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PODER JUDICIÁRIO

Tribunal de Justiça do Estado de Goiás


Comarca de Vianópolis
Crime e Fazendas Públicas
AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA
PROTOCOLO: 201801332708
ACUSADO(s): RHEBERT DA SILVA TEIXEIRA e OUTRO
VÍTIMA: NÍCOLAS JÚNIO FERREIRA RIBEIRO
INFRAÇÃO: Artigo 157,§2°, inc. II e §2º-A, do Código Penal

PROTOCOLO: 201801050176
ACUSADO(s): RHEBERT DA SILVA TEIXEIRA e OUTROS
VÍTIMA(s): BENEDITO GREGÓRIO DE SOUSA e OUTRO(s)
INFRAÇÃO(ões): Artigos 157,§2°, inc. II do Código Penal, 244-B da Lei
nº 8.069/90 e 2º, §4º, inc. I, da Lei nº 12.850/13.

-SENTENÇA-

Em razão de decisão prolatada nos autos da Ação Penal,


protocolizada sob nº 201801050176 (fls. 480/481), na qual foi
reconhecida conexão probatória dos fatos narrados, será prolatada única
sentença, pelos fundamentos já expostos.

a) Ação Penal nº 201801332708 (veículo FORD KA -


PLACAS PQG 3036):
O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS, por
seu Órgão de Execução com atribuições nesta Comarca, no exercício de
seu mister constitucional e fundamento nos inclusos autos de Inquérito
Policial, promove AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA contra
RHEBERT DA SILVA TEIXEIRA e RENER RAFAEL DE SOUZA,
imputando-lhes a prática de condutas típicas e ilícitas, capituladas no
artigo 157,§2°, inc. II e §2º-A, do Código Penal.
Os fatos resultaram na investigação penal através do
inquérito policial 25/2018 (anexo fls. 05/49) e posterior custódia cautelar
dos acusados em 25/01/2019 (fls.109/111).
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Denúncia recebida em 23/10/2018 (fl. 52).
Nas fls. 84/85 o réu Rener Rafael de Souza apresenta
resposta à acusação por advogado constituído, quando também foi
nomeada advogada dativa ao corréu Rhebert da Silva Teixeira, que
apresentou resposta nas fls. 106/107, sem rol de testemunhas.
Designada audiência de instrução e julgamento, ante
ausência dos requisitos para absolvição sumária, foram inquiridas vítima,
testemunhas e interrogados os acusados em 07/02/2019 (fls. 145/148).
Em alegações finais (memoriais), o Ministério Público
pugna pela procedência da denúncia, com condenação dos acusados
nas iras do artigo 157, §2º, inc. II, §2º-A, inc. I, do Código Penal (fls.
149/163), ao argumento que provadas autoria e materialidade dos fatos
com destaques para fotografias extraídas da prova dos autos (laudo
pericial de fls. 224/244 dos autos da ação penal nº201801050176-em
apenso).
Em igual fase, a defesa do corréu Rhebert da Silva
Teixeira pugna pelo reconhecimento de atenuantes da confissão
espontânea, menoridade relativa, regime aberto para cumprimento de
pena e substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos (fls. 165/169).
A defesa de Rener Rafael de Souza, por sua vez, argui
nulidade da prova decorrente da quebra de sigilo de dados telefônicos;
desclassificação do crime de roubo para receptação; reconhecimento da
prisão provisória (detratação); regime semiaberto; revogação de prisão
preventiva e restituição do aparelho celular (fls. 170/187).

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b) Ação Penal nº 201801050176 (veículo VW SAVEIRO
CROSS PLACAS ONX 9378):
O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS, por
intermédio de seu Órgão de Execução com atribuições nesta Comarca,
no exercício de seu mister constitucional e arrimo nos inclusos autos de
Inquérito Policial (fls.09/146), promove AÇÃO PENAL PÚBLICA
INCONDICIONADA contra RHEBERT DA SILVA TEIXEIRA, RENER
RAFAEL DE SOUZA e ANDREW WILLIAM SANTOS DA SILVA,
imputando-lhes a prática de condutas típicas e ilícitas, capituladas nos
artigos 157, §2º, inc. II do Código Penal, 244-B da Lei 8.069/90 (ECA) e
§§2º e 4º, inc. I, da Lei nº 12.850/13 (fls. 02/08).
Prisão em Flagrante de Rhebert da Silva Teixeira no dia
21/08/2018, pelo roubo do veículo Saveiro no dia 20/08/2018 às
20h40, convertida em preventiva (decisão de fls. 109/110vº), audiência
de custódia no dia 28/08/2018, autuado relata inexistência de agressões
no ato da prisão (fls. 128/128vº).
Representação de prisão preventiva – Protocolo nº
201801056328, da Autoridade Policial em desfavor de Rener Rafael de
Souza, motivada em indícios de participação do representado no crime
em epígrafe (deferido em 23/08/2018 - fls. 23/25).
Mandado cumprido na mesma data.
Denúncia recebida aos 04/09/2018. Decretada prisão
preventiva do corréu Andrew William Santos da Silva (fls. 156/159), a
requerimento do Ministério Público (fls. 132/133).
Resposta a acusação pelo corréu Rener Rafael de Souza
(fls. 199/200) com requerimento de oitiva da informante Geissiely D'Arc

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da Silva Patrocínio (cônjuge/companheira), enquanto que aos corréus
Andrew Willian Santos da Silva e Rhebert da Silva Teixeira, as respostas
foram apresentadas por advogado nomeado (fls. 257/260).
Laudo de Exame de Perícia Criminal de Transcrição de
Dados do aparelho celular apreendido na posse de Rener Rafael de
Souza (fls. 223/244); Laudo de Perícia Criminal – Identificação de Drogas
e Substâncias Correlatas, apreensão na posse do adolescente infrator
Rwan Pablo Montoya de Abreu Meireles (fls. 252/255).
Inadmitida absolvição sumária, foi designada audiência de
instrução para 13/11/2018, às 14h30min (fl. 262), na qual foram
inquiridas vítimas J.S.C. e B.G.S., 4 (quatro) testemunhas do rol da
acusação e 01 (uma) informante pela Defesa de Rener Rafael de Souza
(fls. 304/306), sendo este interrogado na mesma data, quando também
foi interrogado Rhebert da Silva Teixeira (fls. 307/324). O corréu Andrew
Willian Santos foi interrogado no dia 22/11/2018, em audiência de
continuação (fls. 341/343), vez que preso em outra Comarca, foi
conduzido a este juízo para interrogatório porque trata-se de réus presos
e não havia previsão de data no juízo deprecado para audiência de
interrogatório.
Em alegações finais escritas, o Ministério Público pugna
pela procedência da denúncia ao fundamento de provas da autoria e
materialidade dos fatos narrados (fls. 346/357).
A Defesa de Rener Rafael de Souza, em igual
oportunidade (fls. 370/391), argui preliminares de mérito, com
requerimentos seguintes: a) Nulidade da prova decorrente da quebra de
sigilo dos dados telefônicos; b) Nulidade da quebra do sigilo telefônico

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dos corréus Rhebert da Silva Teixeira e Andrew William, bem assim o
desentranhamento das provas.
No mérito, aventa ausência de provas do crime de roubo,
requer desclassificação para receptação simples; diz que inexiste a
organização criminosa e, requer absolvição desta imputação com
fundamento no artigo 3876, incisos III ou VII do CPP.
Alternativamente, ultrapassada primeira tese, requer
incidência do concurso formal, detração, revogação de prisão preventiva
e restituição do aparelho celular e expressamente da “touca ninja”
(fl.391).
Em igual fase processual (fls. 400/404), a Defesa de
Rhebert da Silva Teixeira e Andrew William Santos da Silva, alega
ausência de provas da organização criminosa, reconhecimento da
confissão como atenuante no crime de roubo, cumprimento de pena no
regime aberto; substituição da pena privativa de liberdade por restritivas
de direitos e suspensão condicional da pena.
Conclusos os autos em 19/12/2018, em 23/01/2019 foi o
julgamento convertido em diligências (fl. 414) ante a constatação de
identidade de modelos e cores dos veículos Ford KA, objeto das
investigações e aquele utilizado pelo corréu Rener Rafael de Souza,
quando foi determinada juntada de certidão narrativa dos feitos em
tramitação neste juízo, cumprida às fls. 416/418, bem como para que a
Autoridade Policial esclarecesse sobre os fatos em torno dos veículos
Ford KA, o que foi atendido nas fls. 423/449.
Após, oportunizadas manifestações pelas partes, foram
juntadas nas fls. 450vº e 468/470 e 477/78.

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Decisão de fls. 480/481 reconhece conexão probatória
entre os fatos narrados na ação penal nº 201801050176, foi determinado
apensamento dos autos e designada audiência para 07/02/2019, quando
foram inquiridos o Delegado de Polícia Marcus Vinícius da Costa Júnior,
vítima (proprietário do veículo Ford KA) e uma testemunha do rol da
acusação, ao que realizado interrogatório dos acusados, ante ausência
de testemunhas das defesas (fls. 490/494).
Oportunizada apresentação de alegações finais, o
Ministério Público pugna pela procedência da denúncia, com condenação
dos acusados nas sanções dos artigos 157, §2º, inc. II, do Código Penal,
244-B do ECA e art. 2º, §4º, inc. I, da Lei nº 12.850/13 (fls. 503/519).
A Defesa de Rener Rafael de Souza, por sua vez (fls.
524/547), argui nulidade da prova extraída dos aparelhos celulares de
ambos os réus e adolescente infrator R.W.P.A.N, pugna pelo
desentranhamento da prova. No mérito, aventa ausência de provas do
crime de roubo, requer desclassificação para receptação simples e diz
que a organização criminosa não foi provada, ante a inexistência de
participação do corréu Rener Rafael, ao que requer absolvição (CPP, art.
386, incisos III ou VII).
A Defesa de Rhebert da Silva Teixeira e Andrew William
Santos da Silva em alegações finais (Protocolo nº 201801332708 – fls.
165/169),pugna pelo reconhecimento das atenuantes da confissão e
menoridade relativa em relação ao primeiro e, absolvição do segundo,
por falta de provas.
É o relato. DECIDO.
A.1) Ação Penal nº 201801332708:

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Cuida-se de Ação Penal Pública Incondicionada, na qual o
Ministério Público persegue condenação de RHEBERT DA SILVA
TEIXEIRA e RENER RAFAEL DE SOUZA, pela prática das condutas
típicas e ilícitas, capituladas nos artigos 157, §2º, inc. II, §2º-A, do
Código Penal, isso porque no dia 15/08/2018, por volta das 16h40min,
na Rua 01, Setor Residencial Santa Rita, São Miguel do Passa
Quatro/GO, os denunciados, de forma livre e consciente, agindo em
comunhão de esforços entre si, subtraíram, mediante grave ameaça
exercida com emprego de arma de fogo, a quantia em espécie de R$
100,00 (cem reais), um notebook, marca Lenovo Z400, talões de
cheques do banco do Brasil, Sicoob e Bradesco, dois aparelhos
celulares, uma carteira com documentos pessoais e um veículo
Ford/KA SEL 1.0 HA, ano2015, cor preta, placa PQG-3036,
pertencentes à vítima Nícolas Júnior Ferreira Ribeiro.
Encerrada instrução processual na fase de alegações
finais a defesa de Rener Rafael argui em preliminar, Nulidade da prova
decorrente da quebra de sigilo dos dados telefônicos com
fundamento na existência de apreensão do aparelho celular em data
anterior (22/08/2018) a decisão que defere a quebra do sigilo de dados
(23/08/2018).
Sem razão a tese defensiva, eis que a Autoridade Policial
inquirida declarou que a apreensão do aparelho no dia anterior teve por
objeto a preservação da prova, enquanto a medida tem fundamento no
artigo 6º do CPP, de forma que não há que se falar em nulidade neste
ponto, vez que o acesso aos dados foi em data posterior e não pelo
delegado, mas por peritos, no instituto de criminalística em 31/08/2018

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(fl. 224/244).
A instrução demonstra, indene de dúvidas indícios de
envolvimento do réu Rener Rafael de Souza, nos crimes de roubo que
ensejaram intranquilidade social na localidade, em razão da identidade
nas execuções, o que se confirmou com a prisão do comparsa Rhebert
da Silva Teixeira no dia 21/08/2018 e apreensão do adolescente
R.P.M.A.M.
Ora, não podem prevalecer as alegações protelatórias de
nulidade de provas em desfavor do trabalho desenvolvido pelos agentes
públicos, quando tiveram a cautela na preservação da prova,
apreendendo o aparelho celular para fins de perícia, realizada
posteriormente com ordem judicial, conforme bem demonstra a prova
documental, em especial o laudo pericial, que atesta acesso aos dados
do aparelho recebido em 30/08/2018, enquanto a ordem judicial para
acesso foi dada em 23/08/2018, de forma que os dados somente foram
acessados após a ordem judicial (RECURSO EM HABEAS CORPUS Nº
89.981 - MG (2017/0250966-3).
Simples alegação de nexo de causalidade entre a prova
primária (apreensão do aparelho celular) – tida como ilícita –, e a
respectiva prova derivada (quebra de sigilo de dados telefônicos), não
pode subsistir diante da escorreita atuação dos agentes públicos, que
repito somente houve acesso dos dados no aparelho do réu após
autorização judicial, especialmente porque, tratando se de Iphone, o
acesso não pode ser feito por pessoas leigas, exige senha ou
conhecimento técnico especializado.
Ora, a Autoridade Policial constatada a relevância do

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objeto apreendido (aparelho celular) cuidou de solicitar autorização
judicial para acesso aos dados, o que repito, foi encaminhado a
profissionais especializados para acesso e emissão de laudo, nos termos
do voto do relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca no RHC 89.981.
Verbera, ainda, que a Polícia Militar violou os dados
telefônicos (diálogos via WhatsApp) do corréu Rhebert da Silva Teixeira e
adolescente R.P.M.A.M. quando da abordagem, circunstância que
culminou na prisão em flagrante documental.
Ora, mais uma vez vejo como um propósito protelatório, a
defesa de Rener Rafael nada prova, apenas faz presunções e ilações
com o propósito de obter decisão favorável ao seu constituinte, isso
porque os autos demonstram exatamente o contrário.
Não houve violação de dados telemáticos (diálogos via
WhatsApp) sem prévia autorização judicial.
Inquiridos em juízo, as testemunhas Marcus Vinícius da
Costa Júnior(delegado de polícia) e Valdir das Neves Correa (policial
militar), relatam que chegaram a autoria de Rhebert da Silva Teixeira
pelas características físicas descritas pelas vítimas dos crimes de roubo
circunstanciado, ao que narram terem abordado Rhebert da Silva
Teixeira e o adolescente R.P.M.A.M., na posse do aparelho celular
subtraído no dia 20/08/2018, quando também foi subtraído o veículo VW
Saveiro Cross, na cachaçaria situada na pacata São Miguel do Passa
Quatro/GO.
Nessa abordagem os comparsas indicaram participação
de uma terceira pessoa, com alcunha de “Rafinha” posteriormente
identificado como Rener Rafael de Souza.

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A testemunha Ítallo Viana de Sales 1 (fl. 324), policial
militar, narra que na data da prisão em flagrante, o adolescente
R.P.M.A.M. e o imputável Rhebert da Silva Teixeira autorizaram acesso
aos aparelhos celulares, momento em que constataram os noticiados
diálogos, especialmente ajuste de tarefas2 com Rener Rafael de Souza.
Diante dos fatos iniciaram investigações quanto a pessoa
de Rener Rafael de Souza, e constataram que tinha ele a posse de um
veículo Ford KA3, cujas rodas se assemelhavam àquelas do veículo Ford
KA, placa PQG-3036, subtraído da vítima Nícolas Júnio Ferreira Ribeiro,
no dia 15/08/2019, objeto da ação penal protocolizada sob nº
201801332708 em apenso.
A testemunha Valdir das Neves Correa declarou que
Rener Rafael de Souza esquivou-se da abordagem na rua, motivo
porque passaram a monitorar a casa dele, quando perceberam a
esposa/companheira de Rener Rafael de Souza também monitorar o
portão, demonstrando preocupação. Com chegada de Rener o portão se
1 “(…) Que, solicitaram pra ver o celular dele e ele autorizou; Que deram uma olhada no celular dele e
acharam uma conversa suspeita com o Rhebert; Que falavam de um motor do veículo, uma conversa
suspeita; Que, não conhecia Rhebert; Que tem pouco tempo que está na cidade; Que, viram a conversa e
acharam suspeita, na conversa estava pedindo droga também e uma negociação de motor (...)” (fl. 324).

2 “(…) Que chegou à autoria de Rhebert pelas características que foram passadas pelas vítimas; Que em um
dos crimes de roubos, foi encontrado celular da vítima; Que fizeram flagrante; Que pediram quebra de
dados do telefone de Rhebert; Que nas conversas, constataram toda conversação combinando os roubos
com Rener; Que foi a partir do celular de Rhebert que chegaram na pessoa de Rener (...) ”. Depoimento
Marcus Vinícius da Costa Júnior (fl. 494).

“(…) Que a par de tais informações, o Sargento Olímpio abordou Rhebert e um adolescente; Que foram
encontrados um aparelho celular; Que consultaram o IMEI do telefone e verificaram que se tratava do
aparelho roubado em SMP4; Que Rheber foi autuado e levado; Que entraram em contato com o delegado
de polícia; Que no dia do roubo da saveiro, houve uma tentativa na cidade de Orizona; Que o carro havia
sido abandonado, inclusive com uma arma de fogo; Que acreditam que foram os mesmos acusados; Que
confirmaram que o celular era da vítima; Que após os procedimentos legais, foram verificadas conversas
de Rener com Rhebert, inclusive acerto de números, valores, veículos, bem como fotografias; Que
começaram a investigar Rener (...)”. Depoimento Valdir das Neves Correa (fl. 494).

3 “(…) Que durante as investigações, tomaram conhecimento de que Rener tinha um veículo Ford KA; Que
observaram que as rodas desse veículo possuíam as mesmas características do veículo que foi roubado e
posteriormente abandonado sem as rodas, inclusive estepe (...)”. Depoimento Valdir das Neves Correa
(fl. 494).
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abriu, deram voz de parada antes de adentrarem na casa, o que não
foi obedecido, o réu entrou na garagem, contudo franqueou a entrada
da polícia, dizendo, inclusive, que poderiam procurar na casa
inteira, alegação não desconstituída pela defesa.
Aduziu terem suspeitado das rodas/pneus instalados no
veículo Ford KA, conduzido por Rener Rafael de Souza enquanto nas
buscas no veículo, encontraram sacola de ferramentas com mesmas
características da subtraída no dia do roubo do veículo VW Saveiro, no
dia 20/08/2019, autoria confessa pelo comparsa Rhebert da Silva
Teixeira, em São Miguel do Passa Quatro, bem como placas de veículos
roubados, nos fundos do quintal e uma touca ninja, fato que ensejou
apreensão dos objetos suspeitos.
Ante a constatação de objetos e indícios de participação
de Rener Rafael de Souza nos crimes de roubo, extraídos das conversas
dele com o corréu Rhebert da Silva Teixeira e o adolescente R.P.M.A.M,
bem assim da constatação de objetos subtraídos no dia 20/08/2019 em
São Miguel do Passa Quatro, foi apreendido o aparelho celular e
oportunizada apresentação do investigado na delegacia de polícia,
com sugestão de acompanhamento por advogado.
Destaca-se que o Polical Militar expressamente declarou
que não prendeu Rener Rafael de Souza naquele momento porque ele
estava em situação de abordagem e não flagrante, motivo porque não foi
ouvido pela Autoridade Policial naquela oportunidade.
Nesse prisma, o artigo 6º do CPP dispõe sobre deveres
para a autoridade policial, dentre os quais o de, logo que tiver
conhecimento da infração penal, “apreender os objetos que tiverem

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relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais”, (inc. II);
“colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato
e suas circunstâncias” (inc. III).
Ora, vê-se que a Autoridade Policial executou a apreensão
conforme comando legal. Ademais, ainda que acolhida alegação de
nulidade da prova documental, aventada pela defesa, infere-se dos autos
que outras provas, desvinculadas da apreensão do aparelho celular do
réu Rener, são suficientes para esclarecimento da autoria delitiva
imputada.
Posto isso, alicerçada nos argumentos supra, rejeito a
preliminar de nulidade arguida pela Defesa de Rener Rafael de Souza e,
passo ao mérito da ação penal.
Roubo Majorado – Art. 157, §2º, inc. II, §2º-A, inc. I, do
Código Penal em 15/08/2018.
A prova dos autos, demonstra indene de dúvidas, a
MATERIALIDADE e AUTORIA do fato através do boletim de ocorrência
(RAI – 7349346 – fls. 07/11); termo de declarações da vítima (fls.
12/12vº) e testemunhas (fls. 13/14); termos de depósito e entrega (fls.
15/16); Auto de Exibição e Apreensão e termo de entrega (fls. 19/20);
nota fiscal de compra de pneus (fl. 21); termo de reconhecimento de
pessoa (fl. 26); laudo de exame – transcrição de dados (fls. 224/244 –
Protocolo nº 201801050176), as quais corroboram a prova oral
judicializada (CD's de áudio e vídeo anexo), especialmente a confissão
do corréu Rhebert da Silva Teixeira.
Interrogado em juízo, Rhebert da Silva Teixeira4 confessa
4 “Que a acusação é verdadeira; Que no roubo da Saveiro estava com Ryan Plablo; Que foi Ryan Plabo
quem planejou esse roubo; Que a ação foi em SMP4; Que o roubo foi por volta das 17h/17h30; Que sobre
o veículo Ford KA, ele foi roubado em SMP4; Que estava com um amigo; Que ele era menor de idade; Que
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o roubo do veículo Ford KA, placa PQG-3036 (15/08/2018), pertencente
a vítima Nícolas Júnio Ferreira Ribeiro, na cidade de São Miguel do
Passa Quatro.
Em que pese a deflagração de ações penais autônomas,
pertinente destacar que Rhebert também confessou a subtração do
veículo VW Saveiro Cross, branco, placa OMX-9378, no dia 20/08/2018
na mesma cidade, porém não delatou o comparsa.
Evidente que o corréu tenta omitir o nome do comparsa
nas duas oportunidades em que interrogado em juízo, sem sucesso, a
meu sentir, eis que a autoria imputada a Rener Rafael de Souza, é
extraído do conjunto probatório.
Vejamos, no primeiro interrogatório (fl. 324), Rhebert da
Silva Teixeira declara que conheceu Rener Rafael de Souza na colheita

não quer declarar o nome desse amigo; Que o veículo foi subtraído em SMP4; Que tirou as rodas desse
veículo e deixou perto de uma fazenda que fica em SMP4; Que procurou comprador; Que conseguiu
telefone de Rener; Que Rener não quis as rodas; Que insistiu muito; Que ofereceu apenas as rodas,
porque o carro não valia nada; Que conheceu Rener na fazenda colhendo pimenta para ele; Que isso tem
muito tempo; Que ele tem carro; Que por isso ofereceu as rodas; Que as rodas e os pneus estavam
seminovos; Que estavam armados; Que não tinha veículo específico para ser subtraído; Que escolheram o
que estava mais fácil; Que estavam numa Honda 125; Que abordaram ele e pegaram telefone, talão de
cheque, notebook, uma carteira; Que essas coisas estavam na casa; Que entraram na casa; Que roubaram
e vieram sentido Vianópolis; Que deixaram o carro no mato e vieram na moto; Que voltou no mato a noite e
tirou as rodas, pegou os telefones e trouxe para perto de São Vicente; Que voltou com um amigo; Que não
quer falar o nome dele; Que de São Vicente ofereceu para Rener e outras pessoas; Que Rener não quis;
Que insistiu muito e ele pagou R$ 500,00 nas quatro rodas e R$ 300,00 nas chaves da saveiro; Que
primeiro foi roubado a saveiro; Que depois de 4 dias roubou a saveiro cross; Que vendeu as rodas para
rener após 5 dias da subtração do veículo Ford KA; Que as outras coisas foram vendidas junto; Que
vendeu apenas as rodas e as chaves; Que o notebook, a certeira e as outras coisas foram para Anápolis
com uma pessoa; Que não quer falar o nome; Que tinha um conhecido em Anápolis; Que ele segurou as
coisas; Que essas coisas não estavam no carro de Rener; Que tirou fotos desses veículos; Que acha que
tinha 4 fotos da saveiro cross e umas 3 do Ford KA; Que estava usando touca ninja; Que não participou do
roubo de um veículo Hilux; Que teve um contato com Andrew Willian que está preso em Bela Vista; Que
conversaram atoa; Que Andrew é amigo do interrogado; Que Andrew não participou nesses crimes e não
sabia do envolvimento do interrogado; Que usaram um simulacro de arma de fogo no dia do roubo do
veículo Ford KA; Que não reconhece a arma de fogo cuja fotografia foi encontrada no celular de Rener;
Que seu telefone era um ASUS, Zenphone 5, todo preto; Que não tinha um iphone; Que Rener não esteve
no local onde esse carro estava; Que ele não tirou foto na presença do interrogado; Que não levou Rener
no local; Que não sabe se Rener foi lá; Que não contou para Rener onde o veículo estava; Que não sabe
explicar como Rener tirou essas fotos; Que não mandou fotos com arma ou dos veículos roubados para
Rener; Que só mandou fotos das rodas; Que não mandou fotos dentro do carro para Rener; Que praticou
os crimes sob efeito de drogas; Que não tinha coragem de praticar crimes sem uso de drogas; Que tinha
medo; Que o que levava o interrogado a cometer esses crimes era uso de drogas.” Interrogatório Rhebert
da Silva Teixeira (fl. 494).
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de tomate em Silvânia/GO – Fazenda Três Boiadeiros, e no segundo (fl.
494), sem muita coerência, que conheceu Rener, na colheita de
pimenta, declarações que não passam de alegações ensaiadas, de
forma que não convenceram esta julgadora, diante do conjunto de
provas, até mesmo porque Rener nega conhecer Rhebert pessoalmente,
de forma que também não há credibilidade em sua declaração de
compra da sacola de ferramentas. Vislumbra-se negativa distorcida da
prova materializada, em total desprezo com o serviço judicial e agentes
públicos encarregados das investigações.
Ainda, evidencia-se contradição quando diz que ofereceu
as rodas do veículo Ford KA, placa PQG-3036, ao corréu Rener através
de fotografias, alegação não confirmada por Rener Rafael de Souza,
que declarou ter recebido apenas fotografias da lateral do veículo:
“(…) Que não mandou fotos com arma ou dos veículos
roubados para Rener; Que só mandou fotos das rodas;
Que não mandou fotos dentro do carro para Rener; (...)”.
Interrogatório Rhebert da Silva Teixeira (fl. 494).

“(…) Que dias depois ele ofereceu; Que não conheceu


Rhebert pessoalmente; Que não tem vínculo com Rhebert;
Que nunca chegou a comprar nada de Rhebert; Que ele
mandou mensagem dizendo que tinha 4 (quatro) pneus
novos e uma caixa de ferramenta; Que ele mandou foto do
carro de lateral, mostrando as rodas; Que pagou R$ 500,00
pelas rodas; Que não se recorda se pagou R$ 400,00 ou R$
300,00 na maleta; Que foi Rhebert quem ofereceu (...)”.
Interrogatório Rener Rafael de Souza (fl. 494).

Rhebert da Silva Teixeira alega, ainda, que ofereceu


apenas as rodas do veículo Ford KA, placa PQG-3036, porque o carro
não valia nada, o que contraria a versão da vítima Nícolas Júnio Ferreira
Ribeiro, vez que declarações da vítima são firmes de que o carro foi
adquirido em 2015 e estava em boas condições.
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Também, evidencia-se que Rener disse no último
interrogatório que nunca comprou nada de Rhebert, enquanto no
primeiro, admitiu, embora de forma não convincente, isso porque autor
dos roubos, que comprou as ferramentas subtraídas no roubo do veículo
Saveiro.
Evidencia-se também a contradição com as declarações
da vítima Nícolas Júnio Ferreira Ribeiro, isso porque afirma ter subtraído
o aparelho celular, talão de cheque, notebook e uma carteira, dentro da
casa das vítimas, ao passo que declarações da vítima dão conta de que
a subtração foi na porta e não dentro da residência, verbis:
“(…) Que não tinha veículo específico para ser subtraído; Que
escolheram o que estava mais fácil; Que estavam numa Honda
125; Que abordaram ele e pegaram telefone, talão de
cheque, notebook, uma carteira; Que essas coisas
estavam na casa (...)”. Interrogatório Rhebert da Silva Teixeira
(fl. 494).

“(…) Que foi abordado pelo lado do motorista; Que era


Rhebert quem segurava a arma; Que focou nele porque
estava apontando a arma; Que a ação durou cinco minutos;
Que foi o outro que estava do outro lado que assumiu a direção
do carro; Que o que estava com a arma entrou pelo lado do
passageiro; Que ele apontava a arma na região do tórax; Que
estava dentro do veículo no momento da abordagem; Que
foi na porta de sua casa, por volta das 15h40min / 16h; Que
estava sozinho; Que estava na porta da residência dela
(...)”. Depoimento vítima Nícolas Júnio Ferreira Ribeiro (fl. 494).

A vítima Nícolas Júnio Ferreira Ribeiro narra que chegava


na casa de sua namorada, conduzindo o veículo Ford KA, cor preta,
placa PQG-3036, quando foi surpreendido por dois indivíduos, um deles
empunhava arma de fogo, calibre.38, prateado, fotografia extraída
do aparelho celular de Rener Rafael de Souza, diga-se de passagem,
capturada no dia do fato, logo após a subtração do veículo (fl. 235 –
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Protocolo nº 201801050176).
A testemunha Valdir das Neves Corrêa, policial militar,
relata que realizou diligências após ciência do fato, enquanto que o
Sargento Cardoso, 40min após a ocorrência, apresentou a carteira de
propriedade da vítima, encontrada na região da Fazenda “Rio Preto”, nas
proximidades da “Fazenda Rosso”, local também utilizado para ocultar
veículo Saveiro Cross, branco, subtraído no dia 20/08/2019.
Narra que efetuaram diligências e, pelas características
relatadas pelas vítimas, constataram que Rhebert da Silva Teixeira
praticava roubos na cidade de São Miguel do Passa Quatro/GO e,
começou a monitorá-lo.
Em abordagem na cidade de Vianópolis/GO, o aparelho
celular de propriedade da vítima Juliana Sabrina de Carvalho, subtraído
no mesmo dia da subtração do veículo Saveiro Cross (20/08/2018), de
propriedade da vítima Lacemar José de Souza, foi encontrado na posse
do corréu Rhebert da Silva Teixeira, o que possibilitou a identificação do
comparsa “Rafa/Rafinha”, o corréu Rener Rafael de Souza.
Após diligências, o réu Rener Rafael de Souza foi
abordado na porta de sua residência, como já demonstrado, sendo que
ele conduzia o veículo Ford KA, preto, placa OND-5487, com
adulteração de sinal identificador (placa), objeto de condenação neste
juízo por receptação. Constatou-se, nessa ocasião, que Rener usava
neste veículo as rodas/pneus e estepe do veículo Ford KA, placa PQG-
3036, pertencente a vítima Nícolas Júnio Ferreira Ribeiro, subtraído
na cidade de São Miguel no dia 15/8/2018, objeto desta ação penal.
Ainda, como suporte das provas materializadas, na

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abordagem a Rener Rafel os policias apreenderam, atrás do banco do
motorista, uma sacola de ferramentas – posteriormente identificada
como objeto de roubo no contexto da subtração do veículo VW
Saveiro Cross, também em São Miguel do Passa Quatro (termo de
declarações vítima Lacemar José de Souza e termo de entrega fls. 50/51
– Ação Penal nº 201801050176 em apenso).
“(…) Que já sabiam que as rodas que estavam no carro
dele, tinham as mesmas características do veículo
roubado anteriormente; Que já tinha conhecimento sobre o
envolvimento de Rener; Que a abordagem progrediu, porque
ele adentrou na residência; Que prosseguiram com a
abordagem; Que ele entrou de forma rápida e já sabia que a
polícia poderia estar por ali; Que no momento da abordagem
ele demonstrou não saber o que estava acontecendo; Que ele
se mostrou surpreso, mas foi muito receptivo; Que
perguntaram se tinha arma; Que ele franqueou a entrada da
polícia na casa; Que fizeram buscas; Que dentro do carro
tinha uma sacola de ferramenta, que tinha as mesmas
características daquela levada junto com o veículo saveiro;
Que não tinha certeza; Que tinha um alicate com a mesma
cor, furadeira azul; Que a esposa saiu de imediato; Que tinha
dois estepes, um no compartimento normal e o outro solto (...)”.
Valdir das Neves Correa (fls. 494).

No mesmo sentido são as declarações da testemunha


Marcus Vinícius da Costa Júnior, delegado de polícia, o qual relata que
no dia da abordagem consultou o veículo de Rener Rafael de Souza, e
constatou que embora tratasse de veículo SEDAM, a consulta pela placa
era de veículo HATCH, o que levantou suspeita de sua procedência.
Noticiou a autoridade policial que o veículo Ford KA,
pertencente a vítima Nícolas Júnio Ferreira Ribeiro, foi encontrado perto
da cidade de Anápolis/GO, diga-se de passagem, sem as rodas, verbis:
“(…) Que o veículo roubado foi encontrado sem as rodas;
Que no dia da abordagem do Rener, foi verificado o veículo
que ele estava usando; Que era um Ford KA SEDAM; Que no
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sistema constava que era um veículo HATCH; Que verificaram
que o número do chassi batia com o HATCH do motor; Que
perceberam que tinha algo errado, porque no sistema estava
Hetch e se tratava de um carro SEDAM; Que o veículo roubado
foi encontrado perto de Anápolis sem as rodas; Que os pneus
que foram tirados do veículo roubado estavam sendo
utilizados no veículo de Rener; Que o veículo de Rener foi
encaminhado para perícia; Que foi verificado que esse
veículo foi roubado na cidade de Goiânia/GO (...)”.
Testemunha Marcus Vinícius da Costa Júnior (fl. 494).

Chama atenção o fato de fotografias dos veículos


roubados tiradas do aparelho celular IPHONE, pertencente a Rener
Rafael de Souza - fls. 232/237), devidamente periciado com autorização
judicial. Ora, as constatações estão no laudo pericial, emitido pela polícia
científica, prova esta que a defesa pretende a todo custo invalidar, sob a
frágil alegação de inconstitucionalidade, sem qualquer fundamento
jurídico que subsidie seus argumentos, fazendo o de forma abstrata.
O laudo (fls. 224/244), emitido em 12/09/2018
demonstra que o acesso aos dados do aparelho foi realizado após
autorização judicial, enquanto o aparelho foi recebido no instituto
de criminalística em 30/08/2018 e a decisão judicial prolatada em
23/08/2018. Dessa forma, não há ilicitude na prova.
Está comprovado, pois que as fotografias foram
tiradas do aparelho celular de Rener, no dia da subtração do veículo
Ford KA (15/8/2018), minutos após a prática da conduta (entre
17h42min e 18h36min) – (vide laudo pericial – Ação Penal nº
201801050176 / fls. 232/237).
Reitero que a arma de fogo utilizada na ação criminosa, e
identificada pela vítima, como revólver, calibre .38, prateado, também
foi tirada no mesmo aparelho celular, no interior do veículo Ford KA
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subtraído – (imagens fl. 235 – Ação Penal nº 201801050176).
Indagado, Rhebert Teixeira da Silva, negou envio de fotos
com a arma ou dos veículos subtraídos ao corréu Rener Rafael de
Souza, circunstância que, por si só, desconstitui a tese de que as
fotografias encontradas no Iphone foram encaminhadas de outro
dispositivo, alegação que também contradiz com a prova técnica.
Rhebert da Silva Teixeira também diz que não contou ao
Rener onde estava o veículo Forda KA, placa PQG-3036, tampouco
pediu para que o levasse ao local descrito nas coordenadas geográficas
encontradas no aparelho de Rener, de forma que não há dúvidas de que
mentiram bastante.
Ora, está comprovado pelo laudo pericial, emitido pela
polícia científica, a localização do aparelho celular de Rener no local da
ocultação do veículo Ford KA, tanto que tiradas fotos do veículo no local
do aparelho Iphone, pertencente a Rener, vejamos descrição de
coordenadas geográficas (longitude e latitude).
Em consulta às coordenadas geográficas-16.911667/
-48.662500 no site do “Google Maps”, verifica-se que as fotos foram
capturadas na região da “Fazenda Rio Preto”, local de apreensão da
carteira e outros pertences da vítima Nícolas Júnio Ferreira Ribeiro.

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Nesse contexto tudo reforça que as alegações da defesa
direta e técnica são falsas.
Concurso de Pessoas e Emprego de Arma de Fogo –
Artigo 157, §2, inc. II e §2º, inc. I, do Código Penal:
Perlustrando-se os presentes autos com as devidas
cautelas, dúvidas não resta de que as condutas típicas imputadas
inserem-se integralmente nos núcleos verbais do tipo penal descrito no
artigo 157,§2º, inc. II, e §2º, inc. I, do Código Penal, modalidade
consumada, posto que os acusados, mediante violência, grave ameaça
com emprego de arma e concurso de pessoas, subtraíram o veículo Ford
KA, cor preta, placa PQG-3036 e outros pertences da vítima Nícolas
Júnio Ferreira Ribeiro.
O concurso, seja de duas ou mais pessoas, majora o
delito de roubo, uma vez que, a partir do momento em que os agentes se
unem para a prática de um crime, estes demonstram maior grau de
periculosidade, e, ainda, facilita a ação delituosa, haja vista reduzirem as
chances de defesa da vítima.
Nesse contexto, tenho que demonstrada unidade de
desígnios e esforços dos acusados Rener Rafael de Souza e Rhebert da
Silva Teixeira para execução do crime de roubo duplamente
circunstanciado.
É reiterada a jurisprudência no sentido de que a
apreensão e perícia da arma de fogo, utilizada no roubo são
desnecessárias para configurar a causa de aumento de pena, se as
provas são firmes no sentido da efetiva utilização do artefato5.
5 “APELAÇÃO CRIMINAL ROUBO QUALIFICADO DOSIMETRIA ARMA NÃO APREENDIDA E PERICIADA
CAUSA DE AUMENTO COMO CIRCUNSTÂNCIA DO CRIME DESPROVIMENTO. I. A apreensão e a
perícia da arma de fogo utilizada no roubo são desnecessárias para configurar a causa de aumento
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Na hipótese, a vítima Nícolas Júnio Ferreira Ribeiro afirma
que no dia dos fatos, foi abordado por dois indivíduos, um estava armado
com revólver que foi apontado para seu tórax, arma esta que comprova-
se pelo laudo pericial jungido aos autos, que foi fotografada de dentro do
veículo subtraído, sendo que a foto foi extraída do celular Iphone de
Rener, provas estas suficientes ao reconhecimento da majorante do
emprego de arma.
Ressalte-se que a palavra da vítima, em crimes como
estes, possui alto grau de informações na apuração de crimes, máxime
quando corroborada por outros elementos de convicção.
Assim, ancorada nas razões supra, reconheço as
majorantes do concurso de pessoas e emprego de arma, previstas no
artigo 157, §2º, inc. II e §2º-A, inc. I, do Código Penal.
Roubo Majorado – Art. 157, §2º, inc. II do Código Penal
em 20/08/2018. denúncia nos autos da Ação Penal nº 201801050176
(em apenso).
Nos autos da mencionada Ação Penal Pública, o
Ministério Público persegue condenação de RHEBERT DA SILVA
TEIXEIRA, RENER RAFAEL DE SOUZA e ANDREW WILLIAM
SANTOS DA SILVA, pela prática de condutas típicas e ilícitas,
capituladas nos artigos 157, §2º, inc. II do Código Penal, 244-B da Lei
8.069/90 (ECA) e 2º, §4º, inc. I, da Lei nº 12.850/13, isso porque no dia
20/8/2018, por volta das 17h40min, na GO-139, Qd. 62, Lt. 20, Setor São
Braz, São Miguel do Passa Quatro/GO, no estabelecimento comercial

de pena se as provas são firmes sobre a efetiva utilização do artefato. II. A existência de duas
majorantes permite a utilização de uma para qualificar o tipo e o deslocamento da outra para as
circunstâncias judiciais do art. 59 do CP, com o fim de elevar a pena-base. III. Recurso desprovido. TJ-DF -
Apelação Criminal APR 20150710211193 (TJ-DF) DJe 18/05/2016.”
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pertencente a Benedito Gregório, os acusados, em comunhão de
esforços com o adolescente R.P.M.A.M., subtraíram, mediante violência
e grava ameaça exercida com simulacro de arma de fogo, um veículo
VW/Saveiro Cross, cor branca, placa OMX-9378 – Aparecida de
Goiânia/GO, sacola de ferramentas, documentos pessoais, um aparelho
celular Samsung Duos, cor branca, objetos pertencentes às vítimas
Benedito Gregório de Sousa, Juliana Sabrina de Carvalho e Lacemar
José de Souza.
Consta que os denunciados Rener Rafael de Souza,
Rhebert da Silva Teixeira e Andrew William Santos da Silva também
corromperam o adolescente R.P.M.A.M., com 16 (dezesseis) anos na
data dos fatos, vez que com ele, praticaram a infração penal.
Narra a denúncia que os acusados Rhebert da Silva
Teixeira, Rener Rafael de Souza e Andrew William Santos da Silva,
em comunhão de esforços com o adolescente R.P.M.A.M.,
constituíram e integraram organização criminosa, obtendo direta e
indiretamente vantagem econômica, mediante prática da infração penal
de roubo circunstanciado (Art. 2º, §4º, inc. I, da Lei nº 12.850/13).
Crime de Roubo Majorado – Art. 157, §2º, inc. II, do
Código Penal (por duas vezes – vítimas e patrimônios distintos):
A MATERIALIDADE dos fatos está evidenciada pelo Auto
de Prisão em Flagrante (fls. 10/71), em especial: depoimentos do
condutor e testemunhas; boletim de ocorrência (RAI – 7405241 – fls.
26/28); termos de exibição e apreensão (fls. 29, 44 e 49); termo de
declaração complementar (fls. 50/50vº); Relatórios Policiais (fls. 66/71);
laudo de exame – transcrição de dados (fls. 224/244), documentos aptos

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a corroborarem a prova oral judicializada (CD's de áudio e vídeo – fls.
324 e 343).
A AUTORIA dos réus Rhebert da SilvaTeixeira e Rener
Rafael de Souza, a meu sentir resta devidamente comprovada por todo
contexto e fundamentos demonstra no crime anterior, objeto de denúncia
e ação penal autônoma.
Do termo de interrogatório do adolescente R.P.M.A.M. (DN
28/3/2002) – (fls. 13/13vº e 57/57vº); termo de interrogatório do réu
Rhebert da Silva Teixeira (fls. 17/18); termo de reconhecimento de
pessoa (fls. 35/36); Relatórios Policiais (fls. 66/71); laudo de exame –
transcrição de dados (fls. 224/244) e prova oral produzida em juízo (CD's
de áudio e vídeo – fls. 324 e 343), especialmente confissão do corréu
Rhebert da Silva Teixeira, demonstram a assertiva supra.
Quanto a participação do corréu Andrew Willian Santos da
Silva, preso na Unidade Prisional de Bela Vista de Goiás, embora hajam
indícios, não ficou provada, portanto os fundamentos serão
oportunamente demonstrados.
Consta dos autos que no dia 20/08/2018, por volta das
17h40min, na GO-139, Qd. 62, Lt. 20, Setor São Braz, São Miguel do
Passa Quatro/GO, “cachaçaria” da vítima Benedito Gregório, os
acusados, em comunhão e esforços com o adolescente R.P.M.A.M.,
subtraíram, mediante violência e grava ameaça exercida com simulacro
de arma de fogo, 01 (um) veículo VW/Saveiro Cross, cor branca, placa
OMX-9378, 01 (uma) sacola com ferramentas, documentos pessoais,
chave do veículo VW/Saveiro; 01 (um) aparelho celular Samsung
Duos, cor branca, este pertence a vítima Juliana Sabrina de

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Carvalho e os primeiros estavam na posse de Benedito Gregório.
As vítimas Juliana Sabrina de Carvalho 6 e Benedito
Gregório de Souza7, declararam que dois indivíduos – identificados como
Rhebert da Silva Teixeira e R.P.M.A.M. (fls. 35/36) – chegaram na
“cachaçaria”, pediram e beberam uma dose de vodka, quando
empunharam arma de fogo e anunciaram o assalto, levando os objetos já
descritos.

6 “Que, foi vítima de roubo; Que, no dia do ocorrido estava em seu local de trabalho, mais ou menos por volta
das 17h30min; Que, então chegou dois rapazes; Que, seu trabalho é uma cachaçaria; Que, eles pediram
uma dose de vodca; Que, pegou e vendeu para eles; Que, no local estava junto com seu patrão; Que, seu
patrão é o Sr. Benedito; Que, Benedito adentrou ao comércio e ficou sozinha; Que, os rapazes
terminaram de beber a dose de vodca e assim que seu Benedito retornou eles anunciaram o assalto ;
Que, na hora estava no balcão; Que, eles tiraram a arma para fora e pularam para dentro e colocaram
a arma em sua cabeça; Que, no fundo da cachaçaria tem uma casa; Que, eles os levaram pra essa casa e
pediram a chave do carro; Que, eles só queriam a chave do carro; (...); Que, então eles a empurrou na
cadeira e vieram pra cima tentando pegar a chave em sua roupa; Que, pegaram a chave, mas viram
que não era a que eles queriam e então foram pra cima de Benedito ; Que, a chave dele estava na
gaveta do balcão da cachaçaria; Que, eles foram lá pegar e depois os levou para o banheiro e trancou;
Que, o rapaz maior de altura e idade estava armado; Que, eles aparentavam um ser maior e outro mais
novo; Que, um aparentava ter 15 a 16 anos e não estava armado; Que, o maior estava armado; Que, não
sabe que tipo de arma era; Que, pelo descrito acha que era uma pistola; Que, eles chegaram a
ameaçar quando os levou para o banheiro; Que, eles falaram pra olhar pro chão se não iam matar
todo mundo; Que, eles ficavam falando que iam lhe matar; Que, eles ficavam pedindo a chave
enquanto o maior estava com a arma em sua cabeça e segurando seu braço e o menor por conta de
procurar a chave e olhar Benedito; Que, eles lhe empurraram, a jogou na cadeira apertando seu
braço; Que, ele ficava perguntando pra Benedito ''onde esta a chave do carro e que se não entregar
vou matar a menina’''; Que, eles ficavam falando que ia lhe matar; Que, assim que conseguiram a
chave os levou para o banheiro e mandaram olhar para o chão ameaçando os matar; Que, além do
carro de Benedito eles levaram seu celular; Que, de seu patrão só levaram o carro; Que, nem dinheiro que
estava no caixa eles quiseram levar; Que, eles levaram o carro de Benedito, a chave de seu carro e o
celular; Que, veio em Vianópolis na delegacia fazer o reconhecimento; Que, reconheceu eles; Que, eles
chegaram na cachaçaria de cara limpa, nem tinha como não reconhecer; Que, nunca os tinha visto,
primeira vez foi em seu trabalho; Que, depois só ficou sabendo que o carro tinha sido achado em Bela Vista
e que tinham descoberto o mandante Renner Rafael; Que, não lembra os nomes dos autores do fato que
reconheceu na delegacia; Que, ficou sabendo que parece que o maior se chama Rhebert; Que, do menor
não lembra”. (fl. 343).

7 “Que, aconteceu coisa de momentos; Que, estavam dentro do estabelecimento; Que, eles chegaram e
beberam vodca; Que, entrou em casa e quando retornou ela já tinha atendido eles e anunciaram o assalto;
Que, eles estavam armados e pularam dentro do balcão; Que, pegou Juliana pelo pescoço e colocou
a arma na cabeça e na barriga querendo as coisas; Que, falou para eles pegarem o que quiserem,
mas deixasse Juliana; Que, eles a sentaram na cadeira; Que, nisso o outro veio os colocou no banheiro,
pegou a chave e o celular e os trancou; Que, pegou até a chave de Juliana e disse que se saíssem do
banheiro morreriam; Que, aconteceu tudo em uns vinte minutos; Que, eles saíram e levaram o carro;
Que, o carro era de seu filho; Que, quando eles pularam o balcão já pediram a chave do carro ; Que,
levaram além do carro uma carteira com uns papéis, mas não foi coisas que poderia prejudicar; Que, eles
estavam de cara limpa; Que, no dia em que veio na delegacia até pediram para que não entrasse; Que,
eles no dia do crime estavam armados; Que, empurraram, ameaçaram e colocaram arma na cabeça
e na barriga; Que, eles falaram que era um assalto e que se não entregassem todos morreriam ”. (fl.
343).
A. A. – Pág. 24 de 78.
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Relatam muito agressividade, inclusive empunharam a
arma na cabeça e barriga de Juliana Sabrina de Carvalho, além de que
ameaçaram matar as vítimas, caso não entregassem as chaves do
veículo VW/Saveiro.
Acrescentam que eles exigiam as chaves do veículo
Saveiro, chegaram de “cara limpa”, isto é, com o rosto descoberto, o que
facilitou o reconhecimento (vide termo de reconhecimento de pessoa
– fls. 35/36), declarações ratificadas em juízo.
As testemunhas Carlos Olímpio da Silva e Ítallo Viana de
Sales, policiais militares, narram terem abordado o adolescente
R.P.M.A.M. (DN 28/3/2002) e o acusado Rhebert da Silva Teixeira,
quando lograram êxito em encontrar na posse de Rhebert o aparelho
celular, recentemente formatado, sendo que, após na consulta ao IMEI,
constaram ser o aparelho subtraído da vítima Juliana, horas antes, no dia
20/8/2018.
Em contato, as vítimas reconheceram o réu Rhebert da
Silva Teixeira e o adolescente R.P.M.A.M. (DN 28/3/2002), por
fotografias, como autores das subtrações.
Em sede de interrogatório, o acusado Rhebert da Silva
Teixeira8 confessa a prática o roubo do veículo Saveiro, bem como a
8 “(…) Que essa acusação feita é verdadeira; (…) Que seu contato com Rener foi uma vez que colheu
tomate para ele na Fazenda Três Boiadeiros Município de Silvânia; Que trabalhou para ele antes de ser
preso; Que tem muito tempo já; Que depois disso teve contato com ele só uma vez; Que teve contato com
ele depois do roubo da Saveiro; Que foi por telefone e Rener não quis pagar na Saveiro R$ 5.000,00 (cinco
mil reais), e como não quis, comprou só uma furadeira e umas chaves; Que foi no valor de uns R$ 300,00
(trezentos reais); Que foram pra São Miguel do Passa-Quatro com um amigo de Val Paraíso chamado
Rafinha; Que Rwan ajudou a roubar a Saveiro; Que, sabia que Rwan era menor de idade; Que, só
praticou esse fato com ele; Que acha que foi em uma segunda feira, por volta das 17horas, estava
junto com Rafinha de Val Paraíso e com Rwan chegando em São Miguel; Que Rafinha foi para Orizona
e foi com Rwan no estabelecimento que vende pinga, não lembra o nome; Que chegaram la e pediu uma
vodca para a moça que estava lá; Que pediram uma dose; Que estavam com um simulacro; Que Rwan
é dono do Simulacro e era ele que, estava com o simulacro na hora do roubo; Que não agrediram
ninguém das vítimas; Que pegaram a chave do veículo em cima do balcão e foi embora; Que, estavam
apé quando chegaram no estabelecimento; Que Rafinha os deixou lá; Que foram pra São Miguel de Onix
Branco; Que não era um Ford K; Que roubaram o veículo e foram próximo a fazenda Rio Preto sentido
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participação do adolescente R.P.M.A.M. (DN 28/3/2002), dclarações
ratificadas pelo menor9.
Já o corréu Rener Rafael de Souza, convêm ressalte-se
que a sua culpabilidade tem por fundamento o disposto no artigo 29 do
Código Penal, vez que a atuação na empreitada delitiva está
consubstanciada na redação do dispositivo mencionado, devendo pois,
ser responsabilizado, em especial pelos fundamentos já expostos nesta
sentença, quando da análise do roubo ao veículo Ford KA no dia
15/08/2018.
Trata-se da teoria unitária, a qual atribui a
responsabilidade penal a todos os agentes, inclusive aquele que planeja
a execução do crime, conhecido como autor intelectual10.
Feitas as considerações supra, evidencio que as provas
destes autos de processo são robustas e aptas a demonstrar que o
corréu Rener Rafael de Souza participou no mínimo dos atos
preparatórios e exaurimento do crime de roubo nesta ação penal.
As provas produzidas na fase inquisitorial estão
interligadas com a prova judicializada e ressoam na mesma direção
enquanto alicerçam a tese acusatória encampada pelo Parquet, isso

já para Vianópolis esconder a Saveiro; Que escondeu o carro para arrecadar dinheiro, pois estava
quebrado no dia; Que tirou seis fotos do carro e Rafinha estava em Orizona que chamou ele e ele passou
no mato; Que então conseguiu o número de Rener com um amigo; Que pegou o número de Rener pra
saber se ele compraria o carro; Que, ele não quis o carro só a furadeira e umas chaves; Que Rwan pegou
o carro e levou para Bela Vista se não se engana; Que Rwan no dia do roubo pegou um celular da
vítima e lhe passou ele; Que estava com o celular, um branco Samsung (...)”.
9 “Que, praticou o roubo junto com Rhebert; Que Rener os levou até na cidade; Que então junto com
Rhebert resolveram o resto e pegaram o carro; (...); Que na cachaçaria estavam armados com uma
réplica de pistola; Que, não lembra se era Rhebert quem estava com a arma; Que, é a primeira vez
que envolve em crime, mas já tinha passagem na polícia; (…) Que não foi a mando de ninguém, que quis
fazer isso junto com Rhebert e guardaram o carro ate aparacer comprador que no caso foi o Rener; Que,
quem os levou até na cidade foi Rener; (...). (CD de áudio e mídia fl. 324).

10 - Autoria intelectual: Esta espécie de autoria define o autor como aquele que planeja a infração penal, sendo o
delito o resultado de sua criatividade, como, por exemplo, o chefe de quadrilha que, sem praticar conduta típica,
planeja e determina a ação conjunta.
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porque consta que Rener teria conduzido os executores até cidade de
São Miguel do Passa Quatro e depois da execução do crime retomou o
encontro com os comparsas, fotos do laudo pericial e corrdenadas
geográficas extraídas do celular de Rener.
Ora, resta comprovado que Rener Rafael de Souza deu
suporte logístico, mediante prévio ajuste de tarefas, informações de
conversas via WhatsApp do telefone de Rener.
Em sede investigativa (fl. 57 e 134), o adolescente
R.P.M.A.M. (DN 28/3/2002) esclarece que Rafa/Rafinha é Rener Rafael
de Souza, o qual os conduziu a São Miguel do Passa Quatro/GO, para
subtrair o veículo Saveiro (fl.57).
Nas declarações de fl.134, perante o Ministério Público, o
adolescente confirma a versão dada a polícia.
O adolescente acrescentou também que inventou que a
cor do veículo que os conduziu a São Miguel do Passa Quatro era
branca, para não “inciriminar” ou dificultar que o crime fosse associado a
pessoa de Rener (fl. 57). Extrai-se que o veículo de Rener era um Ford
KA, de cor preta. Em juízo11, o mesmo adolescente ratificou as
declarações prestadas à policia civil e Ministério Público, inovando
apenas com a declaração de que Rener Rafael de Souza era, na

11 “(...)Que, Rener os levou até na cidade; (...); Que, Renner comprou a Saveiro; Que, Rener sabia o que
iam fazer em São Miguel do Passa-Quatro; Que, ele só os levou para lá; (...); Que, na cachaçaria
estavam armados com uma réplica de pistola; Que, não lembra se era Rhebert quem estava com a arma;
Que, é a primeira vez que envolve em crime, mas já tinha passagem na polícia; Que, é menor; Que, de
roubo é a primeira vez; Que, confirma que quem os deixou em São miguel do Passa-Quatro foi
Rafinha de Valparaíso; Que, quem os deixou foi Rafinha de Valparaíso; Que, Rener só os deixou na
cidade; Que, tinha um esconderijo no meio do mato par deixar o carro; Que, não foi a mando de
ninguém, que quis fazer isso junto com Rhebert e guardaram o carro ate aparacer comprador que no caso
foi o Rener; Que, quem os levou até na cidade foi Rener; Que, essa história de Rafinha inventaram pra
polícia para não prejudicar Rener, porque foi ele quem os levou para lá ; (…) Que, quando falou em
outra oportunidade na delegacia Rafa/ Rafinha se referia a Rener; Que, Rener conduziu o veículo
Ford K de cor preta até São Miguel; Que, mentiu a cor do carro falando que era branco para não
incriminar Rener; (...); Que, essa assinatura de depoimento na delegacia é sua, mas nem leu o
depoimento.” (CD de áudio e mídia fl. 324).
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verdade, pretenso comprador do veículo VW/Saveiro, bem como que
ele sabia o que fariam em São Miguel do Passa Quatro/GO, o que
não auxilia a defesa de Rener.
Observa-se que o adolescente admite que inventou a
história de “Rafinha de Valparaíso”, bem como a cor do veículo em que
foram até São Miguel do Passa Quatro/GO, com intuito de não
prejudicar o réu Rener Rafael de Souza.
Deferida quebra de sigilo de dados telefônico (Protocolo nº
201801054155 – fls. 15/16), evidencia-se o modus operandi do grupo,
inclusive o réu Rhebert da Silva Teixeira e o adolescente R.P.M.A.M.
citam a pessoa de “Rafinha”, posteriormente identificado nas
investigações, como Rener Rafael de Souza (mídia fl. 67).
Em juízo, a testemunha Gabriela Miguel Carmo de
Souza12 narra que o adolescente R.P.M.A.M. pediu para que enviasse
mensagem a Rener Rafael de Souza, informando que a polícia estava
atrás dele, e que não conhecia Rener Rafael de Souza, declaração esta

12 “Que não tem muito conhecimento dos fatos; Que o que aconteceu foi que Rwan lhe pediu para
passar uma mensagem para Rener; Que ate no momento não estava sabendo de nada; Que passou
a mensagem que Rwan pediu e pronto; Que a mensagem era só pra falar para Rener que a polícia
estava atrás dele; Que até onde sabe Rener era só comprador e não tinha nada a ver com isso ;
Que Rener era só comprador do carro; Que, não sabe qual era o carro; Que só ouviu por alto a
história; Que a mensagem foi passada por seu celular e não sabia o que estava acontecendo;
Que só passou a mensagem; Que só depois que passou que ficou sabendo a verdade; Que
acha que Rwan tinha sido pego, apreendido um dia antes e depois lhe pediu o telefone emprestado
pois estava sem celular; Que ele lhe pediu pelo Facebook para mandar a mensagem para Rener;
Que foi por Facebook não o viu pessoalmente; Que não tinha o contato de Rener; Que Rwan lhe
passou o número; Que ficou sabendo a história de Rener ser comprador pelos amigos de Rwan; Que
estava na rodinha de amigos e escutou a conversa; Que não conhecia Rener antes; (…) Que só
ficou sabendo da época em que ele trabalhava na pastelaria; Que conhecia Rhebert, mas não
conversava; Que não comentaram na roda de amigos se Rhebert estava envolvido; Que conhece
Rwan a mais ou menos um ano; Que sua relação com ele é amizade de conversar e tudo mais; Que
não é nada demais; Que quando Rwan pediu para mandar mensagem pra Rener não perguntou o
porque da mensagem; Que não sabe se ele tinha relação com Rener, pois conversavam mais ele
nunca falou sobre o assunto; (...); Que sobre Rener até onde sabe ele é agrônomo; Que de Rhebert
sabe que ele trabalhava em cerâmica; (…); Que no dia que mandou mensagem Rener não chegou a
lhe responder; Que o celular dele estava fora de área; Que depois não viu se ele visualizou.”
Testemunha Gabriela Miguel do Carmo de Souza (fl. 324).
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desconstituída com a quebra do sigilo de dados do telefone de Rener,
vez que demonstrada existência de relacionamento íntimo da
testemunha com Rener Rafael de Souza, bem como preocupações da
testemunha com as investigações.
Em conversa via WhatsApp, extrai-se que esta
testemunha, arrolada pela acusação, cadastrada nos contatos de Rener
como “Gaby VPS”, alerta o réu para ficar esperto, parar de andar no
carro por alguns dias, ajudar Rhebert na cadeia e, ainda, que
pedisse para que ele não falasse sobre seu envolvimento (mídia fl.
71):

Ora, vê-se claramente que a interlocutora/testemunha,


pede para Rener Rafael de Souza não esquecer de tirar “os trem” de
sua casa, e que estava preocupada com tudo que estava acontecendo,
circunstância que demonstra falso testemunho, vez que a testemunha,
compromissada, omitiu informações em juízo.
Ora, o falso testemunho fica evidente, pois Gabriela envia
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áudio a Rener Rafael de Souza, dizendo-se preocupada e que ele
deveria falar com R.P.M.A.M. e Rhebert (que já estava preso) para não
abrirem a boca sobre seu envolvimento (mídia fl. 71 – arq.
KBVE7627), o que certamente aconteceu, isso porque Rhebert não
delatou o comparsa, em momento algum.
Ainda, constata-se que no dia dos fatos (20/08/2018),
Rener Rafael de Souza conversou com o adolescente R.P.M.A.M., tendo
perguntado: “Nos vai hoje ??”. Em resposta direta, Rener Rafael de
Souza responde: “e ai meu brother, só de boa?, uai meu brother,
vamos hoje !, a hora que você puder me responde ai”13.
Na reportada conversa, Rener Rafael de Souza confirma
que iriam naquele dia (20/08/2018) e pergunta ao adolescente
R.P.M.A.M. quem iria acompanhá-lo, tendo ele indicado “Junin
Khalifa” ou ele e Eduardo (mídia fl. 71):

13 Conversa mantida entre R.P.M.A.M. e Rener Rafael de Souza – telefone 556299906759 – Progredindo No
Silêncio emoji (+55 62 9990-6759) (WhatsApp) – REF: 427 (pag. 244).
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Mais tarde (15h46min), o adolescente R.P.M.A.M. afirma
que a pessoa que iria tinha uma “réplica” e, na sequência pergunta
Rener Rafael de Souza se ele tinha uma “réplica”, tendo este
respondido, em áudio14, que tinha um “oitão”, mas deixou na
fazenda, declaração apta a comprovar a autoria nos crimes:

Em resposta, o adolescente R.P.M.A.M.15 diz para deixar


o “oitão” para a próxima, bem como que iria na casa de uma pessoa
buscar uma “réplica” que estava guardada, de forma que no roubo da
Saveiro utilizaram-se de uma réplica.
Na sequência, às 16h01min16, o adolescente R.P.M.A.M.

14 “Tenho !, tenho um oitão mano! Só que eu pensei que você tinha uma PT mesmo, entendeu ?!. Ai eu
deixei ela na fazenda ali. Acabei de sair de lá mano. To saindo daqui de Silvânia agora pra ir para ai e
pra nós descer lá. Vai ser mesmo agora!. Conversa entre R.P.M.A.M. e Rener Rafael de Souza – telefone
556299906759 – Progredindo No Silêncioemoji (+55 62 9990-6759) (WhatsApp) – REF: 450 (pag. 244).
15 Conversa mantida entre R.P.M.A.M. e Rener Rafael de Souza – telefone 556299906759 –
Progredindo No Silêncioemoji (+55 62 9990-6759) (WhatsApp) – REF: 451 (pag. 244).
16 “(…) mano, eu to bem aqui na entrada; cê tinha que já me pegar aqui, que a gente já botava a PT
dentro do carro; é bem aqui na entrada mano; tipo, de Silvânia para Vianópolis, na entrada aqui, cê
vira; sabe onde é a Neves Autopeças?; então, cê sobe, é aqui pertinho; cê desce na Neve Autopeças;
é no fundo da Agropeças (...)”.(mídia fl. 71 – nome do arquivo: KIWF4770).
A. A. – Pág. 31 de 78.
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combina encontro com Rener Rafael de Souza, e ressalta que teriam que
ir naquela hora, pois queria guardar a “PT” dentro do carro, o que
mais uma vez demonstra participação de Rener Rafael de Souza no
crime em epígrafe.

Também, no mesmo dia, por volta das 16h20min, o


adolescente R.P.M.A.M. diz que já estava com tudo17, oportunidade em
que Rhebert da Silva Teixeira pergunta se ele estava com “Rafa” – já
identificado como Rener Rafael de Souza:
Chama atenção o fato de que os diálogos transcritos e
mencionados, entre os acusados e adolescente, no dia do fato,
aconteceram por volta das 15h45min e 16h20min, pouco antes da
execução do crime de roubo na cidade de São Miguel do Passa
Quatro/GO.
Não bastasse, várias fotografias do veículo VW/Saveiro,
cor branca, placa OMX-9378, ora subtraído, foram encontradas no
aparelho celular do réu Rener Rafael de Souza, cujo laudo pericial (fls.
17 Mídia fl. 67.
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224/244) concluiu que as imagens foram capturadas pela câmera do
próprio dispositivo.
A testemunha Valdir das Neves Correa, policial militar,
relata que tomou conhecimento dos crimes de roubo de veículos
ocorridos em 15/08/2018 e 20/08/2018 e, que, em diligências foram
encontraram vestígios e objetos que indicavam o local onde os autores
do crime teriam escondido os veículos – “região do Rio Preto, Fazenda
do Rosso”:
“(…) Que fizeram várias diligências para localizar o veículo ou
alguma coisa que indicasse seu paradeiro; Que mais tarde, o
Sargento Vanderlei Cardoso encontrou a carteira de
propriedade do dono do veículo saveiro; Que foi encontrada no
local do “Rosso”; Que continuaram as diligências no local onde
a carteira foi encontrada; Que encontraram outros documentos
naquelas proximidades, inclusive pertencentes a Nícolas,
vítima de roubo; Que tais documentos foram levados junto com
seu veículo Ford KA; Que após levantamento naquela região,
foi encontrado local onde um veículo havia sido deixado; Que
se tratava de local ermo; Que o veículo foi colocado de ré e
teve ajuda de outro para sair; Que acharam pedaço de corda;
Que encontraram um macaco; Que o proprietário do veículo
saveiro reconheceu o macaco encontrado (...)”. Testemunha
Valdir das Neves Correa (fl. 494).

Afirma que as vítimas descreveram os autores do crime,


oportunidade em que começaram a monitorar Rhebet da Silva Teixeira,
quando encontraram o aparelho celular subtraído da vítima Juliana
Sabrina de Carvalho, ensejando a prisão em flagrante.
O policial militar Valdir das Neves Correa aponta
Rener Rafael de Souza como chefe da quadrilha, a qual tinha como
finalidade, a subtração de veículos automotores, especialmente pelas
conversas sobre valores, veículos e fotografias:
“(…); Que confirmaram que o celular era da vítima; Que após
os procedimentos legais, foram verificadas conversas de
A. A. – Pág. 33 de 78.
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Rener com Rhebert, inclusive acerto de números, valores,
veículos, bem como fotografias; Que começaram a
investigar Rener; Que durante as investigações, tomaram
conhecimento de que Rener tinha um veículo Ford KA; Que
observaram que as rodas desse veículo possuíam as mesmas
características do veículo que foi roubado e posteriormente
abandonado sem as rodas, inclusive estepe (...)”. Testemunha
Valdir das Neves Correa (fl. 494).

Acrescenta que foram encontradas fotografias dos


veículos subtraídos, no ponto de ocultação, no aparelho celular de Rener
Rafael de Souza, bem como que Rener Rafael de Souza e Rhebert da
Silva Teixeira associaram-se para subtraírem veículos automotores,
indicando o primeiro como o mentor, “cabeça” da equipe:
“(…) Que as fotos eram exatamente no local onde esteve; Que
era o local onde o veículo Saveiro foi escondido; Que Rener e
Rhebert tinham vínculo criminoso; Que tinham organização
para roubo de veículos, entrega de veículo, valores a serem
pagos; Que pelos levantamentos, Rener era o cabeça, era
quem organizava; Que ele determinava; Que perceberam
temor muito grande dessas pessoas, principalmente o
adolescente (...)”. Testemunha Valdir das Neves Correa (fl.
494).

Extrai-se que a percepção da polícia, em especial das


declarações da testemunha Valdir das Neves Corrêa, que realmente o
adolescente temia o corréu Rener, isso porque na instrução, quando de
sua oitiva, R.P.M.A.M. estava inquieto e preocupado, e nas respostas às
perguntas formuladas, olhava para Rener Rafael de Souza,
demonstrando certo receio em responder, tanto que foi advertido (vide
inquirição do adolescente fl. 324).
O policial militar declarou ainda, em resposta a pergunta
da defesa, que Rener Rafael de Souza estava em situação de
abordagem, haviam indícios de que as rodas que equipavam seu
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veículo, tratavam-se das rodas do veículo subtraído da vítima Nícolas
Júnio Ferreira Ribeiro, razão porque não foi dada voz de prisão naquele
momento, indícios restaram insuficientes para prisão em flagrante.
Noticiou ainda que Rener autorizou entrada dos policiais
na casa, e foi neste momento que encontraram placas de um veículo
Hilux, objeto de roubo, uma touca ninja, e uma sacola de ferramentas –
semelhantes àquelas subtraídas com o veículo VW Saveiro no dia
20/08/2018.
Declarou também, a testemunha policial militar, que o
veículo de Rener Rafael de Souza passou por transformações e, que,
após a prisão preventiva, enviaram o veículo para perícia, quando foi
constatado que tratava-se de veículo adulterado, que dificilmente
poderia ser notado por uma pessoa leiga, circunstância que acentua
culpabilidade e inclinação para práticas ilícitas:
“(…) Que era um veículo falso; Que o veículo deRener
ostentava duas placas; Que Rener tinha uma preferência por
Ford KA, tanto que as rodas de Nícolas passaram a equipar o
carro de dele; Que um veículo era sedam e o outro HATCH;
Que dificilmente quem tem muito conhecimento iria verificar;
Que na classificação de HATCH e sedam, o primeiro muda as
três letras no final; Que era um HATCH, um sedam que foi
roubado de Nícolas e outro sedam cujas placas estavam no
sedam de Rener; Que tinham indícios sobre a origem das
rodas; Que não tinham certeza do crime de receptação; Que
por isso ficaram monitorando o veículo; Que no momento que
Rener foi preso, foram buscar o veículo; Que no laudo pericial
ficou constatado que se tratava de veículo adulterado (...)”
Testemunha Valdir das Neves Correa (fl. 494).

Ademais, as fotografias dos veículos estavam no


celular de Rener Rafael de Souza, que também indicam o local do
fato, ocultação dos veículos, pelas coordenadas geográficas
(longitude e latitude) – (vide laudo pericial fls. 224/244), do que
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evidencio inafastável a sua responsabilidade penal, tal qual requer o
Ministério Público.
As fotografias do veículo VW/Saveiro, OMX-9378 (fls.
227/229), extraídas do aparelho celular, capturadas no dia 20/08/2018,
às 18h13min33s, logo após o roubo na “cachaçaria” –, cujas
coordenadas geográficas: –16.924444/–48.651111, corroboradas pelas
declarações do adolescente infrator, conduzem a conclusão de que o
acusado Rener esteve no local da ocultação do veículo, após o roubo,
isto é região da “Fazenda Rio Preto”:

Ademais, imagens de fls. 230/231, do dia 21/08/2018 à


1h13min31s, coordenadas: -16.954444/-48.936667, demonstram que o
destino do veículo subtraído foi Bela Vista de Goiás/GO, cidade de vínculos
familiares de Rener Rafael de Souza.
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A Defesa insurge-se contra a assertiva de que o terceiro,


com alcunha “Rafinha de Valparaíso” seja Rener Rafael de Souza,
porém, seus argumentos não passam de negativa destituída de qualquer
indício que conduza às suas conclusões, ao contrário a prova dos autos
demonstra que é a mesma pessoa.
E mais, fotografia do veículo Ford KA, placa PQG-3036
(fls. 232/236), também produto de roubo – fls. 68/70 – RAI nº 7349346 –,
extraída do aparelho celular do corréu Rener Rafael de Souza, com
coordenadas geográficas: -16.911667, -48.662500, demonstra que o
local aproxima-se daquele em que ocultado o veículo VW/Saveiro, após
o roubo, de forma que, completamente dissociadas as alegações da
defesa técnica de Rener Rafael, isso porque demonstra que os acusados
eram conhecedores da região “Fazenda Rio Preto”, além de que faziam
do lugar ermo um verdadeiro esconderijo para ocultação de veículos

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roubados.

A ilustração acima, demonstra existência de estrada


vicinal que liga os marcos vermelhos – coordenadas geográficas, local de
onde os veículos Ford KA, placa PQG-3036 e VW/Saveiro, OMX-9378,
foram fotografados, palco para a prática ilícita dos réus.
Por fim, extrai-se pelo auto de exibição e apreensão (fl.
49), bem como do termo de declarações do proprietário do veículo VW
Saveiro Cross, placa OMX-9378 (fl. 50), que a sacola de ferramentas
encontrada na posse do corréu Rener Rafael de Souza é a mesma
subtraída junto com o veículo Saveiro (fls. 50/51).
A tese de que Rener Rafael de Souza adquiriu somente a
mochila com ferramentes merece acolhimento, isso porque não
demonstrados os requisitos do crime de receptação, ao contrário as
provas conduzem ao tipo penal descrito no artigo 157, conforme
denúncia.
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Não bastasse, os acusados contradizem-se. Rener Rafael
de Souza diz que comprou a bolsa de ferramentas do corréu Rhebert ao
preço de R$ 400,00 (quatrocentos reais), sem, contudo, efetuar o
pagamento, enquanto que o corréu Rhebert da Silva Teixeira afirma que
vendeu as ferramentas pelo preço de R$ 300,00 (trezentos reais) e teria
recebido à vista (vide interrogatório – fl. 324). Ora, vê-se que Rhebert
tenta proteger Rener, tal como foi demonstrado nas conversas da
testemunha Gabriela, já mencionadas.
Também, a alegação de que as fotografias dos veículos
subtraídos, encontradas no aparelho celular de Rener Rafael de Souza,
vão de encontro com as informações técnicas, contidas no laudo pericial,
e da mesma forma que possuem o nítido propósito de dificultar a
apuração do fato, em todos os sentidos, não difere do que ora se
apresenta.
Eles tentam, a todo custo ludibriar a justiça e favorecer o
corréu Rener Rafael, valendo-se até mesmo de suas qualificações
profissionais, sem sucesso.
Ora, a prova técnica demonstra que as imagens foram
capturadas pelo dispositivo Iphone – IMEI 352984090459065, de
propriedade de Rener Rafael de Souza (vide laudo fls. 224/244).
Embora o corréu Rhebert da Silva Teixeira confirme que
tirou fotografias do veículo, informou que seu aparelho celular era um
Asus Zenphone, além de que não enviou fotos dos veículos para Rener.
Conversas de whatsApp demonstram que Rener Rafael
de Souza era responsável pela distribuição do proveito dos crimes 18. Vê-
18 Conversa mantida entre Rhebert e Rener Rafael de Souza – telefone 556399611830 – Lehder RIvas (+55
63 9961-1830) (WhatsApp) – REF: 284/301 (pag. 244).

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se que Rhebert da Silva Teixeira e um terceiro “Eduardo”, indagam sobre
o dinheiro, um dia depois do fato, do que se extrai nem todos os
envolvidos foram identificados.
Vê-se que o corréu Rener Rafael de Souza, usa como
disfarce, na resposta a Rhebert da Silva Teixeira e questiona sobre
quantos dias ele trabalhou, de forma que esse trabalho pode ser
qualquer coisa, menos uma atividade lícita, pelo histórico de vida
pregressa.
Conversa de Geyssy(companheira) via aplicativo
WhatsApp19 nos dias 21/8/2018 e 22/8/2018, com Rener Rafael de
Souza, ele pede a interlocutora para guardar um “negócio” dele, a qual
indaga o que “fazer com as placas”.
A testemunha Valdir das Neves Correa20 esclarece que no
dia da abordagem, a companheira de Rener Rafael de Souza indicou o
local em que estavam as placas, ocasião em que verificaram serem de
um veículo Toyota Hilux, produto de roubo.
Acrescenta que o estado de conservação das placas
chamou muito sua atenção, o que confronta a tese de que teriam sido
encontradas numa poça de lama, bem como com a indagação da

Conversa mantida entre Eduardo e Rener Rafael de Souza – telefone 556298077224 – Nilva (WhatsApp) –
REF: 5 (pag. 244).
19 Conversa mantida entre Geyssy e Rener Rafael de Souza – telefone 556296327528 – Geyssyemoji
(WhatsApp) – REF: 508 e 527 (pag. 244).

20 “(…) Que perguntou a esposa de Rener se ela estava fazendo contato com ele antes da abordagem; Que
ela mostrou o aparelho celular; Que viu na conversa ela perguntando: o que eu faço com as placas?; Que o
telefone estava na mão dela; Que ele falou que era para esconder as placas; Que ela mostrou as
placas de livre e espontânea vontade; Que a esposa confirmou que Rener tinha mandado guardar as
placas; Que as placas estavam escondidas nos fundos do quintal; Que as placas remetiam a um
veículo Toyota Hilux que havia sido roubado em outra ocasião (…); Que não tem informações sobre o
resultado das investigações das placas encontradas na casa de Rener; Que ficou a cargo de Delegado;
Que consta registro que esse veículo Toyota havia sido roubado e depois recuperado; Que não teve acesso
a essa ocorrência; Que o estado de conservação dessas placas chamou a atenção do depoente; Que
estavam muito bem guardadas; Que indagou Rener e ele disse que havia encontrado as dudas na poça de
lama; Que ele as lavou e guardou (…).” Testemunha Valdir das Neves Correa (fls. 494).
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companheira sobre o destino que deveria dar às placas.
Ainda em diálogos via WhatsApp, a interlocutora
cadastrada como “Dayanne”, avisa Rener Rafael de Souza que a Polícia
estava com Rhebert e, o adolescente Rwan em frente ao
estabelecimento Móveis Estrela. Na oportunidade, Rener Rafael de
Souza pede para interlocutora descobrir o que estava acontecendo, e
para apagar as mensagens, vejamos:

De tudo que foi exposto não há como admitir que Rener


desconhecia o Rhebert, enquanto as provas são harmônicas e coerentes
em demonstrar a prática das condutas ilícitas e típicas, imputadas aos
réus. Não há dúvidas de que Rener Rafael de Souza foi decisivo para as
práticas dos crimes de roubo do veículo VW/Saveiro Cross, cor branca,
placa OMX-9378, atuando ora como autor intelectual, ora praticando atos
preparatórios e ou executórios estes esporadicamente, porque valia-se
de terceiros para execução.
Independente do contexto fático, a consumação do crime
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de roubo não exige ato de execução pelo coautor, basta adesão a
conduta, sendo inclusive desnecessária sua presença na fase executória,
porque basta anuência com o intento criminoso e de qualquer forma
concorrência para a prática delitiva.
Nesse sentido, é a orientação do Egrégio Tribunal de
Justiça do Estado de Goiás:
“APELAÇÃO CRIMINAL. ROUBO DUPLAMENTE
CIRCUNSTANCIADO. EMPREGO DE ARMA. CONCURSO DE
PESSOAS. AFASTAMENTO DOS EFEITOS DA REVELIA.
ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. CONFISSÃO
EXTRAJUDICIAL. RECONHECIMENTO PELO TRIBUNAL.
PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA. TESE
REJEITADA. RECORRER EM LIBERDADE. PEDIDO
PREJUDICADO. 1 – [...]. 2 – [...]. 3 – [...]. 4 - Não se cogita
participação de menor importância quando o agente
contribuiu decisivamente para o êxito da empreitada,
conduzindo o corréu em sua motocicleta, acompanhando o
evento criminoso no próprio local, dando cobertura, e
aguardando o comparsa para proporcionar a fuga. 5 – [...].
(TJGO, APELACAO CRIMINAL 173772-55.2011.8.09.0175,
Rel. DES. IVO FAVARO, 1ª CÂMARA CRIMINAL, julgado em
24/01/2013, DJE 1247 de 20/02/2013) (Grifo nosso).”

Já a participação do réu Andrew Willian Santos da Silva,


nos fatos narrados, impõe marca de dúvida. Não há provas robustas de
sua participação, em que pese existência de indícios, a acusação não
prova a autoria imputada.
As conversas mantidas com Andrew Willian Santos da
Silva, com Rhebert da Silva Teixeira e o adolescente R.P.M.A.M., são
insuficientes para sustentar a condenação.
Assim, ausentes provas da autoria do crime de roubo,
imputado ao corréu Andrew William Santos da Silva, pertinente sua
absolvição, com improcedência da denúncia, neste ponto.

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Ainda, quanto aos fatos narrados e provado, tenho por
imperiosa incidência do artigo 38321, do Código de Processo Penal,
conhecido como emendatio libelli, que autoriza o julgamento conforme
narrativa fática na denúncia, situação que evidencio nestes autos de
ação penal, em especial diante da existência de dois crimes de roubo e
também da incidência da Lei de Organização Ciriminosa.
Nesse sentido Guilherme de Souza Nucci22, diz que o juiz
pode alterar a definição jurídica do fato, sem qualquer cerceamento de
defesa, pois o que está em jogo é sua visão de tipicidade, que pode
variar conforme o seu livre convencimento.
Ora, a denúncia narra que os acusados subtraíram 01
(um) aparelho celular, Samsung Duos, de propriedade da vítima
Juliana Sabrina de Carvalho, bem como o veículo VW Saveiro Cross,
cor branca, placa OMX-9378, de propriedade de Lacemar José de
Souza, e na classificação jurídica indica um único crime de roubo, sem
razão, vez que o patrimônio atingido foi de vítimas distintas23.
Em regra, aplica-se a norma descrita no artigo 70 do
Código Penal (concurso formal) isso porque praticados dois crimes com
mesma ação. Entretanto, há que ser ressalto a prevalência da
interpretação da lei penal mais favorável ao réu, de modo que deve o
magistrado observar, na aplicação da pena, se o instituto da continuidade
delitiva, entre os crimes praticados contra vítimas diferentes, revela-se
21 Art. 383. O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa, poderá atribuir-lhe
definição jurídica diversa, ainda que, em consequência, tenha de aplicar pena mais grave. (Redação dada
pela Lei nº 11.719, de 2008).
22 Código de Processo Penal Comentado, p. 723, Editora Revista dos Tribunais, 2011.
23 “APELAÇÃO CRIMINAL. ROUBO QUALIFICADO. CONCURSO FORMAL CARACTERIZADO. AÇÃO
ÚNICA. VITIMAS DIFERENTES. INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. DESOBEDIÊNCIA AO SISTEMA
TRIFÁSICO. AJUSTAMENTO. I - Constatado que o crime foi praticado contra duas vitimas distintas, embora
no mesmo contexto fático, esta caracterizado o concurso formal de delitos, pois houve violação de mais de
um patrimônio. (...)”. (TJGO – Ap. Crim. 37494-5/213 – 2ª Câmara Criminal, Rel. Des. Nelma Branco Ferreira
Perilo, DJ 534 de 09.03.2010).
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mais favorável que o concurso material/formal24.
A prova judicializada demonstra que os crimes de roubo
foram executados em concurso de pessoas (artigo 157, §2º, inc. II do
CP).
O concurso, seja de duas ou mais pessoas, majora o
delito de roubo, isso porque a partir do momento em que os agentes se
unem para a prática do delito, demonstram maior grau de periculosidade,
o que também facilita a ação delituosa, haja vista reduzirem as chances
de defesa dos ofendidos.
Nesse contexto, tenho que comprovada unidade de
desígnios e esforços dos acusados Rener Rafael de Souza e Rhebert da
Silva Teixeira, em concurso com o adolescente R.P.M.A.M., para o
sucesso das subtrações perpetradas.
Destaca-se que o Superior Tribunal de Justiça – STJ,
entente que para configuração do concurso de agentes é prescindível a
identificação dos corréus, assim como não importa se ele é inimputável.
Ainda narra o Ministério Público que os réus
praticaram a conduta típica, prevista no Art. 244-B, do Estatuto da
24 “APELAÇÃO CRIMINAL DUPLA. DOIS HOMICÍDIOS DUPLAMENTE QUALIFICADOS. MOTIVO TORPE E
RECURSO QUE TORNA IMPOSSÍVEL A DEFESA DO OFENDIDO. 1º APELO: DEFENSIVO. PRELIMINAR
DE AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA PARA O EXERCÍCIO DA AÇÃO PENAL. 1- Com a superveniência do
édito condenatório, fica preclusa a matéria. 2- Preliminar afastada. DECISÃO MANIFESTAMENTE
CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS. ANULAÇÃO DO JULGAMENTO. A decisão dos jurados, feita por
meio da votação dos quesitos pertinentes, é absoluta e somente poderá ser revisada quando
manifestamente contrária ao conjunto probatório, já que podem optar por uma dentre as várias correntes de
interpretação das provas possíveis. 3- EXCLUSÃO DAS QUALIFICADORAS. As qualificadoras compõem
as elementares do próprio crime e não simplesmente majoram a pena, de modo que uma vez reconhecidas
pelos jurados, não pode o Tribunal ad quem anular o julgamento ou excluí-la em sede de apelo. 4- DAS
PENAS. REDUÇÃO. DEFESA. EXASPERAÇÃO. MP (2º APELANTE). CONCURSO DE CRIMES.
PRETENSÕES CONTRAPOSTAS. REANÁLISE CONJUNTA. Presentes circunstâncias judiciais
desfavoráveis do art. 59 do Código Penal, as quais não foram valoradas pela Sentenciante, torna-se
impositiva a exasperação das penas bases e, por consequência, o não acolhimento da tese defensiva
visando a redução. 5- Deve ser aplicado o concurso material de crimes em detrimento da 6-
continuidade delitiva específica quando mais benéfico ao apelante. Recurso defensivo conhecido e
desprovido. Recurso ministerial conhecido e provido para exasperar as penas e aplicar o concurso material
entre os crimes. (TJGO, APELACAO CRIMINAL 352879-72.2000.8.09.0069, Rel. DES. J. PAGANUCCI JR.,
1A CAMARA CRIMINAL, julgado em 30/08/2016, DJe 2140 de 31/10/2016).”
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Criança e do Adolescente - Corrupção de Menores.
O tipo penal objetiva proteção a integridade moral dos
menores de 18 (dezoito) anos de idade e busca coibir a prática de
delitos, nos quais há exploração do adolescente infrator, não importa
para o tipo que o adolescente já tenha sido corrompido, caso dos autos.
Crianças e adolescentes devem ser protegidas pelo
Estado por decorrência lógica da legislação especial, bem assim por
expressa previsão constitucional, em especial pela personalidade em
formação e muitas vezes, vulnerabilidade social a que são expostos pela
ausência de responsáveis com maturidade suficiente para resguardá-los
das ameaças advindas do sistema de proteção, que as tornem
vulneráveis ao crime organizado e ou pessoas com habitualidade delitiva
que se aproveitam da circunstância para prática de crimes, em especial
patrimoniais.
São sujeitos ativos desse crime qualquer pessoa, homem
ou mulher, penalmente responsável, portanto crime comum. O sujeito
passivo é o menor de dezoito anos, homem ou mulher, que se está
corrompendo ou facilitando a corrupção, do que também dispensável
efetiva corrupção, ou seja, que a criança ou adolescente efetivamente
altere seu comportamento, eis que o crime é de cunho formal – Súmula
nº 500 STJ - “a configuração do crime do art. 244-B do ECA independe
da prova da efetiva corrupção do menor, por se tratar de delito formal.”
O Ministro Marco Aurélio Bellizze, no Recurso Especial
1.127.954, conclui: “ainda que o adolescente possua outros
antecedentes infracionais, resta configurado o crime ora em análise,
porquanto o bem jurídico tutelado pela norma visa, sobretudo, impedir

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que o maior imputável induza ou facilite a inserção ou a manutenção do
menor na esfera criminal”.
Na hipótese, os acusados Rener Rafael de Souza e Rhebert
da Silva Teixeira agiram em comunhão de esforços com o adolescente
R.P.M.A.M. (DN 28/03/2002 – certidão de nascimento fl. 15), incidindo no
tipo penal descrito no artigo 244-B do ECA, conforme narra o Ministério
Público.
Inconteste de dúvidas, evidenciada a responsabilidade
criminal dos acusados Rener Rafael de Souza e Rhebert da Silva
Teixeira, pois, devidamente demonstrada a completa subsunção aos
tipos penais imputados, bem como a autoria e materialidade dos crimes
de roubo circunstanciado, consumado e corrupção de menores.
A incidência normativa da Lei nº 12.850/2013,
conforme exposição de motivos da norma.
A lei 12.850/13 exige a associação de quatro ou mais
pessoas e a prática de infrações penais com pena máxima superior a
quatro anos, enquanto tipifica as condutas de promover, constituir,
financiar ou integrar (pessoalmente ou por interposta pessoa)
organização criminosa, assim como os comportamentos de impedir ou de
qualquer forma embaraçar investigação penal que envolva organização
criminosa, punindo tais ações com a mesma pena, ou seja, reclusão, de
3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.
De estudo cuidadoso sobre o tema, vislumbro que os fatos
narrados na denúncia, e provados na instrução não podem ser tipificados
como organização criminosa, nos moldes da Lei 12.850/13, isso poque
não vislumbro a adequação típica, na hipótese.

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Na verdade, trata-se de associação criminosa, tipificada
no artigo 288 do Código Penal.
Diz a denúncia (fls. 02/08) que os acusados Rhebert da
Silva Teixeira, Rener Rafael de Souza e Andrew William Santos da
Silva, em comunhão de esforços entre si e com o adolescente
R.P.M.A.M., constituíram e integraram organização criminosa,
obtendo direta e indiretamente, vantagem econômica, mediante a
prática de infração penal de roubo circunstanciado, cuja pena
máxima supera 4 (quatro) anos, além do crime de corrupção de menores.
Diz a denúncia que Rener Rafael de Souza e Andrew
William Santos da Silva, associaram-se, entre si, e com os demais
denunciados, sendo que os dois primeiros exerciam o comando coletivo
da organização.
A redação do artigo 1º, §1º da Lei 12.850/2013 diz: Art. 1º

(…): § 1o Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas


estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que
informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza,
mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro)
anos, ou que sejam de caráter transnacional.(grifei).

Não evidencio a presença do requisito normativo


“estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas”,
consoante conjunto probatório.
Resta demonstrado, contudo, que o denunciado Rener
Rafael de Souza coordenava uma associação criminosa, na qual
introduziu o corréu Rhebert da Silva Teixeira, que tinha experiência no
crime, conforme seus antecedentes, o qual dessa mesma experiência,
introduziu outros autores, tais como adolescentes infratores, é a minha

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conclusão a partir das provas.
Conforme já fundamentado, o denunciado Andrew Willian
Santos da Silva, em que pese existirem indícios de sua participação, não
foi comprovado, qual era sua participação na narrada organização
criminosa, descrita na denúncia, em especial porque encontra-se preso
na Unidade Prisional de Bela Vista de Goiás.
Pois bem, possível a análise do fato narrado e alteração
da classificação jurídica, com fundamento no artigo 383 do CPP,
emendatio libelli, para adequar a conduta ao tipo penal do artigo 28825 do
Código Penal, porquanto o réu defende-se dos fatos narrados e não da
classificação jurídica.
Embora semelhantes, os tipos penais diferem-se nos
critérios estabelecidos na Lei 12.850/2013, a saber (i) necessidade de
ser uma associação estruturada e (ii) divisão de tarefas entre os
sujeitos, elementos que diferenciam a organização criminosa da Lei
12.850/2013 do concurso de agentes ou do crime de associação
criminosa do art. 288 do Código Penal. Ainda, há que se ressaltar
exigência de mais de quatro pessoas na organização criminosa.
Já a associação exige concurso necessário de agentes,
03 (três) ou mais pessoas, com o fim específico de cometerem crimes.
O tipo subjetivo é o dolo, vontade consciente de associar-
se com outras pessoas com a finalidade de praticar crimes
indeterminados entre si, essa vontade deve ser permanente e duradoura
para prática indiscriminada de crimes.
O momento de consumação, ocorre quando há a

25 Art. 288. “Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos”.
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associação de três ou mais pessoas para prática de crimes ou o ingresso
de terceiro na associação já constituída.
A prova dos autos demonstra, indene de dúvidas, prévio
ajuste entre os acusados Rhebet e Rener, bem como as certidões
narrativas de fls. 416/417, demonstram estabilidade e o requisito
subjetivo dos réus.

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Desta forma, os fundamentos já alinhados são coerentes
para concluir que os réus associaram-se em caráter estável para a
prática de crimes, muito embora trate-se de crime formal, a insurgência
tem o propósito de demonstrar a insegurança social que causaram com
suas ações, bem assim demonstrar a objetividade jurídica do tipo.
As práticas ilícitas dos réus acentuaram-se quando
optaram por corromper adolescentes para auxiliar nas condutas típicas,
caso destes autos, enquanto o crime de associação é permanente, sua
consumação se alonga no tempo, e de perigo abstrato, vez que atinge
um número indeterminado de pessoas.
Ora, inexistem dúvidas de que os acusados Rener Rafael
de Souza e Rhebert da Silva Teixeira associaram-se com o adolescente
R.P.M.A.M. para o fim específico de praticarem crimes patrimoniais, em
especial roubo e receptação de veículos, com ulterior divisão do proveito
do crime.
Extrai-se das conversas via aplicativo WhatsApp,
encartadas no laudo pericial (fls. 224/244) que o vínculo associativo
permanente para o cometimento de crimes contra o patrimônio.
Constata-se também do mesmo laudo existência de fotos
de veículos diversos, cuja origem não foi investigada, sem olvidar que a
testemunha Valdir das Neves Corrêa enfatiza em suas declarações que
quando foram autorizados a entrar na casa de Rener, localizaram a placa
de um veículo Hilux, objeto de roubo, fato este que não foi investigado.
Ademais, nas conversas de WhatsApp entre Rener e a
testemunha Gabriela, a interlocutora demonstra preocupação com coisas
escondidas na casa de Rener (Laudo pericial de fls. 224/244).

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Ainda, o Sargento Corrêa declarou em juízo que nos dias
em que sucederam os fatos, foi subtraído na cidade de Orizona veículo
com idêntico modus operandi dos réus desta ação penal, de forma que
inexistem dúvidas da permanência e estabilidade da associação
criminosa.
O substrato probatório, indica, que Rener Rafael de Souza
responsabilizava-se pela alienação e divisão do proveito do crime,
assertiva esta extraída das conversas26 com Rhebert da Silva Teixeira e
um terceiro identificado como “Eduardo”. Ora, tais interlocutores
questionam Rener se ele pegou o dinheiro para tirarem suas partes, um
dia após a subtração do veículo Saveiro.
Ainda, do diálogo27 entre Rener Rafael de Souza e um
interlocutor não identificado (+55 62 9954-0809), evidencia-se que
preocuparam-se com as investigações da polícia, inclusive que deviam
tomar cuidado, porque não só Rener estava sendo investigado, o que
reforça a existência da associação criminosa que poderia, sim evoluir
para uma organização criminosa, acaso não fosse desarticulada pela
polícia.
Ainda, o policial Corrêa declarou que a percepção das
investigações era de que, evidenciou que Rafa/Rafinha se tratava de
Rener Rafael de Souza, bem como que ele encomendou o roubo do
veículo, tinha função de líder, vez que responsável pela organização e
direção das ações do grupo, vejamos:

26 Conversa mantida entre Rhebert e Rener Rafael de Souza – telefone 556399611830 – Lehder RIvas (+55
63 9961-1830) (WhatsApp) – REF: 284/301 (pag. 244).

Conversa mantida entre Eduardo e Rener Rafael de Souza – telefone 556298077224 – Nilva (WhatsApp) –
REF: 5 (pag. 244).
27 Conversa mantida entre Rener Rafael de Souza e interlocutor não identificado – telefone +55 62
9954-0809 (nome do arquivo JBRA8958).
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“(…) Que as fotos eram exatamente no local onde esteve; Que
era o local onde o veículo Saveiro foi escondido; Que Rener e
Rheber tinham vínculo criminoso; Que tinham organização
para roubo de veículos, entrega de veículo, valores a serem
pagos; Que pelos levantamentos, Rener era o cabeça; Que
Rener era quem organizava; Que ele era quem determinava;
Que perceberam temor muito grande dessas pessoas,
principalmente o adolescente (…)”. Testemunha Valdir das
Neves Correa (fl. 494).

A Autoridade Policial afirma, ainda, que após a prisão dos


acusados Rener Rafael de Souza e Rhebert da Silva Teixeira, os crimes
contra o patrimônio, em especial roubos de veículos, cessaram em São
Miguel do Passa Quatro/GO.
Desta forma, demonstrada a incidência normativa da
associação criminosa, constituída para prática de crimes patrimoniais,
especialmente roubo de veículos, receptação e adulteração, vez que
comprovada adulteração de sinal identificador de veículo, no Ford KA,
utilizado por Rener, conforme demonstram estes autos.
Também ficou provado que a associação era armada, bem
como que era composta por inimputável e até mesmo há indícios de
participação de pessoa presa.
Demonstrado também o vínculo estável e duradouro do
acusado com seus comparsas, os quais mantinham contato por meio do
aplicativo WhatsApp, e organizavam-se previamente para ajuste de
tarefas, e execução dos crimes de roubos de veículos na cidade de São
Miguel do Passa Quatro/GO, objeto desta ação penal.
A alegação de que inexistência de provas da participação
do réu Rener Rafael de Souza não prospera, as provas indicam, de
forma clara, que a associação era liderada por ele, era quem

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determinava quais veículos seriam subtraídos, bem como o responsável
pela distribuição do proveito do crime com o grupo criminoso.
Noticia-se os autos, existência de pessoas não
identificadas, estas integrantes da associação.
Não bastasse, infere-se, ainda, pelas certidões (fls.
416/418), que além dos roubos de veículos na cidade de São Miguel do
Passa Quatro/GO (Ações Penais – Protocolos nºs: 201801050176 e
201801332708), o réu Rener Rafael de Souza, indicado como líder da
associação, possui sentença condenatória, pendente de trânsito em
julgado (Protocolo nº 201801332767), por crime de receptação de um
veículo Ford KA, placa PVX-8662, circunstância que deixa nítida a
reiteração nas práticas ilícitas, bem como que é o mentor dos roubos de
veículos de forma estável.
Registro que o veículo receptado era utilizado por Rener
Rafael de Souza, estava com placas adulteradas, conforme declara a
Autoridade Policial (fls. 423/449).
No mais, o roubo do veículo Ford KA, Sel 1.0 HA,
ano2015, placa PQG-3036 (Protocolo nº 201801332708), demonstra que
Rener Rafael de Souza, tinha preferências por veículos desta marca, o
que foi confirmado pela testemunha Valdir das Neves Correa, tanto que
as rodas do veículo Ford KA, subtraído, foram instaladas no veículo que
ele utilizava.
A jurisprudência é pacífica no sentido de que não se faz
necessário a identificação de todos os autores, ou mesmo que esses se
conheçam ou que cada um desempenhe tarefa específica, bastando,
apenas, o fim almejado de cometer crimes pelo grupo, o que restou

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sobejadamente comprovado.
A materialidade e a autoria restaram cabalmente
comprovadas pelo farto conjunto probatório acostado aos autos.
Devo observar, por fim, que além de comprovada autoria e
materialidade dos delitos em questão, os acusados são pessoas
mentalmente sadias e imputáveis, possuíam pleno conhecimento da
ilicitude de suas condutas.
Incidência da Causa de Aumento – Artigo 288,
parágrafo único do Código Penal: extrai-se da prova judicializada que
a associação criminosa praticava crimes com emprego de arma de fogo,
e simulacros, além de contava com participação de adolescente,
circunstâncias que importam em aumento de pena de até metade, dicção
do parágrafo único do artigo 288 do Código Penal.
Quanto aos crimes de roubo, extrai-se que incide a
ficção jurídica da continuidade delitiva, caracterizada como política
criminal - Artigo 71, parágrafo único, do Código Penal.
É esse o magistério de Bitencourt 28: “ocorre o crime
continuado quando o agente, mediante mais de uma conduta (ação ou
omissão), pratica dois ou mais crimes da mesma espécie, devendo os
subsequentes, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e
outras semelhantes, ser havidos como continuação do primeiro. São
diversas ações, cada uma em si mesma criminosa, que a lei considera,
por motivos de política criminal, como crime único”.
Na confluência do exposto, e atenta ao conjunto de
provas, ausentes causas que excluam a tipicidade, ilicitude, culpabilidade

28 BITENCOURT, Cézar Roberto. Código penal comentado. 8ª ed., São Paulo – Saraiva, 2014, pág.
325.
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e circunstâncias que isentem os réus de pena, JULGO PARCIALMENTE
PROCEDENTE a pretensão punitiva estatal para CONDENAR os réus
RENER RAFAEL DE SOUZA e RHEBERT DA SILVA TEIXEIRA,
qualificados, como incursos nas sanções do artigo 157, §2º, inc. II e §2º-
A, inc. I, do Código Penal, em face da vítima Nícolas Júnio Ferreira
Ribeiro, (Ação Penal Protocolizada sob nº 201801332708) e artigos 157,
§2º, inc. II, do Código Penal (por duas vezes), e 244-B da Lei 8.069/90
(ECA), e artigo 288, parágrafo único, do Código Penal (Ação Penal
Protocolizada sob nº 201801050176), c/c o artigo 29 do Código Penal.
Ainda, julgo improcedente a pretensão punitiva estatal em
face do denunciado ANDREW WILLIAM SANTOS DA SILVA, com
fundamento no artigo 386, inc. IV, do Código de Processo Penal, vez que
a prova dos autos é insuficiente para lastrear decreto condenatório,
motivo porque resta absolvido da denúncia proposta nos autos da ação
penal protocolizada sob nº 201801050176.
Destarte, com amparo nas diretrizes dos artigos 59 e 68
do citado Diploma Repressivo, e, atenta ao princípio da individualização
da pena (artigo 5º, incisos XLV e XLVI), passo à dosimetria da pena nos
moldes do sistema trifásico de medição.
No que diz respeito ao quantum de aumento da pena-
base, “o Superior Tribunal de Justiça entende que o julgador não está
adstrito a critérios puramente matemáticos, havendo certa
discricionariedade na dosimetria da pena, vinculada aos elementos
concretos constantes dos autos. No entanto, o quantum de aumento,
decorrente da negativação das circunstâncias, deve observar os
princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da necessidade e da

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suficiência à reprovação e à prevenção do crime, informadores do
processo de aplicação da pena”. (REsp 1599138/DF, Rel. Ministro
SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 24/04/2018,
DJe 11/05/2018).
Por todo exposto, em atenção à instrumentalidade das
formas29, afigura-me razoável análise única das circunstâncias judiciais,
até porque a repetição tem cunho apenas formal, isso porque em nada
contribuem as meras repetições.
Com efeito, é a pena mais alta, oriunda do crime tido
como mais grave, que recepciona a causa de aumento de pena e dá
números finais à resposta estatal.
Ação Penal nº 201801332708:
Crime de Roubo Majorado – Artigo 157, §2º, inc. II, e
§2º-A, inc. I, do Código Penal (vítima Nícolas Júnio Ferreira Ribeiro):
– Rhebert da Silva Teixeira:
O réu era imputável, bem como tinha pleno discernimento
para compreender a ilicitude de sua conduta, além de que era lhe
exigível comportamento diverso. Preenchido os pressupostos da
culpabilidade, passo a análise da postura do réu frente aos bens
jurídicos violados (teoria complexa da culpabilidade). Verifico que a
conduta do acusado excedeu os limites da norma, isso porque usava
drogas para execução dos crimes, o que aumenta o temor das vítimas,
29 “HABEAS CORPUS. CONTINUIDADE DELITIVA. PEDIDO DE APLICAÇÃO DO ARTIGO 71 DO CÓDIGO
PENAL PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. DESNECESSIDADE. DOSIMETRIA. FUNDAMENTAÇÃO DA PENA
APLICADA A CADA CONDUTA. DISPENSABILIDADE. PRÁTICA REITERADA DO MESMO CRIME. PENA
IDÊNTICA. ORDEM DENEGADA. 1. Não há necessidade de pedido do Ministério Público no sentido da
aplicação da regra do art. 71 do Código Penal. O réu defende-se dos fatos, tal como narrados, e não da sua
classificação legal. Cabe ao juiz analisar a aplicabilidade ou não da regra do crime continuado, no momento
da fixação da pena. 2. Praticado, várias vezes, o mesmo crime, nos termos do art. 71 do Código
Penal, a pena aplicável a cada conduta é idêntica, o que torna dispensável a repetição da dosimetria
relativa a cada uma delas. 3. Ordem denegada.” (grifei) - (Habeas Corpus nº 95.245, relator o Ministro
Joaquim Barbosa, p. 16.11.2010)”
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bem como impinge maior agressividade do agente, razão porque
recrudesço a pena (+9meses); é portador de maus antecedentes, vez
que possui sentença condenatória transitada em julgado em data anterior
(TJ 17/7/2018) ao fato imputado (Protocolo nº 165295-87.2017 – fl. 405),
razão porque recrudesço a pena (+9meses). Não bastasse, infere-se que
o sentenciado é reincidente específico, vez que possui condenação por
crime de roubo, com sentença transitada em julgado em 16/5/2018
(Protocolo nº 282998-39.2017 – fl. 406), circunstância que será valorada
na segunda fase dosimétrica. Não existem elementos aptos a valorar sua
conduta social razão porque neutralizo-a; sua personalidade é
desviada dos parâmetros aceitáveis, isso porque ao revés de calar a
verdade, como lhe é de direito constitucional, o acusado opta por mentir
e induzir a erro nas investigações. Friso que a garantia do silêncio é fruto
de uma conquista árdua, de liberdade, e não pode se misturar a uma
figura que representa a má-fé. Ademais, a mentira representa o que se
quer impedir em um processo: o encontro com a verdade, não existe um
direito de mentir e sim uma construção doutrinária e jurisprudencial no
sentido de forçar uma interpretação favorável ao imputado, induzindo a
um processo legal parcial, em que prevalece vantagem do réu em
desfavor da acusação e vítima, inobservando outras garantias, como
igualdade de armas, boa-fé, afigurando-se o acusado de personalidade
dissimulada, razão pela qual recrudesço a pena base (+9meses); os
motivos do crime são inerentes ao tipo penal, obtenção de lucro fácil;
as circunstâncias ultrapassam a esfera dos elementos integrantes do
tipo, uma vez que escolheram pacata cidade do interior – São Miguel do
Passa Quatro/GO, aproveitando-se da deficiência da segurança pública

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(policiamento) para o sucesso dos seus intentos, além de que o crime foi
cometido em concurso de pessoas, razão porque recrudesço a pena
(+09 meses); as consequências são inerentes a objetividade jurídica do
crime; a vítima em nada contribuiu para a prática delituosa, ao contrário
obedeceu fielmente às ordens sob grave ameaça.
À guisa de 04 (quatro) circunstâncias judiciais
desfavoráveis, quais sejam, culpabilidade, maus antecedentes,
personalidade e circunstâncias do crime, fixo a pena base em 06 (seis)
anos, 11 (onze) meses e 27 (vinte e sete) dias de reclusão.
Na fase intermediária, acuso incidência da atenuante da
menoridade relativa e confissão, (CP, art. 65, incisos I e III, alínea “d”),
bem como da agravante da reincidência específica (CP, art. 61, inc. I) –
condenação transitada em julgado em 28/5/2018 (fl. 42). Em razão do
concurso de circunstâncias agravante e atenuante, ambas de ordem
subjetiva, compenso a reincidência com a confissão espontânea.
Verificada, ainda, a existência da atenuante da menoridade relativa,
diminuo a expiação em 1/6 (um sexto) equivalente a 01 (um) ano, 01
(um) mês e 29 (vinte e nove) dias, ao que fixo a pena, nesta fase, em 05
(cinco) anos, 09 (nove) meses e 28 (vinte e oito) dias de reclusão.
Na fase derradeira, não se fazem presentes causas de
diminuição, porém, conforme fundamentado em linhas volvidas, incidem
as majorantes do concurso de pessoas e emprego de arma de fogo
(artigo 157, §2º, inc. II, e §2º-A, inc. I, do Código Penal). Diante da nova
redação da Lei nº 13.654/2018, publicada em 24/4/2018, aumenta-se a
pena pela majorante do emprego de arma de fogo em 2/3 (dois terços) 30.
30 TJ-DF 20180910043989 DF 0001047-59.2018.8.07.0017, Relator: JOÃO BATISTA TEIXEIRA, Data
de Julgamento: 31/01/2019, 3º Turma Criminal, Data de Publicação: Publicado no DJe: 06/02/2019.
Pág. 188/205).
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Desta forma, aumento a expiação em 03 (três) anos, 10 (dez) meses e
18 (dezoito) dias – equivalente a fração ideal prevista no artigo 157, §2º-
A, do CP (2/3), ao que torno a pena definitiva em 09 (nove) anos, 08
(oito) meses e 15 (quinze) dias de reclusão.
Em obediência aos critérios estabelecidos para a fixação
da pena privativa de liberdade e atenta à situação econômica do réu, na
forma do art. 60 do Código Penal e aos parâmetros do art. 49 do mesmo
Códex, sopesando a proporcionalidade com a pena corporal, fixo a pena
de multa em 323 (trezentos e vinte e três) dias-multa, por proporção
aritmética com a reprimenda corporal.
– Rener Rafael de Souza:
O réu era imputável, bem como tinha pleno discernimento
para compreender a ilicitude de sua conduta, além de que era lhe
exigível comportamento diverso. Preenchido os pressupostos da
culpabilidade, passo a análise da postura do réu frente aos bens
jurídicos violados (teoria complexa da culpabilidade). Verifico que a
conduta do acusado excedeu os limites da norma, isso porque restou
demonstrado que ele se vangloriava de sua profissão (técnico agrícola)
com finalidade de ostentar idoneidade moral e consequente credibilidade
social no sentido de que camuflar as práticas ilícitas, utilizadas como
recursos para manutenção de seu padrão e meio de vida, em prejuízo da
honestidade e lealdade que a sociedade lhe cobra, razão porque
recrudesço a pena (+09 meses); maus antecedentes, é tecnicamente
primário (vide I.A.C. 408/410). Não existem elementos aptos a valorar
sua conduta social, razão porque neutralizo-a; sua personalidade é
desviada dos parâmetros aceitáveis, isso porque ao revés de calar a

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verdade, como lhe é de direito constitucional, o acusado opta por mentir
e induzir a erro nas investigações. Friso que a garantia do silêncio é fruto
de uma conquista árdua, de liberdade, e não pode se misturar a uma
figura que representa a má-fé. Ademais, a mentira representa o que se
quer impedir em um processo: o encontro com a verdade, não existe um
direito de mentir e sim uma construção doutrinária e jurisprudencial no
sentido de forçar uma interpretação favorável ao imputado, induzindo a
um processo legal parcial, em que prevalece vantagem do réu em
desfavor da acusação e vítima, inobservando outras garantias, como
igualdade de armas, boa-fé, afigurando-se o acusado de personalidade
dissimulada, razão pela qual recrudesço a pena base (+9meses); os
motivos do crime são inerentes ao tipo penal, obtenção de lucro fácil;
as circunstâncias ultrapassam a esfera dos elementos integrantes do
tipo, uma vez que escolheram pacata cidade do interior – São Miguel do
Passa Quatro/GO, aproveitando-se da deficiência da segurança pública
(policiamento) para o sucesso dos seus intentos, além de que o crime foi
cometido em concurso de pessoas, razão porque recrudesço a pena
(+09 meses); consequências, são inerentes a objetividade jurídica do
crime; a vítima em nada contribuiu para a prática delituosa, ao contrário
obedeceu fielmente às ordens sob grave ameaça.
Dessa forma, à vista de 03 (três) circunstâncias judiciais
desfavoráveis fixo a pena base em 06 (seis) anos, 02 (dois) meses e 28
(vinte e oito) dias de reclusão.
Na fase intermediária, inexistem circunstâncias
atenuantes, porém, acuso incidência da circunstância agravante prevista
no artigo 62, inc. I, do Código Penal, uma vez que restou demonstrado

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que o sentenciado Rener Rafael de Souza chefiava a ação dos demais
comparsas, razão porque recrudesço a pena em 01 (um) ano e 15
(quinze) dias, equivalente a 1/6 (um sexto), ao que torno a pena, nesta
fase, em 07 (sete) anos e 14 (quatorze) dias de reclusão.
Na fase derradeira, não se fazem presentes causas de
diminuição, porém, conforme fundamentado em linhas volvidas, incidem
as majorantes do concurso de pessoas e emprego de arma de fogo
(artigo 157, §2º, inc. II, e §2º-A, inc. I, do Código Penal). Diante da nova
redação da Lei nº 13.654/2018, publicada em 24/4/2018, aumenta-se a
pena pela majorante do emprego de arma de fogo em 2/3 (dois terços) 31.
Desta forma, aumento a expiação em 04 (quatro) anos, 08 (oito) meses e
10 (dez) dias, ao que torno a pena definitiva em 11 (onze) anos, 08
(oito) meses e 24 (vinte e quatro) dias de reclusão.
Em obediência aos critérios estabelecidos para a fixação
da pena privativa de liberdade e atenta à situação econômica do réu, na
forma do art. 60 do Código Penal e aos parâmetros do art. 49 do mesmo
Códex, sopesando a proporcionalidade com a pena corporal, fixo a pena
de multa em 441 (quatrocentos e quarenta e um) dias-multa, por
proporção aritmética com a reprimenda corporal.
Ação Penal nº 201801050176:
1) Crime de Roubo Majorado – Artigo 157, §2º, inc. II,
do Código Penal (vítimas Juliana Sabrina de Carvalho e Benedito
Gregório de Sousa):
– Rhebert da Silva Teixeira:
O réu era imputável, bem como tinha pleno discernimento
31 TJ-DF 20180910043989 DF 0001047-59.2018.8.07.0017, Relator: JOÃO BATISTA TEIXEIRA, Data
de Julgamento: 31/01/2019, 3º Turma Criminal, Data de Publicação: Publicado no DJe: 06/02/2019.
Pág. 188/205).
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para compreender a ilicitude de sua conduta, além de que era lhe
exigível comportamento diverso. Preenchido os pressupostos da
culpabilidade, passo a análise da postura do réu frente aos bens
jurídicos violados (teoria complexa da culpabilidade). Verifico que a
conduta do acusado excedeu os limites da norma, isso porque usava
drogas para execução dos crimes, o que aumenta o temor das vítimas,
bem como impinge maior agressividade do agente, razão porque
recrudesço a pena (+9meses); é portador de maus antecedentes, vez
que possui sentença condenatória transitada em julgado em data anterior
(TJ 17/7/2018) ao fato imputado (Protocolo nº 165295-87.2017 – fl. 405),
razão porque recrudesço a pena (+9meses). Não bastasse, infere-se que
o sentenciado é reincidente específico, vez que possui condenação por
crime de roubo, com sentença transitada em julgado em 16/5/2018
(Protocolo nº 282998-39.2017 – fl. 406), circunstância que será valorada
na segunda fase dosimétrica. Não existem elementos aptos a valorar sua
conduta social razão porque neutralizo-a; sua personalidade é
desviada dos parâmetros aceitáveis, isso porque ao revés de calar a
verdade, como lhe é de direito constitucional, o acusado opta por mentir
e induzir a erro nas investigações. Friso que a garantia do silêncio é fruto
de uma conquista árdua, de liberdade, e não pode se misturar a uma
figura que representa a má-fé. Ademais, a mentira representa o que se
quer impedir em um processo: o encontro com a verdade, não existe um
direito de mentir e sim uma construção doutrinária e jurisprudencial no
sentido de forçar uma interpretação favorável ao imputado, induzindo a
um processo legal parcial, em que prevalece vantagem do réu em
desfavor da acusação e vítima, inobservando outras garantias, como

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igualdade de armas, boa-fé, afigurando-se o acusado de personalidade
dissimulada, razão pela qual recrudesço a pena base (+9meses); os
motivos do crime são inerentes ao tipo penal, obtenção de lucro fácil;
as circunstâncias ultrapassam a esfera dos elementos integrantes do
tipo, uma vez que escolheram pacata cidade do interior – São Miguel do
Passa Quatro/GO, aproveitando-se da deficiência da segurança pública
(policiamento) para o sucesso dos seus intentos, razão porque
recrudesço a pena (+09 meses); as consequências são inerentes a
objetividade jurídica do crime; a vítima em nada contribuiu para a prática
delituosa, ao contrário obedeceu fielmente às ordens sob grave ameaça.
Dessa forma, diante das circunstâncias judiciais
desfavoráveis, fixo a pena base em 06 (seis) anos, 11 (onze) meses e
27 (vinte e sete) dias de reclusão.
Na fase intermediária, acuso incidência das atenuantes da
menoridade relativa e confissão, (CP, art. 65, incisos I e III, alínea “d”),
bem como da agravante da reincidência específica (CP, art. 61, inc. I) –
condenação transitada em julgado em 28/5/2018 (fl. 406) e a agravante
genérica prevista no artigo 61, inc. II, alínea “h”, do Código Penal, uma
vez que o crime foi cometido contra vítima maior de 60 (sessenta) anos –
Benedito Gregório de Souza (vide fl. 52).
Assim, evidenciado concurso de circunstâncias
atenuantes e agravantes, compenso-as para manter a pena, nesta fase,
em 06 (seis) anos, 11 (onze) meses e 27 (vinte e sete) dias de
reclusão.
Na terceira fase, ausentes causas de diminuição, presente
a majorante do concurso de pessoas (artigo 157, §2º, inc. II, do Código

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Penal), aumento a pena em 1/3, resultando em 02 (dois) anos, 03 (três)
meses e 29 (vinte e nove) dias, tornando-a definitiva em 09 (nove) anos,
03 (três) meses e 25 (vinte e cinco) dias de reclusão.
Em obediência aos critérios estabelecidos para a fixação
da pena privativa de liberdade e atenta à situação econômica do réu, na
forma do art. 60 do Código Penal e aos parâmetros do art. 49 do mesmo
Códex, sopesando a proporcionalidade com a pena corporal, fixo a pena
de multa em 300 (trezentos) dias-multa, por proporção aritmética com
a reprimenda corporal.
2) Crime de Corrupção de Menores – Artigo 244-B do
ECA:
(1) Culpabilidade, não excede aos limites da norma; (2) é
portador de maus antecedentes, vez que possui sentença condenatória
transitada em julgado em data anterior (TJ 17/7/2018) ao fato imputado
(Protocolo nº 165295-87.2017 – fl. 405), razão porque recrudesço a pena
(+4meses15dias). Não bastasse, infere-se que o sentenciado é
reincidente, vez que possui condenação por crime de roubo, com
sentença transitada em julgado em 16/5/2018 (Protocolo nº 282998-
39.2017 – fl. 406), circunstância que será valorada na segunda fase
dosimétrica; (3) inexistem elementos aptos a valoração da conduta
social; (4) a personalidade é insuscetível de valoração, dada a falta de
estudo técnico, para tanto, razão porque tenho a como normal; (5/6) os
motivos e as circunstâncias se confundem com a própria objetividade
jurídica; (7) as consequências, estão abrangidas pela valoração
legislativa (8) a vítima em nada contribuiu para ocorrência do fato.
À vista de 01 (uma) circunstância judicial desfavorável,

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fixo a pena base em 01 (um) ano e 04 (quatro) meses e 15 (quinze)
dias de reclusão.
Na fase intermediária, acuso incidência das circunstâncias
atenuantes da menoridade relativa e confissão espontânea, (CP, art. 65,
incisos I e III, alínea “d”), bem como agravante da reincidência (CP, art.
61, inc. I), razão porque neutralizo-as, por serem de natureza subjetiva.
Presente, ainda, a circunstância atenuante da menoridade relativa,
diminuo a expiação e 1/6 (um sexto) – equivalente a 02 (dois) meses e
22 (vinte e dois) dias, ao que fixo a pena, nesta fase, em 01 (um) ano,
01 (um) mês e 23 (vinte e três) dias de reclusão.
Face a ausência de causas de aumento ou diminuição de
pena, torno a pena definitiva em 01 (um) ano, 01 (um) mês e 23 (vinte e
três) dias de reclusão.
3) Associação Criminosa – Art. 288, parágrafo único,
do Código Penal:
(1) Culpabilidade, não excede aos limites da norma; (2) é
portador de maus antecedentes, vez que possui sentença condenatória
transitada em julgado em data anterior (TJ 17/7/2018) ao fato imputado
(Protocolo nº 165295-87.2017 – fl. 405), razão porque recrudesço a pena
(+3meses). Não bastasse, infere-se que o sentenciado é reincidente, vez
que possui condenação por crime de roubo, com sentença transitada em
julgado em 16/5/2018 (Protocolo nº 282998-39.2017 – fl. 406),
circunstância que será valorada na segunda fase dosimétrica; (3)
inexistem elementos aptos a valoração da conduta social; (4) a
personalidade é desviada dos parâmetros aceitáveis, isso porque ao
revés de calar a verdade, como lhe é de direito constitucional, o acusado

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opta por mentir e induzir a erro nas investigações. Friso que a garantia
do silêncio é fruto de uma conquista árdua, de liberdade, e não pode se
misturar a uma figura que representa a má-fé. Ademais, a mentira
representa o que se quer impedir em um processo: o encontro com a
verdade, não existe um direito de mentir e sim uma construção
doutrinária e jurisprudencial no sentido de forçar uma interpretação
favorável ao imputado, induzindo a um processo legal parcial, em que
prevalece vantagem do réu em desfavor da acusação e vítima,
inobservando outras garantias, como igualdade de armas, boa-fé,
afigurando-se o acusado de personalidade dissimulada, razão pela qual
recrudesço a pena base (+3meses); (5/6) os motivos e as
circunstâncias se confundem com a própria objetividade jurídica; (7) as
consequências, estão abrangidas pela valoração legislativa (8) a vítima
em nada contribuiu para ocorrência do fato.
À vista de 02 (duas) circunstância judicial desfavorável,
fixo a pena base em 01 (um) ano e 06 (seis) meses de reclusão.
Na fase intermediária, acuso incidência da circunstância
atenuante da menoridade relativa, (CP, art. 65, inc. I), bem como
agravante da reincidência (CP, art. 61, inc. I). Em razão da
preponderância da atenuante da menoridade relativa, diminuo a pena em
metade (½) de 1/6 (um sexto) – equivalente a 01 (um) mês e 15 (quinze)
dias, ao que fixo a pena, nesta fase, em 01 (um) ano e 04 (quatro)
meses e 16 (dezesseis) dias de reclusão.
Inexistentes causas especiais de diminuição da pena,
incide o aumento do parágrafo único do artigo 288 do Código Penal,
porquanto comprovado que a associação é armada, bem como que

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dentre seus integrantes, figura o inimputável R.P.M.A.M. (DN 28/3/2002),
motivo porque aumento a pena de metade, correspondente a 08 (oito)
meses e 08 (oito) dias, ao que torno a pena definitiva para este crime em
02 (dois) anos e 24 (vinte e quatro) dias de reclusão.
Reconhecida a prática de 3 (três) crimes de roubo, em
concurso com corrupção de menores incide, nesses crimes, um único
concurso, conforme reiterada jurisprudência, de forma que aplicável a
regra do crime continuado (artigo 71, parágrafo único do CP), a qual
autoriza aumento da pena até o triplo.
Isso posto, considerando que analisadas desfavoráveis, a
culpabilidade, antecedentes e personalidade e circunstâncias dos crimes
desfavoráveis, procedo com aumento de 2/3 da pena mais grave, qual
seja roubo circunstanciado (artigo 157, §2º, II e §2º-A, I do CP), para o
qual fixada pena privativa de liberdade de 09 (nove) anos, 08(oito) meses
e 15 (quinze) dias, a fração de 2/3 importa no acréscimo de 06(seis)
anos, 05(cinco) meses e 20 (vinte) dias de reclusão, ao que fica a pena
definitiva, para os três crimes de roubo e corrupção de menores em 16
(dezesseis) anos, 02 (dois) meses e 05 (cinco) dias de reclusão.
Ainda, incide a regra do artigo 69 do Código Penal, vez
que inexistente a continuidade delitiva porque de espécies diferentes.
Assim, incidente o cômputo material, somam-se as penas da associação
criminosa, parágrafo único do artigo 288 do Código Penal, com aquela
resultante da continuidade delitiva, ao que fica o réu Rhebert da Silva
Teixeira, condenado a pena definitiva de 18 (dezoito) anos, 02 (dois)
meses e 29 (vinte e nove) dias de reclusão, a ser cumprida no regime
inicial fechado (artigo 33, §2º, alínea “a” e §3º, do CP e 112 da LEP), na

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Unidade Prisional de Vianópolis/GO, com observância de que trata-se de
réu reincidente específico.
A pena de multa, segue os mesmos critérios da pena
privativa de liberdade e concurso de crimes, devendo ser aplicadas de
forma distinta e integralmente (CP, art. 72), ao que fixo-a em 628
(seiscentos e vinte e oito) dias-multa, por proporção aritmética com a
reprimenda corporal, e fixo o valor do dia-multa no equivalente a 1/30
(um trigésimo) do salário-mínimo, vigente na data do fato, isso porque o
objetivo da pena de multa é que o condenado proceda com o pagamento
de um dia do seu trabalho a título de punição, acrescidos de correção
monetária, pela variação do INPC, desde a data do fato (Súmula
43/STJ), considerada a situação financeira do réu, tudo com arrimo nos
artigos 49, § 1º e 60, ambos do Código Penal.
Ausentes requisitos dos artigos 44, inc. I, e 77 do Código
Penal, deixo de substituir a pena, bem assim com suspensão condicional
da pena.
– Rener Rafael de Souza:
Em obediência ao princípio da individualização da pena,
passo a análise das circunstâncias judiciais dispostas no artigo 59 do CP.
O réu era imputável, bem como tinha pleno discernimento
para compreender a ilicitude de sua conduta, além de que exigível
comportamento diverso. Preenchidos pressupostos da culpabilidade,
vejo que a conduta do réu excede os limites da norma, isso porque
demonstrado que usando de sua formação como técnico agrícola,
ostentava idoneidade moral e credibilidade social para camuflar a
veracidade da manutenção do estilo de vida e estabilidade financeira,

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tanto que até mesmo em juízo, tentou valer-se desse subterfúgio, de
forma a obstaculizar o trabalho da justiça e investigações, em torno dos
atos ilícitos que lhe forma imputados, do que extraio, sua culpabilidade
excede aos limites da norma, de forma que recrudesço a pena (+09
meses); maus antecedentes, é tecnicamente primário (vide I.A.C.
408/410); inexistem elementos aptos a valoração de sua conduta social,
o que não o prejudica; tem personalidade desviada dos parâmetros
aceitáveis, isso porque o direito ao silêncio outorga-lhe o direito de calar-
se, porém optou por mentir e tentar induzir em erro este juízo. Friso que
a garantia do silêncio é fruto de uma conquista árdua, de liberdade, e não
pode se misturar a uma figura que representa a má-fé. Ademais, a
mentira representa o que se quer impedir em um processo: o encontro
com a verdade, não existe um direito de mentir e sim uma construção
doutrinária e jurisprudencial no sentido de forçar uma interpretação
favorável ao imputado, induzindo a um processo legal parcial, em que
prevalece vantagem do réu em desfavor da acusação e vítima,
inobservando outras garantias, como igualdade de armas, boa-fé,
afigurando-se o acusado de personalidade dissimulada, razão pela qual
recrudesço a pena base (+9meses); os motivos do crime são inerentes
ao tipo penal, fez do crime seu meio de vida; as circunstâncias são
desfavoráveis vez que elegeu a pacata cidade de São Miguel do Passa
Quatro/GO, como palco para prática da conduta, aproveitando-se da
deficiência na segurança pública (policiamento) para o sucesso dos seus
intentos, além de que o crime foi cometido mediante concurso de
pessoas,valendo inclusive de adolescentes para sua consumação, razão
porque recrudesço a pena (+09 meses); consequências, são inerentes

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a objetividade jurídica do crime; as vítima(s) em nada contribuíram para
a prática delituosa, ao contrário obedeceu fielmente às ordens sob grave
ameaça.
À vista de 03 (três) circunstâncias judiciais desfavoráveis,
fixo a pena base em 06 (seis) anos e 02 (dois) meses e 28 (vinte e
oito) dias de reclusão.
Na fase intermediária, inexistem circunstâncias
atenuantes, porém, acuso incidência da agravante do artigo 62, inc. I, do
Código Penal, o sentenciado Rener Rafael de Souza era quem dava as
ordens e coordenava, ainda que a distância a conduta dos comparsas, o
que autoriza recrudescimento da pena, nesta fase. Assim aumento em
1/6 (um sexto) a pena já fixada, equivalente 01 (um) e 15 (quinze) dias,
ao que fixo provisoriamente em 07 (sete) anos, 03 (três) meses e 12
(doze) dias de reclusão.
Na terceira fase da dosimetria, ausentes causas de
diminuição, presente majorante do concurso de pessoas (artigo 157, §2º,
inc. II, do CP), aumento a pena em 1/3 (um terço), equivalente a 02 (dois)
anos, 05 (cinco) meses e 03 (três) dias, a qual torno definitva em 09
(nove) anos, 08 (oito) meses e 15 (quinze) dias de reclusão.
Em obediência aos critérios estabelecidos para a fixação
da pena privativa de liberdade e atenta à situação econômica do réu, na
forma do art. 60 do Código Penal e aos parâmetros do art. 49 do mesmo
Códex, sopesando a proporcionalidade com a pena corporal, fixo a pena
de multa em 323 (trezentos e vinte e três) dias-multa, por proporção
aritmética com a reprimenda corporal.
2) Corrupção de Menores – Artigo 244-B do ECA:

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(1) Culpabilidade, não excede aos limites da norma; (2)
maus antecedentes, é tecnicamente primário (fls. 408/410); (3) Não
existem elementos aptos a valorar sua conduta social, razão porque
neutralizo-a; (4) sua personalidade é desviada dos parâmetros
aceitáveis, isso porque ao revés de calar a verdade, como lhe é de direito
constitucional, o acusado opta por mentir e induzir a erro nas
investigações. Friso que a garantia do silêncio é fruto de uma conquista
árdua, de liberdade, e não pode se misturar a uma figura que representa
a má-fé. Ademais, a mentira representa o que se quer impedir em um
processo: o encontro com a verdade, não existe um direito de mentir e
sim uma construção doutrinária e jurisprudencial no sentido de forçar
uma interpretação favorável ao imputado, induzindo a um processo legal
parcial, em que prevalece vantagem do réu em desfavor da acusação e
vítima, inobservando outras garantias, como igualdade de armas, boa-fé,
afigurando-se o acusado de personalidade dissimulada, razão pela qual
recrudesço a pena base (+4meses15dias); (5/6) os motivos e as
circunstâncias se confundem com a própria objetividade jurídica; (7) as
consequências, estão abrangidas pela valoração legislativa (8) a vítima
em nada contribuiu para ocorrência do fato.
À vista de 01 (uma) circunstância judicial desfavorável,
fixo a pena base em 01 (um) ano, 04 (quatro) meses e 15 (quinze) dias
de reclusão.
Na fase intermediária, inexistem circunstâncias
atenuantes, porém, acuso incidência da agravante do artigo 62, inc. I, do
Código Penal, o sentenciado Rener Rafael de Souza era quem dava as
ordens e coordenava, ainda que a distância a conduta dos comparsas, o

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que autoriza recrudescimento da pena, nesta fase. Assim aumento em
1/6 (um sexto) a pena já fixada, equivalente a 02 (dois) meses e 22 (vinte
e dois) dias, a qual fixo torno definitiva, ante a ausência de causas de
diminuição e aumento de pena em 01 (um) ano, 07 (sete) meses e 7
(sete) dias de reclusão.
3) Associação Criminosa – Art. 288, parágrafo único,
do CP:
(1) Culpabilidade, não excede aos limites da norma; (2)
maus antecedentes, é tecnicamente primário (fls. 408/410); (3) Não
existem elementos aptos a valorar sua conduta social, razão porque
neutralizo-a; (4) sua personalidade desviada dos parâmetros aceitáveis,
isso porque o direito ao silêncio outorga-lhe o direito de calar-se, porém
optou por mentir e tentar induzir em erro este juízo. Friso que a garantia
do silêncio é fruto de uma conquista árdua, de liberdade, e não pode se
misturar a uma figura que representa a má-fé. Ademais, a mentira
representa o que se quer impedir em um processo: o encontro com a
verdade, não existe um direito de mentir e sim uma construção
doutrinária e jurisprudencial no sentido de forçar uma interpretação
favorável ao imputado, induzindo a um processo legal parcial, em que
prevalece vantagem do réu em desfavor da acusação e vítima,
inobservando outras garantias, como igualdade de armas, boa-fé,
afigurando-se o acusado de personalidade dissimulada, razão pela qual
recrudesço a pena base (+3meses); (5/6) os motivos e circunstâncias
são inerentes à espécie; (7) as consequências, são abrangidas pela
norma; (8) não há que se falar em vítimas, trata-se de crime vago.
À vista de 01 (uma) circunstância judicial desfavorável,

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qual seja, circunstâncias do crime, fixo a pena base em 01 (um) ano e 03
(três) meses de reclusão.
Na fase intermediária, inexistem circunstâncias
atenuantes, presente a agravante prevista do artigo 62, inc. I, do Código
Penal, demonstrado que o sentenciado comandava a ação dos
comparsas, conforme fundamentação exaustiva nesta sentença, em
especial extraível das conversas com o adolescente R.P.M.A.M., razão
porque recrudesço a pena 1/6 (um sexto), equivalente a 05 (cinco)
meses, a qual fixo provisoriamente em 01 (um) ano e 08 (oito) meses
de reclusão.
Inexistentes causas de diminuição da pena, incide o
aumento do parágrafo único do artigo 288 do Código Penal, porquanto
comprovado que a associação era armada, bem como o envolvimento
de adolescentes, motivo porque aumento a pena de metade,
correspondente a 08 (oito) meses e 08 (oito) dias, a qual torno definitiva
em 02 (dois) anos e 06 (seis) meses de reclusão.
Reconhecida a prática de 3 (três) crimes de roubo, em
concurso com corrupção de menores incide um único concurso,
conforme reiterada jurisprudência, de forma que aplicável a regra do
crime continuado (artigo 71, parágrafo único do CP), que autoriza
aumento da pena até o triplo.
Isso posto, considerando que culpabilidade é
desfavorável, antecedentes, personalidade e circunstâncias dos crimes,
procedo com aumento de 2/3 da pena mais grave, qual seja roubo
circunstanciado (artigo 157, §2º, II e §2º-A, I do CP), para o qual fixada
pena privativa de liberdade de 11 (onze) anos, 08 (oito) meses e 24 (vinte

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e quatro) dias, a fração de 2/3 importa no acréscimo de 07 (sete) anos,
09 (nove) meses e 25 (vinte e cinco) dias de reclusão, ao que fica a pena
definitiva, para os três crimes de roubo e corrupção de menores em 19
(dezenove) anos, 06 (seis) meses e 19 (dezenove) dias de reclusão.
Ainda, incide a regra do artigo 69 do Código Penal, vez
que inaplicável continuidade delitiva, porque de espécies diferentes.
Assim, incide o cômputo material, somam-se as penas da associação
criminosa, parágrafo único do artigo 288 do Código Penal, com aquela
resultante da continuidade delitiva, ao que fica o réu Rener Rafael de
Souza, condenado a pena definitiva de 22 (vinte e dois) anos e 19
(dezenove) dias de reclusão, a ser cumprida no regime inicial fechado
(artigo 33, §2º, alínea “a” e §3º, do CP e 112 da LEP), na Unidade
Prisional de Vianópolis/GO.
A pena de multa, segue os mesmos critérios da pena
privativa de liberdade e concurso de crimes, devendo ser aplicadas de
forma distinta e integralmente (CP, art. 72), ao que fixo-a em 764
(setecentos e sessenta e quatro) dias-multa, por proporção aritmética
com a reprimenda corporal, e fixo o valor do dia-multa no equivalente a
1/30 (um trigésimo) do salário-mínimo, vigente na data do fato, isso
porque o objetivo da pena de multa é que o condenado proceda com o
pagamento de um dia do seu trabalho a título de punição, acrescidos de
correção monetária, pela variação do INPC, desde a data do fato
(Súmula 43/STJ), considerada a situação financeira do réu, tudo com
arrimo nos artigos 49, § 1º e 60, ambos do Código Penal.
Ausentes requisitos dos artigos 44, inc. I, e 77 do Código
Penal, deixo de substituir a pena, bem assim com suspensão condicional

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da pena.
Da Prisão Preventiva e Recurso:
No caso vertente, os réus responderam presos ao
processo, portanto não há fundamento para revogação da prisão
preventiva.
Assim, com fundamento no artigo 387, parágrafo único do
CPP, nego aos sentenciados Rhebert da Silva Teixeira e Rener Rafael
de Souza, o direito de recorrer em liberdade, isso porque persistem os
motivos e fundamentos que ensejaram a custódia cautelar.
Registro que as condutas imputadas são de natureza
grave, os fatos estão devidamente provados, nestes autos de ação
penal, o acusado Rener em especial dificultou a produção probatória,
usando argumentos destituídos de provas, o que demonstra inexistência
de arrependimento e alto grau de probabilidade de reiteração, o que
expõe a riscos a ordem pública.
Restou comprovado que organizou e comandou
associação criminosa, com indícios de parceria com pessoa presa, em
nítido propósito de roubar veículos automotores, quando agiam os
integrantes com violência exacerbada.
Ademais, o corréu Rhebert é reincidente específico.
Registro que Rhebert não comprova ocupação lícita,
enquanto Rener, embora tenha comprovado ser técnico agrícola, consta
que fazia da profissão o meio de ocultar os crimes comandados.
Ademais, antes tinha-se a dúvida sobre os fatos, haviam
indícios e estavam presos, agora tem-se a certeza, dada a
superveniência do presente decisum, com o reconhecimento da

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culpabilidade, responsabilidade e imposição de pena em regime inicial
fechado.
E mais, os fatos provados demonstram periculosidade dos
réus32.
Destarte, tenho por caracterizado os requisitos
cumulativos do fumus commissi delict – prova da existência dos crimes e
indícios suficientes de autoria –, isto é, a plausibilidade do direito de punir
estatal e o periculum libertatis, que é o perigo concreto que a liberdade
dos sentenciados traz para garantia da ordem pública e aplicação da lei
penal.
Pelo exposto, mantenho a prisão preventiva dos
sentenciados.
Nos termos do artigo 804 do Código de Processo Penal,
condeno os sentenciados, ao pagamento das custas processuais, ao que
a exigibilidade do pagamento das custas do corréu Rhebert da Silva
Teixeira fica suspensa pelo prazo de até 5 (cinco) anos, ou enquanto
perdurar a situação de miserabilidade, porquanto está em juízo por
advogado dativo.
Arbitro honorários advocatícios em 8 (oito) UHD's, a serem
pagos ao Dr. Darlan Carlos Vieira, OAB/GO nº 48.359, nomeado para
patrocínio das defesas de Rhebert da Silva Teixeira e Andrew Willian

32 RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. ESTUPRO CONTRA VULNERÁVEL. PRISÃO


PREVENTIVA. RISCO DE REITERAÇÃO DELITIVA. PERICULOSIDADE CONCRETA DO ACUSADO.
FUNDAMENTO IDÔNEO. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte Superior é
remansosa no sentido de que a determinação de segregar o réu, antes de transitada em julgado a
condenação, deve efetivar-se apenas se indicada, em dados concretos dos autos, a necessidade da
cautela (periculum libertatis), à luz do disposto no art. 312 do CPP. 2. Na hipótese, o juiz de primeiro grau
demonstrou a necessidade da prisão preventiva para garantia da ordem pública, pois destacou no
decreto prisional que há indícios de que o imputado crime contra a liberdade sexual de pessoa
vulnerável não é fato isolado na vida do recorrente, o que evidencia o fundado risco de reiteração
delitiva e a periculosidade concreta do acusado. 3. Recurso não provido. STJ. Recurso Ordinário em
Habeas Corpus RHC 47658 BA. DJe. 02/03/2015.
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Santos da Silva.
Face aos prejuízos suportados pela vítima Nícolas Júnio
Ferreira Ribeiro, condeno os acusados a reparação do dano no valor
mínimo de R$ 2.000,00 (dois mil reais) - artigo 387, inc. IV, do CPP.
Quanto as demais vítimas, deixo de fixar valor mínimo
para reparação de danos face a inexistência de parâmetros para fazê-lo
(CPP, art. 387, IV).
Intime-se às vítimas, por qualquer meio de comunicação,
do encerramento da ação penal em primeira instância (art. 201, §2º do
CPP).
Em tempo, defiro a restituição dos aparelhos celulares
apreendidos, mediante apresentação de nota fiscal do proprietário.
Decorrido o prazo de 90 (noventa) dias e não comprovada
a propriedade, proceda-se a avaliação dos aparelhos telefônicos e
volvam-me conclusos para destinação.
Indefiro o pedido de restituição da touca ninja, até porque
me afigura ilícita sua restituição, tendo em vista as circunstâncias de sua
apreensão, a qual determino seja destruída.
Em caso de recurso voluntário, expeçam-se guias de
execução provisória, nos termos da Resolução nº 113 do Conselho
Nacional de Justiça – CNJ, de modo que a guia em nome do sentenciado
Rhebert da Silva Teixeira deve ser anexada ao caderno de Execução
Penal nº 201801106090, em trâmite neste juízo.
Em tempo, extraia-se cópia da mídia e termo de
audiência (fls. 304/306), bem assim da mídia de fls. 71 e remeta à
Autoridade Policial, para fins de apuração do crime de falso

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testemunho praticado por Gabriela Miguel Carmo de Souza.
Transitada em Julgado a Sentença:
a) Certifique-se a formação da coisa julgada de maneira
individual – trânsito em julgado para acusação e para Defesa:
b) Notifiquem-se os acusados para o pagamento da pena
de multa, cumprindo-se o disposto no artigo 686, do Código de Processo
Penal, e vencido o prazo sem o pagamento ou pedido de parcelamento
da pena de multa, com amparo no artigo 51 do Código Penal e no
Provimento nº 08/2001 da Corregedoria Geral de Justiça, extraia-se a
certidão para inclusão na Dívida Ativa do Estado;
b.1) Intime-se o sentenciado Rener Rafael de Souza para
pagamento, na parte que lhe cabe, das custas processuais, sob pena de
averbação na dívida ativa do Estado;
c) Lancem-se os nomes dos sentenciados no rol dos
culpados e proceda com anotações no SINIC;
d) Comunique-se a Justiça Eleitoral via sistema INFODIB,
para fins do comando ”ASE 337”, e consequente suspensão dos direitos
políticos, conforme inteligência do artigo 15, inciso III, da Constituição da
República e Súmula nº 09 do Tribunal Superior Eleitoral;
e) Expeçam-se guias definitivas de execução penal, nos
termos da Resolução nº 113 do Conselho Nacional de Justiça – CNJ.
f) Expeça-se certidão de honorários.
Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Cumpra-se.
Vianópolis-GO, 08 de março de 2019.

MARLI DE FÁTIMA NAVES


-Juíza de Direito-
A. A. – Pág. 78 de 78.
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