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base

Publicado em NOVA ESCOLA 12 de Dezembro | 2018

O que e como ensinar

BNCC para Artes: como


elaborar aulas e
avaliações alinhadas à
Base
Base prevê uma atenção especial ao processo criativo e
sensível, mais do que ao resultado das atividades na aula
de Artes

A proposta da BNCC é romper com uma linha de planejamento muito comum


nas escolas: pedir para que os alunos produzam a partir de um tema
proposto pelo professor e para que, depois, façam uma exposição para os
pais e para a comunidade.

A Base propõe que os alunos assumam papel de protagonistas e que


possam não só ajudar a definir os temas a serem tratados, mas
sentirem-se mais livres para criar, dando vazão à sensibilidade de
maneira mais plena. O desenho das aulas deve ser feito considerando
também o interesse dos alunos, assegurando o desenvolvimento das
habilidades essenciais “A partir de agora, o primeiro passo é fazer um círculo
na sala de aula, dialogar, escutar os alunos. Tem que ter um planejamento –
de onde consta o que precisa ser apresentado.”, afirma educador e formador
Henrique Lima, do Centro de Estudo e Pesquisa Ciranda da Arte.

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O artista plástico e educador Carlos Barmak, coordenador do educativo do


Museu da Casa Brasileira, afirma que o professor nem sempre deve
direcionar, ou seja, lançar um tema sobre o qual as crianças devam refletir e
pesquisar, até que elas mesmas sejam capazes de construir suas próprias
produções. “A criança pode trazer alguma informação de algo que ela viu e,
assim, pode-se dar início a um longo processo de investigação. O professor
pode acolher essa demanda, socializar, fazê-la reverberar. As falas dos alunos
podem enriquecer muito o processo”, diz.

Veja como elaborar aulas de Artes alinhadas à


Base

Trabalho em etapas
A proposta é estruturar as aulas em sequências didáticas ou
projetos, em modalidades que permitam organizar o tempo
didático para enfatizar o processo de criação, algo que pede a Base.
“Não é tarefa fácil olhar para o processo, pois as sociedades
contemporâneas valorizam os produtos e as ações objetivas para
chegar a resultados. Mas quando pensamos o processo e
organizamos as aulas com esse objetivo, possibilitamos o contato
dos estudantes com conteúdos em diferentes dimensões, o que
favorece a construção de conhecimentos mais profundos,
aprendizagens mais significativas e complexas”, afirma Marisa
Szpigel, formadora e professora de Artes na Escola da Vila.

Ao professor, cabe o papel de observador atento, em todas as


etapas do trabalho. Ele pode tanto estimular o diálogo sobre
desafios e descobertas individuais e coletivas, quanto pode
apresentar referências que alimentem e ampliem os conhecimentos
dos estudantes, dentro de seus próprios processos de pesquisas.
“Além de potencializar as aprendizagens, esse acompanhamento,
durante um tempo mais longo, faz com que os professores
conheçam de fato os estudantes, intensificando os vínculos”, diz
Marisa.

A mesma visão de processo pode ser adotada quando se trabalha


obras de outros autores. Mais do que refletir sobre o produto final,
os alunos podem pensar sobre como foi feito, com quais motivação
e por quem.Sob essa perspectiva, fica mais fácil ler a poética do
outro e até encontrar a própria. “Os alunos também precisam
aprender sobre generosidade, amor, poesia, algo que só é traduzido
pela arte. As artes ajudam a sensibilizar as pessoas. Quando o
estudante percebe as nuances da obra de arte percebe, ao mesmo
tempo, a delicadeza do outro”, explica Lima.

Na prática
Marisa Szpigel dá exemplos práticos de como abordar diversas
dimensões de um mesmo tema em sala de aula, em uma sequência
didática.

Se o professor vai trabalhar com performance, uma linguagem


menos presente no cotidiano dos estudantes, por exemplo, pode
ser interessante abordá-la inicialmente pela fruição, apresentando
pelo menos dois vídeos de performances para um primeiro
mergulho na linguagem. Os alunos, em pequenos grupos, podem
conversar sobre suas impressões, analisar semelhanças e
diferenças. A elaboração de um texto individual, com o desafio de
explicitar sensações e sentimentos, pode levar à reflexão sobre a
linguagem e suas potencialidades. Essas experiências são
fundamentais para dar recursos para os estudantes criarem suas
próprias performances.

Mas a maneira de estruturar o processo deve variar, de acordo com


o conteúdo e os objetivos definidos. Se o conteúdo for grafite, por
exemplo, a primeira dimensão a ser acionada pode ser a criação,
principalmente se a escola estiver em um grande centro urbano,
uma vez que a linguagem é muito presente na vida deles.

O mais importante é que cada tema seja abordado em mais de uma


dimensão. “Essa tomada de decisão sobre as dimensões que serão
abordadas e de que forma precisa ocorrer no momento do
planejamento”, recomenda Marisa.

Avaliação
Evite aplicar uma avaliação única, ao final da sequência. Uma
possibilidade é propor que os alunos se autoavaliem a cada etapa
do processo. “Mas, para isso, é preciso uma mudança de atitude por
parte do professor, que terá que compartilhar com os estudantes,
desde o início de cada projeto ou sequência didática, os critérios de
realização, mesmo que eles sejam modificados ao longo do
percurso”, explica Marisa.
O portfólio é outro instrumento interessante para avaliar o
processo, pois evidencia as diferentes trajetórias dos estudantes.

Para Lima, é preciso deixar bem claros os critérios de avaliação e


observar os alunos a cada dia, acompanhando passo a passo o
desenvolvimento deles. Também é função do professor
desmistificar a ideia de bonito e feio, e acolher os erros que
eventualmente possam ocorrer no processo. “Se for preciso ajustar
a rota com o aluno, fale com ele reservadamente. Às vezes, retomar
um conceito e deixá-lo mais claro é o bastante para que o aluno seja
capaz de encontrar um caminho melhor por si só”, afirma Lima.

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