Você está na página 1de 1

Florestan Fernandes

Dos autores que possuem um importante papel na Educação brasileira, Florestan


Fernandes é um dos que possuem as obras mais diversas, primeiramente versando sobre
os Tupinambá, cujo registro etnológico foi muito importante na formação daquilo que veio
a se denominar “etnologia clássica”, que se interessava no estudo de temas internos à
sociedades indígenas, chegando inclusive a escrever sobre a educação entre os Tupinambá;
Em seguida, discutindo questões de raça, no trabalho que é tido como uma das primeiras
críticas à “democracia racial” (respondendo às teorias da mestiçagem de Gilberto Freyre,
em especial), presente em “A integração do negro na sociedade de classes”, mostrando,
através de relatos, registros sobre o quadro profissional do trabalho e também as
importantes reivindicações do movimento negro- que começava a (in)surgir por volta dos
anos 40 - que as condições de coexistência entre negros e brancos na sociedade de classes,
era “mediada” (para não dizer ditada) pelos padrões tradicionais raciais dos Brancos, que
mantinha intacta a condição do negro enquanto subalterno, condição que possuía em uma
sociedade anteriormente escravocrata, e que atualizou-se, sob uma outra configuração, na
passagem para uma sociedade de classes, agora como “marginal” (tanto no sentido
econômico -pauperização-, quanto no sentido social -deformação de sua identidade); e por
último, sobre revolução, estrutura social e econômica no (e do) Brasil, propondo que o país
estaria sob a forma de um “capitalismo dependente” (note-se o contato com as teorias da
dependência, que foram uma forma de trazer a análise de Marx mais próxima ao contexto
brasileiro, apesar de sua outra versão mais “weberiana” que tomou um maior destaque,
sobretudo em virtude da ascensão de um de seus signatários à presidência, Fernando
Henrique Cardoso, nos anos 90), na qual, para usar do vocabulário marxista (do qual o
autor considera-se um discípulo), sua infraestrutura e superestrutura estariam
subordinadas aos interesses de países do império (principalmente os Estados Unidos, que
na época possuíam um forte controle diplomático na América Latina). Para superar essa
condição, que nos legava, para o autor, a um eterno subdesenvolvimento, seria necessária
uma revolução social, tendo como unidade todas as categorias da classe trabalhadora.
Com efeito, o tema da educação é transversal em toda a extensão de suas
investigações, ainda que tome forma somente a partir dos anos 60, no auge da Ditadura
Empresarial-Militar, até o fim de sua vida, em 1995, no qual vivenciou o período chamado
de redemocratização. Interessa, aqui, esboçar o plano de imanência deste autor, em um
campo específico de seu trabalho, que é privilegiado sobretudo pela já afirmada
transversalidade do tema. Ou seja, o interessante é entender que tipo de transformações
ele esboçava, seus pontos de interesse e também, atualizar seu pensamento nesse plano
específico nos dias atuais.