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A ESPECIALIZAÇÃO PRECOCE NO ESPORTE E SUAS CONSEQUÊNCIAS A


CRIANÇA: UMA ABORDAGEM TEÓRICA

Luan Bezerra Moraes


Luiz Carlos Acácio Barbosa

RESUMO
O objetivo do estudo foi analisar a especialização precoce no esporte para
crianças e suas consequências no desenvolvimento integral da criança, a partir
do exposto na produção do conhecimento. O estudo, metodologicamente,
caracteriza-se por pesquisa bibliográfica, possui caráter qualitativo e
explicativo. Para organizarmos as ideias e resultados principais de cada artigo,
utilizamos o método análise de conteúdo. Embora o tema deste estudo seja
muito controverso, as análises feitas nos possibilitaram uma reflexão profunda
sobre a temática. Por fim esta pesquisa obteve como resultados, a
importância da iniciação esportiva até a fase pubertária, no intuito de
enriquecer o acervo motor desses jovens, para após a fase da puberdade,
adequarmos de maneira mais correta a especialização esportiva. Isto nos leva
a considerar, que a especialização esportiva precoce antes da fase pubertária,
estaria nada mais que vislumbrando rendimento a curto prazo e, a não
preocupação com o futuro dos jovens, apenas com os bons resultados da
criança para satisfação pessoal do treinador, clubes, academias e pais. Deste
modo concluímos que a especialização esportiva precoce, é mais prejudicial do
que benéfica à criança.

Palavras-chave: Especialização precoce. Iniciação esportiva. Causas.


Consequências.

INTRODUÇÃO

O esporte é um fenômeno cada vez mais presente na nossa sociedade,


principalmente na vida das crianças, devido à influência de seus pais (LEITE,
2007). Observamos um elevado crescimento em nível de modalidades
esportivas e, de ambientes que proporcionam a prática deste, por
consequência percebemos o aumento no número de crianças iniciadas no
processo de ensino aprendizagem no desporto e, este tem sido significativo. O
esporte vem de inúmeras formas seduzir a criança, seja por clubes, academias,
projetos esportivos, ou escolas. O primeiro contato da criança com o esporte é


Graduando em Licenciatura Plena em Educação Física/ UEPA. E-mail:
luan_moraes90@hotmail.com

Professor Mestre em Motricidade Humana (UCB-RJ). Graduação em Educação Física
(ESEFPA). Coordenador do núcleo de extensão (NUEX), professor das disciplinas: Natação e
Pólo aquático/ UEPA. E-mail: gordopolo@yahoo.com.br
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a iniciação esportiva sistematizada,seja em escola, academias e clubes, deste


modo o indivíduo tende a ser especializado precocemente (MACHADO, 2008).
Contudo, a iniciação esportiva, ao ser feita respeitando a criança em sua
totalidade, ou seja, considerando suas limitações, desenvolvimento físico,
psíquico e social, proporcionará diversos benefícios ao praticante. Entretanto,
quando se negligencia estes fatores na infância, e este sujeito é especializado
precocemente, como um adulto em miniatura, sob pressões psicológicas para
realizar a técnica com perfeição e eficiência, impedindo-a de ter prazer e
compreensão do esporte, basicamente não propicia a criança uma sequência
didática que permita a mesma absorver o esporte em sua formação integral
colaborando no desenvolvimento motor, físico, cognitivo, afetivo e social
(MACHADO, 2008). Corroborando com esta ideia, de acordo com Kunz (1994),
existem dois problemas que podem ocorrer no esporte de rendimento, a saber,
a especialização esportiva precoce e o uso de doping.
Notamos também, que a especialização esportiva precoce (EEP)
acontece com maior frequência, em diversos países, principalmente em
esportes como: a ginástica, natação e o atletismo (KUNZ, 1994).
A partir de vivências profissionais, ao trabalhar com natação, foi notado
que esta é uma atividade praticada principalmente por crianças e que a cultura
de especialização precoce é adotada cada vez mais pelos interesses da
sociedade, a qual na perspectiva de obter alto rendimento esportivo exige um
esforço exacerbado de suas crianças. De acordo com Galahue e Ozmun
(2005), o período da infância e adolescência é o momento que se deve
estimular práticas de vivências motoras considerando fatores: biológicos, sócio-
cultural e acúmulo motor. No entanto percebemos que esta prática não é
adotada prevalecendo à cultura do treinamento unilateral. Desta forma, a partir
do quadro problemático é que delimitamos nosso objeto de estudo, que nessa
pesquisa se apresenta da seguinte forma: especialização esportiva precoce, a
partir da produção do conhecimento referente às conseqüências para crianças.
A partir do quadro problemático exposto e desse delineamento é que se
materializa o seguinte problema da pesquisa: Que consequências a
especialização precoce no esporte acarreta para as crianças?
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O objetivo geral desse estudo foi analisar a especialização precoce no


esporte para crianças e suas consequências. A partir do exposto na produção
do conhecimento. E como objetivos específicos, traçamos o seguinte:
Identificar os estudos por temática, autoria e fontes, entre o período de 2000 a
2010; constatar as causas que levam a criança a se especializar precocemente
no esporte; detectar as principais consequências da especialização precoce em
crianças.
Justificando a relevância desta pesquisa, pretendemos mostrar o poder
do fenômeno esporte em massificar e difundir a cultura de especialização
esportiva precoce.
Apresentamos inicialmente a iniciação esportiva associada ao
desenvolvimento motor, na sua relação com o esporte de alto rendimento. Em
seguida proporcionamos esclarecimentos sobre a metodologia, utilizada na
construção desta pesquisa, apresentando-se o enfoque, abordagem, tipo de
pesquisa, coleta de dados, método de análise e interpretação da mesma. Por
conseguinte, abordamos a produção do conhecimento, a especialização
precoce no alto rendimento, causas e conseqüências, a partir da discussão
entre os estudiosos da área. E por fim na conclusão, apresentamos
concepções acerca do nosso posicionamento com relação às análises críticas
das literaturas.

1 MARCO TEÓRICO

1.1 INICIAÇÃO ESPORTIVA E AS FASES DO DESENVOLVIMENTO MOTOR

A iniciação esportiva para Oliveira e Paes (2004 apud MAURENTE;


MORSCHBACHER, 2009) engloba uma sistematização de ensino mais
ampliada que se inicia aos sete anos de idade e termina por volta dos quatorze
anos.
Para Ramos e Neves (2008), a iniciação esportiva é caracterizada por um
processo cronológico no transcurso do qual o individuo tem experiências a
partir de regras de uma determinada modalidade esportiva ou simplesmente
quando a criança tem contato com a aprendizagem de forma especifica a
vários esportes, tendo como objetivo principal dar continuidade ao
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desenvolvimento do sujeito em sua totalidade, não o submetendo a


competições regulares. Desta forma podemos inferir que existe uma diferença
entre iniciação esportiva e especialização precoce, onde a iniciação deve
proporcionar diversos estímulos relacionados à ambiente e movimentos e, a
especialização precoce ser a unilateralização dos movimentos, isto é, o
refinamento das ações em uma determinada posição e/ou estilo dentro de uma
modalidade esportiva, antes da fase pubertária.
Em consonância com a idéia acima, uma habilidade esportiva bem
desenvolvida, não garante a mesma habilidade em outras, por isso devemos
também estimular à prática de outras atividades antes de especializá-lo, pois, a
frustração, daquele que é especializado precocemente, por ter que se adequar
a uma nova posição ou modalidade esportiva no futuro, poderá levá-lo a
interrupção da carreira (GALLAHUE; OZMUN, 2005).
Apontamos também neste trabalho a iniciação esportiva associada ao
desenvolvimento motor, por acreditarmos que o processo de iniciação deve
estar adequado com o desenvolvimento motor das crianças, pois autores que
discutem este assunto relacionam cada fase deste com o aprendizado e
refinamento de movimentos. Segundo Gallahue e Ozmun (2005, p.3) o
desenvolvimento motor é “a contínua alteração no comportamento motor ao
longo do ciclo da vida, proporcionada pela interação entre as necessidades da
tarefa, a biologia do indivíduo e as condições do ambiente”.
Convergindo com esta ideia Wilrich, Azevedo e Fernandes (2009, p.52),
apontam que “O desenvolvimento motor é considerado um processo
sequencial, contínuo e relacionado à idade cronológica, pelo qual o ser humano
atinge uma enorme quantidade de habilidades motoras [...]”.
Sendo assim podemos notar o movimento em três classificações:
movimentos estabilizadores, locomotores e manipulativos, assim como também
podem ocorrer combinações entre estes.
De acordo com Gallahue e Ozmun (2005), a primeira fase é a
denominada fase motora reflexa classificados como movimentos involuntários
onde os mesmos são controlados pela região subcortical, que são reações a
sons, luz e toques e a pressão ocasionando movimentos involuntários , ou seja,
atividades reflexivas.
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Esta fase pode ser dividida em dois estágios, o primeiro estágio é o de


codificação classificado por atividade motora involuntária desde o período fetal
até o quarto mês do pós-natal aproximadamente. O segundo estágio é
denominado como estágio de decodificação quando após o quarto mês, os
movimentos voluntários começam a aparecer e substituem os movimentos
reflexos controlados pela área motora do córtex cerebral, pois há a substituição
da atividade sensório motora pela perceptivo motora.
Segundo estes autores, a segunda fase denomina-se fase de movimentos
rudimentares, que são movimentos voluntários até a idade de 2 anos,
englobam movimentos estabilizadores, manipulativos e locomotores.
Existem dois estágios de movimentos rudimentares, o primeiro é o estagio
de inibição e o segundo é o estágio de pré-controle sendo o primeiro começa a
partir do desenvolvimento do córtex que começa a inibir vários reflexos e dão
inicio a movimentos voluntários embora voluntários, mas ainda descontrolados
e grosseiros, já o segundo estágio as crianças aprendem a adquirir seu
equilíbrio, manipular objetos, e locomover-se pelo espaço físico com um bom
grau de controle sendo esse processo de ganho explicável pelo processo de
maturação.
Os mesmo autores classificam a terceira fase como fase de movimentos
fundamentais, este período apresenta grandes descobertas motoras devido a
criança conseguir combinar vários tipos de habilidades, ou seja, pular, correr,
arremesar, apanhar, andar com firmeza, e equilibrar-se em um pé só. Existem
três estágios que sub-classificam os movimentos fundamentais que são o
inicial, elementar e maduro, sendo o inicial marcado por uso exagerado e
coordenação deficitária. O elementar aprimora a coordenação dos movimentos
de crianças de 3 a 4 anos, mas os padrões de movimentos são um pouco
restritos e/ou exagerados. E o maduro englobam as idades de 5 a 6 anos, com
movimentos mais coordenados e controlados com rebater, apanhar e derrubar
objetos em movimento.
Gallahue e Ozmun (2005) nos mostram na quarta e última fase do
comportamento motor, denominada fase de movimentos especializados
associado a esta faixa etária de 07 a 14 anos, onde denominam como fase de
movimentos especializados, os movimentos tornam-se uma utilidade que se
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aplica a várias atividades motoras relacionadas ao dia-a-dia, no lazer e nos


esportes.
Esta fase possui três estágios de habilidades motoras: o transitório, o de
aplicação e o de utilização permanente. Sendo o primeiro estágio rumoroso
para os pais e professores, pois há uma maior concentração nas atividades por
parte das crianças de 07 a 08 anos, visto que é quando descobrem a
combinação de movimentos e há uma acelerada ampliação de movimentos.
Deve-se tomar cuidado para que as crianças não se restrinjam a alguma
atividade para a não especialização. Quanto ao estágio de aplicação, por volta
dos 11 a 13 anos de idade, há uma ampliação cognitiva crescente e uma boa
experiência motora, capaz de fazer o individuo tomar numerosas decisões de
aprendizado baseados em fatores da tarefa, fatores individuais e ambientais,
pois se percebem até que ponto vai haver resultados satisfatórios, uma vez que
este estágio é o momento de se refinar e usar habilidades mais complexas em
jogos de coordenação motora avançada e esportes escolhidos, contudo vale
ressaltar a questão da individualidade, visto que cada criança tem seu próprio
tempo de desenvolvimento (GALLAHUE; OZMUN, 2005).
Com relação ao último estágio, este se classifica como estágio de
utilização permanente. Inicia-se por volta dos 14 anos e dura por toda a vida
adulta. Este estágio representa o auge do processo do desenvolvimento motor
e é caracterizado pelo uso do vasto repertório de movimentos adquiridos por
esse indivíduo durante toda a vida (GALLAHUE; OZMUN, 2005).
Para tanto, se faz necessário que professores de educação física tenham
conhecimento de cada fase e estágio pelos quais o individuo se desenvolve,
para que este professor possa verificar o nível de seu aluno, avaliá-lo e
direcioná-lo para conteúdos adequados aos seus níveis de aptidão motora.

2 MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa utilizou enfoque fenomenológico que segundo Triviños (1987,


p. 43) significa “[...] o estudo das essências, e todos os problemas, segundo
ela, tornam a definir as essências: a essência da percepção, a essência da
consciência, por exemplo.” Neste contexto, para Masini (apud COLTRO, 2000,
p.39),
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Por sua vez, apresenta a fenomenologia como tendo enquanto objeto


de estudo o próprio fenômeno, ou seja, as coisas mesmas e não o
que se diz delas. “O enfoque [fenomenológico-hermenêutico] furta-se
à validação do já conceituado sem prévia reflexão e volta-se para o
não pensado, através de uma reflexão exaustiva sobre o objeto do
seu estudo, denunciando pressupostos subjacentes.

Este enfoque promove uma separação do fenômeno, nesse sentido, “O


estudo do fenômeno realizado no seu contexto proporciona questionar e tratar
os pressupostos do objeto de estudo para com a realidade de sua ação, para
percepções sobre o que o sujeito tem de sua realidade” (COLTRO, 2000, p.39).

Sendo assim, a fenomenologia por sua vez foi utilizada para destacar a
interpretação do mundo que surge a partir da intencionalidade à consciência do
pesquisador (TRIVIÑOS, 1987). Diante disso considerou-se as percepções do
pesquisador sobre os fenômenos.

Em consonância com esta ideia, Teixeira (2000) afirma que o pesquisador


deverá aderir ao enfoque fenomenológico-hermenêutico, a partir da
interpretação como base da compreensão dos fenômenos e esta ser o eixo da
explicação científica.” Com relação a este estudo a especialização esportiva
precoce, sendo o objeto de estudo, ser analisada por meio da interpretação do
fenômeno esportivo, para verificarmos quais causas e consequências, este
fenômeno poderá trazer à criança.

No que diz respeito à abordagem, segundo Gil (2007), esta se faz


qualitativa, pois, não possui como objetivo principal abordar o problema a partir
de procedimentos estatísticos. Deste modo iremos analisar e interpretar o
conteúdo dos textos e, apresentar nosso posicionamento acerca das
consequências da especialização precoce à criança.

A pesquisa caracteriza-se por ser uma pesquisa explicativa, pois, procura


o conhecimento mais profundo sobre o fenômeno estudado e, seus resultados
embasam o conhecimento científico, tendo como principal objetivo identificar as
causas e consequências, estabelecendo relação entre as causas e efeitos.
(RODRIGUES, 2006) Visto que, analisamos a especialização esportiva precoce
e buscamos os fatores causadores deste e, seus efeitos e/ou conseqüências.
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Com relação ao tipo de pesquisa, a mesma denomina-se como


bibliográfica, pois é desenvolvida a partir de livros e artigos já elaborados.
Apesar de em quase todos os estudos exigirem este modo de pesquisa, este
se faz exclusivo deste modo, pois, se propôs a analisar diversas posições
acerca de um problema (GIL, 2007)

Para respondermos o problema central da pesquisa, a coleta de dados foi


realizada a partir de levantamento de livros, e artigos no Google Acadêmico,
em que selecionamos os trabalhos que mais se aproximaram da temática do
estudo, os principais são vinculados as revistas a seguir: a) Revista Digital -
Efdeportes; b) Revista Motriz; c) Revista Mackenzie de Educação Física e
Esporte; d) Revista pensar a prática e Revista Portuguesa de Ciências do
Desporto; durante a coleta das obras, foram selecionados, 08 artigos; 01
dissertação de mestrado; destacamos os seguintes critérios para a escolha dos
periódicos, são eles: 1) indexação por fontes nacionais e internacionais; 2)
periodicidade regular de publicação; 3) critérios rígidos de qualidade e
regularidade para publicação; 4) conteúdo disponibilizado na internet; para a
máxima coleta de dados, entre o período de 2000 a 2010, pois de acordo com
Bergh (2008) este afirma que, a literatura atual não permite mais precocidade
no esporte de alto rendimento e, por acreditarmos que esta evolução científica
aconteceu neste período, este foi escolhido para dar mais confiabilidade em
nossa pesquisa.

Utilizamos a análise de conteúdo, enquadrando-se na abordagem


qualitativa. Esse tipo de método apoia-se na análise dos textos através de
procedimentos sistematizados para descrever as mensagens e fazer inferência
de informações relativas ao conteúdo encontrado. Esse tipo de método
perpassa por tais procedimentos, são estes: 1) Pré-análise. 2) Leitura flutuante
3) Descrição analítica, utilizando-se os procedimentos de codificação,
classificação e categorização 4) Interpretação referencial, a partir da reflexão
sobre os dados selecionados na pré-análise (TRIVIÑOS, 1987).

Tendo em vista os objetivos da pesquisa, para a análise da pesquisa


criamos 3 categorias elencadas a priori: 1) Organização do conhecimento
sobre especialização esportiva precoce. Por identificar os estudos a partir de
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temática, autoria e fontes, entre o período de 2000 a 2010; 2) A influência do


esporte, sociedade e pais no psicológico e inclusão dos “atletas mirins” ao
esporte. Devido constatarmos as causas que levam a criança a se especializar
precocemente no esporte; em decorrência do esporte ter o poder de
estereotipar atletas; 3) A outra face do esporte e suas conseqüências. Pois
detectamos as principais, uma vez que, se mascaram à sociedade a realidade
do esporte.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
3. 1 ESPECIALIZAÇÃO ESPORTIVA PRECOCE (EEP)

Com relação ao treinamento e consequentemente a especialização


precoce de acordo com Kunz (1994) esta pode ser entendida a partir da
inclusão de crianças antes da fase pubertária a um treinamento sistematizado
em longo prazo, com no mínimo três sessões por semana com o aumento
gradativo do rendimento, além de participações esporádicas em competições.
Em consonância com esta ideia Neves e Ramos (2008) afirmam que a
especialização precoce impõe-se como atividades esportivas competitivas com
comportamentos rígidos incoerentes com o desenvolvimento da criança com
principal objetivo o máximo rendimento esportivo.
Neste contexto, de acordo com Rodrigues (2010) crianças em contato a
um treinamento unilateral com participações em competições antes da fase
pubertária impossibilitaria à criança a ter vivência em outras atividades
primordiais para a sua formação bio-psico-social. Nesse sentido devemos
proporcionar à criança o livre arbítrio para suas futuras experiências esportivas.

3.2 IDENTIFICAÇÃO DOS ESTUDOS E CAUSAS DA EEP NO DESPORTO

Identificamos, em 02 livros e 02 artigos as seguintes temáticas


emergentes da EEP, Influência do esporte, sociedade e pais no psicológico dos
“atletas mirins”; sendo estes fatores consideráveis que emergem nas
entrelinhas dos textos como os fatores centrais a entrada da criança ao esporte
de rendimento e; 10 artigos e 01 dissertação de mestrado consideram a EEP
10

como fator mais prejudicial que benéfico à criança, apontando a outra face do
esporte e suas consequências.
Apresentamos a seguir as principais causas constatadas que direciona a
criança, a especialização esportiva precoce.
Quadro 01: Temática, periódicos e causas da especialização esportiva precoce
1

Temáticas Nº/Mês/ Periódicos Nome das obras Autores/ Ano Causas


A influência do esporte, Livro encontrado na Especialização esportiva Lewko e Ewing Relacionadas a
sociedade e pais no biblioteca da UEPA – precoce: perspectivas (1980 apud influencia dos pais
psicológico dos “atletas Campus III atuais da psicologia do Machado 2008)
mirins” esporte Wyleman et al (1997
apud Machado
(2008)

A influência do esporte, Disponível na internet; A especialização Marques (S/D) Relacionadas a


sociedade e pais no (Google) Precoce na Preparação criação de
psicológico dos “atletas Desportiva competições
mirins”
A influência do esporte, Livro encontrado na Especialização esportiva Machado (2008)
sociedade e pais no biblioteca da UEPA – precoce: perspectivas
psicológico dos “atletas Campus III atuais da psicologia do
mirins” esporte
A influencia do esporte, Volume 11 - número 3 As dimensões inumanas Kunz (1994) Relacionadas ao
sociedade e pais no Setembro/Dezembro do esporte interesse das
psicológico dos “atletas 1994 classes
mirins” / A outra face do Revista Movimento dominantes
esporte e suas
consequencias
A influência do esporte, Livro encontrado na Sociologia crítica do Bratch (2009)
sociedade e pais no biblioteca da UEPA – esporte: uma introdução
psicológico dos “atletas Campus III
mirins”

Firmando-se em Lewko e Ewing (1980 apud MACHADO, 2008) o pai é


uma das maiores influências para a entrada da criança no esporte, em relação
a outros familiares e amigos, assim como há um crescimento do envolvimento
da mãe na prática desportiva da criança.
No trabalho de Wyleman et al. (1997 apud MACHADO, 2008), os autores
verificaram o relato de 265 crianças e adolescentes atletas de alto nível, sobre
a influência de seus pais em suas vidas desportivas. Nos resultados obtidos, o
apoio emocional dos pais influencia na qualidade da participação desses
jovens no desporto.

1
Quadro referente a primeira e segunda categorias a seguir: Organização do conhecimento
sobre especialização esportiva precoce e A influência do esporte, sociedade e pais no
psicológico e inclusão dos “atletas mirins” ao esporte
11

Deste modo Machado (2008) afirma que, o papel dos pais, é considerado
como fator incisivo na inserção das crianças no esporte. Nesse sentido,
ressaltamos que os pais também devem atentar-se para as exigências que
fazem aos filhos no contexto esportivo.
Para Marques (S/D) uma das principais causas da especialização precoce
no desporto, foi a criação de competições sistematizadas no esporte infantil,
espelhado no esporte adulto de alto rendimento. E a partir da criação de
competições iguais ao esporte adulto, Machado (2008), afirma que, as crianças
são submetidas a uma verdadeira seleção, que exclui grande parte dos
mesmos para obter-se um grupo de “elite”, ou seja, os que possuem mais
aptidão física.
Segundo Kunz (1994), sabe-se que dentre as causas da especialização
precoce, para além dos interesses de treinadores, clubes e academias, o
próprio governo estimula esta prática, a exemplo, o programa “Pentatlo
Nacional”, patrocinado pela Coca-Cola, nos anos (1970-1980).
Para Bratch (2009), o fenômeno esportivo influencia bastante para a
culturalização da população, massificando-os com o discurso de que o esporte
é saúde, utilizando-se do glamour que o esporte tem para aliená-los. Por fim,
todas essas causas resultam nesta cultura e esta apresenta-se como mais uma
das causas da especialização esportiva precoce. Sendo assim, a elite o vende
da maneira mais atraente, seja por clubes, ou escolinhas de esportes, para
única e exclusiva satisfação pessoal do treinador ou do clube, com interesses
mercadológicos.

3.3 CONSEQUÊNCIAS DA EEP

A partir da análise das obras, o quadro abaixo, apresenta as principais


consequências da especialização esportiva precoce:
Quadro 02: Temática, periódicos e consequências da especialização esportiva
precoce.2

2
Quadro referente a primeira e terceira categorias são estas: Organização do conhecimento
sobre especialização esportiva precoce e A outra face do esporte e suas conseqüências.
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Temáticas Nº/Mês/ Periódicos Titulo Autores/ano Consequências


A outra face do Especialização
esporte e suas 113/ outubro precoce: os danos Leite (2007)
consequencias Efdeportes.com causados à criança
Revista digital – Buenos
Aires
A outra face do A especialização e o Tischer (2010)
esporte e suas 144/ MAIO abandono precoce na
consequencias Efdeportes.com natação
Revista digital – Buenos
Aires
A outra face do Handebol: Processo Cangliciere; Melari;
esporte e suas 7 (3): 79-82/ pedagógico e a Pinheiro (2008)
consequencias Revista Mackenzie de especialização
Educação Física e
Esporte
A outra face do Identificado a partir do Estudo de casos: Perroni (2007)
esporte e suas Google Acadêmico. Lesões músculo
conseqüências esqueléticas em Lesões Físicas
atletas de voleibol de
alto rendimento

A influencia do Volume 11 - número 3 As dimensões Kunz (1994)


esporte,sociedade e Setembro/Dezembro inumanas do esporte
pais no psicológico 1994
dos “atletas mirins” / Revista Movimento
A outra face do
esporte e suas
consequencias
A outra face do Treinamento de Augusti (2001)
esporte e suas Nº: 37 Junho/ endurance para
consequencias Efdeportes.com crianças e
Revista digital – Buenos adolescentes.
Aires

A outra face do 7 (3): 79-82 Handebol: Processo Cangliciere; Melari;


esporte e suas Revista Mackenzie de pedagógico e a Pinheiro (2008) “Lesões”
consequencias Educação Física e especialização psicológicas
Esporte
A outra face do A iniciação esportiva Ramos e Neves (2008)
esporte e suas 11/1:1-8 , jan/jul/ e a especialização
consequencias Revista Pensar a prática precoce à luz da teoria
da complexidade –
notas introdutórias

A outra face do A especialização e o Tischer (2010)


esporte e suas Nº 144 maio abandono precoce na
consequencias Efdeportes.com natação
Revista digital – Buenos
Aires
A outra face do A iniciação esportiva e Ramos e Neves (2008)
esporte e suas 11/1:1-8 , jan/jul a especialização
consequencias Revista pensar a prática precoce à luz da teoria
da complexidade –
Notas introdutórias Limitações sócio-
afetivas.

A outra face do 149/ outubro Efeitos da Soares (2010)


esporte e suas Efdeportes.com especialização
consequencias Revista digital – Buenos desportiva precoce no
Aires desenvolvimento
integral da criança

A outra face do Especialização no Vieira e Bojikian (2008)


esporte e suas (3): 63-70 voleibol durante a
consequencias Revista Mackenzie de grande infância
Educação Física e Limitações motoras
Esporte
13

A outra face do 149/ outubro/ Efeitos da Soares (2010)


esporte e suas Efdeportes.com especialização
consequencias Revista digital – Buenos desportiva precoce no
Aires desenvolvimento
integral da criança

A outra face do 11/1: 1-8, Jan/jul A iniciação esportiva e Ramos e Neves (2008)
esporte e suas Revista pensar a prática a especialização
consequencias precoce à luz da teoria
da complexidade – Abandono prematuro
Notas introdutórias da modalidade.

A outra face do Nº140 Enero A relação entre a


esporte e suas Efdeportes.com especialização Rodrigues; Macedo (2010)
consequencias Revista digital – Buenos precoce e o abandono
Aires prematuro na natação
em Uberlândia – MG

O quadro acima aponta as consequências que o esporte de alto


rendimento ocasiona à criança. Observa-se que o sujeito precisa ser respeitado
e resguardado no âmbito da sua total integridade física. Como resultado dessa
análise, podemos perceber que as obras atuais não permitem mais
precocidade nos esportes, portanto, é necessário encontrar o modo mais
adequado para realizar treinamentos para crianças. As consequências
prejudiciais estão correlacionadas à integridade física da criança, ou seja,
lesões físicas, “lesões” psicológicas, limitações sócio afetivas, motoras e
abandono prematuro da modalidade em que foi especializado.
De acordo com Kunz (1994) a adesão de esteróides anabolizantes
tornou-se uma realidade em crianças, ocasionada principalmente pela busca
de excelência em resultados esportivos em categorias menores. Por
conseguinte, aponta os esteróides responsáveis por sérios efeitos colaterais
físicos entre eles lesões no fígado e problemas cardiovasculares. Nesse
contexto, firmando-se em De Rose (2002 apud LEITE, 2007, p. 3) nos mostram
outras conseqüências,

[...] surgem problemas de ordem física, como o aparecimento de


lesões importantes, que podem até afetar o processo de crescimento
de desenvolvimento, e de ordem psicológica, que podem levar a
sérios problemas comportamentais. A prontidão competitiva inclui
componentes físicos, fisiológicos, psicológicos (emocionais e
cognitivos) e sociais.
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Em seu estudo, Leite (2007) ressalta que o ensino do esporte às crianças


vai além da mera repetição de treinos de adultos, pois o ideal é que se
preocupem e contribuam para a formação do indivíduo em sua totalidade, nos
aspectos, motores, físico, cognitivo, afetivo e social.
Deste modo, para a especialização esportiva não precoce, ainda assim se
faz necessário uma preparação desportiva (iniciação esportiva) em diversas
modalidades até a fase pubertária e após este momento também não se deve
fazer o treinamento em outras categorias como, a prática de treino com
adultos,
No trabalho de Cancigliere et al. (2008) realizado com 22 atletas de 07 a
18 anos, descobriu-se vários fatores que levaram os atletas a sofrerem
consequências ruins com relação à especialização precoce, a saber, os
indivíduos iniciaram seus treinamentos especializados por volta dos 10 a 12
anos de idade; treinam mais de 2 horas; média de 2 a 3 vezes por semana;
treinos intensos caracterizados como treinos de atletas adultos, levando ao
aparecimento de lesões. Principalmente as crianças com menos de 12 anos
reclamaram de dores após os treinos físicos, porém vale ressaltar neste
trabalho o retorno das crianças aos treinos mesmo após terem tido lesões e
não ter sido respeitado seu momento de recuperação, fato este destacado pelo
autor, pois poderiam ser agravadas pelo movimento repetitivo, vale destacar
também as “lesões” psicológicas, haja vista serem cobrados para superarem-
se a todo momento.
Somando-se a estas pesquisas, o trabalho de Perroni (2007), verificou a
precocidade em treinamento de jovens atletas com a equipe adulta a partir de
estudos de caso utilizando como metodologia, entrevistas, questionário de
lesões, registro de dados (planilha de treinamentos) análise documental
(prontuários) e obteve como resultado: a sobrecarga dos jogos, o não
afastamento quando estavam lesionadas, tudo isso se constitui como fatores
principais para o agravamento de suas lesões, por serem submetidas a um
treinamento de mais de uma categoria.
Rodrigues (2010), em sua pesquisa utilizou como instrumento de coleta
de dados questionários com 20 perguntas, respondidos por ex-nadadores
recordistas, onde foi averiguado o abandono prematuro da modalidade
15

natação. Os resultados obtidos apontaram que de 51,4 % dos ex-nadadores,


abandonaram somente na categoria sênior e, contudo ainda se tem
características de abandono precoce visto que, nem todos os participantes que
chegaram a esta categoria conseguiram desempenho ideal para continuarem,
afirma o autor.
O trabalho de Tischer (2010) utilizou questionário com 08 perguntas
abertas para 05 ex-atletas de natação, com idade média entre 12 e 17 anos e,
com 04 perguntas abertas, para pais desses ex-atletas entrevistados e, com 06
perguntas abertas aos 05 técnicos. No presente trabalho, verificou-se que
todos os atletas que responderam ao questionário, 01 atleta, abandonou a
natação por causa de lesão no joelho; outro atleta abandonou por querer
realizar outra atividade; o terceiro, por sentir muito cansaço em decorrência dos
treinos; o quarto atleta, não aguentava mais nadar e nem ser pressionado
psicologicamente por resultados positivos; e o último ex-atleta, por não ter bons
resultados desanimou.
No trabalho Soares (2010) embasado em autores que dialogam sobre
este tema, como, Neto e Voser (2001), Weineck (1991), Mutti (2003), Pini
(1978), este afirma que, quanto ao psicológico, são altos os níveis de
ansiedade, stress e, frustração em crianças e, que poderá ocorrer a não
participação em jogos e brincadeiras do seu mundo, deste modo estas não
viverão suas infâncias, sendo a infância o momento propicio a brincadeiras
indispensáveis para o desenvolvimento de sua personalidade. Deste modo, o
esporte praticado por elas semelhante ao esporte adulto ocasionam segundo
Santana (2005 apud, Ramos; Neves 2008) que a vontade de abandonar o
esporte é devido terem praticado em excesso, processo denominado de
saturação esportiva.
Nesse contexto, Ramos e Neves (2008, p.7) afirmam que, “[...] A criança
deve ser respeitada, intelectual, social e emocionalmente”
Numa visão mais holística sobre as conseqüências da especialização
precoce, afirma Pini (1978 apud SOARES, 2010, p. 6),

Quando o treinamento esportivo é realizado precocemente de forma


intensa e sistemática podem instalar-se perturbações no aparelho
locomotor representadas pela resistência desproporcional entre a
16

parte óssea e a hipertrofia muscular instalada. Surgem também


conseqüências psicossomáticas relacionadas a dificuldade no
aprendizado, dificuldades de memorização e o conseqüente
desinteresse pela vida escolar. Alem destes danos físicos e
psicológicos a especialização esportiva precoce pode causar uma
patologia conhecida como “síndrome da saturação esportiva”, que é
caracterizada, principalmente por apatia, indiferença, ou até aversão
pela prática esportiva ou pelos fatos a ela relacionados exatamente
no momento em que deveriam ser intensamente praticados.

Consonante à Soares (2010), Vargas Neto (1999 apud MACHADO,


2008), nos mostra que os riscos para uma criança submissa a uma prática
intensa de um determinado desporto são: a) lesões anatômicas, ósseas,
articulares, musculares e cardíacas, b) lesões psicológicas: ansiedade, stress e
frustrações, sofrimento mental por fracassos e desilusões. frustração por não
aproveitar a infância, c) lesões motoras: baixo nível motor, ou seja, pouco
repertório motor e movimentos rígidos.
De acordo com as consequências acima, a especialização pode acarretar
à criança: unilateralização do desenvolvimento motor e falta de atividades
indispensáveis ao sócio-afetivo, stress de competição, medo e insegurança.
Augusti (2001) nos mostra que a estabilidade emocional é inerente a fase
pubertária, contudo a mesma torna-se estável por volta dos 13 e 14 anos, daí a
importância de conhecermos tais fases do desenvolvimento da criança
principalmente, com relação ao seu emocional.
A partir dos resultados encontrados nos estudos, direcionaremos a
discussão para as conseqüências associadas ao desenvolvimento motor.
Apoiando-se em Weineck (2003 apud VIEIRA; BOJIKIAN, 2008)
demonstram que no período da grande infância, a partir dos 07 aos 10 anos de
idade, o córtex cerebral oferece uma grande capacidade de movimentos
coordenativos, nesta fase, torna-se importante a utilização de diversos
exercícios para ampliar o acervo motor. Entretanto, dentre outros fatores a
criança especializada precocemente, poderá chegar ao risco motriz, que é
denominado como ausência de um repertório motor mais rico, ou seja, baixa
quantidade de movimentos.
Coadunando com o exposto acima, Vieira e Bojikian (2008), apontam, que
a especialização precoce tem por finalidade o resultado em curto período,
sendo este processo, de limitação de arquivo motor e, deste modo, corre riscos
17

de não alcançar uma boa performance no esporte em sua fase adulta. Para
que se tenha um atleta de alto nível, propõe-se que na grande infância as
atividades sejam entendidas como propostas que facilitem a ampliação do
arquivo motor no que diz respeito ao desenvolvimento global das habilidades
motoras.
Todas estas consequências tornam-se mais prejudiciais do que benéficas
e, casam-se aos resultados das pesquisas demonstradas acima, relacionando-
se com total fidedignidade ao que a literatura nos mostra.
É de suma importância que professores de educação física e treinadores,
tenham conhecimento de cada fase e estágio pelos quais o indivíduo se
apresenta, para que estes possam verificar o nível de desenvolvimento motor,
cognitivo, afetivo e social de seu aluno, avaliando e direcionando os conteúdos
de acordo com os seus limites e necessidades.

CONCLUSÃO

Este estudo aspirou sobretudo identificar as causas e consequências que


a especialização precoce poderá ocasionar na criança, interferindo diretamente
em sua saúde. A partir da literatura analisada observamos que o fenômeno
esportivo é muito complexo em sua totalidade, pois o esporte desempenha
importantes papéis e funções no desenvolvimento integral da criança.
Entretanto, acreditamos que há fatores externos que comprometem a
integridade física, motora, sócio-afetiva e emocional, onde podemos destacar
que a interferência dos pais é a principal causa da especialização esportiva
precoce. A partir desse estudo, devemos nos atentar aos seguintes pontos: a)
Respeitar a criança como um ser único, observando a sua individualidade, uma
vez que esta precisa enriquecer seu arquivo motor até a fase da puberdade, b)
clubes, academias e escolinhas, devem repensar as idades para iniciar a
especialização esportiva e, não restringir a criança a apenas uma atividade e
visar o resultado em curto prazo; c) identificar alterações emocionais e
comportamentais tanto dentro quanto fora do contexto desportivo, d)
proporcionar atividades lúdicas inseridas no contexto desportivo, e) os
professores devem planejar seus treinamentos considerando as tarefas diárias
dos seus alunos antes e após os treinos, f) propiciar treinos adequados
18

observando-se as faixas etárias e níveis maturacionais de crianças e


adolescentes e não simplesmente “promovê-los” ao treinamento com adultos.
Sendo assim, nota-se a necessidade de ampliar essa visão para além das
escolas de esporte, academias e clubes, uma vez que esses representam os
principais lugares de especialização esportiva precoce, pois esta tende a
encurtar e não prolongar a carreira destes atletas mirins, onde no primeiro
contato da criança com o esporte ela deve se sentir, motivada a continuar a
prática da modalidade, sendo o “esporte infantil” mais lúdico e prazeroso até a
fase pubertária.

The early specialization in sport and its consequences to children: a


theoretical approach

ABSTRACT

The aim of this study was to early specialization in sport for children and their
implications for the development of the child, from the above in the production
of knowledge. The study is characterized by methodological literature research,
qualitative and explanatory character .To organize the ideas and main results of
each article, we use the content analysis Although the subject of this study is
very controversial, the analyzes allowed us to deep reflection on the subject.
Finally this research was obtained as a result, the importance of sports initiation
phase until puberty, in order to enrich the collection of motor young, for after the
stage of puberty, more correctly adequarmos specialization sports. This leads
us to believe that early specialization sports before puberty stage, would be
nothing more than shimmering short-term revenue and not worry about the
future of young people, only with good results to meet the child's personal
coach, club, academies and parents. Thus we conclude that early sport
specialization is more harmful than beneficial to the child

Keywords: Early specialization. Sports initiation. Consequences and Causes

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