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A UTILIZAÇÃO DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL COMO UM

FATOR IMPORTANTE NO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO,


SOCIAL E EDUCATIVO: ARTIGO DE REVISÃO

(THE USE OF MUSIC IN EARLY CHILDHOOD EDUCATION AS AN


IMPORTANT FACTOR IN COGNITIVE, SOCIAL AND EDUCATIONAL
DEVELOPMENT) REVIEW ARTICLE

Claudiana Amorim Clementino Medeiros1

RESUMO: Este artigo de revisão tem por objetivo indicar a música como um fator
importante de contribuição para o desenvolvimento de habilidades motoras, auditivas,
linguísticas, cognitivas, visuais e sociais na Educação Infantil. Sendo apresentado
então como uma ferramenta didática e pedagógica imprescindível no processo de
ensino-aprendizagem, exercendo o papel de agente facilitador do aprendizado e do
desenvolvimento motor infantil.
Foram pesquisadas as seguintes bases de dados eletrônicas LILACS
(Biblioteca Regional em Saúde), SciELO, Revista Científica EccoS, Revista Científica
Multidisciplinar das Faculdades São José (Ciência Atual), Google Acadêmico e
pesquisas manuais de artigos referenciados. Além das bases já citadas foram também
incluídos artigos científicos, teses, dissertações, monografias, nos idiomas português
e inglês. Foram analisadas vinte e uma referências bibliográficas, que mostraram uma
forte relação entre a utilização da música na Educação Infantil e o desenvolvimento
cognitivo, social e educativo, tanto em pesquisas realizadas no Brasil, como as
realizadas nos EUA, Canadá e Portugal.

1Licenciada em Biologia pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (2011), Especialista em Educação


Infantil pelo Centro Universitário Barão de Mauá, Ribeirão Preto, São Paulo- SP (2017). Atualmente
professora efetiva - Secretaria de Educação de Cristalina (GO).
e-mail: clacl.amorim@gmail.com Orientador: Ricardo Alexandre Coimbra de Mendonça

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Palavras-chave
Música; Educação infantil; Aprendizado.

Abstract: This review article aims to indicate music as an important contributing factor
for the development of motor, auditory, linguistic, cognitive, visual and social skills in
Early Childhood Education. It is then presented as an essential didactic and
pedagogical tool in the teaching-learning process, playing the role of facilitator of
learning and child development.
The following electronic databases were searched LILACS Regional Health Library,
SciELO, EccoS Scientific Journal, Multidisciplinary Scientific Journal of faculty São
José. Current Science; Google Scholar and manual searches of referenced articles. In
addition to the bases already mentioned, scientific articles, theses, dissertations and
monographs were also included in the Portuguese and English languages. Twenty
bibliographical references were analyzed, which showed a strong relationship between
the use of music in Early Childhood Education and cognitive, social and educational
development, both in research conducted in Brazil and in the USA, Canada and
Portugal.

Key words
Music; Child education; Learning.

INTRODUÇÃO

A música faz parte da vida do ser humano desde o ventre materno, ela está
presente em nosso dia a dia, nas festas em família, em um filme, em um jogo, na
igreja, celebrações em geral. GARDNER (2002) define que a primeira inteligência
humana demonstrada na vida social é a inteligência musical, pois, ao saírmos do útero
materno, descobrimos o mundo pelos sons do ambiente em que vivemos, pela voz da
mãe e demais familiares.
As informações das literaturas mostram os efeitos positivos da introdução
musical no aprendizado, na socialização e na cognição. Por exemplo: um estudo
realizado por um grupo de pesquisadores canadenses da McMaster University

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comparou dois grupos de seis crianças entre as idades de 4 e 6; Um grupo teve aulas
de música e o outro não tinha instrução musical. Os resultados, publicados na revista
online Brain em 20 de setembro de 2006, mostraram que as crianças que recebiam
instrução musical superavam os colegas, em habilidades de memória, habilidades
musicais e "não musicais" como alfabetização e matemática.
Estudos realizados anualmente no Brasil e no Exterior demonstram que
indivíduos com prática musical apresentam melhor desempenho em tarefas de
matemática (SCHELLENBERG), leitura (MORENO; MARQUES; SANTOS; SANTOS;
CASTRO e BESSON), vocabulário (FORGEARD; WINNER; NORTON e SCHLAUG),
habilidades motoras (ZATORRE; CHEN e PENHUNE) e em testes comportamentais
(ANVARI; TRAINOR; WOODSIDE e LEVY).
Alguns elementos sonoros levam ao desenvolvimento das habilidades
auditivas, e facilitam também o desenvolvimento da linguagem em consequência
também a cognição (JESUS; URIARTE e RAABE).
NASCIMENTO; ZANON; BOSA; NOBRE; JÚNIOR e SILVA afirmam que os
estudos realizados sobre a educação musical e as atividades envolvendo a música
são perceptíveis preponderantemente em crianças com dificuldades de
aprendizagem, de comunicação, dificuldades sensoriais e com comprometimentos
sociais, incluindo aquelas que se encontram dentro do Transtorno do Espectro Autista
(TEA) pontuado por BRÉSCIA (2003), a musicalização atua como um processo de
conhecimento, que objetiva, despertar e desenvolve o gosto musical, que facilita o
desenvolvimento da criatividade, do senso rítmico, da autodisciplina, do respeito ao
próximo, da socialização e afetividade, da memória, da atenção, da concentração, da
imaginação e também contribuindo para uma consciência efetiva e uma boa
movimentação corporal.
Sendo assim, quando se opta por introduzir a música, estatisticamente o
desenvolvimento da criança será muito maior.

REVISÃO DA LITERATURA

História da Música.

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A música tem participado da humanidade desde os primórdios das civilizações,
de acordo com alguns dados antropológicos. As músicas eram utilizadas em
nascimentos, casamentos, morte, fertilidade e recuperação de doenças. Porém o
nome: música só teve início na mitologia grega MusikéTéchne que quer dizer a arte
das musas, seres celestiais que inspiravam as artes e as ciências.
SARAIVA (2013) vem confirmar que a música é uma forma de expressão
utilizada pela humanidade há muitos séculos.

A música é uma das mais antigas e valiosas formas de expressão da


humanidade e está sempre na vida das pessoas. Antes de Cristo, na Índia,
na China, Egito e Grécia já existiam uma rica tradição musical. Na
antiguidade filósofos gregos consideravam a música como uma dádiva
divina para o homem.

A música tem sido utilizada como instrumento para a educação de crianças e


adultos há muito tempo, iniciando nas sociedades primitivas, onde assim como a
dança eram utilizadas para expressarem seus medos, alegrias, inquietações diante
da sociedade em que viviam. As pessoas utilizavam a música como importante
instrumento para um bom convívio na vida em grupo, pois por meio dela estes
exteriorizavam suas emoções dançando e cantando. Eram manifestações as vezes
simplórias, sem sofisticação, mas mesmo assim importantes para o convívio do grupo
de acordo com SANTA ROSA, (1990).
A música também é um importante fator no processo de mudança nos padrões
comportamentais e interfere no processo de cura como mostra BRÉSCIA (2003).

“Pitágoras demonstrou que a sequência correta de sons, se tocada


musicalmente num instrumento, pode mudar padrões de comportamento e
acelerar o processo de cura. ”

Versa-se sobre esse assunto há milênios, sempre apontando para


características benéficas, ligadas ao intelecto, ao sentimento e ao desenvolvimento
cognitivo, social e educativo.

A música na Infância

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GARDNER (2002) afirma que a criança tem o seu primeiro contato com a
música ainda no ventre materno ouvindo as batidas do coração materno, a voz da
mãe e os sons externos. Ao nascer as crianças passam a ouvir outros sons, tais como:
barulhos dos carros, animais, tv, aparelhos de som, computador, entre outros.
A medida que cresce ela passa a imitar alguns sons e a balançar de acordo
com a melodia, bate palmas, pula e grita. Aos poucos começa a utilizar alguns
instrumentos para batucar e fazer barulhos, aprendendo a se expressar.
JEANDOT (2001) afirma:

Antes de começar a falar podemos ver o bebê cantar, gorjear,


experimentando os sons que podem ser produzidos com a boca. Observando
uma criança pequena, podemos vê-la cantarolando um versinho, uma
melodia ou emitindo algum som repetitivo e monólogo, balançando-se de uma
perna, ou ainda para a frente e para trás, como se reproduzindo o movimento
de acalanto. Essa movimentação bilateral desempenha um papel importante
em todos os meios de expressão que se utilizam do ritmo, seja a música, a
linguagem verbal, a dança, etc.

A medida que a criança cresce o seu ritmo musical começa a se diferenciar,


pois ela começa a perceber outros sons ao seu redor, passando a imitá-los e, a se
movimentar de acordo com a melodia.
BRITO (2003) pontua que a criança é um ser brincante, faz música
constantemente e, assim vai se relacionando e descobrindo o mundo. Ao fazer música
ela vai “transformando – se em sons”, descobrindo sons, melodias, ritmos e ouvindo
diversos sons com prazer.

A música na escola

CHIARELLI E BARRETO (2005) explicam que a musicalização pode contribuir


para aprendizagem, favorecendo o desenvolvimento cognitivo, motor e sócio afetivo
da criança.
CHIARELLI E BARRETO (2005) contextualizam a música na infância:

As atividades de musicalização permitem que a criança conheça melhor a si


mesma, desenvolvendo sua noção de esquema corporal e, também permitem
a comunicação com o outro.

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FINUCANE Brigid, instrutora de música infantil na Merit School of Music em
Chicago, testemunhou os efeitos positivos da instrução musical e enfatizou:

"A instrução formal da música requer o foco, a disciplina e a determinação


qualidades excelentes que são transferidas frequentemente em outras áreas
da vida do estudante,"

A música estimula constantemente o desenvolvimento cognitivo pois leva a


criança a trabalhar com sons, prestar mais atenção, desenvolver um raciocínio rápido,
trabalhar a memorização e, ter uma percepção audível e visual melhorada.
Dessa forma, a criança que aprecia a música desde cedo ou aquela que
estuda música, têm potencializada a aprendizagem cognitiva, a agilidade no raciocínio
e na memória.
Para SANTA ROSA (1990) se a música for trabalhada de forma significativa,
pode ajudar na formação de um indivíduo, de forma cultural, e social. Sendo um
instrumento de suma importância na educação e, para que ela seja eficaz e atinja
seus objetivos o educador deve utilizá-la de diversas formas, tais como: cantigas de
roda, cantos, manifestações folclóricas, histórias infantis via áudio, brincadeiras,
parlendas, etc.
A música vem sendo percussora para a criação de um ritmo que ajuda o
desenvolvimento no sistema nervoso da criança que vai aprimorando a coordenação
motora da criança, ou seja, a psicomotricidade, forma das crianças aprenderem a
controlar seu corpo, também citada por CHIARELLI e BARRETO (2005):

Qualquer movimento adaptado a um ritmo é resultado de um conjunto


completo (e complexo) de atividades coordenadas. Por isso atividades como
cantar fazendo gestos, dançar, bater palmas, pé, são evidências importantes
para a criança, pois elas permitem que se desenvolva o senso rítmico e,
coordenação motora, fatores importantes também para aquisição da leitura e
da escrita.

Sendo assim a música na escola não tem um papel apenas formador de


profissionais, mas de ser um elo mediador no desenvolvimento cognitivo, social e
educativo.

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CHIARELLI e BARRETO (2005) pontuam que a música vai além de ser um
elo apenas na mediação entre o conhecimento, mas também tornar a escola e o
aprendizado mais agradável. Além de desenvolver o conhecimento cultural musical,
pois a criança terá contato com vários gêneros musicais, contribuindo dessa forma
com a criação de uma identidade intelectual e social.

O educador pode selecionar músicas que falem do conteúdo a ser trabalhado


em sua área, isso vai tornar a aula mais dinâmica, atrativa e, vai ajudar a
recordar informações. Mas a música também deve ser estudada como
matéria em si, como linguagem artística, forma de expressão e um bem
cultural. A escola deve ampliar o conhecimento musical do aluno
oportunizando a convivência com os diferentes gêneros, apresentando novos
estilos, proporcionando uma análise reflexiva do que lhe é apresentado,
permitindo que o aluno se torne crítico.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL,1998) propõem o mesmo


entendimento citado posteriormente por CHIARELLI e BARRETO, na educação
infantil:
A música é a linguagem que se traduz em formas sonoras capazes de
expressar e comunicar sensações, sentimentos e pensamentos por meio da
organização e relacionamento expressivo entre o som e o silêncio. A música
está presente em todas as culturas, nas mais diversas situações: festas e
comemorações, rituais religiosos, manifestações cívicas e políticas, etc.

Através da fala desses autores averiguamos que o conteúdo no currículo


escolar deverá vir com uma proposta em colocar as crianças em contato com a música
e com o maior número de estilos e gêneros musicais possíveis, afim de proporcionar
ao mesmo o conhecimento à diversidade musical, dessa forma demonstrar que
existem variabilidade musical, que há preferências e que cada um acompanha a sua
realidade sociocultural, sempre mantendo o respeito para com os outros, pois o
conhecimento é estabelecido a partir da interação entre a criança e o ambiente ao
qual está inserida. Passa a ser de competência ao professor demonstrar os caminhos
para que a criança descubra, compreenda e analise os ritmos existentes, por meio da
observação e do contato com a música e com instrumentos musicais na escola.
A função da música no ambiente escolar para CHIARELLI e BARRETO é
também de transformação, levar a criança a tranquilidade, principalmente após
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atividades que as deixam agitadas, como a atividade física ou até episódios que as
deixam ansiosas como é o caso de uma prova:

Além de contribuir para deixar um ambiente escolar mais alegre, podendo ser
usada para proporcionar uma atmosfera mais receptiva a chegada dos
alunos, oferecendo um efeito calmante após períodos de atividade física e
reduzindo a tensão em momentos de avaliação, a música também pode ser
usada como um recurso no aprendizado de diversas disciplinas.

Destarte a música na educação infantil deve ser trabalhada de diferentes


formas da didática educativa, pois nesse período estão sendo desenvolvidas diversas
habilidades tais como: vocabulário, coordenação motora, autonomia, conhecimentos,
clareza do mundo que o cerca. Sendo assim é muito importante que as escolas
durante o processo de planejamento e execução do trabalho anual desenvolvam a
musicalização de forma interdisciplinar, pois a formação da criança não deve ficar
sistematizada apenas aos conhecimentos de alfabetização e letramento de português
e matemática.
Se a criança tiver um contato de forma prazerosa com a educação infantil, ela
irá criar um vínculo de aceitação, isso permitirá que a mesma passe a ter contato e a
interagir com pessoas diferentes do seu convívio familiar e por consequência irá se
socializar, adquirindo assim novos conhecimentos. A música entra como percursora e
facilitadora desse processo.
Atualmente algumas escolas utilizam a música como uma ferramenta
pedagógica em suas aulas de forma a despertar sua interação social, motora, criativa,
expressiva e cognitiva. De acordo com CHIARELLI e BARRETO (2005), as atividades
musicais vivenciadas pelas crianças nas creches ou na educação infantil, além de
alegrar o ambiente, faz com que a criança queira ficar na escola.
A UNESCO (2005) pontua que a música em seus diferentes aspectos
envolvidos, promovem a comunicação social e a integração entre as pessoas,
tornando assim a linguagem musical uma importante forma de expressão do ser
humano, devendo ser parte do contexto educacional, principalmente na educação
infantil.
O indivíduo com educação musical crescerá afetivamente, emocionalmente e
cognitivamente e terá um melhor desenvolvimento na coordenação motora, na

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acuidade visual e auditiva, assim como a memória, a atenção, a criatividade, a
comunicação e a interação social.
BORGES (2003) pontua exatamente esse entendimento:

Música é arte [...] seu papel na educação Infantil é o de proporcionar um


momento de prazer ao ouvir, cantar, tocar e inventar sons e ritmos. Por este
caminho, envolve o sujeito como um todo, influindo beneficamente nos
diferentes aspectos de sua personalidade: suscitando várias emoções,
liberando tensões, inspirando ideias e imagens, estimulando percepções,
acionando movimentos corporais e favorecendo as relações interindividuais.

Para GÓES (2009) a música auxilia não só no processo de alfabetização, mas


é um ótimo instrumento que desenvolve a prática da cidadania e integração social,
especialmente com crianças carentes e, estão se espalhando cada vez mais de forma
eficaz devido à popularidade. Ele também acredita que a música no cotidiano da
criança atende à diversos propósitos como a disciplina, a rotina, comemorações de
datas especiais, formação de hábitos, a tomada de atitudes e, que a escolha da
tipologia musical é empregada de acordo com a ocasião e quase sempre é
acompanhada de gestos e movimentos.
BRASIL (1998) afirma que ouvir música, brincar de roda, utilizar brinquedos
rítmicos, estimulam e desenvolvem o gosto pela atividade musical.
PONSO (2008) acredita que a música é um elo de ligação para um melhor
desenvolvimento, entendimento e participação da criança ao universo literário.

A literatura traz consigo um universo a ser explorado pela música, como


poemas, parlendas, lendas, fábulas, quadrinhos, trava-línguas, provérbios,
advinhas e as histórias infantis[...] A contação de histórias na educação
infantil é sempre um momento significativo de aprendizado na turma. Através
da expressão corporal, da interpretação e técnica vocal, a forma de contar a
história torna-se envolvente, cativante e emocionante para as crianças,
incentivando-as à leitura e estimulando a imaginação. As crianças participam
do enredo da história a ponto de imaginarem- se os próprios personagens. O
exercício de envolver os alunos na história e proporcionar atividades de
desenho, teatro e música sobre o livro completa a contação.

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De acordo com a UNESCO (2005), as atividades com a música são um meio
de expressão e conhecimento acessível a todos inclusive portadores de necessidades
especiais e, pontua que a linguagem musical é um dos canais que desenvolvem a
expressão, o equilíbrio e o autoconhecimento, tornando-se um poderoso meio de
interação social.
GÓES (2009) também pontua que as diferentes brincadeiras que envolvam a
música desenvolvem através de resolução de situações e busca de novas
alternativas. Desenvolve o desempenho psicomotor enquanto brinca, alcançando
níveis mais avançados, expandindo ao mesmo tempo sua concentração, imaginação,
atenção e deixando a criança mais calma e relaxada, estimulando assim ela a pensar,
estimulando o seu aprendizado e inteligência.
CHIARELLI e BARRETO (2005) afirmam que:

A presença da música na educação auxilia a percepção, estimula a memória


e a inteligência relacionando-se ainda com habilidades linguísticas e lógico
matemáticas, ao desenvolver procedimentos que ajudam o educando a se
reconhecer e a se orientar melhor no mundo. Além disso, a música também
vem sendo utilizada como fator de bem-estar no trabalho e em diversas
atividades terapêuticas, como elemento auxiliar na manutenção e
recuperação da saúde.

A música também tem demonstrado um excelente resultado com crianças


portadoras de necessidades especiais e também uma boa ferramenta na inclusão.
Como pontua CHIARELLI e BARRETO (2005):

As atividades de musicalização também favorecem a inclusão de crianças


portadoras de necessidades especiais. Pelo seu caráter lúdico e de livre
expressão, não apresentam pressões nem cobranças de resultados, são uma
forma de avaliar e relaxar a criança auxiliando na desinibição, contribuindo
para o envolvimento social, despertando noções de respeito e consideração
pelo outro e, abrindo espaço para outras aprendizagens.

Nessa mesma linha de pensamento BRÉSCIA (2003) pontua:

Crianças mentalmente deficientes e autistas geralmente reagem à música,


quando tudo o mais falhou. A música é um veículo expressivo para o alívio

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da tensão emocional, superando dificuldades de fala e de linguagem. Terapia
musical foi usada para melhorar a coordenação motora nos casos de paralisia
cerebral e distrofia muscular. Também é usada para ensinar controle de
respiração e da dicção nos casos em que existe distúrbio da fala.

Conforme GÓES (2009) as crianças que recebem estímulos musicais


adequados, aprendem a escrever mais facilmente, tem maior equilíbrio emocional,
pois a música está inserida desde o ventre materno.
Dessa forma o professor deverá direcionar as atividades, utilizando os mais
diversos materiais pedagógicos de modo a contribuir com a qualidade do ensino
aprendizagem. GÓES (2009) pontua que, para operacionalizar o ensino, os recursos
pedagógicos devem ser elementos de praticidade, tais como recursos audiovisuais,
auditivos, estruturais, como componentes auxiliadores do processo de ensino
aprendizagem. A música estará sendo um recurso auditivo importante na contribuição
de forma interativa na proposta de ensino.
Dentro deste contexto a música não substitui a educação, ela entra apenas
como uma ferramenta que auxilia e desenvolve a capacidade da criança. A educação
tem como objetivo desenvolvê-la com perfeição e, a utilização da música facilita pois
leva o indivíduo a agir, proporcionando uma aprendizagem significativa de acordo com
o currículo e a cultura local, de forma lúdica, tornando o aprendizado mais prazeroso.

CONCLUSÃO

Os autores citados acreditam que a música deva ser considerada um


elemento essencial do currículo escolar, uma vez que pode facilitar a integração e a
inclusão da criança na sociedade. Além de contribuir de forma significativa no
desenvolvimento cognitivo, social e educativo.
Atualmente algumas pesquisas demostram que ao inserir a música como
método auxiliar do desenvolvimento cognitivo e motor das crianças, sua percepção do
mundo vai além, transformando-a em um indivíduo crítico e capaz de perceber o
mundo ao seu redor e a tomar decisões coerentes.
Sendo assim a música deve ser utilizada pelo professor em seu currículo
escolar não só como ferramenta auxiliar do aprendizado, mas como um material

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pedagógico que vem desempenhando um excelente papel no ensino aprendizagem e
no desenvolvimento do ser humano social.
A música desde os tempos mais remotos tem se apresentado na vida dos
seres humanos de forma significativa como um excelente auxiliar no desenvolvimento
cognitivo, social e educativo de forma mais rápida e eficaz nas crianças, pois está
ligada a vários fatores anatômicos, emocionais, físicos e psicológicos.
A educação infantil por ser o primeiro contato da criança com o aprendizado
teórico, deve ser incentivada através da prática do aprendizado lúdico e prazeroso.
Sempre de forma estimulativa, rítmica e positiva, para facilitar o aprendizado.
A música na educação infantil vem quebrar barreiras e fazer com que a
criança goste da escola e se socialize, fazendo com que ela haja de forma respeitosa,
conhecendo seus limites e as regras pré-estabelecidas de convivência. A música
aparece também como facilitadora da criação de hábitos tais como, hora do lanche,
hora do soninho, hora de ir para casa.
Devemos instigar e propiciar mais estudos voltados para a contribuição da
música no aprendizado, não apenas das crianças, mas de todos de uma forma em
geral, inclusive no âmbito do aprendizado de novas línguas estrangeiras.
Dessa forma podemos concluir que a música na educação infantil é mais que
um elo ou uma ferramenta utilizada para facilitar o aprendizado, ela é de suma
importância para o desenvolvimento cognitivo, social e educativo da criança. Se
utilizada de forma correta, direcionada e estimulativa.

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