Você está na página 1de 4

Infertilidade conjugal:

A infertilidade é definida como a dificuldade em se obter gestação espontaneamente após 12


meses de atividade sexual regular – 2 a 4 vezes por semana – e sem uso de métodos
contraceptivos naturais ou artificiais.

A esterilidade é definida como a incapacidade permanente para a concepção.

É classificada em infertilidade primária, quando nunca houve concepção e secundária, quando


há história prévia de gestação; porém, atualmente, há mais de 12 meses, com tentativas
frustradas de nova gestação.

ETIOLOGIA: 30% causas masculinas isoladas;

30% causas femininas isoladas → 40% ovulatório

40% tuboperitoneal

10% ISCA

10% outros

30% mistas;

10% idiopáticas. (ISCA- infertilidade sem causa aparente).

A principal causa de disfunção ovulatória é a síndrome dos ovários policísticos.

Outras causas são disfunção hipotalâmica, hipofisárica (hiperprolactinemia), ovarianas


(falência ovariana precoce), tireoidianas, de suprarrenal ou fator tuboperitoneal (causado por
infecções pélvicas, ou aderências causadas por infecções prévias).

Na mulher: pico máximo da fertilidade 25 anos, caindo após 35 anos.

No homem: pico máximo da fertilidade 35 anos, caindo após 45 anos.

Fatores de risco para a mulher: idade > 35 anos, alterações hormonais, infecções,
endometriose, outros (tabagismo, drogas ilícitas, alterações ponderais, alocoolismo).

FATOR MASCULINO:

Deve-se solicitar espermograma com morfologia estrita de Kruger e processamento seminal


prognóstico. O material deve ser colhido após 3 a 5 dias de abstonência.

Se anormal o espermograma deve ser repetido com no mínimode 15 dias e no máximo de 2-3
meses de intervalo entre as amostras. Se houver disparidade, uma 3 amostra deve ser colhida.
Confirmada a alteração, deve-se realizar o encaminhamento para o especialista.

FATOR OVULATÓRIO:

Não existem exames capazes de identificar a qualidade dos oócitos, mas sim o volume de
reserva ovariana. Para isso, utiliza-se a dosagem do hormônio FSH ou estradiol. A dosagem de
FSH constitui o método mais sensível, mas outros métodos podem ser utilizados, como
dosagem do hormônio antimüleriano, USG transvaginal.

Diminuição da reserva ovariana: FSH > 10 a 15 mUI/ml

Estradiol >= 60 a 80 pg/ml

Se a reserva for baixa opta-se por fertilização IN VITRO (FIV).

FATOR TUBOPERITONEAL:

A HSG (histerossalpingografia) é importante para avaliar o fator tuboperitoneal e as estruturas


canaliculares. É o exame que melhor informa as condições das tubas. Prova de Cotte + :
quando o contraste extravassa bilateralmente para a cavidade abdominal, indicando a
perviedade das tubas uterinas.

A VLP (videolaparoscopia) é considerada como método padrão ouro na avaliação do fator


tuboperitoneal. Só é indicado quando a HSG der alterada ou na suspeita de aderências,
tumores anexiais, ou endometriose, quando se objetiva a concepção natural. A correção do
fator tuboperitoneal pela VLP é indicada em pacientes menores de 35 anos e/ou bom nível de
hormônio antimüleriano, caso contrário indica-se a FIV.

FATOR UTERINO:

USG identifica miomas, pólipos, malformações e adenomioses e pode ser complementada com
a infusão de S.F. na cavidade uterina (histerossonografia). Histeroscopia (HSC): permite a
visualização da cavidade uterina e ressecação de parte de afecções. Assim como VLP, não
fazem parte da avaliação inicial, mas podem ser utilizados como métodos auxiliares
diagnósticos a USG e HSG. HSC pode detectar pequenos pólipos endocervicais e micropólipos,
que estão associados à endometrite, a qual pode comprometer a fertilidade ou os resultados
da reprodução assistida. Dessa forma a HSC é utilizada previamente à FIV.
TRATAMENTOS:

Pacientes que não ovulam: indutores da ovulação: citrato de clomifeno, letrozol,


gonadotrofinas.

Cirurgias: reversão de laqueadura, endometriose, aderências pélvicas (causas: endometrites e


cirurgias anteriores), alterações tubárias, mioma uterino.

REPRODUÇÃO ASSISTIDA DE BAIXA COMPLEXIDADE:

Compreende: indução da ovulação + coito programado + inseminação intrauterina.

Condições: cavidade uterina íntegra, pelo menos uma tuba normal, sêmen adequado.

Indicações: fator ovulatório, fator masculino leve, endometriose estádios clínicos I e II.

A indução da ovulação pode ser feita com citrato de clomifeno (contra-indicações: cistos
ovarianos,hepatopatias, tumor hipofisário, disfunções adrenais e tireoidianas não
controladas), gonadotrofinas de mulher menopausada (hMG), ou gonadotrofina purificada ao
recombinante (rec-FSH).

REPRODUÇÃO ASSISTIDA DE ALTA COMPLEXIDADE:

Técnicas: FIV ou ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide).

Indicações da FIV: fator tuboperitoneal, fator masculino leve, endometriose estádios clínicos I
e II.

Indicações da ICSI: fator masculino grave, endometrios estádios clínicos III e IV.

A DPI- FISH pode ser utilizada para selecionar embriões com alterações genéticas (anomalias
cromossômicas, malformações genéticas, sêmen de baixa qualidade, diminuindo o risco de
transmissão da doença para o filho).

DPI = diagnóstico pré-implantacional de aneuploidias cromossômicas por meio do FISH


(hibridização fluorescente in situ), e de doenças monogenéticas (por reação em cadeia pela
polimerase- PCR).

COMPLICAÇÕES

Gestação múltipla e SHO: síndrome do hiperestímulo ovariano. Ocorre aumento da


permeabilidade vascular,consequente extravasamento de líquido para o terceiro espaço,
resultando em ascite, cursar com alterações hemodinâmicas e hidroeletrolíticas, derrame
pleural, pericárdico, além de hemoconcentração, predispondo a fenômenos tromboembólicos.

As jovens e portadoras de síndrome dos ovários policísticos são os indivíduos que apresentam
as maiores chances de desenvolver a SHO.

Você também pode gostar