Você está na página 1de 22

Algumas hipóteses sobre as

relações entre movimentos sociais,


juventude e educação*

Marília Pontes Sposito


Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo

Trabalho apresentado na XXII Reunião Anual da ANPEd, Caxambu, setembro de 1999.

“Nuvens de poeira quente os pressupostos autoritários e elitistas que orienta-


anuviando minha lucidez” vam as afirmações recorrentes sobre a passividade
das classes populares e o caráter gelatinoso da so-
Fernando Pessoa, Odes marítimas
ciedade civil. Reconhecia, naquela conjuntura ad-
versa, o elenco de dificuldades presentes na orga-
Em 1977, Lúcio Kowarick publica no jornal nização popular mas apontava, também, a existên-
Folha de S. Paulo o artigo “O mito da sociedade cia de outros momentos férteis em mobilizações.
amorfa e a questão da democracia”, examinando Considerava, assim, a necessidade de uma com-
preensão diferençada da sociedade civil que permi-
tisse, a despeito da fragilidade dos atores, do ca-
ráter muitas vezes pontual das lutas e dos impedi-
* Trabalho apresentado no GT Movimentos Sociais mentos de manifestações autônomas, reconhecer
e Educação. Agradeço a leitura atenta, crítica e amiga de os caminhos a partir dos quais ela constituía de-
Maria Amélia Giovanetti, Juarez Dayrell e José de Souza
mandas, lutava por direitos, propunha conflitos e
Martins, que examinaram criteriosamente a primeira ver-
são do texto, oferecendo críticas e sugestões valiosas. O tex-
orientações diversas daquelas formuladas pelas eli-
to esboça reflexão que resulta do projeto de pesquisa Ju- tes. Sua conclusão reiterava uma concepção clara
ventude e escolarização: uma análise da produção de conhe- sobre a cidadania ao afirmar que “a ampliação e
cimentos, desenvolvido em conjunto com Sérgio Haddad, garantia dos direitos e deveres implícitos no exer-
com o apoio do CNPq e da FAPESP. A parte da pesquisa
sob minha responsabilidade produziu um balanço da pro-
dução discente na Pós-Graduação, tanto em Educação como
em Ciências Sociais, sobre os estudos de juventude (348 tra- rio de imprensa, em um período de dois anos (fevereiro de
balhos) e constituiu Banco de Notícias (1.448 registros) e 1995 a fevereiro de 1997), compreendendo periódicos de
Experiências Juvenis (1.533 registros), a partir de noticiá- todo o território brasileiro.

Revista Brasileira de Educação 73


Marília Pontes Sposito

cício da cidadania supõem, de imediato, a possibi- defesa dos Conselhos, fortemente debatidos na es-
lidade não só de usufruir dos benefícios materiais fera municipal (Doimo, 1990, 1995) e incorpora-
e culturais do desenvolvimento, como também, dos na legislação federal em setores diversos como
sobretudo, o de debater os destinos desse desenvol- saúde, assistência, direitos da criança e do adoles-
vimento” (Kowarick, 1977). cente e educação.
Compartilhando esse tipo de orientação, vá- Nessa época, ganha força, no âmbito das lide-
rios pesquisadores na área da Educação passaram ranças sindicais do movimento docente e nas asso-
a investigar a expansão do ensino público — ob- ciações de educadores, a idéia da democratização
servada a partir do período populista e continua- da gestão escolar como fator essencial para a efe-
da na década de 70 e 80 —, buscando uma nova tiva constituição de um sistema de ensino em sin-
compreensão desse processo. Ultrapassando o pres- tonia com o desejo de democratização do Pais. Na
suposto que radicava no Estado todas as orienta- pesquisa, o tema da participação popular resultou
ções e iniciativas1, esse campo de investigação pro- na crítica dos canais tradicionais de relação da es-
curava reconstituir a presença popular, mesmo que cola com os seus usuários, como associações ou
difusa, nas principais mudanças observadas no sis- círculos de pais e mestres, e, em conseqüência, na
tema de ensino, tendo em vista sua democratiza- investigação de novos mecanismos de gestão cole-
ção, particularmente a luta por oportunidades de giada das unidades escolares como os conselhos de
acesso à escola pública (Bomfim, 1991; Campos, escola e a eleição direta de diretores (Bueno, 1987;
1985, 1991; Cunha Campos, 1989; Fuchs, 1992; Sposito, 1993; Avancine, 1990; Paro, 1995, 1998;
Giovanetti e Costa, 1997; Sposito, 1984, 1993; Ghanem, 1992; Carvalho, 1991). Os estudos apon-
Vianna, 1992). tavam vários mecanismos presentes nas práticas
Mas os significados mais amplos dessa noção escolares que impediam ou criavam sérias resistên-
de democratização do direito à educação, conviven- cias a uma efetiva gestão democrática da unidade
do com a idéia dos direitos da cidadania e, assim, escolar.
com a denominada tendência igualitária crescente No entanto, após alguns anos de experiência
nas sociedades modernas (Marshall, 1967), trouxe- democrática no âmbito dos direitos políticos e de
ram, principalmente a partir do final da década de eventuais conquistas na esfera legal, os ritmos para
70, novos desafios para a reflexão acadêmica e para a efetivação de práticas democráticas na escola pú-
a formulação de políticas públicas no Brasil. Nos blica têm sido desiguais, assim como em outras es-
rumos da lutas sociais contra a ditadura e na bus- feras da vida coletiva na sociedade brasileira. Mes-
ca de caminhos para a transição, nasce, nesse pe- mo com o arrefecimento da força da idéia da par-
ríodo, a idéia de participação da sociedade civil, so- ticipação do ponto de vista das demandas dos ato-
bretudo dos grupos e movimentos organizados, na res coletivos, a pesquisa tem investigado algumas
formulação, implantação e acompanhamento das administrações progressistas — em especial as mu-
políticas públicas, em especial na área social. Essa nicipais — que não abandonaram a importância do
idéia teve sua tradução no âmbito mais amplo na tema da gestão democrática da unidade escolar.
Práticas inovadoras, muitas vezes isoladas, ainda
não foram suficientemente conhecidas ou investiga-
das no âmbito da pesquisa, constituindo uma área
1 Kowarick, em outros trabalhos, alertava para o con-
importante de estudo no interior do tema Movi-
teúdo autoritário das concepções vigentes, pois a atribui-
mentos Sociais e Educação.
ção de passividade ao povo brasileiro constituiu ingredien-
te ideológico utilizado para justificar o intenso controle que Mas outras interações entre esfera pública,
o Estado historicamente exerceu sobre as iniciativas sociais movimentos sociais e educação podem ser objeto de
e políticas das classes populares (1979). estudo, em particular aquelas que incidem sobre o

74 Jan/Fev/Mar/Abr 2000 N º 13
Algumas hipóteses sobre as relações entre movimentos sociais, juventude e educação

conjunto das práticas escolares2. Como afirma Paul curar formas alternativas de educação no interior
Belanger, torna-se necessário alargar e transformar dos próprios grupos, tradicionalmente concebida
a perspectiva vigente de uma educação para a de- como educação popular, as demandas dos movi-
mocracia, ampliando as fronteiras de uma perspec- mentos feministas, em alguns países, passaram a
tiva democrática restrita à política institucional, questionar o cerne da atividade pedagógica e a in-
pois “educação para a democracia tende a carregar fluenciar a natureza da proposta educativa oferecida
um estreito conceito de participação democrática. pela escola. Esses atores constituíram um conjun-
As fronteiras limitadas que caracterizam a cidada- to importante de críticas ao padrão dominante de
nia em educação estão em relação com as teorias socialização de homens e mulheres, tentando cons-
dominantes, no mínimo na Europa ocidental, sobre truir, ao mesmo tempo, um novo conjunto de orien-
a democracia representativa” (Belanger, 1993, p. tações e modelos culturais. Embora de difícil aferi-
19, tradução livre). Considera esse autor que o con- ção, não se pode desconsiderar o seu impacto na
ceito de democracia foi sendo enriquecido nas úl- cultura escolar, pois esses temas criaram um novo
timas décadas mediante a incorporação de novos reconhecimento público da questão, propiciando,
conteúdos extraídos sobretudo das lutas dos movi- como Belanger afirma, um alargamento das fron-
mentos sociais e das novas configurações que tecem teiras das relações entre educação e democracia.
a idéia de espaço público e sociedade civil. Para a No Brasil, com a redemocratização foi possí-
academia, o desafio residiria, assim, no exame do vel observar esforços mais acentuados envidados
grau de absorção pelo conjunto das práticas esco- pelos movimentos negros em trazer para a arena pú-
lares dos temas e processos que tratam, na esfera blica os problemas da discriminação racial3 . Nesse
pública, das novas formas de democracia, efetiva- conjunto de lutas, as questões concernentes ao sis-
das a partir das lutas sociais. O movimento de mu- tema de ensino e à prática pedagógica da sala de
lheres, analisado por Belanger, exprimiria, dentre aula foram trabalhadas, impondo rupturas com o
outros, um bom exemplo. silêncio até então observado no âmbito da educa-
As relações vigentes entre homens e mulheres ção escolar. Os pesquisadores ligados ao movimen-
foram contestadas, transformaram-se em questões to negro registraram, no decorrer dos anos 80, os
públicas sob o ponto de vista das desigualdades de vários seminários, publicações, que procuravam a
acesso ao sistema de ensino, das dificuldades de in- construção de orientações comuns dos atores cole-
serção e de reconhecimento no mercado de traba- tivos negros e a proposta de alternativas capazes de
lho, não obstante a igualdade formal nas habilita- imprimir novas práticas nas relações intra-escola-
ções profissionais oferecidas pelo sistema educati- res. Algumas das reivindicações chegam a ser incor-
vo. Os movimentos feministas criticaram o tipo de poradas em currículos do sistema público de alguns
interação entre os sexos, as concepções e práticas estados, municípios ou nas propostas inovadoras
socializadoras na sala de aula, buscando superar a de formação de professores que vêm sendo estuda-
desigualdade entre os gêneros. Assim, além de pro- das em poucas dissertações de mestrado na área da
Educação. O conjunto dessas iniciativas tinha e tem
em vista a inclusão de temas relativos à população
afro-brasileira no universo escolar, sua importân-
2 Boa parte da tradição dos estudos voltados para edu-
cação popular no Brasil examinou os aspectos educativos
da prática social. Alguns pesquisadores investigaram o ca-
ráter educativo das lutas e o seu potencial no sentido de 3 Não quero dizer com isso que a luta dos movimen-
construir experiências novas capazes de produzir uma (re)- tos negros só se inicia com a democratização, afirmação que
socialização dos sujeitos envolvidos (consultar Damasceno, conteria lamentável equívoco histórico (cf. Gonçalves, 1998,
1990, Brandão, 1984, 1984a, entre outros). 1994; Pinto, 1993a, 1993b).

Revista Brasileira de Educação 75


Marília Pontes Sposito

cia histórica e cultural na formação da sociedade nantes, entre outros5. Trata-se assim de alargar os
brasileira e a explicitação das formas veladas da do- horizontes da pesquisa para além do estudo dos
minação social vividas na relação com o branco, ex- possíveis ganhos ou eventuais fracassos imediatos
pressas no preconceito e no racismo4. que as lutas dos atores coletivos encerram.
Embora não seja possível inferir diretamente No entanto, em conjunturas de crise, diante de
o grau de impacto dessas orientações e, muito me- orientações que privilegiam interesses do mercado
nos, afirmar que foram atenuadas as práticas cen- em relação às demandas sociais, da retração do Es-
tenárias de racismo na sociedade brasileira, é ine- tado nas políticas públicas de natureza social, da
gável que essas demandas nascidas no interior das persistência de problemas crônicos da escola brasi-
ações dos movimentos negros contribuíram para leira, ao lado de novas questões, como a violência,
projetar a questão no âmbito da esfera pública, e das dificuldades efetivas de construção de atores
transformando-a em pauta necessária nas orienta- coletivos que consigam produzir práticas e proje-
ções de qualquer reforma educativa proposta pelo tos alternativos ao conjunto de orientações antide-
Poder Público nos últimos anos. Assim, importa mocráticas vigentes, pode renascer um certo pessi-
ressaltar com esses exemplos o impacto multiforme mismo que interfere na própria dinâmica do cam-
das ações dos movimentos sociais sobre a educação po da pesquisa. Esse pessimismo não apenas reco-
e a escola pública, sendo, pois, difícil uma avalia- nhece dificuldades, mas pode negar qualquer possi-
ção, do ponto de vista da produção do conhecimen- bilidade de organização e resistência da sociedade
to, que procure apenas os resultados imediatos. Seus e se volta novamente para o Estado, único interlo-
efeitos não são facilmente verificáveis, pois as prá- cutor sólido e confiável da “amorfa e desorganiza-
ticas são difusas e de pouca visibilidade, compreen- da sociedade civil brasileira”6. Não sem razões, re-
dendo um campo de conflitos que abriga orienta- toma-se aqui a análise de Kowarick (1979), pois o
ções em constante oposição ante o conjunto de re- esgotamento de algumas formas de luta que mar-
lações sociais estabelecidas: homens e mulheres, ne- caram o período da redemocratização e mesmo as
gros e brancos, minorias culturais e culturas domi- dificuldades que marcam hoje a capacidade de mo-
bilização de alguns setores antes combativos, como
é o caso do movimento de docentes (Vianna, 1999),
4 O nº 63 da revista Cadernos de Pesquisa da Funda-
ção Carlos Chagas, Raça Negra e Educação, publicado em
1987 reúne vários artigos sobre experiências de novas pro-
5 Nesse caso estou ancorada na definição de movimen-
postas curriculares. Consultar, ainda, Pinto, 1987; Gonçal-
ves e Silva, s/d; Valente, 1995. Não posso, também, deixar tos sociais de Alberto Melucci (1991, p. 20): “Um movimen-
de fazer referências à importância dos movimentos dos po- to social é uma ação coletiva cuja orientação comporta so-
vos indígenas e dos esforços de articulação de redes da so- lidariedade, manifesta um conflito e implica a ruptura dos
ciedade civil na proposta de novos rumos para a educação limites de compatibilidade do sistema dentro do qual a ação
indígena, sobretudo a partir da Constituição de 88. Esse seria mesma se situa” (1991, p. 20). A definição de Melucci in-
outro exemplo da importância da ação dos movimentos tegra campo de orientações que se inspira na análise pioneira
sociais na educação, não só pelo desenvolvimento de uma desenvolvida por Alain Touraine sobre os movimentos so-
proposta específica para a educação das nações indígenas, ciais (1975).
mas por sua possível influência sobre as concepções e prá- 6 Esse pessimismo mereceria ser, de imediato, ate-
ticas que afetam o conjunto do sistema escolar no Brasil. Se nuado com o reconhecimento das iniciativas de administra-
há um pequeno e importante grupo de pesquisadores cons- ções públicas progressistas em interlocução com atores co-
tituído em torno do tema da educação dos povos indígenas letivos e demais forças sociais e pela incansável organiza-
(Silva, 1999), o mesmo não ocorre no interior da pesquisa ção dos movimentos no campo e seu esforço em constituir
sobre os possíveis impactos dessas práticas no próprio sis- alternativas educativas, como é o caso do Movimento dos
tema formal de ensino, destinado ao não-índio. Sem-Terra.

76 Jan/Fev/Mar/Abr 2000 N º 13
Algumas hipóteses sobre as relações entre movimentos sociais, juventude e educação

podem reiterar representações muito enraizadas na gotou as modalidades públicas da construção de


sociedade brasileira que se exprimem em uma pro- sujeitos e atores, voltando-se sobre si mesma, em
funda desconfiança da sociedade civil e de seus ato- um momento de exacerbação da esfera íntima e de
res, mesmo que essa desconfiança não apareça re- interesses de natureza individualista (Lasch, 1983,
vestida de elitismo como no interior do pensamento Sennett, 1978).
conservador. Antes de retomar as questões que incidem so-
O ceticismo dominante pode ser traduzido tan- bre o objeto central da reflexão aqui empreendida,
to em uma crença apenas no fortalecimento da ação torna-se importante reconhecer que os caminhos da
emanada a partir do Estado que não dialoga e des- investigação e das teorias sobre os movimentos so-
conhece as forças sociais, como na incapacidade de ciais se diversificaram e exigiram novos aportes dian-
observação e de investigação de processos emergen- te do seu arrefecimento, observado a partir de mea-
tes que, ao serem fluidos e pouco estruturados, di- dos dos anos 80, não só no Brasil como em outros
ficultam uma nova compreensão da capacidade de países, e da emergência de novas modalidades de
ação dos atores sociais. Essas últimas observações práticas e atores coletivos (Scherer-Warren, 1998).
tornam-se ainda mais importantes, quando se leva Mais do que eventuais fatores conjunturais
em conta que o propósito deste artigo é a compreen- adversos, algumas das alterações incidem sobre o
são das formas de ação coletiva dos segmentos ju- aparecimento de fenômenos coletivos marcados pe-
venis na sociedade brasileira, buscando novos ca- la violência, presente na exasperação de identida-
minhos para a investigação. des locais ou étnicas, e pelo crescimento do racis-
mo em sociedades desenvolvidas. Ora, esse campo
A constituição de atores jovens disjuntivo também ocorre no interior da ascensão
e os processos de mutação nas do individualismo que “fraciona as identidades e as
formas da ação coletiva culturas” (Dubet e Martuccelli, 1998, p. 223), in-
duzindo, muitas vezes, a formulação de um quadro
Parece à primeira vista apenas ausência de sen- de reflexão que reduziria o restante das manifesta-
satez, ou ao menos, falta de lucidez teórico-inves- ções coletivas a um estilhaçamento sem princípio,
tigativa, trazer para a discussão o tema dos atores à simples formação de um “mercado” da ação co-
juvenis em formação em meio a um quadro adver- letiva, não reconhecendo princípios novos, ainda
so de recessão — que acentua a exclusão social — que frágeis, de construção da democracia (1998).
aliado ao reconhecimento da fragmentação e pul- Novas modalidades de ação e de atores tendem a
verização das ações coletivas de setores mais orga- emergir, mas o caráter esparso das lutas sociais não
nizados da sociedade brasileira. Talvez agrave mais impediria que o agenciamento de dimensões essen-
ainda essa perspectiva, se for considerada a onda ciais da ação desse conta de sua estrutura de con-
de violência que sempre aponta os jovens como pos- junto (idem)7.
síveis responsáveis pelo seu crescimento e, de for-
ma menos visível, o reconhecimento de sua extre-
ma vulnerabilidade como vítimas da escalada do 7 Para Dubet e Martuccelli, há “lutas unidimensio-
crime e do tráfico. nais” que comportam mobilizações com característica seja
Por outro lado, os segmentos juvenis têm si- reivindicativa, seja identitária, seja ainda em torno de temas
normativos e morais. Elas podem proceder seja do merca-
do caracterizados, nas últimas décadas, pela ex-
do, da integração social, seja do individualismo moral. Ou-
trema acentuação de seus traços individualistas,
tras lutas seriam ambivalentes tentando combinar as dimen-
pela apatia política e pelo desinteresse nas relações sões instrumentais e comunitárias ou expressivas e instru-
com a esfera pública; seriam os jovens, assim, ape- mentais. Outras procuram amalgamar de forma conjuntu-
nas a expressão radical de uma sociedade que es- ral todas as dimensões da ação caracterizando-se como ex-

Revista Brasileira de Educação 77


Marília Pontes Sposito

Seria, pois, pertinente a inclusão do tema Ju- condição juvenil enquanto problema social jamais
ventude 8 no âmbito das investigações atuais sobre desapareceu do horizonte de preocupações de vá-
as ações coletivas e os movimentos sociais no Bra- rios setores sociais e da produção acadêmica e tal-
sil? Esta empreitada propiciaria um olhar matiza- vez seja essa a sensibilidade atualmente dominante,
do e rico para abrir novas perspectivas para a com- sobretudo quando os problemas decorrentes da ex-
preensão da escola pública no seu diálogo/confron- clusão social — como o desemprego — e a violência,
to com os atores coletivos? afetam principalmente os jovens pobres (Abramo,
Durante o século XX, os estudos sobre jovens, 1997; Weinstein, s/d).
sobretudo a partir da década de 20 nos EUA com Parte das análises, cujo modelo simbólico mui-
a Escola de Chicago, privilegiaram o exame das tas vezes está radicado em 1968, reconhece o arrefe-
disfunções ou anomia para compreender condutas cimento do movimento estudantil que atinge gran-
juvenis próximas da delinqüência ou do crime arti- de parcela dos atuais alunos do ensino superior e
culadas muitas vezes em torno de grupos denomi- médio, mas não considera o quadro de crise das for-
nados gangues. mas tradicionais de ação no sistema político insti-
Particularmente após a Segunda Guerra Mun- tucional que atinge o conjunto da sociedade. Essa
dial, novas orientações rompem com essa tradição 9 crise anuncia, há alguns anos, processos de mutação
e enfatizam o potencial contestador e rebelde pre- que projetariam outras relações com o campo da
sente nos segmentos juvenis, dando origem a vários política, imprimindo novos significados à própria
estudos que examinaram, dentre outras, as moda- noção de participação ou de militância política11.
lidades de participação estudantil ou suas práticas Se considerarmos essas mudanças de nature-
culturais10. Mas um certo exame permanente da za mais ampla, os jovens não seriam portadores de
práticas tão excepcionais. Pesquisas realizadas em
países europeus, na década de 90, confirmaram cer-
pressões mais episódicas (1998). Por outro lado, a persis- tas tendências como: o afastamento dos jovens —
tência dos conflitos em torno do mundo do trabalho, da luta mas não a negação — dos sindicatos, mantendo
pela terra e por direitos de justiça e cidadania precisa ser re- com essas instituições apenas uma relação instru-
conhecida, sobretudo na sociedade brasileira. Ao invés de mental e de exterioridade (Bauby e Gerber, 1996);
uma concepção evolutiva das formas de luta, considero que
a desconfiança em relação aos partidos, mas o reco-
a coexistência de conflitos exprime a simultaneidade dos
nhecimento de um interesse difuso sem a partici-
tempos sociais, os seus ritmos diversos e sua mútua intera-
ção, como apontou Lefebvre (1969) em suas análises sobre pação correspondente (Ricolfi, 1997)12; e a busca
a formação econômico-social, retomada por Martins (1996).
8 Não é objetivo deste artigo reconstruir a discussão
em torno das ambigüidades da noção de juventude exami-
nadas em outros trabalhos (Sposito, 1997, 1999). Reitero 11 É preciso relembrar que a discussão em torno dos
apenas o caráter sócio-histórico do conceito que implica ne-
movimentos sociais, no final da década de 60, estrutura um
cessariamente a adoção da perspectiva da diversidade para longo debate teórico em torno da crise do sistema político
compreender a heterogeneidade de situações e experiências
institucional e da idéia da democracia representativa. Tais
que marcam a condição juvenil na contemporaneidade. movimentos expressariam “um jeito novo de fazer política”
9 A contribuição original de Mannheim no estudo dos em face do evidente desgaste das instâncias instituciona-
jovens e das gerações tendo em vista o exame do seu poten- lizadas, como os partidos e sindicatos.
cial de revitalização das relações sociais, certamente favo- 12 A idéia de interesse sem a ação correspondente é
receu para esse novo aporte (1968, 1973, 1982). apresentada por Ricolfi, a partir de pesquisa nacional que
10Os estudos culturais desenvolvidos em Birmingham examina o perfil dos jovens na Itália, realizada pelo IARD
constituem referência importante no âmbito da temática das em 1996. É importante reconhecer que esse tipo de inves-
subculturas juvenis. tigação no Brasil é praticamente inexistente. Pesquisa da

78 Jan/Fev/Mar/Abr 2000 N º 13
Algumas hipóteses sobre as relações entre movimentos sociais, juventude e educação

de uma política sem rótulos tradicionais que desig- Em nosso país, observam-se claramente as di-
nam posições de direita e esquerda (Muxel, 1997). ficuldades de compreensão da crise da participação
Inegavelmente, esses estudos recuperam aspectos estudantil presentes em alguns estudos, mas é pre-
importantes para a análise dos jovens nos anos 90 ciso considerar que, ao lado dessa lacuna teórica,
no interior desse grande processo de mutação, mas foi criado um leque de representações sociais no
não esgotam suas formas de ação e de compreen- interior do senso comum, que constituíram como
são do mundo contemporâneo. modelo de ação coletiva de jovens essas práticas
No Brasil, os estudos sobre juventude tiveram de participação, excluindo outras possibilidades de
início a partir das pesquisas sobre o movimento análise. Helena Abramo, ao fazer a crítica dessas
estudantil na década de 60, desenvolvidas por Fo- concepções, examina as novas formas de presença
racchi (1965, 1972). juvenil nos anos 80 a partir de estudo realizado so-
Inspirada em seus trabalhos, a produção aca- bre punks14 e darks. Ampliando o campo de conhe-
dêmica na área tanto de Educação como de Ciên- cimento sobre os atores juvenis, o trabalho de Már-
cias Sociais, durante as décadas seguintes, tratou cia Regina Costa (1993) investigou uma modali-
com menor freqüência do tema, mas com pouco dade de sociabilidade marcada pela constituição de
vigor teórico e inovação, ao tentar compreender as subjetividades conservadoras, como é o caso dos
alterações dessas práticas nos períodos mais recen- carecas de subúrbio15 . A pesquisa desenvolvida por
tes, marcado por um gradativo enfraquecimento das Souza (1999) com jovens de Florianópolis investi-
formas tradicionais de mobilização e seu escasso gou as novas formas de militância dos anos 90, ten-
poder de aglutinação de demandas e interesses do tando contrapô-las a uma possível imagem mítica
conjunto dos estudantes. que se ancora no tipo de participação predominan-
Alguns trabalhos empreenderam investigações te nos anos 60.
sobre os anos 60/70, outros reiteraram análises des- Os poucos trabalhos produzidos nos anos 80
ses estudos pioneiros, reconhecendo a crise da ca- e 90 sobre jovens em nosso país já mostraram um
pacidade mobilizadora estudantil, mas de certa for- alargamento de seus interesses e práticas coletivas,
ma assumindo como parâmetro o modelo da par- acentuando a importância da esfera cultural que
ticipação observado em anos anteriores, como já fomenta mecanismo de aglutinação de sociabilida-
apontava criticamente o trabalho de Helena Abra- des, de práticas coletivas e de interesses comuns,
mo, que analisou a nova cena cultural juvenil dos sobretudo em torno dos diferentes estilos musicais.
anos 80 (Abramo, 1994)13.

UNESCO sobre violência, realizada com jovens do Rio de dades representativas dos estudantes. Seu estudo tenta cons-
Janeiro, demonstra o grau de desconfiança desses segmen- truir um novo paradigma para a compreensão da identida-
tos diante das instituições do sistema político (cf. FSP 25/ de estudantil, dialogando com as análises de Marialice Fo-
05/1999). racchi, ao apontar as diferenças entre os dois momentos e,
por decorrência, as possíveis formas de sua compreensão.
13 Doisestudos examinaram as mobilizações estudan-
14
As pesquisas de Janice Caiafa (1985) e Kemp (1993)
tis observadas nos anos 90, tentando compreender a sua
especificidade. O primeiro é a dissertação de mestrado de- também constituem importantes contribuições para o estudo
senvolvida no Rio de Janeiro por Moraes (1995) sobre o mo- do fenômeno punk no Brasil.
vimento dos “cara-pintadas”, que envolveu estudantes do 15 Outros estudos tentam compreender essas formas
ensino fundamental e médio de escolas particulares. Anne coletivas às vezes marcadas por condutas violentas que têm
Mische (1997) também investigou em sua tese de doutora- agregado jovens como é o caso das galeras funk no Rio de
do o movimento estudantil após o impeachment de Fernan- Janeiro (Guimarães, 1995) e galeras e gangues em Fortale-
do Collor, possibilitando maior visibilidade a algumas enti- za (Diógenes, 1998).

Revista Brasileira de Educação 79


Marília Pontes Sposito

A cena juvenil, na expressão de Abramo (1994), se traduzem importante marco de sociabilidade juve-
amplia e diversifica, sendo ocupada por manifesta- nil ainda pouco estudado16.
ções protagonizadas por punks, clubbers, roquei- Outra modalidade de experiência coletiva en-
ros, rappers, adeptos do reggae, funkeiros, entre tre jovens que emerge com maior freqüência tem
outros (Sposito, 1994b; Andrade, 1996; Dayrell, sido um certo associativismo em torno de ações vo-
1999; Guerreiro, 1994; Cunha, 1993). Essas ações luntárias, comunitárias ou de solidariedade, com-
já acenam com vigor para uma inquestionável moti- preendendo temas diversos como o combate à exclu-
vação dos jovens em relação aos temas culturais em são, meio ambiente, qualidade de vida e saúde (in-
oposição ao seu afastamento das formas tradicio- formação sobre consumo de drogas, DST e AIDS).
nais de participação política. Alguns grupos não se Menos investigadas, ainda, têm sido as novas formas
limitam aos aspectos centrais de sua atividade liga- de aglutinação juvenil que nascem do mundo do
da à música ou outras formas de expressão artísti- trabalho, ultrapassando os marcos tradicionais da
ca, mas também se dedicam aos trabalhos comuni- relação assalariada e da participação sindical; dentre
tários, envolvendo-se em atividades nos locais de elas destacam-se o interesse de jovens em formar
moradia em interlocução com alguns segmentos or- empresas juniores e as cooperativas de autogestão
ganizados da sociedade civil. solidária. No conjunto de questões aqui apontadas
Mas é preciso admitir a existência de signifi- sobre as várias modalidades de inserção dos jovens
cativa diversidade de práticas coletivas entre os jo- na esfera pública, não estão contempladas as dimen-
vens, ainda pouco visíveis e escassamente investi- sões do mundo rural que têm realizado, por meio
gadas. Algumas mais antigas e portadoras de um de seus atores, importantes movimentos de invenção
novo significado dizem respeito à intensa produção cultural no interior da luta pela terra17.
e circulação de meios de informação recobertos pe- Essa rápida descrição das ações, preservando
los fanzines, inovação da cultura underground punk a diversidade dos interesses juvenis, propõe desa-
dos anos 70 que perdura até os dias atuais. Ainda fios para a sua compreensão, exige novas aproxi-
no interior de interesses ligados à informação e co- mações teóricas e relativo esforço analítico, pois vá-
municação estão as rádios comunitárias, a produ- rias delas vêm recobertas por outros fenômenos,
ção de vídeos e, de forma mais recente, a formação como a violência e situações de risco18, criando um
de redes via Internet, agregando as mais diversas terreno difícil e muitas vezes movediço, sobretudo
motivações.
Inúmeros agrupamentos de natureza mais flui-
da podem nascer a partir do local de moradia envol- 16 Tedrus (1996) estuda as formas coletivas de socia-
vendo o lazer, entretenimento e esporte como estu- bilidade que nascem em torno do trabalho de adolescentes
dou Nakano (1995) em favela da região da Gran- e jovens desenvolvido nas ruas e Almeida (1996) contem-
de São Paulo, ou a partir da ocupação de zonas mais pla as interações de alguns grupos juvenis — rappers e as-
centrais da cidade, em geral no período noturno, trônomos amadores — no município de Diadema com o
poder público local, tendo em vista assegurar formas diver-
transformando o tipo de interação com o tecido
sas de apropriação coletiva da cidade.
urbano. São os passeios de bicicleta, as caminhadas,
17 Andrade (1998) estudou a formação da consciên-
os grupos de skate e de escalada em viadutos e pon-
cia política dos jovens nos assentamentos, constituindo um
tes que negam o valor de troca predominante no
dos raros trabalhos que examinam a temática da juventude
espaço urbano e os ritmos da metrópole voltada no campo.
para o circuito de reprodução do capital, afirman- 18 Neste caso o estudo das torcidas organizadas de-
do a dimensão pública da cidade a partir do uso e senvolvido por Toledo (1996, 1997) e a pesquisa sobre gru-
da fruição (Lefebvre, 1978a, 1978b; Arroyo, 1997). pos de grafiteiros e pichadores (Durand, 1997), surfistas em
As formas são fluidas, muitas vezes efêmeras, mas trens ou ônibus constituem eixos investigativos importantes.

80 Jan/Fev/Mar/Abr 2000 N º 13
Algumas hipóteses sobre as relações entre movimentos sociais, juventude e educação

quando se pretende superar os estereótipos e as ex- pp. 67-68). Para Alain Touraine “quando mais nos
plicações lógico-causais que buscam quase sempre remontamos ao passado maior é a distância entre
entender, por meio de simplificações apressadas, as forças opositoras — as quais são principalmen-
processos que aparecem de forma matizada e dife- te novas classes dirigentes em ascensão — e as for-
rençada na realidade social. ças excluídas, consideradas como impuras, crimi-
nais e out-groups. Não vivemos neste momento um
Alguns eixos articuladores de ações movimento inverso? Quer dizer, hoje se mesclam o
coletivas protagonizadas por jovens opositor e o desviado, de maneira lógica se pensar-
mos que o dominador impõe determinada ordem
Melucci (1991) inspira um bom ponto de par- e normalidade à sociedade inteira” (Touraine, 1987,
tida para a construção de hipóteses em torno das p. 164).
ações coletivas de jovens, quando examina os con- Essas observações tornam-se importantes por-
flitos sociais contemporâneos, pois considera suas que um mesmo fenômeno apresenta modalidades
formas múltiplas, variáveis e os níveis diversos de diversas de expressão, muitas delas caracterizadas
intervenção no social19. Ressalto, preliminarmen- pela violência e, por essas razões, a conduta coleti-
te, que um movimento social é um objeto construído va em abstrato não pode definir a priori se ocorre
pela análise e não coincide com as formas empíricas uma prática dilacerada voltada para a destruição do
da ação. Nenhum fenômeno de ação coletiva ex- ator ou se há pelo contrário sinais de um estrutu-
pressa uma linguagem unívoca ou desvela, de ime- ração positiva de conflito. Fenômenos como o rap,
diato, todas as dimensões em suas práticas, exigin- o funk e a prática da pichação ou do grafite20 al-
do do pesquisador um intenso trabalho de análise gumas vezes podem ser expressões da violência ou
(Touraine, 1987; Melucci, 1991). Por outro lado, da delinqüência juvenil e da ausência de movimen-
a perspectiva aqui adotada, especialmente por tra- tos coletivos como, também podem, em outras si-
tar-se de atores jovens, pressupõe que pode ocor- tuações, desvelar o seu contrário, ou seja, a forma-
rer a “superposição entre comportamento desvian- ção de novos atores coletivos. Por essas razões, qual-
te e movimentos sociais. As formas de controle se quer aproximação generalizante, para afirmar que
generalizam, permeando a vida cotidiana e as es- todas as práticas envolvidas nesses fenômenos co-
colhas existenciais, e isto torna mais difícil, no plano letivos juvenis seriam expressões ou da anomia so-
empírico, a distinção entre protesto e marginali- cial, ou sinais do potencial contestador e rebelde do
dade...”. A oposição adquire, então, facilmente as jovem na esfera pública, cria mais dificuldades do
características do desvio de comportamento. Seja que auxilia na compreensão de realidades e conjun-
porque ela é muitas vezes obra de uma minoria; seja turas sociais complexas.
porque tende a rejeitar a mediação regulada pelo Melucci também alerta para questões impor-
sistema político; seja, enfim, porque o controle so- tantes no estudo dos jovens enquanto protagonis-
bre a informação permite aos aparatos estigmati- tas de conflitos. Para tanto, transcrevo suas obser-
zarem cada conduta conflitual, tornando frágeis os vações:
limites que a separam da patologia (Melucci, 1991,
A interrogação implícita nas diversas pesquisas
sobre a condição juvenil é se os jovens são sujeitos
potenciais de ação coletiva antagonista. A pretensão
19 “No passado, ocupar-se dos conflitos significava
analisar a condição social de um grupo e deduzir dela as cau-
sas da ação. Hoje, é necessário identificar o campo de con- 20 Estabeleço aqui a distinção entre essas práticas, uma
flitos em nível sistêmico e explicar, pois, como certos gru- vez que a primeira está mais próxima das condutas de ris-
pos sociais interferem em tal campo” (Melucci, 1991, p. 3). co e a segunda, das expressões artístico-culturais.

Revista Brasileira de Educação 81


Marília Pontes Sposito

ou a esperança é de encontrar resposta para esta in- cimento da indústria cultural a partir da Segunda
terrogação a partir de uma compreensão aprofunda- Guerra Mundial e a formação de um mercado con-
da da condição e da cultura juvenil na sociedade con- sumidor jovem já foram estudados por vários au-
temporânea. Uma similar esperança é, porém, desi- tores. A esfera do consumo cultural, momento im-
ludir-se porque se encontra com um problema insolú- portante no circuito das trocas sociais, seria, para
vel: como se passa da condição para a ação, como se alguns estudiosos, propiciadora da construção das
forma um movimento que tem por atores os jovens? identidades juvenis (Madeira, 1986), sobretudo
Não se sai do impasse senão invertendo os ter- diante do enfraquecimento dos eixos que articula-
mos do problema. A ação não se deduz pela condição riam práticas de identidade a partir do mundo do
social. Ocorre, ao contrário, mudar completamente o trabalho (Paiva, Potengy e Guaraná, 1998).
procedimento. É necessário identificar em nível sistê- A lógica de mercado que induz e subvenciona
mico os problemas que estão no centro dos conflitos o consumo, e a formação de um público ávido de
sociais, os campos sobre os quais se joga o confronto necessidades construídas em torno de objetos e sím-
para o controle de recursos decisivos. Só a partir da- bolos destinados apenas à sua fruição não esgotam,
qui é possível perguntar-se quais elementos da con- no entanto, o circuito cultural que pode caracterizar
dição juvenil são suscetíveis de ativar, em certas con- orientações e práticas dos segmentos juvenis. Não
dições conjunturais, uma ação coletiva, transforman- obstante a força do mercado, como afirma Canclini
do este grupo em ator de conflitos. (Melucci, 1991, (1996), não é descabido vincular consumo e cida-
p. 84, tradução livre) dania, pois “é preciso desconstruir as concepções
que julgam os comportamentos dos consumidores
Ao analisar as formas de ação coletiva pro- predominantemente irracionais e as que somente
tagonizadas por jovens e de suas possíveis relações vêem os cidadãos atuando em função da raciona-
com o campo de estudo dos movimentos sociais, lidade dos princípios ideológicos” (p. 21). Para este
parece mais apropriado tratá-las como redes con- autor, a seleção e a apropriação de bens são feitas
flituosas que seriam “formas da produção cultural” a partir de uma definição do que se considera pu-
ou seja, ativação de condutas em torno de confli- blicamente valioso; expressam, também, os modos
tos, mesmo que em práticas ainda emergentes (Me- com que nos “integramos e nos distinguimos na
lucci, 1997, p. 6)21. Por essas razões, procuro re- sociedade, com que combinamos o pragmático e o
constituir um primeiro campo conflitivo que aglu- aprazível” (idem).
tina os jovens, propiciando a formação de atores, Mas a diversidade de interesses que agregam
a partir do pólo consumo e produção cultural. A os jovens inclui, além do consumo, a produção cul-
emergência de conflitos sociais em torno da infor- tural que pode ser observada na formação de gru-
mação, do campo simbólico e da extensão dos me- pos musicais22 ou de outras formas de expressão,
canismos de dominação e de disputa do controle dos como a dança, o teatro e a poesia.
recursos culturais tem ocupado o interesse dos es-
tudiosos dos movimentos sociais no interior das
sociedades complexas e planetárias. O intenso cres- 22 As escolhas dos estilos não é aleatória e poderá ar-
ticular várias orientações. A adesão pode decorrer da ori-
gem social: há estilos que tradicionalmente predominam
entre jovens de classes médias como o rock, ou passam a
21
Os estudos pioneiros de Blumer sobre as condutas contar com a sua preferência como o pagode; há outros que
coletivas também auxiliam na compreensão de alguns des- sensibilizam aqueles que vivem no limiar da exclusão, como
ses fenômenos, quando trata do tema dos movimentos ex- o rap, o pagode e o funk. Há modalidades que mobilizam
pressivos que não contemplam em suas formas de ação ob- de forma clara os jovens de origem negra e pobre como o
jetivos instrumentais imediatos (Blumer, 1962). pagode e o rap. Ocorre também uma produção cultural alia-

82 Jan/Fev/Mar/Abr 2000 N º 13
Algumas hipóteses sobre as relações entre movimentos sociais, juventude e educação

As inúmeras modalidades de aglutinação ju- “é a partir do sofrimento do indivíduo dilacerado


venil em torno da música têm possibilitado a cons- e da relação entre sujeitos que o desejo de ser su-
tituição de identidades comuns, de linguagens e có- jeito pode se transformar em capacidade de ser um
digos específicos que reúnem jovens em grupos, ca- ator social” (Touraine, 1997, p. 107).
nalizando interesses e formas de compreensão da Sendo assim, para além de uma compreensão
realidade social. anacrônica e segmentar dessas manifestações que
Muitas das iniciativas vêm mescladas por um envolvem a produção de estilos musicais, é preciso
interesse profissionalizante, pela busca de inserção levar em conta, como afirma Lipsitz, ao examinar
na indústria cultural, do sucesso e da performance; a cultura juvenil nos anos 90, a importância dessas
outras não estão facilmente dissociadas de práticas manifestações presentes em um ambiente de crise
violentas. No entanto, é preciso reconhecer que es- que emerge com os processos de desindustrializa-
tilos musicais, sobretudo aqueles que se disseminam ção, de reestruturação econômica e com o racismo.
entre jovens pobres e em processo de exclusão, que Em decorrência, alerta para o equívoco em tratá-
vivem no mundo das grandes cidades, não se redu- las com os mesmos parâmetros que orientaram as
zem a um mecanismo habitual da “sociedade de análises sobre as manifestações culturais dos anos
consumo” ou “mercado jovem” (Dubet, 1987; Mar- 60, pois essas novas modalidades constituiriam os
tins, 1975). De alguma forma, “a expressão musi- espaços a partir dos quais os jovens falariam de si
cal traduz e testemunha uma certa experiência so- mesmos, de sua solidão e dos processos de exclu-
cial que se transforma no seu fundamento” (Spo- são a que são submetidos24.
sito, 1994a, 1994b). Por essas razões, em que pese a sua diversida-
O momento da produção — compreendido na de, essas práticas coletivas não poderiam ser lidas,
constituição dos grupos musicais, por exemplo, que em sua totalidade, como mero aparato reativo ao
criam músicas, inventam letras, acionam o corpo processo de marginalização ou de resposta à crise,
enquanto canal de expressão — recria as possibili- na linha de um raciocínio ancorado na noção de
dades de entrada no circuito das trocas culturais anomia. Parte delas se dá, também, no campo de
para além da figura do espectador passivo que con- fenômenos coletivos emergentes de sociedades com
diciona o modo dominante de mobilização dos re- alta densidade de informação, onde a produção não
cursos culturais da sociedade atual, no interior es- somente diz respeito aos recursos econômicos, mas
trito da lógica de mercado. Talvez, e aí residiria o investe em relações sociais, símbolos, identidade e
seu aspecto mais relevante, tais práticas incidam necessidades individuais, ampliando os aparatos da
sobre a própria constituição de sujeitos que am- dominação (Melucci, 1991, p. 52).
pliam a sua esfera de autonomia, de reflexão e de
interação com o mundo23. Como afirma Touraine,
que resulta do trabalho de alguém sobre si mesmo (Dubet
e Wieviorka, 1995). Como afirma Alain Touraine o sujeito
da às peculiaridades do espaço urbano cuja lógica social de é aquele que deseja ser um indivíduo capaz de criar uma his-
sua apropriação não deixa de ser intrigante. Quais seriam tória pessoal, de dar um sentido ao conjunto das experiên-
as razões da força do rap em São Paulo e da rápida disse- cias da vida individual, esta última construída, a partir das
minação do funk na cidade do Rio de Janeiro? determinações, pela procura da liberdade e pela experiên-
23 Embora de difícil definição, como afirma Morin cia de resistência (1995).
(1995), a noção de sujeito não se confunde com a noção de 24 “A cultura jovem atual procede de uma premissa
indivíduo. Ela se constrói a partir das idéias de distância e diferente. Ao invés de permanecer fora da sociedade, ela
de reflexividade, pois pressupõe a capacidade de distan- tenta trabalhar através dela, explorando e exacerbando suas
ciamento e de crítica dos papéis sociais. Compreende o es- contradições em criar imprevisíveis possibilidades para o
paço da reflexão, sendo, assim, um princípio de autonomia futuro” (Lipsitz, 1994, p. 25, tradução livre).

Revista Brasileira de Educação 83


Marília Pontes Sposito

Duas expressões importantes, como exemplo, puseram uma certa recusa social do fenômeno que
podem ser localizadas no rap e no funk. Não se trata induziu a formação de um campo novo de confli-
aqui de resgatar suas formas de ação e as diferen- tividade capaz de provocar em parte dessas gale-
tes sensibilidades que cada um dos estilos aciona25, ras juvenis formas diversas de organização, de ne-
o modo como eles atraem e motivam o interesse ju- gociação com o mundo das instituições, incidindo
venil, as práticas de lazer e de entretenimento que sobre a própria necessidade do reconhecimento de
geram e o seu enraizamento social e étnico, pois são sua legitimidade26.
campos da produção cultural nascida nas periferias O rap desvela sua produção cultural sobretudo
de metrópoles como São Paulo, Fortaleza, Brasília nas letras das músicas que denunciam a realidade
— o rap — ou nos morros do Rio de Janeiro, como da exclusão do jovem pobre, sobretudo aquele de
o funk, traduzindo o mundo dos pobres e a expe- origem negra. A fala áspera, que manifesta a fúria
riência de dominação vivida sobretudo pelos negros. e a ira, assim como o tom duro e rude das letras,
Não se trata, também, como já anunciado, de qual- revela o desejo de resgatar o direito da palavra e da
quer intento generalizador que nega a complexidade invenção criadora sob a forma de relato malcom-
dessas manifestações, sobretudo no Rio de Janeiro, portado e teatralizado do drama diário da vida27,
que encerra, em alguns casos, inegáveis episódios muitas vezes negando os parâmetros dominantes do
de violência. gosto e do consumo musical. Sua expressão social
Importa ressaltar, neste momento, que esses predominante é articulada a uma denúncia da ex-
fenômenos indicam um modo peculiar de negação clusão e do racismo, visíveis na violência policial e
de mecanismos de dominação social e étnica que na falta de alternativas para os jovens, sobretudo
atinge os setores juvenis mobilizados em torno des- os pobres e negros. O rap é uma produção cultural
ses estilos. Alguns grupos buscam um mergulho na que expressa certa liminaridade, como se produto-
cultura de massas — não a sua negação ou recusa res de letras e público — igualmente jovem — esti-
—, mas como produtores e não apenas consumido- vessem, de modo constante, no limiar entre dois
res de produtos que se vendem no mercado. Dis- mundos, o da legalidade, das instituições legitima-
putam espaços na lógica da reprodução cultural, das pelas forças sociais (o trabalho, a escola, entre
criando caminhos alternativos e alimentando uma outras), que não apresenta alternativas eficazes de
certa cultura underground, típica dos movimentos inclusão, e o do crime ou do consumo e do tráfico
culturais em sua fase inicial. de drogas, que oferece vantagens fáceis e imediatas,
Ambos, mas de modo mais explícito no funk,
trazem aspectos importantes para a análise, dian-
26Importante lembrar que, no mês de junho de 1999,
te do seu caráter inicialmente belicoso, quando os
centenas de grupos funk saíram às ruas na cidade do Rio
bailes tornaram visíveis as brigas entre as galeras,
de Janeiro para reivindicar o seu reconhecimento como mo-
muitas delas disputando e assegurando territórios vimento cultural.
próprios de ação. Dessa forma, as fronteiras entre 27 A interessante pesquisa que vem sendo desenvolvi-
a manifestação juvenil e o mundo do crime e do da por Pedro Guasco (1999) tem procurado resgatar os ele-
tráfico no Rio de Janeiro, muitas vezes tênues, im- mentos de uma estética da periferia presente no rap. Parte
das reflexões aqui esboçadas se inspira nos dados prelimi-
nares de seu trabalho e nas discussões frutíferas com Ma-
ria Lúcia Montes e José Guilherme Magnani por ocasião do
25 Sobre o funk consultar Vianna, 1988; Guimarães, exame de qualificação de Pedro. Transformado atualmen-
1995; Midlej e Silva, 1995; Souto, 1997; Cecchetto, 1997. te em estilo musical que ultrapassa os limites das periferias
Sobre rap e hip-hop, consultar Herschmann, 1995; Sposi- urbanas, o rap também encontra adesão em outros setores
to, 1994a, 1994b; Andrade, 1996; Diógenes, 1998; Guasco, sociais e, gradativamente, o seu estilo e trajes passam a ser
1999. incorporados no consumo jovem.

84 Jan/Fev/Mar/Abr 2000 N º 13
Algumas hipóteses sobre as relações entre movimentos sociais, juventude e educação

mas acenam, como destino, para a morte precoce. Uma segunda polaridade, bastante próxima da
Assim como no funk, a violência se faz presente, manifestação cultural em torno da música, pois ca-
constituindo a matéria bruta dos conteúdos das mú- minha de forma integrada e concomitante, reside na
sicas que retratam a experiência vivida, de tal for- tentativa de construção de pautas de significados
ma que a adesão ou a recusa ao ilegal, ao marginal alternativos às interpretações dominantes. Resga-
constitui momentos que às vezes se imbricam. ta-se a importância da palavra, como é o caso dos
As formas mais organizadas de articulação dos rappers, da circulação de idéias pela imprensa alter-
pequenos grupos e as posses — crew — impulsio- nativa, como os fanzines e algumas das iniciativas
nam a ação de seus membros em novas direções, em torno das rádios comunitárias, ou um outro sig-
sobretudo aquelas configuradas como comunitárias nificado para o jogo do corpo pela dança. Na apro-
e de apoio a outras iniciativas de grupos organiza- priação da palavra evidencia-se a necessidade de se
dos dos bairros. recorrer à informação, ao conhecimento e, assim,
A variedade dos grupos, o seu caráter mais ou propiciar uma explicação diferente daquelas pro-
menos violento, a diversidade de experiências que duzidas pelos grandes veículos formadores da opi-
propiciam geram ritmos e possibilidades diferen- nião pública que asseguram uma certa homogenei-
çados; constituem, de modo tenso e conflitivo, um dade das interpretações30: “a cultura juvenil afirma
campo inovador da cultura, especialmente da mú- com força as necessidade comunicativas, mas rei-
sica e da dança, com conseqüências diversas no âm- vindica também o direito de decidir quando e com
bito do fortalecimento de novas identidades indi- quem se comunicar” (Melucci, 190, p. 74).
viduais e coletivas. Alargam-se, ao mesmo tempo,
a possibilidade de auto-reconhecimento28, de refle-
xão e compreensão do mundo na condição de su- nados ao subemprego, aos processos mais permanentes de
jeito e a capacidade de estruturação do agir coleti- exclusão do mundo do trabalho ou, na melhor das hipóte-
vo que, ao se iniciar pelas práticas culturais ou de ses, ao trabalho precário, são muitas vezes mecanismos im-
lazer, é, muitas vezes, ampliado para outras dimen- portantes de agregação desses jovens.
30
sões da vida. Podem decorrer desse tipo de mobi- Caminho em direção diferente de Melucci, quan-
lização cultural, mesmo que de forma fragmenta- do este autor introduz a idéia de que o silêncio do jovem
instala uma dimensão antagônica com um mundo feito de
da e incipiente, um outro modo de interação com
palavras. No entanto, o autor reconhece que “o silêncio ou
as instituições socializadoras, como a escola, e nova
a linguagem fragmentada, silábica, incoerente recobrem ou-
atribuição de significados ao trabalho ligada à idéia tras representações pois indicam a afirmação de uma outra
de autonomia, cooperação e de solidariedade não palavra que não aceita ser mais separada das emoções” (Me-
predominante nas condições atuais do emprego 29. lucci, 1990, p. 86, grifos meus). Quando retomo a impor-
tância da palavra, estou considerando uma outra forma de
expressão, diversa de algumas regras presentes na raciona-
lidade instrumental dominante. Penso que, como o silêncio
28 A constituição de uma identidade marcada pela au-
do jovem descrito por Melucci, no jogo corporal presente
to-estima, pelo reconhecimento da dimensão étnica — o po- na música, sobretudo nas manifestações funk, outras lingua-
vo negro — percorre também algumas ambigüidades, pois gens são anunciadas e se opõem às rígidas demarcações entre
tanto pode ocorrer a abertura dessa identidade coletiva para a razão e a emoção. Uma certa recusa está pressuposta, pois
o campo conflitivo das relações de desigualdade e de domi- a “racionalidade impessoal dos aparatos não dá espaço para
nação, como pode provocar, em algumas situações, uma as emoções, convive com limites separados nos quais o sis-
conduta regressiva. A este respeito consultar as análises de- tema autoriza a fruição regulada de eros e do delírio. No
senvolvidas por Touraine (1987) e Castells (1999) sobre a modo dominante de expressão, os espaços e os tempos da
identidade. experiência emocional, afetiva, corpórea são circunscritos
29As redes paralelas que recobrem novas modalida- distintamente, rigidamente separados daqueles da palavra
des de profissionalização para esses setores juvenis, conde- racional” (Melucci, idem).

Revista Brasileira de Educação 85


Marília Pontes Sposito

Os dois eixos, sucintamente descritos, expri- (Melucci, 1994. p. 117). Seu fundamento, recoberto
miriam conflitividade típica das sociedades comple- pela idéia do dom, explicita uma dimensão simbó-
xas que atinge os jovens, pois questionam os circui- lica que diz respeito à pergunta, muitas vezes insur-
tos da cultura e da informação enquanto agências gente nos tempos atuais, “por que ocupar-se com
de dominação. No entanto, vale a pena reiterar que o outro?”. Quando as relações dominantes estão
o plano simbólico dessas orientações que criam an- marcadas estritamente pela lógica do interesse ou
tagonismos e significados divergentes em torno de do utilitarismo, esse tipo de indagação aponta um
um campo comum de historicidade, não se desliga campo de conflitos importantes em torno de valo-
de outras relações sociais, como se a cultura se ins- res antagônicos31.
crevesse em uma esfera autônoma desvinculada dos A sensibilidade juvenil para a prática da ação
processos econômico-políticos que situam a gran- voluntária ainda está para ser investigada, pois mo-
de massa dos jovens como excluídos, ou incluídos tiva não apenas os jovens oriundos de camadas mé-
de modo subalterno (Martins, 1997), da riqueza dias, sobretudo estudantes, mas também aqueles
produzida socialmente e dos aparatos de poder. que se encontram no próprio limiar da exclusão,
Um terceiro eixo, menos investigado ainda, como é o caso de grupos musicais formados em tor-
trata da ação voluntária e dos movimentos que en- no do rap. O levantamento das iniciativas mais re-
volvem práticas de solidariedade, que vêm sensibi- correntes protagonizadas por grêmios estudantis,
lizando um conjunto crescente de jovens. Constitui principalmente na educação básica (particular ou
obviedade a insuficiência das recorrentes explica- pública), revela um interesse por esse tipo de ação,
ções em torno da filantropia (leiga ou religiosa) que manifestado em quadro bastante diversificado de
mobilizaria setores privilegiados em ações assisten- práticas, que podem compreender tanto campanhas
ciais voltadas para os pobres e excluídos. Muito como serviços voluntários. Explicita-se, assim, um
pouco se investigou sobre essa modalidade de ação contraste significativo (e uma inevitável distância)
que sensibiliza vários segmentos da sociedade e reú- com a experiência de organização e mobilização das
ne um conjunto não desprezível de dificuldades pois entidades estudantis que congregam as lideranças,
sua prática concreta vem revestida, como qualquer adeptas de um militantismo politizado e articula-
ação coletiva ou movimento, de múltiplos signifi- do em torno dos temas tradicionais do movimento
cados (Isambert, 1996; Melucci, 1991, 1994, 1996). estudantil.
Enquanto categoria sociológica, a ação voluntária Buscando reunir alguns elementos para esbo-
é aquela que implica a “adesão livre a uma forma çar uma resposta diante do interesse juvenil pela
de solidariedade coletiva e o pertencimento a uma ação voluntária, aponto aqui duas específicas orien-
rede de relações da qual se participa por escolha” tações presentes nessas iniciativas: a primeira diz
(Melucci, 1991, p. 100). A gratuidade dos serviços respeito a uma possibilidade de ir além da denúncia,
ofertados revela o fato de que os benefícios econô- da crítica, privilegiando o agir, como se a mera de-
micos não constituem a base da relação entre os que
participam. Como qualquer relação social, não es-
tão desconhecidas as possíveis retribuições simbó-
31
licas, de prestígio, auto-estima e poder presentes na Há estudos recentes sobre movimentos, protago-
ação voluntária. nizados por adultos e mesmo por jovens, voltados para a
questão da criança e do adolescente em situação de exclu-
Mas a ação voluntária envolveria, também, o
são cujo eixo articulador da ação não diz respeito a moti-
altruísmo e a responsabilidade, exprimindo uma
vações ou ganhos exclusivamente individuais de seus inte-
modalidade de participação nos problemas do mun- grantes (Tommasi, 1996, Marques, 1999, Grandino, 1999).
do, sobretudo diante dos que são excluídos, daque- Sobre trabalho juvenil voluntário consultar Novaes
les que sofrem ou são privados de alguns recursos (1996).

86 Jan/Fev/Mar/Abr 2000 N º 13
Algumas hipóteses sobre as relações entre movimentos sociais, juventude e educação

núncia ou a crítica não dessem conta da aspiração possibilidade da vida em conjunto. Essa motivação
de ser ator na sociedade. Essa motivação traduz um que emerge nas sociedades complexas e que encon-
caminho voltado para uma modalidade concreta de tra nos segmentos juvenis uma disponibilidade, mes-
descoberta de um alter e da inevitável idéia de res- mo que difusa, conteria elementos antagonistas por-
ponsabilidade e solidariedade que a acompanha. que desafiaria o poder, ao inverter a lógica domi-
A segunda orientação exprimiria uma dimen- nante instrumental, construindo alternativas de sen-
são simbólica relevante na temporalidade que en- tido. Na experiência do agir altruístico, na apaixo-
volve a ação voluntária, pois ela resgata o presente nada ação voluntária está presente uma recusa da
como momento fundamental capaz de articular pro- racionalidade do cálculo, da eficiência da técnica,
jetos e utopias de novas relações. As lutas de gera- da maximização da relação fins e meios que se opõe
ções jovens estudantis da década de 60 foram pro- à gratuidade do dom (Melucci, 1991).
fundamente marcadas por uma concepção de futuro Finalmente, considerando que se trata neste
— uma nova sociedade a ser construída, a força da momento de levantar hipóteses para a pesquisa so-
idéia da revolução — a ser alcançada após um mo- bre os campos possíveis de conflito, resta examinar,
mento forte de ruptura com a velha ordem. de modo sucinto, o mundo do trabalho. Atingidos
Hoje, as relações entre passado e futuro sofre- de forma mais intensa pelo desemprego em nossa
ram profundas alterações. As sociedades complexas sociedade, os jovens vêm enfrentando dificuldades
introduzem diferenciações e descompasso no ritmo não desprezíveis de inserção profissional, ocorren-
dos tempos, como o tempo linear e cíclico analisa- do um amplo processo de desassalariamento, como
do por Lefebvre (1972), o tempo objetivo e o tem- analisa Pochmann (1998).
po da experiência subjetiva (Melucci, 1992). Vive- As dificuldades de organização dos trabalha-
mos, como afirma Lechner (1990), e de modo cada dores assalariados em conjunturas de desemprego,
vez mais dramático, o tempo como uma seqüência a crise do sindicalismo, a emergência de modalida-
de acontecimentos, de conjunturas, que não chegam des de ocupações novas e diferentes do emprego
a se cristalizar em uma “duração”, quer dizer, um assalariado industrial já têm sido objeto de vários
período estruturado de passado, presente, futuro. estudos. A adesão dos jovens a uma forma de par-
Vivemos um “presente contínuo” (idem, 1990 p. ticipação sindical via mundo do trabalho tem sido
113). O presente, sobretudo para os jovens, “tor- fraca mesmo para aqueles que hoje vivem a reali-
na-se uma medida inestimável do significado da dade cotidiana da fábrica. Não obstante a impor-
experiência de cada um de nós” (Melucci, 1997, p. tância do trabalho na constituição da sociabilida-
8). A dissolução dos indivíduos no presente também de humana, é já reconhecida a dificuldade que essa
tem sido examinada pela literatura diante da ausên- atividade tem imposto para constituir atores jovens,
cia de perspectivas, pois os seres humanos não po- sobretudo quando o emprego assalariado e indus-
dem deixar de recordar e de projetar-se em direção trial não ocupa a maior parte do contingente juve-
ao futuro, não há vida humana sem memória e sem nil que integra a população economicamente ativa.
projeto (Melucci, 1992). Mas se essa nova experiên- No entanto, por outros caminhos, a questão do tra-
cia de tempo desmancha certezas e projetos ao frag- balho poderá vir a ser propiciadora de novas prá-
mentar ainda mais os indivíduos, não seria possí- ticas e, talvez, de um campo novo de conflito so-
vel recuperar na dimensão dessa temporalidade o cial: as recentes experiências que nascem das for-
sentido do projeto? mas de cooperação e autogestão que estão envol-
Mesmo que de forma fragmentada, fluida e vendo alguns segmentos juvenis. Aparecendo como
instável, na ação voluntária protagonizada pela ju- uma alternativa ao desemprego, as iniciativas tam-
ventude há uma espécie de antecipação da utopia, bém contemplam novas concepções em torno do
anunciando hoje, e de forma profética, uma outra trabalho e de suas formas de sociabilidade. As aná-

Revista Brasileira de Educação 87


Marília Pontes Sposito

lises desenvolvidas por Singer (1998) apontam um Os momentos de visibilidade são esporádicos
conjunto de valores que vem sendo construído: à ex- e respondem a problemas específicos, pois não há
clusão imposta pelas novas modalidades da acumu- indícios de uma unificação em torno de um ator
lação se responderia com práticas de inclusão; à social privilegiado ou de apenas uma única dimen-
competição como regra básica do mercado seria são do sujeito; os movimentos são protagonizados
contraposta à idéia da solidariedade; e, diante do pelas variadas formas que articulam os interesses
isolamento e da fragmentação dos indivíduos se for- juvenis, sejam eles estudantes, rappers, skatistas,
taleceria a aglutinação32. A interação entre as prá- negros etc. Essa multiplicidade de formas pode ga-
ticas culturais e as experiências solidárias de traba- nhar visibilidade em algumas conjunturas ou em
lho passam também a ocorrer, uma vez que alguns experiências de organização de redes articuladas,
grupos culturais ampliam suas referências para a sendo bem-sucedidas quando a diversidade e a au-
ação e tentam, assim, uma outra forma de integra- tonomia dos grupos são preservadas, possibilitan-
ção no mundo do trabalho33. do a manutenção de mecanismos permanentes de
constituição da identidade coletiva de cada um dos
*** grupos envolvidos34.
Esse horizonte de conflitos possíveis no inte- Por outro lado, ocorre o desenvolvimento de
rior da ação coletiva juvenil deve ser reconstituí- formas múltiplas de participação onde o sujeito in-
do analiticamente no interior de experiências di- terage em vários grupos sem uma adesão integral e
versas que se apresentam, na maioria da vezes, de total a apenas um, embora seja possível identificar
modo fluido, disperso e submerso. Tal como Me- uma forma de pertencimento que se torna às vezes
lucci (1991, 1996) aponta em seus estudos sobre dominante. Essas práticas configuram o que alguns
os novos movimentos sociais, uma rede de intera- autores têm estudado como formas novas de en-
ções tem caracterizado essas práticas, marcadas gajamento político e social em oposição à idéia de
pelo intenso grau de trocas sociais que propiciam uma militância total (Barthélèmy, 1994). Mais ain-
a construção de identidades comuns, de sentimen- da, qualquer aspecto da vida que envolva a ação co-
tos de pertencimento e de canais de expressividade. letiva não se desliga de uma busca de realização pes-
soal. Tanto a dimensão coletiva como a individual
se integram em uma mesma configuração que inci-
32 Grupo de estudantes universitários em São Paulo, de sobre as individualidades, pois o ator coletivo e
com experiências de vida nos bairros da periferia da cida- o sujeito se constróem juntos (Touraine, 1997).
de, criaram uma ONG — NAPES (Núcleo de Ação e Pes- As dificuldades de constituição da ação cole-
quisa em Economia de Solidariedade) — para apoiar e de-
tiva juvenil não são poucas e tendem a ser atenua-
senvolver projetos em torno de empresas ou cooperativas
das quando uma rede de apoio se consolida, quer
geridos pelos trabalhadores. Parte das iniciativas foi volta-
da para estimular o desenvolvimento de experiências que já pela ação de ONGs, quer de movimentos sociais ou
estavam em andamento. (Folha de S. Paulo, Folhateen, p. sindicatos. Os recursos oferecidos por atores da so-
7-3, 26/07/1999). A ANTEAG também tem propiciado a ciedade civil podem retirar o grupo de seu isolamen-
formação de cooperativas ou empresas de autogestão, algu- to ou fragmentação, mas criam, de modo rico, um
mas delas com a presença de jovens.
novo campo de conflitos que passa a exigir nego-
33 Para Dayrell a produção musical juvenil dialoga,
também, com o mundo do trabalho. quando os jovens da
periferia constróem o sonho de sobreviver através da mú-
sica, estão também reivindicando uma nova inserção no 34 Scherer-Warren (1998), analisando as tendências
mundo do trabalho, marcada por motivações de natureza das teorias contemporâneas sobre os movimentos sociais,
pessoal que contemplam a paixão e a busca de autonomia aponta o caráter disperso das práticas sociais, autônomas
(Dayrell, 1999). entre si mas abertas ao intercâmbio e à cooperação.

88 Jan/Fev/Mar/Abr 2000 N º 13
Algumas hipóteses sobre as relações entre movimentos sociais, juventude e educação

ciações. O movimento hip-hop em São Paulo cons- cular as manifestações massivas com a experiência
titui um bom exemplo dessa interação, quando en- vivida, não ultrapassando o nível restrito da con-
controu tanto nos movimentos negros como em al- testação estudantil, sendo fluidas e efêmeras.
gumas ONGs apoio para uma melhor estruturação O processo intenso de massificação do ensino
de suas atividades. No entanto, no interior de um que absorveu enorme contingente de jovens que não
quadro comum de interesses articulados em torno encontram na vida escolar respostas às suas prin-
da luta contra o racismo, emergem variadas concep- cipais demandas tem levado, na França, seguida-
ções sobre as práticas que exprimem, entre outras, mente, estudantes secundaristas para as ruas em
as diferenças geracionais, pois trata-se do encontro amplas manifestações. Ainda recentes, recobrem
do mundo adulto com o mundo jovem. Um fecun- elenco multifacetado de orientações, mas certamen-
do aprendizado se inicia, muitas vezes difícil, mas te não podem ser analisadas a partir dos referenciais
educativo para as partes envolvidas. utilizados para a compreensão da experiência estu-
dantil de 68 (Gerber, 1996). Esse movimento nas-
Juventude, escola e movimentos cente recusa a liderança das entidades tradicionais
sociais: relações possíveis e, muitas vezes, agrega outras condutas violentas,
acarretando um horizonte bastante diversificado
Retomar a reflexão sobre a escola a partir do para sua análise. No caso dos estudantes de liceus,
ângulo dos atores coletivos juvenis exige um breve cuja mobilização se intensifica a partir de meados
olhar sobre a dificuldade que a condição estudan- da década de 90, afirma Touraine (apud Castro,
til apresenta para a constituição de práticas coleti- 1999): “a um protesto massivo não se pode respon-
vas sobretudo para aquela parcela que, do ponto de der com simples adaptações administrativas; estas
vista de sua origem de classe, só recentemente teve não têm sentido se não organizam, ou ao menos não
acesso ao sistema de ensino regular. tornam possível, uma mudança no sistema escolar
Tendo em vista o conjunto das mudanças que cuja meta principal não pode mais ser a de transmi-
afetaram as sociedades nos últimos anos e a própria tir a lei, mas ajudar os alunos a adquirir, em parti-
importância do acesso à informação e ao conheci- cular pelo conhecimento, uma capacidade de ação
mento como formas de dominação e controle so- autônoma num mundo cuja desordem os ameaça”.
cial, as análises sobre os novos movimentos sociais No Brasil, as mudanças observadas no siste-
tenderam a enfatizar a importância dos sistemas ma escolar em direção a um crescimento intenso não
educativos e a escola como possíveis locus de con- foram acompanhadas de transformações profun-
flitos sociais (Touraine, 1987). das da prática escolar. As peculiaridades do proces-
Após um período de silêncio desses setores, so de modernização econômica do País, o qual es-
países europeus, como é o caso da França, passam treitou as oportunidades ocupacionais em um mer-
a ser palco de algumas mobilizações de estudantes cado cada vez mais excludente, situam a educação
secundaristas e do ensino superior, em meados da pública, sobretudo a básica e a média, em condições
década de 80. Algumas investigações tentaram com- bastante desconfortáveis. No entanto, ressalto aqui
preender essas manifestações, que indicavam mu- apenas duas questões para efeito da análise a ser em-
danças diante das formas de luta estudantil obser- preendida: de um lado, o enfraquecimento da ca-
vadas na década de 60. Para Lapeyronnie (1992), pacidade de ação socializadora da escola sobre a
que investigou o novo aluno do curso superior, as maioria dos jovens, que mantêm com ela uma re-
formas recentes de mobilização não indicavam a lação de distanciamento construído no interior da
construção de atores coletivos em torno dos con- condição de aluno, e, de outro, o predomínio de
flitos da sociedade pós-industrial. Para esse autor, uma relação instrumental em que a busca de algu-
os movimentos dos anos 80 não conseguiram arti- ma certificação se torna o móvel fundamental do

Revista Brasileira de Educação 89


Marília Pontes Sposito

projeto escolar. Para aqueles que não estruturam sibilidade nasce além dos muros escolares, no cir-
uma experiência positiva com a instituição escolar, cuito das várias formas da sociabilidade juvenil,
o seu processo de subjetivação ocorre fora ou con- sobretudo as culturais, examinadas neste artigo.
tra a escola e a violência revela uma de suas facetas Não trato neste momento da necessidade evi-
(Dubet, 1997). dente de maior porosidade da escola para com as
A permanência das formas tradicionais da or- práticas culturais que compõem a vida dos segmen-
ganização estudantil — tanto as entidades nacionais tos juvenis, modalidades que eventualmente pode-
como as regionais — preenche, episodicamente, al- rão contribuir para ressignificar a qualidade da ati-
gumas funções de denúncia das políticas educativas vidade pedagógica e o tipo de experiência construí-
mediante algumas mobilizações de massa, mas re- do por jovens no interior da escola. Essa é uma ques-
vela, também, sua enorme dificuldade em agregar tão relevante, mas procuro, agora, examinar uma
novos interesses e constituir bases efetivas de repre- hipótese sobre a constituição de atores jovens em
sentatividade. Novos grêmios estudantis tendem a suas relações com a educação escolar. A hipótese
aparecer, nem sempre com possibilidades de atua- aqui lançada diz respeito ao processo de formação
ção no interior da escola. Muitos promovem for- desses atores em seus grupos, que pode transformar
mas de sociabilidade em torno do lazer e do espor- o sentido da escola no projeto de vida, ao dar um
te, de serviços voluntários ou campanhas. Embora novo significado para o conhecimento, para a infor-
capazes de disseminar um associativismo em mol- mação e para a cultura (Sposito, 1994b). Na condi-
des novos, são escassas as formas de conflitivida- ção de portadores de uma identidade coletiva cons-
de que nasceriam a partir da condição estudantil, truída, na maioria das vezes, de forma distante do
stricto sensu, mesmo se se levar em conta que mui- universo escolar, pode haver um percurso de volta
tos são os temas que articulam a insatisfação do à escola, não como aluno, isolado, mas como ator
jovem perante a escola. Parece que a experiência coletivo. Esse novo encontro, difícil e tenso, enfrenta
escolar está. no momento, destituída de significados resistências da cultura escolar e de seus protagonis-
capazes de estruturar uma ação coletiva que propi- tas — técnicos, professores e funcionários — tão ou
cie orientações comuns e ações de recusa aos me- mais consistentes do que as práticas observadas na
canismos de exclusão ou às práticas pedagógicas, experiência dos movimentos populares radicados
principalmente no ensino médio e fundamental35. nos bairros em busca de uma participação mais
No entanto, diante de um ensino tão insatis- densa na vida escolar.
fatório, a violência, a indiferença ou o mero aban- Uma possibilidade importante de ação do
dono seriam as únicas opções possíveis de ação para mundo adulto escolar reside na sua capacidade de
os segmentos jovens? Ao que tudo indica, pode es- dialogar com essas forças que podem estar sub-
tar sendo delineado um caminho possível de ação mersas, às vezes, na própria sala de aula, nos pá-
coletiva voltada para a questão escolar. Essa pos- tios e corredores, sob a aparência do aluno passi-
vo e distanciado. Trata-se de pensar a escola como
mais um dentre os espaços propícios à constituição
35 A recente expansão do ensino médio poderá redun- de sujeitos que tentam compreender sua presença
dar em maior pressão de grupos de jovens pelo acesso ao no mundo e buscam construir projetos em condi-
ensino superior público. Os sinais dessa mobilização já se ções desafiadoras e adversas impostas pela socie-
registram na discussão das cotas nos exames vestibulares,
dade atual.
tanto para os egressos de escolas públicas como para as
Se hoje é reconhecida uma profunda separa-
populações de origem negra. Nesse caso, os possíveis ato-
res estruturariam suas demandas pelo acesso ao ensino, mas ção entre a cultura escolar e o mundo dos jovens,
não necessariamente em torno da qualidade e do tipo de quando a democracia for capaz de garantir um es-
formação oferecidos pela Universidade. paço para que as vozes juvenis sejam ouvidas, a se-

90 Jan/Fev/Mar/Abr 2000 N º 13
Algumas hipóteses sobre as relações entre movimentos sociais, juventude e educação

paração será menos provável e “movimentos juve- BELANGER, Paul, (1993). Challenging the boundaries of
nis poderão tornar-se importantes atores na inova- Education on democracy. In: PAIVA, V.; RIBEIRO, Sér-
gio (orgs.). Autoritarismo social x democratização do Es-
ção política e social da sociedade contemporânea”
tado: desafios à educação. São Paulo: USP/Instituto de
(Melucci, 1997, p. 14). Estudos Avançados, Coleção Documentos.
BLUMER, Herbert, (1962). Comportamento coletivo. In:
LEE, Alfred McLung (org.). Princípios de sociologia. São
MARÍLIA PONTES SPOSITO é professora da área de
Paulo: Herder.
Sociologia da Educação da Faculdade de Educação da Uni-
versidade de São Paulo (FEUSP), onde obteve seu doutora- BOMFIM, Maria do Carmo, (1991). Lutas populares pela
do, e presidente da Ação Educativa. É autora, entre outros, escola pública e gratuita em Teresina. São Paulo: PUC,
dos livros O povo vai à escola (São Paulo: Loyola, 1984) e Dissertação de Mestrado.
A ilusão fecunda (São Paulo: Hucitec, 1993). Seus temas de BRANDÃO, Carlos Rodrigues, (1984). Educação popular.
pesquisa têm sido os movimentos e as ações coletivas no São Paulo: Brasiliense.
campo da educação, com ênfase mais recente nos grupos
__________, (1984a). Pensar a prática. São Paulo: Loyola.
juvenis.
BUENO, Belmira de Oliveira, (1987). As associações de pais
e mestres na escola pública do estado de São Paulo (1931-
Referências bibliográficas 1986). São Paulo: FEUSP, Tese de Doutorado.
CAIAFA, Janice, (1985). Movimento punk na cidade: a in-
ABRAMO, Helena, (1994). Cenas juvenis: punks e darks
vasão dos bandos sub. Rio de Janeiro: Zahar.
no espetáculo urbano. São Paulo: Scritta.
CANCLINI, Nestor Garcia, (1995). Consumidores e cida-
__________, (1997). Considerações sobre a tematização so-
dãos: conflitos multiculturais da globalização. Rio de
cial da juventude no Brasil. In: Juventude e contempo- Janeiro: Editora da UFRJ.
raneidade. Revista Brasileira de Educação. São Paulo:
ANPEd, nº 5 e 6. CAMPOS, Maria Malta, (1985). Escola e participação po-
pular. ln: MADEIRA, F.; MELLO, G. (orgs.). Educação
ALMEIDA, Elmir, (1996). Subúrbio, política cultural e iden-
na América Latina. São Paulo: Cortez.
tidades coletivas juvenis: mediações de Diadema. São
Paulo: FEUSP, Dissertação de Mestrado. __________, (1991). As lutas sociais e a educação. Cader-
nos de Pesquisa. São Paulo, Fundação Carlos Chagas, nº
ANDRADE, Elaine Nunes, (1996). Movimento negro juve-
79, novembro.
nil: um estudo de caso sobre jovens rappers de São Ber-
nardo do Campo. São Paulo: FEUSP, Dissertação de Mes- CARVALHO, Marília Pinto de, (1991). Uma identidade
trado. plural: estudo de uma escola na região metropolitana de
São Paulo. São Paulo: PUC, Dissertação de Mestrado.
ANDRADE, Marcia Regina de Oliveira, (1998). A formação
da consciência política dos jovens no contexto dos assen- CECCHETTO, Fátima, (1997). As galeras funk cariocas:
tamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem entre o lúdico e o violento. In: VIANNA, H. (org.). Ga-
Terra. Campinas: Faculdade de Educação/UNICAMP, leras cariocas. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ.
Tese de Doutorado. CASTELLS, Manuel, (1999). El poder de la identidad: la
ARROYO, Miguel, (1997). O aprendizado do direito à ci- era de la información, vol. 2. Buenos Aires: Alianza Edi-
dade: Belo Horizonte — a construção da cultura públi- torial, 2ª edição.
ca. Educação em Revista. Belo Horizonte: FAE/UFMG, CASTRO, Maria Helena, (1999). Apresentação. In: MEI-
dezembro. RIEU, P. Relatório Meirieu: para a reforma do ensino
AVANCINE, Sérgio, (1990). Daqui ninguém nos tira: mães médio da França. Brasília: MEC/INEP.
na gestão colegiada da escola pública. São Paulo: PUC, COSTA, Márcia Regina, (1993). Os Carecas do subúrbio:
Dissertação de Mestrado. caminhos de um nomadismo moderno. Rio de Janeiro:
BAUBY, P.; GERBER, T., (1996). Singulière jeunesse plu- Vozes.
rielle. Paris: Publisud.

Revista Brasileira de Educação 91


Marília Pontes Sposito

CUNHA, Olívia Maria Gomes da, (1993). Fazendo a “coi- FUCHS, Carlitos, (1992). A luta dos(as) trabalhadores(as)
sa certa”: rastas, reggae e pentecostais em Salvador. Re- pela escola pública em São Leopoldo. Porto Alegre: Uni-
vista Brasileira de Ciências Sociais. São Paulo: ANPOCS, versidade Federal do Rio Grande do Sul, Dissertação de
nº 23. Mestrado.
CUNHA CAMPOS, Rogério, (1989). A luta dos trabalha- GHANEM JUNIOR, Elie, (1992). Lutas populares, gestão
dores pela escola. São Paulo: Loyola. e qualidade da escola pública. São Paulo: FEUSP, Disser-
tação de Mestrado.
DAMASCENO, Maria Nobre, (1990). Pedagogia do enga-
jamento. Fortaleza: Editora da UFC. GIOVANETTI, Maria Amélia; COSTA, Maria da Concei-
DAYRELL, Juarez, (1996). A escola como espaço sócio-cul- ção, (1997). Movimentos sociais e educação: as lutas
populares por educação em Belo Horizonte nos anos 70
tural. In: DAYRELL, J. (org.). Múltiplos olhares sobre
e 80. Educação em Revista. Belo Horizonte: FAE/UFMG,
educação e cultura. Belo Horizonte: Editora da UFMG.
dezembro.
__________, (1999). Grupos musicais e juventude em Belo
Horizonte. São Paulo: Relatório de qualificação, FEUSP. GONÇALVES, Luiz Alberto de Oliveira, (1994). Le mou-
vement noir au Brésil: représentation sociale et action
__________, (1999). Juventude, grupos de estilo e identidade. historique. Paris: EHESS, Tese de Doutorado.
Educação em Revista. Belo Horizonte: FAE/UFMG (no
__________, (1998). Os movimentos negros no Brasil: cons-
prelo).
truindo atores sociopolíticos. Revista Brasileira de Edu-
DIÓGENES, Glória, (1998). Cartografias da cultura e da cação. São Paulo: ANPEd, nº 9, set./dez.
violência: gangues, galeras e o movimento hip hop. São
GONÇALVES E SILVA, Petronilha Beatriz, (s/d). Movimen-
Paulo: Annablume.
to negro, educação e produção de conhecimento de in-
DOIMO, Ana Maria, (1990). Movimentos sociais e conse- teresse dos afro-brasileiros. mimeo.
lhos populares: desafios da institucionalidade democráti-
ca. Caxambu: XIV Encontro Anual da ANPOCS, mimeo. GRANDINO, Patricia Junqueira, (1999). O educador de rua
e suas práticas. São Paulo: FEUSP, Dissertação de Mes-
__________, (1995). A vez e a voz do popular: movimentos trado.
sociais e participação política pós-70. São Paulo: AN-
GUASCO, Pedro, (1999). Num país chamado periferia: estu-
POCS/Relume Dumará.
do sobre cultura e ideologia entre os rappers de São Paulo.
DUBET, François, (1991). Les lycéens. Paris: Seuil. São Paulo: Departamento de Antropologia/FFLCH/USP,
DUBET, F.; MARTUCELLI, D., (1996). A l’école: sociolo- Relatório de qualificação (Mestrado).
gie de l’expérience scolaire. Paris: Seuil. GUERREIRO, Goli, (1994). Retratos de uma tribo urbana:
__________, (1998). Dans quelle société vivons-nous? Pa- o rock brasileiro. Salvador: Centro Editorial e Didático
ris: Seuil. da UFBA.
DUBET, F.; WIEVIORKA, M., (1995). Introduction. In: GUIMARÃES, Eloísa, (1995). Escolas, galeras e narcotrá-
DUBET, F.; WIEVIORKA, M. (orgs.). Penser le sujet. fico. Rio de Janeiro: Departamento de Educação, PUC/
Paris: Fayard. RJ, Tese de Doutorado.
DURAND, Olga Celestina, (1997). Pichadores/grafiteiros: HERSCHMANN, Micael, (1995). Música jovem e violên-
quando a expressão juvenil transita entre a transgressão cia na cultura urbana carioca: o hip-hop invade a cena.
social e a delinqüência. Texto apresentado no XXI Con- In: BRAGA, José Luis et al. A encenação dos sentidos:
gresso da ALAS, São Paulo. mídia, cultura e política. Rio de Janeiro: Diadorim.
FORACCHI, Marialice, (1965). O estudante e a transfor- ISAMBERT, François-André, (1996). L’engagement huma-
mação da sociedade brasileira. São Paulo: Nacional. nitaire et les formes contemporaines de solidarité. In:
__________, (1972). A juventude na sociedade moderna. São PAUGAM, Serge (org.). L’exclusion: l’état des savoirs.
Paris: Éditions La Découverte.
Paulo: Pioneira.
KEMP, Kênia, (1993). Grupos de estilo jovens: o rock under-
FREITAS, Maria Virgínia de, (1995). Jovens no ensino su-
pletivo: diversidades de experiência. São Paulo: FEUSP, ground e as práticas (contra)culturais dos grupos “punk”
Dissertação de Mestrado. e “thrash” em São Paulo. Campinas: Departamento de
Antropologia, IFCH/UNICAMP, Dissertação de Mes-
trado.

92 Jan/Fev/Mar/Abr 2000 N º 13
Algumas hipóteses sobre as relações entre movimentos sociais, juventude e educação

KOWARICK, Lúcio, (1977). O mito da sociedade amorfa __________, (1996). As temporalidades da história na dia-
e a questão da democracia. Folha de S. Paulo, Tendên- lética de Lefebvre. In: MARTINS, J. S. (org.). Henri Le-
cias e Debates, 7 ago. febvre e o retorno à dialética. São Paulo: Hucitec.
__________, (1979). A espoliação urbana. Rio de Janeiro: MELUCCI, Alberto, (1991). L’invenzione del presente. Bo-
Paz e Terra. logna: Il Mulino.
LAPEYRONNIE, Didier, (1992). Campus blues. Paris: Seuil. __________, (1992). Il gioco dell’io. Milão: Saggi/Feltrinelli.
LASCH, C, (1983). A cultura do narcisismo. Rio de Janei- __________, (1994). Passagio d’epoca. Milão: Feltrinelli.
ro: Imago. __________, (1996). Challenging codes. Cambridge: Cam-
LECHNER, Norberto, (1990). Los patios interiores de la bridge University Press.
democracia: subjetividad y política. Santiago: Fundo de __________, (1997). Juventude, tempo e movimentos sociais.
Cultura Economica. In: Juventude e contemporaneidade. Revista Brasileira de
LEFEBVRE, Henri, (1969). O pensamento de Lenine. Lis- Educação. São Paulo: ANPEd, nº 5 e 6.
boa: Moraes Editores. MIDLEJ E SILVA, Suilan, (1995). Sociabilidade e identida-
__________, (1972). La vida cotidiana en el mundo moder- de: domingos de funk no “Black Bahia” do Periperi. In:
no. Madrid: Alianza Editorial. BRAGA, José Luis et al. A encenação dos sentidos: mí-
dia, cultura e política. Rio de Janeiro: Diadorim.
__________, (1978a). De lo rural a lo urbano. Barcelona:
Península. MISCHE, Ann, (1997). De estudantes a cidadãos: redes de
__________, (1978b). El derecho a la ciudad. Barcelona: jovens e participação política. In: Juventude e contem-
poraneidade. Revista Brasileira de Educação. São Pau-
Península.
lo: ANPEd, nº 5 e 6.
LIPSITZ, George, (1994). We know what time it is: race,
MORAES, Marco Antonio de, (1995). Alegria, alegria, a
class and youth culture in the nineties. In: ROSS; ROSE
(orgs.). Microphone fiends: youth music and youth cul- onda jovem da cidadania: a construção do sujeito social.
Rio de Janeiro: Faculdade de Educação da UFRJ, Disser-
ture. New York: Routledge.
tação de Mestrado.
MADEIRA, Felícia, (1986). Os jovens e as mudanças estru-
MOREIRA, Carolina Marques, (1999). A cidadania co-
turais na década de 70: questionando pressupostos e su-
gerindo pistas. Cadernos de Pesquisa. São Paulo: Funda- mo metáfora. São Paulo: Departamento de Sociologia,
FFLCH/USP, Dissertação de Mestrado.
ção Carlos Chagas, nº 58, agosto.
MORIN, Edgard, (1995). Le concept de sujet. In: DUBET,
MANNHEIM, Karl, (1968). O problema da juventude na
sociedade moderna. In: Sociologia da juventude. Rio de F.; WIEVIORKA, M. (orgs.). Penser le sujet. Paris: Fa-
Janeiro: Zahar, vol. 1. yard.

__________, (1973). Funções das gerações novas. In: FO- MUXEL, Anne, (1997). Jovens dos anos 90: à procura de
uma política sem “rótulos”. In: Juventude e contempo-
RACCHI, M.; PEREIRA, L. Educação e sociedade. São
Paulo: Cia. Editora Nacional. raneidade. Revista Brasileira de Educação. São Paulo:
ANPEd, nº 5 e 6.
__________, (1982). O problema sociológico das gerações.
In: FORACCHI, M. Mannheim. Coleção Grandes Cien- NAKANO, Marilena, (1995). Jovens, vida associativa e sub-
jetividade: um estudo dos jovens do Jardim Oratório. São
tistas Sociais. São Paulo: Ática.
Paulo: FEUSP, Dissertação de Mestrado.
MARQUES, Maria Ornélia da Silveira, (1995). Os jovens na
escola noturna: uma nova presença. São Paulo: FEUSP, NOVAES, Regina, (1997). Juventudes cariocas: mediações,
conflitos e encontros culturais. In: VIANNA, H. (org.).
Tese de Doutorado.
Galeras cariocas. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ.
MARSHALL, T. H, (1967). Cidadania, classe social e sta-
PAIVA, Vanilda; POTENGY, Gisela; GUARANÁ, Elisa,
tus. Rio de Janeiro: Zahar.
(1998). Qualificação, consumo e estilos de vida. In: LEI-
MARTINS, José de Souza, (1975). Capitalismo e tradicio- TE, M.; NEVES, M. Trabalho, qualificação e formação
nalismo. São Paulo: Pioneira. profissional. São Paulo: ALAST.
PARO, Vitor, (1995). Por dentro da escola pública. São
Paulo: Xamã.

Revista Brasileira de Educação 93


Marília Pontes Sposito

__________, (1998). Gestão democrática da escola públi- __________, (1997). Estudos sobre juventude em educação.
ca. São Paulo: Ática. Juventude e contemporaneidade. Revista Brasileira de
Educação. São Paulo: ANPEd, nº 5 e 6.
PINTO, Regina Pahim, (1987). Educação do negro: uma
revisão da bibliografia. Cadernos de Pesquisa. São Pau- __________, (1999). Juventude e educação. Educação em
lo: Fundação Carlos Chagas, nº 62, agosto. Revista. Belo Horizonte: FAE/UFMG, nº 29, junho.
__________, (1993a). O movimento negro em São Paulo: TEDRUS, Maria Aparecida, (1996). Jovens: trabalho nas
luta e identidade. São Paulo: FFLCH/USP, Tese de Dou- ruas e experiências de sociabilidade. São Paulo: FEUSP,
torado. Dissertação de Mestrado.
__________, (1993b). Movimento negro e educação do ne- TOLEDO, Luiz Henrique, (1996). Torcidas organizadas de
gro: a ênfase na identidade. Cadernos de Pesquisa. São futebol. Campinas: Autores Associados/ANPOCS.
Paulo: Fundação Carlos Chagas, nº 86, agosto. __________, (1997). Short cuts: histórias de jovens, futebol
POCHMANN, Márcio, (1998). Emprego e desemprego ju- e condutas de risco. Juventude e contemporaneidade.
venil no Brasil: as transformações nos anos 90. Campi- Revista Brasileira de Educação. São Paulo: ANPEd, nº
nas: CESIT/UNICAMP. 5 e 6.
RICOLFI, Luca, (1997). La politica imaginaria. In: BUZZI; TOMMASI, Lívia de, (1996). Em busca da identidade: as
CAVALLI; LILLO (orgs.). Giovani verso il Duemila. Bo- lutas em defesa dos direitos da criança e do adolescente
logna: Il Mulino. no Brasil e a questão da participação. Paris: Universida-
SENNETT, Richard, (1978). El declive del hombre públi- de de Paris I, Tese de Doutorado.
co. Barcelona: Península. TOURAINE, Alain, (1975). La production de la société.
Paris: Seuil.
SINGER, Paul, (1998). Uma solução não-capitalista para o
desemprego. In SINGER, Paul. Globalização e desempre- __________, (1987). El regresso del actor. Buenos Aires:
go: diagnóstico e alternativas. São Paulo: Contexto. Editorial Universitaria.
SCHERER-WARREN, Ilse, (1998). Movimentos sociais em __________, (1989). Os novos conflitos sociais: para evitar
cena: ... e as teorias por onde andam? Revista Brasileira mal entendidos. Revista Lua Nova. São Paulo: CEDEC,
de Educação. São Paulo: ANPEd, nº 9, set./dez. nº 17.
SILVA, Rosa Helena Dias da, (1999). Balanço dos movi- __________, (1995). La formation du sujet. In: DUBET, F.;
mentos dos povos indígenas no Brasil e a questão edu- WIEVIORKA, M. (orgs.). Penser le sujet. Paris: Fayard.
cativa. Texto apresentado na 22ª Reunião Anual da AN- __________, (1997). Pourron-nous vivre ensemble? Paris:
PEd, Caxambu. Fayard.
SOUTO, Jane, (1997). Os outros lados do funk carioca. In: VALENTE, Ana Lúcia, (1995). Proposta metodológica de
VIANNA, H. (org.). Galeras cariocas. Rio de Janeiro: combate ao racismo nas escolas. Cadernos de Pesquisa.
Editora da UFRJ. São Paulo: Fundação Carlos Chagas, nº 93, maio.
SOUZA, Janice T. P. de, (1999). Reinvenções da utopia: a VIANNA, Cláudia Pereira, (1992). O sonho que nos move:
militância política de jovens nos ano 90. São Paulo: Ha- mães de alunos do Movimento Estadual Pró-Educação
cker Editores. na luta pela melhoria do ensino público. São Paulo: PUC,
SPOSITO, Marília Pontes, (1984). O povo vai à escola. São Dissertação de Mestrado.
Paulo: Loyola. __________, (1999). Os nós do “nós”: ação coletiva docen-
__________, (1993). A ilusão fecunda: a luta por educação te no ensino estadual paulista (1990/1997). São Paulo:
nos movimentos populares. São Paulo: Hucitec. FEUSP, Tese de Doutorado.
__________, (1994a). A sociabilidade juvenil e a rua: novos VIANNA, Hermano, (1988). O mundo funk carioca. Rio
conflitos e ação coletiva na cidade. Tempo Social. Revista de Janeiro: UFRJ.
de Sociologia da USP. São Paulo, vol. 5, nº 1 e 2. WEINSTEIN, José, (s/d). Notas sobre participación y aso-
__________, (1994b). Violencia colectiva, jóvenes y educa- ciacionismo juvenil. S/l.: mimeo.
ción. Revista Mexicana de Sociologia. México: Instituto
de Investigaciones Sociales, nº 3.

94 Jan/Fev/Mar/Abr 2000 N º 13