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OSCILAÇÕES

Oscilação é todo movimento que se repete.

No mundo real, as oscilações são amortecidas, ou seja, o movimento se reduz


gradualmente, transformando energia mecânica em energia térmica, pela ação
das forças de atrito (HALLIDAY et al., 2016).

Movimento Harmônico: Qualquer movimento que se repita a intervalos


regulares é um movimento harmônico ou movimento periódico.

Movimento Harmônico Simples (MHS)

No movimento harmônico simples é possível demonstrar que o deslocamento


da partícula é dado como uma função do tempo pela seguinte equação:

x ( t )=x m cos( ωt+ ϕ)

Onde ω, ϕ e xm são constantes e representam:

ω – frequência angular;

ϕ – fase inicial ou ângulo de fase;

xm – amplitude.

Propriedades do MHS:

 FREQUÊNCIA (f): é o número de oscilações realizadas em 1 s.


−1
1 hertz=1 Hz=1 oscilação por segundo=1 s

 PERÍODO (T): é o tempo para completar uma oscilação.

1
T=
f

 AMPLITUDE (A ou xm): É a magnitude do deslocamento máximo


da partícula em qualquer direção. O deslocamento x(t) varia entre
os limites +- xm.
 FASE INICIAL OU ÂNGULO DE FASE (ϕ): O valor do ângulo de
fase depende do deslocamento e da velocidade da partícula em
t=0.

Velocidade do MHS

dx d [ x m cos ( ωt +ϕ ) ]
v ( t )= =
dt dt

v ( t )=−ω x m sen ( ωt +ϕ )

- ω xm = Amplitude da velocidade, isto é, a amplitude da velocidade da partícula


varia de +- ω xm.
Aceleração do MHS

dv d [−ω x m sen ( ωt + ϕ ) ]
a ( t )= =
dt dt

a ( t )=−ω2 x m cos ( ωt+ ϕ )

Esta equação pode ser simplificada para

a ( t )=−ω2 x (t )

ω2 xm = Amplitude da aceleração, isto é, a amplitude da aceleração da partícula


varia de +- ω2 xm.

A lei de força do MHS

Sabendo-se como a aceleração da partícula varia com o tempo, é possível usar


a 2ª lei de Newton para encontrar a força que deve agir na partícula para
causar determinada aceleração.

F=m. a

a ( t )=−w2 x (t )

Logo,

F=−(m w2 ) x

Assim, temos uma força que é proporcional ao deslocamento, assim como na


Lei de Hooke:
F=−k . x

No caso do MHS, a constante elástica é k= m w 2.

Desta forma, pode-se redefinir MHS como o movimento executado por uma
partícula de massa m sujeita a uma força que é proporcional ao deslocamento
da partícula, mas com sinal oposto.

Da equação k= m w2, tem-se que frequência angular é igual a:

w=
√ k
m


Ou ainda, podemos definir período a partir de w= como:
T

T =2 π
√ m
k

Todo sistema oscilante tem alguma propriedade ligada à elasticidade e outra à


inércia (ou massa). No caso de um oscilador linear (sistema bloco-mola), a
elasticidade está totalmente na mola, enquanto a inércia, totalmente no bloco
(uma vez que neste sistema o bloco é considerado rígido).

Energia no MHS

A energia mecânica (E) envolvida em um MHS de um oscilador linear pode ser


descrita como a soma da energia cinética (K) e da energia potencial (U):

E=K + U

A energia potencial, em um sistema bloco-mola, está associada inteiramente à


mola e seu valor depende do quanto ela foi esticada ou comprimida, ou seja,
depende de x(t).

1 2 1 2 2
U ( t ) = k x =¿ k x m cos (wt +ϕ )
2 2

Já a energia cinética está associada inteiramente com a massa e seu vaor


depende da velocidade v(t) do bloco:
1 2 1 2 2
K ( t ) = mv =¿ m(−w x m ) sen (wt +ϕ)
2 2

k
Simplificando a partir de w 2= :
m

1
K ( t ) = k x m2 s en2 (wt + ϕ)
2

Calculando a energia mecânica total:

E=U + K

1 1
E= k x 2m cos 2(wt +ϕ )+ k x m2 sen 2 (wt + ϕ)
2 2

1
E= k x 2m [ cos 2(wt +ϕ )+ sen 2(wt +ϕ ) ]
2

1 2
E= k x m
2

Observe que, como k e xm são constantes, logo E também é uma constante,


sendo independente do tempo como pode ser constatado também nos gráficos
abaixo.
ONDAS

Onda é qualquer perturbação ou vibração (pulso) que se propaga em um meio.


As ondas não são capazes de se originar sozinhas, fazendo somente a
transferência de energia de uma fonte. Sabe-se, então, que elas transportam
apenas energia, não transportando em nenhuma situação matéria.

CLASSIFICAÇÃO DAS ONDAS

Ondas Mecânicas: São ondas que necessitam de um meio físico para existir e
que são governadas pelas Leis de Newton.

Ondas eletromagnéticas: Não necessitam de um meio físico para existir.

Ondas de matéria: Estão associadas a elétrons, prótons e outras partículas


elementares e mesmo a átomos e moléculas. Um feixe de partículas pode
exibir propriedades ondulatórias sob certas condições experimentais. Tais
ondas são governadas pelas Leis da Física Quântica.

Segundo a direção de vibração:

Ondas Transversais (Tipo S): São ondas em que as partículas do meio


oscilam perpendicularmente à direção de propagação da onda.

Ondas Longitudinais (Tipo P): São ondas em que as partículas oscilam na


direção de propagação da onda.

Segundo a forma das ondas:

Ondas Contínuas: São infinitas em ambas as direções.

Pulso: São ondas causadas por um breve distúrbio do meio.

Trem de Pulsos: Situações intermediárias ente as ondas contínuas e um


pulso.

PROPRIEDADES DAS ONDAS

Frequência (f): representa o grau de oscilação dos pontos do meio no qual a


onda se propaga. É medida em Hertz (Hz) indicando o número de oscilações
por segundo.

Período (T): É o tempo necessário para gerar uma onda completa.


1
T=
f

Comprimento de Ondas (λ): É a distância ao longo do eixo x após a qual a


forma da onda começa a se repetir.

Amplitude (A ou xm): é a distância entre o eixo da onda até a crista ou vale.


Quanto maior for a amplitude, maior é a quantidade de energia transportada
pela onda.

Fonte: Martins, [?].

Velocidade (v): É a velocidade que a onda leva para se propagar.

λ
v = =λ . f
T

A velocidade de propagação depende apenas do meio em que essa onda se


propaga. Apesar da relação da equação acima mostrar uma dependência em
relação ao comprimento de onda (λ) e à frequência (f), quando se aumenta a f,
automaticamente o λ diminui, mantendo a mesma velocidade.

ONDAS EM UMA CORDA ESTICADA

Em geral, uma onda senoidal pode ser descrita por uma função seno ou
cosseno. Neste estudo será utilizada a função seno.

Descrição matemática da forma de uma onda (Unicamp, Vídeo)

A forma de uma onda pode ser descrita matematicamente em função de x e t:

y=f ( x ,t )
Isso significa que o deslocamento transversal de qualquer elemento da corda é
uma função f da posição x deste elemento e do tempo t. Este tipo de função
mostra qual é a forma da onda em um dado instante e como esta forma varia
com o tempo (HALLIDAY et al., 2016)

Suponha uma função y = f(x) em que o máximo desta função ocorre quando
x=0. Existe uma outra função y’ = f (x-a) que tem a mesma forma que a função
y no entanto esta é deslocada em uma distância a para a direita. A função y’
tem seu máximo quando x-a=0, logo quando x=a.

Desta forma, pode-se concluir que y’ e y tratam-se da mesma função, sendo


que y’ é deslocada em a para a direita. No caso de ondas, a é uma posição tal
ΔS
que a = v . t, a partir da equação v = . Logo, y ’=f (x−a)=f ( x – vt) ,
Δt
sendo que a função y’ está se deslocando com uma velocidade v para a direita.

Fonte: Villate, 2016.

Para uma onda representada em seu instante t=0, se a amplitude for 0 em x=0,
esta onda tem a forma:

y ( x ) = y m sen ( 2λπ x)
Nesta equação, 2π aparece pois a onda está sendo descrita em radiano.
Observe que:

 Se x = 0, sen(0) = 0, logo ym = 0;
 Se x = λ, sen(2π) = 0, logo ym = 0;
 Se x = λ/4, sen(π/2) = 1, logo ym é máximo;
 Se x = 3λ/4, sen(3π/2) = -1, logo ym é mínimo.

No entanto, se a onda estiver se movendo para a direita com uma velocidade v,


ela será descrita pela seguinte equação:

y ( x , t ) = y m sen
[ 2π
λ
(x−vt)
]
λ 2π λω
Sabendo que v= e que T= , faz-se v = e substitui-se na
T ω 2π
equação da onda:

y ( x , t ) = y m sen
[ ( 2π
λ
x−
λω

t )]
y ( x , t ) = y m sen [ 2π
λ
x−ω t ]

Define-se que =k , sendo k chamado número de onda e a equação da
λ
onda fica simplificada para:

y ( x , t ) = y m sen ( kx −ω t )

O parâmetro k é chamado número de onda e sua unidade é rad/m ou somente


m-1. Vale a pena reforçar que k, nesta situação não se refere a uma constante
elástica.

O número de onda k também pode ser deduzido da seguinte análise


(HALLIDAY et al., 2016):

No instante t=0, temos a seguinte descrição da forma da onda:

y ( x , 0 )= y m sen ( kx )
Por definição, o deslocamento y é o mesmo em x=x 1 e em x= x1 + λ. Assim:

k (¿ x 1+ λ)
( k x 1 )=¿ y m sen ¿
y m sen ¿

k
(¿ x 1 +kλ )
( k x 1 )=¿ y m sen ¿
y m sen ¿

Sabendo que uma função seno se repete quando seu ângulo aumenta em 2π
radiano, logo

kλ=2 π


k=
λ

A amplitude Ym de uma onda é o valor absoluto do deslocamento máximo


sofrido por um elemento a partir da posição de equilíbrio quando a onda passa
por este elemento.

O argumento kx-ωt da função seno é chamado fase. Em um elemento da corda


situado em uma dada posição x, a passagem da onda faz a fase variar
linearmente com o tempo t. Isso significa que o valor de seno também varia,
oscilando entre +1 e -1. Assim, a função seno e a variação da fase da onda
com o tempo correspondem à oscilação de um elemento da corda e a
amplitude da onda determina os extremos do deslocamento.

Resumindo, podemos representação a equação de uma onda progressiva da


seguinte maneira:

y ( x , t ) = y m sen ( kx ± ωt )

O sinal positivo se aplica às ondas que se propagam no sentido negativo do


eixo x, e o sinal negativo às ondas que se propagam no sentido positivo do eixo
x.

Constante de Fase (ϕ)

Uma função de onda progressiva senoidal:

y ( x , t ) = y m sen ( kx −ω t )

Demonstra o seguinte aspecto em t=0:


Note que em x=0 o deslocamento é y=0 e a inclinação tem o máximo valor
positivo. Introduzindo uma constante de fase (ϕ) na equação de onda, esta
função pode fornecer outro deslocamento e outra inclicação em x=0 e t=0,
escolhendo-se o devido valor de ϕ.

y ( x , t ) = y m sen ( kx −ω t+ ϕ )

Desta forma, a onda continuará a ser senoidal e com os mesmos valores de


Ym, k e ω, mas estará deslocada em relação à primeira onda.

Um valor positivo de ϕ faz a curva se deslocar no sentido negativo do eixo x e


um valor negativo de ϕ faz a onda deslocar-se no sentido positivo.

Velocidade de uma onda em uma corda esticada

A velocidade de uma onda está relacionada com comprimento de onda λ e a


frequência f pela equação v = λ . f, no entanto, ela é determinada pelas
propriedades do meio.

Se uma onda se propaga em um meio como água, ar, aço ou corda esticada, a
passagem da onda faz com que as partículas do meio oscilem. Para que isso
aconteça, o meio deve possuir massa (para que haja energia cinética) e
elasticidade (para que haja energia potencial). São propriedades de massa e
de elasticidade que determinam a velocidade com a qual a onda pode se
propagar no meio. Desta forma, a velocidade de uma onda também pode ser
expressa em função destas propriedades.

v=
√ fator elático
fator de inércia

Velocidade de uma onda em uma corda:

v=
√ τ
μ

Sendo μ= densidade linear da corda e τ = tensão aplica na corda.


Assim, a velocidade de uma onda em uma corda depende apenas da tração e
da massa específica linear da corda. A frequência da onda depende apenas da
força responsável pela onda (por exemplo, a força aplicada pela pessoa na
corda). O comprimento de onda vai estar relacionado à velocidade e à
frequência pela equação λ=v/f.

Velocidade de uma onda em sólidos (Unicamp, Vídeo):

v=
√ E
ρ

Sendo E=módulo elástico do material e ρ=densidade do meio.

Velocidade de uma onda em gases ou líquidos (Unicamp, Vídeo):

v=
√ B
ρ

Sendo B=módulo de compressão volumétrico e ρ=densidade do meio.

−∆ p
B=
∆ V /V

Energia e potência em uma corda esticada

Quando uma onda é produzida, é fornecida à ela energia para que a corda se
mova. Ao se mover, esta onda transporta esta energia na forma de enegia
cinética e energia potencial elástica.

A potencia média (taxa média de transmissão de energia) de uma onda em


uma corda esticada é:

1
Pméd= μv ω2 Y m2
2

INTERFERÊNCIA DE ONDAS

Princípio de superposição: Quando duas ou mais ondas se propagam no


mesmo meio, o deslocamento de uma partícula é a soma dos deslocamentos
que seriam provocados pelas ondas agindo separadamente.

Se duas ondas senoidais de mesma amplitude e comprimento de onda se


propagam no mesmo sentido em uma corda, elas interferem para produzir uma
onda senoidal que se propaga nesse sentido.
A forma da onda resultante depende da fase relativa das duas ondas. Se as
duas estão em fase (ou seja, se os picos e vales de ambas as ondas
coincidem, ϕ=0), o deslocamento total a cada instante é o dobro do
deslocamento que seria produzido por uma das ondas. Se as ondas têm fases
opostas (ou seja, se os picos de uma estão alinhados com os vales da outra),
elas se cancelam mutuamente e o deslocamento é zero, permanecendo a
corda parada.

Suponha 2 ondas:

y 1 ( x , t )= y m sen ( kx−ω t )

y 2 ( x , t )= y m sen ( kx−ω t+ ϕ )

Que se propagam em uma corda no mesmo sentido, sendo que a segunda


está deslocada em ϕ em relação à primeira.

Seguindo o princípio da superposição, a onda resultante será a soma algébrica


das duas ondas e tem um deslocamento:

y ' ( x , t ) = y 1 ( x ,t ) + y 2 ( x , t )
'
y ( x ,t )= y m sen ( kx−ω t ) + y m sen ( kx−ω t+ϕ )

Sabendo que existe a seguinte relação trigonométrica:

sin α + sin β=2sin [ 1


2 ] [1
(α + β) cos (α −β)
2 ]
Obtemos:

[
y ' ( x ,t )= 2 y m cos ( 12 ∅)] sen( kx−ω t + 12 ϕ)

[ 2 y m cos ( 12 ∅)] é o fator de amplitude;

1
(
sen kx −ω t+ ϕ
2 ) é o fator oscilatório.

Se ϕ = 0, as duas ondas estão em fase e o deslocamento é:

y ' ( x ,t )= [2 y m ] sen ( kx−ω t )


Gerando assim uma interferência construtiva.

Já quando ϕ=π, as ondas que interferem estão totalmente defasadas e a


amplitude da onda resultante é nula, assim:
'
y ( x ,t )=0

Neste caso, embora as duas ondas estejam se propagando na corda, esta não
se move. Este tipo de interferência chama-se interferência destrutiva.

ONDAS ESTACIONÁRIAS

Quando duas ondas senoidais de mesmo comprimento de onda λ e mesma


amplitude Ym se propagam em sentidos opostos em uma corda, o princípio de
superposição também pode ser utilizado para obter a onda resultante. Neste
caso, a interferência mútua produz uma onda estacionária.

Ondas resultantes deste tipo de superposição são chamadas ondas


estacionárias pois possuem pontos chamados nós que permanecem imóveis e
porque a forma da onda não se move para a esquerda nem para a direita,
sendo que as posições dos máximos e mínimos não variam com o tempo.
Dadas as seguintes ondas:

y 1 ( x , t )= y m sen ( kx−ω t )

y 2 ( x , t )= y m sen ( kx +ω t )

A partir do princípio da superposição, tem-se:

y ' ( x , t ) = y 1 ( x ,t ) + y 2 ( x , t )
'
y ( x ,t )= y m sen ( kx−ω t ) + y m sen ( kx +ω t )

Sabendo que existe a seguinte relação trigonométrica:

sin α + sin β=2sin [ 1


2 ] [
1
(α + β) cos (α −β)
2 ]
Obtemos:

y ' ( x ,t )=[ 2 y m sen ( kx ) ] cos ( ω t )

[ 2 y m sen ( kx ) ] é o fator amplitude;

cos ( ω t ) é o fator oscilatório.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física:


Gravitação, ondas e termodinâmica. 10. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. v. 2.

Vídeo de Física II do curso da Unicamp.

MARTINS, L. Ondulatória. Disponível em:


<http://www.infoescola.com/fisica/ondulatoria-ondas/>. Acesso em: 19 Abr.
2017.

VILLATE, J. E. Ondas numa corda. 2012. Disponível em:


<https://def.fe.up.pt/fisica3/ondas1/index.html>. Acesso em: 19 Abr. 2017.