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The Power of Communion Copyright © 2017 Derek Prince Ministries – International.


O Poder da Ceia do Senhor Copyright © 2019 Derek Prince Portugal.

Título: O Poder da Ceia do Senhor


Tradução: Conceição Cabral
Redação: Christina van Hamersveld
Desenho da capa: Derek Prince Portugal

Este livro foi compilado a partir dos extensos arquivos dos materiais inéditos de Derek
Prince e editado pela equipe editorial dos Ministérios Derek Prince.

A versão bíblica usada neste livro é: Almeida Corrigida Revisada Fiel, sempre
que não seja mencionada informação contrária.

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O PODER DA CEIA DO SENHOR

Prefácio pela equipe editorial internacional de Derek Prince Ministries ………… 4

Capítulo 1 – Um começo surpreendente ……………………………………………… 5

Capítulo 2 – Um sacerdote para sempre ……………………………………………… 8

Capítulo 3 – A Ceia do Senhor; algo profundo ……………………………………. 10

Capítulo 4 – Os sete aspetos da Ceia do Senhor ………………………………… 12

Capítulo 5 – Aspeto 1- Proclamação ………………………………………………….. 16

Capítulo 6 – Aspeto 2- Memória ………………………………………………………... 17

Capítulo 7 – Aspeto 3- Antecipação …………………………………………………… 20

Capítulo 8 – Aspeto 4- Reconhecimento ……………………………………………. 22

Capítulo 9 – Aspeto 5- Participação …………………………………………………… 25

Capítulo 10 – Aspeto 6- Partilha …………………………………………………………. 29

Capítulo 11– Aspeto 7- Separação ……………………………………………………… 33

Capítulo 12 – A nossa atitude perante a Ceia do Senhor ……………………. 36

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Prefácio
Que resposta daria se alguém lhe perguntasse: “Quando ocorreu a primeira partilha do
pão e do vinho, a Ceia?” É bem provável que a sua resposta seria algo assim: “Na
Última Ceia, é claro. Todos sabemos isso!"

A maioria dos cristãos concordaria consigo. No entanto, pode ficar surpreendido com a
resposta dada por Derek Prince neste livro, O Poder da Ceia do Senhor.

O que está prestes a aprender nas páginas iniciais deste livro pode surpreendê-lo.
Como Derek habilmente aponta através das Escrituras, a Última Ceia não foi
necessariamente a primeira celebração da Eucaristia. A primeira troca de pão e vinho -
os elementos da Ceia do Senhor - ocorreu num evento histórico milhares de anos
antes.

Isso está referido numa descrição de uma batalha em Gênesis na qual Abrão, pai de
Israel, alcançou uma vitória. Naquele momento, Abrão encontra uma figura misteriosa
que vai ao seu encontro no Vale do Rei nas encostas a leste de Jerusalém. O líder
enigmático Melquisedeque, rei de Salém. Mas quem é ele realmente?

O começo incomum de Derek, no seu ensino sobre a Ceia do Senhor, irá cativar a sua
imaginação, assim como todo o estudo do tema neste livro. Desde o seu ponto de
partida em Gênesis até a cena pungente com Jesus e Seus discípulos no Cenáculo,
Derek irá levar-nos a uma jornada bíblica para uma compreensão mais profunda e rica
deste precioso sacramento que é a Ceia do Senhor que observamos em honra de
Jesus, assim como Ele comandou.

Ao longo do caminho, nós aprofundaremos os mistérios deste sacramento solene. Por-


quê somos solicitados a “comer” a carne de Jesus e “beber” o Seu sangue? Porquê
Jesus foi chamado de Sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque?
Que mudanças ocorrem em nós quando tomamos a Ceia do Senhor?

Estas e muitas outras perguntas são respondidas nas páginas a seguir. E um último
comentário: quando chegar ao final do livro, por favor, não pare. Continue lendo! De
certa forma, Derek salvou o melhor para o final. Nos capítulos finais, Derek partilha
connosco coisas da sua vida de uma maneira rara, tocante e pessoal. Através do que
ele compartilha de alguns dos momentos mais difíceis e ainda gratificantes da sua vida,
descobrirá o que a comunhão significava para Derek Prince.

Com uma tremenda erudição bíblica e relatos profundamente pessoais, Derek Prince
apresenta esse tema de uma maneira que irá impactar profundamente o seu
relacionamento com Jesus Cristo cada vez que você O encontra na Mesa do Senhor.
Esse impacto duradouro do Seu profundo amor por si, é o nosso sincero desejo e
oração por si ao ler este livro incrível - O Poder da Ceia do Senhor.

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CAPÍTULO 1
Um Começo Surpreendente
Algumas das mais belas e desoladores palavras já proferidas por Jesus foram estas:
“Façam isto em memória de Mim”. Estas são as palavras que Ele proferiu na noite
anterior à Sua crucificação, enquanto partia o pão com os discípulos no Cenáculo.

Durante estes últimos dias da Sua vida na terra, Jesus foi muito intencional. Ele estava
instituindo para nós o sacramento mais valioso da nossa fé cristã. Foi por isso que
escolhi “O Poder da Ceia do Senhor” como tópico deste livro. É vital para nós, cristãos,
conhecermos algumas verdades simples e básicas da Bíblia sobre esse poderoso
sacramento: a Ceia do Senhor.

Existem vários nomes usados entre os cristãos para esta cerimônia sagrada. Algumas
delas são a Eucaristia, a Ceia do Senhor, Comunhão, ou a Mesa do Senhor. Eu creio que
todos são nomes lindos, e não gostaria de desistir de nenhum deles. Não importa qual
deles eu possa usar, quero que entenda que, se pela sua tradição usa um nome
diferente, continuamos falando sobre o mesmo sacramento importante.

Um encontro intrigante
Pode-se supor que qualquer livro sobre “O Poder da Ceia do Senhor” começaria com
Jesus e os Seus discípulos na Última Ceia, onde Jesus instituiu a ceia da aliança do pão
e do vinho. No entanto, vou surpreendê-lo.

Eu gostaria de começar a nossa exploração do assunto da Ceia do Senhor examinando


uma passagem de Gênesis 14: 17–24. Estes versículos descrevem um encontro
intrigante entre Abrão (cujo nome ainda não havia sido mudado para Abraão) e uma
das personagens mais emocionantes e misteriosas do Antigo Testamento,
Melquisedeque.

Antes de olharmos para esses versículos, deixe-me salientar que o nome


Melquisedeque significa “Rei da Justiça”. Também nos é dito que ele era o Rei de
Salém, que é o nome original de Jerusalém (a primeira parte do nome foi adicionada
mais tarde). A palavra Salem está diretamente associada à palavra shalom, que você já
deve saber ser a palavra hebraica para paz. Então, pelo nome dele, esse homem era o
Rei da Justiça. Por sua localização, ele era o rei da paz.

Embora haja muito dito sobre Melquisedeque na epístola aos Hebreus, ele ainda
permanece, no final de tudo, uma figura um tanto enigmática. Muitos acreditam que
essa aparição em Gênesis 14 foi uma cristofania - isto é, uma manifestação de pré-
encarnação de Jesus. Outros acreditam de forma diferente. Um político cauteloso disse
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uma vez: "Alguns dos meus amigos são a favor disso e alguns são contra isso - e eu sou
a favor dos meus amigos". Por outras palavras, não tenho muita certeza de quem está
certo sobre se isso era ou não uma cristofania.

Também é interessante notar que no versículo 18 da passagem que estamos prestes a


estudar, encontramos o primeiro uso da palavra sacerdote, na Bíblia. A palavra
sacerdote e o conceito de sacerdócio são um dos grandes temas que percorrem toda a
Escritura. Como um princípio geral, a primeira vez que um conceito é introduzido na
Bíblia, essa primeira apresentação faz com que seja a semente de toda verdade
subsequente que sairá daquele conceito. Acredito que, aqui, isso é particularmente
verdade no que se refere ao primeiro uso da palavra sacerdote.

Pode perguntar: “Por que está introduzindo o tema da Ceia do Senhor com esta
passagem?” Quero salientar que neste encontro entre Melquisedeque e Abrão,
Melquisedeque apresentou a Abrão os mesmos ícones que estão no centro de cada
celebração da Ceia do Senhor, observado hoje - o pão e o vinho.

Salem vs. Sodoma


Com esse breve histórico, vamos direcionar a nossa atenção, agora, para o texto em
Gênesis 14. Abrão tinha acabado de resgatar o seu sobrinho Ló e a família de Ló,
recuperando todas as pessoas e todos os bens que haviam sido levados durante uma
batalha. O ataque veio de uma aliança militar de reis que invadiram Sodoma. Abrão e
os seus homens tinham superado os reis de Sodoma e Gomorra, que fugiram da
batalha.

Nós pegamos na história começando no versículo 17:

“Voltando Abrão da vitória sobre Quedorlaomer e sobre os reis que a ele se haviam
aliado, o rei de Sodoma foi ao seu [de Abrão] encontro no vale de Savé, isto é, o vale do
Rei. Então Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, trouxe pão e
vinho” (Gênesis 14:17,18)(NVI)

Quero que perceba que nesse momento crucial de sucesso, Abrão foi recebido por
dois reis: o rei de Salém, Melquisedeque e o rei de Sodoma. Estes eram reis em duas
cidades com conotações e destinos muito diferentes. Conforme a cena se desenrola,
descobrimos que Abrão foi subitamente confrontado com uma escolha. Em certo
sentido, ele teve que escolher entre esses dois reis.

Vamos ler o versículo 18 novamente e continuar a partir de lá:

“E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus
Altíssimo. E ele [Melquisedeque] abençoou-o [Abrão], e disse: “Bendito seja Abrão pelo

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Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; E bendito seja o Deus Altíssimo, que
entregou os teus inimigos nas tuas mãos.” E Abrão deu-lhe [Melquisedeque] o décimo
[ou dízimo] de tudo. E o rei de Sodoma disse a Abrão: “Dá-me a mim as pessoas, e os
bens toma para ti.” (Gênesis 14:18-21)

Por outras palavras, o rei de Sodoma estava dizendo: “Você me resgatou, todo o meu
povo e todas as minhas posses. Obviamente, você quer algo para isso. Ficarei contente
se apenas me deixar ficar com o meu pessoal. Quanto a mim, vou dar-lhe todo o
despojo que tirou.”

“Abrão, porém, disse ao rei de Sodoma: Levantei minha mão ao Senhor, o Deus
Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra, jurando que desde um fio até à correia de
um sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu
enriqueci a Abrão; Salvo tão-somente o que os jovens comeram, e a parte que toca aos
homens que comigo foram, Aner, Escol e Manre; estes que tomem a sua parte.”
(Gênesis 14:22-24)

De uma maneira muito firme, Abrão disse ao rei de Sodoma: "Eu não quero mesmo
nada de você”. Ele recusou o que o rei de Sodoma lhe ofereceu. Em vez disso, ele
aceitou o que Melquisedeque ofereceu. Este é um breve vislumbre de um princípio
que irei desenvolver mais tarde, porque nós também teremos que fazer essa escolha.
Por enquanto, gostaria de dar uma olhadela mais de perto, ao outro rei da nossa
história - Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote de Deus Altíssimo.

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CAPÍTULO 2
Um Sacerdote para Sempre
Começámos este livro sobre a Ceia do Senhor com o fascinante encontro entre Abrão e
Melquisedeque, a figura enigmática do Antigo Testamento, que muitos acreditavam
ter sido uma manifestação de pré-encarnação de Jesus Cristo. Em Gênesis 14:18, ele é
chamado de “sacerdote do Deus Altíssimo”. Como observei, é muito significativo que
este seja o primeiro lugar onde a palavra sacerdote e o conceito de sacerdócio são
introduzidos na Bíblia.

Até agora, aprendemos muito pouco sobre Melquisedeque, a partir do relato em


Gênesis que acabamos de citar. No entanto, o sétimo capítulo de Hebreus no Novo
Testamento expõe a natureza única do sacerdócio de Melquisedeque. Mais
importante ainda, afirma que Jesus é um sacerdote - não segundo a ordem de Levi,
mas segundo a ordem de Melquisedeque.

Em Hebreus 7:17, diz claramente: “Pois sobre ele [Jesus] é afirmado: "Tu és sacerdote
para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque".”(NVI) Esta é realmente uma
citação da declaração profética de David no Salmo 110: 4: “O Senhor jurou e não se
arrependerá: "Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de
Melquisedeque".”(NVI)

Dois Sacerdócios Separados


O escritor de Hebreus traça uma série de distinções claras entre o sacerdócio de
Melquisedeque e o sacerdócio de Levi. Contudo, o que quero enfatizar nesta secção é
que o sacerdócio de Melquisedeque foi o sacerdócio inicial, o arquétipo de todos os
sacerdócios. Foi um sacerdócio superior. O sacerdócio de Levi, introduzido 500 anos
mais tarde, sob a Lei de Moisés, era um sacerdócio inferior.

Curiosamente, se estudar os regulamentos do sacerdócio levítico, descobrirá que os


sacerdotes levíticos nunca tiveram nada a oferecer ao povo de Deus, que o povo de
Deus não tivesse oferecido a eles, primeiro. Mas Melquisedeque ofereceu a Abrão o
que Abrão nunca havia oferecido a Melquisedeque - pão e vinho.

Encontramos outro contraste entre os sacerdócios, no sentido de que os sacerdotes


levíticos só poderiam continuar no seu ofício sacerdotal pelo tempo da sua vida
humana. Hebreus 7:23 diz assim: “E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em
grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer,”.

Veja, a lei exigia uma sucessão contínua de sacerdotes, oferecendo os mesmos


sacrifícios repetidamente, ano após ano. Eles realizaram este serviço para si e para o
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povo - oferecendo sacrifícios que nunca trataram completamente da questão do
pecado.

No entanto, Hebreus 7: 26-27 descreve um sacerdócio superior:

“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos
pecadores, e feito mais sublime do que os céus; Que não necessitasse, como os sumos
sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados,
e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo.”

Um Sacrifício Eterno
Ao falar sobre Jesus como um Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, o
escritor de Hebreus diz que este Homem, depois de ter oferecido um sacrifício pelo
pecado para sempre, sentou-se à destra do Deus Altíssimo.

"Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está
assentado nos céus à destra do trono da majestade...”(Hebreus 8:1)

Os sacerdotes levíticos sempre se mantiveram de pé; eles nunca se sentaram. Jesus,


no entanto, era um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Depois de ter
oferecido o sacrifício de si mesmo na cruz, sentou-se. Vê o contraste? Eles ficaram de
pé; Ele sentou-se.

O que isto significa isto? Os sacerdotes levíticos mantiveram-se de pé porque a sua


tarefa nunca foi completada; eles nunca poderiam oferecer o último sacrifício. Em
contraste, Jesus sentou-se - porque Ele ofereceu um sacrifício pelo pecado para
sempre. Ele nunca teria que oferecer mais nenhum sacrifício.

Vemos, portanto, que a posição levítica era um sacerdócio temporário. Mas a posição
de Jesus é um sacerdócio eterno. Eles ofereceram muitos sacrifícios pelo pecado que
nunca lidaram conclusivamente com a questão do pecado. Mas Jesus ofereceu um
sacrifício pelo pecado que tratou do pecado para sempre e nunca teve que ser
repetido. Eles ficaram de pé. Mas Jesus sentou-se - e Ele ofereceu aquilo que eles
nunca haviam oferecido a Ele.

Vamos continuar a dar a nossa atenção à diferença marcante entre o sacerdócio


levítico e a sua oferta e o sacrifício que Jesus, de uma vez por todas, ofereceu em
virtude de Seu sacerdócio eterno.

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CAPÍTULO 3
A Ceia do Senhor; algo Profundo
Neste breve capítulo, espero unir a história da Ceia do Senhor no Novo Testamento
com o que temos descoberto através das escrituras que examinamos até agora.
Começamos o nosso estudo em Gênesis 14, onde Abrão encontra Melquisedeque,
“sacerdote do Deus Altíssimo”. A seguir, brevemente, pegamos no tópico nos Salmos,
onde David se refere àquele encontro em termos eternos e messiânicos: “Tu és um
Sacerdote eterno. segundo a ordem de Melquisedeque”(Salmo 110: 4). E depois, vimos
como o escritor de Hebreus interpretou esse eterno sacerdócio de Melquisedeque
para os crentes judeus, que só conheceram o sacerdócio de Levi.

Tendo estabelecido esta base, seria bom direcionar a nossa atenção para Mateus 26 -
a descrição da Ceia do Senhor. A minha esperança, à luz do que compartilhei até
agora, é que algumas verdades, capazes de mudarem uma vida, se tornarão
imediatamente óbvias para si. Vamos ler Mateus 26, versículos 26–29, que descrevem
a cena da Última Ceia em que Jesus instituiu a Eucaristia. Independentemente do
nome que preferir usar para este evento – a Ceia do Senhor, a Mesa do Senhor, a
Última Ceia ou a Comunhão - esses versículos retratam um dos momentos mais
profundos de toda a Escritura.

“E, quando comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o [ou tendo abençoado ou
tendo dado graças], o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu
corpo. E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; Porque
isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para
remissão dos pecados. E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide,
até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai.”

O Reaparecimento do Primeiro Sacerdócio


Qual foi o significado de Jesus tomar o pão e depois o vinho e oferecer esses
elementos aos seus discípulos? O que lhes estava dizendo? Ele estava dizendo: “Em
Mim, vocês veem o sacerdócio de Melquisedeque reaparecendo. Foi suspenso durante
o período em que a Lei era a aliança. Agora, na Nova Aliança, o sacerdócio de
Melquisedeque está sendo restaurado”.

Curiosamente, como já referi anteriormente, Melquisedeque era ao mesmo tempo um


rei e um sacerdote. Sob a Lei de Moisés, no entanto, a realeza e o sacerdócio estavam
separados - e eles não poderiam ser unidos. Isso porque os sacerdotes tinham que vir
da tribo de Levi e o rei vinha obrigatoriamente da tribo de Judá. Um rei nunca poderia

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ser um sacerdote - e um sacerdote nunca poderia ser um rei. Essa distinção é mais
uma indicação da inferioridade do sacerdócio levítico.

No entanto, tudo mudou quando Jesus se levantou na Última Ceia e apresentou o pão
e o vinho. Com esse ato, Ele queria dizer: “Aqui está o sacerdócio de Melquisedeque,
que foi, por assim dizer, mantido em suspensão durante o período da Lei de Moisés.
Agora está restabelecido em mim. Eu sou um sacerdote - não segundo a ordem de Levi
- mas segundo a ordem de Melquisedeque.”

Através desse ato de apresentar o pão e o vinho na Última Ceia, Jesus instituiu a Nova
Aliança no Seu sangue. Ao tomar o copo, Ele disse: “Esta é a aliança do Meu sangue
que deve ser derramado em favor de muitos para o perdão dos pecados.”

Esta, é, pois, a origem, segundo as Escrituras, da Ceia do Senhor. É o restabelecimento


do sacerdócio de Melquisedeque - o mais alto sacerdócio, o sacerdócio original. Além
disso, os ícones que Jesus ofereceu aos seus discípulos foram os mesmos que
Melquisedeque ofereceu a Abrão. Através da Ceia do Senhor, Jesus restabeleceu o
sacerdócio de Melquisedeque - assim como os elementos sagrados que usamos para
celebrar a Ceia do Senhor. Nos capítulos seguintes, descobriremos o significado dessa
restabelecimento.

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CAPÍTULO 4
Os Sete Aspetos da Ceia do Senhor
No livro de Gênesis, o encontro entre Abrão e Melquisedeque revelou um breve e
profético vislumbre do maravilhoso plano de Deus para a nossa redenção. O pão e o
vinho que Melquisedeque ofereceu a Abrão foram um prenúncio do sacramento da
Ceia do Senhor, que Jesus instituiu dois mil anos depois no Cenáculo, na noite anterior
à Sua crucificação. Estes foram os símbolos da crucificação: o pão, o Seu corpo; o
vinho, o Seu sangue. Com esses símbolos, Jesus promulgou a Nova Aliança em Seu
sangue e reinstituiu o sacerdócio de Melquisedeque. Naquela noite da Última Ceia, o
nosso Salvador deu-nos um lindo e solene sacramento, instruindo-nos com estas
palavras: “Faça isso com frequência, em memória de Mim”.

O que nos ensina o Novo Testamento sobre a nossa participação nesta Ceia do
Senhor? Acredito que a Bíblia revela sete aspetos da Ceia do Senhor: três que falam do
nosso relacionamento com Cristo, três que falam do nosso relacionamento com o
corpo de Cristo e um que fala do nosso relacionamento com o mundo. Esses sete
aspetos serão o foco dos próximos capítulos deste livro.

Antes de começarmos esse segmento do nosso estudo, quero destacar dois princípios
dos capítulos 10 e 11 de I Coríntios. Essas passagens das escrituras fornecerão a base
para a discussão que se seguirá.

Compartilhando e participando
Iniciaremos com I Coríntios 10, começando no versículo 14. Tenha em mente que a
questão que Paulo abordou aqui dizia respeito ao tipo de comida que os cristãos em
Corinto podiam permitir-se comer. Eis a pergunta: os cristãos poderiam comer
alimentos vendidos nos “matadouros” - os matadouros do templo? Seria permissível
que eles consumissem alimentos que haviam sido inicialmente oferecidos em sacrifício
a ídolos pagãos nos templos pagãos? Essa foi a questão - e em ligação com esta
questão, Paulo apresenta-nos algumas lições sobre a Ceia do Senhor.

“Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Falo como a entendidos; julgai vós mesmos
o que digo. Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do
sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de
Cristo?” (I Coríntios 10:14-16)

A palavra “comunhão” - significa “ter algo em comum”. Quando participamos do pão e


do cálice, estamos afirmando algo que todos nós compartilhamos - algo que todos
temos juntos em comum com todos os outros crentes.

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“Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos
participamos do mesmo pão.”(I Coríntios 10:17)

Outra faceta da Ceia do Senhor é que todos nós participamos do corpo de Cristo.
Todos nós temos uma participação pessoal no corpo de Cristo - e também
compartilhamos o corpo de Cristo uns com os outros.

“Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma
coisa? Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios,
e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. Não podeis beber
o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do
Senhor e da mesa dos demônios.”(I Coríntios 10:19-21)

Por outras palavras, a comida e a bebida em questão aqui eram uma forma de
adoração demoníaca, porque esses ídolos pagãos eram ídolos demoníacos. A comida
que estava sendo vendida nos matadouros do templo havia sido sacrificada aos
demónios.

Melquisedeque ou Sodoma?
Relacionando esses versículos de I Coríntios com a nossa passagem de Gênesis acerca
da Ceia do Senhor, vemos que esta foi a mesma questão que confrontou Abrão.
Quando Melquisedeque encontrou Abrão no Vale do Rei, Abrão teve que escolher
entre o que Melquisedeque estava oferecendo e o que o rei de Sodoma oferecia. De
alguma forma a sua consciência lhe disse que ele não poderia participar de ambos. E
nem nós podemos.

Vamos terminar a nossa análise de I Coríntios 10 citando o versículo 21 novamente,


até o final do versículo 22.

“Vocês não podem beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios; não podem
participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Porventura provocaremos o
ciúme do Senhor? Somos mais fortes do que ele?” (I Coríntios 10:21-22)(NVI)

Como veremos na conclusão deste livro, devemos estar cientes de que a nossa
participação na Ceia do Senhor é separada e distinta de qualquer outra atividade
mundana.

Aproximando-se da mesa do Senhor


A segunda passagem que quero examinar brevemente antes de cobrirmos os sete
aspetos da Ceia do Senhor encontra-se no próximo capítulo de I Coríntios, capítulo 11.

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A questão que Paulo abordou aqui também foi bastante séria: como nos aproximamos
da Mesa do Senhor. Vamos começar no versículo 23:

“Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite
em que foi traído, tomou o pão; E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei;
isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim.
Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o
novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória
de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais
a morte do Senhor, até que venha. Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o
cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.” (I
Coríntios 11:23-27)

Eu regularmente traduzo a palavra culpado na última linha desta passagem como terá
responsabilidade perante do, terá de dar contas ao. Uma vez que participamos dessa
celebração da Ceia do Senhor, deixamos muito claro que conhecemos o ensinamento
do Novo Testamento. Quais são os pontos básicos desse ensinamento? Jesus, na cruz,
morreu pelos nossos pecados e derramou o Seu sangue para nossa redenção. A partir
do momento em que participamos na Ceia do Senhor, teremos de dar contas pelo que
sabemos.

Nesse contexto, continuamos agora com o versículo 28 e 29:

“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice.
Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação,
não discernindo o corpo do Senhor.”

A mesma palavra raiz para discernir é usada quando o Novo Testamento se refere ao
dom de discernir espíritos. Pelo que entendi desse conceito em uso no Novo
Testamento, a palavra significa ver abaixo da superfície e ver a realidade espiritual
interior.

Continuando, vemos que ambos os versículos 29 e 30 têm observações muito


importantes:

“Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não
discernir o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e
muitos que dormem.”

Essa frase, “muitos que dormem”, significa “muitos que morreram prematuramente”.
Percebe que é possível morrer antes do seu tempo? Esta passagem mostra-nos a
seriedade, a santidade e a solenidade da mesa do Senhor. Como eu disse
anteriormente, estes versículos são muito importantes. Se participarmos erradamente,
pode ser uma causa de doença e até de morte prematura.

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Como nós participamos
De origem, sou anglicano. Num certo sentido, alguns dos ensinamentos da Igreja
Anglicana quase fariam a salvação depender da própria Ceia do Senhor. Mas essa não
é a verdade completa. Depende de como você participa da Ceia do Senhor. Longe de
ser o meio de salvação, pode ser o oposto. Pode realmente ser o meio de julgamento.
Portanto, devemos ter cuidado para não basear o nosso conceito do nosso
relacionamento com Deus meramente em participar da Ceia do Senhor. Depende se
nós participamos disto correta ou erradamente. Isso, como dissemos, é um assunto
muito sério.

Vamos terminar o nosso prefácio dos sete aspetos da Ceia do Senhor, examinando os
versículos 31 e 32:

“Mas, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados;


quando, porém, somos julgados pelo Senhor, somos corrigidos, para não sermos
condenados com o mundo.”

Pode ver que o Senhor está fazendo tudo o que Ele pode fazer por nós nesta situação?
Primeiro de tudo, Ele diz: “Se você se julgar a si próprio e assim participar de maneira
digna, não precisarei discipliná-lo”. Então Ele diz: “Se você não julgar a si mesmo,
então eu terei de o disciplinar. Mas mesmo se eu o disciplinar, isso é melhor do que
ser julgado com o mundo”. O julgamento com o mundo é o desastre final que
precisamos evitar.

Tendo estudado essas passagens em I Coríntios 10 e 11, agora estamos prontos para
passar para a próxima parte do nosso estudo: os sete aspetos principais da Ceia do
Senhor. É minha esperança que esses aspetos forneçam uma compreensão ainda mais
profunda de como nos relacionamos com Jesus e com o Seu corpo quando estamos
participando deste lindo e solene sacramento da Ceia do Senhor.

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CAPÍTULO 5
Aspeto 1: Proclamação
No início do capítulo anterior, fizemos a seguinte pergunta: O que nos ensina o Novo
Testamento, como cristãos sobre a nossa participação no sacramento da Ceia do
Senhor? Em resposta a essa pergunta, afirmei que a Bíblia revela sete aspetos
principais, que irei apresentar numa ordem específica. Os três primeiros dizem
respeito ao nosso relacionamento com Cristo. Os três seguintes dizem respeito ao
nosso relacionamento com o corpo de Cristo. E o último diz respeito ao nosso
relacionamento com o mundo.

Em relação ao próprio Jesus Cristo, creio que participar da Ceia do Senhor tem três
aspetos. Primeiro, proclamação; segundo memória; e terceiro, antecipação. Neste
curto capítulo, veremos o primeiro aspeto, a proclamação, lendo as palavras de Paulo
em 1 Coríntios 11:26:

“Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis
anunciando [proclamando] a morte do Senhor, até que ele venha.”

Proclamando para o universo


Este versículo o diz de forma muito simples. Ao participar da Ceia do Senhor, estamos
proclamando a morte do Senhor. Não estamos apenas proclamando essa verdade aos
nossos irmãos. Na verdade, não acho que isso seja o factor mais importante. Melhor, é
que estamos proclamando isso para o mundo. Mas, ainda mais importante, estamos
proclamando a morte do Senhor para todo o reino invisível. Estamos proclamando aos
anjos, tanto bons como maus; aos espíritos, bons e maus. Estamos proclamando ao
universo inteiro a morte de Jesus Cristo. É um ato autoritário e poderoso de
proclamação.

Pode não ser um pregador por ministério ou chamado. Mas quando participa desses
símbolos, está fazendo uma proclamação de tremendo significado. Está proclamando
para todo o universo que Jesus Cristo, o Filho de Deus, morreu e derramou o Seu
sangue em seu favor para redimi-lo. Está proclamando a sua fé Nele como Salvador.
Está proclamando a sua fé na Sua morte expiatória em seu favor.

Este, então, é o primeiro aspeto: a comunhão é primariamente um ato de


proclamação. Como Paulo disse no versículo, acabamos de ler “. . . estareis
anunciando [proclamando] a morte do Senhor, até que ele venha.”.

16
CAPÍTULO 6
Aspeto 2- Memória
O segundo aspeto da Ceia do Senhor em relação a Jesus é a memória. Quando
tomamos a Ceia do Senhor, olhamos para a Sua morte. O próprio Jesus fez questão da
memória, conforme citado por Paulo em I Coríntios 11:25:

“Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes,
em memória de mim.”

Então Paulo acrescenta o aspeto de recordar a Sua morte no versículo 26:

“Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis
anunciando [proclamando] a morte do Senhor, até que ele venha.”

Sacramentos e Ordenanças
Para nos ajudar com a memória, existem tradições na vida cristã. Estas são
normalmente chamadas de sacramentos ou ordenanças, dependendo do que o seu
contexto denominacional específico ensina. Em essência, um sacramento ou uma
ordenança é uma apresentação das verdades mais importantes do evangelho. Essas
verdades são tão significativas que Deus, em Sua soberana sabedoria, organizou uma
maneira especial de enfatizá-las. Não os apresentamos só em palavras - também os
apresentamos em atos simbólicos.

Durante cinco anos da minha vida, fui instrutor de professores para escolas no leste da
África. Um dos conceitos que incutimos nos nossos professores estagiários foi este
princípio: “As crianças lembram-se de quarenta por cento do que ouvem, sessenta por
cento do que ouvem e veem e oitenta por cento do que ouvem, veem e fazem”. As
percentagens podem ter mudado ao longo dos anos, mas o princípio permanece o
mesmo. Se quiser ter o máximo impacto na mente de uma criança, vá além de apenas
permitir que uma criança ouça uma verdade. Deixe a criança ouvir, ver e fazer. Deixe
que essas crianças traduzam o que aprendem numa ação que elas mesmas realizam.

Da forma que entendo, com sacramentos ou ordenanças, o mesmo princípio se aplica.


As grandes verdades básicas do Novo Testamento são tão importantes que Deus
ordenou-nos que não as ouvíssemos apenas, nem mesmo que somente as ouvíssemos
e víssemos. Em vez disso, ele insiste em que temos de os ouvir, ver e praticar.

Em todo o Corpo de Cristo, existem diferentes tradições quanto ao número de


sacramentos ou ordenanças de facto ensinados no Novo Testamento. O espaço não

17
permite uma apresentação de todos eles aqui. Mas, para os nossos propósitos neste
capítulo, destacarei brevemente três sacramentos da Igreja.

1 o Batismo - O primeiro desses sacramentos é o batismo. Este é o sacramento ou a


ordenança de iniciação pelo qual nos tornamos publicamente identificados com Cristo
e Seu corpo. É um ato. Independentemente de forma em que é feito - o ensinamento
básico sobre o batismo compartilhado por todas as principais igrejas cristãs é o
mesmo. É um ato público de identificação com o Senhor Jesus Cristo na Sua morte,
sepultamento e ressurreição.

Aqui está a minha crença pessoal. Sem esse ato de identificação, um crente não tem o
direito de reivindicar um lugar no corpo de Cristo. Não há um exemplo no Novo
Testamento de alguém reivindicando salvação sem ser batizado. Não encontrará nem
um. Em Marcos 16:16, Jesus disse: “Quem crer e for batizado será salvo”. Esse
sacramento é de tal importância - nossa identificação com Jesus na morte,
sepultamento e ressurreição - que Deus o ordenou para todos os crentes. Toda vez
que uma pessoa é admitida no corpo de Cristo, eles confirmarão essa entrada com
essa ação. Não só isso, mas todos aqueles que testemunham este batismo são
lembrados de sua importância.

2 a Unção dos doentes. Outra ordenança ou sacramento é a unção dos enfermos com
óleo. Essa verdade é tão importante que Deus não nos deixa apenas ouvir, ou ouvir e
ver, mas Ele habilita-nos a representá-la.

Qual é o significado de ungir os doentes com óleo? Ao longo das Escrituras, o óleo
sempre tipifica o Espírito Santo. Quando ungimos os doentes com óleo, estamos
declarando a todo o universo que acreditamos que o Espírito Santo fará o que a
Escritura diz que Ele fará. Ele despertará; Ele dará a vida; e Ele restaurará a saúde ao
corpo do crente doente.

3 a Ceia do Senhor. O terceiro sacramento ou ordenança é a ordenança da Ceia do


Senhor, a Eucaristia, ou a Comunhão. Neste sacramento, estamos declarando que
Jesus Cristo, o Filho de Deus, morreu e derramou o Seu sangue na cruz por nós. Toda
vez que fazemos isso, fazemos isso em memória Dele. Deus nunca quer que nos
esqueçamos do facto de que Jesus morreu por nós como pecadores.

Estou convencido de que muitos cristãos passam por muitos problemas espirituais
porque as suas mentes não estão focadas na morte de Jesus. Eles dizem: “Eu pergunto
a mim próprio se Deus me ama. Deus esqueceu-se de mim?”. Não poderia falar assim
se se lembrasse da cruz. A cruz é a demonstração supremo do amor de Deus para cada
um de nós.

Leia novamente as palavras em Romanos 8:32:

18
“Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós,
como nos não dará também com ele todas as coisas?”

Esta é a garantia de que a herança total é nossa. Deus está dizendo: “É tão importante
- especialmente em tempos de escuridão, teste e pressão - que meu povo pratica este
sacramento e essa ordenança. Ao tomar a Ceia do Senhor, lembrar-se-á
continuamente do facto da morte e do sacrifício de Jesus por si”. Deus está dizendo:
“Eu quero que esqueça isso, nunca. Quero que seja continuamente lembrado disso.”

Tome a Ceia do Senhor frequentemente


Na versão King James, I Coríntios 11:25 diz que quando Jesus tomou o cálice, Ele disse:
“…fazei isto, tão frequento quanto [todas as vezes ACF, sempre NVI], que beberdes,
em memória de mim.”. Alguns críticos de certas seções da Igreja Protestante disseram:
“Nós mudamos isso para 'tão raramente quanto beberdes’”.

Fiquei completamente convencido de que os crentes deveriam lembrar-se


regularmente da morte do Senhor. Algumas das igrejas com as quais eu me associei
não observavam a Ceia do Senhor com frequência suficiente. O que estou prestes a
dizer em seguida pode chocar ou abençoá-lo, mas Ruth e eu decidimos tomar a Ceia
do Senhor juntos todas as manhãs. Eu jamais quero esquecer a Ceia do Senhor.

Diz-se que Smith Wigglesworth, um dos grandes evangelistas pioneiros do movimento


pentecostal, queria tomar a Ceia do Senhor aonde quer que conseguisse. Durante as
suas viagens evangelísticas, ele literalmente ia à procura de qualquer igreja que tivesse
uma celebração da Ceia do Senhor. Quando encontrava uma, entrava e compartilhava
aquele sacramento. Eu verdadeiramente acredito que muitos dos nossos problemas -
espirituais, emocionais, psicológicos - se devem ao facto de não nos lembrarmos da
morte do Senhor com tanta frequência.

19
CAPÍTULO 7
Aspeto 3 – Antecipação
O terceiro aspeto da Ceia do Senhor em relação a Jesus é a antecipação. Está
intimamente ligado aos dois primeiros: proclamação e memória. Faremos referência a
I Coríntios 11:26 mais uma vez - desta vez prestando muita atenção ao final:

“Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte
do Senhor [mas não para sempre], até que venha.”

Não nos limitamos a olhar para a Sua morte e a proclamar. Pelo contrário, nós também
esperamos a Sua vinda! Toda vez que observamos essa ordenança juntos, estamos
lembrando essas duas verdades: em primeiro lugar, que Jesus morreu na cruz pelos
nossos pecados; em segundo lugar, que Ele está vindo de novo!

Se você e eu pudéssemos realmente viver - momento a momento - na consciência de


que Jesus morreu por nós no passado e que Ele está vindo para nós no futuro, muitos
dos nossos surtos de depressão e humor sombrio nunca surgiriam.

Essa afirmação foi lindamente expressa por um velho santo das gerações passadas, Sir
Robert Anderson, num livro que ele escreveu chamado ‘The Coming Prince’ (O Príncipe
que há de vir). Nesse livro, ele disse que quando partilhamos da Ceia do Senhor, tudo o
mais desaparece de vista. Naquele momento, concentramo-nos apenas nos assuntos
que realmente importam. É assim que Anderson expressa: “Nenhum passado a não ser
a cruz; nenhum futuro, a não ser a vinda.

Quão bom é quando deixamos que todos os assuntos menores, incidentais, que nos
incomodam e nos confundem desapareçam da vista por algum tempo. Nós olhamos
para trás para a cruz - e então olhamos para a frente, para a vinda.

Venha depressa, Senhor Jesus!


Houve períodos de reavivamentos e renovações passadas em que os cristãos estavam
muito conscientes da vinda do Senhor. Até mesmo a conversa deles era marcada por
uma expetativa - como se o Senhor estivesse chegando nos próximos cinco anos. Mas,
Ele não veio. Como resultado, vimos o tipo errado de reação: "Bem, é tolice falar sobre
a vinda do Senhor".

No entanto, no que me diz respeito, não é tolice falar sobre a vinda do Senhor. Eu
acredito que o Senhor está vindo, e acredito que Ele está vindo em breve. Eu acredito
que virá de repente. O Novo Testamento termina com esta oração: “Aquele que dá

20
testemunho destas coisas diz: "Sim, venho em breve! " Amém. Vem, Senhor Jesus!”
(Apocalipse 22:20, NVI).

Eu acho que há algo errado com a nossa condição espiritual, se não podermos fazer
essa oração com um coração sincero. Essas palavras foram escritas há cerca de vinte
séculos atrás. Foi tolice orá-las, então? Não, tanto quanto sei.

Não importa o que façamos como Corpo de Cristo (e temos grandes responsabilidades
na Terra que ainda não cumprimos), estou convencido de que a única solução
definitiva para os problemas da Terra é o retorno pessoal de Jesus. Se ele não voltar,
estamos numa confusão da qual nunca sairemos.

O Príncipe que há de vir


Com a conclusão deste capítulo, temos analisado os três primeiros aspetos da nossa
participação na Ceia do Senhor. Deixe-me repetir esses três aspetos no nosso
relacionamento com Cristo. Primeiro, proclamação; segundo, memória, olhando para
o passado; terceiro, antecipação; olhando para o futuro.

Por que não fechamos esta seção do nosso estudo repetindo as palavras de Sir Robert
Anderson, que resumem esse capítulo com esplendor? (Sugestão: Talvez pudesse lê-
las em voz alta, como uma proclamação da sua preferência.)

Repitamos:

‘Não há passado a não ser a cruz; não há futuro, a não ser a vinda!’

21
CAPÍTULO 8
Aspeto 4 – Reconhecimento
Neste e nos dois capítulos seguintes, começaremos a examinar os três aspetos
seguintes da Ceia do Senhor – os aspetos quatro, cinco e seis. Quando estamos
observando a Mesa do Senhor, esses aspetos falam do nosso relacionamento com o
corpo de Cristo. As três palavras que escolhi para esses aspetos são reconhecimento,
participação e partilha.

Neste capítulo, o aspeto em que nos concentraremos é o reconhecimento. Vamos


começar dando outra olhada num versículo previamente examinado neste estudo, I
Coríntios 11:29:

“Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação,
não discernindo o corpo do Senhor.”

Em relação ao quarto aspeto, reconhecimento, creio que este versículo tem duas
aplicações muito importantes para nós, pessoalmente. Talvez a palavra discernir nos
ajude a ver essas aplicações mais claramente.

Vendo abaixo da superfície


De tempos a tempos, durante os meus anos no ministério de libertação, o Senhor deu-
me o dom do discernimento de espíritos. Quando esse dom funcionava, era como se
eu pudesse ver abaixo da superfície da personalidade do irmão ou da irmã em busca
de ajuda. Eu era capaz de perceber algo na condição espiritual interna desta pessoa -
algo além do que poderia ser revelado aos sentidos naturais. Eu poderia, de certo
modo, reconhecer a realidade interior. Muitas vezes tenho discernido nas pessoas o
espírito da morte operando nelas. Não posso dizer exatamente como, mas eu percebia
quando via - como se estivesse penetrando com o meu olhar no interior do seu
espírito.

Durante a Ceia do Senhor, creio que é assim que devemos ver o pão - o elemento que
representa o corpo de Cristo. Primeiro, olhamos para o pão e vemos apenas pão
simples. Algumas pessoas, como eu, preferem tomar o pão ázimo da Páscoa. Outras
pessoas em certas tradições da igreja tomam hóstias. Eu lembro-me de mim ainda um
menino, crescendo na Igreja Anglicana, compartilhando hóstias.

Pão sem fermento é obviamente o que Jesus e Seus discípulos compartilharam, porque
era a Páscoa e eles não podiam comer nada com fermento. Para nós, quer seja uma
hóstia, um pedaço de pão ázimo, pão sem fermento ou apenas um pedaço de pão
cozido comum, podemos discernir o seu significado superior. Se exercitarmos o
22
discernimento, reconheceremos a realidade abaixo da superfície. O que vamos ver?
Vamos ver o corpo do Senhor.

Duas aplicações
Eu pessoalmente acredito que quando participo da Ceia do Senhor, tendo cumprido as
condições de Deus, aquele pedaço de pão com que me estou alimentando, é o corpo
do Senhor. Não estou fazendo algo simbólico; eu estou fazendo algo real. Não é
apenas um símbolo; é o corpo do Senhor. Isso é discernir. Essa é a primeira aplicação
de "…discernindo o corpo do Senhor".

No entanto, Paulo diz que, porque é um só pão, somos um só corpo. Então, o pão não
apenas representa como se torna para mim o corpo do Senhor, do qual participo e me
alimento. Também representa para mim o corpo coletivo do Senhor - a Igreja, que é o
Seu corpo. Esta é a segunda aplicação da escritura “…discernindo o corpo do Senhor”.
Mais uma vez, nós precisamos de discernimento para entender esses conceitos
importantes.

Meu amigo, Bob Mumford, dizia regularmente: "O Senhor tem muitos filhos
estranhos!". Ao natural, poderia olhar para a pessoa ao seu lado numa celebração da
Ceia do Senhor e pensar: "Eu não vejo muito com que ficar animado!” Ou então, pode
olhar-se no espelho e talvez pensar o mesmo sobre si próprio.

Mas quando estamos tomando a Ceia do Senhor, devemos ver abaixo da superfície.
Quando olho para o meu irmão ou a minha irmã no banco ao meu lado ou na minha
frente, não vejo apenas uma pessoa - vejo um membro do corpo de Cristo. Eu vejo
alguém por quem Jesus morreu e derramou o Seu sangue.

Eu devo perceber que, se eu não aprecio e honro aquela pessoa, estou provocando
sofrimento no coração do Senhor. Por quê? Porque o Senhor ama aquele querido
santo sentado perto de mim o suficiente para morrer por essa pessoa. O Senhor só
pode chorar amargamente se tivermos uma atitude errada e depreciativa em relação a
um membro do Seu corpo.

Cuidando Um do Outro
Creio que esse foi o verdadeiro problema dos coríntios. Havia muitos relacionamentos
errados entre eles. Eles não discerniram - ou reconheceram - o corpo do Senhor um no
outro. Consequentemente, Paulo disse lhes: “Por causa disto há entre vós muitos
fracos e doentes, e muitos que dormem [até tenham morrido].” (I Coríntios 11:30).
Esta poderia ser uma das principais causas de doença entre os cristãos hoje em dia?

23
Pode bem ser, porque muitos cristãos não tratam uns aos outros como membros do
corpo de Cristo. Eu digo isso com profundo pesar.

A verdade é que todos nós fomos maltratados. Em certas ocasiões, quando eventos
dolorosos aconteceram comigo como resultado das ações de um colega crente, eu
tenho sentido vontade de dizer: “Com amigos assim, eu não preciso de inimigos.” E
ainda assim, eu não acredito que tenha sofrido pior do que outros. De facto, no geral,
acho que muitos outros sofreram mais do que eu.

Portanto, este aspeto da Ceia do Senhor, reconhecimento, tem a ver com


discernimento. Trata-se de olhar abaixo da superfície / além do exterior e reconhecer a
realidade interior - a permanente, a espiritual e a eterna.

Existem duas aplicações desse aspeto. Primeiro de tudo, naquele pequeno pedaço de
pão na sua mão, está o próprio corpo do Senhor, se participar corretamente. Segundo,
residindo nas pessoas ao seu redor que participam do mesmo pão está o corpo vivo do
Senhor. Eles são os membros do Seu corpo. Oremos para que possamos discernir uns
aos outros como deve ser.

Paulo levanta outra importante consideração no versículo seguinte: “Examine-se pois,


o homem a si mesmo e assim, coma deste pão e beba deste cálice” (I Coríntios 11:28).

Estou tão feliz por não ter que examinar outras pessoas. De facto, a verdade é esta: eu
tenho um trabalho a tempo inteiro, examinando-me a mim próprio!

24
CAPÍTULO 9
Aspeto 5 – Participação
O próximo aspeto da Ceia do Senhor em relação ao corpo de Cristo é a participação.
Para começar esta secção, veremos novamente I Coríntios 10:17:

“Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos


participamos do mesmo pão.”

Quando participamos (um verbo) do pão, essa é a nossa participação (um substantivo)
na Ceia do Senhor. Nós somos participantes. Em relação a isto, gostaria de ler João 6:
53–58:

“Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne
do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós
mesmos.”(João 6:53)

Aqui está o ponto chave deste versículo: existe apenas uma fonte de vida. Está na
carne e no sangue do Senhor.

Certa vez, vivi numa comunidade árabe na então Palestina, hoje conhecida como
Israel. Eu morava numa cidade chamada Ramallah. Durante o meu tempo em
Ramallah, descobri que quando os crentes árabes tomam a Ceia do Senhor, eles
realmente dizem (em árabe): “Queremos beber o sangue de Jesus”. Essa é a frase que
eles usam. Na verdade, acho que é muito apropriado.

Naturalmente, há algo em cada ser humano que retrai com o pensamento de se


alimentar da carne e beber o sangue do Senhor. Esse factor certamente estava
presente com os discípulos. Quando Jesus disse essas palavras em João 6, alguns dos
seus discípulos O abandonaram. Eles disseram: "Nós não podemos ter esse tipo de
conversa." Em contraste com essa reação, eu ensinei a mim próprio, por muitos anos,
a humilhar-me diante da Palavra de Deus, não contestá-la. Jesus disse: “A menos que
você coma a minha carne e beba o meu sangue, você não tem vida”. Essa afirmação é
verdadeira. Isso resolve tudo. Quando Jesus diz algo assim, Ele tem a última palavra na
questão.

Ressurreição
Vamos continuar com o nosso estudo de João 6 citando o versículo 54:

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o
ressuscitarei no último dia.” (João 6:54)

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Não sei se pode ou não aceitar o que estou prestes a dizer, mas passei muito tempo
pesquisando e meditando sobre o assunto da ressurreição. De facto, escrevi um livro
chamado Ressurreição do Corpo. Como todos os cristãos ortodoxos de todas as idades,
acredito na ressurreição do corpo como parte do Credo dos Apóstolos. Eu não acredito
que Deus nos vai dar um corpo diferente, ou algum outro corpo. Ele vai devolver-nos o
mesmo corpo, num estado glorificado. Acredita nisso? Se não acredita, precisa ler o
que está escrito na sua Bíblia.

Como o Senhor vai reunir todos os remanescentes dispersos de um corpo que está
morto há séculos? Por fim, pode ter que direcionar essa questão para o Senhor. Mas
eu simplesmente acredito que ele vai fazer isso.

Se estou certo, parece-me que o que o Senhor está dizendo neste versículo é algo
assim: “Quando você participa do pão e do cálice com fé, cumprindo as condições, algo
acontece ao seu corpo físico que garante que vou ressuscitá-lo.”

Nós seremos mudados


Acredito, quando toma a Ceia do Senhor em fé, que a partir daí o seu corpo é diferente
do corpo de uma pessoa que nunca participou do corpo e do sangue do Senhor.
Haverá um momento em que o Senhor ordenará ao arcanjo Gabriel que toque a
trombeta - quando Ele der o grito que despertará os mortos em Cristo. Naquele
momento, todas aquelas pequenas partes do seu corpo - não importa onde ou quando
elas foram espalhadas - irão juntar-se num salto e formar um só. Você surgirá com um
novo corpo glorificado; novo no sentido de ser glorificado - mas o mesmo no sentido
de ter as mesmas partes constituintes que o seu corpo tinha quando ainda estava vivo.
A meu ver, a garantia da ressurreição é participar do corpo e do sangue do Senhor.
Como esse versículo, em João 6:54, diz:

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna...”

Por favor repare que não diz que terá, mas que tem.

“...e eu o ressuscitarei no último dia.”

Essa é uma garantia que nos é dita diretamente, por Jesus.

Enfrentando Sofrimentos
Quando a minha primeira esposa, Lydia, foi chamada para casa pelo Senhor, foi o
evento mais difícil e amargo que já aconteceu na minha experiência cristã. Eu devo
dizer, a morte é muito real. Não é bonita. É cruel. Qualquer religião que não tenha uma

26
resposta para a morte não atende às necessidades da humanidade. A única religião
que tem essa resposta é o cristianismo.

Quando Lydia foi chamada para casa, eu era pregador há mais de trinta anos. Naquele
momento difícil, tive que me sentar e perguntar a mim mesmo, “Eu acredito no que
venho pregando? Eu tenho pregado que haverá uma ressurreição - que haverá uma
reunião (um reencontro). Eu acredito nisso?” Pensei nisso sombriamente, com
cuidado. Então, disse a mim mesmo: "Sim, acredito nisso". Se não acreditasse, acabaria
sendo uma pessoa sem esperança.

Quando os crentes em Cristo que nos são próximos e queridos morrem, entristecemo-
nos - não como o mundo se entristece, porque o mundo sofre sem esperança. Mas nós
temos esperança. Nós, os justos, temos esperança na Sua morte.

Perder um parceiro é diferente de qualquer outra experiência na vida. É como ter a sua
própria carne e sangue arrancados de si. Não há nada que nos possa ajudar a
ultrapassar uma experiência como essa, exceto essa mensagem. Quanto mais
frequentemente participamos da Ceia do Senhor, mais profunda será a nossa paz
quando as crises da vida chegarem.

A nossa fonte de vida


Vamos continuar o nosso estudo do capítulo 6 de João, focando nos versículos 55 e 56:

“Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é


bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu
nele.” (João 6:55,56)

O que Jesus diz aqui poderia ser traduzido no presente contínuo: “Aquele que continua
a comer a Minha carne e a beber o Meu sangue permanece em Mim e eu nele”.

“Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se
alimenta, também viverá por mim.” (João 6:57)

Jesus viveu uma vida de total dependência da vida do Pai. O Pai era a sua fonte de
vida. Incidentalmente, quando Jesus se tornou totalmente identificado com o nosso
pecado, e Ele, consequentemente cortado foi dessa fonte de vida, Ele morreu.

Assim como Deus Pai é a fonte de vida de Jesus, o Filho, Jesus é a fonte de vida de todo
o verdadeiro crente. Como Jesus viveu pelo Pai, nós vivemos por Ele. A nossa vida
depende do nosso relacionamento contínuo com Ele.

No versículo 58 de João 6, Jesus diz que quando participamos desses símbolos,


estamos participando da fonte da vida.

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“Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e
morreram; quem comer este pão viverá para sempre.” (João 6:58)

Sabe qual é a parte mais emocionante acerca dessas palavras? Elas são verdadeiras.
Sabe o que sempre me abençoa sobre a Bíblia? A maioria das verdades realmente
importantes é dita em palavras curtas: “Quem - come - este - pão - viverá. . . para
sempre.” Isso é, o que Jesus promete. É verdade.

28
CAPÍTULO 10
Aspeto 6 – Compartilhando
Nos dois capítulos anteriores, discutimos como nos relacionamos com o corpo de
Cristo quando participamos da Ceia do Senhor. Primeiro, nós olhamos para o
reconhecimento. Vimos que é necessário discernimento para ver que o pão e o vinho
dos quais participamos é o corpo real de Jesus - em nós e em nossos irmãos. Em
seguida, concentramo-nos na participação. Vimos que participar da Sua carne e do Seu
sangue nos permite viver para sempre Nele. Neste capítulo, discutiremos o aspeto 6, o
próximo aspeto da relação com o corpo de Cristo na Ceia do Senhor, que é
compartilhar na Ceia do Senhor com os outros.

O nosso texto para o primeiro ponto desta questão de compartilhar é I Coríntios 10:16:

“Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão[compartilha] do


sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão[compartilha] do
corpo de Cristo?”

Quando participamos do pão e do cálice, estamos compartilhando o corpo de Cristo.


Estamos compartilhando com todos os nossos irmãos. É um lembrete para nós de que
fazemos parte de uma vasta companhia.

Podemos ser apenas um pequeno grupo, insignificante aos nossos próprios olhos e
situação. Mas quando compartilhamos a Ceia do Senhor, reconhecendo a imensa
realidade espiritual desse princípio, percebemos a verdade. Nós fazemos parte de um
grupo de pessoas que começaram no Novo Testamento, avançaram desde então, e
continuam ainda.

Compartilhando Além do Véu


Quando ensino sobre a Ceia do Senhor, muitas vezes me lembro de minha herança
anglicana. Eu lembro-me que na Igreja Anglicana nós costumávamos celebrar algo
chamado o Dia de Todos os Santos. Lamento dizer que quando me tornei pentecostal,
esqueci tudo sobre o Dia de Todos os Santos.

No entanto, todo esse esquecimento mudou quando a minha esposa, Lydia, foi
chamada para casa pelo Senhor. Pela primeira vez na minha vida, não consegui
cumprir os meus compromissos de pregação. A única outra ocasião em que eu havia
renegado um compromisso de pregação foi quando estava doente. No entanto, por
duas ou três semanas após a morte de Lydia, eu apenas disse às pessoas: "Sinto muito,
mas não estou pronto para pregar".

29
Mas então percebi que a minha recusa em pregar não agradaria nem um pouco a
Lydia! Por que deveria eu ficar em casa? Se ela estivesse aqui, iria querer que eu
estivesse pregando! Então fui para o compromisso seguinte.

Esse compromisso foi na Sociedade Carismática Católica do Sudeste, realizada em


Augusta, na Geórgia. Claro, foi principalmente uma reunião católica. Sabe o que eu
descobri quando cheguei? Era o Dia de Todos os Santos. E sabe o que eles estavam
celebrando? A Ceia do Senhor - com todo o corpo de Cristo. Não apenas com aqueles
que estavam na terra, mas com aqueles que tinham partido antes deles.

Essa foi a primeira reunião pública em que participei após a morte de Lydia. Nada
poderia ter sido mais apropriado. De repente tive um vislumbre de uma verdade que
eu já deveria ter sabido. O que eu vi foi isto: o véu que separa os crentes entre este
mundo e o próximo não é escuro e pesado - é um véu muito fino e transparente. O véu
escuro e pesado está neste mundo - entre aqueles que acreditam e aqueles que não
acreditam.

Raízes dinamarquesas de Lydia


Eu gostaria de contar mais algumas situações sobre Lydia para nos levar ao final deste
capítulo. Essas histórias pessoais são exemplos relevantes do aspeto que estamos
discutindo: compartilhar na Ceia do Senhor.

Eu tenho que dizer que a Lydia era a pessoa mais corajosa que já conheci. Lydia era
uma pessoa muito franca. Ela nunca disse nada sem propósito. Em todos os anos que
vivemos juntos, nunca a ouvi dizer algo que não quisesse dizer. Ela era dinamarquesa.
Se conhece a cultura europeia, as pessoas mais frontais da Europa são os
dinamarqueses. E o dinamarquês mais frontal era Lydia!

Como pode suspeitar, precisou de algum ajuste da minha parte para me acostumar a
viver com uma pessoa tão frontal. Ela costumava dizer-me: “Vocês, britânicos, são uma
nação de diplomatas. Ninguém nunca sabe quando realmente querem dizer o que
dizem”. Demorou um pouco para digerir isso, mas estava absolutamente correto.

Irei ter cuidado na forma como expresso o seguinte, mas Lydia saiu da Igreja Luterana
na Dinamarca. Ela foi uma das pioneiras do Movimento pentecostal na sua nação. Aos
38 anos, entrou no batismo no Espírito Santo sem saber realmente o que havia
acontecido com ela. No seu desejo de obedecer às Escrituras, ela aceitou o desafio de
ser batizada como crente, por imersão. Este ato da parte de Lydia literalmente
escandalizou toda a nação Dinamarquesa, que não é uma grande nação. (Aliás, esta
história é contada no livro sobre a vida de Lydia: “Encontro em Jerusalém”, que ainda
não foi traduzido em português)

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De facto, o seu caso foi ao Parlamento dinamarquês para saber se ela poderia
continuar como professora numa escola estatal dinamarquesa depois de fazer algo tão
herético quanto ser “rebatizado” como crente. (O rebatismo foi o cerne da questão
para os luteranos.) Os americanos podem ter dificuldade em entender essa cultura,
mas isso era muito real na Europa. Por cerca de cinquenta anos, Lydia travou uma
guerra contra a Igreja Luterana. Apresentá-la a um pastor luterano era como balançar
um pano vermelho na frente de um touro!

Luz na escuridão
Cerca de dois anos antes de Lydia morrer, um querido irmão do Senhor perguntou se
poderia nos visitar. Naquela época, Lydia estava tendo problemas espirituais muito
profundos. Ela estava até duvidando da sua própria salvação. Eu tinha lido sobre isso
acontecendo com homens e mulheres de Deus, mas não sabia que isso poderia
acontecer com alguém tão perto de mim.

Acontece que esse irmão visitante tinha um ministério particular na área da “palavra
de conhecimento”. Ao orar com as pessoas, ele às vezes obtinha uma imagem mental
muito vívida da necessidade, problema ou situação específica da pessoa. Depois de nós
três termos orado juntos por algum tempo na nossa sala de estar, eu perguntei a Tom:
“Você vê alguma coisa?” Ele disse: “Bem, sim, vejo. Vejo um grande prédio da igreja.
Está bastante vazio. Tem vitrais e tem uma banca para o coro.

Então ele perguntou a Lydia: "Isso tem alguma coisa a ver consigo?”

Lydia respondeu: "Absolutamente nada."

"Espere um minuto", disse eu para Tom. Então perguntei-lhe: "Você acha que poderia
ser uma igreja luterana?"

Ele respondeu: "Sim, é esse o tipo de igreja."

Então perguntei a Lydia: "O que acha da igreja luterana?"

Ela respondeu: "Eu odeio-os!"

Então eu disse à minha querida esposa: “Você não pode odiar ninguém. Isso não é
permitido. Tem que se arrepender.”

E ela arrependeu-se - e esse foi o ponto de viragem. Depois daquele tempo juntos, ela
saiu da escuridão para a luz. Deus providenciou-lhe essa experiência, porque dentro de
dois anos Ele levou-a para casa.

31
Deixe-me fazer uma pausa neste ponto para dizer isto: se hoje você estiver na
escuridão, verifique as suas atitudes e os seus relacionamentos. Tem alguém que
odeia? Alguém a quem não perdoou?

Comunhão com os santos


Este não é o fim da história. Cerca de um ano depois da morte de Lydia, fui convidado
para falar na Conferência Carismática Luterana que acontece todos os verões em
Minneapolis. Nós tivemos um tempo glorioso. Tive o privilégio de ministrar aulas
bíblicas para cerca de nove mil pessoas durante três dias consecutivos.

A conferência acabou com toda a congregação - talvez quatorze mil pessoas ao todo -
celebrando a Eucaristia juntos. Como eu já não estava mais no palco, fiquei muito feliz
em ocupar o meu lugar no auditório como membro da congregação, sentado num
banco com as outras pessoas. Eu preferia ter a minha comunhão com o Senhor e o Seu
corpo de uma maneira muito íntima e privada.

De qualquer forma, isto foi o que aconteceu - e espero que o que eu estou prestes a
compartilhar não atrapalhe a sua teologia. Enquanto eu estava lá participando da Ceia
do Senhor numa Eucaristia Luterana, pela primeira vez - de uma forma que eu nunca
havia experimentado antes - eu sabia que estava participando do corpo e do sangue
do Senhor. Eu não, apenas, acreditei nisso.mas eu sabia.

Espero que aceite o que irei transmitir agora. Enquanto eu estava sentado naquela
congregação luterana participando de uma Eucaristia luterana, tive uma comunicação
de Lydia em glória. Não sei se acredita nisso ou não. Mas isso é o que me foi
comunicado. Eu não digo que Lydia falou comigo, mas de alguma forma o que eu senti
dela foi: "Estou feliz que você esteja aqui por minha causa."

Eu vi, então, quão tremendamente apropriado era. Eu estava representando a Lydia e


a mim mesmo quando aceitei aquele ato de amor, comunhão e reconciliação com
meus irmãos e irmãs luteranos - não apenas em meu nome, mas também no nome
dela.

Para mim, depois dessas experiências de partilha no corpo de Cristo, esse aspeto da
Ceia do Senhor tornou-se muito real.

Quando participamos de um serviço da Ceia do Senhor, todos os santos que já


partiram(faleceram) estão compartilhando connosco nesta comemoração da morte do
Senhor. Pois esta verdade une todos os crentes de todas as idades, raças,
denominações e origens - a morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo.

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CAPÍTULO 11
Aspeto 7 – Separação
Qual devia ser a nossa resposta e participação na Ceia do Senhor? Essa é a principal
questão que procuramos responder neste livro. Conforme declarado anteriormente,
as Escrituras revelam que, quando estamos observando a Ceia do Senhor, estamo-nos
relacionando com Jesus Cristo de sete maneiras, ou aspetos. Aqui está um breve
resumo dos seis primeiros aspetos que já discutimos:

1- Proclamação - Proclamando a Sua morte, aos reinos visíveis e invisíveis.


2- Memória – Relembrando a Sua morte (Ele pediu-nos para fazermos isso)
3- Antecipação – Antecipando a Sua volta.
4- Reconhecimento - Discernindo a verdadeira natureza do pão e do cálice, Seu
corpo.
5- Participação - Participando da Sua morte e ressurreição comendo a Sua carne e
sangue.
6- Partilha - Compartilhando na Ceia do Senhor com todos os crentes aqui e na
eternidade.

Como pode ver nesta lista, esses seis aspetos concentram-se no nosso relacionamento
com Jesus Cristo e com todos os crentes na Ceia do Senhor. Os três primeiros estão
relacionados com o próprio Jesus, e os três seguintes relacionam-se com o Seu corpo.

Neste capítulo final, discutiremos o sétimo aspeto da Ceia do Senhor. Este aspeto é
diferente dos primeiros seis porque não se trata da Ceia do Senhor em relação a Jesus
Cristo. Em vez disso, ele concentra-se na Ceia do Senhor, relacionado com o mundo -
especificamente, os incrédulos. A palavra que escolhi para o sétimo aspeto é a
separação.

Desenhar a linha
Anteriormente no nosso estudo, lemos uma passagem de I Coríntios, capítulo 10, em
que Paulo estava falando sobre uma questão cultural na igreja: era permitido a um
crente comer carne sacrificada a deuses demoníacos? Creio que a resposta de Paulo à
Igreja de Corinto também tem aplicação para nós. Vamos ler I Coríntios 10, versículos
20-21:

“Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não
a Deus. E não quero que sejais participantes [que compartilham com New American
Standard Bible, que tenham comunhão NVI] com os demônios. Não podeis beber o

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cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do
Senhor e da mesa dos demônios.” (I Coríntios 10:20,21)

Para mim, esses versículos significam que quando participamos da Ceia do Senhor,
estamos traçando uma linha de separação entre nós e tudo o que é satânico em todas
e quaisquer formas. Estamos nos afastando de todo o tipo de envolvimento oculto,
todo o tipo de atividade que não honra a Cristo. Não podemos ter um pé em ambos os
campos.

Eu esforcei-me, em minha casa, para garantir que a nossa família nunca retivesse
qualquer publicação que desonrasse Jesus Cristo. No final do sétimo capítulo do
Deuteronómio, Moisés disse aos filhos de Israel: “Não porás, pois, abominação em tua
casa, para que não sejas anátema, assim como ela.” (Deuteronómio 7:26).

Meu querido amigo, gostaria de sugerir que na próxima vez que você for para casa
depois de participar da Eucaristia ou da Ceia do Senhor, talvez seja necessário fazer
uma limpeza da casa. Não retenha nenhuma pequena imagem de Buda. Não guarde
sinais do horóscopo ou do zodíaco. Entende porquê? Essas coisas são demoníacas - e
você não pode participar da mesa do Senhor e da mesa de demônios. Não pode
compartilhar as coisas de satanás e as coisas do Senhor.

Veja bem, somos confrontados com a mesma questão que confrontou Abrão. Quando
Melquisedeque encontrou Abrão no Vale do Rei, Abrão teve que escolher entre o que
Melquisedeque estava oferecendo e o que o rei de Sodoma oferecia. A Sua consciência
disse-lhe que ele não poderia participar de ambos. Nem nós podemos.

Sem mistura
Em conclusão, gostaria de ler uma passagem do livro de Esdras, que enfatiza
particularmente este último ponto. O quarto capítulo de Esdras descreve a
reconstrução do templo pelos exilados judeus, que retornaram a Jerusalém, da
Babilônia. Vamos olhar apenas para os três primeiros versículos. Para mim, eles
enfatizam tão claramente essa questão da separação entre os que são o povo de Deus
e aqueles que não são.

“Ouvindo, pois, os adversários de Judá e Benjamim que os que voltaram do cativeiro


edificavam o templo ao SENHOR Deus de Israel [Por favor, note que era um templo
para o único Deus verdadeiro], Chegaram-se a Zorobabel e aos chefes dos pais, e
disseram-lhes: Deixai-nos edificar convosco, porque, como vós, buscaremos a vosso
Deus; como também já lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria,
que nos fez subir aqui.” (Esdras 4:1,2)

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À primeira vista, isso poderia soar como uma oferta amigável. Mas se conhece o
contexto histórico daqueles que estavam perguntando, essas pessoas tinham uma
forma de adoração com muita mistura. Eles tinham elementos da Lei e aliança
mosaica. Mas eles também tinham elementos de paganismo e demonismo, incluindo o
sacrifício de crianças.

Quando viram o povo de Deus construindo a casa de Deus em Jerusalém, disseram:


“Vamos unir-nos a vocês. Nós gostaríamos de estar neste projeto.”

No entanto, se ler o resto do capítulo, descobrirá que eles não tinham boas intenções -
o que explica a seguinte resposta dada pelos líderes judeus.

“Porém Zorobabel, e Jesuá, e os outros chefes dos pais de Israel lhes disseram: Não
convém que nós e vós edifiquemos casa a nosso Deus... “ (Esdras 4:3)

Se eu pudesse parafrasear o que eles estavam dizendo, era algo assim: “Não se atreva
a tentar cruzar essa linha de separação. O Seu deus e o nosso Deus não são os mesmos
- mesmo que você use um pouco da mesma linguagem que usamos.”

Nós sozinhos, juntos


No final desta passagem de Esdras, chegamos ao versículo que quero enfatizar.
Encontramos essa ênfase no final do versículo 3:

“... mas nós sozinhos a edificaremos ao Senhor Deus de Israel ...” (Esdras 4:3)

Para mim, essas três palavras resumem essa mensagem; "… nós sozinhos a
edificaremos ..."

"Nós" indica pluralidade - todas as pessoas de Deus juntas.

“Nós sozinhos” fala de separação - só nós e não vocês.

"edificaremos" fala de trabalho em conjunto, unidade.

É onde devemos estar hoje no corpo de Cristo, a Sua Igreja. Pluralidade - um corpo
composto de muitos, muitos membros; Separação - sem compromisso com elementos
satânicos; e Unidade - vamos fazer isso juntos.

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Capítulo 12
A nossa atitude perante a Ceia do Senhor
Nós explorámos estes sete aspetos da Ceia do Senhor em grande detalhe. O nosso
objetivo foi desenvolver uma compreensão mais profunda de como nos relacionamos
com Jesus, Seu corpo e o mundo quando participamos desse lindo e solene
sacramento da Ceia do Senhor.

Agora voltamos à pergunta que fizemos ao longo deste livro: qual deve ser a nossa
atitude? Talvez este livro o tenha movido pessoalmente a colocar uma ênfase maior na
observância da Ceia do Senhor. Num momento, vamos expressar uma oração, juntos,
que expresse esse compromisso.

Pode ser que se encontre num dilema semelhante ao de Lydia - carregando feridas que
o parecem estar separando de Deus. Vimos, dos incidentes que relatei, que para a
Lydia o arrependimento foi o ponto de viragem. Ela saiu da escuridão para a luz. Se
hoje está na escuridão, também pode entrar na luz.

Ao pensar em se aproximar da Mesa do Senhor, existe alguma atitude no seu coração


pela qual precisa se arrepender? Tem alguém que odeia? Alguém que não perdoou?
Está lutando com o próprio Deus? Essas questões precisam ser resolvidas.

Por que não lidamos com todos esses assuntos agora em oração, juntos? Vamos pedir
a Deus que comece a preparar os nossos corações agora mesmo com a seguinte
oração:

“Pai Celestial, quão profundamente estou grato por este belo sacramento da Ceia do
Senhor - dado a nós por Jesus na noite anterior à Sua crucificação. Comprometo-me
agora a participar desse sacramento com mais frequência - como uma maneira
poderosa de proclamar a Tua morte, lembrando-me de Ti, antecipando o Teu retorno,
reconhecendo o Teu corpo, participando da Tua morte e ressurreição, partilhando com
todos os crentes e separando-me das atividades mundanas. Obrigado porque quando
eu participo, estou recebendo a Tua vida e celebrando a vida eterna que trouxeste
para mim.

Eu saio das trevas agora para a luz. Arrependo-me dos meus pecados e atitudes. Peço
perdão através do sacrifício de Jesus na cruz por mim. Em nome de Jesus, perdoo
todos aqueles que me magoaram e declaro a minha confiança em Ti e em Teus planos
para a minha vida.

Preparo o meu coração agora para Te encontrar em todas as oportunidades que eu


tiver para participar deste maravilhoso sacramento da Santa Ceia do Senhor. Amém.”

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