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FACULDADE LATINO-AMERICANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS – FLACSO

CURSO MAESTRÍA, GOBIERNO Y POLÍTICAS PÚBLICAS

ROSA MARIA BARBOSA FREITAS

O PRINCIPE (Nicolau Maquiavel)

Belém/PA
2018
ROSA MARIA BARBOSA DE FREITAS

O PRINCIPE (Nicolau Maquiavel)

Trabalho apresentado como Atividade Parcial da


Disciplina Tópicos Introdutórios em Ciências
Políticas I, no Curso Maestría, Gobierno y Políticas
Públicas, da Faculdade Latino-Americana de Ciências
Sociais – FLACSO

Belém/PA
2018
A Politicologia, Ciência da Política ou Ciência Política tem como objeto central de
trabalho analisar a política, os sistemas de poder, os partidos políticos, as organizações, os
processos políticos e o Estado. Um dos pensadores fundantes dessa ciência tal como
pensamos hoje é o florentino Nicolau Maquiavel (1469-1527). Em O Príncipe (obra publicada
postumamente em 1532), Maquiavel opera com os conceitos de Virtú e Fortuna para
compreender o sentido (moderno) da política e apontar os caminhos daquilo que ele entendia
ser o “bom governo”. A partir da citação abaixo, disserte sobre as principais contribuições que
você aprendeu em O Príncipe para pensarmos a Política.
“Fortuna e virtù, esses foram os termos empregados por Maquiavel para
interpretar os dois polos em torno dos quais giram o sucesso e o insucesso
das ações humanas. Ao longo de toda sua obra eles se repetem, sugerindo
que devemos sempre estar atentos a seu aparecimento e a seu significado
para a compreensão do acontecimento que estamos analisando”
(BIGNOTTO, Newton. Maquiavel. Ed. Zahar: São Paulo, 2003, p.24)

É evidente na atualidade contemporânea a influência da atividade política na ação


de poder do Estado na sociedade. A Política tem suas formulações estruturais no período
em que o Renascimento Italiano vive o conflito entre a visão cristã e a pagã do mundo na
formação e consolidação do Estado. E é diante deste contexto que surge o historiador e
filósofo, Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) para analisar a realidade concreta dos fatos.
Foi um homem de vida pública, trabalhou como Secretário de Estado de Florença o que
lhe permitiu analisar de perto os conflitos existentes naquela época. E sua obra o Príncipe
até hoje é referencial para estudar e analisar a Política como ciência e suas influências
positivas e negativas na ação de poder do Estado.
Neste sentido, as contribuições do Príncipe para pensarmos a Política tem sua
origem marcada pelo rompimento com as tradições idealistas de Sócrates, Platão e
Aristóteles, diante de um contexto que separa o mundo sensível da realidade concreta do
mundo inteligível da ideia ou seja a realidade concreta dos fatos é o ponto de partida e de
chegada na reflexão de Maquiavel, combatendo a visão teológica da Igreja, pois para ele
o mundo não se explica pelo poder divino, a natureza cristã é diferente da natureza
humana. Defende que a natureza humana é histórica e que a anarquia é intrínseca à
natureza humana pois é impossível prever a ação do homem na história (ou seja é
imprevisível), já que é contingente e muda o tempo todo. Portanto a História é o desfile
dos fatos dos quais se deve extrair as causas e os meios utilizados para enfrentar esse
caos que é a natureza humana. A história deve ser a nossa ponte essencial para investigar
as possibilidades de composição da anarquia das ações humanas e partir da investigação
histórica a anarquia da natureza humana se divide em duas formas de governo:
Principado – aqueles que os cidadãos vivem sobre as decisões de um príncipe e a
República – na qual os cidadãos vivem em liberdade. Desprendendo-se da moral, da ética
e da religião. Já que a história é o desfile dos fatos do qual se deve extrair as causas e os
meios para enfrentar o caos que é intrínseco a natureza humana e a partir do momento
que Maquiavel estuda a realidade política passa a entender que ela tem uma ética e uma
lógica própria e ao analisar os problemas políticos busca encontrar os mecanismos que
impõe a instabilidade das relações e como manter essa correlação de forças. Ao fazer
essa reflexão, surge a questão de como avaliar a boa e a má política, e passa a explicar
esse questionamento através dos termos “VIRTÚ e FORTUNA”.
O sentido essencial do conceito de Virtú, é basicamente sobre quais são as
qualidades que um governante deve ter se quiser conquistar e manter um Estado ou seja a
posse de Virtú é a chave por excelência do sucesso do Príncipe. Sucesso esse que tem
uma medida política a manutenção da política – que é a capacidade de manter uma
correlação de forças dentro de um território, espaço específico.
A Fortuna está ligada à natureza específica do tempo, é a capacidade de perceber o
momento frutífero para realizar determinadas ações, pode trazer a glória ao governo sem
nenhum esforço, como também colocar a baixo o governante com a força de sua surpresa.
É um elemento presente na dominação do Estado, sob este âmbito o governante
necessitaria menos da força da fortuna, à medida que tivesse na própria virtù a sustentação de
seu Estado. Neste sentido é importante perceber como é essencial de acordo com Maquiavel,
a Virtú para o equilíbrio da fortuna. Pois àqueles pelos quais conseguem chegar ao poder pelo
acaso, estão fadados a ruina, pois não foram dotados de habilidades e sabedoria o suficiente
para governar, logo, desprovidos de virtú, o que acarretaria em uma queda política na primeira
crise do acaso, de fortuna, a mesma que lhes deu o poder.
As reflexões retratadas em o príncipe ao questionar ao analisar a política a partir da
realidade concreta, fundamento essa analise a partir dos elementos “ Virtú e Fortuna”
conjugam um conjunto de fatores relacionados a fatos históricos que até hoje apesar de
terem sido questionados em épocas diferentes, possuem na sua essência o mesmo grau de
valor e fundamento ou seja o contexto contemporâneo em a Política atual se encontra
passa pela mesma reflexão deixada por Maquiavel no período do Renascimento . De
acordo com Maquiavel se o príncipe não for virtuoso e afortunado vamos voltar para a
tirania, e esse conflito entre o povo e o tirano faz parte da natureza da sociedade, assim o
bom governante mantém o Estado e não age como um ditador, mas sim como um
fundador do Estado, um agente de transição, exercendo o poder político como função
regeneradora e pedagógica de toda a sociedade, com o objetivo de desenvolver as
virtudes do povo, pois só um povo virtuoso pode governar a si mesmo ou seja é
necessário equilibrar essas duas forças (força do tirano x força do povo ou o poder do
povo livre com o apoio de seus concidadãos e o poder do príncipe – essas duas forças
fazem parte da natureza política para Maquiavel já que o Estado deve oferecer o mínimo
para que as pessoas se politizem, estudem e se formem. E é na República que essas
correlações de forças vão encontrar equilíbrio, pois as Inst ituições são estáveis e
contemplam a dinâmica das relações sociais.
Finalizando é importante descrever que até hoje na sociedade estão presentes esse
antagonismo e os conflitos de classe que configuram a luta política e essa correlação de
forças configuram uma cidadania ativa, porém é necessário ter a noção de que autonomia
é limitada a partir/ou por outra autonomia – assim como é necessário criar e ter um
estadista é necessário também ter um povo virtuoso. E utilizando como exemplo a
metáfora da Raposa e do Leão precisamos pensar que “o agir virtuoso é agir como
homem e como animal, pois a política é uma ação dos homens e este deve agir com
“força” (viva/resistente) e “astúcia” (pensar e ser astuto para pensar) e o equilíbrio entre
essas duas forças é que vão conseguir criar uma sociedade mais livre. Desta forma a
política tem sua lógica própria e só a política explica a política. Se a força é o
fundamento do poder a astúcia é fundamental para a manutenção do poder e o povo
virtuoso é condição indispensável para a liberdade. Portanto, para entender a política é
necessário a investigação histórica é buscar a realidade da realidade dos fatos e só assim
é possível explicar a realidade concreta, já que a política tem uma ética e uma lógica
própria.