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A CONFLUÊNCIA ENTRE A FAMÍLIA E A ESCOLA NO PROCESSO DE

ENSINO E APRENDIZAGEM NO PROJETO DE LETRAMENTO GUARIBA.

Hana Karolina da Costa Palheta

RESUMO

O presente estudo é fruto das pesquisas de campo realizadas com familiares de 10 crianças
da equipe Pedra Pintada que integra o Projeto de Letramento Guariba. O Projeto Guariba
é um Programa de Educação Tutorial-PET, sob coordenação do Doutor Devair Antônio
Fiorotti. A questão que guia essa pesquisa é há acompanhamento dos pais, da família no
processo de ensino e aprendizagem da criança?É fundamental que se estabelece uma boa
relação entre família e escola, como parte do processo de desenvolvimento da
aprendizagem dos alunos. Na educação escolar, há grande diversidade cultural, e o
educando já traz consigo conhecimento do seu próprio cotidiano para esse ambiente. O
conhecimento prévio dos alunos irá exigir uma relação dialógica entre família e escola,
para que tais conhecimentos não sejam conflitantes, mas complementares no processo
educacional. Este texto visa identificar e analisar se há o acompanhamento da família na
educação escolar dessas crianças e, caso haja, como se daria tal processo.Além dos
apontamentos realizados acima durante as atividades com as crianças e questionário
aplicado com duas professoras de equipes diferentes no projeto e com 06 pais de família.
A partir disso, é construído o texto, utilizando também revisão bibliográfica sobre o
assunto.

PALAVRAS-CHAVE: família; escola; letramento.


CAPÍTULO 1- CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA

1.1.CONTEXTUALIZAÇÃO DA PESQUISA

Não podemos perder de vista que a família tem muita influência na educação dos
filhos.O papel da família, deve ser caracterizado pelo respeito a identidade da criança, ao
sujeito e, especialmente, ao processo de construção do conhecimento que ela passa desde
seu nascimento. Isto quer dizer que os pais são orientadores dos filhos, pois ajudam a
formar seus pensamentos em relação ao mundo no qual vivem. Os pais são mediadores,
ou seja, facilitadores que instruem, aconselham e orientam.
O lar e a vida familiar podem proporcionar, através de seu ambiente físico e social,
as condições necessárias ao desenvolvimento da personalidade da criança, mas é também
na família que a criança encontra, em primeiro lugar, os modelos a serem imitados; no
entanto é somente na escola que esses valores e modelos serão dosados, analisados e
remodelados, se for o caso.
A relação entre a escola e a família é, sobretudo, uma questão muito relevante
atualmente, sendo debatida por pesquisadores da área educacional e/ou gestores dos
sistemas e unidades de ensino em quase todo o mundo. Este fato é evidenciado, por um
lado, pelo expressivo número de pesquisas e publicações especializadas sobre o assunto,
e, por outro, pela preocupação manifestada nos mais diversos fóruns (de reuniões
escolares a fóruns nacionais e internacionais) pelos profissionais responsáveis por gerir
simples unidades escolares ou complexos sistemas nacionais de ensino.
Na academia, em meio a pesquisas pode-se dizer que uma área que tem se
dedicado ao estudo e entendimento das relações entre escola e família seja, não por acaso,
a Sociologia e, subalternamente, os estudos de políticas de educação. Com motes voltados
para temas que abordam desde o fracasso escolar, temática clássica ao bordamos esse
assunto, à trajetórias escolares, os sociólogos da educação têm continuamente chamado
a atenção para a implicação da instituição familiar com a escola. Como dizem Montando
e Perrenoud (1987:7), "de uma maneira ou de outra, onipresente ou discreta, agradável
ou ameaçadora, a escola faz parte da vida cotidiana de cada família".
Todos estes estudos e, mais ainda, a prática pedagógica dos professores e gestores
da escola deixam claro um fato: a maneira e a forma como se estabelece o relacionamento
entre escolas e famílias variam enormemente, estando relacionadas aos mais diversos
fatores (estrutura e tradição de escolarização das famílias, classe social, meio urbano ou
rural, número de filhos, ocupação dos pais, etc.).
Tal afirmação se adéqua a realidade do município de Pacaraima no qual se percebe
que a estrutura e a tradição de escolarização das famílias como a classe social, meio
urbano ou rural, número de filhos, ocupação dos pais ou responsáveis pelos alunos,
acabam por ser fatores que podem prejudicar o relacionamento entre família e ambiente
escolar.E especificamente está explícito no Projeto de Letramento Guariba a inexistência
da relação família-escola em prol do desenvolvimento do aluno, pois uma vez
encaminhados para o projeto com dificuldades de leitura, escrita ou interpretação, os pais,
todavia, não são colaboradores, nem parceiros no processo de ensino e aprendizagem do
aluno e muito menos no acompanhamento de tal processo de aquisição de conhecimento,
assim, desta forma muitas crianças acabam por não de participar do projeto pois os pais
querem que as crianças fiquem ajudando nos deveres e afazeres domésticos.

1.2 PROBLEMA

Percebe-se que no âmbito escolar a participação e preocupação dos pais quanto à


educação de seus filhos é uma das problemáticas que vem bloqueando a relação da escola
e da família, trazendo grandes consequências negativas no ensino-aprendizagem, como
se observa nos fatores mencionados na sequência: a ausência de diálogo com a criança
no ambiente escolar e familiar; pouca interação entre a família e a escola; afetividade
comprometida com a criança por parte dos pais e até mesmo professores; ausência de
estímulo para participar das reuniões do ambiente escolar. Desta forma e diante desta
realidade surge o seguinte questionamento: De que maneira os professores e familiares
responsáveis por esses alunos vêm contribuindo para inexistência da dificuldade de
escrita, leitura e interpretação?

1.3 JUSTIFICATIVA

O estudo em questão tem como tema: A importância da confluência entre a


família e a escola no processo ensino-aprendizagem do aluno pertencente ao Projeto de
Letramento Guariba da Universidade Estadual de Roraima. Por meio desta temática tem-
se o interesse em buscar respostas para questionamentos que surgem quando se percebe
que uma das problemáticas nas escolas pode ser a falta de participação dos pais no
processo de ensino e aprendizagem do aluno que é encaminhado para o projeto com
dificuldades de leitura, escrita ou interpretação, bloqueando ou dificultando desta forma
o pleno desenvolvimento do mesmo.
Tendo em vista a importância da família e da escola no processo de ensino e
aprendizagem do aluno é interessante a busca de uma harmonia entre círculo familiar e
escola. Está ação deve fazer parte de qualquer trabalho educativo que tem como foco o
autônomo.
Na obra Sobre a Pedagogia, Kant (1996b, p. 30) fala sobre a importância de ação
educativa seguir a experiência. A educação não deve ser puramente mecânica e nem se
fundamentar no raciocínio puro, mas deve apoiar-se em princípios e guiar-se pela
experiência (cf. idem, p. 29). A partir da pedagogia kantiana, podemos dizer que uma
educação que vise formar sujeitos autônomos deve unir lições da experiência e os projetos
da razão. Isso porque no caso de basear-se apenas no raciocínio puro, estará alheia à
realidade e não contribuirá para a superação das condições de heteronomia e, no caso de
guiar-se apenas pela experiência, não haverá autonomia.
Paulo Freire propõe uma pedagogia da autonomia na medida em que sua proposta
está “fundada na ética, no respeito à dignidade e à própria autonomia do educando”
(FREIRE, 2000a, p. 11). Optamos por usar a expressão “educação para a autonomia” com
o objetivo de enfatizar que a autonomia deve ser conquistada, construída a partir das
decisões, das vivências, da própria liberdade. Embora a autonomia seja um atributo
humano essencial, na medida em que está vinculada à ideia de dignidade, defendemos
que ninguém é espontaneamente autônomo, ela é uma conquista que deve ser realizada e
a educação deve proporcionar contextos formativos que sejam adequados para que os
educandos possam se fazer autônomos.
Assim, a escola e família devem serem parcerias e trabalharem continuamente na
busca da autonomia dos alunos e filhos, pois falar de família em dias atuais exige de nós,
muito cuidado e compreensão, pois temos que entender que não existe um modelo de
família, mas sim uma diversidade de modelos familiares onde cada um tem sua
particularidade como famílias constituídas por avós, tios, casais homo afetivos, famílias
comandadas por mulheres entre outros formatos.

“Hoje em dia não podemos mais falar da família brasileira de um modo


geral, pois existem várias tipos de formação familiar coexistindo em nossa
sociedade, tendo cada uma delas suas características e não mais seguindo
padrões antigos, nos dias atuais existem famílias de pais separados, chefiadas
por mulheres, chefiadas por homens sem a companheira, a extensa, a
homossexual, e ainda a nuclear que seria a formação familiar do início dos
tempos formada de pai, mãe e filhos, mas não seguindo os padrões antiquados
de antigamente.” (CARVALHO, 2009, P.1)

A família tem um papel imprescindível na vida de seus filhos, é nela que acontece
o desenvolvimento das primeiras habilidades, os primeiros ensinamentos através da
educação doméstica na qual o filho aprende a respeitar os outros, a conviver com regras
que foram criadas e reformuladas no decorrer da formação da sociedade. O papel da
escola é o de reforçar esses valores primeiros, acrescentando, mas não assumindo para si
o papel inicial da família. Dessa forma, cabe citar que:

“Teoricamente, a família teria a responsabilidade pela formação do indivíduo,


e a escola, por sua informação. A escola nunca deveria tomar o lugar dos pais
na educação, pois os filhos são para sempre filhos e os alunos ficam apenas
algum tempo vinculados às instituições de ensino que frequentam. ” (TIBA,
1996, p. 111). ”

A família e a escola são pontos de apoio e sustentação ao ser humano, são marcos de
referência existencial. Quanto melhor for a parceria entre ambas, mais positivo e
significativo serão os resultados na formação do sujeito. A participação dos pais na
educação formal dos filhos deve ser constante e consciente. Vida familiar e vida escolar
são simultâneas e complementares e é importante que pais, professores e filhos/alunos
compartilhem experiências, entendam e trabalhem as questões envolvidas no seu
cotidiano sem cair no julgamento ― “culpado x inocente” e buscando compreender as
nuances de cada situação.
A educação é responsável pela herança cultural, compreendendo assim, um processo
de socialização uma vez que:

“A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que


não se encontrem ainda preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar
e desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e
morais, reclamados pela sociedade política, no seu conjunto, e pelo meio
especial que a criança particularmente se destine. ” (DURKHEIM, 1978, p,41)

É partindo dessas informações cientificas sobre a importância da confluência entre a


família e a escola no processo de ensino e aprendizagem do aluno, que temos o tema a
ser desenvolvido e que me motiva a querer escrever e pesquisar sobre tal assunto e que
com certeza trará pontos positivos para o contexto social que cada criança do Projeto
Guariba está inserida.O tema que será estudado possibilita apresentar aos professores que
estão em sala e aula, professores em formação e aos pais e responsáveis pelos alunos que
o companheirismo entre escola e família é primordial para uma educação de qualidade e
consciente.
A educação como instrumento social básico é entendido aqui como direito humano,
que deve ser garantido pela família e pelo Estado. Mas, acima de tudo, a educação
significa prática de vida em todas as instâncias (PCN, 2005). Assim, levando em conta
que vários teóricos afirmam que a participação da família na escola possibilita um melhor
desempenho escolar das crianças é que no desenvolvimento desta pesquisa buscaremos
analisar os condicionantes que levam os pais à não participarem efetivamente da vida
escolar de seus filhos, transferindo em muitos casos a responsabilidade total da educação
da criança para a escola.
A LDB 9394/96 traz o conceito de educação como sendo além da educação formal,
pois, é na família que a criança construirá valores que serão incorporados ao longo da
vida e onde ocorre o primeiro processo de socialização que lhes permitirá traçar caminhos
futuros. Conseguir trazer a família para a escola ampliará os conceitos formulados pela
criança e ainda permitirá conhecer a sua cultura pessoal para que a escola possa valorizá-
la. Pensando assim, existe a necessidade de estarmos estreitando laços entre escola e
aqueles que dela participam direta ou indiretamente, como a família, uma vez que procure
acompanhar o desenvolvimento do aluno em todo o seu processo de aprendizagem, tanto
no lar quanto na sua atividade na escola, se envolvendo e participando com seus filhos.
Essa é a contribuição social deste trabalho, conscientiza e informar sobre a importância
dessa parceria como forma de mudança da população nas suas opiniões e atitudes.

“A família, presente em todas as sociedades, é um dos primeiros ambientes de


socialização do indivíduo, atuando como mediadora principal dos padrões,
modelos e influências culturais. ” (Amazonas, Damasceno, Terto& Silva,
2003; Kreppner, 1992, 2000).

Como a família constitui a unidade dinâmica das relações de cunho afetivo, social e
cognitivo que estão imersas nas condições materiais, históricas e culturais de um dado
grupo social, ela será um parceiro a mais na busca pelo cumprimento da nossa função
social e nos ajudará a cumprir com a nossa meta. Cabe a cada um fazer o que lhes é de
direito e não deixar todas as ações para a escola, de modo que o aluno possa se
desenvolver em todos os aspectos da vida, seja pessoal ou profissional e ter sucesso, pois,
nossa meta é ajudar o aluno em suas necessidades em parceria com a família.
Sendo assim, estou atuando como professora há dois anos na escola Municipal
Alcides da Conceição Lima, localizada no município de Pacaraima, em Roraima e um
dos temas que me chama muita atenção é a relação da escola e da família na educação do
aluno tendo em vista que tal relação é de suma importância para o pleno desenvolvimento
do educando. Foi pensando na contribuição da família junto a escola com o intuito de
ajudar os alunos a suprir suas dificuldades que eu escolho meu tema de pesquisa e acredito
na sua grande relevância no campo educacional, partindo do princípio de que a escola não
educa sozinha. A discussão sobre como envolver a família no processo de aprendizagem
na escola não é recente, promover a corresponsabilidade exige desafios, mas a mudança
e a perspectiva de integração entre família e escola devem ser incentivadas e analisadas
constantemente.
A pesquisa se faz necessária para contribuir no processo de ensino-aprendizagem das
crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem, onde a solução está na relação
entre a família e a escola no processo de desenvolvimento do aluno, pois somente com a
família interagindo com as escolas é que terá além de uma boa formação, uma preparação
para tomar atitudes para enfrentar as dificuldades que os alunos sentem na escola e até
mesmo na família.

CAPÍTULO 2 - REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. O CONCEITO DE FAMILIA NO DECORRER DA HISTÓRIA

Há vários modelos de famílias. Na sociedade brasileira não podemos identificar


um modelo padrão, ou adotar um único modelo de família, pois existem singularidades
entre elas. É possível afirmar que cada família é formada de uma construção histórico
social diferente, possuindo assim características que a diferenciam com uma identidade
própria e com o objetivo comum e básico de prover a subsistência de seus integrantes.
Antigamente a família era composta pelo pai, mãe e os filhos, exercendo o pai o
papel de chefe, que possuía o dever e o direito de garantir o sustento da esposa e dos
filhos. No entanto esse formato familiar não é o que vivenciamos nos dias atuais, sabemos
que existem diversas famílias e que não só os esposos como as esposas trabalham para
sustentar seus filhos o que acaba influenciando no processo de desenvolvimento escolar
de seus filhos. Não é o caso de se analisar apenas a influência do afastamento devido ao
excesso de trabalho profissional ou questões similares, é necessário refletir também sobre
outras questões como as separações dos seus responsáveis que muitas vezes acaba por
afetar o processo de ensino e a aprendizagem da criança.

Com o passar do tempo notamos vários outros modelos de famílias onde só tem o
pai com os filhos ou a mulher é a figura que administra toda a casa e a educação dos filhos
sem a participação de uma figura paterna, famílias formadas por madrastas ou padrastos
entre outras, assim, os lados tendem a estar preparados para dar muita atenção e participar
da vida do filho para que ele não se sinta constrangido com tal situação. O educando pode
muitas vezes não se mostrar preparado, ou não estar preparado para adotar ou vivenciar
um outro formato familiar, diferente do habitual, sendo possível apresentar
comportamentos indesejáveis e que são oriundos da desestruturação familiar.

“É possível concluir que o ambiente familiar pode tanto promover


comportamentos socialmente adequados, como favorecer o surgimento e/ou
manutenção de comportamentos inadequados. Problemas de comportamento
podem ser impeditivos de aquisição de habilidades sociais, pois, como
afirmam Pacheco e Gomes (1999). ”

No entanto, existem necessidades básicas, que o educando em processo de


aquisição do conhecimento necessita receber para crescer bem e satisfeito com a vida que
tem, tornando-se um adulto forte e equilibrado, mas ao analisar algumas de nossas
famílias, através de pesquisa, verificaremos o quanto estão necessitados, despreparadas e
desmotivadas para colocar em prática de forma mais eficaz as suas obrigações dentro da
família como fora dela.

“Dialogar com os filhos são muito importantes no contexto educativo, pois


refere-se ao repertório inicial para o desenvolvimento de todas as demais HSE,
tais como fazer perguntas, expressar sentimentos, expressar opiniões e
estabelecer limites. Estas HSE auxiliam os pais a transmitir padrões, valores e
normas de comportamento da cultura para os filhos, o que, segundo Biasoli-
Alves (1994), faz parte do papel da família, enquanto primeiro ambiente
socializador da criança” (SILVA, 2000).

A formação de uma família sadia propicia o desenvolvimento das pessoas e essa


construção depende de que os pais tenham uma estrutura de personalidade equilibrada a
fim de lidar com os conflitos e obstáculos comuns de seu cotidiano e criar um ambiente
adequado ao crescimento de seus membros, pois os filhos são imagem dos seus pais e se
a criança convive em seu lar com situações agressivas ela vai ter muita chance de adquirir
certos comportamentos.
Nesta perspectiva as crianças que tem pais separados suportam certas dificuldades
de aprendizagem, pois se afetam com as influências do meioaté o ponto de se sentirem
culpados diante de tal situação, sendo que junto de seus pais teriam mais desenvolvimento
e prazer pelo estudo.
Por meio do desenvolvimento tecnológico, não somente máquinas foram
modificadas, a sociedade também passou por transformações no estilo de vida, assim
como as relações que estabelecemos com nossos semelhantes. O mundo virtual é a nova
maneira de interação e relacionamento entre as pessoas, em questão de segundos há o
processo de comunicação com outros indivíduos que estão a milhares de quilômetros de
distância, ocupando o tempo que antes poderia ser utilizado com uma conversa ou
atividades que poderiam interagir e unir os membros da família.
Segundo Ackerman (1986, p. 17), o momento histórico em que nos encontramos
tem mudado as relações entre o indivíduo, a comunidade e o meio em que está inserido.
“Tem alterado a configuração da vida familiar e tem abalado os padrões
estabelecidos de Indivíduo, Família e Sociedade. [...] Seres humanos e relações
humanas foram lançados em um estado de turbulência, enquanto a máquina
cresce muito, à frente da sabedoria do homem sobre si mesmo. A redução do
espaço e a intimidade forçada entre as pessoas vivendo em culturas em conflito
exigem um novo entendimento, uma nova visão das relações do homem com
o homem e do homem com a sociedade”.

A saída da mãe para o mercado de trabalho, que é a figura central na educação de


seus filhos, é um dos fatores que tem abalado a relação estabelecida entre mãe e aluno,
durante o processo de desenvolvimento e aprendizagem, a relação fraternal, assim como
a sensação de segurança e confiança são construídas no decorrer do cotidiano, em um
determinado tempo histórico e um delimitado espaço físico. A nova mãe da sociedade,
que trabalha e possui grandes responsabilidades muitas vezes não dispõe do tempo
necessário para estabelecer uma relação com seu filho e educá-lo.
Em relação às perspectivas da família com relação à escola com seus filhos
encontram-se várias ideias de que a instituição escolar “eduque” o filho naquilo que a
família não se julga capaz e que ele seja preparado para obter êxito profissional e
financeiro.

A família não é o único canal pelo qual se pode tratar a questão da socialização,
mas é, sem dúvida, um âmbito privilegiado, uma vez que este tende a ser o
primeiro grupo responsável pela tarefa socializadora. A família constitui uma
das mediações entre o homem e a sociedade. Sob este prisma, a família não só
interioriza aspectos ideológicos dominantes na sociedade, como projeta, ainda,
em outros grupos os modelos de relação criados e recriados dentro do próprio
grupo. (CARVALHO, 2006).

A formação dos educandos quantos aos valores éticos e o desenvolvimento da


moralidade como também padrões de comportamento muitas vezes é apontada pela
família como responsabilidade apenas da escola, segundo Di Santo (2006), em seu artigo
Família e Escola: existe uma relação que se estabelece e forma uma cooperação relata
que nos últimos tempos tem feito a família repassar à escola a responsabilidade de instruir
e educar seus filhos inserindo-os na sociedade.
Logo, deve haver um estreitamento das relações entre família e escola em busca
de uma qualificação, evitando uma confusa transferência de responsabilidades entre
ambas as partes para alcançar um bom desenvolvimento saudável dos educandos.
O primeiro passo para a interação positiva entre a escola e a comunidade é, sem
dúvida, o conhecimento da própria comunidade por parte da escola. Para que de fato esse
relacionamento se aprofundasse, surtindo efeitos visíveis e notáveis é de suma
importância a participação e envolvimento da comunidade escolar, como um todo, não
apenas somente educadores ou gestores, além de analisar instrumentos que facilitassem
o intercâmbio entre as partes, favorecendo uma relação de confiança e respeito para com
os envolvidos.
Uma das funções da escola é buscar uma aproximação com as famílias de seus
alunos, pois enquanto instituição de educacional técnica, pode promover atividades como:
interação e apoio com diversos profissionais como psicólogos, fazer visitas
aos familiares, reuniões de pais e mestre com maior frequência, bem como a realização
de ações e atividades que levem os pais até o ambiente escolar e tornem efetiva a
participação deles nas atividades escolares de seus filhos, de forma que eles tenham
contato com os conteúdos que as crianças estão desenvolvendo nas diversas atividades
curriculares, estabelecendo dessa maneira uma ligação entre escola-família-
professores.
Entende-se que, a família é constituída baseada em seus membros, no aspecto de
suas decisões, atitudes e que cada formação familiar possui características próprias, assim
como um determinado poder aquisitivo, ou não, que algumas vezes pode não responder
as necessidades educacionais dos seus filhos, ou seja, alguns pais não possuem o poder
aquisitivo para garantir uma boa educação para seus filhos. Desta forma, a
desestruturação familiar tem haver também com a questão financeira e social que tendem
a afetar o processo de ensino – aprendizagem das crianças.

2.2. O PAPEL DA ESCOLA E FAMILIA NO PROCESSO EDUCATIVO


ESCOLAR

A parceria entre familiares e as instituições de ensino, seja a educação formal ou


a técnica, é concretizada quando tanto a escola quanto a família decidem trabalhar em
conjunto e em busca de um objetivo em comum que é a formação de crianças críticas,
cidadãos formadores de opinião e conscientes de seu papel na sociedade em que habitam,
com valores éticos e morais e com uma perspectiva de um futuro promissor.
A escola, portanto, é a instituição responsável pela educação formal da criança.
Sendo assim, a formação integral do indivíduo é de finalidade da escola e da família,
tendo como objetivo primeiro tornar os indivíduos cidadãos críticos e conscientes de seu
papel no meio em que vivem.

A família tem papel fundamental no trabalho cotidiano na educação infantil.


As expectativas dos pais em relação à educação de seus filhos variam de acordo
com a posição social da família, sua concepção de escola e sua expectativa
quanto ao futuro dos mesmos. De um modo geral, ao levar os filhos à escola,
os pais esperam que a criança seja cuidada e educada, se desenvolvendo e
adquirindo conhecimentos(BHERING, DE NEZ, 2002)
A família pode participar de várias maneiras na vida educacional do estudante,
segundo Freitas, Maimoni & Siqueira, (1994) e de Maimoni & Miranda, (1999), elas
podem: acompanhar tarefas e trabalhos escolares, verificar se o filho fez as atividades
solicitadas pelo docente, estabelecer horário de estudo, informar- se sobre matérias e
provas, entre outras ações.
A escola tem um papel importante na socialização da criança, na promoção do
conhecimento social e no desenvolvimento das capacidades cognitivas e influencia na
compreensão que ela tem do mundo social. Para que ela se desenvolva é necessário que
se socialize, satisfazendo suas necessidades e assimilando a cultura da sociedade em que
vive. Para o processo de socialização, as crianças precisam aprender o que é correto no
meio em que elas estão inseridas, aprendam e respeitem os valores morais desse meio.
Quando a criança nasce, ela já faz parte de um grupo e chega à escola trazendo todas as
vivências de seu cotidiano, sejam positivas ou negativas.

Como função social a Escola é um local onde visa a inserção do cidadão


na sociedade, através da interelação pessoal e da capacitação para atuar
no grupo que convive. Forma cidadãos críticos e bem informados, em
condições de compreender e atuar no mundo em que vive...A Escola
tem um compromisso com a Educação, devendo atuar forma
abrangente, não só tendo como objetivo a instrução. Deve manter uma
visão holística, procurando avaliar, para melhorar, todos os aspetos dos
quais o ser humano é constituído. Deve prover os indivíduos não só,
nem principalmente, de conhecimentos, ideias, habilidades e
capacidades formais, mas também, de disposições, atitudes, interesses
e pautas de comportamento. Assim, tem como objetivo básico a
socialização dos alunos para prepará-los para sua incorporação no
mundo do trabalho e que se incorporem à vida adulta e pública.
(THOMAZ, 2009, S.P.)

A escola precisa considerar toda a bagagem de vida dos alunos e buscar sempre
práticas pedagógicas que proporcionem prazer, fazendo com que esses alunos sintam
vontade de ir para à escola, de viver aquele momento novamente, que é proporcionado
pelo prazer que sentem em estar naquele local, pela felicidade que deve ser gerada pelo
ambiente escolar, pois é a escola a instituição que exerce a têm maior influência
educacional sobre as crianças
Sabendo que a família é a primeira instituição que recebe a criança e temuma
responsabilidade social que é muito importante para o desenvolvimento individual do
educando e que junto com a escola tende a participar efetivamente do processo de
conhecimento e valores adquiridos pela criança é necessário observartal responsabilidade
primeiramente é dada à família e a escola vai trabalhar isso no contexto escolar, ou seja,
a educação inicia no seio familiar e posteriormente a escola apenas ensina as crianças.A
Lei nº 9.394 da LDB, (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), de 20 de
dezembro de 1996, determina que a educação escolar deve ser oferecida,
predominantemente, por meio do ensino em instituições próprias. O art. 2º da mencionada
Lei dispõe o seguinte:

A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de


liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o
pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho.

De acordo com o artigo citado é dever tanto da família como da escola promover
o desenvolvimento integral do educando, a formação para a cidadania e o alargamento de
qualificações para o mundo do trabalho, porém a sociedade atual passa por
transformações tão intensas que os papéis específicos desempenhados por ambas estão
sendo cada vez mais confundidos.
Diante dessa realidade é exigido dos professores mais qualificação, mas não
somente técnicas específicas da área de atuação, mas que acima de tudo, esses
profissionais da educação estejam preparados para as novas relações pedagógicas, as
relações humanas no processo de ensino e aprendizagem. Sendo assim, FURLANI, 1995;
ESTEVE, 1999 afirmam:

“Que a relação entre professor e aluno era baseada na hierarquia social, na


disciplina, na obediência, no respeito, na importância que a sociedade dava aos
conteúdos ministrados pela escola e a atividade docente, pois a família e escola
desempenhavam papéis bem definidos. A família se ocupava com os
ensinamentos e a educação primária com vistas à transmissão de valores. A
escola, por sua vez, era responsável pelos estudos secundários, caracterizada
pela formalidade e racionalidade”

Nas décadas posteriores, segundo, Tedesco (2002, p.38), deu-se um processo de


desaparecimento das distinções entre professor e aluno. Desse ponto de vista, a
massificação da escola foi acompanhada por um processo de perda de significação social
das experiências de aprendizagem que nela se realizam.
A massificação escolar e a horizontalidade entre professor e aluno, juntamente
com a desvalorização do conteúdo escolar proporcionou um desinteresse pelas
experiências vividas em sala de aula. A indisciplina, a intolerância, a realização de
atividades apenas para atingir a nota e não pela construção do conhecimento, dificuldades
de relacionamentos e trabalho em equipes são alguns aspectos da educação escolar de
hoje.
Por meio dessa análise, as relações atuais entre professor e aluno podem ser um
instrumento facilitador da aprendizagem, tanto de experiências técnicas e específicas
como da interação entre a sociedade.
Todavia, isso é uma situação complexa pelo fato dos pais e professores não terem
muita consciência da responsabilidade social. Assim são encontrados nas escolas diversos
comportamentos indesejáveis partindo das crianças diante de diversas situações, oriundo
de condutas vindas da instituição familiar, e que os membros da família, muitas vezes
acabam por colocar a responsabilidade sempre na escola e vice-versa. Desta forma, ambos
não querem assumir com a responsabilidade que cabe a duas as instituições nosentido de
garantir a aprendizagem do indivíduo para atuar em qualquer área social e saber lidar com
situações complexas que são encontradas na sociedade em que se encontram. Nota-se nos
seguintes artigos da Constituição Federal (1988) o papel que a família deve desempenhar
na criação e educação de seus membros:

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será


promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho. [...]

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao


adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade,
ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-
los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência,
crueldade e opressão. [...]

Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os
filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou
enfermidade (BRASIL, 2003).

O fato é que ainda há uma enorme distância entre a lei e a realidade, pois o que
está no papel não está muito visível na prática, no sentido da responsabilidade da criança,
já que essa assume um caráter global no sentido de que atribui a todas as instituições,
principalmente no que condiz a escola e a família, parcelas essenciais na responsabilidade
e de parceria no processo de formação infantil.
Com a elaboração do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) em 13 de julho de
1990, a proposta presente na Constituição Federal foi reforçada, o que pode ser constatado
nos seguintes artigos:

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder


público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes
à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária [...].

Art. 53. A criança e ao adolescente têm direito à educação, visando ao pleno


desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e
qualificação para o trabalho[...]
Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo
pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais. [...]

Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou


pupilos na rede regular de ensino. [...]

Art. 129. São medidas aplicáveis aos pais ou responsável:


V - Obrigação de matricular o filho ou pupilo e acompanhar sua frequência e
aproveitamento escolar (BRASIL, 2002)
.
Dessa forma, os pais ou responsável deve ter atenção especial à vida de seus filhos,
estando atentos aos cuidados e necessidades que cada criança possui no seu processo de
desenvolvimento. Entretanto, é importante ressaltar os segmentos sociais que se
encontram a disposição dos pais, a instituição escolar é fundamental na educação formal
que todo indivíduo deve adquirir para o seu preparo ao exercício da cidadania e
qualificação para o trabalho, contudo, cabe aos pais direcionar a criança para uma
formação sistemática, enfatizando a educação como esfera significativa para seu
desenvolvimento integral.
A Educação é um dos maiores bem que o homem pode adquirir ao logo da vida,
então é comum e compreensível grande preocupação de muitos pais, professores e até
mesmo da sociedade que juntos até os dias atuais lutam por uma melhor educação para
os filhos. A educação é muito mais do simplesmente frequentar uma escola e receber
informações repassadas pelo professor. De acordo, com Brandão é uma implicação, ou
seja, um envolvimento que tanto aprendemos quanto ensinamos.

Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um


modo ou de muitos, todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para
aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser
ou para conviver, todos os dias misturamos a vida. Com a educação. Com uma
ou com várias: educação? Educações. (BRANDÃO, 1985, p. 7).

Desta forma, é importante sabermos que em todo lugar que frequentamos


adquirimos conhecimento, assim como transmitimos. Mesmo o ambiente não nos
oferecendo condições suficientes para aprofundar esses conhecimentos, aprendemos e ao
mesmo tempo compartilhamos todos os dias com quem nos rodeia. Nesta perspectiva, é
importante destacar que há diversas pontos que podem ser prejudiciais ao acesso
educacional. Enquanto alguns podem escolher, outros não tem a oportunidade de cultivar
seus saberes, tendo que muitas vezes se instruir sozinho ou com os próprios pais que
também não estudaram. Contudo, a escola sendo um lugar que deve facilitar e propiciar
esse processo de aprendizagem, possui o dever de fornecer uma educação qualitativa,
respeitando o saber já trazido pelo o aluno, a fim de prepará-lo para uma sociedade que
em meios a tantos preconceitos, ainda visa aos que mais têm estudo e capacidade de atuar
no meio social.
“Devemos inferir, portanto, que a educação de qualidade é aquela mediante a
qual a escola promove, para todos, o domínio dos conhecimentos e
desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas indispensáveis ao
atendimento de necessidades individuais e sociais dos alunos. ”Libâneo (2005,
p.117).

A escola não tem se preocupado em atender as necessidades dos alunos, no que


diz respeito a aprendizagem, os conhecimentos, as competências e habilidades que os
mesmos apresentam, então vem a grande preocupação desses educandos futuramente ao
ingressarem no mercado de trabalho. Ao pesquisar com base nos resultados obtidos na
pesquisa realizada em campo é possível notar que as famílias das dez crianças
entrevistadas, muitos dos pais não terminaram o ensino básico e temem quanto à educação
de seus filhos, alguns se mostraram preocupados com a qualidade da educação oferecida
hoje na rede pública de ensino. No entanto, muitas famílias não cumprem com o mesmo
papel que a escola deveria desempenhar, ou seja, de permanecerem sempre em parceria e
que o objetivo maior, sobretudo, o mais importante é a educação dos filhos. A família já
não cumpre com o seu papel de primeiros educadores e muitas delas relatam a falta de
tempo, daí um dos motivos dos educandos apresentarem dificuldades na escola.

“Essa erosão do apoio familiar não se expressa só na falta de tempo para ajudar
as crianças nos trabalhos escolares ou para acompanhar sua trajetória escolar.
Num sentido mais geral e mais profundo, produziu-se uma nova dissolução
entre família e escola, pela qual as crianças chegam à escola com um núcleo
básico de desenvolvimento da personalidade caracterizado seja pela debilidade
dos quadros de referência, seja por quadros de referência que diferem dos que
a escola supõe e para os quais se preparou. ” (Tedesco, 2002, p.36).

A escola e a família, principalmente, são responsáveis pelos filhos obterem um


bom desenvolvimento escolar, independente dos governos e leis cumprirem ou não com
seus compromissos, que talvez pudesse surgir uma escola democrática que pudesse
valorizar cada vez mais o ser humano e seus princípios.
O papel a ser exercido pela escola e pelos pais, em se tratando de uma sociedade
que passa por mudanças constantes, é a busca de novas formas e caminhos para alcançar
êxito na formação de valores, pois muitos dos valores considerados essenciais pela
humanidade estão sendo abalados, por isso a importância de um lugar em que os filhos e
estudantes possam se sentir seguros de si, de seu próprio potencial, e dentro deste
contexto cabe a escola, como ambiente de ensino proporcionar essa confiança ao alunos,
com o ambiente bem estruturado e apoiado pela família.
2.3. HISTÓRICO DO PROJETO DE LETRAMENTO GUARIBA

O Projeto Guariba tem como foco central trabalhar com o letramento e visa
preparar as crianças para atuarem no meio social, condizente com as suas realidades.
Neste contexto, as dificuldades de escrita, leitura e interpretação dos alunos são
trabalhadas a partir desse ponto de vista de letramento.
Segundo Magda Soares “letramento, é, sobretudo, um mapa do coração do
homem, um mapa de que você é, e de tudo que pode ser”. A criança letrada é capaz de
questionar os seus direitos e conquistar a sua própria cidadania, consegue ler e interpretar
qualquer tipo de texto.
No Projeto de Letramento Guariba é realizado nas primeiras semanas de aula um
diagnóstico para identificar o nível de conhecimento e dificuldades de cada aluno. Mas
não é desconsiderado o diagnóstico feito pela escola, pois Magda Soares afirma que “a
primeira coisa que a escola deve fazer é descobrir o grau de letramento da criança”, para
poder trabalhar com o seu grau de leitura e escrita.
Entretanto, nós como tutores nos preocupamos em criar um bom planejamento
sem esquecer de facilitar o processo de crescimento cognitivo e moral. Segundo Soares
(2000a: 1), "se uma criança sabe ler, mas não consegue ler um informativo, um jornal ou
um cartaz, se sabe escrever palavras e frases, mas não é capaz de escrever uma carta, é
alfabetizada, mas não é letrada".
O foco central do Projeto é trabalhar com o letramento, onde objetiva preparar as
crianças para atuarem no meio social. As aulas acontecem três vezes por semana com a
equipe – Macunaíma, havendo um rodizio no qual as dez crianças passam pelas três
equipes, dessa maneira os alunos socializam com as crianças de outras equipes e estão
em contato direto com atividades de letramento utilizando recursos didáticos sociais
como: jornais, revistas, modelos de ingresso, convite, receitas, “santinho” políticos, etc.

“É evidente que o papel do professor muda sob esta perspectiva de


alfabetização e letramento como prática social. Uma grande vantagem
doenfoque socialmente contextualizado é a autonomia que ele ganha no
planejamento das unidades de ensino e na escolha de materiais didáticos”.
(Kleiman,2005)

É senso comum falar das dificuldades no processo de aprendizagem da Língua


Portuguesa, principalmente no que tange à leitura e de forma imbricada à leitura da escrita
e interpretação de textos. Além do senso comum, medidores nacionais de aprendizagem,
como o IDEB, comprovam esse fato. Este projeto busca inserir-se nessa problemática,
contribuindo para a diminuição de tais dificuldades. Atende alunos que, mesmo estando
nos 4º e 5º anos do Ensino Fundamental, ainda não sabem ou têm muita dificuldade em
ler, escrever ou interpretar o que leu. Os alunos atendidos pertencem à Escola Municipal
Casimiro de Abreu e à Escola Estadual Índio Manoel Barbosa, do Município de
Pacaraima, Roraima, sendo atendidas 40 crianças na sede e 20 crianças na comunidade
indígena Sorocaima II. Pacaraima é um município fronteiriço com a Venezuela e
localizado dentro da Terra Indígena São Marcos e Raposa Serra do Sol. Tais crianças
foram encaminhadas para o projeto pelos professores em uma seleção realizada
juntamente com a coordenação pedagógica das referidas escolas.
É um ponto positivo deste projeto a tentativa de diminuir a distância entre o fazer
universitário propriamente dito e a comunidade onde a universidade está inserida.
Comunidade que certamenteenfrenta as maiores dificuldades e que vivencia, de forma
muito mais direta que os pesquisadores universitários, a problemática do ensino da leitura
nas escolas públicas brasileiras. Desse modo, justifica-se apoiar diretamente o processo
de aprendizagem dos alunos relativo à leitura em um município tão carente como é
Pacaraima. Também, vale ressaltar que os alunos da Universidade Estadual de Roraima
do curso de Letras e de Pedagogia de Pacaraima envolvidos no projeto são moradores da
cidade.
Todos os alunos da UERR envolvidos estão sendo qualificados para serem
professores, isto é, são alunos de cursos de licenciatura, que em breve estarão no mercado
de trabalho, em sala de aula, onde muitos irão lecionar o ensino da Língua Portuguesa e
suas competências mais elementares: ler, escrever e interpretar textos. Esses aspectos
também destacam o caráter benéfico do projeto, já que em cidades periféricas como
Pacaraima, com baixo índice de instrução de seus moradores, o professor é o principal
(quando não o único) responsável em apresentar o livro para as crianças.
Por ser uma cidade fronteiriça com a Venezuela o município de Pacaraima passa
por diversas situações de risco, como drogas e prostituição infantil. Nesse sentido, o
Projeto de Letramento Guariba busca ir na contramão de tais situações, promovendo a
inclusão das crianças com dificuldades de aprendizagem no sistema de letramento formal,
por meio destacadamente da leitura.
Merece destaque ainda o fato de Pacaraima pertencer à Terra Indígena São
Marcos. Uma das escolas, Casimiro de Abreu, localiza-se na sede, contudo a escola Índio
Manoel Barbosa é localizada na comunidade indígena do Sorocaima II. Vale ressaltar que
os indígenas da região do São Marcos estão passando por forte perda das tradições
seculares. Com o desenvolvimento do pensamento crítico, oriundo do trabalho de leitura
crítica do mundo, pode-se contribuir para maior conscientização do passado e do presente
histórico em que esses indígenas estão inseridos.
Como exemplo, justifica o projeto a fala de uma mãe: “minha filha já tá lendo e
escrevendo melhor do que eu”. Tal criança simplesmente não lia e tinha vergonha de
tentá-lo até ser encaminhada e participar das aulas no Projeto.
A partir da leitura, da escrita e da interpretação de um texto é possível contribuindo
diretamente no processo de inclusão, por meio de letramento, com o objetivo de ajudar
esses alunosda escola Casimiro de Abreu e Índio Manoel Barbosa, de Pacaraima,
Roraima.
Vale salientar que o Projeto também passa por algumas dificuldades. Por exemplo,
não possui instalações próprias para desenvolvimento das atividades educativa, assim,
atualmente as aulas são ministradas sem a estrutura ideal, nas instalações da Biblioteca
Municipal Professora Norma Suely, anteriormente as aulas eram lecionadas no Centro de
Referência em Assistência Social e no laboratório de informática da Universidade, que
seria destinado a adultos. Na proposta original, cada criança teria um notebook para
desenvolver suas atividades, no entanto até o momento não foi possível realizar essa ação,
tal implicação não apresenta apenas pontos negativos, podendo ser destacado como algo
positivo, já que mostra que a proposta pode ser replicada, adequando-se a ambientes
diversos.
Existe ainda a dificuldade no transporte das crianças, o que efetivamente acabou
resultando em um relevante número de desistências. Além da ausência de transporte, a
baixa escolaridade dos pais das crianças e a pobreza acabam contribuindo para a
desistência das crianças. Com isso, 14 crianças desistiram ou nunca compareceram ao
projeto, apesar das reuniões com pais e de visitas às suas casas.
Por último, todos envolvidos no Projeto de Letramento Guariba têm passado por
um forte processo de aprendizado, ao lidar com esse público. Muito das teorias estudas
na academia estão sendo revistas e adaptadas para dar conta da realidade das crianças,
principalmente em relação a 4 (quatro) crianças que possuem necessidades especiais.
Com isso e por isso, para os acadêmicos e futuros professores, bem como para os
professores envolvidos, o projeto tem se apresentado com uma iniciativa ímpar, pois os
próprios cursos de Pedagogia e Letras estão sendo resignificados, a partir da realidade do
projeto e da comunidade.

2.4. A IMPORTÂNCIA DA FAMILIA E DA ESCOLA NO PROCESSO DE


ENSINO E APRENDIZAGEM DO ALUNO

Neste capítulo, será abordada a importância da família em acompanhar o


desenvolvimento escolar da criança e como o docente junto com a escola pode ajudar
nesta relação. Como vimos anteriormente, as formações familiares mudaram com o
passar do tempo e nos dias atuais não é mais considerado família somente aquele modelo
nuclear com pai, mãe e filhos. Também observamos que a importância referente à
participação da família no âmbito escolar, se constitui como um fator primordial para a
obtenção de aprendizagem e posterior sucesso educacional da criança, assim como o
efetivo papel da escola em ensinar a seus alunos os conhecimentos produzidos
historicamente pela humanidade.
O papel da família é de suma importância para o desenvolvimento intelectual do
aluno, pois é neste contexto, que o educando tem o primeiro contato com o universo da
leitura e da literatura. Assim, é notável que é no círculo familiar que a criança aprende
sua primeira educação, deste modo, ele se relaciona com todo o conhecimento adquirido
durante sua experiência de vida primária que vai refletir na sua vida escolar. Sendo assim,
o sucesso do trabalho da escola depende da colaboração familiar ativa. Segundo López
(2002 p. 24): "A educação dos primeiros anos consiste precisamente na promoção de
todos esses aspectos sociais e de autonomia pessoal que logo servirão de base para a
educação intelectual mais estrita". Desta forma, a responsabilidade da educação infantil
depende, cada vez mais, da interação entre a escola e a família. Logo, o diálogo de
comunicação entre família e escola, o respeito e acolhimento dos saberes já existentes
proporcionam e beneficiam a aprendizagem da criança, o que servirá de suporte para a
educação escolar.
Assim, pais e professores são partes complementares do sistema educativo, e desta
forma não podem ser divergentes, conflitantes ou trabalharem de forma isolada. Nesse
sentido, os pais interagindo com o ambiente escolar, assim como com os educadores, que
efetivamente contribuem na elaboração de aprendizagens, não fazendo o papel dos
professores sendo meros repetidores do trabalho escolar, mas sim colaborando para que
a educação escolar possa ter continuidade no espaço familiar. Já a escola precisa se
mostrar como uma instituição que é capaz e total responsável pelo ensino que repassa aos
alunos, sem deixar de lado o fato de que a constituição da subjetividade da criança se faz
tanto na interação com a família quanto na interação com a escola. Portanto, a relação que
une os pais à escola, não pode de forma alguma ser baseada no sentimento competitivo e
nem mesmo apresentar traços de dependência, ou seja, o professor não pode substituir os
pais, desempenhando o seu papel e em contrapartida os pais não devem assumir o que é
de responsabilidade da escola, mas devem sim auxiliar naquilo que se refere a
continuidade da aprendizagem escolar no espaço familiar, já que a função dos pais é
essencial e insubstituível, mesmo antes da escola e independente desta. De acordo com
Szymanski (2010, p.99) “[...] as famílias têm de dar acolhimento a seus filhos: um
ambiente estável, provedor, amoroso”, além de também ser um exemplo de superação das
dificuldades, no sentido de orientar os filhos para as vivências que terão fora de casa, sem
violência, mas sim considerando o diálogo como forma de educação.
Para auxiliar nesse processo há serviços e ações sociais que dedica atenção e
cuidados a famílias de baixa renda, como o Centro de Referência em Assistência Social,
o CRAS, em muitos municípios e serviços de saúde que em muito podem ajudar as
famílias com dificuldades. (SZYMANSKI, 2010).
No entanto, sabemos que muitas famílias não conseguem efetivar isso, muitas
vezes o que impossibilita são questões pessoas ou sociais como até mesmo o fator
econômico, pois a miséria é cruel e traz com ela muitos empecilhos para que as famílias
possam ter o equilíbrio necessário para apoiar seus filhos.
Entretanto, sabemos que muitos pais, principalmente os que são responsáveis por
famílias de baixa renda, que acabam sendo desfavorecidos em diversos aspectos se
deparam com diversidades para buscar estas instituições que oferecem ajuda em virtude
de seu baixo nível de instrução e escolaridade.

Assim, os conflitos entre famílias e escolas podem advir das diferenças de


classes sociais, valores, crenças, hábitos de interação e comunicação
subjacentes aos modelos educativos. Tanto crianças como pais podem
comportar-se segundo modelos que não são os da escola. (SZYMANSKI,
2010, p.103).

Porém, as relações familiares dos alunos provenientes das classes socialmente


favorecidas também podem apresentar problemas, pois é possível observar variados casos
em que os pais ou responsáveis acabam por se ausentar, as vezes por questões
profissionais e tentam de uma maneira inadequada suprir a necessidade afetiva da criança
com presentes bens materiais. Nesse sentido, a escola precisa buscar mudar o olhar em
relação aos alunos, provenientes de famílias “desestruturadas” e ao invés de simplesmente
rotulá-los de forma preconceituosa, a é papel dela buscar encontros que resultem em
busca de novos caminhos e soluções. (SZYMANSKI, 2010).
A maioria das pessoas reconhece a importância da família no que diz respeito aos
cuidados primários que se deve ter com uma criança, ou seja, alimentação, higienização,
proteção, vacinação, afeto, entre outros cuidados que um filho necessita para a sua própria
subsistência humana.
E para que a vida de uma criança fosse preservada no decorrer do movimento
histórico da sociedade brasileira, foram criados mecanismos que viessem a garantir que
esses direitos fossem respeitados. Como no Artigo 227 da Constituição Federal do Brasil,
promulgada em 1988 e mais recentemente no Estatuto da Criança e do Adolescente, no
Capítulo III, Seção I, no seu Artigo 19, quando afirma que:
Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da
família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência
familiar e Comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes
de substâncias entorpecentes. (BRASIL, 1990, p.26).

Nessa perspectiva, a escola por sua maior aproximação e às famílias constitui-se


em formato de instituição de cunho social que exerce de maneira importantíssima o papel
em busca de possibilidades diversas que possam propiciar um trabalho minucioso em
favor de uma atuação que mobilize os integrantes tantoda escola, quanto da família em
direção a uma maior capacidade de dar respostas aos desafios que impõe a essa sociedade.

CAPÍTULO 3 –METODOLOGIA

Para uma melhor compreensão vamos definir o que é metodologia, segundo


Cruz& Ribeiro (2003) é um elemento constitutivo do projeto que apresenta as técnicas a
serem adotadas para a realização da pesquisa (entrevista, questionário e outros). Assim,
neste capitulo serão apresentados a caracterização dos métodos da pesquisa; o contexto
no qual foi realizada, coleta de dados, delineamento da pesquisa, população-alvo e
amostra.

3.1. CARACTERIZAÇÃO DOS MÉTODOS DA PESQUISA

A pesquisa utilizada neste trabalho foi a descritiva, as pesquisas deste tipo têm
como objetivo a descrição das características de uma determinada população ou
fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Uma de suas características
mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados.
Dentre as pesquisas descritivas salientam-se as que têm por objetivo estudar as
características de um grupo: sua distribuição por idade, sexo, procedência, nível de
escolaridade, opiniões, atitudes, crenças, etc.
As pesquisas descritivas são, juntamente com as exploratórias, as que
habitualmente realizam os pesquisadores sociais preocupados com a atuação prática. São
também as mais solicitadas por organizações como instituições educacionais, empresas
comerciais, partidospolíticos, etc. (GIL, 1991).
3.2. CONTEXTO

A pesquisa foi realizada na Biblioteca Municipal de Pacaraima, onde funciona o


Projeto de Letramento Guariba. Quanto a estrutura física do prédio é composta por 05
(cinco) salas, no qual a maior delas seria destinada a ser o espaço onde iam se encontrar
os livros para pesquisa da população de Pacaraima, porém a mesma está sem condições
estruturais e está interditada.
Foram cedidas apenas três salas para o funcionamento do projeto, no qual as três
equipes foram divididas, das 04 (quatro) salas uma delas ficou sendo o local pesquisa no
momento. No entanto as três salas cedidas possuem uma estrutura de pequena, não
havendo espaço suficiente para a realização das atividades.
O ambiente possui apenas ventiladores em duas salas e outra não há ventilação, em
todas as salas há uma estante com vários livros disponíveis para a leitura das crianças,
duas mesas de quatro lugares com as cadeiras para atender as 10 crianças. A biblioteca
banheiros femininos e masculino que fica próximo a sala de uma das equipes, uma área
de recepção e um espaço interno gramado e fechado, além de um deposito nos fundos.
No local existem quadros brancos que usam mesa, como forma de suporte e
sustentação pois não pode ser afixado nas paredes das salas porque o prédio é da prefeitura
do município que não autoriza essa ação. Tal fato prejudica nas realizações das aulas, o
que gera um certo desconforto ao professor na hora de explicar e escrever as atividades
da aula.

3.3. COLETA DE DADOS

Com intuito de delimitar as respostas e facilitar a mensuração dos resultados e


compreensão, o questionário tem perguntas fechadas. Utilizaremos fonte de dados
primários que não oferecem suporte para direcionar as ações de conscientização. A coleta
de dados foi efetuada por meio da aplicação de 10 questionários para as 10 famílias de 10
alunos pertencentes ao Projeto de Letramento Guariba. A pesquisa foi realizada a partir
de visitas domiciliares nas casas, com aplicação de questionários e conversa informal.

“Construir um questionário consiste em traduzir os objetivos da pesquisa em


questões especificas. As respostas a essas questões é que irã proporcionar os
dados requeridos para testar as hipóteses ou esclarecer o problema de pesquisa”
( GIL, 1999, p.129).

No desenvolvimento deste projeto a atenção será direcionada aos instrumentos de


coleta de dados, utilizados principalmente em pesquisas de abordagem qualitativa.
Segundo Rudio (1986, p. 114) “chama-se de instrumento de pesquisa o que é utilizado
para a coleta de dados”, ou seja, é estabelecido efetivamente o que será utilizado no
desenvolvimento do estudo para a obtenção das informações pertinentes ao trabalho.
Todavia para melhor reunir as informações necessárias irei adotar o questionário
fechado que será aplicado com os pais dos 10 (dez) alunos, da Escola Casimiro de Abreu.
O uso deste questionário é devido alguns pais sentirem dificuldades em responder as
questões, tendo em vista o grau de instrução de cada um. Numa referência a Richardson
(2007, p. 189), observa-se que este afirma que “os questionários cumprem pelo menos
duas funções: descrever as características e medir determinadas variáveis de um grupo
social”. Cabe observar que no presente estudo serão utilizados questionários abertos e
fechados. Como menciona as autoras Marconi e Lakatos (2006),o questionário aberto
permite ao informante responder livremente, usando sua linguagem própria e emitir
opiniões. Já o questionário fechado é aquele em que o informante escolhe sua resposta
em uma única opção, sem poder justificá-la.
Além de tal instrumento de pesquisa irei utilizar também a observação que
Marconi e Lakatos (2003, p. 190) definem observação como

“Uma técnica de coleta de dados para conseguir informações e utiliza os


sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste
apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenômenos que se
desejam estudar”.

Durante as observações na sala de aula dos alunos irei seguir um roteiro com
alguns aspectos a serem enfatizados nas observações, tais informações será registrada em
um caderno de campo.

O diário de campo é uma das etapas importantes em uma pesquisa de campo,


devendo fazer parte do mesmo processo de pesquisa. Ele se caracteriza por ser
um instrumento de registro diário. E, também, podemos dizer que o diário é
uma parte das técnicas de pesquisa (Minayo, 1993 p: 100)

Um diário de campo é caracterizado, desta maneira: “...constam todas as


informações que não sejam o registro das entrevistas formais”, ou seja, observações sobre
conversas informais, comportamentos, cerimoniais, festas, instituições, gestos,
expressões que digam respeito ao tema da pesquisa. Falas, comportamentos, hábitos,
usos, costumes, celebrações e instituições compõem o quadro das representações sociais”.
Dessa forma, para o pesquisador, o diário de campo tem como objetivo registrar, em
tempo real, atitudes, fatos e fenômenos percebidos no campo de pesquisa. Por meio do
registro poderá se estabelecer relações entre as vivências da pesquisa e o suporte teórico
dado na universidade e/ou adquirido pelo pesquisador, por seu próprio interesse.
Os registros devem ser feitos diariamente, sempre datados, sinalizando os sujeitos
envolvidos, o local, a situação observada, as condições que podem estar interferindo no
fato, a influência da rotina e as normas institucionais do fenômeno.Gil (1999) destaca que
na observação os fatos são percebidos de forma direta, sem que haja qualquer tipo de
intermediação, sendo considerada uma vantagem, em comparação aos demais
instrumentos.

3.4. DELINEAMENTO DA PESQUISA

Esta pesquisa tem o objetivo de identificar se há uma relação harmoniosa entre a


família e a escola quanto ao processo de ensino e aprendizagem dos alunos encaminhados
ao Projeto de Letramento Guariba, alunos estes que apresentam dificuldades na escrita,
leitura e interpretação, tendo em vista que já estão no 4º e 5º ano do ensino fundamental.
Deste modo, a pesquisa pode ser classificada quanto aos fins de exploratória, que segundo
Vergara (2005), ela é realizada em área na qual há pouco conhecimento acumulado e
sistematizado sobre o fenômeno a ser explorado. Quanto aos meios de investigação foi
realizada uma pesquisa de campo, pois ela é realizada no local, residência dos educandos,
onde ocorre ou ocorreu um fenômeno ou que dispõe de elementos para explicá-lo.

3.5. POPULAÇÃO-ALVO E AMOSTRA

Os sujeitos da pesquisa são os pais ou responsáveis dos alunos que formam a


equipe Pedra Pintada no Projeto de Letramento Guariba da Universidade Estadual de
Roraima, na qual sou professora.
Tendo em vista que os alunos estudam na escola Municipal Casimiro de Abreu e
são encaminhados para o projeto através de um diagnóstico é detectado a dificuldade na
escrita, leitura e interpretação de textos.

3.6. ANÁLISE A E DISCUSSÃO DE DADOS

Os dados obtidos a partir da coleta de dados foram ordenados e analisados


segundo o método de Análise de Conteúdo, em que os dados das entrevistas foram
transformados em categorias, que serão expostas no capítulo de resultados e análises.
CAPÍTULO 4 - RESULTADOS E DISCUSSÃO

Neste capitulo serão apresentados os resultados e a análise do trabalho realizado,


quanto operfil das famílias e dos alunos; relação com os familiares, o papel da família no
processo educativo escolar; a importância dos pais como incentivadores da leitura; a
convivência dos alunos com os familiares; o papel da família no processo educativo
escolar; relação família –escola.

4.1. PERFIL DAS FAMILIAS E DOS ALUNOS

Para a caracterização do perfil das famílias pesquisadas, os dados obtidos através


do questionário respondido pelos pais e responsáveis foram analisados paralelamente a
realidade que é observada no Projeto Guariba e nos estudos anteriores desenvolvidos
sobre a relação famílias e escolas.
Os alunos cujas famílias foram investigadas possuem entre 09 e 13 anos de idade,
os questionários foram respondidos predominantemente pelos pais, mães e avós das
crianças. Os questionários respondidos pelos pais totalizam 17% do total. Duas avós
responderam ao questionário enviado às famílias.
No que se refere ao estado civil dos pais a maioria são separados. No que diz
respeito à constituição familiar na maioria dos entrevistados foi possível perceber que a
família é estruturada com base apenas em um membro, apenas o pai, a mãe ou a avó.
Quanto ao ingresso pela primeira vez na escola os alunos tiveram o primeiro
contato social com a escola na faixa etária entre 03 (três) a 06 (seis) anos de idade, muitos
reprovaram várias vezes ficando entre 05 (cinco) meses a 1 (um) ano fora da escola devido
a mudança de cidade e não passaram pela creche. Os alunos pesquisados sofreram ou
sofrem preconceitos na escola como o bulling, o que acaba por gerar nestas crianças um
comportamento inadequado. Os pais recebem reclamações devido as conversas paralelas
em sala de aula por parte dos alunos. A maioria dos alunos recebe tratamento psicológico
devidos a brigas frequentes na família e preconceitos na escola devido a sua dificuldade.

4.2 A IMPORTÂNCIA DOS PAIS COMO INCENTIVADORES DA LEITURA


A leitura é um dos meios mais interessantes e essenciais para a aquisição do
estudo, não sendo errôneo classificá-la apenas como uma ferramenta de estudo e trabalho,
mais que isso ela é também um dos grandes prazeres da vida. Num mundo onde cada vez
mais os meios de comunicação dominam o interesse das novas gerações, os pais
frequentemente não se preocupam em criar nas crianças hábitos de leitura. Sendo assim
foi feita a seguinte pergunta aos pais: o cursista tem o habito de ler?

P1 : não, se a vó não mandar ele não ler, uma vez por mês.

P2 : tem de vez em quando.

P3: um pouco, mas não gosta muito.

P4: de vez em quando (pouco).

P5: Não tem hábito de ler.

Ler é um ato repleto de inúmeras implicações, consequências, e dependendo de


cada um que lê, de motivações. Sim, motivações, pois até mesmo pegar um informativo
diário, como um jornal e realizar uma leitura dinâmica e apenas visualizar títulos de
manchetes é necessário que este material desperte algum tipo de interesse ao leitor. Cada
leitor busca algo que lhe sacie o desejo por conhecimento ou apenas por lazer e este objeto
desejado muitas vezes torna-se de difícil acesso, ou até mesmo visto como um ponto
negativo, devido ao fato de nem sempre poder incluir a ação de leitura em seu cotidiano.
Então, como pode existir leitores de opiniões próprias se tantos nem gostam de
ler? Claro que fica muito mais difícil iniciar a inserção de uma pessoa depois de adulta
ao universo letrado, do que uma criança que se encontra apta e pronta para receber tantos
ensinamentos e condicionamentos que carregará por toda a vida de forma natural.
Enquanto houver alguém sem ler, ali estará um futuro leitor crítico, se for incentivado.
Segundo Silva (1981, p. 45) é relevante “o fato da leitura ligar-se muito intimamente ao
projeto educacional e à própria existência do indivíduo. ” De fato, quanto mais a leitura
fizer parte do cotidiano de cada um, haverá mais leitores realmente conscientes, capazes
de compreender o que estão lendo e para quem eles estão lendo a mensagem. Leitores
que são impulsionados pelo prazer da leitura e em prontidão para conhecerem outros
mundos, outras ideias, em benefício próprio.
Desta forma é interessante instigar a criança à ludicidade, à curiosidade pela
fantasia, por histórias, adaptadas ou não, tanto faz, objetivo dessas ações é repassar as
histórias as crianças. Histórias de cunho pessoal, vividas em família, lembranças de
momentos marcantes, “causos” passados de geração a geração, tudo é válido. A aquisição
rotineira de livros aos filhos prestando atenção nas preferências deles também conta,
assim como levá-los à bibliotecas e livrarias, inserindo no cotidiano da família e da
criança o habito da leitura, pois o contato com este universo somente ajudará e muito para
os costumes familiares caminharem em direção ao conhecimento. É crucial saber que a
criança deve ter as escolhas próprias respeitadas. Partindo desta informação foi feita a
seguinte pergunta: Os pais têm o habito de ler?
Motivar sempre a leitura, mostrar o tal caminho das pedras. E para isso, os
primeiros anos de vida valem ouro, quase literalmente. O ambiente familiar exerce
influência primordial na construção do futuro leitor. O Modelo familiar, o primeiro dos
exemplos é de extremo valor e importância por isso quando ela vê os pais em diversas
oportunidades “agarrados” a livros ou mesmo periódicos, terá maior facilidade a valorizar
tal ato instintivamente (SANDRONI, L. C.; MACHADO L. R., 1987).
Entretanto, existem crianças que por algum motivo não gostam de ler e não se
sentem estimuladas pelo mundo da leitura e acabam por criar barreiras que são
prejudiciais ao processo de aprendizagem. É necessário não se preocupar em demasia,
nem pressionar. Com paciência haverá livros para serem encontrados que vão ao encontro
dos interesses da criança. Mesmo que sejam gibis ou revistas em quadrinhos, não importa
qual será o instrumento, o importante é descobrir o hábito de ler desde cedo deve ser
encarado com naturalidade e jamais com reservas, pois com o tempo esse iniciante leitor
passará a desejar mais e novos rumos, o que o fará crescer intelectualmente.
Para as crianças de menor faixa etária são recomendadas as histórias mais curtas
e rápidas, de linguagem bem simples, com muitas ilustrações que denotam movimento e
reforçam a história. Deve-se ler para eles em voz alta, podendo-se interpretá-las
encenando-as junto à leitura. Isso acaba por estimular o interesse pela leitura até chegar
o momento dela própria buscar histórias que lhe interessam.
Para os já em processo de alfabetização, livros de fácil leitura, com histórias curtas
impressas em letras grandes, que brinquem com formas e cores do texto, além de frases
curtas para facilitar o processo de interpretação. Com isso foi feita a seguinte pergunta:o
cursista tem acesso a livros diversos ou qualquer outro meio de leitura?

P1: sim tem o acesso a muitos livros, e a tia que é professora sempre dar.

P2:: tem, o que mais tem é livro.

P3: tem sim.

P4:: tem sim, porem não faz é gostar de ler.P5:: tem e pede para avó ler

Importante sempre dar vazão à fantasia e mostrar às crianças nesta idade contos e
histórias que não deem relevância excessiva à moral, assim como à lógica exacerbada e
como denota Sandroni (1987, p. 19) “os pais devem entrar no jogo [...]; pais e filhos juntos
procurarem juntos as respostas, consultando livros.” Os livros devem ficar num lugar da
casa de acesso fácil.
Tendo como base a família como maior incentivadora na leitura dos filhos foi feita
a seguinte pergunta:Qual a participação dos pais no processo de estimulo ao
desenvolvimento da escrita e da leitura de seus filhos?

P1: avó incentiva tanto na escrita quanto na leitura, mas a mãe não, pois não tem paciência.

P2: sim, sempre incentivam.

P3:não gosto de ler porem sou muito incentivadora da leitura.

P4: sim a mãe, o pai não se importa muito.

P5: são muito incentivadores da leitura e da escrita.

Com relação ao desenvolvimento do hábito de leitura da criança, é possível que o


professor abrace a família como parceira no incentivo desse processo. Conforme apontam
Sandroni e Machado (1998, p. 11), “ler deve ser um hábito, a leitura deve começar a ser
sugerida ao indivíduo o mais cedo possível. Por isso, a casa, a família, os pais são os
primeiros incentivos à criança...”. Os autores ainda destacam que o círculo familiar que
apresenta a criança o habito da leitura, são em geral, as famílias que já possuem esse
habito aguçado. Alertam, porém, que esse perfil de família é a minoria nos dias de hoje.
Apesar dos entrevistados reconhecerem a importância do hábito da leitura e da
participação no desenvolvimento da aprendizagem de seus filhos, muitos dos
entrevistados falaram sobre a dificuldade de acesso com os familiares. A integração
família-escola é de extrema importância, pois quando esta relação ocorre bem o
desempenho da criança se reflete de forma positiva. São elas que compõem o meio em
que a criança vive, portanto precisam motivar o seu desenvolvimento, pois como descreve
Vygotsky (1984), as crianças interiorizam as experiências externas, imitando as atitudes
dos mais velhos.
Indiscutivelmente os pais têm fundamental importância na aquisição da leitura de
seus filhos. Durante o período de estagio supervisionado, pude identificar alunos que
possuíam uma maior facilidade e entrosamento com a leitura em ler, são as crianças que
tem a presença dos pais na escola a fim de acompanhar o progresso dos filhos neste
processo, filhos que possuem incentivo ganhando ou tendo oportunidade de ter livros em
casa e principalmente, os que leem junto com os pais
Até mesmo apontando dificuldades para se ter uma boa relação com a família, os
entrevistados sugerem a realização de um trabalho de orientação com a família,
conscientizando-a da importância da estimulação do ato de ler, com o objetivo de
desenvolver em seus filhos o hábito da leitura e explorar de que forma podem fazê-lo.
Quanto ao Professor, faz parte do trabalho esclarecer também as dúvidas dos pais e
mostrar qual a importância da leitura no desenvolvimento da criança.
Maimoni e Ribeiro (2006) também defendem esta ideia. Acreditam que neste
processo de incentivo à família no hábito de leitura da criança, ela deve ser orientada a
nunca punir os erros dos filhos no momento da leitura compartilhada, mas sim destacar
suas competências, mostrando seu progresso, elevando sua autoestima.
Para construir uma parceria entre família e escola, Cunha (2000) defende que não
se deve julgar os responsáveis por estarem ausentes do contexto educacional da criança,
mas sim, atuar enquanto trabalho conjunto, aproximando as duas instituições.

4.3 A CONVIVÊNCIA DOS ALUNOS COM OS FAMILIARES

A educação doméstica parece não ser mais primordial. Os pais ou responsáveis


estão deixando cada vez mais nas mãos da escola também esse papel, talvez por
displicência ou, quem sabe, por despreparo. O comportamento e o aproveitamento escolar
dessas crianças, que acabam não tendo um acompanhamento por parte da família, sem
um membro que demonstre interesse por seus estudos e vivência na escola como um todo,
pode ficar comprometido. Pelt (2006) tratando sobre “Ajustes na família” cita fatores que
interferem numa saudável estrutura do círculo familiar, como a influência da educação
precária recebida pelos pais, afeta essa estrutura, pois os pais acabam repassando isso aos
filhos e fechando esse ciclo deficitário, os filhos têm um ideal deficiente de pais. Partindo
disto surge a seguinte pergunta: Como acontece a convivência dos cursistas com os
demais familiares?

P1: é bem esperto, a convivência é boa tanto dentro de casa quanto fora.

P2 normalmente, ela se dá com todo mundo e é comunicativa

P3: está difícil a convivência pelo fato da vó querer educar de um jeito e a mãe querer criar de outro
jeito.

P4: se da muito bem com todos os familiares, inclusive com a madrasta ue lhe criou desde 03 anos de
idade.

P5: são muito incentivadores da leitura e da escrita.

Trazendo para a instituição escolar esse desajuste que muitas vezes culmina na
falta de acompanhamento familiar na escola e muitas vezes ainda vem junto com o
desinteresse em casa pelas produções escolares dos filhos e pelo seu cotidiano escolar,
pode ser um dos fatores que influenciam no baixo desempenho e no mau comportamento
dos alunos. O desenvolvimento físico, emocional, escolar, etc., deve ser acompanhado
pela família, à sua forma e possibilidade, independentemente de ser composta pela
tradicional formação “pai, mãe e filhos” ou não. A estrutura familiar vem mudando e essa
composição tradicional não é a realidade de todos os lares.
Um fator que foi considerado relevante é o interesse dos pais e responsáveis em
acompanhar o processo de desenvolvimento da aprendizagem de seus filhos. Assim foi
feita a seguinte pergunta: os pais costumam acompanhar o caderno ou participar da vida
escolar do filho ou filha?
P1: sim, e quando a mãe esquece de ver ele mesmo mostra.

P2: sim, de todas as três filhas.

P3: bem, porém é chegada mais com a família por parte da mãe

P4: de vez em quando olha os cadernos.

P5: sim olho sempre

O acompanhamento familiar é tema sempre debatido e difícil de resolver. Um


estudo realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas, o Inep, apresentou uma
análise de cruzamento de dados obtidos por meio de um questionário socioeconômico do
Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, Saeb, realizado em 2003, revela com
base nas notas dos estudantes que fizeram a prova, que o acompanhamento da família
eleva o desempenho escolar do aluno.
A pesquisa do Inep, citada anteriormente, mostra a importância do
acompanhamento familiar e como isso influencia positivamente no desempenho escolar
dos estudantes. Mas, a realidade que nos cerca é muito diferente. Piletti relata sobre a
situação da família na sociedade brasileira: “Nossa sociedade, caracterizada por situações
de injustiça e desigualdade, cria famílias que lutam com mil e uma dificuldades para
sobreviver. Esses problemas atingem as crianças, que enfrentam inúmeras dificuldades
para aprender” (2009, p.151).

4.4 O PAPEL DA FAMILIA NO PROCESSO EDUCATIVO ESCOLAR

A família é o primeiro círculo social que o ser humano tem contato, assim, não
seria errado afirmar que é ela tem importante papel no desenvolvimento da criança, pois
é no meio familiar que o indivíduo encontra afeto, carinho, aprende sobre princípios,
valores, respeito, cultura e ética. É primordial que os membros da família saibam preparar
seus filhos para a educação formal, que é dada na escola. Cabe aos pais e responsáveis
educar seus filhos por isso é demasiadamente importante a integração da família no
ambiente escolar. Nesse sentido foi feita a seguinte pergunta: Na sua opinião qual é o
papel da família no processo escolar da criança?

P1: segundo a mãe, a responsabilidade é 50% da família e 50


% da escola, porem a mãe faz de tudo para ajudar nas tarefas
de casa, da o jeito de conseguir as coisas que precisa para a
realização das suas atividades.
P2: é incentivar, educar para respeitar os professores que é a
segunda pessoa que está para ajudar. Por mais que o
professor seja ignorante o aluno que tem respeito, porque o
aluno precisa do professor

P3: é está sempre incentivar, pois a família é a base.

P4incentivar, participar da vida escolar do filho, ou seja, do


desenvolvimento.

P5: o acompanhamento do aluno, para saber como a criança


estar, incentivar a leitura e a escrita.

P6: é incentivar para ele ler e tentar sempre para melhorar.

É de extrema importância a participação efetiva e a cooperação da família com o


meio escolar, pois quando ambas trabalha juntas em prol de um mesmo objetivo professor
participa efetivamente da vida do educando, conhecendo e percebendo melhor todas as
qualidades e as dificuldades específicas do aluno, o que facilita que o educador elabore
aulas mais significativas, que avalie de forma detalhada sua metodologia e práxis
pedagógica, o que gera pontos positivos no processo ensino-aprendizagem.
O acompanhamento e a relação desenvolvida em família são indispensáveis para
que o aluno se insira no ambiente escolar sem maiores problemas. Para Tiba (1996, p.178)
“É dentro de casa, na socialização familiar, que um filho adquire, aprende e absorve a
disciplina para, num futuro próximo, ter saúde social...”.
Os resultados que se esperam alcançar da parceria família/escola é a integração, é
uma parceria de verdade, pois unindo a instituição escolar com a instituição familiar, é
possível reunir e trabalhar diferentes aspectos como o amor, o respeito ao próximo, a
colaboração e a troca, possibilita-se verdadeiramente uma educação de qualidade
viabilizando de maneira extremamente positiva o desenvolvimento do sujeito quanto ao
processo de ensino e desenvolvimento da aprendizagem , o que vai viabilizar a melhoria
de seu desempenho escolar, além da autoestima, integração social e familiar.
O desempenho escolar individual de cada aluno depende não apenas do seu
rendimento em sala de aula e da competência de seus professores, mas também, do apoio
que a família proporciona a essa criança, a relação estabelecida entre família e estudos e,
principalmente, a maneira como a família de cada aluno se comporta em relação ao seu
desempenho escolar, influencia os resultados obtidos por crianças e adolescentes,
independente de classe social.

4.5 RELAÇÃO FAMILIA –ESCOLA


O desempenho escolar individual de cada aluno depende não apenas do seu
rendimento em sala de aula e da competência de seus professores, mas também, do apoio
da base familiar que este aluno encontra em sua casa. A relação estabelecida entre o
ambiente escolar e a família e especialmente a forma como a família de cada aluno se
comporta em relação ao seu desempenho escolar, influencia os resultados obtidos por
crianças e adolescentes, independente de classe social. É lançada a interrogação: os pais
já perceberam alguma dificuldade na aprendizagem? Procurou ajuda?

P1:sim, não só a família como a escola percebeu e procurou ajudar no


projeto ,não faz reforço na escola.

P2: sim, na escrita e na leitura, procurou ajuda na escola com a


professora para passar reforço.

P3:sim, não só a família como a escola percebeu e procurou ajudar no


projeto ,não faz reforço na escola.

P4: sim na escola, pois segundo a mãe a metodologia da professora


não está alcançando os objetivos.

P5: sim, avó percebeu a dificuldade de aprendizagem e procurou ajuda


na escola e a escola encaminhou ele para o projeto guariba.

P6: sim o pai percebeu na questão da leitura e procurou ajuda no


psicólogo através da escola

Uma base sólida, com pais que se interessam e, até mesmo, ajudam na execução das
tarefas escolares faz com que este aluno renda mais em todos os âmbitos de sua carreira
escolar. Não basta apenas que os pais se preocupem e estejam presentes nas horas de
estudos, eles devem também ter a capacidade de percepção para notar quando seu filho
não está desempenhando adequadamente em alguma tarefa e procurar uma maneira de
ajudar a executar, a explicar, pesquisar ou até mesmo requerer a ajuda de um profissional,
como um professor particular para que estas carências sejam supridas.
O grande problema nesta questão, no entanto, é saber a medida exata com que os pais
devem, de fato, se envolver: a criança deve saber que caso necessite poderá contar com o
apoio dos pais ou responsáveis, mas jamais para assumir suas responsabilidades. A
problemática deste envolvimento são os pais que, por exemplo, executam as tarefas para
os filhos (resolvem seus deveres de casa, pesquisam seus trabalhos para , ou seja, se
responsabilizam por atos e deveres que são dos filhos, ao invés de deixar a criança assumir
a responsabilidade pelos seus atos - como no clássico caso de um aluno terminar o ano
com notas baixas e o professor ser questionado como se não tivesse dado notas por
competência ou não fossem resultado do esforço e da dedicação do aluno. Este tipo de
envolvimento dos pais é prejudicial, tanto no âmbito escolar - já que a criança não estará
realmente aprendendo de fato, uma vez que o aluno não perceberá que suas ações têm
consequências.
Diversas são as relações que escolas e famílias desempenham no desenvolvimento do
indivíduo, em que a família é vista como a primeira e principal instituição de aquisição
de valores e cultura, que prepara o indivíduo para as demais relações que irá estabelecer
posteriormente, como foi citado anteriormente. A partir desses pressupostos, a escola,
juntamente com a família, detém diversas atribuições na formação integral do indivíduo,
tal como:

“Uma de suas tarefas mais importantes, embora difícil de ser Implementada, é


preparar tanto alunos como professores e pais para viverem e superarem as
dificuldades em um mundo de mudanças rápidas e de conflitos interpessoais,
contribuindo para o processo de desenvolvimento do indivíduo (DESSEN,
POLONIA, 2007, p.25). ”

Em síntese, os pais devem participar ativamente da educação de seus filhos, tanto


em casa quanto na escola, e devem envolver-se nas tomadas de decisão e em atividades
voluntárias, sejam esporádicas ou permanentes, dependendo de sua disponibilidade. No
entanto, cabe a escola juntamente com os pais, propiciar meios para se estabelecer um de
relacionamento que seja compatível com a realidade de pais, professores, alunos e
direção, a fim de tornar este espaço físico e psicológico um fator de crescimento e de real
envolvimento entre todos os segmentos.
É possível, enfim, concluir que a participação dos pais na carreira escolar de
crianças e adolescentes é, sim, imprescindível; mas, ao mesmo tempo, é necessário que
este envolvimento seja um envolvimento de qualidade - ressaltando que o essencial é não
é o quantitativo e sim o qualitativo, ou seja, a qualidade do tempo que os pais se dedicam
a essa relação com o ambiente escolar de seus filhos e não apenas a quantidade de tempo
em que eles fazem isso. Um envolvimento saudável é o que causa o sucesso escolar do
aluno.
O acompanhamento familiar possibilita uma verdadeira aprendizagem na vida
dos educandos. Tiba (2002, p.181), afirma que: “se os pais acompanharem o rendimento
escolar do filho desde o começo do ano, poderão identificar precocemente essas
tendências e, com o apoio dos professores, reativarem seu interesse por determinada
disciplina em que vai mal”. Assim, se houver de verdade essa parceria entre pais e escola,
possivelmente, ocorreria o alcance de bons resultados em relação ao aluno.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

A instituição pode tomar a iniciativa para fortalecer e aproximar pais, alunos e


escola por meio de palestras que possuam em seu conteúdo informações interessantes
tanto para os pais como para os filhos, atividades que apresentem o que os estudantes
realizam todos os dias em seus respectivos setores, entrega informativos para que os pais
possam realizar o acompanhamento escolar de seus filhos, com entregas mensais, assim
como reuniões profissionais especializados para interagir a família e tantas outras
atividades que são importantes para a construção de valores em família.
Ao estudar sobre o tema, este trabalho de conclusão de curso, pretendeu fornecer
maiores informações e contribuir para o trabalho de profissionais da área educacional e
pais que procuram caminhos e reflexões que possibilitem uma melhor relação entre estas
duas partes educativas, tão importantes na vida de uma criança.
Fazendo uma retrospectiva na própria historiografia da família, ao longo dos
tempos, a qual através de pesquisa bibliográfica foi possível observar que esta instituição
não foi e nem é sempre a mesma em sua constituição e função social. Sendo que, a família
e as relações estabelecidas entre as pessoas que fazem parte da mesma, não possuem as
mesmas características e há variações sobre o uso do afeto e amor, especialmente em
relações que não são consanguíneas.
A família não possui uma só forma de constituição, ou seja, a constituição
chamada de nuclear, formada por pai, mãe e filhos. Assim como o conceito de família, o
conceito de criança também nem sempre o que conhecemos hoje. Nem sempre foi dado
a criança a atenção e os cuidados que a mesma necessitava para uma boa formação e
desenvolvimento.
Enquanto pesquisadora acredito que os objetivos desta pesquisa foram atingidos
no sentido de ter alcançado melhorias para a relação escola/família da instituição
pesquisada. Entretanto, muita coisa ainda pode ser realizada neste sentido, sendo a
temática família e escola muito abrangente e que possibilita diversas abordagens. A
educação sistematizada ocorrida na escola e a educação informal que a criança recebe no
círculo familiar deve ser integrada com a finalidade de fornecer uma melhora na qualidade
de ensino.
Conhecendo a realidade socioeconômica e cultural dos educandos, a escola
enquanto instituição de ensino pode proporcionar com maior qualidade meios para que
os seus alunos obtenham êxito no processo de ensino/aprendizagem, superando assim, as
desigualdades Propagadas por um ensino que não considera o contexto social dos
educandos.
No trabalho cotidiano para a aproximação entre escola e família, encontramos
diversos obstáculos que dificultam a aproximação entre escola e família, como por
exemplo, o horário de trabalho dos pais, que acaba por dificultar seu comparecimento nas
atividades escolares. Os educadores devem reconhecer esses problemas e evitar fazer
julgamento às famílias, realizando atividades que visem aproximar os pais da escola.
No trabalho conjunto entre escola e família, a primeira deve buscar meios
facilitadores para promover a aproximação dos pais ao ambiente escolar e conscientizar
as famílias da importância da sua participação na vida escolar dos filhos. Podemos
constatar que, quanto maior a abertura para que a família conheça o trabalho desenvolvido
pela escola, tende a se destacar o interesse de participação nos pais.
Verificou-se a importância do ato de ler desde os primeiros anos da criança, como
deve ser a influência dos pais neste processo – decisiva para toda a vida – e de que forma
a escola interfere para o bem ou para o mal.A leitura segue sendo a principal forma de se
construir opiniões próprias, de ter-se embasamento necessário para toda e qualquer
atividade a ser desenvolvida, independentemente da área. Outro ponto a ser ressaltado é
importância de se ter o habito da leitura como um sinônimo de lazer e não uma obrigação,
mas como um hábito que dá prazer ao ser humano.
O acréscimo de conhecimento está intrinsecamente ligado à construção do senso
crítico, do modo de se portar perante o mundo e tal atitude leva à personalidade original
de cada um, forte, marcante, única.
Educar não é tarefa fácil, seja em casa ou na escola. Bom seria se ao nascer a
criança viesse comum manual instrutivo ou que os cursos oferecidos para gestantes
dessem a receita completa de que forma educar os filhos de maneira a respeitar o
indivíduo que cada um é.
Acompanhar todo o desenvolvimento de um filho, cuidar dos detalhes que cada
fase determina é um dever que exige desejo, amor, planejamento, suporte financeiro e
psicológico, entre outros fatores. A realidade atual mostra crianças sendo concebidas sem
planejamento ou nenhum cuidado comesses pré-requisitos, o que dá início a uma sucessão
de erros e desconforto para quem vivencia a situação. Pelt (2006), tratando sobre a
natureza do nosso corpo com relação à concepção de um bebê, diz que na maioria dos
casos, o corpo apresenta todos os requisitos biológicos para a geração de um bebê, não
havendo uma correspondência entre o tempo em que ele, teoricamente, está preparado
para isso e o amadurecimento da mente.
Assim alguns pais acabam por gerar filhos em momentos que estão despreparados
para essa jornada, em que não compreendem nem a si próprios, errando, em alguns casos,
involuntariamente, por não compreenderem o sentimento de paternidade e maternidade,
por não entenderem o comportamento das crianças, por não entenderem a importância
que têm sobre o filho, principalmente na construção do caráter, comunicação e na
disciplina.
Os problemas vivenciados no seio familiar refletem-se sobremaneira no
comportamento das crianças ou adolescentes, tornando-os agressivos ou muito
introspectivos; sem iniciativa ou apresentando distúrbios de personalidade.
Com os relatos dos estudantes entrevistados, é notável que viver com os familiares
não garante que a atenção seja garantida. A família nuclear não oferece necessariamente
êxito na educação, assim como a família chamada “desestruturada” não é a causa-mestre
dos problemas que os alunos possam apresentar. Não é regra dizer que crianças que
apresentam um grau de mau desempenho, estão diretamente ligadas a famílias
problemáticas ou formação dessas famílias. O estigma de que só os alunos com famílias
constituídas de pai e mãe e filhos é a receita para o sucesso, deve ser desconstruída porque
a ideia e o papel de um “cuidador” exerce a responsabilidade que tem a função e amor
pelo pela pessoa a ser cuidado é o que mais importa para que a educação se dê de forma
construtiva, muito mais do que a composição que essa família apresenta.
A pesquisa sinalizou que o caminho para investigar o que há de errado com esse
aluno é verificar que tipo de apoio ele tem em casa, se alguém acompanha seu
desenvolvimento escolar – independente de quem seja – como é a relação do “cuidador”
com essa criança ou adolescente e ter uma conversa franca com esse responsável para
poder chegar a um consenso a respeito dos problemas e pensar nas possibilidades de
soluções.
Portanto, o não acompanhamento familiar na escola, a falta de carinho e atenção
em casa, e muitas vezes problemas cotidianos com dificuldades financeiras e emocionais
enfrentadas pelos pais, acabam por influenciar com que essas crianças se desestimulem
quanto a de ter uma melhor qualidade de vida, fatores como estes levam a desacreditar de
suas capacidades e a não pensar em sucesso. Por mais que passem por situações difíceis
no ambiente familiar, o que de fato essas crianças querem é um pouco de atenção e
cuidado, de segurança, valorização, tanto em casa, como na escola.
Logo, depreende-se que somente por meio do trabalho escolar compromissado
com a realidade dos alunos e da conscientização dos pais de sua importância para a
educação escolar de seus filhos, é que se poderá trabalhar no desenvolvimento de um
objetivo em comum para beneficiar a qualidade de ensino, tanto na escola, quanto na
família

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