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A TEORIA DOS TRAÇOS DE PERSONALIDADE DE ALLPORT

Depois de obter sua licenciatura na Universidade de Harvard, Allport fez uma viagem a Viena, na Áustria, onde
conheceu Sigmund Freud, o que terminaria por influenciar de certo modo sua carreira e suas contribuições para a
psicologia americana.

Após essa experiência, Allport regressou a Harvard para obter seu doutorado em psicologia. Durante sua carreira, que
ocorre na primeira metade do séc. XX, fez importantes contribuições para a psicologia. Entre as mais destacadas
podemos citar o desenvolvimento de suas ideias sobre os traços pessoais, que chamou de disposições pessoais.

Segundo Allport, esses traços são influenciados por nossas experiências originadas na infância, nosso ambiente atual
e a interação entre ambos. Na época de Allport, a ideia era de que os traços da personalidade podiam ser formados
pelas forças passadas e atuais. Allport acreditava que a personalidade era composta por três tipos de traços: cardinal,
central e secundário.

Allport narrou a história de sua visita a Freud em seu ensaio autobiográfico“Padrão e Crescimento da Personalidade”.
Para quebrar o gelo ao conhecer Freud, Allport contou que havia conhecido um menino durante a viagem de trem para
Viena. O garoto não quis se sentar ao lado de um passageiro que estava sujo, apesar das palavras tranquilizadoras de
sua mãe. Allport sugeriu que talvez o garoto tivesse essa fobia por causa de sua mãe, uma mulher muito asseada e
aparentemente bastante dominante. Depois de observar Allport por alguns minutos, Freud peguntou: “Por acaso esse
garoto era você?”

Allport constatou a intenção de Freud de reduzir essa pequena porção de interação observada a um episódio
inconsciente de sua própria infância. Isso serviu para que ele lembrasse que a psicanálise tende a se aprofundar tanto
no passado quanto no inconsciente, passando nesse processo por cima dos supostos aspectos mais importantes,
conscientes e imediatos da experiência.

Apesar de Allport nunca ter negado que as variáveis inconscientes e históricas pudessem desempenhar um papel
relevante como motivadoras de determinados comportamentos, seu trabalho sempre enfatizaria as motivações
conscientes e relacionadas com o contexto atual.

Teoria dos traços de personalidade de Allport

Em 1936, o psicólogo Gordon Allport descobriu que um único dicionário de inglês continha mais de 4.000 palavras que
descreviam diferentes traços de personalidade. A teoria dos traços de personalidade de Allport os classificou em três
níveis.

Traços cardinais

Entre algumas figuras históricas que demostraram possuir um forte traço cardinal estão Abraham Lincoln, por sua
honestidade, o Marquês de Sade pelo sadismo e Joana D’Arc por seu ato de heroísmo. As pessoas com tais
personalidades podem se tornar tão conhecidas por esses traços que seus nomes geralmente estão associados a
essas qualidades. Allport sugeriu que os traços cardinais são raros e tendem a se desenvolver com o passar dos anos.
Quando estão presentes, os traços cardinais moldam a pessoa, no sentido que elas têm de si mesmas, sua composição
emocional, suas atitudes e seu comportamento. Isso é tão claro que podemos inclusive chegar a identificá-las
historicamente por eles, como no caso do Marquês de Sade.

Traços centrais

Os traços centrais são as características gerais que formam os fundamentos básicos da personalidade. Esses traços,
ainda que não sejam tão dominantes quanto os traços cardinais, seriam as principais características que podem ser
usadas para descrever um indivíduo. Falamos sobre traços presentes e importantes, porém, não absolutamente
dominantes.

Segundo a teoria dos traços de personalidade de Allport, cada pessoa tem entre 5 e 10 traços centrais, que estão
presentes em diversos graus em cada um. Incluem traços comuns, de inteligência, de timidez, de honestidade, e seriam
condicionantes principais na maioria de nossos comportamentos.

Traços secundários

Os traços secundários são os traços que às vezes se relacionam com atitudes ou preferências, ou seja, as disposições
que são significativamente menos generalizadas e menos relevantes. Aparecem frequentemente em determinadas
situações ou em circunstâncias específicas.

Por exemplo, um indivíduo cujo traço cardinal seja a assertividade pode demonstrar sinais de submissão quando a
policia o detém por excesso de velocidade. Este é somente um traço situacional que pode ou não aparecer em outros
encontros interpessoais.

Segundo Allport, esses traços secundários são bastante difíceis de detectar porque são estimulados por uma escala
menor de estímulos equivalentes.

Pesquisa de Allport sobre os traços de personalidade

A teoria dos traços de personalidade de Allport não se baseia diretamente na investigação experimental, e esse é o
seu maior calcanhar de Aquiles. De fato, publicou pouca pesquisa para apoiar sua teoria. Contudo, em sua primeira
publicação, juntamente com seu irmão, o psicólogo social Floyd Allport, examinou 55 estudantes universitários homens,
se baseando em suas características centrais. Após a investigação, concluíram que os traços eram mensuráveis na
maioria dos estudantes. O objetivo principal dessa pesquisa era desenvolver uma escala como forma de “medir” a
personalidade.

Outra iniciativa curiosa de Gordon Allport foi a de analisar uma série de cartas de uma mulher chamada Jenny Gove
Masterson. As 301 cartas que Jenny escreveu durante os últimos onze anos de sua vida dirigidas a um casal amigo
foram adquiridas por Allport e analisadas. Depois ele pediu, em um exercício, que 36 pessoas caracterizassem Jenny em
função dos traços que seriam capazes de identificar nessas cartas.

Para seu estudo, Allport concluiu que os traços não existem de maneira independente. Além disso, em um dado
momento os comportamentos que motivam dois determinados traços podem chegar a entrar em conflito, de modo
que, pela hierarquia, um se imporá sobre o outro.

Apesar de vários teóricos estarem de acordo no sentido de que as pessoas podem ser descritas pelos seus traços de
personalidade, ainda existe um debate sobre o número de traços básicos que compõem a personalidade do ser
humano. Por exemplo, Raymond Cattell reduziu o número de traços observáveis de 4.000 a 171, e posteriormente a 16,
combinando certas características e eliminando os traços mais singulares ou difíceis de definir. Por outro lado, o
psicólogo britânico Hans Eysenck desenvolveu um modelo de personalidade baseado em apenas três.

Entretanto, a pesquisa de Allport e sua teoria dos traços de personalidade são consideradas obras pioneiras no campo
da personalidade. Ele se baseou em dados estatísticos e objetivos, ao invés de experiência pessoal. Também recebeu
certas críticas como, por exemplo, o fato de que ela não abordaria o estado do indivíduo ou a forma como ele pode se
comportar de maneira temporária.
A TEORIA DOS TRAÇOS DE GORDON ALLPORT

Em 1936, o psicólogo Gordon Allport descobriu que um dicionário continha mais de 4.000 palavras para descrever
diferentes traços de personalidade. Ele decidiu categorizar todos esses elementos em três disposições:

Traços cardeais

São os aspectos que dominam a personalidade de um indivíduo de tal forma, a ponto de tornar a pessoa conhecida
especificamente por esses traços. Inclusive, alguns personagens históricos são tão marcados pelos traços cardeais que
tiveram seus nomes associados com determinadas características (maquiavélico, narcisista, Don-Juan, etc.).

Allport sugere que esses traços são raros, e tendem a ser desenvolvidos durante o decorrer da vida.

Traços centrais

Estas são as características gerais, que apesar de não tão dominantes quanto os traços cardeais, também formam os
fundamentos básicos da personalidade. Em suma, são os principais adjetivos que você pode usar para descrever a
personalidade de outra pessoa.

Termos como: “criativo“, “honesto”, “tímido” e “tranquilo” são considerados exemplos de traços centrais.

Traços secundários

São aqueles traços de personalidade que não são muito evidentes por estarem relacionados às atitudes ou preferências.
Eles geralmente aparecem apenas em situações específicas.

O exemplo está nas pessoas que são aparentemente calmas e equilibradas, mas que se sentem ansiosas quando falam
em público ou tornam-se impacientes enquanto esperam em uma longa fila.

Ao estabelecer esses três grupos, mal sabia Gordon que a criação dessas simples disposições originaria teorias maiores,
e o consagraria como um dos pioneiros os estudos de traços de personalidade.

O questionário de Raymond Cattell

O teórico Raymond Cattell aproveitou o trabalho de Allport para reduzir o número de traços de personalidade de sua
lista (de 4.500 para apenas 171). Ele fez isso principalmente, combinando as suas principais características comuns.

Em seguida, Cattell classificou uma grande amostra de indivíduos com esses novos traços diferentes. Usando uma
técnica estatística, identificou os termos mais relacionados e conseguiu reduzir sua lista para apenas 16 características-
chave da personalidade.

Segundo ele, esses traços são a fonte de todas as personalidades humanas. Ele também desenvolveu uma das
avaliações de personalidade mais conhecidas atualmente, chamada “questionário de 16 fatores de personalidade” ou
“16PF“. Talvez você já tenha até se deparado com esse teste antes, em um consultório psicológico ou entrevista de
emprego.

As dimensões de Hans Eysenck

O psicólogo britânico Hans Eysenck, por outro lado, acreditava que a maior parte dos traços de personalidade tinham
origem genética ou biológica, e desenvolveu um modelo de personalidade baseado em poucas trilhas universais. As
principais delas são:

Introversão / extroversão

A introversão envolve a atenção psicológica direta sobre as experiências internas, enquanto a extroversão se relaciona
com o foco em outras pessoas e no meio ambiente. Uma pessoa muito introvertida pode ser silenciosa e reservada,
enquanto um indivíduo com alto nível de extroversão tende a ser mais sociável.

Neuroticismo / estabilidade emocional


Essa dimensão da teoria dos traços de Eysenck está relacionada ao humor e a temperança. Nesse contexto, o
neuroticismo se refere à tendência de um indivíduo para se tornar perturbado, enquanto a estabilidade se refere ao
equilíbrio emocional e permanência do humor.

Talvez você esteja se perguntando: “mas o que isso tem a ver com o assunto do artigo?” ou “não estamos conhecendo
uma teoria só?”. Acontece que, sem as pesquisas de Allport, Cattell ou Eysenck, a teoria dos traços de personalidade
jamais existiria como a conhecemos hoje.

A teoria dos 5 traços de personalidade

Tanto a teoria de Cattell quanto a de Eysenck têm sido objeto de diversos estudos na área da psicologia. Isso levou
alguns pesquisadores a acreditar que Cattell se concentrou em traços demais, enquanto Eysenck e Allport focaram em
poucos.

Tudo isso somado as descobertas feitas por eles originou uma nova teoria mais completa, que abrangia cinco traços de
personalidade. Esse resultado ficou conhecido como: “teoria dos traços da personalidade”, “teoria do grande cinco” ou
apenas “Big Five”.

A abordagem característica da personalidade nesse caso é formada pela combinação de vários traços, formando uma
identidade única para cada indivíduo. O contrário acontece em outras teorias da personalidade (como as psicanalíticas
ou humanísticas).

A teoria dos traços de personalidade é então focada na identificação e mensuração de todas essas características da
personalidade individual.

O Modelo dos Cinco Grandes Fatores é muito usado pela Psicologia Cognitiva e Cognitivo-Comportamental e fornecem
um panorama geral da personalidade humana, tomando como base 4 a 5 facetas (ou sub-categorias), dependendo do
autor. Embora alguns pesquisadores geralmente discordem sobre os rótulos exatos, as sub-categorias mais comuns são
as seguintes:

Extroversão

Conforme já foi explicado antes por Hans Eysenck, você já sabe que esta dimensão possui duas extremidades: a
extroversão e a introversão.
A extroversão diz respeito ao indivíduo que se energiza por meio da interação com os outros, enquanto os introvertidos
tendem a se cansar com essa atividade e necessitam de um pouco mais solidão para “recarregar” as energias.

As pessoas com traços associados a altos níveis de extroversão podem ser:

 sociáveis;

 assertivas;

 falantes;

 amigáveis.

As pessoas com baixo nível de extroversão, por outro lado são mais propensas a ser pessoas “de poucas palavras”,
quietas e bastante pensativas.

Neuroticismo

O Neuroticismo é a única dimensão do Big Five que indica traços mais negativos. No entanto, não se trata de um fator
de maldade ou incompetência, mas um indicador de insegurança e falta de autoconfiança. Abrange a estabilidade
emocional e o temperamento geral.

As pessoas que manifestam esses traços geralmente são:

 pessimistas;
 ansiosas;

 tímidas;

 inseguras;

 muito autocríticas.

Os indivíduos que pontuam no extremo inferior do neuroticismo são mais propensos a se sentir confiantes, de fácil trato
e aventureiras. Eles também tendem a ser corajosos ou despreocupados devido ao seu otimismo nato.

Abertura

A abertura à novas experiências (também chamada às vezes de “intelecto” ou “imaginação”) diz respeito à energia e
vontade de um indivíduo para experimentar o novo, arriscar, sair da zona de conforto e “pensar fora da caixa“.

Os traços mais comuns relacionados à abertura estão nas pessoas:

 imaginativas;

 originais;

 criativas;

 curiosas;

 ecléticas;

 intelectuais.

Um indivíduo que possui grande abertura é provavelmente alguém que gosta de aprender, tem interesse pelas artes e
se engaja em uma carreira ou hobby criativo. Na outra ponta da escala encontram-se os ordeiros, que preferem a rotina
à variedade e tem senso um apurado sobre o que é “certo” e “errado” para si mesmos e a sociedade.

Simpatia

Este fator diz respeito ao bom relacionamento das pessoas com os outros. Enquanto a extroversão é mais focada na
busca de interações, a simpatia é uma construção que se baseia em como essas interações acontecem. Sendo assim, é
totalmente possível ser introvertido e simpático ao mesmo tempo.

As pessoas que manifestam esse tipo de traço tendem a ser:

 confiáveis;

 pacientes;

 polidas;

 sensíveis;

 atenciosas.

Muitos pontos de simpatia indicam pessoas com poucos inimigos, respeitadas e sensíveis às necessidades dos outros.
Por outro lado, as pessoas na extremidade baixa desse espectro são menos propensas à popularidade, sendo mais
retraídas e egocêntricas.

Conscienciosidade

A conscienciosidade (não confundir com “consciência”!) é uma dimensão que pode ser descrita como a tendência de
controlar impulsos e agir de maneira socialmente aceitável. Tratam-se de características que facilitam o alcance de
metas e objetivos pessoais.
As pessoas desse grupo se destacam em sua boa capacidade para seguir regras, planejar e se organizar de forma eficaz.

As pessoas que apresentam alto nível de conscienciosidade geralmente também são:

 persistentes;

 ambiciosas;

 disciplinadas;

 confiáveis;

 previsíveis;

 energéticas.

As pessoas que já possuem esse traço dominante provavelmente serão bem-sucedidas nos estudos e em suas carreiras.
Elas são propícias a se destacar em posições de liderança e a perseguir seus objetivos com determinação. No entanto,
quem tem baixa conscienciosidade é muito mais propenso a procrastinar e ser impetuoso ou impulsivo.

A abordagem da teoria dos traços de Personalidade

Você se identificou com um ou mais desses padrões descritos acima? A maioria dos teóricos e psicólogos concorda que
as pessoas podem ser muito bem descritas com base apenas em seus traços de personalidade.

No entanto, muitos continuam a debater o número de dimensões que compõem a personalidade humana. Por isso, é
possível que você já tenha se sentido com um maior nível de abertura em alguma fase da sua vida e mais neuroticismo
em outra, por exemplo.

A teoria ajude (e muito!) a identificar tendências de características e habilidades de um indivíduo, além de possuir
objetividades que faltam em outras teorias da personalidade (como a teoria psicanalítica de Freud). Apesar disso, é
possível afirmar que ela também possui alguns pontos fracos.

Algumas das críticas mais comuns feitas a teoria dos traços de personalidade se deve justamente a esse fato de que as
dimensões são frequentemente não são preditoras exatas. Isso significa que, enquanto um indivíduo puder marcar uma
alta pontuação nas avaliações de um traço específico, ele nem sempre apresentará os traços descritos em todas as
situações.

Outro problema é que as teorias como essa não abordam exatamente como ou por qual motivo as diferenças
individuais na personalidade surgem ou se desenvolvem. Ainda assim, podem ser bastante úteis para resumir e explicar
condutas, sendo também uma excelente ferramenta para o autoconhecimento.

Avaliação online da sua personalidade

Para saber mais informações sobre sua identidade, você pode fazer a avaliação dos cinco grandes traços de
personalidade online. Para ter mais precisão no seu resultado final, recomendamos consultar um especialista, pois
testes assim carecem de uma normatização conforme o público alvo (o brasileiro, no caso). Uma vez que, por ser uma
teoria lexical, os fatores culturais devem ser levados em conta!

Não se sinta pressionado ao realizar o teste. Tenha em mente que uma pontuação alta ou baixa em qualquer fator
particular não é necessariamente uma coisa boa ou ruim. Isso porque, em algumas situações específicas, é melhor ser
mais complacente e inclinado a confiar nos outros. No entanto, também existem outros contextos nos quais uma
abordagem mais reservada e cética é a escolha mais sensata.

O estudo da personalidade e fatores que influenciam os traços de cada pessoa é complexo, porém incrível. Como você
pode ver, aqueles que estudam esse campo podem até ter opiniões diferentes. Entretanto, ainda assim, procuram
colaborar uns com os outros para refinar o trabalho de seus antecessores, o que é comum em quase todas as atividades
científicas.
O que é mais importante para entender é que todas as pessoas têm diferentes traços de personalidade. Ainda que cada
um de nós se encaixe em apenas uma definição que a domine, esse padrão pode vir acompanhado de uma infinidade de
características que surgem em diferentes situações.

Além disso, esses traços podem mudar ao longo do tempo, sendo moldados por experiências e influência do ambiente
externo.

Teorias da Personalidade - Gordon Allport

HISTÓRIA PESSOAL

Em 1966, Allport propôs uma proposta epistemológica para a pesquisa da personalidade, a qual chamou de “Realismo
Heurístico” (posição que aceita a suposição de senso comum de que as pessoas são seres reais, que cada um tem uma
organização neuropsíquica real, e que o nosso trabalho é compreender tal organização tanto quanto possível).

Sua teoria afirma que aquilo que o indivíduo está tentando fazer (sua intenção de futuro) é a chave mais importante
para como a pessoa vai se comportar no presente, e não o passado como muitos teóricos acreditam. (neste aspecto,
idéias parecidas com as de Adler e Jung). Allport diz que a história do indivíduo torna-se uma questão de relativa
indiferença, se ele no presente está impulsionado por desejos e intenções independentes daqueles que o motivaram em
períodos anteriores.

CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA TEORIA DE ALLPORT:


Comportamento

O comportamento é visto como, inteiramente consistente e determinado por fatores contemporâneos.

Personalidade

Ψ Um enigma a ser solucionado da maneira mais adequada possível com instrumentos disponíveis.

Ψ “A personalidade é alguma coisa e faz alguma coisa... Ela é o que está por trás de atos específicos e dentro do
indivíduo”.

Ψ Para Allport a personalidade não é apenas um construto do observador, tem uma existência real.

Ψ “A personalidade é a organização dinâmica, dentro do indivíduo, daqueles sistemas psicofísicos que determinam seus
ajustamentos únicos ao ambiente.”

Ψ O termo “organização dinâmica” enfatiza que a personalidade está constantemente se desenvolvendo e mudando. A
organização ou sistema une e relaciona os vários componentes da personalidade.

Ψ O termo “psicofísico” nos lembra que a personalidade não é nem exclusivamente mental, nem neural.

Ψ A palavra “determina” deixa claro que a personalidade é constituída por tendências determinantes que
desempenham um papel ativo no comportamento do individuo.

A ESTRUTURA E A DINÂMICA DA PERSONALIDADE

Ψ Primeiramente representado em termos de traços, o comportamento é impulsionado pelos traços.

Ψ Conceitos como reflexos específicos e traços, ou o próprio Self, considerava como importantes para entender o
comportamento.
Ψ A maior ênfase da teoria está nos traços, muitas vezes referida como uma Psicologia do Traço.

Comparação de Temperamento e Personalidade

Ψ O temperamento é a matéria-prima, juntamente com a inteligência e o físico, da qual é criada a personalidade.”

Comparação de Caráter e Traço

Ψ Demonstrou que caráter tem relação com um código de comportamento em termos do qual os indivíduos, ou seus
atos, são avaliados.

Ψ “nós preferimos definir o caráter como a personalidade avaliada, e a personalidade como o caráter em valorização”.

Traços

“O traço era para Allport, o que a necessidade era para Murray e o instinto era para Freud”

Ψ O Traço (traço comum) é definido como uma “estrutura neuropsíquica capaz de tornar muitos estímulos
funcionalmente equivalentes, e de iniciar e orientar formas equivalentes (significativamente consistentes) de
comportamento adaptativo e expressivo”.

Ψ O traço em uma considerável extensão, na verdade, representa o resultado da combinação ou da integração de dois
ou mais hábitos.

Ψ”Com o conceito de traços comuns, podemos fazer o que Allport chama de estudos comparativos do mesmo traço,
conforme ele se expressa em diferentes indivíduos ou grupos de indivíduos”.

Ψ Disposição Pessoal ou Traço Morfogênico (antigo traço individual) é definido como uma “estrutura neuropsíquica
generalizada (peculiar ao indivíduo) capaz de tornar muitos estímulos funcionalmente equivalentes, e de iniciar e
orientar formas consistentes de comportamento adaptativo e estilístico”.

Ψ Com o conceito de disposições pessoais, o investigador pode estudar uma pessoa e determinar o que Allport chama
de “a individualidade padronizada única da pessoa”.

Ψ A única diferença real, é que os traços não são designados como peculiares ao indivíduo (um traço poder ser
compartilhado por vários indivíduos).

Ψ Embora os traços e as disposições existam realmente na pessoa, eles não podem ser observados diretamente,
precisando ser inferidos a partir do comportamento.

Ψ Os traços ocupam a posição construto motivacional mais importante.

Ψ São “tendências” livres; ocorrem em face de “condições determinantes” diferentes e são inferidos a partir do
comportamento, não diretamente observados. Inferimos baseado na freqüência com que a pessoa exibe um
determinado comportamento, na variedade de situações em que aquele comportamento é exibido, e na intensidade do
comportamento quando exibido.

Ψ Um estímulo externo ou algum tipo de estado interno sempre precede a operação do traço.

Ψ O simples fato de existirem traços múltiplos, sobrepostos e simultaneamente ativos sugere que podemos esperar
com certa freqüência inconsistências aparentes no comportamento do organismo.

Ψ A maioria dos traços não é um reflexo de estímulos externos; o indivíduo busca ativamente estímulos que tornem
apropriada a operação do traço.
Disposições Cardeais, Centrais e Secundárias

Ψ Disposições Cardeais: É tão geral que parece que podemos relacionar à sua influência quase todos os atos de uma
pessoa que a possui. (observada em poucas pessoas).

Ψ Disposições Centrais: Representa tendências altamente características do indivíduo, entram em ação com freqüência
e são muito fáceis de inferir. (mais típicas)

Ψ Disposição Secundaria: Ocorrência mais limitada, menos crucial para a descrição da personalidade e mais focalizada
nas respostas que provoca.

Ego, Self e Proprium

Propôs que todas as funções do Self ou do Ego fossem chamadas de funções próprias, verdadeiras e vitais da
personalidade (senso corporal, de quem se é, pensamento racional, auto-imagem, anseios próprios, estilo cognitivo e
função de conhecer). Juntas, essas funções constituem o Proprium (onde se encontra a raiz da consistência que marca
as atitudes, intenções e avaliações; não é inato, mas se desenvolve ao longo do tempo).

Ψ Aspectos do Desenvolvimento do Proprium:

-Durante os 3 primeiros anos: senso de Self corporal, senso de auto-identidade contínua, e auto estima ou orgulho.

-Entre os 4 e 6 anos: extensão do Self e auto-imagem.

-Entre os 6 e os 12 anos:percebe-se capaz de lidar com os problemas por meio da razão e do pensamento.

-Adolescência: intenções, propósitos em longo prazo e metas distantes.

Allport admitiu a importância de todas as funções psicológicas atribuídas ao Self e ao Ego, mas, para ele, os mesmos
podem ser usados como adjetivos para indicar as funções próprias dentro da esfera total da personalidade.

Atribuiu ao Proprium o papel de organização da consciência genérica madura (a consciência do dever evolui para o “eu
deveria” governada por anseios próprios e não proibições externas).

Autonomia Funcional

Ψ Uma dada atividade ou forma de comportamento pode-se tornar um fim ou uma meta em si mesma, apesar de ter
sido iniciada por alguma outra razão.

Ψ Um comportamento pode ser continuado por um motivo diferente daquele que originalmente o provocou.

Ψ Níveis de Autonomia Funcional

-Autonomia Funcional Perseverativa: atos repetitivos e rotinas. (reforço parcial)

-Autonomia Funcional Própria: interesses, valores, sentimentos, intenções, auto-imagem, estilo de vida adquirido e, etc.
Forneceu três princípios para a explicar: organizar o nível de energia; princípios de domínio e competência e, princípio
da padronização própria.
DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE

O Bebê

Ψ É quase que inteiramente constituído por hereditariedade, pulsão primitiva e existência reflexa, não acreditava que
tivesse uma personalidade.

Ψ Um modelo biológico do comportamento ou uma teoria baseada na importância da recompensa, na lei do efeito ou o
princípio do prazer é perfeitamente aceitável como orientação para os primeiros anos de vida

Ψ Acreditava que já nos primeiros anos de vida possuía qualidades distintivas que tendem a persistir e fundir-se em
modos mais maduros de ajustamento.

A Transformação do Bebê

Ψ Discutiu mecanismos ou princípios apropriados para descrever as mudanças de bebê a fase adulta. (diferenciação,
integração, maturação, imitação, aprendizagem, autonomia funcional e extensão do Self.

O Adulto

Ψ “o que impulsiona o comportamento, impulsiona agora”, e não precisamos saber a história da pulsão para
compreender sua operação.

Ψ “Na maioria dos casos, saberemos mais sobre aquilo que uma pessoa vai fazer se conhecermos seus planos
conscientes do que suas memórias reprimidas.”

Ψ À medida que evitam motivações inconscientes e o grau em que seus traços são independentes das origens infantis
representam medidas de sua normalidade e maturidade.

Ψ A personalidade madura precisa possuir, antes de tudo, uma extensão do Self (sua vida não deve estar limitada às
suas necessidades e seus deveres imediatos. As satisfações e frustrações devem ser muitas e diversas).

Ψ Precisa ser capaz de relacionar-se, possuir uma segurança emocional e uma aceitação do Self.

Ψ Deve ser, realisticamente, orientado tanto em relação a si mesmo como à realidade externa; e possuir uma filosofia
de vida unificadora.