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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Processo Nº. : 0003606-15.2016.8.05.0146
Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : JAILSON MARQUES DE ALMEIDA
Recorrido(s) : BANCO BRADESCO S.A
Origem : 2ª VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS - JUAZEIRO

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

VOTO- E M E N T A

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. CARTÃO. COBRANÇA INDEVIDA DE


SEGURO. INEXISTÊNCIA DE PROVAS ACERCA DA CONSTITUIÇÃO REGULAR DA
RELAÇÃO JURÍDICA PELO RÉU.(ART.373, INCISO I DO NCPC).. FALHA NA
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DEVER DE INFORMAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS
6º , III E 39 , I E IV , DO CDC .RESTITUIÇÃO EM DOBRO. DANOS MORAIS NÃO
CONFIGURADOS. MEROS ABORRECIMENTOS. VEDAÇÃO AO REFORMATIO IN
PEJUS. SENTENÇA MANTIDA .

1. Trata-se de recurso inominado interposto contra sentença que julgou


parcialmente procedente o pedido, nestes termos: “Posto isso, com base no artigo 487,
inciso I, do Código de Processo Civil, julgo a ação parcialmente procedente:Declaro inexistente a
contratação de seguro proteção financeira e condeno o Réu a devolver em dobro a quantia
de SEGURO PROTEÇÃO FINANCEIRA no valor de R$ 27,94 (vinte e sete reais e noventa e

quatro centavos), com correção e juros a partir da data do desembolso ..”

2. O recorrente busca a reforma da sentença, aduzindo, reiterando a


argumentação já exposta em sede prefacial, insurgindo-se em específico no
tocante ao indeferimento do pedido indenizatório sob a alegação da ocorrência de
danos morais na espécie.

3. No caso em tela, a parte autora alega que, ao contratar empréstimo junto ao


réu, fora induzida a assinar o instrumento sem contudo que lhe fosse devidamente
esclarecido acerca da contratação de seguro proteção financeira, o que constituiria
prática de venda casada, vedada pelo sistema do CDC.

4. A despeito das alegações da acionada acerca da regularidade da


contratação do seguro “CARTÃO PROTEGIDO”, “PERDA ROUBO
PREMIADO”, “CARTÃO PROTEGIDO C. SORT.” e “AVALIAÇÃO
EMERGENCIAL CRÉDITO” no bojo do contrato de cartão de crédito, a
mesma não faz prova da regular contratação dos serviços, como lhe
incumbia fazer, nos termos do art.373 do CPC, não juntando aos autos o
instrumento contratual destacado, que contenha a assinatura da parte
autora

5. Com efeito, restaram violados por parte do banco demandado o disposto nos
arts. 6º ,III e39, I e IV do CDC , que assim dispõem: “ Art. 6º São direitos básicos do
consumidor: III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com
especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes
e preço, bem como sobre os riscos que apresentem; Art. 39. É vedado ao fornecedor de
produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: I - condicionar o fornecimento de
produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como, sem justa
causa, a limites quantitativos; IV - prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do
consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição social,
para impingir-lhe seus produtos ou serviços.”

6. Por certo que, por se tratar de contrato com repercussão no âmbito


patrimonial do consumidor, e não tendo sido ele devidamente esclarecido acerca
da possibilidade de vir a contratá-lo, por certo que tal prática viola os princípios da
boa fé objetiva, bem como se observa a falha no dever de informação, imposto a
todo fornecedor de produtos e serviços, sendo mister, portanto, a declaração de
nulidade da avença anexa, bem como a restituição em dobro do montante que fora
indevidamente pago pela parte autora, desde que devidamente comprovados os
pagamentos indevidos nos autos.

7. No que toca a ocorrência do dano moral na hipótese, como acertadamente


vem decidindo essa Turma Recursal, estamos diante de cobranças indevidas, já
que faltou a contratação do referido seguro, ensejando a devolução em dobro dos
valores cobrados indevidamente e sem anuência do consumidor, entretanto, não se
vislumbra na hipótese lesão de natureza subjetiva ao consumidor a ensejar
reparação por danos morais, senão meros aborrecimentos do dia a dia.

8. ISTO POSTO, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO


INTERPOSTO E NEGAR-LHE PROVIMENTO, para manter a sentença objurgada
pelos próprios fundamentos. Sem custas processuais e honorários advocatícios,
por ser a parte beneficiária da justiça gratuita.

9. Salvador, Sala das Sessões, 06 de Abril de 2017.


10.BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
11. Juíza Relatora
12.BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
13.Juíza Presidente

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo Nº. : 0003606-15.2016.8.05.0146


Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : JAILSON MARQUES DE ALMEIDA

Recorrido(s) : BANCO BRADESCO S.A

Origem : 2ª VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS - JUAZEIRO

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

ACÓRDÃO
Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais
Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CÉLIA MARIA
CARDOZO DOS REIS QUEIROZ –Presidente, MARIA AUXILIADORA SOBRAL
LEITE – Relatora e ALBÊNIO LIMA DA SILVA HONÓRIO, em proferir a seguinte
decisão: RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO . UNÂNIME, de acordo com a ata
do julgamento. Sem custas processuais e honorários advocatícios por ser a parte
beneficiária da justiça gratuita.

Salvador, Sala das Sessões, 06 de Abril de 2017.


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente