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Sérgio Moro

juíz federal e Ministro da Justiça e


Segurança Pública do Brasil
Sérgio Moro
OMM • DMJM

Sérgio Moro.
Ministro da Justiça e Segurança Pública
do Brasil
Período 1 de janeiro de 2019
à atualidade
Presidente Jair Bolsonaro
Antecessor Raul Jungmann /
Torquato Jardim
Juiz federal do TRF da 4ª Região
Período 26 de junho de 1996
a 19 de novembro de
2018[1][2]
Juizo 13ª Vara Federal de
(último) Curitiba
Antecessor ?
Sucessor Luiz Antônio Bonat
Dados pessoais
Nome Sérgio Fernando Moro
completo
Nascimento 1 de agosto de
1972 (46 anos)
Maringá, PR[3][4]
Nacionalidade Brasileiro
Progenitores Mãe: Odete Starke Moro
Pai: Dalton Áureo Moro[5]
Alma mater Universidade Estadual de
Maringá
Universidade Federal do
Paraná
Esposa CONJE: Rosângela Maria
Wolff de Quadros Moro
Filhos 2
Profissão jurista e professor
universitário.
Assinatura

Sérgio Fernando Moro OMM • DMJM[6]


(Maringá, 1 de agosto de 1972) é um
jurista, ex-magistrado, escritor, professor
universitário e atual ministro da Justiça e
Segurança Pública do Brasil.[7] Foi juiz
federal da 13.ª Vara Criminal Federal de
Curitiba[8][9] e professor de direito
processual penal na Universidade
Federal do Paraná (UFPR).[10][11]

Graduado em Direito pela Universidade


Estadual de Maringá em 1995, concluiu o
mestrado e o doutorado na Universidade
Federal do Paraná.[5] Especializou-se em
crimes financeiros e tornou-se juiz
federal em 1996.[5][8] Nessa função,
trabalhou em casos como o escândalo
do Banestado e a Operação Farol da
Colina. Também auxiliou, no Supremo
Tribunal Federal, a ministra Rosa Weber
durante o julgamento dos crimes
relativos ao escândalo do
Mensalão.[12][13][14]
Moro ganhou enorme notoriedade
nacional e internacional por comandar,
entre março de 2014 e novembro de
2018, o julgamento em primeira instância
dos crimes identificados na Operação
Lava Jato que, segundo o Ministério
Público Federal, é o maior caso de
corrupção e lavagem de dinheiro já
apurado no Brasil, envolvendo grande
número de políticos, empreiteiros e
empresas, como a Petrobras, a
Odebrecht, entre outras.[5][15][16] Em 12 de
julho de 2017, condenou o ex-presidente
Lula a nove anos e seis meses de prisão,
sendo essa a primeira vez na história do
Brasil em que se condenou
criminalmente um ex-presidente da
República,[17] decisão esta mantida em
segunda instância.[18]

Em novembro de 2018, aceitou ser


Ministro da Justiça e Segurança Pública
no governo do presidente eleito Jair
Bolsonaro,[19] tendo pedido exoneração
do cargo na magistratura. Em 20 de
novembro de 2018, foi nomeado
Coordenador do Grupo Técnico de
Justiça, Segurança e Combate à
Corrupção do Gabinete de Transição
Governamental[20] e tomou posse como
ministro em 1° de janeiro de 2019. O
Ministério da Justiça acumulou
responsabilidades do Ministério do
Trabalho, que foi extinto no governo
Bolsonaro, tais como as competências
de concessões de cartas sindicais e
fiscalização de condições de trabalho.[2]

Vida pessoal
Sérgio Fernando Moro nasceu em 1º de
agosto de 1972 em Maringá, no
Paraná.[21][22] Descendente de italianos
do Vêneto, é filho de Odete Starke Moro e
Dalton Áureo Moro, ex-professor de
Geografia da Universidade Estadual de
Maringá, falecido em 2005.[5][23] Seu
único irmão, César Fernando Moro, é
proprietário de uma empresa de
tecnologia.[24][25][26] A família Moro
mudou-se para Ponta Grossa quando
Sérgio e César eram crianças.[26]

Moro é casado com Rosângela Wolff de


Quadros, advogada e atual procuradora
jurídica da Federação Nacional das
Apaes.[27] Eles vivem em Curitiba e têm
um casal de filhos em idade escolar.[28]
Além de sua carreira profissional, pouco
se sabe sobre sua vida pessoal.[29][30]
Matéria publicada em dezembro de 2014
pela IstoÉ o descreveu como alguém
com "estilo reservado e hábitos
simples".[5]

Carreira
Formação acadêmica e docência
Moro graduou-se em Direito na
Universidade Estadual de Maringá.[31]
Durante seus estudos, estagiou em um
escritório de advocacia por dois anos.[31]
Formou-se em 1995.[5] Recebeu o título
de mestre em 2000 pela Universidade
Federal do Paraná com a dissertação
Desenvolvimento e efetivação judicial das
normas constitucionais, orientado pelo
professor Clèmerson Merlin Clève.[32][33]
Em 2002, concluiu o doutorado em
direito do Estado na mesma instituição,
com a tese Jurisdição constitucional
como democracia, orientado por Marçal
Justen Filho.[5][34][35] Moro também
cursou o programa de instrução de
advogados da Harvard Law School em
1998 e participou de programas de
estudos sobre lavagem de dinheiro
promovidos pelo Departamento de
Estado dos Estados Unidos.[5]

Em 1996, começou a lecionar na


Universidade Federal do Paraná,[31]
tornando-se professor adjunto de direito
processual penal da UFPR em 2007.[36]

Em 8 de março de 2018 foi exonerado, a


pedido, do cargo de professor da UFPR,
passando a partir de então a ser
professor titular do Centro Universitário
Curitiba (Unicuritiba),[11][37] lecionando
nos cursos de graduação e mestrado
dessa instituição.[38][39][40][41]
Magistratura

Em 1996, ingressou na carreira da


magistratura como juiz federal da 4ª
Região.[5][8][42] Entre 1999 e 2002, chefiou
a 3ª Vara Federal de Joinville, em Santa
Catarina.[43]

Entre 2003 e 2007, trabalhou no caso


Banestado,[42] que resultou na
condenação de 97 pessoas;[14] também
trabalhou na Operação Farol da
Colina,[12] um desdobramento do caso
Banestado, onde decretou a prisão
temporária de 103 suspeitos de evasão
de divisas, sonegação, formação de
quadrilha e lavagem de dinheiro.[42]
Em 2012, foi auxiliar da ministra do
Supremo Tribunal Federal Rosa Weber no
caso do Escândalo do Mensalão. Weber
o convocou devido a sua especialização
em crimes financeiros e no combate à
lavagem de dinheiro.[13][44]

Foi juiz da 13.ª Vara Criminal Federal de


Curitiba[8][9] até pedir exoneração da
magistratura em 2018,[45] tendo sido seu
desligamento publicado no Diário Oficial
da União em 19 de novembro de 2018.[46]

Ainda em 2014, Gabriela Hardt foi


nomeada como juíza substituta na 13.ª
Vara Federal, assumindo assim os
trabalhos de Moro durante sua
ausência.[47][48] A respectiva juíza
substituta foi designada pelo TRF-4 para
a titularidade do posto, no período de 19
de novembro de 2018 até 30 de abril de
2019, sucedendo, portanto,
temporariamente o ex-juiz.[49][50][51] Após
o ato de exoneração de Moro, deu-se
início o processo de seleção para a vaga
na 13ª Vara Federal de Curitiba.[52] 232
juízes da Justiça Federal da 4ª Região
puderam se inscrever e o critério de
escolha é feita por antiguidade como juiz
federal.[53] O juiz Luiz Antônio Bonat, da
21ª Vara da Justiça Federal do Paraná
foi o mais cotado para assumir a
vaga,[54][55] já que era o primeiro na lista
de vinte e cinco interessados em
substituir definitivamente Moro,[56] o que
veio a ser confirmado em 8 de fevereiro
de 2019, quando Bonat foi nomeado.[57]

Operação Lava Jato

Moro concedendo entrevista em 2015.

Moro foi o responsável por julgar em


primeira instância[58] os crimes
identificados pela força-tarefa da
Operação Lava Jato , considerada a
maior investigação contra corrupção do
país, desde março de 2014.[59][60] Em
uma atuação incomum para o padrão da
Justiça do país, Moro conduziu os
processos em ritmo acelerado.[61] A
operação ficou conhecida por combater
a corrupção no Brasil[62][63] com 175
prisões de empresários, políticos,
lobistas e doleiros.[64][65] Além das
prisões, até 19 de dezembro de 2016,
houve 120 condenações, com pena total
de 1 257 anos, dois meses e um dia de
pena.[65] Em 5 de novembro de 2016,
Moro deu sua primeira entrevista pública
como juiz da referente operação, na qual
defendeu a limitação do foro privilegiado,
sugerindo que poderia ser limitada aos
presidentes dos três poderes.[66] Em 12
de abril de 2017, seguiu a mesma
decisão do Supremo Tribunal Federal e
retirou o sigilo das delações da
Odebrecht que citam pessoas que não
possuem foro privilegiado.[67][68]

As decisões de Moro sobre prisões


preventivas e provisórias suscitaram
polêmicas,[69][70][71][72][73] porém elas têm
sido quase totalmente confirmadas por
todas as instâncias superiores do
judiciário, do Tribunal Regional Federal
da 4ª Região (TRF4) ao Supremo
Tribunal Federal.[61][71][74] Segundo a
força-tarefa da Lava Jato, desde o
começo da operação em 2014 até
outubro de 2016, dos 453 recursos das
defesas em instâncias superiores,
apenas 22 deles tiveram decisões
favoráveis às defesas, isto é, 95,2% das
decisões de Sérgio Moro foram
mantidas.[75]

Com relação a reformas de sentenças


por julgamentos de apelações
criminais em instâncias superiores, as
condenações de Moro têm sido
reformadas parcial ou integralmente,
como é natural que aconteçam em
julgamentos colegiados.[76][77][78] Até 18
de dezembro de 2016, a 8ª Turma do
TRF-4 julgou sete apelações envolvendo
28 condenados por Moro em primeira
instância — três destas apelações já
transitaram em julgado no tribunal.[79] As
penas de nove deles foram aumentadas
no total de 78 anos e sete meses. Por
outro lado, quatro réus tiveram a pena
reduzida e outros quatro foram
absolvidos - juntos, a diminuição das
penas foi de 34 anos. Os 11 condenados
restantes tiveram as penas mantidas. Em
outras palavras, o TRF-4 ratificou ou
subiu a pena de 71% dos condenados
por Moro.[80][81]

Ministro da Justiça

Portaria que nomeia Moro para coordenador do


grupo técnico de justiça, segurança e combate à
corrupção do Gabinete de Transição Governamental.
Nas eleições de 2018, seu nome passou
a ser cotado para ocupar o cargo de
ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF) ou de ministro da Justiça. O
presidenciável Álvaro Dias declarou que
o nomearia ao Ministério da Justiça se
eleito.[82][83][84] O então candidato Jair
Bolsonaro declarou em várias
oportunidades que nomearia Moro ao
STF ou ao Ministério da Justiça. Logo
que eleito, confirmou essa possibilidade
em rede nacional.[85][86] Em 1º de
novembro, Moro, após encontrar-se com
Bolsonaro na casa do presidente eleito,
aceitou seu convite para comandar o
Ministério da Justiça, sendo o quinto
ministro anunciado por Bolsonaro para
compor seu futuro governo.[19][87]

Para ocupar o ministério, parte do poder


Executivo e subordinado ao presidente
da República, Moro pediu exoneração do
cargo de juiz federal, devido à
impossibilidade de magistrados em
atividade exercerem cargos políticos,
vedação prevista na Lei Orgânica da
Magistratura Nacional.[9][88][89] Em
seguida a sua exoneração do Poder
Judiciário, Moro foi nomeado pelo
ministro Onyx Lorenzoni para a função
de Coordenador do Grupo Técnico de
Justiça, Segurança e Combate à
Corrupção do Gabinete de Transição
Governamental.[20] A Associação dos
Magistrados Brasileiros elogiou a
escolha de Sergio Moro para o
Ministério.[90] Por outro lado, a decisão
gerou reação adversa da imprensa
internacional porque Moro havia
condenado Luiz Inácio Lula da Silva, o
principal adversário de Bolsonaro na
eleição, por lavagem de dinheiro e
corrupção.[91]

O Ministério da Justiça projetado pelo


presidente e oferecido a Moro acumula
as funções do Ministério da Segurança
Pública criado por Michel Temer.[92] O
ministério de Justiça também incorporou
responsabilidades do Ministério do
Trabalho, que foi extinto no governo
Bolsonaro, como as competências para a
concessão de cartas sindicais e
fiscalização de condições de trabalho.[2]

Posições

Moro, ao centro, participando dos debates da


Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania em
2015.

Em setembro de 2015, Moro disse que o


Judiciário precisava punir mais rápido e
que o sistema penal brasileiro é "muito
moroso”, defendendo que réus sejam
presos logo depois de decisões
condenatórias em segunda instância.[93]

Em agosto de 2016, em uma audiência


na Câmara dos Deputados, Moro
defendeu o fim do foro privilegiado que
garante a autoridades julgamento em
tribunais superiores. Na visão do
magistrado, esse princípio "fere a ideia
básica da democracia de que todos
devem ser tratados como iguais."[94][95]

Em outubro de 2016, Moro posicionou-se


contra o projeto de lei sobre abuso de
autoridade.[96] Segundo ele, era preciso
criar salvaguardas para deixar claro que
a norma não pode punir juízes pela
forma como interpretam as leis em suas
decisões.[97]

Em novembro de 2016, em entrevista ao


jornal O Estado de S. Paulo, Moro disse
apoiar as 10 Medidas contra corrupção,
um projeto de autoria do Ministério
Público Federal no combate à corrupção,
além de defender a restrição do foro
privilegiado.[98]

Em 2018 voltou a defender a prisão em


segunda instância como um instrumento
legal contra a impunidade, e que mudar
este entendimento seria um
"desastre".[99]

Repercussão
Reconhecimento

Em 2014, a Associação dos Juízes


Federais do Brasil indicou Moro para a
vaga deixada por Joaquim Barbosa no
STF.[100] Porém, em 2015, Edson Fachin
preencheu a vaga.[101] Em 2014, a revista
Isto É o elegeu o "Brasileiro do Ano", e a
Época, um dos cem mais influentes do
Brasil.[5][102] Na décima segunda edição
do Prêmio Faz Diferença do jornal O
Globo, foi eleito a Personalidade do Ano
de 2014 por seu trabalho frente às
investigações da Lava Jato.[103]
Manifestante em defesa de Lava Jato com cartaz de
apoio a Sérgio Moro.

Em 2015 o Tribunal do Trabalho da


Paraíba condecorou-o com a Medalha de
Honra ao Mérito, concedida a juristas que
se destacam no Direito do Trabalho ou
que prestaram relevantes serviços à
Justiça do Trabalho.[104] No mesmo ano
o Tribunal Regional do Trabalho do
Paraná concedeu-lhe a Ordem das
Araucárias.[105] e a Ordem do Mérito
Cívico, concedida pela Liga de Defesa
Nacional,[106] mas recusou a Medalha do
Mérito Legislativo oferecida pela Câmara
dos Deputados em Brasília, alegando que
não se sentiria confortável uma vez que
alguns parlamentares federais haviam
sido denunciados na Lava Jato.[107]

Em 2016, foi o principal personagem nos


protestos antigovernamentais que
aconteceram em 13 de março.[108] No
mesmo mês, a Fortune o considerou o
13º maior líder mundial. A lista tinha
cinquenta nomes e Moro era o único
brasileiro.[15] Em abril de 2016, a revista
Time o considerou uma das cem
pessoas mais influentes do mundo,[109]
sendo o único brasileiro na lista.[110] Em
setembro de 2016 a Bloomberg o
considerou o 10º líder mais influente do
mundo.[111]
Moro recebendo do Min. José Coelho, presidente do
STM, comenda da Ordem do Mérito Judiciário
Militar, durante a comemoração dos 209 anos da
Justiça Militar da União em 2017.

Em junho de 2016, a Confederação


Maçônica do Brasil conferiu-lhe a
Comenda no Grau de Grã-Cruz.[112] No
mês de agosto o Exército brasileiro
conferiu-lhe sua maior honraria, a
Medalha do Pacificador, em
reconhecimento a "relevantes serviços
prestados ao país."[113] Em dezembro a
revista Isto É o escolheu um dos
Brasileiros do Ano, na categoria
Justiça.[114]

De acordo com um levantamento do


Paraná Pesquisas, em julho de 2016, em
eventual disputa entre Lula e Moro, 57,9%
dos participantes disseram que votariam
no juiz federal, contra 21,3% do
petista.[115] Em nova consulta do
Instituto Paraná Pesquisas, em agosto
de 2016, 54% dos entrevistados
disseram que votariam em Moro caso
fosse candidato à Presidência da
República.[116]

Em março de 2017, a Justiça militar da


União, durante a comemoração de seus
209 anos, o condecorou com o grau de
Distinção da Ordem do Mérito Judiciário
Militar.[117] Em abril, recebeu o grau de
Oficial da Ordem do Mérito Militar em
cerimônia comemorativa do Dia do
Exército.[118]

Em outubro de 2017, foi premiado pela


Universidade de Notre Dame pela
dedicação exemplar aos ideais pela qual
a Universidade preza desde 1992,
segundo afirmou própria instituição
americana.[119] A mesma universidade
lhe concedeu em maio de 2018 o título
de Doutor em Leis Honoris Causa "por
ser um exemplo claro de alguém que vive
os valores e que luta pela justiça sem
medo ou favor".[120]
Em 15 de maio de 2018, recebeu o
prêmio de "Pessoa do Ano" em Nova
Iorque, Estados Unidos. O prêmio foi
entregue pela Câmara de Comércio
Brasil-Estados Unidos. A honraria é
concedida todos os anos, desde 1970, a
uma personalidade brasileira e uma
americana.[121][122][123]

Em junho de 2018, foi homenageado na


quarta edição do Brasil Mônaco Project,
festa anual organizada em Mônaco por
Luciana de Montigny, da qual a renda é
revertida para projetos sociais. Em
discurso, Moro agradeceu às autoridades
do país pela cooperação internacional
com as investigações da Lava Jato.[124]
Críticas

Manifestantes penduraram efígie do magistrado,


como “traidor”, em frente ao prédio da 13ª Vara da
Justiça Federal em São Paulo.

Os críticos de Moro o acusam de


conduzir a Operação Lava Jato com
decisões controversas,[70][125] como
algumas relacionadas ao ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, em que divulgou
os áudios de grampos telefônicos da
Polícia Federal que interceptaram
conversas da então presidente Dilma
Rousseff com Lula.[126][127] Entretanto, a
corregedora do Conselho Nacional de
Justiça arquivou oito representações, de
um total de quatorze,[128] e a
Procuradoria Geral da República, em
parecer enviado ao Supremo Tribunal
Federal (STF), considerou as gravações
legais.[129]

Para o professor emérito da


Universidade de São Paulo (USP) e um
dos autores da ação pedindo o
impedimento do então presidente
Fernando Collor de Mello,[130] Dalmo
Dallari, a divulgação das gravações foi
ilegal. "Em se tratando de uma
comunicação da presidente da
República, o juiz só poderia ter gravado
com autorização do Supremo Tribunal
Federal. E mesmo assim, jamais poderia
tê-las divulgado. Cometeu dupla
ilegalidade e deveria ser punido por isso",
disse o jurista. A divulgação das
gravações gerou diferentes opiniões
entre juristas. Já o jurista Miguel Reale
Jr. defendeu que a retirada do sigilo das
gravações é "totalmente legal" e que o
teor das conversas mostra "claras
intenções de obstruir a Justiça".[131]

Em abril de 2016, o ministro do STF


Marco Aurélio Mello criticou a divulgação
dos áudios de grampos da Lava Jato que
envolveram o ex-presidente Lula e Dilma
Rousseff, dizendo que "são condenáveis
a todos os títulos" e que "Temos lei que
impõe sigilo".[132][133]

Em meados de junho de 2016, o ministro


do STF Teori Zavascki invalidou parte
das gravações em que Dilma avisa Lula
que está mandando o termo de posse
como ministro, e enviou para Moro os
processos envolvendo Lula.[134] Em julho
de 2016, o então presidente do STF,
Ricardo Lewandowski determinou que os
grampos permaneçam preservados sob
guarda do juiz federal Sérgio Moro e
indeferiu pedido liminar da defesa do ex-
presidente Lula para que as gravações
de conversas entre ele e autoridades
com foro no STF não sejam utilizadas
nas investigações e em eventual ação
penal perante a 13ª Vara Federal de
Curitiba.[135]

Em dezembro de 2017, em depoimento


dado durante a CPI da JBS, o advogado
Rodrigo Tacla Duran, acusado de ser
operador de propinas da Odebrecht no
exterior, alegou ter recebido oferta de
benefícios indevidos por parte de Carlos
Zucolotto Júnior, advogado e ex-sócio da
esposa de Moro e também padrinho de
casamento do casal. Duran chegou a ter
um mandado de prisão preventiva
expedido contra si, mas refugiou-se na
Espanha e não foi detido. De acordo com
Tacla Duran, a oferta de Zucolotto incluía
a redução da multa e garantia de prisão
domiciliar, mediante pagamento ilegal de
cinco milhões de reais. Por fim, afirmou
que a força tarefa fazia uso de
documentos adulterados e falsificados,
apontando supostas incongruências de
nomes e datas. Em resposta, Moro
negou veementemente as acusações e
afirmou ser "lamentável que a palavra de
um foragido da justiça brasileira seja
utilizada para levantar suspeitas
infundadas." A defesa do ex-presidente
Lula tentou incluir Duran na lista de
testemunhas no processo relativo ao
terreno do Instituto Lula, supostamente
obtido como propina da Odebrecht, mas
Moro recusou por duas vezes a inclusão,
posicionamento também mantido em
julgamento ulterior pelo TRF-4. Em
agosto de 2018, a Interpol acusou Moro
de possível violação de seu regramento
internacional e retirou Duran de sua lista
internacional de procurados. A atitude da
Interpol foi embasada por dúvidas
quanto à lisura do processo legal
decorrentes de possível parcialidade do
então magistrado.[136][137][138][139]

Em maio de 2018, durante viagem em


Nova Iorque, onde fez palestra num
evento do Grupo Lide, que pertence à
família de João Doria, Moro tirou foto
com sua esposa e a esposa de Dória
num jantar oferecido pela Câmara de
Comércio, tornando-se alvo de
críticas.[140] Moro respondeu às críticas:
"Estou num evento social e tiro uma foto,
isso não significa nada. É uma bobagem
isso."[141] A defesa de Lula pediu o
afastamento de Moro de dois processos
da Lava Jato em função da foto, o que o
TRF-4 rejeitou.[142]

No dia 14 de junho de 2018, o STF


proibiu a utilização de conduções
coercitivas para levar réus a
interrogatório policial ou judicial sem
prévia intimação e sem a presença de
advogado. Na época, o instrumento já
tinha sido utilizado 227 vezes pela força-
tarefa da operação Lava Jato em
Curitiba.[143]

Em 8 de julho de 2018, o desembargador


plantonista Rogério Favreto do TRF-4, em
sede de habeas corpus, mandou soltar o
ex-presidente Lula. O juiz Sergio Moro
despachou no processo e decidiu
consultar o presidente do TRF-4,
Thompson Flores, antes de autorizar a
soltura do preso, o que desencadeou
uma batalha de decisões judiciais.[144] O
relator da ação penal que levou Lula a
prisão, o desembargador João Pedro
Gebran Neto, no próprio domingo
reverteu a decisão de Favreto. Diante das
decisões conflitantes, o presidente
Thompson Flores então decidiu pela
validade da decisão do relator em
desfavor do habeas corpus. Em 10 de
julho a presidente do Superior Tribunal
de Justiça - STJ, Laurita Vaz, negou novo
pedido de liberdade ao ex-presidente e
criticou Favreto, elogiando Moro por ter
consultado Thompson.[145] Moro foi
acusado por advogados de violar o
Código de Ética da Magistratura por
quebra da hierarquia jurídica, além de
estar em gozo férias.[146][147] O despacho
de Moro recebeu críticas do ministro do
STF Marco Aurélio de Mello.[148] Em 10
de dezembro de 2018, o corregedor do
Conselho Nacional de Justiça – CNJ,
arquivou pedido de providências
instaurado contra Moro e os
desembargadores do TRF4 Rogério
Favreto, João Pedro Gebran Neto e
Thompson Flores, por considerar a
inexistência de desvio de conduta dos
magistrados investigados.[149][150]

Publicações
Livros

Crime de Jurisdição
Lavagem de Constitucional
Dinheiro. Editora Como
Saraiva, 2010 Democracia.
ISBN 978-85- Editora Revista
0209139-9. dos Tribunais,
2004 ISBN 85- Editora Max
2032529-7. Limonad, 2001.
Legislação ISBN 85-
Suspeita? 8630079-9
Afastamento de BALTAZAR
Presunção de JÚNIOR, José
Constitucionalida Paulo; MORO,
de da Lei. Editora Sérgio Fernando
Juruá, 2003, 2ª (Org.). Lavagem
ed ISBN 85- de Dinheiro –
0362564-4 comentários à lei
Desenvolvimento pelos juízes das
e Efetivação varas
Judicial das especializadas
Normas em homenagem
Constitucionais. ao Ministro
Gilson Dipp.
Porto Alegre: Advogado, 2007.
Livraria do 199 p.

Dissertação e tese

MORO, Sérgio Fernando (2002).


Jurisdição constitucional como
democracia (PDF) (Tese de doutorado)
MORO, Sérgio Fernando (2000).
Desenvolvimento e efetivação judicial
das normas constitucionais (PDF)
(Dissertação de mestrado)

Artigos de periódicos

MORO, SÉRGIO Corruption in


FERNANDO. Brazil . Daedalus,
Preventing v. 147, p. 157-
Systemic 168, 2018;
MORO, Sérgio 2 520, 8 mar.
Fernando. ‘O 2017;
crime não é ____. ‘Caminhos
invencível ’. Veja, para reduzir a
edição nº 2 573, corrupção ’. O
14 mar. 2018, Globo, 4 out.
p. 56-57; 2015 & Revista
____. Aeronáutica, n.
‘Independência 291 , p. 16–17,
judicial e abuso jul./set., 2015;
de autoridade ’. ____; BOCHENEK,
O Globo, 25 abr. Antônio César. ‘O
2017; problema é o
____. ‘As prisões processo’ . O
da Lava-jato . Estado de S.
Veja, edição Paulo, edição de
domingo, 29 ____. "A
mar. 2015, p. 2; autonomia do
____. ‘Não é dos crime de
astros a culpa ’. lavagem e prova
Folha de S. indiciária .
Paulo, 24 ago. Revista CEJ
2014 & Consulex, (Brasília), v. 41,
Brasília, v. 18, n. p. 11–14, 2008;
425, out., 2014; ____. ‘Análise
____. ‘Justiça jurídica da prisão
sem fim ’. Folha preventiva de
de S. Paulo, 10 Alexandre
dez. 2008 & Nardoni e Ana
Consulex, Carolina
Brasília, v. 13, n. Jatobá ’.
289, jan., 2009; Consulex,
Brasília, v. 12, n. Revista dos
273, maio, 2008; Tribunais. São
____. ‘Os Paulo, v. 853,
privilegiados ’. p. 429–441,
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Capítulos de livros
publicados
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Mani Pulite’. In: BARBACETTO, Gianni;
TRAVAGLIO, Marco; GOMEZ, Peter.
Operação Mãos Limpas : A verdade
sobre a operação italiana que inspirou
a Lava jato. Porto Alegre: CIX, 2016, p. 
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Ferreira Mendes; Ingo Wolfgang Sarlet;
José Gomes Canotilho; Lenio Streck.
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especializadas em homenagem ao
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Tradução

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Ver também
Corrupção no Brasil
Lista de escândalos políticos no Brasil
Lista de operações da Polícia Federal
do Brasil
Poder Judiciário do Brasil

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