Será Que Ninguém Viu Isto?

- por René Burkhardt | 08 de Setembro de 2010

Ontem à noite, em oração, algumas palavras de Jesus tocaram fundo em mim. Certamente, porque o Senhor tem falado sobre o assunto comigo, há alguns meses. Ele disse: “Não o proíbam; porque não há ninguém que faça milagre em meu nome e, logo a seguir, possa falar mal de mim” (Mc 9.39). João havia dito ao Mestre, que um determinado homem expelia demônios em nome de Jesus. Mas, por esse homem não andar junto com eles, os discípulos simplesmente o proibiram de continuar fazendo aquilo. E, depois de dizer para eles não proibirem tal coisa, Jesus ainda indicou que só há duas possibilidades, em relação a Ele: “Quem não é contra nós, é por nós!” (v. 40). Ou seja, quem não age contra Cristo, age a favor dEle. Não existe meio-termo! Ou a pessoa vive o seu dia-a-dia em nome de Jesus, como Seu representante (embaixador), ou vive por seu próprio nome, afastada do Deus Pai e Criador e, o que é pior, contra Ele. Entendi que o Senhor estava me falando, como em tantas outras vezes, a respeito da unidade que deve haver em torno do Seu Nome. Seus discípulos, ali, agiram como se fossem pessoas especiais, por participarem do único grupo de pessoas escolhidas por Deus, para serem representantes de Seu Nome, aqui na terra. E foram envergonhados por isto! A atitude que tomaram, por conta da visão que tinham, foi reprovada pelo Senhor! Em outras palavras, o Senhor estava dizendo a eles: “É certo que escolhi vocês individualmente, para andarem comigo. Porém, há outras pessoas que reconhecem o Meu senhorio e optam por Me servir. E o Pai as traz para Mim! Vocês podem confirmar isto pelo Seu poder que foi manifestado através desse homem. Aquele homem, que vocês discriminaram, demonstrou sua fé em Mim, ao agir em Meu Nome e ao imitar Minhas atitudes. Ele não agia para sua própria glória, mas para a Minha!”. E foi isso que encheu meu coração de temor, que me consternou profundamente. Olhei para trás, para meus passos, e fiquei estarrecido com a quantidade de vezes que agi exatamente da mesma forma que os discípulos agiram naquela ocasião, e quantas vezes agi de maneira ainda pior que eles. Pior do que isto: olhei em volta, para a Igreja, e me enxerguei em quase todas as pessoas que se professam membros do Corpo de Cristo. Quantas vezes ouvi de Seus membros: “A Igreja é um corpo em movimento!”. E é verdade. Mas o movimento que se vê é de autodestruição. O movimento que se vê é de membros digladiando-se entre si. Um aponta para o outro e diz que o seu grupo é o único correto e que, por isto, o outro não é cristão e não tem o direito de dizer que está servindo ao Seu Senhor. Mais do que isto, um “proíbe” o outro de agir em nome de Jesus! Todos sabem que são membros do Corpo, mas cada um se considera a cabeça do corpo, nunca um membro inferior. Podem até afirmar o contrário com seus lábios, mas é isto que mostram com suas atitudes! E, como cabeça desmiolada, olham para os membros e dizem que eles não são membros. Uns dizem que a salvação é pela eleição soberana e incondicional de Deus. Outros dizem que é pela eleição presciente, soberana e condicional. Uns dizem que os mil anos de reinado de Cristo na terra é espiritual e já está ocorrendo, enquanto outros dizem que ele será literal e ainda vai ocorrer. Uns dizem que o dízimo ainda é uma obrigação da Igreja, enquanto outros dizem que não é mais. Uns acham que o Espírito Santo não Se manifesta mais com o poder que Se manifestava no princípio da Igreja, ao passo que outros acham que Ele ainda Se manifesta assim. E milhares de outros motivos ridículos! E cada um quer proibir o outro de dizer que está agindo em nome de Jesus!

Paulo já havia dito que não importa se um acha que pode comer e o outro acha que não pode. Não importa se um acha que tem que separar dias especiais e outro acha que não. Porque o que importa, realmente, é se cada um crê que Jesus Cristo é o Senhor e passa a seguir Seus passos, a imitá-lO, em transformação constante de vida, para a honra e glória do Senhor, não para satisfazer a sua própria soberba. Estes, sim, é que estão separados de Cristo e são contra Ele! “Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé” (Hb 2.4). Até quando ficaremos demonizando o servo alheio, julgando-o, desprezando-o, como se ele não fosse servo de Jesus, do Deus Altíssimo? Até quando vamos permitir que a nossa soberba reine em nossa vida, ao invés de Jesus? Por que não vemos que é conosco que o Senhor está falando, quando diz que vai chamar todos os “indignos” para a Sua ceia, no lugar daqueles que Ele havia convidado anteriormente? Quando lemos, ou ouvimos, essa passagem de Lucas 14, sempre pensamos, conosco mesmos, que Ele está falando dos outros crentes, nunca de nós mesmos! Mas é conosco que Ele está falando, porque nós estamos nos ocupando com idéias de homens, em vez de aceitarmos o Seu convite e irmos em Sua direção! Morremos defendendo preceitos humanos, mas não aceitamos nem um desmaio em nome de Jesus! Dizemos que estamos fazendo a Sua vontade, mas nos enchemos de ódio se alguém não pensa como nós! Tudo isso é viver uma mentira! Tudo isso exclui de nossas vidas o amor com que fomos amados por Jesus! Nós dizemos que aceitamos e recebemos esse amor, mas não o repassamos adiante. Nunca! Achamos que isso é exclusividade nossa. Os outros que se virem para recebê-lo. Basta que ajam e pensem como nós, que, então, eles também serão merecedores desse amor. Mas desde quando fomos merecedores de alguma coisa vinda de Deus? Nenhum de nós é merecedor de nada, a não ser de condenação eterna. E, agora que a graça nos alcançou, vamos continuar dando motivos para essa condenação, rejeitando a Jesus? Claro que não! Eu duvido que algum cristão professo responda sim a essa pergunta, conscientemente. Mas é o sim que nós estamos dizendo, ao nos rotularmos com nomes de homem e ao rotularmos aos outros também! Ao discriminarmos quem quer que seja, que pense diferente de nós! Jesus disse para nos amarmos uns aos outros. O Espírito de Cristo disse que o amor é o vínculo da perfeição e que devemos fazer o bem a todos, ESPECIALMENTE aos da família da fé. Ele não diz aos da família dos batistas, ou presbiterianos, ou assembleianos, ou católicos, ou wesleyanos, ou calvinistas, ou arminianos, ou agostinianos, ou pelagianos, ou de Paulo, ou de Apolo, ou de Cefas, ou de outro nome qualquer. É aos da família da fé em Cristo Jesus. Aqueles que crêem que Jesus Cristo, homem, é o único Deus e o único Mediador entre Deus e os homens. Aqueles que crêem que Ele morreu pelos pecados de todos e que foi ressuscitado por Deus, para que todos os que nEle crerem, sejam salvos. Aqueles que crêem que esse Jesus voltará para reunir definitivamente a Ele, todos os que nEle creram. Essa é a família da fé, que Deus considera. Essa é a família que será aperfeiçoada até se encontrar definitivamente com Ele. Assim diz o Senhor: "Hoje, se vocês ouvirem a minha voz, não endureçam o coração”. A voz do Senhor nos chama ao amor, e amar também é ceder. Não precisamos concordar com preceitos teológicos de ninguém, mas precisamos amar a todos e reconhecer que o erro que vemos nos outros pode estar, na verdade, em nós! Se não tivermos humildade para isto, é porque ainda não morremos com Cristo e caminhamos para a morte eterna. Ouçamos a Sua voz! Sejamos Um com Jesus, assim como Ele é Um com o Pai!

Extraído de http://kasteloforte.blogspot.com/2010/09/sera-que-ninguem-viu-isto.html

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