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Matilde Naftal Chongo Parruque

Factores Que Influenciam o Acesso e Permanência dos Educadores e das Crianças nos
Centros de Educação de Infância

Licenciatura em Educação de Infância com Habilitação em Psicologia Educacional

Universidade Pedagógica

Maputo

2018
i

Matilde Naftal Chongo Parruque

Factores Que Influenciam o Acesso e Permanência dos Educadores e das Crianças nos
Centros de Educação de Infância

Monografia científica apresentada a

Faculdade de Ciências de educação e

Psicologia, Departamento de Ciências

de Educação para a obtenção do grau

académico de Licenciatura em Educação

de Infância, com Habilitação em Psicologia

Educacional.

Supervisor: Mestre Adilson Valdano Muthambe

Universidade Pedagógica

Maputo

2018
ii

Índice

LISTA DE TABELAS .................................................................................................................................. iv

LISTA DE ABREVIATURAS ...................................................................................................................... v

DECLARAÇÃO DE HONRA ...................................................................................................................... vi

DEDICATÓRIA ......................................................................................................................................... viii

AGRADECIMENTOS.................................................................................................................................. ix

CAPITULO I -REVISÃO BIBLIOGÁFICA ............................................................................................... 15

1.1 Conceitos Básicos .................................................................................................................................. 15

1.2 Condições de Acesso e Permanência nos Centros de Educação de Infância ......................................... 17

1.3 Acesso a Educação Pré-Escolar e a Situação Económica ...................................................................... 19

1.4 Factores de Acesso e Permanência das Crianças nos Centros de Educação de Infância ....................... 20

1.5 Alguns Critérios dos Pais para a Escolha de Um Centro Infantil .......................................................... 22

CAPITULO II- METODOLOGIA DE PESQUISA .................................................................................... 26

2.1 Abordagens de Investigação .................................................................................................................. 26

2.2 População e Amostra ............................................................................................................................. 26

2.3 Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados ...................................................................................... 28

2.4 Análise de Dados ................................................................................................................................... 29

2.5 Limitações do Estudo ............................................................................................................................. 30

CAPITULO III- ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS .................................................... 31

3.1 Descrição do Local de Pesquisa "Jardim Nossa Senhora de Fátima” .................................................... 31

3.2 Dimensão da Direcção do Centro de Educação de Infância .................................................................. 32

3.2 Dimensão Educadores ............................................................................................................................ 33

3.2.1 Factores de Permanência do Educador no Centro de Educação de Infância .......................................33


3.2.2 Factores que Contribuem para a Não Permanência do Educador no Centro de Educação de Infância
......................................................................................................................................................................34
3.2.3 Contribuições do Educador para a Permanência da Criança no Centro Infantil .................................35
iii

3.3 Dimensão Pais e Encarregados de Educação ......................................................................................... 36

3.3.1 Critérios de Escolha ou Identificação do Centro Infantil ....................................................................36


3.3.3 Factores de Permanência das Crianças no Centro Infantil ..................................................................37
CONCLUSÃO E SUGESTÕES .................................................................................................................. 39

APÊNDICE I. Exmo Senhor Director do Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima .................................. 44

APÊNDICE II. Guião de Entrevista Dirigido à Direcção do Centro Infantil .............................................. 45

APÊNDICE III. Questionário Dirigido aos Educadores de Infância ........................................................... 46

APÊNDICE IV. Folha de Consentimento Informado aos Pais ou Encarregados de Educação das Crianças
......................................................................................................................................................................48

APÊNDICE V. Questionário Dirigido aos Pais/Encarregados de Educação ............................................... 48


iv

LISTA DE TABELAS

Tabela 1.Participantes…..………………………..…………………………….………………28

Tabela 2. Descrição das Variáveis de Factores de Permanência do Educador no Centro de


Educação de Infância……………………………………………...…………………………...…34

Tabela 3. Discrição das Variáveis de Factores que Contribuem para a Não Permanência do
Educador no Centro de Educação de Infância……………..……………………………………..35

Tabela 4. Descrição das Variáveis em Relação as Contribuições do Educador para a Permanência


da Criança no Centro Infantil…………………………………………………………………….36

Tabela 5. Descrição das Variáveis Relacionadas aos Critérios de Escolha ou Identificação do


Centro Infantil……………………………………………………………………………………36

Tabela 6. Descrição das variáveis relacionadas aos Factores de Permanência das Crianças no
Centro Infantil…………………………………………………………………………………….37
v

LISTA DE ABREVIATURAS

UNICEF - Fundo das Nações Unidas para a Infância

MIMAS - Ministério da Mulher e Acção Social

MINED - Ministério da Educação

ONG - Organização Não Governamental

CDC - Convenção dos Direitos da Criança

PEA - Processo de Ensino e Aprendizagem

UP - Universidade Pedagógica

DNSA- Direcção Nacional da Acção Social


vi

DECLARAÇÃO DE HONRA

Declaro que esta Monografia é fruto de minha investigação pessoal e das orientações do meu
supervisor, o seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas estão devidamente
mencionadas no texto, nas notas e na bibliografia final.

Declaro ainda que este trabalho não foi apresentado em nenhuma outra instituição para obtenção
de qualquer grau académico.

Matilde Naftal Chomgo Parruque

________________________________________________

Maputo aos 02 de Julho de 2018


vii
viii

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho ao meu filho Célio Velasco Parruque pelo amor que sempre demonstrou em
me apoiar nos meus estudos.

Matilde Naftal Chongo Parruque


ix

AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, agradeço a Deus que me concedeu o dom da vida, que incansavelmente me
apoiou moralmente nesta caminhada em busca de conhecimentos científicos.

O meu supervisor Mestre Adilson Valdano Muthambe, pela paciência demonstrada e pelo
acompanhamento prestado, para que esta pesquisa tivesse enquadramento científico, o meu muito
obrigado.

A Universidade Pedagógica, porter me dado a oportunidade de fazer parte da conjuntura dos


futuros Licenciados da sociedade Moçambicana com a formação académica no ramo de
Educação de Infância. Não me esquecendo do Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima.

Instituição que me ajudou a fornecer informações para a realização desta pesquisa, o meu muito
obrigado.

Agradeço a minha família que me encorajou a continuar com os estudos e ao meu saudoso pai e
mãe que partiram deste mundo dos vivos estando agora na glória. Ao meu esposo que esteve
sempre do meu lado nesta caminhada. Aos meus filhos pela compreensão ao longo da minha
formação académica.

A todos que directa ou indirectamente contribuíram para a execução desta pesquisa e para o
sucesso da minha formação meu especial obrigado.

Matilde Naftal Chongo Parruque


x

RESUMO

A presente monografia cujo tema é“Factores Que Influenciam o Acesso e Permanência dos
Educadores e das Crianças nos Centros de Educação de Infância, tevecomo objectivosde
compreender os mecanismos de acesso e permanência das crianças nos centros de educação de
infância e indicar os critérios que os encarregados de educação usam para a identificação de um
centro infantil; Para uma abordagem mais exaustiva e compreensiva estruturamos a nossa
abordagem nos pressupostos teóricos na base de BENTO (1995:45), LIBÂNEO (1999), PILLETI
(2004), GASPAR (2010),DUCLS (2003), TELLES (2001), LEINAS (1999), TEXEIRA
(1994),para sustentar aspectos tais como, educação de infância, educadores de infância, centro
infantil, factores de acesso e permanêmcia das crianças nos centros de educação de infância e
alguns critérios que os pais usam para a escolha de um centro infantil. A pesquisa foi efectivada
na base de uma análise criteriosa de 50 elementos da amostra dos quais 3 membros de direcção
do Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima, 17 educadoras e 30 encarregados de educação. Esta
pesquisa foi conduzida segundo a combinação da abordagem qualitativa com uma descrição
matemática e uma análise explicativa. Recorremos a revisão bibliográfica, analisando documento
questionário bem como a entrevista. A triangulação dos dados permitiu uma análise consistente
dos resultados da pesquisa revelando que (i)crianças provenientes de famílias carenciadas pouco
aderem a centro de educação de infância (ii) maior parte das familias cujo orçamento salarial é
minimo, esperaram até que os seus filhos atinjam a idade escolar de modo a frequentar o ensino
basico que é gratuito e obrigatório, o que facilita o seu acesso; (iii)as condições de acesso e
permanência dos educadores no Jardim infantil Nossa Senhora de Fátima é mediante a
presentação da documentação, sendo: Nuit, curriculum, cartão de saúde e entrevista. Os
resultados desta pesquisa indicam que dos 50 elementos da amostra entrevistados (30%) apontam
a observância do ambiente físico, apetrechamento das salas, assim como, o nível das limpezas
como factor determinante na adaptação da criança. Por outro lado, (40%) observam o nível de
formação dos educadores e a relação educador-criança, criança-educador bem como pais-
educador como condição principal para a escolha do centro e permanência, (30%) apontam o
horário de trabalho, como factor principal para matricular o filho no centro infantil.

Palavras-chave: Educação, Educação de infância, Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima


acesso e permanência
11

INTRODUÇÃO

A educação constitui um direito universal, pois em todos os países do mundo existe um


sistema educacional próprio consagrado na Constituição e o cidadão tem direito a aderência
livre. Em alguns países europeus e africanos a educação é tarefa, em primeiro plano da família
(socialização primária) e em segundo plano é tarefa do Estado (socialização secundária) na
medida em que a mesma permite o desenvolvimento social, desenvolvimento de habilidades
intelectuais e cognitivas que facilitam o processo de aprendizagem.

Para a garantia de um desenvolvimento harmonioso e saudável da criança é importante a


criação de condições que favorecem a aderência, para o ensino pré-escolar e escolar (dos 0-5
anos em diante) independentemente das condições socioeconómicas, culturais bem como do
contexto onde a criança esteja inserida.

Em África, a educação pré-escolar tornou-se uma realidade e é um dos direitos fundamentais


da criança, UNICEF (2007). Alguns países da África tais como Suazilândia, Botswana e
Tunísia possuem um sistema nacional de educação pré-escolar público que inclui todas as
crianças independentemente da situação social e familiar de proveniência, enquanto em
Moçambique, a educação pré-escolar é levada a cabo por agentes privados os quais reúnem
condições tanto em termos de infra-estruturas, alimentação, meios de ensino, contratação do
pessoal (educadores e auxiliares) adequando-os de acordo com as exigências do contexto.
Apesar destes esforços, persistem vários desafios, e como forma de responder aos mesmos, o
Ministério de Educação e Cultura em coordenação com o Ministério da Mulher e Acção
Social adoptaram um regulamento que ao mesmo tempo serve de proposta e contêm
instruções e orientações metodológicas para satisfazer a questão da educação pré-escolar no
sentido de inclusão educacional. Na visão de BENTO (1995:45), “A educação é dever e
tarefa de todos actores sociais, porém, cabe ao governo garantir com que este direito seja
transformado num bem social, cultural e acessível para todos membros da sociedade”

Em Moçambique, cabe a essas duas entidades Ministério da Mulher e Acção Social (MMAS)
e Ministério da educação (MINED) verificar o grau de cumprimento dos programas
(fiscalização do processo de educação pré-escolar), normas bem como as orientações psico-
pedagógicas para que a educação tenha sucesso. Neste contexto, a pesquisa basear-se-á na
análise das condições de acesso, procura e permanência na educação pré-escolar.

Para descrever o nosso problema de pesquisa iniciamos por descrever aspectos da nossa
realidadeapartir doensino pré-escolar que está na responsabilidade do sector privado por isso é
12

responsabilidade dos pais e encarregados de educação de garantir as condições ou requisitos


que incluem o registo das crianças, pagamentos de propinas, compra do material escolar entre
outras obrigações. Conforme pode notar, essas condições acarretam questões financeiras e
recursos que em alguns casos, os encarregados de educação não conseguem satisfazer.

A educação primária é consagrada como um “bem” valorativo sendo que ela (a educação
básica) é gratuita. Porém, os pais ou encarregados de educação devem satisfazer requisitos
básicos tais como a aquisição de uniforme, pasta escolar, etc. No entanto, a educação pré-
escolar é levada a cabo maioritariamente por agentes privados os quais procuram criar
condições em termos de infra-estruturas para acomodar interesses educacionais.

O acesso a esse tipo de educação pré-escolar exige esforço financeiro por parte dos
encarregados de educação, isso contribui para que não sejam todas famílias que garantem o
acesso da criança ao ensino pré-escolar. Os pais reconhecem a pertinência do ensino pré-
escolar e em alguns casos criam condições para levar as crianças aos respectivos centros ou
escolas de educação de infância para que obtenham esse tipo de ensino. Porém, a fraca
aderência a esse tipo de educação suscita uma série de questões que merecem uma análise
detalhada.

Tem se verificado que as crianças que frequentam o ensino pré-escolar desenvolvem


capacidades e habilidades necessárias para o período escolar, pois, a maioria das crianças que
passam por esse tipo de educação já possuem noções básicos que facilitam a leitura, escrita,
interpretação de figuras ou objectos e outros. Por um lado, o ensino pré-escolar influencia na
aquisição de potencialidades e habilidades na vida social. MIMAS (2011). Por outro lado,
estudos realizados pela UNICEF (2008), revelam que a maior parte de crianças em
Moçambique, não tem acesso ao ensino pré-escolar. Diante deste cenário levantamos a
seguinte questão de pesquisa:

Quais são os factores que influenciam o acesso e permanência dos educadores e das
crianças nos centros de educação de infância contribuem para a aderência neste tipo de
educação?

Um dos motivos que está por detrás da escolha deste tema “Factores Que Influenciam o
Acesso e Permanência dos Educadores e das Crianças nos Centros de Educação de
Infância” é o facto de ter-se observado que o ensino pré-escolar embora seja essencial no
desenvolvimento social e intelectual da criança, verifica-se uma fraca aderência das crianças
13

nos centros de ensino pré-escolar ou seja, poucas famílias levam os seus filhos para frequentar
a pré-escola. No entanto, isso leva a um constante questionamento seja sobre os requisitos,
bem como, as condições existentes que permitem o acesso. Portanto, pretendemos com esta
reflexão, analisar as reais condições de acesso e permanência nos centros de educação de
modo a avaliar o seu impacto no processo da educação de infância. A pesquisa esclareceu os
reais motivos bem como as pré-condições de acesso tendo em consideração, no Jardim
Infantil Nossa Senhora de Fátima situado na província de Maputo.

A análise deste tema foi bastante crucial na medida em que clarificou as reais condições de
acesso à educação de infância de modo a perceber os factores que estão por detrás da fraca
aderência ao ensino pré-escolar. Permitiu perceber a relação existente entre as condições de
acesso e as condições de permanência nos centros de educação de infância. Para além disso, o
trabalho contribuiu para o despertar social por parte de quem é de direito, a facilitar o acesso
das crianças e educadores e criar condições para que todas as crianças, independentemente da
condição económica da família, possam garantir a frequência da criança ao ensino pré-escolar
a promover o seu desenvolvimento social e cognitiva. Tratando se de uma pesquisa que
explorou a questão das condições de acesso e permanência indicador de qualidade de ensino
estabelecido pela UNICEF (2007) julgamos que foi um contributo significativo para a
reflexão do processo de ensino e aprendizagem (PEA), nos centros de educação de infância
que tratou se de um estudo pertinente.

Conforme a frase do tema e o problema de pesquisa defini os seguintes objectivos gerais:


Analisar os factores que influenciam o acesso e permanência dos educadores e das crianças
nos centros de educação de infância; E para o alcance do objectivo geral defini como
objectivos específicos os seguintes:

 Identificar as condições de acesso e permanência dos educadores e crianças nos


centros de educação de infância;
 Verificar a opinião da direcção do centro de educação de infância em relação as
condições de acesso e permanência dos educadores;

 Indicar os critérios que os pais e encarregados de educação usam para a identificação


de um centro infantil;

 Descrever os factores que influenciam o acesso e permanência das crianças nos


centros educação de infância;
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Na base do objectivo geral e dos objectivos específicos formulei as seguintes questões de


pesquisa:

 Quais são as condições de acesso e permanência dos educadores nos centros de educação
de infância?

 Qual é a opinião da direcção do centro de educação de infância em relação as condições


de acesso e permanência dos educadores?

 Quais são os critérios que os pais e encarregados de educação usam para a identificação de
um centro infantil?

 Quais os factores que influenciam o acesso e permanência das crianças nos centros
educação de infância?
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CAPITULO I -REVISÃO BIBLIOGÁFICA

Este capítulo apresenta uma discussão das ideias essenciais e relevantes que de certa forma,
sustentaram o tópico da pesquisa. A revisão da literatura versa sobre os conceitos básicos tais
como: educação de infância, acesso e permanência das crianças nos centros de educação de
infância.

1.1 Conceitos Básicos

a) Educação, segundo LIBÂNEO (1999), “ é um processo de desenvolvimento unilateral da


personalidade, envolvendo a formação de qualidades humanas físicas, morais, intelectuais,
estéticas tendo em vista a orientação da actividade, com a finalidade de adaptar o indivíduo na
sociedade em que está inserido”.

Para PILLETI (2004), “educação de cada povo depende da sua realidade concreta e de seus
valores”.

Assim podemos entender a educação como um processo de mudança do ser humano em todas
as esferas ou dimensões da vida, englobando a componente social, cognitiva, afectiva, física e
cultural que ajuda na formação da personalidade. Esta educação contribui desse modo para o
desenvolvimento da linguagem, do intelecto bem como das habilidades úteis para a vida
colectiva. O processo educativo pode ocorrer do ponto de vista formal, informal e não formal.

Tendo em conta a importância do acesso das crianças à educação de infância é crucial


condicionar de forma sustentável a pré-escola na medida em que o desenvolvimento social,
moral e intelectual das crianças permite a compreensão da realidade contextual e é por meio
da educação onde as crianças desenvolvem as potencialidades e aperfeiçoam as habilidades
cognitivas. No Sistema Nacional de Educação (SNE), Lei 6/92 o acesso a educação básica
deve ser gratuita a toda criança (1ª a 7ª Classes).

b) Educação de Infância, de acordo com o MIMAS, (2011) Educação de Infância é


considerada como sendo processos organizados de cuidados e educação, que normalmente
abrangem as crianças desde os seus primeiros meses de vida até os cinco (05) anos de idade.
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Por outro lado KRAMER (1992) define a Educação de infância como sendo uma etapa mais
importante na escolarização da criança dos 0 aos 5 anos, uma vez que ela é o fundamento do
processo educativo cuja finalidade é desenvolver integralmente em todos níveis, sociais,
psicológicos, emocionais e cognitivas da criança na faixa etária dos 0-5anos de idade.

A educação de infância é crucial na medida em que o desenvolvimento intelectual social e


moral, permite a compreensão da realidade social. No entanto, é por meio da educação onde
as crianças desenvolvem as potencialidades e aperfeiçoam as habilidades. É importante
salientar que na nossa realidade o atendimento das crianças em idade pré-escolar ainda é
muito escasso por necessitar de um valor que está acima da vida das populações, pois os
centros de educação de infância na sua maioria são de carácter privado com fins lucrativos.

c) Educadores de Infância são profissionais responsáveis pela organização de actividades


educativas, a nível individual e de grupo, com vista à promoção e incentivo do
desenvolvimento físico, psíquico, emocional e social de crianças dos 0 aos 5 anos de idade.

Segundo DNSA (2003), ” o educador de infância é um profissional da área de acção social,


formado e preparado para o acolhimento, atendimento e administração dos programas
educativos da criança em idade pré-escolar”.

Nas duas terminologias ser educador de infância significa estar em altura do mundo da
criança, é relembrar e escutar a criança que existe dentro de nós para melhor compreendermos
sentimentos dela, pois cada um tem dentro de si o seu ser infantil, ainda no âmbito conceito
importa estabelecer a diferença entre centro infantil, creche e escolinha comunitária.

Ocentro infantil “é uma instituição de educação pré-escolar, que integra creche e jardim
infantil, que se destina ao atendimento de crianças com idades compreendidas entre 0-5 anos”
segundo o Artigo 2 do Regulamento dos centros infantis.

Para MIMAS (2011), Creche “é uma instituição de cuidados e educação, realizados


simultaneamente pelos profissionais da área e uma rede multidisciplinar que envolve outros
actores da educação, como pais, assistentes sociais, psicólogos e outros. Entretanto, creche é
uma resposta social, desenvolvida em equipamento de natureza sócio educativa, para acolher
crianças até aos dois anos de idade, durante o período diário correspondente ao impedimento
dos pais ou da pessoa que tenha a sua guarda de facto, vocacionado para o apoio à criança e à
família.
17

Dessa forma podemos compreender que creche é um ambiente especialmente criado para
oferecer condições óptimas que propiciem e estimulem o desenvolvimento integral e
harmonioso da criança sadia nos seus primeiros cinco anos de idade.

Por outro lado, Escolinha comunitária é uma “Instituição não formal, apoiada pela
comunidade, ONG, ou pelos parceiros de desenvolvimento comunitário, que normalmente
oferece cuidados educativos às crianças de 0 aos 5 anos de vida”, MIMAS (2011:11).

Nas três terminologias a diferença existente é que o centro de educação de infância abrange a
creche que vai dos 0 aos 2 anos e o jardim infantil que vai dos 3 aos 5 anos mas subdividem
se os grupos por faixa etária. Por sua vez a creche encontra-se dentro do centro infantil,
escolinha comunitário como já foi salientado, presta serviços sem fins lucrativos, prestando
deste modo serviços para populações de baixa renda de modo a facilitar o acesso e
permanência a educação pré-escolar.

A Educação da Infancia deve ser entendida em sentido amplo, pois ela pode englobar todas as
modalidades educativas vividas pelas crianças pequenas na família e na comunidade, antes
mesmo de atingirem a idade da escolaridade obrigatória, diz respeito tanto à educação
familiar e a convivência comunitária, como a educação recebida em instituições específicas.

e) Permanência – refere-se aoacto de permanecer; processo que inclui a estadia frequente de


alguém num determinado lugar. Nesta pesquisa, o conceito permanência é inerente ao período
ou horário de vida das crianças nos centros de educação de infância. Nesses centros as
crianças permanecem durante um período específico a fim de receber a educação pré-definida
bem como zelar pela integridade física, moral e psicológica.

1.2 Condições de Acesso e Permanência nos Centros de Educação de Infância

Na perspectiva do UNICEF (2007) a educação é um processo inteiramente social à medida


que engloba todos os quadrantes sociais a partir da família, sociedade em que a criança se
encontra, bem como o governo que tem a responsabilidade de criar condições para que a
educação ocorra da melhor forma possível. Porém, a educação parte da infância sobretudo na
família onde a criança é racionalizada de acordo com os padrões éticos e morais da família.
Para além desse tipo de educação, existe a educação pré-escolar a qual prepara as crianças
para o período escolar bem como para responder os desafios sociais.
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Em alguns países de África, a educação pré-escolar é uma tarefa e responsabilidade do Estado


na medida em que cria condições para todas as crianças dos 0 a 6 anos de idade sejam
enquadradas no ensino pré-escolar. Nesse contexto, o Estado condiciona as infra-estruturas,
providência alimentação condigna, bem como, a contratação de educadores e auxiliares para
orientarem o processo educativo. Na nossa realidade, a educação pré-escolar é relegada no
segundo plano uma vez que este tipo de ensino é levado a cabo maioritariamente por agentes
privados tal como é evidente no Município de Ka Mavhota os quais preparam as infra-
estruturas, condicionam a alimentação e estadia das crianças de acordo com as condições e
exigências dos pais ou encarregados de educação mediante o pagamento das mensalidades
pré-estabelecidas. De acordo com TEXEIRA (1998), a educação é um dever social e tarefa do
Estado. Contudo, é um dever social na qual todos os membros da sociedade
independentemente do grau de parentesco que existe, participam na educação das crianças
seja de forma oral ou verbal bem como pelas atitudes.

Existem países sobretudo na Europa onde as condições de ingresso e permanência nos centros
de educação de infância são acessíveis a realidade económica dos pais, o que faz com que não
seja difícil para que levem seus filhos. “As condições sociais, económicas ou financeiras dos
pais/encarregados de educação levam a fraca aderência a educação pré-escolar sobretudo
nos países em subdesenvolvimento”, LEINAS (1999).

Entretanto, nos países onde o Estado é responsável directo pela educação de infância, as taxas
escolares são totalmente simbólicas, sendo que os pais têm a facilidade para que os seus filhos
frequentem a pré-escola. Assim, os pais comparticipam nas despesas básicas garantindo dessa
forma, o funcionamento da instituição. A contratação e o pagamento dos funcionários
existentes nesses centros são da responsabilidade do Estado contando com o apoio de algumas
organizações da sociedade civil. Nos centros de educação de infância onde os operadores
agentes privados, os funcionários, educadores, auxiliares bem como os guardas e a
alimentação das crianças é da responsabilidade dos proprietários o que faz com que as taxas
cobradas para o acesso sejam acima das condições financeiras de alguns pais. Portanto, “ para
que este tipo de educação seja levada a cabo, os proprietários ou agentes privados são
obrigados a elevar as taxas de acordo com as exigências do mercado”, TELLES (2001).

Essas exigências podem até satisfazer os proprietários, mas por outro lado, podem
enfraquecer o acesso e permanência das crianças provenientes de famílias de baixa renda com
salário mínimo nos centros de educação pré-escolar.
19

Muitas famílias enfrentam dificuldades em matricular os seus filhos na educação pré-escolar


devido as exigências financeiras que condicionam o acesso e permanência nos centros de
educação de infância. Nos países em que este tipo de educação é promovido pelo Estado nem
todos os pais conseguem matricular os seus filhos por causa da existência de poucas vagas.
Para nosso caso, o Estado promove os direitos básicos da criança incluindo a educação, o que
quer dizer que todas as crianças têm acesso a educação gratuita até ao final do nível básico (1ª
a 7ª Classes). Assim, os pais têm a responsabilidade de matricular as crianças no ensino
primário sendo sujeitas ao pagamento de um valor simbólico para os guardas bem como a
compra do material escolar, excepto os livros.

No tocante a educação pré-escolar é de sublinhar que esta actividade é levada a cabo por
alguns operadores privados, os quais são responsáveis pela aquisição do espaço para a
construção de infra-estruturas adequadas para o ensino pré-escolar, bem como, a contratação e
o pagamento dos funcionários existentes na instituição. Assim, os operadores privados que
levam a cabo esta actividade são obrigados a elevar as taxas de ingresso a fim de manter a
instituição em funcionamento. Entretanto, tem se verificado que os valores cobrados para o
ingresso das crianças supera as condições económicas de muitas famílias o que limita a este
tipo de educação.

Embora a educação pré-escolar seja levada a cabo por operadores privados, o governo de
Moçambique tem apoiado algumas instituições de educação de infância por meio do MIMAS,
visitando os centros de educação de infância e providencia o apoio caso seja necessário.

1.3 Acesso a Educação Pré-Escolar e a Situação Económica

Pesquisas realizadas pela UNICEF (2008), sobre a situação da educação da criança em idade
pré-escolar mostraram que apenas 34,3% dos pais ou encarregados de educação levam os seus
filhos a educação pré-escolar sendo que 65,7% não conseguem levar as crianças ao ensino
pré-escolar devido ao elevado custo de vida. Isso faz com que o ensino pré-escolar seja visto
como sendo de “elite” dado as exigências financeiras que acarreta e os pais não conseguem
cumpri-los. Assim, a maior parte das crianças começam a frequentar a escola quando atingem
os 6 anos de idade.

De referir que a educação pré-escolar preconiza não apenas o acesso ou ingresso como
também valores que ditam a permanência. Os pais são obrigados a pagar valores que superam
a sua renda mensal o que leva a fraca afluência a esse tipo de ensino. Uma vez que as
20

exigências são elevadas, os pais preferem deixar os seus filhos até que estes completem a
idade para o ingresso na escola. Em alguns casos, é notária a falta de um centro de educação
de infância num determinado bairro, o que leva os pais a optarem pelo ensino primário dado
que os seus filhos serão obrigados a percorrer longas distâncias para chegar ao centro infantil.

Segundo a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), a educação das crianças cabe
antes de mais aos pais. Quando estes não o podem fazer, o Estado tem o dever de os apoiar.
No entanto o Artigo 19 do (CDC) refere que é obrigação do Estado adoptar medidas
adequadas a protecção da criança contra todas as formas de violência física ou mental,
abandono ou tratamento negligente, maus tratos ou exploração, incluindo a violência sexual,
enquanto se encontrar sob a guarda de seus pais ou de um deles, dos representantes legais ou
de qualquer outra pessoa cuja guarda tenha sido confiada.

Neste contexto, o acesso das crianças aos centros de educação de infância não só depende dos
pais muito menos dos centros infantis, mas sim, cabe ao Estado criar condições de modo a
garantir que todas crianças tenham direito a protecção e acesso a educação pré-escolar
independentimente da sua estatura social. Para tal, há uma necessidade de o governo desenhar
estratégias para a inclusão de todas crianças em idade pré-escolar no sistema nacional de
educação para que possam desenvolver as suas potencialidades dentro de uma instituição
uma vez que a criança precisa sentir-se protegida por todos que lhe rodeiam pois ela tem
direito, dever devidamente pre-estabelecido.

1.4 Factores de Acesso e Permanência das Crianças nos Centros de Educação de


Infância

Para DUCLOS (2006), enxistem vários factores inerentes ao acesso e permanêmcia que
influenciam o acesso à educação de infância como é o caso da motivação, ambiente,
metódologia ou estratégia usada e a relação entre os pais e o centro infantil.

Os pais devem sentir se impelidos ou motivados a ingressar seus filhos na pré-escola vendo as
vantagens que este tipo de ensino proporciona aos seus filhos. O currículum escolar deve
sugerir um ambiente de aprendizagem e desnvolvimento integral da criança. Na opinião de
UNICEF (2007), os pais devem reconhecer que o ensino pré-escolar ajuda no
desenvolvimento integral da criança, podendo isso influenciar na aderência a este tipo de
educação” Os pais devem sentir por si a pertinência do ensino pré-escolar vendo os resultados
dos mesmos na convivência diária com os seus filhos. Isso pode motivar para que os pais
21

sintam a necessidade de ingressar seus filhos na educação de infância. O vocabulário diário, o


desenvolvimento intelectual, moral e cognitivo que as crianças em idade pré-escolar
demostrarem pode contribuir para a motivação dos pais. A convivência diária com as crianças
e a sua flexibilidade na cognição dos conhecimentos pode influenciar na aderência a este tipo
de educação.

O ambiente físico também, constitui um factor de acesso a educação pré-escolar na medida


em que pode motivar a criança a pedir aos pais para que a matriculem na escola. Por exemplo,
uma criança que constantemente vê outras crianças a ir e voltar da escola pode ser
influenciada à pedir aos seus pais para que também frequente a educação pré-escolar, por um
lado e por outro, a convivência constante com outras crianças pode constituir um motivo para
frequentar a educação pré-esolar. “O meio ambiente social e a convivência com outros pode
influenciar a criança assim como os pais a aderir a educação pré-escolar [...]” BENTO
(1995). Em alguns casos, o crescente número de crianças que frequentam a educação de
infância na comunidade pode até certo ponto contribuir para a aderência massiva a educação
pré-escolar. A convivência no seio do centro, os jogos e actividades levadas a cabo no centro
de educação de infância bem como o tipo de educadores contribui grandemente para estimular
o acesso a educação de infância. Portanto, de acordo com LEINAS (1998), os educadores, o
nível da sua formação, bem como, a sua conduta social podem constituir motivo de acesso e
aderência à educação de infância.

As metodologias ou estratégias usadas pela instituição de educação de infância pode também


condicionar a afluência na educação pré-escolar, ou seja, o bom nome que a instituição
conquista e o tipo de educandos que esta produz, pode influenciar o acesso a eduacação de
infância. Portanto, é pertinente que a instituição de infância tenha bons educadores com
formação específica e os mesmos saibam fazer o uso adequado das condições existentes na
instituição para promover a imagem instituicional garantindo desse modo, a maior procura do
acesso à educação de infância. Por outro lado, é pertinente que os pais sejam sensibilizados de
modo a aderir a educação de infância por meio de campanhas e palestras, divulgando desse
modo a essência e pertinência da educação pré-escolar. Outra metodologia eficáz na
promoção do acesso das crianças a este tipo de educação por meio de taxas reduzidas em cada
início do ano lectivo como a premiação dos que mais se empenham. Tal não deve constituir
motivo de descriminacao aos que menos se destacam dado que isso pode levar a desistências e
perca de interesse por parte das crianças.
22

No tocante a permanência das crianças nos centros de educação de infância é de sublinhar que
poucas crianças conseguem concluir o quinto ano do ensino pré-escolar. Os motivos
apontados estão intrinsecamente relacionados com o aumento anual das propinas o que faz
com que certos pais não consigam pagar devido a insuficiência de valores financeiros. “A
permanência nos centros depende fundamentalmente das exigências instituicionais na medida
em que o tempo se vai alastrando, o que leva algumas crianças a não cumprir na integra com
o programa de ensino pré-escolar,” LEINAS (1998).

As condições de acesso ao centro de educação de infância dependem fundamentalmente do


contexto em que se encontra inserido o centro infantil, pois, as exigência variam de região
para região. Por exemplo, as instituições localizadas nas cidades exigem dos pais, condições
diferentes exigidas nas zonas rurais ou distantes da cidade, o que quer dizer que o valor por
estes exigidos pode superar as condições financeiras dos pais.

Cada centro determina um conjunto de critérios para o ingresso na instituição como é o caso
de documentos tais como:

 Caderneta de controlo sanitário;


 1 Cópia da cédula ou boletim de nascimento;
 1 Cópia do cartão de vacinas;
 2 Fotos coloridas do tipo passe;
 Assinatura da declaração por parte dos pais;
 Termo de responsabilidade assinado pelos pais e encarregados de Educação.

Estes critérios são definidos pelo Ministério da Mulher e Acҫão Social ( MIMAS) abrindo
excenҫão para casos dos centros privados definirem suas proprias normas.

1.5 Alguns Critérios dos Pais para a Escolha de Um Centro Infantil

 A importância de matricular o seu educando no ensino pré-escolar: Os pais devem


conhecer o impacto da educação pré-escolar para que se sintam motivados a ingressar
os seus educandos o que passa também em perceber que esse tipo de educação permite
o desenvolvimento das capacidades intelectuais da criança. Os pais devem perceber
que a educação pré-escolar constitui um requisito para o desenvolvimento integral da
criança sobretudo quando esta estiver no período escolar. “Quanto mais os pais
perceberem a pertinência da educação na pré-escola, maior será o nível de aderência
23

e afluência....” LEINAS (1998). A pré-escola constitui um ponto de partida para o


aperfeiçoamento e desenvolvimento das potencialidades da criança. Portanto, essa
concepção a qual pode-se chamar de motivação intrinseca podendo levar a aderência
ao ensino pré-escolar.
 Compreensão das propostas pedagógicas da instituição: Os pais devem saber quais as
propostas da instituição e se as mesmas permitem o bom desenvolvimento das
aspirações éticas e morais da família e da comunidade de pertença. Devem ter a
resposta das questões tais como: Que habilidades e competências são desenvolvidas
nesta instituição? Quais são as modalidades e técnicas previlegiadas? Em muitos
casos, os pais valorizam também as habilidades linguísticas e artísticas, bem como, os
jogos que permitem o desenvolvimento das crianças. Pesquisas realizadas pelo
MIMAS (2011) levam a crer que 85% das instituições que possuem modalidades tais
como: balé, jogos, ntxuva, danças (mapico, timbila), linguas estrangeiras ( inglês,
chinês, madarim, etc ) tem maior aderência.
 O estatuto de formação profissional dos educadores e outros intervenientes da
instituiҫão: A qualificação dos educadores de infância é de extrema importância dado
que contribui para a afluência nos centros infantis. Os pais estão preocupados com a
qualidade e o nível de formação dos profissionais que terão a responsabilidade de
cuidar e educar seus filhos. As qualificações profissionais dos educadores é essencial
uma vez que permite com que os mesmos exerçam as suas actividades de forma
adequada e satisfaçam as necessidades educativas das crianças.
 Estrutura física do centro: Muitas das vezes as condições físicas da instituição de
infância constituem um atractivo para os pais e encarregados de educação. Os pais
querem ver o estado em que se encontram as infra-estruturas ( disposição das salas,
casas de banho adequadas para crianças, mobiliário escolar, espaço para lazer,
material escolar em uso e sua segurança, etc). Portanto, o nível de organização e
apetrechamento das infra-estruturas condiciona o acesso e permanência nos centros de
educação de infância.
 O tipo dos materiais didácticos necessários e existentes na instituição: O material
didáctico condiciona em grande medida na afluência a educação pré-escolar, não só
por parte dos pais, como também, serve como incentivo às crianças e aos educadores
podendo as mesmas influênciar a decisão dos pais para permanecer neste centro.
 O tipo de pedagogia usada ( se a mesma é actual e adequada ) para a educaҫão de
infância; os pais devem estar seguros de que a pedagogia usada no centro de educação
24

de infância é a mais recomendada para as suas espectativas o que implica perceber


quais são os mecamismos e técnicas de ensino adequados para satisfazer as
necessidades educativas das crianças. Assim que os pais perceberem que o ensino
ministrado nos centros de educação de infância promove o desenvolvimento integral
da criança, maior será aderência. Portanto, é importante que as actividades
desenvolvidadas previlegiem o desenvolvimento das aspirações de linguagem,
inteligência, criatividade e outros.
 Os pais procuram perceber se dos valores éticos e morais promovidos na instituição
estão de acordo com as sua aspirações; de modo geral directa ou indirectamente os
procuram promover valores sociais de perteça, e neste contexto, o centro (como o
segundo lar da criança deve perpetuar esses valores tendo em consideração o meio em
que a criança está inserida” não deve haver disparidade acetuanda no que concerne
aos valores éticos, morais que a criança valoriza a partir da socialização primária. A
educação deve promover e respeitar os valores morais da criança fazendo com que
esta seja capaz de conviver com os outros de modo aceitável.
 A Educação da Infancia deve ser entendida em sentido amplo, pois ela pode englobar
todas as modalidades educativas vividas pelas crianças pequenas na família e na
comunidade, antes mesmo de atingirem a idade da escolaridade obrigatória. Diz
respeito tanto à educação familiar e a convivência comunitária, como a educação
recebida em instituições específicas.
 Alguns pais procuram perceber o comprometimento da instituição com o regulamento
estabelecido pelo governo; sobretudo no que concerne a legislação laboral. Nesse
contexto, o bom nome e desempenho instituicional condiciona em grande medida a
questão do acesso e permanêmcia das crianças nos centros de educação de infância.
 Como é que as crianças são tratadas, sobretudo as mais pequenas: é pertinente que as
crianças sejam bem tratadas e cuidadas, pelos educadores pois isso promove um bom
relacionamento tanto com as crianças, assim como, com os educadores de infância. Os
pais precisam saber que os seus filhos serão bem cuidados num determinado centro.
 Como será estabelecida a comunicaҫão entre os pais e o centro infantil: a comunicação
com os pais é de extrema importância para a educação dos seus filhos uma vez que
estes precisam estar informados da real situação do seu educando. De acordo com
LEINAS (1998) “os educadores devem estar em constante contacto com os pais ou
responsáveis pela criança, permitindo desse modo, a obtenção de informações utéis
relativos às particularidades sociais e educativas das crianças”.
25

 Que padrão de educaҫão o centro transmite as crianças: a educação de infância deve


preparar a criança que seja capaz de enfrentar os desafios que a vida lhe coloca para
tal pressupõe o desenvolvimento das habilidades necessárias para aprendizagem
significativa, isto é, o tipo de educação que o centro oferece pode levar a derência dos
pais e encarregados de educação.
De um modo geral, as exigências para o acesso num determinado centro infantil
condicionam a afluência para além das exigências às condições.
26

CAPITULO II- METODOLOGIA DE PESQUISA

No capítulo anterior, debruçei sobre a revisão da literatura, demos ênfase a elementos que
permitem enquadrar e sustentar teoricamente o meu estudo. Tentamos trazer elementos de
diferentes estudos e autores de modo a facilitar a minha compreensão dos critérios de acesso
e permanência das crianças nos centros infantis tendo em conta as evidências do meu
contexto.

Para a concretização deste estudo, no capítulo que se segue descrevi os procedimentos


metodológicos usados para o estudo empírico, começando pela abordagem de investigação,
população, amostra e apresentação dos instrumentos de recolha de dados, descrevendo o
processo de sua elaboração como forma de conferir maior consistência ao instrumento, assim
como os indicadores. Nos procedimentos de recolha de dados, descrevi com pormenor os
diferentes passos e momentos do processo de colecta de dados no local da pesquisa,
terminando com referência da forma como a análise desses mesmos dados foi desenvolvida.

2.1 Abordagens de Investigação

A abordagem da nossa pesquisa foi mista mas com maior enfoque a aspectos qualitativas,
pois baseou-se numa metodologia descritiva com um enfoque holístico de modo a explorar
dados relacionados com a realidade moçambicana, através da revisão bibliográfica,
questionários e entrevistas. A escolha do método qualitativo deveu-se a necessidade de fazer
uma análise comparativa entre os critérios que os pais usam para a escolha de um centro
infantil e os critérios que os centros usam para o acesso das mesmas.

2.2 População e Amostra

Segundo GIL (2009) a população é a parte de universo caracterizada e identificada segundo


uma ou mais referências de forma a distingui-lo de um determinado contexto, enquanto que
amostra é um conjunto de indivíduos, valores ou elementos retirados de uma população a fim
de que o estudo estático dessa amostra possa fornecer informações cruciais sobre a população.

Assim, a minha pesquisa contemplou um universo populacional composto por directores dos
centros infantis, educadores de infância e os pais e encarregados de educação. Deste modo
sinto-me obrigada a determinar um número de sujeitos da pesquisa que permitiu analisar os
27

dados de forma exaustiva. Para tal, adoptei um número de participantes de forma estratificada,
onde seleccionei, 50 elementos organizados da seguinte maneira:
28

Tabela 1. Participantes

Categoria H M Total

Directores 1 2 3

Educadores - 17 17

Pais ou encarregados de educação 15 15 30

Total 16 34 50

Fonte: Dados do questionário das pesquisadoras

A variável sexo permitiu descrever o grupo alvo em termos de género. A participação das
mulheres nos estudos científicos é importante, dado que historicamente a mulher sempre foi
descriminada em vários assuntos académicos, políticos, económicos e neste sentido, há
necessidade de resgatar a figura da mulher. Outro aspecto é que os centros de educação de
infância são na sua maioria muito frequentados por mulheres o que facilitou o contacto com
este grupo alvo ao longo do trabalho de campo.

2.3 Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados

Na presente investigação combinamos vários instrumentos tais como revisão bibliográfica,


questionário e entrevista, que são descritos nos pontos seguintes, de forma a obter maior
número de informação. Para explicarem em que medida foram úteis para a realização deste
estudo.

a) Análise Bibliográfica

Segundo BEZZON (2005), este instrumento é considerado como sendo a base de qualquer
trabalho científico, corresponde a todas obras efectivamente lidas e utilizadas na pesquisa e
facilita na aquisição de dados sobre o tema em discussão, sugestões e opiniões sobre o que os
outros investigaram e disseram sobre o mesmo assunto, o que permite um estabelecimento de
um modelo teórico inicial de referência para análise de dados.
29

b) Questionário

Segundo GIL(2009), consiste basicamente em traduzir os objectivos específicos da pesquisa


em itens bem redefinidos. Este instrumento tem em vista a obtenção de respostas e
informações mais objectivas e precisas sobre a temática em análise. Na presente pesquisa o
questionário foi advertido em forma de entrevista, de modo a compreender com mais detalhes.

c) Entrevista

Segundo KETELE e ROEGIERS (1999), este é um método de recolha de informações que


consiste na conversa oral individual ou de grupo com várias pessoas seleccionadas
cuidadosamente, cujo grau de pertinência, validade e fiabilidade é analisado de perspectiva
dos objectivos pré-estabelecidos. No nosso estudo permitiu obter dados junto dos directores
do Jardim Infantil Nossa Senhora De Fátima.
Para análise estatística dos dados recorrer-se-á a estatística básica (média, mediana e moda), e
arredondamos por excesso.

2.4 Análise de Dados

Para a operacionalização do presente estudo, foram seleccionados de forma estratificada uma


amostra de 50 intervenientes na qual estão divididos em 3 membros de direcção, 17
educadores e por fim 30 pais. Para o efeito contactou-se a direcção do Jardim Infantil
NossaSenhora De Fátima para dialogarmos a cerca do objectivo do tema em análise. Assim
sendo, a directora pedagógica realizou uma reunião com as educadoras a fim de explicar o
objectivo do questionário. Por causa das tarefas que são incumbidas às educadoras acordou-se
em se elaborar um questionário que foi administrada em forma de entrevistas para as
educadoras e pais e encarregados de educação e finalmente seguiu-se a recolhida, análise e
interpretação dos dados obtidos que nos permitiu conhecer a visão da direcção do centro,
educadores e pais e encarregados de educação sobre os aspectos levantados.
30

2.5 Limitações do Estudo

Foram enfrentadas limitações de natureza operacional e de ordem técnica tais como:

 Dificuldade no contacto para com os directores e pais ou encarregados de educação


durante a pesquisa de campo, deparamo-nos com alguns constrangimentos, por um
lado, o facto de os pais e os directores do centro terem tarefas que não permitiram o
diálogo no devido tempo.
 Dificuldades no acesso à informação interna do centro referente aos dados para a
análise documental por sensação de invasão de privacidade por parte dos actores das
mesmas.
 Devido ao período de férias do final do ano lectivo do Jardim Infantil Nossa Senhora
De Fátima bem como, da Universidade Pedagógica vi-me obrigada a observar um
período de interrupção no processo de trabalho de campo.

Apesar destas limitações e tendo em conta o que acima foi descrito, no fim da pesquisa foram
alcançados os resultados desejados.
31

CAPITULO III- ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS

Os capítulos antecedentes procuram fazer a revisão da literatura da pesquisa, discutindo o


problema da pesquisa, apresentando o quadro teórico, as hipóteses e os objectivos da
pesquisa, isto é, apresentei o substrato teórico da pesquisa, bem como a visão e os
procedimentos metodológicos inerentes a investigação efectuada.

Neste capítulo, fiz de forma suscita, a apresentação e interpretação dos dados da presente
pesquisa, na perspectiva de responder aos objectivos que orientam o estudo. Para isso, foram
respondidas as questões de pesquisa que reflectem os objectivos específicos tais como: (i)
Qual é a opinião da direcção do centro de educação de infância em relação as condições de
acesso e permanência dos educadores? (ii) Quais são as condições de acesso e permanência
dos educadores nos centros de educação de infância? (iii) Quais são os critérios que os pais e
encarregados de educação usam para a identificação de um centro infantil? (iv) Quais são as
condições de acesso e permanência das crianças nos centros de educação de infância? As
questões indicam as dimensões da pesquisa.

3.1 Descrição do Local de Pesquisa "Jardim Nossa Senhora de Fátima”

O Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima é uma instituição privada, que alberga crianças
dos 0 aos 5 anos de idade, inaugurada em2000 pela Ministra da Mulher e Acção Social, teve
como início das actividades no dia 06 de Julho de2000 com uma média de220 crianças e
funciona na modalidade de semi-internato, estando a trabalhar actualmente com220 crianças.

O Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima conta com 30 trabalhadores dos quais uma
directora geral, uma directora pedagógica, um administrativo, um director dos recursos
humanos, uma contabilista, uma recepcionista,16 educadores, 3 agentes de limpeza, 3
guardas, um jardineiro e5 motoristas. Em relação a descrição física do Jardim Nossa Senhora
de Fátima é composta por8 salas de actividades, 7 dormitórios e uma sala polivalente que
corresponde a creche (onde são realizadas diversas actividades) e tem uma planta de 1 piso
em forma de U.

Para além disto o centro tem 2 casas de banho (uma para crianças com características
especificas e outro para trabalhadores, apresenta um pátioamplo com diversas áreas,desde o
local reservado para a recreação das crianças (parque infantil e um jardim) relva e flores.
plantas e outros) bem organizado com bancos apropriados.
32

Figura 1 - Visão geral do Centro Infantil Cantinho do Céu

3.2 Dimensão da Direcção do Centro de Educação de Infância

Relato A: Segundo a directora geral do Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima as condições
ou requisitos de acesso das educadoras nesta instituição são, formação na área de educação de
infância, apresentação da documentação referente ao registo criminal, apresentação de 2
fotografias 9/13, boletim de sanidade e aptidão física para trabalhar com crianças e existência
de cabimento orçamental por parte da instituição de infância para o pagamento das
mensalidades. E o acesso para as crianças é mediante apresentação da documentação no acto
da matrícula e o respectivo pagamento das mensalidades. Oamor pelo trabalho por parte do
educador e pais e encarregados de educação é crucial, devendo demonstrarem o interesse e
comprometimento com a instituição, através de uma participação activa nas actividades que
lhes são atribuídas pelo centro.

Relato B:A directora pedagógica ressaltou a questão dos documentos tais como aptidão física
para trabalhar com crianças e muito mais responsabilidade acima de tudo, no que concerne a
comunicação entre a direcção do centro e os pais e encarregados de educação, através de
reuniões trimestrais e as vezes via telemóvel em caso de preocupações como forma de
facilitar o contacto imediato.

A directora pedagógica salientou que, o Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima tem
aderência por causa do prestígio que tem no mercado tendo em conta a qualidade de ensino
que oferece as crianças.Um outro aspecto que merece o nosso apressa é o facto das
33

capacitações pedagógicas específicas para educadores, de modo a incorporar na filosofia de


trabalho do centro infantil, o que ajuda na compreensão das diversidades, neste processo ajuda
no comprometimento do educador com a instituição pois ele é o primeiro agente no centro.

Este pressuposto contribui para a permanência do educador no centro.

Relato C: Assistente das Educadores: Tem como seu papel promover um ambiente sadio no
seio das educadoras e flexibilizar a planificação das actividades, orientar as educadoras no
caso da execução da planificação e quanto ao acesso das crianças é mediante ao pagamento
das propinas e o não comprimento das mesmas dita a expulsão imediata da criança.

Como pude verificar segundo relatos acima apresentados deixaram claro que o acesso das
crianças neste centro infantil/jardim é mediante ao pagamento das mensalidades nos prazos
acordados no acto da matrícula e o não cumprimento das cláusulas ditará a expulsão imediata
da criança e no caso do educador é através de uma avaliação do desempenho anual no
exercício das suas funções e ter uma óptima experiência (conhecimento prévio do trabalho) o
que facilita e contribui para a melhoria da qualidade dos serviços

3.2 Dimensão Educadores

3.2.1 Factores de Permanência do Educador no Centro de Educação de Infância

A tabela 2, demonstra a descrição das variáveis relacionadas aos factores de permanência do


educador no centro de educação de infância. Em quase todas as variáveis desta tabela,
verifica-se maior pontuação. Segundo os dados da tabela, destacam-se a variável “o bom
relacionamento educador patronato” indica 41% e para a outra variável “salário que satisfaz o
educador” os resultados indicam 59% na sua totalidade femininas tendo em conta que a nossa
amostra não contemplou os do sexo masculino por sua exiguidade na instituição.

Tabela 2.Descrição das variáveis de factores de permanência do educador no centro de educação de infância.

H M Total %
Variáveis

O bom relacionamento entre o educador e patronato 0 7 7 41%

Salário que satisfaz educador 0 10 10 59%

Total 0 17 17 100%
34

Fonte: Dados do questionário das pesquisadoras

No que diz respeito a permanência do educador neste centro as entrevistadas indicaram as


condições salariais, pois acreditam que o Jardim Infantil Nosa Senhora De Fátimaé a
instituição de infância que oferece melhor salário a nível de Ka mavhota. Contudo, existe uma
especulação de insatisfação no que concerne a comunicação intra-grupal entre o centro e a
direcção. De um modo geral, o conflito também pode ser considerado como um dos
pressupostos para o desenvolvimento institucional.

3.2.2 Factores que Contribuem para a Não Permanência do Educador no Centro de


Educação de Infância

Na tabela3, no que diz respeito a não permanência dos educadores nos centros infantis 24%
das educadoras, apontam a insatisfação do pessoal educador durante as suas funções e 18%
indicam o mau relacionamento entre os membros de direcção em relação aos educadores o
que coloca em causa o ambiente de trabalho acarretando assim o desempenho individual do
educador e um número significativo dos entrevistados 59% consideram o baixo salário que os
centros oferecem sendo um factor que contribui para o baixo nível de motivação das
educadoras nas suas funções.

Segundo a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), a educação das crianças cabe
antes de mais aos pais. Quando estes não o podem fazer, o Estado tem o dever de os apoiar.
No entanto, o Artigo 19 do (CDC) refere que é obrigação do Estado adoptar medidas
adequadas a protecção da criança contra todas as formas de violência física ou mental,
abandono ou tratamento negligente, maus tratos ou exploração, incluindo a violência sexual,
enquanto se encontrar sob a guarda de seus pais ou de um deles, dos representantes legais ou
de qualquer outra pessoa a cuja guarda haja sido confiada. É também responsabilidade do
Estado garantir o bem-estar dos educadores, através da participação com o pagamento
salarial. No caso específico do Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima não acontece por ser
uma instituição privada.
35

Tabela 3.Discrição das variáveis de factores que contribuem para a não permanência do educador no centro
de educação de infância

Variáveis H M Total %

Insatisfação pessoal do educador 0 4 4 24%

Mau ambiente de trabalho 0 3 3 18%

Baixo salário 0 10 10 59%

Total 0 17 17 100%

Fonte: Dados do questionário das pesquisadoras

Analisando os factores acima indicados pelas educadoras, quando o patronato não respeita os
direitos dos seus trabalhadores pode colocar em causa a motivação dos educadores conforme
refere Mondy citado por TEIXEIRA (1998: 122), motivação é uma vontade de uma pessoa de
desenvolver esforços com vista a prossecução dos objectivos da organização.

3.2.3 Contribuições do Educador para a Permanência da Criança no Centro Infantil

Como podemos verificar na tabela 4, a maior parte dos educadores 59% acreditam que o
educador é a chave para a permanência das crianças no centro infantil através de apresentação
do relatório semanal do nível de desenvolvimento das crianças e o estabelecimento de boa
relação com os pais. Por outro lado, 41% apontam a manutenção da boa comunicação com os
pais das crianças assim como o melhor atendimento as mesmas.

De um modo geral, ao falarmos da educação de crianças é sempre importante olharmos para o


educador de modo a garantirmos uma óptima contribuição para a permanência das crianças no
centro infantil.
36

Tabela 4. Descrição das variáveis em relação as contribuições do educador para a permanência da criança
no Centro Infantil

Variáveis H M Total %

Manter boa comunicação com os pais 0 7 7 41%

Os educadores contribuem através de apresentação 0 10 10 59%


do estado de desenvolvimento da criança

Total 0 17 17 100%

Fonte: Dados do questionário das pesquisadoras

3.3 Dimensão Pais e Encarregados de Educação

3.3.1 Critérios de Escolha ou Identificação do Centro Infantil

Os resultados obtidos na tabela 5, indicam que, dos 50 pais e encarregados de educação


entrevistados 30% apontam a observância do ambiente físico, apetrechamento das salas, assim
como, o nível das limpezas como um dos indicadores para a escolha do centro. Entretanto a
maioria dos entrevistados na ordem de 40% olham primeiramente ao nível de formação de
educadores e (30%) indicam o horário de trabalho, como condição principal para a escolha da
instituição.

Estes pais que observam o horário de trabalho optam por este indicador, devido o factor
tempo ou seja, indisponibilidade para estar com a criança devido ao trabalho em que eles
estão exercendo. O que reflecte a preocupação dos pais contemporâneos (falta de tempo).

Tabela 5. Descrição das variáveis relacionadas aos critérios de escolha ou identificação do Centro Infantil

Variáveis H M Total %

Condições físicas da instituição 8 7 15 30%

Nível de formação dos educadores 9 11 20 40%

Horário de trabalho 10 5 15 30%

Total 27 23 50 100%

Fonte: Dados do questionário das pesquisadoras


37

Esta questão de critérios de escolha ou identificação do centro infantil afigura-se pertinente


para perceber os critérios de escolha que os pais usam para a identificação de um centro
infantil, considerando que entregar uma criança a alguém para cuida-la precisa de uma
confiança entre as partes e que encontrará profissionais devidamente formadas tecnicamente
para desenvolver actividades de educação das crianças.
De acordo com NEVES (1997) os pais devem reconhecer que o ensino pré-escolar ajuda no
desenvolvimento integral da criança, podendo isso influênciar na aderência a este tipo de
educação.

3.3.3 Factores de Permanência das Crianças no Centro Infantil

A tabela 6 mostra as variáveis relacionadas com os factores de permanência das crianças no


centro infantil. Nesta tabela, destaca-se o nível de formação de educadores com um número
significativo na ordem 23 inqueridos, correspondente a 46%. Por outro lado, na variável
ambiente físico da instituição indicaram 38%. Finalmente, 16% indicam a variável distância
entre o centro infantil e a casa. Esta pesquisa revela que existe uma diferença evidente de
opinião na opção de escolha das instituições de educação de infância, procurando o bem-estar
das crianças e também foi possível compreender que a questão de distância centro infantil-
casa não é uma preocupação gritante, pois o Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima dispõe
de transporte pessoal para a facilitar o acesso.

Tabela 6. Descrição das variáveis relacionadas aos factores de permanência das crianças no Centro Infantil

Variáveis H M Total %

O ambiente físico da instituição 10 9 19 38%

O nível de formação de educadores 9 14 23 46%

A localização entre o centro e a casa 0 8 8 16%

Total 19 31 50 100%

Fonte: Dados da Pesquisadora

Como pude verificar nos dados da tabela acima descrita, a permanência das crianças no centro
de educação de infância depende muito mais do do nivel de formacao de educadores onde os
pais consideram que o primeiro contacto com a instituição é determinante para a opção dos
pais e encarregados de educação.
38

Outro indicador é o ambiente físico do centro infantil que reúne condições que estimilem a
criança através dos locais específicos para a recreação, associado a beleza na organização do
jardim.
39

CONCLUSÃO E SUGESTÕES

Este capítulo apresenta as conclusões e sugestões tendo em conta os objectivos e as perguntas


de pesquisas que guiaram a pesquisa. Esta pesquisa teve como objectivo geral compreender os
mecanismos de acesso e permanência das crianças nos centros de educação de infância no
município ka Mavota em particular o Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima.
Especificamente o estudo visava, (i) Identificar as condições de acesso e permanência dos
educadores nos centros de educação de infância; (ii) Indicar os critérios que os pais e
encarregados de educação usam para a identificação de um centro infantil; (iii) Verificar a
opinião da direcção do centro de educação de infância em relação as condições de acesso e
permanência dos educadores; e (iv) Descrever os factores que influenciam o acesso e
permanência das crianças nos centros educação de infância.

Durante a realização da presente pesquisa dados preliminares revelam que as crianças


provenientes de familias carenciadas pouco aderem a educação de infância dado que as
condições económicas das mesmas não permitem a participação das crianças. As condições
de acesso e permanência dos educadores no Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima são,
formação na área de educação de infância, apresentação da documentação referente ao registo
criminal, apresentação de 2 fotografias 9/13, boletim de sanidade e aptidão física para
trabalhar com crianças, mas o MMAS (2011), exige que o educador tenha pelo menos a
formação específica em educação de infância ou seja, segundo os dados obtidos, destaca-se a
variável “o bom relacionamento educador patronato” indica 41% e para a outra variável
“salário que satisfaz o educador” os resultados indicam 59% na sua totalidade femininas tendo
em conta que a nossa amostra não contemplou os do sexo masculino por sua exiguidade na
instituição.

Os resultados desta pergunta indicam que dos elementos da nossa amostra entrevistados 30%
apontam a observância do ambiente físico, apetrechamento das salas, assim como, o nível das
limpezas. Entretanto a maior parte dos entrevistados na ordem de 40% olham primeiramente
ao nível de formação de educadores e 30% indicam o horário de trabalho, como condição
principal para a escolha da instituição.
40

Os dados da pesquisa revelam que a maior parte dos centros existentes no Município ka
Mavota são de carácter privado no entanto o acesso e permanência do educador depende das
condições salariais e outras condições relativamente ao relacionamento entre o educador e a
direcção. Segundo relatos colhidos no campo deixaram claro que o acesso das crianças neste
centro infantil é mediante ao pagamento das mensalidades nos prazos acordados no acto da
matrícula e o não cumprimento das cláusulas ditará o fim de acordo e no caso do educador é
através de uma avaliação do desempenho anual no exercício das suas funções. É de salientar
que, a maior parte das educadoras são antigas a trabalhar na área.

De acordo com as conclusões tiradas em função dos resultados obtidos da análise documental
e entrevistas na presente monografia aponta-se as seguintes sugestões que norteiam as boas
práticas no acesso e permanência na educação de infância em Moçambique:

 Tendo em conta o acesso e permanência das crianças nos centros de educação de


infância em Moçambique, sugerimos a necessidade de se desenvolver estratégias para
o alastramento deste tipo de informação em diversas zonas dependendo das suas
condições socioeconómicas;
 Afectação de mais educadores de infância com formação profissional na área da
educação de infância.

Acrescentem sugestões para os Gestores de Centros de Educação de Infância.

Uma instituição de infância não pode funcionar com problemas de água, oprocesso de asseio
deve se verificar em todos os momentos para garantir a higiene e saúde das crianças.

Todos os processos deve decorrer num ritmo normal pois na criança deve se criar condições
paraaquisição do material didáctico, efectuarvisitas outros centros para uma troca de
experiencias.

Disponibilizar o material didáctico para as crianças em todas as actividades livres e


programadas, indicar cantos de interrese.

Os brinquedos e as brincadeiras são fundamentais, pois contem significados para estimular, as


crianças na actividade e liberdade da criança, o brinquedo e igualmente manipulado pelas
construções sociais.

OS jogos ajudam na criança a desenvolver as capacidades intelectuais cognitivas e


experiencias próprias.
41

Educadores de Infância

A necessidade de aumento salarial

Atribuição de incentivos

Premiações etc.

Pais e Encarregados de Educação.

Todas as sugestões devem ser relacionadas com a importância do acesso e permanência nos
centros de educação de infância….dos educadores e das crianças.
42

Bibliografia

BENTO, Adriano da Conceição. Educação no Período de Infância. Fundação


ColoustreGulgbenkiaen, volume ΙΙ, Lisboa, 1995.

BEZZON, Lara Crivelaro. Guia Prático de Monografias, Dissertações e Teses. 3ª Edição,


editora Alínea, São Paulo, 2005.

Convenção sobre os Direitos da Criança. Adoptada pela Assembléia Geral nas Nações Unidas
em 20 de Novembro de 1989.

DNAS. Manual de Orientação e Procedimentos para o Atendimento às Crianças nos Centros


Infanti. Maputo, 2003

MIMAS. Programa Educativo para Crianças do 1º ao 5º ano. MIMAS, Maputo, 2011.

DUCLOS, Germani. Orientar o meu Filho na sua Vida Escolar. 1 edição, Pré Editoras.
Lisboa. 2006.

GIL, Carlos António. Elaborar o Projecto de Pesquisa. 4ª Edição, editora atlas, 2009.

KETELE, J. M. & ROEGIERS, Xavier. Metodologia de Recolha de Dados, Instituto Piaget,


1999.

BEZZON, Lara Crivelaro. Guia Prático de Monografias, Dissertações e Teses. 3ª Edição,


editora Alínea, São Paulo, 2005.

KRAMER, S. Pré-escola nas Mãos uma Alternativa Curricular para Educação Infantil. R.
Edição Ética, São Paulo, 1992

LEINAS, Maria da Costa et. al.Níveis de Aderência a Educação Pré-Escolar. Analise


Comparativa de Aderência a Educação de Infância no Ocidente. Edição Revista, Lisboa,
1998.

Lei nº 6/92 de 6 de Março. Sistema Nacional de Educação. I Série, Número 19.

LEINAS, Rui da Cruz. Educação e Saúde na Infância. Universidade do Nimho, Lisboa, 1999.

LIBÂNIO, José Carlos. Didáctica Geral.Cortez Editora, 1999.


43

MIMAS. Orientações Metodológicas do Manual do Programa de Apoio Pedagógico para


Crianças do 1º ao 5º ano de vida, Maputo, 2011.

NOBRE, Clementina da Glória. Educação de Infância. Editora Paulos, São Paulo, 1997.

PELETTI, Claudino. Didáctica Geral, Editora Ática, 23ª Edição, São Paulo, 2004.

TELLES, Carla etal.Educação, Infância e o Desenvolvimento da Criança. Fundação


CaloustreGulgbernkeien, Lisboa, 2001.

TEXEIRA, Amâncio Neves, etal.Psicologia Educacional. Universidade Federal Rio Grande


do Sul, São Paulo, 1998.

UNICEF, etal.Saúde e Vida. 4ª Edição, Maputo, 2008.

UNICEF. Protecção da Criança: Manual para Parlamentares. 2007.


44

APÊNDICE I. Exmo Senhor Director do Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima

Matilde Parruque, e Sara Tamele vêm por este meio, pedir a V. Excia a colaboração para
concretizar um trabalho de investigação científica no âmbito de uma monografia de
Licenciatura em Educação de Infância, na Faculdade de Ciências de Educação e Psicologia na
Universidade Pedagógica de Maputo. O objectivo do estudo é compreender os mecanismos de
acesso e permanência das crianças nos centros de educação de infância. Para tal, necessitava
que a direcção me autorizasse a trabalhar com alguns intervenientes desta área para posterior
entrevista com a direcção sobre o tema em referência.

Será garantida a confidencialidade das respostas e servirão somente para questões desta
pesquisa.

Agradeço desde já a disponibilidade

Maputo, de Junho de 2018

Para qualquer esclarecimento contactar …………………………. 824028170.


45

APÊNDICE II. Guião de Entrevista Dirigido à Direcção do Centro Infantil

Análise das Condições de Acesso e Permanência nos Centros de Educação de Infância: Caso
Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima

O questionário que se segue é um guia de entrevista aos directores dos centros de educação de
infância e visa perceber a sua percepção no que concerne ao acesso e permanência à educação
de infância.

1. Quais são as condições que ditam o acesso e permanência do educador de infância?


_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
____________________________________________________________________
2. Como é a relação entre a direcção e os pais e encarregados de educação?
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_________________________________________________________________
3. Quais são as estratégias para a motivação dos educadores de modo a garantir a sua
permanência no centro infantil?
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
4. Que sistema existe de comunicação direcção e educadores?
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
5. Mencione os aspectos chaves para a maior aderência das crianças à educação pré-
escolar?
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
Obrigado Pela Atenção
46

APÊNDICE III. Questionário Dirigido aos Educadores de Infância

Análise das Condições de Acesso e Permanência nos Centros de Educação de Infância: Caso
Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima

O presente questionário é um guião de entrevista aos educadores de infância, e visa a


obtenção de informações relacionadas com as condições de acesso e permanência na
educação pré-escolar.

1. Quais são os factores que contribuem para a permanência do educador no


centro de educação de infância?
a) A satisfação pessoal do educador
b) O bom relacionamento Educador – Patronato
c) Salário que satisfaça as expectativas do educador
d) Localização (distância casa-centro)
e) Praticas frequentes na instituição (aniversários, convívios colectivos
semanais, criação de concursos entre crianças)
Outra
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

2. Quais são os factores que contribuem para a não permanência do educador no


centro de educação de infância?

a) A Insatisfação pessoal do educador.


b) Mau ambiente de trabalho
c) Mau relacionamento Educador – Patronato
d) Baixos salários
e) Localização (distancia casa-centro)
f) Práticas frequentes na instituição (aniversários, convívios colectivos semanais,
criação de concursos entre crianças)
Outra
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
47

3. Como é que o educador pode contribuir para a permanência da criança no


centro infantil?

a) Através de trabalhos realizados na instituição

b) Manter boa comunicação com os pais

c) Estabelecer contacto com os pais sempre que necessário

d) Apresentação de um relatório do estado de desenvolvimento da criança


(semanal, mensal, e trimestral)

Outra
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

Obrigada pela Atenção


48

APÊNDICE IV. Folha de Consentimento Informado aos Pais ou Encarregados de


Educação das Crianças

O senhor (a) está sendo convidado a participar de uma pesquisa com o objectivo de
compreender os mecanismos de acesso e permanência das crianças nos centros de educação
de infância.

Caso aceitar participar, o senhor (a) responderá a um questionário com perguntas relacionadas
ao objectivo acima. O senhor (a) pode sentir certo desconforto em responder as questões a
serem colocadas mas esclarecemos que as informações obtidas serão analisadas em conjunto
com as dos outros participantes da pesquisa, sem nenhuma identificação.

O senhor (a) é livre para retirar o seu consentimento e deixar de participar da pesquisa a
qualquer momento, sem que isso te traga qualquer prejuízo. As informações colectadas, bem
como, a sua identidade, serão mantidas sempre em sigilo. O pesquisador compromete se a
utilizar os dados colectados apenas para gerar conhecimento.

Acredito ter sido suficientemente informado a respeito das informações que li ou que formam
lidas para mim, descrevendo o estudo “os mecanismos de acesso e permanência das crianças
nos centros de educação de infância”. Eu discuti com a pesquisadora responsável pela
realização desta entrevista, a minha decisão em participar deste estudo. Ficaram claros quais
os objectivos de estudo, os procedimentos a serem realizados, as garantias de
confidencialidade e de esclarecimentos permanentes. Ficou claro que a minha participação é
isenta de despesas. Concordo voluntariamente em participar deste estudo e poderei retirar o
meu consentimento a qualquer momento, antes ou durante o mesmo, sem penalidades ou
prejuízo.

__________________________________________________________________________

Assinatura do Encarregado de Educação Data: ____/_____/______

__________________________________________________________________________

Assinatura da responsável pela entrevista Data: ____/_____/______

APÊNDICE V. Questionário Dirigido aos Pais/Encarregados de Educação


49

Análise das Condições de Acesso e Permanência nos Centros de Educação de Infância: Caso
Jardim Infantil Nossa Senhora de Fátima

O presente questionário é dirigido aos pais e encarregados de educação das crianças do Jardim
Infantil Nossa Senhora de Fátima e tem como objectivo, a recolha de informações
relacionadas com acesso e permanência das crianças nos estabelecimentos de educação pré-
escolar.

Estado Civil ____________________Ocupação _________________________________

Nível de Escolaridade ___________________ Nº de Filhos ________________________

Nas questões 2, 3 e 4 assinale com um X ou comente se for o caso.

1. Qual é a importância da educação pré-escolar para o desenvolvimento da


criança?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

2. Qual é o critério que adoptou para a escolha do centro infantil?


a) Condições físicas da instituição tais como organização do ambiente de aprendizagem;
b) Nível Formação dos educadores
c) Análise do programa pedagógico da instituição/qualidade de ensino;
d) Localização da instituição
e) Horário de trabalho
f) Critérios estabelecidos pelo centro.

Outra
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
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3. Factores de permanência da criança no Centro Infantil

a) Localização (distância casa-centro)


b) Práticas frequentes na instituição (aniversários, convívios colectivos semanais, criação
de concursos entre crianças)
c) A qualidade de alimentação oferecida no centro infantil
d) Bom relacionamento criança/educador
e) Actividades extra-curriculares

Outra
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

4. Formas de comunicação/relção entre pais e educadores de infância?

a) Comunicam se diariamente para o relatório diário.

b) Só há comunicação através de reuniões estabelecidas pela instituição.

c) Só há comunicação em caso de doença.

Outra
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

Obrigada Pela Atenção

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