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JEAN JACQUES-ROUSSEAU

O homem no estado de natureza e o Contrato Social

Rousseau aparece como uma figura complexa e controvertida, objeto de diversas interpretações
também opostas entre si, que convém apenas por considerá-lo o primeiro grande teórico da
pedagogia moderna. É certo, em todo caso, que Rousseau reúne com seus escritos a veia
profunda do lluminismo e lança as raízes do romantismo, exprime traços inovadores e reações
conservadoras, o desejo e ao mesmo tempo o temor de uma revolução radical, a nostalgia da vida
primitiva e o medo de que, por meio de lutas insensatas, se possa cair novamente naquela barbárie.
Nostálgico de um modelo de relações sociais marcado pela recuperação dos sentimentos mais
profundos do espírito humano, Rousseau lançou a hipótese do estado de natureza, segundo o
qual o homem é originariamente íntegro, biologicamente sadio e moralmente reto, se tornando
mau e injusto apenas por um desequilíbrio de ordem social.
O "estado de natureza", portanto, não é uma experiência histórica particular, mas uma categoria
teórica que serve a Rousseau para compreender melhor o homem presente e os aspectos
corrompidos que se insinuaram na natureza humana no curso da historia. O "estado de natureza",
sobre o qual se sente o influxo do mito quinhentista do "bom selvagem", é precisamente um estado
aquém do bem e do mal: deixada a seu livre desenvolvimento, a natureza humana leva ao triunfo
dos sentimentos, e não da razão; ao triunfo dos instintos, e não da reflexão; da autoconservação, e
não da aniquilação.
No Contrato social, Rousseau começa com a frase: "O homem nasceu livre e, todavia, em todo
lugar encontra-se em cadeias". O objetivo do novo contrato social delineado por Rousseau é o de
libertar o homem das cadeias e restituí-lo à liberdade. lsso comporta a construção de um modelo
social fundado sobre a voz da consciêcia complexiva do homem, aberto à comunidade.
O princípio que legitima o poder e garante a transformaçãoo social é a vontade geral amante do
bem comum, que é fruto de um pacto de união que, instituido entre iguais que permanecem
sempre tais, dá lugar a um corpo moral e coletivo: a vontade geral não é, portanto, a soma das
vontades de todos os componentes, mas uma realidade que brota da renúncia de cada um aos
próprios interesses em favor da coletividade. Esta é, portanto, uma socialização radical do
homem, de sua total coletivização, voltada a impedir a emergência e afirmação de
interesses privados: a vontade geral, encarnada no e pelo Estado, é tudo.