Você está na página 1de 18

INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR DE JEQUIÉ

INSTITUTO EDUCAR - IE

CENTRO DE ESTUDOS EM PSICANÁLISE E PSICOTERAPIAS - CEEP

CURSO LIVRE DE PSICANÁLISE

ROSEMARY SANTOS SOUZA

PSICANÁLISE E HIPNOSE

Jequié-BA

2018
ROSEMARY SANTOS SOUZA

PSICANÁLISE E HIPNOSE

Trabalho apresentado ao professor M.Sc


Josmar Barreto Duarte, ministrante da
disciplina Psicanálise e hipnose, no Instituto
Educar para o Centro de Estudos em
Psicanálise e Psicoterapias (CEPP), com
fim avaliativo.

Jequié/BA

2018
Nunca se ponderará o bastante a importância do Hipnotismo para a história 
da gênese da psicanálise. Tanto em seu sentido teórico quanto terapêutico, a 
psicanálise administra uma herança que o Hipnotismo lhe transmitiu.  

Sigmund Freud 
INTRODUÇÃO

Sobre hipnose, percebemos que Freud pode conhecer os fenômenos do


hipnotismo, especialmente os descritos por Jean-Martin Charcot, da Escola francesa
de Neuropatologia, o Hospice de la Salpêtriére, em Paris, quando engajou-se em
estudar sobre doenças anatômicas (atrofia e degenerações secundárias que se
seguem às afecções do cérebro em crianças).

Diante da falta de verba nos hospitais públicos da época, foi obrigado a


desistir dos estudos em anatomia e centrou-se nos estudos dos núcleos da coluna
posterior da medula oblongata. Deixa esse laboratória e vai trabalhar na Clínica com
o professor Jean-Martin Charcot, em quem pode adquirir um conhecimento pessoal
sobre hipnose, cujos fenômenos submetia à descrição científica, como fizera antes
com a esclerose e a atrofia muscular. Foi a partir dessa experiência com a hipnose
que Freud iniciou seus estudos em Neurologia, a porta inicial para a criação da
Psicanálise.

Charcot usava a hipnose para identificar as possíveis alterações anatômicas


em seus pacientes. Entretanto, essa espera era demasiadamente demorada diante
da expectativa de vida do paciente. Charcot acreditava que do fenômeno só devem
ser preservadas as dimensões somáticas.

Contrária a este pensamento, a Escola de Bernheim, em Nancy, usava a


sugestão como fator explicativo. Sugestão esta que Bernheim definiu como “uma
ideia concebida pelo operador ou hipnólogo, captada pelo hipnotizado e aceita por
seu cérebro” (SILVA, 2000, p.34). Bernheim havia sido aluno de Liébeault, visto mais
como um curandeiro do que médico.

Crespo afirma que, caso Freud estudasse em Nancy talvez não tivesse
abandonado a hipnose. Em Viena não convenceu seus colegas a aceitar as conclu

sões de Charcot. Em 1887, Freud abandona o método cartático e lança mão


da sugestão hipnótica de Bernheim para explicar os fenômenos. Para Freud, a
hipnose confere ao médico uma autoridade de tal ordem que é provável que nenhum
padre ou taumaturgo jamais a tenha possuído, pelo fato de ela concentrar todo o
interesse psíquico do hipnotizado na pessoa do médico” (SILVA, 2000, p. 35), tendo
inclusive recomendado à seus colegas e aos médicos de família, para ser utilizada
como procedimento terapêutico e não como último recurso.

Freud utilizou a sugestão de forma técnica e racional, posteriormente concluiu


que tanto a sugestão e por via desta, a hipnose não conseguiam dar conta para a
cura definitiva. Em casos graves, os efeitos da sugestão eram reduzidos a zero mas
o problema retornava em outro lugar.

Segundo Silva (2000), o erro de Freud foi associar a hipnose com doença,
com patologia somática. O transe sonambúlico, que provocava amnésia, e a vontade
crescente do descobrimento dos caminhos do inconsciente, e as mudanças
repentinas no comportamento cuja causa derivava do fator sexual, fizeram Freud
abandonar a hipnose e partir para a Livre Associação. Brauer aprendeu a aproveitar
o transe menos profundo, nascendo aqui a divergência entre os dois e posterior
separação.

A partir daí, Freud continuou seus estudos, até certo ponto dizendo ter
abandonado a hipnose, que para Charcot era apenas um sintoma histérico. Mas
percebe-se que durante os estudos sobre a histeria, Freud fez constante uso da
“pequena sugestão” nas sessões de psicanálise, sendo que a sugestão é uma das
técnicas utilizadas por Bernheim, cuja especificidade de permitir que o paciente
durante o transe agiam conforme as ordens recebidas do hipnotizador, entretanto,
não se lembravam do que tinham feito após o transe. “Era o inconsciente a governar
o consciente.” p. 154
DESENVOLVIMENTO

O presente trabalho consiste em apresentar fragmentos de textos estudados


na disciplina e relacioná-los com fatos do cotidiano. Assim, apresentaremos breve
conceito de hipnose e depois as citações com os pontos a serem desenvolvidos.

Assim, a atividade se realiza a partir de um exercício, cuja estrutura segue


abaixo:

a) Exercício do “Isto me lembra/me faz/me obriga:

Isto me faz lembrar que…

Isto me faz perguntar que …

Isto me faz afirmar que…

Isso me obriga a acreditar que…

b) Exercício da descoberta de relação (ões) entre o texto e o contexto. Lemos e


encontramos nexo com o seguinte fato/situação:

O que foi lido (texto) …

O fato/situação (vivência) …

O nexo que estabelecemos ...


SILVA, Gelson Crespo da. Por que Freud abandonou a hipnose? IN: ​Manual de
hipnose médica.​ 2 ed. Rio de Janeiro: SPOB, 2000. Cap 2.

“Freud não adotou o método hipnótico já em seu retorno a Viena, e não consegui fazer com
que seus colegas aceitassem às conclusões de Charcot a propósito da histeria, Por outro
lado, quando em 1887, tornou-se ‘praticante’ da hipnose, não foi do método cartático que ele
se valeu inicialmente, mas da sugestão hipnótica, a maneira de Bernheim.” (SILVA, p.35)

Isto me faz lembrar que ​quando Freud abandonou a hipnose, ele se frustrou.
Entretanto, isso pode ter sido o pontapé inicial para o surgimento da psicanálise.
Isso me lembra que, quando comecei a fazer o curso de Teologia perdi uma grande
amiga e fiz como Freud, me frustrei com o acontecimento, recuando de minhas
atividades teológicas, voltando muito tempo depois.

Isto me faz perguntar que ​será possível, depois de tanto tempo sem
exercer suas funções, que lhe fizeram bem, qual motivação para retomar as
atividades normais?

Freud voltou e ficou mais interessado no poder que a hipnose parece conferir
ao médico do que na nova ordem de causalidade.

Isto me faz afirmar que Freud, em certos momentos ele entendia que isso
era o correto, e poderia ser a solução para alguns tratamentos darem certo na vida
de seu paciente.

Isso me obriga a acreditar que ​todo tratamento de psicanálise só é feito


com sucesso através da fala e do diálogo.

Estabelecendo o nexo entre a situação e o que foi lido:

O que foi lido (texto) … ​Na hipnose, o hipnotizador não tem domínio sobre o
outro, é tanto que para a pessoa entrar em transe, ela precisa se permitir, caso
contrário a hipnose não funciona. Ambos, hipnotizador e hipnotizado, precisam estar
de comum acordo.
O fato/situação (vivência) …

Uma mulher caiu e foi-lhe feita interrogações e a mesma respondia a todas as


perguntas. Entretanto, após acordar, a mulher não tinha lembrança do que havia
ocorrido, nem mesmo das perguntas que lhe foram feitas e das respostas que ela
dera.

O nexo que estabelecemos ...

Assim, pode-se afirmar que que na hipnose, Freud descobre o prazer de ouvir
o outro quando ele (o paciente) se permite ocorrer a hipermnésia, a lembrança vivida
de um fato esquecido, quando vivemos uma experiência pode-se imaginar o que
Freud viveu e quando ele diz: nunca tenha certeza de nada, porque a sabedoria
começa com a dúvida.

Outra questão é que Freud cumpre a função de mostrar a origem da


psicanálise e seu envolvimento com a hipnose. Ele é o gênio da influência na
psicanálise ainda que seus seguidores, como Lacan e outros, não tenham a mesma
visão, que em Freud era despertar no outro a sensibilidade para uma vida melhor.
CARREIRO, Antonio Almeida. Hipnose e Psicanálise. IN: ​Hipnose: mítica,
filosófica e científica.​ Salvador/BA: Editora JM, 2012.

Carreiro, neste trecho do livro, Hipnose e Psicanálise, apresenta uma breve


biografia de Freud, enfocando, basicamente, questões relacionadas ao seu trabalho
com hipnose, desde seu envolvimento inicial, os trabalhos que desenvolveu e
participou e o que motivara a abandonar (não totalmente) a hipnose como
instrumento terapêutico.

Após um longo período de esquecimento da hipnose, por conta, do


nascimento e popularidade da psicanálise, com Freud, e influenciado por Charcot
interessou-se pelo estudo da histeria com a hipnose como método de investigação.

A teoria da psicanálise sofreu vários ataques dos próprios colegas de Freud,


que não desistiu de continuar seus estudos. Em 1910, apresenta seus relatos sobre
a mente humana. Contudo, a psicanálise não é aceita pela classe médica como
exercício da medicina e pelo Parecer do CFM nº 02/1998, proíbe a psicanálise pelos
médicos.

Em 1903, funda a Sociedade Psicanalítica de Viena e em 1909 apresenta


oficialmente a sua teoria na Clark University em Worcester, Massachussets nos
Estados Unidos, primeira e única visita que marcou sua carreira, onde trabalhou
apenas os aspectos médicos da psicanálise e aplicou sua teoria em várias áreas da
atividade humana.

CITAÇÃO 1:

“A Psicanálise é uma técnica de investigação de processos mentais ou método clínico de


tratamento da mente, que tem por base conceitos da escola freudiana ortodoxa. A função
primordial da clínica psicanalítica - a análise - é buscar a origem do sintoma ou do
comportamento manifesto. Enquanto método de investigação, a psicanálise caracteriza-se
pelo método interpretativo, buscando o significado oculto daquilo que é manifesto através de
ações e palavras ou das produções imaginárias, como os sonhos ou de sintomas em forma
de charadas e atos falhos. Se esse afloramento for bem interpretado, pode revelar pistas
dos males que atingem o paciente.” p145​.
a) Exercício do “Isto me lembra/me faz/me obriga:

Isto me faz lembrar que… ​mesmo que tenhamos a convicção do nosso


comportamento, não significa que aquilo que faço ou diga não representa este
comportamento. As circunstâncias irão requerer atitudes que talvez não se tenha
dado conta que a exercemos, ou seja, expressamos algo que está presente no
inconsciente e que só pode ser acessado à medida que a fala é expressa e
analisada no set analítico fazendo com que o material reprimido no inconsciente é
externado revelando o por quê de alguns comportamentos.

Isto me faz perguntar que … ​é possível manter um determinado


comportamento, a partir do reprimido no inconsciente, sem tomarmos consciência
disso?

Isto me faz afirmar que… ​é necessário que tenhamos consciência desse


comportamento, mas isso só acontece no primeiro ato. Posteriormente, após nosso
cérebro criar um caminho neural, chamado de conjunto de sinapses – composto
pelo tripé pensar, sentir e agir - as atitudes poderão se repetir sem perceber-se tal
comportamento.

Isso me obriga a acreditar que… ​quase tudo que fazemos vem do


inconsciente, e, certamente não nos damos conta da prática de tal comportamento.
Faz-se necessário que surja a percepção e o desejo de mudança, pois da mesma
forma que somos programados, podemos reprogramar a nossa mente. Tal
reprogramação envolve elementos cognitivos como pensamento, linguagem,
percepção, memória, raciocínio e intelecto. É através da repetição que você adquire
uma nova forma de pensar, sentir, agir e se comportar, esteja você ciente ou não.

b) Exercício da descoberta de relação (ões) entre o texto e o contexto. Lemos e


encontramos nexo com o seguinte fato/situação:

O que foi lido (texto) … ​nos remete ao postulado de Freud quando ele
afirma que enquanto a mente consciente é capaz de atender 6 ou 7 coisas ao
mesmo tempo, nosso inconsciente se ocupa de centenas de processos. Desde os
puramente orgânicos regidos pelo sistema nervoso até grande parte das decisões
que tomamos no dia a dia.

O fato/situação (vivência) … ​uma mulher separou-se de seu marido cujo


nome é X. Após um tempo entrou em um novo relacionamento com um rapaz cujo
nome era Y. Com o tempo ela percebeu que geralmente ela chamava esse rapaz de
X, ou seja, trocava o nome do parceiro atual pelo anterior. Esse ato falho, talvez se
devesse ao fato de existir semelhança entre os nomes ou até mesmo um desejo
reprimido de não desligamento do parceiro anterior. Percebe-se uma situação não
acabada, que carece um desfecho, precisa ser resolvida.

O nexo que estabelecemos … ​na psicanálise, existe uma estreita relação


com o que se diz, faz com o ​que está reprimido no inconsciente. O mundo
inconsciente não está além da consciência, não é uma entidade abstrata, mas uma
camada real, ampla, caótica e essencial da mente, à qual não se tem acesso. No
entanto, esse mundo inconsciente se revela de várias maneiras: através dos sonhos,
nos nossos erros involuntários ao escrever ou falar ou nos nossos atos falhos.
Assim, o inconsciente para Freud é interno e externo. Interno porque se espalha pela
nossa consciência e externo porque afeta nosso comportamento.

CITAÇÃO 2:

“Foi por ter se associado à Freud que o caso Anna O. ​(Bertha Pappenheim),​ aparece na
literatura, se isso não ocorresse teria permanecido como um episódio isolado na prática de
Breur. Entretanto, Freud reconheceu aí a relação entre os sintomas e o chamado trauma
psíquico, representado pelos resultados de cenas vivenciadas, porém esquecidas. A
terapêutica fundada nesse princípio consistia em fazer com que o paciente se recordasse de
tais cenas e as reproduzisse no decorrer do transe hipnótico, liberando assim a carga
emocional reprimida pelo trauma.” p. 151 (Grifo nosso)

a) Exercício do “Isto me lembra/me faz/me obriga:

Isto me faz lembrar que… Sigmund Freud não foi o primeiro a fazer uso
desse do termo inconsciente. Neurologistas como Jean Martin Charcot ou Hippolyte
Bernheim já falavam do inconsciente. No entanto, Freud fez desse conceito o eixo
condutor das suas teorias, conferindo-lhe novos significados.

Isto me faz perguntar que … ​é possível uma pessoa cometer um crime sem
que, mais tarde, ela não consiga se lembrar do ato que cometera?

Isto me faz afirmar que… ​A partir das sessões com Anna O., Freud
continuou seguindo a mesma linha: trazer à consciência traumas do passado. A
relevância do caso de Anna O (Bertha Pappenheim) foi tamanha que Freud o usou
para introduzir nos seus estudos sobre histerismo uma nova teoria revolucionária
sobre a psique humana, um novo conceito que mudou por completo os alicerces da
mente.

Isso me obriga a acreditar que… em “Estudos sobre a histeria”, Freud


elaborou o conceito de dissociação de um modo diferente e revolucionário em
relação ao dos primeiros hipnólogos, como Moreau de Tours ou Bernheim ou
Charcot. Até esse momento, esse mecanismo da mente em que partes da mente –
como as percepções, os sentimentos, os pensamentos e as lembranças – que
deveriam estar unidas se mantêm separadas era explicado exclusivamente por
causas somáticas, por doenças do cérebro associadas ao histerismo.

b) Exercício da descoberta de relação (ões) entre o texto e o contexto. Lemos e


encontramos nexo com o seguinte fato/situação:

O que foi lido (texto) … nos traz de forma consistente o desejo de Freud em
estudar a mente e todos os aspectos que a torna tão instigante. Ele fez uso de
hipnose, entretanto percebeu que apenas esse recurso não estava dando conta de
apresentar resultados significativos no caso Anna O., pois a paciente só fazia relatos
de suas experiências quando em transe. Deu início, a partir desse caso o uso da
escuta e a condução da paciente rememorar cenas traumatizantes de sua vida e
com a elucidação dos fatos, a paciente sentia-se aliviada e os sintomas iam
desaparecendo.

O fato/situação (vivência) … ​o filho que hoje tem 20 anos, teve crises de


agressividade, descontrole emocional (surto psicótico) aos 17 anos. Diante das
atitudes do adolescente necessário chamar o SAMU (Serviço de Atendimento
Médico de Urgência) que diante do relato da mãe, chamaram a polícia para dar
suporte, caso não se conseguisse conter o adolescente. A mãe acompanhou cada
etapa de contenção e encaminhamento desse paciente ao médico. No dia seguinte,
essa mãe não se lembrou de nada do que havia ocorrido. Aos poucos ela conseguiu
rememorar aquele evento, que, naquele momento foi tão doloroso a ponto de usar o
mecanismo de defesa da negação, que segundo Freud, consistem em uma ação do
cérebro em tornar oculto o evento, pois a mão não conseguiria suportar aquela
realidade, havendo a possibilidade da mesma entrar em surto psicótico.

O nexo que estabelecemos … ​no caso de Anna O. e o citado acima, os


pacientes (Anna O. e a mãe), fizeram uso de mecanismos de defesa. Em Anna O.,
Freud considerou a dissociação como um mecanismo de defesa que é uma
estratégia da mente, por meio da qual podia afastar, esconder e sufocar
determinadas cargas emocionais e experiências no inconsciente pelo simples fato de
que não podia tolerar ou aceitar a parte consciente.

CITAÇÃO 3:

“A partir da psicanálise, a hipnose e a hipno-análise que já encontravam opositores por


serem consideradas técnicas não acadêmicas, passou por um período de maior descrédito.
MAs embora Freud tenha substituído a hipno-análise pela psicanálise, posteriormente
tornou-se responsável por sua ressurreição. O hipnotismo em bases modernas é largamente
ligado à psicanálise; o conceito de inconsciente na proposição freudiana tenta explicar tanto
a psicanálise quanto o fenômeno hipnótico. Observa-se também, que atualmente a
psicanálise tem se aproximado da hipnose e que as técnicas modernas da hipnose são
consequências diretas das orientações dos conceitos de consciente e inconsciente, além de
ser possível considerar a técnica da ​livre associação como mais uma técnica hipnótica. Visto
assim, Freud nunca abandonou o hipnotismo, dissimulou seu uso e contribuiu para sua
evolução.” p. 167.

a) Exercício do “Isto me lembra/me faz/me obriga:

Isto me faz lembrar que… ​Freud iniciou sua vivência com a hipnose com
Charcot, em um asilo em Salpêtrière, local que foi aprovado para seus estudos em
Neuropatologia. A técnica aí utilizada considerava apenas as dimensões somáticas,
ou seja, não se dava importância à origem/causa da patologia. Entretanto, essa
técnica não foi bem aceita por seus colegas e isso conduziu Freud a deixar de lado
essa técnica. Foi quando conheceu o trabalho de Bernheim, na Escola de Nancy, em
que se usava a sugestão como fator explicativo dos processos somáticos. Freud
percebeu que os efeitos da sugestão não eram eficazes e duradouros para conduzir
à cura; casos que o paciente apresentava melhoras, o problema reaparecia ou
surgia outro diferente.

Isto me faz perguntar que … ​existe um limite psíquico par o uso da hipnose
na psicanálise?

Isto me faz afirmar que… ​após essa vivência de Freud com escolas
diferentes, fez duras críticas à sugestão e procurou evitar a confusão entre hipnose e
sugestão, e foi na hipnose que ele descobriu a nova ordem de causalidade psíquica.

Isso me obriga a acreditar que… ​no nosso inconsciente estão registros de


tudo que passamos desde o momento em que nascemos. Resquícios de traumas
que vivemos, emoções que experimentamos, aprendizados que absorvemos e
exemplo que seguimos durante todo o decorrer da nossa vida.

b) Exercício da descoberta de relação (ões) entre o texto e o contexto. Lemos e


encontramos nexo com o seguinte fato/situação:

O que foi lido (texto) … nos mostra que mesmo a hipnose tendo sofrido
retaliações quando do seu surgimento e Freud a deixou de lado, não demorou muito
tempo para que o mesmo Freud, depois de aprofundar seus estudos de consciente e
inconsciente, abraça a hipnose como mais uma técnica que pode ajudá-lo a
interpretar e superar sintomas com origem em traumas psíquicos.

O fato/situação (vivência) … a partir do comando do hipnotizador, foi


bloqueado a existência do número quatro, Quando pedia para a mesma contar de
zero a dez, ela pulava o número quatro; e mesmo quando pedia para identificar o
número de objetos que tem uma cadeira, por exemplo, ela diza três, mesmo olhando
para o objeto em questão.
O nexo que estabelecemos … percebemos que na psicanálise, o uso da
hipnose pode ser considerado relevante pois através do transe pode-se chegar no
inconsciente de forma mais eficiente, permitindo trabalhar com a livre associação
concedendo ao paciente minimizar os sintomas.
CONCLUSÃO

Segundo Freud, a psicanálise afirma que a hipnose e a hipno-análise seriam


totalmente substituídas. Nas suas caminhadas, Freud teve muita dificuldade na área
específica do seu chamado. Ele teve um choque de realidade na sua própria
convivência, ele teve várias experiências na hipnose.

Percebemos que a hipnose foi fundamental para que Freud se aprofundasse


nos estudos sobre histeria bem como identificar sintomas que ora não aparecia
durante as falas da paciente.

O sintoma é um mecanismo de defesa que evita que a pessoa sinta dor ou


sofra com suas lembranças, mas pode se tornar um incômodo quando esse sintoma
se repete. Charcot e Breuer apresentaram a hipnose a Freud, que mais tarde usou
suas observações para a criação da teoria do inconsciente.

Posteriormente Freud deixou de adotar a hipnose em suas sessões e passou


a utilizar a associação livre, onde o paciente fala livremente sobre seus
pensamentos e sentimentos a medida que lhes vem à cabeça. Para Freud a
associação livre, permite ao paciente acessar conteúdos inconscientes sem precisar
da hipnose para tal.

Na psicanálise contemporânea, a associação livre é utilizada como base do


tratamento psicanalítico. Através da escuta atenta do paciente, o analista contribui
para que o conteúdo reprimido seja aflorado. O paciente tem a possibilidade de
simbolizar e ressignificar seus conflitos internos, libertando-se de seus sintomas que
causavam sofrimento.
REFERÊNCIAS

SILVA, Gelson Crespo da. ​Manual de hipnose médica. 2.ed Rio de Janeiro: SPOB,
2000.

CARREIRO, Antonio Almeida. ​Hipnose: mítica, filosófica e científica.


Salvador/BA: Editora JM, 2012.
REFERÊNCIA CONSULTADA

FREUD, S. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de


Sigmund Freud, Rio de Janeiro, Editora Imago, 1974:

- Hipnose (1891), vol. I.


- Um caso de cura pelo hipnotismo (1892-93), vol. I
- Sobre o mecanismo psíquico dos fenômenos histéricos: Comunicação
preliminar (1893) vol II.
- As neuropsicoses de defesa (1894), vol. III.
- A história do movimento psicanalítico (1914), vol. XIV

GARCIA-ROZA, L. A. ​Freud e o inconsciente - 4ª edição, Editora Jorge Zahar, Rio


de Janeiro, RJ, 1988.

LAPLANCHE & PONTALIS, ​Vocabulário da Psicanálise ​- 2ª edição, 2ª tiragem,


Editora Martins Fontes, São Paulo, SP, 1999.

MEZAN, R., ​Freud: A trama dos conceitos ​- 4ª edição, Editora Perspectiva, São
Paulo, SP, 2001.