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Reprodução, sistema genital, ontogênese


Anatomia e fisiologia do
sistema reprodutor masculino
Hamilton Haddad Junior
Maria Aparecida Visconti

1.1 Introdução
1.2 Estruturas do sistema reprodutor masculino
1.2.1 Escroto
1.2.2 Testículos
1.2.3 Ductos do sistema reprodutor masculino
1.2.4 Glândulas sexuais acessórias
1.2.5 Pênis
1.3 Controle Hormonal da Função Reprodutora Masculina
1.4 Puberdade e envelhecimento
1.5 Conclusão
Referências

Licenciatura em Ciências · USP/ Univesp


O material desta disciplina foi produzido pelo Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada (CEPA) do
Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) para o projeto Licenciatura em Ciências
(USP/Univesp).

Créditos

Coordenação de Produção: Beatriz Borges Casaro.

Revisão de Texto: Marina Keiko Tokumaru.

Design Instrucional: Gezilda Balbino Pereira, Juliana Moraes Marques Giordano, Maria Angélica
S. Barrios (estagiária), Melissa Gabarrone, Michelle Carvalho e Vani Kenski.

Projeto Gráfico e Diagramação: Daniella de Romero Pecora, Leandro de Oliveira,


Priscila Pesce Lopes de Oliveira e Rafael de Queiroz Oliveira.

Ilustração: Alexandre Rocha, Aline Antunes, Benson Chin, Camila Torrano, Celso Roberto Lourenço,
João Costa, Lidia Yoshino, Mauricio Rheinlander Klein e Thiago A. M. S.

Fotografia: Jairo Gonçalves.


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1.1 Introdução
A reprodução humana consiste em eventos biológicos essenciais para a preservação da
espécie, envolvendo mecanismos fisiológicos complexos em estruturas formadoras dos sistemas
reprodutores masculino e feminino. A compreensão desses mecanismos é extremamente
importante e envolve o conhecimento anatômico e funcional desses sistemas, associado às suas
alterações durante o desenvolvimento, maturação e envelhecimento.
Existem semelhanças morfofuncionais entre algumas estruturas do sistema reprodutor
feminino e masculino, sobretudo pelo fato de ambos derivarem do mesmo tecido embrioló-
gico. Um exemplo disso são as gônadas, responsáveis pela gametogênese em ambos os sexos.
Entretanto, as gônadas femininas, denominadas ovários, são responsáveis pela produção de
oócitos, ao passo que as masculinas - os testículos - produzem os espermatozoides. Os esper-
matozoides e os oócitos são os gametas masculinos e femininos, respectivamente. Eles diferem
entre si em diversos aspectos, como na duração de sua produção. Ambos possuem os compo-
nentes genéticos responsáveis pela formação de um novo indivíduo.
Neste texto, a nossa preocupação será esclarecer aspectos anatomofuncionais dos compo-
nentes do sistema reprodutor masculino envolvidos na gametogênese e no comportamento
sexual, essenciais para a reprodução humana.

1.2 Estruturas do sistema reprodutor masculino


As estruturas formadoras do sistema reprodutor masculino são:
• os testículos, um sistema de ductos (que incluem o ducto deferente, o ducto ejacula-
tório e a uretra),
• as glândulas sexuais acessórias (vesículas seminais, próstata e glândula bulbouretral) e
• diversas estruturas de suporte, que incluem o escroto e o pênis (Figura 1.1).
Essas estruturas podem ser agrupadas por função. Os testículos, que correspondem às
gônadas masculinas, são os produtores de gametas e secretores de hormônios. Os gametas são
armazenados e transportados pelos ductos, onde as glândulas
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envolvidas na proteção e nutrição dos gametas, além de facilitarem o seu movimento. Já a


transferência dos gametas masculinos (isto é, dos espermatozoides) para o sistema reprodutor
feminino durante o ato sexual ocorre com o auxílio do pênis.

Figura 1.1: Estruturas do sistema reprodutor masculino. / Fonte: Modificada de Curi, 2009.

1.2.1 Escroto

O escroto é uma bolsa que consiste em pele frouxa e fáscia superficial, que pende da raiz
(parte fixa) do pênis, formando uma estrutura de suporte para os testículos. Externamente,
o escroto parece uma bolsa simples de pele, separada em partes laterais pela crista mediana,
chamada rafe. Internamente, o septo de escroto divide-se em duas bolsas, cada uma contendo
um só testículo. O septo é formado por uma fáscia superficial e por tecido muscular, chamado
músculo dartos, que consiste em fascículos e fibras musculares lisas. O músculo dartos também
é encontrado no tecido subcutâneo do escroto e é contínuo ao tecido da parede abdominal
(Figura 1.2). Quando se contrai, o músculo dartos provoca o enrugamento da pele do escroto.

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Figura 1.2: Ilustração da anatomia testicular. / Fonte: Modificada de Tortora, 2012.

A manutenção da temperatura adequada para a produção normal de espermatozoides pelos


testículos é extremamente importante. Para tanto, a localização do escroto e a contração de suas
fibras musculares são capazes de regular essa temperatura em aproximadamente 2-3 °C abaixo
da temperatura central. O escroto é capaz de manter a sua temperatura abaixo da temperatura
corporal por estar fora da cavidade pélvica. Além disso, o músculo cremaster, pequena faixa de
músculo esquelético no funículo espermático, que é a continuação do músculo oblíquo interno
do abdome, eleva os testículos durante a exposição ao frio, impedindo o seu esfriamento –
o que também ocorre durante a excitação sexual. Essa ação move os testículos para mais próximo
da cavidade pélvica, onde podem absorver o calor do corpo. A exposição ao calor reverte o
processo. O músculo dartos também se contrai em resposta ao frio e relaxa em resposta ao calor.

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1.2.2 Testículos

Os testículos são estruturas pares, ovais, medindo cerca de 5 cm de comprimento e 2,5 cm


de diâmetro cada um. Cada testículo pesa cerca de 10 a 15 gramas. São considerados estruturas
glandulares, uma vez que secretam os hormônios sexuais envolvidos tanto na espermatogênese
quanto no desenvolvimento das características sexuais masculinas. Por isso, são fundamentais
para a reprodução humana, pois asseguram a fertilidade masculina. Sua função é regulada
pelo sistema nervoso central através, principalmente, das alças de retrocontrole do GnRH
(hormônio liberador de gonadotrofinas) hipotalâmico e das gonadotrofinas hipofisárias, que
serão discutidas com mais detalhes em outro momento.
O desenvolvimento embrionário dos testículos inicia-se próximo dos rins e, normalmente,
eles começam sua descida para o escroto através dos canais inguinais durante a última metade
do sétimo mês de desenvolvimento fetal. Eventualmente, um ou dois testículos podem não
descer para o escroto, caracterizando uma disfunção denominada criptorquidismo (cripto,
escondido + orchis, testículos), o que ocorre em 1% a 3% de todos os nascimentos de meninos.
Destes, em torno de 80% descem espontaneamente com o tempo. Aqueles que permanecem
no abdome até a puberdade se tornam incapazes de produzir espermatozoides, principalmente
pelo fato de a temperatura abdominal não ser adequada para a espermatogênese, como discutido
anteriormente. Entretanto, testículos
criptorquídeos continuam produzindo
hormônios, indicando que a produção
de hormônios não é sensível à tempera-
tura, como ocorre com a produção de
espermatozoides. A descida pode ser
estimulada por meio da administração
do hormônio testosterona ou então
cirurgicamente, se necessário.
Internamente, os testículos possuem
túbulos muito contorcidos,denominados
túbulos seminíferos. Cada túbulo
individual tem de 0,3 até 1 metro de
Figura 1.3: Ilustração da anatomia testicular. / Fonte: Modificada de Tortora, 2012.
comprimento (Figura 1.3).

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A periferia dos túbulos é revestida por células germinativas indiferenciadas, que dão início
à produção dos espermatozoides em direção ao lúmen do túbulo, onde os espermatozoides
serão liberados (Figura 1.4). Parte do processo de maturação ainda ocorrerá ao longo do
trajeto dos espermatozoides pelos ductos do sistema reprodutor masculino, bem como no
interior do sistema reprodutor feminino, para que ele esteja apto para a fecundação. Além das
células germinativas, os túbulos seminíferos possuem as chamadas células de Sertoli, respon-
sáveis pela nutrição e amadurecimento das células germinativas. Os testículos são divididos
em compartimentos por meio do prolongamento de uma de suas camadas de revestimento.
Esses compartimentos são denominados lóbulos, que têm de um a três túbulos seminíferos.
Cada testículo contém entre 200 e 300 lóbulos.

Figura 1.4: Ilustração da histologia do túbulo seminífero dos testículos. / Fonte: Modificada de Curi, 2009.

A maior parte da massa testicular - em torno de 80% - é composta pelos túbulos seminíferos.
O tecido intersticial que envolve os túbulos contém vasos sanguíneos e células produtoras de
testosterona, denominadas células de Leydig.

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1.2.3 Ductos do sistema reprodutor masculino

Além da liberação dos espermatozoides no lúmen


dos túbulos seminíferos, ocorre também a secreção
de líquidos, gerando uma pressão que provoca o
deslocamento do líquido e dos espermatozoides ao
longo dos ductos do sistema reprodutor masculino.
Ainda nos testículos, esse material seguirá dos
túbulos seminíferos contorcidos para os túbulos
seminíferos retos e, depois, para a rede testicular
(Figura 1.3). Posteriormente, o espermatozoide
se move por uma série de ductos eferentes
Figura 1.5: Ilustração da anatomia testicular. / Fonte: Modificada
contorcidos no epidídimo, que desembocam em de Silverthorn, 2010.
um só tubo, chamado ducto do epidídimo. Assim, o epidídimo é composto principalmente por
seus ductos fortemente espiralados, e situa-se na margem posterior de cada testículo. Ele pode ser
anatomicamente dividido em cabeça, corpo e cauda (Figura 1.3 e 1.5), sua região inferior, onde
o ducto do epidídimo fica menos contorcido e seu diâmetro aumenta – além desse ponto, o ducto
passa a ser chamado ducto deferente ou vaso deferente (Figura 1.5).
Funcionalmente, o epidídimo é o local onde a motilidade dos espermatozoides aumenta, durante
um período de 10 a 14 dias. No entanto, os espermatozoides ainda podem ficar armazenados no
epidídimo por mais tempo. Seu deslocamento para o ducto deferente ocorre por meio de contrações
peristálticas realizadas pela musculatura lisa presente em seu revestimento. Nos ductos deferentes, os
espermatozoides podem ficar armazenados por muitos meses até serem conduzidos para o ducto
ejaculatório, no momento da ejaculação, ou serem reabsorvidos. As contrações peristálticas das três
grossas camadas de tecido muscular dos ductos deferentes, estimuladas durante a ejaculação, são as
responsáveis pela movimentação dos espermatozoides para o ducto ejaculatório.
Anatomicamente, o ducto deferente mede cerca de 45 cm de comprimento e está
localizado ao longo da margem posterior do epidídimo, passando através do canal inguinal
(Figura 1.6 e 1.7) para entrar na cavidade pélvica, onde se localiza sobre o ureter e abaixo da
bexiga urinária (Figura 1.6 e 1.7). Possui uma região terminal dilatada, denominada ampola
(Figura 1.6 e 1.7). Já os ductos ejaculatórios iniciam-se acima da próstata, passando por ela e
terminando na região prostática da uretra. Podemos identificar três regiões uretrais, de acordo

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com o seu trajeto através da próstata, do diafragma urogenital e do pênis, respectivamente


(Figura 1.6 e 1.7), o que lhe confere um comprimento em torno de 20 cm.

Figura 1.6: Ilustração da anatomia do sistema reprodutor masculino e estruturas adjacentes. Observe o trajeto do ducto
deferente. / Fonte: Modificada de Tortora, 2012.

Figura 1.7: Ilustração da anatomia


de algumas estruturas do sistema
reprodutor masculino. Observe as
subdivisões anatômicas da uretra
– uretra prostática, membranácea e
esponjosa. / Fonte: Modificada de
Tortora, 2012.

A uretra recebe os espermatozoides juntamente com as secreções das glândulas prostática,


seminal e bulbouretral. É através da uretra que o sêmen é ejaculado para o exterior. Além disso,
a uretra também é o ducto terminal para a passagem da urina nos homens.

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1.2.4 Glândulas sexuais acessórias

De maneira geral, as glândulas sexuais acessórias são responsáveis por secretar a maior parte
da porção líquida do sêmen, armazenado e transportado pelos ductos do sistema genital mascu-
lino. Essas secreções estão envolvidas em diversas funções, como o transporte e a nutrição dos
espermatozoides, como também na lubrificação do pênis e da uretra. Entre as glândulas sexuais
acessórias, estão as vesículas seminais, a próstata e as glândulas bulbouretrais (Figura 1.6).
A próstata é uma estrutura única, que secreta um líquido leitoso na região prostática da
uretra através de diversos ductos. Está localizada abaixo da bexiga urinária, e tem um formato
de anel envolvendo completamente a uretra (Figura 1.7). Sua secreção, que compõe apro-
ximadamente 25% do sêmen, contribui para a coagulação do sêmen após a ejaculação e sua
subsequente decomposição. Além disso, contém substâncias que são usadas para a produção de
ATP e contribuem para a motilidade e a viabilidade dos espermatozoides.
O tamanho da próstata modifica-se ao longo dos períodos de desenvolvimento e vida
adulta do homem. O aumento é mais lento até a puberdade, seguido de um aumento mais
acentuado até os 30 anos, permanecendo estável até os 45, quando um novo aumento pode
ocorrer. Eventualmente, esse aumento pode ser excessivo, caracterizando uma neoplasia, que
corresponde ao segundo tipo de câncer mais comum nos homens. Isso determina uma grande
importância clínica para a próstata e a necessidade de exames médicos e laboratoriais regulares
para homens acima dos 50 anos – ou acima dos 45, para aqueles com histórico familiar.
As vesículas seminais são estruturas pares, de aproximadamente 5 cm, localizadas atrás da
base da bexiga urinária e à frente do reto (Figura 1.6). Sua secreção é importante para ade-
quar o pH da uretra masculina e do trato genital feminino, tornando-o compatível à vida dos
espermatozoides. A natureza alcalina do líquido ajuda a neutralizar esse ambiente ácido. Além
disso, tem em sua composição frutose (açúcar monossacarídeo), importante para a formação de
ATP, que fornece grande parte da energia utilizada pelos espermatozoides para sua manutenção
e locomoção até uma possível fertilização. As prostaglandinas, também presentes no líquido
seminal, estimulam a contração muscular do trato genital feminino, facilitando a locomoção
dos espermatozoides dentro dele e, consequentemente, viabilizando seu encontro com o óvulo.
Aproximadamente 60% do sêmen é constituído pelo líquido secretado pelas vesículas seminais.
Finalmente, as glândulas bulbouretrais, também chamadas glândulas de Cowper, estão
localizadas bilateralmente abaixo da próstata. Possuem ductos que se abrem na parte esponjosa

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da uretra (Figura 1.6 e 1.7), onde secretam substância alcalina, contribuindo também para
diminuir a acidez na uretra causada pela passagem da urina. Sua secreção, que ocorre durante
a excitação sexual, contém um muco com importante função lubrificante para a extremidade
do pênis, facilitando a relação sexual pela diminuição do atrito e diminuindo a quantidade de
espermatozoides danificados durante a ejaculação.
Resumindo, o fluido ejaculado - ou sêmen - contém espermatozoides e secreções das ve-
sículas seminais, glândulas bulbouretrais e próstata. O ejaculado do homem tem volume de
aproximadamente 3 ml e contém ao redor de 100 milhões de espermatozoides por ml. As
secreções dessas glândulas acessórias compreendem o volume total de sêmen e auxiliam no
transporte e nutrição dos espermatozoides. De fato, os espermatozoides contribuem com pe-
quena porcentagem do volume total. O fluido seminal contém diferentes substâncias químicas,
tais como: altas concentrações de frutose, que serve como substrato energético para os esperma-
tozoides; tampões que protegem os espermatozoides contra o ambiente ácido da vagina; muco
lubrificante, de origem nas glândulas bulbouretrais; e altas concentrações de prostaglandinas, as
quais são consideradas capazes de aumentar a motilidade do útero, facilitando assim o transporte
dos espermatozoides no trato genital feminino. Um resumo dos componentes do sêmen e suas
respectivas funções pode ser visto na Tabela 1.1.

Tabela 1.1: Resumo dos componentes do sêmen e suas principais funções. / Fonte: modificado de Silverthorn, D.U. 2010.

Componente Função Origem


Espermatozoide Gameta Túbulos seminíferos
Muco Lubrificante Glândulas bulbouretrais
Água Fornece o meio líquido Todas as glândulas acessórias
Tampões Neutralizam o meio ácido da vagina Próstata, glândulas bulbouretrais
Nutrientes Nutrição dos espermatozoides
Frutose Vesículas seminais
Ácido cítrico Próstata
Vitamina C Vesículas seminais
Carnitina Epidídimo
Coagulam o sêmen na vagina,
Enzimas depois liquefazem o coágulo
Vesículas seminais e próstata

Desconhecida; possivel associação


Zinco com a fertilidade
Desconhecida

Contração do músculo liso;


Prostaglandinas podem ajudar no transporte Vesículas seminais
dos espermatozoides

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1.2.5 Pênis

O pênis é uma estrutura de formato cilíndrico, composta por massas de tecido erétil
bastante vascularizadas, denominadas corpos cavernosos e corpos esponjosos. Além disso, a uretra
encontra-se na região medial peniana, envolvida pelo corpo esponjoso, permitindo a passagem da
urina e do sêmen pelo óstio externo da uretra. Essa região está localizada na extremidade distal
do pênis, que é levemente dilatada, denominada glande, e recoberta pelo prepúcio (Figura 1.8).

Figura 1.8: Ilustração da anatomia de estruturas do sistema reprodutor masculino. Observe à direita os detalhes do corte transversal
da estrutura peniana, onde podemos observar os corpos cavernosos e esponjosos, juntamente com a posição da uretra. / Fonte:
Modificada de Silverthorn, 2010.

O prepúcio é formado por tecido epitelial e mucoso, frouxamente aderido à extremidade


peniana. Sua função está relacionada principalmente à proteção mecânica dessa região, além de
ter importantes inervações sensíveis a estímulos mecânicos presentes no ato sexual. Entretanto,

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diversos homens realizam a retirada do prepúcio por motivos médicos ou religiosos. Essa prática
cirúrgica é denominada circuncisão. Atualmente, a Organização das Nações Unidas discute a
ideia de menor risco de contaminação do vírus da AIDS por homens circuncisados.
Além de permitir a passagem do sêmen e da urina pela uretra, o pênis tem importante
função na copulação sexual. Para isso, estímulos sexuais visuais, táteis, auditivos, olfatórios
ou psíquicos causam a dilatação das artérias penianas que irrigam os corpos cavernosos
e esponjosos, e, consequentemente, o aumento do aporte sanguíneo para essa região.
A expansão desses espaços comprime as veias que drenam o pênis, causando a diminuição da
saída do sangue. Essas mudanças causam o aumento e o endurecimento da estrutura peniana
característicos da ereção, facilitando sua penetração no canal vaginal durante o ato sexual.
A ereção peniana é um mecanismo reflexo controlado pelo sistema nervoso parassimpático.
Para isso, impulsos nervosos, desencadeados pelos estímulos sensoriais citados acima, trafegam
pelas aferências medulares até o centro integrador localizado entre os níveis medulares
S2-S4. Posteriormente, fibras eferentes parassimpáticas deixam a medula espinal para inervar
a musculatura vascular peniana, causando sua vasodilatação. As vias parassimpáticas também
podem ser estimuladas por informações provenientes das regiões encefálicas, responsáveis
pelo processamento de informações emocionais. O pênis retorna ao seu estado flácido
quando as artérias se contraem e a pressão sobre as veias é aliviada.
A ejaculação também é uma ação reflexa, que promove a emissão do sêmen para dentro da
uretra e sua posterior ejeção para o exterior, lembrando que a passagem dos espermatozoides
será facilitada pela prévia lubrificação da uretra por meio das secreções bulbouretrais, que ocor-
rerá durante a ereção. O mecanismo de ejaculação é mediado pelo sistema nervoso simpático,
que tem ação antagônica ao parassimpático, causando o término da ereção peniana. Como parte
do reflexo simpático de ejaculação, deflagrado pela estimulação tátil das glândulas penianas, a
musculatura lisa do epidídimo, vaso deferente e glândulas secretoras se contraem, causando
a propulsão dos espermatozoides e das secreções glandulares. Além disso, o músculo liso do
esfíncter, na base da bexiga urinária, se fecha. Como resultado, a urina não é expelida durante
a ejaculação e o sêmen não entra na bexiga urinária. O sistema nervoso autônomo – com suas
divisões simpática e parassimpática – será estudado na disciplina de Integração e Controle.

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1.3 Controle Hormonal da Função


Reprodutora Masculina
A reprodução é controlada, em
grande parte, pela secreção de diversos
hormônios que participam de meca-
nismos envolvendo a diferenciação dos
órgãos reprodutores, a produção de
gametas, o ciclo reprodutor, a liberação
de outros hormônios,o desenvolvimento
das características sexuais secundárias
e também o comportamento sexual.
Esses hormônios podem ser peptídeos,
proteicos ou glicoproteicos. Eles são
produzidos – ou têm sua produção
controlada – pelo hipotálamo e pela
adenoipófise. Sendo assim, hormônios Figura 1.9. Esquema geral do controle hormonal da reprodução. / Fonte:
hipofisários tróficos controlam a Modificado de Silverthorn, 2010.
produção de hormônios esteroides sexuais, que incluem andrógenos, estrógenos e progesterona,
que estão intimamente relacionados e se originam de uma mesma molécula precursora de
hormônios esteroides - o colesterol.
O controle da função testicular pelo hipotálamo ocorre por meio de pulsos na secreção do
hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH). Esses hormônios estimulam a hipófise anterior
a secretar dois hormônios gonadotróficos: o hormônio luteinizante (LH) e o hormônio folículo
estimulante (FSH), que atuam diretamente no testículo, controlando tanto a espermatogênese
como a produção de hormônios esteroides (Figura 1.9). Além disso, o aumento nos níveis
de LH e FSH inibe a secreção tanto de GnRH quanto de FSH, caracterizando um sistema de
retroalimentação negativa (Figura 1.10).

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Figura 1.10. Esquema geral de uma alça de retroalimentação negativa. / Fonte: Modificado de Silverthorn, 2010.

Os andrógenos são predominantes nos homens ao passo que os estrógenos são predomi-
nantes nas mulheres. O principal e mais abundante dos androgênios é a testosterona, envolvida
no desenvolvimento e manutenção das características sexuais masculinas, além de estar intima-
mente relacionada à síntese de espermatozoides. Sua secreção é realizada, principalmente, pelos
testículos e uma pequena parte é secretada pelo córtex da adrenal, perfazendo um total de 5 a
9 mg de testosterona por dia, circulando acoplada a proteínas transportadoras. Alguns tecidos
periféricos alvos realizam a conversão da testosterona em diidroxitestosterona (DHT), que tem
efeitos fisiológicos mais potentes.
Como descrito anteriormente, os andrógenos têm diversos efeitos no organismo humano.
Para isso, receptores androgênicos ativados controlam a expressão gênica de uma grande
variedade de tipos celulares responsáveis pelos efeitos fisiológicos desses hormônios, entre os
quais o desenvolvimento das características sexuais primárias e secundárias. As características
sexuais primárias são estabelecidas durante o desenvolvimento embriológico e são resultado da
diferenciação celular mediada pelos andrógenos, responsáveis pela formação dos órgãos sexuais
externos e da genitália masculina interna. Já as características sexuais masculinas secundárias
são desenvolvidas a partir da puberdade, quando ocorre um grande aumento na secreção dos
hormônios androgênicos, e caracterizam-se pela determinação do formato corporal descrito
como um triângulo invertido, com ombros largos e cintura e quadril pequenos – diferenciando
do formato das mulheres, que é semelhante a uma pera, com quadril largo e ombros menores.
Além disso, o crescimento de barba e de pelos pubianos, o aumento da espessura e quantidade
dos pelos da superfície corporal, o desenvolvimento da musculatura esquelética, o engrossa-
mento das cordas vocais e o surgimento do comportamento (e desejo) sexual também fazem

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parte das características sexuais secundárias masculinas. Adicionado a isso, durante a puberdade
ocorre ainda o crescimento peniano, do escroto, das vesículas seminais e da próstata, juntamente
com a estimulação de suas secreções, o aumento das secreções sebáceas, responsáveis pelo
surgimento da acne, o crescimento púbere ósseo e muscular, e alterações no metabolismo lipí-
dico, responsáveis pelo acúmulo de gordura na região superior do corpo.Tanto as características
sexuais primárias como as secundárias podem ser causadas pela testosterona ou pela DHT,
havendo prevalência pela molécula efetora de acordo com os tipos e quantidades de receptores
presentes no tecido alvo, como pode ser observado da Figura 1.11, que ilustra os principais
efeitos dos hormônios androgênicos.

Figura 1.11: Esquema dos efeitos dos hormônios esteroides sobre diferentes tipos celulares. Efeitos da testosterona (T), efeitos da
diidrotestosterona (DHT) e do estradiol (E2). / Fonte: Modificado de Berne, 2009.

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O fato de os andrógenos controlarem a expressão de alguns genes, promovendo a síntese


proteica, caracteriza-os como hormônios anabólicos, dando–lhes o nome de esteroides ana-
bólicos – estes são ilegalmente utilizados por alguns atletas em busca de seus efeitos sobre
a musculatura esquelética. Entretanto, seus efeitos colaterais são extremamente deletérios e
estão associados a mudanças de comportamento, inclusive agressividade excessiva, depressão ou
psicose, sugerindo a modulação do sistema nervoso central por esses hormônios. Além disso, o
aparecimento de câncer de fígado e infertilidade também estão associados ao uso indevido dos
hormônios esteroides. Entretanto, seus efeitos colaterais podem ser reversíveis uma vez que seu
uso seja interrompido a tempo.

1.4 Puberdade e envelhecimento


A puberdade masculina é marcada por diversas alterações anatomofuncionais que ocorrem
ao longo do período entre os 9 e 14 anos, levando o organismo masculino à vida reprodutiva.
Para isso, um aumento na secreção de LH noturno, e depois também diurno, causa uma maior
secreção de testosterona pelos testículos. Acredita-se que a maturação de neurônios hipotalâ-
micos dê início a essas modificações, modulando a secreção de LH, que por sua vez estimulará
a maior secreção de testosterona. Assim, esses dois hormônios – LH e testosterona – serão
os principais responsáveis por modificações como o crescimento e a maturação da genitália
externa, o desenvolvimento de características sexuais secundárias (tais como pelos púbicos e
barba), a mudança na forma do corpo (como o crescimento em altura e o tropismo muscular),
entre outras causadas diretamente pelos hormônios androgênicos já citados anteriormente.
Além disso, o início da produção de espermatozoides é fundamental para que se estabeleça o
período fértil do organismo masculino. Essa maturidade sexual se completa por volta dos 16 aos
18 anos, quando a produção de espermatozoides é alta e a maior parte dos caracteres sexuais
secundários já se completou.
A secreção de testosterona nos homens diminui gradualmente com a idade, causando
redução nos níveis de produção de espermatozoides. Esse declínio pode ter início por volta
dos 40 anos para a testosterona e dos 50 anos para a espermatogênese. Alguns pesquisadores
se referem a esse período como a andropausa masculina, que seria o período correspondente
à menopausa feminina, em que ocorre uma grande diminuição de hormônios estrogênicos,

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causando modificações fisiológicas importantes para o organismo feminino. Entretanto, os


sintomas físicos e psicológicos que acompanham esse período não estão totalmente estabelecidos,
sendo que muitos homens se mantêm sexualmente ativos e férteis após os 60 anos. Isso gera
discordância entre os pesquisadores quanto à existência da andropausa masculina.

1.5 Conclusão
Nesta aula, discutimos as estruturas anatômicas constituintes do sistema reprodutor mascu-
lino e suas respectivas funções. Além disso, descrevemos algumas alterações anatomofuncionais
envolvidas principalmente na maturação do sistema reprodutor durante a puberdade, bem como
alguns aspectos do envelhecimento. Pudemos observar a grande participação do sistema endó-
crino e também do sistema nervoso na regulação e coordenação das funções fisiológicas do
sistema reprodutor. Dessa forma, podemos concluir que o adequado funcionamento deste sistema
está relacionado com sua integração aos demais sistemas fisiológicos do organismo humano.
Sua principal função é garantir a fertilidade masculina, fundamental para a reprodução humana.

Agora é a sua vez...


Agora que você leu o texto da aula 1, acesse o Ambiente Virtual de
Aprendizagem e realize as atividades propostas.

Referências
Aires, MM (org.). Fisiologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
Berne R. et al. Fisiologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
Campbell, NA, et al. Biologia. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
Curi, R; Procópio, J. Fisiologia Básica. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009.
Guyton, A.C; Hall J.E.Tratado de Fisiologia Médica. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
Lent, R. Cem Bilhões de Neurônios? Conceitos Fundamentais de Neurociência. 2. ed. São
Paulo: Atheneu, 2010.

1  Anatomia e fisiologia do sistema reprodutor masculino


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 19

Silverthorn, D.U. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada. 5. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2010.
Tortora, G.J; Grabowski, S.R. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 10. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.

Glossário
Morfofuncionais: Características morfológicas e funcionais.

Reprodução, sistema genital, ontogênese


2

Reprodução, sistema genital, ontogênese


Anatomia e fisiologia do
sistema reprodutor feminino
Hamilton Haddad Junior
Maria Aparecida Visconti

2.1 Introdução
2.2 Estruturas do sistema reprodutor feminino
2.2.1 Ovários
2.2.2 Tubas uterinas
2.2.3 Útero
2.2.4 Vagina
2.2.5 Órgãos externos do sistema reprodutor feminino
2.2.6 Glândulas mamárias
2.3 Hormônios sexuais femininos
2.4 Menarca e Puberdade
2.5 Menopausa

Licenciatura em Ciências · USP/ Univesp


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp 21

2.1 Introdução
O conhecimento sobre a organização anatômica e funcional do sistema reprodutor feminino,
com suas modificações ao longo do desenvolvimento e envelhecimento, é essencial para a com-
preensão da reprodução humana. O sistema reprodutor feminino apresenta diversas características
funcionais diferentes do sistema reprodutor masculino, como por exemplo a presença de ciclos
ovarianos, onde ocorrem as ovulações. Esses ciclos estão presentes durante a fase reprodutiva da
mulher, que se inicia na puberdade e termina com a menopausa.
As alterações hormonais que ocorrem nesse período estão relacionadas com o desenvolvi-
mento do sistema reprodutor feminino, bem como com o seu envelhecimento. Nesse sentido,
estudaremos as estruturas desse sistema e suas alterações anatomofuncionais ao longo da vida da
mulher causadas pelos hormônios sexuais femininos.

2.2 Estruturas do sistema reprodutor feminino


Os órgãos internos do sistema reprodutor feminino estão localizados na porção inferior
da cavidade abdominal. Desses, fazem parte os ovários, as trompas uterinas ou de Falópio,
o útero e a vagina. Já a genitália externa é constituída pela vulva e o pudendo. As glândulas
mamárias também são consideradas parte do sistema reprodutor feminino. Veremos agora
algumas características estruturais e funcionais específicas de cada estrutura.

Vale ressaltar que essas características são distintas em cada fase de desenvolvimento
da vida, passando pela infância, juventude, fase adulta reprodutiva e climatério.

Reprodução, sistema genital, ontogênese  SER HUMANO E MEIO AMBIENTE


22 Licenciatura em Ciências · USP/Univesp

2.2.1 Ovários

A mulher adulta possui dois ovários, que pesam de 15 a 20 gramas, têm cerca de 2 a 4 cm de
comprimento cada e formato semelhante ao de uma amêndoa. Os ovários têm a mesma origem
embriológica que os testículos masculinos e estão envolvidos na produção dos gametas femininos - os
oócitos, e na produção de hormônios. Dessa forma, eles podem ser também considerados glândulas
endócrinas. Estão localizados um de cada lado do útero e são mantidos nessa posição por diversos
ligamentos (Figura 2.1), entre os quais podemos citar o ligamento largo do útero, que faz parte
do peritônio parietal (membrana serosa que reveste a cavidade abdominal), além dos ligamentos
útero-ováricos e suspensores, que ancoram os ovários ao útero e à parede pélvica, respectivamente.
Os vasos sanguíneos, linfáticos e a inervação ovariana têm acesso aos ovários através do hilo.

Figura 2.1: Estruturas do sistema reprodutor feminino. / Fonte: modificado de Tortora & Grabowski, 2002.

Cada ovário tem uma organização histológica que consiste em:


• uma camada externa que recobre sua superfície, denominada epitélio germinativo;
• uma cápsula esbranquiçada de tecido conjuntivo abaixo do epitélio, denominada túnica albugínea;

2  Anatomia e fisiologia do sistema reprodutor feminino


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp 23

• o córtex, que compreende a maior parte do ovário, onde se encontram os folículos em


diferentes estágios de desenvolvimento e regressão;
• a medula, onde se encontram elementos vasculares, nervosos e fibras musculares lisas
(Figura 2.2).

Figura 2.2: Ilustração da histologia do ovário, contendo folículos ovarianos em diferentes estágios de desenvolvimento. / Fonte: modificado
de Tortora & Grabowski, 2002.

Os folículos presentes no córtex são os oócitos envolvidos por diferentes tipos celulares,
que se modificam ao longo do desenvolvimento folicular. Essas células estão envolvidas em
importantes eventos que fazem parte da reprodução humana, como a nutrição e proteção
dos oócitos, além do seu amadurecimento e liberação no momento adequado. Elas também
secretam hormônios responsáveis pela preparação da vagina e das trompas de Falópio para a
fertilização e do útero para a gravidez.

A participação do desenvolvimento folicular na oogênese (formação de oócitos e ovulação), na


ruptura folicular e na liberação do oócito será detalhadamente abordada em uma próxima aula.

Reprodução, sistema genital, ontogênese  SER HUMANO E MEIO AMBIENTE


24 Licenciatura em Ciências · USP/Univesp

2.2.2 Tubas uterinas

As mulheres possuem duas trompas uterinas, que medem aproximadamente 10 cm de com-


primento e se estendem a partir da região lateral superior do útero (Figura 2.1). São formadas
por uma camada externa de membrana serosa, uma camada média muscular e uma camada
interna de células epiteliais secretoras e ciliadas (Figura 2.3). As trompas têm a função de
captação e transporte dos oócitos, fecundados ou não. A captação ocorre com o auxílio das
fimbrias, que são projeções digitiformes presentes no final das trompas e em contato com
os ovários. O transporte ao longo das trompas é auxiliado tanto pelos movimentos ciliares
das células epiteliais quanto pelas contrações da camada muscular. Esses movimentos sofrem
influências hormonais que flutuam ao longo do ciclo reprodutor feminino e durante a gestação.

Figura 2.3: Células epiteliais


secretoras e ciliadas pertencentes à
camada interna das tubas uterinas.
/ Fonte: modificado de Tortora &
Grabowski, 2002.

Os ovários podem ser sentidos durante um exame clínico por meio da apalpação pélvica e
também podem ser analisados por exames de imagem como o ultrassom.

2  Anatomia e fisiologia do sistema reprodutor feminino


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2.2.3 Útero

O útero é um órgão único, localizado entre a bexiga urinária e o reto.Tem o formato de uma
pera invertida e seu tamanho varia de acordo com a fase reprodutiva em que a mulher se encontra,
sendo menor durante o envelhecimento. Anatomicamente, o útero é dividido em três regiões:
• o fundo, que tem a forma de domo e está localizado acima das trompas;
• o corpo, que é a porção central cônica, formando a cavidade uterina em seu interior;
• o colo, que corresponde à região inferior estreita.
O interior do colo do útero, denominado canal do colo, abre-se superiormente na cavi-
dade uterina e inferiormente na vagina. Suas células secretoras de revestimento produzem
o muco cervical, composto por substâncias que auxiliam na suplementação energética dos
espermatozoides, além de protegê-los do ambiente hostil da vagina. Sua consistência se mo-
difica ao longo do ciclo reprodutor feminino, sendo mais fluido durante a ovulação, o que
facilita a passagem e a movimentação dos espermatozoides pelo colo do útero. Nos demais
períodos, o muco encontra-se mais viscoso, formando um tampão que impede fisicamente a
entrada de espermatozoides. Esse aumento na viscosidade e formação de tampão também se
verifica durante a gestação.

Os motivos que levam a essas alterações no muco cervical


serão discutidos com mais detalhes futuramente.

A posição uterina é mantida por diversos ligamentos, que colocam o fundo do útero proje-
tado para frente e para cima e o colo projetado para trás e para baixo, posição essa denominada
anteflexão (Figura 2.4). Esses ligamentos são formados, em sua maioria, por extensões do pe-
ritônio parietal, como por exemplo os ligamentos largos que fixam o útero à cavidade pélvica.

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Figura 2.4: Ilustração e fotografia das estruturas do sistema reprodutor feminino e órgãos adjacentes. /
Fonte: modificado de Tortora & Grabowski, 2002.

A camada externa uterina, denominada perimétrio, é composta por parte do peritônio visce-
ral, que também participa da formação dos ligamentos largos e recobre a bexiga. O miométrio,
camada média do útero, é formado por fibras musculares lisas sobrepostas em diversas direções,

2  Anatomia e fisiologia do sistema reprodutor feminino


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responsáveis pelas contrações uterinas durante o trabalho de parto. Mais internamente, temos o
endométrio, formado por células secretoras e ciliadas revestindo o lúmen, e também por tecido
conjuntivo e glandular (Figura 2.5 e 2.6). Durante a menstruação, parte do endométrio sofre
grandes alterações que causam sua descamação, ou seja, a própria menstruação. Essa região é
denominada camada funcional e reveste internamente o útero. Já a camada que está em contato
com o miométrio, denominada camada basal, não sofre grandes alterações durante a menstruação.
O endométrio apresenta uma rica vascularização, que se renova a cada ciclo menstrual.

Figura 2.5: Vista anterior do útero, com o lado esquerdo parcialmente cortado. / Fonte: modificado de Tortora & Grabowski, 2002.

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28 Licenciatura em Ciências · USP/Univesp

Figura 2.6: Fotografia histológica das camadas uterinas. / Fonte: modificado de Curi & Procópio, 2009.

Mulheres portadoras de câncer de útero ou do colo de útero, cistos ovarianos recorrentes,


endometriose severa e outras complicações clínicas podem ser submetidas à histerectomia.
Nesse procedimento cirúrgico, ocorre a remoção total ou parcial do útero, que pode ou não ser
acompanhada pela remoção dos ovários e das trompas.

2.2.4 Vagina

A vagina é um órgão tubular, de estrutura fibromuscular, constituído por diferentes tipos


celulares que descamam continuamente. Essas células secretam substâncias responsáveis pela
acidez do pH vaginal, sob influência dos hormônios sexuais femininos. Assim, esse pH se
modifica ao longo do desenvolvimento e do ciclo menstrual, o que pode interferir tanto na
motilidade dos espermatozoides quanto na predisposição a infecções. A vagina está localizada
entre a bexiga e o reto (Figura 2.4), e tem função condutora para o fluxo menstrual, para o
sêmen e para o feto durante o trabalho de parto. Seu tecido conjuntivo a conecta com a uretra,

2  Anatomia e fisiologia do sistema reprodutor feminino


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a bexiga, ao reto e ao canal anal. Em sua abertura inferior - o óstio da vagina, comumente há
uma fina prega de mucosa pouco vascularizada, denominada hímen, que pode fechar parcial
ou totalmente a abertura vaginal (Figura 2.7). Ao contrário do que diz a crença popular, seu
rompimento após a ocorrência da primeira relação sexual não é doloroso e não causa grande
sangramento, uma vez que apresenta pouca vascularização.

Figura 2.7: Ilustração dos órgãos externos do sistema reprodutor feminino. / Fonte: modificado de Silverthorn, 2010.

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2.2.5 Órgãos externos do sistema reprodutor feminino

Os órgãos externos do sistema reprodutor feminino são um conjunto de estruturas, também


denominado pudendo ou vulva, que compreende o monte púbico ou do púbis, os lábios
maiores e menores, o vestíbulo da vagina, o óstio da vagina, o óstio da uretra, o clitóris e o
hímen – já descrito anteriormente (Figura 2.7).
O monte do púbis é uma região de elevação, localizada anteriormente aos grandes lábios,
formada principalmente por tecido adiposo e recoberta por pele. Nessa região ocorre o cres-
cimento de pelos espessos, que se inicia na puberdade por meio de estimulação hormonal. A
partir do monte, inicia-se a formação de duas grandes pregas cutâneas, alongadas em direção
posterior, denominadas grandes lábios, ou lábios maiores (Figura 2.7). Essa região é composta
por tecido adiposo, glândulas sebáceas e sudoríferas, e é recoberta por pele, onde ocorre o
crescimento de pelo púbere em sua face externa. Ela tem a mesma origem embriológica do
escroto e, portanto, são eles considerados estruturas homólogas.
Medialmente aos grandes lábios, encontram-se os dois pequenos lábios (Figura 2.7),
também chamados lábios menores, formados por uma prega cutânea rica em glândulas sebáceas,
que garantem a característica úmida à região. Não têm pelos ou tecido gorduroso e derivam
do mesmo tecido embrionário da uretra esponjosa. Entre os pequenos lábios, encontra-se uma
região denominada vestíbulo da vagina, que tem o óstio externo da uretra em sua porção
anterior e o óstio da vagina em sua porção posterior, onde está localizado o hímen. Glândulas
vestibulares secretam muco nessa região, garantindo a lubrificação vaginal durante o ato sexual.
Além disso, na junção anterior dos grandes lábios, há uma pequena projeção de tecido erétil
com formato arredondado, denominada clitóris. Essa região é ricamente inervada, e pode au-
mentar de volume após estimulação tátil, sendo envolvida na excitação sexual feminina.Tem em
torno de 2 cm de comprimento e 0,5 cm de diâmetro, sendo uma parte exposta homóloga à
glande do pênis, e uma parte não exposta homóloga ao corpo cavernoso peniano (Figura 2.8).

2  Anatomia e fisiologia do sistema reprodutor feminino


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Figura 2.8: Ilustração do períneo feminino. / Fonte: modificado de Tortora & Grabowski, 2002.

Os órgãos genitais externos estão localizados em uma região denominada períneo,


localizada entre a sínfise púbica e o cóccix (Figura 2.8), que pode ser dividido em trígono
urogenital (anterior) e trígono anal (posterior). Nessa região também encontramos diversos
músculos formadores do assoalho pélvico, que exercem a importante função de sustentação
para as estruturas dessa cavidade.
Algumas disfunções importantes acometem essa região, sendo a mais comum a incon-
tinência urinária feminina, que pode estar relacionada à fraqueza do assoalho pélvico e
do músculo constritor da uretra. Dentre as causas dessa disfunção, podemos destacar a
gravidez. Entretanto, não há consenso quanto à influência do parto normal e da cesariana
sobre a incontinência urinária.

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2.2.6 Glândulas mamárias

As glândulas mamárias ou mamas são estruturas pares, localizadas na porção anterior do


tórax, sobre os músculos peitoral maior e serrátil anterior (Figura 2.9). São constituídas por
tecido glandular, conjuntivo e adiposo; este último possui quantidade bastante variável entre
as mulheres ao longo do seu desenvolvimento e determina o tamanho da mama. Além disso,
as glândulas mamárias têm importante inervação sensorial e motora envolvida no reflexo de
lactação, além de vasos sanguíneos e linfáticos. Sua sustentação é garantida pelos ligamentos de
Cooper, também chamados ligamentos suspensores da mama, formados por faixas de tecido
conjuntivo que se estendem da pele às camadas mais profundas de tecido adiposo (Figura 2.9).

Figura 2.9: Ilustração das glândulas mamárias. / Fonte: modificado de Tortora & Grabowski, 2002.

A principal função das glândulas mamárias é a síntese e ejeção de leite coordenadas por
reflexo neuroendócrino, desencadeadas principalmente por estímulos mecânicos presentes na
sucção realizada pelo recém-nascido. A estrutura interna da mama garante essa importante
função da reprodução humana. Cada mama é constituída por 15 a 20 lobos, que se dividem em

2  Anatomia e fisiologia do sistema reprodutor feminino


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp 33

compartimentos menores denominados lóbulos, onde encontramos diversos alvéolos (estrutu-


ras em formato de pequenos sacos) organizados em cachos. Os alvéolos são as estruturas res-
ponsáveis pela síntese, armazenamento e ejeção do leite. O leite é propelido dentro dos ductos
alveolares, que se reúnem para formar ductos maiores em direção aos mamilos (Figura 2.10),
que são projeções pigmentadas localizadas na região superficial central da mama, circundadas
por tecido também pigmentado, denominado aréola da mama (Figura 2.10).

Figura 2.10: Ilustração da glândula mamária com detalhamento da organização dos lóbulos, ductos e das células epiteliais. /
Fonte: modificado de Silverthorn, 2010.

O desenvolvimento das glândulas mamárias, para que elas adquiram as características essen-
ciais à síntese e ejeção do leite, ocorre em duas fases.
A primeira delas acontece sob influência dos hormônios da puberdade, que estimulam a for-
mação de novos ductos, aumentando a canalização da mama. Além disso, ocorre um aumento
em seu volume como resultado do crescimento de tecido conjuntivo e adiposo. Posteriormente,
durante as primeiras menstruações, ocorre importante desenvolvimento dos lóbulos e alvéolos.
A segunda fase se desenvolve durante a gestação, por influência dos hormônios gestacionais.
Nesse período há um aumento inicial de volume, seguido da diferenciação dos lóbulos em estruturas
completamente capazes de sintetizar o leite, além de um novo aumento na quantidade de ductos e
alvéolos mamários. Assim, podemos perceber que a formação das mamas, isto é, a mamogênese, tem
um complexo mecanismo de desenvolvimento e maturação, sob influência dos hormônios sexuais e
gestacionais que flutuam ao longo da vida.Vamos agora conhecer esses hormônios.

Reprodução, sistema genital, ontogênese  SER HUMANO E MEIO AMBIENTE


34 Licenciatura em Ciências · USP/Univesp

2.3 Hormônios sexuais femininos


Os hormônios sexuais femininos são os estrógenos, a progesterona e os androgênios, secre-
tados principalmente pelos ovários (e, em pequena quantidade, pela glândula adrenal). Esses
hormônios são esteroides, pois têm o colesterol como precursor comum (Figura 2.11). O
controle da secreção e síntese desses hormônios, principalmente dos estrógenos e da proges-
terona, se dá de forma integrada com o sistema nervo central por meio do eixo hipotálamo-
-hipófise. Para isso, o hipotálamo secreta hormônios que controlam a secreção dos hormônios
gonadotróficos hipofisários – o hormônio luteinizante (LH) e o hormônio folículo estimulante
(FSH). Estes, por sua vez, controlam a secreção de estrógeno e progesterona pelos ovários. Além
disso, a secreção dos hormônios hipotalâmicos e hipofisários é inibida pelo estrógeno e pela
progesterona, estabelecendo uma alça de retroalimentação semelhante ao que ocorre no sistema
reprodutor masculino (Figura 2.12).

Figura 2.11: Vias de síntese dos hormônios


esteroides. Observe os retângulos em
rosa, onde encontramos a progesterona
e o estradiol – principal estrógeno. Os
retângulos em branco representam
compostos intermediários, cujos nomes
foram omitidos para simplificar. / Fonte:
modificado de Silverthorn, 2010.

2  Anatomia e fisiologia do sistema reprodutor feminino


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Figura 2.12: Alça de retroalimentação


negativa para a secreção dos hormônios
estrógeno e progesterona.
GnRH = hormônios liberadores de
gonadotrofina;
FSH = hormônios folículo estimulantes;
LH = hormônios luteinizantes. / Fonte:
modificado de Curi & Procópio, 2009.

Na mulher, ocorre uma flutuação cíclica e sincronizada na secreção desses hormônios como
resultado do ciclo ovariano – período entre duas ovulações sucessivas, que dura em torno de 28
dias. Durante esse período, observamos diversas modificações tanto no útero quanto nos ovários
em função da variação na concentração de estrógenos e progesterona.

A ovulação e o ciclo ovariano serão detalhadamente abordados durante uma


aula específica do curso. Por ora, descreveremos aqui algumas funções importantes
relacionadas aos hormônios sexuais femininos.

Os estrógenos estimulam o crescimento celular em diversas estruturas do organismo fe-


minino, principalmente no endométrio, no miométrio e nas glândulas mamárias. Além disso,
estimulam a contração da musculatura lisa nas trompas e no útero, facilitando a movimentação

Reprodução, sistema genital, ontogênese  SER HUMANO E MEIO AMBIENTE


36 Licenciatura em Ciências · USP/Univesp

do oócito e dos espermatozoides para uma possível fertilização. O maior depósito de tecido
gorduroso nas mamas, nádegas e coxas, que determina o formato do corpo feminino, também
é resultado da ação estrogênica.
A progesterona está envolvida, principalmente, na estimulação de secreções em tecidos
alvos, como o endométrio e as mamas, além de reduzir a excitabilidade da musculatura
uterina e das trompas. Esses são alguns dos efeitos que tornam a progesterona fundamental
para o estabelecimento e a manutenção da gravidez, como veremos em breve.
Outros tecidos são alvos dos hormônios sexuais femininos, como o sistema nervoso
central, onde a presença de estrógenos pode modular funções relacionadas ao humor, à
cognição e à percepção de dor – que sofrem alterações devido a flutuações na secreção
desse hormônio ao longo do ciclo ovariano, como também ao longo da vida reprodutiva
feminina. Estudos relacionam eventos como a tensão pré-menstrual e, até mesmo, quadros
depressivos à diminuição na secreção de estrógeno nas mulheres. Alterações na secreção de
progesterona também demonstram seus efeitos no sistema nervoso central, uma vez que a
sua diminuição causa ansiedade e excitabilidade.

2.4 Menarca e Puberdade


A puberdade feminina é o período do desenvolvimento onde acontecem transformações
anatômicas e funcionais responsáveis pelo estabelecimento da função reprodutora na mulher.
Nessa fase, ocorre o aumento da secreção dos hormônios sexuais estrógeno e progesterona
devido à estimulação do eixo hipotálamo-hipófise, que se torna ativo.
Os efeitos do aumento desses hormônios caracterizam a puberdade. Entre eles, podemos
observar o aumento das mamas (Figura 2.13) e dos órgãos reprodutivos externos, o alarga-
mento dos quadris, o crescimento linear e, principalmente, a presença da primeira menstruação,
denominada menarca. O aparecimento de pelos pubianos (Figura 2.13) e axilares que ante-
cedem a menarca, também característicos da puberdade, ocorre devido à maior secreção de
androgênios pela adrenal. Outro evento que antecede a primeira menstruação é o crescimento
linear, conhecido como o último estirão feminino, em resposta ao estímulo estrogênico sobre
as cartilagens epifisárias dos ossos longos. Esse estímulo causa o alongamento dos ossos, seguido
do fechamento das cartilagens epifisárias, interrompendo o crescimento.

2  Anatomia e fisiologia do sistema reprodutor feminino


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp 37

Figura 2.13: Estágios do desenvolvimento das mamas e dos pelos pubianos durante a puberdade. / Fonte: modificado de
Curi & Procópio, 2009.

Reprodução, sistema genital, ontogênese  SER HUMANO E MEIO AMBIENTE


38 Licenciatura em Ciências · USP/Univesp

A menarca marca o início dos ciclos reprodutivos femininos, sendo um importante marcador
da maturação sexual. Entretanto, a idade de surgimento pode variar em função da influência
ambiental e nutricional, além dos fatores genéticos. Normalmente, ocorre entre os 12 e 13 anos.

2.5 Menopausa
A vida reprodutora feminina entra em declínio juntamente com a função ovariana, quando
a ovulação e as secreções de estrógeno e progesterona se tornam irregulares. Isso causa inter-
valos variados entre as menstruações, bem como a diminuição do fluxo. O último episódio de
menstruação, denominado menopausa, ocorre entre os 40 e os 60 anos.
Durante o período em questão, a diminuição dos hormônios sexuais causa importantes
alterações no organismo feminino. Podemos destacar a atrofia do endométrio, do miométrio e
do epitélio vaginal, a diminuição dos pelos pubianos e axilares, o afinamento e o enrugamento
da pele. Entretanto, algumas modificações tornam-se mais marcantes, uma vez que podem
causar disfunções importantes, como por exemplo a diminuição de cálcio ósseo, responsável
pela frequente presença de osteoporose em mulheres nessa idade. Além disso, a diminuição
de estrógeno pode facilitar a presença de alterações emocionais como irritabilidade, insônia,
depressão e ansiedade, e, até mesmo, alterações no sistema nervoso central relacionadas ao
aumento da temperatura corporal, causando as características ondas de calor da menopausa.
Outra queixa comum é a menor lubrificação vaginal, devido à diminuição na secreção de seu
muco. Dessa forma, após a menopausa a mulher se torna mais suscetível a patologias como
a osteoporose e a distúrbios do humor. Estudos também indicam um maior risco de infarto
do miocárdio e doença de Alzheimer. Nesse sentido, a reposição hormonal tem sido utilizada
como uma alternativa da clínica médica.

Agora é a sua vez...


Acesse o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realize a(s) atividade(s) proposta(s).

2  Anatomia e fisiologia do sistema reprodutor feminino


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp 39

2.6 Conclusão
Nesta aula, discutimos as estruturas anatômicas constituintes do sistema reprodutor feminino
e suas respectivas funções. Além disso, descrevemos algumas alterações anatomofuncionais
presentes na puberdade, bem como alguns aspectos do envelhecimento, relacionando-os à
fase reprodutora da mulher. Nesse cenário, pudemos compreender a grande participação dos
hormônios sexuais femininos, controlados pela interação neuroendócrina, no funcionamento
do sistema reprodutor feminino.

Referências Bibliográficas
Aires, M.M. (org.). Fisiologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
Alberts, B., Bray, D. & Lewis, J. Biologia Molecular da Célula. 5. ed. Porto Alegre:Artmed, 2009.
Berne, R.M., et al. Fisiologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
Campbell, N.A., et al. Biologia. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
Curi, R.; Procópio, J. Fisiologia Básica. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009.
Guyton, A.C.; Hall J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
Lent, R. Cem Bilhões de Neurônios? Conceitos Fundamentais de Neurociência. 2. ed.
São Paulo: Atheneu, 2010.
Moore, K. Embriologia Clínica. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
Silverthorn, D.U. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada. 5. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2010.
Tortora, G.J.; Grabowski, S.R. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 10. ed.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.
Tortora, G.J.; Funke, B.R.; Case, H.L. Microbiologia. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.

Glossário
Motilidade: Movimentação espontânea.

Reprodução, sistema genital, ontogênese  SER HUMANO E MEIO AMBIENTE


4

Reprodução, sistema genital, ontogênese


Ciclo reprodutor feminino e
métodos contraceptivos
Hamilton Haddad Junior
Maria Aparecida Visconti

4.1 Introdução
4.2 O ciclo reprodutor feminino
4.3 O controle hormonal do ciclo reprodutor feminino
4.4 Métodos contraceptivos
4.4.1 Métodos de barreira
4.4.2 Abstinência periódica
4.4.3 Métodos hormonais
4.4.4 Métodos cirúrgicos
4.4.5 Coito interrompido
4.4.6 Dispositivos intrauterinos
4.5 Conclusão
Referências

Licenciatura em Ciências · USP/ Univesp


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 69

4.1 Introdução
A produção de gametas femininos não ocorre de maneira contínua ao longo da vida repro-
dutiva da mulher, ao contrário do que ocorre com os homens. Flutuações hormonais cíclicas
desencadeiam alterações ovarianas, responsáveis pelo desenvolvimento, amadurecimento e
liberação de oócitos em ciclos com duração de aproximadamente 28 dias. Durante esse período,
modificações na parede interna do útero, também estimuladas pelas flutuações hormonais, o
preparam para uma possível gestação. As modificações uterinas provocam a menstruação quando
não ocorre a gravidez e, por isso, podem ser chamadas de ciclo menstrual ou uterino, enquanto
as modificações ovarianas identificam o ciclo ovariano. Tanto o ciclo menstrual quanto o ciclo
ovariano garantem à mulher as características fisiológicas necessárias para iniciar uma gravidez;
por isso, esse conjunto de alterações é denominado ciclo reprodutor feminino.
A regulação do ciclo reprodutivo ocorre por meio de alças de retroalimentação entre
os hormônios secretados pelos ovários, pela hipófise e pelo hipotálamo. Suas características
funcionais, bem como o controle de suas secreções, serão detalhadamente discutidos ao longo
do texto. Entretanto, vale ressaltar que modificações em suas concentrações fisiológicas podem
impedir a adequada maturação dos oócitos, inviabilizando o desenvolvimento de uma gravidez.
Por isso, métodos contraceptivos fazem uso da administração de hormônios sexuais, impedindo
ou dificultando o desenvolvimento do oócito, bem como a sua fertilização e implantação.

A seguir, discutiremos os eventos fisiológicos característicos de cada etapa do


ciclo reprodutor feminino, orientados por flutuações hormonais, e os possíveis
métodos contraceptivos associados ao ciclo reprodutor.

4.2 O ciclo reprodutor feminino


Vamos iniciar a descrição do ciclo reprodutor feminino identificando as modificações que
ocorrem nos folículos ovarianos ao longo das três fases que dividem o ciclo:
• fase folicular;
• ovulação;
• fase lútea.

Reprodução, Sistema genital, ontogênese


70 Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4

Para compreender a fase folicular, é importante lembrar que os ovários possuem, em sua
região cortical, diversos folículos em diferentes estágios de desenvolvimento (Figura 4.1).
Os folículos são constituídos de oócitos em desenvolvimento, circundados por células que
participam de sua proteção e nutrição. Essas células também secretam hormônios sexuais. Nesta
fase, considerada a primeira fase do ciclo reprodutor, ocorre o crescimento e amadurecimento
de alguns dos folículos ovarianos sob influência hormonal. No final deste período, que tem
uma duração variável (em torno de dez dias a três semanas), apenas um folículo permanece se
desenvolvendo, enquanto os demais interrompem seu desenvolvimento e sofrem morte celular,
denominada atresia.

Figura 4.1: Ilustração da histologia do ovário, contendo folículos ovarianos em diferentes estágios de desenvolvimento.
/ Fonte: modificado de Tortora, 2002.

Após a maturação completa do folículo, ocorre a ovulação, ou seja, o rompimento do folículo


e a expulsão do oócito. Posteriormente, inicia-se a última fase do ciclo ovariano, denominada
fase lútea, ou fase pós-ovulatória. Neste período, as células formadoras do folículo rompido
adquirem características bioquímicas e morfológicas necessárias para a síntese de hormônios
que participam da preparação do endométrio para uma possível gestação. Essas células passam
a ser chamadas de corpo lúteo. Caso o oócito liberado não seja fecundado e implantado, o

4  Ciclo reprodutor feminino e métodos contraceptivos


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 71

corpo lúteo terá uma vida útil de 12 dias. Esta fase tem uma duração relativamente constante,
quando comparada à fase folicular, cuja duração é bastante variável. O final da fase lútea carac-
teriza o encerramento de um ciclo reprodutor e o início do próximo.
Paralelamente às alterações ovarianas, ocorrem as alterações uterinas, que constituem o ciclo
uterino ou menstrual, onde podemos identificar a:
• menstruação;
• fase proliferativa;
• fase secretória.
A menstruação marca o início do ciclo reprodutor por ser facilmente identificada e
correspondente ao início da fase folicular nos ovários. A descamação do endométrio – ou
seja, a menstruação – é causada pela atresia do corpo lúteo, que tem papel fundamental na
manutenção das células endometriais. Sua duração pode variar em torno de três a sete dias,
sendo o fluxo menstrual bastante específico para cada mulher. Após a menstruação, as células
endometriais começam a se proliferar, reconstituindo a camada celular perdida durante a
descamação do endométrio. Esta fase, denominada fase proliferativa, coincide com o período
final da fase folicular dos ovários. Após a ovulação, inicia-se a fase secretória uterina, em que
as células endometriais depositam lipídeos e glicogênio para o fornecimento de energia para
uma possível gestação. Além disso, ocorre o crescimento de novos vasos sanguíneos nessa região.
Quando ocorre a atresia do corpo lúteo – finalizando a fase lútea e iniciando a fase foli-
cular nos ovários – ocorrem também o fim da fase secretória uterina e o início de uma nova
menstruação, caracterizando o começo de um novo ciclo reprodutor.
Podemos notar que existe correspondência entre os eventos uterinos e ovarianos do ciclo
reprodutor feminino. A relação entre os ciclos se dá pelo controle hormonal a que estão
submetidos os ciclos ovariano e uterino. Essa relação é essencial para que uma eventual gestação
se estabeleça, uma vez que o útero deve estar em condições adequadas para receber um embrião
logo após a ovulação, o que possibilitará a fecundação. Vamos agora compreender o controle
hormonal do ciclo reprodutor feminino e sua influência sobre o organismo feminino.

Reprodução, Sistema genital, ontogênese


72 Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4

4.3 O controle hormonal do ciclo


reprodutor feminino
Os principais hormônios envolvidos no controle do ciclo reprodutor feminino são:
• Hormônio Liberador de Gonadotrofinas (GnRH);
• Hormônio Folículo Estimulante (FSH) e Hormônio Luteinizante (LH);
• Estrógeno e Progesterona.
O GnRH é secretado pelo hipotálamo e estimula a secreção dos hormônios FSH e LH – também
chamados gonadotrofinas – pela hipófise anterior (Figura 4.2). O FSH estimula as células da
granulosa do folículo ovariano (Figura 4.3) a secretar estrógenos, enquanto o LH estimula as células
da teca (Figura 4.3) a secretar androgênios, que serão convertidos em estrógenos e progesterona
nas células vizinhas. O Gráfico 4.1 mostra-nos a flutuação na secreção desses hormônios ao longo
do ciclo reprodutor feminino, relacionando-a com os eventos que ocorrem no útero e nos ovários.

Figura 4.2: Esquema do controle da secreção Figura 4.3: Ilustração dos folículos ovarianos com
hormonal por retroalimentação negativa e positiva. detalhe para as células da granulosa e da teca. / Fonte:
/ Fonte: modificado de Silverthorn, 2010. modificado de Silverthorn, 2010.

4  Ciclo reprodutor feminino e métodos contraceptivos


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 73

Gráfico 4.1: Flutuações hormonais ao longo do ciclo reprodutor feminino e os eventos uterinos e ovarianos
relacionados. / Fonte: modificado de Silverthorn, 2010.

Veremos agora o controle intrínseco dessas secreções hormonais em detalhes e suas conse-
quências fisiológicas em cada fase do ciclo reprodutor.
Podemos observar que, no final do ciclo reprodutor, ocorre um aumento na secreção das
gonadotrofinas pela hipófise anterior. Esse aumento é responsável pelo recrutamento de
folículos ovarianos, que darão início à sua maturação sob influência do FSH, o que caracteriza
a fase folicular. O crescimento dos folículos provoca um aumento na secreção de hormônios

Reprodução, Sistema genital, ontogênese


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esteroides pelas células foliculares. Neste período, o aumento gradual de estrógeno é bastante
evidente, principalmente na fase folicular tardia. O aumento de estrógeno inibe a secreção de
FSH e LH, bem como de GnRH, por mecanismos de retroalimentação negativa (Figura 4.2).
A diminuição da secreção de LH e FSH impede o recrutamento de novos folículos no mesmo
ciclo. Entretanto, apesar da diminuição principalmente de FSH, permanece o aumento na
secreção de estrógenos, controlada por uma alça de retroalimentação positiva, em que os estró-
genos estimulam a secreção de mais estrógenos pelas células da granulosa (Figura 4.2).
Por volta do 6º dia da fase folicular, um dos folículos
torna-se dominante, interrompendo o crescimento dos
demais folículos recrutados. Isso ocorre por meio da secre-
ção de um hormônio chamado inibina, que também inibe
a secreção de FSH pela hipófise anterior (Figura 4.4).
A diminuição de FSH, associada à secreção de inibina, causa
a parada no crescimento dos demais folículos, fazendo com
que, em geral, apenas um folículo ovule a cada ciclo.
Durante a primeira metade da fase folicular ocorre a
menstruação uterina, que dura em torno de cinco a sete dias.
Esse fluxo menstrual uterino é composto de 50 a 150 ml
de sangue, líquido tecidual, muco e células epiteliais do
endométrio. A menstruação é causada pela diminuição
dos hormônios estrógeno e, principalmente, progeste-
Figura 4.4: Esquema do controle da secreção
rona (no final da fase lútea). Essa diminuição estimula a hormonal por retroalimentação negativa e positiva.
/ Fonte: modificado de Silverthorn, 2010.
liberação de prostaglandinas, que causarão constrição das
arteríolas uterinas do endométrio, privando-o de oxigênio. Com isso, ocorre a morte das células
endometriais e a posterior descamação, chamada de menstruação. O fluxo menstrual é elimi-
nado da cavidade uterina através do colo e da vagina. Após o final da menstruação, inicia-se a
fase proliferativa no útero, quando o aumento do estrógeno secretado pelos folículos estimula
nova proliferação celular no endométrio. Além disso, ocorre o aumento da vascularização do
endométrio e de seu suprimento de nutrientes e oxigênio. O aumento de estrógenos também
causa a secreção de muco claro e viscoso pelas glândulas mucosas do colo do útero. Essa se-
creção facilita a relação sexual e a entrada de espermatozoides na cavidade uterina em um

4  Ciclo reprodutor feminino e métodos contraceptivos


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 75

período próximo à ovulação, propiciando uma possível fertilização. A detecção do muco e suas
características viscosas são utilizadas por algumas mulheres para identificar o seu período fértil
próximo à ovulação. Neste período, o muco possui uma viscosidade que permite sua distensão
por alguns milímetros (Figura 4.5).

Figura 4.5: Fotografia do colo do útero contendo muco cervical à esquerda e fotografia ilustrativa da distensão do muco à direita.
/ Fonte: modificado de Aires, 2012.

Ao longo do desenvolvimento folicular ocorre o acúmulo de líquido dentro de uma cavidade


folicular denominada antro. Esse líquido contém hormônios e enzimas necessárias para a ovulação.
Pouco antes da ovulação, o aumento progressivo de estrógeno atinge um limiar, e passa a estimular
a secreção de GnRH, antes inibida por este mesmo hormônio. Ou seja, o controle do estrógeno
sobre a secreção de GnRH passa a ser uma retroalimentação positiva (Gráfico 4.1). Dessa forma,
o aumento de estrógeno leva ao aumento de GnRH, o que causa uma rápida elevação na secreção
de LH, conhecido como o pico do LH. Este pico de LH é o causador do final da maturação do
oócito e sua ovulação, que ocorre entre 16 e 24 horas após o pico.
Quando o folículo se encontra maduro, ele secreta uma enzima denominada colagenase, res-
ponsável por separar as células foliculares. Isso causa uma reação inflamatória na superfície dos
folículos, que leva à migração de leucócitos e liberação de prostaglandinas. As prostaglandinas
causam a contração de células musculares no ovário, contribuindo para a ruptura do folículo em
sua região mais frágil. Dessa maneira, o oócito e as células granulares agregadas serão expulsos
do folículo, juntamente com o líquido antral (Figura 4.6). O oócito será transportado pela
tuba uterina, onde poderá ser fecundado.

Reprodução, Sistema genital, ontogênese


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Figura 4.6: Ilustração do rompimento folicular e expulsão do oócito envolto por células da
granulosa. / Fonte: modificado de Tortora, 2002.

Após a ovulação, as células foliculares restantes se transformarão em células lúteas sob a


influência do LH. Essas células, denominadas corpo lúteo, apresentam características secretoras
importantes para o desenvolvimento da fase lútea, bem como para a manutenção do primeiro
trimestre de uma eventual gestação. Para isso, armazenam lipídeos e glicogênio, que serão im-
portantes fontes de nutrição e energia para o embrião em desenvolvimento, além de secretar
quantidades crescentes de progesterona. Com isso, os níveis de progesterona sobem durante
a fase lútea, enquanto os níveis de estrógeno descem, apesar de ele ainda continuar sendo
secretado pelo corpo lúteo. A duração do corpo lúteo na ausência de uma gestação é de 12 dias,
com poucas variações. Por isso, a variação na duração de diferentes ciclos ocorre por causa das
variações na fase folicular (Figura 4.7).

Figura 4.7: Ilustração de ciclos reprodutores feminino com diferentes durações. / Fonte: modificado de Aires, 2012.

4  Ciclo reprodutor feminino e métodos contraceptivos


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Os níveis de GnRH, bem como de FSH e LH, diminuem durante a fase lútea, pois suas secreções
estão sendo inibidas pela presença da progesterona, do estrógeno e da inibina lútea (Figura 4.8).
Assim, neste período não são recrutados novos folículos, uma vez que o organismo feminino está se
preparando para uma possível gestação.
Podemos considerar a progesterona como o principal hormônio da
fase lútea. Seus efeitos causam o contínuo crescimento do endométrio,
onde as glândulas endometriais se enrolam e novos vasos são formados,
além do depósito de lipídeos e glicogênio já mencionado. Também
causam o espessamento do muco secretado pelas glândulas do colo do
útero. Esse espessamento provoca a formação de um tampão no colo do
útero, que impede a entrada de microrganismos, assim como de novos es-
permatozoides. Portanto, o útero encontra-se protegido para desenvolver
uma possível gestação.
Quando ocorrem a fecundação e a implantação do embrião no útero pre-
parado, células endometriais se modificam e iniciam a secreção do hormônio
4.8: Esquema
gonadotrofina coriônica humana (hCG), que sustenta a presença do corpo Figura do controle da secreção
lúteo. Isso faz com que o corpo lúteo permaneça íntegro, secretando seus hor- hormonal por retroalimen-
tação negativa.
mônios durante o primeiro trimestre gestacional. Entretanto, na ausência da /SFonte: modificado de
ilverthorn, 2010.

gestação, o corpo lúteo vai degenerar após 12 dias


de sua formação. Consequentemente, ocorre a queda na secreção de
estrógeno e principalmente de progesterona, que tem função funda-
mental na manutenção do endométrio. A queda na progesterona causa
vasoconstrição na camada superficial do endométrio, levando ao déficit
de oxigênio e de nutrientes para as células endometriais, que morrem e
descamam dois dias após a degeneração do corpo lúteo, formando a
menstruação. O início de uma nova menstruação caracteriza o fim da
fase lútea e o início de um novo ciclo reprodutor. Além disso, a queda
de progesterona e estrógeno no final do ciclo libera a hipófise anterior
e o hipotálamo de sua inibição, aumentando a secreção de GnRH, FSH
e LH, que participam do recrutamento de novos folículos para o início
Figura 4.9: Esquema da secreção
hormonal presente no final do de um novo ciclo (Figura 4.9 e Gráfico 4.1).
ciclo reprodutor feminino. / Fonte:
modificado de Silverthorn, 2010.

Reprodução, Sistema genital, ontogênese


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Resumindo o que discutimos até agora, a Figura 4.10 mostra uma síntese do controle hor-
monal do ciclo reprodutor por mecanismos de retroalimentação positiva e negativa. Eles deter-
minam modificações temporalmente precisas para que a ovulação ocorra no momento em que as
demais condições do organismo feminino estejam adequadas para receber a implantação de um
futuro embrião. Além disso, podemos destacar a predominância de estrógeno na primeira metade
do ciclo e da progesterona na segunda metade.

Figura 4.10: Resumo do controle hormonal ao longo do ciclo reprodutor feminino por meio de retroalimentação.
/ Fonte: modificado de Silverthorn, 2010.

4  Ciclo reprodutor feminino e métodos contraceptivos


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 79

Modificações nas concentrações adequadas desses hormônios podem dificultar e, até mesmo,
impedir a ovulação, a fecundação ou a implantação. Por essa razão, podem ser utilizadas como
métodos contraceptivos.Veremos agora os principais métodos contraceptivos existentes.

4.4 Métodos contraceptivos


Os métodos contraceptivos têm como objetivo evitar o risco de uma gestação não planejada.
Para a mulher, esses avanços garantiram grande liberdade para a sua inserção no mercado de
trabalho, para o seu comportamento sexual, bem como para o planejamento familiar. Hoje,
existem diversos métodos contraceptivos, que podemos dividir em:
• métodos de barreira;
• abstinência periódica;
• métodos hormonais;
• métodos cirúrgicos;
• coito interrompido;
• dispositivos intrauterinos.

A eficácia de cada um deles é bastante variável, sendo um dos motivos de


escolha entre eles. Além disso, a fase reprodutiva do indivíduo e também as
características fisiológicas individuais devem ser levadas em conta na escolha
do método. Por isso, a orientação médica individual é fundamental desde o
início da vida sexual ativa.

4.4.1 Métodos de barreira

Os métodos de barreira têm como finalidade impedir a entrada de espermatozoides na


cavidade uterina por meio de barreiras físicas. Esses métodos apresentam a vantagem de proteger
os indivíduos do contágio de doenças sexualmente transmissíveis. Por isso, e também pela
facilidade de uso com planejamento a curto prazo, se constituem em um dos métodos mais
utilizados em todo o mundo.

Reprodução, Sistema genital, ontogênese


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A barreira contraceptiva utilizada pelo homem é o preservativo, também conhecido como


camisinha. Ele é feito de látex ou plástico, que envolve o pênis, isolando o sêmen do trato re-
produtor feminino. O preservativo feminino é formado por uma bolsa de plástico cilíndrica,
com dois anéis. O anel menor se encaixa no colo do útero, enquanto o maior se adapta na
genitália externa (Figura 4.11). Dessa forma, ocorre a proteção do colo uterino, da vagina e da
genitália externa feminina, impedindo o contato com o sêmen e fornecendo proteção contra
as doenças sexualmente transmissíveis.

Figura 4.11: Ilustração do


preservativo feminino e sua posição
quando colocado no sistema trato
reprodutor feminino. / Fonte:
modificado de Zugaib, 2012.

O diafragma é outro método de barreira utilizado pelas mu-


lheres. Possui a forma de um capuz côncavo, que se adapta ao colo
uterino (Figura 4.12). Sua utilização deve ser associada ao uso de
espermicidas, pois a sua eficácia é baixa, chegando a 20% de falhas
anuais. O colo uterino apresenta diferenças no tamanho e formato,
sendo necessária a escolha adequada dos diferentes tamanhos de
diafragma existentes. As desvantagens para o uso do diafragma são
possíveis infecções do trato urinário, dor pélvica, retenção urinária
e alergia ao espermicida. Entretanto, a ausência de contraindicações,
a possibilidade de uso durante a lactação e a relativa proteção contra
algumas doenças podem ser avaliadas como vantagens.
Figura 4.12: Ilustração do diafragma e sua posição quando
adaptado ao colo uterino. / Fonte: modificado de Zugaib, 2012.

4  Ciclo reprodutor feminino e métodos contraceptivos


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 81

4.4.2 Abstinência periódica

A abstinência periódica, também conhecida como tabelinha, consiste na abstenção do ato


sexual durante os dias férteis da mulher. Para isso, ela deve ter ciclos reprodutivos regulares,
para poder identificar o provável dia da ovulação e evitar relações sexuais no período de três
dias antes e três dias depois da provável ovulação. Sua eficiência é variável, uma vez que o ciclo
reprodutor feminino tem irregularidades.

4.4.3 Métodos hormonais

Os métodos hormonais são largamente utilizados devido à sua grande eficácia. Além disso,
avanços significativos na anticoncepção hormonal ocorreram na década de 70, no sentido de
diminuir a quantidade de hormônios utilizados, além de combiná-los de maneira adequada
para maior eficácia e menores efeitos colaterais. Entre esses métodos, o mais utilizado é a
pílula anticoncepcional, que apresenta concentrações variáveis de estrógeno e progesterona.
A presença desses hormônios no organismo feminino inibe a secreção de GnRH pelo hipo-
tálamo, bem como de FSH e LH pela hipófise anterior, impedindo a maturação de oócitos e,
consequentemente, a sua ovulação. Além disso, a progesterona presente leva ao espessamento do
muco cervical, dificultando a entrada de espermatozoide na cavidade uterina. Modificações no
endométrio também podem ser provocadas, dificultando a instalação de uma gestação.
Os anticoncepcionais hormonais podem ser administrados por via oral (as pílulas), injetáveis,
adesivos transdérmicos, implante subdérmico e anel vaginal. A escolha entre cada um deles deve
ser feita com orientação ginecológica. Existem algumas vantagens para a utilização das pílulas de
baixa dosagem hormonal, que são as mais utilizadas nos dias de hoje. Podemos destacar entre elas:
• diminuição do fluxo e da cólica menstrual;
• controle das irregularidades menstruais;
• proteção ou tratamento contra tumores ovarianos benignos;
• proteção contra doenças mamárias benignas;
• proteção contra anemia ferropriva;
• proteção contra endometriose.

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Contudo, existem complicações e contraindicações importantes, que devem ser levadas em


consideração e discutidas com o ginecologista, como por exemplo:
• hipertensão arterial;
• distúrbios de coagulação sanguínea;
• danos nos vasos sanguíneos cerebrais;
• disfunção hepática;
• risco cardíaco aumentado para fumantes;
• risco de acidente vascular aumentado para fumantes.

4.4.4 Métodos cirúrgicos

Os métodos cirúrgicos produzem a esterilização do indivíduo, ou seja, torna-o incapaz de


se reproduzir. A esterilização cirúrgica masculina é a vasectomia, procedimento em que parte
do ducto deferente é removida. Isso impossibilita a condução dos espermatozoides até o ducto
ejaculatório e a uretra. Entretanto, os espermatozoides continuam sendo produzidos, mas são
reabsorvidos pelo organismo masculino. É importante lembrar que a vascularização testicular
permanece íntegra, não alterando os níveis circulantes de testosterona secretada pelos testículos.
Por isso, a vasectomia não altera a libido e o desempenho sexual.
Nas mulheres, a esterilização é realizada pela laqueadura tubária. Durante o procedimen-
to, as tubas são amarradas e posteriormente cortadas, como mostra a Figura 4.13. Desse modo,
os oócitos não percorrem a tuba no sentido do útero, e os espermatozoides não conseguem
encontrá-los. Anéis ou grampos podem ser utilizados nas tubas (Figura 4.14), que podem
também ser apenas amarradas (Figura 4.15), tendo nesse caso a possibilidade de reversão do
procedimento. Entretanto, existe o risco da soltura dos grampos ou da amarração, comprome-
tendo a eficácia do método. No Brasil, dos casais que optam pelo método cirúrgico, apenas um
quarto é submetido à vasectomia, ao passo que três quartos realizam a laqueadura.

4  Ciclo reprodutor feminino e métodos contraceptivos


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 83

Figura 4.13: Ilustração da laqueadura tubária por meio da secção das trompas uterinas. /
Fonte: modificado de Zugaib, 2012.

Figura 4.14: Ilustração da laqueadura tubária


por meio da utilização de anéis nas trompas
uterinas. / Fonte: modificado de Zugaib, 2012.

Figura 4.15: Ilustração da laqueadura tubária por meio da amarração das trompas uterinas. /
Fonte: modificado de Zugaib, 2012.

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84 Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4

4.4.5 Coito interrompido

O coito interrompido ocorre com a retirada do pênis da vagina antes que ocorra a
ejaculação. Entretanto, durante o ato sexual ocorre a emissão pré-ejaculatória de líquido da
uretra, já contendo espermatozoides. Por isso, e pela dificuldade de retirar o pênis no momento
adequado, a eficácia deste método pode ser comprometida.

4.4.6 Dispositivos intrauterinos

O dispositivo intrauterino (DIU) é colocado na cavidade uterina (Figura 4.16), onde pro-
voca alterações no endométrio, impedindo a progressão do espermatozoide e a implantação do
embrião. Hoje em dia, o modelo mais utilizado libera pequenas quantidades de progestógeno
(hormônio sintético semelhante à progesterona), causando aumento da viscosidade do muco
cervical, atrofia do endométrio, inibição da ovulação e inibição da motilidade espermática.
Todos esses efeitos impedem a fecundação e a implantação, não permitindo, portanto, a gestação.

Figura 4.16: Ultrassonografia uterina para visualização do correto posicionamento do DIU.


/ Fonte: modificado de Zugaib, 2012.

4  Ciclo reprodutor feminino e métodos contraceptivos


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Agora é a sua vez...


Acesse o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realize a(s) atividade(s) proposta(s).

4.5 Conclusão
Discutimos aqui a sequência de eventos fisiológicos característicos do ciclo reprodutor
feminino, bem como o controle hormonal das diversas fases do ciclo ovariano e uterino, e a
relação temporal entre eles. Relacionamos as modificações uterinas e ovarianas com as variações
nos níveis de hormônios como os estrógenos, progesterona, LH e FSH. Além disso, descrevemos
alguns métodos contraceptivos, relacionando-os com a anatomofisiologia do sistema reprodutor
masculino e feminino.

Referências
Aires, M. M. (org.). Fisiologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
Berne, R. M. et al. Fisiologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
Campbell, N. A. et al. Biologia. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
Curi, R.; Procópio, J. Fisiologia Básica. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009.
Guyton, A.C.; Hall, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
Silverthorn, D. U. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada. 5. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2010.
Tortora, G. J.; Grabowski, S. R. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 10. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2012.
Zugaib, M. Zugaib Obstetrícia. 2. ed. Barueri: Manole, 2012.

Glossário
Retroalimentação: Mecanismo pelo qual parte do sinal de saída de um sistema é transferida para a sua
entrada com o objetivo de diminuir, aumentar ou controlar a saída desse mesmo sistema.

Reprodução, Sistema genital, ontogênese


3

Reprodução, sistema genital, ontogênese


O ato sexual e as doenças
sexualmente transmissíveis
Hamilton Haddad Junior
Maria Aparecida Visconti

3.1 Introdução
3.2 O ato sexual
3.3 Doenças Sexualmente Transmissíveis
3.1.1 Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS)
3.3.2 Sífilis
3.3.3 Cancro mole
3.3.4 Gonorreia
3.3.5 Hepatites virais
3.3.6 Herpes genital
3.3.7 Verruga genital
3.4 Conclusão
Referências

Licenciatura em Ciências · USP/ Univesp


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 45

3.1 Introdução
A reprodução humana envolve o desenvolvimento de comportamentos específicos da espécie
que compõem a resposta sexual de cada indivíduo. Esses comportamentos são controlados de
maneira integrada pelo sistema nervoso e pelos órgãos reprodutores masculinos e femininos. Para
isso, é fundamental a maturação desses sistemas, que adquirem características anatomofuncionais
necessárias para a resposta sexual, o que ocorre durante a puberdade. Neste período, o aumento
na secreção de andrógenos é o principal responsável pelo início do comportamento sexual com
o desenvolvimento do desejo pela atividade sexual.
A ação dos andrógenos sobre estruturas do sistema nervoso central, como a amígdala (Figura 3.1),
é responsável por desencadear a motivação pela busca da atividade sexual. Entretanto, o ato sexual,
também conhecido como cópula, coito ou relação sexual, é controlado por outra estrutura do sistema
nervoso, denominada hipotálamo (Figura 3.2).

a b

Figura 3.1: Vista lateral do encéfalo (a) e corte frontal (b), com identificação da amígdala. /
Fonte: modificado de Lent, 2010.

Reprodução, Sistema genital, ontogênese


46 Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4

Figura 3.2: Vista medial do encéfalo para a identificação do hipotálamo. / Fonte: modificado de
Bear; Connors; Paradiso, 2002.

Como veremos, durante o ato sexual ocorre o contato entre os órgãos genitais dos par-
ceiros sexuais. Esse contato pode favorecer a transmissão de doenças infecciosas sexualmente
transmissíveis (DSTs), já que nessa região ocorre a presença das lesões da maioria das DSTs.
Além disso, a troca de fluidos corporais, como sêmen e as secreções vaginais, também facilita
essa transmissão. Por isso, a compreensão de aspectos fisiopatológicos das DSTs é essencial
para a discussão dos meios de transmissão e prevenção, uma vez que suas complicações
podem trazer sérios prejuízos para a vida humana.

3.2 O ato sexual


Diversas alterações fisiológicas e emocionais caracterizam o ato sexual. Essas alterações são
observadas tanto em homens quanto em mulheres – antes, durante e após o ato sexual. Assim,
pode-se dividir o ato sexual em quatro estágios conhecidos como: excitação, platô, orgasmo e
resolução. Essa divisão foi inicialmente proposta pelos pesquisadores William Masters e Virginia
Johnson, na década de 50.

3  O ato sexual e as doenças sexualmente transmissíveis


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 47

A excitação sexual pode ser deflagrada por diversos estímulos, tanto físicos quanto psico-
lógicos, que causam a ativação de estruturas centrais, como a amígdala e o hipotálamo, provo-
cando o desejo sexual e as respostas fisiológicas que caracterizam essa fase. Durante a excitação,
temos a ereção peniana e clitoriana, além da lubrificação do canal vaginal por meio da maior
secreção de muco. Essas respostas podem ser geradas por reflexos medulares e/ou coordenados
pelo hipotálamo, de acordo com o tipo do estímulo deflagrador.
Estímulos táteis em áreas erógenas, como a região peniana e o clitóris, ativam receptores que
deflagram impulsos sensoriais que se propagarão ao longo do nervo pudendo até o centro in-
tegrador, localizado nos níveis medulares entre S2 e S4. Essas vias sensoriais ativarão, na medula,
as fibras parassimpáticas responsáveis pelo relaxamento da musculatura lisa das arteríolas nos
tecidos genitais. Nos homens, esse relaxamento vascular causa maior volume de sangue nessa
região, comprimindo as veias de drenagem e aprisionando o sangue. Dessa forma, o pênis
aumenta de tamanho e torna-se rígido, caracterizando a ereção peniana. Nas mulheres, os
eventos são semelhantes e levam à ereção clitoriana, ingurgitamento dos pequenos e grandes
lábios e relaxamento da musculatura lisa vaginal, além do aumento das mamas e ereção das
papilas mamárias. A ereção peniana tem consequências funcionais, que possibilitam o ato sexual
por meio da introdução do pênis no canal vaginal. A ativação parassimpática também provoca
a maior liberação de muco pelas glândulas bulbouretrais nos homens e, principalmente, pela
parede vaginal na mulher, facilitando a penetração durante o ato sexual.
A excitação também pode ser provocada por estímulos sexuais visuais, auditivos e emo-
cionais. Neste caso, a ação parassimpática sobre a ereção e a lubrificação será coordenada por
regiões hipotalâmicas. Vale lembrar que estímulos não sexuais durante o sono também podem
causar a ereção masculina. Durante a excitação, também se observa o aumento da frequência
cardíaca e respiratória e do tônus da musculatura esquelética.
Essas alterações atingem um nível intenso, que pode durar por um período variável, de
alguns segundos a vários minutos, caracterizando o estágio de platô do ato sexual. Neste está-
gio, a vasocongestão na vagina causa um aumento do seu volume, diminuindo a sua abertura e
comprimindo o pênis durante a relação sexual. Isso pode levar ao estágio do orgasmo, também
conhecido como clímax, onde ocorre a ejaculação masculina e se tem grande sensação de
prazer. Para isso, impulsos simpáticos reflexos ativam a musculatura lisa dos ductos testiculares,
do epidídimo e do ducto deferente, causando contrações peristálticas que conduzem o sêmen
ao canal da uretra. A ativação simpática também causa a contração e emissão das secreções da

Reprodução, Sistema genital, ontogênese


48 Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4

próstata, contribuindo para neutralizar a acidez do canal vaginal e da uretra e, posteriormente,


das vesículas seminais, que é seguida pela liberação dos espermatozoides.
Durante a ejaculação, ocorre a contração do esfíncter interno da uretra, impedindo tanto a
entrada do sêmen na bexiga quanto a liberação de urina para a uretra. A emissão do sêmen pela
uretra é provocada pela contração pulsátil dos músculos que envolvem os corpos isquicavernoso
e bulboesponjoso (Figura 3.3).

Figura 3.3: Ilustração da anatomia de estruturas do sistema reprodutor masculino. Observe à direita os detalhes do corte
transversal da estrutura peniana, onde podemos observar os corpos cavernosos e esponjosos, juntamente com a posição
da uretra. / Fonte: modificado de Silverthorn, 2010.

A ativação simpática responsável pelo reflexo da ejaculação pode ser provocada pela estimu-
lação tátil de receptores localizados na glande do pênis. A integração desses estímulos ocorre na
medula espinhal, de onde saem as aferências simpáticas. Entretanto, a ejaculação também pode
ser deflagrada por estímulos sexuais de outra natureza, como os emocionais, e não apenas por
estímulos mecânicos. O término da ereção também é causado pela ativação simpática, que leva
à vasoconstrição das arteríolas penianas. Nas mulheres, o orgasmo é caracterizado por contra-
ções rítmicas da musculatura da vagina, útero e períneo, seguido por intensa sensação de prazer.

3  O ato sexual e as doenças sexualmente transmissíveis


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 49

Após a ejaculação e o orgasmo, ocorre o último estágio do ato sexual, denominado reso-
lução, onde se observa uma sensação de relaxamento profundo, seguido do retorno ao estado
normal das variáveis fisiológicas, como a estabilização da frequência cardíaca e respiratória, bem
como do tônus das arteríolas genitais.
Como vimos, durante o ato sexual ocorre o contato direto das áreas genitais masculina e
feminina por meio da penetração peniana. Além disso, ocorre a troca de substâncias como o
sêmen e as substâncias lubrificantes secretadas. Pequenos vasos também podem ser rompidos
pela fricção dos tecidos, causando pequeno extravasamento de sangue, que entra em contato
com a mucosa de ambos os indivíduos. Por todos esses motivos, eventuais micro-organismos
contidos nesses fluidos corporais podem ser transmitidos para o parceiro, causando patologias
conhecidas como doenças sexualmente transmissíveis.

3.3 Doenças Sexualmente Transmissíveis


As doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) são doenças infecciosas que podem ser pro-
pagadas por meio do contato sexual e causadas, em sua grande maioria, por vírus ou bactérias.
Nem todas as DSTs apresentam sinais e sintomas, dificultando a sua identificação e aumentando
os riscos de transmissão. Por isso, são consideradas como um problema de saúde pública mun-
dial. As principais DSTs listadas pelo Ministério da Saúde são:

• Cancro mole
• Clamídia e Gonorreia
• Condiloma acuminado (HPV)
• Doença inflamatória pélvica (DIP)
• Donovanose
• Hepatites virais
• Herpes
• Infecção pelo vírus T-linfotrópico humano (HTLV)
• Linfogranuloma venéreo
• Sífilis
• Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS)
• Síndrome do corrimento uretral masculino
• Tricomoníase

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Destas, as que fazem parte da lista de doenças de notificação compulsória no estado de


São Paulo são: hepatites virais, infecção pelo HIV em gestantes e crianças expostas ao risco de
transmissão vertical (da mãe para o filho, por meio do leite ou das trocas transplacentárias), sífilis
adquirida, sífilis congênita, sífilis em gestantes, AIDS, síndrome do corrimento uretral masculino
e hantavirose. A importância do diagnóstico e tratamento precoce das DSTs está no fato de
que muitas delas podem evoluir para quadros de infertilidade masculina e feminina, câncer do
colo uterino, infecções congênitas ou neonatais, aumento do risco de infecção pelo vírus da
imunodeficiência humana (HIV), entre outros. Além disso, medidas de prevenção podem e
devem ser estabelecidas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a transmissão anual de DSTs no Brasil,
por meio do contato sexual, apresenta os seguintes números:

• Clamídia: 1.967.200
• Gonorreia: 1.541.800
• Sífilis: 937.000
• HPV: 685.400
• Herpes genital: 640.900

No Brasil, as ocorrências de algumas DSTs são registradas em boletins epidemiológicos anuais,


que nos fornecem importantes informações, sobretudo, para direcionar medidas de prevenção. O
último boletim, publicado em novembro de 2011, com especial interesse para a AIDS e sífilis em
gestantes, mostra diferentes realidades para homens e mulheres, bem como para as várias regiões do
Brasil, como podemos ver nos gráficos abaixo (Gráfico 3.1).

3  O ato sexual e as doenças sexualmente transmissíveis


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Gráfico 3.1: Gráficos


epidemiológicos da
incidência de AIDS e sífilis
em gestantes no Brasil.
/ Fonte: modificado de
Boletim Epidemiológico
Aids e DST 2011, publicado
pelo Ministério da Saúde.

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Baseado na análise desses dados estatísticos, o Ministério da Saúde destacou algumas evidên-
cias, que estão organizadas no Quadro 3.1:

Destaques do boletim
• A prevalência de infecção pelo HIV na população jovem, 0,12% em conscritos do Exército em
2007, apresenta tendência de aumento no Brasil. Em 2010, a taxa de incidência de casos de
aids em jovens de 15 a 24 anos foi de 9,5/100.000 habitantes, estabilizada nos últimos 10 anos,
mas com aumento nas regiões Norte e Nordeste, diminuição nas regiões Sudeste e Sul, e
estabilização na Região Centro-Oeste.
• A prevalência de infecção pelo HIV na população de jovens gays, 1,2% em conscritos do Exército
em 2007, apresenta tendência de aumento no Brasil. Nos últimos 12 anos, considerando os casos
de aids notificados entre homens na faixa etária de 15 a 24 anos, houve um aumento de 45,9%
na proporção de casos com categoria de exposição HSH, 46,4% em 2010.
• De 1980 a junho de 2011, no Brasil, foram notificados 608.230 casos de aids. Em 2010 foram
notificados 34.218 novos casos, com taxa de incidência nacional de 17,9/100.000 habitantes
e razão de sexo de 1,7 novos casos em homens para cada caso em mulheres. Ao longo dos
últimos 12 anos observa-se uma estabilização da taxa de incidência no Brasil, mas, segundo as
regiões, a taxa diminuiu na Região Sudeste e aumentou nas demais regiões.
• De 1980 a junho de 2011, no Brasil, foram notificados 14.127 casos de aids em menores de
cinco anos. Em 2010 foram notificados 482 novos casos, com taxa de incidência de 3,5/100.000
habitantes. No Brasil, a taxa de incidência em menores de cinco anos é utilizada como indicador
de monitoramento da transmissão vertical, e ao longo dos últimos 12 anos observa-se uma
redução de 40,7%, mas, segundo as regiões, a incidência aumentou no Norte e Nordeste e
diminuiu nas demais regiões.
• De 1980 a 2010, no Brasil, ocorreram 241.469 óbitos tendo como causa básica a aids. Em 2010
ocorreram 11.965 óbitos, com coeficiente bruto de mortalidade de 6,3/100.000 habitantes.
Considerando o coeficiente de mortalidade padronizado (População brasileira de 2000, IBGE),
nos últimos 10 anos observa-se redução de 11,1% na mortalidade por aids no Brasil, mas,
segundo as regiões, a mortalidade aumentou no Norte, Nordeste e Sul, diminuiu no Sudeste e
estabilizou no Centro-Oeste.
• Em 2010 foram notificados no Brasil 5.666 casos de HIV em gestantes, com taxa de detecção de
2,0 casos por 1.000 nascidos vivos. Em 2010, a única região com uma taxa de detecção de HIV
em gestantes superior à média nacional foi a Região Sul com 4,8 casos por 1.000 nascidos vivos.
• Em 2010, foram notificados no Brasil 10.084 casos de sífilis em gestantes, com taxa de detecção
de 3,5 casos por 1.000 nascidos vivos. Em 2010, as Regiões Centro-Oeste (5,4/1.000 nascidos
vivos), Norte (4,5) e Sudeste (3,6) apresentaram taxas superiores à média nacional.
• Em 2010, foram notificados no Brasil 6.677 casos de sífilis congênita em menores de um ano de
idade, com taxa de detecção de sífilis congênita de 2,3 casos por 1.000 nascidos vivos. Em 2010,
as Regiões Nordeste (2,6/1.000 nascidos vivos) e Sudeste (2,5) apresentaram taxas superiores à
média nacional.
Quadro 3.1

De modo geral, podemos observar que os números de casos de DSTs são preocupantes,
tendo aumentado em algumas regiões do Brasil. Para que a população se conscientize sobre os
riscos de transmissão e as possíveis complicações inerentes à contaminação, é necessária a com-
preensão de alguns aspectos da fisiopatologia das DSTs.Vários esforços também têm sido feitos
com o intuito de conscientizar a população sobre as medidas de prevenção, que também serão

3  O ato sexual e as doenças sexualmente transmissíveis


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 53

abordadas aqui. Vamos conhecer melhor quais são os micro-organismos envolvidos em cada
uma das principais DSTs, seus principais sinais e sintomas, assim como medidas de prevenção,
tratamento e possíveis complicações.

3.1.1 Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS)

A AIDS começou a ser estudada e identificada após a morte de grupos de jovens


norte-americanos homossexuais no ano de 1981. Eles eram portadores de um tipo raro
de pneumonia associada ao enfraquecimento do sistema imunológico, que deixou de
combater este tipo de infecção. Novos casos surgiram e foram correlacionados com um
tipo também raro de câncer, denominado sarcoma de Kaposi.
A identificação do patógeno causador da supressão do sistema imunológico desses indivíduos
se deu em 1983, e foi ele denominado vírus da imunodeficiência humana (HIV). Uma hipótese
para a sua origem seria a mutação de vírus benignos que infectavam macacos na África Central.
Sua transmissão para a população humana teria ocorrido por meio do consumo da carne desses
animais por volta de 1930. Provavelmente, permaneceu por muitos anos restrito a pequenas
aldeias. Entretanto, com o desenvolvimento e a urbanização da população africana, ocorreu o
incremento de transportes terrestres, bem como o aumento da prostituição e da promiscuidade
sexual, contribuindo para a disseminação do vírus.
O HIV é um retrovírus que possui duas fitas idênticas de RNA e enzimas transcriptase reversa,
envoltos por um envelope fosfolipídico (Figura 3.4). Esse envelope contém espículas que se ligam a
receptores localizados na membrana das células do sistema imunológico (Figura 3.4). As principais
células atingidas são os linfócitos T, os macrófagos e as células dendríticas. Após essa fixação, ocorre
a entrada do vírus na célula hospedeira, onde o material genético viral (seu RNA) é liberado e
transcrito em DNA pela transcriptase reversa e inserido no DNA da célula hospedeira.

Figura 3.4: Ilustração da


estrutura do HIV e sua
fixação aos receptores da
célula alvo pelas espículas.
/ Fonte: modificado de
Tortora, 2008.

Reprodução, Sistema genital, ontogênese


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A partir desse momento, o DNA viral pode produzir novos vírus e liberá-los na corrente san-
guínea, causando novas contaminações (Figura 3.5a). Entretanto, esse DNA pode permanecer
latente, sem produzir novos vírus por décadas, permanecendo escondido e não sendo detectado
pelo sistema imunológico do indivíduo. Quando produzido, o DNA viral pode permanecer la-
tente, dentro de vacúolos da célula hospedeira (Figura 3.5b) e não ser liberado. A possibilidade
de o HIV permanecer oculto dentro das células hospedeiras dificulta a identificação da infecção
pelo sistema imunológico, bem como o combate do vírus por anticorpos. Além disso, o HIV
sofre rápidas mutações ao longo de um dia, chegando a um número em torno de 1 milhão de
variantes do vírus em indivíduos portadores assintomáticos, e 100 milhões nos estágios finais
da infecção, o que também contribui para que o HIV consiga driblar as defesas imunológicas
desses indivíduos. Isso também dificulta extremamente a produção de drogas e vacinas.

Figura 3.5: Ilustração da infecção pelo vírus HIV. / Fonte: modificado de Tortora, 2008.

3  O ato sexual e as doenças sexualmente transmissíveis


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 55

Nem todos os indivíduos infectados pelo HIV têm o diagnóstico de AIDS. O diagnóstico
é feito por meio da contagem de linfócitos T CD4/mm3. Quando a contagem está abaixo
de 200/mm3, o indivíduo tem AIDS. Geralmente, essa baixa contagem está associada a um
conjunto de infecções oportunistas que caracterizam a síndrome. Entre elas, podemos destacar
as infecções por Candida albicans no esôfago, brônquios e pulmões, as infecções oculares por
citomegalovírus, a tuberculose, a pneumonia por Pneumocystis, a toxoplasmose cerebral e o
sarcoma de Kaposi, causado pelo herpesvirus humano.
A contagem de linfócitos T no indivíduo portador do HIV pode variar muito, provocando
diferentes quadros clínicos que podem ser divididos em três categorias, de acordo com a con-
tagem e a sintomatologia apresentada. O gráfico abaixo estabelece a relação entre elas ao longo
dos anos, e identifica as três categorias existentes (Gráfico 3.2).Vale lembrar que o indivíduo
com a contagem de linfócitos T CD4 abaixo de 200/mm3, com o diagnóstico de AIDS e a
sintomatologia descrita acima, encontra-se na categoria C.

Gráfico 3.2: Ilustração gráfica da progressão da infecção pelo vírus HIV. / Fonte: modificado de Tortora, 2008.

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A categoria B caracteriza-se por infecções persistentes na boca, garganta ou vagina pelo


fungo Candida albicans, herpes zoster, diarreia, febre e placas esbranquiçadas na mucosa oral,
indicando o início da supressão imunológica. Já a categoria A consiste em um estágio clínico
assintomático ou apresenta apenas edema dos linfonodos.
Nem todos os indivíduos portadores do HIV desenvolvem AIDS, sendo que alguns têm
maior propensão em desenvolvê-la. Entre eles, podemos destacar os idosos, pois o envelheci-
mento do sistema imunológico diminui a velocidade de reposição dos linfócitos T eliminados
pela infecção. Podemos destacar também os bebês e crianças de pouca idade, que ainda não têm
o sistema imunológico completamente desenvolvido para executar a mesma função. Entretanto,
alguns bebês que nascem de mães HIV-positivas podem nascer sem a infecção.
A transmissão do vírus ocorre por meio do contato direto com líquidos corporais infec-
tados, como o sêmen, o leite materno, a secreção vaginal e, principalmente, o sangue; o que
pode ocorrer durante a relação sexual vaginal, anal ou oral, a lactação, a utilização de agulhas
ou outros instrumentos cortantes infectados, a comunicação transplacentária, o transplante de
órgãos, a transfusão sanguínea e a inseminação artificial. Além disso, durante a relação sexual, a
transmissão do homem para a mulher é mais facilitada. É importante ressaltar que outros tipos
de contato não transmitem o vírus como, por exemplo, o beijo, o aperto de mão, o abraço ou
o compartilhar objetos pessoais.

O tratamento para a AIDS teve um grande avanço nos últimos anos, permitindo
uma sobrevida maior a cada dia e diminuindo o número de mortes. Por outro
lado, isso causou uma diminuição nas medidas de prevenção adotadas pela
população, aumentando os números de transmissão do vírus. A prevenção
ainda é o método mais eficaz de combate à AIDS. Medidas preventivas, como
o teste das amostras envolvidas na transfusão, nos transplantes e na inseminação
artificial, diminuíram muito o risco de contaminação. Entretanto, a prevenção
pelo uso de preservativo e de agulhas e seringas descartáveis (principalmente
por usuários de drogas) ainda não é adequada. A utilização de preservativos
pode ser realizada por homens e mulheres, sendo que os preservativos
masculinos e femininos devem ser colocados de maneira correta (Figura 3.6)
e obedecer a algumas orientações destacadas nos quadros abaixo.

3  O ato sexual e as doenças sexualmente transmissíveis


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Preservativo masculino (a)

• Deve ser armazenado longe do calor (como bolso de calça, porta-luvas, dentro de bolsas).
• Observar a integridade da embalagem, bem como o prazo de validade.
• Deve ser colocado antes da penetração, durante a ereção peniana.
• Receptáculo existente na extremidade do preservativo deve ser mantido apertado entre
os dedos durante a colocação, retirando todo o ar do seu interior.
• Ainda segurando a ponta do preservativo, desenrolá-lo até a base do pênis.
• Devem ser usados apenas lubrificantes de base aquosa (gel lubrificante), pois o uso de lubrifi-
cantes oleosos (como vaselina ou óleos alimentares) danificam o látex, ocasionando sua ruptura.
• No caso de ruptura, o preservativo deve ser substituído imediatamente.
• Após a ejaculação, retirar do pênis ainda ereto, segurando o preservativo pela base para
que não haja vazamento de esperma.
• O preservativo não pode ser reutilizado e deve ser descartado no lixo (não no vaso
sanitário) após o uso.

Preservativo feminino (b)

• Armazenar longe do calor, observando-se a integridade da embalagem e o prazo de validade.


• Não usar simultaneamente com o preservativo masculino.
• Ao contrário do preservativo masculino, o feminino pode ser colocado até oito horas
antes da relação e retirado com tranquilidade após a relação, de preferência antes de a
mulher se levantar, para evitar que o esperma escorra do interior do preservativo.
• Já vem lubrificado; no entanto, se for preciso, devem ser usados lubrificantes de base
oleosa fina na parte interna.
• Para colocá-lo corretamente, a mulher deve encontrar uma posição confortável (em pé com
um dos pés em cima de uma cadeira, sentada com os joelhos afastados, agachada ou deitada).
• O anel móvel deve ser apertado e introduzido na vagina. Com o dedo indicador ele deve
ser empurrado o mais profundamente possível para alcançar o colo do útero; a argola fixa
(externa) deve ficar aproximadamente 3 cm para fora da vagina; durante a penetração, o
pênis deve ser guiado para o centro do anel externo.
• Deve ser utilizado um novo preservativo a cada nova relação.

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Figura 3.6: Ilustração da colocação correta dos preservativos masculino (a) e feminino (b). / Fonte: modificado do
Manual de controle das DSTs.

3  O ato sexual e as doenças sexualmente transmissíveis


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3.3.2 Sífilis

A sífilis é uma doença causada pela bactéria


gram-negativa Treponema pallidum, que tem o formato
de um fio espiralado (Figura 3.7). Sua transmissão
ocorre principalmente por qualquer tipo de contato
sexual, bem como por transfusão sanguínea e pelo
Figura 3.7: Fotomicrografia da bactéria Treponema
contato com lesões sifilíticas dos genitais ou de outras pallidum, causadora da sífilis. / Fonte: modificado de
Tortora, 2008.
regiões do corpo. A transmissão da mãe para o filho
durante a gestação ou parto também pode ocorrer, e é uma das formas mais preocupantes de
transmissão por causar grandes prejuízos para o desenvolvimento embrionário.
Sua progressão ocorre após um período de incubação, onde não há presença de sinais e sintomas,
que pode variar de poucas semanas a alguns meses. Ela apresenta estágios de evolução clinicamente
estabelecidos. No primeiro estágio, ocorre a presença de pequena ulceração, denominada cancro. Essa
ferida é indolor e apresenta uma secreção líquida altamente infecciosa (Figura 3.8). Geralmente,
encontra-se localizada nas áreas genitais, não sendo muito visível quando se encontra no colo do útero
ou na uretra masculina, aumentando as chances de transmissão. Nesse período, as bactérias atingem a
corrente sanguínea, distribuindo-se por todo o organismo. Posteriormente, as feridas desaparecem e o
indivíduo permanece sem sinais e sintomas por várias semanas, até o início do segundo estágio.

Figura 3.8: Lesões presentes nos diferentes


estágios da sífilis (a, b e c). / Fonte: modificado
de Tortora, 2008.

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No segundo estágio, as erupções cutâneas reaparecem com características diversas e distribuídas


por várias regiões da pele, bem como nas mucosas da boca e garganta (Figura 3.8). Frequentemente,
estão acompanhadas por febre leve e mal-estar. Neste período, as secreções das feridas estão alta-
mente contagiosas, devido à presença de elevado número da bactéria Treponema pallidum. Esses sinais
e sintomas desaparecem após algumas semanas, caracterizando o período de latência, que pode
durar alguns anos. A maioria dos indivíduos com sífilis estaciona neste estágio. Após alguns anos no
período de latência, a sífilis só será transmitida de mãe para filho. Muitas vezes, a mulher passa pelos
dois primeiros estágios sem perceber a presença da infecção, tornando-se séria candidata a transmitir
para o feto quando grávida. Por isso, é extremamente importante fazer o teste durante o pré-natal
ou, mesmo, antes de engravidar.
Após vários anos, a doença pode evoluir para o terceiro estágio. Entretanto, menos da metade
dos casos evolui. Neste estágio, ocorrem lesões em diversos órgãos e na pele, podendo sofrer
ulcerações e danos teciduais importantes (Figura 3.8). Alterações no sistema nervoso podem
levar à cegueira, fraqueza muscular e alterações comportamentais. Além disso, pode haver sérios
danos ao sistema cardiovascular, levando à morte.
Quando transmitida de mãe para filho pela placenta, a sífilis é denominada sífilis congênita.
Essa infecção causa importantes prejuízos ao desenvolvimento do feto, como alterações no
desenvolvimento mental, cegueira, surdez, dentes e ossos deformados e pneumonia, podendo
levar à morte da criança, principalmente quando a gestação ocorre durante os dois primeiros
estágios. Por isso, o diagnóstico e tratamento precoce são muito importantes para a gestante.
Quando corretamente tratada, a sífilis tem cura. Sua prevenção é realizada evitando o contato
direto com as ulcerações e, principalmente, utilizando preservativos durante as relações sexuais.
Medidas de controle na transfusão sanguínea também são tomadas nesse sentido.

3.3.3 Cancro mole

O cancro mole, também conhecido como cancro venéreo, é uma doença causada por um
bacilo gram-negativo, denominado Hemophilus ducreyi. Sua maior incidência ocorre nas regiões
mais tropicais do Brasil. Poucos dias após a infecção, surgem úlceras edemaciadas e dolorosas nas
regiões genitais, juntamente com infecção dos linfonodos mais próximos. Esses locais infectados
podem secretar pus, facilitando a contaminação. Outro sintoma comum é o relato de dor durante
as relações sexuais e a evacuação. Sua principal forma de transmissão são as relações sexuais sem o
uso de preservativos, e o seu tratamento e cura são obtidos com o uso de antibióticos.

3  O ato sexual e as doenças sexualmente transmissíveis


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3.3.4 Gonorreia

Gonorreia é a segunda doença sexualmente


transmissível mais notificada no Brasil. Seu patógeno
causador é uma bactéria gram-negativa denominada
Neisseria gonorrhoeae. Foi descrita, pela primeira vez,
pelo médico grego Galeno em 150 d.C.. Sua principal
forma de transmissão é a relação sexual. Quando
isso ocorre, o patógeno desencadeia inflamações
purulentas em regiões como olhos, faringe, reto, uretra, Figura 3.9: Secreção purulenta da uretra masculina,
característica da gonorreia. / Fonte: modificado de
colo do útero e órgãos sexuais externos. Nos homens, Tortora, 2008.
os principais sintomas da infecção são dor durante
a micção e a presença de secreção purulenta na uretra (Figura 3.9). Já nas mulheres, a
sintomatologia é mais sutil e muitas vezes não é percebida.
Quando não tratada, pode levar a sérias complicações, envolvendo o coração, as meninges, os
olhos e outras regiões. Nos recém-nascidos contaminados durante o parto, a infecção nos olhos
pode causar cegueira. Seu tratamento é realizado com antibióticos, e sua prevenção se faz com
o uso de preservativos e testes laboratoriais sanguíneos antes de transfusão e de transplantes.

3.3.5 Hepatites virais

A hepatite é uma inflamação no fígado que pode ser causada por diversos fatores, sendo o
principal deles a infecção viral. As hepatites virais mais conhecidas são causadas por cinco vírus
diferentes, denominados vírus da hepatite A, B, C, D e E, que causam as hepatites de mesmo nome.
Destas, a hepatite A e E são transmitidas principalmente por via fecal-oral, enquanto as hepatites
tipo B, C e D têm a via parenteral como principal via de transmissão, incluindo o contato sexual.
A hepatite tipo B tem uma sintomatologia leve, com presença de febre baixa, dores articu-
lares e falta de apetite, olhos e pele amarelados e urina escura. Quando diagnosticada e tratada
corretamente, a grande maioria dos casos apresenta recuperação completa. Entretanto, uma
pequena parcela pode evoluir para a hepatite crônica, quando a infecção permanece por mais
de 6 meses. As crianças, principalmente com menos de um ano, têm grande chance de evoluir

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para hepatite crônica. Indivíduos portadores de hepatite crônica apresentam altos índices de
câncer de fígado (Figura 3.10). Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoce e adequado da
hepatite aguda são indispensáveis.

Figura 3.10: Fígado saudável, à esquerda. Fígado com lesões crônicas causadas pela hepatite, à direita. /
Fonte: modificado de Tortora, 2008.

A prevenção da hepatite é realizada por meio do uso de preservativos e o não compartilhamento


de objetos perfurantes ou cortantes, como agulhas e alicates de unhas.Além disso, a imunização pode
ser realizada com três doses de vacina, gratuitamente fornecidas pelo sistema único de saúde.
O tipo mais preocupante é a hepatite C, pois não há vacina e sua sintomatologia é muito leve,
passando muitas vezes despercebida. Isso aumenta a possibilidade de transmissão, assim como
a evolução para hepatite crônica. Dos infectados, aproximadamente 20% desenvolve cirrose
hepática ou câncer de fígado. Além disso, seu tratamento é mais complexo. Por isso, a prevenção
da hepatite C é extremamente importante. Ela pode ser realizada com o uso de preservativos
e o não compartilhamento de materiais cortantes e perfurantes. As gestantes infectadas devem
suspender a amamentação e seguir orientações médicas adequadas para o parto, evitando assim
a contaminação do latente. Além disso, exames laboratoriais são realizados nos procedimentos
de doação de sangue, de sêmen e de transplante de órgãos.
A infecção pelo vírus da hepatite D ocorre apenas em indivíduos infectados pelo vírus da
hepatite B. Sendo assim, sua prevenção é feita por meio da prevenção da hepatite B. Quando
a infecção pelos vírus da hepatite B e D ocorrem simultaneamente, a sintomatologia é leve e
semelhante às demais hepatites em estágio agudo. Entretanto, quando a infecção pelo vírus da
hepatite D é transmitida para um indivíduo já portador da hepatite B, frequentemente ocorre a
evolução para hepatite crônica, com severas lesões hepáticas e altos níveis de fatalidades.

3  O ato sexual e as doenças sexualmente transmissíveis


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 63

Na tabela abaixo podemos ver um resumo das principais características das hepatites virais
(Tabela 3.1).

Tabela 3.1: Características da Hepatite viral. / Fonte: modificado de Tortora, 2008.

Característica Hepatite A Hepatite B Hepatite C Hepatite D Hepatite E


Parenteral (injeção
de sangue Parenteral
Fecal-oral
Via de contaminado ou (hospedeiro
(ingestão de
outros líquidos Parenteral deve estar co- Fecal-oral
transmissão alimentos e água
corporais), infectado com a
contaminada)
inclusive contato hepatite B)
sexual
Vírus da
Vírus da
Vírus da hepatite Vírus da hepatite hepatite D Vírus da hepatite
hepatite C
A (HAV); RNA de B (HBV); DNA (HDV); RNA de E (HEV); RNA de
Agente causal fita simples; sem de fita dupla;
(HCV); RNA de
fita simples; fita simples; sem
fita simples;
envelope envelope envelope do envelope
envelope
HBV
Período de
2-6 semanas 4-26 semanas 2-22 semanas 6-26 semanas 2-6 semanas
incubação
Frequentemente
subclínica; similar Similar
Principalmente Similar ao HAV,
ao HAV; febre, ao HBV,
Manifestações subclínico; casos Lesão hepática mas as gestantes
sem cefaleia; mas maior
graves: febre, severa; alta taxa podem ter
ou sintomas mais provável a probabilidade
cefaleia, mal- de mortalidade elevada taxa de
progressão para de se tornar
estar, icterícia mortalidade
doença hepática crônica
grave
Prevalência do
anticorpo nos 33% 5-10% 1,8% Desconhecida 0,5%
Estados Unidos
Doença hepática
Não Sim Sim Sim Não
crônica
A vacina
Vacina inativada; Vacina produzida
contra o HBV é
imunoglobulina por engenharia Em
Vacina fornece proteção genética em
Nenhuma protetora, pois
desenvolvimento
é necessária a
temporária leveduras
coinfecção

Reprodução, Sistema genital, ontogênese


64 Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4

3.3.6 Herpes genital

O herpes genital pode ser causado pelo


vírus herpes simples 1 e 2. Entretanto, o her-
pesvirus humano 2 é o principal responsável
pelo herpes genital, enquanto o tipo 1 está
mais envolvido com o herpes labial.
Após aproximadamente uma semana de
infecção pode-se observar o aparecimento de
pequenas bolhas, que posteriormente causam
lesões nos órgãos genitais e no colo do útero, Figura 3.11: Bolhas de herpes genital no pênis. / Fonte: modificado
de Tortora, 2008.
contendo líquido infeccioso (Figura 3.11).
Essas lesões causam dor e ardência, gerando desconforto durante a micção para homens e
mulheres. Febre e mal-estar também podem acompanhar esse período.
O herpes pode ser controlado, deixando o vírus latente, mas não existe cura. Por isso, suas
recidivas não são incomuns e podem ser desencadeadas por fatores emocionais como estresse,
bem como pela presença de febre, exposição ao sol, uso prolongado de antibióticos e até
mesmo pela menstruação.
Sua transmissão ocorre por contato sexual vaginal, anal e oral, bem como de mãe para
filho por via transplacentária ou durante o nascimento. O feto infectado pode ser abortado
ou sofrer graves lesões no sistema nervoso, causando déficits mentais, visuais e auditivos. Suas
consequências são mais graves quando o vírus é adquirido pela mãe durante a gestação. Por isso,
a prevenção durante a gestação é primordial.
Mesmo na ausência de sinais e sintomas, o herpes poder ser transmitido pelo sêmen
que contém o vírus. De maneira geral, a prevenção para herpes é realizada com o uso
de preservativos, e evitando o contato direto com bolhas e feridas durante a fase ativa.
Entretanto, o uso de preservativos nem sempre é suficiente quando as feridas se localizam
em regiões como os órgãos genitais externos da mulher e a base do pênis. Durante essa fase,
é necessário evitar o contato sexual.

3  O ato sexual e as doenças sexualmente transmissíveis


Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 4 65

3.3.7 Verruga genital

Causada pelo papilomavírus humano


(HPV), também conhecido como condiloma
acuminado, as verrugas genitais fazem parte
do grupo de DSTs com índices de trans-
missão crescentes. Um dos motivos é o fato
de que a transmissão pode ocorrer princi-
palmente pela relação sexual, mesmo sem a
presença de sinais e sintomas. O período de
incubação do vírus pode variar de semanas a
meses. Após o período de incubação, ocorre Figura 3.12: Verrugas genitais causadas pelo HPV na região genital
feminina externa. / Fonte: modificado de Tortora, 2008.
o aparecimento de verrugas localizadas prin-
cipalmente nas regiões genitais (Figura 3.12), mas também podem surgir na boca e garganta.
Essas verrugas são causadas por alguns dos mais de 100 tipos de HPV, sendo que a cada dia os
pesquisadores identificam subtipos diferentes. Os HPV causadores das verrugas também estão
associados ao desenvolvimento de câncer no colo do útero, sendo uma das suas principais
causas, o que torna a sua prevenção fundamental. Além disso, o HPV também pode causar
câncer no pênis, no ânus e na orofaringe.
A prevenção da infecção pelo HPV é realizada pelo uso de preservativos e também pela
vacinação. Existem dois tipos de vacina contra alguns tipos de HPV relacionados com o desen-
volvimento do câncer de colo do útero. Uma delas é a quadrivalente, que protege contra 4 tipos
de HPV, sendo que dois deles estão presentes em 70% dos casos de câncer de colo do útero, e
os outros dois estão presentes em 90% dos casos. O outro tipo de vacina protege apenas contra
os dois tipos de HPV presentes nos 90% dos casos. É bom lembrar que essas vacinas protegem
contra a infecção pelo HPV, e provavelmente contra o desenvolvimento do câncer de colo do
útero. Entretanto, a relação entre a vacinação e a prevenção do câncer só poderá ser instalada
daqui a algumas décadas, uma vez que o uso da vacina ainda está sendo estabelecido. Além
disso, as características da prevenção obtidas pela vacinação ainda não são conhecidas como, por
exemplo, o tempo de imunidade conferido pela vacina. Por isso, medidas de prevenção, como
o uso de preservativos, não devem ser abandonadas.

Reprodução, Sistema genital, ontogênese


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Agora é a sua vez...


Acesse o AmbienteVirtual de Aprendizagem e realize a(s) atividade(s) proposta(s).

3.4 Conclusão
Neste texto, discutimos a fisiologia envolvida no comportamento sexual e no controle do
ato sexual. Além disso, discutimos as implicações do ato sexual no desenvolvimento de DSTs,
bem como a fisiopatologia e a prevenção das principais DSTs no cenário nacional.

Referências
Aires, M.M. (org.). Fisiologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
Berne, R.M. et al. Fisiologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
Campbell, N.A. et al. Biologia. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
Curi, R.; Procópio, J. Fisiologia Básica. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009.
Lent, R. Cem Bilhões de Neurônios? Conceitos Fundamentais de Neurociência. 2. ed.
São Paulo: Atheneu, 2010.
Silverthorn, D.U. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada. 5. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2010.
Tortora, G.J.; Funke, B.R.; Case, H.L. Microbiologia. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.

Glossário
Boletins epidemiológicos anuais: Acesse o site http://www.aids.gov.br/tags/tags-do-portal/boletime-
pidemiologico e veja alguns dos boletins emitidos pelo Ministério da Saúde.
Retrovírus: Vírus que produz DNA a partir de seu RNA viral.

Sarcoma de Kaposi: Tipo de tumor do endotélio linfático.

3  O ato sexual e as doenças sexualmente transmissíveis