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Caso do Namanhumbir

O problema que emergiu em Namanhumbir, em Montepuz, na província de


Cabo Delgado com a Mineradora Ruby Mining, não se difere tanto do que tem sido as
revindicações das populações residentes nas zonas onde há prospeção e extracção
mineira, em vários sítios deste nosso Moçambique.

Os problemas são os mesmos: a população é reunido com os investidores e dai


nascem uma moratória que depois a efectividade mostra-se deficitária no seu
cumprimento pela parte investidora.

Vamos aos factos, a população moçambicana está numa era de aquisição da


informação e deste eles tem uma percepção quanto ao real valor das terras que eles
ocupam há vários anos frutos da ocupação destas desde os seus ancestrais. A população
quando uma empresa pretende instalar, a primeira coisa exigem as suas devidas
indemnizações das suas terras e do património material tangível e espiritual1 da zona
onde vive para aceitar a nova morada.

O Estado que administrativamente, compete zelar pela prossecução do interesse


comum usando os seus instrumentos jurídicos em diversa áreas ligados a exploração
minera, lei da terra, investimento, ambiental, fiscal e outros, se desdobra em criar uma
harmonia entre os investidores e as populações a fim de salvaguarda do interesse
colectivos.

A parte empresarial busca a maximização dos seus investimentos com lucro que
almeja ter com a exploração dos Rubis. Para estes a responsabilidade social e muita das
vezes não levado em conta.

A opinião que posso expor a esta contenda é a legislação. Esta traz todas as res-
postas do diferendo: Vejamos, segundo o número 1 do Artigo 109 da Lei n°1/2018 de
12 de Junho (Constituição da República de Moçambique), confere ao Estado a tutela da
terra2 e proibi com este instrumento legal a venda, hipoteca ou penhora da mesma.

1
É sabido que no meio rural a maioria das populações que nelas vivem realizam cerimónias de sepulturas
dos seus entes familiares em espaços adjacentes as suas casas ou nas machambas e que este acto carrega
um simbolismo espiritual para sociedade Moçambicana.
2
A terra é propriedade do Estado.

1
O número 2 do mesmo artigo. Seguindo a letra do legislador, este para cautelar o
não usufruto da terra pelos moçambicanos, reconhece e garante no n°3 a possibilidade
do cidadão usar a terra como forma de aquisição da riqueza e do bem-estar a
prerrogativa de uso e aproveitamento da terra.

Os procedimentos3 para ter o título do uso podemos aqui não rolar, o importante
e anuir a lei sobre a análise em apreço, o n° 2 do Artigo 110 da CRM4/2018 é
aperitório em dizer: “O direito de uso e aproveitamento da terra é conferido às
pessoas singulares ou colectivas tendo em conta o seu fim social ou económico.”

A rolada estes dispositivos constitucional e da lei ordenaria e vendo a defesa do


“Jus Imperium” do Estado, passamos a nivelar o lado da população de Namanhumbir,
o Artigo 111 da CRM/2018 de 12 de Junho concede a titularidade do direito do uso,
adquiridos por herança ou ocupação da terra (…) “o Estado reconhece e protege os
direitos adquiridos por herança ou ocupação, salvo havendo reserva legal ou se a
terra tiver sido legalmente atribuída à outra pessoa ou entidade.”

Se for analisar este artigo da lei-mãe, verificamos que o legislador originário no


Decreto-lei atrás referida traz no n° 1 do Artigo 9 diz que “ as comunidades locais
que estejam a ocupar a terra segundo as práticas costumeiras adquirem o direito de
uso e aproveitamento da terra” e enfatiza no artigo10 no seu n° 1 observa que: “ As
pessoas singulares nacionais que, de boa-fé, estejam a utilizar a terra há pelo menos
dez anos, adquirem o direito de uso e aproveitamento da terra.”

Rebatendo os factos podemos dizer a Lei ou melhor os dispositivos legislativos


são favoráveis as populações de Namanhumbir.

Cabe ao Estado respeitar a soberania do seu povo e possibilitando que haja sim
investimento, mas seja a cautelado os valores patrimoniais e costumeiras das
populações abrangidas pela mineração. Transferindo as populações para novas zonas
com um plano bem programático de reassentamento, devidas recompensas e a criação
de condições fundamentais consagradas: saúde, educação, (…) e a consequente

3
Veja artigo 11° do Decreto n° 66/98 de 8 de Dezembro- Regulamento da lei da Terra
4
Constituição da Republica de Moçambique

2
melhoria da vida, que passa pela participação da mão-de-obra local na mineração e na
integração do seu conteúdo local.

Por João Luís Menete,


Jurista. Analista e especialista em Direito da Terra e Ambiental