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Colégio João de Barros

BIOLOGIA E GEOLOGIA 11º ANO


COMPONENTE DA FORMAÇÃO ESPECÍFICA

REPRODUÇÃO ASSEXUADA - PARTENOGÉNESE

Partenogénese - (do grego "virgem", + "nascimento"; uma alusão à deusa grega Atena, cujo templo era
denominado Pártenon) refere-se ao crescimento e desenvolvimento de um embrião sem fertilização.
São fêmeas que procriam sem precisar de machos que as fecundem.

A partenogénese ocorre naturalmente nalgumas plantas, invertebrados (pulgas de água ou dáfnias,


afídeos, abelhas) e alguns vertebrados (lagartos, salamandras, peixes, e até mesmo perus). Os
organismos que se reproduzem por este método estão geralmente associados a ambientes isolados como
ilhas oceânicas. Na maioria dos casos, no entanto, a partenogénese é apenas uma possibilidade eventual,
sendo a reprodução com contribuição génica paterna a mais comum. Esta alternância pode surgir por
pressão ambiental.

Abelhas

Na sociedade das abelhas ocorre um fato curioso: tanto os óvulos fecundados como os não fecundados
podem originar novos indivíduos.
As rainhas e as operárias resultam do desenvolvimento de óvulos fecundados, sendo, portanto, diploides.
A diferenciação entre elas é estabelecida pelo tipo de alimento fornecido às formas larvais:
• As larvas que originam operárias são nutridas com mel e
pólen.
• As larvas que originam rainhas recebem geleia real como
alimento.
Os zangões, cujas larvas são nutridas com pólen e mel, são
haploides, uma vez que resultam do desenvolvimento de óvulos
não fecundados. Os zangões, originando-se de óvulos não
fecundados, herdam todos os genes que possuem da “mãe”
(Rainha), uma vez que não têm “pai”.

O esquema da figura ao lado ilustra algumas das etapas da


reprodução em abelhas - o macho (zangão) desenvolve-se a partir
de óvulos não fecundados (haploides). As rainhas (fêmeas férteis)
e operárias (fêmeas estéreis) desenvolvem-se a partir de ovos
fecundados e diploides.
Dáfnias ou “Pulgas-de-Água”

As Dáfnias são crustáceos de água doce de pequenas dimensões (1mm) que se alimentam de
fitoplâncton.
Estes seres vivos, têm como estratégia aproveitar as vantagens de cada tipo de reprodução, conforme as
condições ambientais, apresentam os dois tipos de reprodução, uma vez que em determinadas situações
se reproduzem de forma assexuada e noutras situações de forma sexuada. O diagrama que se segue é
relativo à reprodução das Dáfnias.

No Verão, as fêmeas
produzem ovos que não
necessitam de ser fecundados por machos, dando à luz pequenas dáfnias fêmeas - processo (assexuado)
de partenogénese, que desencadeia uma rápida multiplicação, com um pequeno dispêndio de energia.
No fim do Verão, quando a temperatura baixa e o alimento disponível diminui, ocorre a reprodução
sexuada: alguns ovos originam machos que fecundam outros ovos, o que permite a formação de ovos
resistentes que ficam em estado de vida latente durante o Inverno, ficando salvaguardada a continuidade
da espécie.
Quando os charcos enchem novamente, o desenvolvimento embrionário dos ovos origina novamente
apenas fêmeas partenogénicas, com novas combinações genéticas graças à reprodução sexuada, o que
permite uma boa adaptação no caso de surgirem mudanças nas condições do meio.

Os afídeos (pulgões), tal como as dáfnias, também podem optar entre os 2 tipos de reprodução,
aproveitando os aspetos positivos de cada um.

Dragão-de-Komodo

Uma dragão-de-komodo no Zoológico de Londres chamada Sungai fez uma postura de ovos no fim de
2005 depois de estar separada de qualquer companhia masculina durante mais de dois anos. Os
cientistas assumiram inicialmente que ela tinha sido capaz de armazenar esperma desde os seus
contactos anteriores com um macho, uma adaptação conhecida como superfecundação

A 20 de Dezembro de 2006 foi relatado que Flora, uma dragão-de-komodo que vivia no Zoológico de
Chester de Inglaterra, era a segunda dragão-de-komodo que fez uma postura de ovos não-fertilizados: ela
pôs 11 ovos, sete dos quais eclodiram, todos eles machos. Cientistas de Universidade de Liverpool no
Norte de Inglaterra fizeram testes genéticos aos três ovos que colapsaram quando foram transferidos para
uma incubadora, e verificaram que a Flora não tinha tido contacto físico com um dragão macho.

Após ser descoberta a condição dos ovos de Flora, testes mostraram


que os ovos de Sungai também tinham sido produzidos sem
fertilização externa.

dragão-de-komodo partenogénico bebé, Zoológico de Chester, Inglaterra


Estes animais têm o sistema de determinação do sexo ZW em contraste com o sistema XY presente nos
mamíferos.

O facto de só terem nascido machos, mostra que os ovos não-fertilizados eram haploides (n) e que
duplicaram os seus cromossomas mais tarde para se tornarem diploides (2n) (sendo fertilizados por um
corpo polar, ou por duplicação dos cromossomas sem divisão celular, ao invés de ela por ovos diploides
por falha de uma das divisões meióticas redutoras). Quando uma dragão-de-komodo fêmea (com os
cromossomas sexuais ZW) se reproduz dessa maneira, fornece à sua prole apenas um cromossoma de
cada par que possui, incluindo apenas um dos seus dois cromossomas sexuais. Este conjunto singular de
cromossomas é duplicado no ovo, que se desenvolve partenogeneticamente. Ovos que recebem um
cromossoma Z tornam-se ZZ (macho); os que recebem um cromossoma W tornam-se WW e não se
desenvolvem.

Foi sugerido que esta adaptação reprodutora permite que uma fêmea sozinha entre num nicho ecológico
isolado (tal como uma ilha) e produza machos por partenogénese, estabelecendo assim uma população
capaz de se reproduzir sexualmente (através de reprodução com os seus descendentes que pode resultar
na produção tanto de machos como de fêmeas).

Apesar das vantagens de tal adaptação, os zoológicos estão avisados que a partenogénese é prejudicial
para a diversidade genética, devida à óbvia necessidade de cruzamento entre a única fêmea mãe com os
seus descendentes macho.

Em 31 de janeiro de 2008, o Zoológico de Sedgwick County, em Wichita, no Kansas, tornou-se o primeiro


da América a documentar partenogénese em dragões-de-komodo. O zoológico tem duas fêmeas adultas,
uma das quais pôs 17 ovos em Maio de 2007. Só dois destes ovos foram incubados e eclodiram por falta
de espaço; o primeiro nasceu em 31 de Janeiro de 2008 enquanto o segundo saiu a 11 de Fevereiro.
Ambos eram machos.

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