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Disgrafia Prováveis causas dos distúrbios e estratégias para a correção da escrita •NORA CECÍLIA BOCACCIO

Disgrafia

Prováveis causas dos distúrbios e estratégias para a correção da escrita

•NORA CECÍLIA BOCACCIO CINEL Especialista em Lingüística e em Supervisão de Sistemas Educacionais. Porto Alegre/RS.

O ensino da Língua Portuguesa na

escola tem sido, quase sempre, voltado para a aprendizagem da escrita corre-

ta e para o domínio dos conceitos gra-

maticais. É um dos objetivos mais im- portantes dos professores das séries ini- ciais o ensinar o aluno a escrever. Po- rém, é comum a um grande número de professores de 1 o e 2 o ciclos e, mesmo aos de Língua Portuguesa, saberem muito pouco sobre a natureza da escri- ta, como funciona, para que serve e como deve ser usada. As formas gráficas e ortográficas da escrita não são bem compreendidas. Nosso sistema lingüístico não possui uma única forma de representação grá- fica (existem vários tipos de traçados diferentes para mesmos sons) e, além disso, não é completamente alfabético como pensamos. Nossa gramática (normativa e, por isso, deficiente) e nossas cartilhas que ainda estão em uso, apesar dos estu- dos mais avançados a respeito da apren- dizagem da escrita e da leitura, não explicam nem aos mestres nem aos aprendizes esta multivariedade de tra- çados ou de formas de representação gráfica, o porquê dessas diferenças e como ensiná-las, como aprendê-las.

O que se observa, de início, é que

exigimos das crianças um trabalho do- brado: primeiro, aprender a escrever em letra de forma. É mais fácil, mais com- preensível, aparece nos textos, rótulos

Logo, deimediato, passamos a exigir que

a criança passe a escrever em letra

cursiva, mais complicada, demais difícil leitura e de caráter individual e idiossin-

crático: cada usuário adota seu próprio traçado, coloca suas nuances, mostra sua personalidade. Mas a nossa sociedade e a nossa cultura consideram importan- tíssimo, fundamental mesmo, saber es- crever emendado. Os pais exigem da escola, os pro- fessores exigem dos alunos e esque- cem de perguntar-lhes o que a escrita representa para eles. Ora, escreve-se

para que outros leiam o que se escre-

ve. O ler é condicionado pelo escrever

e, para ler significativamente, é preciso

que a escrita conduza o leitor a enqua- drar todos os símbolos (letras, pala-

vras, acentos, notações, etc

verso cultural, social, histórico em que o escritor se baseou para escre- ver, como nos ensina Cagliari.

A escrita é a tecnologia do inte-

) no uni-

lecto, uma das maiores invenções manuintelectuais criadas pelo homem,

como falam Teberosky e Tolchinsky.

O homem escreve para registrar, para

comunicar, para controlar, para influir

sobre a conduta do outro, para produ-

zir e não só reproduzir (copiar) e dis- tanciar-se do produzido; para criar, combinar, elaborar textos, sob o ponto de vista estético (literatura).

A escrita pode ser um fator impor-

tante para que se estabeleça e se man- tenha umdialetocomo padrão, pois goza de prestígio. Graficamente representa- da, uma língua temmais possibilidadede

servir de modelo pela estabilidade que adquire, devidamente registrada.

A escrita é mais cuidadosa que a

fala e, portanto, mais permanente e tor- na mais evidente os problemas que se constituem distúrbios de grafia: di- sortografia ou disgrafia, foco do nos- so estudo. Disgráficas são aquelas crianças que apresentam dificuldades no ato motor da escrita, tornando a grafia pra- ticamente indecifrável. Então, disgrafia é a perturbação da escrita no que diz respeito ao traçado das letras e à disposição dos conjuntos gráficos no espaço utilizado. Relaciona- se, portanto, a dificuldades motoras e espaciais. Porém, é preciso entender que uma criança em processo de construção da escrita naturalmente apresenta dificul- dades no traçado das letras, até dominá- lo corretamente. Durante esse perío- do, o professor deverá orientar os alu- nos a realizarem adequadamente a es- crita para evitar a permanência de tra- çados incorretos e, conseqüentemente, a disgrafia. Podemos apontar como causas pro- váveis da disgrafia os distúrbios de

motricidade ampla e, especialmente, fina, os distúrbios de coordenação visomotora, a deficiência da organiza-

ção temporoespacial, os problemas de lateralidade e direcionalidade e o erro pedagógico. Alguns comentários, expressos a seguir, são indispensáveis em relação

a estas causas.

û Distúrbios na motricidade ampla e fina Freqüentemente, observamos que, mesmo em crianças de nível intelectual médio ou elevado, existe um determi- nado potencial ou um certo conjunto de habilidades não-desenvolvidas. Neste caso, é possível constatarmos uma ou outra ou várias disfunções psiconeurológicas ou anomalias na maturação do sistema nervoso central, tornando-seevidente, na maior partedas

situações, a falta de coordenação entre

o que a criança se propõe a fazer (in-

tenção) e a respectiva ação. Ocorre, portanto, umverdadeiro hiato que resul- ta em dificuldade ou, mesmo, impedi- mento de expressão por meio do corpo. Essa falta de sintonia entre o pre- tendido e o realizado provoca de- sequilíbrio, especialmente o afetivo, com repercussões de ordem social, nas áreas motora e perceptiva. Na área motora, aparecem a hiper ou a hi- poatividade, as perturbações do ritmo, a incoordenação excessiva, prejudican- do a postura, a locomoção, os movimen- tos dos braços, pernas, mãos, pés e a

respiração. Na área perceptiva, eviden- ciam-se desordem perceptovisual, de orientação e estruturação espacial, per- turbações do esquema corporal e da lateralidade. Tais perturbações interferem, sen- sivelmente, em todos os campos de ação da criança. Na escola, geralmente ela estará sujeita a mau rendimento, a um desempenho medíocre, apesar da sua boa capacidade intelectual, de vez que um bom desempenho requer atenção e concentração da criança. Se não hou- ver domínio do corpo, se faltar autono- mia, automatismo e precisão no gesto,

a atenção será desviada e absorvida no necessário controle do movimento.

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C rea Para que a criança adquira os me- canismos da escrita, além da necessi- dade

Para que a criança adquira os me- canismos da escrita, além da necessi- dade de saber orientar-se no espaço (motricidade ampla), deve ter cons- ciência de seus membros, da mo- bilização dos mesmos, esaber fazer agir, independentemente, o braço em rela- ção ao ombro, a mão em relação ao braço e ter a capacidade de individua- lizar os dedos (motricidade fina) para pegar o lápis ou a caneta e riscar, tra- çar, escrever, desenhar o que quiser. Existem inúmeros exercícios para minimizar ou sanar essas dificuldades. O professor precisa iniciar comaqueles que visam exercitar os grandes músculos e, posteriormente, trabalhar com os peque- nos músculos, seja na educação infantil, seja no ensino fundamental.

û Distúrbios na coordenação visomotora A coordenação visomotora está pre- sente sempre que um movimento dos membros superiores ou inferiores ou de todo o corpo responde a um estímulo visual de forma adequada. Ao traçar uma linha, por exemplo, a criança, ao mesmo tempo que segue,

com os olhos, a ação de riscar, deve ter em mira o alvo a atingir. Isso implica sempre ter atenção a algo imediatamen- te posterior à ação que está realizando no instante presente. A criança com problemas de coorde- nação visomotora não consegue, por exemplo, traçarlinhas comtrajetóriaspre- determinadas, pois, apesar de todo o es- forço, a mão não obedece ao trajeto pre- viamente estabelecido. Esses problemas repercutem nega- tivamente nas aprendizagens, uma vez que para aprender e fixar a grafia é in- dispensável que a criança tenha con- venientecoordenação olho/mão, da qual depende a destreza manual. Os esforços para focalização visual distraem a sua atenção e ela perde a continuidade do traçado das letras e suas associações.

û Deficiência na organização temporoespacial Quando falamos em organização temporoespacial nos referimos à orien- tação e à estrutura do espaço e do tem- po: é o conhecimento e o domínio de direita/esquerda, frente/atrás/lado, alto/

baixo, antes/depois/durante, ontem/hoje/ amanhã, etc., que a criança deve ter desenvolvido para construir seu siste- ma de escrita. A criança com problemas de orien- tação e estruturação espacial, normal- mente, apresenta dificuldades ao escre- ver, invertendo letras, combinações si- lábicas, sob o ponto de vista de locali- zação, o que denota uma insuficiência da análise perceptiva dos diferentes ele- mentos do grafismo. Ela não consegue, também, escrever obedecendo ao sen- tido correto de execução das letras, nem orientar-se no plano da folha, apresen- tando má utilização do papel e/ou es- crevendo fora da linha. É natural, ainda, que encontre dificuldade na leitura e na compreensão de sentido de um texto, como decorrência da desorganização temporoespacial.

û Problemas de lateralidade e direcionalidade Sabemos que os distúrbios de motricidade manifestam-se, principal- mente, por meio dos gestos imprecisos, dos movimentos desordenados, da pos- tura inadequada, da lentidão excessiva,

ê ê EXERCÍCIOS ¬ Completar as figuras conforme o modelo. ê Unir as partespara formar
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EXERCÍCIOS
¬ Completar as figuras conforme o
modelo.
ê
Unir as partespara formar um todo.
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etc. Entre as crianças com dificulda- des motoras, muitas podem apresentar problemas relativos à lateralidadee

etc. Entre as crianças com dificulda- des motoras, muitas podem apresentar problemas relativos à lateralidadee que podem provocar ou ser provocados por perturbações do esquema corporal, pela má organização do espaço em relação ao próprio corpo ou, ainda, por desar- ranjos de ordem afetiva. As perturbações da lateralidade po- dem apresentar-se de várias maneiras:

lateralidade mal-estabelecida – caracteriza-se pela não-definição da dominância, em especial, da mão direi- ta ou esquerda. Nesse caso, a criança vive uma permanente incerteza quanto ao uso das mãos, tornando-se, por isso, confusa e pouco eficiente no desem- penho das atividades motoras. Uma dominância não claramente definida pode ser, também, causa de certas difi- culdades, como, por exemplo, inversão de letras na leitura e/ou na escrita, con- fusão de letras de grafismos (traçados) parecidos, mas com orientação espa- cial diferente (por exemplo, b/p - bato/ pato). O que conhecemos como escri- ta espelhada também pode ser decor- rência da lateralidade mal-estabelecida (b/d - bato/dato);

sinistrismo ou canhotismo – é a dominância do uso da mão esquerda.

A eficiência da mão esquerda, nas

crianças canhotas é inferior à da mão

direita nas destras, tanto pela velocida-

de quanto pela precisão, em geral. Po-

demos observar que essas crianças, bem como as destras, podem apresen- tar, muitas vezes, problemas de orien- tação e estruturação espacial que ten- dem a acentuar-se com a idade, duran- te um certo período de seu desenvolvi- mento. Na verdade, um canhoto pode escrever com a mesma destreza e fa- cilidade de um destro. Porém, para che- gar aos mesmos resultados, a criança

canhota deve percorrer uma série di- ferente de movimentos e de ajustamen- tos motores. Sua tendência natural e es- pontânea, no plano horizontal, é escre- ver da direita para a esquerda. É, pois, tarefa do professor auxiliá-la e in- centivá-la para que ela possa, com a maior brevidade, encontrar seus pa- drões motores; • lateralidade cruzada – caracteriza-

se pela dominância da mão direita em

conexão com o olho esquerdo, por exemplo, ou da mão esquerda com o

olho direito. Esse tipo de lateralidade heterogênea – olho/mão – tem sido pesquisado por muitos estudiosos do tema, que, apesar dos esforços, têm chegado a conclusões divergentes. Vários autores levantam a hipótese de que a lateralidade cruzada poderia ser, em certos casos, causa de dese- quilíbrios motores eoutras perturbações, que dificultariam o aprendizado e o de- senvolvimento da leitura e da escrita. Há diferentes pesquisas sobreo assunto e não há conclusões definitivas a res- peito; • sinistrismo ou canhotismo contra- riado – a dominância da mão esquer- da contraposta ao uso forçado e im- posto da mão direita pode comprome- ter a eficiência motora da criança, na orientação em relação ao próprio cor- po e na estruturação espacial. Alguns autores admitem que, em determina- dos casos, a gagueira, por exemplo, seja conseqüência de sinistrismo con- trariado e, no caso, aconselham que a criança volte a usar a mão dominante (mão esquerda). Afirmam, também, que os canhotos tendem a apresentar o traçado gráfico que conhecemos

® Marcar com uma cruz as partes que formam um todo conforme o modelo. ¯
® Marcar com uma cruz as partes
que formam um todo conforme o
modelo.
¯ Colocar um círculo nas letras que
formam as palavras no cartaz, usan-
do uma cor diferente para cada pa-
lavra.
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CAVALO
Q
F Z
A
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T A
C
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S
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VALETA
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A M
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° Riscar a letra que corresponde ao
modelo.
P
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D
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g
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b
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como escrita espelhada, o que merece toda a atenção do professor. û Erro pedagógico Geralmente,

como escrita espelhada, o que merece toda a atenção do professor.

ûErro pedagógico Geralmente, as dificuldades que os

alunos apresentam na escrita se devem

a falhas no processo de ensino, nas es-

tratégias inadequadas escolhidas pelos

docentes ou por desconhecimento do problema ou por despreparo. Os cuidados que o professor das séries iniciais (1 o ciclo) deve ter quan- do seus alunos começam a aprender a escrever não devem resumir-se à orto- grafia mas, também, à legibilidade. Es- ses cuidados prolongam-se por todo o período de escolarização ou pelo pro- fessor de classe ou pelos professores de Língua Portuguesa. Preparar um aluno para escrever com correção e legibilidade é trabalhar com ele, desde o início, atentando para

a grafia correta das palavras, a forma

das letras, a uniformidade no traçado,

o espaçamento, o ligamento e a incli-

nação da escrita em relação ao espaço onde se está escrevendo. A legibilidade éuma qualidade com- plexa que se constitui na soma desses

vários aspectos, dentre outros conside- rados importantes.

Forma das letras Cada letra tem uma forma caracte- rística. A clareza de traçado então re- side em escrever cada letra na sua for- ma exata. A letra cursiva deformada pode ser a causa mais poderosa de ile- gibilidade. Por exemplo:

a)

pode-se lê-lo como u ou ce; b)quandonãofecha ocírculodod, pode- se lê-lo como cl ou el;

c) alguns alunos escrevem e por i;

d) outros escrevem n como u;

e) alguns alunos podem adquirir o há-

bito de escrever rr como u ou como n, etc. Estes exemplos são suficientes para demonstrar a importância do for- mato da letra para a legibilidade da escrita. Muitas vezes, as formas ina- dequadas das letras são conseqüên- cia da falta de orientação docente, do mau uso ou do abuso das cópias e dos ditados ou da rapidez descabida da escrita para fazer apontamentos em aula, dentre outras.

se o aluno não fecha o círculo do a,

Uniformidade

A letra cursiva, em nosso alfabeto,

apresenta quatro características no tra- çado em relação à linha:

• só há uma letra cujo traçado sobe a desce – f;

• há seis letras com haste ascendente

b, d, h, k, l, t;

• há seis letras com haste descendente

g, j, p, q, y, z;

• há treze letras que chamamos de peque-

nasa,c,e,i,m,n,o,r,s,u,v,w,x. Aprender a manter a uniformidade no traçado significa formar hábitos de

escrita que obedeçam às quatro carac- terísticas apontadas.

Espaçamento

O espaçamento é importante fator

que concorre para a legibilidade. É pre- ciso verificar:

ése há espaço entre uma letra e outra, na palavra; ése há espaço entre uma palavra e outra; ése há espaço entre uma frase e outra; ése há espaço entre parágrafos. Quando os espaços entre as letras não são uniformes, há prejuízo na leitu-

± Marcar com uma cruz o cír- culo que tem a mesma palavra do modelo.
± Marcar com uma cruz o cír-
culo que tem a mesma palavra
do modelo.
ne
ne
ne
ve
ne
to
ne
ve
ta
² Marcar com uma cruz a palavra
que corresponde ao modelo.
VELA
LAVE
VELA
LEVA
GALO
LAGO
GOLA
GALO
FITA
FILA
FILE
FITA
VILA
CALO
CALO
GOLA
LAGO
COLA
³ Pintar o desenho diferente.
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ra; o mesmo acontece entre as pala- vras. Especialmente no quadro-de-giz, o professor deve cuidar

ra; o mesmo acontece entre as pala- vras. Especialmente no quadro-de-giz, o professor deve cuidar para que fique um espaço adequado entre as palavras, principalmentenas séries do 1 o ciclo. Isto evita que as crianças que estão mais

afastadas do quadro vejam as palavras, uma comocontinuaçãoda outra, copian- do-as como se fossem uma só. É preciso cuidar, também, o espaço entre frases, tendo em vista as letras com hastes.

Ligamentos Na letra cursiva, os ligamentos tam- bém são fatores importantíssimos para a legibilidade:letras queformamuma pa- lavra devem ser ligadas entresi. Aomis- são de ligamentos provoca no leitor uma

´ Riscar, no quadro ao lado, as pala- vras onde aparecem:

– GA, com lápis vermelho,

– FA, com lápis azul,

– PA, com lápis preto,

– CHA, com lápis verde,

– BA, com lápis amarelo,

– DA, com lápis marrom.

µ Copiar, na coluna 1, as palavras com a letra Z e, na coluna 2, as com a letra S.

1.

G A L IN H A

P E N T E

G A T O

P E IX E

C A V A L O

F A V E L A

C O R R I D A T A R T A R U G A

V A C A B A N A N A

J A C A R É F A R O F A P I N T O

P A H N A V E E L A

MACACO

C

P A P A G A IO

C H A P É U

C O R U J A

BALÃO

AZEITE

 

DÚZIA

 

MESA

 

GÁS

 

CASA

 

BUZINA

 

GIZ

 

FRASE

 

AZUL

 

ANZOL

 

ROSA

 

ZEBRA

 

NOZ

 

FELIZ

 

CAPUZ

 

BRASA

 

ZERO

 

BRASIL

     

RAIZ

 

BLUSA

 

2.

µ Ler com atenção os nomes dos ani- mais, no quadro.

Passar o lápis vermelho por cima das letras com haste que sobe (as- cendente); o lápis azul, das com has- te que desce (descendente); o lápis verde, das com haste que sobe e desce e o lápis laranja por cima das letras que chamamos de pequenas.

o v elh a r ã

g i r a f a

t u b a r ã o

m ic o

dragão

z e b r a

m a ca co

p e ó r ia iq u it o

f o ca

v a c a t u c a n o

b e m - t e - v i

jib

ta tu

i n h o c a

m

papagaio

dinossauro

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FICHA PARA COLETA DE DADOS Disgrafia Registro de dados Aspectos Espaçamento observados Forma Unifor- Liga-
FICHA PARA COLETA DE DADOS Disgrafia Registro de dados Aspectos Espaçamento observados Forma Unifor- Liga-
FICHA PARA COLETA DE DADOS
Disgrafia
Registro de dados
Aspectos
Espaçamento
observados
Forma
Unifor-
Liga-
Incli- Observações
d a
midade
nação
Letras
Palavras
Frases
Pará-
mentos
Alunos
letra
grafos

tendência à leitura de uma palavra por partes, simulando diferentes palavras. Em se tratando de crianças que lêem o que escrevemos no quadro-de-giz ou em folhas xerografadas, a nossa omissão de ligamentos pode concorrer para a ilegi- bilidade. O aluno, geralmente, escreve como o professor ensina.

Inclinação

A letra cursiva de uma pessoa des-

tra se apresenta ligeiramente inclinada para a direita. Isto favorece a leitura.

A inclinação da letra pode depender

da posição que se adota para escrever mas, essencialmente, depende da posi- ção em que se coloca o papel onde vai- se escrever. Um aluno sentado de fren-

te para sua mesa deverá colocar a folha de papel ou a de seu caderno levemente inclinada para a esquerda. Desse modo,

a letra sairá ligeiramente inclinada para

a direita. Quanto maior a inclinação do

papel, à esqueda, maior a inclinação de

letra à direita. Crianças que escrevem com a mão

esquerda deverão inclinar o papel para

a direita. Outro aspecto a ser observado é a

passagem de um sistema de escrita (le- tra de forma) para outro (letra cursiva), por exemplo. É preciso realizar um tra- balho bem planejado, de comum acor- do com os alunos, de modo sistemático

e cuidadoso.

A letra cursiva exige maior esforço

mental e físico da criança porque apre- senta complexidade de movimentos. De preferência, o professor deve procurar realizar um atendimento indi- vidualizado, atento às dificuldades que poderão surgir, incentivando todos os alunos, em geral, e cada um, em parti- cular, para que se evitem sérios proble-

mas posteriormente. O uso da caligrafia, considerada obsoleta e antipedagógica pelos de- savisados e indicada pelos mais moder-

nos autores, ocupa papel relevante, hoje em dia. Visa atender às atuais exigências de clareza, legibilidade e rapidez, justifi- cando-se, portanto, sua presença em sala de aula, nas atividades escolares. Para que o professor possa identifi- car, com mais segurança, crianças com disgrafia, emsala deaula, apresentamos alguns indicadores:

• rigidez no traçado – o aluno pressiona demasiado o lápis contra o papel;

• relaxamento gráfico – o aluno pressio- na debilmente o lápis contra o papel;

• impulsividade e instabilidade no tra-

çado – o aluno demonstra descontrole no gesto gráfico; o traçado é impulsi- vo, apressado, confuso, com a escrita irregular e instável;

• lentidão no traçado – o aluno demons-

tra um traçado arrastado, lento, tornan-

do evidente um grande esforço de apli- cação e controle;

• dificuldades relativas ao espaçamento

– o aluno deixa espaço irregular (pe-

queno ou grande demais) entre letras, palavras; não respeita margens; amon- toa letras;

letras, palavras; não respeita margens; amon- toa letras; • dificuldades relativas à uniformidade – o aluno

• dificuldades relativas à uniformidade

– o aluno escreve com letras grandes

demais (macrografia) ou pequenas de- mais (micrografia) ou mistura ambas; mostra desproporção entre maiúsculas

e minúsculas e entre as hastes;

• dificuldades relativas à forma das le-

tras, aos ligamentos e à inclinação – o aluno apresenta deformação no traça- do das letras; evidencia falta de liga- mentos entre as letras; inclina-as de- masiadamente para a esquerda, para a direita ou para ambas as direções. Combasenestas informações, o pro- fessor poderá fazer um diagnóstico das possíveis dificuldades deseus alunos, fa- zendo o registro de suas observações na Ficha para Coleta de Dados que su- gerimos no quadro acima.

Uma análise cuidadosa dos dados

apresentados pela ficha oferecerá ao professor as melhores condições para

a elaboração de um plano de ativida-

des para sanar ou minimizar os pro- blemas detectados. Vários exercícios podem ser realiza- dos em parceria com outros professores (Educação Física, Arte, por exemplo), para o desenvolvimento das habilidades motoras, do esquema corporal, das per- cepções. Outros, como os que apresen- tamos neste texto, deverão ser realiza- dos em sala de aula, com todos os alu- nos. Certamente eles serão beneficiados. Inúmeras atividades relacionadas ao erropedagógicodevemser oportunizadas às crianças, especialmente aquelas vol- tadas à correção de possíveis dificulda- des de espaçamento (entre letras, pala- vras, frases) e de ligamentos que podem vir a prejudicar sensivelmente a compre- ensão textual quando se realiza a leitura. Vejamos a seguir alguns exemplos:

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~ 1. Com as letras e os sinais gráficos dos a o o a balões,
~
1. Com as letras e os sinais gráficos dos
a o
o
a
balões, formar duas palavras que iden-
tifiquem o personagem do desenho:
P
B
a
h l
— — — — — — —
— — — — — .
l
2. Escrever o nome do palhaço também em letra
de forma.
ç
— — — — —
3. Formar outras palavras com as letras e sinais gráficos dos
balões.
Observar atentamente a figura ao lado.
4. Separar as palavras, formando uma frase relativa à cena.
Obedeçaaossinaisdetrânsito.
5. Juntar as letras para formar as palavras de uma frase relativa à cena.
P r e c i s a m o s a p r e n d e r a a t r a v e s s a r a s r u a s .
z d c s 6. Ajudar o Palhaço Bolão a retirar da cartola palavras que
z
d
c
s
6. Ajudar o Palhaço Bolão a retirar da cartola palavras que
começam com as letras indicadas.
n
m
c
s
g
x
z
m
g
n
x
d

Se, após a realização de um programa bemplanejado para sanarou minimizaros problemas, o professor observar que al- guns alunos ainda permanecem com difi- culdades, deverá encaminhá-los a pes- soas especializadas,aquemcompeteotra- balho de reeducação da linguagem.

BIBLIOGRAFIA

CAGLIARI, L. C. Alfabetização & lingüísti- ca. São Paulo: Scipione, 1989.

FERREIRO, E.; PONTECORVO, C.; MOREI- RA, N. Ribeiro; HIDALGO, I. Garcia. Caperu- cita Roja aprende a escribir: estudios psico-

lingüísticos comparativos en tres lenguas. Bar- celona: Gedisa, 1996.

KATO, Mary A. (org.). A concepção da escrita pela criança. 2. ed. São Paulo: Pontes, 1992.

TEBEROSKY,A.;TOLCHINSKY, Liliana. Más allá de la alfabetización. Buenos Aires:

Santillana, 1995.

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