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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Processo Nº. : 0013275-67.2014.8.05.0080
Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : IGOR NOGUEIRA MARTINS
Recorrido(s) : BANCO DO BRASIL SA
Origem : 3ª VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS - FEIRA DE
SANTANA
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

VOTO- E M E N T A

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. AÇÃO INDENIZATÓRIA.


RESPONSABILIDADE CIVIL. ALEGAÇÃO DA PARTE AUTORA DE QUE
SOFRERA CONSTRANGIMENTOS EM VIRTUDE DE ABORDAGEM POLICIAL
NO INTERIOR DO ESTABELECIMENTO DO RÉU. AUSÊNCIA PROVAS.
INEXISTÊNCIA DE CONDUTA QUE POSSA SER IMPUTADA AO
ESTABELECIMENTO. RESPONSABILIDADE CIVIL NÃO CONFIGURADA. FATO
CONSTITUTIVO DO DIREITO DA PARTE AUTORA NÃO DEMONSTRADO.
(ART.373 INCISO I DO NCPC). INEXISTÊNCIA DE ATO ILÍCITO. SENTENÇA DE
IMPROCEDÊNCIA MANTIDA.

1. Trata-se de recurso inominado interposto por IGOR NOGUEIRA MARTINS


contra sentença que julgou improcedente a ação, nestes termos: “Portanto, ante a
ausência de documentação que evidencie o nexo de causalidade entre a conduta da acionada e o
dano vivenciado pela autora, constato a impossibilidade de atendimento dos pedidos realizados
pelo consumidor, por não vislumbrar a existência de qualquer ato abusivo praticado pela empresa
Ré e passível de aplicação das sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor (Lei nº
8.078/90). Isto posto, JULGO TOTALMENTE IMPROCEDENTES os pedidos realizados pela
Autora na . inicial Sem Custas e sem honorários nesta fase processual. ”.

2. O recorrente busca a reforma da sentença, aduzindo, em síntese, que


restaram comprovados os fatos narrados na exordial, fazendo jus, portanto, à
indenização pelos danos morais sofridos oriundos do constrangimento sofrido no
interior da agência bancária da ré. Pugna pela procedência dos pedidos.

3. A sentença vergastada não merece reforma. Com efeito, não fora


comprovada a falha na prestação dos serviços por parte do estabelecimento réu,
inexistindo portanto a presença dos requisitos ensejadores da responsabilidade
civil. Para que exsurja o dever de indenizar, mister que haja a presença dos
seguintes elementos, a saber, conduta, nexo de causalidade, e dano, sendo que
nas hipóteses de responsabilidade objetiva , não se faz necessária a prova da
culpa.

4. Inobstante isso, do quanto consta da instrução probatória, não houve a


comprovação do fato constitutivo do direito da parte autora. Alega a mesma que
fora abordada por policiais militares, no interior do estabelecimento da ré, por
solicitação de prepostos do banco, após ter se dirigido à agência para recebimento
de valores atinentes à uma venda efetuada pelo seu estabelecimento comercial,
por intermédio do site mantido pela empresa. Que ao solicitar a liberação dos
valores constantes de boleto emitido pelo site, os prepostos do banco teriam
acionado a polícia militar, motivados pela suspeita de que o valor recebido seria
produto de crime.

5. Em que pese a narrativa fática delineada, as provas juntadas aos autos não
corroboram com a tese autoral. Com efeito, o boletim de ocorrência não guarda
relação direta com o fato narrado, bem como não consta qualquer elemento de
prova que relacione os prepostos do banco ao fato. Em sede de audiência de
instrução, não foram produzidas provas testemunhais, sendo ônus do autor a
comprovação dos fatos, diante da negativa do réu quanto à ocorrência dos
constrangimentos. Tão somente fora juntada cópia do boletim de ocorrência
policial, e ainda assim, os fatos lá dispostos não guardam relação com os fatos
narrados na exordial.

6. Ademais, não constam provas que indiquem ter ocorrido a participação de


policiais militares no evento, não bastando, para tanto, a simples alegação.
7. Diante do quadro probatório delineado nos autos, não restara comprovada
falha na prestação dos serviços que possa ser imputada ao estabelecimento réu, e
nem mesmo a prática de ato ilícito a cargo da empresa demandada, sendo,
portanto, despicienda a análise acerca do dano moral, que constitui etapa
conseqüente e gradativa na análise da gravidade do ato. É dizer, se nem mesmo
constam provas acerca do ilícito em si, não há motivos para adentrar na análise
acerca da eventual ocorrência de dano moral.
8. ISTO POSTO, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO
INTERPOSTO E NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo a sentença objurgada
pelos próprios fundamentos. Sem custas processuais e honorários
advocatícios, por ser a parte beneficiária da justiça gratuita.

Salvador, Sala das Sessões, 13 de Outubro de 2016.

BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE


Juíza Presidente e Relatora
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo Nº. : 0013275-67.2014.8.05.0080


Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : IGOR NOGUEIRA MARTINS

Recorrido(s) : BANCO DO BRASIL SA

Origem : 3ª VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS - FEIRA DE


SANTANA
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

ACÓRDÃO

Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados


Especiais Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, MARIA
AUXILIADORA SOBRAL LEITE –Presidente e Relatora , ISABELA SANTOS LAGO e
ALBÊNIO LIMA DA SILVA HONÓRIO, em proferir a seguinte decisão: RECURSO
CONHECIDO E IMPROVIDO . UNÂNIME, de acordo com a ata do julgamento. Sem
custas processuais e honorários advocatícios, por ser a parte beneficiária da justiça
gratuita.
Salvador, Sala das Sessões, 13 de Outubro de 2016.
BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Presidente e Relatora