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Tipos de pericias

Dicas de pericias

https://www.sitesa.com.br/contabil/conteudo_trabalhista/procedimentos/p_previdencia/p11.
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CONTEÚDO TRABALHISTA
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Pedido de Reconsideração nos Procedimentos de Perícia Médica

1. Introdução

A Orientação Interna INSS/DIRBEN nº 138/06, que dispõe sobre os procedimentos de perícia


médica, traz os tipos de conclusões no que se refere às conclusões médico-periciais.

Neste trabalho abordamos, entre outros, o Pedido de Reconsideração (PR) no que se refere
aos procedimentos de perícia médica.

2. Tipos de Conclusões Médico-Periciais

Os tipos de conclusões médico-periciais, nas hipóteses de benefícios por incapacidade,


resultantes das respostas aos quesitos existentes no laudo médico-pericial, são os seguintes:

- Tipo 1 - Contrária;

- Tipo 2 - Data da Cessação do Benefício-DCB; e

- Tipo 4 - Data da Comprovação da Incapacidade (DCI).

A conclusão será do Tipo 1 (contrária), nos casos de exame inicial Ax-1, Pedido de
Prorrogação (PP) e Pedido de Reconsideração (PR), em que for verificada a inexistência de
incapacidade para o trabalho.

A conclusão será do Tipo 2 (DCB) nos casos de:

- Incapacidade Laborativa Cessada


a) o parecer médico pericial deverá ser subsidiado por documentação médica (atestados,
relatórios, comprovantes de internação hospitalar, exames complementares, etc.);

b) a DCB deverá ser fixada em data anterior ou na Data da Realização do Exame (DRE),
conforme o caso;

c) observada a forma de filiação do segurado ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS)


e constatada a existência de seqüela definitiva, enquadrada no Anexo III do Decreto nº
3.048/99, poderá ser indicada a concessão de auxílio-acidente;

- Existência de Incapacidade Laborativa

a) observadas as características clínicas de cada patologia, o perito médico fixará o prazo


para a manutenção do benefício, justificando-o tecnicamente;

b) a sugestão de limite superior a um ano está sujeita a homologação pelo Serviço/Seção de


Gerenciamento de Benefícios por Incapacidade (GBENIN);

c) será garantida a avaliação pericial ao segurado que, no limite fixado pelo Perito Médico,
considerar-se ainda incapacitado para o trabalho, bastando para tal a sua manifestação por
meio do Pedido de Prorrogação (PP);

- Incapacidade Laborativa Cessada com Retorno Voluntário ao Trabalho

a) nos casos de retorno antecipado ao trabalho, a cessação do benefício será estabelecida


pelo perito médico do INSS, pela análise da documentação apresentada pelo segurado;

b) o benefício será cessado no dia imediatamente anterior à data do retorno ao trabalho,


informada no documento apresentado.

A conclusão será do Tipo 4 (DCI) nos casos de existência de incapacidade com indicação de:

- Reabilitação Profissional

a) havendo indicação de reabilitação profissional, o perito médico deverá fixar o limite de


180 dias;

b) sempre que necessário, para conclusão do programa de reabilitação profissional, o limite


de que trata a letra anterior poderá ser prorrogado, por meio de exame médico pericial, pelo
mesmo período, por duas vezes consecutivas;

c) concluído o programa de reabilitação, com indicação de retorno ao trabalho, o segurado


será submetido à avaliação pericial para cessação do benefício;

d) havendo desligamento do programa de reabilitação, por impossibilidade de retorno ao


trabalho, o segurado será submetido à avaliação pericial, para definição quanto à indicação
de aposentadoria por invalidez;

e) as intercorrências médicas ou sócio profissionais deverão ser analisadas em conjunto, pelo


perito médico e pelo orientador profissional, para decisão quanto à manutenção ou
interrupção do programa de reabilitação profissional;
f) nos casos de interrupção do programa de reabilitação, sem indicação de aposentadoria
por invalidez, o benefício deverá ser concluído como Revisão em dois anos (R2) e será objeto
de ações gerenciais pelo GBENIN;

- Aposentadoria por Invalidez - Limite Indefinido (LI)

a) para sugestão de aposentadoria por invalidez o perito médico deverá considerar a


gravidade e irreversibilidade da doença/lesão, sua repercussão sobre a capacidade
laborativa, bem como a impossibilidade de reabilitação profissional;

b) as aposentadorias por invalidez estão sujeitas às revisões previstas em lei;

- Revisão em Dois Anos (R2)

a) para sugestão de revisão em dois anos o perito médico deverá considerar a gravidade da
doença/lesão e a probabilidade de recuperação da capacidade laborativa;

b) os segurados com indicação de revisão em dois anos poderão ser encaminhados, pela
perícia médica, ao Serviço Social para acompanhamento, encaminhamento aos recursos da
comunidade, emissão de parecer social e outros recursos técnicos que se fizerem
necessários;

c) a perícia médica poderá, a qualquer tempo, convocar o segurado para nova avaliação
pericial, em decorrência de ações gerenciais.

As conclusões de Aposentadoria por Invalidez (LI), Revisão com Dois Anos (R2) de auxílio-
acidente e acréscimo de 25% estão sujeitas a homologação pelo Gerenciamento de
Benefícios por Incapacidade (GBENIN) ou pelos servidores peritos médicos com delegação
de competência.

3. Pedido de Prorrogação (PP) - Interposição

Poderá ser interposto Pedido de Prorrogação (PP) sempre que for reconhecida a existência
de incapacidade laborativa e que a Data de Cessação do Benefício (DCB) for maior que a
Data da Realização do Exame (DRE) que a fixou.

4. Pedido de Prorrogação (PP) - Conclusões

As conclusões do PP obedecerão aos mesmos critérios estabelecidos no item 1 desta matéria.

5. Pedido de Prorrogação (PP) - Apresentação - Prazo

O prazo para apresentação do PP é a partir de 15 dias até a Data da Cessação do Benefício


(DCB).

O PP será apreciado por meio de novo exame médico-pericial, que poderá ser realizado pelo
mesmo profissional responsável pela avaliação anterior.

6. Pedido de Reconsideração (PR) - Interposição

Poderá ser interposto PR nas seguintes hipóteses:


a) na conclusão médico-pericial contrária à existência de incapacidade laborativa de
segurados e beneficiários da Previdência Social (T1);

b) na conclusão pericial favorável (T2), com Data da Cessação do Benefício (DCB) menor ou
igual à Data da Realização do Exame (DRE) (ver letra "b" - Incapacidade Laborativa Cessada
- da Conclusão do Tipo 2, item 2 desta matéria).

Ressalte-se que caberá apenas um PR por benefício.

7. Pedido de Reconsideração (PR) - Novo Exame Médico-Pericial - Apreciação

O PR será apreciado por meio de novo exame médico-pericial, realizado por profissional
diferente daquele que proferiu a conclusão objeto do PR.

8. Pedido de Reconsideração (PR) - Apresentação - Prazo

O prazo para apresentação do PR é de 30 dias, contados:

a) da ciência da conclusão contrária, nos casos de perícia inicial (Ax-1);

b) do dia seguinte à DCB, ressalvada a existência de PR não atendido ou negado, hipótese


em que o prazo será contado da ciência da decisão desfavorável.

Havendo PP, o prazo para o PR será de 30 dias, contados da ciência da decisão do exame
do PP.

Lembra-se que as conclusões do PR obedecerão aos mesmos critérios fixados no item 1


desta matéria.

9. Doença Diversa da Geradora do Benefício Objeto do PR ou PP - Constatação - Perito


Médico - Parecer

Nas hipóteses em que for constatada a incapacidade resultante de doença diversa da


geradora do benefício objeto do PR ou PP, o perito médico deverá concluir com parecer
favorável, com modificação do Código Internacional de Doenças (CID), da Data do Início da
Doença (DID) e da Data do Início da Incapacidade (DII), justificando em campo próprio, a
razão da mudança, observando que:

a) se a DID e a DII forem menores ou iguais à DCB e desde que atendida a exigência de
carência, o benefício será restabelecido;

b) se a DII for maior que a DCB e desde que atendida a exigência administrativa de carência,
o PR ou PP será transformado em requerimento de novo benefício, sem necessidade de outro
exame médico-pericial;

c) se a DID e a DII forem maiores que a DCB e não atendido o requisito de carência, o PR
ou PP será transformado em requerimento de novo benefício, o qual será indeferido por falta
de período de carência, sem necessidade de outro exame médico-pericial;

d) no caso da letra "b", quando não houver retorno ao trabalho, caberá à empresa o
pagamento dos 15 primeiros dias de afastamento, considerando como último dia de trabalho
a data da cessação do benefício.
10. Pedido de Reconsideração (PR) - Indeferimento - Recurso - Prazo

Nas hipóteses de indeferimento do PR poderá ser interposto recurso à Junta de Recursos da


Previdência Social.

O prazo para interposição do recurso à Junta de Recursos da Previdência Social será de até
30 dias, contados da ciência da conclusão do exame pericial do PR.

Quando não tiver sido requerido o PR, o prazo para interposição do recurso será contado a
partir da data da ciência da conclusão contrária.

11. Formulário - Requerimento de Pedido de Reconsideração (PR)

O formulário, adiante transcrito, foi obtido no site da Previdência Social


http://www2.dataprev.gov.br/sabiweb/pppr/inicio.view , e requer o preenchimento do
número do benefício e a data de nascimento do beneficiário.

"Requerimento de Pedido de Reconsideração (PR)

O Pedido de Reconsideração é um direito do beneficiário quando não concordar com o


resultado da Avaliação Médica realizada pelo INSS.

Prazos para requerer:

- Benefício negado poderá requerer de imediato ou até 30 dias após a ciência da avaliação
médica;

- Benefício com cessação prevista só poderá ser requerido até 30 dias após a data da
cessação.

È lamentável ouvir e acompanhar a todo momento acusações alarmantes,


tendenciosas e simplistas, dirigidas aos contribuintes da Previdência Social
quando sob cumprimento da autarquia às obrigações ao Auxílio-Doença, Auxílio-
Acidente e Aposentadoria por Invalidez.Cidadãos incapacitados para o trabalho
são usados como bode expiatório, ocultando a deficiência tecnico-administrativa,
adjetivados de forma pejorativa "preguiçosos, mentirosos, oportunistas etc.... e
em moda agressores de médicos, novo artifício a conquistarem para entregar
laudos ilegalmente, por terceiros ou pelo correio.
Sem generalizar, é reconhecido que a "qualidade de atendimento e serviços" dos
funcionários e médicos é abusiva, ferindo os preceitos da dignidade de qualquer
pessoa normal. Se há desequilibrio, é mais uma amostra de falta de competência
ao atendimento publico. É tanto abuso na área de relações publicas que nestes
setores onde ocorrem manifestações extremas de desagrado por alguns
segurados: amostras que são ostentadas pelos peritos como troféus de
submissão e sofrimento.
Trabalhadores fragilizados, acusados sem critério como responsáveis e
culpados pelas reveladoras estatísticas da Previdência, normalmente incapazes
de se defender dos ataques de "maus" perítos, que negam encarar a realidade
e suas obrigações profissionais. Ouvimos a todo momento medidas restritivas
aos beneficiários, reduzindo toda sorte de direitos.São temas e propostas, em
maior evidência pelo Forum da Previdência. Se nota que doentes e idosos são
"problema" para Previdência.
È oportuno alertar que é anormal uma pessoa sadia desejar ser doente ou
inválida, isto em si, quando ocorre já é uma patologia. Essas pessoas devem ser
assistidas de forma competente por médicos.Repugnante e antiético levar ao
pânico de forma generalizada, cidadãos incapacitados, aterrorizando com o
corte do benefício, pessoas de bem e em dia com as obrigações
previdenciárias,vitímas de doenças ou invalidez, atiçadas por Peritos arrogantes,
famosos pelos maus-tratos nos ambulatórios do Inss.
A maior anomalia imposta aos cidadãos "encostados" é agenciada pela Perícia
Médica, Médicos regulamentados pelo Conselho Federal de Medicina, não se
importando que para atingirem seus desígnos tenham que abrir mão da ética
como indivíduo e como médico, por interesse financeiro, acumulam quantos
empregos quiserem,e exigem todas as prerrogativas de funcionários públicos.
Os cidadãos exigem a muito: Apuração e acionamento jurìdico pelo Ministério
Público, Conselho Federal de Medicina. Em uma outra oportunidade vou passar
aqui as normas específicas para médicos que atendem o trabalhador e alguns
tópicos do Manual de Perícia Médica da Previdência Social.

Projeto Reabilita- pesquisar

http://www.perito.med.br/2012/12/editorial-sobre-pericia-do-inss.html

EDITORIAL SOBRE A PERÍCIA DO INSS


A Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, periódico editado pela laboriosa
FUNDACENTRO, trás em seu volume 37, número 125 de Jun/Jul 2012, editorial
assinado pelos eminentes pesquisadores Maria Maeno e José Tarcísio Buschinelli
sobre a proposta de concessão de benefícios por incapacidade sem perícia inicial
do INSS. Atentos a tudo que se pode saber (pois há muito que não se sabe, talvez
porque sequer exista) sobre a atividade médico-pericial em debate, este blog faz
algumas respeitosas considerações sobre o texto.

A primeira, digamos, imprecisão, foi, já no primeiro parágrafo, compartimentalizar


a avaliação do pretendente a auxílio-doença em administrativa (qualidade de
segurado) e técnica (realizada por perito médico). Na verdade, ilustres
pesquisadores, a avaliação médico pericial é que determina haver ou não
qualidade de segurado nas datas do adoencimento e incapacitação. Esta é
caracterizada por julgamento multifatorial do perito, portanto transcende a
técnica.

Ainda no primeiro parágrafo é afirmado que "as perícias subsequentes eram


agendadas até a cessação do benefício". Esta afirmação não corresponde à
verdade, uma vez que também sempre foi da prática pericial estimar o período de
recuperação através da conclusão dita tipo 2, ou DCB, que significa Data da
Cessação do Benefício, estabelecida na perícia concessora, a critério do
julgamento pericial. A conclusão tipo 4, ou DCI - Data da Comprovação da
Incapacidade - era (e é) apenas uma das conclusões possíveis.

No parágrafo terceiro, os autores abordam "sistema de cessação de benefícios


por incapacidade, tendo por base a estimativa de tempo de recuperação funcional
atrelada exclusivamente ao código da doença...". A preocupação dos
editorialistas não procede, uma vez que a sociedade reivindica clareza e critério
nas deliberações periciais e uma estimativa para cada patologia ou agravo é
desejável. Evidentemente isso não significa um "sistema de cassação" nem
jamais poderá ser uma imposição automática que violente a autonomia do perito
que, repito, JULGA a incapacidade a partir da doença principal levando em conta
todos os intervenientes, inclusive sociais. Se estamos falando da perícia médica
previdenciária composta por servidores federais concursados, este temor não
tem fundamento.

Em seguida, os autores abordam a "concessão mediante atestado apresentado


pelo segurado". A crítica que fazem refere-se à impossibilidade, na proposta, que
o atestado caracterize a doença como ocupacional. Não há qualquer referência à
autenticidade dos afastamentos nem à necessidade de controles a este respeito
não apenas por má-fé, mas por desentendimentos conceituais de quem tem o
compromisso exclusivo com o paciente. Ignoram, dando a entender
desconhecimento da atividade ou credulidade ideológica na pureza e boa fé dos
trabalhadores bem como na capacidade de médicos serem assistentes e peritos
ao mesmo tempo. No mínimo ingenuidade.

Preocupam-se com reabilitação e com a integração do INSS com o SUS.


Efetivamente são braços distintos da Seguridade que se entrelaçam na medida
em que as deficiências do SUS impactam na duração dos afastamentos. A
principal razão de prorrogação de benefícios além dos prazos estimados é a baixa
resolutividade do SUS, com alto custo previdenciário e social, questão que os
editorialistas não abordam tampouco. Não seria o SUS o órgão adequado a fazer
perícias por razões vocacionais, isenção inadequada devido à relação médico-
paciente assistencial e, sobretudo, pela contaminação da ineficiência do órgão
assistencial sobre o previdenciário, mas isso é vagamente sugerido a título de
desburocratização.

O parágrafo final, entretanto, é o que mais demonstra a distância entre os


bacharéis e os trabalhadores peritos, ao afirmar "Uma verdadeira mudança no
modelo pericial exigiria a discussão do conceito de incapacidade, que atualmente
é baseada exclusivamente no diagnóstico e apenas em um código de doença..."
Nada mais equivocado! A perícia previdenciária jamais permitiu a imposição de
CID sobre o JULGAMENTO da incapacidade e sempre defendeu a individualização
de cada caso, ponderando sobro o diagnóstico todo e qualquer interveniente
como idade, qualificação, acessibilidade, comorbidades etc. Os autores entendem
os peritos como robôs, copiadores de atestados, o que não só não corresponde
à realidade como faz alguns, como eu, se sentirem ofendidos.

É FALSA A IDÉIA DE QUE A PESSOA TEM QUE ESPERAR


A PERÍCIA DO INSS PARA RETORNAR AO TRABALHO
MESMO QUE JÁ TENHA SE RECUPERADO.

Existe um conceito entre empregadores, empregados e médicos do trabalho e


assistentes que precisa ser modificado: Não existe nenhuma obrigação, por parte
do segurado e do empregador, de "ter que passar na perícia" para voltar ao
trabalho nos casos em que sabidamente o segurado já recuperou sua condição
laborativa. Nestes casos, quem decide o tempo de tratamento e o retorno ao
emprego, ou seja, a "alta", é o médico assistente junto com o médico do trabalho.

O INSS não dá "alta". O INSS apenas avalia a incapacidade no período apontado


pelo segurado. O perito, salvo raros e pontuais casos, não pode ir além do alegado
pelo segurado e dizer que ele estava incapaz mesmo quando comprovadamente
o mesmo exerceu trabalho e se declarava apto. (Digo comprovadamente pois tem
casos onde o segurado frauda período "trabalhado" para tentar vantagem
indevida no cálculo da carência).

O INSS apenas apura se é verdade ou não a alegação de incapacidade laborativa


para fins pecuniários e calcula o tempo estimado de afastamento, se houver,
baseado no exame pericial.

Mas se o cidadão já melhorou e teve alta do ortopedista, por exemplo, porém ainda
aguarda fila no INSS, TEM QUE SE REAPRESENTAR na empresa e o MTb tem que
aceitá-lo mesmo se a perícia ainda não foi feita. A perícia, quando for feita, apurará
se houve incapacidade no período em que ele ficou parado. Apenas isso.

Não é o ideal. O ideal seria passar em perícia antes dos 15 dias, mas essa
vinculação de retorno ao trabalho APENAS após a perícia mesmo que
sabidamente o trabalhador tenha se recuperado antes da data marcada pelo INSS,
isso não existe em lugar algum. Não tem Lei ou norma médica ou legal que
sustente essa aberração.

O QUE É INCAPACIDADE LABORATIVA?


Na realização de perícias previdenciárias, interessa particularmente a
"incapacidade laborativa", ou "incapacidade para o trabalho", que foi definida
pelo INSS como "a impossibilidade do desempenho das funções específicas de
uma atividade (ou ocupação), em consequência de alterações
morfopsicofisiológicas provocadas por doença ou acidente. O risco de vida para
si ou para terceiros, ou de agravamento, que a permanência em atividade possa
acarretar está implicitamente incluído no conceito de incapacidade, desde que
palpável e indiscutível".

Na avaliação da incapacidade laborativa é necessário ter sempre em mente que o


ponto de referência e a base de comparação devem ser as condições daquele
próprio examinado enquanto trabalhava, e nunca os da média da coletividade
operária.
Na prática, na realização de perícias administrativas para a concessão de
benefícios por incapacidade laborativa, espera-se que o médico perito se
pronuncie quanto à existência (ou não) de incapacidade laborativa temporária,
com a consequente concessão de licença para tratamento de saúde ou
equivalente; de incapacidade laborativa indefinida, com concessão de
reaproveitamento ou readaptação, no caso de incapacidade parcial, ou de
aposentadoria por invalidez, no caso de incapacidade total e omniprofissional.

Assim, para a conclusão médico-pericial sobre a existência (ou não) de


"incapacidade laborativa", é imprescindível considerar as seguintes informações:
1- diagnóstico da doença
2- natureza e grau de "deficiência" ou "disfunção" produzida pela doença
3- tipo de atividade ou profissão e suas exigências
4- indicação ou necessidade de "proteção" do segurado doente, por exemplo,
contra reexposições ocupacionais a "agentes patogênicos" sensibilizantes ou
de efeito cumulativo
5- eventual existência de hipersusceptibilidade do segurado ao "agente
patogênico" relacionado com a etiologia da doença
6- idade e escolaridade do segurado
7- suscetibilidade ou potencial do segurado à readaptação profissional
ARTIGO RECOMENDADO - SINDROME DO TÚNEL DO
CARPO

Esta semana, fui abordado num Pedido de Reconsideração por segurada dentro
do consultório revoltada porque tinham cessado seu benefício. Ela era
empregada e vendedora de roupas e insistia que eu concordasse com seu
argumento que o colega perito anterior tinha cometido um "erro" médico ao
cessar o seu benefício. Em suma, ela realizara ha 120 dias atrás cirurgia para
tratamento da Síndrome do Túnel do Carpo. No caso estava com
comprometimento sensitivo moderado em mão dominante direita. Procedimento
sem intercorrências. É nestas horas que o Perito Médico precisa ter muita
segurança e conhecimento tanto para conduzir o conflito já criado, como para
justificar a manutenção da decisão anterior: Manter a cessação.
http://www.fundacaounimed.org.br/site/Monografias/Luiz%20Philippe%20Westin.
pdf
Esta Monografia do Dr. Luiz Phillipe W. C. Vasconcelos está disponível na internet
para o público, não é recente, porém, ainda hoje considero um dos melhores
textos médicos para abordar a Síndrome do Túnel do Carpo (G56.0). Utilizo-a para
revisar e embasar algumas das minhas conclusões periciais e vou compartilhar
com os colegas. Ela diferencia-se dos demais escritos por ser profundamente
embasada em literatura médica e direcionada específicamente para as questões
médico periciais. Nela se pode ler informações sobre os verdadeiros Tabus
(criados pelos CERESTs, ONGs e Sindicatos) envolvendo "Simulação" e "Ganhos
Secundários" que sequer puderam ser abordados em paz num congresso
específico para peritos. Alguns trechos, por exemplo:

"Entre nós, Severo et al (2001) observaram que indivíduos operados de STC que
tinham cobertura de seguro previdenciário demoraram 10 vezes mais tempo para
retornar ao trabalho do que aqueles sem seguro (autônomos). Resultados
semelhantes obtiveram Chaise et al (2001) entre trabalhadores autônomos,
trabalhadores assalariados e trabalhadores funcionários públicos, com tempo
médio de retorno ao trabalho de 17; 35 e 56 dias respectivamente..."
"Deve o perito médico estar atento às simulações de sintomas; às fraudes de
documentos e aos exames de má procedência ou de resultados tendenciosos; à
interferência de acompanhantes e do médico assistente técnico da parte; às
tentativas de acordos espúrios; aos pareceres de outros médicos assistentes,
não compromissados com a justiça; às “provas emprestadas” de outros laudos;
às atitudes de outros profissionais paramédicos; aos prazos processuais; às
influências cartoriais e de corporações profissionais e à variável interpretação e
valorização do laudo pericial pelo próprio julgador."

"São necessários o correto diagnóstico pré-operatório, os esclarecimentos


prévios ao paciente, a boa técnica cirúrgica, adequado processo de reabilitação
imediato e tardio ocupacional, daí chegando-se a índices de até 99% de bons
resultados (ATROSHI et al, 2003).

Em nosso meio, Pereira et al (1993) obtiveram 92,3% de bons resultados com o


tratamento cirúrgico e 39,7% com o tratamento conservador em seguimento de
66 casos em 18 meses de acompanhamento, com subdivisão em 6 grupos de
acordo com a gravidade (sintomas, sinais e resultado eletroneurofisiológico).

É de especial interesse pericial a avaliação de resultados pós-operatórios da


STC de origem ocupacional, citada por Herbert et al (2000):

Adams (1994): apenas 41% de bons resultados após 3 anos.


Higgs (1995): após 3 anos de cirurgia, 35% tiveram que mudar de função.
Katz (1998): 23% afastados do trabalho 6 meses após a cirurgia.

Como citado por Kao (2003), a obra “Workplace Guidelines for Disability
Duration”, editada pelo Reed Group (1997), afirma que o tempo máximo de
afastamento do trabalho (para tarefas pesadas) é de 63 dias para aqueles que
não foram operados e 84 dias para os submetidos à cirurgia."

ATESTADOS MÉDICOS - Cada vez mais Descarados e


Criativos
Médicos em Manaus batizam de ‘atestadite’ velha
desculpa para faltar trabalho na segunda-feira

De acordo com profissionais da área médica, ambulatórios de hospitais


superlotam no início da semana com centenas à procura de atestado para
justificar 'indisposição' e falta no trabalho

Manaus, 18 de Novembro de 2012EVELYN SOUZA


Hospitais e prontos socorros ficam superlotados após o fim de semana; centenas
buscam atestados médicos (Winnetou Almeida)
Médicos de hospitais públicos e particulares em Manaus batizaram de 'atestadite'
a "doença" que vem levando cada vez mais centenas de pessoas, especialmente
às segundas-feiras, a ambulatórios, prontos socorros e consultórios médicos, à
procura de atestados que justifiquem 'indisposições' e a ausência no trabalho.
De acordo com um clínico geral que trabalha na emergência de hospitais
particulares, esse hábito é mais comum do que se imagina. Para ele, os excessos
a que muitos se submetem nos fins de semana, e a consequente desculpa para a
falta ao trabalho em seguida, está se tornando um "caso de saúde pública".
As desculpas para se conseguir um atestado médico estão ficando cada vez mais
"descaradas e criativas", segundo o clínico geral. O médico contou sobre um caso
curioso que chegou até ele.
"Uma mulher chegou comigo uma vez e disse que, 'do nada', começou a ter uma
'cuspideira'. Eu perguntei: 'o que é cuspideira?'. Ela respondeu que tinha
começado a cuspir muito de uma hora pra outra e, por isso, não poderia
trabalhar", comentou o médico, que prefere não ser identificado por prestar
consultas particulares.
Ele ainda cita as dores musculares freqüentes após os fins de semana. "Na
segunda-feira a gente recebe de tudo, mas, principalmente, casos de supostas
doenças osteomusculares (nos ossos e nos músculos). As pessoas chegam
reclamando de dor no corpo e dizem que é por excesso de trabalho, a famosa LER
(lesão por esforço repetitivo)", disse.
Pacientes com casos curiosos e caras de pau também são frenquentes não só
nas emergências de hospitais particulares, como também nos Serviços de Pronto
Atendimento (SPA) e nos Hospitais e Pronto-Socorros 28 de Agosto e João Lúcio.
Especialista em cardiologia clínica e médico do Serviço de Atendimento Móvel de
Urgência (Samu), Carlos Feitoza, relatou que, por conta da superlotação numa
segunda-feira, em um SPA da cidade, uma idosa de 70 anos morreu na fila,
esperando atendimento.
"Segunda e terça-feira são os dias mais cheios. Uma senhora de 70 anos certa vez
estava aguardando na fila esperando atendimento e o SPA estava tão lotado - por
conta dessas pessoas que chegam na urgência só para sair de lá com atestado
médico na mão - que a senhora teve um infarto e morreu na fila".

Carlos Feitoza disse ainda que, na maioria das vezes, as


pessoas são 'caras de pau' e dizem que precisam apenas de um
atestado médico "e não aceitam tomar medicação".

"Muitas pessoas chegam aos pronto-socorros dizendo que estão ali por conta da
bebedeira do fim de semana. Os casos mais comuns são de dor de cabeça e
diarréia", afirmou o clínico geral, lembrando que o excesso de álcool causa
desidratação.
Prejuízos
Os médicos são unânimes em dizer que o fato das pessoas lotarem as
emergências e os pronto-socorros nas segundas e terças-feiras atrapalha o
atendimento de quem realmente precisa.

Muitas vezes os pacientes chegam a ser agressivos com os profissionais da


saúde, de acordo com Carlos Feitoza. Ele disse que os médicos estão apelando
para que a segurança pública do Estado coloque policiais nos hospitais e pronto-
socorros.

"Para poder resguardar a integridade física dos médicos e também dos pacientes
que estão ali, a gente pede que reforcem a segurança. Existem pacientes que
realmente precisam de atendimento e as pessoas que vão para lá com desculpas
chegam cheias de razão e prejudicam o atendimento aos outros pacientes".

http://acritica.uol.com.br/manaus/Amazonia-Amazonas-Manaus-
Medicos_em_Manaus_batizam_de_-atestadite-
_velha_desculpa_para_faltar_trabalho_na_segunda-feira_0_812918724.html

A Renovação da CNH e o significado para Perícia Médica


do INSS - Ponto de Vista

Em um país com bolsões de pobreza como o Brasil, o exame para a obtenção ou


renovação da CNH funciona, de certa forma, como uma ação de Saúde Pública. É,
às vezes, a única oportunidade que um cidadão tem de ser atendido por um
médico. Daí a necessidade de um cuidado redobrado com o exame e, se detectada
qualquer doença, esteja ou não relacionada com a função de dirigir um veículo
automotor, orientar o candidato e, se possível, encaminhá-lo para um tratamento
adequado (MANUAL DE MEDICINA DO TRÁFEGO – CREMESP, 2003)
Um mecânico 29 anos de idade afastado há 3 anos com diagnostico de
esquizofrenia (F20) pelo INSS. Uma bancária com 47 anos afastada das atividades
há 4 anos com Síndrome do Túnel do Carpo (G56.0) e Lesão de Manguito Rotador
a Direita (M75.4) – membro dominante. Um motorista de ônibus com 53 anos de
idade afastamento há 7 anos por hérnia discal lombar com radiculopatia (M51.1)
– casos do cotidiano dos Perito do INSS. O que eles têm em comum? Renovaram
suas Carteiras Nacionais de Habilitação há menos de um mês. Não seria nada
demais se tivessem comparecido aos Departamentos de Trânsito Estaduais e
apenas solicitado uma segunda via do Documento. O problema é que foram
Submetidos à Perícia Médica por Colegas Médicos. E que Problema...

Cabe aos peritos do Detran detectarem, em seus exames médicos legais,


disfunções orgânicas e psiquiátricas incompatíveis totalmente ou parcialmente
(com restrições) com a condução de veículos automotores. Através dos seus
Laudos Médicos Periciais o Detran pode Autorizar ou Suspender as Carteiras
Nacionais de Habilitação (CNH) ou Rebaixar para categorias compatíveis com as
limitações detectadas, sugerir e impor adaptações mecânicas nos veículos
automotores, emitir laudos utilizados para isenção de impostos e proteger toda a
sociedade brasileira de acidentes de trânsito que, como sabemos, ceifam mais de
50.000 vidas de brasileiros ao ano. Caberia um exame pericial investigativo e
detalhado com exigência de comprovações para que muitas tragédias das
rodovias já documentadas nos anais da impunidade não se repetissem. Mas não
é isto que vem acontecendo e o "porquê" talvez tenha uma
resposta complexa envolvendo desde a perversão dos conceitos da medicina
securitária até a indústria crescente de laudos médicos direcionada para o
mercantilismo da terceirização do ato pericial com a exploração de profissionais
não-concursados e licitações suspeitas de clínicas e hospitais “cadastrados”. A
perícia médica do Detran com tanta responsabilidade jurídico-
administrativa deveria ser formada por um quadro de profissionais concursados
sem interesse em ganho por unidade produzida e com autonomia
plena. Infelizmente possuem mesma parcialidade dos peritos médicos dos
tribunais federais que ganham por produção e são escolhidos por afinidade e até
parentescos com os juizes com raras exceções.
No manual de Medicina de Tráfego do CREMESP, por exemplo, pode-se ler:

No caso específico desta atividade, somos procurados não para diagnosticar


alguma moléstia mas para atestar a capacidade de uma pessoa para exercer uma
atividade específica - dirigir veículos automotores. Parte dessas pessoas depende
da atividade para auxiliá-las nos seus afazeres e parte faz da mesma a sua
profissão. É justamente numa boa relação médico paciente que conseguiremos
extrair o máximo de dados do usuário para melhor avaliação das suas condições
e, principalmente, que ele aceite o seu parecer no caso de uma eventual
reprovação e siga suas orientações para um possível segundo teste.
Observe que o texto do Manual de Medicina de Tráfego do estado mais rico do
Brasil parece “confundir” a relação médico-paciente com a relação médico-
periciando. Note que há uma preocupação para com a aceitação do resultado da
perícia médica e uma tentativa de estabelecimento de uma relação de confiança.
Alguns chama de Perícia Humanizada. Eu chamo de Perícia Desvirtuada. A
conduta é ótima para evitar conflitos. O periciando paga, no mínimo, R$150,00
reais pela perícia – tal como na justiça - é submetido a uma conversa que dura, no
máximo,10 minutos, como a minha durou, e está resolvido. Ninguém é ameaçado
nem agredido – já ouviu falar em perito do Detran agredido?. E se caso o segurado
ocasionar um acidente grave de transito é só dizer que ele não disse nada sobre
ter doenças e/ou tomar medicações – como se fosse possível ele dizer sem que
fosse investigado e interrogado - pronto! Está tudo certo. E depois, para quê
existem peritos do INSS? Deixe que eles corram o risco da investigação e do
enfrentamento e nos avisem com seus comunicados para suspensão de
CNH. Infelizmente com esta prática viciosa de se insistir em confundir medicina
assistencial com medicina legal, de não se desconfiar e não se investigar
adequadamente e de não se punir ninguém pela adulteração das informações no
questionário do Detran – sob força da lei 299 do CPB que prevê pena de reclusão
de um a três anos por prestar declaração falsa com fim de criar obrigação ou
alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante - todos os dias a sociedade
inteira corre risco de agravos à saúde.

Há menos de 1 ano atrás passei por uma experiência que mudou minha ótica
pericial sobre as CNH. Fui renovar a minha habilitação e me submeti a um exame
médico legal que durou 3 minutos - acredito que nem em todos os estados seja
assim. Sendo "examinado" apenas diferenciei o verde do vermelho na parede, já
havia preenchido o questionário acima em 2 minutos e pronto. 5 minutos no total.
Naquele exato momento, Pensei em quantos segurados havia pessoalmente
cessado o benefício confiando nos mesmos colegas que tinham acabado de me
examinar. Por entender que; se o Detran havia autorizado um segurado doente a
dirigir sem restrições e profissionalmente após perícia médica, não seria a perícia
do INSS quem iria dizer que não. Afinal era do colega perito do Detran a autonomia
do julgamento e a responsabilidade direita da liberação, ainda que fosse do minha
indiretamente. A situação acontecida poria em Xeque tudo o que pensara e em
Choque os meus conceitos de autonomia, competência e responsabilidades
legais dos Peritos do INSS e do Detran. E, claro, também ampliaria minha visão
sobre a situação do segurado que eu julgara até então capaz por ter renovado a
sua CNH. “Ah! Heltron, ele - colega do Detran - não tinha como saber que o
segurado era esquizofrênico no momento da perícia dele, por isso vocês do INSS
que têm que avisar” dizia uma colega. Um grande consolo para a Perícia do
Detran. Uma grande responsabilidade para o Perito do INSS que carrega sobre si
a responsabilidade de todos os médicos envolvidos na matéria sobre segurados
motoristas incapazes, mas autorizados a dirigir. Como se não bastasse a
ineficiência do Detran, pergunto eu: E os médicos assistentes (psiquiatras e
ortopedistas) que receitam dezenas de medicações para motoristas
profissionais? E os médicos do trabalho que encaminham os trabalhadores para
o INSS? Não tem a mesma responsabilidade de enviar ofício ao Detran e avisar as
autoridades por quê? Silêncio... Não querem se comprometer...
Hoje, eu reduzo-me a nunca confiar nas habilitações renovadas - simples assim.
É triste o poder sem autoridade da Perícia Médica do Detran. Não uso suas
decisões sobre a capacidade para dirigir a favor nem a desfavor de nenhum
segurado. Limito-me a enviar os ofícios todas as semanas para o Detran com os
dados sobre segurados que renovam a CNH durante benefícios longos. Trabalho
por mim e por eles. Será que algum segurado já foi enquadrado no artigo 299 por
mentir para o Detran no questionário acima? Será que algum Perito terceirizado
do Detran já foi chamado a atenção por permitir pessoas completamente
incapacitadas para o exercício de atividade remunerada como motorista? O que
acha? Claro que não...

E afinal, a renovação da CNH durante o benefício longo teria algum significado


para o perito do INSS ou não? Poderia ser, mas desde que a Perícia do Detran se
Profissionalizasse com concurso rigoroso, qualificação e diálogo com o INSS até
lá fica difícil confiar.

Heltron Israel
http://peritomed.files.wordpress.com/2010/09/manual-de-medicina_trafego1.pdf
Postado por Heltron Xavier às sábado, dezembro 11, 2010

ATESTADO DE FISIOTERAPEUTA É PERFUMARIA PARA


FINS LEGAIS

Pois é Chico. A situação é crítica e afeta a perícia médica uma vez que
recorrentemente recebemos atestados de afastamento curtos e até sugestão de
aposentadoria por paramédicos. Psicólogos, enfermeiros e, claro, os campeões,
os fisioterapeutas. Como se não bastasse a situação questionável da emissão,
ainda há a questão dos cidadãos nomearem os seus documentos de "Atestados
Médicos" segundo os segurados que o recebem (ou compram). Ausência de
políticas públicas direcionadas para estimular a presença e o acesso do
profissional médico na rede pública criaram um terreno fértil para que
aproveitadores enganem a parcela da população que precisa e não tem. Eles não
querem nem saber afastam mesmo. Alguns pobres segurados repetem: "Eu
trouxe este porque está faltando médico". Justificaria? Ainda esta semana tive
três casos, como de costume, perguntei: "O Senhor trouxe Atestado Médico?", E
como resposta recebi a mesma : "Sim eu trouxe". Apresentando a seguir
atestado de Paramédico. Há uma certa inocência porque a maioria deles ouviu
falar por terceiros de que se tratava de médico. Pior foi ter descoberto que
eticamente não há o que fazer. Como eu sou cauteloso claro que quis saber
sobre a legalidade da questão da incapacidade então procurei pessoalmente
saber com colegas fisioterapeutas e descobri que sim. Eles têm apoio do seus
conselhos para a emisão:

"RESOLUÇÃO CREFITO-3 Nº. 22, DE 18 DE AGOSTO DE 2006

Dispõe sobre a competência do Fisioterapeuta na elaboração e emissão de atestados,


pareceres e laudos periciais laborais

Artigo 1º. – O Fisioterapeuta no âmbito da sua atuação é profissional competente para


elaborar e emitir parecer, atestado ou laudo pericial indicando o grau de capacidade ou
incapacidade funcional, com vistas a apontar competências ou incompetências laborais
(transitórias ou definitivas), em razão das seguintes motivações: 1) demanda judicial; 2)
readaptação no ambiente de trabalho; 3) afastamento do ambiente de trabalho para a
eficácia do tratamento de fisioterapia; 4) em apoio à aposentadoria por invalidez
(incompetência laboral definitiva); 5) para juntada em processos administrativos no setor
público (em conformidade com a Lei 9.784/99) ou no setor privado e 6) onde mais se
fizerem necessários os instrumentos referidos neste artigo, mediante consulta ao Plenário
do CREFITO-3, ou conforme medida disciplinadora complementar.

Parágrafo Único: com relação ao item 6, previsto neste artigo, deverá o Fisioterapeuta
peticionar junto ao CREFITO-3 na condição de consulente para que, após Acórdão
(Decisório) do Plenário, o profissional possa proceder na produção de um dos
instrumentos previstos nesta RESOLUÇÃO para outros fins nela não previstos (os
procedimentos para se colocar na condição de consulente serão estabelecidos em
regulamento interno).

Artigo 2º. Atestado trata-se de documento qualificado, afirmando a veracidade sobre as


condições laborais, isto é, declarando, certificando o estado do grau de capacidade ou
incapacidade funcional com vistas a apontar as competências ou incompetências laborais
(transitórias ou definitivas) do cliente em acompanhamento terapêutico...."

O curioso é que não há qualquer responsabilidade penal sobre o atestado


emitido por paramédico. É livre para escrever o que quiser e quando quiser. Já o
médico, O Código Penal é claro:
"Art. 302 - Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso:
Pena - detenção, de um mês a um ano.
Parágrafo único - Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa."
Já a CLT - Decreto lei 5452 também é claro sobre a competencia de atestados
médicos, há mais de VINTE citações da palavra "médico" na lei, para
afastamento por saúde entre elas:

"Art. 417 - A emissão da carteira será feita o pedido do menor, mediante a exibição dos
seguintes documentos:
IV - atestado médico de capacidade física e mental

SEÇÃO V - DAS MEDIDAS PREVENTIVAS DE MEDICINA DO TRABALHO


Art. 168 - Será obrigatório exame médico, por conta do empregador, nas condições
estabelecidas neste artigo e nas instruções complementares a serem expedidas pelo
Ministério do Trabalho: (Redação dada pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989)

I - a admissão; (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989)


II - na demissão;(Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989)
III - periodicamente.(Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989)

§ 1º - O Ministério do Trabalho baixará instruções relativas aos casos em que serão


exigíveis exames: (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989)
a) por ocasião da demissão; (Incluída pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989)
b) complementares.(Incluída pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989)

§ 2º - Outros exames complementares poderão ser exigidos, a critério médico, para


apuração da capacidade ou aptidão física e mental do empregado para a função que
deva exercer. (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989)

§ 3º - O Ministério do Trabalho estabelecerá, de acordo com o risco da atividade e o


tempo de exposição, a periodicidade dos exames médicos. (Incluído pela Lei nº 7.855, de
24.10.1989)

§ 4º - O empregador manterá, no estabelecimento, o material necessário à prestação de


primeiros socorros médicos, de acordo com o risco da atividade. (Incluído pela Lei nº
7.855, de 24.10.1989)

§ 5º - O resultado dos exames médicos, inclusive o exame complementar, será


comunicado ao trabalhador, observados os preceitos da ética médica."

ATESTADO DE FISIOTERAPEUTA É PERFUMARIA PARA FINS LEGAIS. Embora


nos esclareça aspectos cinesio-funcionais serve para enfeitar uma vez que não
há nenhuma obrigação e controle legal sobre a emissão do mesmo. Sequer é
crime previsto no Código de Direito Penal a sua falsificação.

Ou seja é uma farsa este tal de atestado de fisioterapeuta para o trabalhador.


Tentam empurrar à toda sociedade um documento sem qualquer valor legal, por
enquanto. Portanto eu NÃO SOU OBRIGADO A ACEITAR ATESTADO DE
FISIOTERAPEUTA e NENHUM MÉDICO DE EMPRESA TAMBÉM O É. O segurado
quando volta para o trabalho precisa de um EXAME MÉDICO DE ADMISSÃO E
NÃO EXAME DE FISIOTERAPEUTA. Passa da hora disso ser questionado
judicialmente. A população carente é enganada e por varias vezes PAGA para por
fisioterapia a fim de ADQUIRIR atestado para PERÍCIA MÉDICA e o seu DIREITO
A BENEFÍCIO.

ATUALIZADO EM 20/12/2012: A pedido do fisioterapeuta, apagamos o nome dele


do atestado. Se tem vergonha do que escreveu, não deveria ter escrito. Este BLOG
sustenta integralmente o nosso direito de manifestar nosso repúdio contra a
paramedicina e denunciar essa prática nefasta. Diagnóstico de incapacidade por
doença é ato médico. O resto é papo de quem quer emprego e fez a faculdade
errada. (Por Francisco Cardoso).

PERGUNTAS FREQÜENTES

1) "OS PERITOS NEGAM TUDO"


Mentira, 70% dos pedidos de Auxílio-Doenlça são deferidos mensalmente,
número que sobe para mais de 80% na categoria de empregados. Apenas 30% são
indeferidos, em média. Se o caso termina na Justiça, 90% dos peritos do juízo
CONFIRMAM a decisão do perito do INSS.

2) "OS PERITOS GANHAM PRA NEGAR"


Mentira, o salário do perito é fixado em Lei e tabelado, a gratificação de
desempenho, que está congelada por força de decisão judicial, levava em conta a
fila de espera. Logo, se os peritos aposentassem todo mundo, essa fila se
esvaziaria e a gratificação subiria. Se negasse tudo, os recursos iriam entupir a
fila, e a gratificação cairia. Portanto, trata-se de mera calúnia, pois em tese a
denegatória prejudicaria o perito. Conforme demonstrado, a gratificação não é
compatível com a profissão, pois cria na sociedade esse tipo de mito. Por isso a
luta pelo subsídio.

3) "OS PERITOS DÃO ALTA PROS DOENTES E MANDAM OS INCAPAZES DE


VOLTA AO TRABALHO"
Mentira, são indeferidos os pleitos dos que não são considerados incapazes ao
trabalho, logo não estão incapazes. Mesmo assim, o segurado tem o direito de
recorrer (PR) e entrar com recurso administrativo ou judicial. 40% dos PR resultam
em revisão da sentença inicial, o que mostra uma grande flexibilidade da perícia.
A perícia não dá alta, pois quem dá alta é o médico no hospital. Não existe alta
pois a doença continuará a ser tratada pelo médico assistente. A perícia
meramente afirma se naquele momento a pessoa está, ou não, incapaz para o
trabalho que executa.

4) "A ALTA PROGRAMADA DEIXA OS TRABALHADORES NO LIMBO POIS NÃO


GANHAM DO INSS E NEM DA EMPRESA"
Mentira e Desinformação. A Alta Programada é um mecanismo que permite que o
segurado possa retornar ao trabalho sem precisar esperar MESES por uma
"perícia de alta", coisa que não existe sequer na medicina assistencial, onde
normalmente as pessoas, p.ex., nas cirurgias, ganham os prazos de descanso na
alta hospitalar e não precisam retornar ao médico, como rotina, para saber se
podem trabalhar ou não. Caso esteja chegando ao final do prazo e o trabalhador
ainda esteja incapaz por algum motivo, existe o Pedido de Prorrogação. Enquanto
essa perícia de PP não é feita, o segurado continua recebendo por força de
decisão judicial. E se no PP não for deferido o pleito, existe o PR e os recursos.
Logo, só está no "limbo" o trabalhador que teve todos esses pedidos indeferidos
pelo INSS e cuja empresa NÃO CUMPRE A LEI E NÃO O RECEBE DE VOLTA.
Claramente se trata de um problema trabalhista, não previdenciário, pois na
ausência da cobertura do INSS, a empresa é OBRIGADA a pagar o salário e se a
mesma não aceita o empregado de volta, ela que arque com esses custos. Mas a
saída mais fácil para sindicatos e patrões é tentar empurrar o indesejado
funcionário para o INSS de novo, pois na Justiça demorará muito tempo. A alta
programada nada tem a ver com isso.

5) "OS PERITOS NEM OLHAM OS LAUDOS".


Mentira, o TCU já demonstrou em auditoria feita no INSS que mais de 85% das
vezes em que essa frase era feita por um reclamante, os dados estavam lá no
Laudo médico pericial (LMP), o que gerou a piada de que os Peritos Médicos
seriam Peritos Médiuns, pois sem ler os laudos sabiam o que o segurado trazia
na pasta. Recentemente vários advogados mudaram a postura de abordagem ao
processar o INSS por terem sidos processados por litigância de má fé ao afirmar
que o perito nem havia lido o laudo e no processo o LMP estar completo com os
dados "ditos ignorados".

6) "FUI HUMILHADO PELO PERITO."


Mentira. EM 100% desses casos quem diz isso é quem teve o pleito indeferido. Em
alguns casos, recebiam por ANOS a FIO sem se queixar, mas quando o BI foi
encerrado, foram "humilhados". No Brasil, humilhação é igual a não ter seu
pedido aceito. As queixas somadas contra peritos não fazem nem traço estatístico
no total de perícias feitas por mês no país (são menos de 2%). Via de regra, a
história é mais cabeluda e envolve tentativas de fraude ou fraudes consumadas,
como nos casos já citados neste blog.

7) "OS PERITOS SÃO ANTI-ÉTICOS POIS NÃO LEVAM EM CONSIDERAÇÃO OS


LAUDOS DOS ASSISTENTES"
Mentira e Desinformação. Os peritos levam sim em consideração os laudos dos
colegas, mas levar em consideração não é igual a ACATAR o conteúdo dos
mesmos, senão não precisaria de perícia, bastaria aceitar o laudo no balcão. O
Código de Ética Médica garante ao perito o direito de acatar ou não o que o
assistente preconiza. A jurisprudência também.

8) "O PERITO QUE ME VIU NÃO É ESPECIALISTA NA MINHA DOENÇA"


Desinformação. O perito é especialista em perícia. Não precisa ser especialista na
doença, pois a função dele não é dar diagnósticos e tratamentos, é avaliar se
existe incapacidade laborativa ou não. Para isso ele é melhor treinado que os
assistentes. Não preciso ser cirurgião cardíaco para saber que uma cirurgia de
revascularização miocáridca vai deixar o trabalhador incapaz por um prazo
razoavelmente longo.Legista que abre o crânio no IML também não é
neurocirurgião.

9) "O PERITO NÃO USA O CRACHÁ DO INSS"


Desinformação. Não usamos porque NÃO TEMOS CRACHÁS. EM São Paulo, por
exemplo, já fazem 5 a 6 anos que os novos peritos (Já não tão novos assim) pedem
os crachás e funcionais mas não nos são fornecidos, já os administrativos, mal
entram e já ganham os seus, o que mostra como que a perícia médica é segregada
dentro do INSS. O nome do perito consta do LMP.

10) "ESTOU AMPUTADO MAS O PERITO DISSE QUE POSSO TRABALHAR"


Mentira. Nunca um médico em sã consciência faria isso. Em 100% desses casos
o segurado teve indeferimento administrativo, ou seja, ou não era contribuinte do
INSS, ou a doença era pré-existente, ou era pedido de BPC-LOAS ou alguma outra
coisa ocorreu. NUNCA APARECEU NA MÍDIA um LMP onde um médico escrevia
que uma pessoa claramente incapaz está "apta ao trabalho". NUma certa vez o
facínora do Datena publicou uma série de reportagens desancando a perícia por
causa de um senhor sequelado de AVC que "tentou se aposentar" mas o perito
negou e ele morreu. Ao vermos a carta, se tratava de um indeferimento de LOAS
por critério de RENDA. Pedimos direito de resposta mas o COVARDE preferiu
apenas sumir com a matéria e nunca mais falou de peritos. Deveria ter sido
processado.

11) "PAGUEI UMA VIDA INTEIRA E QUANDO PRECISO DO INSS..."


Geralmente mentira. Talvez não saibam, mas o perito vê todas as contribuições
de cada examinado e quem faz esse tipo de argumentação, em geral, é quem
começou a contribuir em idade avançada, com doenças instaladas e até mesmo
incapacitados. Pagam como autônomos sem ter profissões definidas.

12) "TENHO UMA DOENÇA QUE ISENTA CARÊNCIA E O PERITO NEGOU"


Desinformação e má-fé. As doenças capazes de isentar carência precisam se
instalar APÓS a filiação ou primeiro pagamento, no caso de autônomos. Se a
manifestação da doença foi antes, será obrigatório o cumprimento da carência
legal.

13) "A ALTA PROGRAMADA É CONTRA O TRABALHADOR"


Mentira ou desinformação. A partir da constatação de que 70% dos trabalhadores
que ficavam naquelas filas da madrugada vergonhosas estavam lá para marcar
perícias de prorrogação ou alta foi idealizado o modelo que faria voltar ao INSS
apenas alguns que efetivamente necessitassem. Com a medida, a fila de 120 dias
caiu para 15, beneficiando a imensa massa silenciosa e honesta de trabalhadores
brasileiros. A volta da obrigatoriedade de reexaminar todos obrigará o INSS a
dobrar seu quadro de médicos e instalações e 70% das perícias serão apenas para
referendar a decisão anterior. Quem ganha com isso? Certamente não o
trabalhador.
Essas são as principais mentiras ditas contra os peritos. Que se use isso para
esclarecer à sociedade e ao Congresso do GOLPE CONTRA A PREVIDÊNCIA QUE
ESSES grupos organizados estão tramando há anos, tentando desqualificar o
trabalho dos médicos para botar a mão no cofre da casa.

Não somos guardiões de cofre, somos médicos responsáveis apenas por uma
PARTE de um PROCESSO de Benefício intitulado Auxílio-Doença, que depende
de vários fatores administrativos, além da perícia, e nossa função é fornecer ao
INSS um parecer conclusivo sobre a capacidade laboral do segurado. Só isso.