADRO 5 • Níveis de percepção humana perante vibrações

Essa condição deve ser evitada em busca de melhores condições da estrutura e dos usuários. Uma das medidas que evitam essas situações é deixar os valores de frequência excitadora e frequência natural longe de serem os mesmos, evitando a ressonância. Para isso, pode-se aumentar o amortecimento do sistema, ou aumentar a frequência natural da estrutura, e, consequentemente, a sua rigidez.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com os objetivos estabelecidos neste trabalho, procurou-se caracterizar o comportamento de uma estrutura sob influência de carregamentos dinâmicos gerados por ações humanas. Foram abordados, inicialmente, os fundamentos teóricos necessários para a realização desse tipo de análise, que consistem, principalmente, na definição e classificação de vibrações através de fórmulas e equações; na concepção de resposta dinâmica; na aplicação de uma análise modal visando a caracterização dos parâmetros modais; e no conceito de interação humano-estrutura. Para a elaboração do estudo experimental, foi criado um modelo computacional de uma laje de academia para analisar o seu comportamento sob condições de carregamentos reais provenientes de ações humanas.

43

MODELAGEM 4D APLICADA AO PLANEJAMENTO

Conclui-se que, na busca de resultados compatíveis com o de uma estrutura real, não bastaram somente a modelagem da estrutura no software e os resultados obtidos automaticamente, foi necessário a compreensão de como um carregamento proveniente de ações rítmicas de humanos pode realmente agir sob a estrutura, e aplicar o conceito de sobreposição modal através das séries de Fourier, seguindo tabelas e dados previstos em códigos internacionais e normas brasileiras. Com tudo isso, observa-se a importância da análise dinâmica das estruturas, pois, muitas vezes, os resultados obtidos na análise não apresentam as condições satisfatórias impostas pelas normas, sob o ponto de vista do conforto dos usuários. Se a estrutura for analisada em fase de projeto, pode-se prevenir efeitos indesejáveis modificando as suas dimensões e parâmetros. Como o tema desse trabalho ainda não é muito abordado no Brasil, apesar de, cada vez mais, mostrar-se de extrema importância para estudos relacionados a estruturas, sugere- se, para pesquisas futuras, um maior aprofundamento da análise dinâmica de diferentes tipos de estruturas.

da análise dinâmica de diferentes tipos de estruturas. 44 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.

44

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de estrutura de concreto – procedimento. Rio de Janeiro, 2007.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8800: Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios. Rio de Janeiro, 2008.

BODDU, G.R. Vibration Analysis of Structures. 2009. 39f. Trabalho de diplomação (Graduação em Tecnologia em Engenharia Civil) - National Institute of Technology, Rourkela, Odisha, 2009.

BRASIL, R. M. L. R. F; SILVA, M. A. Introdução à dinâmica das estruturas para a engenharia civil. São Paulo: Blucher, 2013.

CLOUGH, R.W.; PENZIEN J. Dynamic of structures. 3. ed. Berkeley: Computers & Structures, 2003.

COMITE EURO-INTERNATIONAL DU BETON. Vibration Problems in Structures – Pratical Guidelines, Bullitin dínformation, n.209, 1991.

CORREIA, A.B.N.; PRADO, F.S.; FRAQUETA, F.M. Análise de vibração em estádios de futebol. 2009. Trabalho de Diplomação (Graduação em engenharia civil) – Instituto Mauá de Tecnologia, São Caetano do Sul, 2009.

DIÓGENES, H.J.F. Análise tipológica de elementos e sistemas construtivos pré- moldados de concreto do ponto de vista da sensibilidade a vibrações em serviço. 2010. 210f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Estruturas) - Universidade de São Paulo, São Carlos, 2010.

LIMA, S.S; SANTOS,S.H.C. Análise dinâmica das estruturas. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2008.

45

NOBREGA, P,G,B. Análise dinâmica de estruturas de concreto: estudo experimental

e numérico das condições de contorno de estruturas pré-moldadas. 2004. 265f. Tese

(Doutorado em Engenharia de Estruturas) - Escola de Engenharia de São Carlos da

Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.

REIS, F; PRAVIA, Z.M.C. Análise sísmica de um edifício de múltiplos andares em aço.

2012. Trabalho apresentado a 5ª edição do Construmetal, São Paulo, 2012.

SILVA, T.M.O. Avaliação da transmissão de vibração num edifício existente. 2010.

97f. Dissertação (Mestrado em Estruturas e Construção Civil) - Universidade Técnica de

Lisboa, Lisboa, 2010.

46

PAVIMENTOS E PISOS PERMEÁVEIS

Leonardo Crispim Fernandez 1 Rita Moura Fortes 2

Leonardo Crispim Fernandez 1 Rita Moura Fortes 2 Resumo “ O concreto poroso, conhecido também como

Resumo

O concreto poroso, conhecido também como concreto ecológico por conter uma pequena parcela de agregados finos, ou nenhuma, proporciona a percolação da água através da sua estrutura, o que impede o acúmulo de lâminas d’água em sua superfície. Esta tecnologia tem sido utilizada para melhorar a segurança das estradas e regiões urbanas, pelo fato de drenar a água superficial. Entretanto é uma estrutura pouco resistente ao tráfego pesado, o que limita sua utilização a vias de tráfego leve ou estacionamento de veículos. Este trabalho estudou a taxa de infiltração dos dois tipos mais conhecidos de pavimentos permeáveis: bloco intertravado e concreto poroso.

Palavras-chave » concreto poroso; pavimentação em concreto; bloco intertravado; taxa de infiltração; drenagem.

bloco intertravado; taxa de infiltração; drenagem. 1 E-mail: chrisppim@hotmail.com. 2 E-mail:

1 E-mail: chrisppim@hotmail.com.

2 E-mail: rmfortes@terra.com.br.

47

1 INTRODUÇÃO

Pavimentos e pisos permeáveis são técnicas construtivas que permitem a percolação da água em sua estrutura devido à utilização de materiais porosos na sua composição. Essa porosidade se deve à utilização da curva granulométrica na composição do elemento drenante; ou seja, o que difere os tipos de revestimentos são os materiais ligantes, como o cimento, no caso do bloco de concreto poroso, e o betume, no caso do

revestimento asfáltico. Esta técnica construtiva busca reduzir o problema de enchentes

e inundações nas grandes metrópoles, uma vez que o desenvolvimento acelerado

dos grandes centros urbanos tornou a impermeabilização dos solos muito frequente, passando a ser o maior responsável pelos problemas de alagamentos. Além desses dois tipos, existe ainda o ecopavimento com agregados ou com grama. Os métodos existentes ainda não são muitos, por se tratar de uma nova técnica, mas, tratando-se de um tema que precisa ser desenvolvido, a probabilidade de novas tecnologias surgirem é muito grande. A princípio, a técnica foi criada para reduzir os volumes de enchentes, e, consequentemente, aumentar os fatores de segurança no tráfego, pois elimina a lâmina d’água, evitando a hidroplanagem, já que estudos de Marchiori (2013) indicam que pode haver infiltração de até 80% do volume precipitado. Apesar de ser uma técnica que surgiu há pouco tempo no mercado brasileiro — segundo Virgiliis, em reportagem do periódico Wall Street Daily, em 2011, as poucas obras realizadas com este tipo de pavimento apresentaram resultados que comprovam sua viabilidade, pois, apesar de ser cerca de 30% mais caro que o pavimento convencional, esse gasto é mais compensador em comparação aos custos de recuperação causados pelas enchentes. Este trabalho apresenta um estudo sobre pavimentos e pisos permeáveis.

2

PROJETO DE PRODUÇÃO

O

crescimento acelerado dos grandes centros urbanos vem causando, além de outros

problemas, a impermeabilização do solo e a formação das ilhas de calor, ocasionando

48

precipitações. Em decorrência disso a água não se infiltra no solo, causando enchentes e inundações. Conforme o Hidrograma abaixo, nota-se que o valor da vazão de pico de uma área urbanizada é maior se comparado com a vazão de pico da mesma área em um período de pré-urbanização. Além disso, o Hidrograma mostra que, em áreas pré-urbanizadas, a vazão diminui de forma graduada ao longo do tempo, ao contrário de áreas urbanizadas.

Vazão Q. máx 1 Hidrograma de Área Urbanizada Hidrograma de Área não Urbanizada Volume Escoado
Vazão
Q.
máx 1
Hidrograma de Área Urbanizada
Hidrograma de Área não Urbanizada
Volume Escoado
Q.
máx 2
Tempo
t.1
t.2
FIGURA 1 • Efeito da urbanização sobre o hidrograma da bacia - Fonte: Cordeiro Netto (1994, apud
Virgiliis, 2009, p.13)

A figura abaixo ilustra dois momentos para a mesma região, antes e depois da urbanização. Fica evidente que, após a impermeabilização do solo, a infiltração da água se torna difícil, ocasionando a subida do limite da área de inundação e contribuindo para a ocorrência de enchentes e inundações.

contribuindo para a ocorrência de enchentes e inundações. FIGURA 2 • Efeito da urbanização e impermeabilização

FIGURA 2 • Efeito da urbanização e impermeabilização do solo - Fonte: Orsini (2013 – Seminário Drenagem Urbana Concrete Show)

49

PAVIMENTOS E PISOS PERMEÁVEIS

2.1 Sistemas de controle em drenagem urbana

Na tentativa de minimizar os efeitos da urbanização e evitar os impactos no ciclo hidrológico, observa-se uma tendência à canalização dos trechos nos quais ocorrem as

inundações. Tal prática acaba transferindo o problema de um lugar para outro, segundo Tucci (1995, apud Goldenfum et al., 2003, p. 4). O mais eficaz é a implantação de dispositivos de controle na fonte, retardando e reduzindo escoamentos urbanos. As medidas de controle são classificadas da seguinte maneira:

a) MEDIDAS DISTRIBUÍDAS OU NA FONTE: são medidas que aumentam a

infiltração ou percolação no lote em praças e passeios, ou medidas de armazenamento através de reservatórios residenciais;

b) MEDIDAS NA MICRODRENAGEM: esse tipo de medida utiliza dispositivos

de amortecimento de volume, como tanques, lagos ou reservatórios que agem em um ou mais lotes; c) MEDIDAS NA MACRODRENAGEM: tem como objetivo a modificação estrutural de rios ou riachos urbanos. No que diz respeito ao hidrograma, segundo Tucci e Genz (1995, apud Goldenfum, et al., 2003, p.4), outras medidas devem ser levadas em consideração. São elas:

a) INFILTRAÇÃO E PERCOLAÇÃO: para retardar o escoamento superficial; utiliza

armazenamento e o fluxo subterrâneo para que haja maior infiltração e percolação;

b) ARMAZENAMENTO OU DETENÇÃO: para que haja redução do volume do

escoamento superficial e redução do volume de pico, o armazenamento em reservatórios

de pequeno ou grande porte distribui a vazão num espaço de tempo maior.

3 PAVIMENTOS PERMEÁVEIS

Devem-se entender os pavimentos permeáveis como um dispositivo de infiltração que faz com que o escoamento na superfície seja ”desviado” através da superfície permeável para um reservatório localizado abaixo da superfície do terreno, de acordo com Urbonas e Stahre (1993, apud Goldenfum et al., 2003, p. 6). A diferença entre o pavimento convencional e o poroso é o índice de vazios, o que

50

acaba facilitando a infiltração da água. A Figura 3 ilustra as camadas dos pavimentos de Concreto Asfáltico Poroso e de blocos intertravados.

de Concreto Asfáltico Poroso e de blocos intertravados. FIGURA 3 • Pavimentos permeáveis - Fontes: (Urbonas

FIGURA 3 • Pavimentos permeáveis - Fontes: (Urbonas e Stahre, 1993, apud Goldenfum, Tucci et al., 2000, p. 23)

O uso dos pavimentos permeáveis contribui para a redução do volume de água escoado na superfície, retardando a chegada do escoamento até o leito natural. Além desse benefício, os pavimentos permeáveis também permitem a recarga de água no lençol freático e reduzem efeitos como spray e hidroplanagem, aumentando a segurança das vias em situações de chuvas; porém, esta tecnologia possui baixa resistência mecânica, sendo indicada para locais em que as solicitações de carga são baixas.

3.1 Tipos de pavimentos permeáveis:

Segundo Azzout (1994, apud Virgiliis, 2009, p. 27), o pavimento permeável pode ser dividido em quatro tipos: com revestimento drenante ou impermeável, e com a função de infiltração ou de armazenamento, de acordo com a figura abaixo:

ou de armazenamento, de acordo com a figura abaixo: 51 FIGURA 4 • Exemplo de diferentes

51

FIGURA 4 • Exemplo de diferentes tipos de pavimento com reservatório estrutural - Fonte: (Azzout et al., 1994, apud Virgiliis, 2009, p. 27)

PAVIMENTOS E PISOS PERMEÁVEIS

3.2 Pavimentos voltados para infiltração

Segundo Schueler (1987, apud Virgiliis, 2009, p. 29), o pavimento permeável com função de infiltração pode ser dividido em três tipos:

a) INFILTRAÇÃO TOTAL: a água é dirigida diretamente para o solo;

b) INFILTRAÇÃO PARCIAL: esse sistema é utilizado para regiões onde a sub-base

apresenta baixa taxa de infiltração, havendo a necessidade de implantar-se um sistema de drenagem para escoar a chuva precipitada;

c) SISTEMA DE INFILTRAÇÃO PARA CONTROLE DA QUALIDADE DA ÁGUA:

coleta apenas o volume inicial de chuva — pelo fato de este apresentar maior quantidade

de poluentes —, para análise da qualidade da água.

3.3 Pavimentos voltados para detenção e armazenamento

A utilização do pavimento permeável pode reduzir consideravelmente o escoamento

superficial de toda a chuva precipitada porque, segundo Virgiliis (2009), em áreas urbanas, aproximadamente 30% das superfícies são destinadas ao sistema viário. Para isso, pode-se dividir em três os níveis de atuação dos pavimentos porosos ou permeáveis:

a) Pavimento com revestimento permeável, que diminui a velocidade de escoamento

superficial, retendo parte do volume em sua própria superfície, e infiltrando boa parte da precipitação para as camadas inferiores; b) Pavimento com estrutura porosa, que armazena a água pluvial, amortecendo as vazões do hidrograma de chuvas;

c) Pavimento que detém e infiltra a água precipitada, ao mesmo tempo.

É importante salientar que apenas a utilização do revestimento permeável não reduzirá o escoamento superficial. Para reduzir o escoamento de chuvas precipitadas é necessário

preparar a estrutura (base e sub-base) para que se consiga atender à demanda das chuvas. Os pavimentos com função de drenagem podem ser divididos em:

a) PAVIMENTOS COM REVESTIMENTO PERMEÁVEL: Reduzem o escoamento

superficial por possuírem superfície porosa, que permite que a água precipitada percole

até o solo;

52

b) PAVIMENTOS DE DETENÇÃO: através do reservatório localizado nas camadas inferiores ao revestimento, a água precipitada fica armazenada, retardando o escoamento até o exutório. Este tipo de pavimento pode ser dividido em pavimento poroso de detenção com injeção direta (possui revestimento permeável) e pavimento poroso de detenção com injeção indireta (possui revestimento impermeável, necessitando de algum dispositivo drenante para que a água atinja o seu reservatório).

3.4 Classificação genérica quanto ao tipo de material utilizado no pavimento permeável

Fergunson (2005 apud VIRGILIIS, 2009, p. 29) classifica os pavimentos permeáveis genericamente em sete categorias principais, de acordo com a família dos materiais:

Agregados, Gramíneos, Geocélulas plásticas, Concreto poroso, Blocos vazados, Blocos Intertravados, e Concreto asfáltico poroso.

4 CONCRETO POROSO

Concreto poroso é um tipo de concreto constituído basicamente por pasta de cimento Portland e agregados graúdos, apresentando de 15% a 25% de volume de vazios (FORTES; MERIGHI, 2006), aumentando sua porosidade e, consequentemente, a velocidade de percolação da água, quando comparado a outros tipos de revestimentos de pavimentos. De acordo com o Georgia Stormwater Management Manual (2006, apud Fortes et al., 2006, p.4), o concreto poroso pode ser utilizado em vias de baixo volume de tráfego, ou de baixas solicitações de carga, porém, REYES e TORRES (2006, apud Fortes et al., 2006, p.4) indicam que, na Espanha, esta camada pode ser utilizada em vias de tráfego muito pesado. Ainda segundo o Georgia Stormwater Management Manual (2006, apud Fortes et al., 2006, p.4), notam-se algumas desvantagens, como o elevado índice de manutenção e alta taxa de ruptura.

53

PAVIMENTOS E PISOS PERMEÁVEIS

4.1 Funcionamento

Independentemente de o concreto poroso servir de camada de sacrifício sobre uma camada de cimento Portland, ou como revestimento sobre base e sub-base, seu sistema de drenagem é muito semelhante, podendo direcionar a água para um reservatório abaixo da estrutura através de tubulações colocadas em uma de suas camadas, ou diretamente no lençol freático. A Figura 5 explica o processo de infiltração e saída da água através dos drenos.

de infiltração e saída da água através dos drenos. FIGURA 5 • Pavimento de concreto poroso

FIGURA 5 • Pavimento de concreto poroso com drenagem da água infiltrada por tubulação - Fonte:

(Infraestrutura Urbana)

Vale acrescentar que a eficiência do pavimento poroso está diretamente ligada à capacidade de infiltração da base e sub-base.

5 BLOCOS INTERTRAVADOS DE CONCRETO

Geralmente assentados sobre uma camada de areia e delimitados por sarjetas ou vigotas de concreto, os blocos intertravados são o tipo de pavimento permeável mais comum. Na maioria dos casos, o preenchimento de suas juntas é feito com material granular poroso, permitindo que os blocos trabalhem em conjunto. De uma maneira geral, os blocos intertravados de concreto permitem a infiltração da água pela sua estrutura porosa e pelo rejunte entre um bloco e outro, devendo ser utilizados em locais com baixa intensidade de tráfego, devido à sua baixa resistência mecânica —

54

como ruas residenciais, estacionamentos, ruas para pedestres, ciclovias, e etc. A figura abaixo ilustra a disposição das camadas que constituem a estrutura do pavimento de blocos intertravados.

a estrutura do pavimento de blocos intertravados. FIGURA 6 • Pavimento permeável com superfície de blocos

FIGURA 6 • Pavimento permeável com superfície de blocos porosos ou vazados - Fonte: (Febestral, 2005, apud Virgiliis, 2009, p.55)

6 CUSTOS

Segundo levantamentos durante a execução do estacionamento no CTH/USP, Virgiliis (2009) chega a valores muito próximos para os dois tipos de pavimentos executados, conforme a tabela abaixo.

MATERIAL

UN

PREÇO UNIT

CPA

BLOCOS

 

R$

Quant/ m 2

Total (R$)

Quant/ m 2

Total (R$)

Blocos Intertravados

m 2

59,89

1,00

59,89

Concreto Asfáltico Poroso

m 3

646,85

0,05

32,34

Macadame Betuminoso

m 3

184,84

0,05

9,24

Pedrisco

m 3

38,70

0,01

0,39

Imprimadura Ligante

m 2

11,04

1,00

11,04

Geotêxtil

m 2

14,36

1,00

14,36

BGS

m 3

173,80

0,10

17,38

Macadame Hidráulico

m 3

168,05

0,25

42,01

0,15

25,21

Pó de Pedra

m 3

148,13

0,10

14,81

0,10

14,81

Geomembrana

m 2

24,87

1,00

24,87

1,00

24,87

 

TOTAL

134,70

TOTAL

156,52

QUADRO 1 • Custos dos pavimentos executados no CTH/USP - Fonte: Virgiliis,2009

55

PAVIMENTOS E PISOS PERMEÁVEIS

De acordo com Virgiliis (2009), apesar de o bloco intertravado apresentar um custo de materiais mais elevado, deve-se ressaltar que os gastos com equipamentos e mão de obra são menores comparados ao pavimento de concreto poroso, o qual requer equipamentos mais sofisticados e mão de obra especializada, o que onera os gastos. Sendo assim, o pavimento

intertravado torna-se mais vantajoso em relação a custos. Além do valor total de execução,

o pavimento intertravado apresenta melhores resultados em relação à manutenção, pois seu material pode ser reutilizado, e o reparo não fica visível.

7 COLMATAÇÃO

De acordo com Baptista & Nascimento (2005, apud Virgiliis 2009, p. 21), a colmatação da

estrutura é causada pelo entupimento de seus vazios por materiais sedimentares, poluição

e até mesmo vegetações. Para evitar a sua ocorrência, a manutenção deve ser feita da seguinte forma:

a) limpeza com vassouras a seco, ou úmida, sem pressão;

b) secagem da parte superior da estrutura;

c) utilização de jatos d’água, com regulagem de acordo com o revestimento;

d) aspiração.

A frequência deste fenômeno pode variar em função de fatores da região (presença de depósitos de material pulverulento) e intensidade de tráfego, sendo este último devido ao fenômeno de sucção chamado “pumping”. Apesar de diminuir o desempenho hidráulico do pavimento, este fenômeno, por outro lado, provoca a retenção de poluentes, pois, com o preenchimento dos vazios, a filtração mecânica se torna mais eficaz, impedindo que materiais prejudiciais ao lençol freático e, até mesmo ao solo, percolem na estrutura.

8 MICRORRESERVATÓRIO

O microrreservatório é construído abaixo do nível do solo, e tem como principal função o armazenamento de água da chuva que escoa pela superfície e se infiltra no pavimento,

56

reduzindo e volume do escoamento superficial e fazendo com que o escoamento até o leito natural ocorra de forma lenta. Para Virgiliis (2009), devem-se entender os reservatórios como uma parte da estrutura que armazena e transfere a água para uma saída utilizando um tubo como dreno, ou que a filtra diretamente para o solo. Vale ressaltar que O’Loughlin et al. (1995 apud Agra, 2001, p. 31) chegam a algumas conclusões relevantes em avaliação da implantação dos microrreservatórios. Dentre elas, destacam-se:

a) não transfere para jusante os impactos da urbanização;

b) os problemas são resolvidos na fonte onde ocorrem, e as soluções não são postergadas;

c) os critérios e métodos de projeto ainda são usualmente muito simplificados;

d) em determinadas condições hidrológicas, se localizados nas partes mais baixas da

bacia, podem aumentar o escoamento a jusante;

e) o sistema não é econômico devido aos custos de manutenção.

Analisando então os itens descritos, conclui-se que o sistema é potencialmente viável,

porém, deve-se planejar a sua implantação de forma a evitar o agravamento de problemas que já merecem atenção.

8.1 Estudo de caso de microrreservatórios

A implantação de microrreservatório realizada no bairro do Espinheiro, na cidade de Recife, em parceria entre a ABCP e a Prefeitura, obteve resultados satisfatórios com o desempenho dessa tecnologia em um local que anteriormente sofria com inundações. Para resolver os problemas de inundação no bairro do Espinheiro, em 2007 foi implantado o sistema de microrreservatório de drenagem. Para que o projeto fosse efetuado, alguns parâmetros de viabilidade foram estudados, parte deles servindo também como restrição. A questão do fundo impermeável é muito importante, pois, se o lençol for suscetível à poluição, não se deve recorrer a medidas que promovam a infiltração da água, pois águas pluviais retidas pelo reservatório podem carregar esgoto e outros poluentes.

57

PAVIMENTOS E PISOS PERMEÁVEIS

O tipo de solo também requer a devida atenção. Dependendo da estrutura do solo, este pode sofrer modificações indesejáveis na presença de água. Deve-se ressaltar que o sistema de microrreservatório exige trabalhos de manutenção constante, principalmente se houver escoamentos com alta taxa de lixo ou poluição. Por serem revestidos de concreto armado, suportam tráfego leve e pesado, e, ante a ausência de instalações subterrâneas, a instalação não causou maiores problemas. Após a conclusão da obra e o monitoramento frequente de intensidade de chuva e do nível de água dessa chuva no reservatório, os valores de inundação, que chegavam a 50 cm, caíram substancialmente.

inundação, que chegavam a 50 cm, caíram substancialmente. FIGURA 7 • Local onde ocorriam os problemas

FIGURA 7 • Local onde ocorriam os problemas com enchentes - Fonte: http:// www.solucoesparacidades.com.br/

wp-content/uploads/2013/09/AF_

Microreservat%C3%B3rios_web.pdf

9 RELATÓRIOS DE ENSAIOS

Microreservat%C3%B3rios_web.pdf 9 RELATÓRIOS DE ENSAIOS FIGURA 8 • Após a construção - Fonte:

FIGURA 8 • Após a construção - Fonte:

http://www.solucoesparacidades.com.

br/wp-content/uploads/2013/09/AF_

Microreservat%C3%B3rios_web.pdf

O teste da taxa de infiltração é normatizado pela norma ASTM – C1701 – Infiltration Rate

Of In-Place Pervious Concrete de 2009. A intenção foi obter dados que permitam comparar

a

capacidade de infiltração dos pavimentos de concreto poroso, de blocos intertravados,

e

flexíveis, analisando qual tipo de revestimento apresenta melhor desempenho quanto

à

infiltração. Para isso, uma massa de água é despejada dentro de um cilindro, fixado

no pavimento com massa de calafetar, o qual representa a área estudada, medindo-se o tempo que a água leva para se infiltrar no pavimento. O ensaio foi realizado pelo grupo de pesquisa do trabalho de graduação final em três tipos de pavimentos: de concreto poroso, de bloco intertravado e flexível.

58

9.1 Método de ensaio

ASTM C1701 – Infiltration Rate Of-In Place Pervious Concrete - 2009

9.2 Metodologia

A taxa de infiltração é determinada através da aferição de tempo que determinada massa de água necessita para se infiltrar no pavimento, cuja área é delimitada por um cilindro calafetado.

9.3 Equipamento

Cilindro com altura mínima de 50 mm e diâmetro interno de 290 mm, com duas linhas marcadas com distâncias de 10 mm e 15 mm a partir da superfície inferior; Recipiente previamente graduado com o auxílio de balança (precisão de 10 g); Cronômetro de precisão (0,1 s).

(precisão de 10 g); Cronômetro de precisão (0,1 s). FIGURA 9 • Aferição do balde utilizado

FIGURA 9 • Aferição do balde utilizado no ensaio - Fonte: (ASTM C1701 - 2009)

59

PAVIMENTOS E PISOS PERMEÁVEIS

FIGURA 10 • Equipamento para o ensaio - Fonte: (ASTM C1701 - 2009) 9.4 Procedimento

FIGURA 10 • Equipamento para o ensaio - Fonte: (ASTM C1701 - 2009)

9.4 Procedimento

Segundo a ASTM C1701 - 2009, devem-se realizar três ensaios para áreas de até 2.500 m², e um ensaio a mais para cada 1.000 m² adicionais. Como as áreas ensaiadas tinham menos de 2.500 m², os revestimentos foram testados apenas três vezes. Antes de iniciar o procedimento é necessário limpar a superfície, garantido que não exista nenhum material que possa interferir no teste, como pedriscos, folhas ou gravetos. Com o revestimento limpo, calafeta-se a borda inferior do cilindro, utilizando-se massa de encanador de um tipo que não endureça (ASTM C1701 – 2009). A calafetação pode ser feita com algum objeto, como espátulas, ou com as mãos, certificando-se que não haja vazamentos durante o teste. Após calafetar, despeja-se a massa de água estabelecida pela norma, com velocidade constante, de forma que o nível de água mantenha-se entre as linhas marcadas, registrando- se o tempo de pré-molhagem, o qual, se for inferior a 30 s, deve ser de 18 ± 0,05 kg. Caso contrário, a massa de água a ser utilizada será de 3,6 kg. A massa de água de pré-molhagem deve ser de 3,6 ± 0,05 kg. Os três ensaios foram realizados em diferentes pontos.

60

Os três ensaios foram realizados em diferentes pontos. 60 FIGURA 11 • Processo de calafetação -

FIGURA 11 • Processo de calafetação - Fonte: ASTM C1701 – 2009

9.5 Cálculo

de calafetação - Fonte: ASTM C1701 – 2009 9.5 Cálculo FIGURA 12 • Queda d’água constante

FIGURA 12 • Queda d’água constante de forma que o nível de água se mantenha entre as linhas - Fonte: ASTM C1701 – 2009

Para o cálculo da taxa de infiltração, segundo a ASTM C1701, deve-se utilizar a seguinte fórmula:

I = KM/(D²*t)

Onde:

I = Velocidade de infiltração em mm/h [in. /h];

M

= Massa de água infiltrada em kg [lb];

D

= Diâmetro interno do anel de infiltração em mm [in.];

t = Tempo necessário para calcular a quantidade de água para infiltrar o concreto em s, e;

K = 4.583.666.000 em unidades SI ou 126.870 em unidades [polegadas-libras].

9.6 Dados dos ensaios

ENSAIO 1 Local do ensaio: Centro Tecnológico de Hidráulica e Recursos Hídricos – Cidade Universitária, USP Data do ensaio: 27/09/2013 Material: Revestimento de Concreto Poroso, ensaio “in loco”.

61

PAVIMENTOS E PISOS PERMEÁVEIS

Resultado:

 

CÁLCULO DA VELOCIDADE DE INFILTRAÇÃO – ASTM C1701

 

TESTE

DIÂMETRO INTERNO (mm)

MASSA DE ÁGUA (kg)

TEMPO DE PRÉ-UMEDECIMENTO (seg.)

TEMPO (seg.)

1

290

3,6

32,0

47,1

2

290

3,6

58,2

62,0

3

290

3,6

77,0

90,0

MÉDIA

 

3,6

55,7

66,4

TABELA 1 • Calculo da velocidade de infiltração no pavimento de concreto poroso

 
 

I

= 4.583.666.000 x 3,6 / (290² x 66,4) = 2.954,96 mm/h ou 0,082 cm/s

Após o cálculo, obteve-se uma velocidade de infiltração de 2.954,96 mm/h.

ENSAIO 2

 
 

CÁLCULO DA VELOCIDADE DE INFILTRAÇÃO – ASTM C1701

 

TESTE

DIÂMETRO INTERNO (mm)

MASSA DE ÁGUA (kg)

TEMPO DE PRÉ-UMEDECIMENTO (seg.)

TEMPO (seg.)

1

290

3,6

33,4

36,3

2

290

3,6

57,8

81,0

3

290

3,6

52,4

70,0

MÉDIA

-

3,6

47,9

62,4

TABELA 2 • Cálculo da velocidade de infiltração no pavimento intertravado

I = 4.583.666.000 x 3,6 / (290² x 62,4) = 3.144,38 mm/h ou 0,087 cm/s

Após o cálculo, obteve-se uma velocidade de infiltração de 3.144,38 mm/h.

9.7 Considerações finais

Para que houvesse uma comparação entre os pavimentos permeáveis e os comuns, foi realizado o mesmo teste em um pavimento do tipo flexível (convencional) no CTH-USP, nas proximidades do local onde foi realizado o teste para o pavimento de concreto poroso. Como era de se esperar, não foi registrado nenhum valor para taxa de infiltração, mesmo porque os pavimentos do tipo flexíveis não têm função de permeabilidade. Após mais de dez minutos, não houve infiltração da massa de água utilizada na pré-molhagem. É possível notar a diferença de estruturas na comparação a seguir:

62

a diferença de estruturas na comparação a seguir: 62 FIGURA 13 • Pavimento de concreto poroso

FIGURA 13 • Pavimento de concreto poroso – CTH – USP - Fonte: acervo do autor

de concreto poroso – CTH – USP - Fonte: acervo do autor FIGURA 14 • Pavimento

FIGURA 14 • Pavimento de blocos de concreto intertravado –Assaí Atacadista - Fonte: acervo do autor

intertravado –Assaí Atacadista - Fonte: acervo do autor FIGURA 15 • Pavimento flexível – CTH-USP -

FIGURA 15 • Pavimento flexível – CTH-USP - Fonte:

acervo do autor

Nota-se na Figura 15, a presença de agregados não uniformes, e também de partículas finas, as quais impedem qualquer tipo de infiltração no pavimento flexível, assim como a própria estrutura, que não tem função de permeabilidade.

própria estrutura, que não tem função de permeabilidade. FIGURA 16 • Local do ensaio em pavimento

FIGURA 16 • Local do ensaio em pavimento flexível - Fonte: acervo do autor

10 CONCLUSÃO

pavimento flexível - Fonte: acervo do autor 10 CONCLUSÃO FIGURA 17 • Detalhe – Cilindro calafetado

FIGURA 17 • Detalhe – Cilindro calafetado no pavimento flexível convencional - Fonte: acervo do autor

pavimento flexível convencional - Fonte: acervo do autor FIGURA 18 • Detalhe – Lâmina d’água após

FIGURA 18 • Detalhe – Lâmina d’água após dez minutos sem infiltração no pavimento flexível - Fonte: acervo do autor

Após a análise dos resultados obtidos no ensaio realizado em campo seguindo as exigências da norma ASTM C1701 de 2009, nota-se que, de fato, ocorreu infiltração de água tanto no pavimento de blocos intertravados quanto no de concreto poroso. Em ambos o resultado da taxa de infiltração foi da ordem de, aproximadamente, 1 mm/s.

63

PAVIMENTOS E PISOS PERMEÁVEIS

Deve-se ressaltar que, após o processo de pré-molhagem, utilizando-se 3,6 kg de água, o solo sofreu uma pequena saturação, já que o tempo registrado nas medições posteriores à pré-molhagem (para o mesmo local de teste) foi superior para a mesma massa de água, fato que ocorreu em todos os registros de tempo para os dois pavimentos ensaiados. De acordo com estudos apresentados na 7 a Conferência Internacional de Pavimentação com Blocos Intertravados de Concreto, em Sun City, na África do Sul (2003), conforme reportagem na Revista Prisma, a capacidade de infiltração, em alguns casos, é inversamente proporcional à idade do pavimento. Caso os testes tivessem sido realizados após a execução dos pavimentos, tanto no CTH- USP como no Assaí Atacadista, provavelmente os resultados de taxa de infiltração seriam maiores porque os dois pavimentos são cercados por árvores e nota-se a existência de sedimentos, o que facilita a ocorrência da colmatação. De acordo com o periódico Construção Mercado (dezembro 2011), o pavimento intertravado possui grande durabilidade, menor absorção de calor (diminuindo o efeito de ilhas de calor) e maior facilidade de execução e manutenção, pois o mesmo bloco pode ser reutilizado e não requer equipamentos específicos para sua instalação. Por outro lado, segundo a mesma publicação, os pavimentos de concreto poroso moldados in loco necessitam de equipamentos específicos, diminuindo o emprego de mão de obra, o que pode melhorar a qualidade da sua execução. Porém, deve-se lembrar que o custo total, levando-se em consideração materiais, mão de obra e equipamentos, é mais oneroso. Dessa forma, fica evidente que, apesar de possuírem taxas de infiltração semelhantes, os tipos de revestimento estudados podem ser aplicados em locais mais específicos devido à demanda de serviços e mão de obra em sua instalação, dando-se preferência ao pavimento intertravado pelo fato de apresentar menor custo. Como exemplo, pode-se citar a execução do pavimento intertravado em regiões que apresentam menor área, como calçadas, áreas de lazer em condomínios, praças, pequenos estacionamentos e locais que não podem permanecer inacessíveis por longos períodos de tempo, pois este método não necessita de equipamentos específicos. Já o pavimento de concreto poroso pode ser executado em áreas maiores, como grandes estacionamentos ao ar livre e ruas com baixa solicitação de tráfego, devido à necessidade de mão de obra e equipamentos especializados. Conclui-se, dessa forma, que os pavimentos permeáveis contribuem para a redução

64

de enchentes, pois possuem capacidade de infiltração; porém, para que haja eficiência durante um tempo de vida útil maior, deve-se executar manutenção frequente, visto que, segundo Marchiori (2013), a capacidade de permeabilidade do pavimento, em dez anos, pode ser reduzida em até 90%, principalmente devido ao acúmulo de sedimentos em sua superfície, além da ocorrência do efeito de colmatação, o qual, se não for tratado a tempo, pode inviabilizar a eficiência do pavimento permeável.

se não for tratado a tempo, pode inviabilizar a eficiência do pavimento permeável. 65 PAVIMENTOS E

65

PAVIMENTOS E PISOS PERMEÁVEIS

REFERÊNCIAS

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69

CONCRETO PESADO PARA BLINDAGEM DE RADIAÇÃO

Veronica Kaba Naccache 1 Simão Priszkulnik 2

Veronica Kaba Naccache 1 Simão Priszkulnik 2 Resumo “ O concreto pesado é caracterizado pela massa

Resumo

O concreto pesado é caracterizado pela massa específica a partir de 2.800 kg/m³. Sua preparação envolve o emprego de agregados de elevada massa específica, como hematita, magnetita, barita e agregados de aço. Este trabalho refere-se à medida da blindagem de radiações X efetuada em placas de concreto pesado e concreto normal de 50 cm x 50 cm e espessuras de 10 mm, 20 mm, 30 mm e 50 mm, moldadas no Laboratório de Materiais de Construção da Universidade Presbiteriana Mackenzie. As medidas foram realizadas no Instituto de Física da Universidade de São Paulo, Setor de Dosimetria da Física Nuclear. O trabalho apresenta um estudo comparativo de eficiência de blindagem entre os concretos preparados com agregados de hematita, granalha de aço e agregados graníticos. Complementarmente, realizaram-se ensaios de resistência à compressão em corpos de prova moldados com os mesmos concretos, a fim de comprovar a adequação destes para fins estruturais.

Palavras-chave » concreto pesado; blindagem de radiação; resistência à compressão.

blindagem de radiação; resistência à compressão. 1 E-mail: ve_naccache@hotmail.com. 2 E-mail:

1 E-mail: ve_naccache@hotmail.com.

2 E-mail: sprisz@gmail.com.

1 INTRODUÇÃO

O concreto é um material utilizado na construção civil, resultante da mistura de cimento, agregado miúdo (areia), agregado graúdo (brita) e água, além de adições e aditivos, que são introduzidos no seu preparo para que se consiga obter determinados resultados – quando aplicado para uso específico.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 8953/09 atribui ao concreto para

fins estruturais critérios, tais como massa específica, grupos de resistência característica à compressão e consistência (SANTOS, A). Assim, são definidos os concretos normais, leves e pesados. O chamado concreto normal possui massa específica seca entre 2.000 kg/m³ e 2.800 kg/m³; o concreto leve, inferior a 2.000 kg/m³; e o pesado, massa específica superior

a 2.800 kg/m³. O concreto classificado como pesado é um material que possui em sua composição agregados oriundos de minérios de ferro, bário e boro, responsáveis pelo aumento da massa específica. Esses componentes oferecem à mistura boas características mecânicas e de durabilidade, e além de capacidade de proteção contra a passagem de raios-X, gama, e radiação de nêutrons. Visando à blindagem de radiações, os concretos pesados apresentam características específicas, como conter elevada quantidade de componentes pesados e mínima retração, de forma que a passagem de radiação seja atenuada, ter constância na elevada massa

específica e homogeneidade para aumentar a eficiência na blindagem de raios gama e do alto teor de hidrogênio, com a finalidade de impedir a propagação de radiação de nêutrons. Blindar a radiação tem como função impedir que esta se propague entre ambientes, de um local para outro, e a espessura do material destinado a essa função depende do tipo de radiação, da atividade da fonte e da velocidade de dose aceitável após a blindagem. No cálculo da blindagem consideram-se a energia da radiação, a quantidade de radiação produzida por determinado período (carga de trabalho), e o grau de ocupação ou

a frequência do ponto onde será instalada a fonte de energia radioativa.

O assunto abordado neste trabalho refere-se ao concreto pesado e sua utilização para a

blindagem de radiação, tema que deu origem à busca e criação de materiais que limitassem

sua propagação, como o que será analisado.

72

2 PERDAS POR IMPROVISAÇÃO

A parte experimental deste estudo abrangeu a preparação de misturas de concreto no

Laboratório de Materiais de Construção da Universidade Presbiteriana Mackenzie, com

as quais foram moldadas as placas, para serem submetidas aos ensaios de blindagem de

radiação no Instituto de Física Nuclear da Universidade de São Paulo, e corpos de prova

cilíndricos para o ensaio à compressão axial.

2.1 Materiais empregados

Empregaram-se os cimentos Portland de alta resistência inicial (CP V-ARI) e CP II-E-32,

brita e areia de hematita, granalha de aço, água do abastecimento do laboratório e aditivo hiperplastificante designado “Adiment Premium”. Para a moldagem das placas e dos corpos

de prova foram preparadas quatro misturas de concreto. A Tabela 1 mostra as composições

e as características das misturas de concreto feitas no laboratório. As massas específicas (γ) dos materiais componentes dos concretos são:

γ CP II -E-32 = 3.090 kg/m³; γ CP V-ARI = 3.150 kg/m³; γ brita granítica = 2.674 kg/m³; γ areia quartzosa rosa = 2.632 kg/m³; γ brita de hematita = 5.000 kg/m³; γ areia de hematita = 4.865 kg/m³; γ granalha de aço = 7.420 kg/m³; γ água = 1.000 kg / m³.

2.2 Moldagem das placas e corpos de prova

Para cada uma das misturas preparadas de concreto com granalha de aço e os dois traços de concreto de hematita foram moldadas três placas com 50 x 50 cm². Para o concreto comum, foram moldadas quatro placas com 50 x 50 cm². As referidas placas estão designadas na Tabela 2. Para a determinação da resistência à compressão dos concretos, moldaram-se corpos

de prova cilíndricos, que foram conservados em câmara úmida até a idade do ensaio, aos

85 dias.

73

CONCRETO PESADO PARA BLINDAGEM DE RADIAÇÃO

REGISTROS

CONCRETO C

CONCRETO A

CONCRETO H

CONCRETO E

Traço em massa

1:5

1:8,7

1:9

1:9

Cimento (kg)

2

14,5

17,50

5

Granalha de aço (kg)

-

126

-

-

Areia quartzosa rosa (kg)

4

-

-

-

Brita granítica (kg)

6

-

-

-

Hematita miúda (a) (kg)

-

-

131,25

20

Hematita graúda (kg)

-

-

26,25

25

Água (L)

1

5,66

13

3,4

Relação água/cimento

0,5

0,39

0,74

0,68

Aditivo (kg)

0,012

0,139

0,35

0,03

Abatimento (Slump) (mm)

115

> 200

5

40

H = [x/(1+m)] x 100 (%)

8,33

4,0

7,40

6,8

As = [(1+a)/(1+m)] x 100 (%)

50

100

85

50

Massa específica (kg/m³)

2.336

4.561

3.360

3.753

Consumo de cimento (kg/m³)

359

452,0

312,80

351

Data de moldagem:

2013

2013

2013

2013

TABELA 1 • Composições e características do concreto - Fonte: elaborado pela autora (2013)

DESIGNAÇÃO DAS PLACAS

MATERIAL

ESPESSURAS (MM)

C

Concreto c/ agregado comum (granítico)

10, 20, 30, 50

A

Concreto c/ granalha de aço

20, 30, 50

H

Concreto c/ hematita

20, 30, 50

E

Concreto c/ hematita

20, 30, 50

TABELA 2 • Designação das amostras de concreto - Fonte: elaborado pela autora (2013)

A Fotografia 1 ilustra as fôrmas moldadas com os concretos produzidos.

1 ilustra as fôrmas moldadas com os concretos produzidos. FIGUR A 1 • Placas de concreto

FIGURA 1 • Placas de concreto pesado em moldes de 50 x 50 cm², de espessuras de 20 mm, 30 mm e 50 mm - Fonte: Acervo pessoal (2013)

74

2.3 Medida de atenuação de radiação

Para a realização dos ensaios de radiação nos corpos de prova utilizou-se um tubo de raios-X industrial da Philips modelo MG450 como fonte de raios-X e, para

detecção, uma câmara de ionização de 180 cm³ da Radcal. A câmara de ionização é composta por um receptor responsável por captar a dose de radiação total, e é ligada a um painel eletrônico, onde o valor da intensidade de radiação captada é mostrado. Foi usado, também, um filtro de alumínio colocado no orifício por onde sai o feixe de radiação; deste modo, é possível padronizá-lo. O espectrômetro utilizado é responsável pela captação da quantidade de radiação por feixe de energia emitida. Assim como os gráficos de curva de atenuação obtidos experimentalmente, os resultados de espectrometria também apresentados permitem a avaliação da eficiência de blindagem de cada material. Os ensaios de radiação foram feitos com diferentes valores de tensão, de 60 kV, 80 kV, 100 kV, 120 kV, 140 kV e 150 kV, para que fossem obtidas intensidades diversas de energia de radiação. Para cada tensão, inicialmente, foi necessário medir

a dose de radiação emitida sem a presença do atenuador (as placas de concreto). Essa

energia é chamada de Kerma (K), representa a quantidade de radiação total e é mensurada quantitativamente. Sua unidade é denominada Gray, no Sistema Internacional (SI). (Quando a energia de 1 J é absorvida por 1 kg de material, a dose absorvida é 1 Gray (1Gy) = 1 J/kg). Cada placa de concreto comum, de concreto pesado e de granalha de aço, ficou submetida à radiação de raios-X para cada valor de tensão, a fim de compará-las quanto à sua eficiência na blindagem de radiação. Esse procedimento foi feito tanto para as doses captadas sem o concreto, que se denominou Ko, quanto para as doses captadas com ele. Ao serem obtidos os resultados do Kerma (J/kg) com a presença do concreto (K)

e sem ele (Ko), foi possível obter para cada tensão a relação entre a quantidade de energia radioativa que atravessa a placa pela quantidade que a atinge, em função da espessura do material. Essa relação permite que os valores de radiação sejam normalizados pela razão K/Ko, já que os valores de energia que atravessam as placas estão sendo avaliados com base nos valores máximos que chegam até os corpos de

75

CONCRETO PESADO PARA BLINDAGEM DE RADIAÇÃO

prova para que, assim, possa-se estudar a eficiência na blindagem. As Fotografias 2, 3 e 4 mostram os aparelhos necessários para o ensaio com radiação proveniente dos raios-X, e a Fotografia 5 mostra o posicionamento da placa de concreto em relação à fonte de raios-X para a realização do ensaio de radiação.

de raios-X para a realização do ensaio de radiação. FIGUR A 2 • Fonte de radiação:

FIGURA 2 • Fonte de radiação:

Tubo de Raios-X industrial da Philips modelo MG450 - Fonte:

Acervo pessoal (2013)

da Philips modelo MG450 - Fonte: Acervo pessoal (2013) FIGUR A 3 • Câmara de ionização

FIGURA 3 • Câmara de ionização - Fonte:

Acervo pessoal (2013)

3 • Câmara de ionização - Fonte: Acervo pessoal (2013) FIGUR A 4 • Espectrômetro -

FIGURA 4 • Espectrômetro - Fonte:

Acervo pessoal (2013)

FIGURA 5 • Placa de concreto posicionada para receber radiação - Fonte: Acervo pessoal (2013)

3 RESULTADOS DOS ENSAIOS DE RADIAÇÃO

Os Gráficos 1 a 13 demostram os resultados obtidos a partir da experiência com o uso de radiação oriunda de raios-X.

76

K/K0 1 0,1 0,01 X (mm) 0 10 20 30 40 50 60
K/K0
1
0,1
0,01
X (mm)
0 10
20
30
40
50
60

150

140

120

100

KV

KV

KV

KV

GRÁFICO 1 • Curva de transmissão

correspondente à atenuação do concreto comum

C - Fonte: elaborado pela autora (2013)

K/K0 1 0,1 150 140 0,01 120 0,001 GRÁFICO 2 • Curva de transmissão 0,0001
K/K0
1
0,1
150
140
0,01
120
0,001
GRÁFICO 2 • Curva de transmissão
0,0001
X (mm)
correspondente à atenuação do concreto
pesado A - Fonte: elaborado pela autora (2013).
0 10
20
30
40
50
60

KV

KV

KV

K/K0

1 0,1 150 KV 140 KV 120 KV 0,01 GRÁFICO 3 • Curva de transmissão
1
0,1
150
KV
140
KV
120
KV
0,01
GRÁFICO 3 • Curva de transmissão
0,001
X (mm)
correspondente à atenuação do concreto pesado
H
- Fonte: elaborado pela autora (2013).
0 10
20
30
40
50
60
K/K0
1
0,1
150
KV
140
KV
0,01
120
KV
100
KV
0,001
GRÁFICO 4 • Curva de transmissão
0,0001
X (mm)
correspondente à atenuação do concreto
pesado E - Fonte: elaborado pela autora (2013).
0 10
20
30
40
50
60

77

CONCRETO PESADO PARA BLINDAGEM DE RADIAÇÃO

K(mGy/mAs)

0.008

0.006

0.004

0.002

0.000

K(mGy/mAs) 0.008 0.006 0.004 0.002 0.000 150 KV 140 KV 120 KV 100 KV E (kV)

150 KV

140 KV

120 KV

100 KV

E (kV)

0

50

100

150

GRÁFICO 5 • Espectros primários para as tensões de 100 kV a 150 kV -

Fonte: elaborado pela autora (2013)

GRÁFICO 6 • Espectros atenuados por 20 mm de espessura no concreto comum C - Fonte: elaborado pela autora (2013)

K(mGy/mAs)

0.0030

0.0025

0.0020

0.0015

0.0010

0.0005

0.0000

K(mGy/mAs) 0.0030 0.0025 0.0020 0.0015 0.0010 0.0005 0.0000 150 KV 140 KV KV 100 KV 120

150 KV

140 KV

KV

100 KV

120

80 KV

60 KV

E (kV)

0

50

100

150

K(mGy/mAs)

0.00005

0.00004

0.00003

0.00002

0.00001

0

100 150 K(mGy/mAs) 0.00005 0.00004 0.00003 0.00002 0.00001 0 0 50 100 150 KV 140 KV

0

50

100

150 KV

140 KV

120 KV

100 KV

GRÁFICO 7 • Espectros atenuados por 20 mm de espessura no concreto pesado A - Fonte:

150 elaborado pela autora (2013)

E (kV)

GRÁFICO 8 • Espectros atenuados por 20 mm de espessura no concreto pesado H - Fonte: elaborado pela autora (2013)

K(mGy/mAs)

0.00015

0.00010

0.00005

0.00000

autora (2013) K(mGy/mAs) 0.00015 0.00010 0.00005 0.00000 150 KV 140 KV 120 KV 100 KV 80

150 KV

140 KV

120 KV

100 KV

80 KV

E (kV)

0

50

100

150

78

GRÁFICO 9 • Espectros atenuados por 20 mm de espessura no concreto pesado E - Fonte: elaborado pela autora (2013).

K(mGy/mAs)

0.00020

0.00015

0.00010

0.00005

0.00000

(2013). K(mGy/mAs) 0.00020 0.00015 0.00010 0.00005 0.00000 150 KV 140 KV 120 KV 100 KV 80

150 KV

140 KV

120 KV

100 KV

80 KV

E (kV)

0 50

100

150

K(mGy/mAs)

0.0008

0.0006

0.0004

0.0002

0.0000

0 50 100 150 K(mGy/mAs) 0.0008 0.0006 0.0004 0.0002 0.0000 150 KV KV 120 KV 140

150 KV

KV

120 KV

140

100 KV

80 KV

80 KV

E (kV)

GRÁFICO 10 • Espectros atenuados por 50 mm de espessura no concreto comum C - Fonte: elaborado pela

0

50

100

150 autora (2013).

GRÁFICO 11 • Espectros atenuados por 50 mm de espessura no concreto pesado A - Fonte: elaborado pela autora (2013).

K(mGy/mAs)

7. X 10 -6 6. X 10 -6 150 KV 5. X 10 -6 140
7.
X 10 -6
6.
X 10 -6
150
KV
5.
X 10 -6
140
KV
4.
X 10 -6
3.
X 10 -6
2.
X 10 -6
1.
X 10 -6
0
E (kV)

0

50

100

150

K(mGy/mAs)

0.00002

0.000015

0.00001

5. X 10 -6

0

100 150 K(mGy/mAs) 0.00002 0.000015 0.00001 5. X 10 - 6 0 0 50 100 150

0

50

100

150 KV

140 KV

120 KV

100 KV

GRÁFICO 12 • Espectros atenuados por 50 mm de espessura no concreto pesado H - Fonte: elaborado pela

E (kV)

150 autora (2013).

79

CONCRETO PESADO PARA BLINDAGEM DE RADIAÇÃO

K(mGy/mAs)

0.000025

0.00002

0.000015

0.00001

5. X 10 -6

0

0.000025 0.00002 0.000015 0.00001 5. X 10 - 6 0 150 KV 140 KV 120 KV

150 KV

140 KV

120 KV

100 KV

E (kV)

GRÁFICO 13 • Espectros atenuados por 50 mm de espessura no concreto pesado E - Fonte: elaborado pela autora (2013)

0 50 100 150 As Tabelas 3, 4, 5 e 6 mostram os dados coletados
0 50
100
150
As Tabelas 3, 4, 5 e 6 mostram os dados coletados a partir dos resultados obtidos dos
ensaios de radiação, e que estão representados nos gráficos de curvas de atenuação de cada
mistura de concreto.
K/K0 PARA CADA ENERGIA
ESPESSURA
(MM)
150 kV
140 kV
120 kV
100 kV
80 KV
60 KV
0
1
1
1
1
1
1
10
0,42561
0,40369
0,36600
0,37573
0,29132
0,22271
20
0,24525
0,22959
0,19769
0,18501
0,12988
0,07096
30
0,14122
0,15949
0,11974
0,10459
0,05375
0,02156
50
0,09228
0,09458
0,06536
0,04918
0,01966
0,00466

TABELA 3 • Resultados obtidos a partir do gráfico de curvas de atenuação do concreto comum C - Fonte: elaborado pela autora (2013)

K/K0 PARA CADA ENERGIA ESPESSURA (MM) 150 kV 140 kV 120 kV 100 kV 80
K/K0 PARA CADA ENERGIA
ESPESSURA
(MM)
150 kV
140 kV
120 kV
100 kV
80 KV
60 KV
0
1
1
1
1
1
1
10
0,01189
0,00791
0,00254
0,00064
0,00017
0,00014
20
0,00547
0,00367
0,00107
0,00032
0,00020
0,00018
30
0,00130
0,00047
0,00024
0,00022
0,00017
0,00016
TABELA 4 • Resultados obtidos a partir do gráfico de curvas de atenuação do concreto pesado A -
Fonte: elaborado pela autora (2013)
K/K0 PARA CADA ENERGIA
ESPESSURA
(MM)
150 kV
140 kV
120 kV
100 kV
80 KV
60 KV
0
1
1
1
1
1
1
10
0,05481
0,04779
0,02449
0,00995
0,00137
0,00017
20
0,02387
0,01849
0,00734
0,00217
0,00033
0,00015
30
0,00522
0,00361
0,00114
0,00035
0,00015
0,00014

TABELA 5 • Resultados obtidos a partir do gráfico de curvas de atenuação do concreto pesado H - Fonte: elaborado pela autora (2013)

80

K/K0 PARA CADA ENERGIA ESPESSURA (MM) 150 kV 140 kV 120 kV 100 kV 80
K/K0 PARA CADA ENERGIA
ESPESSURA
(MM) 150 kV
140 kV
120 kV
100 kV
80 KV
60 KV
0
1
1
1
1
1
1
10
0,05964
0,05338
0,02507
0,01016
0,00173
0,00020
20
0,02614
0,02058
0,00880
0,00275
0,00039
0,00016
30
0,00536
0,00379
0,00127
0,00043
0,00020
0,00018

TABELA 6 • Resultados obtidos a partir do gráfico de curvas de atenuação do concreto pesado E - Fonte: elaborado pela autora (2013)

4 RESULTADOS DOS ENSAIOS DE COMPRESSÃO

Os resultados dos ensaios de resistência à compressão constam nas tabelas 7 e 8. CORPO
Os resultados dos ensaios de resistência à compressão constam nas tabelas 7 e 8.
CORPO DE
DIÂMETRO
ÁREA
CARGA DE RUPTURA
RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO
PROVA N°
D
(cm)
S (cm²)
P (kgf)
kgf/cm²
MPa
1 10,03
79,0
23.700
300
30,0
2 10,00
78,5
23.600
300
30,0
3 10,04
79,2
24.700
312
31,2
4 10,01
78,7
19.500
248
24,8
5 10,03
79,0
20.400
258
25,8
6 10,02
78,9
24.900
316
31,6

TABELA 7 Resultados do ensaio de resistência à compressão dos corpos de prova de concreto pesado de hematita (traço H) – realizado dia 17 de Julho de 2013 - Fonte: elaborado pela autora (2013)

Observa-se, pelos resultados obtidos do ensaio, uma variação de resistência à compressão de 24,8 MPa
Observa-se,
pelos
resultados
obtidos
do
ensaio,
uma
variação
de
resistência
à
compressão de 24,8 MPa a 31,6 MPa.
CORPO DE
DIÂMETRO
ÁREA
CARGA DE RUPTURA
RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO
PROVA N°
D
(cm)
S (cm²)
P (kgf)
kgf/cm²
MPa
1 5,00
19,6
4.000
204
20,4
2 5,03
19,9
4.700
237